Revelado ao Vivo: O Chocante Caso de Sarah Scazzi e a Traição Familiar
📌 O Caso Sarah Scazzi é um dos episódios mais perturbadores da história recente, envolvendo um desaparecimento trágico e segredos familiares.Neste vídeo, analisamos os detalhes do crime real que chocou a Itália. Acompanhamos a cronologia dos fatos, desde o desaparecimento da jovem até a complexa investigação policial que revelou uma rede de mentiras e reviravoltas inesperadas entre os envolvidos.Exploramos como cada peça desse mistério italiano foi montada pelas autoridades, expondo as contradições dos depoimentos e a pressão sob a qual a família foi colocada. Entenda o desenrolar desse caso que ainda levanta debates sobre justiça e a verdade por trás das aparências.COMENTÁRIO IMPORTANTE:A mãe de Sarah Scazzi, Concetta Serrano, participou sim do velório, mas não ficou até o fim por motivos religiosos. A confusão sobre a presença dela acontece porque ela passou a manhã velando o corpo , mas não acompanhou o cortejo a pé e se retirou mais cedo do evento público no estádio (campo de futebol).Como ela é Testemunha de Jeová e a filha não era batizada, o funeral no estádio de Avetrana foi adaptado para uma cerimônia ecumênica mais simples, sem a missa católica tradicional. Mesmo assim, por objeção de consciência às práticas litúrgicas católicas e pelo extremo esgotamento físico, Concetta assistiu apenas aos primeiros discursos por cerca de dez minutos e deixou o local antes do encerramento, preferindo esperar o caixão diretamente no cemitério.►Resolvi esclarecer, porque confesso que ficou confuso no vídeo. Peço desculpas. Mas é isso que escrevi acima que na realidade aconteceu.Inscreva-se para acompanhar novas análises sobre história criminal toda semana e deixe nos comentários qual outro caso você quer ver por aqui.-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br
Marcos Campos
- O desaparecimento de Sarah Scazzi e a descoberta do celular queimadotio encontra celular da sobrinha·celular chamuscado e derretido·mãe de Sarah confusa com a descoberta
- A confissão do tio Michele e a descoberta do corpo de Sarahtio Michele entrega celular queimado·Sabrina depõe à polícia·Michele confessa o assassinato·corpo de Sarah encontrado na cisterna
- O julgamento e as condenações da família Misseri pelo assassinatoMichele acusa a filha Sabrina·florista testemunha avistamento·Cosima e Sabrina condenadas à prisão perpétua·Michele condenado por esconder corpo·Ivano condenado por mentir à justiça
- A investigação inicial e a comoção nacional pelo caso Sarah ScazziAvetrana, cidade pequena na Itália·Sarah Scazzi, 15 anos, loira e miúda·família de Sarah e a prima Sabrina·desaparecimento a caminho da praia·polícia cogita fuga ou sequestro·Itália inteira acompanha o caso
- As reviravoltas na confissão de Michele e o envolvimento da Sabrinaautópsia não confirma abuso sexual·Michele muda versão e acusa Sabrina·Sabrina é presa e nega tudo·Michele muda versões repetidamente
- A motivação do crime e o papel do Ivano Russo na briga familiarmensagens de celular como evidência·Sabrina apaixonada por Ivano·Sarah e Ivano trocam mensagens·briga entre as primas por Ivano
Um homem entrou numa delegacia na Itália e mostrou um celular que ele encontrou enquanto ele tava carpinando um terreno, uns galhos queimados. O aparelho tava todo chamuscado, meio derretido, e ele disse que esse aparelho era da sobrinha dele, uma garota de 15 anos. Acontece que essa menina estava sumida já há 34 dias. E no meio desse aviso aí pra polícia, ele falou uma coisa bem esquisita, disse que Era pros policiais não contarem pra ninguém que tinha sido ele a encontrar o aparelho, porque as pessoas iam pensar, nossa, justo o tio foi achar?
A polícia achou aquilo meio estranho, mas foi dar uma conferida no telefone e pelo número de série descobriu que realmente era o celular da menina desaparecida. A mãe dessa garota, quando ficou sabendo disso, deu uma declaração que colocou ainda mais mistério no caso. Ela disse, agora eu estou mais confusa do que antes. Eu sou Marcos Campos e esse caso aqui aconteceu numa cidadezinha da Itália e deixou uma pergunta tão simples quanto inquietante pra ser respondida, ainda mais naquele contexto.
Levou anos pra ela de fato ser respondida e há quem diga inclusive que até hoje não foi definitivamente respondida. O que de fato aconteceu com aquela menina de 15 anos que saiu pra caminhar no meio de uma tarde numa cidade pequena onde todo mundo literalmente se conhece. É o que a gente vai investigar. Aliás, vamos juntos investigar esse mistério no episódio de hoje. Então já se ajeita, fica confortável, pega aquele cafezinho pra aumentar o conforto e vamos aos fatos.
A Vetrana é uma cidade bem pequena com uns 7 mil habitantes na Puglia, que fica ali no salto da bota do mapa italiano, sabe? É uma cidade de campo com oliveiras, calor, o mar bem pertinho e é aquela Sabe aquela típica cidade onde todo mundo sabe quem é filho de quem? Se tem alguém aqui me assistindo que é do interior, cidade onde tem muitos imigrantes italianos, vai saber, né, que quando você encontra: Ô meu filho, você é dos quem?
Você é da família de quem? Mas enfim, a Sara Scasi tinha 15 anos, ela era loira, miudinha, mais ou menos 1,58m de altura, uns 40kg, e ela ia começar o segundo ano numa escola de hotelaria que ela queria seguir profissionalmente. O pai dela, o senhor Giacomo, era pedreiro e trabalhava em Milão, e ele só voltava pra casa durante as férias. O irmão mais velho da Sara, o Cláudio, também trabalhava fora da cidade. Então, no dia a dia, era só ela e a mãe dela, a Concetta, que era dona de casa testemunha de Jeová.
Naquele agosto, porém, o pai da garota estava de férias, então ele estava em casa. A poucos quarteirões da casa dessa família morava a irmã da Concetta, a senhora Cosima, que era casada com Michele Misseri, um agricultor tio da Sara, justamente o homem que abriu o episódio estranho lá que eu comentei no começo, entrando na delegacia, entregando o celular todo queimado lá. Bom, esse casal tinha duas filhas, a mais velha, a Valentina, e a mais nova, a Sabrina, de 22 anos.
A Sara praticamente cresceu na casa dos tios, A tia Cosima era praticamente uma segunda mãe pra ela, e a prima Sabrina, apesar dos 7 anos de diferença, era a melhor amiga da Sara, companheira pra todos os momentos, a própria Sabrina dizia que a Sara era como uma irmã mais nova pra ela. Bom, na quinta-feira, 26 de agosto de 2010, fazia bastante calor na cidade deles, era verão, férias, e o plano da tarde era pegar uma praia, a Sara ia até a casa da Sabrina, ou seja, a casa dos tios, e de lá as duas iam pra praia com mais uma amiga, a Mariângela.
Inclusive, a Mariângela era quem ia passar pra buscá-las de carro. Então a Sara almoçou em casa e saiu a pé, ela estava vestindo uma camiseta rosa, um short, chinelo, uma mochila preta nas costas, com fones de ouvido. A caminhada até a casa dos tios, bom, eram mais ou menos aí uns 600 metros, bem pertinho. E nesse momento aí, enquanto a Sara tava saindo, lá na casa da Sabrina, o telefone dela registrou uma troca de mensagens com a Mariângela, amiga que ia acompanhá-las.
Às 2:23 da tarde, a Mariângela manda uma mensagem e avisa, ó, já tô colocando o biquíni aqui e já tô saindo, daqui a pouquinho tô aí. Então a Sabrina manda uma mensagem pra prima Sara dizendo, ó, coloca rápido o maiô e vem porque a Mariângela já tá chegando. Depois ela manda uma outra mensagem pra prima perguntando se ela tinha visto a mensagem. Às 2:28, o celular da Sara dá um toque no celular da Sabrina, um toque só, uma chamada não atendida.
E essa foi a última vez que o aparelho de celular da Sara fez qualquer contato, né? Fez, mandou mensagem, fez uma ligação, mas nada. Minutos depois disso, ele seria desligado, esse aparelho de celular. Por volta das 2:40 daquela tarde então, a Mariângela chegou com a irmã dela. A Sabrina liga então pra Sara na frente das duas. O celular da Sara não atende. Ela insiste, nada. Então ela resolve ir até a casa da tia pra saber, né, o que tinha acontecido com a Sara.
E a Dona Conceta, a mãe da Sara, diz que ela já já tinha saído e fazia até um tempo. Nesse momento, a Sabrina, segundo o que a Mariângela contou depois, ficou muito agitada. Ela começou a repetir ali que a prima tinha sido sequestrada, que era certeza que ela tinha sido vítima de um sequestro e que eles precisavam ir logo pra polícia. Só que foi só às 17:20 daquela tarde que a Conceta registrou oficialmente o desaparecimento da filha na polícia.
Nos primeiros dias, a polícia local fez o beabá, não é? Aquele trabalho básico. Cogitou uma fuga voluntária, alguém que ela de repente tinha conhecido na internet, e cogitou também sim um sequestro. Então eles vasculharam casas abandonadas, canais, poços, cisternas na zona rural, mas nada, nenhuma pista. Enquanto tudo isso estava acontecendo, ou seja, o trabalho oficial da polícia, a Itália inteira passou a conhecer a cidadezinha de Avetrana.
O caso virou um assunto nacional. Em questão de dias, tava todo mundo sabendo já. Um programa italiano de pessoas desaparecidas mandou pra aquela cidadezinha uma equipe. Outras vans também de televisão ficavam ali o tempo todo na cidade, na frente da casa da família. Teve vizinho que virou comentarista ali, dando entrevista, né, falando as coisas, cogitando. Até gente de fora da cidade começou a viajar pra lá pra acompanhar o caso de perto.
Literalmente um turismo meio macabro, sabe? A mãe da Sara Fez muitos apelos. A prima Sabrina também falou, deu entrevista chorando, pedindo que a Sara voltasse, defendendo que a prima nunca fugiria, que com certeza alguém tinha levado ela à força. E aí começaram os boatos, né, as especulações, que depois se provou que eram sem pé nem cabeça. Ciganos, por exemplo. Uma mulher romena que cuidava da avó da Sara e que quando a avó dela morreu, no meio de setembro ali, voltou pra Romênia e teria levado a menina junto.
Enfim, pista atrás de pista e nenhuma dava em nada. O tio, o senhor Michele, também apareceu no meio disso tudo, sempre ao lado da família, sofrido, preocupado. 11 dias depois do desaparecimento, a mãe da Sara foi ao vivo numa emissora de TV e fez um apelo direto ao presidente da República, disse que era uma mãe desesperada e pediu que ele mandasse um reforço pra polícia lá da pequena cidadezinha de Avetrana. 3 dias depois, o presidente respondeu por carta, disse que tinha se informado sobre o caso e garantiu que o máximo empenho na investigação já estava em curso e ia continuar.
A Conceta agradeceu em público e a cidade passou muitos dias nesse clima aí meio sinistro de angústia, de mistério, de enigma. Passeata com velas, grupo no Facebook com milhares de pessoas, Um mês inteiro nesse clima aí. Até que, no dia 29 de setembro, o tio da Sarah, o senhor Michele, entrou naquela delegacia com o celular queimado, aquela cena que abriu o episódio. No dia seguinte, então, à entrega desse celular, 30 de setembro, a polícia chama a Sabrina pra depor.
Ela é ouvida longamente e ela conta aquela história do começo. Que a Sarah não chegou pro compromisso que elas tinham com as amigas, que ela mandou uma mensagem pra prima, a prima não respondeu, que ligou, o telefone deu aquele toque ali e ninguém atendeu. Então ela foi pra casa da tia pra saber o que tinha acontecido. Enquanto isso, na cidade, começava a circular um burburinho de que as duas primas tinham brigado por aqueles dias.
Então, no dia 6 de outubro, já uma semana depois do celular, a polícia convocou pra prestar depoimento o senhor Michele, o tio da Sara que levou o celular, a Cosima, a tia, e também a Valentina, a filha mais velha desse casal. Os três deram depoimentos separados. O interrogatório do senhor Michele começou de manhã, Só que não terminou, parece que ele tinha bastante coisa pra falar. Naquela mesma noite, a Dona Conceta tá dando uma entrevista por telefone pra aquele programa de pessoas desaparecidas, sabe, que eu comentei.
Então ela está em casa ali, na casa da família, e tem um repórter da emissora ali junto, e também o advogado. Pouco depois das 23 horas da noite, a apresentadora desse programa interrompe a entrevista e diz que acabaram de chegar novidades sobre o caso. E ela começa a ler essas novidades ao vivo, as notícias das agências que estavam chegando ali. A primeira fala que um corpo tinha sido encontrado. A mãe da Sarah ouve aquilo ao vivo na frente da câmera.
Ao mesmo tempo, o telefone dela toca. É um jornalista de um outro veículo de imprensa, e ela começa a conversar com esse cara e começa a responder em tom monossilábico, sabe? Tipo, ah, né? Meio incrédula. A Sabrina, que está ali do lado também, Começa a chorar nesse ponto aí da conversa e minutos depois disso, a apresentadora lê uma outra notícia: o tio da Sara, o senhor Michele, confessou. E aí a Dona Conceta murmura que o cunhado é inocente, que não consegue acreditar naquilo.
A apresentadora diz pra ela que é melhor ela se retirar, ficar em casa de boa, que a entrevista ia acabar. E ela realmente concorda. Na verdade, quando aquelas as notícias chegaram ao programa, o interrogatório do senhor Michele já tinha se encerrado, né, tinha durado muitas horas, foram inclusive mais de 9 horas de interrogatório com a polícia. E no fim dessas horas aí, o Michele Misseri disse que a sobrinha estava morta, que ele tinha estrangulado a garota na garagem da casa dele com uma cordinha por trás depois que ela recusou uma investida dele, que abusou do corpo, que jogou tudo numa cisterna no meio do campo.
E se ofereceu inclusive pra levar a polícia até lá. Assim, naquela madrugada, a 2 km da cidade, mergulhadores dos bombeiros e também da polícia desceram numa cisterna de captação de chuva, 3 metros e meio de profundidade, uma boca no entanto ali de aproximadamente uns 45 centímetros. Lá embaixo, coberto de pedras, dentro da água, estava o corpo da Sara, nu, encolhido, 42 dias depois de ter saído de casa pra um passeio na praia.
O corpo só saiu daquela cisterna por volta das 2 da madrugada. Quando a apresentadora leu aquilo ali ao vivo, durante aquela entrevista lá por volta das 11, as agências tinham corrido na frente e de alguma forma o que existia naquela hora era o tio indicando um lugar. E aí sabe como que é, né? As notícias foram se espalhando. 2 dias depois da confissão, já na frente de um juiz, ele repetiu ao senhor Michele a mesma história e acrescentou um detalhe, que já tinha tocado na sobrinha uma outra vez antes daquele dia, e que tudo aconteceu, segundo ele, porque a menina o rejeitou.
No dia 9 de outubro, a pequena Avetrana enterra Sara, cidade muito emocionada, comovida. A comoção era tão grande que a cerimônia de despedida aconteceu num campo de futebol o maior futebol da cidade, 10 mil pessoas. O irmão da Sara, o Cláudio, falou ao microfone que imaginava um futuro muito bonito pra irmã junto das pessoas que realmente gostavam dela. Dá pra entender que realmente o caso mexeu com toda a região, né? A Dona Conceta, por ser Testemunha de Jeová, segundo foi divulgado, não chegou a participar de toda a cerimônia ali porque se tratava, né, de um rito católico envolvendo muitas pessoas.
Então ela chegou depois ali pros momentos finais e a tia, a senhora Kozima, e as primas da Sara não teriam ido a essa cerimônia. Naquele momento, a cidade tinha uma resposta, afinal de contas, não é? O tio, o monstro que morava ao lado. Mas tem sempre um mas, não é? Essa certeza que pairava pela cidade não durou muito não, viu? Porque a autópsia do corpo da Sara confirmou sim que ela tinha morrido estrangulada, mas havia um detalhe que não batia com a confissão A perícia científica da polícia italiana, os carabinieri, não encontrou nenhum DNA estranho no corpo e a autópsia não achou nenhum sinal de violência sexual, embora depois de 42 dias dentro da água o legista dissesse que nem dava mais pra confirmar ou descartar a história de um suposto abuso, ou seja, a parte da confissão que falava em abuso já nascia sem uma prova que pudesse cunhar isso aí.
E no dia 15 de outubro, 9 dias depois da confissão, o tio da Sarah é interrogado de novo, e agora ele tem uma outra história pra contar. Nessa outra versão, ele não estava sozinho na garagem quando tudo aconteceu, a Sabrina estava lá também. Pois é, a Sabrina, a prima, a filha dele. A mesma prima que passou todo esse tempo na televisão chorando pela Sarah. Segundo o senhor Michele, a filha tinha levado a Sarah pra garagem, Pra dar uma lição na prima.
Então, ela teria segurado a Sarah pelos braços enquanto ele apertava. Depois, ele disse que a Sabrina meio que saiu correndo, né, no meio daquela cena pavorosa, porque a Mariângela estava chegando e ela precisava atrasar um pouco a amiga. Nessa mesma noite do dia 15 de outubro, a Sabrina é interrogada por horas por causa dessa confissão do pai dela. E presa já na madrugada do dia 16. Ela nega tudo, diz que o pai é um mentiroso, que mentiu durante todos esses dias e que está mentindo de novo sobre ela.
E evidentemente a pergunta central do caso agora já não é mais o que tinha acontecido com a Sarah, era quem naquela família estava falando a verdade. O mais bizarro é que a partir desse momento o senhor Michele nunca mais parou de mudar a versão dele, parecia meio que sabe encurralado, sem saber direito o que tava falando. No início de novembro daquele ano ele disse que na verdade nem tinha participado da morte, que foi a Sabrina quem fez tudo sozinha, com um cinto, depois de uma briga.
E que aí ela teria acordado ele, que estava tirando uma sesta ali depois do almoço, para ajudar a esconder o corpo. E foi nesse interrogatório, no dia 5 de novembro, que ele apontou o cinto, disse que estava no porta-malas do carro. Uma semana depois, chegou lá o laudo completo do legista para saber se o cinto era mesmo a arma do crime, não é? E ele complicava ainda mais a história, porque a marca no pescoço da Sara ali não parecia ser de corda, como ele tinha falado lá no primeiro interrogatório.
Era uma marca de mais ou menos uns 2,6 centímetros, segundo a perícia, de algo achatado, tipo um cinto mesmo, uma faixa. Só que o cinto do carro que ele tinha alegado onde estava tinha mais de 3 centímetros, quase 3 centímetros e meio. Então não batia. A polícia chegou a prender outros 40 e tantos cintos na casa do senhor Michele. Nenhum bateu. E o legista do caso, quando pediu para o senhor Michele encenar como ele tinha feito, notou que ele não parecia saber muito bem onde colocar a corda ou o que quer que tenha sido usado de verdade.
Semanas depois, ele retirou parte da história que dizia respeito ao abuso, mas manteve a acusação contra a filha. Ou seja, ele tava trocando toda hora, como eu disse, né? Já no Natal daquele ano, ele escreveu cartas pras filhas pedindo desculpas. Agora dizia que a Sabrina era plenamente inocente. Em março de 2011 já, ele voltou a dizer que fez tudo sozinho, só que agora o motivo era outro, um surto de raiva porque um trator dele não estava pegando, aí a Sara apareceu do nada e pagou o pato.
Corda, cinto, corda de novo, vestida sexual, trator, ele fez tudo sozinho, ele fez com a filha, a filha fez sozinha, ele fez sozinho de novo, uma verdadeira lambança que não levava a lugar nenhum. Quando soltaram o senhor Michele da prisão preventiva, no fim de maio de 2011, A imprensa italiana já contava 7 versões diferentes pra mesma história. No meio dessa lambança toda, a investigação de verdade sobre a morte da Sara, a investigação sobre o que a Sabrina tinha a ver com o caso, estava andando, viu?
Quietinha, mas tava andando. E o que essa investigação encontrou, na verdade, esteve lá desde o primeiro dia. Onde? Adivinha. No celular. Lembra das mensagens da tarde do dia 26 de agosto dizendo pra Sara vestir logo o maiô e vir rápido? Depois a pergunta: Você leu a mensagem e aquela ligação única por volta das 2:28? Então, a promotoria passou a ler isso aí de uma outra maneira. Segundo a acusação, a Sarah saiu de casa bem antes daquelas mensagens.
Eram 600 metros, como eu disse, não é? Então ela teria chegado na casa dos tios antes das 2 da tarde. Ou seja, as mensagens de 2:25 e 2:28, na leitura da acusação, foram mandadas pela Sabrina, pra uma Sara que já estava morta. E aquela ligação das 2:28 teria sido feita pela própria Sabrina, já com o celular da prima na mão, pra criar um registro de que a Sara ainda estava viva, né? Um caminho ali, a caminho do encontro, um álibi.
Como se não bastasse, os rastros digitais, como a gente sabe, dificilmente mentem, não é? Quando o aparelho da Sara foi desligado, minutos depois, ele estava conectado a uma antena que cobria exatamente a região da casa da família da Sabrina. E quando se começa a puxar o fio da meada, outros vários fios começam a aparecer ligados a ele, não é? Um amigo das duas garotas contou que naquela tarde, por volta das 3, 3:20, a Sabrina descreveu pra ele como a Sarah estava vestida: chinelo, short, camisa rosa, mochila preta.
E quando perguntaram pra Sabrina sobre isso, ela disse que foi a tia quem contou. Só que a Dona Conceta nem tinha visto a filha sair de casa naquela tarde. Ela mesma só soube como a Sarah estava vestida depois que o caso foi exposto. Em um desses fios que a polícia puxou, veio um nome, um nome que talvez fosse o motivo de tudo isso, um cara chamado Ivano, Ivano Russo, cozinheiro, uns 27 anos. As duas primas conheceram esse rapaz aí no fim de 2009 e a Sabrina se apaixonou por ele.
Não era uma paixãozinha discreta não, tá? Era uma obsessão de todo mundo inclusive ficar sabendo. Os amigos diziam até que ela tava com Ivanite, sabe? E ela mesma nas mensagens chamava o rapaz de Meu Deus, Ivano! E o Ivano, pelo que tudo indica, ia levando essa situação aí. Saía com a turma, dava atenção, mas nunca assumia nada com ela. Até que no começo de agosto de 2010, os dois ficaram sozinhos ali no encontro, se afastaram num lugar isolado, saíram de perto da turma, dentro do carro começaram a, né, fazer ali as intimidades.
E no meio o rapaz interrompeu. Ele diria depois sobre isso que parou porque queria que aquilo continuasse só como amizade. Então, a garota se vestiu, logo depois mandou uma mensagem pro Deus Ivano dizendo que tava se sentindo uma vagabunda, e a resposta dele foi que se ela quisesse sexo, tudo bem, mas que ele não ia entrar nesse lance de sentimento, de paixão. Dias depois, ele cortou de vez a relação. Numa das últimas mensagens que ela mandou pra ele, 3 dias antes do desaparecimento, a Sabrina escreveu que ele era bom em humilhar as pessoas na frente de todo mundo.
Mais diante então dessa relação truncada entre os dois, aí o Deus Ivano e a Sabrina, você deve estar se perguntando onde caramba entra a pobre da Sara nessa história, não é? Bom, a Sara sabia de tudo. As duas eram grudadas, como eu disse, né? A Sabrina contava tudo pra ela. E a Sara, com 15 anos, segundo consta, acabou falando, comentando com outras pessoas. E numa cidade daquele tamanho, a coisa ganhou uma proporção. Pra piorar, o Ivano gostava de conversar com a Sara.
Na semana entre 15 e 22 de agosto, ele trocou várias mensagens com a Sara, de madrugada inclusive. Ele diria depois que não tinha nenhuma segunda intenção, que via a garota como uma criança. Só que o diário da Sara registrava uma confusão de sentimentos ali. Ela escreveu que sabia que a prima gostava do Ivano, mas que ele também agradava ela, e que ela não tinha certeza se gostava dele ou se só queria o cara bem. Como amigo. E tem um outro registro nesse diário aí de julho que diz que ela achava a Sabrina— na verdade, ela dizia que a Sabrina estava sendo chata e que ela odiava a prima.
Bom, diante de todas essas revelações, basta juntar tudo, não é? A prima mais velha apaixonada se sentindo humilhada pelo cara que ela queria, a prima mais nova de 15 anos que teria contado para algumas pessoas aí a humilhação que ela tinha sofrido, e que ainda por cima estava recebendo atenção justamente do cara que ela tava apaixonada. Na noite do dia 25 de agosto então, véspera do desaparecimento, as duas saíram com a Mariângela, foram num barzinho ali da cidade e teriam brigado lá na frente da amiga.
A Sabrina reclamou com a Sara de que ela ficava grudada demais no Ivano. No dia seguinte, antes de sair pro tal rolê na praia lá, né, a Sara escreveu no diário que a Sabrina, como sempre, tinha ficado brava com ela Porque quando o Ivano está por perto, ela fica sempre com ele. Essa foi a última anotação da Sara nesse diário. E tinha mais gente nessa engrenagem, tá? O senhor Michele sempre disse que escondeu o corpo da Sara sozinho, sem ajuda de ninguém.
Só que a polícia não acreditou nisso. Em fevereiro de 2011, a polícia prendeu o irmão do senhor Michele, o Carmine, e também um sobrinho da família, acusados de ter ajudado o Michele a levar o corpo até a tal cisterna. O que levou a polícia até eles foi de novo o telefone. Na tarde do dia 26 de agosto, às 3:08, mais ou menos uma hora depois da hora em que a Sara teria morrido, o senhor Michele ligou pro irmão, mais tarde ligou pro sobrinho, e quando os dois foram ouvidos, o que eles contaram sobre aquela tarde não batia com esses registros.
Numa escuta que a polícia obteve, dentro do carro, conversando com a mulher, o Carmine ainda aparece dizendo que já tinha decorado a história. Decorado o quê? Bom, pra polícia, a versão que ele ia contar sobre aquela tarde, não é? Uma história ensaiada, não uma lembrança. O Carmine sempre disse que era mentira, mas acabou condenado a quase 5 anos por isso. Sobrinho, o Cosimo, também foi condenado, mas morreu em 2014 antes de o caso dele terminar.
E ainda tinha mais uma pessoa nessa história toda, que ia ajudar inclusive a quebrar as mentiras que estavam sendo contadas. Giovanni Buccalieri. Ele tinha uma floricultura ali na cidade, fazia entregas de furgão, sabe? Em abril de 2011, 8 meses depois do crime, ele conversou com a polícia e contou que naquela tarde do dia 26 de agosto, no começo daquela tarde, bem na janela que os investigadores estimavam pro crime, ele passou pela região da casa do senhor Michele e viu a Cosima, a tia da Sara, parada ao lado do carro com a Sara ali.
A Cosima mandava a menina entrar no carro. E o florista disse que o tom dela era meio que ameaçador, sabe? Ele comentou ainda que tinha visto no banco de trás a silhueta de uma outra mulher. Só que 2 dias depois dessa conversa com a polícia, ele voltou atrás, disse que talvez aquilo tivesse sido um sonho dele, que ele tava confundindo, misturando as coisas. Só que ele não tinha contado isso só pra polícia naquele momento ali, já tanto tempo depois do caso.
Meses antes, ele já tinha comentado isso com a mulher dele, e também com uma funcionária lá da floricultura. E isso, segundo a funcionária, quando foi ouvida, bem antes de o corpo da Sara ser encontrado, ainda no comecinho da investigação. Então, pra polícia, o sonho que ele disse aí era uma grande mentira, ele tava ali incorrendo em falso testemunho, não é? Talvez ele estivesse com medo de alguma coisa. Mas além do relato do florista, a polícia tinha os registros do celular da Cosima, a tia.
E na leitura dos investigadores, esses registros colocavam a Kozima naquela tarde num lugar onde ela dizia não ter estado. Assim, em maio de 2011, a polícia prendeu a Kozima e dá pra imaginar a comoção na cidade, não é? A gritaria de gente ali da rua, onde todo mundo se conhecia, na noite da prisão dela. Porque segundo consta, ela teria dito que não tava na casa onde aconteceu o crime, mas o celular colocou ela lá. Além disso, A Cosima era irmã da Conceta, mãe da Sara, tia da Sara.
E como a gente viu, era meio que uma segunda mãe pra menina. Então, resumindo aqui o que pra acusação teria de fato acontecido é o seguinte: a Sara chegou na casa dos tios e aquela briga da noite anterior no barzinho continuou lá. A Sara tentou ir embora, chegou a ir pra rua, só que a tia e a prima foram atrás dela de carro e trouxeram a garota de volta. O que explica, né, a... O suposto avistamento aí do florista, sabe? Bom, já dentro de casa então, a Sabrina apertou o pescoço da prima por trás com uma coisa parecida com uma cinta, enquanto a mãe segurava a menina.
O que explicaria porque o corpo da Sarah não tinha nenhuma marca de defesa. Ela estava realmente indefesa na mão de duas covardes. E o senhor Michele teria entrado na história só pra sumir com o corpo e com o celular. Aquela cena que abriu o episódio, né, do celular queimado que ele achou enquanto limpava um terreno. Era tudo encenação. E o detalhe mais curioso é que o senhor Michele nunca acusou a mulher dele. Ele colocou a filha no jogo, né, fez aquela lambança toda de contar uma coisa, desistir, contar de novo, etc., mas a mulher nunca.
O julgamento do caso começou em janeiro de 2012 e durou mais de um ano. Muitas testemunhas, umas 200. A dona Conceta acompanhou o julgamento de perto. Em dezembro de 2012, o senhor Michele disse chorando que a Sabrina não era assassina, que ele tinha feito tudo sozinho, que agarrou a Sara por trás com uma corda mesmo, deu 3 voltas, que ela nem gritou e que a filha estava se sacrificando por ele. O advogado dele largou o caso ali mesmo.
Depois, ele contou como jogou o corpo na cisterna e no meio da frase, quando ele estava descrevendo isso, ele disse o seguinte: Quando a gente foi embora. No plural. Um ato falho que não deu nem tempo de ser corrigido. A defesa da Sabrina trouxe até um outro legista de Roma pra contestar a autópsia oficial do caso, da promotoria. Pra esse legista contratado pela defesa, a marca no pescoço era compatível com corda e não com cinta, mas os juízes do caso ficaram com o laudo oficial.
Em abril de 2013 saiu o veredito: Sabrina e Akozima, filha e mãe, prisão perpétua por homicídio e sequestro. O senhor Michele pegou 8 anos por esconder o corpo e pelo celular. O Carmine, aquele irmão do Michele que a gente viu lá atrás, pegou 6 anos por ter ajudado a esconder o corpo. E ainda tinha mais 2 nomes nessa lista, que eu não citei até agora inclusive. O primeiro, advogado da Sabrina, um advogado da própria cidade que foi condenado porque, segundo a acusação, tentou interferir na defesa do Michele pra proteger a Sabrina.
E o dono do hotel onde a Cosima trabalhava, meio período, foi condenado por favorecimento por ter orientado uma testemunha a mentir sobre os horários daquele dia. Enfim, galera, uma lambança que dá pra imaginar que foi feita pelo contexto, né, onde que eu disse que todo mundo se conhecia, aquela coisa toda, né, dá pra imaginar, tá. E além disso, no entendimento da justiça, não havia nenhum motivo razoável pro pai ter mentido, né, pra acusar falsamente a própria filha.
Inclusive, sobre o senhor Michele, a justiça entendeu que ele era um homem pressionado pela própria família e já não sabia mais o que dizer, tava perdido aí na própria confusão. Já sobre a Sabrina, o entendimento era de que ela era o motor do crime, a mente, e pra justiça ela foi também a fria e astuta força motriz que empurrou a investigação pra pistas falsas usando a televisão, o choro nos programas da tarde, tudo isso enquanto o corpo da prima estava lá naquela cisterna.
A defesa evidentemente recorreu, tentou apresentar novos fatos, novas perícias, mas não foi suficiente. A pena foi confirmada em 2015 e em fevereiro de 2017 a decisão ficou definitiva. Naquele mesmo dia, o senhor Michele foi preso pra cumprir os 8 anos. E na hora de entrar, ele deu uma entrevista e disse que havia duas inocentes indo pra cadeia. E sabe o florista? Aquele que viu as coisas e só contou muito tempo depois? Pois é, em 2017 ele foi condenado em primeira instância por ter mentido quando disse que Era só um sonho que ele tinha vivido.
E até o Ivano foi condenado, o tal rapaz lá, em 2020, há 5 anos, por mentir pra justiça. Ele jurou que naquele dia estava em casa dormindo, na hora em que as primas iam se encontrar e tal. Só que a reconstrução do caso reuniu provas de que, na verdade, ele tinha saído de casa por volta da 1:50 e ele viu as duas primas discutindo na rua. Só que em 2021, a condenação caiu, O crime já tinha prescrito. Mãe e filha cumprem pena agora na mesma cela no presídio de Taranto, na Itália.
A Cosima trabalha na alfaiataria e a Sabrina faz curso pra ser ali uma espécie de auxiliar de enfermagem. O senhor Michele escreveu da prisão pra Concetta em 2018 pedindo perdão pelo que tinha feito, mas na mesma carta cobrava a Concetta por acreditar no que ele chamava de advogados mentirosos. Ela achou a carta ridícula Já em outras cartas, o Michele dizia que o único culpado era ele mesmo, que nem Sabrina, nem a Cosima, nem o irmão dele tinham nada a ver com aquilo.
E quem fala pelo senhor Michele hoje, que supostamente foi abandonado inclusive pelas duas presas, é a outra filha do casal, a Valentina, que nunca foi acusada de nada nesse processo. Ela diz que acredita que o pai matou sozinho. No dia 11 de fevereiro de 2024, o senhor Michele saiu da prisão com redução de pena por bom comportamento, pouco mais de um ano antes do previsto. Ele disse que se sentia mais livre enquanto estava dentro da cadeia.
E dias depois, voltou pra mesma casa, a casa onde a Sarah morreu. Naquele mesmo ano, em 2024, a Disney lançou uma série sobre o caso. O título era A Vetrana: Aqui Não É Hollywood. Uma referência a uma frase que alguém tinha pichado no muro da casa dos Misseri, ou seja, a família dos assassinos, lá em 2010. No auge do circo da televisão, né, do circo midiático. A prefeitura da cidade entrou na justiça pra tirar o nome de Avetrana do título desse documentário, dessa série.
Um juiz suspendeu a estreia, a série saiu dias depois com o título cortado. E no ano seguinte, um outro juiz falou que podia voltar o nome completo. No entanto, a cidade não queria mais, evidentemente, ser aquilo, não é? Mas é bem difícil apagar uma história dessas. Juridicamente, O caso está encerrado. Até o último recurso das duas, numa corte europeia lá, tudo foi rejeitado no fim de 2024. Mesmo assim, os advogados dizem que continuam trabalhando por uma revisão de todo o caso.
No início de 2025, eles anunciaram aí que iam pedir a exumação do corpo da Sarah, porque segundo eles, as unhas dela nunca foram analisadas e poderia haver DNA ali capaz de virar esse caso de cabeça pra baixo. Até agora, no entanto, não há notícia de que esse pedido aí tenha sido procedente. Então, como eu disse pra justiça, a decisão é essa: naquele dia, a Sarah saiu de casa pra ir à praia com a prima e uma amiga, caminhou uns 600 metros e encontrou a morte pelas mãos das pessoas de quem ela gostava, em quem ela confiava.
As duas mulheres condenadas por isso nunca confessaram. Todo mês de agosto, aquela pequena cidade se reúne no cemitério onde a Sarah está enterrada, Em 2026, completaram 16 anos da morte dela. A mãe continua na mesma cidade, o tio na mesma casa. E aquele toque das 2:28 no celular, no dia do sumiço da Sara, continua tendo duas leituras. Pra justiça, a definitiva: aquilo foi uma encenação. Pra defesa, a prova de que a Sara ainda estava viva.
Então agora, com base em tudo isso que foi divulgado e que eu acabei de contar, Resta alguma dúvida? Comenta aqui pra mim. Eu agradeço imensamente sua companhia. Um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.