Caso Christa Pike: Um Crime Brutal com Pena Capital Que Deu Errado
📌 Em janeiro de 1995, na Universidade do Tennessee, um crime de extrema crueldade chocou os Estados Unidos. Enquanto a polícia isolava a área onde o corpo de Colleen Slemmer havia sido encontrado, uma jovem de 18 anos se aproximou dos agentes rindo e fazendo perguntas curiosas. No peito, ela usava um colar com um pentagrama — o mesmo símbolo talhado na vítima.Essa jovem era Christa Pike. O que começou como uma suposta rivalidade entre colegas de alojamento no Job Corps culminou em um dos casos mais perturbadores da crônica policial americana, com direito a confissões estarrecedoras, rituais macabros e um pedaço de osso guardado como lembrança no bolso.Condenada à morte aos 20 anos, Christa se tornou uma das mulheres mais jovens no corredor da morte nos EUA. Trinta anos depois, o caso volta ao centro dos debates: até onde um passado de traumas profundos explica atos brutais, e onde começa a responsabilidade pessoal?☕ Pegue seu café, acomode-se e acompanhe cada detalhe dessa investigação.
Gente, o caso da Chri$ta P¡ke teve uma reviravolta bizarra nas últimas horas! Muita gente viu no noticiário que o procedimento final dela tinha sido su$penso na manhã de quarta-feira. E realmente foi! Mas o que quase ninguém entendeu é o que aconteceu nos bastidores logo depois.A defesa dela tinha conseguido uma liminar de última hora para travar tudo. Só que o Estado recorreu imediatamente e a Suprema C0rte dos EUA derrubou essa decisão no início da noite, dando autorização expressa para seguir em frente.Com o relógio correndo contra o tempo para o mandato não vencer, as autoridades prisionais iniciaram o protocolo às pressas por volta das 20h.O resultado? Uma falha médica sem precedentes na jv$tiça americana. O procedimento não funcionou, ela resistiu a duas doses completas e precisou ser levada às pressas de ambulância para um hospital externo.O impacto dessa correria jurídica foi tão caótico que o governo local decidiu suspender todas as ações parecidas marcadas para este ano.No vídeo eu te explico todo o caso por trás desses últimos acontecimentos.CAPÍTULOS:00:00 - O provérbio e o dilema da responsabilidade01:06 - A garota do colar e a cena do crime03:10 - A descoberta do corpo no campus06:03 - Quem era Colleen Slemmer?07:11 - O interrogatório e a confissão chocante14:02 - O que aconteceu nas horas seguintes ao crime16:44 - O julgamento de 1996 e as revelações20:19 - A carta interceptada e o destino dos cúmplices24:11 - Três décadas no corredor da morte28:28 - Clemência, debate moral e desfecho💬 O que você pensa sobre a complexidade desse julgamento e o desfecho de Christa Pike? Deixe sua opinião nos comentários.👍 Se você gosta de narrativas profundas e bem apuradas sobre True Crime, deixe seu like e inscreva-se no canal para não perder os próximos episódios.#TrueCrime #CasosReais #MarcosCampos #InvestigaçãoCriminal #ChristaPike-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br
Marcos Campos
- O dilema da responsabilidade pessoal versus traumas de infânciaprovérbio antigo sobre culpa·discussão sobre responsabilidade individual·impacto da infância na vida adulta
- A cena do crime e a descoberta do corpo de Colleen Slemmerpolicial encontra jovem rindo·colar de pentagrama da suspeita·corpo desfigurado da vítima·ferimentos inumeráveis no corpo
- O interrogatório de Christa Pike e sua confissão chocanterixa com a vítima Colleen·plano de dar um susto·uso de estilete e cutelo·vozes que mandavam matar·pentagrama cortado no peito
- O julgamento de 1996 e a condenação de Christa Pikeadvogados sem experiência em pena de morte·diagnóstico de transtorno borderline·planejamento do crime·sentença de morte na cadeira elétrica
- Clemência, debate moral e o desfecho do caso Christa Pikedecisão da Justiça Federal·Christa sai da solitária·data da execução marcada·pedido de clemência ao governador·mãe da vítima é contra a clemência
- As horas seguintes ao crime e a descoberta do osso no bolsoChrista conta sobre o assassinato·mostra pedaço de osso do crânio·jaqueta de couro deixada no escritório·fragmento de osso no bolso da jaqueta
- O destino dos cúmplices e a carta interceptada de Christacarta para Tadário Chip·Chip condenado à prisão perpétua·Shadolla Patterson vira testemunha·mãe da vítima recebe partes do corpo
- Três décadas de Christa Pike no corredor da morteisolamento em solitária·ataque a outra presa·plano de fuga descoberto·revisão do diagnóstico psiquiátrico
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Your mommy won't save you. We'll have So much fun together. Other Mommy, directed by Rob Savage, rated R, in theaters October 9th. Existe um provérbio antigo, bem antigo, tá na Bíblia, no livro de Ezequiel, e que o povo daquela época repetia mais ou menos assim: os pais comeram uvas verdes e foram os dentes dos filhos que ficaram embotados. Ou seja, o erro foi de quem veio antes, mas quem paga a conta é quem veio depois. E o profeta responde àquele povo dizendo que esse ditado Tinha que acabar, porque cada um responde pelo que faz, cada alma pelo seu próprio pecado.
Faz mais de 2500 anos que a gente discute isso. Até onde uma vida destruída na infância explica o que a pessoa vira depois, e a partir de que ponto o que ela faz é escolha dela? Onde termina o reflexo e onde começa a decisão? O caso de hoje coloca essa pergunta na mesa de um jeito que poucos casos colocam, porque tem de um lado uma infância que ninguém desejaria para ninguém, e do outro um crime que ninguém consegue esquecer, tamanha bestialidade.
E tem um estado inteiro tendo que decidir o que fazer com isso. Veja só, eram entre 4 e 5 da tarde de uma sexta-feira, 13 de janeiro de 1995, quando um grupo de moças chegou perto de um policial que estava isolando uma área ali de um crime na Universidade do Tennessee, em Knoxville. Uma delas na frente das outras, pergunta por que aquela área ali está fechada, pergunta quem é a vítima, quer saber se a polícia já tem algum suspeito, mas tem uma coisa muito insólita nessa garota, enquanto faz as perguntas ela ri, se mexe meio agitada de um lado pro outro, parece até achar aquilo divertido, as outras meninas ficam caladas e pra causar ainda mais estranheza, o policial repara no colar dessa garota, é um pingente, uma estrela de 5 pontas dentro de um círculo, Na manhã seguinte, aquele detalhe insólito ganha um significado pra esse policial, porque ele fica sabendo que a polícia tinha identificado no peito da vítima, cortada na pele, justamente uma estrela de 5 pontas dentro de um círculo.
Esse policial vai contar aos superiores o que ele tinha visto no dia anterior. Eu sou Marcos Campos e o caso de hoje tem entre suas personagens principais justamente Essa garota aí do colar, lá em 1995, ela tinha 18 anos de idade. O nome dela é Christa Pike. E agora, em 30 de setembro de 2026, o estado do Tennessee pretende executá-la. E se isso acontecer, vai ser a primeira vez em mais de 200 anos que aquele estado executa uma mulher.
Esse episódio carrega algumas perguntas, evidentemente. O que, afinal de contas, aquela menina tinha a ver com o corpo que estava atrás daquela fita amarela? O que ela tinha carregado no bolso o dia inteiro antes de aparecer rindo na frente daquele policial? E por que 31 anos depois é ela quem está marcada para morrer e não o rapaz que estava do lado dela quando tudo aconteceu? Bora investigar tudo isso em detalhes? Então já se ajeita, pega um cafezinho para ficar confortável e vamos aos fatos.
Naquela mesma sexta-feira, mas por volta das 8 da manhã, um funcionário da manutenção da universidade estava trabalhando perto das estufas do campus agrícola, que é uma área meio afastada, com mato, entulho e uma antiga usina de vapor abandonada, quando ele viu então uma coisa caída no meio dos arbustos. A primeira impressão dele foi que era um bicho morto, de tão destruído que aquilo ali estava. Só quando ele chegou mais perto é que ele reparou nas roupas, na pele, e entendeu que ele estava olhando na verdade por um corpo humano de uma mulher.
A polícia de Knoxville e a polícia da universidade chegaram juntas ali na cena, e o primeiro policial que se aproximou Contou depois que olhava pra cabeça da vítima e não conseguia ter certeza se aquilo era o rosto dela, de tão desfigurado que estava. O corpo estava de bruços em cima de uma pilha de entulho, nu da cintura pra cima, e quando eles viraram, viram a garganta cortada e um pano ensanguentado amarrado no pescoço. E a cena foi crescendo conforme os policiais começavam a averiguar as coisas por ali.
Mais sangue, roupas jogadas no mato, marcas de mão e de joelho na lama, marca de alguém sendo arrastado E uma poça grande de sangue a uns 10 metros do corpo. Aquilo não tinha acontecido num ponto só, era ali na região, mas parece que tinham revirado, sido mexido ali, enfim. No necrotério, já depois de lavarem o corpo, a medicina legal tentou fazer o procedimento padrão, que é catalogar cada ferimento com uma letra do alfabeto.
Então essa médica legal foi indo de A, B, C, e ela chegou no Z. E ainda tinha corte pra catalogar. Pra registrar tudo, ela ia ter que recomeçar o alfabeto e passar uns 3 dias ali dentro. Então ela desistiu, registrou os principais e escreveu no laudo que os outros, nas costas, nos braços e no peito, eram inumeráveis. Os principais já contavam boa parte da história, no entanto. Tinha um corte de uns 15 centímetros atravessando o pescoço e mais de 10 cortes na garganta além desse.
Tinha corte no rosto, ferimentos de defesa no braço direito e os joelhos estavam roxos com hematoma fresco, daquele tipo que a pessoa ganha quando tipo se ajoelha muito forte no chão, rasteja. E tinha também o pentagrama cortado no peito, não é? Só que nenhum desses cortes, segundo consta, teria tirado a vida daquela moça. O que matou na verdade foram os golpes na cabeça dela, pelo menos 4, com tanta força que o crânio quebrou em vários lugares e um pedaço de osso até entrou no cérebro.
No osso. A legista encontrou um fragmento, na verdade fragmentos pretos, que depois foram identificados como pedaços de asfalto, piche, sabe? E nos seios da face tinha sangue, o que indica que ela ainda estava respirando enquanto batiam nela. E segundo a legista ainda, provavelmente ainda estava consciente. A identificação do corpo só saiu pela arcada dentária. O nome da vítima era Colin Slimmer, ela tinha 19 anos. Era da Flórida.
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A Colin era aluna do Job Corps lá de Knoxville. O Job Corps é um programa lá do governo americano pra jovens de família pobre e funciona mais ou menos tipo o rapaz ou a moça vai morar num alojamento, faz um curso técnico e sai de lá então com uma profissão, sabe? A Colin tinha ido pra Knoxville fazer um curso na área de informática. Uma colega de alojamento dela, a Kim, contou depois que na noite anterior, né, que tudo isso aconteceu, a quinta-feira, dia 12, por volta das 8, ela viu 4 pessoas saindo juntas do alojamento dessa Job Corps.
Corpos aí. E que por volta das 10:15 ela viu 3 dessas pessoas voltando. Os 3 que voltaram eram Tadário Chip, de 17 anos, Shadolla Patterson, de 18, e Krista Pike, também de 18 anos, a menina do colar que abriu o episódio. Acho que todo mundo lembra, não é? A Krista e Chip namoravam, e os dois andavam metidos em coisas de ocultismo, satanismo, inclusive usavam o mesmo pingente de pentagrama. Bom, no sábado então, dia 14, depois já, né, do, de tudo que aconteceu, no mesmo dia inclusive que aquele policial foi conversar com superiores, que ele tinha visto o pingente na menina lá, coisa e tal.
Pois é, a polícia então foi atrás da Krista e do Chip e interrogou os dois. E o que a Krista contou foi tudo gravado, tá? Inclusive, depois que essa gravação aí foi transcrita, né, deu mais de 46 páginas, para você ter ideia do tamanho que foi esse interrogatório aí de Tanta coisa que saiu aí. Aqui evidentemente eu vou tentar reunir os principais pontos, tá? A Krista contou que ela e a Colin não se davam muito bem já fazia um tempo.
Segundo a Krista, o motivo era que a Colin tava meio que dando em cima do namorado dela e ficava falando dela pra todo mundo pelas costas. E a Krista sustentava que a Colin fazia isso de propósito porque sabia que se a Krista partisse pra cima dela, ou seja, começasse uma briga aí, ela seria expulsa do programa porque ela já teria um histórico de briga por lá. Além disso, a Krista contou que em uma ela acordou e viu a Colin parada do lado da cama dela com um estilete na mão.
Só que essa história não foi confirmada por mais ninguém, era a versão aí da Krista, não é? Segundo a Krista, o plano era um susto, né? O plano aí do que— tentando já se justificar sobre o que foi descoberto, né? Ela disse que por uma série de razões aí, né, entre elas essa suposta flerte com o namorado, enfim, falando dela pelas costas, ela disse que queria dar um susto na Colin, pra que ela aprendesse, né, deixar a Krista em paz.
Vai vendo. Mas ela admitiu também que antes de sair de casa pra dar o tal susto, ela pegou um estilete e um cutelo pequeno de cozinha. E tinha um convite como parte do plano. A Krista chegou na Colin numa boa assim, como se a rixa aí das duas tivesse ficado pra trás, e trocou uma ideia de boa ali, meio que, sabe, querendo parecer boazinha. Então chamou a Colin pra dar um rolê numa loja de disco. No meio do caminho então, ela contou que tinha maconha escondida num parque ali perto.
Daí o grupo mudou de ideia e foi caminhando na direção da tal usina de vapor abandonada lá no campus agrícola da faculdade. E foi lá na usina então que a discussão de verdade começou. A Krista bateu na cabeça da Colin, deu uma ajoelhada nela. Então a Colin caiu no chão e a Krista chutou, bateu a cabeça dela ali no chão, né, provavelmente no concreto ou no asfalto. E a Colin ficava perguntando por que ela estava fazendo aquilo, né?
Em algum momento, a Colin disse que ia denunciar o que estava acontecendo, ou seja, a surra que ela tava levando ali. Disse que a Krista seria expulsa do programa. E foi aí que a Krista se enfureceu de vez, segundo ela própria, tá? A Colin até tentou correr, mas não conseguiu, porque a outra pessoa que estava junto com a Krista ali segurou ela, jogou ela no chão de novo. A Krista se referiu a essa outra pessoa aí nos depoimentos que ela tava dando ali apenas como ele.
Nunca disse o nome, mas não tinha muito mistério para esse ele aí, convenhamos, né? Era o Chip, o namorado dela, que naquele exato momento estava sendo interrogado em uma outra sala lá na polícia também, tá bom? Aí a Krista disse que os dois seguraram a Colin, arrastaram ela para um outro lugar, e foi lá que a Krista cortou a barriga da Colin com estilete. E foi nesse momento que ela disse que começou a ouvir vozes Vozes que diziam que ela precisava fazer alguma coisa, porque senão a Colin ia contar e ela ia ser presa por tentativa de homicídio.
Ela disse que ficou um tempão parada só olhando a Colin sangrar. Pouco tempo depois então dessa olhada bizarra dela vendo a garota sangrar lá, ela disse que a Colin se levantou de novo, tentou fugir, só que a Krista fez um corte profundo nas costas dela. A Colin caiu e muito ferida, ainda assim tentou negociar ali, né, para aquilo parar. Pediu para Krista conversar com ela, disse que se deixasse ela ir embora ela não ia contar para ninguém, iria voltar para a Flórida, que era a terra natal dela.
Inclusive não iria nem passar no alojamento para pegar as coisas, simplesmente ia zarpar para o estado dela. Mas a Krista mandou ela calar a boca e ela explicou para o investigador por que mandou a Colin calar a boca. Porque segundo ela era mais difícil machucar alguém com essa pessoa falando. Então quanto mais a Colin falava, mais a Krista chutava o rosto dela. E foi nesse momento que a Krista teria ouvido um barulho. Aí ela parou tudo e saiu andando para ver se tinha alguém ali por perto, né, de repente vendo o que tava acontecendo.
Mas Ela disse que não viu ninguém, talvez as perturbações da própria mente, não é? Então ela voltou e cortou a garganta da Colin. Segundo a Krista, a Colin ainda conseguia falar nesse momento, implorando, mas a Krista cortou de novo e mais uma vez. Numa última tentativa desesperada, talvez movida pela adrenalina, a Colin até tentou correr mais uma vez, mas a Krista jogou na nuca dela o que ela chamou de uma pedra, que na verdade era um pedaço de asfalto que tinha ali no chão.
A Krista disse que dava pra ouvir a Colin respirando sangue. Via o corpo dela tremendo, mas não parava. Teve um momento que ela perguntou pra Colin se ela sabia quem tava fazendo aquilo com ela, e a resposta teria sido só um gemido. Depois disso, os dois elementos levaram a Colin pra outro ponto perto de umas árvores ali e deixaram o corpo ali em cima de uma pilha de terra e entulho. A Krista disse que o ataque inteiro durou cerca de meia hora ou uma hora, segundo a versão dela.
Disse que os dois obrigaram a Colin a tirar a blusa e o sutiã, e que a própria Krista tirou pano do próprio cabelo ali e amarrou na boca da Colin pra ela poder parar de falar, não é? O mesmo pano que a polícia ia encontrar no pescoço dela na manhã seguinte, que já denota aí que talvez nem tudo que essa Krista tá falando aí nesse depoimento bate, né, realmente com a verdade. Talvez aqui, resumindo a ópera, o que mais espanta é esse T grande, se é que vocês me entendem, de contar como tudo aconteceu, né?
Porque parece um ataque enfurecido de um ser irracional, né? Que embora a pessoa ali, a vítima, respirando sangue, nos últimos suspiros de vida ali, e os dois ali meio que no regozijo. Bizarro demais, né? Bom, mas sobre o pentagrama macabro no peito da Colin, a Krista disse que não foi ela quem fez, tá? Diz que foi ele. O ele a gente já sabe que é o Chip, né? Terminado esse massacre pavoroso, Os dois lavaram as mãos e os sapatos numa poça de lama que tinha ali, jogaram o estilete fora e o cutelo, que era emprestado, a Christa devolveu.
Os documentos da Colin, ela disse que jogou no lixo de um posto de gasolina no caminho. Terminada a confissão, ela ainda foi com o investigador até o lugar onde tinha deixado o corpo. Isso foi o que ela contou pra polícia no sábado já, tá? Mas o que ela tinha feito entre a noite de quinta e a tarde de sexta, que é aquele momento que eu apresentei a Bri no episódio, a polícia só ia descobrir por outras pessoas. A Kim, sabe aquela colega de alojamento?
Ela contou que na quarta-feira, um dia antes do crime, a Krista tinha dito que ia matar a Colin. O motivo naquele dia era que ela tinha acordado com vontade de fazer o mal. Na quinta-noite, então, a Krista entrou por volta das 10 da noite no quarto da Kim, dançando em círculo, sorrindo, cantarolando, lá lá lá, e contou que tinha acabado de matar a Colin. Contou que tinha cortado a garganta dela 6 vezes, que tinha jogado asfalto na cabeça dela e disse que tinha trazido uma lembrança até.
Aí ela mostrou para Kim um pedaço de osso e disse que aquilo ali era um pedaço do crânio da Colin. No café da manhã da sexta-feira, Kim perguntou o que ela tinha feito com aquilo. A Krista respondeu que estava no bolso e ainda emendou: sim, eu tô tomando café da manhã com ele, ou seja, com osso, né? A Kim não foi à polícia. E foi assim, horas depois de tomar café da manhã com aquilo ali no bolso, que a Krista Pike passou a tarde de sexta sorrindo na frente daquele policial perguntando se eles já tinham algum suspeito.
Nessa mesma sexta-feira, antes de ir até a cena do crime, a Christa tinha passado no escritório de um funcionário da Job Corps para resolver um problema ali com o crachá dela. Conversou com ele, foi embora e deixou a jaqueta de couro preta dela pendurada na cadeira ali do escritório. O funcionário trancou essa sala aí por volta das 4 da tarde e a jaqueta ficou lá dentro. E ela ficou ali o fim de semana inteiro, mais a segunda-feira porque era feriado.
Então na terça de manhã, quando esse funcionário aí abriu a sala lá, a jaqueta continuava na cadeira. Só que agora ele já sabia que aquela aluna era suspeita de um assassinato e a polícia foi chamada. No bolso interno da jaqueta, a polícia encontrou um pedacinho de osso realmente, que foi levado direto pra um antropólogo forense da universidade. A mesma universidade da famosa Fazenda de Corpos. Sabe aquele centro onde cientistas estudam a decomposição humana ao ar livre?
Já falei sobre isso aqui em algum episódio do canal. Então, esse antropólogo aí estava com o crânio da Colin porque a legista tinha mandado para ele fazer alguns exames. Com tantas fraturas, não é, só dava para entender o que tinha acontecido ali remontando aquilo como se fosse realmente um quebra-cabeça. Então ele tinha encaixado cada fragmento no seu lugar, mas ficou realmente faltando um pedaço do lado esquerdo, um buraco onde nenhuma das peças cabia.
O fragmento que estava no bolso da jaqueta da Krista encaixou ali com perfeição. Um ano depois, No julgamento, já o legista pegou esse crânio da Colin, já limpo, remontado, obviamente, e mostrou para o júri justamente esse pedacinho do encaixe. O laboratório do estado ainda confirmou que o sangue nas roupas da Krista e do Chip eram mesmo da Colin.
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Esse julgamento aconteceu em 96 lá em Locksville mesmo. A defesa da Crista era feita por dois advogados nomeados pelo tribunal porque ela não tinha condições de pagar. E segundo a defesa atual dela, esses advogados aí do primeiro julgamento. Do julgamento aí de 96 não tinham experiência em casos que poderiam ensejar a pena de morte. A estratégia foi psiquiátrica, não é? O psicólogo da defesa disse ao júri que a Christa era uma jovem muito inteligente, com QI de 111, sem sinal nenhum de dano cerebral, e que não era insana, mas que ela tinha um transtorno de personalidade borderline grave e que naquela noite ela simplesmente perdeu o controle sem premeditação.
Sem preparação e sem deliberação. O osso no bolso, na leitura dele, era um jeito distorcido de uma pessoa sem identidade tentar ser notada. Só que aí o promotor pegou o psicólogo ponto por ponto, viu? Sair de casa com duas armas não é um planejamento? O psicólogo admitiu que sim. Inventar uma história de maconha pra levar a vítima até um lugar isolado não é um planejamento? O psicólogo admitiu também que sim. E sabe aquele momento em que ela parou tudo pra ver se tinha alguém observando?
Por perto, né, pra ver se não ia pegar com a boca na botija e depois voltou e cortou a garganta da vítima, ela não teve um tempo ali pra parar? Mesmo porque a Colin tava implorando pra eles pararem, não é? Aí o psicólogo admitiu que sim, ela teve tempo pra pensar nisso. Dia 22 de março então, o júri condenou a Christa por homicídio qualificado e por ter planejado o crime junto com outras pessoas. Aí veio a segunda parte do julgamento, que é quando o júri decide se a pessoa vive ou morre.
O advogado da Christa tinha contratado uma perita justamente pra levantar a vida inteira dela e mostrar ao júri de onde aquela menina tinha vindo. Essa perita tinha um relatório bem extenso ali, viu, ia ser a testemunha principal. Só que pouco antes da audiência, o advogado mudou de ideia e não chamou essa pessoa, e chamou apenas outras 3 pessoas: a tia, o pai e a mãe da Christa. A tia contou que a Christa nasceu prematura, que não criou vínculo com a mãe, que foi criada pela avó paterna até a avó morrer em 1988, e que depois de disso, ficou sendo jogada de um pai pro outro.
Contou que a casa era tão suja que a Crista, ainda bebê, engatinhava no meio de fezes de cachorro. O pai contou que expulsou a filha de casa duas vezes e que chegou a assinar papéis pra que ela fosse adotada por outra família, pouco antes de ela completar 18 anos. E a mãe contou que bebia e usava drogas na infância da filha, que fumava maconha com ela pra tentar criar amizade ali, que um namorado dela tinha batido na Crista com cinto e que a Krista tinha tentado dar um fim na própria existência depois que a avó morreu.
A promotoria também fez perguntas a essas 3 pessoas, e a tia da Krista disse que considerava a sobrinha uma mentirosa patológica, o pai disse que a última expulsão foi por causa de uma acusação de que a Krista tinha abusado da minha irmã, que tinha só 2 anos na época, e a mãe disse que ela plantava maconha em vasos quando ela tinha 9 anos, que aos 14 já morava com um namorado e que desde os 8 anos de idade a Krista não obedecia mais ninguém.
No dia 30 de março de 96, o júri sentenciou a Christa Pike à morte na cadeira elétrica. Ela tinha feito 20 anos fazia só 3 semanas. E segundo a defesa dela, ela era naquele momento aí a mulher mais jovem a receber pena de morte nos Estados Unidos desde que o país voltou a executar pessoas nos anos 70. A Christa, quando ouve essa sentença aí, desaba, chora, chama pela mãe. Nesse mesmo dia, ainda lá no fórum, a Christa entregou pra uma agente carcerária uma carta pro Tadário Chip, namorado dela, aquele rapaz que ela chamou de ele no interrogatório, tá?
E que ainda estava esperando o julgamento dele. A carta nunca chegou ao Chip. A agente entregou pro superior dela e acabou nas mãos da promotoria. Nessa carta, a Christa dizia que amava o Chip e pedia que ele mudasse o depoimento pra contar a mesma versão que ela. E sobre a Colin, ela escreve mais ou menos algo assim: olha o que eu ganho por tentar ser boazinha com aquela vagabunda. Eu bati os miolos dela para fora para ela morrer rápido, em vez de deixá-la sangrar até morrer e sofrer mais.
E eles vão me fritar e assina como diabinho. Enfim, galera, eu tô fazendo um resumo aqui para vocês, mas dá para ver que era uma mente extremamente perturbada, não é? Bagunçada completamente. Enfim, o Tadário Chip, o namorado, ele foi julgado também, mas só em janeiro de 97. E também foi condenado por homicídio qualificado, mas ele não podia receber a pena de morte por um motivo bem simples: na noite do crime ele tinha 17 anos e no Tennessee menor de 18 não pode ser condenado à pena de morte.
Eram poucos meses de diferença entre os dois, mas foi o suficiente pra um ir pro corredor da morte e o outro não. E o que o Chip fez naquela noite, pelo que a própria Krista contou, não foi pouco não, tá? Foi ele quem segurou a Colin e jogou ela no chão quando ela tentou fugir, foi ele quem ajudou a arrastar a moça de um lugar pro outro, ele também bateu na cabeça dela com pedra, e ainda segundo a Christa, foi ele quem cortou o pentagrama no peito dela.
O sangue da Colin apareceu na roupa dele também. E segundo a defesa da Christa, anos depois ele mesmo admitiu em depoimento que quem tinha levado o estilete naquela noite era ele e não ela. O júri do Chip não entrou em acordo sobre dar prisão perpétua sem direito de condicional, então o juiz deu perpétua com direito a condicional, mais 25 anos por cima. Na prática, ele só pôde pedir condicional pela primeira vez em outubro do ano passado, 2025, aos 47 anos, quase 30 anos depois de tudo.
Ele disse à comissão que nunca negou o que fez, que agiu como um idiota, como uma criança. Mas de nada adiantou e nesse primeiro pedido aí em 2025, esse benefício foi negado e ele, segundo consta, volta a ter direito a essa nova avaliação em 2031. Mas você deve estar se perguntando sobre a Shadolla Patterson. Lembra dela, que eu comentei o nome dela lá no começo do episódio? Pois é, a terceira pessoa do grupo. Ela saiu com o grupo e voltou com o mesmo grupo, não é?
E não existe nenhum registro de que ela tenha encostado na Colin. A promotoria fechou o acordo com ela. A Shadolla virou testemunha da acusação, assumiu a culpa por ter ajudado a esconder o crime e saiu com 6 anos de liberdade condicional sem cumprir pena de prisão nenhuma. Do outro lado de tudo isso estava evidentemente a mãe da vítima, da Colin, que foi brutalmente morta por esses seres aí. Pra ela, a história tinha começado 2 dias depois do crime, num sábado, 11:15 da manhã, quando o telefone tocou e era um homem de Knoxville perguntando se ela conseguia descrever marcas no corpo da filha.
Ela foi ao julgamento e viu o crânio da filha sendo mostrado ao júri como um pedaço encaixado ali por último, aquele pedacinho macabro. Nos anos seguintes, segundo ela, o estado mandou pelo correio em caixas partes do corpo da Colin que tinham ficado retidas como prova. E um dia ela voltou pra casa de avião carregando o crânio da filha. Mas o pedaço que a Krista tirou, aquele lá do bolso da jaqueta, virou uma disputa que dura até hoje.
Em 2015, pra você ter ideia, o que disseram pra ela era que enquanto o caso estivesse aberto, aquilo era a prova e não seria devolvido. Hoje ela diz que aquele pedaço nunca chegou nas mãos dela e que ninguém sabe onde está. A defesa da Christa diz que confirmou com o estado que tudo foi devolvido pra mãe. A Christa, depois da sentença, foi pra prisão feminina de Nashville. O corredor da morte tem que ficar separado dos outros presos, não é?
E o Tennessee só tinha outra mulher condenada à morte, a Gail Owens, que nunca foi alojada junto com a Christa e teve a pena comutada em 2010. Então, na prática, o corredor da morte feminino do Tennessee era a Christa e ela passou a cumprir a pena isolada em regime de solitária, podemos dizer. Isolada, mas não sem nenhum contato com as outras presas, tá? Em agosto de 2001, ela atacou inclusive uma delas apertando um cadarço ali no pescoço da mulher até quase matar.
Pouco depois, numa ligação gravada pela prisão, ela disse pra própria mãe que se a outra chegasse perto dela de novo, ela ia fazer de novo. Em 2004, por esse ataque, ela foi condenada por tentativa de homicídio e ganhou mais 25 anos em cima da pena de morte. Ainda em 2001, contra a vontade dos advogados, ela pediu pra desistir de todos os recursos e ser executada logo. Chegou a ter data marcada, 19 de agosto de 2002, mas semanas antes ela mudou de ideia.
A execução então foi suspensa e os recursos continuaram. Em 2012 já, a polícia descobriu um plano de fuga, veja só. Um personal trainer de Nova Jersey que trocava cartas com ela e viajava várias vezes por mês pra visitar a Christa tinha subornado um agente penitenciário pra poder copiar uma chave ali da cela, da prisão, seja lá como for. A investigação descobriu viu isso. Esse cara foi condenado, o agente foi demitido e a Christa não foi acusada de nada.
Enquanto tudo isso acontecia, os novos advogados da Christa refaziam o trabalho que aquele júri de 96 nunca ouviu por inteiro, tá? O júri tinha ouvido a tia, o pai, a mãe falarem, né, da casa suja, das expulsões, do cinto. O que faltou foi justamente, na visão deles, o mais grave. Segundo o laudo de uma psicóloga contratada pela defesa agora, a Christa foi abusada sexualmente ainda antes de saber falar, pelo namorado da avó. Entre os 2 e os 5 anos de idade.
A escola chegou a perceber algumas coisas pelos desenhos dela, chamou os pais e ninguém investigou. Aos 11 anos, ela foi estuprada por um vizinho do parque de trailers ali onde eles moravam. A mãe não acreditou na filha. O órgão que fez o papel de conselho tutelar só se envolveu depois que ela teve uma infecção por causa do estupro. O vizinho foi processado e considerado culpado e continuou morando ali perto apesar de tudo isso.
A avó, que ela dizia ser a única pessoa que já tinha amado ela, morreu quando a Crista tinha 12 anos. E foi aí que veio a primeira tentativa de ela sair dessa existência por conta própria, se é que vocês me entendem. Mas não seria a última, tá? Em janeiro de 94, com 17 anos, ela foi estuprada de novo, dessa vez por um desconhecido que arrastou ela para o mato ali. Ela conseguiu escapar, fez exame no hospital, mas o homem nunca foi encontrado. Mesmo ano, ela chegou ao Job Corps lá em Knoxville.
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Neurologista que foi contratado pela defesa também examinou a Crista depois da condenação já e chegou a um diagnóstico diferente daquele que o júri tinha ouvido: dano cerebral, transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático, não borderline como havia sido dito. Lembrando que o psicólogo do julgamento tinha garantido que não havia dano cerebral nenhum, lembra? Isso rodou todas as instâncias, primeiro no estado, depois na justiça federal, e a resposta foi sempre parecida.
O júri já tinha ouvido, mesmo que de forma resumida, a história de uma infância terrível e já tinha ouvido um perito dizer que ela perdeu o controle. Assim, mais detalhe não mudaria o resultado diante do que ela fez com a Colin. Em 2019, então, a Justiça Federal votou contra qualquer refazimento aí do julgamento, etc. e tal, mas fez questão de registrar: estava tomando essa decisão a contragosto. Uma das juízas do caso escreveu que se a Christa tivesse 17 anos em vez de 18, como o Chip, o namorado dela, ela não estaria no corredor da morte.
E na opinião dessa juíza aí, ninguém com menos de 21 anos na hora que cometeu o crime deveria ser executado. Em 2024, depois de uma ação na justiça, o estado fez um acordo e tirou a Christa da solitária depois de quase 30 anos naquele regime. Hoje ela trabalha, divide relações com um grupo pequeno de pessoas, virou budista e tem 50 anos. Em setembro de 2025, a Suprema Corte do Tennessee marcou a data da execução: 30 de setembro de 2026, por injeção letal, que é o método padrão do estado desde o fim dos anos 90.
A cadeira elétrica da sentença de 1996 ficou só como uma opção que o condenado pode pedir. Só que em maio desse ano, o Tennessee tentou executar um homem e não conseguiu. Esse ganhou grande repercussão, não é? A equipe passou mais de uma hora tentando, conseguiu um acesso venoso, mas não o segundo que o protocolo ali exige, e acabou desistindo. O governador adiou a execução dele por um ano. Os advogados da Krista foram ao tribunal com esse caso na mão, alegando que ela tem trombocitose, que é um excesso de plaquetas no sangue e veias finas, e que a execução dela poderia virar aquilo de novo.
E que por causa de todos os abusos que ela sofreu, estupros, etc., ser arrancada da cela por uma equipe de homens e amarrada numa maca faria ela reviver tudo aquilo do mesmo jeito que um soldado revive a guerra. Mas o juiz, apesar de ter ouvido, né, esses argumentos, disse que as condições dela não impediriam o acesso à veia, que ela ia perder a consciência em 20, 30 segundos. E o estado disse que, se possível, o transporte dela seria feito por agentes mulheres.
Dia 2 de setembro agora, a defesa entregou ao governador um pedido de clemência, pedindo aí que seja comutado para prisão perpétua sem condicional. E muita gente apoiou esse pedido aí, tá? A mãe da Colin, no entanto, é contra. Ela disse que a Krista fez o que fez e precisa pagar, e que ela sinta a dor que a Colin sentiu. Mas lá no Tennessee é o governador que tem a caneta que vai decidir isso aí. No momento do encerramento dessa pesquisa essa decisão ainda não tinha saído.
E esse vídeo está marcado pra ir ao ar justamente no dia 30 de setembro. Então, se por acaso a sentença for cumprida, eu deixo um comentário fixado aqui informando vocês. Pesado, né? Complicado esse caso, porque se envolve muita coisa e sei lá, eu gostaria de ler a opinião de vocês, né? Aquele provérbio que eu abri o episódio de hoje é Onde termina o reflexo e começa a ação, não é? A escolha, né? Enfim, os caminhos que você pode escolher, até onde esse reflexo vai te direcionar para além da sua consciência no momento da tomada de decisão.
Esse é um dos pontos assim mais debatidos, né, nessa questão de pena e tudo mais. Comenta aqui para mim o que você pensa sobre tudo isso. Eu agradeço imensamente sua companhia. Beijo do Rui e até o próximo episódio.
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