Massacre da Família Feroldi: A Pista que Mudou Tudo
📌 Neste vídeo, Marcos Campos detalha a trágica história da Família Feroldi, uma chacina brutal que abalou Curitibanos, Santa Catarina, em 1998. Entenda como o pai, Valdir Feroldi, passou de vítima a principal suspeito, sendo preso injustamente pelo assassinato de sua esposa e filhos, e a reviravolta impressionante que revelou os verdadeiros culpados através de uma pista minúscula.O caso Feroldi é um dos episódios mais marcantes da criminalística catarinense. Investigamos os bastidores da investigação policial, o erro judiciário que encarcerou um homem inocente e o papel crucial de uma denúncia anônima motivada pelo peso da consciência. Quem eram os verdadeiros assassinos? Qual foi o destino de Rodrigo "Vermelho" e suas cúmplices?Tópicos abordados:A cena do crime na casa da Família Feroldi.A prisão injusta de Valdir Feroldi (Bugio).A pista da touca branca e vermelha encontrada no matagal.A confissão dos verdadeiros autores e a motivação fútil.O desfecho jurídico e a homenagem póstuma a Valdir.-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br
Marcos Campos
- Desintoxicação da CulpaCarla Maria Vaz · Rodrigo Cristiano Tibes (Vermelho) · Menor de 15 anos · Motivação do crime · Latrocínio
- Chacina de TietêCena do crime · Valdir Feroldi · Sandra Aparecida dos Santos · Daiane · Robson · Ricardo
- Prisão Injusta de Valdir FeroldiAcusação de aliciamento de testemunhas · Valdir Feroldi · Investigação policial
- Pão do CéuTouca branca e vermelha · Aparelho de som roubado · Matagal · Denúncia anônima
- Legislação e JustiçaCondenações · Fuga de Rodrigo Vermelho · Indenização a Valdir Feroldi · Homenagem a Valdir Feroldi
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Um homem acabou de perder a esposa, os dois filhos pequenos e uma menina de 10 anos, todos assassinados na mesma noite a golpes de faca dentro da própria casa. E 5 dias depois desse massacre, é ele quem acaba preso, acusado de ter feito aquilo com a própria família. No dia seguinte, quando os policiais o levam de viatura para um presídio longe daquela pequena cidade, antes de entrar no carro, esse homem para, Olha fundo nos olhos de um policial militar que ele conhecia já fazia muitos anos e diz que não matou a família dele, que tá sendo preso injustamente e pede pra esse policial que o ajude a encontrar quem realmente fez aquilo.
O policial responde que vai fazer o possível e o impossível pra descobrir. E esse é o elo principal dessa corrente de fatos, naquele momento, com tudo que a polícia tinha na mesa, esse homem tanto podia ser o pai mais injustiçado daquela cidade quanto o assassino mais frio que ela já tinha visto. E o que ia acabar decidindo de que lado ele estava não foi uma digital nem uma arma achada na cena do crime, foi uma touca esquecida num matagal perto daquela casa.
Eu sou o Marcos Campos e hoje a gente vai lá pra uma cidade pequena no interior de Santa Catarina, no final dos anos 90, pra um caso em que uma família inteira foi assassinada numa única noite, dentro de casa, sem ninguém ver nada e sem ninguém ouvir nada. E olha, eu já te adianto uma coisa, tá? Esse é um daqueles casos que parecem ter um culpado óbvio ali nos primeiros dias de investigação e que no meio do caminho, na verdade, as coisas viram completamente do avesso.
A investigação ficou quase um mês inteiro empacada, digamos, Sem uma única pista que prestasse. E o que destravou, digamos, tudo no fim não foi a perícia, não foi uma confissão arrancada na pressão, foi uma pessoa que simplesmente não conseguiu mais carregar na consciência o que sabia. Então já se ajeita e vamos aos fatos. A Casa. A história começa num sábado à noite, no primeiro dia de agosto de 1998, em Curitibanos, uma cidade pequena no Planalto de Santa Catarina.
Quem contou os bastidores dessa investigação toda foi um dos homens que trabalhou nela do começo ao fim, o Sargento Márcio Pedrão, conhecido lá na cidade como Sargento Pedrão. Ele era do Serviço Reservado da Polícia Militar, no setor de investigações, que os militares chamavam de P2. Inclusive, o Sargento Pedrão tem um livro de memórias das atuações dele, onde essa história está incluída. Bom, naquele sábado à noite, naquela noite de sábado, melhor dizendo, o celular dele tocou com uma ordem bem precisa, curta: se aprontar, reunir a equipe no quartel e ir até o local de uma ocorrência.
Não era uma ocorrência qualquer. Quando eles chegaram, o que eles encontraram foi uma casa inteira transformada em uma cena de crime pavorosa. A casa era de uma família conhecida ali na região. Os Feroldi. A primeira vítima estava logo ali na garagem da casa, era a dona da casa, a Sandra Aparecida dos Santos, de 25 anos à época, caída no próprio sangue, com a garganta completamente degolada. E a garagem era só a entrada do que esperava a equipe lá dentro daquela casa.
Na sala de visitas, caída atrás de um sofá, estava a Daiane, a irmã mais nova da Sandra. A menina tinha 10 anos só. Num quarto estavam os dois filhos da Sandra e do marido dela, o menininho Robson, de 5 anos, e o caçulinha Ricardo, de de apenas 2 anos de idade, todos degolados. Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal de Lages, outro município ali de Santa Catarina, e foi a autópsia que mostrou o quadro completo do que tinha acontecido lá.
O Ricardo, bebê de 2 anos, foi o único que recebeu um golpe só certeiro na garganta. Pelo que a perícia entendeu, ele foi retirado do berço onde ele estava dormindo. Os outros não tiveram a mesma rapidez na morte. A Sandra, além de degolada, levou mais 4 estocadas no tórax. Robson, outro menininho, mais 2 golpes profundos. E a Daiane, a menina de 10 anos, foi a que mais sofreu, uma dúzia de golpes pelo corpo. Pra quem investigou aquilo, a quantidade de ferimentos na Daiane indicava que ela tinha sido a vítima que mais tempo ficou diante do agressor ou agressores, provavelmente a que mais viu aquele terror se materializando.
E tinha uma coisa nos ferimentos que chamou bastante atenção dos investigadores, precisão. Os cortes eram tão certeiros que o próprio sargento Pedrão chegou a comparar a habilidade de quem usou aquela faca com a de um cirurgião. Parecia que aquilo era obra de alguém experiente nesse tipo de coisa. Quem fez aquilo sabia o que estava fazendo com uma lâmina. Ainda naquela noite, a polícia tentou levantar alguma coisa com os vizinhos ali, mas não conseguiu nada, porque ninguém viu nada, ninguém ouviu nada, nenhum grito de socorro.
E tinha um motivo talvez para isso, porque a casa da família Feroldi ficava afastada das outras ali da região, um lugar de pouca visibilidade, e de noite ficava ainda mais difícil de alguém ter percebido qualquer movimento estranho por lá. No dia seguinte, um domingo, os peritos começaram o trabalho técnico e o delegado regional, o Dr. José Luiz, chamou a equipe do P2 para somar com a Polícia Civil. O objetivo evidentemente era um só: quem tinha feito aquela barbaridade?
Começa a primeira camada de problema, digamos, na história, porque de Toda a família que vivia ali naquela casa, havia um sobrevivente. O pai das crianças, marido da Sandra, ele tinha sobrevivido aquela noite. E em poucos dias, ia ser justamente ele o nome no centro de todas as suspeitas. O sobrevivente.
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O nome do homem que sobreviveu a esse massacre familiar é Valdir Ferrodi. Na cidade, ele era conhecido conhecido pelo apelido de Búgio. Ele tinha 49 anos quando tudo aconteceu, era o marido da Sandra e o pai do Robson e do Ricardo, e era o dono de um matadouro de bois que ficava ali ao lado da casa dele. Algumas fontes que relatam o caso também descrevem o senhor Valdir como um açougueiro. Então, de todas as pessoas da casa, ou seja, a esposa, os dois filhos dele e a menina que era irmã da esposa do senhor Valdir, que por alguma razão estava na casa naquele momento, todos morreram, menos ele.
Naquele sábado, o Valdir teria passado a tarde e o começo da noite em um bar ali da região chamado Dom Chopinho. Segundo consta, ele ficou lá o dia todo jogando cartas com amigos, saiu de lá por volta das 11 da noite e foi direto pra casa. E foi ele quem encontrou aquela cena que eu descrevi. Desesperado então, ele ligou pra polícia avisando que a família inteira tinha sido assassinada. Ou seja, esse primeiro olhar investigativo foi justamente por estar fora de casa, em um bar, na hora em que a família foi atacada, que ele não estava entre os mortos.
Quando voltou, por volta das 11, como eu disse, o crime já tinha acontecido. Então ele foi o primeiro a encontrar e chamar a polícia. Nos dias seguintes, sem a polícia chegar a um lugar definitivo, talvez, o Valdir começou a correr atrás por conta própria. Ele foi conversar com umas pessoas ali, perguntar, tentar puxar alguma informação que levasse até quem tinha matado a família dele, quem tinha alguma razão para isso. E foi exatamente esse movimento que virou contra ele.
Até esse ponto, a investigação ainda não estava andando muito, então o Dr. José Luiz pediu reforço para Florianópolis e veio então para Curitibanos um delegado lá do Departamento Estadual de Investigações, o Renato Endes, com parte da equipe dele. E logo depois disso, no dia 6 de agosto, 5 dias já depois do crime, o Judiciário lá de Curitibanos expediu um mandado de prisão contra o senhor Valdir. Seria então pedido de prisão preventiva, alegando que o Waldir estaria aliciando testemunhas e atrapalhando a investigação.
Ou seja, por esse lance aí, né, dele estar conversando com as pessoas ali para tentar encontrar alguma razão para aquilo, virou contra ele. Como eu disse, foi expedido aí um mandado de prisão, que acabou sendo na verdade de prisão temporária. Agora presta bem atenção nesse ponto da história, porque ele é o nó, digamos, tá, nesse elo todo. O Waldir sempre negou ter feito qualquer tipo de aliciamento à testemunha. A versão dele era que ele só tinha conversado com vizinhos pra ver se alguém sabia de alguma coisa que pudesse ajudar a achar o assassino da família dele.
Então você tem duas leituras do mesmo gesto, digamos. Pra polícia, um homem que andava batendo de porta em porta das possíveis testemunhas era alguém tentando influenciar o que elas iam contar pra polícia, pra desviar a suspeita do do crime dele mesmo. Já pra ele e pra algumas pessoas, ele era um pai desesperado fazendo a investigação por conta própria que a polícia ainda não estava conseguindo fazer. E foi essa segunda leitura que a justiça naquele momento não comprou.
Foi decretada então, como eu disse, a prisão temporária dele. Numa cidade pequena, uma acusação dessas tem um peso enorme, não é? O homem que tinha perdido a família inteira agora era suspeito de tê-la matado. Mas curiosamente, a opinião pública da cidade não engoliu essa ideia fácil, tá? Pelo menos não todo mundo. O Waldir tinha um bom relacionamento com a maioria das pessoas ali, muita gente convivia com ele no dia a dia, e boa parte da cidade se recusava a acreditar que aquele homem fosse capaz de fazer aquela barbaridade com a esposa, com os filhos.
Enquanto a cidade discutia se ele era culpado ou não, a polícia trabalhava com várias hipóteses ao mesmo tempo. No começo, chegaram a suspeitar que a própria Sandra tivesse matado todos e depois dado fim nela mesma, porque ela e o Waldir tinham discutido naquela tarde de sábado, segundo consta. Mas a análise técnica no corpo dela derrubou essa ideia. Cogitaram logo de cara também latrocínio, ou seja, um assalto que terminou em morte, né, ou em mortes.
Mas afastaram isso também porque da casa supostamente só tinha sumido um aparelho de som. Ou seja, a ideia de um aparelho de som ter custado e feito toda aquela cena, aquele massacre horroroso, não era muito digamos, não tinha um peso muito importante na investigação naquele momento. Bom, descartadas essas duas hipóteses, sobraram duas suspeitas em cima da mesa naquele momento: crime passional ou uma vingança. No dia 7 de agosto, uma sexta-feira, o Waldir foi transferido então para Florianópolis.
E foi aí, antes de entrar na viatura que ia fazer a transferência, que ele disse para o comandante da PM aquela frase lá que eu contei para vocês no começo do episódio, que ele não tinha matado a família família, que estava sendo preso injustamente e que pedia ajuda para encontrar o verdadeiro culpado. Poucos dias depois, no dia 11, ele foi transferido de novo, dessa vez de Florianópolis para um presídio na cidade de Caçador. E nesse mesmo dia 11, a equipe do P2 se trancou ali numa sala do quartel para rever tudo do caso.
Já tinham se passado 10 dias desde o crime e a investigação estava, nas palavras do próprio sargento, na estaca zero. Nenhuma pista, nenhuma informação, nada que levasse a lugar algum. Foi quando então eles decidiram voltar pra casa da família Ferrodi, onde tudo aconteceu, pra investigar novamente os mínimos detalhes. A equipe voltou ao local do crime pra fazer uma nova varredura, um pente fino de verdade. E foi nessa segunda passada que apareceu a primeira peça concreta desse quebra-cabeça macabro.
Nos fundos da casa, escondido dentro de um taquarau— pra quem não sabe, galera, taquarau É aquele matagal fechado de taquara, que é um tipo de bambu fino aí selvagem que cresce bem espesso, esconde ali com facilidade qualquer coisa, né, que as pessoas coloquem atrás dele ali. Então eles acharam ali nesse lugar um aparelho de som que tinha sumido da residência, lembra? Quem escondeu aquilo fez questão de esconder muito bem, tá?
E junto do aparelho tinha uma peça desse quebra-cabeça, uma touca branca com listras vermelhas parecidas ou Pelo menos dava a entender que era de um time de futebol, sabe, internacional lá do sul, só que sem o escudo do time. Uma touca daquelas baratas, sabe, que eram vendidas na época, vindas do Paraguai. A polícia então recolheu o som, aquela touca, e tirou várias fotos da touca para usar na investigação. Aquela peça de roupa virou a nova linha de trabalho da polícia.
E é aqui que o caso começa a se mexer, dar uma virada por um caminho aí que ninguém ninguém controlava ainda. A central de operação da Polícia Militar recebeu uma ligação anônima nesse, mais ou menos nesse período aí que tava acontecendo isso. Um homem dizendo que sabia quem tinha matado a família Feroldi. Pela identificação da linha ali, eles conseguiram descobrir que aquilo vinha de um morelhão ali da cidade. Só que quando a polícia chegou lá, era um homem bêbado passando um trote que acabou detido por falsa comunicação.
A essa altura dos fatos, a equipe já tinha apanhado bastante andavam atrás de cada pista e cada trote, chegaram a se acidentar de carro durante uma dessas corridas, ou seja, era um trabalho de formiguinha, digamos, no escuro. Mas alguns dias depois veio uma outra ligação, dessa vez era uma voz feminina, de mulher, de um orelhão ali na rodoviária de Brunópolis, que é uma cidade vizinha, dizendo saber quem eram os autores da chacina.
A polícia identificou a linha também e foi atrás, e descobriram que essa mulher tinha ido até Brunópolis E depois ela voltou porque ela comprou uma passagem de ônibus para voltar lá para a cidade de Curitibanos. Era uma senhora evangélica ali da cidade que morava no bairro São Luís, lá mesmo em Curitibanos. Os investigadores então foram até a casa dessa senhora. Ela de primeira assim negou ter feito qualquer ligação, mas confirmou que tinha estado em Brunópolis.
Então eles mostraram para ela as fotos da tal touca branca e vermelha encontrada lá no Taquarau, e a senhora ficou ficou branca como um fantasma naquela hora. A reação dela deixou claro ali para os investigadores que ela conhecia aquela touca. Ela continuou negando, mas a partir dali a polícia passou a investigar melhor e discretamente aquela senhora e a família dela. E o que eles descobriram fechou, digamos, o cerco. Duas netas dessa senhora, mais o companheiro de uma delas, tinham trabalhado na casa do Valdir Feroldi.
As duas mulheres, como auxiliares da Sandra dentro da casa ali, e o homem no matadouro do Valdir, do lado de fora, seja, da casa, não é? Tinha duas dentro e o cara trabalhando por fora lá. Os três moravam juntos, ou seja, as duas netas dessa senhora mais o companheiro de uma delas, numa casa de madeira sem pintura, no bairro Santo Antônio, também em Curitibanos. A polícia então, com base em tudo isso, nessas ligações circunstanciais, levou os três para prestar um depoimento, e os três negaram tudo.
Como ainda não havia uma prova assim ou provas suficientes para segurar qualquer pessoa ali, né, eles acabaram sendo liberados. E o caso, de novo, nesse momento emperrou, meio que parecia escorrer pela mão da investigação. A confissão. Só que tinha uma pessoa que não estava aguentando mais o peso de tudo isso. Adivinha? Aquela senhora, a avó dessas pessoas, justamente a mulher que tinha começado toda essa parte da investigação ligando do tal orelhão lá em Brunópolis.
Algum tempo depois de soltarem os 3 suspeitos, a mesma senhora ligou de novo para polícia, agora de um orelhão lá do bairro São José, em Curitibanos mesmo. A guarnição correu para lá e chegou com ela ainda no telefone. E dessa vez ela falou. Dá para perceber aqui, não é, que havia uma pressão gigantesca crescendo dentro dela, na cabeça dela, no psicológico dela. Bom, ela disse que não conseguia mais dormir, não conseguia mais comer, que a consciência não tava deixando ela em paz por estar calada protegendo os autores.
Levada pra delegacia, ela contou tudo, os assassinos da família Feroldi, segundo essa senhora, eram mesmo as duas netas dela e o companheiro de uma delas, isso aparentemente confirmava o que a reação dela diante daquela foto já tinha denunciado. A touca encontrada no taquarau junto do aparelho de som roubado era de uma das netas, aquela peça de roupa que a polícia tinha achado por acaso no matagal era no fim o fio que ligava a filha dela ao crime.
Eu só fiquei com uma dúvida aqui, porque assim, quando a polícia mostra a foto para ela, ela leva um susto e fala: caramba, da minha neta! Mas aparentemente ela já tinha uma desconfiança, porque ela ligou antes, né? Ela foi lá para Brunópolis antes dela ter visto a foto. Seja como for, isso por si só era uma prova circunstancial, não é? Mas havia um peso psicológico se formando nisso tudo que ia culminar num ponto sem volta que eu já conto.
E aqui aparecem enfim os nomes e o motivo suposto. As duas netas eram a Carla Maria Vaz, de 22 anos, e a irmã dela, de 15 anos, que era companheira de um rapaz chamado Rodrigo Cristiano Tibes, de 19 anos, conhecido ali na região pelo apelido de Vermelho. A Carla e a irmã tinham trabalhado na casa da Sandra, uma como doméstica e a outra ajudando ali na caixinha, e segundo a avó, as duas furtavam roupas íntimas e pequenas quantidades de dinheiro da patroa.
Talvez aí esteja, né, o fechamento do elo ali do porquê que essa senhora desconfiava disso. Bom, a Sandra descobriu esses furtos aí das duas empregadas dela e despediu as duas. Quando o Vermelho soube que a companheira e a cunhada tinham sido mandadas embora, ele foi tirar satisfação com o Valdir e acabou demitido também lá do matador. E no acerto de contas, o Waldir pagou tudo que devia para ele, mas ficou faltando uma pequena quantia, coisa de R$10 ou R$15, as fontes variam um pouco, que ele não tinha ali na hora e pediu para o rapaz voltar para receber no outro dia.
E a gente tá falando, galera, do final dos anos 90, tá? Ou seja, R$10 ou R$15 não é evidentemente o que é hoje, né? Então tinha um outro valor ali, mas seja como for, ainda era uma quantia assim pequena que o seu Waldir se dispôs a pagar no outro dia, só tava faltando ali naquele momento. Com o depoimento dessa avó então, dessa senhora aí, a polícia pediu o mandado de prisão desses 3 elementos. E no mesmo dia em que isso aconteceu, o Valdir recebeu o mandado de soltura e saiu lá do presídio de Caçador.
Tinha passado lá quase um mês depois de ser preso pelo assassinato da própria família, e finalmente agora ele estava livre. A prisão dos 3 foi cercada de cuidado, cada um foi levado numa viatura separada para que não tivessem tempo de combinar qualquer versão ali no caminho. E a delegacia que ficava na Rua Lages teve as ruas em volta fechadas e o prédio isolado, porque a população lá de curitibanos, tomada de fúria quando soube de tudo isso, queria fazer justiça com as próprias mãos.
Dentro da delegacia, já no começo, os três continuaram negando, mas a polícia leu para cada um separadamente o depoimento da avó. E aí a coisa começou a desmoronar. A menor, a de 15 anos, confessou primeiro e ainda mostrou onde estavam escondidas as facas usadas no crime e as roupas que eles vestiam naquela noite. A Carla negou no início, mas colocada diante do depoimento da avó e do depoimento da própria irmã mais nova, também confessou.
E o rapaz, o vermelho, que negou por mais tempo que todo mundo, acabou confessando também de madrugada na frente de 2 juízes e 2 promotores. E foi a confissão deles que revelou o que realmente tinha acontecido naquela casa à noite. Pela versão que o Rodrigo Vermelho deu, o plano daquela noite nem era a casa dos Feroldi, os três tinham saído pra assaltar o supermercado Duarte que ficava na entrada do bairro São José, perto da casa da família, ou seja, parece que já existia aí uma sementinha do mal neles, né, uma coisa ruim.
A ideia era render os três funcionários lá do mercadinho e roubar, mas quando eles chegaram perto, viram que tinha uma quarta pessoa chegou no local, acharam que não ia dar bom, né, que poderia acontecer alguma coisa ali que eles não iam controlar, e desistiram desse plano. Foi aí que o Rodrigo teve a ideia de ir até a casa do Valdir para cobrar aquela pequena quantidade de dinheiro que tinha faltado ali, né, na questão da demissão dele.
E no caminho, a Carla sugeriu outra coisa: bora assaltar a casa da antiga patroa. Quando chegaram, as duas irmãs se esconderam atrás de uma caminhonete que estava na frente da casa ali, e o Rodrigo bateu na porta. Quem atendeu foi a Daiane, a menininha de 10 anos. E ele então perguntou pra menina se o Búgio, ou seja, o senhor Valdir, estava em casa. Ela disse que não. Nesse primeiro momento, segundo o próprio Rodrigo, ele hesitou, não teve coragem de agir e voltou lá pra trás da caminhonete, onde estavam as duas mulheres.
Foi então que a Carla tomou a frente e foi lá e bateu na porta. Dessa vez, quem atendeu foi a Sandra. A Carla agarrou a antiga patroa pelos cabelos e desferiu dois golpes de faca nela, ali mesmo na garagem. A Sandra caiu no chão sangrando e aí o Rodrigo e a menor entraram na casa. Rodrigo foi até a Daiane, que já estava escondida atrás do sofá, e foi ela que recebeu as 12 facadas antes de ser degolada. Em seguida, os dois foram até o quarto das crianças.
A Carla esfaqueou o Robson, de 5 anos, e o Rodrigo degolou o menino. Sobrou então o bebezinho Ricardo. A menor, de 15 anos, pegou a criança no colo e pediu pros outros dois não matarem, mas o Rodrigo, pela própria confissão, não se conteve. E degolou a criança. Olha, se isso não for o mal encarnado, eu não sei o que é, tá? Porque haja desconexão com o bem, com a humanidade, pra ter uma coragem de fazer um negócio desse. É de uma covardia assim que extrapola qualquer racionalidade e de uma crueldade tão grande que até é impossível achar uma palavra que encaixe.
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Antes de sair, o Rodrigo voltou para a garagem, viu que a Sandra ainda dava sinais de vida ali e degolou a mulher. Da cozinha da casa, a Carla gritou para levarem alguma coisa. Foi quando então o aparelho de som foi roubado. Mesmo que a polícia achou lá escondido no taquara. Eles ainda pegaram uma espingarda calibre 22 que estava na casa e segundo o que confessaram, se a espingarda estivesse carregada, ela teria sido usada pra matar o Waldir depois.
No final das contas, o homem que passou quase um mês preso injustamente, acusado de matar a própria família, era, pela confissão dos próprios assassinos, o homem que eles também queriam matar naquela noite. Cara, dá pra imaginar tudo que se passou na cabeça desse homem, não é? Antes de chegar no desfecho, vale aqui fechar uma conta aí que ficou aberta lá no começo, tá? Lembra que a polícia tinha descartado o roubo, Porque quase nada tinha sumido da casa, não fazia muito sentido não o aparelho de som custar toda aquela barbaridade.
Pois a confissão mostrou que mesmo assim aquilo tinha sido um assalto desde o princípio. Eles entraram pra roubar e saíram deixando 4 mortos. Na verdade, foi só um assassinato, de um requinte de crueldade absurda e covardia ali, não é? E esse contexto, né, que aproxima o caso de latrocínio, que como a gente vai ver no julgamento foi realmente o que foi usado como tese. Foi um roubo que terminou em mortes aí, e não importa se o que levaram foi muito ou quase nada.
Em fontes públicas, Rodrigo e Carla aparecem como condenados a 120 anos de prisão cada um, tá? A menor, por ser adolescente na época, respondeu por outro caminho, como a gente sabe. A Carla foi cumprir pena na Penitenciária Feminina de Florianópolis, a menor foi para um centro de internação na capital. Sobre essa menina de 15 anos, a companheira do Rodrigo, vale uma observação aqui: por ter sido julgada como adolescente, o processo dela ocorreu em segredo de justiça, por isso não existe informação pública sobre o que foi feito da vida dela depois e nem sobre onde ela está hoje, em 2026, ela teria por volta de 43 anos.
O Rodrigo Vermelho foi mandado pro presídio de Caçador, mesma cidade onde o seu Waldir tinha ido, e o que ficou em aberto até hoje é justamente o destino dele, Em registros públicos sobre o caso também, inclusive do programa Linha Direta, ele aparece como foragido desde 19 de novembro de 2000, quando fugiu do presídio de Caçador. Ou seja, ele fugiu antes mesmo da condenação divulgada no ano seguinte, 2001. Desde então, nas fontes abertas consultadas, não aparece um registro confiável de recaptura.
Pois é, galera, eu falei que ia falar do julgamento, mas nem Tem, mas a princípio aí parece que a revelia, né, não sei nem se esse é o termo, porque se ele já tinha sido foragido quando foi anunciada essa pena aí. E o Valdir, você deve estar se perguntando, né, bom, ele saiu da cadeia como a gente viu, mas carregou aquilo para o resto da vida. Ele tinha sido apontado por parte da cidade, estampado na imprensa como assassino da própria família.
Passou cerca de um mês preso por um crime que ele não cometeu. Anos depois, ele entrou com uma ação de indenização contra o estado de Santa Catarina por causa daquela prisão. Mas sem o inteiro teor dessa decisão em mãos, o que eu posso dizer pra você é que o caso jurídico teve interpretações diferentes sobre a responsabilidade do estado. De um lado, a leitura de que a prisão tinha base no que se sabia naquele momento na investigação.
Já do outro, a leitura de que houve abuso contra um homem sem passagem, pai e marido das vítimas, exposto publicamente como um monstro antes de haver uma prova sólida contra ele. O Waldir morreu anos depois de tudo isso, de causas naturais, aos 67 anos. Aquela história, não é? A reputação do cara fica dificilmente, na verdade, volta intacta, né? Boca a boca e a fofoca faz o papel de manchar e não tem a mesma precisão para restaurar.
Logo, a é a origem disso, uma lambança irreparável, um assunto que em tese pode ser complexo, mas eu queria saber a sua opinião sobre tudo isso, de prender o cara sem essa prova concreta contra ele. E tem um detalhe interessante sobre esses anos finais do senhor Valdir que até soa poeticamente irônico. Depois de tudo o que ele passou, preso e apontado como assassino da própria família, o Valdir foi trabalhar justamente dentro do sistema prisional.
Foi servidor aparentemente da penitenciária lá da região de Curitibanos por cerca de 8 anos, e quando ele faleceu no começo de 2017, a própria unidade o homenageou batizando um espaço lá com o nome dele, a Praça do Trabalhador Mestre Valdir Feroldi, o Búzio. O homem que a justiça um dia prendeu por engano, acusado de chacinar a própria família, terminou a vida respeitado e homenageado pelo mesmo sistema que um dia o havia trancado.
É o mínimo que se espera, né? Então, quando a gente volta lá para aquela viatura, no dia 7 de agosto, no começo da história, o homem algemado que parou, olhou para o policial amigo e disse que não tinha feito aquilo, isso ganha um tom bem mais pesado agora, não é? A polícia encontrou os culpados. Na verdade, digamos que os culpados apareceram, né? Muito em função de uma boa mulher cuja consciência falou mais alto. E sobre o Rodrigo Cristiano Tibes, o Vermelho, que confessou ter degolado as crianças e a Sandra, nas buscas em fontes abertas, como eu disse, eu não encontrei nenhum registro confiável de que ele tenha sido recapturado, tá?
Se ele estiver vivo hoje em 2026, ele estaria com cerca de 47 anos. O paradeiro público dele permanece desconhecido, quase 30 anos depois de uma das chacinas mais brutais registradas naquele interior de Santa Catarina. E fica uma última camada nessa história, aquela pergunta que não quer calar: afinal, por que eles fizeram isso? Se você for atrás, vai achar duas respostas. Na ficha de foragido do Rodrigo, no próprio Linha Direta, o crime aparece com cara de vingança, o trio teria ido até a casa pra acertar contas com o ex-patrão por causa de uma dívida, supostamente aqueles R$10, R$15.
Já pelo relato do Sargento Pedrão, por outras fontes e pelo próprio entendimento da justiça, como eu disse, foi latrocínio. O que moveu tudo isso foi o roubo. Eles saíram para assaltar e terminaram numa chacina. Mas a verdade real, a que explica como alguém entra numa casa querendo roubar e tira a vida de 4 pessoas inocentes, 3 delas crianças, por tão pouco? Essa resposta só os próprios assassinos conhecem. E sinceramente, talvez eu até duvide que eles consigam explicar isso.
Bom, para finalizar, Rodrigo, como a gente viu, foi foragido, aparentemente não foi recapturado, né, para terminar de cumprir a pena. À época, o tempo máximo era de 30 anos, né, embora tenham sido condenados a penas superiores a 100 anos. Mas sobre a Carla, a cúmplice, né, de tudo isso. Eu não encontrei, ipsis literis, informações do estado que ela se encontra hoje, mas como eu disse, 30 anos no máximo. Houve remissão de pena, aparentemente, no caso dela, e deve estar em liberdade aí.
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