Episódios de Vamos aos Fatos

O Garotinho de 7 anos Sabia a Verdade Antes da Perícia

23 de setembro de 202624min
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📌 Em dezembro de 2004, um garotinho de apenas 7 anos bateu na porta da vizinha com uma revelação estarrecedora: sua mãe, Jennifer, estava sem vida dentro de casa. A cena parecia indicar um trágico ato contra a própria vida, mas uma pista do passado e uma ligação inesperada trouxeram à tona uma morte idêntica ocorrida 14 anos antes.Neste episódio, Marcos Campos analisa a fundo a investigação, os detalhes da perícia e os passos que colocaram o dentista Bart Corbin diante da justiça.Deixe seu like 👍, inscreva-se no canal e ative o sininho para acompanhar os próximos casos de True Crime.📌 Capítulos:00:00 - O garoto que bateu na porta02:19 - Quem era a família Corbin04:09 - A rotina online e os conflitos07:44 - A cena e as primeiras contradições10:22 - A ligação que mudou a investigação12:00 - O caso Dolly Hearn (1990)15:09 - As investigações se cruzam18:02 - O rastreio da arma e o álibi desfeito20:08 - O tribunal e a confissão22:50 - As marcas deixadas na família-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br

Participantes neste episódio1
M

Marcos Campos

HostJornalista
Assuntos6
  • A confissão de Bart Corbin e as consequências para as famíliasBart indiciado pelos assassinatos·acordo para evitar pena de morte·Bart confessa os dois crimes·impacto nas famílias das vítimas
  • A descoberta do corpo de Jennifer e a suspeita inicial de suicídiogarotinho Dalton encontra a mãe·Jennifer encontrada sem vida·revólver calibre 38 na cena·papéis de divórcio do Bart
  • As contradições na cena do crime de Jennifer e a reabertura do caso Dolly Hearnausência de pólvora nas mãos·revólver enfiado na roupa de cama·morte classificada como homicídio·telefonema sobre Dolly Hearn
  • O assassinato de Dolly Hearn em 1990 e a conexão com Bart CorbinDolly Hearn, aluna de odontologia·namoro com Bart Corbin·Bart ciumento e possessivo·Dolly encontrada morta com tiro
  • A vida de Jennifer e Bart Corbin e os conflitos conjugaisBart Corbin, dentista bem-sucedido·Jennifer Barber, professora extrovertida·Bart controlador e explosivo·traições de Bart e divórcio
  • O romance online de Jennifer e a descoberta de BartJennifer joga EverQuest·conhece Christopher online·Christopher revela ser Anita Hearn·Bart descobre o romance
Transcrição22 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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MCMarcos Campos

At participating UOL Eram 7:30 da manhã do dia 4 de dezembro de 2004, quando uma mulher chamada Kelly ouviu alguém batendo na porta da casa dela. Ela abriu e deu de cara com um garotinho chamado Dalton, um menininho de 7 anos, filho mais velho dos vizinhos da frente. A Kelly conhecia bem o Dalton, desde sempre. A filha dela tinha nascido praticamente junto com aquele garotinho, os dois faziam festa de aniversário juntos e as duas famílias eram bem amigas.

Só que aquele menino não tinha atravessado a rua pra brincar não, tá? Ele tava apavorado, assustado, ele chegou dizendo que o pai dele tinha matado a mãe. Do outro lado da rua, dentro da casa, o que os vizinhos encontraram, conferindo o que o Dalton tinha falado, era a Jennifer, a mãe do Dalton, caída no quarto do casal, deitada na cama, sem vida, com um único tiro na cabeça. Ela tinha 33 anos, era professora da pré-escola e mãe de 2 meninos.

Junto do corpo dela havia um revólver calibre 38, e na cena estavam os papéis do divórcio que o marido dela, o dentista Bart Corbin, tinha pedido recentemente. Bom, olhando tudo aquilo ali e pelo contexto que eu vou contar daqui a pouco, a impressão que ficou é de que a Jennifer tinha feito aquilo com ela mesma, pela tristeza de uma separação dolorosa e diversas outras coisas. Até porque não havia nenhum sinal, por exemplo, de invasão, de luta na casa, nada.

Mas essa leitura não batia com o que aquele garotinho estava dizendo, não é? E tinha uma outra coisa ainda, uma coisa que aconteceu uns 14 anos antes, que acendeu uma luz vermelha, e isso tinha acontecido a uns 200 km dali, e colocava muitas perguntas no ar. Eu sou Marcos Campos e esse caso aqui traz muitas perguntas, como eu disse. Será que o o pai realmente fez o que o filho estava dizendo? Por que ele mataria a mãe dos próprios filhos com as crianças em casa?

E o que foi que aconteceu 14 anos antes que um telefonema conectou tanto tempo depois? É o que a gente vai investigar no episódio de hoje, então já se ajeita, deixa o like agora no começo pra não esquecer e vamos aos fatos. Essa história começa com o marido da Jennifer, o pai do garotinho Dalton, um dentista chamado Barton Corbin, que todo mundo chamava de Bart. Ele tinha consultório próprio na região de Atlanta, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos.

Um homem alto, inteligente, de boa aparência, com aquele jeito de profissional bem-sucedido que passa confiança, sabe? Foi assim que a Jennifer Barber conheceu ele. Nos anos 90 isso aconteceu. Ela era o oposto dele no temperamento. Ela era calorosa, expansiva, extrovertida, apaixonada por criança, tanto que trabalhava numa pré-escola. Os dois, apesar dessas diferenças de, digamos, personalidade, foram se conhecendo, namoraram e acabaram se casando.

Tiveram dois filhos, o Dalton e o Dillon. E em 1999, eles se mudaram pra uma casa boa num condomínio de Buford, Na frente da casa do Steve e da Kelly Camo, que viraram amigos próximos, sempre estavam juntos ali. Inclusive, a Kelly é a mulher que abriu o episódio com o garotinho batendo na porta dela. Bom, só que segundo a família e os amigos da Jennifer contaram depois de tudo o que aconteceu, o senhor Bart era um cara meio embaçado, controlador, explosivo, do tipo que humilhava até a esposa com palavras.

O casamento foi, por essas e outras razões, se desgastando com briga, com dinheiro e com, segundo consta, traições da parte do Bart. Porque algumas reportagens sobre esse caso aqui mencionam um relacionamento extraconjugal prolongado até do Bart, que corria em paralelo com o casamento. A Jennifer aguentou supostamente essa rotina por anos, mas em algum momento Ela começou a confidenciar pra irmã dela, a Heather, que ela estava pensando no divórcio, não aguentava mais aquilo.

Em 2004, ela encontrou então uma válvula de escape num lugar bem improvável. A mãe dela apresentou pra ela um joguinho online chamado EverQuest, um RPG assim de fantasia em que cada jogador cria um personagem e vive aventuras com gente do mundo inteiro. A Jennifer criou o personagem dela e começou a jogar. Toda noite e foi lá nesse joguinho que ela conheceu alguém que se apresentava como Christopher, ou Chris. No começo, os dois eram só parceiros de jogo mesmo, aí começaram a trocar emails, depois a conversar todo dia, até que aquilo ali virou um sentimento e eles começaram a falar de se encontrar pessoalmente, coisa e tal.

Digamos que foi, né, unir o útil ao agradável, afinal de contas a Jennifer tava bem fragilizada, não é? Mas ela era uma mulher casada já há 8 anos, com um homem inclusive que diminuía ela, então por isso que eu disse que a coisa meio que se encaixou ali, e por essa razão talvez ela tenha se apaixonado por alguém que ela nunca tinha visto na vida inclusive. Só que em novembro daquele ano, vem um golpe que ela definitivamente não esperava.

O tal Chris confessou uma coisa, ele disse que não existia, quem tava escrevendo tudo aquilo ali era uma mulher chamada Anita Hearn. Uma mulher casada, mãe, morando na cidade de St. Joseph, no Missouri. E quando a Jennifer ouviu aquilo ali, ela ficou possessa, ficou pê da vida, parou de falar e tal. E a Anitta contou tempos depois que no começo era só uma brincadeira de faz de conta para ela, só que a mentira foi crescendo e junto vieram as emoções, os sentimentos.

Bom, seja como for, no dia seguinte a essa revelação bombástica, podemos dizer, A Jennifer mandou uns emails bem irritados assim pra Anitta, tá? Mas então as duas começaram a se falar de novo por telefone, pela primeira vez inclusive por telefone. E no fim, né, desse rolo todo aí, a Jennifer disse que já não se importava mais se era homem ou mulher, que ela tava com sentimento mesmo, nutrindo um sentimento por aquela pessoa. E a relação continuou.

Enquanto isso estava acontecendo, o senhor Bart acabou descobrindo o romance da esposa. E as semanas seguintes, depois dessa descoberta, teriam sido bem complicadas. O Bart ficou mexido, bravo, talvez decepcionado. No feriado de Ação de Graças, então, dia 25 de novembro, uma discussão sobre esse caso online aí terminou com o Bart dando um tapa no rosto da Jennifer. Na segunda-feira seguinte, então, dia 29, ele entrou com um pedido de divórcio, exigindo a guarda dos dois filhos e todos os papéis do casal, incluindo a casa.

Complicado, né? Porque tipo assim, partindo do pressuposto que é verdade que ele tinha um caso extraconjugal, eita sujeitinho furgado, hein? Mas vamos ver. No dia 1º de dezembro, ele apareceu em casa, pegou o celular e o diário da Jennifer atrás de munição, digamos, para essa disputa de guarda na justiça e saiu em disparada com o carro dele. Segundo relatos posteriores sobre o caso, na manobra, inclusive enquanto ele estava saindo de casa, deve ter havido uma discussão, um bate-boca ali, ele teria até passado o pneu do carro meio que em cima do pé dela.

A Jennifer chamou a polícia para tentar recuperar as coisas dela. Os policiais foram até lá, mas acabou terminando em pizza, ninguém foi preso, não teve nenhum registro formal na ocorrência e tal. 3 dias depois, ela estava Sem vida. Na manhã do dia 4, enquanto os policiais isolavam a casa, a família da Jennifer tentava avisar o Bart do que tinha acontecido. Afinal de contas, a suspeita inicial era de que ela tinha feito aquilo com ela mesma.

Quando você pega todas essas camadas, talvez alguns vizinhos, algumas pessoas familiares soubessem e meio que pairava no ar isso. Até porque ninguém estava conseguindo encontrar o Bart. A Kelly ligou para a mãe dele, ou seja, a vizinha, E a mãe dele ligou pro Bob, que é um irmão do Bart. E aí se descobriu naquele momento que o Bart tinha passado aquela noite lá na casa desse irmão. Mesmo sabendo então agora da morte da esposa, ele resolveu não aparecer na cena, não foi nem buscar os filhos.

Nos dias seguintes, passou a ser representado por dois advogados criminais dos mais famosos lá da Geórgia, o Bruce Harvey e o David Wolfe. E não se sentou com os investigadores pra dar a versão dele não, pelo menos Nesse início aí, apesar de já saber, seria investigado. Afinal de contas, é procedimento padrão, não é? Mas uma coisa que eu fiquei pensando: o cara tava fazendo tudo isso pra se separar, pra pegar a guarda dos filhos.

Aí a mulher morre supostamente aí nessa situação autoinfligida. O cara não vai pegar os filhos?

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MCMarcos Campos

Esquisito, esquisito, esquisito. Mas vamos ver. Bom, a perícia começou a fazer sua investigação ali e digamos que essa percepção, né, inicial. Foi indo pelo ralo, se dissolvendo. Os exames das mãos da Jennifer não detectaram resíduo de pólvora, que é o que se espera encontrar em quem acabou de disparar uma arma, não é? O revólver não estava na mão dela, estava meio que, sabe, enfiado ali no meio da roupa de cama, numa posição bem difícil de explicar pra alguém que levou de um tiro fatal na cabeça, não é?

E foi esse conjunto, ausência de resíduo, a trajetória do disparo também, a posição da arma, o estado da cena, que levou o exame médico legal à conclusão de homicídio. Os investigadores também descobriram que o Bart tinha cancelado uma sessão de terapia de casal que estava marcada. Os registros de telefone trouxeram também mais dados. Na madrugada da morte, a Jennifer esteve em contato com a Anita, até por volta de 1:40 da manhã, mais ou menos.

E o teor dessa conversa não era de alguém que tava se despedindo, sabe? A Anita contou que naquela noite a Jennifer falava em contratar advogado pra tirar o Bart do pé dela, tirar de casa. Era alguém fazendo plano pro futuro, né, e não ali dando demonstrações de que queria fazer o quê, encarar o que ela tinha feito. Bom, foi enquanto os detetives do condado de Gwinnett, que é onde aconteceu, montavam esse quebra-cabeça todo aí, que o telefone da polícia tocou.

Do outro lado da linha, uma senhora que começou a falar ali. A filha dela tinha estudado odontologia com o Bart na cidade de Augusta no fim dos anos 80, bastante tempo. E ela ligou para contar uma coisa que ela disse que tava incomodando ela já fazia muito tempo e que magicamente agora ela ligou os pontos, falou, preciso contar isso para polícia. Naquela época lá, década de 80, O Bart namorava uma pessoa, uma mulher, que tinha morrido também.

Um tiro na cabeça, um revólver no colo, uma morte registrada como se a própria moça tivesse feito aquilo. O nome dela era Dorothy Hearne, mais conhecida como Dolly. E Hearne é o mesmo sobrenome da mulher do jogo da atual esposa do Bart, tá? Mas é pura coincidência, sem nenhum parentesco entre elas. Mas veja só, Pra entender o que essa ligação tava cavocando, reabrindo, a gente precisa voltar então uns 14 anos na timeline dessa história aqui, exatamente pro dia 6 de junho de 1990, na cidade de Augusta, uma cidade a uns 200 e poucos quilômetros da região de Atlanta onde a Jennifer morreu.

Era em Augusta que ficava a faculdade de odontologia onde o Bart tinha estudado, o Medical College of Georgia. Foi lá que a história dele cruzou com a da Dolly Hearn, A Dolly era uma aluna nota 10 da turma, ela vinha de uma cidadezinha da Geórgia, era muito bonita, querida pelos amigos, aliás, ela tinha muitos amigos. E foi no fim dos anos 80 que ela começou a namorar um amigo dela de curso, justamente o nosso Bart Corbin. O namoro durou mais ou menos 1 ano e meio, cheio de idas e vindas apesar do pouco tempo, com o Bart cada vez mais ciumento e possessivo.

Quando a Dolly terminou, ele não aceitou bem. Houve ainda uma reaproximação, mas depois ela terminou de vez. Foi então que a vida da Dolly virou um verdadeiro inferno, com sequência de pequenos ataques sem um autor, sabe? O carro dela apareceu vandalizado, ela começou a encontrar portas e janelas do apartamento abertas, tendo certeza de que tinha deixado tudo fechado, sabe? Uma tarde até, ela saiu da aula e achou os dois pneus do carro dela esvaziados, E pelos relatos do caso, uma testemunha teria visto o Bart no estacionamento nesse dia, perto do carro dela, na hora em que aconteceu.

A Dolly registrou as ocorrências na polícia, apontando o assédio do ex-namorado, mas nada podia ser provado contra ele. A família levou aquilo a sério. Preocupado então com a segurança da filha, o pai dela, que era médico, entregou pra ela um revólver calibre 38 pra proteção pessoal, mas não adiantou. Até que chegou o dia 6 de junho de 1990. A colega que dividia apartamento com a Dolly chegou em casa e encontrou ela na sala sem vida, coberta de sangue e com um tiro na cabeça.

No colo dela tinha um revólver calibre 38, o mesmo que o pai tinha dado pra ela se proteger. Os amigos gritaram desde o primeiro dia que a Dolly jamais teria feito aquilo com ela. Ela estava no último ano do curso, cheia de planos, cercada de gente. As ocorrências contra o Bart Estavam lá, registradas. Ele foi um dos interrogados da polícia na época, evidentemente, mas nada ligava ele materialmente àquilo. Então a morte acabou sendo tratada mesmo como se a Dolly tivesse feito aquilo.

Mais tarde, a causa oficial ficaria, no entanto, como indeterminada, num caso que nunca fechou de verdade e nunca andou. O Bart se formou, seguiu a vida dele, abriu consultório, conheceu a Jennifer. E a família Hearne passou 14 anos convivendo com uma versão que nunca acreditou. Será que a Jennifer sabia disso? Bom, até que veio dezembro de 2004. Por causa do caso da Jennifer, então, os detetives lá de Augusta começaram a desengavetar a pasta dos arquivos do caso da Dolly.

Com novas técnicas, um novo jeito de olhar pro caso, essa história começou a ganhar novos contornos. Os investigadores retomaram o relato de uma testemunha que dizia ter visto um homem no apartamento da Dolly naquele dia, no banheiro. Não se fala quem era, talvez a pessoa que dividiu apartamento com ela? Seja como for, disse que viu um homem lá. A descrição supostamente batia com a do Bart. Um perito em padrões de manchas de sangue examinou o material da cena à época e chegou a uma conclusão de que a Dolly não tinha sido baleada na posição em que ela foi encontrada.

O corpo tinha sido movido depois do tiro. E o perito observou também que não havia sangue na arma, O que os investigadores passaram a interpretar como um sinal de que ela tinha sido limpa antes de ser posicionada entre as mãos dela. Segundo esse perito aí, aquela cena lá de 1990 tinha sido montada. E aí, no dia 22 de dezembro de 2004, a justiça de Augusta indiciou Bart Corby pelo assassinato da Dolly Hearn. O Bart foi preso enquanto ele tava dirigindo, tava parado ali no semáforo, chegou a polícia lá do condado de Gwinnett, onde ele vivia com a Jennifer, não é?

E era o dia inclusive do aniversário dele, ou seja, o Bart completou 41 anos de idade sendo algemado por um caso de 14 anos atrás. Ou seja, a morte suspeita da Jennifer fez as autoridades reabrirem o caso da Dolly e examinarem tudo com um olhar novo, relatos e evidências que estavam parados há 14 anos. E o caso da Jennifer não estava parado também não, viu? A polícia estava se mexendo. E 2 semanas depois dessa prisão, no dia 5 de janeiro de 2005, veio o segundo indiciamento de agora sim, do assassinato da Jennifer.

Começou então uma guerra de versões que durou quase 2 anos. De um lado, 2 promotores, um pra cada condado, o Danny Porter em Gwinnett, cuidando do caso da Jennifer, e o Danny Craig lá em Augusta, cuidando do caso da Dolly. E do outro lado, da defesa, os 2 figurões advogados lá, sustentando que o Bart era inocente das 2 acusações. Sobre a Dolly, a defesa dizia que nada de novo ligava ele àquela morte, só a coincidência infeliz de uma segunda tragédia bem parecida.

Sobre a Jennifer, inclusive, a tese da defesa era que ela, esmagada pelo fim do casamento, ô que homem maravilhoso, pelo risco de perder a guarda dos filhos, aí pode até ser, pela descoberta de que o grande amor virtual era uma mulher casada, tinha decidido acabar com a própria vida. Os emails com a Anita seriam a prova do desespero. Os advogados descreviam aquelas mensagens como explicitamente sexuais e um deles chegou a ler trechos em rede nacional.

Parece que não bate aí, né? A família do Bart comprou essa versão completa, viu? Montou até um site de apoio pra arrecadar dinheiro pra defesa. A promotoria enxergava uma outra coisa diferente: um padrão das mulheres, as duas rompendo com o Bart Corbin no momento em que Morreram? Pro promotor, o motivo era esse: elas estavam indo embora, mas o figurão não aceitava. Só que a acusação tinha um problema prático: o álibi. Na noite anterior à morte da Jennifer, o Bart saiu de casa por volta das 10 da noite pra beber com os amigos.

A comanda do bar que a polícia foi atrás indicava que ele tinha tomado umas 6 ou 7 cervejas e depois tinha ido pra casa do irmão Bob. Se ele então passou a noite na casa do Bob, ele não atirou na Jennifer, né? Ele. E tinha um segundo buraco: de onde teria vindo a arma? Aquele revólver não estava registrado no nome do Bart. A resposta pras duas perguntas demorou, mas veio. E veio juntinhas, tá? Às vésperas do julgamento. Primeiro, a arma.

Rastreando o revólver, os investigadores chegaram a um velho amigo do Bart chamado Richard Wilson, que morava em Troy, no Alabama. A umas 3 horas de carro mais ou menos de lá. O Wilson segurou a informação por muito tempo, mas em 2006 ele acabou admitindo. Dias antes da morte da Jennifer, o Bart ligou pra ele perguntando se ele tinha uma arma. Ele tinha. No dia 30 de novembro, então, o Bart foi até lá, o Alabama, né, e voltou pra casa com um revólver, 4 dias antes de a esposa aparecer sem vida.

E a investigação estabeleceu que o revólver entregue pelo Wilson era mesmo a arma usada pra matar a Jennifer. Mas, apesar disso, tinha o álibi, não é? Os registros de telefonia foram usados pela acusação pra sustentar que naquela madrugada o celular do Bart tinha se conectado a uma antena da região da casa do casal e não da região da casa do Bob, irmão dele. O vizinho da família Corbin, o Steve, aquele amigo próximo do casal, sabe?

Contou que viu a caminhonete do Bart na garagem em algum momento entre 1:30 e 1:45 daquela madrugada. Ele evidentemente não olhou o relógio, mas ele presumia, e diz ter ouvido o carro sair de lá pouco antes das 2. A Jennifer, por sua vez, manteve conversas online por volta de 1:40, lembra que eu comentei com a Anita? Pro promotor Danny Porter, então, era tudo compatível com só uma coisa: o Bart esteve naquela casa dentro dessa janela de tempo.

A essa altura dos fatos, a investigação já tinha bastante coisa, não é? Em setembro de 2006, então, começou lá mesmo, em Gwinnett, A seleção do júri pro julgamento do assassinato da Jennifer. O Bart era acusado de homicídio com dolo e, se fosse condenado, podia pegar a pena de morte. E aí, no 4º dia dessa seleção aí, com as provas na mesa, né, a arma agora conectada ao Bart, os dois lados fecharam um acordo. O Bart ia se declarar culpado dos dois assassinatos e ia confessar em audiência pública, e em troca, a pena de morte ia sair da jogada.

Ele receberia duas prisões perpétuas que poderiam ser cumpridas ao mesmo tempo, ainda com direito a condicional lá na frente. Foi mesmo o que acabou acontecendo, viu? No tribunal, diante das duas famílias, o Bart admitiu ter matado a Jennifer e depois admitiu que matou a Dolly também. Isso tudo depois de 2 anos jurando inocência, toda aquela patifaria de site de apoio, advogados caros. Ele confessou e nunca explicou por que caramba fez isso.

E eu diria que deve ter confessado também só pra não receber a pena capital, ou seja, matar pode, mas morrer jamais. O promotor disse que o Bart era uma pessoa inerte e sem emoção naquele momento. O juiz perguntou se ele queria falar, ele disse que não. As famílias, essas sim, falaram. O Max Barber, pai da Jennifer, encarou o ex-genro, um homem que tinha sido parte daquela família por quase uma década, e disse que confessar era a coisa certa a fazer, mas que Deus talvez perdoasse ele.

Ele mesmo nunca, e que esperava que o Bart queimasse no inferno. O Carlton, o irmão da Dolly, disse que o Bart não merecia lugar na sociedade. Até o irmão do Bart, o Bob, aquele da casa do suposto álibi, falou publicamente depois. A família tinha escolhido apoiar o homem em que acreditava e descobriu depois que acabou apoiando o mentiroso. Ele disse ainda que se soubesse que tinha sido o irmão, ele mesmo teria ajudado a polícia a pegar o Bart.

Ficou faltando a única resposta que todo mundo queria, não é? A mãe da Dolly disse isso com todas as letras: por que tinha que ser assim? Por que ele simplesmente não foi embora? O Bart nunca respondeu isso. O advogado dele afirmou que a confissão era pra dar paz às famílias, mas que o cliente não disse o motivo nem pra eles. O que ficou então? Ele assumiu os dois assassinatos, mas não apresentou nenhuma explicação por que ele fez aquilo.

Aquilo. O resto da história é o que sobrou pra quem ficou, não é? O Dalton e o Dylan, os dois menininhos, foram criados pela tia Heather, irmã da Jennifer, e também pelo marido dela, o Doug, junto com os dois filhos do casal. A Heather disse numa entrevista que cuidar de 4 crianças era a parte fácil, difícil era a saudade da irmã. Em Augusta, os colegas de turma da Dolly passaram anos fazendo campanha por uma causa que parecia pequena, Mas no fundo não era, não é?

Em abril de 2007, o Medical College of Georgia concedeu a Dolly Hearn, 17 anos depois da morte dela, o diploma de doutora em odontologia, o primeiro título póstumo da história naquela escola. A família estava lá, evidentemente. No fim das contas, nem a morte impediu que ela virasse doutora, como era o sonho dela. Quanto ao Bart Corby, ele não recorreu diretamente das condenações, porque tinha aberto mão desse direito no tal acordo.

Mas em 2007, ele entrou com um habeas corpus na justiça estadual e, depois de perder ali, levou um novo pedido pra justiça federal. Em 2014, essa petição federal foi rejeitada por ter sido apresentada fora do prazo. O acordo dele previa duas perpétuas cumpridas ao mesmo tempo, com direito à análise de uma possível condicional, pela regra da Geórgia aplicável ao caso da Jennifer. Essa análise o colocaria como elegível já em 2020.

As duas famílias se organizaram pra mandar cartas ao Conselho Penitenciário pedindo que ele não saísse da cadeia, mas o promotor do caso disse que desde a sentença ele não acredita que o Bart vai voltar a viver no mundo livre. Em maio de 2024, ele seguia preso na Geórgia, e é por aí que as notícias desse caso meio que se encerram, tá? E o que fica no fim é aquela imagem dura daquela manhã de 4 de dezembro de 2004, Uma cena montada com cuidado de profissional, boa o bastante pra enganar os primeiros policiais que chegaram, igualzinha a outra que tinha enganado todo mundo por 14 anos, não é?

Tal da confiança do assassino. E atravessando a rua naquela manhã, a única pessoa que leu aquele quarto corretamente, de primeira, um garotinho de 7 anos, bateu lá na porta da vizinha pra contar a verdade. E se ficou a pergunta de como esse garotinho de 7 anos soube na hora aquilo que a perícia levou dias pra concluir? A resposta mais provável é também a mais triste: ele morava dentro daquela história. Segundo relatos publicados depois, o Dalton já vinha dizendo pra outras pessoas há um tempo que tinha medo da violência dentro de casa.

E a tia Heather disse certa vez que, se as crianças perceberam o que perceberam, dá pra imaginar o que acontecia naquela casa. Ondas portas fechavam. A polícia precisou de laudo de antena e de balística. O Dalton, o garotinho, só precisou ter vivido ali dentro. É isso, abduzidos. Que caso triste, né? Comenta aqui para mim o que vocês acharam. Eu agradeço imensamente a companhia. Não esquece o like, o comentário é muito importante. Um beijo.

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MCMarcos Campos

Desde o Ruivo e até o próximo episódio.

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