Episódios de No Bico Do Corvo

Episódio 235 - Paulo Simões o Músico Fronteirista

06 de maio de 20261h31min
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Cantor, compositor, letrista e instrumentista, nascido no Rio de Janeiro, mas criado em Campo Grande, onde reside, é um de um dos principais criadores de uma linguagem musical contemporânea no Mato Grosso do Sul.

Autor consagrado de clássicos do repertório regional, como “Sonhos Guaranis” e “Comitiva Esperança”, com Almir Sater, e “Trem do Pantanal”, com Geraldo Roca, Simões é uma das mais importantes referências da potente música regional brasileira, reconhecido internacionalmente. Mereceu indicação ao Grammy Latino de 2017, na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa, com D de Destino, parceria com Almir Sater e Renato Teixeira.

Paulo Simões, um dos mais importantes músicos de sua geração, comprova com sua marca registrada- a qualidade de melodias e letras poéticas e a fusão do caipira fronteiriço ao universo urbano globalizado- que é um dos talentos da música do oeste do Brasil.

E hoje nossos queridos corvos, sentaram em volta da fogueira, com uma cuia de mate, e ouvir-se as histórias dessa grande figura, vem com a gente, pois a vida passa e a música não para!

Assuntos4
  • Influência MusicalEscuta da música circundante · Influência de pais e discos · Glenn Miller e Arriba Russo · Primeira apresentação em festa escolar · Jovem Guarda e rock internacional · Elvis Presley · Beatles e o rádio artesiano · Música sertaneja e caipira · Primeiro compacto dos Beatles · Cascatinha e Inhana · Guarânia · Della e Delinha · Luiz Gonzaga · Música fronteiriça e paraguaia · Chamame · Jovem Guarda, Beatles, música italiana
  • Iniciação Musical de Paulo SimõesEducação musical familiar · Aulas de piano e violão · Influência de irmãs mais velhas · Intuição musical herdada · Primeiras apresentações a capela · Músicas 'Índia' e 'RISC'
  • Experiências Internacionais e Contexto PolíticoIntercâmbio nos Estados Unidos (Detroit) · Posse de Nixon · Guerra do Vietnã · Decreto do AI-5 no Rio de Janeiro · Visão distanciada da realidade brasileira · Primeira banda com Geraldo Espíndola · Maurício Barras · Influência cultural nos anos 60 em Campo Grande · Repertório da banda com Rita Lee e Tom Zé · MC5
  • Colaborações MusicaisInteração com outros músicos · Parceria com Geraldo Espíndola · Parceria com Geraldo Roca · Parceria com Zeca Baleiro · Parceria com Rodrigo Sater · Parceria com Almir Sater · Colaboração com Gabriel Sater · Importância da interação na composição · Diferença entre letra de música e poesia
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Meu nome é Marcelo Zarsky e você está no bico do curvo. Meu nome é Anderson Rosa, também conhecido pela alcunha de Fratergóia. E não dá para perder o trem com esse sujeito. Fala o Paulo Jorge Simões Corrêa Filho, também conhecido ou mal conhecido como Paulo Simões.

Estou aqui iniciando uma conversa muito legal. Já sei que vai ser legal, não sei porquê. Duas pessoas extremamente simpáticas que me deram o prazer e a honra de ouvirem as minhas considerações. Estou, como eu disse, à disposição para vocês perguntarem o que quiserem.

Então, Paulo, antes de mais nada, deixa eu já dizer que a gente tem conversado. Eu conheço bastante o Patrick e daí ele me apresentou algumas pessoas aí do cenário do Sul Mato-Grossense.

E todos eles foram unânimes em falar no seu nome. Então, aí quando eu fui puxar a ficha corrida, eu falei, cara, eu já conheço demais ele.

e não conheço ao mesmo tempo. Então, para mim, é uma honra estar contigo aqui, conversando com a gente, e acho que muitos dos nossos ouvintes também vão ficar surpresos, porque você atua principalmente como compositor, né? Não necessariamente. Não necessariamente. A primeira revelação estarrecedora.

Eu comecei a cantar e tocar antes de compor e continuei. Talvez o meu talento como compositor tenha sido mais reconhecido como meus talentos como intérprete.

Para você ter uma ideia do quão profundo é isso, aqui em Campo Grande, na década de 60, nascendo e crescendo numa família sem tradição musical, que é uma coisa biograficamente importante, eu aprendi durante a vida.

O máximo que eu tive de auxílio do destino foi as minhas irmãs mais velhas. Elas não gostam do que eu fale isso, mas não estão ouvindo, até agora. As irmãs que nasceram antes de mim tiveram educação musical típica de classe média, sabe? Urbana, rural, brasileira.

Primeiro tiveram aulas de piano, que eu frequentava como acompanhante, mas não rendeu nada para ninguém. Depois começaram a ter aulas de violão, que era mais prático. E eu, na nossa casa, e para não aumentar a despesa do meu pai, que já pagava aula para as duas, acho que era um pacote, mas eu nunca entrei em detalhes. Eu ficava atrás de uma cortina.

que dividia a sala de visita da sala de jantar, eu ficava filando desavergonhadamente as aulas delas. E também depois da aula, elas me ensinavam algumas coisas, umas posições, como se diz antigamente. Só que eu tive mais intuição musical.

herdada, na verdade, de um tio do lado materno, e mais disposição para batalhar, sabe? Chegar assim ao... Minha grande façanha musical, depois de aprender boleros e um monte de músicas, assim, típicas desse... desse métier de ensino de violão para...

moça da classe média, eu comecei a arriscar coisas e consegui tocar, na minha opinião, razoavelmente, gatinha maiosa. Porque eu escutava a música que me circundava. E essa é a chave da minha identidade como compositor, como autor. A gente escuta a música.

que nos cerca. E como disse a T.T. Spindola uma vez numa entrevista para mim, que já fui jornalista em outras eras, pois é, Paulinho, a gente escuta a música desde a barriga da mãe. Se você vive numa família musical como era, que é a dela, ou como a minha, em que...

Apesar do fato de ter um pai advogado e uma mãe literata nas horas vagas, eles gostavam muito de música. E para minha sorte, gostavam de boa música brasileira. E tinham discos, 78 RPM e depois LPs, de nomes que iam de Glenn Miller a Ariba Russo.

não na ordem alfabética. Mas eu dou muita... Eu tenho muita gratidão ao destino que me fez crescer numa família com esse nível de gosto musical que me encaminhou para os sete anos encarar uma festa de escola.

Aliás, eu não sabia tocar um único acorde ou posição no violão. Mas eu já era, acho que, assanhado, sabe, dos meus dotes artísticos. E eu fui desafiado pelas minhas irmãs, pela minha mãe, que era professora na escola, que era da minha tia, a participar de uma festa de fim de ano, cantando, que tinha vários números artísticos, variados.

Mas eu fui desafiado e, sabe, encarei, ia ao palco, pegar o microfone, eu tenho uma foto disso para não me dizerem que estou me faltando com a verdade, e cantei duas músicas, a capela, expressão que eu não conhecia, e que sintomaticamente...

traço um recorte perfeito dessa minha iniciação musical. Eu cantei Índia, a Guarânia é onipresente aqui no fósmos musical da fronteira e do Brasil inteiro. E RISC, Dori Barroso, perdoe ao seu parceiro, esqueci o nome agora. Cantei as duas assim, na maior cara de pau.

Se fui vaiado, não adotei. E como deve ter sido aplaudido, eu continuei. Aí aprendi o rudimento de violão. Comecei a tomar caminhos próprios, como eu disse, com gatinha maiosa, querendo significar a presença das jovens guardas, junto com o rock internacional.

iniciado pelo caminho do Elvis Presley e os filmes que passavam aqui em Campo Grande, no cinema, e que eu assistia, como eu assistia Bang Bang, o que passasse eu ia ver. Daí eu fui afinando a minha antena para tomar conhecimento dos Beatles, que foi um momento extremamente... foi um rito de passagem.

que eu estava entrando no trem da Noroeste, em Campo Grande, para ir passar férias no Rio de Janeiro, onde eu nasci, e que eu frequentava nas férias. E meus pais iam passar férias de verão, me levavam as minhas três irmãs, e entrei na cabine antes dos outros, porque eu sempre gostei de trem, não sei nem de quando data isso.

tinha um fetiche forte pela significância do trem, a presença do trem, o som do trem.

a pujança daquele barulho de locomotiva passando por cima das duas mentes, que foi um ritmo que me foi incutido desde uma tenra idade. E aí, chegando na estação, eu entrei.

correndo, eu não ficava esperando, era muito bababá, abraça, abraça, eu entrava na frente, a cabine, e ficava explorando o ambiente, e nesse dia específico, aliás, noite, foi uma noite, o trem saiu daqui 7, 8 da noite, amanheci em Bauru, 17 ou 18 horas depois, pela janela aberta...

até por não ter ar-condicionado, pelo contato, um ventiladorzinho pequenininho que nem sempre funcionava. Eu escutei as ondas artesianas trazendo para os meus ouvidos 9-2. Sabe, devia ser uma uma transmissão de fora de Campo Grande.

porque à noite as ondas se expandem mais e você pode escutar rádios longínquas. Mas aqui tocava música sertaneja, caipira, de fronteira, que também fazem parte do meu DNA, e que causaram uma impressão também profunda em mim. Mas ao longo de um tempo, desde o meu nascimento, já o Lobby Medu...

ou talvez foi logo no disco, que foi o primeiro compacto deles, que eu posso, entrou por uma janela de vagão de trem e me deu o nó, aquele mental musical, eu não sabia o que era aquilo, não sabia de onde vinha, para que servia.

Mas abriu um portal na minha cabeça de garoto. Eu ia ter entre 10 e 12 anos. Tanto que eu chegando em São Paulo, e eu... Um local onde a minha família fazia um pit stop antes de seguir para o Rio, tudo isso de trem. E eu saí com uma prima minha, que morava lá, atrás de lojas de disco, e atrás daquele som que eu tinha ouvido.

Para os ouvintes, pessoas de bom gosto que acompanham esse podcast, em tempos de internet e de tudo na mão, tudo entregue de bandeja, isso pode parecer um tanto quanto arcaico, e eu acho isso ótimo. Meu lado indiano, a Jones agradece. Eu adoro revisitar esse momento.

E agradeço a vocês a oportunidade, você é o Marcelo, a oportunidade de me fazer lembrar disso. Porque à medida que eu rememoro, eu revivo. Então, eu estou com a minha prima procurando lojas de disco em São Paulo e achando o primeiro compacto dos litros.

Aqui eu cheguei experimentando 40 ou 50 contatos na loja para a impaciência do dono. Mas o que você quer, meu filho? Um som, um barco legal, fantástico e eu não saio daqui sem isso. Bom, aí a gente pode extrair esse fotograma para a continuidade dele, senão a gente não acaba essa entrevista hoje.

Mas como todo bom compositor, você é bom de conversa também, né? A não ser quando eu tenho juízo e me calo, né? Pois é. Mas como é que...

peraí, deixa eu pensar uma pergunta aqui, porque, na realidade, a gente te conhece pelas composições que você tem na música Mato Grossense, e como é que você fez esse baú de influências que de Beatles vai se transformar...

na música na música que você compõe e outra coisa a Índia que você está falando a música que você estava falando da Índia é aquela da Cascatinha e da Inhana não é? é isso né? os cabelos nos ombros caídos eles foram um dos principais intérpretes a popularizar essa música no Brasil mas é uma Guarânia é uma Guarânia

Não vou lembrar o nome, se não me engano é do Flores, que é um dos fundadores da Guarânia. Isso, é o Flores e o Mortis Guerreiro. Mortis Guerreiro, né? É, eu não vou garantir nada, até porque eu tive um dia, enquanto a tarefa. Eu ia perguntar essa mesma coisa que você perguntou, Goi.

Porque eu estava ouvindo a história do LP dos Beatles e toda essa coisa, e daí eu fiquei pensando, mas da onde que o Beatles tem a ver, talvez, né? Onde que vai chegar o Beatles na sua música, né? Então eu faço a mesma pergunta junto com o Goy. É o que eu falei, relembrando, que eu falei da gente ouvir, basicamente, intuitivamente, música desde a placenta da nossa mãe. Sim.

A TT me convenceu, até porque a mãe dela cantava pela casa, ela andava, sempre gostava de cantar, ela carregando vários espindolas no ventre materno, ela saia da casa e cantava, na obra de Oliveira. E a TT, quando falou isso, eu não sei se foi uma leitura dela ou de outra pessoa.

mas me fez pensar a respeito e refazer os passos que me levaram a cantar RISC e Índia. E depois incorporar a isso outros sonhos vindos necessariamente do rádio ou da vitrola.

Não tinha, fora isso, havia uma ou outra exibição, concerto de orquestras, tempo grande e shows das duplas caipiras, que formam o meu lado B ou lado A, com relação a Beatles, Rolling Stones, Billy. Uma delas, a principal, para mim, era de Della e Delinha. Era um casal.

de primos, por sinal da mesma área de Mato Grosso, do antigo Mato Grosso, de onde vem, sabe, as minhas, meu DNA, digamos, daqui, porque eu sou um conglomerado de 50%, Mato Grossense, Carioca e 50% nordestino.

O que não se repetiu tanto na minha música, apesar de eu gostar muito. Ah, e Luiz Gonzaga também fazia parte desse universo. Ainda bem, graças a Deus. Então, eu fui criado nesse caldo cultural musical.

de criança e adolescente nos anos, final dos anos 50 e toda a década de 60, numa cidade interior brasileira como Campo Grande, que é muito parecida com Londrina, sabe? Eu, aliás, faz tempo que eu não vou a Londrina, mas lembro que às vezes eu fui me sentir em casa, porque eram cidades saudavelmente pequenas.

com os seus universos culturais próprios. E aqui em Campo Grande, a minha mistura e do Geraldo Espíndola, que é o meu primeiro parceiro, e outros parceiros que se seguiram, como o Geraldo Rocha, que também era carioca como eu, eles tinham esses elementos, tal do cultural, digamos assim. E aí

Uma pitada, uma pitada grande, aliás, dela e da linha, uma pitada de música fronteiriça, instrumental, inclusive. Um safoneiro chamado Zé Corrêa, que foi um ídolo, aqui e no Paraguai, e uns conjuntos que tocavam música paraguaia e fronteirista, porque isso inclui a música...

Correntina, digamos assim, que é o lado mais próximo que a Argentina tem do Paraguai e de Maturacuçu, e que é um núcleo de criação, de preservação e adoração do chamamé, que é uma das vertentes das músicas, ou da musicalidade ternária, que usa o compasso 3x4 ou 6x8, que é o dobro.

que é no caso do Chalamet. Enfim, eu cresci nisso, adicionando a minha contribuição à receita, vindo através do rádio que eu escutava à noite, que era quando eu pegava a Rádio Excel, o senhor de São Paulo, às vezes a Globo do Rio e outras, trazendo para os meus ouvidos interioranos, porém atentos.

Jovem Guarda, Beatles, a música italiana, sabe, que fazia muito sucesso na época, e que tinha um lado, um interface com o rock, mas também tinha um lado romântico, que se casava com a música romântica brasileira, de altemais adultos. Enfim, é simples, como eu estou dizendo, mistura tudo, sacode, sacode. É uma coqueteleira.

sabe, cultural, musical, do qual eu me servi fartamente. E assim como eu, o Geraldo Espíndola, o Geraldo Roca, outros compositores daqui, o Fabrício Espíndola, eu tenho que enumerar, eu preciso de outro programa para ele. O Ancelito, Alzira, PT, o Humberto, que é pintor, mas tem talentos musicais.

impressionantes como autor e como teatro. Outras pessoas, é difícil aduminar o nome, mas toda a geração em que eu convivi, não o tempo todo.

Porque eu morava aqui, mas tinha um pé no Rio de Janeiro. Fui estudar um ano no Rio. Voltei para cá e fui incluído na primeira turma de Exchange Students de Campo Grande e mandado para os Estados Unidos em 1969. Já vou falar o ano logo, porque foi o ano em que...

A primeira coisa que eu vi na TV, a importância foi a posse do Nixon. E eu sempre li muito, então eu li o jornal, sabe, eu fui pra Detroit e eu li o Detroit News. Acho que era muito na minha casa americana que lia. Mas eu acompanhei a guerra do Vietnã.

em dois pontos de vista, de lá e de cá. Aliás, quando eu saí do Brasil, entre dezembro e janeiro de 68 e 69, eu passei pelo Rio para ultimar a burocracia, visto, e estava no Rio de Janeiro quando o AI-5 foi decretado.

E a minha família tinha conexões, não muito diretas, mas razoáveis com a política brasileira. E eu, como eu falei, sempre li muito. E eu acompanhava o noticiário. E naquela época, então, no Rio de Janeiro, com 15 anos, eu me lembro de completar 16 nos Estados Unidos.

eu soube que alguma coisa de muito grave tinha acontecido. Mais pelo silêncio da maioria das pessoas do que pelo que realmente elas falavam. Estava todo mundo à tone. Aí eu cheguei nos Estados Unidos e tive uma visão distanciada da realidade brasileira.

que também me marcou muito. Estou tentando explicar como é que eu cheguei a essa fórmula complexa, mas no fundo simples, amalgamar, juntar coisas que parecem antípodas.

mas que se completam em algum nível do nosso consciente ou do nosso inconsciente. Então, chegando aos Estados Unidos, eu tiro em primeira mão aquilo que eu tanto valorizava ouvindo rádio em Campo Grande, ou no Rio, ou em São Paulo. Os Beatles, os Rolling Stones, Bob Dylan, o Tim Hinder,

estavam ao meu alcance de uma maneira que eu não imaginava que fosse possível no meu planejamento para a adolescência. Eu tive esse privilégio, não só eu, como um dos meus colegas, a primeira banda que eu formei.

com o Geraldo Espíndola e com essa pessoa chamada Maurício Barras, que foi uma pessoa muito importante da minha história e de outros músicos daqui, inclusive do Almir, com quem ele fez uma dupla antes do Almir se lançar no profissionalismo nacional. Ele foi para a Califórnia e eu para a Detroit. E na volta...

Eu poderia sempre estar dizendo que nós causamos bastante na sociedade de Campo Grande, ainda nos anos 60. Nós trouxemos roupas, cabelos, posturas, atitudes e ideias que não estavam ainda nem no limiar, não estavam nem no entreposto para distribuição para uma E-mesão que não existia.

a gente trouxe essas informações e fez questão, sabe, como adolescente, de compartilhá-las, querendo o público ou não querendo, o repertório da nossa banda. Quando a gente saiu daqui, já incluía 2001 de Rita Lee e Tom Zé. Nós tocamos num festival aqui com...

roupas adequadas para a ocasião, causamos um choque razoável. Mas nos Estados Unidos isso diluiu-se num toque maior. Mas quando voltamos, a gente participava de bailes dançantes, não, bailes dançantes, ou não, quando a gente tocava noé. E a gente misturava.

músicas nossas, que eu e Geraldo já fazíamos, com variadas inspirações, com músicas de sucesso do Hit Parade, com músicas que já não eram de Hit Parade nacional. A gente tocava, por exemplo, Five to One, agora era do MC Five ou era do...

a gente tocava umas músicas bem hardcore para ouvintes, mesmo de Rio e São Paulo. E isso nunca nos incomodou. O fato da gente morar em Campo Grande, que era uma cidade periférica como Londrina, não nos impedia de vermos o todo maior, que vivemos uma espécie de...

aura de um domo mais alto do que o que limitava a vida e o pensamento das pessoas mais próximas. Então, eu me criei e me exercitei dessa transgressão a partir da música.

e que, em último, vai me levar à persona musical que você questionou. Como eu vim a fazer junto com os meus parceiros, que são vários, e aí é uma particularidade minha. Acho que a resposta mais simples é que eu tenho mais paciência do que a maioria, do que a média.

mas eu consigo, eu tenho facilidade de compor com vários colegas de concepção de leitura de vida. A lista por ordem alfabética, não cronológica, vai de Alder Sápia. Vou procurar alguém com Z aqui, mas eu fui, por exemplo, um parceiro na Comitê de Esperança, parceiro de viagens do Zé Gomes.

um enorme talento instrumentista que o Brasil não soube valorizar como tantos outros. E sou amigo, sabe, nós jogamos bola e combinamos fazer as parcerias, o Zeca Baleiro que participou de um dos meus discos, sabe, cantando um shot, ele achou muito louco, se você acha, né.

E tenho parceiros também voltando de casa para frente para não causar filmeira. O Celito Espírona, já mencionei. O Guilherme Rondon. Na família Albert Sater, eu, por enquanto, eu separaria o Rodrigo Sater, o irmão mais novo dele, com quem já fiz poucas, porém, ótimas composições na nossa avaliação.

E o Gabriel, que já vem numa geração seguinte, mas não está fora dos meus planos, como for, se for possível, com o filho da Gabriel ou com o neto da Gabriel, desde que a gente encontre pontos de convergência na visão do mundo. Porque as minhas músicas e dos meus parceiros...

Tem um ponto em comum que eu custei, logicamente, a sintetizar. Enquanto você vive a vida, não dá muito tempo para você avaliar. Mais por uma guinada do destino, o simple twist of fate, como diz o Bob Dylan, uma música maravilhosa.

Eu me encontrei aqui em Campo Grande com o jornalista Danilo Nuas, que trabalhou até recentemente com o Milton, até ele se aposentar, e atualmente está trabalhando com o Neymar do Grosso, inclusive estiver aqui em Campo Grande semana passada. E eu não consegui encontrá-lo aqui, mas eu vou encontrá-lo no Rio daqui a duas semanas. E o Danilo é jornalista, escritor...

e um monte de outras coisas que ele mesmo não sabe. É um agitador, palavra antiga, acho que não ia gostar disso. Uma pessoa que faz coisas acontecerem e presta a sua energia interminável para que as coisas aconteçam. E numa das vindas dele é Campo Grande, onde ele nasceu e foi criado, no...

no bairro japonês, em Campo Grande, com uma ascendência não do Japão, em cima de Okinawa. São coisas diferentes. Sim. O Danilo foi estudante de comunicação aqui e me procurou pedindo uma entrevista. Eu a concedi num boteco perto do...

no escritório de uma produtora que eu tinha montado com Guilherme Rondon. E essa entrevista foi longa, como essa aqui, espero que não seja, para alguém desolver. Mas ele me perguntou coisas genéricas que eu detalhei e ele gravou. E, entre outras coisas, eu fiz comunicação social no Rio, na PUC, que eu formei em 1974 na PUC.

e trabalhei como jornalista em outra vida, em outro planeta. E com essa experiência eu falei para ele, você vai gravar uma entrevista comigo? Bicho, deixa eu te dar o pãozinho, não o pedido. Mas uma entrevista gravada tem o seu valor, tem inclusive a segurança jurídica, mas tem horas que você pode evitá-la. E o entrevistado fala muito.

e rápido, porque a hora de você decupar, você vai penar. Mas ele insistiu, gravou duas fitas, sem o PCB. Ele gravou uma inteira, virou lá, depois gravou outra. E disso, sabe, ele extraiu um interface comigo.

Quando a gente se encontrou, anos depois, numa festa, na casa de um amigo em comum, ele estava com uma sacola, com disco e livro do Milton, que ele escreveu um e ajudou a editar o outro. E eu falava, legal, esse era o Danilo, mas já tinha ouvido falar dele como assessor do Milton, ele teve bastante repercussão no trabalho dele, além de ter escrito um livro.

Eu falei, bom te conhecer. Eu falei, irmão, a gente já se conheceu. Você não lembra? Eu falei, não. Eu lembro, eu tinha pedido uma entrevista, foi lá no... O boteco chamava Os Péssimos. E você falou bastante. Eu falei, você gravou. Bem feito. Eu falei, a partir daí, retomamos o link e a amizade. Ele me propôs, um pouco tempo depois, fazermos um livro.

em que ele funcionaria como organizador, do que seria, nas palavras dele, a poesia do Paulo Simões. Não, não, não, não é bem assim. Eu não gosto, quer dizer, não, não, não, que me faça mal. Mas eu gosto, obviamente, de poesia. E a considero, assim, tanto que nunca sei...

que eu fizesse poesia, não sei, em alguns momentos. Talvez haja momentos poéticos em coisas que eu escrevo. Só que a minha forma de compor é orgânica e sempre foi. São muito raras as músicas que eu fiz sozinho.

Eu tenho uma boa explicação para isso, você não tem um saco para mim mesmo. Fica sozinho. Bom, se você é o Bob Dylan, sabe, você tem tantas personalidades a percorrer que pode dar certo. Mas eu gosto da interação com outras pessoas que me ajudam, inclusive, a me concentrar.

Então, todas as parcerias que eu desenvolvi são interativas ao máximo. Mesmo que por temperamento ou formação eu tenha um peso maior na hora de decidir saídas.

Na letra, eu não considero poesia. Letra de música é letra de música, poesia, poesia. Mas isso é uma discussão que está... Não, eu vou começar aqui, porque é interminada, interminável. Mas eu acabei topando fazer esse livro com ele. Chama-se Sons Guaranis, sugestão dele.

tem um subtítulo, a poesia de Paulo Simões, contra a minha vontade, mas eu tinha um prazo para cumprir, absolutamente absurdo, e eu falei, me dá a orelha da capa, na orelha da capa eu deixei bem claro, falei, olha, gente, não se deixa levar.

sabe, fake news, o que está aí dentro é fruto da minha colaboração com vários parceiros, que são todos acreditados e podem ter certeza de que há uma colaboração deles nas letras. Não é fácil nem possível medir, assim como eu tenho colaboração nas músicas, melodias, harmonias, tudo isso. Mas, voltando ao que eu estava falando, esse livro...

que aliás eu procuraria enviar a vocês através da Fran, minha produtora, que foi a conectadora dessa nossa conversa, me deu uma leitura completamente inesperada até para mim.

Até pra mim, porque eu sou um leitor obsessivo. Eu leio a placa do elevador, sabe? No prédio de amor, eu leio. Acho que eu entro. Capacidade licenciada. Eu leio bula de remédio. Pode, resolvida mesmo. Leio livros, sabe? Revistas, sabe? Gibi, o que passar pela minha mão. Pelo menos eu tento.

O livro foi lançado pela editora da Universidade Federal de Maturá-Fursu, uma edição bastante restrita. Eu não gosto de dizer que está desbotada, que estão a descansar. Está assim, rarefeita, difícil de encontrar. Mas já temos dois ou três aqui.

Mas eu peguei eu mesmo o livro, não sei quanto tempo depois, provavelmente num avião, e comecei a folhear. E tive uma visão que eu nunca tinha tido antes do meu trabalho, eu dei composição junto com meus parceiros, que curiosamente não é igual.

a possibilidade, a teória que a gente tem de ter uma leitura dessas via internet, via, sabe, sei lá, tem YouTube, Facebook, Google, ou Yahoo, sabe? Eu posso citar mais algumas só para complicar com as big techs. Se você procura na internet uma...

Uma obra sua, para simplificar. Digamos que seja dos anos 90 ou de 2000 e pouco. Você abre aquilo, o arquivo, lê aquela letra, aí você pensa. O que eu, no caso, estaria pensando, escrevendo, sentindo, uma década depois ou uma década antes?

Se eu for fazer a transversão na internet, eu tenho que digitar, eu vou fazer de link. Isso corta a ligação muito íntima que você pode ter folheando um livro. Você pula de um texto a outro, de décadas para outra.

É uma mágica gutenbergiana, diria eu. Aí eu vou ter que explicar a visão que eu tenho, como eu disse. Eu tenho que ser um leitor obsessivo, pouco seletivo às vezes, mas isso ajudou a construir um vocabulário no qual eu me utilizo.

com elogios, mas eu vou resolver uma coisa para os ouvintes de vocês que me impressionou muito e que o Valtimeia relembra. A Folha de São Paulo promovia na década, vocês me desculpem, mas acho que é de 80, 90 até o certo ponto.

na Ilustrada, que na época merecia o nome de Ilustrada, e não apenas preenchida, como eu acho hoje, não só a Folha. Eles faziam debates com personalidades culturais de nome, de peso. Às vezes traziam a pessoa ao Brasil, era no auditório da Folha.

Vocês não são que parecem ser jovens demais para lembrar disso, mas eu tenho boa memória. Trouxeram o Jorge Luiz Borges um dia. E a Folha publicava um resumo do debate, que às vezes não era debate, às vezes o cara falava o tempo todo, às vezes o público não deixava o cara falar, mas no caso do Borges...

que, aliás, eu não li como gostaria de ter lido. Eu li assim, estabanadamente, mas sabia da importância dele. E ela publicava num caderno de domingo com letras pequenas, chama-se caixa miúda, sei lá, linguagem de estudante de comunicação, caixa baixa, era pequenininha.

Mas eu li o debate do Borges inteiro, alguns eu fingia que lia, alguns começavam parado. Mas do Borges eu li com uma atenção tão razoável que me lembro como se eu estivesse vindo agora na minha frente. Um parágrafo em que uma pessoa do auditório perguntou para a terceira homóvel brasileira, Seu Borges!

Nós estamos falando aqui, já se falou, que a gente vive tempos audiovisuais, por excelência. Cada vez mais visuais ou não, mas enfim, você não acha que a literatura tende a diminuir de tamanho, de importância na vida da espécie humana também em função disso?

A resposta dele, sem hesitar, foi... Eu lembro que foi uma repórter, que ele falou, minha filha, muito interessante o seu ponto de vista. Mas eu gostaria de te lembrar que mesmo hoje, nesses tempos tão... Estou falando dos anos de novembro, tão absurdamente audiovisuais, que parece que tudo é som e imagem.

A humanidade como um todo ainda se deixa guiar docilmente por três livros que eles consideram sagrados. A Bíblia, o Alcorão, o Terceiro, o Indústico, o Alcorão. E as pessoas matam e morrem nesse mundo audiovisual por coisas que foram escritas nesses livros que eles consideram sagrados.

Aliás, você já ouviu falar de um filme sagrado? De uma peça sagrada, de um disco sagrado? Completou com uma filha ironia. Eu também não. Seria até alarmante pensar nisso. Bom, só para explicar para os baixos pacientes, a minha visão gutterbergiana. No meu trabalho, depois do meu trabalho e meus parceiros,

e fazem uma música que você nomeou, e é normal isso, de música do Mato Grosso do Sul. Eu sei que você não levou isso tão a sério, mas você precisa encaixar as perguntas. Desde o tempo que eu fazia música com Geraldo Spindle, com 15, 16 anos, nos imaginando o Lennon e o McCartney reencontrados aqui nos nossos paralelos.

Nós sempre estivemos com uma orelha virada para o mundo e outra para o rádio que tocava da Lidelinha. E depois que deixou de ser orelha, espero que não tenhamos ficado resgues. Um olho no mundo, um olho na sua aldeia, como diria o Fernando Pessoa. Então, a música que eu faço com alguns dos meus parceiros...

pode e é mais voltada para uma visão regional. E quando eu digo regional, é uma palavra perigosíssima. A gente prefere fronteiriça, bem machista. A fronteira é algo... O único VES que eu decorei de mural de barros, até para entrevistas como essa, é o mais curto e o mais significativo dele.

No Pantanal não se passa regra e compasso. Pelo fato das águas, a ausência das águas mudarem tudo, não se passa regra e compasso porque, sabe, encheu vira outra coisa, encheu vira outra coisa. E a fronteira tem, sabe, esses conceitos expandidos. E a gente mora numa tríplice fronteira.

E o Rio Paraguai, como disse outro autor que merece ser citado sempre, o Geraldo Rocha, é um litoral central. Então, nas margens do Rio Paraguai, floresceram, se desenvolveram e resistem leituras diferentes do mesmo cardápio, digamos, da experiência humana.

como Paraguai, Argentina, Uruguai e Mato Grosso, o antigo e o dividido. E o Rio Paraguai é o fio condutor, mas é um fio condutor que não para, não sedimenta as coisas, não fossiliza nenhuma das culturas.

Tem umas que são mais apegadas à tradição. Não vou criar uma celeuma. Quanto a isso? Mato Grosso do Sul, como parte do antigo Mato Grosso, você precisaar uma vez.

Os homens dividiram, os políticos dividiram, por sinal, sem consultar a população, o que causou sérios prejuízos psicológicos e psicossociais culturais para Mato Grosso do Sul. Eu falo isso com a maior cerimônia, porque nasci no Rio, fui criado em Capo Grande, mas fui gerado em Cuiabá, quer dizer, eu sou... Eu sou... Só aqui.

A cultura dessa região é algo como a música Sonos Guaranias aborda muito por alto. Eu, ao meio, ficava surpreso dela atingir graus tão profundos de repercussão. Quando nós tivemos, estava só fazendo a Guarani, legal. Pô, estava botando um pouco de pimenta lá.

da receita. Mas, tem que querer, querendo, nós mexemos em profundidade, o que também já aconteceu em uma ou outra música, profundidades da PISIQ, da região. Isso não é nada deliberado, a gente não faz para fazer, nem por fazer, a gente só faz. E espera o feedback.

é muito mais interessante, mais criativo. Como é que as pessoas foram descobrir essas camadas de significado quando a gente estava só terminando as trocas? Mas isso é um fenômeno normal, não vou me comparar, mas eu sempre gostei de ler.

entre tantas coisas, sobre experiências de artistas que eu admiro, admirava e admirarei sempre. Não para copiar nada, porque eu tenho a mínima noção do ridículo. Você pode ler, sabe, tudo que já foi publicado sobre o John Lennon, você não vai jamais ser capaz de escrever uma canção como o John Lennon escrevia.

E a lista é... Bob Dylan, logo a seguir, não é uma classificação de categorias. O Dylan, você pensa, acho que não é desse planeta. É a prova mais cabal da existência de extraterrestres. Porque, sabe, a cabeça dele...

e como ela funcionou nos últimos 83 anos, não tem paralelo, foi reconhecido pela academia sueca, não tem paralelo. Mas, palmas para a gente, desde a Deus que a gente tem tido a possibilidade de experimentar, de ter experimentado, mas continuar experimentando.

uma época da espécie humana em que a criação, no sentido de a busca de dizer o que não foi dito, encarar uma página em branco, frente a frente, eu vou dizer isso porque eu quero. Nós vivemos e estamos tendo ainda, mesmo que por memória, por arquivo,

possibilidade de experimentar uma época de ouro. E aí eu me arrisco a dizer algo que pode soar polêmico. Estou nem aí. Ninguém vai me achar, ninguém sabe do endereço. Eu uso redes sociais sem ser usado por elas. Pode tentar me assediar ou cancelar, estou nem aí. Mas não é o que acontece hoje em dia. Com excepções...

que vale a pena serem mencionadas, mas não listadas. Existe ainda a capacidade do ser humano a ser criativo, mas essa possibilidade tem sido levada cada vez mais para o canto da imagem pela atual ganância.

ou autopreservação de estruturas enormes, que a gente mal consegue imaginar na nossa cabeça, da indústria dos showbiz e o que ela se tornou o que é reconhecido por alguns, negado evidentemente por outros.

Mas eu componho com pessoas da minha geração, de outras gerações, que tem até o Gabriel, mas eu tenho parceiros mais jovens do Gabriel. E espero ter ainda outros, e até mais velhos, ou mais idosos do que eu. Desde que a gente encontra algo para dizer. Porém, olhando em volta, o que eu vejo?

E como eu falei, além de leitor, eu sou um visualizador de conteúdos. Eu preferia que abstivesse e gastar tempo. Antigamente, no desktop, eu não sei como era chamado. Arquivo, HD, o que seja. Para tomar conhecimento de coisas que eu sei, porque eu assisto.

diariamente ao meu lado, sem me envolver, serem feitas com outros parâmetros. Pessoas criativas, pelo menos em teoria, que se dedicam à música, cercando o meu setor, me dedicam a fazer música, a compor, gravar, lançar.

editar e espalhar pelo cosmos. Eles vão ter menor... Não é a palavra vergonha, é o menor pudor de deixar bem claro que o que eles estão buscando é o número de likes, o número de...

É, sabe, pra mim é chocante, mas eu sou resistente, sou de casca grossa. E acho que deve ser generoso, no fundo, a ponto de falar, meu querido, minha querida, que você se satisfaz com isso. Beijinho, beijinho, tchau, tchau. Encontro nas páginas seguintes ou no fim do livro.

mas que é inquietante. E eu digo isso por ter uma filha para a qual eu vou mandar o link. Espero que ela ouça a entrevista inteira. E ela fala, pai, eu já vou separar tudo isso. E ela, aliás, é artista.

é cantora, tem uma voz excelente, trabalha em musicagem no Rio, faz podcast, eu não sei o que ela diz, mas faz sound-up, faz direção de arte musical, enfim, a gente é responsável por aquilo que criou. No meu caso, eu consigo dormirar.

Bom, não estou bem por causa de várias outras coisas. Se eu aprendesse a não ver noticiário das 11 da meia-noite, é provável que é duas vezes melhor. O gênero humano não está sendo muito produtivo no setor de notícias boas. Tem, não estou dizendo que não tem.

Mas, na minha opinião pessoal, o crescimento demográfico e a massificação, eu estudei desde a faculdade de Macliu, a multiplicação que tornou a operação predileta, da humanidade até o ponto em que é necessário...

da dinâmica social e econômica, trocar é sinal de vezes pelo de viver. Daí, para sinal de mais e menos, é uma questão de opção. Mas eu não me sinto... Eu lembrei, vou citar o título de uma comédia independente americana, eu assisti só pelo título.

e não foi sempre jogado fora, mas não estou fazendo propaganda. Não me sinto mais em casa nesse mundo. Isso é verdade. Eu não me sinto mais em casa nesse mundo. Mas aí eu construo uma casa. É um dom que artistas têm de construir muitos paralelos. Obviamente, o Dylan não mora no mesmo planeta que o Donald Trump.

Pode até pagar imposto, receber carta, sabe, levado pelo correio, mas ele não vive num mundo que possa ser visto, descrito, analisado pela ótica. E eu estou falando do Trump, porque é o mais divulgado necessariamente.

Mas isso é extensivo ao gênero humano em todas as latitudes e longitudes. Esqueci dessa palavra. Tudo bem. Se é para ser assim, que seja. Eu faço minhas músicas, donas, cutucadas aqui e ali. Por sinal, eu recomendaria.

a vocês dois, Marcelo. Estou olhando a cara do Anderson, que está assim, mais centralizado. Uma das composições mais recentes do Almir e Minha, que ele gravou no disco do Amanhã Nada Seja, cujo título já antecipa uma postura uma postura.

que a gente sem reserva o direito de ter, mas a faixa em questão, como dizia o disco de João, que é a gente que vê, chama-se Verdade Absoluta. Não sei se vocês chegaram a ouvir, mas eu sugiro que escutem, vocês vão ter um resumo do que o Paulo Simões está lhes falando através de...

incontáveis minutos, talvez horas. E a música, a canção popular, aliás, é um preta-porquê da poesia. Por isso eu estou falando aqui. A poesia não se preocupa com o envelucoamento, sabe, que torne o que ela está dizendo acessível a...

gregos e troianos a quem está escutando um rádio de filha no Pantanal ou imerso num mundo de sonhos. A canção popular consegue essa façanha, por isso ela tem durado tanto, espera que dure, apesar dela não viver o seu melhor momento, em termos estatísticos.

Ela pega o que você tem a dizer, envelopada por rima métrica, arranjo, ideias musicais, um artigo extremamente escasso, e faz com que aquilo possa entrar pelo seu ouvido e não sair pelo outro, antes que circular pelo cérebro.

E isso é uma missão, ou talvez uma ferramenta, ou talvez a única escapatória que eu encontrei para não fazer direito como meu pai queria, porque ele era advogado e juiz. Mas se eu fosse médico ou engenheiro, eu também não seguiria essas carreiras com o meu cabedal de capacidade.

porque eu jamais atravessarei uma ponte que eu projetasse. Jamais aceitaria ser operado por um cirurgião parecido comigo. O que faz retornar a uma frase extremamente sábia. Eu ouvia, o Zé Gomes e eu escutamos de um piano no Pantanal durante a prometida Esperança.

A gente queria estar analisando, historiando universos, possibilidades, e esse peão especificamente, alguém lembraria o nome, mas... Ele falou, mas, o que é o Simões, o seu Almir, o seu Zé Gomes? O que a gente precisa ter em mente, não vou colocar em mente, antes de lembrar...

é que cada um tem seu cada um. Em termos da vida observada no planeta Terra, por enquanto, isso é um pensamento bastante radical, de uma rebeldia extrema. E, ao mesmo tempo, de uma singeleza e foco.

que a gente deve e precisa e frequentemente fazemos, complicar, fazer, viajar, ouvir o universo e no final levar, mas cada um terceu cada um. Eu espero que o meu cada um tenha sido...

sincero, obviamente, eu fui. Objetivo, não fui. Mas também não me perdi muito. Vocês queriam ser um retrato, uma autoanálise do compositor Paulo Simões e seus parceiros, em função de algo que vocês enxergam.

do ponto de vista externo, que é extremamente bem-vindo, salutar, e merece toda a atenção que a gente possa dispensar. Eu diria que se vocês dois tiverem alguma pergunta complementar, eu estou disponível, mas lembro de verdade absoluta.

Olha, vou te dizer uma coisa, Paulo. Você sabe que a gente percebe o compositor quando a gente faz uma pergunta e ele nos entrega um livro. Então, é fantástico, porque é uma conversa que, embora se você ouvir outros episódios, você vai ver que a gente costuma falar muito,

No teu, a gente tá ouvindo. Porque você vai construindo uma conversa e uma narrativa, né? Você tá contando aí a tua vida, a tua composição de vida. E a gente vai acompanhando, sabe? Eu senti falta de não ter na mão aqui um chimarrão e uma fogueira pra gente sentar ao redor e conversar. E um violão, né?

Londrina não é tão longe de Campo Grande, nem Campo Grande tão longe de Londrina. Pois então, e a gente está, nós estamos aqui, nós estamos em Campo Mourão, que é um pouco mais perto, talvez, do que Londrina para ti. A gente está aqui há três horas, acho, da fronteira do Mato Grosso do Sul.

E assim, eu não sou de Campo Mourão, eu era de Curitiba, eu nasci em Santa Catarina, fui para Curitiba e hoje eu moro há 14 anos em Campo Mourão. E na tua construção de história...

eu percebi que você, acho que como eu me tornei moroense, você se tornou fronteiriço por opção e por adoção. Obrigado pelo fronteiriço.

Eu tenho um vício horrível, porém do qual me orgulho, que é de ser sincero por ser a saída mais fácil. A construção da mentira exige mais neurônios que falar a verdade do que doa.

Eu fui gerado em Cuiabá, mandado nascer no Rio, criado em Campo Grande, recriado no Rio, e eu moro em Campo Grande, e não tenho intenções de me mudar daqui. Porém, não me sinto um... Não me apresentaria como um compositor campograndense, ou mesmo o sul-mato-grossense. Primeiro, que seria falso.

obviamente o DNA provaria isso segundo que a Campo Grande que eu fui criado não existe mais existe outra Campo Grande o Rio de Janeiro onde eu nasci não existe mais e não me enche de orgulho de dizer isso não existe mais a Cuiabá onde eu fui gerada eu acho que eu menos posso falar mas é a que mais resiste

E eu digo isso com toda a sinceridade, espero que algum ouvinte matogrossense, coiabano, inclusive algum amigo, que eu porventura ainda tenha lá, mas o norte do Mato Grosso, por várias razões, foi muito mais fiel a si mesmo. Não totalmente, mas muito mais do que o sul do Mato Grosso,

e como eu disse, foi criado impositivamente pela Revolução, e que absorveu populações, isso historicamente, absorveu populações de outros lugares, e tem uma identidade cultural. E quando eu cresci, e algum tempo depois eu costumava...

elogiar, analisar elogiosamente, dizendo que era rica, um caldo cultural formado por libaneses, sírios, armênios, árabes, paulistas, mineiros.

talvez até alguns fluminentes, nos destinos Paraguai, as turistas cercadas de Paraguai de todos os lados, e o segmento indígena. Essa realidade mudou através do tempo e do inevitável desenrolar dos acontecimentos, especialmente depois da criação do Estado, que atraiu mais...

populações e pessoas interessadas em trabalhar na burocracia estatal, ao ponto de, aí você é bem contundente, de se diluir. A identidade que se tentou construir para Mato Grosso do Sul pode até existir, mas eu não a enxergo atualmente.

está diluída em N fatores e interesses e acréscimos. E eu sou sempre um bom aluno de história. Uma das poucas aulas em que eu não ficava escrevendo coisas, olhando para as meninas por baixo do...

Eu sou um observador de pessoas de comportamento. Eu ia falar isso antes, que as músicas em que eu me envolvi, 98% das vezes, falam de pessoas de comportamento humano, de história. E não que eu tenha nada quanto a falda e a flora, mas eu não tenho o jeito, sabe? Eu não identifico passarinhos com facilidade.

troco o nome de Serras, eu faço assim, quando eu coloco em uma música eu checo, mas observação de pessoas é o meu forte como pessoas, meu talento maior. E Mato Grosso do Sul...

único no Brasil. Mas é uma frustração, vamos usar uma palavra mais forte, para espíritos como o Geraldo Roca, que já nos deixou antes de vir os piores sonhos se tornarem realidade. Mas...

Não vou também citar outros nomes, embora pudessem, porque como eu falei, cada um tem que ser cada um. Eu não acho que, não só o Mato do Sul, como uma boa parte do Brasil, mas não é uma parte que eu conheço, não vou falar da que eu não conheço, não seguiu as melhores opções.

quando se depararam com encruzilhadas. Espero que eu tenha conseguido uma forma sucinta de falar sobre coisas muito amplas e que, no fundo, no fundo, cada um tem seu cada um, é uma opinião minha, sabe? Eu assumo, mas, por outro lado,

Nós temos ainda nas nossas fronteiras internas a possibilidade de encontrar pessoas que comungam. A palavra é meu. Eu não gosto muito do papel que a igreja desempenhou na formatação do país. As pessoas compartilham com visões que o mundo...

como aparentemente fosse comum com as minhas, ou não teria ficado quieto a maior parte do tempo. Agora, um dia podemos fazer, eu lembro que eu já fui jornalista, fazer o vice-versa, e eu fazer o podcast entrevistando vocês para saber o que vocês pensam sobre tanta coisa.

Nossa, olha, eu vou te dizer uma coisa. Aqui, esse espaço que eu estou, eu montei um estúdio em casa, porque eu dou muita aula online e tal, e a gente também toca, então ele é isolado acusticamente e coisas assim. E você vê que é minha biblioteca também. E eu sempre falo para o Marcelo, eu tenho o péssimo hábito, ou o bom hábito, eu acho que é bom, minha esposa às vezes acha que é ruim, de convidar as pessoas para conversar.

E assim, eu vejo que essa nossa conversa, daqui a pouco a gente tem que ir levando para um final para que ela não se estenda demais, mas assim, eu estou aqui pensando, gente, eu queria ficar conversando contigo aqui em casa, com a gente tomando chimarrão, conversando, minha porta aqui está aberta para você. Eu fico pensando assim, pena que o Geraldo já partiu,

Mas eu fico pensando como seria conversar no mesmo espaço contigo, Almir Gerardo Roca. Que histórias vocês nos contariam? Que histórias, assim, que riqueza, sabe, Paulo? A gente não tem o que falar a não ser ouvir, porque é de uma riqueza tão grande.

E principalmente, assim, eu vou me referir aqui, não sei, você é um brasileiro como muitos e uma pessoa como poucos, porque você traz uma visão de mundo e uma percepção do ser humano.

que eu vejo que você tem muito carinho pela vida, pelas pessoas, e o teu olhar cuidadoso me deixa, assim, apaixonado por saber o que mais se esconde atrás dessa pessoa que eu estou vendo aqui pela câmera e pelo microfone. A Rumi Baird, uma hora e meia.

Mas eu acho que isso vai demorar um pouco pela cara do Marcelo. Ele tá com aquela cara... Vai dar. Eu só tô... Deixa eu só... Em minha defesa, eu... Quando eu não tenho nada a acrescentar e o negócio tá tão legal de ouvir, eu só fico ouvindo mesmo, sabe? Então, pra mim, tá tudo ótimo. Eu só tenho... Tá maravilhoso.

me instigaram, convidaram eu estou adorando estou ouvindo estou aprendendo eu não peguei o CEP do Amber porque já vou adiantando que marrão é legal, respeito

mas eu não suporto coisas muito quentes, a bomba, não é mesmo? Já quase apanhei de uma vez um grupo de gaúchos, nada contra. Ele estava numa roda e já tinha havido uns trens a partir de coisas pouco importantes. Aí a paz foi reestabelecida e de repente eu olho.

e vejo o mesmo clima anterior da história anterior, esse povo tá afim de me pegar. Porque eles tinham oferecido apoio de chimarrão, e eu, inocentemente, assoprei, pra esfriar. E eu tô falando isso com a maior identidade, espero que é.

Mas e que bebida que você traz para uma roda de conversa? Eu ia perguntar que bebida que você traz para a roda de conversa. Tá. É por causa do calor, né, também? É, vocês dois, obviamente, são pessoas muito educadas e estão diante de um impasse no qual eu já estive como entrevistador.

Fábio é a pessoa que está entrevistada, que fala muito. E não sabe como parar. Então, eu sugiro que vocês digam. Pode estar até mentindo, dizendo que vão ver o resultado do Brasil.

inventa um jogo mas você sabe eu vou te contar uma coisa e aqui no podcast quem sempre chama para o final é o Marcelo porque ele sempre ele dorme muito cedo, mais cedo do que eu

Porque ele tem uma escola de música e ele já abre cedinho, vai pra academia e o escambau. E daí ele sempre puxa a conversa pro final. Eu sou o cara que passa a noite acordado, papeando. Aí, dali a pouco, ele diz assim, gente, encaminhando pra um final... Ele já disfarçou um bocejo.

Mas fazendo que a pessoa de música, que tem um motivo tão bom e digno, me digam boa noite, Paulo Simões. Boa noite para... Nossa, mas hoje eu não falei nada, só estava ouvindo mesmo. Mas eu... como eu falei, eu estava ouvindo... Bico do Corvo.

Eu estava ouvindo a história, daí quando você falou da música, eu já fui procurar também. Eu fico ouvindo e procurando as coisas. Fico estudando as informações. Já procurei, já mandei para o Anderson ali. Daí ele falou, já achei a letra aqui, da verdade absoluta, tudo. Mas eu estou ouvindo e fazendo as coisas. Está muito bacana.

Eu falei dessa geração posterior a mim. Eu também faço um monte de coisa nesse tempo, só que tudo mal. Fazer bem é que é um segredo. Mas é isso. Não, mas, ó, se você gostou da conversa, a gente já te convida para você retornar outras vezes.

Para o que você quiser falar, se você só tiver com uma ideia e quiser trazer para a conversa, também estamos abertos, porque aqui a gente quer isso, a gente quer história, quer pessoas, quer vida. Eu acho que o mais importante de tudo isso...

é esse encontro e é onde a vida acontece. Por isso que a gente não traz script, não fica fazendo, ah, vou perguntar isso, porque aquele disco tal, porque existe uma vida. Isso não ia funcionar. É. Você pode tentar na próxima experiência. Para eu dar uma pergunta, vocês dois sabem fazer uma foto da tela em que a gente está ao mesmo tempo?

Claro. Isso era legal, Paulo, você afastar um pouquinho, porque seu rosto era legal. Isso. Isso. Enquadra um pouquinho melhor você. É que você estava bem próximo da câmera, daí estava pegando só um cortezinho seu.

Acho que era legal Abaixa um pouquinho a câmera Que daí Tá pegando Isso Levantar Mas é Se eu guardar um registro Visual Com o pegão do borde O registro e áudio Tá garantido Aí ó Gostaria de publicar

aí aí vai ficar bom tentar não olhar pra você quer tirar Igor? eu já fiz um aqui, já te mandei vou mandar pra ele também tá, beleza eu fico devendo meu celular

Estava preparado para a entrevista, acabou a bateria, eu estava tudo pronto na minha cara, veio... Não, não, imagina. Não, que é isso. Mas olha, eu ainda vou, provavelmente, aí, em Campo Mourão. Sim. Levando as minhas cunhas de tereré. Venha. Para evitar problemas. Sim. Porque aqui está bem calor também, viu?

assim de mim, não só para conversas longas, dúvidas que ele fala. Queria saber, manda o meu WhatsApp e o meu telefone.

Sim, inclusive o... Eu gravo, eu gosto de digitar esse lugar. Ah, sim. Inclusive o Almir já veio para cá umas duas vezes aqui no teatro fazer show. Mas ele gravou. É, ele veio... Não gravou ainda com a gente, não gravou. Não, não gravou. Mas ele veio já no teatro aqui da cidade fazer esse apresentar. Acho que umas duas vezes ele veio e já fez show aqui na cidade.

Eu não tenho contato dele, mas eu convidaria. Ele nunca esteve aqui com a gente. Mas se ele vier, eu gostaria que você estivesse junto. Sim. Você quer algo difícil e resolveu multiplicá-la por dois ou por quatro. Mas eu posso dar o contato mais elegante da produtora do Almir. Sim. Pode ser. Vou tentar com ele.

proximamente, eu gravei isso e aí eu tava tentando lembrar antes do podcast começar, qual foi a vez mais recente que eu tive em Londrina. Por um acaso, fui com ele, eu ia ver antes, pegar uma cola, mas não consegui, era um projeto...

muito por alto, ainda não estou gravando não, pode ser eu posso não ser feliz mas foi um projeto tipo SESI em que um artista conhecido, Carlos do Almeir falava de um artista influenciador e o Almeir me convidou, tem no YouTube não estava escondendo nada tem um trem do Pantanal no YouTube gravado em Londrina que legal

nesse projeto cujo nome não lembro. Mas, enfim, o Almir é liso e precisa ser. Se fosse ele, ele tentaria ser mais do que ele. Mas eu sei que ele gosta muito de pessoas como você, e gosta de conversar. A única questão é microfone, escândalo.

Melhor, sabe, um papo à beira de um chamarrão ou teré. Ele tem que tomar chamarrão, eu não. Ou melhor ainda, num bairro de pesca lá no Rio Paraguai. Tá bom? Com certeza, com certeza. Tudo, nem tudo precisa ser tão do jeito que tá. Exatamente. Vou tomar nota dessa frase que dá logo isso.

Eu vou iniciar a conversa porque eu acho que eu já estou abusando da paciência. Imagina. Ah, que nada.

É um prazerzão falar contigo. Então eu vou convidar o Marcelo para fazer as palavras finais, porque eu falei muito mais do que ele, para ficar equilibrado. Hoje eu só ouvi, mas em nome do nosso podcast Bico do Corvo, a gente agradece demais suas histórias, suas vivências, você compartilhar com a gente toda essa vivência, tanto musical, de vida, sensacional ouvir isso.

e fica o convite para você voltar quando tiver vontade quando, pô, lembrei de uma coisa que eu quero falar vou chamar os meus vou chamar eles de novo pode ficar fica o convite aberto, né? se quiser voltar junto com mais parceiros aí que você compõe para papear junto, melhor ainda também

Mas fica aí o agradecimento nosso. Muito obrigado. Eu não conhecia o trabalho seu. O Anderson que me falou. Ah, o Paulo Simões, ele é parceiro do Almir Sater. Aí eu fui dar uma pesquisada assim. Daí eu falei, pô, foda. Aí já entrei no site, já fui vendo as coisas. Já fui vendo tudo assim. Demais, muito legal. E, pô, é muito prazer de te conhecer. Por mais que a gente tá longe.

Mas ao mesmo tempo consegue-se... Tipo, a tecnologia é ruim, mas ao mesmo tempo é boa. Sem sobra de dúvida. É a mesma sensação. É, e assim sabe, Paulo. Eu sou de casa, levo uma escova de dente, e eu não farei isso aí. Com certeza. Eu sou de aqui em Campo Grande, que é uma cidade progressista.

Que bom. Eu moro longe do barulho. O barulho passa longe de mim. Mas olha, muito, muito obrigado. Eu vou escutar depois. Você me mandou link ou para... Sim, sim. Quero mandar para minha filha.

Eu já tenho o teu WhatsApp, né? Eu te passo o link assim que o Marcelo editar e a gente publicar, porque a gente vai colocando numa agenda, né? Eu gostei muito da palavra de editar nesse contexto. Abusa, Marcelo. É, não, mas aí fica à vontade. Sim, tá certo. Muito obrigado, Paulo. Agradecemos. Obrigado a você.

Uma boa noite, beijão. Obrigado, querido. Boa noite. Boa noite. Me ligaram e lembram que aqui é uma hora mesmo. Com certeza. Um abraço. Um abraço, até mais. Tchau, tchau.