O Plano Macabro da Churrasqueira: O Caso que Chocou o RS
📌 Neste episódio, investigamos um dos crimes mais perturbadores do Rio Grande do Sul: o caso do casal Ruben e Marlene, que desapareceu após uma suposta visita familiar em Cachoeirinha.O que parecia um domingo comum de sol revelou um plano meticulosamente traçado por quem eles menos esperavam. Através de imagens de câmeras de segurança e detalhes de uma delação premiada chocante, desvendamos como o uso de colchões, um carro com vidros escurecidos e uma churrasqueira foram peças de um quebra-cabeça macabro.Por que o neto fugiu da prisão recentemente? Como a filha, formada em direito, conseguiu enganar a justiça antes de sua morte? Entenda todos os detalhes deste caso onde os corpos nunca foram encontrados, mas a crueldade deixou marcas eternas.Assista agora para entender:O que as câmeras vizinhas registraram no domingo do crime.O manual de compras macabro feito semanas antes do assassinato.Os detalhes da delação que revelou o destino final das vítimas.A situação atual do neto condenado e foragido.#CasosReais #MarcosCampos #TrueCrimeBrasil #Cachoeirinha #InvestigaçãoCriminal-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br
Marcos Campos
Andrew
Cláudia de Almeida Ager
- Investigacao Forense e ProvasCâmeras de segurança e movimentação suspeita · Colchões para tampar a visão · Garrafa de cachaça como distração · Apreensão de celulares e fotos de locais ermos · Sangue na parede da casa · Cães farejadores e odor de putrefação no carro · Notas fiscais de compras suspeitas · Película escura nos vidros do carro
- Julgamento e CondenaçãoAndrew, o neto, condenado a mais de 53 anos · Considerado culpado por duplo homicídio, ocultação de cadáver, maus-tratos e resistência · Tese de inimputabilidade afastada pelo júri · Internação em Instituto Psiquiátrico Forense · Fuga do presídio em junho de 2026 · Mandado de recaptura expedido
- Esquema de capangas e coerçãoDelação premiada do neto Andrew · Acusação de homicídio qualificado e ocultação de cadáver · Comida com substância para adormecer as vítimas · Corpos queimados em churrasqueira por 36 horas · Restos mortais descartados em área de mata · Motivo financeiro: R$ 70 mil · Falso sequestro forjado pela filha em 2016
- Questões legais e processuaisCláudia de Almeida Ager, formada em direito · Cancelamento do julgamento da filha · Perícia nas cinzas não confirma vestígios dos corpos · Prisão domiciliar e flagrante de caminhada · Morte da filha antes do julgamento
- Desaparecimento de PessoasCachoeirinha, Rio Grande do Sul · Ruben Afonso Eger · Marlene dos Passos Stafford Ager · Visita inesperada da filha e neto · Oxigênio e problemas pulmonares de Rubem · Cachorro do casal encontrado morto
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Isso é uma imagem real gravada pela câmera de segurança de uma casa vizinha ali da região, da rua. Isso é um domingo de manhã. Presta bem atenção no que vai acontecer aí. Um carro de vidros escurecidos chega, não é? Uma moradora abre o portão ali, deixa o carro entrar, e ele para e fica depois manobrando, vai para frente, para trás, sobe ali em cima da grama e vai de marcha ré para garagem ali. Eles encostam colchões bem na entrada da garagem, meio que querendo tampar a visão de quem estava passando na rua.
E logo em seguida, uma das pessoas vai perto do muro pra conversar com um vizinho e entrega uma garrafa de cachaça pra ele. Sem contexto, sem saber de nada, isso passa batido, não é? É só um domingão quente, uma rua comum onde pouca coisa acontece. Só que guarda bem essa imagem na cabeça. Esse carro, esses colchões, essa garrafa aí. Porque quando eu te contar o que estava acontecendo ali dentro, essa cena vai ganhar um tom bem mais perturbador.
E tem um detalhe mais macabro ainda: o que eles estavam tentando esconder ali até hoje não foi devolvido. Eu sou Marcos Campos e o caso de hoje é brasileiro, aconteceu numa cidade do Rio Grande do Sul em 2022. Do que tá repercutindo até hoje, literalmente. Então bora investigar tudo isso em detalhes, já se ajeita e vamos aos fatos. O sumiço. Essa história acontece em Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, uma cidade com cerca de 140 mil habitantes pelo censo de 2021. 22, onde crime bárbaro definitivamente não se vê todo dia.
Ali então morava um casal, o marido, o Rubem, ou Rubem Afonso Eger. Ele tinha 85 anos e era um senhor com um problema sério de pulmão. Ele tomava remédio todo dia e dependia de oxigênio. Tinha um cilindro inclusive na casa dele montado ali pronto para uso. Guarda esse detalhe aí do oxigênio porque ele volta, tá? A esposa dele, a Marlene dos Passos Stafford Ager, tinha 53 anos. Um domingo então, 27 de fevereiro de 2022, pouco antes do meio-dia, num dia de calor, esse casal aí recebeu uma visita.
Uma visita que na verdade eles não estavam esperando. Quem chegou ali foi a filha do senhor Rubem, Cláudia de Almeida Ager, e um neto do senhor Rubem, filho dessa filha, filha aí, o Andrew. Então eles moravam na cidade vizinha, Canoas, e apareceram ali do nada, de surpresa. E aqui já tem uma coisa que mais pra frente ia pesar nessa história, tá? Segundo familiares ouvidos pela imprensa na época, pai e filha não tinham ali uma relação tão próxima.
Ela quase não visitava o pai, tanto que os parentes chegaram a estranhar ela ter aparecido lá na casa do senhor Rubem Justo naquela data, a partir daquele domingo, o casal nunca mais foi visto. Só que ninguém percebeu um "já que aconteceu", assim, a vida meio que seguiu. E quando alguém da família começou a procurar o casal, a filha já tinha uma explicação pronta na ponta da língua pra falar sobre o que tinha acontecido. Ela disse que o pai e a madrasta tinham saído por vontade própria e que estavam passando uns dias lá na casa dela.
Lá em Canoas, que tava tudo bem. Só que tava tudo menos bem. Os dias passaram e ninguém conseguia falar com o casal. Não apareciam, não dava notícia, nem em Canoas, nem canto nenhum. A família começou a não engolir essa versão aí da Cláudia e foi à polícia. E aqui vale entender uma coisa, tá? Quando a polícia abre um desaparecimento, que foi ouviu que a família começou a relatar não é porque acredita que as pessoas viajaram por conta própria, evidentemente, não é?
É porque o paradeiro dessas pessoas simplesmente é desconhecido. Então existia um nó aí que precisava ser desatado. Pronto, de um lado, né, a Claudia dizendo que os pais estavam lá na casa dela passando um tempo, e do outro a família falando que não, isso não fazia muito sentido. E tem coisas que corroboram esse não sentido, tá? Veja só, tratava-se evidentemente de um caso umas duas pessoas sumidas sem deixar nenhum tipo de rastro.
Eu diria que nenhum tipo de rastro assim normal, porque existem rastros aí sim que vão, enfim, fechar um dos elos dessa corrente. Lembra do oxigênio? Pois é, é um detalhe muito significativo que começa a chamar atenção ali nos primeiros dias de investigação, quando um outro neto do idoso, o senhor Rubem, não o Andrew, não foi lá com a visita com a mãe dele, nada disso. Um outro neto chamado Rafael. Quando esse rapaz começou a estranhar a ausência do avô, né, o fato dele passar dias sumido assim, sem dar um único sinal de vida, ele foi até a casa do avô.
E o que ele encontrou lá não fechava em nada com a ideia de alguém que tinha saído para viajar, passar uns dias na casa da filha. O remédio que ele tomava sempre tava lá, o cilindro de oxigênio tava lá, Pelos problemas desse senhor que eu já contei aqui pra vocês, seria pouco provável que ele tivesse saído assim numa viagem e abandonado tudo que mantinha ele, entre aspas, respirando. E tinha mais: no terreno da casa, a família encontrou o cachorro do casal, só que morto.
Aí o caso começou a mudar de figura. E não foi de uma hora pra outra, tá? Nos dias seguintes e depois, ao longo da semana, semanas, aquilo foi deixando de parecer uma simples ausência e passou a ser tratado pela Polícia Civil como algo bem mais grave. Os próprios parentes chegaram a fotografar o estado em que encontraram a casa, porque tudo ali apontava para o mesmo lugar. Aquele casal não tinha ido a canto nenhum por vontade própria, pelo menos.
E é aqui que a investigação começa a puxar o fio da meada verdadeiro, porque hoje em dia quase sempre tem uma Câmera apontada pra rua e pra qualquer lugar que você possa imaginar, não é? E lá tinha também. É justamente aquela cena que eu mostrei pra vocês no início desse episódio. A câmera de segurança de uma casa vizinha gravando tudo. Aquele domingão ali aparentemente comum, a movimentação naquela casa. E quando os investigadores assistiram aquilo, eles viram uma coreografia esquisita demais pra ser só um acaso ali, uma coisa inocente.
Primeiro, a esposa aparece, vai até o portão, abre e deixa a filha e o neto do marido dela, do marido idoso, entrarem. Então eles chegaram num carro com vidros escurecidos, mas o carro não estaciona e tá tudo certo. Ele começa a manobrar ali várias vezes com claro intuito de entrar de marcha ré na garagem da casa. Aparentemente, aquilo ali parecia que eles queriam deixar o porta-malas do carro virado pro fundo ali, não é? E é nesse momento que os colchões foram encostados ali na boca, na frente da garagem, bloqueando a visão de quem passasse ali pela rua.
No meio de tudo isso teve aquele gesto, né, que a gente viu lá no começo do episódio, a Cláudia entregando ali uma garrafa de cachaça pro vizinho em cima do muro ali. Na hora até parecia uma gentileza banal de domingo, não é? Mas olhando agora, com as peças começando a se encaixar, Aí eu pergunto: não ganha um outro tom? Será que aquilo ali talvez fosse um... não fosse simplesmente uma simpatia, mas sim alguma coisa para desviar a atenção do vizinho enquanto algo muito mais sinistro e grave estava acontecendo ali dentro?
E olha, isso é só uma leitura minha conforme o que as câmeras ali mostram, tá? Nada de prova sobre isso, mas eu diria que combina demais com tudo que veio depois. Mentre che per me sei Ash.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
As câmeras mostraram então a Cláudia e o Andrew passando ali mais de 4 horas naquele imóvel. Quando saíram, já era de tarde, fecharam o portão e pela gravação não dava para ver se o casal que morava naquela casa ali tava ou não dentro daquele carro. A câmera da casa vizinha era um bom começo para investigação, digamos que um ponto uma partida assim essencial, porque conforme eu tô contando aqui para vocês, subindo um cheirinho de armação muito bizarra aí, não é?
Pois é, a polícia foi atrás de mais coisas para começar a fechar realmente todas as pontas desse caso. Em maio então de 2022, os celulares da filha e do neto foram apreendidos. Dentro desses aparelhos, investigadores encontraram uma coisa que é, convenhamos, bem suspeita. Fotos de vários lugares ermos, afastados. Vai vendo. Depois vieram os peritos ali na casa do casal. Numa parte anexa ali dos fundos da residência, eles acharam sangue na parede.
E era o sangue do idoso, pois o DNA bateu depois. E aí entram os cães farejadores na história. E soltaram os cachorros ali no carro da filha do senhor Rubem, um Ford Fiesta. E os cães sinalizaram odor de putrefação dentro do veículo. E até esse ponto aqui, nada de corpo, tá? Mesmo assim, sangue na parede da casa, cheiro de morte ali no carro, e um casal sumido. Esses elementos fortaleceram a conclusão da investigação de que o idoso e a esposa tinham sido assassinados, provavelmente.
E quando os investigadores foram vasculhar as semanas antes daquele domingo, Eles encontraram talvez a parte mais insólita dessa história: notas fiscais. No dia 9 de fevereiro, quase 3 semanas antes da visita, foram comprados numa loja de ferragens uma lona de caminhão, braçadeiras plásticas e fita crepe. No dia 11 de fevereiro, o carro passou numa oficina para ganhar película escura nos vidros. Isso, filme daqueles bem black mesmo.
E no dia 16 de Fevereiro, mais compras: braçadeiras de nylon, tinta spray e fita. Ou seja, o manual macabro de um plano de assassinato, como a gente já viu diversas vezes, não é? Pelo menos é o que aparenta. Inclusive, o que aparenta é que qualquer resquício de humanidade já tinha ido para o saco nessa altura aí. E foi essa montanha de indícios, talvez circunstanciais, talvez não, que a polícia começou a juntar tudo. Na denúncia, o Ministério Público cravou uma conclusão: aquilo não tinha sido briga que saiu de controle, era um plano.
Segundo o Ministério Público, a dupla chegou na casa com o pretexto de fazer uma faxina. Em algum momento daquela visita, o casal foi morto. Depois, para sumir com os corpos, usou o próprio carro, do qual foi até arrancada a forração, que é aquele forro interno ali, para que não sobrasse nenhum vestígio, de repente, que eles não tivessem visto ali das vítimas. E foi esse detalhe, inclusive, né, o carro adulterado para apagar rastro, que entrou depois no processo como fraude processual.
Só que duas perguntas continuavam sem resposta, e eram as que mais importavam. Como exatamente aquele casal foi morto dentro da própria casa em onde estavam os corpos? As duas respostas só viriam muito tempo depois, pouco depois e vieram da boca de uma das duas pessoas que estavam ali dentro naquele domingo. A churrasqueira. A filha e o neto foram presos em maio de 2022, cerca de 3 meses depois do crime. Os dois viraram réus por duplo homicídio qualificado, ocultação de cadáver e ainda maus-tratos a animal pela morte lá do cachorrinho.
Em setembro de 2023, o juiz decidiu que os dois iriam à júri popular. E as defesas recorreram para tentar derrubar essa decisão. E durante todo o processo, nenhum dos dois admitiu nada. A defesa da filha, né, da filha do senhor Rubem, negava e seguia negando até o fim. O julgamento dos dois foi marcado para 27 de novembro de 2024, e foi às vésperas desse julgamento que a história virou de cabeça para baixo. Em novembro de 2024, foi anexado ao sucesso, um acordo de colaboração premiada, famosa delação.
E quem delatou foi o neto do senhor Rubem. Mas sempre tem um mais, não é? O que o neto contou ao Ministério Público não foi só onde estavam os corpos, foi um passo a passo do que aconteceu dentro daquela casa. E ele jogou o planejamento inteiro nas costas de uma pessoa só: a própria mãe. Segundo a delação dele, o crime aconteceu durante a própria visita E não foi no calor de uma discussão como eu disse antes, foi a mesa. A Claudia teria servido para o pai e para a madrasta uma comida com uma substância misturada.
O Andrew disse que não soube dizer o que era exatamente isso aí. Pouco tempo depois de comer, o Rubem e a Marlene começaram a passar mal e eles adormeceram ali mesmo. O Andrew contou que estranhou aquilo e perguntou para a mãe o que estava acontecendo e a resposta dela, segundo ele, foi bem seca e direta e os dois não que eles não iam mais acordar. Agora junta só as peças. Eles chegaram de surpresa num domingo, pouco antes do meio-dia.
Pela versão do Andrew, o casal teria sido morto ali mesmo, né, dentro da casa, durante aquela visita, depois de um suposto almoço. E só depois, com o Rubem e a Marlene já supostamente mortos, é que entrou em cena tudo aquilo que a câmera flagrou. Ou seja, o carro entrando ali, fazendo aquelas manobras, entrando de marcha ré na garagem, os colchões ali na frente da garagem, não é? E não foi improviso isso aí, tá? Porque se você juntar as peças, você vai lembrar das compras, né, das semanas antes, dos vidros do carro que foram escurecidos, né, com isso filme.
Então eles chegaram naquela casa ali já, até onde se sabe, com um plano pronto, matar e fazer os corpos sumirem. Os colchões, era uma hora ali de carregar os corpos para dentro do carro sem que ninguém percebesse. O destino foi a casa da mãe, a Claudia, lá em Canoas. E o que aconteceu lá é a parte que correu o Brasil inteiro. Os corpos foram colocados numa churrasqueira, uma churrasqueira normal, galera, de casa mesmo, e ficaram ali queimando com lenha e carvão.
Segundo a delação da mansão do Andrew por volta de 36 horas. Vizinhos inclusive chegaram a dizer à justiça que o fogo ficou aceso ali por uns 3 dias. O neto contou que colocou primeiro o corpo do avô no fogo, a mando da mãe dele, e depois a esposa do avô, um depois do outro, e ficou lá queimando. Diz que os corpos não foram desmembrados, eles couberam ali na churrasqueira do jeito que estavam mesmo. E afirmou que era a mãe que abastecia a churrasqueira com lenha e carvão.
Quando sobrou só cinza então e resto, segundo ainda o relato do neto, tá, a mãe pegou uma pá e juntou esses restos em potes plásticos. Depois foram jogados fora numa área de mata, num córrego ali perto do Rio Gravataí. Foi por isso que, segundo o Andrew, nunca se achou os corpos. Não tinha mais corpo para achar, Essa é a versão dele, não é? E é por isso também que eu comentei lá no começo que o caso repercute e até hoje os corpos não foram devolvidos.
Na delação ainda, o Neto tentou se proteger, sabe? Ele disse que se sentiu coagido pela mãe, alegou confusão mental na hora e afirmou que só fazia o que ela mandava. Isso é a versão dele, eu reforço, dada dentro de um acordo para reduzir a própria pena dele. É importante lembrar disso. E a defesa da mãe, assim que soube da delação, voltou a negar qualquer envolvimento dela. Mas aí entram as imagens da câmera, não é? E com essas imagens e todas as questões aí circunstanciais, caso queira chamar assim, vem uma pergunta que fica ecoando com a crueldade do que foi feito ali.
Por quê? O que leva alguém a planejar a morte do próprio pai idoso e da madrasta desse jeito? A resposta é pequena, mesquinha e bem antiga. Segundo o Ministério Público, o motivo foi financeiro. A filha estava insatisfeita porque o pai supostamente tinha cortado um auxílio em dinheiro que dava para ela e queria pôr a mão numa quantia que estava em posse do idoso. R$70 mil. A polícia descobriu, inclusive, que pouco antes o senhor tinha vendido um caminhão por cerca de R$40 mil e não tinha depositado esse dinheiro no banco ainda.
É muita ingratidão, não é? Caramba, velho. Mas a desavença já vinha de longe, tá? Ainda segundo o Ministério Público, lá em 2016, essa filha já tinha forjado o próprio sequestro para extorquir o pai. Um falso sequestro pelo qual ela respondia na justiça inclusive. E foi esse episódio, na tese da acusação, que rompeu de vez a relação dos dois e foi a raiz do que veio depois. E tem um detalhe nessa filha aí que dá um nó na cabeça, viu?
Ela era formada em direito. A pessoa que o Ministério Público aponta como cérebro de tudo isso, do plano, das compras, da história contada pra polícia, tinha estudado A lei. Parecia que o caso ia, enfim, fechar. Mas ele ainda tinha reviravolta aguardada. E várias, eu diria. Primeira: o julgamento marcado para novembro de 2024 não aconteceu. Ele foi cancelado em cima da hora, no dia 26 de novembro, para esperar, supostamente, uma perícia que precisava determinar e analisar melhor as amostras daquela das cinzas recolhidas lá da churrasqueira em Canoas.
Mas quando o laudo ficou pronto, ele não identificou vestígios dos corpos nas cinzas. Ou seja, a delação apontava o destino das vítimas supostamente, mas a perícia não conseguiu confirmar isso geneticamente. A segunda reviravolta é talvez a mais cruel para quem esperava ver justiça. A filha que é apontada como mandante a formada em Direito, nunca foi julgada. E não foi por falta de processo não, tá? É que no meio do caminho rolou aí uma novela à parte com ela.
Logo depois de presa em 2022, ela conseguiu ir para prisão domiciliar, alegando com base num laudo médico aí que era paraplégica, que não andava. Só que foi flagrada caminhando dentro de um hospital durante uma internação, e num outro momento foi vista dirigindo com um carro comum não adaptado ao chegar ali numa audiência. Sem contar que tem um relato da vizinhança, né? E a pedido do Ministério Público, ela voltou para trás das grades em maio de 2023.
Aí, em março de 2025, ela passou mal na penitenciária feminina onde estava, foi transferida para um hospital de custódia em Porto Alegre para tratar aí uma série de problemas de saúde: diabetes, obesidade, hipertensão, infecção, e morreu no dia seguinte, aos 51 anos. Quando pediu que ela voltasse presa meses antes, o Ministério Público tinha argumentado que ela era um "risco solta", já carregava várias ocorrências policiais, respondia a processos criminais e tinha até uma condenação nas costas.
Mas a morte resolveu tudo do jeito mais frustrante possível. Com a morte dela, qualquer punição que ela pudesse receber pelo crime simplesmente deixou de resistir, ela morreu sem nunca sentar no banco dos réus. E o corpo dela foi cremado com velório e despedida. As duas coisas o pai e a madrasta dela não tiveram. Restou então o neto, não é? E o processo dele seguiu sozinho, porque responsabilidade penal é de cada um, não é? E a morte da mãe evidentemente não ia anular o caso.
Esse neto, depois de preso, passou por uma avaliação psiquiátrica E aí ficou internado no Instituto Psiquiátrico Forense de Porto Alegre, uma unidade que mistura prisão e tratamento psiquiátrico, pra onde vão pessoas com questões mentais ligadas a crimes graves. A capacidade dele de responder pelos próprios atos virou uma das discussões centrais desse caso. Foi lá que ele esperou o julgamento. E o julgamento veio. Em 6 de agosto de 2025, o Tribunal do Júri condenou Andrew a 52 anos e 5 meses e 10 dias de reclusão, mais 1 ano, 5 meses e 8 dias de detenção em regime inicialmente fechado, uma pena total superior a 53 anos.
Os jurados o consideraram culpado por 2 homicídios qualificados, ocultação de cadáver, fraude processual, maus-tratos a animais e resistência à prisão. A defesa sustentava a tese de inimputabilidade, mas o conselho de sentença afastou essa alegação. O julgamento foi acompanhado de perto pelas famílias das vítimas, os outros filhos do Rubem e os filhos da Marlene, de um relacionamento anterior que ela teve, que cobravam, claro, justiça desde o sumiço.
E você poderia achar agora que a história acaba aqui, não é? Com um único réu vivo condenado a passar praticamente o resto da vida preso. Mas não acaba aqui, porque a parte mais recente É de poucos dias atrás. Em junho de 2026, a justiça determinou que ele deixasse o Instituto Psiquiátrico Forense e fosse transferido para um presídio comum. Só que a transferência ainda não tinha sido feita. E no dia 9 de junho de 2026, terça-feira, antes de ser transferido, o Neto fugiu.
A polícia penal só confirmou a fuga publicamente dias depois e o mandado de recaptura foi despedido no dia seguinte. Até o próprio advogado do Neto se disse surpreso com essa notícia. E até as últimas notícias, o paradeiro dele continua desconhecido. Pra você ter a dimensão do que está solto por aí, pelo mandado de recaptura, o foragido ainda tem mais de 50 anos para serem cumpridos. As circunstâncias exatas de como ele escapou estão sendo apuradas pela Corregedoria lado da instituição, tá?
E moradores da região ali foram colocados em alerta. Não dá para ser diferente, né? Afinal de contas, quem consegue participar de uma coisa dessas, né? Um avô com 85 anos, todo debilitado. Cara, acha crueldade, ingratidão. E é isso então, galera. Um casal recebeu uma visita num domingo de fevereiro e nunca mais foi visto. A mulher, apontada como mandante, morreu antes de ser julgada. O homem condenado a uma pena total superior a 53 anos pelo crime fugiu e, até o fechamento desse roteiro aqui, continua livre.
Por acaso ele já foi recapturado? Vou fixar um comentário aqui. E os corpos do casal? Bom, esses nunca foram encontrados, como eu disse. Não tem túmulo, não tem enterro, não tem onde colocar uma flor. Pela memória deles. Agora, com base nisso, eu peço pra você voltar lá naquela imagem do começo, naquele domingo, os colchões encostados na garagem, garrafa de cachaça passada pro vizinho. Fica tudo bem mais chocante, macabro e mórbido, não é?
Comenta aqui pra mim o que você achou de tudo isso. Eu agradeço imensamente sua companhia. Não esquece seu like, seu comentário, nem que seja um emoji se não quiser falar sobre o caso. Puder se tornar membro me ajuda muito nas produções. E é isso. Beijo do Ruivo e até o próximo episódio.