Episódios de Vamos aos Fatos

5 Casos que assombraram o Brasil

19 de junho de 202651min
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📌 Por que esses 5 crimes continuam assombrando o Brasil? Mergulhamos nos arquivos de casos como Celso Daniel e as Máscaras de Chumbo para entender o que a justiça não explicou. Casos do episódioCelso Daniel: O sequestro e morte do prefeito de Santo André que abalou a política nacional.Angela Diniz & Doca Street: O crime passional que mudou as leis brasileiras.Máscaras de Chumbo: O mistério inexplicável do Morro do Vintém em Niterói.Zuzu Angel & Stuart Angel: A luta incansável de uma mãe contra a repressão.Tim Lopes: O crime brutal que marcou a história do jornalismo investigativo.Qual desses casos mais te intriga? Deixe seu comentário abaixo e vamos debater essas teorias juntos! #TrueCrimeBrasil #CasosReais #MarcosCampos #Investigação #Mistério-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br

Participantes neste episódio2
M

Marcos Campos

HostJornalista
S

Speaker B

Host
Assuntos4
  • Assassinato de GisbertaSequestro e morte do prefeito de Santo André · Celso Daniel · Sérgio Gomes da Silva (Sombra) · Dionísio Severo · Otávio Mercier · Sérgio Orelha · Irã Moraes Redua · Antônio Palácio de Oliveira
  • Crime passional de Ângela DinizHomicídio da socialite Ângela Diniz por Doca Street · Ângela Diniz · Raul Fernando do Amaral Street (Doca Street) · Legítima defesa da honra · Movimento feminista
  • Desaparecimento e Assassinato de Beatriz AngélicaLuta de Zuzu Angel contra a ditadura militar · Stuart Angel Jones · Zuzu Angel Jones · Ditadura militar brasileira · MR-8 · Henry Kissinger
  • Uso de máscaras e isolamentoEncontro de corpos com máscaras de chumbo no Morro do Vintém · Manuel Pereira da Cruz · Miguel José Viana · Morro do Vintém · Teorias ufológicas e espirituais · Élcio Correia Gomes
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Voz A:<LYRICS>So good, so good, so good.</LYRICS> New markdowns up to 70% off are at Nordstrom Rack stores now. Stock up and save big on shoes, tops, dresses, accessories, and more must-haves for summer. Join the Nordy Club to unlock exclusive discounts, shop new arrivals first, and more. Plus, buy online and pick up at your favorite Rack store for free. Great brands, great prices. That's why you rack. You have one new message. Ring, ring, ring. Translating. Disney and Pixar's Hoppers is now available on Disney+. You could say that again. Critics are calling it Pixar's funniest movie ever and a wildly entertaining ride. Blizzard potato. It's certified fresh and verified hot. Now we party. This is incredible! Wow, I am clearing the rest of the day. Disney and Pixar's Hoppers, now available on Disney+. Rated PG.

Voz B:O prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT, foi sequestrado ontem à noite na Zona Sul de São Paulo. Durante toda a madrugada, políticos do Partido dos Trabalhadores fizeram uma vigília aqui em frente à Câmara Municipal, aguardando informações e possíveis contatos dos sequestradores. Na noite de 18 de janeiro de 2002, uma sexta-feira, o prefeito de Santo André, o Celso Daniel, jantou no restaurante Rubaiyá, nos Jardins de São Paulo, do outro lado da Na mesa estava um amigo dele de longa data, o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido entre os mais íntimos como Sombra. Celso Daniel era engenheiro, ex-deputado federal, um dos fundadores do PT, e era o nome cotado para ser coordenador do plano de governo e ministro da Fazenda de Lula, que naquele ano disputaria a presidência da República mais uma vez. Ele era o cara mais forte do partido no ABC paulista. Ele tinha sido eleito prefeito de Santo André 3 vezes, a última com mais de 70% dos votos. Depois de 2 horas nesse jantar, o Celso e o Sombra então saíram no carro de Sombra, uma Mitsubishi Pajero blindada. Eles seguiam pela Zona Sul de São Paulo quando 3 carros começaram a perseguir o veículo. A perseguição durou cerca de 3 km. Os criminosos fecharam a Pajero na Rua Antônio Bezerra. 6 homens armados desceram e começaram a atirar contra o carro. A blindagem segurou bem, mas aí as portas se abriram. E aqui tem um detalhe que vai ser muito importante: importante mais para frente. Num carro blindado, o acesso externo não acontece, pelo menos não de forma facilitada, quando o condutor ou quem tá dentro do carro não quer que a porta seja acessada. Afinal de contas, um carro blindado é uma espécie de cápsula de proteção. As portas então só abrem por dentro. E isso inclusive gerou muita controvérsia no caso. Os criminosos arrancaram o Celso Daniel do banco do passageiro quando eles conseguiram abrir as portas, e o Sombra foi liberado ali mesmo no local sem ferimentos. Dois dias depois, no domingo de manhã, o O corpo do Celso Daniel foi encontrado por moradores numa estrada de terra em Juquitiba, interior de São Paulo. Ele tinha 8 perfurações de bala no corpo, marcas de queimaduras nas costas feitas com o cano de um revólver, escoriações na boca, no braço, na coxa. Os braços e pernas estavam contraídos, o que a perícia ia chamar depois de espasmo cadavérico, sinal de que a vítima teria sofrido intensamente antes de morrer. O legista Carlos deu um monte de prints responsável pela autópsia, descreveu a sequência. Ele disse que primeiro foi um golpe na cabeça, provavelmente no momento do sequestro, depois horas de tortura, queimaduras, disparos feitos à curta distância, tão perto que os estilhaços das balas cravaram na pele dele. Um tiro no peito, um no ombro, um no antebraço em posição de defesa, e por último, já no chão, em posição fetal, dois tiros no rosto e dois nas costas. O Prentiss, com 21 anos de carreira e mais de 20 mil autópsias, disse uma frase que ficou marcada. É excepcional a ocorrência de morte em casos de sequestro relâmpago. Nunca examinei um caso em que houvesse um ritual de tortura com a crueldade e a desproporcionalidade que eu verifiquei no corpo do Celso Daniel. Rodovia Regis Bittencourt.

Voz A:Acompanhamos a polícia a caminho do município de Juquitiba. Há informações de que um corpo com as características do prefeito foi encontrado. Chegamos ao local. Muita polícia, curiosos. Na estrada de terra cercada pela mata está o corpo executado com vários tiros, pelo menos 7, nas costas, no peito, na nuca.

Voz B:O inquérito policial foi concluído em apenas 2 meses. A conclusão: crime comum. Os criminosos, membros de uma quadrilha de uma comunidade chamada Pantanal, na zona sul de São Paulo, teriam sequestrado Celso Daniel por acaso, depois de perderem o alvo original deles. 6 foram presos e condenados. Caso encerrado, não é? Só que não. A partir dali, várias pessoas ligadas ao caso começaram a morrer em circunstâncias que foram consideradas suspeitas. No total, fala-se em cerca de 7 mortes suspeitas. Dionísio Severo era um criminoso especializado em sequestros, com longa ficha na Polícia de São Paulo. O Ministério Público o apontou como peça-chave na operação que resultou na morte do Celso Daniel. Segundo os investigadores, esse Dionísio era o elo entre a quadrilha que executou o sequestro e quem encomendou o serviço. Detalhe: 2 dias antes do crime, o Dionísio fugiu do presídio de helicóptero numa operação cinematográfica em que comparsas apontaram uma arma na cabeça do piloto e o forçaram a pousar dentro do pátio da cadeia. Quando foi recapturado meses depois em Alagoas, ele prometeu aos investigadores que ele ia contar tudo o que ele sabia sobre quem mandou sequestrar o prefeito. Antes de cumprir a promessa, no entanto, ele foi assassinado com dezenas de facadas dentro da cadeia. As manchetes dos jornais eram fuga cinematográfica e tudo mais, porque deu tudo certo. Pra eles que fugiram e eu que tô vivo aqui, porque parece que um dos caras que eu tirei tinha 8 mortes nas costas, mas eu não liguei, imagina, aconteceu morte de Celso Daniel aqui, aconteceu um resgate ali, então isso aqui era uma fuga que eu tinha feito, aqui era uma história diferente.

Voz A:Depois, através da mídia, que eu fiquei sabendo que houve essa ligação.

Voz B:E no telefone que o tal Dionísio usava no presídio, descobriram ligações frequentes para um policial da delegacia de narcóticos chamado Otávio Mercier. Otávio foi ouvido pela corrigidoria, disse que não sabia de nada. Pouco tempo depois, ele foi morto a tiros dentro de casa. Sérgio Orelha, que escondeu Dionísio depois da fuga, foi encontrado carbonizado no porta-malas de um carro. Irã Moraes Redua, o primeiro agente funerário a chegar lá em Juquitiba, foi morto com 2 tiros quando ele colocava as compras no porta-malas do carro dele. Já Antônio Palácio de Oliveira, o garçom que servia Celso Daniel e Sombra lá no Rubaiyá naquele dia, inclusive um garçom habitual ali da dupla, que sentava às vezes com os amigos na mesa, ele foi perseguido por 2 homens de moto, agredido, perdeu o controle e bateu num poste. A polícia registrou como roubo, mas nada foi levado dele. E detalhe: Antônio tinha documentos falsos e um depósito de R$60 mil na conta, de origem nunca identificada. Paulo Henrique Brito, a única testemunha que disse ter presenciado a morte do garçom, foi assassinado no mesmo local 20 dias depois, com um tiro nas costas. O próprio legista, o Carlos Del Monte Printz, morreu pouco depois. Ele havia dado entrevista ao Jô Soares e disse que teria sido proibido de falar publicamente sobre o caso e rebaixado do cargo por defender a versão de tortura de tudo que aconteceu. Morreu tempos depois dessa entrevista. Mortes suspeitas, todas de pessoas que sabiam ou viram alguma coisa sobre o caso do Celso Daniel, mas nunca nada foi confirmado, tá? Pra tudo tinha uma explicação oficial que não conectava ao caso. Vocês não viram que eu tava gravando, a cadeira tava aqui na frente, mas tá vendo esses livros aqui, ó? Eles caíram do nada, velho, na hora que eu tava falando aí das mortes suspeitas. Ranquei. Prefeito de Santo André, que na época que participou da elaboração do programa de governo do futuro presidente Lula foi torturado e morto. Depois dele, outras 7 pessoas ligadas ao caso foram assassinadas ou morreram de forma misteriosa. Você deve estar se perguntando sobre o Sombra, não é? Afinal de contas, ele foi liberado lá na hora do sequestro. Bom, a perícia revelou detalhes que não fechavam com a versão dele, tá? Ele disse que o pneu furou durante em direção e o carro teve pane elétrica. A perícia mostrou, no entanto, que o pneu foi furado com o carro já parado e que o veículo funcionava normalmente apesar dos tiros. Com relação às alegações dele, onde ele falou que o carro teve problema no câmbio, a gente examinou o câmbio para ver se tinha problema, não foi encontrado problema algum, o carro funciona, o funcionamento do câmbio é normal. Quer dizer, o que foi falado não combina muito com o que vocês estão vendo aqui. É, a versão que ele deu não casa com o que tá sendo encontrado aqui no carro, né? E a pergunta é: num carro blindado que tá funcionando ainda, por qual razão parar? E por qual razão abrir as portas que estavam travadas? Sombra mudou a versão, segundo consta, várias vezes.

Voz A:O cara da Rede Bandeirantes tá me escrachando, meu chapa. Tá falando que tudo que eu falei é mentira, que o carro tá pegando, que não destrava a porta, que eu sou o principal suspeito. Nós temos que armar um esquema aí, porque as empresas de contagem junto com as empresas, junto com a Mitsubishi, por razões óbvias de mercado, se juntaram para dizer que você tá mentindo, porque o câmbio tá funcionando, a perícia mostrou que o câmbio tá funcionando.

Voz B:A família do Celso Daniel nunca aceitou a versão de crime comum, tá? O irmão João Francisco Daniel afirmou que o Celso tinha um dossiê com indícios de enriquecimento ilícito de Sombra e outros membros ali do esquema de corrupção lá na prefeitura de Santo André. Segundo o Ministério Público, Santo André era um dos principais pontos de arrecadação irregular de recursos, alimentando assim campanhas do partido. Em 2005, o caso foi reaberto e designado para a delegada Elizabeth Sá. Ela teria produzido um relatório com cerca de 5 páginas e não teria realizado diligências básicas, como por exemplo a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos, e manteve sobre a conclusão anterior de crime comum. Um detalhe que a família questionou publicamente: Elizabeth Sato era tia do marido da filha de Lula, ligando o crime ao esquema de propinas que operava na prefeitura. Sombra foi pronunciado até para ir à júri popular, mas nunca chegou ao banco dos réus porque ele morreu de câncer em 2016, 3 meses antes da primeira audiência. Sombra foi condenado em outro processo a 15 anos por liderar esquema de cobrança de propina de empresas de transporte contratadas pela prefeitura. O juiz afirmou que o esquema da propina era tivesse sido dentro do PT. Mas essa afirmação foi considerada controversa, pois foi tratada como interpretação do juiz e não fato que foi julgado e definitivo, portanto. Morreu aqui em São Paulo o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, acusado de ligação com assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT. O crime foi em 2002.

Voz A:No ano passado, Sombra chegou a ser condenado a 15 anos de prisão por corrupção e recorria em liberdade.

Voz B:Celso Daniel foi sequestrado, torturado durante horas e executado com 8 tiros. A versão oficial diz que foi crime comum, sem planejamento, por uma quadrilha que errou o alvo. 7 testemunhas morreram depois, em circunstâncias suspeitas. O homem que jantava com Celso na noite do sequestro foi liberado sem um arranhão, mudou a versão algumas vezes, foi acusado de ser o mandante, morreu antes do julgamento. E o dossiê que o Celso supostamente mantinha sobre o esquema de corrupção em Santo André nunca foi encontrado pela polícia. Mas documentos foram retirados do apartamento dele antes que os investigadores chegassem. Até hoje, o mandante do assassinato de Celso Daniel não foi julgado definitivamente. Apesar da versão oficial, persistem fortes suspeitas de um crime político, uma queima de arquivo talvez. Pode até ser o que a versão oficial diz, mas para um crime comum, as consequências, circunstâncias, coincidências e acasos foram bem incomuns. E tudo o que resta sobre o caso até hoje é uma imensa sombra.

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Voz B:Raul Fernandes, do Amaral Street, o Dark Street, e Ângela Diniz, a Pantera de Minas, tinham tudo. Eram ricos, bonitos e famosos. Mas na véspera do Réveillon de 1976, o silêncio do sofisticado balneário de Búzios, no Rio de Janeiro, foi quebrado por 4 tiros. Ângela Maria Fernandes Diniz era mineira de Curvelo e foi criada em Belo Horizonte, filha de um dentista filha de uma costureira, dona de casa, a mãe começou a ver na beleza da filha então um caminho para ascensão social por meio de um bom casamento. Naquele contexto dos anos 60, bom casamento significava se unir a um homem rico, influente e capaz de oferecer estabilidade financeira e status social. E foi exatamente isso que aconteceu. Aos 17 anos, a Ângela subiu ao altar para se casar com o engenheiro Milton Villas Boas, de 31 anos, membro de uma tradicional família mineira ser cercada de dinheiro, prestígio e influência política, inclusive com parentes ligados ao Supremo Tribunal Federal. Após 9 anos de casamento e o nascimento de 3 filhos, a união chegou ao fim, no entanto. Consta que, em troca de uma pensão generosa, a Ângela aceitou deixar a guarda dos filhos com o marido. Assim, aos 26 anos, iniciou uma nova fase na vida dela. Depois da separação, ela passou a viver entre Rio e São Paulo, cercada por artistas, empresários, playboys e colunistas sociais. Muito bonita, jovem, carismática e ligada à alta sociedade mineira e carioca, sua vida parecia uma sucessão interminável de festas, viagens e relacionamentos. A socialite, que chegou a se internar voluntariamente em uma clínica de reabilitação, se tornou uma das mulheres mais fotografadas de sua época. Seu rosto estampava capas de jornais e revistas, embora nem sempre nas colunas sociais. A partir daí, Ângela começou a aparecer cada vez mais nas colunas sociais.

Voz A:Ângela Diniz passou a ser conhecida como a Pantera de Minas. Ela foi, durante muito tempo, a pessoa mais chamativa da sociedade mineira da época, né?

Voz B:Ângela Diniz acabou envolvida em diversos episódios policiais. Um deles relacionado ao porte de drogas, outro ao suposto sequestro da própria filha, e o mais grave, ao homicídio de José Avelino dos Santos, Santos, de 17 anos, conhecido como Zé Pretinho. O rapaz trabalhava como caseiro e vigia na residência da Ângela, lá em Belo Horizonte. O corpo dele foi encontrado do lado de fora da casa em junho de 1973, sem vida, com tiros no rosto. A cena chamou a atenção das autoridades porque o jovem estava com uma faca na mão, a braguilha aberta e havia sinais de ejaculação, o que inicialmente sustentou a hipótese de uma tentativa de abuso sexual. No primeiro momento, Angela assumiu a autoria dos disparos, alegando legítima defesa.

Voz A:Na delegacia, Angela diz que foi ela quem matou o caseiro. O motivo? Armado com uma faca, ele teria tentado invadir o quarto para assediá-la.

Voz B:Porém, as investigações apontaram a presença de uma terceira pessoa na residência naquela noite: o milionário mineiro Arthur Valle Mendes, conhecido como Tuca Mendes, herdeiro do Grupo Mendes Mesquita. Como Tuca era casado, se acredita que a Ângela tenha tentado protegê-lo ao assumir a culpa pelo crime. Mais tarde, porém, o empresário alegou que viu um vulto do lado de fora da casa naquela noite, foi verificar, foi atacado e reagiu a tiros. O caso provocou enorme escândalo na alta sociedade. Ainda assim, tudo terminou de maneira branda até. Embora tenha ido a julgamento, a tese de legítima defesa prevaleceu inicialmente e Tuca nunca chegou a cumprir pena em regime fechado, o que reforçou a imagem de intocabilidade da elite da época. Nossa época. Em um novo capítulo de sua vida, Ângela Diniz conheceu então seu futuro assassino em agosto de 1976. Durante um jantar da elite paulistana, se iniciou uma relação intensa e turbulenta que levou Raul Fernando do Amaral Street, conhecido como Doca Street, a abandonar a esposa e filhos para viver com a Ângela em Búzios, no litoral do Rio. Quem era o Doca Street? Bom, ele nasceu em berço de ouro, em uma tradicional família. Doca era neto do industrial Jorge Street. Apesar de origem privilegiada das viagens ao exterior e da boa aparência, nunca construiu patrimônio ou carreira sólida por esforço próprio. Vagava entre empregos temporários e dependia financeiramente das mulheres com quem ele se relacionava. A relação entre a Angela e o Doca foi bem intensa, tá? Obsessiva até e profundamente turbulenta, marcada por crises de ciúmes, discussões violentas e reconciliações constantes. Supostamente álcool e drogas eram elementos ali frequentes, presentes naquele relacionamento destrutivo, que durou apenas 4 meses. O prenúncio da tragédia começou horas antes do assassinato, naquele mesmo 30 de dezembro de 1976, na casa de praia da Ângela Diniz, localizada na Praia dos Ossos, em Búzios. Os detalhes surgiram posteriormente durante o julgamento. Segundo a versão apresentada pela defesa, defesa do Doc Street, uma jovem turista alemã chamada Gabriele Dyer, que teria interagido com Angela na praia, acabou se tornando o pivô da última discussão do casal. A narrativa dos advogados afirma que Angela teria demonstrado interesse pela alemã e sugerido uma relação sexual envolvendo os três: ela, Gabriele e o Doc. Ainda segundo a defesa, isso teria provocado em Doc uma profunda crise de ciúmes, humilhação e descontrole emocional. Servindo ali como um estupim para discussão que terminaria na tragédia. Horas depois disso, Angela teria anunciado o fim do relacionamento e expulsado o Doca da residência. Ele saiu de casa, mas retornou pouco tempo depois tentando reatar. Segundo depoimento do próprio assassino, Angela teria imposto condições para que o relacionamento continuasse: liberdade absoluta para ir e vir sem precisar pedir permissão ou dar satisfações ao companheiro. Além disso, Doca afirmou que ela exigia que ele aceitasse eventuais outros parceiros amorosos, ou sem homens, Doka pegou uma pistola então e disparou 4 tiros contra Angela Diniz, 3 no rosto e 1 na nuca. Angela morreu ali mesmo, aos 32 anos de idade. Após o assassinato, Doka Street fugiu para Minas Gerais, onde permaneceu durante alguns dias enquanto sua defesa tentava começar a organizar o papel de defesa. Quando finalmente decidiu se apresentar à polícia, os advogados já trabalhavam na estratégia que seria usada no tribunal: transformar o homicídio homicídio em um suposto crime passional, sustentando que o Doca teria agido dominado por uma forte emoção e completamente consumido pelo ciúme. O primeiro julgamento aconteceu em 18 de outubro de 79, na cidade de Cabo Frio, no Rio. A defesa ficou a cargo do renomado criminalista Evandro Lins e Silva, considerado um dos advogados mais influentes do país naquela época. A estratégia adotada entraria para a história jurídica brasileira. Em vez de concentrar a defesa exclusivamente no assassinato, no jato, os advogados passaram a atacar diretamente a reputação da Angela Diniz. Durante o julgamento, ela foi retratada como promíscua, libertina, manipuladora e provocadora. O principal argumento de defesa era o de que Doca teria agido em legítima defesa da honra. Na prática, a tese sustentava que o comportamento moral e afetivo de Angela teria provocado no réu uma humilhação emocional tão intensa que ele teria perdido completamente o controle. O julgamento rapidamente se transformou em um espetáculo midiático. Do lado de fora do tribunal havia curiosos, jornalistas e apoiadores de Doca Street. Em alguns momentos, o assassino chegou a ser aplaudido enquanto Angela, já morta, era moralmente condenada diante da opinião pública. O resultado chocou grande parte do país. Doca Street foi condenado a apenas 2 anos de prisão. Mesmo assim, ele recebeu sursis, que é uma suspensão da pena, e deixou o tribunal em liberdade sem ir para a cadeia. Doca Street foi condenado a 2 anos de prisão. Mas como já obteve sursis, ele vai cumprir a pena em liberdade.

Voz A:Logo que o juiz leu a sentença, que Doca ouviu emocionado, o tumulto começou.

Voz B:Todo mundo queria falar com Doca Street. A decisão provocou enorme revolta, especialmente entre movimentos feministas, que passaram a organizar manifestações históricas com o lema "Quem ama não mata". Tão absurda foi a condução do julgamento que o jornal O Pasquim ironizou a estratégia da defesa, afirmando que os advogados pareciam empenhados em provar que a Ângela matou o Doca. Doc, a enorme pressão social e o forte movimento feminista levaram a justiça a anular o primeiro julgamento. Em novembro de 1981, Doc Street voltou ao tribunal do júri, mas o Brasil já era outro a essa altura. O movimento feminista estava muito mais organizado e a opinião pública havia mudado profundamente. Dessa vez, a tese de legítima defesa da honra perdeu força e Doc Street foi condenado a 15 anos de prisão por homicídio. Mesmo assim, não cumpriu integralmente a pena em regime fechado. Passou cerca de 4 anos em regime fechado, depois foi transferido para semanário semiaberto. Em 1987, recebeu liberdade condicional. E eu preciso dizer que algumas fontes divergem, tá, na quantidade real de tempo que ele passou preso. Depois de sair da prisão, ele viveu discretamente em São Paulo. Em 2006, publicou o livro Mea Culpa, no qual apresentou sua própria versão do crime. Doca Street morreu em 18 de dezembro de 2020, aos 86 anos, após sofrer um ataque cardíaco. Doca Street, conhecido por matar a socialite Ângela morreu hoje depois de um infarto. Raul Fernando do Amaral Street tinha 86 anos. Ele assassinou Ângela Diniz com 4 tiros por não aceitar o fim do relacionamento. E o caso da Ângela Diniz se tornou um marco histórico no Brasil porque ajudou a expor nacionalmente o mecanismo jurídico e cultural da chamada legítima defesa da honra, usada durante décadas para justificar assassinatos de mulheres cometidos por companheiros ciumentos. Finalmente, Quarenta e sete anos após o crime, em 2023, o Supremo Tribunal Federal declarou oficialmente inconstitucional o uso da tese da legítima defesa da honra nos tribunais brasileiros. Na ocasião, o caso Ângela Diniz foi citado como um dos exemplos históricos mais emblemáticos desse tipo de argumento jurídico.

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Voz B:2 amigos foram encontrados mortos no alto de um morro em Niterói. Ao lado dos corpos, já em estado de decomposição, a polícia achou duas misteriosas máscaras de chumbo. O caso que ficaria conhecido em todo o Brasil como o mistério das máscaras de chumbo começou de maneira silenciosa e perturbadora até em 20 de agosto de 1960 26, uma região isolada do Morro do Vintém, próximo à cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Décadas depois, ele continuaria sendo lembrado como um dos episódios mais enigmáticos da história policial brasileira, cercado por teorias sobre experiências espirituais, contatos extraterrestres e rituais secretos. Naquela tarde, 20 de agosto, um jovem chamado Jorge da Costa Alves, de apenas 18 anos, subiu o Morro do Vintém, aparentemente para empinar pipa, como ele fazia já tinha ido tantas outras vezes. Local era afastado, coberto por vegetação e conhecido pela vista privilegiada da região. Enquanto ele caminhava, ele percebeu algo estranho ali no mato. Ele se aproximou com cautela e viu dois homens mortos, caídos lado a lado no chão. O rapaz se assustou. Os corpos já estavam em decomposição, indicando que os óbitos haviam ocorrido há dias. A cena era estranha demais para parecer um simples acidente. Como essa história tem 60 anos, os detalhes dos inúmeros relatos variam evidentemente. Os dois homens vestiam ternos. Já em relação às ditas capas impermeáveis, capas de chuva, não se sabe se eles usavam ou não, se elas estavam perto dos corpos. Menciona-se duas toalhas sobradas ali dentro de um pacote e também um lenço com monograma bordado, mas que não correspondia aos nomes deles, nem de qualquer um posteriormente investigado. Mas sobre os olhos tinham máscaras feitas de chumbo, moldadas como se fossem óculos sem lentes. Essa particularidade bem insólita transformaria o caso em um dos maiores mistérios do país. Consta que a polícia foi acionada, mas demorou para dar credibilidade à denúncia sobre os cadáveres. Chovia muito e o lugar era de difícil acesso, exigindo assim uma caminhada de quase 2 horas mata muro acima. Mas por fim a polícia compareceu ao local e isolou a área. Os investigadores da civil inicialmente perceberam que não existiam sinais aparentes de violência. Não havia marca de luta, sangue, ferimento ou qualquer indício claro, pelo menos, de assassinato. Também não havia sinais de roubo, já que pertences dos homens estavam com eles ali. Fala-se em aliança de ouro, relógio, documentos. Os homens foram identificados como Manuel Pereira da Cruz, 32 anos, e Miguel José Viana, de 34 4, ambos técnicos em eletrônica e moradores de Campos dos Goitacazes, no interior do Rio de Janeiro. Eles trabalhavam com aparelhos de rádio e televisão, profissão que mais tarde alimentaria inúmeras teorias envolvendo experiências científicas e supostas tentativas de contato com outros mundos. Será mesmo? Perto dos cadáveres, os policiais encontraram alguns objetos aparentemente comuns, mas que acabaram se tornando peças fundamentais de um quebra-cabeça. Havia uma garrafa de água vazia, havia um pacote contendo duas toalhas e no bolso de um dos homens um pequeno bloco de anotações. Nele estavam escritos números e símbolos que, segundo especialistas, eram referências técnicas usadas em válvulas eletrônicas. Mas foi outro papel encontrado com Miguel José Viana que transformou o caso em um verdadeiro enigma nacional. O bilhete, escrito à mão, dizia o seguinte: 16:30, estar no local determinado. 18:30, "ingerir [MASKED] após efeito, proteger metais, aguardar sinal, máscara". As mensagens pareciam uma espécie de instrução para atividades planejadas cuidadosamente, não é? O conteúdo, claro, levantou inúmeras perguntas. Que raio de cápsula era essa? Que sinal eles aguardavam? E por que precisavam proteger os olhos usando máscaras de chumbo? A investigação então voltou alguns dias no tempo para construir os últimos passos dessa dupla. E se descobriu que o Manuel e o Miguel haviam saído lá de Campos dos Goitacazes no dia 17 de agosto. Eles disseram às famílias que fariam uma viagem para comprar materiais eletrônicos em Niterói. As passagens de ônibus encontradas com eles confirmavam a data da viagem. Outras versões, no entanto, ou outras testemunhas, sabiam que a viagem seria para São Paulo com o objetivo de adquirir um carro. Testemunhas relataram que depois dos homens chegarem à cidade, eles compraram capas impermeáveis numa loja local. Reconstituições mostraram que estava chovendo mesmo, mas que eles não vestiam as capas. Vocês lembram que há pouco eu comentei? Se fala de capas, mas não sabe se estava no corpo, se estava do lado. Ainda segundo relatos, um deles aparentava nervosismo constante quando foi testemunhado ali, né, olhando ao redor como se esperasse alguém ou alguma coisa. Também compraram uma garrafa de água cujo vasilhame de vidro deveria ser posteriormente simplesmente devolvido. Depois disso, o rastro da dupla desapareceu e poucos dias mais tarde seus corpos seriam encontrados lá no alto do morro. Os cadáveres foram enviados ao Instituto Médico Legal, mas o estado avançado da decomposição dificultou muito os exames. Os peritos não encontraram sinais de violência física, nem agressão, nem perfurações, mas não conseguiram realizar exames toxicológicos, pelo menos não eficientes, para detectar algum tipo de veneno ou droga. Então o que fizemos? Como de praxe se faz numa autópsia.

Voz A:Tiramos um pedaço de cérebro, pulmão, fígado, rim e todo o estômago com seu conteúdo e parte de intestino.

Voz B:E qual foi a surpresa também de o exame toxicológico dar negativo. Peritos forenses que atuam hoje mencionam uma certa limitação técnica da época, além de um descuido profissional na tentativa completa do caso. Por exemplo, não foram recolhidas amostras do solo, apesar de ele apresentar ali uma estranha ausência de vegetação que persistiu por anos, dando ensejo à ideia de contaminação radioativa ou coisa parecida. E contaminação radioativa com máscara de chumbo também tem uma certa ligação, não é? Após cerca de 2 meses de análises, o laudo oficial do caso trouxe uma resposta frustrante: causa da morte indeterminada. Obviamente que a ausência de respostas alimentou imaginário popular. Falaram em envenenamento, acidente, pacto, evento ufológico. Aliás, tudo aí tá indeterminado, né? Enquanto a polícia tentava encontrar respostas concretas, surgiam relatos cada vez mais estranhos. Inclusive, naquela noite foi relatado que inúmeros moradores ali da localidade afirmaram terem visto luzes estranhas no céu, atribuídas evidentemente a objetos não identificados, e só posteriormente conectadas à morte dos homens. Sinceramente, eu não acredito que seres de outro planeta, seres extraterrenos, tenham praticado a morte ou as mortes, ou tenham qualquer ligação com as mortes de Miguel José Viana e Manoel Pereira da Cruz. Eu acho que foi gente aqui da terra mesmo. Dois pontos são importantes na investigação, tá? A participação de pelo menos um terceiro homem que teria guiado as vítimas até o local pelo meio da mata, e o intervalo de 2 horas entre as ações previstas: 4:30 e 6:30. A revista O Cruzeiro, famosa época, revelou que Manoel e Miguel Miguel mantinha uma amizade com um homem chamado Élcio Correia Gomes. Os três formariam ali um grupo que realizava experiências consideradas científico-espirituais, envolvendo explosivos caseiros, fenômenos sobrenaturais e possíveis contatos com forças desconhecidas do além. Élcio foi preso e duramente interrogado pela polícia de Niterói, mas nada se conseguiu provar contra ele, nem mesmo o irmão de Miguel, Herval A polícia italiana acredita hoje que Elcio tivesse tido alguma coisa a ver com a morte dos dois amigos. Apesar disso, Elcio não estava em Niterói no momento das mortes dos amigos. Mesmo assim, o depoimento dele à polícia se tornaria uma das partes mais perturbadoras da investigação, pois segundo registros divulgados pelo jornal Correio da Manhã, Elcio afirmou que Manuel e Miguel costumavam ir para locais isolados onde realizavam rituais místicos sob a influência de substâncias substâncias químicas psicoativas. Nesse contexto, a dupla acreditava na expansão da mente, na possibilidade de contatar entidades sobrenaturais. As declarações reforçam a teoria de que os dois técnicos participavam de algum tipo de grupo esotérico, espiritualista. Nas casas das vítimas, investigadores encontraram livros e publicações sobre espiritismo, energia mental, esoterismo e fenômenos paranormais. E o que eu posso mencionar diante de disso é a semelhança com práticas do Santo Daime, com a utilização de ayahuasca. Fontes atuais inclusive falam sobre similaridades com a Cientologia. Pouco tempo depois, o delegado responsável pelo caso, o Widovan Ferreira, declarou à imprensa que acreditava numa experiência parapsicológica mal-sucedida. Na visão dele, os técnicos poderiam ter ingerido drogas ou substâncias desconhecidas durante um ritual, morrendo acidentalmente. Mas aquela explicação não convenceu todo mundo, tá? Logo começaram a surgir teorias muito mais extraordinárias. Uma das mais famosas envolvia objetos voadores não identificados. Nesse caso, as máscaras de chumbo serviriam para proteger os olhos contra uma luz extremamente forte emitida pelo objeto. Alguns acreditavam que os técnicos tentavam captar sinais de outros planetas usando conhecimento de eletrônica e experiências espiritualistas ao mesmo tempo. Apesar de fazer sentido, Dentro da absoluta falta de provas, essa teoria deixa em aberto pontos muito importantes sobre a presença e participação de outros. Não tendo encontrado nenhum outro suspeito, a polícia aceitou a hipótese de encerrar o caso sem resolver o principal mistério do Morro do Vintém: como morreram Miguel e Manuel? A única coisa certa era que algo muito estranho tinha acontecido aqui. E sobre o desaparecimento do dinheiro, pois é, lá em 1966 Eles tinham em mãos o valor de $1.000. Era muita grana, galera, naquele tempo lá. Estima-se que o equivalente ao salário anual de um trabalhador de classe média, valor para suposta compra de um carro, lembra que eu comentei? Enfim, 3 anos depois, sem solução, o inquérito foi oficialmente arquivado ainda em fase de investigação. Dizem que havia suspeitas em relação a um centro de estudos espíritas, a tal versão de 1966 da Cientologia, pois o local era próximo do Morro do Vintém e frequentado por poderosos, o que teria sido a causa então de abortarem as investigações. São muitas as perguntas e poucas as respostas. Miguel e Manuel saíram de Campos dizendo que iriam a São Paulo. Eles subiram o morro sozinhos ou com alguém?

Voz A:Quem teria ido com os dois?

Voz B:Por que eles foram até lá? Por que usavam máscaras de chumbo?

Voz A:De que estariam se protegendo?

Voz B:Onde foi parar o dinheiro das vítimas? Com o passar das décadas, o caso virou tema de livros, documentários, programas de televisão e debates sobre ufologia, ocultismo e fenômenos paranormais. Até hoje, muita gente acredita que Manuel Pereira da Cruz e Miguel José Viana morreram durante uma experiência científica que saiu do controle. Outros defendem que eles foram vítimas de algum golpe financeiro ou manipulação experimento mental envolvendo substâncias tóxicas. Há ainda aqueles que continuam convencidos de que a dupla realmente estava esperando ali um contato com algo vindo de outro mundo. Lembrando que as máscaras foram confeccionadas por eles próprios, tá, na oficina em que eles trabalhavam. Mas independentemente da teoria escolhida, uma coisa permanece igual desde 66: ninguém conseguiu explicar nada com certeza do que aconteceu, e ninguém inclui especialistas literalmente de todo mundo, tá, que vieram até o Brasil em busca de respostas, em busca de comprovação das suas próprias teses. Pessoas de diferentes áreas do conhecimento que voltaram às suas casas de mãos vazias. Ao longo dessas décadas, muita gente já faleceu. Porters, investigadores, legistas, parentes, amigos, testemunhas, e o próprio processo, ou parte dele, desapareceu. Saber exatamente o que aconteceu lá, creio que só os dois que morreram. Se mais alguém sabia, guardou isso em segredo.

Voz A:Your next chapter in healthcare starts at Carrington College's School of Nursing in Portland. Join us for our open house on Tuesday, January 13th from 4 to 7 PM. You'll tour our campus, see live demos, meet instructors, and learn about our associate degree in nursing program that prepares you to become a registered nurse. Take the first step toward your nursing career Save your spot now at carrington.edu/events. For information on program outcomes, visit carrington.edu/sci. Spotify, it's Jay Shetty. Are you one of those media strategy people scrolling through spreadsheets, searching for an audience that pays twice as much attention to your ads than they do on social? Let me introduce you to fans, and they're here with me on Spotify. Trust me, I know fans. They don't skip, they stay for hours. They don't move on, they manifest. They're not a demographic group, they're fans. Spotify Advertising.

Voz B:You're among fans.

Voz A:Quem é essa mulher? Desde que Stuart Angel desapareceu nos porões da ditadura, Zuzu travou uma luta incansável para ao menos sepultá-lo. Uma luta que ela perdeu morreu tão tragicamente como o próprio filho.

Voz B:Uma mulher sem limites. A história de Zuleika, ou Zuzu Angel Jones, começou muito antes de sua morte em 1976. A Zuzu era mineira, apaixonada por costura desde menina, e ela se tornou uma das estilistas mais conhecidas do Brasil nas décadas de 60 e 70, após se divorciar do seu marido norte-americano. A moda que ela criou chamava atenção pelo uso de referências brasileiras com bordados, rendas, pássaros, flores e elementos inspirados na cultura nordestina. A estilista conquistou clientes famosas dentro e fora do Brasil, incluindo atrizes lá de Hollywood e também integrantes da alta sociedade. Mas a vida da Zuzu sofreu uma transformação radical por causa do desaparecimento do seu filho Stuart Angel Jones. O Stuart era estudante universitário e militava no MR-8, um grupo de oposição armada ao governo militar da época. O MR-8 oito para financiar a sua luta e objetivo, que era a implantação do socialismo no país, promoveu assaltos, expropriações bancárias, roubos de armas, ações de guerrilha urbana e sequestros políticos, incluindo a do embaixador americano Charles Burke Elbrick. O embaixador americano no Brasil, Charles Elbrick, saía de casa num carro com motorista.

Voz A:Quando eles viraram nesta rua, o trânsito estava interrompido por um Fusca que parecia manobrar.

Voz B:Na verdade, era o início de um sequestro que expôs internacionalmente a ditadura militar brasileira. Foi assim que Stuart e seus amigos se colocaram na mira dos militares até que ocorreu a sua prisão em 14 de maio de 1971. Detido por agentes ligados ao Centro de Informação da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, ele desapareceu naquele dia e seu corpo nunca foi recuperado. 2 anos mais tarde, sua esposa e companheira nas trincheiras políticas, a Sônia Angel, também foi presa, torturada e morta por agentes do regime militar. Nos meses seguintes ao desaparecimento do filho, a Zuzu iniciou uma busca desesperada por informações sobre o paradeiro dele, uma vez que ela acreditava que ele estava vivo e que ela conseguiria respostas por canais oficiais, isso levando em conta seu renome internacional e a dupla cidadania do filho. Assim, ela, de maneira destemida e obstinada, procurou respostas junto às autoridades, advogados, militares e políticos. Com o passar do tempo, começaram a surgir relatos de presos políticos dizendo que Stuart havia sido torturado e morto dentro de instalações militares. Um desses relatos foi de Alex Polari, que enviou a Zuzu uma carta revelando que Stuart, dentro da Base Aérea do Galeão, teria sido arrastado preso a um jipe. Com a boca próxima ao escapamento, o rapaz foi forçado a respirar fumaça e gases gases do motor durante o arrastamento. O corpo jamais foi entregue à família e existem 3 hipóteses em relação aos seus restos mortais. O corpo teria sido levado de helicóptero para a região da Rastinga de Marambaia, lá no Rio de Janeiro, e lançado ao mar. Ele teria sido enterrado como indigente, com nome falso, em um cemitério suburbano do Rio, possivelmente em Inhaúma. Ou o corpo teria sido enterrado clandestinamente em área militar ligada à base Ferreira de Santa Cruz. Mas, a partir do conhecimento da morte do filho, Azuzu passou a usar sua notoriedade internacional para denunciar o caso. Descrita como uma mulher sem limites, ela escreveu cartas, concedeu entrevistas, procurou jornalistas estrangeiros e tentou mobilizar autoridades internacionais, tudo em busca de justiça. Como Stuart tinha dupla cidadania, brasileira e americana, ela buscou apoio também dos Estados Unidos. Em uma de suas ações mais conhecidas, idas, entregou documentos sobre o caso ao então secretário do Estado americano Henry Kissinger, que estava em viagem ao Brasil. Sabe-se que o senador Ted Kennedy também mencionou o desaparecimento de Stuart no lá dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, Zuzu incorporou o seu drama pessoal ao trabalho como estilista. Seus desfiles passaram a apresentar símbolos sombrios: anjos amordaçados, manchas vermelhas lembrando sangue, pássaros presos em gaiolas, tanques de guerra e crianças aprisionadas. Um desfile realizado em Nova York ficou marcado como uma espécie de protesto artístico contra a repressão política no Brasil. Com o passar dos anos, muito Os amigos foram se afastando da Zuzu, que obcecada pela morte do filho, travava uma cruzada admirável e ao mesmo tempo perigosa. Ela estava consciente disso, dizia que era constantemente seguida e ameaçada, tanto que pouco antes de morrer, ela deixou cartas com pessoas próximas afirmando que caso sofresse um acidente, os responsáveis seriam os mesmos homens envolvidos no desaparecimento do Stuart.

Voz A:Se algo vier a me acontecer, Se eu aparecer morta por acidente, assalto ou outro meio qualquer, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho.

Voz B:Então, na madrugada de 14 de abril de 1976, após Zuzu sair de uma reunião na casa de amigos no Leblon, na zona sul do Rio, ela encontrou a morte na Estrada da Gávea, próximo à saída do túnel Dois Irmãos, em direção à Barra da Tijuca, onde ela morava. Eram 2:15 da madrugada quando ela perdeu o controle do carro, bateu na mureta de proteção do viaduto e despencou para uma pista abaixo. O veículo ficou completamente destruído e Zuzu morreu presa às ferragens. A versão oficial falava em sono, mal súbito, embriaguez ou falha mecânica. A certeza dos parentes de Zuzu Angel de que ela tinha sido assassinada encontrou respaldo na polícia. O inquérito policial O jornal da época atestou que a estilista morreu num acidente. Zuzu teria dormido ao volante, estava bêbada ou sofreu um mal súbito. Uma conclusão que causou polêmica. Somente duas décadas mais tarde, em 1998, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu que a morte da Zuzu Angel ocorreu em contexto de perseguição política e apontou fortes indícios de atentado. A testemunha revela que a morte da estilista não foi um acidente.

Voz A:O carro de Zuzu Angel tinha sido fechado por um outro que a seguia.

Voz B:O corpo de Zuzu foi enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Seu filho Stuart jamais teve os restos mortais localizados oficialmente. Duas obras-primas do Chico Buarque imortalizaram a dor, o luto e a luta da Zuzu Angel: Angélica e Pedaço de Mim. I'm rocking with it.

Voz A:Okay, try it for yourself. Starbucks Refreshers concentrates are coming home. Find them in the coffee aisle and make it yours. Ryan Reynolds here from Mint Mobile with a message for everyone paying big wireless way too much. Please, for the love of everything good in this world, stop. With Mint, you can get premium wireless for just $15 a month. Of course, if you enjoy overpaying, no judgments, but that's weird. Okay, one judgment. Anyway, give it a try at mintmobile.com/switch. Upfront payment of $45 for 3-month plan, equivalent to $15 per month required. Intro rate first 3 months only, then full price plan options available. Taxes and fees extra. See full terms at mintmobile.com.

Voz B:Que é a voz, que são os olhos da sociedade. Quando o país ainda tentava compreender a sequência de acontecimentos relacionados à morte do prefeito de Santo André, o Celso Daniel, a sociedade foi confrontada de novo com outro crime assustador ocorrido em 2 de junho de 2002, no Rio de Janeiro. Um crime que mudou a história do jornalismo brasileiro. Pois é, nós vamos falar sobre o desaparecimento e morte do Arcanjo Antônio Lopes do Nascimento, conhecido como Tim Lopes.

Voz A:Os dois traficantes fazem parte da quadrilha de Elias Maluco e prestaram os principais depoimentos até agora. Eles confirmaram à polícia que Elias Maluco, Ratinho, André Capeta e Boi torturaram e assassinaram Tim Lopes.

Voz B:Tim Lopes era gaúcho de nascimento, estava com 51 anos de idade e há uns 30 anos de profissão, sendo muito respeitado pelos colegas jornalistas como um dos mais corajosos e audaciosos os repórteres investigativos em atividade no momento. Tim Lopes era visto pelos colegas como um jornalista da velha guarda que construía suas reportagens caminhando pelas ruas, conversando com as pessoas e observando de perto a realidade que pretendia mostrar. Enquanto muitos profissionais já começavam a depender cada vez mais de informação obtida à distância, ele preferia estar no centro dos acontecimentos, ouvindo os relatos diretamente da população e vivendo diversas vezes como infiltrado no ambiente sobre o qual ele iria escrever. E foi justamente sua audácia em denunciar crimes que o deixou vulnerável à impiedosa ação criminosa. Ontem à tarde, uma equipe da polícia encontrou no alto do morro um corpo carbonizado que foi levado para análise no Instituto Carlos Eppoli. O resultado da perícia deve ser divulgado em uma semana. A organização Reporter Reporters sem Fronteiras, com sede em Paris, manifestou hoje preocupação com o caso e pediu que se esclareçam as circunstâncias do desaparecimento de Tim Lopes. O Tim Lopes desapareceu no dia 2 de junho de 2002 durante uma reportagem. Grande parte do seu trabalho foi dedicada a revelar a dura rotina enfrentada pelos moradores mais pobres das comunidades do Rio de Janeiro. Cidadãos reféns do medo imposto pelo poder do tráfico de drogas. Margem da presença efetiva da proteção do Estado. Dizem que durante sua investigação do tema prostituição infantil nos bailes funk, Tim havia entrado na comunidade de Vila Cruzeiro outras vezes já, porém no dia 2 de junho ele retornou depois de ser informado sobre a realização naquela noite de um baile funk, evento onde seria promovida a prostituição infantil, além do comércio de drogas evidentemente. Deixado por um motorista da Rede Globo nas proximidades da comunidade comunidade, o Tim Lopes entrou discretamente em um bar, comprou uma cerveja e permaneceu ali sentado observando o movimento enquanto ele registrava de forma escondida a circulação de traficantes armados que cruzavam ali a comunidade em motocicletas. Mas dois integrantes da facção conhecidos pelos apelidos de André Capeta e Boizinho perceberam uma luz na bolsa presa à cintura do jornalista, onde estava escondida a câmera usada para gravação. Dois traficantes desconfiaram da presença do jornalista— Supostamente por causa de um objeto que brilhava. Equipamento de microcâmera, no entanto, não tem luzes. Pouco depois, o Tim foi cercado e interrogado. Sem ter como esconder a verdade, ele revelou que era jornalista da Globo, mas como ele costumava trabalhar disfarçado, ele não carregava documentos que comprovassem a sua identidade profissional. A suspeita dos criminosos rapidamente se transformou em violência. Ainda ali, no meio da rua, ele foi agredido enquanto os traficantes traficantes entravam em contato por rádio com o chefe do tráfico local, Elias Pereira da Silva, conhecido como Elias Maluco. De acordo com o depoimento, os 4 traficantes não identificaram o jornalista como autor da reportagem.

Voz A:Pelo depoimento, Elias Maluco se encarregou da execução a golpes de espada. O corpo do jornalista teria sido queimado.

Voz B:O Elias ordenou que o levassem até a favela da Grota, lá no Complexo do Alemão, antes mesmo de colocar Ao colocarem Tim no porta-malas de um carro roubado, os traficantes atiraram em suas pernas e amarraram suas mãos para impedir qualquer ação.

Voz A:Ainda segundo o depoimento, os dois traficantes abordaram e revistaram Tim Lopes.

Voz B:Ele teria sido espancado, amarrado e baleado no pé para não fugir. Assim se iniciava o trajeto que levaria o repórter até o coração do território controlado pela facção criminosa. Quando chegou à favela da Cota, considerado o principal reduto da facção criminosa no Complexo do Alemão, Tim Lopes foi levado diretamente até Elias Maluco. Lá, ele foi rapidamente reconhecido pelo traficante Ratinho, que identificou Tim Lopes como o responsável pela série de reportagens Feira das Drogas, exibida no Jornal Nacional em 2001 e premiada com o prêmio ESSO, que havia causado prejuízos ao tráfico e levado integrantes da quadrilha para prisão. Convencido da identidade do jornalista, o tal Ratinho exigiu a sua execução. Kim foi amarrado então a uma árvore enquanto tentava desesperadamente convencer os criminosos a pouparem sua vida, mas ele já estava condenado ali. Segundo relatos obtidos mais tarde pela polícia, vários traficantes acompanhavam o julgamento e execução do repórter. Vale saber que em 2002 ocorreu a Copa do Mundo de Futebol também, que foi sediada pela Coreia pela Coreia do Sul e pelo Japão. Então, no dia do desaparecimento do Tim Lopes, as emissoras estavam transmitindo 4 jogos e havia expectativa da estreia do Brasil no dia seguinte contra a Turquia. Esse supostamente então foi um dos motivos de ausência do Tim Lopes só ter sido sentida e reportada 11 horas após ele desaparecer. Mesmo que a Rede Globo tenha sido informada pelo motorista que o Tim não retornou ao ponto de encontro, né, como tinha sido combinado quando ele deixou ele lá no pé do morro. O caso chegou às mãos do Inspetor Daniel Gomes, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que começou a investigar na Vila Cruzeiro, onde os moradores comentavam assustados sobre um homem que havia sido capturado e espancado por traficantes na noite anterior. As primeiras informações indicavam que o corpo teria sido queimado em uma área isolada da favela. Ao chegar ao local apontado, os policiais encontraram marcas de fogo mato seco, sangue recente e restos humanos, mas exames posteriores mostraram que aquele material não pertencia ao Tim Lopes. Dias depois, então, dois traficantes ligados à quadrilha do Elias Maluco foram presos e acabaram revelando detalhes do crime. Segundo os depoimentos, Tim havia sido levado até a grota no Complexo do Alemão, como eu disse. Com essas informações, a polícia intensificou as buscas até que os restos mortais do Tim Lopes foram encontrados no dia 12 de em junho de 2002, 10 dias após o desaparecimento dele, em uma cova clandestina na região conhecida como Pedra dos Sapos. No local foram descobertos fragmentos de ossos queimados e objetos pessoais do jornalista, um relógio, um crucifixo e a pequena câmera usada na investigação. Pouco mais de 3 semanas depois, em 5 de julho de 2002, exames de DNA feitos a partir de um fragmento de costela confirmaram que parte daqueles restos mortais realmente que pertenciam ao Tim Lopes. Segundo as investigações, o Tim Lopes foi submetido a uma sessão brutal de violência comandada por Elias e outros integrantes ali da quadrilha também. Os relatos detalharam que seus olhos foram queimados com cigarro e ele foi esquartejado vivo, um ato que chocou até mesmo os investigadores acostumados já com a violência extrema do tráfico carioca. Após matá-lo, os traficantes tentaram eliminar qualquer vestígio do crime utilizando um método conhecido nas favelas da época como micro-ondas, em que a vítima era colocada entre pneus, coberta com combustível e incendiada. Ao longo das investigações, 9 integrantes da quadrilha acabaram identificados. Entre eles estavam Elias Maluco, líder do grupo, além de criminosos conhecidos pelos apelidos de André Capeta, Ratinho, Boizinho, Xuxa, Zeu, Primo, Cadê e Frei. 2 deles, André Capeta e Boizinho, morreram antes do julgamento No entanto, Boizinho, em uma troca de tiros com a polícia, e o André Capeta, às circunstâncias atribuídas a prováveis— Elias Maluco e os demais comparsas sobreviventes foram condenados a longas penas de prisão. Elias recebeu a maior sentença, ultrapassando 28 anos de cadeia. Outros integrantes da quadrilha também foram condenados a mais de duas décadas de prisão, enquanto um dos traficantes recebeu uma pena menor. O Elias Maluco morreu em 22 de setembro de 2020, aos 54 anos. Ele foi encontrado morto sua cela na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. As investigações apontaram que ele se enforcou. A brutalidade do caso teve forte repercussão nacional e internacional e ajudou a impulsionar a criação da ABRAJI, que é a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, fundada em dezembro de 2002. Postumamente, o Tinho Lopes foi homenageado com prêmios como o Prêmio Nacional de Direitos Humanos e o Prêmio Vladimir Herzog. E o seu nome bateu partir dos espaços públicos no Rio de Janeiro. Tim, você sabe que em dias tristes como o de hoje nós costumamos evitar o boa noite, deixando que o silêncio dos estúdios mostre toda a eloquência da nossa dor. Mas hoje nós decidimos fazer diferente. E esse foi mais um especial com 5 casos extremamente marcantes da história criminal brasileira. Você gostou? Não esquece de deixar seu like, um comentário, nem que seja um emoji. Se torne membro se puder, me ajuda muito. E ó, comenta aqui para mim casos para a gente fazer um novo episódio assim, elencando 5 casos mais misteriosos, mais enigmáticos, ou que marcaram demais pela injustiça.

Voz A:Where delivery and setup are as easy as a few taps on your phone. You're relaxing in an old hammock, scrolling Wayfair's app, when you spot it: a brand new patio set. Next thing you know, Wayfair delivers it right to your patio and sets it up. Oh, you need a new grill too? All right, Wayfair's got you covered. With Wayfair's Room of Choice delivery and fast expert setup on qualifying orders, life gets a little easier. Visit wayfair.com or the Wayfair app. Wayfair, every style, every home.

Voz B:Enfim, comenta aqui, vamos compor o nosso próximo episódio juntos, combinados? Obrigado pela atenção, beijo do Ruivo e até a próxima.