Episódios de Vamos aos Fatos

Quando a Genialidade se Transforma em Obsessão Macabra

15 de junho de 202625min
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📌 Um dos casos mais surreais e perturbadores da história russa. Anatoly Moskvin era um historiador brilhante, poliglota e respeitado academicamente. Mas, por trás da fachada de gênio, ele escondia um segredo macabro dentro de seu apartamento: uma coleção de 26 bonecas em tamanho real que, na verdade, eram corpos de crianças que ele mesmo desenterrou.Neste vídeo, investigamos a mente de Moskvin, o porquê de ele ter feito isso e a polêmica atual: após anos de internação psiquiátrica, ele deve ser solto?No vídeo de hoje:O cenário encontrado pela polícia em Nizhny Novgorod.Quem era o "Necropolista" Anatoly Moskvin.O ritual de "casamento" na infância que ele diz ter dado origem a tudo.O que aconteceu com ele e o medo das famílias das vítimas.Deixe sua opinião nos comentários: ele deve voltar ao convívio social?-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br

Participantes neste episódio1
M

Marcos Campos

HostJornalista
Assuntos5
  • A Coleção Macabra de Anatoly MoskvinO cenário encontrado pela polícia · Técnicas de mumificação e preparação dos corpos · A música e objetos dentro dos corpos · A convivência com os corpos como filhas · Anatoly Moskvin
  • A Motivação e a Lógica de MoskvinAcreditar em trazer as crianças de volta à vida · Influência de tradições celtas e siberianas · Desejo de ser pai e a adoção negada · Diagnóstico de esquizofrenia paranoide · Alegada falta de remorso e acusação aos pais
  • O Perfil de Anatoly MoskvinHistoriador, poliglota e especialista em folclore celta · Obsessão por cemitérios e o título de 'necropolista' · O ritual de 'casamento' na infância · Anatoly Yurievich Moskvin
  • A Investigação das Profanações de TúmulosDenúncias de túmulos violados em Nizhny Novgorod · Hipótese inicial de grupo extremista · A pista de Anatoly Moskvin · Descoberta dos corpos no apartamento · Estimativa de 150 túmulos violados
  • O Julgamento e a Internação PsiquiátricaInapto para ser julgado por esquizofrenia paranoide · Sentenciado a medidas médicas obrigatórias · Revisões periódicas da internação · Debate sobre a soltura e o risco para as famílias · Anatoly Moskvin
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Marcos Campos:So good, so good, so good.

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Marcos Campos:Did you de acreditar mesmo depois de tudo provado. E esse é um deles. Se liga só, quando os policiais entraram naquele apartamento apertado procurando pistas sobre quem andava profanando os túmulos daquela cidade, eles não imaginavam encontrar um verdadeiro cenário macabro. O lugar tava lotado de bonecas, bonecas grandes do tamanho de uma criança, sentadas nas prateleiras, encostadas no sofá, espalhadas pelos cantos, no meio de pilhas de livros e papel velho. Tinham vestidinhos coloridos, meias, maquiagem no rosto. Um dos oficiais mexeu em uma dessas bonecas e a casa do nada se encheu de música. Aquele apartamento guardava um segredo que mais de uma dúzia de famílias daquela cidade ia carregar pelo resto da vida. E aquela cena grotesca e perturbadora era o retrato, na verdade, do que havia na mente do homem que tinha feito tudo aquilo. Eu sou Marcos Campos e o caso de hoje vem lá da Rússia. O protagonista era um homem considerado uma espécie de gênio pela própria cidade dele. Mas esse sujeito fez algo por anos escondido dentro de casa, algo que ninguém imaginava ser possível. São muitas perguntas que esse caso aqui traz, como por exemplo: como é que ele conseguiu esconder por tanto tempo isso? E também o que ele queria no fim das contas? Com tudo aquilo? É isso e outras coisas que nós vamos investigar no episódio de hoje. Então, vamos aos fatos. As bonecas. Vamos começar pelo que estava dentro daquele apartamento quando os policiais chegaram e acabaram descobrindo aquilo por acaso, entre aspas. Aquelas bonecas não eram bonecas, eram corpos, corpos de meninas que tinham morrido, sido enterradas e depois arrancadas dos próprios túmulos. 26 ao todo foi o número que a perícia conseguiu confirmar, muito embora os primeiros relatos da imprensa russa, no calor ali do momento, tenham registrado e falado em 29. A maioria delas eram meninas com idades entre 3 e 12 anos, segundo os relatos russos mais recentes, tá? Embora também algumas versões antigas do caso tenham citado faixas ligeiramente diferentes. O homem que morava ali tinha desenterrado esses corpos um por um ao longo de anos e levado para casa dele. Só que ele não largava os restos ali do jeito que ele encontrava. Ele tinha estudado técnicas de mumificação e ele secava os corpos com uma mistura caseira de sal e bicarbonato de sódio. Como a pele e os membros encolhiam e murchavam conforme secavam, ele enrolava então os braços e as pernas em tiras pano e enchia o tronco com trapos e enchimento para dar volume, para dar forma de um corpo de criança de novo. Depois vinha a parte que dava a aparência final. Ele cobria alguns rostos com máscara de cera, ele pintava essas máscaras com esmalte de unha para imitar a pele humana, botava perucas, vestia as meninas com roupa colorida de criança, meias, botinhas. Em alguns casos ele até costurava botões no lugar perto dos olhos. Segundo o que ele mesmo contou depois, os botões eram para que elas pudessem assistir desenho com ele. E lembra da música que tocou quando um policial mexeu em uma delas lá na cena que abriu o episódio? Pois é, esse homem enfiava objetos dentro da caixa torácica dos corpos. Em quase todos havia alguma coisa ali no peito, e numa parte deles uma caixinha de música. Um investigador contou que quando tentaram mover um dos corpos, a sala se encheu de melodia do nada. Em outros, eles encontraram corações de brinquedo, pedaços de sabão e fragmentos de lápide. Caríssimos abduzidos, se esse não é um roteiro de um filme grotesco de terror, eu não sei o que é. Esse homem convivia com aquilo ali como se fossem filhas dele. Ele conversava com elas, cantava pra elas, assistia desenho mesmo, até lia história em voz alta. Ele comemorava o aniversário de cada um? Agora, a pergunta que provavelmente já tá martelando na sua cabeça aí é: que tipo de pessoa é capaz de fazer isso? E é aqui que o caso fica ainda mais difícil de engolir.

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Marcos Campos:O gênio. Eu preciso agora falar um pouco para você sobre quem era a pessoa por trás de tudo isso, que eu não sei nem nomear. O homem por trás disso não era um marginal qualquer que tava vivendo ali nas sombras, tá? Talvez seja o oposto disso. O nome dele é Anatoly Yurievich Moskvin. Ele nasceu em 1º de setembro de 1966 na cidade que na época se chamava Gorki e hoje se chama Nizhny Novgorod, a uns 400 km a leste de Moscou. E desde cedo ele se mostrou um sujeito fora da curva intelectualmente falando. Ele fez sua formação na área de línguas e filologia, passando pelo Instituto Pedagógico de Línguas Estrangeiras de Gorki e depois pela Faculdade de Filologia da Universidade Estadual de Moscou, onde ele cursou pós-graduação. Então ele virou linguista, historiador, especialista em cultura e folclore celta. Sabe aquela tradição antiga em que a fronteira, digamos, entre os vivos e os mortos é meio que borrada? Então, e ele chegou também a dar aula de estudos celtas na universidade de idiomas, tá, da própria cidade dele. E o detalhe que mais impressionava todo mundo é que o cara era poliglota, ele falava 13 línguas, escreveu livros, dicionários, traduções, tudo isso respeitado nos círculos acadêmicos. Ele mantinha em casa uma biblioteca pessoal de mais de 70 mil livros e documentos. Os colegas o descreviam com duas palavras que apareciam normalmente juntas: gênio e excêntrico. Mas a vida pessoal dele era de um isolamento quase total. Ele nunca casou, nunca namorou, não bebia, não fumava, morava com os pais ainda. E ele tinha uma verdadeira obsessão muito específica que ele transformou na própria identidade profissional dele: cemitérios. Ele se autodenominava necropolista, que é algo aí como um especialista em cemitérios. Ele era considerado com folga a pessoa que mais conhecia os cemitérios ali da região. Pra você ter uma ideia do nível dessa obsessão, em entrevistas e relatos antigos, o Moskvin dizia ter estudado mais de 750 cemitérios ao longo de cerca de 20 anos, lá em Nizhny Novgorod, que é a cidade dele, e também outras regiões da Rússia. Ele transformou isso quase numa identidade pessoal dele mesmo. Ele caminhava longas distâncias, dormia em lugares improvisados e dizia conhecer como poucos os cemitérios da região. Vai vendo. Acontece que tudo isso tem uma origem que o próprio Moskvin contou depois num artigo que ele escreveu, pouco antes de ser preso inclusive. E essa origem é o ponto onde a história começa, se é que é possível, a ficar ainda mais insólita. Segundo o relato dele, em 1979, quando ele tinha 13 anos, ele voltava da escola e ele foi parado por um grupo de homens vestidos de preto. Eram pessoas a caminho do funeral de uma menina de 11 anos. Várias fontes que relatam essa história macabra dão o nome dessa garota aí como Natasha Petrova. Esses homens aí que estavam ali nesse funeral, ainda segundo o relato do Moskvin, o arrastaram até o caixão da menininha e o forçaram a beijá-la. Ele beijou o rosto da menina morta. Ele escreveu que um adulto empurrou a cabeça dele para baixo contra a testa fria da menina e que ele não teve o que fazer a não ser obedecer e beijá-la. Ele contou que beijou uma vez Depois outra vez, depois mais outra, e pra fechar, ainda de acordo com a versão que ele publicou, a mãe da menina teria colocado uma aliança no dedo dela e outra no dedo dele, como se ali tivesse acontecido um casamento. Mas olha, eu preciso reforçar aqui que isso é o que ele mesmo escreveu, tá, décadas depois, pra explicar a própria fixação. Não é um fato verificado por terceiros, mas é a justificativa que ele deu. E ela ajuda pelo menos a entender como a obsessão dele com a morte foi sendo construída, não é? Porque a partir daí ele começou a perambular por cemitérios ainda menino e nunca mais parou. Bom, a gente tem então esse personagem, né, que eu acabei de apresentar brevemente, o Erudito Recluso, maior especialista em cemitérios da cidade. Agora a pergunta é: como foi que a polícia acabou batendo na porta dele? E para responder isso, a gente precisa voltar um pouco no tempo, tá? Para antes daquela cena de abertura lá na casa dele, das bonecas. Porque a história não começou naquela casa, começou nos cemitérios, na verdade. Por volta de 2009, os moradores lá da cidade dele começaram a denunciar que os túmulos dos parentes deles tinham sido violados. Não era um caso isolado, tá? Era uma onda mesmo de casos ali. Alguém andava abrindo sepulturas, mexendo nos enterros, arrancando objetos, inclusive as plaquinhas de metal, sabe, que ficam ali em cima dos túmulos com os nomes? Todas elas estavam sendo retiradas das lápides. E o detalhe mais perturbador dessa onda aí: em alguns casos, o túmulo simplesmente tinha sido esvaziado, ou seja, o corpo não estava mais lá. A polícia, claro, abriu uma investigação, só que a primeira leitura que fizeram do caso mandou todo mundo na direção errada. E é aqui onde a investigação de verdade começa, tá? O Ministério do Interior russo olhou para aquele padrão ali de túmulos profanados e cravou uma hipótese: isso é obra de algum grupo extremista. Um porta-voz chegou até a explicar para imprensa que eles tinham reforçado as equipes e montado grupos com os detetives mais experientes em crimes de extremismo para investigar de perto esse caso. E essa pista ganhou força por um motivo concreto: Entre os túmulos violados havia sepulturas muçulmanas. Isso fez a investigação tratar parte dos crimes como possível crime de ódio motivado aí por religião. E esse primeiro contexto, sem saber de todo o background, fazia sentido, não é? Túmulos de uma comunidade específica sendo atacados, a lógica aponta para perseguição. Só que 2 anos de investigação nessa linha aí não levaram a lugar nenhum. 2 anos, cara! Os detetives especializados em extremismo, cavaram literalmente e figurativamente, eu diria, e não acharam organização nenhuma por trás disso, nenhuma célula, motivação política, nada. Isso porque simplesmente não tinha mesmo. A premissa toda estava errada. Não era um grupo, era um exército sombrio e determinado, mas de um homem só. Em janeiro de 2011 houve um atentado no aeroporto Domodedovo, lá em Moscou. As autoridades russas entraram em alerta e aquele contexto dos túmulos muçulmanos profanados aumentou a sensibilidade em torno de qualquer possível tensão religiosa. Os investigadores então passaram a olhar com mais atenção para esses cemitérios. Havia detalhes que não batiam com o perfil de um ataque comum. Em alguns casos, alguém mexia em elementos muito específicos das sepulturas, sem destruir o entorno, sabe, o que tinha ali na volta. Não parecia simplesmente uma retaliação raivosa por causa do atentado. Era específico demais e o negócio continuava. E à medida que aquela hipótese de grupo extremista começava a perder força porque eles não conseguiam ligar a nada, uma coisa ficava cada vez mais clara: quem estava fazendo aquilo conhecia muito bem aqueles cemitérios. Não era alguém agindo ali no impulso, querendo realmente uma retaliação. Era alguém que sabia circular por ali, sabia onde mexer, sabia o que procurar e acima de tudo tinha familiaridade demais com aquele universo. Aí foi que surgiu um nome, né? Na verdade, um nome começou a ficar impossível quase de se ignorar: Anatoly Moskvin. Ele não era um desconhecido naquele meio, evidentemente. Pelo contrário, era o sujeito que estudava cemitérios havia anos, escrevia sobre isso, conhecia túmulos, mapas, lápides, histórias de mortos e rituais funerários como quase ninguém ali na região. Até aquele momento, isso fazia dele um especialista Mas para os investigadores também podia fazer dele alguém com oportunidade, conhecimento e familiaridade demais com aqueles lugares, não é? Foi assim que em novembro de 2011 a investigação chegou ao apartamento onde o Moskvin morava e também à garagem ligada a ele. Os policiais entraram lá, procuraram provas sobre as profanações nos túmulos, só que o que eles encontraram ali era muito pior do que uma coleção de placas arrancadas de lápis, tá? Um ladrãozinho qualquer. Eles encontraram a coleção de bonecas que eu comentei com vocês, que na verdade eram corpos. E olha, tem até uma ironia nisso tudo, né? Porque o Moskvin era justamente uma das pessoas mais conhecidas da região quando o assunto era cemitério. Então, a princípio, ele até deve ter sido encarado ali mais como uma fonte de informação do que como um suspeito. E só depois que o negócio foi se estreitando, que ele passou a figurar nisso, que resultou nessa visita na casa dele. Mas até então, durante muito tempo, o cara talvez fosse mais um consultor da polícia do que um suspeito. Vai vendo, praticamente aquela máxima, não é? De quanto mais na cara, mais escondido. Bom, mas encontrar os corpos foi só o começo do trabalho, porque eles tinham agora os 26 corpos ali naquele apartamento, e o difícil seria reconstruir o que tinha acontecido com cada um deles, de onde cada corpo veio, quantos túmulos no total ele tinha aberto e por quanto tempo aquilo vinha rolando debaixo do nariz mães de todo mundo. E foi nessa reconstrução, digamos, que a dimensão do caso explodiu. Vasculhando o apartamento do Moskvin, a polícia não achou só os corpos, ela achou também as plaquinhas de metal arrancadas das lápides, achou instruções de como fabricar bonecas, achou mapas dos cemitérios ali da região. Eles encontraram também uns sapatos ali que a sola batia com as pegadas que eles já tinham encontrado em alguns cemitérios profanados. E também acharam uma coleção de fotos e vídeos mostrando túmulos abertos e corpos sendo retirados da terra. Juntando tudo isso, os investigadores estimaram que Moskvin podia ter violado algo em torno de 150 túmulos. Os 26 corpos encontrados no apartamento e na garagem eram só o que ele tinha levado para casa, ou seja, transformado em bonecas. O resto da conta nunca foi totalmente fechado, tá, porque grande parte daquele material não pôde ser ligada de forma de forma conclusiva a um corpo específico. A investigação apontou cemitérios lá na cidade dele e também na região, chegou até a citar um cemitério em Moscou e outro na região de Moscou, ou seja, o cara tava agindo ali num raio bem extenso. E depois então desse flagrante, podemos dizer, o Moskvin colaborou com os investigadores, não negou nada, não inventou um álibi. Segundo ele, aquilo vinha acontecendo já havia anos, Em alguns relatos, cerca de 10 anos. A parte mais dura da apuração veio depois, que foi identificar uma a uma quem eram aquelas menininhas. Uma das vítimas foi reconhecida como Olga Chardimova, uma criança de 10 anos. O chefe do comitê de investigação para a região classificou o caso como excepcional, sem paralelo na perícia moderna do país. E tinha um motivo a mais para esse espanto todo: o homem não morava sozinho, os pais dividiam o apartamento com ele. Eles conheciam as bonecas, tinham até uma no quarto deles, mas segundo a investigação, eles nunca pensaram, né, nunca passou pela cabeça deles que aquilo ali eram crianças. E tem mais um detalhe sobre os pais, tá? Segundo relatos da imprensa, eles nem sempre estavam no apartamento, e isso pode ter ajudado Moskvin a manter aquela coleção longe de uma suspeita real por tanto tempo, tá? E tem inclusive até alguns relatos que dizem que nem sempre ele levava direto pra casa. Ele tinha alguns lugares ali perto dos cemitérios onde ele armazenava, fazia uma espécie de cura ali, aquela coisa de secar, né, com sal, com bicarbonato, etc. Muito provavelmente, né, presumo que às vezes ele fazia isso, levava pra lá já como se fosse boneca mesmo. Cara, surreal, né? O que ele queria? Bom, resolvemos agora nessa investigação o como, não é, desse caso. Mas sobra uma pergunta: por quê? Por que um homem faria isso? E a resposta que o próprio Moskvin deu é, de um jeito assustador até, coerente com tudo que veio antes, tá? Ele disse que sentia uma pena enorme daquelas crianças mortas e que ele acreditava de verdade que conseguiria trazê-las de volta à vida, fosse pela ciência ou fosse por magia. Lembrando que ele era especialista em cultura celta, ou seja, então ele tinha tinha aprendido que os antigos druidas dormiam sobre túmulos para se comunicar com os espíritos mortos. Ele estudou também povos da Sibéria, em especial os antigos yakutos, e descobriu que eles tinham práticas parecidas. Então ele montou ali um método próprio em cima disso tudo. Ele procurava obituários de crianças que tinham acabado de morrer, e quando um obituário falava com ele, segundo ele, então ele ia até o no túmulo daquela criança e dormia ali em cima para sentir se o espírito queria ou não voltar. Ele alegava que no começo jamais abria uma cova sem a permissão da criança que estava ali dentro. Com o tempo, dormir no chão frio do cemitério foi ficando fisicamente complicado para ele. Foi aí que ele começou a levar os corpos para casa. Segundo a lógica dele, eles ficariam mais confortáveis, mais quentinhos. Os espíritos estariam mais dispostos a conversar dentro de um lar acolhedor do que debaixo da terra. As bonecas então, na cabeça dele evidentemente, eram corpos funcionais à espera do dia em que ele finalmente descobrisse como devolver a vida a elas. E tem uma camada a mais aí, tá? Moskvin queria ser pai, ele queria especialmente uma filha. Chegou a tentar adotar até uma menina, mas o pedido foi negado pelas das autoridades por insuficiência de renda. E aqui até parece uma contradição, não é? Porque apesar de todo o prestígio acadêmico do Moskvich, ele ganhava pouco. Ele era um jornalista freelancer, fazia trabalhos comissionados, dava aula numa universidade pública, mas era tudo mal pago no contexto da Rússia da época. Ele morava com os pais idosos porque dependia deles financeiramente. Para agência da adoção então, prestígio acadêmico Não bastava. E ainda tinha outro complicador: os próprios pais eram contra essa adoção. Por quê? É uma pergunta que me ficou aqui na cabeça. Bom, e aqui cabe também um cuidado, porque como dá pra imaginar, galera, a imprensa rotulou o caso de muita coisa. Um psiquiatra externo ao caso, ouvido na época, especulou que o quadro dele poderia envolver necrofilia, mas o próprio Moskvin negou isso. E o diagnóstico oficial que foi reconhecido pela justiça foi outro, tá? Esquizofrenia paranoide. Ainda sobre isso, quando os investigadores perguntaram pra ele diretamente ali se havia algum componente sexual em tudo isso, ele negou, tá? Ele insistia que as via como filhas. Mas a parte que mais revoltou as famílias foi a aparente indiferença dele. Não teve pedido de desculpa, demonstração de vergonha, qualquer coisa nesse sentido. Na cabeça do Moskvin, Aparentemente ele estava certo no que ele fazia, tinha um porquê. Isso fica evidente quando os pais das meninas confrontaram o Moskvin e ele não recuou. Além de não virar, né, não recuar, melhor dizendo, ele virou a mesa contra os pais das garotas. Ele disse, em essência, que foram eles que abandonaram as próprias filhas no frio, que foi ele quem as levou pra casa e as aqueceu. Na cabeça dele, ele não tinha cometido nenhum crime. Ele tinha feito um resgate e não parou por aí. Ele avisou as autoridades para não enterrarem as meninas de novo, ameaçando que no dia em que ele fosse solto, ele ia desenterrá-las outra vez. Pois é, galera, pesado demais, não é? Mas então, diante de toda essa descoberta mórbida, insólita, macabra, o que aconteceu com esse sujeito? É aqui que o caso deixa de ser só uma história de horror do passado e vira uma questão que ainda está aberta até hoje, tá? Moskvin foi enquadrado no artigo 244 do Código Penal russo, que trata aí da profanação de túmulos e de corpos. Mesmo nas formas mais graves, era um crime cuja pena máxima ficava muito abaixo do horror que as famílias sentiam diante de tudo isso. Houve ainda uma acusação inicial que foi ligada à profanação de túmulos muçulmanos, tratada aí como crime de ódio, extremismo. Mas com o avanço da investigação, essa hipótese deixou de explicar o coração do caso. Os policiais encontraram não apontava para uma célula organizada, uma motivação política clara, e sim para a obsessão individual do Moskvin, como a gente viu. Só que o julgamento comum nunca aconteceu. Depois da avaliação psiquiátrica dele, que apontou esquizofrenia paranoide, em 25 de maio de 2012, o tribunal declarou Moskvin inapto para ser julgado. Em vez de prisão, ele foi sentenciado a medidas médicas obrigatórias e internado numa clínica psiquiátrica. A acusação ficou satisfeita com a decisão e nem recorreu. E desde então é uma novela que se repete, tá? Porque a internação dele tem que ser revista de tempos em tempos, e a cada revisão o tratamento vai sendo ali prorrogado. Em 2013, 2014, 2015, um porta-voz resumiu a posição da época dizendo que depois de anos monitorando Moskvin, estava claro que ele não tinha condições de ir a julgamento e que continuaria internado. Em setembro de 2018, os médicos do do hospital declararam que ele já não era mais perigoso e pediram à justiça que o liberassem para tratamento em casa, em regime ambulatorial. A reação foi de horror, principalmente entre os parentes das vítimas. E em fevereiro de 2019, uma nova avaliação concluiu que era cedo demais para soltar o Moskvin. O próprio hospital acabou retirando o pedido. Em 2025, já voltaram a circular informações aí sobre uma possível mudança no regime de tratamento dele. Chegou começou-se a falar na possibilidade de ele deixar o hospital psiquiátrico e ficar sob cuidado de familiares, mas a justiça informou que não havia recebido materiais médicos que autorizassem essa liberação. Depois disso, em dezembro de 2025, o tribunal lá da cidade dele, né, Nizhny Novgorod, prorrogou por mais 6 meses o tratamento compulsório dele. Ou seja, até as informações mais recentes, Moskvin continua internado, com a situação prevista para nova revisão soltar agora em meados de junho de 2026. Para as famílias, essa possibilidade de soltura continua sendo apavorante. Eles lembram que ele nunca demonstrou arrependimento real e que chegou a dizer que se fosse solto ia desenterrar as garotas de novo. E aqui, voltando um pouquinho no tempo para 2016, veja só o tamanho do que há de insólito no contexto desse homem. Como eu disse, lá em 2016 foi noticiado que o Moskvin planejava se casar com uma mulher de 25 anos que tinha acompanhado as audiências dele. Mas eu preciso dizer que essa é uma daquelas informações laterais, digamos, do caso, tá? Então vale tratar como relato da imprensa, não como um fato central comprovado. Mas sei lá, não é? O que se sabe de fato é que o Anatoly Moskvin, como eu disse, até o fechamento desse episódio aqui, segue lá internado no hospital psiquiátrico russo. Ao longo dos anos, algumas avaliações e discussões médicas chegaram a apontar estabilidade no quadro dele, a possibilidade de um tratamento menos restritivo. Pela lógica clínica, internação compulsória não deveria ser perpétua, e ele tem um diagnóstico de doença mental, não uma sentença de prisão. Mas daí, se tá apto para ser solto, podia ser julgado agora, né? Sei lá. E a lei russa, como a lei aí de boa parte dos países, prevê reinserção quando o paciente é considerado estável, tá? Do outro lado estão as famílias, As mães que tiveram as filhas arrancadas dos próprios túmulos, que se lembram da frase dele acusando a família de ter abandonado as meninas no frio. Pensa, galera, na dimensão disso. Essas famílias perderam as filhas novinhas, crianças praticamente, aí vai lá um cara e profana o túmulo. É um negócio assim que beira aquela água suja de fossa no fundo da alma, não é? Por essa razão, evidentemente, para todos os familiares e qualquer pessoa com juízo, a inserção desse homem é um risco, não é? E aqui fica a pergunta que a justiça russa precisa responder a cada período de tempo aí, e que eu queria inclusive deixar para você que tá me vendo: faz sentido um homem com essa história voltar a viver em sociedade, mesmo que sob acompanhamento médico, supervisão familiar e todos os requisitos que o Estado conseguir impor? Ou para ele a porta deveria ficar fechada mesmo? Me conta nos comentários o que o que você pensa sobre isso. Aproveita para curtir o vídeo se você gostou, se inscrever aqui no canal para mais casos reais como esse. Toda semana aqui, segunda, quarta e sexta, tem episódios. E se possível, torne membro aqui para colaborar com essas criações, combinados? Eu agradeço imensamente sua companhia. Um beijo.

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