Episódios de Igreja Batista São Paulo - Pregações

57. Tomando a nossa cruz | Rm 12.14-21

07 de maio de 20261h23min
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Mensagem da série “O poder para a salvação”, do dia 03/05/26, por Luiz Felipe Queiroz.

Assuntos9
  • Humildade e Sofrimento CristãoHumildade no senso comum vs. Evangelho · Humilhação espiritual e sofrimento · Imitação de Cristo e a cruz · Bem-aventurança e perseguição
  • Instruções de Romanos 12:14-21Abençoar e não amaldiçoar os perseguidores · Alegria com os que se alegram e choro com os que choram · Unidade de pensamento e solidariedade com os humildes · Não pagar mal por mal, mas vencer o mal com o bem · Viver em paz com todas as pessoas · Não fazer justiça com as próprias mãos, mas dar lugar à ira de Deus
  • A Igreja como Corpo de CristoNão pensar de si mesmo além do que convém · Identidade definida pelo corpo e pela cabeça (Cristo) · Amor sem hipocrisia e atuação · Comunhão e unidade de pensamento
  • Relacionamentos Cristãos e Amor FraternoAmor sincero e apego ao bem · Critérios de fraternidade em vez de inclinações carnais · Superação de dificuldades na comunhão · Zelo, fervor e serviço ao Senhor · Paciência na tribulação e perseverança na oração
  • Discernimento EspiritualPedido de intervenção divina na pregação · Discernimento espiritual para entender a Palavra · Evitar engano e cegueira espiritual
  • Cultura Contemporânea vs. Fé CristãValorização da qualidade de vida e bem-estar · Confusão entre saúde emocional e vida plena · Rotulação de relacionamentos difíceis como tóxicos · Mentalidades de empoderamento e revanchismo
  • A Natureza do Culto Racional CristãoCulto como imitação e obediência a Cristo · Adoração que transborda no viver · Entrega e sacrifício agradáveis a Deus
  • Discernimento sobre Perseguição CristãDiferença entre oposição e perseguição genuína · Perseguição pela fidelidade ao Senhor · Consequências de pecados próprios
  • O Significado de Bênção e MaldiçãoAbençoar como orar e interceder por alguém · Oração por arrependimento e salvação
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Irmãos, novamente, bom dia, a graça e paz do nosso Senhor Jesus Cristo a todos. Irmãos, quero adiantar de antemão que a tese que pretendo defender hoje, a partir do texto que nos coube, é a tese de que não existe verdadeira humildade cristã. Repare.

Não existe uma verdadeira humildade cristã sem sofrimento. A humildade da qual fala o Evangelho, ela não é apenas um...

uma boa maneira, ela não é bons modos, sabe? Quando alguém diz para você, nossa, como você é bonito, ou que coisa bem feita que você fez, e o seu pai, sua mãe te ensinou, olha, seja humilde, hein? Quando alguém te elogiar, fala, não, imagina, que isso, certo? Normalmente nós entendemos humildade como isso. E no senso comum, de fato,

humildade significa isso, mas nós não estamos falando de humildade de acordo com o senso comum, de acordo com a nossa cultura, nós estamos falando de humildade nos termos do Evangelho. E a humildade, ou se você preferir uma palavra mais forte, a humilhação, a verdadeira humilhação espiritual, ela não pode prescindir do sofrimento.

assim como não há verdadeira imitação de Cristo sem o tomar da própria cruz. Afinal, não há bem-aventurança sem que haja perseguição. Vamos nos colocar em pé?

para a leitura da palavra do Senhor, o trecho que hoje nos cabe, que se encontra em Romanos 12, a partir do verso 14, Romanos 12, a partir do 14, abençoem aqueles que perseguem vocês, abençoem e não amaldiçoem, alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram,

Tenham o mesmo modo de pensar, de uns para com os outros. Em vez de serem orgulhosos, sejam solidários com os humildes. Não sejam sábios aos seus próprios olhos.

não paguem a ninguém, mal por mal, procurem fazer o bem diante de todos, se possível, no que depender de vocês, vivam em paz com todas as pessoas, meus amados, não façam justiça com as próprias mãos, mas deem lugar a ira de Deus, pois está escrito, e Paulo abre aspas,

a mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor. Paulo novamente, façam o contrário, abre aspas, cita provérbios, se o seu inimigo tiver fome dele de comer, se tiver sede dele de beber, porque fazendo isto, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele.

Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem. Feche seus olhos, cura sua cabeça por alguns instantes e vamos orar ao Senhor, pedindo que seja Ele a conduzir a exposição da Palavra e os nossos corações ao encontro dEle.

Senhor nosso Deus e Pai, fale aos nossos corações nessa manhã, pelo poder da Tua Palavra, e pela mediação e ensino do Teu Santo Espírito, opere no nosso interior, entendimento, discernimento espiritual, nos mostre Senhor, quem somos, a luz da Tua Palavra.

Não nos deixe Senhor enganados, confiantes, cegos, no nosso próprio entendimento. Não nos deixe reféns das nossas opiniões, das nossas percepções, elas nos enganam. Nos dê discernimento e entendimento espiritual.

para a honra e glória do Teu Santo Nome. É assim que oramos, mediados, intercedidos pelo Senhor Jesus Cristo. No nome santo dEle. Amém. Vocês podem se assentar, fiquem à vontade. Irmãos, em tempos onde expressões...

como qualidade de vida e bem-estar adquirem um valor praticamente absoluto, ou seja, para a nossa sociedade é um valor praticamente absoluto, inegociável, o que nós chamamos de qualidade de vida, de bem-estar.

nessa circunstância onde também saúde emocional é confundida com vida plena. E qualquer relacionamento que apresente dificuldades é prontamente rotulado como tóxico, como lidar com os desafios que as Escrituras prevêm?

e de certa forma impõe ao cristão. É possível ser um discípulo fiel, e ao mesmo tempo abraçar uma mentalidade, por exemplo, de empoderamento, de autoafirmação, de revanchismo? É óbvio que não, irmãos.

É necessário lembrar que nós não fomos salvos e transportados das trevas para o reino da luz, para sermos atuais, para sermos evoluídos aos olhos dos homens que nos cercam, ímpios e pagãos. Não fomos salvos para isso.

Desde o princípio, Deus separou um povo para si, para que fosse santo, assim como Ele é santo. Nosso culto racional consiste na imitação e na obediência.

do Senhor Jesus Cristo, e estou convencido de que os aspectos culturais, dos nossos dias, há pouco mencionados, não são neutros, nem acidentais, são variações, poderíamos dizer modernas, de um problema, que o povo de Deus,

sempre enfrentou. Orgulho e incredulidade. O espírito de época que nos atravessa, essa mentalidade de empoderamento, de merecimento, nada mais é.

do que uma variação, do que um impulso dos nossos corações, talvez com um verniz um pouco mais elegante, um pouco mais sofisticado, mas nada mais é do que aquele impulso básico, primitivo, com o qual lidamos desde sempre. O orgulho e a incredulidade. Irmãos, posto o problema...

quero retornar ao texto e entender como que a Palavra de Deus pode nos falar nessa manhã. Antes disso, é necessário brevemente recapitular o contexto, o contexto imediato do texto. Do capítulo 1 ao capítulo 11, Paulo defende...

essa salvação, essa obra redentora, unilateral da parte de Deus. Por isso, nem judeu e nem gentil tem do que se orgulhar, porque ambos são salvos, não por méritos, sejam eles méritos éticos, morais,

seja até mesmo um tipo de herança étnica e cultural, nada disso salva, não é o corte do prepúcio que salva o homem, não é sua circuncisão física, mas desde o Antigo Testamento, Moisés, Deus também a partir de profetas como Jeremias, dizia que o que precisava ser verdadeiramente circuncidado,zähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzähzäh

essa dimensão interior, rebelde, doente e enganosa. Irmãos, Paulo passa esses primeiros onze capítulos, elaborando defesas, diálogos hipotéticos, e um grande argumento teológico, que se redunda na misericórdia de Deus.

E ele conclui com uma declaração de louvor, uma doxologia ao capítulo 11. E a partir do capítulo 12, ele começa a ensinar como que é essa vida de adoração. Porque diferente dos outros povos e diferente de uma compreensão equivocada,

a respeito do que é o louvor, a respeito do que é a adoração, e Flávio bem nos lembrou hoje mais cedo, a adoração, ela acontece nos nossos corações, e ela transborda.

No nosso viver, nas nossas decisões, na maneira como administramos o tempo, nossos recursos, na maneira como tratamos o nosso irmão, na maneira como o servimos, tudo isso é expressão agora na nova aliança desse verdadeiro culto em espírito e em verdade.

deste culto que é racional, deste culto que é uma total entrega, um total sacrifício, que agrada o Senhor. A primeira coisa que Paulo coloca no verso 3 do capítulo 12 é, porque pela graça que me foi dada, digo a cada um de vocês,

que não pense de si mesmo além do que convém. Pelo contrário.

Pense com moderação, segundo a medida da fé, segundo o lugar inclusive que Deus te colocou no corpo. E aí Ele faz uma defesa brilhante e fundamental para a nossa eclesiologia e para o nosso entendimento do que é a igreja. A igreja não é um amontoado de seres atomizados e autônomos, que cada um tem uma cabeça. Se for assim não é igreja.

A igreja é um corpo, assim como sua mão não trabalha para prejudicar sua perna, o corpo de Cristo deve funcionar da mesma maneira, um irmão não trabalha para prejudicar o outro, pois ao prejudicar o outro membro, prejudica o corpo como um todo, compreender que estamos enxertados na videira, e sem a videira não temos vida, é fundamental…

pois agora somos partes dela, fomos unidos em Cristo, irmãos essa é a nossa realidade, a primeira coisa que Paulo precisa explicar para esta igreja, e se você me pergunte, para nós também, mesmo depois de tanto tempo, a primeira coisa que Paulo precisa esclarecer, de antemão, para falar de igreja é, irmão, não pense a respeito de você mesmo, mais do que convém,

Pense de maneira adequada, moderada, não como um indivíduo atomizado, autônomo, mas como parte do corpo. A nossa identidade mudou, nossa identidade não é mais definida pela nossa experiência pessoal. A nossa identidade agora é definida...

pelo corpo ao qual pertencemos, e é importante dizer, este corpo tem cabeça, e esta cabeça é o Senhor Jesus Cristo.

Depois de estabelecer isso, a partir do verso 9, como foi exposto no domingo passado, ele começa a dar comandos, exortar e também estabelecer imperativos, instruções claras de como deve proceder essa relação a partir de agora que você já não se pensa.

para além do que deve. Agora, se você se pensa, como alguém que faz parte do corpo, o seu amor não é mais falso. É um amor sem hipocrisia. Ele é um amor sem atuação.

Porque infelizmente, meus irmãos, igreja sem uma palavra verdadeira do Senhor, igreja sem exortação, igreja sem o trabalho do Espírito Santo, igreja não saudável, produz atores. Igreja sempre vai ter ator, sempre vai ter gente imatura e sempre vai ter bode. Sempre. Sempre vai ter joio, faz parte.

Contudo, existe maneira de governar e conduzir a igreja que promove saúde, que não promove pessoas que atuam, que performam nas relações, que dão aqueles sorrisos treinados de domingo, mas assim que a pessoa virou as costas, ela se põe a falar mal.

Pessoas que dizem, que discursam, mas assim que vão para a sua intimidade, fazem e falam tudo o contrário. O amor, meus irmãos, não pode ser falseado, ele precisa ser sincero. Por isso nós devemos odiar a falsidade e devemos nos apegar ao bem.

A medida do amor que devemos considerar não é aquela que decidimos na nossa individualidade e na nossa autonomia. A medida do amor não é a medida que cabe às minhas inclinações carnais, se aquela pessoa se parece comigo, se eu gosto dela, se a gente veste a mesma roupa, se a gente pensa do mesmo jeito, se a gente vota no mesmo candidato. Não são estes os critérios.

mas é o critério da fraternidade, de um relacionamento que é real, ainda que não foi estabelecido por você. Bom, mas eu que tenho que estabelecer meus relacionamentos? Ah, é? Vai brigar com seu pai então, porque te deu irmão, e você não pediu. Não queria ter esse fulano como irmão. A gente, você pode até ficar bravo, você pode até se revoltar, mas vai mudar a realidade? A pessoa continua sendo seu? Irmão.

Por isso que essa relação é ela que é estabelecida para nós, é o amor fraterno. Claro, vão se apresentar dificuldades, obstáculos para a comunhão, mas eles são superados porque aquilo que nos une não é o afeto carnal, mas é o nosso pai, afinal somos filhos do mesmo.

Então orientações como essa estão aqui no contexto imediato do nosso texto. Então ele vai falar sobre a honra, ou seja, dar preferência, você honrar antecipadamente o outro. Quanto ao zelo, ele adota já uma linguagem mais própria da liturgia, do culto. Quanto ao zelo, não sejam preguiçosos, sejam fervorosos de espírito, servindo o Senhor. Ou seja, esses relacionamentos estão em torno do culto.

eles não são relacionamentos descolados do culto e da vida comunitária, alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, porquê? Porque o que pauta as nossas relações não é a circunstância imediata, mas é o destino para onde estamos indo, e por isso ele diz, perseverem na oração, ajude a suprir a necessidade dos santos, e por isso ele diz, perseverem na oração, ajude a suprir a necessidade dos santos,

Importante lembrar que devemos fazer o bem a todos, mas como Paulo diz em Gálatas, a começar os da família da fé, porque meu irmão, se você desamar as crianças da África, mas ignora o teu irmão em necessidade, é mentira, se você desamar a Deus, que você não vê, mas você não ama o seu irmão, que você vê, é mentira.

E dadas essas colocações, este preâmbulo do texto, agora se apresenta o texto de hoje. E o texto de hoje, irmãos, ele pode parecer num primeiro momento que Paulo está falando de forma muito livre. Ó, vou falar aqui algumas coisas que eu pensei, anota aí.

Estou aqui lembrando de cabeça, faz assim, faz assado, faz desse jeito. Mas a gente já sabe que Paulo não escreve desse jeito. Paulo não dá essas instruções aleatórias. E tanto é.

Assim que ele abre no verso 14 e fecha no verso 21 com a mesma ideia. Ou seja, isso é um formato de envelope, é um tipo de argumentação.

Ele abre dizendo, abençoe aqueles que perseguem vocês, abençoe e não amaldiçoe. E no 21, ele replica essa mesma ideia num tipo de paralelismo, ou seja, ele repete a mesma ideia numa formulação um pouco diferente. Ele diz, não se deve vencer, não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem.

Então, para começar, esse trecho que nos coube hoje, não é um trecho de instruções aleatórias. Elas não estão dispersas e desconexas, elas fazem parte de um mesmo argumento, ok? Portanto, eu não posso, o que isso significa? Que eu não posso separar uma coisa da outra. Ah, eu fico com essa parte, mas eu não fico com esta. Entendeu? Elas fazem parte de uma mesma construção.

de o mesmo aprofundar desta exortação que aqui está colocada diante de nós. Então, abençoem aqueles que perseguem vocês. Nós já ouvimos isso antes, certo? Ao final do capítulo 5 de Mateus, o clímax, talvez, do sermão da montanha.

Jesus diz, vocês ouviram o que foi dito, odeiem os inimigos. Jesus não está se referindo aqui ao Antigo Testamento, porque em nenhum momento no Antigo Testamento se diz que a gente deve odiar os inimigos, mas era de comum acordo culturalmente que o inimigo deve ser odiado. E Jesus diz, eu porém vos digo, amem os vossos inimigos.

Orem, abençoem aqueles que os perseguem. Irmãos, é importante nós colocarmos...

desde já, lembramos da tese que eu defendi ao iniciarmos o sermão, não existe verdadeira humilhação cristã, humildade cristã, ou por que não dizer santificação, sem os participar do sofrimento, mas não qualquer sofrimento, e aí agora a gente precisa fazer.

uma pontuação, abençoe aqueles que perseguem vocês, e aí talvez você pense, ai como eu sou perseguido, eu tenho um chefe que me persegue, só porque eu chego atrasado, ele não entende, ele não entende que eu, tenho dificuldade de acordar cedo, ele me persegue todos os dias, ninguém entende,

Irmãos, nós, por conta desse nosso narcisismo intrínseco, cultural, nós tendemos a achar que qualquer oposição a nós é perseguição. Ah, mas o Senhor vai me honrar, porque eu estou sendo perseguido.

e nós precisamos do entendimento e do discernimento espiritual, que só o Espírito Santo pode nos dar, porque Ele nos convence de que somos pecadores, certo? Para que saibamos que muitas das vezes, os problemas que enfrentamos, nada mais são do que consequências dos nossos pecados.

Então, aqueles que se sentem por vezes perseguidos no trabalho, precisam pensar e ponderar se talvez não estejam trabalhando mal. E às vezes, dando um mau testemunho. Importante lembrar que nada justifica o maltrato, a perseguição, porém,

Embora os nossos pecados não justifiquem os outros nos perseguirem ou fazerem maldade contra nós, nós precisamos entender que muitas vezes nós provocamos. Nós cutucamos a ferida. E às vezes até com certa dose de intencionalidade. Então, irmãos, o que significa ser perseguido?

não significa ter alguma dificuldade, ser perseguido significa você ser perseguido pela sua fidelidade ao Senhor. Você enfrentar dificuldades maiores ou menores, porque você se manteve fiel ao Senhor. Porque você...

falou o que precisava ser falado, porque você pregou o que precisava ser pregado, porque você testemunhou, porque você não fez aquilo que o Senhor desaprova, então, nesses casos, quando a partir de um posicionamento teu, em favor do Senhor, contrariando a expectativa daqueles que te cercam,

E se isso gerar um problema, isso pode ser considerado uma perseguição. Mas, dito isso, como que fazemos então? Simples, abençoem. Paulo não está inventando, Paulo está recuperando o sermão da montanha. Mas é importante a gente também explicar o que significa abençoar. Hoje, nos nossos dias, quando a gente quer ajudar alguém, ninguém...

a gente diz, vamos abençoar ali o irmão, vamos ajudar ele a fazer isso, vamos dar algum presente, algo desse tipo, e isso não deixa de ser uma bênção, mas falando de forma mais precisa no texto, abençoar, ou seja, bem dizer, proferir uma bênção.

é orar pela pessoa, interceder por ela junto a Deus. Orar por aquele que te persegue. Ah, isso é fácil, eu já invoco a justiça do Velho Testamento sobre a cabeça daquele miserável. Não, não é essa a oração. Embora que por vezes dê vontade.

Mas não é essa a oração. A oração que somos ensinados a fazer é para que haja arrependimento, para que haja salvação, para que aquela pessoa seja alcançada pelo amor e pela misericórdia de Deus. Então,

como que eu me relaciono com aquele que me persegue? Eu oro por ele, eu o abençoo, eu profiro sobre a vida dele, palavras de benção. Nesse primeiro momento, o significado orbita em torno dessa ideia da oração, do abençoar, do proferir uma benção. Então, abençoar é o contrário de amaldiçoar.

de desejar àquela pessoa o mal que ela está lhe fazendo. E isso é difícil, não é irmãos? Por quê? Porque uma coisa é você não fazer o mal, mas outra, muito mais difícil, é você não desejar. Mas irmãos, nós precisamos lembrar que o alvo do Evangelho é o nosso coração.

é onde estão os nossos desejos, o que precisa ser reformado, regenerado, reorientado, são os nossos desejos, e devemos colocar diante de Deus, ainda que, muitas vezes, contrariados os nossos corações, pedindo para que Deus opere sua graça em nós, para que nós não venhamos a desejar o mal que é feito contra nós, todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas as todas

É assim que o crente deve viver, é assim que o crente deve se relacionar com aquele que o persegue. Verso 15. Agora muda um pouco de contexto. Parece agora que fica claro que esse contexto já é um contexto mais comunitário. Se talvez exista, pode existir perseguição dentro da igreja também. Mas é mais comum que ela aconteça vindo de fora.

Mas agora no verso 15 fica claro, já é um contexto comunitário. Alegrem-se com os que se alegram. Aí você falou, essa é fácil, eu sou bom nessa, essa eu consigo. Me chama para um churrasco, me chama para uma festa que eu estou dentro.

Eu sou desse, eu sou o cara da alegria, eu sou uma pessoa para cima, eu sou desses que me alegro mesmo. Precisamos ler o texto com um pouquinho mais de discernimento para entender o que está sendo dito aqui. Se fosse algo tão fácil, não estaria aqui, tá?

Primeiro, se fosse algo tão óbvio, não está aí. Muitas vezes parece que é óbvio, a Bíblia parece óbvia, mas a gente precisa sentar um pouquinho em cima dela, a gente precisa parar, repousar um pouco nela e permitir que a gente vá ficando imerso nela. E fazendo algumas perguntas, por que que Paulo diria isso? Por que que eu não me alegraria com a alegria do outro? Ah, é fácil essa também, eu te respondo, por causa de uma coisinha chamada inveja.

Ah não, mas eu não sou uma pessoa invejosa. Eu acho que às vezes a gente não sabe o que é inveja. Tomás de Aquino bem definiu a diferença entre cobiça e inveja. Cobiça é eu querer o que o outro tem. Inveja.

É eu me ressentir com o outro por causa do que ele tem. E às vezes, irmão, você nem quer o que ele tem. Só a felicidade dele, só o sucesso dele já é o suficiente para te incomodar. Não, mas isso não acontece comigo. Ah, não? Já aconteceu de alguém chegar e falar, olha que coisa legal que o outro fez e não sei o que lá. E você fala assim, é, não é tão bom assim.

é legal, tá, mas, mas, tem outros muito melhores, é, manifestações da inveja no nosso coração, nós somos esses, nós somos esses, Paulo não está falando à toa, ele não está dando instruções genéricas, olha, pensando aqui, coisas que são legais de fazer, não é isso,

Ele está mapeando o ser humano, Ele está mapeando essa estrutura da alma humana, e Ele está prescrevendo o remédio, portanto, nós devemos estar vigilantes para com o nosso coração, para que estejamos a todo momento dispostos,

inclinados a festejar com aqueles que festejam, celebrar suas conquistas e alegrias, quando elas, obviamente, não entrarem em conflito com o Evangelho, é claro. Não vou celebrar, por exemplo, uma união homossexual.

Não posso? Não vou celebrar um divórcio? Posso. Por quê? Porque é contrário ao plano de Deus para o ser humano.

Então, a alegria tem que ser uma alegria consistente, coerente com a palavra. E logo em seguida, vem o chorem com os que choram, porque chorar com os que choram é mais fácil do que se alegrar com os que se alegram, tá? Por causa da inveja. Mas aqui eu queria fazer uma distinção.

Irmãos, nós somos seres, e isso é objeto de estudo de ciências como a antropologia, nós somos seres miméticos. Se eu agora começar a bocejar, vocês vão começar a bocejar também. Vocês já viram esses experimentos básicos assim, né? Então você coloca três crianças num quarto fechado, três brinquedos iguais, elas vão brigar pelo mesmo brinquedo, esse tipo de coisa. Nós somos seres miméticos, nós imitamos.

E é assim, e é natural que seja assim, porque é assim que nós aprendemos. Ok? Por vezes nós confundimos um certo desespero que a gente experimenta, um espelhamento do sofrimento do outro com esse chorar santo, com esse se compadecer, tá? Existe um chorar junto que é carnal.

que você não está consciente disso, tá? É o que acontece em uma dimensão bem mais profunda, mas na verdade você não está sofrendo pelo outro, você espelhou a situação e você está se desesperando naquele momento, porque você naquele momento sentiu dentro de você o desespero do outro.

O desespero do outro não é o que deve ser emulado. O que deve ser emulado, o que deve ser sentido, é a dor. E por que eu digo isso? Porque responder a dor do outro não é ficar alimentando a dor do outro. Então a pessoa está passando por uma grande dificuldade, você não fica.

Jogando o foco, colocando no foco, jogando luz, o holofote, na dificuldade. Ai, como que você consegue? Eu não imagino como que você está passando por isso. Nossa, se eu estivesse no seu lugar. Isso é desespero. Isso é desespero. Chorar com o outro é sentar ao lado dele. Orar com ele. Talvez se emocionar também, porque faz parte.

mas oferecer para ele um sólido, firme consolo, que se encontra na palavra do nosso Deus. O crente não vive o desespero, o crente vive a esperança, e a esperança é contrária ao desespero, o desespero é a ausência da esperança.

desespero é quando eu diante de uma situação muito difícil, eu perco o meu chão e perco a vontade de viver, eu entro em pânico, claro, somos todos pecadores, todos nós vacilamos, falhamos, desesperamos quando deveríamos ter esperança com tudo.

O papel daquele que sente a dor e se compadece do irmão, não é ficar alisando o irmão na carne dele, lambendo a ferida dele. Você não ajuda o seu irmão, lambendo a ferida dele. Ah, fala mais, mas você está bem.

você ajuda Ele apresentando o Evangelho, ai deixa eu te ouvir, você que está passando por uma dificuldade, irmãos não é assim que nós fazemos, esse não é o nosso jeito, nós não somos terapeutas, nós somos o povo de Deus, nós oferecemos o Evangelho.

nós oferecemos a esperança e os tesouros espirituais, nós oferecemos instrução bíblica, nós encorajamos, esse é o sentido, encorajem-se uns aos outros pela palavra, chorar com os que choram é sentir a dor,

mas não de uma maneira carnal e desesperada. Isso não é se compadecer, saiba disso. E aqui, ao centro deste recorte, dessa perícope, nós começamos a recapitular o tema com o qual ele abriu. Que tema é esse?

Olha o verso 16, tenham o mesmo modo de pensar uns para com os outros. Lembra o que ele diz no verso 3, cada um de vocês não pense de si mesmo além do que convém. Agora no 16 ele diz, tenham o mesmo modo de pensar uns para com os outros.

tenham essa comunhão de pensamento, tenham esta unidade de pensamento uns para com os outros, se pensem da mesma forma e dentro dos mesmos critérios, se pensem a partir do Evangelho, a partir da revelação. E aí ele continua. Em vez de serem orgulhosos,

Sejam solidários com os humildes. Talvez aqui fosse melhor traduzir, em vez de serem orgulhosos, se associem com os humildes. Olha que interessante. Irmãos, esse texto está nos falando

de como devemos agir nos nossos relacionamentos, na perseguição, abençoando, na alegria do outro, se alegrando, na dor do outro, se compadecendo. Por quê? Porque devemos ter o mesmo modo de pensar. Devemos sentir a dor uns dos outros, assim como a alegria, pois temos uma mesma mente, um mesmo modo de pensar.

Só que o que é contrário a isso? O que fere a comunhão? O que impossibilita a comunhão? O orgulho. Se pensar acima do irmão e de forma isolada. Irmãos, quer ver os maiores problemas na igreja? Quando eu absolutizo os meus sentimentos. Quando eu absolutizo o meu sentimento,

eu coloco todo o resto numa dimensão relativa. Eu relativizo a palavra de Deus, eu relativizo a prioridade da igreja, e eu dou prioridade aos meus sentimentos, ao meu ressentimento, à minha inveja, à minha mágoa, ao meu rancor.

Quando eu faço isso, eu faço isso separado. Eu pego esses sentimentos e eu amplifico esses sentimentos. E eles começam a pautar a minha relação com a igreja. Irmãos, igreja não é assim. Os meus sentimentos, eles não podem ser amplificados a tal ponto. Eles precisam ser submetidos.

ao escrutínio da palavra, para ver se esses sentimentos são legítimos ou se eles são produção do coração enganoso. Tenham o mesmo modo de pensar. Devemos pensar da mesma maneira, devemos ter unidade. Unidade no nosso pensamento.

não sejam orgulhosos, agora ele dá uma recomendação muito prática. Como que eu combato o orgulho? Se associar com pessoas humildes. Aqui o humilde, poderíamos traduzir como alguém menos favorecido financeiramente, eu não acho que seja o ponto.

porque a palavra humilde também é usada para descrever aquele que é quebrantado, o contrito, o manso de coração, o pobre espiritualmente. Então, como ele está falando de orgulho e ele está propondo um remédio para o orgulho, não me parece que aqui seja uma questão social.

Me parece que aqui o termo humilde está sendo usado nessa chave. Qual chave? A chave da contrição, daquele que é quebrantado espiritualmente, daquele que não pensa de si mesmo mais do que convém. Como que eu luto contra o orgulho? Se associe com pessoas quebrantadas.

Se você ficar perto, bebendo de pessoas orgulhosas, você vai ficar orgulhoso, porque nós somos esses seres que mimetizamos as coisas. Se associem com os humildes, não sejam sábios aos seus próprios olhos.

não se considere sábio, não se considere dono da verdade. Por quê? Porque não cabe a você isso. Esse lugar não é compatível com quem você é. Se submeta à palavra e ao conselho da igreja.

não viva, não opere dentro da comunhão de forma autônoma, isolada, viva dentro da comunhão, dentro desse mesmo espírito, dentro dessa mesma mente, desse mesmo modo de pensar, uns para com os outros, se associa aos humildes, e não aos orgulhosos.

E quem que é o orgulhoso? Aquele que não admite o seu pecado.

Irmãos, quem de nós pode chegar diante de Deus e falar, olha, eu não tenho pecados? O apóstolo João diz na sua primeira carta, se alguém diz isso é mentiroso e faz de Deus mentiroso, pois a palavra diz que nós somos pecadores. Então se a pessoa diz que eu não sou, está dizendo que Deus é mentiroso. Olha, olha a situação. Eu sei que todo mundo vai admitir em alguma medida que tem defeitos, mas não tem defeitos.

mas poucos são aqueles que têm uma atitude humilde, quebrantada, uma atitude contrita de alguém que diante da palavra não reivindica mérito algum, porque nós até admitimos algum tipo de defeito, ah eu sei que eu sou orgulhoso, mas aquele é muito mais que eu, então você já não entendeu nada, porque você deveria entender que você está no chão, e o seu lugar é o chão,

só a partir daí, pode existir restauração para você, quem reivindica direitos, quem promove discórdia, é aquele que não se arrepende, o contrito não tem o que reivindicar, para ele pedir perdão,

é natural. E se não sejam sábios aos seus próprios olhos, mostra essa natureza do orgulhoso fechado em si mesmo. O orgulhoso usa sua percepção de si mesmo, como critério último de quem ele é.

e não é você quem diz quem você é, é a palavra. Novamente, ele retoma aquela ideia inicial com a qual ele também vai concluir, não paguem a ninguém mal por mal, e agora repare como deve ser a busca pelas nossas relações, seja dentro da igreja, seja fora, olha como são os termos,

do posicionamento cristão para com os outros, não pague a ninguém mal por mal. Aí, o que se segue parece ter um tom explicativo, procurem fazer o bem diante de todos. Então, não devemos pagar o mal com o mal e devemos nos esforçar para fazer o bem diante de todos.

se possível, no que depender de vocês, vivam como? Em paz com todas as pessoas. Vocês viram quantas cláusulas tem aqui, condicionais? Se possível, no que depender de vocês. O que Paulo está nos dizendo?

que é sempre possível viver em paz? Não é. Mas não podemos ser nós a quebrar o vínculo da paz. Mas nem sempre vai ser possível viver em paz. Por quê? Porque muitas vezes, seja dentro da igreja, seja fora, pessoas vão pedir que nós venhamos a abrir mão e nós vamos fazer o vínculo da paz.

de princípios relacionados ao Evangelho, e quando chegarmos neste ponto, nós não podemos arredar o pé, nós podemos nos humilhar, nós podemos pedir perdão, nós podemos andar mais uma milha, devemos virar a outra face, devemos.

é obrigação, é o nosso, deve ser a expressão da nossa adoração, deve ser a expressão do nosso compromisso, devemos obedecer, em todos esses aspectos, mas até que andar mais uma milha, virar a outra face, signifique,

desdizer a palavra, até que signifique que a gente tem que fazer alguma acomodação, alguma concessão, para que a pessoa se sinta melhor com ela mesma. Aí a gente não pode fazer. Por isso, que nós devemos sempre, em toda circunstância, denunciar o pecado,

Enquanto estendemos a mão e dizemos, você quer caminhar? Se você quiser caminhar, eu caminho com você até o final. Quer caminhar? Você quer amadurecer? Você quer avançar neste processo? Eu estou com você.

Agora se você não quer, não peça que um crente de verdade, negocie a palavra para você se sentir melhor com o seu pecado. Devemos buscar viver em paz com todos, desde que isso não nos custe o Evangelho. Se possível, no que depender de vocês, vivam em paz com todas as pessoas.

Amados, não façam justiça com as próprias mãos. E olha que trecho interessante, ele revela que a compreensão...

de bondade, de misericórdia, é diferente da nossa cultura, porque olha o que ele diz, não façam justiça com as próprias mãos, até aí a nossa cultura vai falar, é isso mesmo, ninguém pode fazer justiça com as próprias mãos, está errado, cada um que viva do seu jeito, mas não, lembrem,

Existe mal, existe pecado, existe algo que contraria a vontade de Deus. E isso deve ser sempre denunciado. Deus não pode...

ter comunhão com o pecado, pois Deus é santo e Ele é justo, faz parte de quem Ele é, Ele não pode prescindir da sua justiça, assim como não pode prescindir da sua santidade, portanto meus irmãos, o que o texto está dizendo aqui, não é, olha...

Seja uma pessoa do bem, viu? Não faça justiça com as próprias mãos. Deixa cada um seguir seu caminho. Não está dizendo isso. Está dizendo, olha, se você quiser ocupar o lugar de juiz, você está usurpando o lugar de Deus. Quem?

executa o juízo, quem executa a vingança é Ele, e Ele haverá de executar, pois Ele tem essa prerrogativa, pois todo o pecado, irmãos, Ele é cometido em primeiro lugar contra Deus.

Irmãos, eu sei que às vezes é difícil entender isso, está tão enraizado na gente essa visão de pecado, apenas como uma transgressão pontual, que nós pensamos que pecado é algo que a gente faz contra o outro, e é verdade, num certo sentido, o pecado é cometido contra o outro, mas antes de ser cometido contra o outro, ele é cometido contra o Criador, e Ele detém o direito de exercer juízo sobre isto tudo.

e Ele haverá de julgar, o que Paulo está dizendo é, espere, tão somente espera, tão somente ser forte, ser corajoso, não cabe a você a vingança, mas confie no Senhor, quando nós assumimos a vingança, revela a incredulidade.

mostra que nós não cremos que Deus é justo juiz, toda vez, toda vez que assumimos o protagonismo na retaliação, excluímos Deus da nossa vida, dizemos Deus, você serve para me abençoar, mas não serve para julgar,

o que é um problema, porque a palavra diz, a mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor. Façam o contrário, e aqui Paulo cita provérbios, se o seu inimigo tiver fome, dele de comer.

se tiver sede dele de beber, porque fazendo o bem para aquele que te persegue, para aquele que é o inimigo, para aquele que te faz o mal, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, ai que lindo, parece algo bonito né, brasas vivas sobre a cabeça, ai que coisa,

remete a uma coisa incandescente, um tipo de purificação, mas essa imagem de brasas vivas sobre a cabeça, no Antigo Testamento está sempre associada a juízo, então repara que Deus é o Deus da vingança sim, e uma das maneiras de nós participarmos da vingança de Deus, é fazendo o bem ao inimigo.

Quanto mais nós fazemos o bem a Ele, mais nós acumulamos sobre a cabeça dEle este sinal. As brasas vivas e incandescentes. Sinalizamos. Deus lá de cima já, opa, estou vendo ali, acendeu. E está acendendo. Ah, esse, deixa comigo.

Irmãos, a moral cristã, ela não é uma moral do deixa pra lá, deixa disso, sabe? A justiça cristã não é essa, deixa disso. O que Deus fez a nos perdoar não é um deixa disso, não. O que importa é o amor, para com isso.

Ai Deus no Antigo Testamento era malvado, punia, apedrejava, ai agora no Novo Testamento ele é bonzinho, deixa pra lá, tá tudo bem, ai parece aquele Jesus da TV meio hippie, que ele é legal com todo mundo, que é aquele cara descolado, bacana e tal, não, não, não é isso. O que acontece na nossa etapa da história da salvação,

e que é consistente e coerente com toda a história da salvação, mesmo no Antigo Testamento, é que a vingança nunca pertenceu ao homem, se Deus escolheu no passado usar um povo para gerar juízo sobre outro, foi prerrogativa dele, mas não cabe a nós essa decisão, não cabe a nós.

Cabe a nós imitar, e aqui eu volto, aqui eu volto. A proposta inicial, o que Paulo está colocando aqui não são instruções, para você ser uma pessoa do bem e politicamente correto dentro da igreja.

para a gente dar um bom exemplo, para transformar o mundo, vamos dar um bom exemplo para as pessoas quererem vir para a igreja, não é isso que Paulo está falando, Paulo está invocando as palavras do Senhor Jesus, por quê? Porque existe um jeito de viver, que foi estabelecido, um jeito perfeito, sem mácula, sem mancha, sem pecado.

Mas o texto deixa claro para nós, e caminhando para essa parte da aplicação, duas questões que eu mencionei no começo. Dois são os obstáculos que impedem o homem de viver este exemplo de Cristo. O primeiro deles é o orgulho. Olha o que Richard Baxter, puritano, do século XVII, nos diz em sua obra, Como Vencer o Orgulho.

Ele diz o seguinte, homens orgulhosos são passionais e contenciosos. Aqui irmãos, não vamos fazer discriminação, homens e mulheres, ok? Homens e mulheres orgulhosos são passionais e contenciosos, e não podem segurar a ofensa ou o insulto, enquanto que...

O humilde não se vinga, mas resiste ao mal, e é manso e paciente, compassivo e perdoador, amontoando assim brasas de fogo sobre as cabeças de seus inimigos.

o que são a ira, os escárnios, as críticas e os esforços para difamar, aqueles que nos ofenderam, porque assim, como que a gente retribui a ofensa? Ofendendo também, e o que ele está dizendo sobre o homem ou a mulher orgulhosa? Que essa ira provocada pela ofensa, o escárnio que vem dela, as críticas, os esforços para difamar,

aqueles que nos ofenderam, o que são isso se não espuma e vômito do seu orgulho? Irmãos, não dá para abençoar quem persegue, se alegrar com quem se alegra, chorar com quem chora, andar com os humildes.

se o orgulho não for quebrado. Não tem caminhada com Cristo, com este orgulho intacto. Não tem. Nós não somos o povo dos perfeitos. Não, não somos. Nós somos o povo daqueles que admitem. Ei!

Somos estes que não te amamos, Deus, como deveríamos. Somos estes que pecamos contra Deus e contra o próximo. Somos estes que não nos amamos como deveríamos. Ainda assim, nos perdoe, Deus. Pois somos pecadores. Precisamos da tua graça. Precisamos do teu favor. Precisamos da tua misericórdia.

Irmãos, o orgulho é o principal inimigo da comunhão, é o principal inimigo da imitação de Cristo. Um outro grande inimigo, como eu disse, é a incredulidade, é a falta de esperança, porque o que me faz querer a vingança?

O que me faz querer ter pressa de retribuir ao outro? Primeiro, uma certeza muito grande de que eu estou certo. E de que eu sou inocente. Certo dia, eu conversava com uma pessoa que reagiu a uma provocação. Foi muito provocado, mas reagiu. E ao recordarmos deste episódio, ele falou, pô, eu era inocente. Eu falei, não. Não. É verdade, você foi provocado.

mas você reagiu, não há inocência, você pode ter sido provocado, mas você cedeu a sua carne, não há auréolas para ninguém aqui, não há, alguém que reivindica o direito da vingança,

É alguém que, em primeiro lugar, tem certeza absoluta de que está certo e tem o direito. E, em segundo lugar, não entende.

que o verdadeiro juiz é o próprio Deus, e portanto não confia no retorno do Senhor Jesus, não confia no dia do juízo, não confia na consumação dos tempos, não confia na descida da Nova Jerusalém, não confia na restauração de todas as coisas, não confia que Deus irá julgar.

E porque não confia, se apressa, se antecipa em fazer justiça com as próprias mãos, incrédulo, quem é você, homem ou mulher miserável, para tomar o direito da justiça em suas mãos? Você não tem justiça própria, você só respira porque o Senhor Jesus Cristo foi para a cruz no seu lugar,

Quem é você? Quem somos nós para reivindicar este direito? Que ofensa estamos proferindo contra Deus quando assumimos isso? Quero mencionar um outro puritano, Thomas Watson, também no século XVII viveu.

e ele diz o seguinte, os santos não tem certificado que os insente de provações, mesmo que vivam de maneira pacífica, misericordiosa e pura de coração, puro de coração significa sincero de coração, tá?

nas Escrituras, não significa ausência de pecaminosidade, significa sinceridade na sua devoção, misericórdia pura de coração, sua piedade, ou seja, sua devoção, sua vida religiosa, não os protegerá do sofrimento, eles devem pendurar sua harpa nos salgueiros e pegar sua cruz.

o caminho para o céu é cheio de espinhos e sangue, embora esteja cheio de rosas, com relação aos consolos do Espírito Santo, também está cheio de espinhos com relação às perseguições. Irmãos, lembrem-se o que Jesus estabeleceu como bem-aventurança ao final.

Bem-aventurados aqueles que por causa do meu nome forem perseguidos.

Irmãos, eu retomo a tese inicial do sermão, não existe verdadeira humildade, verdadeira humilhação, verdadeira santificação, sem sofrimento. O que Paulo está relatando aqui para nós, nada mais é do que imite Jesus e fique com sua cruz. Como é que você resume, Lipe? Esse texto que a gente acabou de estudar, tome sua cruz. Ah, eu já tenho um monte de cruz.

Ah, eu tenho aquele chefe. Ah, eu tenho aquela pessoa. Ah, eu tenho um marido imprestável. Ah, não sei o quê. Não, isso não é a sua cruz. São coisas da vida. Jesus diz, quer me seguir? Negue-se a si mesmo. Negar a si mesmo é a mortificação da carne, do ego. Negar a si. Tomar a sua cruz.

é o sofrimento daquele que caminha o caminho de Jesus. A cruz não é para todos, é só para aqueles que imitam Jesus. Lembra o que Jesus disse despedindo os discípulos, o mundo vai odiar vocês, porque primeiro me...

odiou, irmãos, não existe caminhada com Cristo, não existe amadurecimento espiritual, não existe jornada, não existe imitação sem sofrimento, qual sofrimento? Aquele que decorre da fidelidade, aquele que decorre de caminhar os passos de Cristo, aquele que decorre dessa imitação estrita, aquele que decorre da obediência dos seus estatutos…

este sofrimento que decorre da piedade, que decorre da fidelidade, este sofrimento irmãos, é bem-aventurança, é felicidade, o Evangelho está propondo uma total reinterpretação da realidade, da dor e do sofrimento, porque se Deus foi para a cruz, quem sou eu para negá-la? Se Deus foi para a cruz, quem sou eu?

ela, se aquele que é perfeito morreu no meu lugar, como posso eu achar que estar perto dele, possa significar qualquer coisa que não está perto da cruz? Será que dá para ser crente, fiel com essa mentalidade de empoderamento?

com essa mentalidade revanchista, que não aceita desaforo, vive com o nariz em pé, será que dá para seguir o Senhor Jesus Cristo dessa forma? Não, dá. Nós somos um povo humilde, mas não porque somos virtuosos, não é uma humildade intrínseca a nós.

é porque o Espírito Santo colocou um grande espelho espiritual na nossa frente. E agora? Eu não consigo mais não ver o que eu vi no espelho. E o que eu vi no espelho é feio, é terrível. Não porque eu tenha matado alguém, não porque eu tenha enfiado a faca em alguém, roubado.

mas porque eu neguei aquele que me criou e como se isso já não fosse o bastante, enviou o seu único filho para morrer no meu lugar. Eu sou merecedor do inferno e quem é merecedor do inferno não reivindica direitos. Vive na defesa do Evangelho e no testemunho do que Cristo fez.

Encerro com Mateus 5, texto que Paulo está citando diretamente.

Vocês ouviram o que foi dito, verso 43, ame o seu próximo, odeie seu inimigo, eu porém lhes digo, amem os seus inimigos. No que que isso se traduz? Faça o bem para eles, sim, mas ore por eles. Orem por aqueles que perseguem vocês, para quê? Qual que é a finalidade disso?

Qual que é a finalidade de obedecer Jesus nessa instrução? Só fazer o bem? Só cumprir uma regra? Não! Ele explica para demonstrar que vocês são filhos do pai de vocês. Aquele que está nos céus. Por quê? Porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons. E vir chuva sobre justos e injustos. Por quê? Se vocês amam aqueles que os amam.

que recompensa terão. Os publicanos também não fazem o mesmo. Ai, aquele homem é um homem de família, viu? Família é uma prioridade para ele. Olha que homem maravilhoso. Você não precisa ser crente para ser um bom pai de família, viu? Você não precisa ser crente para tratar bem quem te trata bem.

Nós não fomos chamados para isso. Nós não fomos chamados para sermos maus para a família, nem para destratar os outros, pelo contrário. Mas nós não fomos chamados para sermos bons aos olhos dos homens e na medida da justiça dos homens. Você quer ser parecido com o seu pai, aquele que você diz que é seu pai? Você tem que herdar os traços dele? Você tem que herdar suas características?

E Ele não faz distinção, pois Ele abençoa justos e injustos. Crentes e pagãos. E se saudarem somente os seus irmãos, o que estão fazendo demais, os gentios não fazem o mesmo. Portanto, querem ser perfeitos, querem ser maduros espiritualmente, sejam perfeitos como é perfeito o pai de vocês. Aquele.

aquele que está no céu. Irmãos, as instruções que se apresentam diante de nós, tem como obstáculo nosso orgulho e a nossa incredulidade. Mas essas instruções não são instruções de mero comportamento, de comportamento politicamente correto, elas são expressões do caráter de Cristo. Você não foi chamado para viver uma vida,

Boa aos olhos dos homens, você foi chamado e foi regenerado para ser uma nova criatura em Cristo. Lembrem-se do que Paulo diz, já não sou mais eu quem vive, estou crucificado com Cristo, fui crucificado com Cristo.

agora é Ele que vive em mim, não está falando de possessão, Ele está falando de amor, o amor de Cristo está em mim, a orientação, o ímpeto de vida de Cristo está em mim, o desejo de Cristo está em mim, de agradar e glorificar o Pai.

você não pode ser crente meu irmão, você não pode ser habitado pelo Espírito Santo e não querer se parecer com Cristo, ainda que fale miseravelmente todos os dias, e por isso que você tem que ser humilde, porque todo dia é uma derrota para a sua carne, é ou não é? Todo dia você tem que se encarar no espelho e falar, fui vencido, glória a Deus.

Glória a Deus pelo Senhor Jesus Cristo, porque é Ele quem me salva. Irmãos, Jesus não pede nada que Ele não tenha feito. O Senhor Jesus Cristo não pede nada que Ele mesmo não tenha feito. E se você não se lembra, Ele...

reivindicando sua autoridade divina, na cruz do Calvário, orou por você, por mim, sim, por você e por mim, Ele orou dizendo, pai, perdoa-os…

pois eles não sabem o que estão fazendo. Talvez você pense, o que isso tem a ver comigo? Meu irmão, minha irmã, você até hoje não descobriu que foi você que gritou barrabás? Você ainda não descobriu, você ainda não entendeu?

Então eu te explico, foi você, foi você que gritou barrabás e continua gritando, mesmo hoje, optando pelo libertador humano, libertador da sua carne, quando a gente se apaixona por política, quando colocamos nossa esperança na política, o que é isso se não gritar barrabás? Barrabás era um libertador.

revolucionário, muito bem, acabou com o Império Romano sozinho, e ainda que o Senhor Jesus precisasse, fosse determinado pelo Pai, que Ele deveria ir para a cruz, nós somos responsáveis.

a ida dele para a cruz não tira a nossa responsabilidade. E naquele momento, ele orou por mim, ele orou por você, ele dispensou naquela ocasião, perdão para mim e perdão para você. Por que você acha que você pode reter o perdão?

Por que você acha que você não deve orar por aquele que te persegue, por aquele que te maltratou, por aquele que te machucou? Por que você acha que você tem esse direito? Se aquele que não tinha pecados te perdoou?

Irmãos, o que impede a nossa comunhão, o que impede o nosso crescimento, o que impede a nossa imitação, o que impede a nossa santificação, é o nosso orgulho e a nossa incredulidade. Peça perdão por isso, reconheça diante de Deus isso. Meus irmãos, concluindo,

nós não intercedemos por quem nos persegue apenas para cumprir um preceito moral. E nem renunciamos à vingança por mero dever cívico. Na jornada de fé, não há lugar para a exaltação da virtude própria.

fazemos porque o Filho fez, e não há nada que queiramos mais nesta vida, do que sermos também chamados de Filhos. Afinal, que Filho não deseja herdar os traços, as características e as virtudes de seu Pai? E esse desejo...

não poderia arder em nossos corações, não fosse a salvação que chega a nós, graciosamente, como dádiva do Espírito Santo. Espírito que nos convence, nos humilha, nos santifica para glorificarmos o Pai.

Irmãos, não podemos adorar, não podemos cultuar, nem mesmo consagrar nossas vidas, sem a busca pela imitação, e não me refiro aqui irmãos, a uma imitação moralista e vaidosa, aquela que quer ser vista pelos homens.

Mas eu preciso dizer, não há santificação sem a experimentação da dor da perseguição por ser fiel. Do custo do perdão por ser um pacificador e reconciliador. Não há santificação sem a crença e a confiança no juízo e na restauração.

que nos aguardam no futuro, irmãos, que o Senhor nos livre, de um cristianismo, que não tem, no Cristo, o seu modelo, amém?