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MEU PAI É GAY, e agora? - O adoecimento neurótico do pai gay

11 de maio de 202619min
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[AUDIOBOOK] — MEU PAI É GAY, E AGORA? Neste vídeo, reflito sobre a temática da homossexualidade a partir da experiência humana, considerando o sujeito em sua singularidade e em relação à vida social.

Assuntos6
  • Adoecimento neurótico do pai gayExperiência humana e homossexualidade · Método psicanalítico e cura pela fala · Caso clínico de M. von N. · Livre associação · Resistências ao tratamento psicanalítico
  • Impacto em filhos e famíliaPrivação e supressão de direitos paternos · Discurso de ódio e homofobia · Abuso psicológico e exploração do menor · Falsa denúncia e impedimento de convivência · Impacto na formação psicológica da criança
  • Psicanálise e a cura da homossexualidadeRessignificação de sintomas e neuroses · Acolhimento e ambiente suficientemente bom · Ganho da doença e resistência do supereu · Recalque e angústia
  • Freud e a relação entre paranoia e homossexualidadeManifestações da reação neurótica · Delírio paranoico e internalização da perseguição · Escolha narcísica de objeto · Preconceito e discurso de ódio contra homossexuais
  • Fases da análise do pai homossexualFalso self e sedução · Separação e hostilidade paterna · Neurose obsessiva e esquecimento
  • Perspectivas Winnicottianas sobre psicose e falso selfDificuldade em estabelecer relacionamentos · Características psicóticas em progenitores · Complexo de Édipo e ausência parental · Falso self e instabilidade
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Ao longo deste capítulo, pretendemos compreender a condição do analisando e como ele vivencia o evento traumático da sedução, da separação e, posteriormente, do adoecimento neurótico, bem como o impedimento de ver o filho ou de exercer o papel de pai.

Sobre o método psicanalítico e a escuta do outro, é importante observar que a cura pela fala, conhecida como talking cure e baseada na livre associação, é o legado deixado pelo doutor Sigmund Freud no campo da análise.

Muito do que aprendemos sobre a importância da escuta do outro e dos sentidos que esse outro atribui à sua própria angústia, como no caso do analisando, só foi possível graças à descrição de um dos casos clínicos freudianos mais importantes da escuta psicanalítica, o caso clínico de M. von N.

A paciente M. von Enne nos ajudou a compreender muito sobre a arte da interpretação desenvolvida por Freud e correlata a técnica da Associação Livre, quando por volta de 1889, ela solicitou ao doutor Sigmund Freud que lhe permitisse falar sem interrupções.

Portanto, em relação à cientificidade da psicanálise, Freud concebe a arte como a principal ferramenta técnica de sua jovem ciência, ou seja, a livre associação. Sobre o mecanismo de cura na psicanálise, no entanto,

devemos considerar que é um procedimento para a cura ou melhora das doenças nervosas. Em outras palavras, no caso do analisando, a análise não proporciona uma cura para sua homossexualidade, mas sim para suas angústias, promovendo uma ressignificação dos sintomas e dos quadros de neurose presentes em sua narrativa.

A análise, no caso estudado, não pretende o esquecimento das vivências traumáticas, mas sim a ressignificação e o alívio dos sintomas, por meio do acolhimento e de um ambiente suficientemente bom que o ajude no seu desenvolvimento maturacional. O doutor Freud, no entanto, esclarece que nesse caminho da análise e da cura pela fala, encontramos algumas resistências ao tratamento.

Chamamos a todas as forças que se contrapõem ao trabalho de cura de resistências do paciente. O ganho da doença é a fonte de uma tal resistência, a sensação inconsciente de culpa representa a resistência do supereu. Ela é o fator mais poderoso e o mais temido por nós. Acrescenta sobre as resistências.

No tratamento, ainda encontraremos outras resistências. Se nos primórdios o eu realizou um recalque movido pela angústia, essa angústia continua existindo e agora se manifesta como resistência, quando o eu deve se aproximar do recalcado. Por fim, podemos imaginar que não são poucas as dificuldades quando um processo pulsional, que durante décadas trilhou um determinado caminho, de repente precisa trilhar um novo caminho que lhe abriram. Então, vamos lá.

poderíamos chamar isso de resistência do isso. A luta contra todas essas resistências é o nosso trabalho principal durante o tratamento analítico. Diante disso, a tarefa das interpretações chega a desaparecer. Portanto, nessa história de vida repleta de fragmentos clínicos, foi possível dividir a análise em dois momentos principais.

conforme mencionado no primeiro capítulo. Em outras palavras, a narrativa que compõe os relatos clínicos do caso de um pai homossexual, ou seja, do pai gay, é apresentada em duas partes ou fases distintas. Retomando o que foi mencionado anteriormente, essas duas etapas podem ser resumidas da seguinte forma. A primeira etapa aborda o período do falso self,

desde a sedução inicial do analisando até sua separação da figura materna representada pela bruxa. E a segunda etapa diz respeito à separação e à hostilidade vivenciada pelo pai em relação ao filho, devido à sua orientação sexual homossexual. Em outras palavras, e ainda parafraseando Freud, a cura ocorre por meio da análise, embora o pai da psicanálise nos alerte que a psicoterapia não é um procedimento moderno de cura.

Portanto, o papel da análise na vida do indivíduo é observado nas várias manifestações da neurose obsessiva. O esquecimento, em geral, se restringe à dissolução de conexões, como Freud exemplifica, à falta de reconhecimento de sequências e ao isolamento de lembranças. Em outras palavras, o analisando manifestou sintomas de neurose obsessiva.

Nesse sentido, segundo a perspectiva freudiana, o adoecimento neurótico residiria no fator externo e poderia ser descrito como um obstáculo. Portanto, o sofrimento do analisando decorria desse impedimento, uma vez que o objeto de amor, no caso seu filho, havia sido retirado dele. É nessa ideia de privação do filho que o analisando experimentou o obstáculo e o adoecimento neurótico.

Segundo a perspectiva freudiana, a condição de impedimento reflete a noção de que, aqui, felicidade coincide com saúde e infelicidade com neurose. A percepção da infelicidade no caso em análise está relacionada, na segunda fase, à privação e supressão dos direitos do pai, à abstinência, à perseguição e censura das liberdades individuais e sexuais, ao discurso de ódio, à homofobia e a outras formas de violência.

Na primeira fase, há também a presença do abuso psicológico e a exploração do menor vulnerável, que o analisando vivenciou em sua fantasia adolescente com a bruxa. No imaginário do analisando, não só a bruxa havia sugado toda a sua juventude e suas possibilidades de desenvolvimento, mas também, desde a separação do casal, todas as chances de satisfação foram perdidas devido aos inúmeros impedimentos.

impostos por ela no relacionamento do pai com o filho. Esses impedimentos eram fundamentados em concepções pejorativas acerca da homossexualidade do analisando, retratando-a como sinônimo de perversão, desvio e uma imagem da qual ela deveria proteger o filho.

O anterior é constatado nas inúmeras ações praticadas pela bruxa, tais como realizar campanha de desqualificação da conduta do pai devido à sua sexualidade e no exercício da paternidade, dificultar o contato da criança com o pai em diversas situações.

negar e dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar e, por fim, apresentar falsa denúncia contra o pai. Alguns dos relatos clínicos corroboram as investidas da bruxa. Em uma ocasião, após a separação dos pais, o analisando decidiu acompanhar seu filho em uma visita escolar ao zoológico.

Essa visita era livre e havia sido decretada judicialmente. No entanto, quando o pai encontrou o filho no zoológico, a bruxa, que não estava presente, foi informada por seus funcionários. A professora recebeu instruções para não soltar a mão da criança, associando o pai à figura de um sequestrador. A bruxa, à distância, garantiu que uma terceira pessoa, uma amiga da família, fosse ao zoológico e retirasse o filho de lá.

Imediatamente, ela ligou para os avós paternos do filho e informou que o analisando havia sequestrado a criança, ou seja, apresentou uma falsa denúncia contra o pai. Dessa forma, em diversos momentos e oportunidades, o analisando se viu encurralado em sua relação com o filho.

Portanto, segundo Freud, o adoecimento surge apenas com a abstinência. O que foi mencionado anteriormente nos permite avaliar que o impedimento da satisfação e da felicidade provenientes da relação entre pai e filho, juntamente com todas as restrições impostas à convivência, teve um efeito patogênico tanto para o analisando quanto para o filho.

Tantos impedimentos colocaram à prova o analisando e sua tolerância, além de aumentar suas tensões psíquicas. Dessa forma, a bruxa ia alcançando os resultados de sua investida. Ao abordarmos os impedimentos à convivência familiar, a relação entre pai e filho e a felicidade de ambos, é importante considerar o que o doutor Sigmund Freud esclarece sobre esse assunto.

só existem duas possibilidades de se permanecer sadio quando há um impedimento real duradouro da satisfação. A primeira é transformar a tensão psíquica em energia ativa que permaneça voltada para o mundo exterior e que acabe por arrancar dele uma satisfação real da libido.

E a segunda é renunciar à satisfação libidinal, sublimando a libido represada, de modo a alcançar metas que não são mais eróticas e que escapam do impedimento.

Portanto, as observações e constatações freudianas nos provam que os fatores disposicionais presentes na trama do analisando com a bruxa e que escapavam à sua vontade o levaram de alguma forma a renunciar à sua satisfação libidinal como pai, ou seja, de qualquer forma de obtenção de prazer na relação da dupla pai e filho.

Em alguns momentos, o analisando descreve ter sentido o desejo de matar o filho em suas fantasias, ou ter se sentido culpado pelo nascimento do filho e pelo trágico destino que poderia lhe aguardar na vida. Portanto, como podemos observar, uma alteração no mundo exterior, parafraseando Freud, na situação do impedimento da satisfação na relação entre pai e filho, refletiu-se em uma alteração no interior do analisando.

Em outras palavras, a libido reprimida estava destinada a buscar outras formas de satisfação, que na verdade eram incompatíveis, pois nunca substituiriam os benefícios da relação parental entre pai e filho. Com base no que foi dito anteriormente, podemos inferir que o impedimento foi internalizado pelo analisando como uma incapacidade de adaptação à realidade e um impedimento ao gozo, que lhe era de direito no exercício da paternidade.

No entanto, Freud esclarece que o impedimento não parte diretamente do mundo exterior, mas primariamente de determinadas aspirações do eu. Em outras palavras, o impedimento e a impossibilidade de realizar e desfrutar plenamente de sua condição de pai levaram-o analisando a um adoecimento por inibição e ao comprometimento de seu desenvolvimento maturacional, o que deu origem à segunda fase desses escritos, representando o verdadeiro self.

Nas palavras do Analisando, a mandinga foi intensa e muito impactante para sua psique. A bruxa lançou sua magia e conseguiu, por meio de manipulação, rituais religiosos ou ações simbólicas, afastar o pai.

Portanto, a constelação patogênica na economia anímica do pai, o represamento da libido e de qualquer satisfação no ato de ser pai, configuram o quadro clínico em que o eu não pode se defender com seus recursos sem sofrer danos.

No entanto, a imposição de uma realidade infundada ao pai devido à sua homossexualidade, a situação de inibição na relação entre pai e filho e no desenvolvimento do analisando, que ocorre durante o período de sedução e após a separação do casal, coincidem com a rigidez das fixações e os delírios alucinatórios da bruxa em relação ao jovem rapaz. Embora, meu caro leitor, como nos adverte o guardião da psicanálise,

devamos observar a singularidade do indivíduo como essencial tanto para a doença quanto para a saúde. A psicanálise nos advertiu a abandonarmos a infecunda oposição entre fatores externos e internos, entre destino e constituição, e nos ensinou a encontrar a causação do adoecimento neurótico regularmente em uma determinada situação psíquica que pode se produzir por diversos caminhos.

No entanto, no célebre artigo Comunicações de um caso de paranoia que contradiz a teoria psicanalítica, de 1915, Freud estabelece algumas relações entre o adoecimento neurótico, a paranoia e a homossexualidade.

O primeiro destaque no texto freudiano considera que as manifestações da reação neurótica não são determinadas pela ligação com a mãe atual, mas sim pelas ligações infantis com a imagem primordial da mãe. O delírio paranoico e a formação delirante

como um estado internalizado de perseguição que o analisando vivenciou durante anos de sua vida, devido à sua condição homossexual, são abordados a partir de uma perspectiva da relação amorosa com os pais, de suas fantasias e da regressão que remete à identificação narcísica de sua escolha homossexual de objeto.

resultando em uma predisposição ao adoecimento paranoico como consequência de um complexo parental. No entanto, Freud apresenta que, em algum momento, foi afirmado na literatura psicanalítica que o paranoico luta contra uma intensificação de suas tendências homossexuais, o que, no fundo, remete a uma escolha narcísica de objeto.

Embora ele acrescente, não afirmamos como uma tese de validade geral e sem exceções que a paranoia é condicionada pela homossexualidade. Ao que foi dito anteriormente por Freud, acrescentaria que a paranoia pode ser condicionada pela condição da homossexualidade, mas não apenas pela escolha do objeto em si.

O enfrentamento diário que os homossexuais têm em relação ao preconceito, ao discurso de ódio, à homofobia e a todos os estereótipos pejorativos associados à sua condição homossexual também desempenham um papel importante. Em outras palavras, o analisando, o pai gay, sofreria igualmente dos resquícios da relação patológica que havia experimentado durante os longos anos de convívio com a bruxa.

ou seja, o delírio de perseguição. Isso ocorre tanto pela crença na espiritualidade e pela sensação de falta, quanto pela simples decisão de viver sua liberdade e homossexualidade. Todo o exposto reforça que o sentimento de ausência do filho em relação ao pai foi, em certa medida, experimentado pelo próprio pai.

No entanto, a maturidade emocional do pai e sua vivência adulta lhe proporcionariam melhores condições para lidar com a angústia da separação. Ainda nos dias de hoje, muitos casais que se separam confundem a separação do casal com a relação dos filhos, resultando em uma experiência traumática para os filhos e algumas das figuras parentais, quando, na verdade, a separação não deveria ter qualquer influência sobre eles.

No entanto, a alienação parental tem um impacto direto na formação psicológica e na saúde da criança ou do adolescente, assim como na relação afetiva com a outra figura parental. Tanto a criança privada de afeto devido à alienação quanto o pai, no caso do Analisando, estão suscetíveis ao desenvolvimento de problemas neuróticos.

Assim, a vingança, não tão imaginária da bruxa, sacrifica até mesmo a felicidade do filho para se vingar do pai. Essa vingança parece não fazer sentido se a bruxa conseguisse perceber o que realmente restou ao jovem rapaz, seduzido por ela. No entanto, no caso do analisando e do filho, podemos pensar nas psiconeuroses,

embora a situação angustiante possa lhes parecer insuportável. Por outro lado, em relação à bruxa, a perspectiva winnicotiana acrescenta que o termo psicose pode ser visto como uma designação popular para a esquizofrenia, a psicose maníaco-depressiva e a melancolia, com complicações mais ou menos paranoides. Vejamos algumas considerações complementares winnicotianas para a compreensão da esquizofrenia. Obrigado.

Os esquizofrênicos não têm facilidade de entabular relacionamentos nem de mantê-los, quando os objetos desses relacionamentos são externos, isto é, reais no sentido usual do termo. Estabelecem relacionamentos segundo seus próprios termos, e não segundo os termos que orientam os impulsos dos demais indivíduos.

Na visão do Analisando, a bruxa não respeitou as condições necessárias para um convívio saudável com o filho. O jovem rapaz havia escapado de seu controle e domínio, mas a bruxa ainda tinha a esperança de atingi-lo indiretamente por meio do filho.

Ela não foi capaz de manter seu objeto, mesmo tendo investido todos os seus recursos, inclusive os que havia terceirizado as suas fantasias de espiritualidade. Em outras palavras, parafraseando Winnicott, as características psicóticas nos progenitores, sobretudo nas mães, afetam de muitas maneiras o desenvolvimento das crianças e sua percepção de felicidade e segurança.

No caso do pai, como um adulto maduro, ele é capaz de se identificar com seu ambiente e de tomar parte no estabelecimento, na manutenção e na alteração desse ambiente sem sacrificar seriamente seus impulsos pessoais. Ainda, ao longo das reflexões que se seguem, vamos observar o que Winnicott diz sobre o complexo de Édipo no caso de uma criança que sofre com a ausência de uma das figuras parentais.

No que toca a essa contínua ruptura que caracteriza o processo de crescimento dos indivíduos, o complexo de Édipo apresenta-se como um alívio. Nessa situação triangular, o menino pode conservar o amor pela mãe tendo à frente a figura do pai, e do mesmo modo, a menina, com a mãe à frente, pode conservar seu desejo pelo pai.

Na ausência de uma terceira figura, a criança só tem duas alternativas, ser engolida ou afastar-se violentamente. Por essa razão, o estudo do caso clínico nos permite não apenas analisar as causas do adoecimento do analisando,

mas também compreender a dinâmica da relação triangular em jogo. O analista lida constantemente com os fragmentos do caso clínico, com a associação livre dos pacientes, mas também desempenha um papel de contenção, apoio e sustentação para promover a cura em termos freudianos ou para o seu desenvolvimento em termos winnicottianos.

Por fim, encerro este momento dos escritos com uma afirmativa winnicottiana. O falso self pode se adequar muito bem ao padrão familiar, ou talvez a uma perturbação da mãe, como se observa no caso do filho do analisando, e muitas vezes pode ser facilmente interpretado como um sinal de saúde. No entanto, isso implica em uma instabilidade e uma propensão ao colapso.

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