Episódios de Vamos aos Fatos

Casos Que Marcaram o Brasil para Sempre

29 de julho de 202646min
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📌 O episódio de hoje é um especial sobre cinco histórias que o Brasil nunca conseguiu engolir de verdade. Em muitos desses casos, havia alertas, interdições e irregularidades documentadas, mas a tragédia aconteceu mesmo assim.Marcos Campos reconstrói os fatos do Gran Circus Norte-Americano, da creche Gente Inocente, do rompimento em Brumadinho, da Boate Kiss e do Ninho do Urubu. Por que processos com centenas de mortos levam décadas para um julgamento? O que acontece com um país quando, no fim de tudo, a sensação de impunidade prevalece?Prepare-se para um relato denso, cheio de detalhes e reflexões necessárias sobre justiça e memória.-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br

Participantes neste episódio1
M

Marcos Campos

HostJornalista
Assuntos5
  • Rompimento de BarragensBarragem 1 da Mina Córrego do Feijão · Brumadinho · Vale S.A. · Rompimento de barragem · Acidente de trabalho
  • Incêndio no Gran Circus Norte-AmericanoGran Circus Norte-Americano · Niterói · Incêndio · Vítimas · Dequinha
  • Vítimas fatais do incêndioCentro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente · Questão de São Januário · Incêndio · Empate Santos vs Mira Sol · Professora Elayde Abreu Silva Batista
  • Incêndio em galpão de peçasBoate Kiss · Santa Maria · Incêndio · Festa universitária · Banda Gurizada Fandangueira
  • Incêndio do Ninho do Urubu (Flamengo 2019)Centro de Treinamento Jorge Elau · Eleições Rio de Janeiro · Flamengo · Incêndio · Categorias de base
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MCMarcos Campos

O episódio de hoje é um especial sobre 5 histórias que o Brasil nunca conseguiu engolir de verdade. Em vários desses casos, havia alertas anteriores, interdição, autuação, laudo ou irregularidade documentada e ainda assim a tragédia aconteceu. Quase todos continuam gerando questionamentos até hoje. Eu sou Marcos Campos e algumas perguntas inevitavelmente surgem durante a apresentação desse episódio. Como é que locais com irregularidades documentadas continuaram funcionando?

Por que alguns processos com centenas de mortos levaram muitos anos pra alcançar um julgamento ou uma decisão estável, digamos? E o que acontece com um país quando no fim de tudo ninguém é responsabilizado? Já se ajeita, porque as histórias de hoje são densas pra caramba, cheias de detalhes, então vamos aos fatos. Niterói, estado do Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 1969. Uma tarde especialmente quente, 3.000 pessoas lotam a matinê do Grand Circus norte-americano.

Respeitável público, o Grand Circus norte-americano tem o prazer de apresentar nossa última atração Ainda esta tarde, com vocês, os inigualáveis, os inimitáveis, os internacionais astros do trapézio, The Flyer Santiago! Dezembro de 1961, Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara. A cidade tava agitada porque tinha chegado uma atração e tanto, o Grand Circus Norte-Americano, que se anunciava como o maior e mais completo circo da América Latina.

Eram cerca de 60 artistas, 20 empregados e 150 animais, tudo comandado pelo dono, um empresário chamado Danilo Estevanovich. O circo se instalou na Praça Expedicionário, na Avenida Feliciano, no Sodré, bem no centro da cidade, e estreou no dia 15 de dezembro. E tinha um detalhe que fazia parte da propaganda: a lona era novinha em folha, pesava cerca de 6 toneladas e era anunciada como sendo de nylon, um material moderno, chique, coisa de circo grande.

Só que a lona, na verdade, era de algodão revestido com parafina, uma combinação altamente inflamável. O dia 17 de dezembro de 1961 era um domingo de calor, 2 dias depois da estreia do circo. A sessão daquele dia foi à tarde e estava lotada, com cerca de 3 mil pessoas, muitas delas famílias com crianças. Às 15 pras 4, faltando uns 20 minutos pro fim do espetáculo, a trapezista Nena, Antonieta Stevanovich, irmã do dono do circo, notou uma coisa errada lá em cima.

Fogo na lona. O que veio depois foi de uma velocidade que ninguém conseguiu processar na hora. Em poucos minutos, a lona de algodão revestida de parafina foi consumida e caiu em chamas sobre a plateia. Eram cerca de 3 mil pessoas tentando sair ao mesmo tempo. Houve morte por queimaduras, mas também por pisoteamento. Segundo os levantamentos históricos mais citados, 372 pessoas morreram ainda no local, no meio do pânico, a elefanta Sema fugiu do local.

Relatos históricos dizem que ela rompeu parte ali da lona, abriu uma passagem e as pessoas conseguiram sair por ali, muito embora haja relatos de atropelamento durante a fuga. E aí entra um detalhe que torna essa história ainda mais cruel. Segundo relatos da época, o Hospital Antônio Pedro estava fechado por causa de uma greve médica. As portas então foram abertas pela população e médicos foram convocados pelo rádio. Também há relatos de que teatros e cinemas de Niterói e também das cidades vizinhas interromperam sessões pra perguntar se havia médico na plateia.

E foi nesse cenário que apareceu um nome que provavelmente você conhece: Ivo Pitangui, cirurgião plástico. Ele atravessou a Baía de Guanabara de barco pra atender os queimados. O tratamento daquelas centenas de vítimas exigiu improvisação e técnicas novas, incluindo um dos usos pioneiros de pele liofilizada, que foi doada pelos Estados Unidos. Aprendimento impulsionou técnicas de tratamento de grandes queimados e deu projeção internacional ao trabalho do Ivo Pitangui e também das equipes brasileiras.

É um legado médico gigantesco, mas nascido do pior dia possível. Nos dias seguintes, a conta dos mortos só subia, a imprensa começou falando em 238, depois 260, depois passou de 300 e de 400. O total oficial chegou a 503 mortos, um número ainda discutido por historiadores por causa de enterros sem registro, desaparecidos e vítimas tratadas em outras cidades. Cerca de 70% das vítimas eram crianças e mais de 800 pessoas ficaram feridas.

A comoção chegou ao presidente João Goulart e também ao Vaticano, com registros de manifestação e celebração religiosa pelas vítimas. O cemitério de Maruí, em Niterói, não tinha como comportar tanta gente, e aí entrou em cena uma figura que o Brasil daquela época conhecia muito bem, o palhaço Carequinha, o Georges Savaglia Gomes, filho de trapezistas e primeiro palhaço a ter um programa de televisão no Brasil, na antiga TV Tupi.

Há relatos de que o Carequinha ajudou financeiramente a viabilizar sepultamentos em São Gonçalo. Agora, a polícia precisava saber como é que essa lona pegou fogo. Peritos e autoridades apresentaram versões divergentes, havia quem apontasse acidente e irregularidades no local, enquanto o proprietário do circo e outros investigadores defendiam a hipótese criminosa. A polícia seguiu a linha do incêndio provocado mesmo, foi nos depoimentos dos funcionários do circo que apareceu um nome específico: Dequinha, um ex-funcionário demitido que vinha fazendo ameaças.

Segundo a investigação e a acusação da época, ele teria planejado o incêndio com José dos Santos, o Pardal, e também Walter Rosa dos Santos, o Bigode, isso por vingança contra o dono do circo. A versão acusatória dizia que os três se encontraram no Ponto de Cem Réis e que Dequinha alegava ter uma dívida a receber do dono do circo, o Estevanovitch. Um dos comparsas teria alertado que o circo estava lotado e que pessoas morreriam, mas segundo a acusação, Dequinha não recuou.

Ele foi preso 5 dias depois da tragédia, em 22 de dezembro de 1961, junto com o Pardal e o Bigode. Em 24 de outubro de 62, veio a sentença. O Dequinha recebeu 16 anos de prisão e mais 6 de internação em manicômio judiciário. Já o Bigode, 16 anos e mais 1 em colônia agrícola. E o Pardal 14 anos e mais 2 em colônia agrícola. Caso encerrado então, não é? Bom, não exatamente. O livro O Espetáculo Mais Triste da Terra, do jornalista Mauro Ventura, lançado no cinquentenário da tragédia, aponta que tanto o número de mortos quanto as causas do incêndio seguem cercados de controvérsia.

E tem um epílogo digno de filme, tá? Em 31 de janeiro de 1973, depois de mais de 10 anos preso, O Dequinha fugiu da Penitenciária Vieira Ferreira Neto em Niterói. Menos de um mês depois, ele foi encontrado morto no alto do Morro Boa Vista, na mesma cidade, com 13 tiros. Quem matou o homem tão condenado pelo maior incêndio em número de vítimas da história do Brasil? Ninguém descobriu, até hoje. 6 dias depois da tragédia, o terreno do circo recebeu um novo morador, José Datrino, um empresário do ramo de transporte de cargas que dizia ter recebido um chamado espiritual.

Ele foi ao terreno no circo e passou a pregar ali e seria conhecido pelo Brasil inteiro como Profeta Gentileza. O caso foi reconstituído pelo Linha Direta Justiça em 29 de junho de 2006. A tragédia é geralmente descrita como o incêndio mais mortal do Brasil e uma das maiores, frequentemente dita como a maior, catástrofes circenses já registradas. Foram 503 mortos, Cerca de 7 em cada 10 deles eram crianças, numa tarde de domingo que era pra ser a melhor tarde daquele ano.

Janaúba, no norte de Minas Gerais, tinha cerca de 70 mil habitantes na época. No bairro Rio Novo funcionava o Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, frequentado por crianças pequenas, de 3 a 7 anos. E na rotina daquela creche existia uma figura conhecida, Damião Soares dos Santos, o vigia noturno, então com cerca de 50 anos. Segundo informações reunidas após o ataque, ele havia estudado serviço social em uma faculdade de Januária, que é uma cidade próxima lá, era servidor municipal desde 2008, estava de férias à época dos fatos, e tinha histórico de acompanhamento psiquiátrico, e foi bem no meio dessas férias que chegou a quinta-feira, 5 de outubro de 2017, uma semana antes do Dia das Crianças.

Segundo a reconstituição divulgada à época, por volta das 9:30 da manhã, o Damião chegou à creche com uma mochila rosa e disse que entregaria um atestado médico à direção. Como ele era funcionário conhecido, acabaram abrindo a porta pra ele. Segundo a investigação, a mochila continha um pote de sorvete com gasolina dentro. Ele entregou o atestado à diretora, em seguida espalhou o combustível pela sala onde estavam as crianças e ateou fogo no ambiente e também no próprio corpo.

Testemunhas relataram que, já em chamas, ele agarrou crianças. A sala tinha janelas gradeadas e forro de PVC, condições relevantes pra entender o ambiente embora as fontes consultadas não permitam medir quanto cada elemento desse agravou o resultado catastrófico. No meio daquele inferno, a professora Elayde Abreu Silva Batista fez o gesto mais heroico dessa história inteira, em vez de fugir, ela ficou bravamente, segundo testemunhas, ela entrou em luta corporal com o agressor e ajudou a retirar crianças, com o apoio de Jéssica Morgana, e Geni Oliveira, mulheres que também trabalhavam lá.

Homenagens posteriores atribuem a ela o salvamento de cerca de 25 alunos, mas a contagem exata varia. A Elley, que anos antes havia perdido um filho por afogamento, saiu daquela sala com 90% do corpo queimado e não resistiu. Ao todo, 51 pessoas foram atingidas naquela manhã, a maioria crianças. Entre as primeiras vítimas fatais, estavam Ana Clara Ferreira Silva, Luiz Davi Carlos Rodrigues, Juan Pablo Cruz dos Santos, Juan Miguel e Renan Nicolas, além da professora Eli.

Damião, o responsável pelo atentado, morreu no hospital ainda no mesmo dia. O Corpo de Bombeiros registrou a ocorrência por volta das 9:40 daquele dia. A resposta mobilizou 8 viaturas e 2 helicópteros, e a coisa era tão grave que até bombeiros de folga naquele dia foram escalados em caráter de urgência pro atendimento. As vítimas foram distribuídas entre o Hospital Regional de Janaúba e também o Hospital Fundajã, e aí bateu a realidade do que tava acontecendo.

Janaúba, uma cidade pequena, simplesmente não tinha estrutura pra atender dezenas de queimados graves ao mesmo tempo. Os recursos se esgotaram em minutos. Do lado de fora, pais e mães corriam pra creche sem saber se o filho estava vivo. A cidade inteira parou. Começou então uma operação de solidariedade que atravessou o país todo, crianças foram transferidas de avião para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, referência em queimados, as prefeituras de Montes Claros e também da capital se uniram no atendimento, a Santa Casa de Porto Alegre e o Banco de Pele da Universidade Federal do Ceará enviaram lotes de pele pra tratar as vítimas, equipes que haviam atendido vítimas da boate Kiss também teriam orientado profissionais lá de Janaúba por telefone, Segundo a cobertura da época, foi realmente uma comoção generalizada.

Uma tragédia ensinando o Brasil a socorrer outra. A comoção virou nacional em questão de horas, autoridades federais e estaduais se manifestaram, a prefeitura decretou luto e pediu doações, e artistas usaram as redes sociais pra estimular doações de sangue, medicamentos e apoio às famílias. Formou-se então uma corrente que ia de remédio, a sangue. Mesmo com todo esse esforço, a conta seguiu subindo conforme os internados perdiam a luta.

Em 4 de dezembro de 2017, morreu a Jéssica Morgana, professora da creche que, segundo o Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, havia ajudado a Elaine a proteger as crianças ao lado da auxiliar Geni Oliveira, como eu comentei, que também infelizmente acabou morrendo depois. E no balanço final, morreram 13 pessoas, 10 crianças, Ele, Jéssica e Geni, além, claro, do autor, totalizando 14 mortos. Por essa contagem, o ataque passou a ser descrito como o mais letal ocorrido em uma instituição escolar brasileira.

Que um vigia da creche pôs fogo lá na creche Gente Inocente. 14 pessoas morreram no incêndio, entre elas 10 crianças. Agora, o meio dessa história você já conhece, não é? Mas o fim é diferente dos demais casos dessa lista aqui, porque não houve julgamento criminal do autor, porque evidentemente ele morreu no mesmo dia. O que restou foi a investigação da Polícia Civil, e ela concluiu que o ataque foi premeditado e informou ter encontrado combustível armazenado na casa da pessoa que iniciou tudo isso.

Mas a pergunta é: premeditou por quê, não é? A investigação não estabeleceu uma motivação conclusiva. O histórico psiquiátrico, por si só, não explica o crime e não deve ser apresentado como uma causa precisa. Milhões de pessoas convivem com transtornos mentais sem jamais machucar ninguém. A motivação morreu com o Damião naquela mesma tarde, deixando a cidade sem um réu pra julgar e com o luto como a única certeza. Tem também as camadas das irregularidades, e ela não pode passar batido, tá?

A creche não tinha extintor, sistema anti-incêndio nem alvará dos bombeiros. Eram falhas graves em um prédio cheio de crianças pequenas, com grades nas janelas e forro de PVC. Nada disso causou o ataque, evidentemente, que foi deliberado, mas as fontes consultadas não permitem afirmar quanto essas condições alteraram o número de vítimas. Logo depois da tragédia, a prefeitura chegou a anunciar a demolição da creche, Mas o destino daquele espaço ali acabou sendo outro.

Ele foi reconstruído e reaberto em março de 2018 como Centro Municipal de Educação Infantil. Hoje, no lugar da gente inocente, funciona o Cimei L. de Abreu, batizado com o nome da professora que ficou para ajudar a retirar as crianças daquele fogo. E aqui eu acrescentaria que não há Episódio, não há palavras para expressar o quão heroico foi o ato dessa mulher, não é? Em colocar a vida dela em risco como colocou, teve 90% do corpo queimado em prol de tentar salvar as outras crianças que estavam lá.

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MCMarcos Campos

Pra entender Brumadinho, você precisa saber o que é uma barragem de rejeitos. Afinal de contas, tudo começa ali muito tempo antes. Isso aí trata-se de uma estrutura construída pra conter resíduos do beneficiamento de minério, geralmente uma mistura de partículas minerais e água. Aquele aspecto de barro que o Brasil inteiro conhece. Seus diques e sistemas de drenagem precisam manter a estabilidade ao longo do tempo. A Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi construída em 1976 pela Farteco Mineração e comprada pela Vale em 2001.

Ao longo dos anos, ela foi ampliada várias vezes por diferentes projetistas e empreiteiras. Nos registros oficiais de segurança, a barragem aparecia com categoria de risco baixa, mas dano potencial associado alto. A Duvisur, de uma certificadora alemã, foi contratada para realizar avaliações e emitir declarações de condição de estabilidade da estrutura. E aqui vale lembrar o contexto, tá? O Brasil ainda digeria o rompimento da barragem de Mariana em 2015, também em Minas Gerais e também envolvendo rejeitos de mineração.

O país já sabia o que uma barragem dessa era capaz de fazer se rompesse. Dia 25 de janeiro de 2019, uma sexta-feira, na hora do almoço, às 12:28, a barragem B1 se rompeu e liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, atingindo instalações da mina, moradias, a pousada Nova Instância e a bacia do Rio Paraúbeba. No momento do rompimento, 427 pessoas trabalhavam no complexo da mina. O balanço final: 272 mortos. É considerado o mais grave acidente de trabalho da história do Brasil em número de vítimas.

Os bombeiros de Minas passaram anos procurando corpos naquela lama toda, e houve família que esperou anos pra poder enterrar o seu ente querido. E aí começou a segunda parte da história, a que ainda está sendo escrita nos dias de hoje: a busca por responsáveis A denúncia do Ministério Público sustenta que integrantes da alta administração tinham conhecimento de sinais críticos e mantiveram a barragem em operação apesar disso. As defesas, no entanto, contestam essas acusações.

A Associação dos Familiares das Vítimas, a AVABRUM, chama o que aconteceu, todo esse episódio, de tragédia-crime. Veja só a linha do tempo da justiça nesse caso. Em 2019, relatórios de CPIs recomendaram o indiciamento de empresas e pessoas. Em 2020, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou 16 pessoas por 270 homicídios qualificados e crimes ambientais. A contagem pública de 272 vidas e inclui 2 nascituros de vítimas grávidas.

Pesado isso, não é? Só que o processo, apesar de todos esses números, tudo que a gente viu, aquela visão aterrorizante, travou. Uma disputa sobre a competência levou o caso da justiça estadual à federal, exigindo reorganização dos autos e contribuindo pra demora. O Ministério Público lá de Minas Gerais até tentou reverter a federalização, mas sem sucesso. E os anos foram passando. É um negócio extremamente revoltante pra quem conhece e pra quem vê.

Se coloque por um minuto na pele de um familiar de uma vítima. É uma afronta grotesca à humanidade, eu diria. Enquanto isso, cada lado mostrava a sua trincheira. A Tuvi Sud, lembra aquela empresa que foi contratada pra fazer os laudos da capacidade técnica da barragem? Pois é, ela nega responsabilidade jurídica. A Vale não comenta o mérito da ação criminal e afirma que em janeiro de 2026, 81% dos acordos de reparação estavam executados, além de dizer que segue investindo na segurança das barragens.

Reparação é uma palavra que definitivamente não existe pra quem morre antes da hora, não é? E no lado do dinheiro, de fato, as coisas andaram um pouco mais rápido. Em 4 de fevereiro de 2021, a Vale assinou com o Ministério Público, a Defensoria e o governo de Minas Gerais um acordo judicial de reparação de R$37,68 bilhões, um dos maiores da história do país. Segundo a Vale, 17.500 pessoas haviam recebido indenizações individuais até janeiro de 2026.

Já em outro recorte, o NACAB analisou 319 decisões de segunda instância, proferidas entre 2019 e março de 2023 e classificou 75% como desfavoráveis aos atingidos. E repara na diferença fundamental aqui: reparação financeira é uma coisa, responsabilização criminal é outra. É alguém com nome e sobrenome sendo condenado pelas mortes. E isso, até 14 de julho de 2026, data do fechamento dessa pesquisa, não havia acontecido. Teve até um capítulo na esfera administrativa que resume bem a sensação de impunidade, tá?

Em dezembro de 2024, a Comissão de Valores Mobiliários absolveu o ex-presidente da Vale, o Fábio Schwarzman, e aplicou multa de R$27 milhões ao ex-diretor Gerd-Peter Popinga, por violação do dever de diligência. Era um processo administrativo distinto da ação criminal. O processo criminal já existia, mas só em 23 de fevereiro de 2026 começou a fase de audiências de instrução na Justiça Federal em Belo Horizonte. O conjunto dos processos envolve 17 réus, a ação pelos homicídios tem 16 pessoas físicas, estão previstos 76 dias de audiência até 17 de maio de 2027, com mais de 180 testemunhas.

Depois dessa fase, a Justiça decidirá os próximos passos do processo. No primeiro dia, cerca de 120 famílias de vítimas acompanharam a audiência, com orações e protestos. Faz a conta aí comigo: se tudo correr no prazo, as audiências terminam em 2027. Depois ainda vêm as decisões seguintes, os recursos... As famílias perderam 272 vidas reconhecidas oficialmente. Algumas só puderam sepultar seus parentes anos depois. Mesmo com o cronograma atual, O caso pode chegar a uma década sem uma condenação definitiva.

E pra esse pedaço do episódio, eu já abro aqui o espaço terapêutico dos comentários pra quem se sentir à vontade em comentar alguma coisa sobre tudo isso. Santa Maria tem forte identidade universitária, marcada especialmente pela presença da Universidade Federal lá de Santa Maria e de milhares de estudantes que chegam de diferentes regiões, e onde tanto universitário, claro, a vida noturna, não é? No centro da cidade, uma das casas mais populares à época era a Boate Kiss.

Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, um sábado pra domingo, em pleno verão, a Boate Kiss estava cheia. No palco, uma banda da própria região, a Gurizada Fandangueira, tocava ali o seu repertório, conseguia bem. Centenas de jovens lá dentro, numa festa universitária, uma festa de curso, aquela rotina de cidade de estudante, tudo dentro da normalidade. Ninguém ali fazia ideia de que aquela madrugada ia entrar pra história como uma das maiores tragédias do Brasil e abrir um dos processos judiciais mais insólitos que esse país já viu.

Segundo a investigação, o fogo começou no palco durante o show, um artefato pirotécnico aceso na apresentação atingiu o revestimento de espuma que forrava o teto da boate. Essa espuma, usada como isolamento acústico, não era o material mais adequado do mundo pra aquilo, e em contato com o fogo, além de queimar muito rápido, acabou liberando uma fumaça extremamente tóxica. E é aí que essa tragédia se diferencia de um incêndio comum, digamos, boa parte das vítimas da Kiss não morreu queimada, morreu asfixiada em minutos pela fumaça tóxica que tomou conta de toda a casa noturna, que estava lotada.

A boate tinha uma única saída principal pra rua. Nos primeiros instantes, seguranças chegaram a impedir a passagem sem compreender a dimensão do que estava acontecendo, daquele incêndio. No desespero, houve quem corresse pros banheiros achando que ali ficava a saída. Do lado de fora, ficou registrada uma das cenas mais marcantes da história recente do país: pessoas quebrando as paredes da boate a golpes de marreta pra tentar retirar vítimas enquanto os bombeiros já estavam trabalhando.

Quando o dia amanheceu, o Brasil acordou com um número difícil de processar: 242 mortos. Outras 636 pessoas ficaram feridas, a maioria esmagadora jovens. Uma geração inteira de Santa Maria arrancada numa madrugada. O ginásio municipal virou um velório coletivo. Não deve existir gaúcho que não se lembre de onde que estava naquele domingo, não é? Eu arrisco dizer até que não existe brasileiro. A pergunta óbvia que vem em seguida era: de quem é a culpa disso?

A resposta da justiça levou mais de uma década e dependendo do dia em que você se informava sobre o que estava acontecendo, a coisa mudava completamente. 4 pessoas acabaram indo a júri popular, acusadas de homicídio consumado e tentado: os 2 sócios da boate, Elissandro Calegaro Espor, o Kiko, e Mauro Londeiro Hoffmann, e também 2 integrantes ligados à banda que tocava no dia, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e também o produtor Luciano Augusto Bonilha Leão.

O julgamento só aconteceu em dezembro de 2021, quase 9 anos depois do incêndio, num júri gigantesco transmitido pro país inteiro, tratado como um acerto de contas, entre aspas, histórico. E aí veio a condenação. O Kiko pegou 22 anos e 6 meses de prisão, o Mauro 19 anos e 6 meses, Marcelo e Luciano 18 anos cada, regime fechado com execução imediata da pena. Para as famílias, depois de quase uma década, parecia que finalmente havia ali um ponto final simbólico.

Meses depois, em 2022, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul anulou o júri inteiro. A corte entendeu que o julgamento teve vícios processuais graves, problemas no sorteio dos jurados, uma reunião reservada do juiz com os jurados sem a presença da acusação e da defesa, e falhas na formulação dos quesitos, as perguntas que os jurados respondem pra poder condenar ou absolver. E aqui vale abrir num detalhe, tá? Porque ele explica muita coisa.

Antes do júri, o próprio tribunal gaúcho tinha mandado excluir do processo algumas acusações, Por exemplo, a de que a ordem pros seguranças segurarem a porta lá teria partido dos sócios e a de que os integrantes da banda teriam deixado o local sem dar o alerta pras pessoas. E repara na distinção aqui da coisa, tá? O episódio da porta aconteceu segundo as apurações. O que o tribunal cortou foi a acusação de que os donos mandaram isso acontecer.

Só que, Na hora do júri, essas imputações excluídas anteriormente apareceram nos quesitos apresentados aos jurados mesmo assim. Pro tribunal, então, isso contaminou a condenação. Resultado prático: sentença no lixo e os 4 réus soltos. O Ministério Público recorreu disso e a briga subiu pro Superior Tribunal de Justiça, onde a decisão foi tudo menos unânime. O relator, o ministro Rogério Schietti Cruz, votou pelo restabelecimento do júri, ou seja, ele argumentou que as defesas não demonstraram prejuízo concreto e que algumas reclamações foram apresentadas fora do momento correto.

E depois disso, dois pedidos de vista suspenderam o julgamento, que é quando um desembargador, um juiz, pede pra reanalisar alguma questão. Quando então foi retomado, em setembro de 2023, os demais ministros da turma divergiram do relator e mantiveram a anulação. Sem a intervenção posterior do STF, a perspectiva seria realizar um novo júri então. E aqui eu falei, né, o negócio pedido de vista, o juiz ou desembargador, mas ministros também, tá?

Só que continuando aqui, ainda tinha uma instância acima, não é? Em março de 2024, o STJ então admitiu o recurso extraordinário do Ministério Público e o caso foi para o STF, o Supremo Tribunal Federal. Em setembro de 2024, o ministro Dias Toffoli virou o jogo de novo desse caso e ele decidiu que as anulações anteriores tinha violado a soberania do júri popular, que é um princípio constitucional, ao reconhecer nulidades que na visão dele ou não existiam ou foram alegadas fora do momento processual correto.

Até a famosa reunião reservada do juiz com os jurados pro ministro foi um erro processual, sim, mas um erro que não bastava pra derrubar o júri sem prova de prejuízo concreto à defesa dos réus. Doffoli então restabeleceu as condenações e mandou prender os 4 imediatamente. Em fevereiro de 2025, a 2ª Turma do STF confirmou a decisão por maioria. As condenações valem, as prisões ficam. Fim de papo? Ainda não. Restavam as apelações no tribunal gaúcho.

Em agosto de 2025, o TJRS confirmou a validade do júri e fixou as penas em 12 anos para o Elisandro Spohr e Mauro Hoffmann e 11 anos para Marcelo dos Santos e Luciano Bonilha. Ou seja, apesar de concordar com manter as condenações, houve uma redução drástica do número de anos da pena. O Ministério Público recorreu da redução. Até março de 2026, Elissandro, Marcelo e Luciano haviam obtido livramento condicional e Mauro progressão ao regime aberto.

E é por tudo isso que eu chamei esse pedaço do capítulo de novela judicial, porque dá uma recapitulada aqui comigo essa montanha-russa. Que essas famílias viveram. Condenados em 2021, soltos pela anulação em 2022, anulação confirmada em 2023, presos de novo em 2024, condenações reafirmadas e penas reduzidas em 2025, e em março de 2026, os 4 estavam fora do regime fechado, 3 em livramento condicional e Mauro em regime aberto. Daqui saíram leis novas de segurança contra o incêndio, fiscalizações em cascata pelo país inteiro e a promessa de que nunca mais ia acontecer.

Mas tem sempre demais, não é? Pouco mais de 6 anos depois da Kiss, 10 adolescentes morreram enquanto dormiam em um alojamento sem alvará no Rio de Janeiro, e a história se repetiu.

?Voz C

O incêndio no Ninho do Urubu completa 5 anos hoje. A tragédia provocou a morte de 10 meninos entre 14 e 16 anos que integravam as categorias de base do Flamengo. Na época, o fogo atingiu o alojamento onde eles dormiam nas instalações do clube. Além das vítimas fatais, outros 16 sobreviventes também estavam no local. Todas as famílias das vítimas já fecharam acordo com o clube carioca, menos a de Christian Esmeril, um dos meninos que perdeu a vida no alojamento.

Os familiares não chegaram a um consenso com o Flamengo, que se exime de culpa no incêndio e considera que o valor cobrado no processo é exorbitante.

MCMarcos Campos

Todo moleque brasileiro que joga bola aqui já teve o sonho de ser jogador, não é? Ser aprovado aí na peneira de um grande de clube. E pros garotos da base do Flamengo, o sonho tinha endereço: o Centro de Treinamento Jorge Elau, o famoso Ninho do Urubu, em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio. Muitos deles vinham de longe, de outros estados, outras cidades, deixavam a família aos 13, 14 anos pra morar lá no CT. O clube então era, na prática, a casa e a família daqueles garotos.

Só que a parte do CT onde eles dormiam não era bem um alojamento, tá? Era um contêineres, estruturas metálicas adaptadas pra funcionar como dormitório. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro e documentos administrativos, a área funcionava sem o certificado exigido, no entanto. Já havia sido autuada, interditada e apresentava irregularidades elétricas identificadas em 2018. Os quartos tinham janelas gradeadas, na prática, a porta era a única saída daquele módulo, digamos.

Assim, na noite de 7 pra 8 de fevereiro de 2019, 26 atletas das categorias de base estavam dormindo nesses quartos ou nesses contêineres. Por volta das 5:10 da madrugada do dia 8 de fevereiro, o fogo começou em um aparelho de ar-condicionado e se propagou rapidamente pelo revestimento inflamável das estruturas. O incêndio atingiu os 26 garotos enquanto eles estavam dormindo. Os sobreviventes saíram pela única porta do módulo. 16 conseguiram sair de lá com vida. 3 deles se feriram: Jonathan Ventura, Diogo Alves e Cauã Emanuel.

E 10, infelizmente, não conseguiram sair. Eu vou dizer os nomes deles porque é o mínimo, não é? Átila Paixão, 14 anos. Arthur Vinícius, de 14. Bernardo Pizzetta, 14. Gedson Santos, 14 anos também. Pablo Henrique, também de 14. Christian Smério, de 15 anos, goleiro que já vinha vestindo a camisa das seleções de base do Brasil. Jorge Eduardo Santos, de 15 anos também. Samuel Thomas Rosa, de 15. Vitor Isaías, também de 15. E Riquelmo de Souza, mais velho deles, com 16 anos. 10 adolescentes que perderam a vida durante o sono, dentro do centro de treinamento de um dos maiores clubes do Brasil.

O país inteiro ficou chocado e parou com isso. E no meio do luto, a expectativa era uma só. Dessa vez, com tantas tragédias que já tinham acontecido, com vítimas tão novas, com tantas irregularidades documentadas até onde se tinha notícia, com interdições e autuações anteriores nos autos, com precedentes de tragédias anunciadas, alguém ali agora talvez fosse responder por tudo isso, certo? Bom, Em 2021, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 11 pessoas por incêndio culposo qualificado pelas mortes e lesões, dirigentes do Flamengo, pessoas ligadas à NHJ, que é a fornecedora dos contêineres, e também o responsável pela manutenção dos aparelhos de ar-condicionado.

Pro Ministério Público, o incêndio era evitável e resultou de uma cadeia de omissões e irregularidades. Essa era a tese acusatória contestada pelas defesas. Aí o processo começou a encolher, digamos. Ao longo dos anos, réus foram sendo excluídos. O caso mais simbólico é o do ex-presidente do clube, Eduardo Bandeira de Melo, que saiu do processo por prescrição. O que quer dizer? O tempo passou tanto que a punição virou juridicamente impossível pra ele.

Dos 11 denunciados, sobraram 7 no banco dos réus. 2 ex-diretores do Flamengo, o Márcio Garotti, do financeiro lá do clube, e Marcelo Maia de Sá, do patrimônio. 4 pessoas ligadas à fornecedora dos contêineres e também o sócio da empresa ali de manutenção dos ar-condicionados, o Edson Coman. Em maio de 2025, depois de ouvir mais de 40 testemunhas, o Ministério Público pediu a condenação de todos. Em 21 de outubro de 2025, quase 7 anos depois do incêndio, saiu a sentença da 36ª Vara Criminal do Rio.

Assinada pelo juiz Thiago Fernandes de Barros. Absolvição em primeira instância dos 7. O Ministério Público do Rio de Janeiro vai recorrer das absolvições de 7 acusados por envolvimento no incêndio no Ninho do Urubu em 2019, que vitimou 10 jovens e deixou 3 feridos. Com o recurso, o caso deve seguir para a segunda instância. Em síntese, o juiz considerou não demonstrados com segurança a culpa penal individual e o nexo causal entre as condutas de cada acusado e a ignição do fogo.

A sentença apontou ainda que a perícia concluiu que o fogo começou por problema interno no ar-condicionado, mas permaneceu dúvida sobre o mecanismo exato, porque componentes essenciais foram destruídos e não houve ensaio de laboratório reproduzindo a falha. O diretor financeiro não tinha obrigação técnica sobre a manutenção, o do patrimônio atuava na parte administrativa, Os responsáveis pelos contêineres afirmaram ter seguido as regras e certificações da época, e não foi provado vínculo entre o técnico de manutenção e o aparelho que iniciou o fogo, pois o reparo realizado por ele havia sido em outro quarto.

E tem um ponto da sentença que as famílias não conseguem engolir. O texto reconheceu falhas na instalação, incluindo alterações na potência dos aparelhos e problemas estruturais na rede elétrica, mas entendeu que não havia prova suficiente pra atribuir responsabilidade penal individual aos 7 acusados. As esferas penal, cível e administrativa são distintas e uma pessoa jurídica não recebe pena de prisão, como a gente sabe. Resumindo a ópera, a AFAVINO, que é a associação que reúne as famílias dos 10 meninos, classificou a decisão como afronta à memória das vítimas e falha grave Justiça.

O Ministério Público recorreu em novembro de 2025. Até 14 de julho de 2026, como eu disse, encerramento dessa pesquisa, não foi localizada decisão de mérito do tribunal sobre esse recurso. Na esfera cível, em um dos processos, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a responsabilidade do Flamengo e rejeitou o pedido de divisão da obrigação com a fornecedora dos contêineres, e todas as 10 famílias fecharam acordos com o A última foi a do goleiro Christian Smério, em fevereiro de 2025, 6 anos depois do incêndio.

E toda vez que eu conto histórias assim, que a gente fica com essa percepção ruim, né, de um funcionamento de justiça, eu me lembro da tragédia do voo da Gol, né, que colidiu lá com aquele jatinho particular que tava sendo trasladado aí, né, de algum lugar aqui pros Estados Unidos. Houve a colisão e o avião da Gol caiu e matou aí muitas pessoas. Que fim levou isso aí, não é? Uma responsabilização completamente pequena diante da tragédia, quando a investigação apontou que houve sim ali elementos de negligência.

Então a gente fica com essa sensação ruim, não é? E aqui eu também gostaria de propor uma reflexão. Aventou-se aí durante toda a discussão do caso que os contêineres talvez não estivessem dentro das normas contratadas, ou seja, aquele jogo de empurra-empurra, não é? Mas a pergunta que fica é: se não estavam dentro das normas, quem é que recebeu e não viu isso, não é? Tudo muito lamentável. Mas você deve estar querendo saber dos 3 sobreviventes, né?

Os feridos. Diogo Alves chegou ao elenco profissional do Flamengo depois. Já o Cauã Emanuel passou por clubes como Fortaleza, Ferroviária e Maranguape. E o Jonathan Ventura, que era uma das promessas da base, encerrou a carreira em 2023 por causa das sequelas das queimaduras e passou a trabalhar na área de scout lá do Flamengo, analisando dos jogadores. Ele sobreviveu ao fogo, mas o fogo levou a carreira dele, não é? E assim fica o placar desse caso. 7 anos depois, 10 meninos de 14 a 16 anos mortos, um sobrevivente obrigado a pendurar as chuteiras no começo da carreira, e um alojamento que funcionava sem o certificado exigido já havia sido interditado.

Até 14 de julho de 2026, não há condenação criminal a reforço. Os 7 réus foram absolvidos em primeira instância. E o recurso do Ministério Público ainda aguarda uma decisão em um julgamento. É assim que 5 casos ficaram entalados na garganta de todo brasileiro: um circo em 1961, uma boate em 2013, uma creche em 2017, uma barragem e um alojamento em 2019. 5 casos, quase 6 décadas de distância entre o primeiro e o último. Em vários deles havia alertas, laudos, autuações ou irregularidades anteriores.

Depois da tragédia, a resposta judicial foi lenta, incompleta ou profundamente contestada. No caso do Circo, o condenado morreu com 13 tiros e ninguém respondeu por isso. Na Kiss, as condenações foram restabelecidas, as penas foram redimensionadas e até março de 2026, os 4 condenados estavam fora do regime fechado. Em Brumadinho, a fase de audiência de instrução começou 7 anos depois da lama, que aliás lama é um substantivo que se encaixa à perfeição como adjetivo em muitos desses casos, não é?

E no Ninho do Urubu, 7 réus foram absolvidos em primeira instância, mas o Ministério Público recorreu. Então, diante de tudo isso, me conta aqui nos comentários qual desses casos ficou entalado aí pra você e qual deles você acha que merece um vídeo completo aqui no canal. Não se esquece de verificar sua inscrição, se tornar membro pra ajudar nos episódios. Um beijo do Rui, E até a próxima.

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