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Ele matou a ex e a atual em uma viagem macabra com os filhos

29 de maio de 202626min
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📌Cédric Prizzon, um ex-policial francês, cruzou três países com a ex-mulher e a atual namorada mortas dentro de uma van. No banco de trás, seus dois filhos pequenos presenciavam o inimaginável. O que parecia uma fuga perfeita terminou em uma estrada de Portugal por causa de uma blitz de rotina e do depoimento corajoso de um garoto de 12 anos.No vídeo de hoje, detalhamos o Caso Cédric Prizzon: a disputa pela guarda, a viagem macabra e o nó jurídico entre Portugal e França. Onde ele deve ser julgado? 25 anos de prisão ou perpétua? -------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br

Assuntos6
  • Caso Cédric PrizzonDisputa pela guarda dos filhos · Viagem macabra com ex e atual mortas · Enterro dos corpos em Portugal · Nó jurídico entre Portugal e França · Depoimento do filho de 12 anos · Cédric Prizzon · Audrey Cavallier · Angela Legobian · Hélio · Giúlia
  • Caso Pissardo: Duplos AssassinatosMorte de Audrey Cavallier na van · Morte de Angela Legobian por estrangulamento · Enterro dos corpos na Serra da Nogueira · Obrigação do filho Hélio de vigiar o enterro · Cédric Prizzon · Audrey Cavallier · Angela Legobian · Hélio
  • Justiça em PortugalBlitz de rotina da GNR · Documentação falsa e arma ilegal · Descoberta das crianças sem as mães · Referência de Cédric nos sistemas internacionais · Confissão de Cédric sobre os homicídios · Cédric Prizzon · Hélio · Guarda Nacional Republicana Portuguesa · Polícia Judiciária Portuguesa
  • Violência doméstica nos Estados UnidosDiscussão violenta e facadas mútuas · Condenação por violência mútua · Perseguição e vídeos no YouTube · Classificação de vítima de violência doméstica · Cédric Prizzon · Audrey Cavallier
  • Táticas de sequestro e roubo de criançasCondenação por rapto do filho · Cumplicidade da nova namorada · Cédric Prizzon · Angela Legobian · Hélio
  • Julgamento e disputa judicial França vs PortugalMandado de detenção europeu emitido pela França
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Esse cara raptou a ex-mulher junto com a atual namorada dele, atravessou três países de carro com essas duas mulheres, mais duas crianças, filhos dele, um com cada uma dessas mulheres aí. Depois ele matou as duas mulheres, enterrou os corpos em Portugal, e tudo isso agora em 2026. E o jeito como ele foi pego, num acaso, digamos, acabou gerando uma forte tensão entre a justiça portuguesa e a francesa. Uma briga que ainda...

não tem uma solução, eu diria, à vista. Mas calma, porque essa história aqui é cheia de detalhes e começou bem antes. Eu sou Marcos Campos e o que torna esse caso aqui complicado não é só o que aconteceu nessa viagem, tá? É também o que aconteceu antes e o que está acontecendo agora, depois.

Antes porque a própria mulher que ajudou ele a fugir virou uma das vítimas dentro da van, como eu disse. Depois porque foi um garoto de 12 anos sentado no banco de trás daquela van, filho do sujeito, que decidiu contar pra polícia portuguesa tudo que ele tinha visto. E é exatamente o depoimento desse garoto que tá no centro da briga jurídica que rola hoje entre Portugal e França sobre onde esse cara vai ser julgado e por quanto tempo ele deve ficar preso. Mas pra conhecer tudo em detalhes, a gente precisa...

ir aos fatos. Pra entender essa história aqui, a gente vai precisar voltar um pouco no tempo, tá uns 15 anos, pra uma região rural lá do sul da França chamada Aveyron.

A Véron fica na França, na região sul, como eu disse, e é uma das regiões mais rurais do país, com cidades pequenas e relativamente isoladas. Foi pra lá que, segundo o jornal francês Le Dauphiné Liberé, foi pra lá que um cara chamado Cédric Prison, hoje a garganta vai até inflamar de tanto... Mas segura aí. Foi pra lá que esse cara se mudou por volta de 2011. O Cédric, ou Cédric, é assim que eu vou chamar, era natural de Haute-Garon.

que é a região vizinha ali onde fica Toulouse. E ele tinha na altura desses fatos aí uns 20 e poucos anos. E o motivo da mudança era o rugby. Pois é, ele tinha sido contratado por um time daquela área ali pra jogar. Mas o rugby não era a profissão principal, tá? O Cedric pertencia também à Gendarmerie Nationale.

que é a polícia francesa que funciona como uma espécie de polícia militar com atuações nas zonas rurais e nas estradas. E essa era a profissão oficial, digamos, dele, que ele fazia no dia a dia. E foi nessa fase que ele conheceu, em 2011 mais ou menos, que ele conheceu uma mulher chamada...

Audrey Cavallier, uma moradora lá da região, e os dois então começaram, namorinha ali, se relacionar, e acabaram tendo um filho que recebeu o nome de Hélio. E é a partir dessa fase que as fontes francesas descrevem o início da deterioração do relacionamento, com conflitos frequentes ao longo dos anos, até chegar a um episódio em 2020 que decidiu basicamente o destino dos dois na justiça. Bizarro, né? Nasce o filho e começa os conflitos.

Bom, esse episódio aí de 2020 foi uma discussão violenta que aconteceu ali com o casal. E os dois acabaram feridos com uma faca. Ele levou algumas facadas no abdômen e ela tava com um corte na garganta. Cada um... Não, evidentemente, né? Foram ferimentos ali.

não corria risco de vida. Cada um, então, deu uma versão diferente do que tinha acontecido. O Cedric dizia que tinha sido ela quem tentou matar ele e que ele tinha se defendido. Já a Audrey dizia que, na verdade, ele tinha tentado estrangulá-la primeiro e o que ela fez foi pegar uma faca pra tentar se defender e escapar. O caso foi parar no tribunal francês e no ano seguinte, em 2021,

A justiça condenou os dois por violência mútua. O Cedric foi condenado a seis meses de prisão, com pena suspensa, ou seja, não ia pra cadeira. A Audrey, há oito meses, também com pena suspensa.

Os dois saíram do tribunal sem cumprir um dia de prisão efetiva. Só que essa condenação não acalmou a situação, tá? E foi a partir dela que o Cedric começou a construir uma persona pública que ia marcar o caso inteiro daí pra frente. Segundo o jornal francês Le Parisien,

Ele publicou mais de 50 vídeos no YouTube atacando a Audrey. Alguns deles citados pela imprensa internacional, em que chamava ela de psicopata louca, de mulher amnésica, de facadas protegidas pela justiça. E de criminosa amnésica a quem confiavam o filho dele. Ou seja, ele tava pé da vida aí, dizendo que a mulher tinha inventado as coisas, que a justiça caiu no golpe dela, né?

Segundo ele, tá galera? E que por isso ela teria a guarda do filho. Eu diria que estou enxergando um elo dessa corrente, de tudo que vai acontecer depois, mas veja só. O Cedric estava nessa altura aí construindo uma narrativa de pai injustiçado pelo sistema e acusava o tribunal de rodés.

de corrupção. Ele fazia parte também de um grupo no Facebook chamado Papá Ancoler, que significa pais zangados em tradução livre, tá? E em 2023 já ele chegou a fazer greve de fome em frente ao tribunal de Rodés, junto com outros pais que diziam ter sido prejudicados em processos de guarda.

Também participou de manifestações em frente à Câmara Municipal, lá de Villefranche-de-Rouerre, uma cidade a cerca de 15 quilômetros de onde a Audrey morava. Tudo isso é fato documentado pela imprensa francesa. E tudo isso vai entrar como pano de fundo na decisão dele de fazer o que ele fez em março de 2026 agora.

Já do lado da Audrey, a vida estava tomando um caminho, melhor dizendo, oposto. Por causa da intensidade da perseguição que ela estava sofrendo, ela tinha sido oficialmente classificada pelo sistema francês como vítima de violência doméstica continuada. Tinha um dispositivo de proteção já para emergência, descrito por diferentes fontes como botão de pânico ou telefone de emergência e era acompanhada pelos serviços sociais de proteção à criança.

Ou seja, o caso dela estava no radar do sistema de proteção francês com todo o aparato que o sistema podia oferecer. E mesmo assim, a sensação dela e da família dela, segundo entrevistas dadas pela mãe da Audrey, a imprensa francesa, era que isso não era suficiente. A primeira escalada concreta veio em 2021.

Embora algumas fontes posteriores datem o episódio em 2022. Seja como for, o que aconteceu é, quando Cédric, em uma das visitas que tinha direito de fazer ao filho, em vez de devolver a criança no horário combinado, simplesmente pegou o Hélio, atravessou a fronteira com a Espanha de carro e ficou lá escondido com o garoto por algumas semanas. A justiça francesa, então, abriu uma busca, localizou os dois e em 2022 o Cédric foi condenado a nove meses de prisão por esse rapto.

Cumpriu a pena no centro de detenção de Rodés, na própria Averon, e foi libertado em outubro do ano passado, ou seja, outubro de 2025. Há cinco meses do que viria a acontecer em Portugal. Aqui está evidentemente mais um elo dessa corrente criminal, não é? A coisa parece que vai se montando bem diante da nossa fuça, não é?

Quem ajudou Cédric a sequestrar o próprio filho pra Espanha não foi um cúmplice qualquer, tá? Foi uma mulher chamada Angela Legobian, que era a namorada nova do Cédric a essa altura dos fatos. E que inclusive respondeu em tribunal francês pela participação dela no rapto. Quer dizer...

O político criminal junto com ele antes mesmo do caso de 2026 agora. Quando Cédric saiu de Rodez, em outubro de 2025, ele e a Ângela já tinham juntos uma filha bebê, tá? Uma menininha chamada Giúlia, nascida em algum momento ali entre 2024 e 2025, e que em março de 2026 tinha um ano e meio.

Quando tudo que aconteceu, no caso que eu vou contar a partir de agora, se deu, não é? Mas antes de seguir aqui, fazendo um resumo básico dessa parte, o que nós temos é o casal que se casou, teve um filho. Em algum momento a relação foi pro brejo. Começaram as discussões. Os dois se esfaquearam. Receberam ali penas que não cumpriram.

O negócio começou, o marido começou a perseguir a mulher, porque ela aparentemente ficou com a guarda do filho deles, e ele queria a guarda, e esse foi o motivo da desavença ter se iniciado. E isso aí se desenrolou por 4, 5 anos, até que o homem...

Se arrumou com uma outra mulher aí, casou, namorava, não sei, acabaram tendo um filho também. Essa mulher virou cúmplice desse homem na tormenta que ele tinha na cabeça, de perseguir a ex por causa do filho que ele tinha com a ex. E todo o embrólio começou a se formar. Pra vocês terem uma ideia da complexidade desse caso, tá, cara? Mas o que vem a seguir agora é digno de filme.

A data que marca o início do caso, que a gente vai conhecer agora, é 20 de março de 2026, uma sexta-feira lá em Aveyron. Segundo a reconstituição feita pelo jornal Notícias ao Minuto, a partir das fontes da investigação francesa, o rapto começou entre a noite do dia 19 e a madrugada do dia 20 na casa, onde a Audrey vivia com o Hélio, filho dela e também do Cedric, lá em Sangra.

que fica na comuna de Vaillour. E quando a polícia francesa entrou na casa depois de receber a notícia do desaparecimento, encontrou indícios claros de que ela tinha saído da casa à força e em estado de pressa. Porque, por exemplo, a ducha, o chuveiro estava ligado.

Vários objetos estavam virados ali no chão e o carro da própria Audrey foi encontrado depois a cerca de 5km da casa, estacionado ali numa estrada secundária qualquer. O que fez a polícia francesa supor que ela pode ter sido atraída pra fora de casa sob algum pretexto ou alguma ameaça antes do rapto se concretizar, digamos. No mesmo dia então, na mesma região ali, a Angela, a atual namorada do Cédric, também foi vista pela última vez.

Quer dizer, as duas mulheres, a ex e a atual, desapareceram juntas no mesmo dia, no mesmo entorno geográfico, e em algum momento dessas primeiras horas elas estavam todas dentro do mesmo carro, junto com o Hélio, de 12 anos, e também a pequena Júlia, de um ano e meio. Cinco pessoas ao todo dentro daquela van, sendo duas vítimas...

Dois agressores, Cédric e a atual namorada, então seriam agressores, ou um agressor e outra vítima também, enfim. Duas vítimas ali do objeto sequestro, que é a...

a Audrey e o Hélio, e também a menininha Júlia, que tava ali com um ano e meio, sem nem saber a doideira que os pais estavam fazendo. O que se sabe é que esse homem dirigiu por muitas horas com essas pessoas dentro da van. Segundo consta, foram mais de 1.100 quilômetros desde Averron até o norte de Portugal.

Saíram da França pra Espanha, atravessaram a Espanha, entraram em Portugal pela fronteira e foram subindo até chegar no distrito de Bragança, lá no canto nordeste de Portugal. Pra dar uma referência de distância, galera, 1.100km é mais ou menos equivalente a sair de São Paulo e ir até Brasília de carro, por exemplo. Só que em vez de paisagem brasileira, eram três países europeus em sequência.

Assim, em algum momento desses 1.100 km, a primeira morte aconteceu em algum ponto dessa viagem. E aqui é importante a gente acompanhar o que o próprio filho contou depois ao tribunal português em depoimento para memória futura. Uma figura jurídica em que o depoimento da criança fica formalmente registrado para usar no processo, justamente para não fazer ela passar pelo trauma de depor várias vezes.

Ou seja, ela dá um depoimento ali e aquilo fica registrado como prova pra ser usada depois num outro julgamento. Segundo o relato, então, do Hélio, o garoto, 12 anos, em determinado momento da viagem, houve uma discussão entre o pai e a Audrey. E o pai matou a mãe ali mesmo.

na presença da Angela e da bebezinha. Quer dizer, a Angela viu a Audrey ser morta e o que veio depois é um dos detalhes mais bizarros, perturbadores do caso. O Cedric obrigou a Angela a continuar a viagem com o corpo da Audrey, ao lado dela, dentro da van.

Em algum momento desse trecho seguinte, segundo o mesmo depoimento, o grupo avistou um helicóptero fazendo um voo ali a baixa altitude e o Cedric, já acho que muito noiado, pensou que o helicóptero estava procurando por eles. Ou seja, como que eles iam descobrir que ele tinha matado a mulher dentro da van?

Enfim, deu uma nóia no cara lá e ele achou que o helicóptero estava procurando por eles. Então ele parou a van, desceu e começou a discutir com a Ângela. Só que o helicóptero não era nem da polícia, era uma aeronave de combate a incêndio. Então o medo era completamente infundado, fruto de alucinação mesmo. Mas digamos que foi um estupim.

para uma coisa irreversível na mente, dele ou deles. A Ângela, segundo o que o Hélio contou, pediu para ele se entregar ali mesmo e ameaçou denunciá-lo se ele não fizesse isso. Foi nesse momento que o Cédric matou a Ângela também, com um mata-leão. Na verdade, um estrangulamento, né?

Provavelmente o mata-leão, estrangulamento manual ali no pescoço. As autópsias feitas depois pela polícia portuguesa confirmaram asfixia como causa da morte das duas vítimas. Assim, com as duas mulheres mortas e os dois filhos ainda dentro do carro, o Cédric continuou dirigindo pelo norte de Portugal até chegar a uma serra no distrito de Bragança, chamada Serra da Nogueira, que é uma região montanhosa e rural do norte de Portugal. Foi nessa serra aí que ele parou o veículo e enterrou os dois corpos.

E esse terreno, segundo as fontes, era bem arenoso, o que facilitou a escavação, e os corpos não foram colocados no meio da mata fechada. Eles foram enterrados ali a cerca de 10 metros de uma estrada. E o que o torna esse momento ainda mais perturbador é que o Cédric não fez o enterro escondido do filho. Segundo a investigação portuguesa, ele obrigou o Hélio a vigiar os enterros ali no local. O garoto de 12 anos foi forçado a presenciar o pai e enterrar a mãe e a madrasta.

Enfim, né? Até difícil de comentar. Nesse ponto da viagem, o Cédric já tinha matado duas mulheres, enterrado as duas, e tinha o filho vivo como testemunha direta de tudo o que tinha acontecido. E tinha também uma bebezinha de um ano e meio dentro do carro.

E ele carregava ali com ele documentos falsos, uma arma sem registro, 17 mil euros em dinheiro. Ou seja, meio que ele tava preparado pra fugir. Só que, ao invés de fazer essa atitude da fuga, né, ele simplesmente continuou rodando pelo norte de Portugal, por mais quase quatro dias inteiros. Ele ficou rodando ali por várias estradas, comeu, dormiu no próprio veículo. Não se sabe ao certo qual era o...

plano dele naquele momento, se é que ele tinha, não é? Mas no interrogatório posterior, e eu já vou chegar nessa parte aí, tá? Ele deu uma versão própria pros investigadores sobre o que ele tava tentando fazer. E foi nesse vagar, digamos, de quatro dias pelo norte de Portugal, que na noite de terça-feira, 24 de março de 2026, a van do Cedric apareceu na Estrada Nacional 102, na zona de Longroiva.

Isso no município de Meda. É uma região rural perto da fronteira com a Espanha, tá galera? E foi nessa estrada aí, naquela noite, que dois militares da Guarda Nacional Republicana Portuguesa, a GNR, estavam fazendo ali uma operação de fiscalização rodoviária, de rotina. Tipo o nosso comando, sabe?

Aí a operação não tinha um alvo específico, assim. Tipo, comando mesmo, vai parando os carros ali e tal, aleatoriamente, pra checar documento, enfim. Só que, com aquele carro, ali, naquela noite, a parada não terminou em segundos, tá? Eles pararam o carro, que era pra ser uma verificação de segundos ali, né? Documento e tal. Revelou um negócio bizarro, né?

Quando os militares conferiram a documentação apresentada pelo motorista, eles identificaram que a documentação era falsa. A partir daí, fizeram revista no veículo, e nessa revista foram encontrados uma série de elementos que apontavam pra muito mais do que falsificação simples do documento. De uma arma de fogo sem licença, várias matrículas de carro guardadas dentro da van, mais documentos que pareciam falsos, 17 mil euros em dinheiro vivo.

Assim, os policiais ali detiveram o Cedric, prenderam ele ali mesmo em flagrante delito.

pelos crimes de falsificação de documentos e detenção ilegal de arma. Mas o caso ainda tinha duas camadas para aflorar, não é? A primeira, o fato de que havia duas crianças dentro do carro, um rapaz de 12 anos, uma bebezinha, sem nenhuma das mães. E a segunda, o resultado da consulta do nome do detido nos sistemas internacionais, mostrou que o Cédric estava referenciado pelas autoridades francesas como suspeito de crimes graves, incluindo o rapto.

e suspeita de homicídio. A GNR, então, acionou imediatamente a Polícia Judiciária Portuguesa, que é o equivalente lá, ou que a gente conhece como Polícia Federal no Brasil, não é? E segundo o comunicado oficial da GNR, uma análise conjunta entre esse órgão e a Polícia Judiciária apontou para a forte possibilidade de um duplo homicídio.

E no decorrer dessa investigação inicial, foi o filho mais velho do Cédric, o Hélio, quem deu aos investigadores portugueses a informação que faltava, contou o que viu na viagem, contou o que aconteceu com a mãe e com a madrasta e indicou o local exato onde os corpos tinham sido enterrados.

A polícia judiciária então foi até lá, Serra da Nogueira, no distrito de Bragança, encontrou os dois corpos enterrados exatamente onde o garoto descreveu, a mais ou menos 100 quilômetros do local onde a blitz foi feita, onde o pai tinha sido detido com acaso, digamos.

Dois dias depois da detenção, em 26 de março, o Cédric foi conduzido pro primeiro interrogatório judicial no tribunal de Vila Nova de Foscoa, no Distrito da Guarda, lá em Portugal. A chegada dele ao tribunal dá a dimensão do impacto que o caso já tinha em Portugal. As medidas de segurança foram reforçadas com militares na entrada principal e também na entrada de trás do edifício. Populares que tinham se reunido ali estavam gritando, repetidamente, assassino.

O interrogatório durou cerca de 7 horas. O juiz não permitiu que ele desviasse para outros assuntos e por volta das 10h30 da noite veio a decisão. E é justamente dentro desse interrogatório que o Cédric fez a confissão que nós precisamos para entender a versão dele do caso. Ele admitiu ter matado as duas mulheres, mas negou que tivesse premeditado os dois homicídios. Ele disse aos investigadores que o objetivo original do rapto da Audrey era forçá-la a assinar um documento dando a guarda do Hélio para ele.

Ou seja, o filho que foi, como eu disse, digamos, o estupim de tudo, né? Lá, 4, 5 anos antes. E ele disse também que o plano dele, depois disso, era atravessar Portugal com os filhos pra chegar em Marrocos. Pela versão dele, a Audrey ficaria pra trás nessa jornada aí, viva. Já sobre a Angela, ele não especificou aos investigadores o que pretendia fazer. Só admitiu que ao chegar em Portugal, a situação com a namorada meio que esquentou lá.

e ele acabou estrangulando ela. Essa é a versão do Cédric, tá? Cabe ao tribunal português decidir o quanto ela é crível e o quanto ela bate com as evidências materiais e com o depoimento do filho, que é uma testemunha ocular, né? Assim, o juiz português decretou prisão preventiva e o Cédric foi indiciado por oito crimes diferentes.

Sequestro, dois crimes de homicídio, dois crimes de profanação de cadáver, um crime de violência doméstica. E esse, tá, não foi contra as duas mulheres não, tá? Foi contra a própria bebezinha, a Júlia. Segundo a acusação, foi vítima de violência doméstica continuada por ter sido arrastada nessa fuga toda. Que é uma covardia nojenta, não é?

e também o crime de falsificação de documentos e de detenção ilegal de arma. Cédric foi transferido para o estabelecimento prisional da guarda e o juiz ainda determinou que ele fosse proibido de manter qualquer contato com os dois filhos, mesmo por meio de terceiros. As duas crianças foram levadas primeiro para uma instituição de acolhimento em Portugal e depois elas foram repatriadas para a França, com a previsão de que ficassem sob tutela do Estado francês até que algum familiar pudesse assumir a guarda. E o cenário mais provável...

é que acabem ficando separados, porque elas têm famílias maternas diferentes. Com o Cédric preso, os corpos encontrados, as crianças repatriadas e o processo português em andamento, parecia que o caso estava encaminhando para um julgamento normal, não é? Mas é aí que entra o nó jurídico que está causando atrito diplomático entre Portugal e França até hoje. Ainda em março, agora, a Justiça Francesa emitiu um mandado de detenção europeu contra o Cédric.

que é um instrumento legal usado entre os países da União Europeia pra um país pedir formalmente pro outro que entregue a pessoa pra ser julgada lá. A França queria julgar o Cédric em solo francês, com base na justiça francesa. E os argumentos do lado francês eram fortes. Ele é cidadão francês, as duas vítimas eram cidadãs francesas.

O filho que testemunhou tudo é cidadão francês. O rapto começou lá na França e a pena máxima por homicídio qualificado no sistema francês pode chegar a perpétuo. E a pena máxima pra esse tipo de crime lá em Portugal pode chegar a 25 anos. E o advogado da mãe da Audrey defendeu publicamente em entrevista que mesmo com os crimes tendo sido praticados em Portugal teria de bom senso jurídico o Cédric ser julgado na França.

Só que, em 8 de maio agora de 2026, o Tribunal da Relação de Coimbra, em Portugal, tomou uma decisão. Recusou executar o mandado europeu. A decisão teria sido fundamentada em dois pontos legais previstos na Lei Portuguesa de Cooperação Judiciária. O primeiro é que a Lei Portuguesa permite recusar a entrega de uma pessoa quando já existe um processo penal pendente lá em Portugal, pelos mesmos fatos, não é?

E existia, porque o Cédric, o processo português contra o Cédric já estava em andamento. E o segundo é que a lei também permite recusar a extradição quando o crime, em parte ou no todo, foi cometido em território nacional. E como os dois homicídios, os dois enterros, a profunação dos cadáveres ocorreram em Portugal,

o tribunal entendeu que o caso cabia para a judicição portuguesa. O que essa decisão significa na prática é que o homem que matou duas mulheres francesas e enterrou os corpos lá em Portugal vai ser julgado pelas leis portuguesas, sob a pena máxima portuguesa. E caso condenado, vai cumprir essa pena lá em Portugal e não na França. E o Cédric Prison tem hoje 42 anos. A pena máxima que ele pode pegar no sistema português, como eu disse, é 25 anos. Já no sistema francês...

Estaria sujeito a uma pena potencialmente maior, né? Prisão perpétua. Se ia cumprir perpétua mesmo, já são outros 500, né? Mas o que acontece é que essa questão de Portugal tem deixado a família das vítimas pé da vida, né? Porque...

Eles entendem que a pena de lá pode ser pouca pro que ele fez. E é nesse ponto aqui que eu quero saber de você. Você acha justo ele ser julgado em Portugal, onde o crime aconteceu, terminou, ou deveria ser enviado pra França, onde ele e as vítimas nasceram, pra responder por pena maior?

Comenta aqui embaixo, porque essa é a mesma briga que tá rolando agora entre os dois sistemas judiciais. E aproveita pra deixar o seu like e se inscrever aqui no canal, porque toda semana tem três episódios. Hoje, em meados de maio de 2026, o Cedric continua...

prisão preventiva no estabelecimento lá de Portugal. A investigação portuguesa continua aberta em cooperação com as autoridades francesas. A defesa ainda pode tentar recursos, tá? A França pode tentar outros caminhos jurídicos pra uma transferência futura. Embora depois dessa decisão aí do sistema judicial lá de Coimbra, né, em Portugal...

seja meio difícil isso acontecer. O Hélio e a Júlia, as duas crianças, estão na França, sob o Tostela do Estado ainda, e o futuro deles vai depender da posição de familiares maternos diferentes pra assumir a guarda de cada um. O certo é que esse caso ainda pode ter muitos capítulos, tá? Mas o que dá pra dizer, com base no que foi apurado até agora, é que a sequência inteira só foi descoberta porque uma blitz, ao acaso, escolheu por aleatoriedade a van do Cédric.

pra parar ali numa estrada no interior de Portugal, uma noite de março. E porque um garoto corajoso de 12 anos resolveu denunciar tudo que o pai miserável fez, não é? Olha a lambança que esse cara fez, porque ele queria a guarda do filho e que...

Um crime de desinteligência, mais um, né, galera? Um crime familiar aí, onde a desinteligência impera, onde pessoas que, em algum momento, supostamente, se amaram a ponto de ter um filho...

Aí o filho nasce, do nada começa uma discussão, um começa a acusar o outro, se esfaqueiam, viram uma esbórnia e chega numa situação deplorável dessa, onde quem paga realmente o pato são as duas crianças, que agora vão crescer sem as mães e provavelmente sem o pai também, que vai ficar preso, tendo esse peso de carregar por toda a formação pessoal dessas duas vítimas, crianças.

o fato de ter um pai assassino das próprias mães. Muito lamentável, né? É isso. Agradeço o pensamento e sua companhia mais uma vez. Beijo do Ruivo. Até o próximo episódio.