Episódios de Apóstolo Raffael Reis

Oral Roberts - Episódio 08

04 de maio de 202617min
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O fogo que ele carregou era real. As chamas que ele às vezes acendeu fora do lugar também eram reais. Oral Roberts foi isso — grandeza e contradição ao mesmo tempo. Pioneiro da televisão cristã. Fundador de uma universidade. Homem curado da tuberculose que passou setenta anos pregando que Deus ainda cura. Mas também um ministro que deixou lições dolorosas sobre os perigos da grandeza, da pressão financeira e da visão que cresce além de onde Deus havia mandado chegar. Neste episódio de Os Portadores do Fogo, aprendemos a honrar ambas as dimensões — sem idolatria e sem descaso.

Participantes neste episódio3
E

Elmer

ConvidadoIrmão de Oral Roberts
G

George Munsey

ConvidadoEvangelista
G

Granville Oral Roberts

ConvidadoEvangelista
Assuntos4
  • Ministério de Cura Oral RobertsCura em tendas e auditórios · Cura pela televisão · Fundação da Oral Roberts University · Controvérsias financeiras · Legado e impacto
  • Crise Financeira do BRBAnúncio de morte iminente · Arrecadação de fundos · Reação pública e crítica · Linha tênue entre fé e manipulação
  • TuberculoseDiagnóstico e prognóstico · Intervenção do irmão Elmer · Oração de George Munsey · Recuperação milagrosa
  • Oral Roberts e a televisão cristãPioneirismo no meio televisivo · Impacto e controvérsias · Recepção de cartas e contribuições
Transcrição44 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Tolsa, Oklahoma, 1948, tenda com capacidade para 12 mil pessoas, lotada.

O calor dentro da tenda é sufocante. São mais de 30 graus. As pessoas esperam há horas, sentadas em cadeiras de madeira, em pé nas laterais, amontoadas nas estradas.

Alguns vieram de estados vizinhos, alguns vieram em macas, alguns vieram em cadeiras de rodas empurradas por familiares que perderam as esperanças nos médicos, mas ainda não perderam as esperanças em Deus. Um homem sobe ao palco, alto, cabelo escuro penteado para trás, terno simples.

olhos escuros e penetrantes que pareciam enxergar através das pessoas. Ele não começa pregando, começa caminhando pela tenda, entre as fileiras, entre as macas, entre as cadeiras de rodas, colocando a mão direita sobre cada cabeça, cada ombro, cada fronte que encontra pelo caminho e as pessoas começam a cair.

Não todas, mas muitas. Paralíticos que se levantavam. Gritos de espanto. Choros. Alguém jogando fora as muletas. Alguém saindo da cadeira de rodas pela primeira vez em anos. A tenda inteira explode. Essa cena se repetiu, com variações, por mais de 50 anos.

Em tendas, em auditórios, em estádios, em transmissões de TV que alcançavam dezenas de milhões de lares americanos. O homem da mão ungida, o pioneiro da televisão cristã, fundador de uma universidade, o ministro que foi conselheiro de presidentes.

e que também viveu alguns dos escândalos mais dolorosos que o movimento pentecostal já conheceu. Seu nome era Granville Oral Roberts. E esta é a sua história.

Oro Roberts nasceu em 24 de janeiro de 1918 em Bebe, Oklahoma. Cresceu numa família de extrema pobreza, filho de um pregador pentecostal itinerante que raramente tinha dinheiro suficiente para alimentar a família.

Desde criança, Oral foi marcado por duas sombras, a pobreza e a doença. Aos 16 anos, enquanto jogava basquete, colapsou no meio da quadra. O diagnóstico? Tuberculose avançada em ambos os pulmões. O prognóstico? Morte provável em poucos meses.

Oral ficou acamado por meses, perdeu 20 quilos, tossia sangue, sua família reunia-se ao redor da cama esperando o fim. Mas seu irmão mais velho, Elmer, recusou-se a aceitar. Ele ouviu falar de um evangelista itinerante que estava realizando uma campanha numa cidade vizinha e, num ato de fé improvável, colocou Oral numa maca no banco traseiro de um carro e dirigiu até lá.

Quando o evangelista George Munsey orou por Oral e colocou as mãos sobre ele, algo aconteceu. Oral descreveu uma sensação de calor percorrendo seu corpo. Ele respirou fundo, pela primeira vez em meses sem dor. Levantou-se e andou. Os médicos que o examinaram posteriormente confirmaram.

Os pulmões estavam limpos, a tuberculose havia desaparecido. Oral Roberts tinha 17 anos e naquele momento tomou uma decisão que definiria os próximos 70 anos da sua vida. Ele pregaria o evangelho e oraria pelos enfermos até o último fôlego.

Abre aspas, Deus me curou quando eu era apenas um menino pobre e doente do Oklahoma. E desde aquele dia, eu nunca mais duvidei que ele pode curar qualquer pessoa. Fecha aspas. Após sua cura, Oral estudou, pregou em pequenas igrejas e amadureceu seu ministério ao longo dos anos seguintes.

Em 1947, sentiu um chamado específico para o evangelismo de cura em massa, semelhante ao que o Dowie, o Ingallsworth e Lake haviam feito nas décadas anteriores. Ele comprou sua primeira tenda e saiu para o campo.

As tendas de Oro Roberts foram um fenômeno americano sem precedentes. Começando com estruturas modestas, ele foi expandindo até a chamada Catedral de Lona. Uma tenda enorme com capacidade para mais de 12 mil pessoas, que era desmontada, transportada de cidade em cidade e remontada em campos abertos por todo o país.

Cada campanha durava dias ou semanas. Multidões chegavam de todos os estados vizinhos e a marca registrada era sempre a mesma, ora colocando a mão direita sobre os enfermos e orando com uma autoridade direta, sem rodeios.

Horo Horvitz acreditava que Deus havia ungido especificamente sua mão direita para ministrar a cura. Ele a protegia com cuidado. Nunca a estendia em cumprimentos formais antes de uma reunião. Guardava-a como instrumento sagrado.

Essa convicção não era superstição, era fé específica, e os resultados eram documentados com uma consistência que desafiava o ceticismo.

Casos de câncer revertidos, surdos que ouviam, paralíticos que andavam, epilépticos curados. Em uma única campanha em Toulsar, os registros indicam que mais de mil pessoas relataram curas durante uma semana de reuniões. Marcos 16, 18 diz, e porão as mãos sobre os enfermos e os curarão.

Em 1954, Oral Roberts fez algo que ninguém no movimento pentecostal havia feito antes. Levou suas reuniões para a televisão. O programa Oral Roberts foi ao ar nos Estados Unidos e rapidamente se tornou um dos programas religiosos mais assistidos do país.

Pela primeira vez na história, alguém podia sentar na sala de sua casa, em qualquer estado americano, e assistir ao vivo a cura sendo realizadas em nome de Jesus. O impacto foi imenso e a controvérsia foi igualmente grande. Denominações conservadoras protestaram.

Teólogos acadêmicos o acusaram de sensacionalismo. A imprensa secular o atacou com frequência. Mas os números não mentiam. Nas décadas de 1950 e 1960, Horo Roberts recebia mais de um milhão de cartas por mês de pessoas ao redor do mundo.

muitas relatando curas ocorridas ao assistirem sua programação, outras pedindo oração, outras enviando contribuições para sustentar o ministério. Abre aspas, Deus não é apenas o Deus da alma, Ele é o Deus do corpo inteiro, e é a vontade dEle que seu povo seja saudável, próspero e completo. Fecha aspas.

E aí E aí

Em 1963, Oral Roberts fundou em Tulsa a Oral Roberts University, uma universidade cristã que, segundo ele, havia sido ordenada diretamente por Deus. O campus foi construído com uma arquitetura futurista e arrojada, incomum para uma instituição religiosa da época.

A universidade cresceu e se tornou uma das mais respeitadas instituições cristãs dos Estados Unidos, com programas de medicina, teologia e artes. Mas nos anos de 1980, a reputação de Oral Hobbit sofreu golpes sérios dos quais nunca se recuperou completamente.

Em 1987, ele anunciou publicamente em transmissão televisiva que Deus lhe havia dito que morreria caso não conseguisse arrecadar 8 milhões de dólares em alguns meses para financiar bolsas médicas missionárias.

Ele subiu ao topo de uma torre no campus da universidade e disse que ficaria ali até Deus prover o dinheiro ou até morrer. A reação foi devastadora. A imprensa secular ridicularizou. Cristãos maduros ficaram consternados. O episódio tornou-se sinônimo de manipulação financeira religiosa, mesmo que Oral acreditasse genuinamente no que estava fazendo.

O dinheiro foi arrecadado, principalmente graças à doação de um único empresário que cobriu a maior parte da quantia. Mas o estrago à credibilidade do ministério foi irreversível. Esse episódio nos confronta com uma questão apostólica séria. Onde está a linha entre fé radical e manipulação emocional?

entre ouvir a voz de Deus e projetar sobre Deus os próprios medos e necessidades. Oral Roberts nunca respondeu claramente essa pergunta, e talvez ela permaneça aberta como alerta para todos que carregam um são e constroem visões de grande escala.

Oral Roberts foi um dos grandes pioneiros do Ministério de Cura e do Evangelismo de Massa do século XX. Sua coragem de levar o Evangelho para a televisão americana, quando ninguém havia feito isso, abriu uma porta que milhares cruzariam depois.

Ele provou que o poder de Deus cabia em qualquer meio de comunicação, que a unção não tinha medo das câmeras, que o evangelho podia ser pregado numa tenda de lona para 12 mil pessoas ou numa tela de televisão para 10 milhões e ser igualmente real nos dois contextos.

Sua própria cura da tuberculose na adolescência foi o combustível que nunca se apagou. Ele pregava com a convicção de quem havia sido salvo das garras da morte e que sabia, por experiência própria, que Deus ainda curava.

Está escrito em 3 João 1, versículo 2, Amado, acima de tudo, desejo que te vá bem e que tenha saúde, assim como vai bem a tua alma. Mas Oral Roberts também nos deixa um alerta que precisa ser dito com clareza.

A grandeza do ministério, a universidade, a televisão, os milhões de cartas, criou uma estrutura que exigiu recursos financeiros imensos para se sustentar. E essa pressão financeira parece ter influenciado decisões que mancharam seriamente seu testemunho nos anos finais.

O episódio da torre de oração não foi isolado. Ao longo dos anos de 1980, houve outras situações em que a linha entre fé genuína e apelo emocional por dinheiro ficou perigosamente tênue. E isso alimentou uma desconfiança generalizada em relação ao Ministério de Cura, que prejudicou não apenas Oral Roberts, mas todo o movimento pentecostal da época. A lição é direta.

Visões grandes precisam de estruturas financeiras transparentes. A unção não está acima da prestação de contas. E quando o ministério começa a precisar do dinheiro dos fiéis para sobreviver, em vez de depender da provisão soberana de Deus, é hora de parar e perguntar se a visão cresceu além de onde Deus havia mandado chegar.

Apesar das controvérsias, os últimos anos de Otto Roberts foram marcados por uma certa serenidade. Ele se retirou gradualmente do Ministério Público, viveu o suficiente para ver sua universidade florescer e para ver uma nova geração de ministros carismáticos, muitos dos quais haviam sido influenciados por ele, pregando o Evangelho ao redor do mundo.

Ele morreu em 15 de dezembro de 2009, aos 91 anos, em Newport Beach, na Califórnia. Sua morte foi tranquila, longe dos holofotes, rodeado de família. E de alguma forma, esse fim discreto parece ser mais honrado do que qualquer tenda lotada ou programa de TV. A CIDADE NO BRASIL

Oro Roberts foi um filho do Oklahoma que Deus curou de tuberculose e que passou o resto da vida tentando levar essa mesma cura a todos que pudesse alcançar. Errou em algumas coisas, acertou em muitas outras. Deixou um legado mesclado de glória apostólica e lições dolorosas, como quase todos os portadores do fogo que vimos nessa série.

Mas aqui está o que permanece. Milhões de pessoas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, foram impactadas pelo ministério dele. Muitas foram curadas, muitas se converteram, muitos pastores e missionários viram as primeiras imagens de um ministério de cura genuíno através das câmeras de Oral Roberts e tiveram suas vidas transformadas por isso.

O fogo que ele carregou era real. As chamas que ele às vezes acendeu fora do lugar também eram reais. E aprender a honrar ambas as coisas ao mesmo tempo, sem idolatria e sem descaso, é o que a maturidade apostólica exige de nós.

No próximo episódio, saímos dos estúdios de televisão americanos e entramos nas páginas de um livro que mudou a história do evangelismo mundial. Um homem que pregou o evangelho a mais pessoas do que qualquer outro missionário no século XX.

Não em tendas, não na televisão, mas em campos abertos, em nações que nunca haviam ouvido o nome de Jesus, com sinais e prodígios que confirmavam cada palavra pregada. Episódio 9, TL Osborne, a palavra confirmada com sinais e prodígios. O fogo continua. Shalom!