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248# Duas rotas para usar IA: mais preguiçosa ou mais inteligente

04 de maio de 202615min
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"Tenho medo de usar IA, porque tenho medo de emburrecer!"

Essa frase, trazida por uma estudante do MIT no SXSW, abre uma reflexão urgente sobre o uso da Inteligência Artificial no nosso dia a dia profissional.

Neste episódio, falamos sobre duas formas de usar IA:

👉 Quando ela vira uma muleta e substitui o pensamento

👉 Quando ela se torna uma parceira que expande o raciocínio

No universo de BPM, essa diferença é decisiva.

Porque mais do que entregar rápido, o verdadeiro valor está em entender, analisar e tomar decisões com profundidade.

Você está usando IA para pensar melhor… ou para pensar menos?

Se essa conversa fizer sentido para você, compartilhe com outros profissionais que também estão navegando esse novo momento.

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Participantes neste episódio1
O

Olivia Joseph

ConvidadoEstudante do MIT
Assuntos3
  • Empresa AI First vs. Usuária de IAMedo de emburrecer com IA · Terceirização cognitiva · Expansão do raciocínio · IA como muleta vs parceira · Sedentarismo cognitivo
  • IA ameaça e oportunidades no trabalhoIA em processos genéricos vs específicos · IA como ferramenta de raciocínio · IA como copiloto crítico · Engenharia de prompt no BPM
  • Impacto da IA no trabalhoPensar com IA · IA como extensão do raciocínio · Diferença entre economizar tempo e pensamento
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Olá, BPM Friends! Sejam bem-vindos ao DecaCast, o canal de podcast da DER, onde a gente conversa tudo sobre BPM.

Olá, olá, BPM Friend! Hoje eu quero começar com uma frase que ecoou no evento de inovação SXSW desse ano de 2026 em Austin e que talvez seja uma das frases mais importantes sobre a inteligência artificial nesse momento. Durante um painel, uma estudante do MIT, Olivia Joseph, trouxe uma provocação mais ou menos assim.

Eu tenho medo de usar inteligência artificial porque eu tenho medo de emburrecer. Vou fazer uma pausa de uns segundinhos aqui para você refletir sobre isso e perguntar a você mesmo se em algum momento você também já sentiu esse medo de emburrecer por estar usando a IA.

Particularmente, eu acho essa frase maravilhosa. Por quê? Ela não é uma frase contra o uso da inteligência artificial. Ela não é a tecnofóbica, de quem tem medo da tecnologia. Não. E ela também não é aquele discurso do ai meu Deus, as máquinas vão dominar o mundo e roubar meu emprego, meu café e meu crush. Não.

Ela é uma frase muito mais sofisticada do que isso. Por quê? O que ela está dizendo, no fundo, no fundo é, eu não tenho medo da IA em si. Eu tenho medo do que eu posso deixar de exercitar em mim quando eu começo a delegar demais para a inteligência artificial.

E nesse ponto, o BPM Friends tem uma reflexão importante para a gente. Você já parou para pensar nos efeitos da inteligência artificial no seu cérebro? Hoje em dia, eu acho que talvez a pergunta não seja mais, você usa e há?

Talvez a pergunta seja, como você usa a IA? E mais do que isso, que tipo de pessoa você está se tornando enquanto usa a IA? Existem duas rotas hoje que os pesquisadores estão me identificando claramente para o uso da inteligência artificial. De um lado, existe a rota da terceirização cognitiva. E do outro, existe a rota da expansão do raciocínio.

Observe a BPMFriend que as duas rotas usam as mesmas ferramentas. O XHPT pode estar nas duas rotas, o Cloud, o Gemini. A IA generativa pode estar nas duas rotas. O agente inteligente também pode estar nas duas rotas. Então a diferença não está na tecnologia. A diferença está no modo de uso.

Vamos entender melhor. A primeira rota que é quando você terceiriza ou delega ou delarga o seu pensamento para a inteligência artificial. Nessa rota você está transferindo todo o esforço cognitivo de uma mente humana para a inteligência artificial.

Ou seja, eu estou falando daquela pessoa que não usa a IA para pensar melhor. Ela usa a IA para não pensar. Ela abre o chat e pergunta, faça uma análise desse processo para mim. A IA responde. A pessoa simplesmente copia, cola, apresenta. Fim.

Ela não questiona, ela não compara com a realidade da empresa, ela não valida com dados, ela não percebe inconsistências, ela não identifica premissas fracas, ela não olha para o contexto organizacional, humano, político, operacional, tecnológico.

Aqui mora o perigo. Porque a IA pode produzir um texto muito bonito. E texto bonito dá aquela falsa sensação de inteligência, sabe?

Aliás, combina aqui uma coisa comigo. A IA é perigosíssima para quem confunde influência com profundidade. A IA escreve bem, organiza bem, usa palavras bonitas, parece segura, produz aquele powerpoint lindo. E no final você vai se perceber batendo palma para uma apresentação toda elegante combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, combina, comb

que não entendeu o problema, que não considerou o contexto. Ficou lindo, mas está certo? Faz sentido aqui na nossa organização? E no mundo corporativo, BPM Friend, essa rota é especialmente perigosa. Imagina um escritório de processos usando inteligência artificial assim. Chat GPT, redesenhe meu processo de compras.

A IA devolve um processo genérico, com etapas bonitinhas, boas práticas de mercado, nomes elegantes e uma lógica aparentemente impecável. Só que ela não sabe que naquela empresa existe um fornecedor crítico com um contrato muito antigo.

Ela não sabe que a área jurídica demora 30 dias para aprovar qualquer minuta de contrato. Não sabe que o sistema RP tem erros e limitações bem específicos. Não conhece a diretoria financeira que gosta de receber um pedido de aprovação informal antes que chegue no e-mail dela o pedido formal.

A IA também não sabe que o maior gargalo não está nas atividades do processo, e sim nas disputas de poder entre as áreas. A IA pode saber muita coisa, mas ela não sabe tudo. E principalmente, ela não vive aí na sua empresa.

Quando usamos a IA sem julgamento, sem repertório, sem esforço cognitivo, o resultado pode ser uma falsa aceleração. A pessoa entrega mais rápido, mas entende menos. Produz mais, mas aprende menos. Aqui vem uma ironia muito cruel, porque a IA poderia ampliar a inteligência, mas ela acaba criando uma espécie de sedentarismo cognitivo.

E a gente já aprendeu, né? Aquela parte do nosso corpo que a gente não usa, atrofia. Antes você estruturava uma análise de processo, agora você pede para a IA analisar. Antes você buscava as causas dos desempenhos insatisfatórios do processo. Hoje você pede para a IA listar essas causas.

Antes você formulava hipóteses, hoje você pede para a IA gerar hipóteses. Antes você sofria um pouquinho para pensar, mas esse sofrimento BPM Friend não era defeito, era musculação cerebral cognitiva. E o que os pesquisadores estão vendo atualmente é que se você não está usando o seu cérebro, porque a IA pensa tudo por você,

esse cérebro vai começar a atrofiar. E é por isso que o medo de emburrecer faz realmente algum sentido. Agora, vamos para a segunda rota? O segundo caminho possível para a gente trabalhar com inteligência artificial? E aqui tem uma coisa linda e totalmente inesperada.

o medo protegendo a gente. Sim, a gente sempre aprendeu que medo era uma coisa ruim, né? Pois é, agora a pessoa que tem medo de emburrecer, ela não necessariamente rejeita a inteligência artificial, ela só não entrega o volante, ela usa com cautela, ela pergunta, mas confere, ela pede sugestões, mas toma a decisão no final.

Ela solicita alternativas, mas compara. Ela acelera tarefas, mas preserva o seu raciocínio. Ou seja, ela está usando a inteligência artificial como parceira de pensamento e não como substituta da própria cabeça.

Essa é a diferença fundamental. Na rota 1, a pessoa diz IA, pense por mim. Na rota 2, a pessoa diz IA, pense comigo. Percebe a diferença, BPM e Friend? Na primeira rota, a IA vira muleta. Na segunda, ela vira academia.

Na primeira, a IA reduz esforço. Na segunda, melhora a qualidade do esforço. Na primeira rota, a IA dá resposta pronta e genérica. Na segunda, a IA te ajuda a construir melhores perguntas.

E no mundo do BPM, tudo isso é decisivo, porque a gente já sabe que BPM não é apenas desenhar caixinha, modelar processo, automatizar fluxo, colocar tudo no padrão da anotação BPMN e fingir que isso é transformação. BPM é raciocínio organizacional, é entender como o trabalho acontece, é perceber onde o valor é criado ou perdido.

É conectar estratégia com operação, tecnologia com pessoas. É lidar com ambiguidade. E tudo isso exige o quê? Pensamento. Muito pensamento. A IA pode ajudar mais, mas ela não pode substituir o olhar do especialista de BPM. Vamos pegar um exemplo simples. Uma empresa quer melhorar o processo de atendimento a clientes corporativos.

Na rota 1, a pessoa joga no chat GPT e pede, melhore o processo de atendimento ao cliente. A Yava te devolve o quê? Mapear jornada do cliente, criar indicadores e SLA's, automatizar triagem, treinar equipe, implantar chatbot, monitorar satisfação. Tudo certo? Sim. Tudo genérico? Também. Esse é aquele tipo de resposta que não está errada, mas que não ajuda muito.

Agora vamos para a rota 2. A pessoa de BPM que usa e há sim chat EPT, eu vou te descrever um processo de atendimento corporativo. Quero que você me ajude a identificar hipóteses de perda de valor, mas não quero resposta final ainda. Primeiro, me faça perguntas para entender contexto, volume, perfil dos clientes, exceções, indicadores atuais, conflitos entre áreas e riscos de automação.

Percebe? Aqui a IA não substitui o raciocínio, ela ajuda a abrir o raciocínio. É a IA como expansão do pensamento de BPM, é isso que eu venho falando com vocês lá no Instagram da DECA. É transformar a IA em um parceiro de raciocínio, em um copiloto crítico. E esse é justamente o jeito DECA de trabalhar com inteligência artificial. Aqui na DECA a gente não trata a IA como mágica.

Nem como ameaça, nem como modinha, nem como aquele brinquedinho novo que todo mundo precisa usar para parecer moderno no LinkedIn. A gente trata a IA como uma extensão do raciocínio de BPM. A IA não vai substituir método, repertório, pensamento crítico, não substitui a capacidade de entender o processo como um fenômeno humano, tecnológico e estratégico.

Mas a IA pode sim ampliar tudo isso. Ela pode ajudar a gente a formular perguntas melhores, organizar informações, comparar alternativas de redesenho de processo, identificar riscos, formular hipóteses, apoiar análise de causa, transformar entrevistas em insights, facilitar a comunicação entre time de processos e time de TI.

pode apoiar um escritório de processos a sair do modo operacional e atuar de uma forma mais inteligente. Mas só se você não abandonar o seu cérebro no caminho. É por isso que o curso do chat EPT aplicado ao BPM da DECA não vem simplesmente com um monte de truquezinho de prompt.

A gente vem com engenharia de prompt. É ensinar uma forma de pensar com o IA dentro do ciclo de gestão de processos. Como usar do jeito certo a IA para modelagem, análise, melhoria de processos. E não como usar a IA para ficar apertando o botão de um jeito mais sofisticado.

Porque o futuro do BPM não é o profissional que entrega tudo para a IA fazer por ele. E também não é o profissional que foge da IA. O futuro é o profissional que sabe pensar com o IA, com os seus métodos, com a sua análise crítica, com a sua bagagem, com a sua profundidade, com a sua responsabilidade.

Então, BPM Friend, eu quero deixar uma pergunta para você aqui hoje. Quando você usa IA, você sente que está ficando mais capaz ou mais dependente? Essa pergunta é incômoda, eu sei, mas ela é necessária, porque existe uma diferença enorme entre economizar tempo e economizar pensamento. Economizar tempo é ótimo, economizar pensamento pode ser perigoso.

A IA pode ser uma ponte para um novo nível de inteligência profissional, mas ela também pode ser um atalho para uma mediocridade com palavras bonitas. Talvez o medo de emburrecer seja sim um medo saudável, não para paralisar a gente, mas para lembrar, eu ainda preciso ser capaz de pensar.

Então a melhor rota não é usar menos a inteligência artificial, é usar melhor, não é rejeitar a tecnologia, é preservar aquilo que torna a tecnologia valiosa nas nossas mãos humanas, nossa capacidade de julgamento, a nossa curiosidade, o nosso repertório, a nossa sensibilidade e a capacidade de fazer boas perguntas.

Porque no fim das contas, a IA pode responder muita coisa, mas quem precisa decidir o que ainda importa somos nós. Então, se esse DecaCast fez sentido para você, compartilha com aquele colega que está usando IA para tudo.

e com aquele outro que ainda acha que abrir o chat EPT é tipo invocar um espírito perigoso. Os dois precisam dessa conversa aqui. Eu vou ficando por aqui porque, afinal de contas, esse DecaCast de hoje ficou bem mais longo que o normal. Até o próximo DecaCast!

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