Episódios de Vamos aos Fatos

O Plano Macabro que a Polícia Levou 14 Anos para Fechar

27 de julho de 202640min
0:00 / 40:52

📌 Em abril de 2012, Brittany Killgore, de 22 anos, enviou uma única palavra para uma amiga: "Socorro". O que parecia um convite inofensivo para um jantar em um cruzeiro revelou uma vida dupla sombria, fetiches perigosos e um plano de vingança que chocou a Califórnia.Este caso é um dos mais bizarros que já narrei aqui no canal. O que você acha que realmente aconteceu dentro daquela casa? Comenta aqui embaixo. Não esquece de verificar sua inscrição para chegarmos ao nosso 1 milhão de inscritos em 2026!-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br

Participantes neste episódio1
M

Marcos Campos

HostJornalista
Assuntos6
  • Carta manuscrita de Jair BolsonaroRelação com Jéssica · Davi Brito e a cãibra · Louis Rey Pérez · Dorothy Maraglino
  • O plano macabroDavi Brito e a cãibra · Dorothy Maraglino · Louis Rey Pérez · Relação com Jéssica · BDSM
  • Carteirada e Hierarquia SocialLouis Rey Pérez · Dorothy Maraglino · Relação com Jéssica · O Comandante Gilberto Araújo da Silva
  • A mensagem de salvação em CristoDavi Brito e a cãibra · Carolyn Bessette · Louis Rey Pérez
  • O convite para o cruzeiroDavi Brito e a cãibra · Louis Rey Pérez · Dorothy Maraglino · Carolyn Bessette
  • Julgamento e CondenaçãoLouis Rey Pérez · Dorothy Maraglino · Relação com Jéssica · Patrick Espinoza
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MCMarcos Campos

Era 17 de abril de 2012 quando policiais do condado de San Diego, na Califórnia, arrombaram a porta de um quarto de hotel perto do aeroporto da cidade. Lá dentro, eles encontraram uma mulher jovem, seminua, sangrando pelo pescoço. Aparentemente, ela mesma tinha feito aquilo. E no espelho do quarto tinha um recado mandando que os policiais olhassem ali pra baixo. Logo abaixo havia uma carta de 7 páginas escrita à mão e reproduzida em mais de um exemplar.

Um deles era endereçado a alguém que ela chamava de mestre, o outro aos pais, e havia ainda uma versão destinada a uma emissora de televisão local. Naquela mesma tarde, o que estava escrito naquelas 7 páginas levou os investigadores direto a uma coisa que vinha sendo procurada fazia dias já, mas sem sucesso. Só que aquela carta tinha um problema. No meio da confissão perfeita existiam detalhes que não fechavam, e foi puxando o fio do que não fechava que os investigadores chegaram até uma casa no interior da Califórnia.

E o que tinha dentro daquela casa é uma história pra lá de bizarra. Eu sou Marcos Campos e o caso de hoje acontece em Fallbrook, que é uma cidadezinha no interior da Califórnia colada em Camp Pendleton, que é uma das maiores bases do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Numa sexta-feira de abril de 2012, uma mulher de 22 anos saiu de casa pra um jantar num cruzeiro. 10 minutos depois de entrar num carro, ela mandou uma única palavra pra uma amiga: socorro.

Foi a última mensagem que ela escreveu em vida, embora o celular dela tenha seguido conversando a noite toda. 4 dias depois, apareceu aquela carta lá no hotel. E o que a carta dizia, e principalmente o que ela errava, manteve esse caso vivo nos tribunais da Califórnia por 14 anos. A decisão mais recente inclusive saiu agora em 3 de junho de 2026. Vem comigo então pra gente montar esse caso peça por peça e nós estamos finalmente chegando à meta de 1 milhão de inscritos aqui no canal, isso é muito importante simbólico, tá galera?

Então já aproveita e confere aí a sua inscrição, quem sabe dá tempo de bater essa meta ainda em 2026, combinados? Recados dados, vamos aos fatos. O convite. Era uma sexta-feira, 13 de abril de 2012, em Fallbrook, na Califórnia. Brittany Kilgore tinha 22 anos e ela naquela tarde estava encaixotando algumas coisas, na verdade praticamente encaixotando a vida dela ali naquele local. Ela estava de mudança para a Pensilvânia, ela era casada com o cabo Corey Kilgore, um fuzileiro naval, que naquele momento servia no Afeganistão.

O casamento já tinha acabado na prática, já fazia algum tempo, e agora ela finalmente tava organizando tudo ali para poder voltar para perto da família dela. Uma amiga chamada Jenny estava lá na casa ajudando a Brittany com as caixas. A Jenny morava no mesmo condomínio, assim como a Elizabeth Hernandes e a Jéssica Perry. E essas três mulheres são muito importantes, então memoriza o nome delas, tá? Porque cada uma delas vai testemunhar um pedaço dos minutos mais importantes dessa história.

Bom, por volta das 16:38, alguém bateu na porta da casa da Brittany. Era um homem que a Brittany conhecia, mas conhecia assim vagamente. Tanto que a primeira coisa que ela perguntou foi como ele tinha achado a casa dela, como ele sabia onde ela morava. O homem então respondeu que tinha perguntado por aí. Agora, pra entender quem tava parado na porta da Brittany, Eu preciso voltar um ano aqui nessa história, tá? Veja, em 2011, a Elizabeth Hernandes, uma das amigas da Brittany, respondeu a um anúncio ali que ela viu na internet de um monitor de fertilidade.

Quem tava fazendo esse anúncio aí era uma mulher chamada Dorothy Maraglino, e essa Dorothy morava ali também em Fallbrook. As duas estavam tentando engravidar, elas acabaram se identificando ali com o mesmo assunto, não é? Ficaram amigas. Colegas, talvez. Elizabeth então passou a frequentar a casa da Dorothy e de vez em quando ela levava a Brittany junto. E foi nessas visitas aí que a Brittany acabou conhecendo um homem chamado Louis Rey Pérez, um cara que era sargento do Corpo de Fuzileiros Navais e companheiro da Dorothy.

Então ela conheceu realmente o cara aí por cima, e o Pérez vivia dentro de uma casa dentro da base militar lá. E só aparecia ali na casa da Dorothy de tempos em tempos. Essa descrição parece meio esquisita, mas aguarda aí que vocês vão entender. Pode melhorar o entendimento ou como pode ficar mais esquisito ainda, mas veja. E era então justamente esse cara aí, o Sargento Pérez, que estava lá na porta da casa da Brittany naquela sexta-feira.

Então, nessa mesma tarde, antes de aparecer ali, a Elizabeth, uma das amigas da Brittany, Vamos anotando tudo aí que são vários nomes, vários elos dessa corrente criminal aqui. Então, essa vai precisar do caderninho de investigação, tá? Mas veja bem, a Elizabeth então, ela tinha ido, antes de ir lá ajudar a Brittany com as caixas da mudança, ela tinha passado na casa da Dorothy, supostamente para devolver um carregador aí de uma câmera, enfim, que ela tinha emprestado.

E durante essa conversa aí, ela contou que tinha feito um cruzeiro no porto de San Diego e comentou que a Brittany queria muito conhecer esse passeio aí antes da mudança. Aparentemente uma conversa trivial, afinal de contas a Dorothy também conhecia ali a Brittany de certo modo. Elizabeth então acabou comentando ali. E aí o Pérez, o sargento, tava lá nesse momento e ele com a Dorothy então ouviram, né, a Elizabeth falando isso aí.

E nenhum dos dois falou que tinha um ingresso ou um plano de fazer cruzeiro naquele dia ainda, melhor dizendo, naquela noite. Mas vai vendo, então De volta à porta, com o Pérez batendo lá, esse primeiro elo se fecha, porque o Pérez disse agora que tinha sim 2 ingressos pra um jantar no cruzeiro naquela mesma noite, exatamente o passeio que a Brittany supostamente queria muito fazer. Então ele falou que não tinha companhia pra ir naquela noite e insistiu muito pra que ela fosse com ele.

Começa a ficar esquisito, não é? Mas piora. Ela disse que não, a Brittany. Eles mal se conheciam, afinal de contas, não é? O Pérez então falou, ah, beleza, anota meu número aí, caso você mude de ideia dá uma ligada. E ele pegou e foi embora. E os registros ali das câmeras do condomínio onde morava a Brittany realmente registram ele indo embora por volta das 16:54. Poucos minutos depois, a Brittany mandou uma mensagem pro Sargento Pérez, mas não era sobre o Cruzeiro não, tá?

Ela tava perguntando pra ele se ela conhecia alguém que pudesse ajudar ela a carregar as coisas da mudança, uma vez que ela ia mudar a semana que vem. E aí o Pérez respondeu essa mensagem com uma coisa estranha, uma proposta meio insólita. Ele disse assim, ó: se você for comigo no cruzeiro essa noite, amanhã eu mando uns amigos meus aí para ajudar na mudança. A Brittany, claro, hesitou ali, né, porque ela sabia, além de tudo, que isso aí ia pegar mal e que a Dorothy, a companheira do Sargento Pérez, aí não gostava muito dela.

Por quê? Ainda não sabemos. Então sair para jantar com o homem da Dorothy Poderia dar um problemão. E esse homem da Dorothy tem um asterisco aí, viu? E olha, daqui a pouco eu conto em detalhes e eu vou dizer que é um baita asterisco. Mas continuando aqui a cronologia, nesse dia aí, às 17:55 já, a Brittany então liga pra Dorothy, mas cai na caixa postal, talvez pra dizer, né, que ela ia fazer isso aí com o Pérez. 10 minutos depois dessa ligação, a Dorothy retorna, E a Jenny, lembra da amiga que tá ajudando lá com as caixas?

Então, ela tava lá ainda nessa altura aí dos fatos e ela ouviu a conversa. Ela disse que a Dorothy tava simpática, rindo, e disse pra Brittany ir tranquila com o Pérez. Ela já tava sabendo, ela própria não podia ir naquele dia porque ela tava grávida e poderia enjoar no barco, conversa e tal. A Brittany então ficou mais tranquila com isso, né? Disse que era realmente o sonho dela antes da mudança ali. Enfim, e além disso ela disse pra Tene, amiga dela que tava ali com ela, que ela não tinha o menor interesse no Pérez, só queria realmente conhecer o jantar no cruzeiro antes de ir embora da Califórnia.

Por volta das 6:10 da noite então, ela aceitou o convite e perguntou novamente sobre a ajuda na mudança. Aí o Pérez falou assim, ó, fica pronta aí 7:30 e amanhã de manhã meus amigos estão aí. 7:31, o Pérez avisou que ele tava atrasado e pediu que ela esperasse do lado de fora do condomínio, na calçada. A Brittany estranhou, afinal de contas Tava chovendo. Então ela insistiu para que ele entrasse com o carro no condomínio e o Pérez cedeu.

Galera, parece um detalhe bobo, mas depois durante toda a investigação você vai falar assim: caramba, agora eu entendi. Bom, por volta das 7:37 então o Pérez chegou. Às 7:39 a Brittany ainda escreveu para uma outra amiga dela, uma terceira que morava ali no condomínio também, a Jéssica Perry, contando que ia ao jantar no Cruzeiro com o Sargento Pérez e talvez passasse na casa dela depois. Um minuto mais tarde, o carro deixou o estacionamento lá do condomínio e é ali dentro daquele carro que a Brittany Kilgore é vista pela última vez.

Socorro! This episode is supported by FX's *The Shards*, a seductive drama from executive producer Ryan Murphy. Set in 1980s Los Angeles, the series follows a group of glamorous, deeply entangled high school seniors drawn into a life of wealth, beauty, parties. And excess. At its center is Brett, whose reality begins to unravel when the arrival of a new student coincides with a series of mysterious murders. FX's The Shards premieres August 5th on FX and Hulu.

Às 7:50 daquele dia, 10 minutos depois de sair do condomínio, o celular da Brittany dispara uma mensagem para Jenny Tal. A palavra era suco. Socorro. A Tiani responde na hora, pergunta se tá tudo bem e fala pra amiga ligar pra ela, mas nada. Pouco depois, finalmente chega uma resposta do celular da Brittany: Sim, eu tô amando essa festa. A mensagem não tranquilizou, na verdade, a Tiani, acendeu uns alarmes ali pra ela, sabe? Primeiro, que festa é essa?

O plano era um jantar no cruzeiro, não é? Segundo, a Brittany não escrevia daquele jeito. Segundo as amigas dela, tanto a Tiani quanto as outras que moravam ali, ela nunca usava aquele sim que tava ali na mensagem, um sim formal, ela sempre abreviava, então aquela mensagem não parecia exatamente dela. Às 8:07 veio outra mensagem falando dos homens bonitos da suposta festa. A Tiani então exigiu que a Brittany ligasse pra ela naquele momento.

O telefone fez duas chamadas bem curtas, às 8:09 e às 8:10, mas do outro lado ela não conseguiu ouvir a amiga. Logo depois, Chegou a justificativa pra isso: tava tudo bem, mas a música tava alta demais, por isso que ela desligou. Era como se alguém tentasse provar que a Brittany estava bem sem permitir uma conversa de verdade. E eu acho que vocês, com 20 anos de curso de investigação, já perceberam isso, né? Às 8:21, Elizabeth liga pra Dorothy e pergunta se ela tinha falado com a Brittany naquele dia.

A Dorothy responde que não. Que não tinha falado com ela nenhuma vez. Hmm, lembra que a Tiani tinha ouvido a conversa das duas menos de 3 horas antes? Pois é, não é? Às 8:40, a Jessica Perry liga agora diretamente pro Sargento Pérez. Ele conta que tinha deixado a Brittany no centro de San Diego, numa balada, e que a última vez que a viu, ela conversava com alguns homens na porta. Só que Pérez foi repetindo uma coisa sem que alguém tivesse perguntado para ele.

O rosto dela tava bem, o rosto dela tava ok. A Jéssica achou aquilo meio esquisito, não é? Às 10:10, a Tiani manda uma pergunta final para o celular da amiga: devo chamar a polícia? E a resposta é: eu tô bem. Naquela mesma noite, um homem que dormia perto de um motel ali no centro de San Diego, um homem em situação de rua, acordou, encontrou um celular ali largado perto dele. Era o telefone da Brittany. Na manhã seguinte, Elizabeth confrontou a Dorothy, ela sabia que as duas tinham conversado, falou isso pra Dorothy, né, eu ouvi, aí a Dorothy gaguejou, passou o telefone pro Sargento Pérez, e durante a mesma ligação ele mudou a versão da noite anterior mais de uma vez.

Foi nesse momento que as amigas registraram o desaparecimento da Brittany na polícia. As 7 páginas. O registro oficial pra polícia entrou num sábado de manhã. Naquela mesma tarde de sábado, a última pessoa vista com Brittany apareceu espontaneamente no condomínio dela pra falar com os policiais que estavam lá, ele mesmo, o Sargento Pérez. Quem recebeu ele foi o investigador James Brenneman, e a conversa que deveria ser de rotina deixou o investigador ali com uma pulga atrás da orelha, bem incomodado.

Por 3 motivos. Primeiro, o retrato que o Pérez pintou da Brittany diz que ela era uma mulher avoada, promíscua, que tinha bebido naquela noite. As amigas foram ouvidas na sequência e discordaram de tudo isso. Segundo, Pérez garantiu que a Brittany tinha mandado pra ele uma mensagem dizendo, eu tô bem. Quando o Brenna, o detetive, procurou a mensagem no celular do sargento, no entanto, não encontrou nada. E o terceiro motivo, Nem precisou de pergunta, porque tava no estacionamento ali que o sargento chegou, era um carro, um Ford Explorer, coberto de lama fresca, tinha chovido muito naquela noite, onde então aquele carro tinha rodado de madrugada pra voltar naquele estado, não é?

O Pérez aceitou prestar depoimento formal e autorizou a revista do carro dele, e dentro do carro os policiais acharam um fuzil de assalto roubado, no dia 15 então o sargento foi preso, mas pelo fuzil, não é? Não pelo desaparecimento da Britta. Brittany. Contra o caso da Brittany, aí os policiais não tinham nada ainda. As atenções então se voltaram pra casa da Dorothy em Fallbrook, onde o Pérez passava boa parte do tempo, como a gente viu.

E ali morava também uma terceira pessoa, Jessica López, de 25 anos. E é Jessica López, tá? Não é a Jessica Perry, que é amiga da Brittany, que morava no mesmo condomínio dela, tá? São vários nomes, tá com o caderninho aí? Os investigadores então entraram naquela casa ali, onde vivia a Dorothy, a Jéssica e às vezes o Sargento Pérez, nos dias 15 e 16. Na primeira busca, eles encontraram um cômodo montado ali como uma espécie de masmorra.

Cordas, chicotes, coleiras, aparelhos de contenção ali, também um bastão de choque. Na segunda visita, eles perceberam algumas coisas tinham sumido da casa, sabe? Objetos vistos na véspera tinham simplesmente desaparecido, como se alguém tivesse passado ali, feito uma faxina conveniente entre uma busca e outra. E não eram só os objetos que sumiram, tá? Dorothy e Lopes também tinham sumido. O Departamento do Xerife então emitiu um alerta pra caminhonete da Dorothy, e a placa dela era personalizada: IVNSKTN.

Isso é uma abreviação ali estilizada pra Gatinha do Ivan. Ivan, galera, era o apelido do Pérez, tá? E Kitten, gatinha, era como ele chamava a Dorothy. E essa caminhonete aí da Dorothy apareceu então no dia 17 de abril no estacionamento de um hotel em Point Loma, perto do aeroporto de San Diego. E havia um quarto registrado no nome da Dorothy. Ninguém respondia nesse quarto aí. Os policiais então arrombaram a porta. E é aqui que a gente volta à cena que abriu o episódio.

A mulher sangrando no banheiro era a Jéssica Lopes, tá? E uma das que viviam ali com... enfim, uma desse trio aí que morava naquela casa. E as 7 páginas, né, daquele bilhete que foi encontrado eram dela. Uma confissão completa do assassinato da Brittany, reproduzida em exemplares destinados ao mestre, o Ivan, aos pais da própria Jéssica Lopes e também a uma emissora de televisão. Nessa carta aí, a Jéssica xingava a Brittany e dizia que ela tentava se meter entre o Pérez e a Dorothy, assumia tudo sozinha e afirmava em letras maiúsculas que a polícia tinha prendido a pessoa errada.

Aí já tem um furo, eu diria, porque o Lopes foi preso por causa do fuzil, né? Mas vamos ver. Depois, ela descrevia o ataque, que teria dominado a Brittany com um bastão de choque, amarrado pulsos e tornozelos dela, colocado uma corda no pescoço dela e apertado e soltado várias várias vezes. Contava ainda que tentou cortar o corpo com uma ferramenta elétrica, mas desistiu por causa do barulho, e também usou alvejante para destruir os vestígios.

Ela disse inclusive que teria tentado fazer isso aí inspirada pelo Dexter, ele mesmo da série. Vai vendo. Por fim, ela dava a localização de onde supostamente estaria o corpo, perto do Lago Skinner, do outro lado da divisa do condado, em Riverside, e previa também as marcas que os legistas encontrariam no corpo. Contenção nos pulsos, ligadura no pescoço, ferimentos de choque, hematomas e sinais de corte. E a Jéssica Lopes, quando ela foi achada lá com o pescoço todo sangrando, ela tava viva, tá?

Ela saiu do hotel ali direto pro hospital e depois pra prisão. E naquela mesma tarde então, as equipes da polícia foram até o Lago Skinner pra fazer uma busca. E o corpo da Brittany realmente foi encontrado lá, a cerca de 1,5 km do lago. Região de barro. Aí você deve se lembrar do carro lá no estacionamento do condomínio da Britta, né? Não é? Vai ligando aí os pontos. O Laudo confirmou realmente tudo aí que tava na suposta confissão, tá?

Morte por estrangulamento com uma ligadura apertada e afrouxada repetidamente, fratura numa cartilagem do pescoço compatível com força intensa, marcas de contenção no pulso, perfurações compatíveis com um bastão realmente de choque e um corte feito depois da morte com sinais mais de ferramenta elétrica, o lance do Dexter lá. Os peritos ainda observaram indícios compatíveis com o uso de alvejante mesmo. Não havia lesões de natureza sexual.

Tudo indicava realmente que quem escreveu aquela carta conhecia detalhes assim nas minúcias, né, que ninguém ainda tinha conhecido, não tinham ido ao público ainda. Então, ponto final, não é? Confissão detalhada, autora encontrada ao lado da carta que confessava, corpo exatamente onde ela indicou, ferimentos compatíveis com a descrição, caso fechado. Só que não, não é? Sempre tem um mas. Nesse caso, eram 3. O primeiro era o horário, a carta situava o assassinato depois das 23:15 daquele dia, os dados de telefonia contavam outra história, no entanto.

Segundo era a forma como a Brittany teria chegado à tal casa lá, segundo a Jéssica Lopes, ela apareceu sozinha, exigindo sexo com o Sargento Pérez e foi atacada porque ameaçava a família deles lá. Só que a Brittany saiu do condomínio no carro do Sargento Pérez, não é? 10 minutos depois, o telefone dela já dava sinal perto da casa da Dorothy. Isso tudo pela investigação das pegadas digitais, tá? Então ela não apareceu por conta própria lá do nada, como a Jéssica descreveu, tá?

Ela foi levada lá. E o terceiro mas dessa história aí? Tava gravado pela câmera do hotel, a recepcionista tinha feito as cópias da carta na noite anterior, a carta que foi encontrada lá junto com a Jessica. Só que a Jessica não estava sozinha, a Dorothy também aparecia ali nas filmagens do hotel enquanto a confissão era preparada. Na manhã do dia 17 então, horas antes de a porta ser arrombada, a Dorothy embarcou num voo pra visitar a família dela na Virgínia.

No mesmo dia, enquanto o investigador-chefe, o Brian Patterson, seguia em direção ao Lago Skinner, A Dorothy telefonou oferecendo um álibi que ninguém tinha pedido. Disse que na noite do desaparecimento da Brittany, ela e a Jéssica Lopes tinham ficado em casa assistindo às aventuras de Ritintim, que elas tinham alugado pelo sistema de TV a cabo. O investigador consultou o registro dessa empresa aí e o filme era Tintim e tinha sido alugado, sim, mas no dia seguinte, no dia 13, naquela televisão Não alugou nada.

Percebe aí que é uma tentativa de montar um álibi, mas totalmente porca, né? E quando o detetive Peterson pressionou a Dorothy sobre as contradições do que ela tava falando, ela desligou na cara dele. Uma nova busca então recuperou na casa dos três um rolo de plástico e uma lâmina de serra elétrica. Em maio, a Dorothy foi presa, ela estava grávida do Pérez, a filha dos dois inclusive nasceu em julho daquele ano com a mãe já na cadeia.

Enquanto isso, o carro coberto de lama foi entregando o restante de toda a história. Dentro dele havia luvas descartáveis, plásticos e também um bastão de choque. O sangue nas luvas e no saco tinha o DNA da Brittany, no cabo do bastão havia DNA do Pérez e nos eletrodos DNA da Brittany. Os pneus ainda apresentavam possível compatibilidade com as marcas que foram encontradas perto do corpo dela lá no lago. Ou seja, praticamente fechado, né, a resposta que a gente tava buscando pra aquela lama toda no carro do Sargento Pérez.

Já na caminhonete da Dorothy, a polícia achou um recibo de produtos de limpeza, água, papel toalha, luvas de borracha, e a data da compra era 14 de abril, ou seja, o dia seguinte ao desaparecimento da Brittany. Agora, o que os peritos não encontraram talvez diga tanto quanto o resto dessa história, tá? A carta descrevia um ataque violento dentro da casa, contenção, estrangulamento, tentativa de corte, um crime desses deixa rastro, mas ali não havia uma gota de sangue sequer.

Pra acusação, a ausência de vestígio não significava necessariamente que o crime não tinha acontecido na casa, significava que a casa tinha sido muito bem limpa. Os itens que sumiram entre as buscas, lembra, 15 e 16, aqueles dias lá, pois é, Somado aí o recibo da compra desses produtos de limpeza, fechava isso aí. E as roupas que a Dorothy, o Sargento Pérez e a própria Brittany usavam naquela noite nunca apareceram na investigação.

A casa. Bom, com os 3 presos então, a pergunta deixou de ser apenas onde a Brittany tinha sido levada, quem matou a Brittany. A partir dali, A promotoria precisava explicar quem eram aquelas pessoas, por que a Brittany virou alvo deles e qual poderia ter sido o papel de cada um nessa história mórbida. Pérez, Dorothy e Lopes viviam uma estrutura de BDSM, práticas de dominação e submissão entre adultos. Inclusive, falei já disso aí aqui no canal semana passada, no episódio da Jane Bachara, fica aqui o convite se você ainda não viu, vou deixar na tela final.

Mas falando aqui do caso da Brittany, Só que naquela casa lá, essa questão aí do mundo do BDSM não era uma atividade ocasional, tá? Existiam ali contratos, documentos e uma hierarquia definida naquilo que eles chamavam de família, como eu já comentei antes. No topo estava o Sargento Pérez, o Mestre Ivan, como era o apelido dele. Logo abaixo dele tinha Dorothy, que era submissa ao Sargento Pérez e dominadora da terceira moradora, que no caso era a Jéssica Lopes, que estava ali na base dessa estrutura aí, inclusive identificada nos documentos do caso como a escrava.

E ela usava uma coleira que dizia ali que ela era propriedade da senhorita D, que era o apelido da Dorothy. Entre os papéis apreendidos pela polícia havia até um texto chamado Escrava Perfeita, guardado isso aí no cômodo que a Dorothy preparava para o bebê dela. E lembra do asterisco que eu falei que tinha no homem da Dorothy? Pois é, tem mais uma guinada aí. O senhor Pérez, sargento, era casado com uma outra mulher que morava na base militar.

Essa era a parte pública da vida dele, tá? Em Fallbrook, ele vivia como mestre-vã ao lado da companheira grávida e de uma mulher submetida a um acordo de escravidão. Definitivamente uma vida dupla que ninguém sabia. E até onde consta, até mesmo a mulher dele não sabia, tá? Porque Existem muitas— aliás, existem poucas informações sobre isso, que dá a entender que ela realmente não sabia dessa vida dupla do cara aí. Eu preciso deixar uma coisa bem clara aqui também sobre a Brittany, tá, nesse sentido.

Ela nunca fez parte desse universo. E o problema dessa história não é a prática consensual em si do BDSM entre adultos, tá. Dentro dessa comunidade existem encenações de sequestro, contenção e dominação, mas tudo é combinado previamente entre os adultos que fazem parte disso. A linha que separa a encenação do crime é justamente o consentimento. O problema é que nos textos, nas conversas e nas condutas daquele trio, esse limite simplesmente desaparecia.

No diário do senhor Lopes, os investigadores acharam um texto cifrado, escrito mesmo em códigos aí antes do desaparecimento da Brittany, tá, que descrevia capturar um antigo colega de moradia, dominar a pessoa com arma de choque, torturar, matar e esconder o crime. A Dorothy também escrevia sobre sequestrar e matar pessoas que não consentiam com o que eles queriam. Ela mantinha uma lista de lugares onde vítimas vulneráveis poderiam ser encontradas e de pessoas para cometer e encobrir um crime.

Um dos textos descrevia a morte de uma mulher durante uma cena com o Pérez, E esse documento foi encontrado na residência dele dentro da base militar. Uma testemunha inclusive do caso, chamada Dori, que teria convivido com o trio, contou que ouviu o Pérez e a Dorothy falando sobre sequestrar alguém, agredir e depois abandonar ou matar. Nas conversas, a pessoa nem precisava saber de nada, tá? Era exatamente aí que uma fantasia deixava de ser fantasia e virava uma ameaça real de crime.

Essa fronteira já tinha sido atravessada numa ocasião, inclusive. Pérez e Dorothy simularam o sequestro de uma mulher chamada Nicole sem combinar nada com ela. Pegaram a Nicole num estacionamento, vendaram ela, levaram pra masmorra, a amarraram. Depois, a Nicole acabou entrando voluntariamente naquela dinâmica por um período, mas o começo não tinha sido consensual. E havia ainda um outro elemento... Nesse caldeirão complicado aí que era o ciúme.

O relacionamento entre o Pérez e a Dorothy era aberto, mas a Dorothy reagia com hostilidade quando ela acreditava que outra mulher poderia ocupar o lugar dela nessa— não sei se ela tinha ciúme assim de uma forma normal ou se era dentro dessa estrutura, tá? Ela já tinha falado em torturar uma antiga parceira do Pérez, inclusive, e chegou a ameaçar essa tal mulher aí e a filha dela num fórum da internet. E com a Brittany, digamos que o estupim foi justamente quando a Dorothy achou que ela tava flertando com o Pérez pelas costas.

Passou então a chamar a Brittany de a doença e a herpes. Perguntava a Elizabeth por que continuava amiga da Brittany e certa vez chegou a se oferecer pra dar um fim na Brittany. A Elizabeth nesse momento pensou que fosse brincadeira, até porque contando assim dá a sensação que a mulher falou assim: Por que você não mata sua amiga aí, porra? Quer matar ela? Deve ter sido tipo assim, cara, não vou com a cara dessa Britney nem eu, não sei por que você não mata essa menina aí, se você quiser eu arrumo alguém para dar um fim.

Aquela coisa bizarra assim, aquelas brincadeiras estranhas. Presumo que tenha sido alguma coisa nesse sentido aí. E agora, óbvio, olhando tudo de fora assim, é aqui que as coisas começam a se alinhar, não é? Um homem falando em machucar alguém uma mulher movida por ciúme e também desejos, textos que transformavam vítimas sem consentimento em parte de uma fantasia deles, em uma casa onde cada pessoa tinha um papel hierárquico. Mas ainda faltava reconstruir o dia 13 pelo lado deles, não é?

A noite pelo lado dos três. Bom, até aqui você viu o desaparecimento da Brittany pelo lado da Brittany e das amigas dela, não é? Agora a gente volta ao mesmo dia pelo lado de Pérez, Dorothy e Lopes. Não existe uma câmera dentro daquela casa, tá? O que existe é uma espécie de caixa preta: mensagens, antenas de celular, recibos, deslocamentos e as mentiras que os três contaram depois. Começa na véspera, na quinta-feira. O Pérez escreveu: pra uma conhecida dele que planejava uma sessão com alguém de quem não gostava.

A mulher disse pra ele não fazer aquilo. O Pérez respondeu que seria justamente o contrário, a sessão daria a ele controle suficiente pra não machucar de verdade uma pessoa que ele tinha muita vontade de machucar. Enigma, hein? A mensagem não identifica essa pessoa, mas foi enviada menos de 24 horas antes do desaparecimento da Brittany. Na sexta, já, a Dorothy também escreveu um texto dirigido ao Mestre Ivan, Entregando a ele os rancores e o desejo de vingança dela.

Então, nas horas que antecedem o convite, existe um homem falando em vontade de machucar alguém e uma mulher escrevendo sobre vingança. O que dá a entender aqui é que quando a Elizabeth, muito inocentemente, claro, sem intenção nenhuma, comentou que a Brittney queria fazer aquele rolê no cruzeiro, parece que acendeu um plano na cabeça dos dois lá, não é? Mas depois você comenta pra mim o que você acha. Bom, assim então, às 16:38, o Pérez tenta convencer a Brittany na porta, né, como a gente viu, e recebe um não.

Assim que ele sai, ele manda uma mensagem pra Dorothy: Aquele cara não teve sucesso. Ele fala dele mesmo na terceira pessoa, como quem reporta uma missão, sabe? E a Dorothy responde: Amanhã é outro dia. Só que o plano muda quando a Brittany pede ajuda pra mudança e aceita o jantar. Depois disso, Quem pesquisa o cruzeiro na internet é a própria Dorothy. E aqui tá mais uma das peças importantes da história: o cruzeiro nunca foi uma possibilidade real, tá?

Tudo ali era plantado pra fazer parecer que era. Quando o Pérez chegou pra buscar a Brittany, o navio que supostamente eles iam já tinha até zarpado. Os ingressos não apareceram porque provavelmente nunca existiram. Eu nem tinha mostrado ainda. O passeio Foi só uma isca montada depois que a Elizabeth comentou, como eu disse, naquela tarde que a Brittany queria muito fazer aquilo. Aí, com todos aqueles rancores, aquele desejo, toda aquela questão da fantasia, parecia, né, uma presa fácil.

Às 19:40 daquele dia, o carro então do Sargento Pérez deixa o condomínio da Brittany. 10 minutos depois, o telefone da Brittany manda o socorro. A antena que recebe a mensagem fica na região da casa da Dorothy. Não no caminho pro porto. Em 10 minutos de viagem, a Brittany já estava no lugar errado, não é? Pouco depois, Pérez manda uma única palavra pra Dorothy: gatinha. Ela estava num mercado próximo com a Jéssica Lopes. As duas deixam então o mercado e voltam pra casa.

E é nesse ponto que a história entra na caixa preta. Os registros mostram que o Pérez levou a Brittany até a região da casa da Dorothy e a Dorothy e a Lopes voltaram pra lá. Depois, As circunstâncias mostraram que a Brittany foi contida mesmo, atingida com um bastão de choque e estrangulada de forma prolongada. Mas nenhuma prova registra sozinha quem segurou a corda, quem a imobilizou ou quem comandou cada etapa do crime. Enquanto isso, alguém precisava impedir que as amigas chamassem a polícia.

Então, isso é parte do plano sobre as mensagens que continuaram, lembra da que a Brittany supostamente mandou à festa, que tinha uns caras bonitos na festa, a música tava alta, por isso não conseguia falar no telefone, etc. e tal. Depois começou a fabricação de uma noite que nunca existiu. Dorothy, que já tinha trabalhado numa operadora de telefonia, alertou pro Pérez que os celulares podem ser rastreados. E o Pérez então dirigiu até San Diego só pra descartar o telefone.

No caminho, ainda mandou mensagens de preocupação pro aparelho da Brittany, criando ali um álibi, né, um rastro que ele precisava, né, pra se fazer preocupado com ela. Então ele largou o celular perto de um hotel no centro, onde ele foi encontrado depois por aquele morador de rua. Na volta, telefonou pra Jessica Perry, aí sim a Jessica amiga da Brittany, fingindo desespero e contando que a Brittany tinha desaparecido numa balada.

A Dorothy, ao mesmo tempo, mandava mensagens dizendo que passava uma noite tranquila em casa. Cada um construía uma parte de um grande álibi. De madrugada, aconteceu a última viagem, os celulares do Pérez e da Lopes seguiram juntos em direção ao Lago Skinner e depois voltaram. No julgamento, o Pérez confirmou que os dois realmente transportaram o corpo da Brittany enrolado numa lona dentro de um reboque e o abandonaram perto do lago por volta das 4 da manhã.

Entre a mensagem de socorro e essa viagem, existem aproximadamente 8 horas. A autópsia mostra que o estrangulamento foi intermitente e prolongado, O que as provas não conseguem mostrar é a divisão exata dos papéis dentro da casa, como eu disse. Mas o crime tá provado praticamente, né? A circunstancialidade realmente de quem fez o quê pra uma futura pena, né? E é justamente aí nessa imprecisão, que, né, nesse vazio, que cada réu tentou colocar a culpa um no outro.

Sabe aquela história de quando a água bate no bumbum? Pois é, aconteceu aí também. O júri. O julgamento começou em 2015, 3 anos depois de tudo, e durou 5 semanas. De um lado, o promotor Patrick Espinoza sustentava que os 3 sequestraram Brittany e que ela morreu durante a realização de uma fantasia violenta deles, que o grupo já cultivava em textos e conversas. Do outro lado, Não havia uma única defesa, havia 3 na verdade, e o tribunal virou um triângulo de acusações, cada réu apontando o dedo um pro outro.

A defesa da Jéssica Lopes apresentou a cliente como a escrava perfeita, uma mulher submissa que assinou contratos de abusos, treinada pra obedecer. Nessa versão, a carta de 7 páginas não era uma confissão espontânea, era a escrava assumindo a culpa que a Dorothy e o Pérez mandaram que ela sumisse. O advogado do Pérez colocou o assassinato nas mãos da Jéssica Lopes. Pérez admitiu que mentiu para as amigas, mentiu para os investigadores, usou o celular da Brittany e ajudou a levar o corpo até o Lago Skinner, mas negou ter participado da morte.

Mentiu para as amigas, no caso amigas da Brittany, tá? A defesa da Dorothy sustentou que ela só participou do acobertamento e que grávida já tinha abandonado aquela dinâmica. A promotoria, no entanto, respondeu lembrando que no próprio dia 13, a Dorothy tinha escrito sobre rancor, vingança e violência, e que foi ela quem pesquisou o cruzeiro, voltou pra casa depois do chamado do Pérez, ajudou a preparar a confissão no hotel e tentou fornecer um álibi falso, sem contar que falou com a Brittany dizendo que pode ir com meu namoradão aí, tá tudo de boa.

Depois de mais de 18 horas de deliberação ao longo de 3 dias, o veredito saiu em 21 de outubro de 2015: Pérez, Dorothy e Lopes Foram considerados culpados por homicídio em primeiro grau, tortura e tentativa de abuso sexual mediante contenção. Pérez e Dorothy também foram condenados por conspiração para sequestrar. Lopes foi absolvida apenas dessa última acusação. Pérez e Dorothy receberam prisão perpétua sem condicional em novembro de 2015.

Na audiência, Pérez agradeceu a família e afirmou que quem o conhecia sabia que ele nunca tinha levantado a mão com raiva contra ninguém. Já Jéssica Lopes recebeu a mesma pena em janeiro de 2016. Só que o triângulo de acusações não terminou com a sentença. Em 2018, a Califórnia restringiu a possibilidade de condenar por homicídio uma pessoa que não fosse a autora direta da morte, apenas porque o homicídio aconteceu durante outro crime.

Nos anos seguintes, Lopes e Dorothy tentaram usar essa mudança na lei pra reduzir a própria responsabilidade. Em 2017, a corte de apelação derrubou duas condenações específicas de Dorothy: a tortura e tentativa de abuso sexual, porque não havia prova suficiente da participação direta dela nesses atos, mas homicídio, sequestro, conspiração e prisão continuaram deixando a perpétua em pé. Jéssica Lopes voltou ao tribunal em 2023, sob juramento disse que usava coleira, comia numa tigela de cachorro e que Dorothy estava dentro do quarto do hotel ditando a carta e fornecendo detalhes que ela não teria como conhecer sozinha.

Segundo a Jéssica Lopes, A Dorothy ainda teria pedido pra ela que ela desse um fim nela mesma, prometendo que a alma dela poderia renascer no bebê que ela tava esperando. Mano, vai vendo. E também a Jéssica Lopes aí, eu vou te dizer, né, agora que tá presa, apareceu a consciência do nada aí. O juiz rejeitou o pedido, entendeu que as provas e a própria carta colocavam a Jéssica Lopes como participante central de tudo, indicavam que ela no mínimo ajudou a conter a Brittany.

Em julho de 2025 já, a Corte de Apelação manteve essa decisão. Dorothy também tentou ser novamente sentenciada, ela subiu ao banco de testemunhas e procurou reduzir o próprio papel. O juiz não considerou seu relato confiável e registrou duas conclusões diretas: Dorothy tinha sido a líder e a figura central do crime. Em 3 de junho de 2026, a Corte de Apelação da Califórnia confirmou a decisão e a condenação por homicídio permanece.

Assim, os três seguem presos. E eu tenho certeza que você deve estar se perguntando aí sobre o marido da Brittany, não é? O cabo Corey Kilgore, que comenta aqui pra mim. Tenho certeza que você achou que era ele o criminoso, né, quando eu comecei a falar, que o cara tava no Afeganistão, talvez tivesse encomendado, né? Veja só, ele soube do desaparecimento da esposa no outro lado, lá no Afeganistão onde ele tava servindo. Ele nunca entrou na lista de suspeitos porque consideraram que era impossível ele tá cometendo um crime de tão longe, né?

Bom, aí tem a circunstancialidade de poder encomendar, né, mas ficou provado que não tinha nada a ver realmente com isso. Ele até recebeu uma licença de emergência e voltou pros Estados Unidos, e o Corey falou publicamente uma única vez sobre tudo isso, num comunicado divulgado pela polícia, ele disse que a Brittany era linda além das palavras, que a morte dela o deixou devastado e que o dever dele daquele momento em diante era proteger o nome da esposa e ajudar a justiça.

Pediu que as pessoas não dessem ouvidos à fofoca ou boato. Foi a última vez que ele apareceu publicamente no caso. Na porta do tribunal, anos depois, a mãe da Brittany disse que a filha era linda por dentro e por fora e que infelizmente tinha cruzado o caminho de pessoas que eram monstros. A família da Brittany organizava a volta dela pra casa, esperava revê-la em 15 de abril, de 2012, mas pra eles infelizmente esse dia nunca chegou.

Pois é, abduzidos, como eu disse, que caso complexo, bizarro, não é? Afinal das contas, eu acho que realmente foi ali uma série de circunstâncias que levaram ao cometimento do crime, no sentido de que eles acharam a oportunidade, não é? Pra colocar em prática uma fantasia que eles já tinham. E aliada a essa fantasia tem toda a questão do ciúme, dos rancores lá da mulher. A outra Jéssica tava lá também como escrava e entrou na onda, talvez como realmente mandada ali a fazer, mas isso claro não exime a responsabilidade dela.

E resultou nisso, né, na pobre, na pobre Brittany aí que mal conhecia essas pessoas, a perder a vida dessa forma tão cruel e covarde. Comenta aqui pra mim o que você achou de tudo isso, não esquece de verificar sua inscrição, se torne membro se puder, ajuda demais nas produções, um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.