Episódios de Vamos aos Fatos

O Segredo do Pastor que a Amante Rejeitada Levou à Polícia

24 de julho de 202626min
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📌 Neste episódio, investigamos o caso de Dawn Hacheney, que parecia ter morrido em um trágico incêndio acidental no dia seguinte ao Natal. Mas por trás da fachada de "casal perfeito" e da liderança espiritual em uma igreja em Washington, escondia-se uma teia de manipulação, falsas profecias e traição.O que acontece quando um líder religioso usa a fé para controlar e seduzir? E como um detalhe quase invisível nos pulmões da vítima foi capaz de reabrir o caso anos depois e revelar a verdade sobre o Pastor Nick Hacheney?Prepare-se para conhecer um dos casos mais surreais que já passaram por aqui, envolvendo uma "profetisa", segredos confessados em cadernos e uma reviravolta que ninguém esperava.-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br

Participantes neste episódio1
M

Marcos Campos

HostJornalista
Assuntos8
  • Sequestro e Morte de Michael Hughes - Filho de SuzanneFogo criminoso · Dopagem e sufocamento · Homicídio premeditado · Prisão perpétua
  • Reabertura do casoSandy Glass · Profecia e plano de assassinato · Acusação de amante ressentida
  • Morte de Gisele Alves SantanaDenise Belden e filha Dawn · Incêndio acidental · Bremerton, Washington
  • Pastor Nick Hethney e a igrejaNick Hethney · Estações da Igreja Presbiteriana de Manaus · Super espiritualidade · Aconselhamento e controle
  • O Papel da Mãe na SociedadeDiana Hethney · Relação com o genro
  • Tradição da feijoadaO Senhor dos Anéis · Lei Rouanet · Aproveitamento da fé
  • Origem e investigação do casoAusência de fuligem nos pulmões · Benadryl no sangue · Emmanuel Laxina
  • Libertação condicional e vida após prisãoSupremo Tribunal Federal · Redução da pena
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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MCMarcos Campos

Esse é um dos casos mais bizarros e surreais que você vai conhecer, se liga. Uma mulher chega perto de um jovem pastor da igreja dela no fim de um culto e diz que precisa contar uma coisa pra ele. Ela conta que teve uma visão que Deus mostrou a ela o que ia acontecer, uma profecia, e a profecia era que a esposa desse pastor ia morrer, e ela, essa mulher parada ali na frente dele, ia ocupar o lugar da esposa, ia virar a nova mulher do pastor.

Isso aconteceu numa igreja evangélica na ilha de Bainbridge, no estado de Washington, lá nos Estados Unidos, e era o fim de 1997. E aí eu pergunto: você acha que o pastor, ouvindo uma profecia dessas sobre a própria esposa dele, levou um susto, ficou apavorado, de repente mandou essa mulher aí que podia muito bem se uma pessoa perturbada procurar ajuda? Nada disso. Ele olhou pra ela e disse que já sabia. Não muito tempo depois disso, no dia seguinte ao Natal de 1997, a esposa desse pastor apareceu morta.

Eu sou Marcos Campos e esse é o caso da Dawn Hethney, uma mulher que teve uma morte trágica num acaso da vida, mas E se eu te disser que anos depois a polícia voltou atrás nesse tal acaso aí? E voltou atrás por uma coisa que você não vai acreditar que aconteceu. E pior, se eu te disser que muita gente naquela igrejinha ali inteira tinha um segredo muito sujo guardadinho? Mas a grande pergunta é: o que será que o legista do caso finalmente enxergou no corpo da Dawn que fez aquele incidente, acidente, acaso mudar de patamar?

É tudo isso que a gente vai investigar no episódio de hoje, mas antes eu quero mandar um abraço especial para todas as faxineiras, empregadas domésticas que me acompanham aqui enquanto labutam, porque eu leio a mensagem de vocês. Então, muito obrigado pelo carinho. Aliás, um abraço para geral que me acompanha do trabalho, que eu sei que tem uma galera. E para você que está de boa em casa, também um abração. Nada melhor do que chegar em casa, aliás, botar um caso criminal aí na TV e ficar de boaça assistindo, não é?

Então já se ajeita, fica confortável e vamos aos fatos. O dia seguinte ao Natal. Bremerton é uma cidade de porte médio no estado de Washington, do outro lado da baía de de Puget Sound, bem em frente a Seattle. Sabe aquele tipo de lugar bem tranquilo, casinha com garagem, quintal, gramado, onde as pessoas confiam umas nas outras, sabe? Ninguém nem deixa a porta trancada. Pois é, era ali que morava um casal jovem, o Nick e a Dawn Hettney.

O Nick tinha uns 27 anos, era pastor da juventude numa igreja evangélica na ilha de Bainbridge, a Christ Community, ou seja, ele morava ali em Bremerton, mas atravessava pra ilha pra poder trabalhar lá na igreja. Já a Dawn, a esposa dele, tinha 28 anos, trabalhava como analista de crédito numa cooperativa financeira e era, por todas as descrições, uma mulher discreta, doce e muito religiosa. A mãe dela, a Diana, dizia que a filha aceitou Jesus aos 4 anos de idade e ia dormir recitando trechos da Bíblia.

Pra congregação, Os dois eram o casal perfeito, bonitinhos, unidos e entregues à igreja. Na manhã do dia 26 de dezembro de 1997, o Nick saiu de casa bem cedo, quando ainda estava escuro de madrugada, pra caçar pato com dois amigos. A Dawn ficou dormindo em casa, ela uns dias antes tinha pegado um resfriado e passou meio mal no Natal, estava lá se recuperando. Assim, naquela manhã ali, um fogo tinha tomado conta da casa do casal Rettney.

Quando os bombeiros conseguiram controlar as chamas, entraram, eles encontraram o corpo da Dawn na cama do casal, totalmente queimado, a ponto até de quase não poder reconhecer nada dela ali. O Nick voltou da caçada desesperado, ficou incrédulo, destruído, totalmente arrasado, né, pelo jeito ali que as coisas aconteceram. No quarto, os bombeiros tinham achado um aquecedor, alguns botijões de propano. O Nick contou depois que tinha deixado o aquecedor ligado antes de sair, e que tinha ali alguns pedaços de papel dos presentes da noite anterior, tudo ali ao lado do aquecedor, desses botijões aí.

Inclusive, ele disse que esses botijões eram presentes de Natal. Bom, pra polícia, a conta fechou. O papel de repente pegou fogo ali perto do aquecedor e o resto foi só uma tragédia. Era fim de ano, tinha embrulho pra todo lado na casa, uma fatalidade. Apesar disso, os investigadores foram atrás de alguns detalhes E aqui entra o primeiro detalhe que na época ninguém deu, digamos, a atenção que merecia. Quando examinaram o corpo da Dawn, tinha uma coisa estranha nos pulmões dela.

Na verdade, não tinha nada no pulmão dela, porque praticamente não havia fuligem. Sabe quando uma pessoa morre sendo incêndio? Ela morre porque respira fumaça, muitas vezes antes mesmo das queimaduras tirarem a vida. Os pulmões Ficam tomados ali de fuligem, de monóxido de carbono, e muitas vezes isso aí passa a ser a assinatura da morte quando há um incêndio. E a Dawn não tinha isso. Só que o legista, um médico chamado Emmanuel Laxina, deu uma explicação pra isso aí, tá?

Ele disse que a laringe dela podia ter travado, fechado ali de vez num espasmo diante do calor absurdo das chamas. Isso impediria então, em tese, a fumaça de ir pros pulmões. É raro, mas acontece, segundo ele. E teve mais uma coisa que os exames mostraram ali, tá? Havia um nível de um anti-histamínico no sangue da Dawn, o Benadryl. Mas a Dawn estava gripada no Natal, lembra? E tinha tomado mesmo esse remédio aí, inclusive mais de uma vez.

O próprio Nick sugeriu que ela ficou meio groggy, talvez por causa do medicamento, e deve ter sido por isso inclusive que ela não conseguiu escapar do fogo. Quer dizer, o remédio virou só mais uma peça da tragédia. E com essa explicação em cima da mesa da investigação, a morte da Dawn Hethney foi carimbada como o que todo mundo já achava que era, um acidente lastimável, fogo causado por um descuido talvez, e assim, caso encerrado.

E olha, ele ficou mesmo encerrado por muito tempo, viu? A igreja. Mas para você entender o que veio depois disso, você precisa entender primeiro aquela igreja, o que acontecia com aquela igreja ou naquela igreja. A Christ Community era o que os próprios membros descreviam como um lugar de super espiritualidade. A ideia central é que as pessoas ali acreditavam que conseguiam ouvir a voz de Deus falando diretamente com elas. Um culto podia durar horas, Gente falando em línguas, gente chorando, entrando em transe.

E no comando dessa igreja, 3 pastores, e um deles era o nosso Nick. E nessa toada aí acontecia uma coisa bem complicada na igreja. Havia sessões de aconselhamentos, mas não assim tão simples quanto você possa imaginar. Os pastores faziam essas sessões aí particulares com os fiéis para, segundo eles, expulsar os demônios que estariam ali atrapalhando a vida daquela pessoa. E nessas sessões eles perguntavam de tudo, se a pessoa tinha traído, se fazia alguma coisa errada, se tinha ido ver um jogo de beisebol.

Pois é, até assim os detalhes da vida particular da pessoa eram explorados ali, e cada falha que eles encontravam, né, ia sendo anotada ali num livro que ficava registrado lá na igreja. Ou seja, a igreja tinha um livro, um caderno com os pecados confessados de cada membro, e isso virava não só um registro, mas uma forma de controle, não é? E quando os os líderes de um lugar conhecem o pior de cada um, como eu disse agora há pouco, podem talvez, dependendo do caráter desses líderes, não é, usar isso na hora propícia, na hora que eles quiserem.

Porque não foi uma confissão e acabou como deveria ser, no sentido ali, né, espiritual da coisa. Existe um registro escrito. Então aquilo deixa de ser uma coisa espiritual de igreja mesmo e vira uma estrutura de poder. E quem guarda esses segredos aí manda em quem. Contou ou eu tô viajando aqui? Comenta pra mim. E o Nick, esse rapaz aí que todo mundo achava simpático, engraçado, estava bem no centro desse poder. E dentro dessa igreja, além de pastor dos jovens, o Nick fazia aconselhamento de casais especificamente, terapia de casal, sabe, digamos assim, com bênção espiritual e coisas do tipo.

Casais lá da congregação conversavam com ele pra tentar salvar o casamento. E esse lance de casais aí Vai voltar daqui a pouco, tá? Mas o que importa nesse momento aqui é que depois que a Dal morreu, esse viúvo em luto, cercado de carinho pela igreja inteira, começou a fazer uma coisa com esse aconselhamento aí que ninguém, ninguém mesmo imaginava. O viúvo. Nos dias seguintes à morte da esposa, o Nick era o retrato da dor. O jovem pastor, que tinha perdido a esposa num acidente horrível no fim daquele ano, continuava firme servindo a Deus.

A congregação se dobrou pra amparar ele. E aí está uma das coisas mais perturbadoras desse caso, porque o luto dele não era só uma, como você já deve supor, fachada de tristeza. Era uma ferramenta. Quanto mais as pessoas tinham pena do viúvo, mais fácil ficava pra ele, digamos, manipular e botar em prática o que você já vai ver. Bom, vamos por partes então, começando por um casal lá da igreja, Craig e Annette Anderson. Eles faziam esse aconselhamento aí com o Pastor Nick.

No começo era uma coisa normal, os dois sentadinhos ali na frente do pastor, ouvindo o que ele tinha para falar, conduzindo tudo ali. Só que em determinado momento o Nick veio com um papo aí, queria mudar o formato dessas sessões aí. Passou, falou: ah, eu preciso falar só com a sua esposa, meu caro. Então o aconselhamento vai ser ela e eu, sacou? E aí, poucas semanas depois da morte da Dal, sentadinho ali com a Anete nessas sessões aí, o Nick falou pra ela uma coisa que ele só conseguia falar, eu acho, justamente por todo esse contexto que eu acabei de falar pra vocês.

Olha só, ele disse que Deus queria que os dois transassem, né? Que fazer sexo com ele fazia parte do aconselhamento espiritual, do processo de cura. Cura. Olha, eu já vi esse filme, hein? Aqui no Brasil, inclusive, esse negócio de cura aí já botou um safado disfarçado de líder espiritual na cadeia, né? Acho que você pegou a referência aí, não é? Bom, a Anete, anos depois, chamou isso aí do maior erro da vida dela. Mas naquela hora, por alguma razão, a Bíblia ali sendo usada contra ela, contra as próprias dúvidas dela, ela acabou cedendo e os dois passaram a se encontrar no motel.

Isso você acha que a Anete era um caso isolado, um erro bizarro aí de um homem lutado, meio perdido? Viúdo, não é? Se aproveitando da fé cega de uma mulher casada? Sinto informar que você errou. Na verdade, se aproveitando da fé cega, eu acho que sim. O Nick começou a fazer isso com várias mulheres da congregação, uma atrás da outra, sempre explorando a mesma coisa: a compaixão que aquelas mulheres sentiam pelo pobre viúvo. Resumindo a ópera aqui, naqueles meses depois da morte da Dal, o Nick estava dando em cima de praticamente todas as mulheres da igreja.

Algumas se recusavam, diziam não e tal, Mas muitas outras diziam sim. E agora eu preciso te contar a parte mais insólita desse caso, se é que tem. Entre essas mulheres estava a própria mãe da Dawn, a sogra do pastor, a senhora Diana. A Diana tinha acabado de perder a filha única, estava destroçada, e ela olhou pro Nick e viu nas palavras dela mesma um homem quebrado, com tristeza profunda no olhar, o mesmo homem que a filha dela tinha amado.

Então ela quis quis ajudar, quis de algum jeito torto, eu diria, dar conforto para esse genro aí em luto. O Nick usou isso, os dois tiveram uma relação física, a Diana muitos anos mais tarde admitiu tudo publicamente com uma vergonha evidente, eu diria, ela disse que estava passando por um sofrimento enorme, que só queria escapar de tudo e que isso a levou a fazer coisas que, melhor dizendo, das quais ela disse que se envergonhava profundamente.

Ela até chegou a dizer ao Nick que queria ser a down pra ele, e ele, não sei se esperto ou bem safado, disse que não, não precisa ser a down não, pode ser você mesmo. Aliás, eu acho que era isso que ele queria, né, nas fantasias pervertidas dele aí, né. Disse ainda, segundo consta aí, que ele conseguiria amar as duas. Mano, se isso não é surreal, eu não sei o que é, tá. Então já aproveita, curte o vídeo, ativa suas notificações aí pra você não perder nenhum episódio insólito como esse, porque tem alguns que eu tô produzindo aí, tá?

Mas continuando aqui, uma mãe enlutada seduzida pelo genro com o corpo da filha ainda quente na sepultura, eu não sei muito bem o que dizer sobre. Se você sentir confortável, comenta. Mas o que eu quero dizer é que esse era o contexto que tava acontecendo, esse era o homem que a igreja inteira estava consolando, consolando no sentido literal aí mesmo, não é? Putsgrila, meu! Mas Mas como vocês sabem, sempre tem um mas, não é? Nada disso ainda apontava para uma coisa mais macabra, mórbida, um assassinato, não é?

Por enquanto era só um pastor mentiroso, manipulador, que usava da fé alheia para levar mulheres para cama. Isso é fato. Porém, um assassino ou um assassinato era outra conversa, precisava olhar melhor, não é? E por muito tempo esse segredo todo ficou trancado dentro daquela igreja. Cada mulher com a sua sua culpa, com a sua vergonha, ninguém falava nada, até que uma discussão de casal em 2001 puxou o primeiro fio ou deu um tapinha na primeira carta desse castelo de cartas, aí a coisa começou a desmoronar.

Foi a Annette mesmo, numa briga com o marido dela, o Craig, mais de 3 anos depois de tudo, ela finalmente cuspiu a verdade sobre o que tinha rolado com o Nick. O Craig evidentemente ficou fora de si, foi tirar satisfação com um dos líderes lá da igreja, e nessa reunião estava presente mais uma mulher da congregação, uma mulher que ao ouvir tudo aquilo, né, vira tona, parece que ganhou coragem de jogar a merda dela no ventilador também.

Então ela saiu dali, contratou um advogado de defesa e foi bater na porta da polícia. O nome dela era Sandy Glass. Parece que enfim a casa do pastor ia começar a cair, não é? A profetisa Sandy Glass não era uma fiel qualquer, tá? Ela era secretária da igreja e tinha fama de ser profetisa. Era vista ali como alguém que recebia visões, mensagens, avisos de Deus. E o que a Sandy foi contar para polícia reabriu um caso que estava morto já, ó, e enterrado literalmente havia 3 anos e meio.

A Sandy confessou que ela também tinha tido um caso com o Pastor Nick, mas com uma diferença brutal entre a relação das outras. O caso dela foi antes de Adão morrer, enquanto Adão ainda estava viva assim de boa, os dois já estavam juntos. E segundo a Sandy, os dois conversavam bastante sobre uma ideia bem específica: se livrar dos respectivos cônjuges. Ela até chegou a se separar do marido. E agora a gente precisa voltar àquela cena lá do comecinho do episódio.

Lembra de uma mulher que foi lá no pé do ouvido do pastor? Pastor, eu sei que a sua mulher vai morrer e eu vou ser a outra. Foi ela, a Sandy Glass. Lá em 1997, com a Dal viva, ela chegou pro Nick com essa tal profecia conhecia e Deus tinha dito a ela que Adal ia morrer e que ela, Sandy, ia tomar, ia ser a nova esposa do Pastor Nick. E a resposta dele, como você se lembra, foi: eu sei. A Sandy contou à polícia que logo depois do incêndio o Nick ligou para ela e o que ele disse para ela foi assim: está feito.

Ele disse que na manhã do incêndio ele estava deitado na cama quando ouviu Deus mandar ele tomar a terra. E ele disse que era uma expressão do Antigo Testamento que ele interpretava como uma permissão divina para ir atrás do que ele quisesse. E aí, ainda segundo relato dela, ele teria dopado a Dawn com um antihistamínico, esses remédios aí de gripe e alergia comuns nos Estados Unidos, sufocado ela até a morte com um saco plástico e só então colocou fogo na casa.

Claro que pra apagar qualquer vestígio, né, pra que a fumaça e as chamas, digamos, engolissem os vestígios desse crime. Agora presta bem atenção porque é aqui que o caso quase engana a gente do mesmo jeito que poderia ter enganado o júri Pensa na Sandy Glass de fora da situação, como advogado, por exemplo. É uma mulher que teve um caso com o Nick, que profetizou a morte da Dawn, que dizia em alto e bom som que ia se tornar a nova esposa do pastor, que se separou do marido justamente naquele período.

E se você fosse da defesa do Nick, você talvez enxergasse tudo isso aí como um prato cheio para uma linha de defesa, não é? E foi exatamente o que os advogados dele argumentaram, tá? Que a Sandy tinha inventado tudo, que ela Ela pôs esse crime aí nas costas do Nick porque ficou magoada, porque depois que a Dawn morreu, o Nick não escolheu ela, ele foi atrás de uma outra mulher da igreja, uma mulher chamada Nicole. A Sandy teria sido deixada de lado, e uma mulher deixada de lado, nas palavras da defesa, é capaz de muito.

E não era só a defesa que desconfiava dela, tá? A própria Diana, a mãe da Dawn, apesar de tudo que ela mesma tinha vivido com o Nick, botava a culpa na Sandy. Até hoje, inclusive, segundo consta, a Diana acredita que se não fosse pela Sandy Glass, a filha dela ainda estaria viva, que a Sandy foi a instigadora de tudo. Rapaz, então por um momento a história parece que vai fechar num outro lugar, não é? A profetisa manipuladora, a mulher que quis o lugar da Dawn, talvez ela fosse o cérebro de tudo e não o Pastor Nick.

Talvez as duas palavras dela, profecia, não fossem uma visão divina, coisa nenhuma, e sim plano sendo montado à luz do dia na cara de todo mundo, disfarçado passado de mensagem de Deus. Eu fiquei aqui pensando, né, do jeito que eles falam dessa profecia aí, parece que tava todo mundo acreditando nisso, caramba. Só que a palavra da Sandy, por mais explosiva que fosse, era só isso, né, uma palavra. De um lado, uma ex-amante acusando, do outro, o Nick negando tudo.

E a acusação de amante contra a negação do acusado, sem mais nada pra sustentar, raramente ia fazer algum arranhão nele, não é? Se dependesse só do depoimento dela, esse caso talvez nunca tivesse ido a lugar nenhum. O que virou o jogo de verdade não foi a boca de alguém, foi o corpo da Dawn. Então, de certo modo, acho que toda essa fumaça levantada aí, com perdão do trocadilho, foi o que fez o caso ser reaberto. Os pulmões. Com o depoimento da Sandy na mesa, a polícia reabriu o caso.

E dessa vez, a morte da Dawn Hettney não ia ser explicada por um espasmo de laringe. Eles exumaram o corpo tiraram a Dal da sepultura pra reexaminar de novo. E o que a nova autópsia confirmou foi justamente aquele detalhe que lá em 97 o legista tinha explicado com a história do espasmo da laringe: não havia fuligem nos pulmões dela, nenhuma. Mas dessa vez esse fato não foi varrido pra debaixo do tapete como uma explicação conveniente, se é que foi isso, tá?

Talvez tenha sido só uma leiguice mesmo do cara ali. Dessa vez foi lido pelo que realmente era. Se não tinha fumaça nos dos pulmões dela, a Dal provavelmente não respirou nada durante o incêndio, o que quer dizer que ela já estava morta quando o fogo começou. E tinha mais, os exames toxicológicos de agora mostraram uma quantidade alta de Benadryl no organismo dela. Vocês lembram disso? Eu contei lá no começo, né, que ela tava tomando remédio e tal.

Pois é, na ocasião o remédio era só confirmação da tragédia, né, porque se descobriu que ela tava gripada, tomou mais de uma vez, enfim. Naquele momento, ah, ela tomou o remédio por conta própria. Mas a essa altura dos fatos, quando a detetive lá de Bremerton, a Sue Schultz, olhou os números com mais atenção, aí o negócio ficou evidente. A quantidade era excessiva, muito além do que uma pessoa tomaria ali para um resfriado. Isso ligado a toda podridão que já estava em volta ali, né, que tinha, digamos, saído do ralo da alma do pastor.

Aí a coisa começou a se ligar. O incêndio em si, examinado de novo, não bateu mais com acidente. A conclusão foi de fogo posto por alguém, um incêndio criminoso. Lembra dos botijões de propano que o Nick disse que eram presentes de Natal? A acusação sustentou que ele mesmo tinha comprado aqueles botijões e colocado no quarto, do lado do aquecedor, para alimentar as chamas. Eu já tinha achado isso bem esquisito quando eu falei isso aí a primeira vez.

Como assim? Um botijão de propano aí pra você de presente de Natal? Bizarro, né? Mas pastor de igreja renomada, né? Cidade pequena ali, quem que ia desconfiar da palavra do cara, né? Mas juntando as peças agora, a figura era outra, não é? Uma mulher que foi dopada, sufocada e morta provavelmente antes das chamas. Uma casa incendiada de propósito pra meio que apagar tudo. E um marido que convenientemente tinha combinado com os amigos de sair pra caçar de madrugada justo naquela manhã, pra ele estar longe de casa quando o fogo começasse.

A tese da acusação era bem direta: Nick matou o Dal pra ficar livre, livre pra viver a vida dupla que ele já vinha alimentando com incende enquanto a Dal ainda estava viva e livre para seduzir quantas mulheres mais ele quisesse sob o verniz da fé, depois que ela saísse do caminho dele. O autor que investigou esse caso aqui a fundo, jornalista Greg Olsen, levantou ainda outras camadas possíveis: que a Dal talvez tivesse virado um estorvo para os planos dele, talvez até que dívidas pesadas e algum dinheiro de seguro estivessem ali no meio de tudo.

Mas o motor central, aquele que a promotoria bateu o tempo todo, era o mais frio de todos, ele a matou pra poder continuar caçando mulheres na própria igreja. Apesar disso, a defesa não desistiu, tá, argumentou que o Nick tinha saído pra caçar de madrugada numa decisão de última hora e portanto nem estaria em casa na hora do fogo ou pra atear o fogo, e sustentou que o incêndio tinha sido um acidente mesmo, uma faísca elétrica que teria encontrado o gás vazando de um daqueles botijões de propano, acidente não crime comum pra defesa.

No banco das testemunhas, a Sandy era uma amante ressentida, não uma fonte confiável de informação. Eu não sei como a defesa não montou uma estratégia inclusive pra pôr a Sandy na cena como fazendo tudo que foi feito, né? O julgamento durou quase 7 semanas. A Sandy Glass, que fechou um acordo ali com a promotoria, foi a testemunha-chave. E no fim, o júri não teve dúvida do lado pra onde os fatos apontavam. O pastor Nick Hettney foi considerado culpado de homicídio em primeiro grau, premeditado.

E tem uma coincidência de data nesse veredito aí que eu vou falar, que é insólita e ao mesmo tempo hypeia. Ele foi condenado no dia 26 de dezembro de 2002, exatamente 5 anos, dia após dia depois da manhã em que a Dawn morreu. A pena inicial foi das mais duras que existem, tá? Prisão perpétua sem possibilidade condicional. Mas a história jurídica ainda deu uma última guinada, insólita, esquisita talvez. Em 2007 já, a Suprema Corte do Estado de Washington derrubou aquela sentença por uma questão técnica, que quando você entende é quase de dar um certo enjoo, viu?

O agravante que tinha pesado na pena, né, pra prisão perpétua sem condicional, era justamente o incêndio criminoso. Só que a corte concluiu o seguinte: como o Dal já estava morta antes do fogo, o incêndio não contribuiu pra morte dela, ele serviu só pra encobrir o crime. E pela lei, encobrir com fogo um corpo que já estava sem vida não contava aí com o mesmo peso, né, com o mesmo tipo de agravante. Um promotor da época resumiu a revolta do lado da acusação dizendo que tirar a vida de alguém e depois queimar o corpo para esconder o crime deveria ser um ato bizarro nesse sentido, contínuo.

Mas a corte discordou. Resultado: em 2008, o Nick foi ressentenciado de perpétua. A pena dele caiu para 26 anos e 8 meses de prisão. O Nick Hatch passou mais de duas décadas preso na cadeia, ele virou uma figurativa defensor de programas ambientais e educacionais, chegou até a dar uma palestra sobre sustentabilidade. É demais, né? Por volta de 2025, ele começou a ficar elegível para deixar a prisão, e pelos registros públicos mais recentes, ainda estava lá a essa altura, tá?

Uma coisa nunca mudou: ele nega, nunca admitiu ter matado a esposa, sustenta que é inocente, que houve um acidente e que uma amante ressentida armou uma mentira contra ele. Mas, caro Nick, sua perversão usando a fé é de cair do bumbum e fala muito sobre o seu caráter, viu? Então é bem complicado de acreditar aí em umas coisas que você vai falar. No fim das contas, o que condenou o Nick não foi a profecia, não foi o ciúme da Sandy, não foi nem a coragem tardia da Anete de abrir a boca, né, para reforçar as perversões desse pastor foi mesmo o corpo da Dawn.

Tem até uma simbologia nisso, né? Um corpo que supostamente morreu num incêndio, mas não tinha fumaça por dentro. E isso só foi verificado pelas perversões, como eu disse, desse pastor, depois que elas foram reveladas. E aquela cena do começo da mulher falando no ouvido dele evidentemente não tinha nada a ver com profecia, era um plano mesmo sendo dito em voz alta no meio de uma igreja que ensinava as pessoas a chamar de voz de Deus qualquer coisa que elas quisessem que fosse verdade.

E o Nick respondeu que já sabia, porque de fato ele já sabia, ele só ainda não tinha feito. Olha que caso pesado, né? Imaginar que a mãe da Dawn, cara, pra mim essa parte surreal, também se envolveu nesse negócio todo. Tudo muito asqueroso e nojento, não é? Ou você não concorda? Comenta aqui pra mim o que que você achou de tudo isso, porque Como eu disse, é um dos casos mais surreais assim que eu já contei aqui. Imagina, eu não sei se a mãe também tava nesse momento de luto completamente entorpecida e realmente caiu nas palavras de fé desse cara, que devia ser um encantador, não é?

Porque, cara, é muito insólito e surreal mesmo, não tem outra palavra para encaixar aqui. Mas é isso, quero saber a sua opinião. Se torne membro aqui do canal se você puder para ajudar nesse de produção. Agradeço imensamente sua companhia. Um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.

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