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#72 - O acometimento da massa óssea no tratamento da obesidade com os análogos de GLP-1

24 de abril de 202632min
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O novo episódio do podcast da ABRASSO traz um debate essencial sobre um dos temas mais atuais da endocrinologia: o impacto dos análogos de GLP-1 na saúde esquelética.

Participam da conversa os endocrinologistas Monique Ohe, Leonardo Bandeira e Francisco de Paula.

Participantes neste episódio3
M

Monique Ohe

HostEndocrinologista
F

Francisco José de Paula

ConvidadoEndocrinologista
L

Leonardo Bandeira

ConvidadoEndocrinologista
Assuntos3
  • Impacto dos análogos de GLP-1 na saúde ósseaPerda de massa óssea · Evidências clínicas sobre GLP-1 · Densidade mineral óssea · Qualidade óssea · Risco de fratura
  • Medicamentos GLP-1 e obesidadeEfeitos colaterais do tratamento · Perda de peso e saúde óssea · Populações de risco
  • Avaliação da saúde ósseaDensitometria óssea · Marcadores de remodelação óssea · Exames de qualidade óssea
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Olá, meu nome é Monique, sou endocrinologista associada a Braço e venho aqui hoje para falarmos de um assunto atual e intrigante, o acometimento da massa óssea no tratamento da obesidade com os análogos GLP1. E para tal, convidamos dois eminentes endocrinologistas, o Dr. Francisco José de Paula, que é professor associado ao Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP.

Ex-presidente da Abraço e atual editor dessa nossa querida revista Conectividade. E para os amigos e colegas, o querido Franzé. Vocês vão me ver falando, chamando ele por esse nome também. E o outro endocrinologista, doutor Leonardo Bandeira, doutorando em endocrinologia pela Escola Paulista de Medicina, Unifesp. Fellow em endocrinologia na Columbia University, Nova York.

e atual diretor do Departamento de Metabolismo Ósseo da ESBEN. E para tornarmos essa conversa mais emocionante ainda, faremos um modelo de debate, onde o Dr. Franzé falará a respeito dos possíveis prejuízos com esse tratamento, enquanto o Dr. Leonardo defenderá a possível neutralidade com essa medicação, ou até mesmo talvez falar sobre o que fazer para a redução do dano com o uso dessas medicações.

Para isso a gente vai começar e eu vou soltando aqui algumas perguntas para os nossos dois doutores responderem. Então a primeira é assim, qual é a evidência clínica hoje mais forte que sustenta respectivamente a hipótese de perda de massa óssea?

versus essa neutralidade dos análogos de LP1 sobre esqueleto. E aí eu já emendo aqui que estudos realmente vão medir. Será que é a densidade mineral óssea? Será que é a qualidade? Fratura? E como isso muda o entendimento de vocês sobre os resultados? Então vamos ver o nosso primeiro panelista aqui, Dr. Franzé, e na sequência, Dr. Leonardo Bandeira. Muito obrigada.

Monique, muito obrigado pela apresentação e parabenizar, abraço, por trazer esse tema tão importante hoje, tão relevante, que a gente sabe que a obesidade e diabetes são dois dos principais problemas metabólicos que acometem o ser humano e cada vez mais importante devido à questão da obesidade.

E felizmente hoje a gente tem tratamentos eficazes para a perda de peso. Mas a gente sempre deve considerar que não existe nada perfeito no mundo. Sempre a gente tem que observar.

e analisar e principalmente estudar quais são os efeitos colaterais de qualquer tratamento. Um aspecto que é importante a gente ressaltar é que, de uma maneira geral, a perda de peso costuma ter um impacto negativo sobre a massa óssea. Esses medicamentos são muito recentes, o uso tem poucos anos que eles estão sendo usados, o foco inicial não é para a massa óssea.

E é evidentemente que dados mais robustos em relação aos efeitos adversos em relação à massa óssea, eu acho que ainda vai levar alguns anos. Nós temos algumas evidências que o uso desses medicamentos pode levar à perda de massa óssea.

Um estudo que é bastante interessante, que eu acho que até foi realizado na Dinamarca, pela própria Novo, em que eles avaliaram por 52 semanas, um grupo pequeno de pacientes, 64, 52 semanas, mais ou menos 64, 65 pacientes. E o objetivo desse estudo foi mostrar que...

a semagrutida aumenta o nível de formador ósseo, P1NP. E o resultado do estudo não mostrou esse aumento. Mostrou que não teve efeito, mas ao contrário, ao invés de aumentar o marcador de formação, aumentou o marcador de ressorção.

E as pessoas que usaram a semaglutida também perderam massa óssea na coluna lombar. Eu acho que esse talvez seja um estudo mais objetivo que a gente conta, que mostre um efeito negativo objetivamente. Mas, de novo, eu gostaria que ressaltasse...

que é até esperado. Vários modelos de perda de peso têm efeito negativo sobre a massa óssea. Acho que o meu colega Léo pode falar dos efeitos diretos que esses medicamentos têm sobre as células ósseas, que aí podem trazer uma dúvida em relação ao impacto deles no tecido ósseo. Bom.

Olá, obrigado pela apresentação, Monique. Obrigado, doutor Franzé. Prazer estar aqui. Parabéns para o doutor Franzé, que é o editor da revista, e por dar a oportunidade para a gente falar desse tema que está tão em alta.

Então, como o doutor Franzé já deu o gancho aqui, como que essas medicações, então os análogos de GLP-1, os GLP-1 são, só para dar uma introdução, peptídeos produzidos pelo intestino que tem efeitos na saciedade, no esvaziamento gástrico, nos hormônios do diabetes, e por isso eles atuam como...

medicações para diabetes, controle glicêmico e também na perda de peso. E no osso tem receptor para GLP-1. Então os análogos de GLP-1 é esperado que atuem também no tecido ósseo. O que se vê em estudos pré-clínicos e até em estudos clínicos também é que...

Essas medicações podem levar a aumento de formação, PUNP, através dos marcadores, e redução da reabsorção com redução do CTX, que não foi mostrado nesse estudo recente, que o Dr. Franzé comentou aí, que foi com a semaglutida. Estudos prévios tinham sido com os outros análises de LP1 mais antigos, liraglutida, ezenatida, lixzenatida, que são análises de LP1 que geram menos perda de peso. Então...

O que faz a gente pensar exatamente que o problema não é do remédio, é da perda de peso. O problema maior para a perda óssea, e que a gente espera uma perda óssea, é pela perda de peso. Na verdade, a medicação não teria um efeito diretamente maléfico para o osso.

Mas, como tem a perda de peso, e a dúvida é, acho que a gente tem tempo aqui para destrinchar mais esse assunto, será que esses remédios não amenizariam essa perda óssea pela perda de peso? Ou seja, não seriam benéficos?

em algumas populações, essa é a questão, mas acho que a gente tem tempo aqui para debater sobre isso. E eu acho que Monique fez... Qual foi a outra pergunta, Monique, que você já tinha? Na verdade, com relação a como você mede isso, seria pela densidade mineral óssea, a gente olharia isso pelo risco da fratura em si, você tem desfecho...

fratura nesses estudos, microarquitetura óssea, como é que a gente está medindo este dano sobre o compartimento ósseo? Então já tem estudo com densitometria óssea, com fratura, tem muitos estudos pequenos, então como o Dr. Franzé falou, são dados robustos.

Mas tem estudo de fraturas de densitometria óssea e tem de qualidade óssea também, com semaglutida, tem TBS e HRPQCT com semaglutida e também com liraglutida e ezenatida, que não mostra piora de microarquitetura óssea.

isso em pacientes com diabetes então é isso que a gente tem que diferenciar aqui as populações que vamos deixar vou deixar para a moderadora aí fazendo as perguntas, mas sobre os estudos já tem avaliação de fratura, de densitometria e de qualidade óssea, então já tem estudo das três formas de avaliação aí da saúde óssea e de marcadores, como eu falei né

que em geral mostra que os análises de LP1 melhoram, aumentam a formação, aumentam o PNP, reduz o CTX, mas de novo, como eu falei, com os outros anteriores que levavam menos perda de peso. Com a semaglutida, que já leva mais perda de peso, o doutor Franzé falou, o estudo recente, que é um dado robusto, o N não é muito grande, mas em relação aos estudos que tem sobre isso, é um dado...

para levar em concessão, não mostrou esse aumento do PUNP da formação. Então, quer complementar aí, doutor Franzé? Monique, essa é uma questão muito importante dentro da avaliação óssea na obesidade, no diabetes, é que, a priori, a avaliação da densidade mineral óssea não é um dado.

muito importante para medir risco de fratura, que a gente sabe que tanto a obesidade quanto o diabetes mérito são duas situações em que a massa óssea tende a ser mais elevada ou pelo menos preservada, normal, mas apesar disso, o risco de fratura é aumentado nessas situações.

Então a primeira coisa é que esse exame que é mais acessível, que é a densidade mineral óssea, ele não mede muito bem o risco de fratura, mas ele pode servir, no caso, como um parâmetro para avaliação em segmento. A gente observar...

uma perda de massa óssea significativa com o tratamento. Já o TBS é um exame que mostra redução, tanto no indivíduo com obesidade, quanto no diabetes méritos. E veja bem, a perda de peso, porque o TBS tem impacto na questão da quantidade de gordura visceral, aí vai ao contrário.

Com o tratamento, pode ser que a massa mineral óssea reduza e o TBS melhora. Tem um trabalho que mostrou isso com o uso de GLP-1. Houve uma perda de densidade mineral e um aumento do TBS.

Então, a pegadinha é, na avaliação inicial, a densidade mineral óssea não se presta muito bem para avaliar esses pacientes. O TBS dá uma ideia se ele está prejudicado. Agora, no segmento, é mais importante a densidade mineral óssea do que o TBS.

Então, eu diria que se deve ter cautela na avaliação desses dois exames e que a densidade mineral óssea vai ter valor para o acompanhamento. Se a pessoa está perdendo massa óssea e também se os marcadores de remodelação óssea mostram um aumento da taxa de remodelação, sugerem...

é um sinal que a pessoa está tendo catabolismo ósseo. Eu não sei se foi claro nessa situação, mas eu gostaria de falar sobre essa questão da avaliação da densidade mineral óssea, que envolve uma certa, digamos assim, uma pegadinha, que pode trazer problema na avaliação de uma pessoa que não está acostumada.

com o entendimento do valor da densidade mineral óssea do TBS nessas situações. Perfeito, Dr. Franzé, muito bem colocado mesmo.

Tem uma revisão, achei aqui agora uma revisão bem legal, publicada no passado, que fala sobre isso. Então, ele revisou TBS, HRP, QCT, RANs, nesses pacientes que usam análise de LP1 com diabetes. É uma revisão aqui publicada na revista Endocrine, 2025, para quem tiver interesse. O primeiro autor é Al-Refaie, deve ser Antonella Al-Refaie.

E o que é importante, Munique, é que a gente quer evitar a fratura. Então, a gente não deve esperar que as pessoas fraturem. Então, nós podemos avaliar a perda de massa óssea.

o aumento da taxa de remodelação, principalmente o aumento do CTX, e agir de uma forma adequada para que as pessoas não percam massa óssea durante o tratamento. Os benefícios desse tratamento são muito grandes. O que se tem agora de evidência é que, além da perda de peso, que melhora a qualidade de vida, que diminui risco cardiovascular.

que até traz a chance de trazer remissão para o diabetes mérito, tem esse efeito colateral possível, perda de massa muscular, perda de massa óssea, é a gente tentar minimizar, orientar a prática de exercício, principalmente exercício resistido e uma alimentação.

que contemple adequadamente os fatores que minimizam essa perda de massa ósseo, que é a questão do conteúdo proteico adequado, a questão do cálcio e da vitamina D. Portanto, eu acho que a gente deve identificar essas ocorrências que sugerem catabolismo ósseo e tentar minimizar para que se tenha o máximo proveito e que se evite os efeitos adversos.

Maravilha, excelente. E aqui eu pergunto para vocês, os doutores enxergariam uma diferença relevante entre os análogos de LP1? Pensando em desfecho ósseo, vocês acham que há uma diferença entre eles?

Posso começar? Pode, pode, Léo, claro. Vamos lá. Então, como eu falei, eu acho que o que a gente tem que separar são os análogos, aqueles primeiros, esenatida, liraglutida, lixisenatida, que pouco foi usado, mas teve estudo nisso, dos novos. Os novos, semaglutida para frente, perdem mais peso. Então, o que os estudos, em geral, mostram é que... E aí, se também separar em duas populações.

Então, o que os estudos, em geral, mostram é que, nos pacientes com diabetes, aquelas medicações, os análogos mais antigos...

E até a SEMA, parece que eles são neutros na massa óssea, também para o risco de fratura, até alguns estudos mostrando até melhora na questão da massa óssea e risco de fraturas com esses, nos pacientes com diabetes. Porque apesar da perda de peso, eles perdem menos peso do que os obesos, os estudos até com SEMA e até também com a tizepatia do Monjaro, os pacientes diabéticos perdem.

menos, perde 11, 12, 13% do peso. Os não diabéticos perdem 20, enfim. Então eles perdem menos peso e tem o controle glicêmico que vai favorecer para o osso. Vai ser favorável para o osso. Então parece que nos diabéticos é mais seguro do ponto de vista ósseo essas medicações. Os obesos não diabéticos, não, porque tem muito o fator da...

da perda do peso, a diminuição da carga no osso. E parece que esse é o principal fator. Não tem a questão de controlar a glicemia, e a perda de peso é maior, principalmente naqueles pacientes que perdem mais peso. Já tem estudo que mostra que um IMC acima de 40 que perde mais peso, porque tem mais peso, parece ter mais. Nesses pacientes obesos, sem diabetes, parece sim que tem um aumento.

pode ter um aumento no risco de fratura, já tem estudo que mostra isso, e redução na massa óssea, prejuízo ósseo. Principalmente com esses mais novos, SEMA e Tisepatida, porque perde mais peso. Tisepatida tem pouco dado, acho que o dado que tem mais é com diabetes, mas perde mais peso. E aí, respondendo a pergunta da Monique, o único dual que a gente tem é a Tisepatida, que tem JIP também.

Parece que tem receptor de jipe no osso, então, em tese, poderia ser benéfico a questão do dual, mas a perda de peso é mais acentuada. Então, no final das contas, parece que, no caso da tisepatida, é o único dual que a gente tem, vai ser pior para o osso porque perde mais peso. Acho que essa seria a ideia geral, complementar isso.

Essa é uma questão, na minha visão, da ação desses medicamentos. A primeira coisa que o Léo já falou antes são os estudos pré-clínicos. Animais que são nocaute para o GLP-1, portanto não expressam receptores para o GLP-1, eles têm perda de massa óssea.

Isso é um dado indireto em animal, em camundongo, que o GLP-1 tem efeito negativo. Você tem efeito positivo. Você deletando o receptor, o animal perde massa óssea. Aí tem um problema, o que eu acho? É que o animal, o camundongo, ele responde diferente do ser humano em relação à obesidade. Quando você induz obesidade a um camundongo, o animal perde massa óssea, ao contrário do ser humano. O ser humano ganha peso, ganha massa óssea. A massa óssea é aumentada.

O ser humano perde peso, perde massa óssea. A perda de peso induz perda de massa óssea em homens e camudongos, mas o ganho de peso, principalmente pela chamada alimentação gordurosa, leva à perda de massa óssea no camudongo. O diabetes também. Já no ser humano, tanto o diabetes quanto a pessoa que tem obesidade tem massa óssea aumentada. Então, o modelo, não dá para trazer o modelo animal, enroedor, e transpor diretamente para o ser humano.

Esse é um ponto relevante. A outra coisa é, parece que tem realmente, pode ter diferença aí, pensando no ser humano, entre o dual que a gente dispõe no mercado de tisepatida, pelo menos em massa muscular, parece que a perda é menor com a tisepatida do que com a sema glutida. Isso a gente tem evidências mais fortes.

Eu estou esperando, em relação à massa óssea, dados robustos de comparação. A priori, eu fico preocupado com a tisipatida pela maior perda de peso, mas tem essa menor perda de massa muscular e eu espero, eu torço para que a perda de massa óssea seja menor, mas eu não posso me comprometer aqui e falar, dizer que eles têm...

induzem uma menor perda de massa óssea do que a sema aglutida. Eu estou aguardando para ver dados robustos em relação a isso. Perfeito. E os doutores acham que haveria um perfil de paciente de que a gente deveria ficar mais preocupado? Por exemplo...

Talvez as mulheres na pós-menopausa, os idosos, os pacientes que já têm uma osteopenia, então essas pessoas, porque assim, as nossas queridas canetinhas estão espalhadas por todos de uma forma que a gente não tria mais essa população. Então, será que a gente deveria ficar de olho em algumas populações específicas? O que vocês acham?

Então, pacientes já têm estudo, eu acho que é com a SEMA, isso que eu falei anteriormente, os pacientes que perdem mais peso e os mais idosos. Então, quem tem MC acima de 40, quem tem mais peso acaba perdendo mais peso. Então, teve maior perda óssea e os idosos. Então, talvez essa seja a população. E, obviamente, aí é até...

quem já tem algum outro fator de risco, até faz muito sentido isso. Então, quem já tem fator de risco para a perda óssea osteoporose, e aí esses dados, que eu acho que foi com a SEMA, que é isso, a pior perda óssea foi quem tinha INC acima de 40, ou seja, porque perdeu mais peso, porque tinha mais peso, e quem era mais idoso.

Então, talvez seja a população para ficar mais de olho e reforçar ainda mais aquela questão que o Dr. Franza falou das medidas preventivas para amenizar a perda óssea. Eu concordo com o Léo, que a gente deve ficar atento às pessoas que têm outros fatores de risco.

Então, a gente sabe, a idade é um fator de risco importante. E quando a gente vai analisar a população que foi estudada nesses estudos chamados pivotais, o número de idosos é pequeno. Então, a gente já tem poucos dados em relação à questão óssea. E quando a gente vai analisar a questão óssea nos idosos, tratados com... Aí ainda é mais pobre ainda a quantidade de dados. Então, eu acho que, teoricamente, esse é um grupo de risco.

E, em particular, se a pessoa é idosa e tem sarcopenia, tem diminuição de força, eu acho que esse é um paciente de alto risco e, eventualmente, ter mais problema ósseo. Aqueles pessoas que já tiveram uma fratura, certamente não é possível que a perda de peso venha a trazer catabolismo ósseo e aumente o risco de fratura.

Pacientes que têm obesidade induzida por glicocorticoide, eu acho que é um outro grupo de risco. Então, eu acho que a gente deve considerar os outros fatores de risco que eventualmente esteja presente e até a combinação de tratamento. Eventualmente, um paciente que esteja sendo tratado com pioglitazona e venha acrescentar.

um desses encretínicos, seja de ação única ou dual. Perfeito. Só para complementar, eu estou vendo aqui o estudo que eu citei, entrei aqui agora só para ver, não é só com SEMA, é com análogos de LPU em geral. É um dado retrospectivo que mostrou isso aí, da idade e do IMC como fator de risco.

Muito bem. E aqui, né, pra gente só dar mais um tempinho pra conversar sobre o que a gente podia fazer, então, de modo objetivo e prático pra redução desse dano e pra proteção, né? Vocês, embora a gente fale de uma forma genérica, melhora do aporte proteico, melhora da vitamina D, se vocês têm números pra sugerir, o que vocês acham que seria importante?

Para o indivíduo que, não só para endocrinologistas, mas para os médicos que estão vendo seus próprios pacientes utilizando as canetinhas, o que a gente poderia sugerir de forma prática e objetiva que ele deveria fazer com esse paciente pensando na saúde óssea dele? Você quer começar, né? Pode ser. Eu acho que, assim...

nada além do que a gente já fala para os pacientes que têm alto risco de perda óssea. Não vejo nada adicional, mas é basicamente reforçar a ingesta de cálcio, a ingesta proteica. Aí a gente pode entrar naquela discussão de quantidade de proteína, que o clássico é recomendar 0,8 a 1 grama por quilo, mas, enfim, hoje em dia a gente já sabe que tem recomendações aí, às vezes, de botar mais, 1,2 para idoso.

por causa da massa muscular, enfim, é uma discussão, mas otimizar a ingesta proteica, ingesta de cálcio, exercício resistido para aumentar a carga no osso. Então, tudo aquilo que a gente evitar outros fatores de risco, tabagismo, álcool, enfim, fazer a monitorização com densitometria periódica, ficar de olho no que o doutor França falou, corticoide, outros fatores de risco. Então, acho que é... Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron Chron

Você está tratando o peso ou diabetes, você provavelmente não vai parar o remédio por causa do osso. Acho que não vai ser um motivo para você parar o remédio, se está controlando o diabetes. Então, você tem que amenizar de outras formas. Então, você vai amenizar tentando otimizar a dieta, exercício e tentar retirar outros fatores que podem contribuir para a perda óssea. Eu acho que basicamente é isso que você acha aí do trabalho.

Eu acho que basicamente você falou tudo, Léo, é só complementando aí a questão do cálcio, é importante a gente reportar que o ideal é que o cálcio, principalmente aí pensando na pessoa que tem diabetes, o cálcio venha principalmente da dieta, então a pessoa deve ser acompanhada por uma boa nutricionista que não seja da linha funcional.

que vai querer tirar leite e derivado, tá certo? E aí preservar a quantidade de cálcio na dieta. É super importante para aquelas pessoas que não têm problema com produtos lácteos. E essa...

quantidade de cálcio deve ser em torno de 1.200 miligramas por dia. A quantidade de vitamina D adequada, hoje cada vez mais está consolidada que a dose que varia de 400 a 1.000 unidades.

costuma ser suficientes. Aqui a gente está falando de pessoas que não foram submetidas, em geral, à cirurgia bariátrica. Se for uma pessoa bariátrica que vai fazer uso, essa é uma outra questão, seria para outro podcast. É uma situação muito peculiar.

E a quantidade de proteína que o Léo já falou, que tem que contemplar pelo menos um grama, e se a pessoa for idosa, eu concordo que um pouco mais, 1,2 grama, é a quantidade ideal. E é fundamental a pessoa fazer exercício, em particular o exercício resistido. Eu diria que essas são as armas que a gente conta.

E, eventualmente, se há necessidade de usar esse medicamento, a gente tem que avaliar o risco de fratura e se há indicação de tratar a osteoporose, se eventualmente for o caso. Muito bom. É engraçado, né? Só falando dessa questão alimentar, é interessante como foi eficiente. Eu não sei por qual veículo. Todo mundo come proteína agora, mas o cálcio não entra.

Como é fácil fazer. O cálcio sai, né? Meu Deus do céu. O cálcio sai, né? Os pessoas vão tirando o cálcio. Como foi fácil perceber ao longo dos últimos, bem assim, poucos anos, como foi rápido a gente perceber que os idosos estão atrás de querer comer mais proteína. Do jovem ao idoso, todo mundo atrás de bater a meta da proteína no dia. Agora, meu Deus do céu, a gente nessa luta há tantos anos, a gente não consegue muitas vezes sugerir que a gente consiga bater a tal da meta em cálcio.

E olha, a gente pergunta do inquérito alimentar, é impressionante. Eu não consigo nem dizer quantas vezes eu ouço isso. Quando eu vou perguntar, aí me conta qual é a sua ingestão de derivados lácteos pra gente ver o cálcio, a pessoa me responde, doutora, eu como ovo todo dia de manhã. Eu falo, olha, então...

Tanto educado. Tem que ter falado derivados lácteos. E aí a gente acaba que tem uma valorização que não deixa de ser importante, que a gente sabe o quanto é necessária ter essa questão da ingestão proteica, mas a gente não pode, pelo amor de Deus, deixar de prestar atenção e incentivar os nossos pacientes a fazerem, bater então a tal da meta no cálcio. Queridos, nós estamos nos aproximando aqui do fim desse podcast.

Poderemos ficar horas falando desse assunto tão palpitante, tão agradável, com pessoas tão maravilhosas aqui, com conhecimento tão vasto sobre o assunto, mas a gente precisa começar a caminhar para as finalizações. Gostaria de abrir a palavrinha para cada um de vocês, darem um último recado que vocês queiram falar a respeito do assunto, antes do finzinho, começar pelo Dr. Franzé, deixar um último recadinho para todos.

Eu gostaria de agradecer mais uma vez, você é uma grande mediadora, Monique, e ter compartilhado essa atividade com o meu amigo Leonardo Bandeira e dizer que, como eu já tinha falado anteriormente, esse novo tratamento é um tratamento revolucionário que trouxe luz para a nossa especialidade, mas que, como tudo na vida, nada é perfeito.

E a gente tem que aproveitar os benefícios desses tratamentos, que são muitos. E certamente o encanto da endocrinologia, em particular do osso, é que ele é diferente dos outros tecidos. Ele vai no sentido, muitas vezes...

que é o oposto a que os outros caminham. O tecido ósseo parece não sofrer os efeitos negativos da resistência à insulina, que é tão maléfica para outros tecidos. A massa óssea é preservada na obesidade, a massa óssea é preservada no diabetes mellitus. Mas, por outro lado, o ósseo é extremamente sensível à perda de peso, à magreza.

Então, essa é a questão da gente prestar atenção nesse efeito, que não invalida o tratamento, pelo contrário, mas, mais uma vez, trazer todos os benefícios e evitar, eventualmente, esse efeito colateral. E a gente precisa de dados mais robustos. Foi um prazer participar desse podcast. Muito obrigada, Franzé, parabéns. E a gente aqui agradece enriquecidos pelas suas palavras aqui. Leonardo, Bandeira.

Também queria começar agradecendo a oportunidade da revista. Obrigado, doutor Franzé, editor-chefe, coordenador da revista. É um prazer estar aqui com pessoas que eu admiro, doutor Franzé, Monique, concordo que também pode mediar mais debates.

grande mediadora e é isso, eu acho que o doutor já falou aí, é o blockbuster atual da não vou falar ainda da endocrinologia, acho que talvez da medicina como um todo, né? Eu nunca vi uma medicação ser tão falada como essas são atualmente até pela impressa leiga

Enfim, não está só no meio médico, está no jornal, todo dia passa alguma coisa sobre caneta análoga de LP1. Então, isso são medicações excelentes, mas que tem que ter o cuidado, olhar para o osso também, para depois não arrumar um outro problema, que é tratar o peso, estar bem ali com a glicose e arrumar um outro problema, que é o problema osso.

ficar atento para isso, especialmente de um ponto de vista bem prático para quem está ouvindo, especialmente nesses pacientes que têm mais risco de osteoporose e perda óssea. Os idosos, quem perdeu muito peso, acima de 20%, 15%, enfim, e quem tem outros fatores de risco. Então, ficar de olho, pedir uma densitometria, otimizar, como a gente falou, cálcio, vitamina D, proteína, exercício, enfim. Então, olhar, ficar atento ao osso também. Obrigado.

Perfeito. Muito obrigada pela sua visão, sempre tão atualizada, sem referências, com uma visão prática dos desafios enquanto endocrinologistas, enquanto médicos, enquanto estudiosos do osteopetabolismo. E foi um prazer moderar o debate que não é um debate, porque todos ganham aqui.

Quem estava a favor deu para ser isso contra, quem estava contra deu uma pitadinha de ajuda a favor. Ou seja, porque todos ganham, nós lucramos muito com o conhecimento e os nossos pacientes mais ainda, porque a gente tem mais a oferecer a todos eles. Então, obrigada, abraço pela oportunidade, a conectividade por este canal, a assistência aqui da equipe que fica de plantão enquanto os auxilia, a Josi, a Cristiana e aqui.

Até a próxima, até o próximo podcast, gente. Muito obrigada.

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