O Estranho Segredo por trás do Discurso de Adeus: Caso Jayde Panayiotou
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📌 Em 2015, a professora Jayde Panayiotou desapareceu em apenas alguns minutos enquanto esperava uma carona na porta de seu condomínio fechado. O caso chocou a África do Sul e mobilizou centenas de pessoas em uma busca desesperada.Mas, à medida que a investigação avançava, detalhes estranhos começaram a surgir — começando por um emocionante discurso de despedida que levantou suspeitas inesperadas. O que realmente aconteceu com Jayde naquela manhã de outono?Neste vídeo, Marcos Campos detalha os passos da polícia, a armadilha montada em um posto de gasolina e o segredo que mudou os rumos deste crime real.-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br
Marcos Campos
- Julgamento e Condenação· SociedadeChristopher Panayiotou·Lutendo Sione·Vumazonki·Testemunho de Sione·Provas (vídeo, GPS, pólvora)
- Desaparecimento e Morte de Sabine Dumont· SociedadeJayde Panayiotou·Port Elizabeth·Sumário do caso·Busca e descoberta do corpo
- Investigação Policial· SegurancaChristopher Panayiotou·Lutendo Sione·Armadilha no posto de gasolina·Gravação da conversa
- Motivações do crime· SociedadeChristopher Panayiotou·Dificuldades financeiras·Novela O Bem-Amado·Ameaça de deserdamento
- O Discurso de Adeus e SuspeitasChristopher Panayiotou·Discurso fúnebre copiado·Charles Atkins
- Arrependimento e Reflexão· ReligiaoChristopher Panayiotou·Confissão em tribunal·Pedido de perdão·Cartas de Jayde
Em abril de 2015, num posto de gasolina numa cidade do litoral da África do Sul, num canto ali do pátio tem um carro parado, mas não é pra abastecer. No banco de trás, um homem tá esperando. Ninguém que passa por ali tem qualquer motivo pra achar aquilo estranho aparentemente. Até que um segundo homem chega, abre a porta da frente e senta. Os dois conversam por uns 10 minutos, Em determinado momento, o cara da frente entrega um bolo de notas pro cara que tá sentado atrás, pouco depois sai do carro e vai embora como se nada tivesse acontecido.
Só que dentro daquele carro tinha uma coisa que o homem da frente não fazia a menor ideia, uma câmera escondida gravando cada palavra, áudio e vídeo, e essa conversa aí ia custar muito, mas muito mais do que aquele bolo de notas que ele tinha entregue. Eu sou Marcos Campos e pra você entender o que era aquele dinheiro trocado ali de mãos e por que a polícia tava filmando cada segundo daquilo, a gente precisa voltar exatamente 8 dias antes no tempo, até uma manhã de outono em Port Elizabeth, quando uma professora de 28 anos saiu de casa pra pegar a carona de sempre pro trabalho dela, e nunca chegou na escola onde ela trabalhava.
Esse sumiço aí deixou uma pergunta inquietante: como é que alguém desaparece assim em questão de minutos na frente da própria casa, dentro de um condomínio fechado, sem que ninguém veja nada? É tudo isso que a gente vai investigar no episódio de hoje. Então já se ajeita, fica confortável e vamos aos fatos. Pausa rapidinha aqui no vídeo porque tem uma dica muito bacana, tá? Diz aí, você tem aquele pai que adora consertar tudo em casa e depois passa o dia deitado descansando no sofá, acorda tudo quebrado?
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Um dia uma dirigia, no outro dia a outra. Na terça-feira então, dia 21 de abril de 2015, era a vez da Cherise buscar a Jade. Por volta então das 6:30 da manhã, a Jade já tava lá no portão do condomínio esperando a amiga como sempre. Até uma moradora local lá chegou a ver a Jade parada ali, mas quando a Cherise chegou, encostou o carro ali, Minutos depois dessa vizinha ter visto a Jade, ela já não estava mais lá. A Cherise então ligou pro celular da amiga, mas nada.
Foi até a casa, então entrou no condomínio, bateu lá na porta, nada. Foi ela quem acionou a polícia e dali aquilo virou uma bola de neve. No meio da manhã, o desaparecimento já circulava pelo país inteiro nas redes sociais com a hashtag #FindJade, que significa encontrem a Jade. A família já tava até oferecendo uma recompensa por informações. E é aí que apareceu a primeira pista concreta do caso. O cartão bancário da Jaylee foi usado em um caixa eletrônico em KwaNobuli, que é uma região perto de onde ela morava, e isso bem pouco tempo depois do desaparecimento.
Pra investigação, então, aquilo já desenhava um cenário que a África do Sul conhecia bem. Criminosos que rendem a vítima e rodam de caixa em caixa sacando tudo que dá, antes de soltar ou não a vítima. Naquela mesma manhã, a polícia encontrou abandonado um Mazda 323 que estava roubado e se acreditou ter sido usado naquele sequestro, e peritos passaram a madrugada toda vasculhando esse carro. Enquanto isso, a busca virou uma operação com mais de 200 agentes e familiares, amigos, Todo mundo trabalhando noite adentro pra encontrar a Jade.
Na manhã seguinte, 22 de abril, a tripulação de um helicóptero da polícia notou alguma coisa ali numa área isolada, lá mesmo naquela região do caixa eletrônico onde o cartão dela tinha sido usado. As equipes de terra então foram até lá e era o corpo da Jade, num campo aberto assim. Ela tinha sido baleada e tem um detalhe dessa cena aí, que na hora parecia só mais um dado ali no relatório da polícia, Mas ia se tornar muito importante pra essa história.
O relógio da Jade continuava no pulso dela, no pulso esquerdo, e tinha uma pulseira também no pulso direito, mas eu já volto nesse detalhe aí. 3 homens ficaram arrasados com a morte da Jade ali: o pai dela, o sogro e o marido. O nome do marido, inclusive, era Christopher Panayotto. Ele tinha 28 anos à época e namorava Jade desde a época da adolescência, e os dois tinham se casado poucos anos antes. O Christopher era empresário de uma família de comerciantes e ele tocava um supermercado e uma casa noturna chamada Infinity, os dois no bairro de Algoa Park, que ficava lá mesmo em Port Elizabeth.
Enfim, lá na comunidade deles então, eles eram um casal muito bem quisto, conhecidos ali, tipo, sabe, o casal assim bem tranquilão, a professora querida, o empresário trabalhador. O Christopher trabalhava muito, é provável inclusive que tivesse uma boa condição financeira, e isso evidentemente levantou uma dúvida ali naquele primeiro momento, será que a vida deles, vista ali de fora, chamou a atenção de alguém? Será que isso estava relacionado com o suposto sequestro?
Ou talvez será que a Jade conhecia alguém misterioso ainda na história? Eu digo isso porque a amiga da Jade, a Cherise, que dava carona para ela, contaria mais tarde que a Jade andava meio solitária no casamento, disse que ela ficava esperando o marido até tarde para o jantar, porque ele estava sempre dividido entre o supermercado e a boate, enfim, os empreendimentos da família, e não estava ali o tempo todo com ela, chegava tarde.
Bom, daqui a pouco a gente descobre essas perguntas que eu comentei. Será que tem a ver com sequestro pela condição boa da família? Será que a Jade conhecia alguém? Bom, o que eu posso dizer por ora é que o exame do corpo dela apontou 3 tiros de uma pistola 9mm, com os ferimentos na cabeça e no tórax que causaram evidentemente a morte. E os peritos encontraram resíduo de pólvora na mão dela, um vestígio que só ia ganhar o verdadeiro significado 2 anos e meio depois de tudo isso, dentro de um tribunal.
O discurso. O enterro da Jade aconteceu na terça-feira seguinte, dia 28 de abril, uma semana exata depois do sequestro e do assassinato. A cidade estava de luto, uma professora arrancada ali do portão da casa dela e executada num campo a céu aberto, e o caso já era, claro, um assunto nacional. E o momento mais comentado da cerimônia ali do velório da Jade foi o discurso do marido dela. O Christopher subiu ali diante de todo mundo e fez um elogio fúnebre que a imprensa da época descreveu como muito comovente.
Ele disse que a Jade não tinha partido, que ela tava em todo lugar, no vento, no desabrochar das flores, no amarelo dos narcisos, a flor favorita dela, na crista de cada onda quebrando, que aquele dia não devia ser de tristeza e sim uma celebração da vida de uma das melhores criações de Deus. Só que, nos dias seguintes, teve gente achando aquelas frases bonitas demais, prontas demais. Afinal, marido sempre entra no radar em casos assim, não é?
E há aquelas pessoas que vão fazer a sua investigação por conta própria. Nesse caso, os jornalistas fizeram. Eles foram atrás dessas palavras que ele usou no discurso fúnebre lá, então eles jogaram discurso no Google e olha só o que apareceu. A busca bateu com um texto que já tinha sido publicado na internet em 2010, intitulado em tradução livre O Elogio Fúnebre da Minha Doce Esposa, um tributo de um homem chamado Charles Atkins pra esposa dele, a Jennifer.
Parágrafo após parágrafo batia quase palavra por palavra com o discurso do enterro da Jade. A mesma imagem da esposa que reside no vento, até a mesma referência de que ela cozinhava tão bem que faria Mahatma Gandhi quebrar um jejum. A diferença central era uma só: onde tava escrito Jennifer, o Christopher substituiu por Jade. O advogado do Christopher foi perguntar pra ele que história era aquela, não é? A explicação: ele não era bom com palavras e toda vez que precisava falar em público, inclusive no próprio casamento, ele procurava na internet alguma coisa para ele copiar.
E olha, galera, eu preciso comentar que tem gente que realmente trava diante de uma plateia, enfim. Então, assim, era uma situação complicada, ensejava mesmo as pessoas ali olharem para isso de maneira torta, mas poderia ser de fato o que ele falou para o advogado dele. Bom, mas nos dias seguintes ao enterro, a notícia então do elogio Copiado, plagiado, chegou nos jornais quase junto com uma outra notícia, muito maior eu diria.
A polícia tinha prendido pessoas pelo assassinato da Jade. E uma delas era descrita nos comunicados apenas como um parente próximo da vítima, que não podia ser identificado até comparecer ao tribunal. Pra entender então como a polícia chegou até aí tão rápido, a gente precisa voltar alguns dias na história. Porque longe das câmeras, uma outra história tava correndo em paralelo aí. E ela começa com um telefone tocando na mesa de um policial.
A ligação de 27 de abril. Na segunda-feira, 27 de abril, 6 dias depois do sequestro e da morte, um dia antes do enterro, de toda aquela situação que eu comentei há pouco, um capitão da polícia recebeu a ligação de um informante. Então, não foi necessariamente aquele Mazda roubado que eles acharam, lembra aquele carro? Nem o caixa eletrônico que o cartão dela foi usado. Usado que realmente abriu o caso, a investigação mais concreta.
Foi justamente essa ligação aí. A polícia investigou o Mazda, como a gente viu, mas não levou a lugar nenhum. O carro do sequestro era outro, e a gente já vai chegar nele, tá? A pista do informante dessa ligação aí levou a polícia até um nome: Lutando Sione, 31 anos, leão de chácara, segurança de casa noturna, apertado financeiramente enquanto tentava montar aí uma academia, E foi ele que foi preso naquele mesmo dia. E naquele mesmo dia, a namorada dele também, a Babaua Breakfast, nesse mesmo dia ela prestou um depoimento.
Segundo o registro escrito, ela contou que o Sione, o namorado dela, tinha dito que o chefe dele queria que ele matasse a esposa dele. Não a esposa dele, né, a esposa do chefe. E que o Sione respondeu que não podia fazer aquilo. Mas podia arranjar quem fizesse. E que em abril achou quem topasse o serviço por 50 mil rands, que é a moeda sul-africana. E com a Babau, a namorada do Sione, a polícia apreendeu ainda mais 31 mil rands em dinheiro vivo, em espécie, notas que ela mesma tinha contado e escondido dentro de meias velhas.
Isso a pedido do namorado. Interrogado então, o tal Sione entregou uma versão passo a passo que virou a espinha dorsal da investigação. O chefe tinha procurado ele pra arrumar um matador de aluguel pra eliminar a própria esposa, e depois de algumas tentativas frustradas, Sione fechou com um conhecido dele, um cara chamado Vumazonki, de 30 anos, que topou executar esse plano aí. E o chefe do Sione era quem? Ganha um doce quem acertar.
Pois é, o dono da boate Infinity, lembra dela? Ele mesmo, Christopher O panaioto, o viúvo, o homem que no dia seguinte àquele interrogatório ia se levantar no funeral da própria esposa pra ler um discurso de amor copiado da internet. Mas vai vendo, porque tem pano pra manga pra caramba nesse caso ainda, tá? Só que a promotoria tinha um problema clássico nesse momento aí. A palavra de um segurança preso e uma pilha de dinheiro em meias velhas apontavam pro mandante, Mas não amarravam ele.
Pra prender o Christopher, o marido, precisavam de uma prova direta. E ela caiu no colo da polícia pelo movimento mais previsível que existe. O próprio Christopher, sem fazer ideia de que o Sione tava preso, tava colaborando, entre aspas, com a polícia e tinha contado tudo já, ficou ligando pro celular dele insistindo num encontro. A polícia enxergou uma oportunidade aí a chance de montar uma armadilha, o Sione topou cooperar com essa armadilha.
Então eles marcaram para o dia 29 de abril, num posto de gasolina em Algoa Park, 8 dias depois do assassinato, 1 dia depois do enterro. Vai anotando aí no caderninho de investigação. Lembra daquela cena que eu te contei lá no comecinho do episódio? Exatamente essa. O homem no banco de trás era o Sione, preso 2 dias antes. Fazendo o papel combinado com a polícia. O cara da frente era o Christopher, 10 minutos de conversa, tudo gravado.
No fim, o Christopher entregou a Sione 4.550 reais, segundo ele mesmo explicaria anos depois, era pro Sione sumir da cidade até a poeira baixar, ele já entendia que ele ia ser investigado ali. E o que foi dito ali dentro eu te mostro daqui a pouco, tá? Mas o efeito imediato foi Christopher preso naquele mesmo dia 29 de abril, acusado de assassinato, conspiração pra assassinato, sequestro, roubo com agravantes e obstrução da justiça.
Na audiência de fiança dele em maio, o estado colocou na mesa a tese do motivo. O investigador do caso afirmou que o motivo era bem simples: o Christopher tava em dificuldade financeira e em processo de contrair uma dívida adicional de 2,2 milhões de reais, O que, nas palavras deste depoimento, tornaria impossível manter a esposa e a amante satisfeitas ao mesmo tempo. Vai vendo aonde a gente tá chegando. Pois é, o cara tinha uma amante, a Teneu, gerente de pessoal do supermercado do Christopher e da esposa dele.
Um relacionamento de uns 3 anos já, que mais tarde os dois admitiriam abertamente no tribunal Embora a Chanel nunca tenha estado entre os réus do caso todo. E por volta de outubro de 2014, o pai do Christopher, o Costa Panayotto, descobriu todo o caso. O Costa amava a nora dele como uma filha e o recado pro filho, segundo a investigação, foi direto e reto: se continuasse com a Chanel, seria deserdado. Olha só, cara, o marido é um lixo.
Mas o sogro parece que tinha caráter. E lembra da obstrução da justiça na lista do que ele estava sendo acusado? Então, o próprio Christopher admitiu ter mandado apagar os dados do celular justamente para sumir com os rastros da Chanel, da amante. A fiança, ele nem viu a cor. Negada 3 vezes, com a magistrada apontando o risco de fuga porque ele tinha dupla cidadania com o Chipre, e escondeu isso do tribunal também. Portanto, ia esperar o julgamento agora atrás das grades.
Uma esposa que ele não queria largar publicamente, a questão do status, de repente também para manter toda a questão dos negócios, da família. Uma esposa que ficava esperando o cara até tarde, lembra disso? E do outro lado, uma amante que ele não queria largar de jeito nenhum, talvez pelo lance carnal aí, talvez, não sei. E no meio de tudo isso, um pai ameaçando e falando, ó, você termina com essa patifaria aí ou você tá deserdado.
E além de tudo, para ser a gotinha ali para transbordar o copo d'água, uma dívida de milhões batendo na porta dele. Só que apontar o motivo é uma coisa, provar um assassinato encomendado no tribunal é outra completamente diferente. E essa prova quase desmoronou por causa de uma única pessoa: o vídeo. O julgamento do caso começou em outubro de 2016, no Tribunal Superior de Port Elizabeth. No banco dos réus, 3 homens: Christopher Panayotou, o Nemembhe, apontado como o homem que ajudou na execução, um cara chamado Sibeko, acusado de participar da conspiração toda.
Todos se declararam inocentes. O Christopher sustentou que amava a esposa e era vítima de uma armação da polícia, O quarto nome, o Vumazonk, foi apontado como o cara que atirou, o atirador mesmo. Mas ele nunca sentou naquele banco, tá? Ele adoeceu sob custódia da polícia já e morreu em setembro de 2016, semanas antes do julgamento, sem nunca responder por nada. E tinha um quinto nome, Lutando Sione, o cara que, digamos, começou a fechar os elos.
Ele tava num lugar diferente de todos, tá? Em agosto de 2015, o estado tinha retirado as acusações contra ele e transformado ele numa testemunha protegida, imunidade total desde que ele testemunhasse de forma honesta. Era o preço que a promotoria topou pagar, abrir mão do intermediário pra alcançar o mandante. O Sione então passou mais de 1 ano sob custódia protetiva como a futura testemunha estrela de todo o caso. Mas, como você sabe, tem sempre um mas em toda história, não é?
Em novembro de 2016, o Sione finalmente subiu no banco das testemunhas, e desmontou o próprio caso. Perguntado se alguém tinha pedido pra ele arrumar um matador de aluguel, ele respondeu que não. Disse que o dinheiro apreendido nas meias era um plano de poupança que o chefe guardava pra ele. Contradisse ponto a ponto o que ele mesmo já tinha contado à polícia antes. E quando o promotor apertou, falou, fala aí se vai falar, meu filho, que patifaria é essa agora?
Ele simplesmente parou de responder. O juiz declarou: que ele era uma testemunha hostil então. Pouco depois, a namorada dele, a Babaua, fez a mesma coisa, negou os próprios depoimentos, disse que nunca tinha falado aquilo pra polícia e acabou presa por perjúrio, acusação que meses depois foi provisoriamente retirada. Agora, por que os dois jogariam fora um acordo de imunidade daquele jeito? Bom, a defesa foi pra cima com tudo, né?
Alegou que o Sione tinha sido espancado pela própria polícia pra incriminar o patrão e que a gravação do posto de... Aquela gravação da armação no posto de gasolina lá foi fruto de coação e, portanto, não podia valer como uma prova. Isso gerou, claro, um julgamento dentro do julgamento principal, só pra decidir se aquele vídeo lá do posto seria exibido ou não. E o tamanho do que tava em jogo... Com a testemunha estrela queimada e a namorada negando tudo, aquela gravação era a peça mais forte que restava contra o suposto mandante, se o juiz derrubasse esse vídeo por toda a argumentação da defesa desses caras, o caso podia desmoronar junto e chegar num beco sem saída.
O juiz decidiu que o vídeo podia ser exibido, o Christopher tinha ido ao encontro por vontade própria, com a própria agenda, e excluir a gravação não seria do interesse da justiça. Aí o tribunal inteiro assistiu aqueles 10 minutos. Felizmente, não é? Na gravação, o Sione aparece no banco de trás, quase invisível ali. O Christopher aparece na cena e, segundo a acusação, ele se incrimina 5 vezes em 10 minutos. Fala que aquilo tinha virado um sequestro e um assassinato, em vez de ser só um assalto na frente da casa.
Fala que se a polícia perguntasse, ia dizer que o Sione tinha ido pedir dinheiro emprestado. E solta a frase que o juiz depois destacaria como reveladora pro caso, que ele tinha mandado fazerem do lado de fora da casa, e que era pra levarem as bolsas e os anéis, e que eles não tinham levado nem o relógio. Lembra do relógio lá no pulso esquerdo da Jade, quando acharam o corpo dela? Pois é, o marido sabia que o relógio estar no corpo não era parte do plano de roubo, sequestro e tal, Foi essa a leitura do juiz.
Aquela frase demonstrava conhecimento íntimo de um plano profundo, e a gravação confirmava que o Sione e sua namorada tinham contado à polícia lá atrás, antes de mudarem a versão magicamente. O resto da prova foi se encaixando em volta do vídeo. Um perito apresentou animações feitas a partir do GPS de um Toyota Etios branco, alugado pelo Vumazonk, aquele outro carro que eu comentei, lembra? Quando eu falei que o Mazda não tinha nada a ver com o caso?
Então, foi esse outro carro aí que de fato foi amarrado ao sequestro, usado. O rastreador mostrava o Axios diminuindo a marcha na rua do condomínio, bem em frente ao portão, pouco depois das 6 da manhã do dia 21. E depois, ele era visto circulando o condomínio várias vezes, Mostrava também o carro parado na casa do Sione várias vezes, inclusive de madrugada, horas depois do sequestro. Além de tudo isso, um funcionário lá do supermercado do Christopher testemunhou ter encontrado 30 mil reais escondidos numa sacola no depósito da loja, dinheiro que segundo ele, o Christopher disse ser destinado ao Sione.
O que foi contado no tribunal foi que a Jayde foi golpeada na cabeça e empurrada pro porta-malas do carro. Isso com tanta violência que os dedos dela foram esmagados quando a tampa bateu. Ela foi levada viva até aquele campo aberto onde o corpo foi encontrado e ali levou os 3 tiros. E teve o resíduo de pólvora na mão dela, lembra? Se entendeu no tribunal que a mão tava erguida perto do cano da arma no momento do disparo. Vai vendo a covardia.
Na sentença, o juiz disse que aquele vestígio permitia uma única conclusão: nos últimos momentos de vida, a Jade levantou as mãos implorando por misericórdia E o gesto de súplica foi respondido com um tiro na cabeça. Ou seja, ela devia estar assim e o cara aqui perto dela, né? Então, vestígio de pólvora na mão dela que tava tentando se defender. É. E o saque lá no caixa eletrônico, a primeira pista do caso, lembra? Então, o caixa ficava justamente em Cuanabule, na mesma região pra onde a Jade foi levada, como a gente viu.
Quem passou o cartão naquela manhã, as fontes públicas do caso nunca chegaram a esclarecer, mas provavelmente Alguém aí da quadrilha, né? O veredito saiu no dia 2 de novembro de 2017 e o calendário reservou um detalhe que nenhum roteirista teria coragem de inventar, viu? Era o dia do aniversário de 31 anos de Christopher Panayotto. E ele, culpado de assassinato. Nemembi, culpado de assassinato e roubo com agravantes. Sibeco, de conspiração.
A galeria explodiu em palmas. A família do Christopher, sentada logo atrás dele, Caiu no choro. Na sentença, 3 semanas depois, o juiz apontou o que chamou de grande ironia do caso. Christopher se apresentou o julgamento inteiro como o marido devotado, o mesmo homem que tinha coberto a esposa de louvores num elogio fúnebre, copiado, lembre-se disso, enquanto, sem ninguém saber, tinha sido ele mesmo quem pagou pelo assassinato da esposa.
Uma encenação grotesca, disse o juiz, que só cresceu até chegar a proporções descomunais. No dia 24 de novembro de 2017, Christopher Panayotto foi condenado à prisão perpétua. Nemembi pegou perpétua mais 15 anos pelo roubo, Sibeko 15 anos pela conspiração. Christopher recorreu e as tentativas com todas as instâncias não foram pra frente. Caso encerrado. Só que não, porque ainda tinha uma ponta solta enorme nessa história e ela tinha acabado de fugir.
Um dia antes da sentença, o juiz decidiu que os Sione Pois é, o cara que começou tudo isso, depois mudou de ideia, por ter mentido no banco das testemunhas, tinha perdido o direito à imunidade que ele tinha conquistado naquele acordo. E na leitura do tribunal, o testemunho de Sione foi descrito como um coquetel de mentiras, perjúrio, artimanhas, fabricado sob medida pra beneficiar a defesa do Christopher Panayotto. No caso da Babau, a namorada, a corte foi mais longe ainda, concluiu que ela tinha sido subornada pra mudar a versão.
O mandado de prisão contra o Sione foi expedido, mas ele sumiu. A polícia passou quase 6 meses atrás dele, com a família jurando não saber de nada e o advogado sugerindo que ele talvez estivesse fora do país. Até que em maio de 2018, o Sione foi preso. E olha só o detalhe: foi encontrado com uma outra mulher. A ex dele, a Babau, aquela que foi presa por causa dele, inclusive, que tava aí na jogada, tudo pra corroborar as mentiras todas, né?
Agora tava disposta a testemunhar contra o ex-namorado, falando que o cara foi achado com outra mulher. É muita doideira. O banco das testemunhas. Vai vendo onde essa lambança toda vai chegar. O julgamento do Sione agora, apartado, se arrastou por anos. Troca de advogado, adiamentos em cima de adiamentos, mais de 3 anos de prisão preventiva. Quando finalmente começou em novembro de 2021, lá em Port Elizabeth mesmo, já nem se chamava mais Port Elizabeth o lugar, tinha sido renomeada para Que bara!
E o Sione já estava com 41 anos, se declarou inocente novamente. E aí, a promotoria chamou a testemunha principal. Quem? Quem? Olha como o negócio vira. Christopher Panayotto! Pois é, cara. O cara que contratou ele. Que lambança. Trazido da prisão de segurança máxima, onde ele estava cumprindo a perpétua, ele foi lá para testemunhar, para depor contra o homem que um dia tinha sido segurança dele, um cara de confiança. É aquilo que eu sempre falo, né?
A água bate no bumbum e cada um por si. O que ele ganhava com aquilo ali nunca ficou claro, no entanto, no processo jurídico todo, tá? Ele já cumpria a pena e tinha esgotado os recursos todos. O fato é que, apesar disso, ele subiu, jurou e falou. E foi ali, 6 anos e meio depois do crime, que ele admitiu pela primeira vez desde a prisão Que sim, ele participou do sequestro e do assassinato da própria esposa. Quem tava no tribunal descreveu um homem falando baixo, que travava na hora de dizer que tinha planejado matar a esposa e que se referia ao crime o tempo todo só como plano.
Acho que o cara ficou preso lá, deve ter voltado pra realidade, sei lá. The suspect is female, white, late 20s. Female serial killers kill for power, control. I believe there is a deeper motivation here. You have no idea who you're dealing with, and you are going to end up dead. I've been waiting for you. Watch the Hulu original series Furious, now streaming on Hulu and Hulu on Disney Plus for monthly subscribers. Terms apply.
Que negócio da do autoconhecimento, né? Ver o tamanho da merda que fez. E agora vai sobrar pro Panacão aí também, né? Veja só. O que ele contou lá foi que o plano foi colocado em movimento uns 8 meses antes da morte da Jade. O papel dele foi pagar 80 mil reais pelo serviço e depois mais 6 mil pelo carro alugado usado no sequestro. E que, aliás, fecha a conta do dinheiro nas meias da babaua, tá? Pela primeira versão que o Sione deu à polícia, Os mais de 31 mil dinheiros apreendidos eram a parte dele nesse pagamento, o resto tinha ido pro atirador.
A instrução do Christopher era que a Jade fosse morta do lado de fora do condomínio e que tudo parecesse um assalto. Ele disse que não sabia que seria no dia 21 de abril e que só depois se deu conta que o plano tinha sido executado já, e executado fora do roteiro encomendado por ele. Em vez de matarem a Jade ali na porta, eles levaram ela viva até o campo, Era exatamente disso que ele tava reclamando naquele carro no posto de gasolina naquele momento da armadilha da polícia.
Disse também que não fazia ideia de que o Sione tava preso naqueles dias lá onde foi feita essa armadilha, por isso ele ficou ligando, pedindo um encontro que virou arapuca. No fim do depoimento, ele se virou pra família da Jade e pediu perdão, disse que tava profundamente arrependido por toda a dor que ele tinha causado. E o motivo? Nas palavras do próprio Christopher, agora sem mais nada a perder, ele tava sob uma pressão imensa e não conseguia dar conta de tudo que tava acontecendo na vida dele: uma esposa, as dívidas, dois empreendimentos e a amante, né?
Uma mulher morreu executada num campo porque o assassino achava a própria agenda pesada demais. A advogada do Sione não deixou aquilo passar barato, perguntou na lata pra ele: Se a pressão era insuportável, por que ele não tirou, não saiu de cena, se é que vocês me entendem, em vez de mandar matar a esposa? Depois, pegou uma foto em close do corpo da Jade, colocou diante da fuça dele e mandou que ele olhasse bem praquilo que ela chamou de prêmio final dele.
E perguntou: Aquilo ali aliviou o seu estresse? Ele respondeu que não. E é aqui que entra o documento mais difícil dessa história inteira. Em setembro de 2014 ainda, Justamente o período em que, pelo relato do próprio Christopher, o plano tava sendo colocado em movimento, a Jade escreveu cartas sobre a própria infelicidade, mais tarde apresentadas no tribunal. Nelas, ela perguntava pra onde podia se virar, dizia que não tinha ninguém com quem conversar, escrevia que queria uma vida normal, um marido que chegasse em casa num horário normal, que tivesse um emprego normal e que arrumasse tempo pra esposa, pra família.
Alguém que não escondesse ela, que colocasse a esposa em primeiro lugar. Alguém capaz de entender que ter todo o dinheiro do mundo não era tão importante quanto construir uma vida ao lado dela. Caraca, que tapa na cara do condenado, não é? A irmã mais nova da Jade, a Toni, resumiu o que a família sentiu ouvindo o pedido de desculpas desse homem: tarde demais. Ela disse acreditar que Christopher só tava ali por ganho pessoal, e que, falando pela família inteira, nenhum dos acusados jamais seria perdoado.
No dia 25 de novembro de 2021, o juiz declarou o Lutando Sione culpado também do assassinato da Jade. As provas, ele disse, eram esmagadoras. Foi o Sione, meio que o braço direito do Christopher, quem recrutou os matadores em nome do patrão. E o depoimento do próprio Christopher, somado ao vídeo da armadilha, tinha sido um golpe de martelo na defesa. Prisão perpétua como resultado. A família da Jade se abraçou e aplaudiu. O balanço final então ficou: o Vamazonk, o apontado como atirador, Christopher, o marido que encomendou tudo, Nememb, condenado por participar da execução, alguém ali do bando, o Sione, o braço direito do marido, segurança que recrutou os matadores, o Sibeko, condenado pela conspiração, também fazia parte do bando, E fecha com a Babaua, a namorada cujo depoimento abriu esse caso inteiro, mas nunca respondeu por nada.
A acusação do perjúrio foi retirada, como eu disse antes, e depois disso o nome dela simplesmente sumiu dos registros públicos dessa história. E agora eu peço que você recapitule comigo gentilmente algumas informações. A Jade tinha 28 anos, e naquela manhã ela só esperava a carona pra ir dar aula. Pra trabalhar, sem fazer ideia de que o homem que jurou amá-la no altar até o fim da vida tinha decidido que a vida dela precisava acabar porque ele tava— não tava dando conta de tudo que ele queria dar conta.
É mole? Pois é, meus abduzidos, que caso grotesco, lamentável demais, não é? O que se passa na cabeça de uma pessoa né, que se diz aí atribulada, né, com todas as coisas, com a dívida, mas sei lá, né. Tem a questão da amante aí também, não foi exposta muito, provavelmente não achamos nada muito profundo sobre ela. Mas enfim, eu não sei se precisaria dar uma olhada melhor nisso, mas eu acredito que é só o mau-caratismo dele mesmo, né.
Achou que tirar a esposa de cena talvez Facilitaria alguma coisa na vida dele, mas espero que esteja remoendo dia após dia, hora após hora, toda a merda que ele fez. Em nome do quê? Não faço a menor ideia, porque essa justificativa dele é uma grande cretinice, mas eu quero saber a sua opinião. Espaço terapêutico do comentário tá sempre disponível pra gente bater um papo. Não esquece de conferir sua inscrição aqui no canal, se torne membro se puder, me ajuda muito nesse tipo de produção.
Espero que vocês estejam gostando do canal. Recebo muitos comentários bacanas demais, notando toda a questão da produção do canal, que deu uma mudada. Enfim, comenta aqui para mim, feedback de vocês é sempre muito bem-vindo e importante. Agradeço imensamente a companhia, um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.
Emma
Colchões