Ela sobreviveu ao Serial Killer, mas a polícia escolheu não acreditar
📌 Robert Pickton não era apenas um fazendeiro esquisito; ele se tornou o serial killer mais prolífico do Canadá. Neste remake necessário, trago novos detalhes sobre como a negligência policial e o preconceito sistêmico permitiram que ele agisse impunemente por duas décadas, mesmo após uma sobrevivente ter contado tudo à polícia anos antes da sua prisão final.Exploramos o contexto sombrio de Downtown Eastside, as festas "macabras" no "Pig Palace" e a falha catastrófica da justiça que ignorou evidências guardadas em uma caixa por 7 anos. Com o falecimento de Pickton em maio de 2024, analisamos o legado de dor deixado na Fazenda dos Horrores e o relatório "Forsaken" (Abandonadas), que expôs as vísceras de um sistema que falhou com as mulheres mais vulneráveis de Vancouver.#TrueCrime #RobertPickton #MarcosCampos #CasosReais #SerialKiller #Justiça-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br📲 Me acompanhe nas redes sociais: @eusoumarcoscampos
- Prisão de Robert Pickton - Fevereiro 2002Robert Pickton · Fazendeiro de porcos · Serial killer · Negligência policial · Preconceito sistêmico
- Impunidade e investigação policial deficienteEvidências ignoradas · Caixa de provas · DNA de vítimas · Relatório Forsaken
- Downtown Eastside, VancouverDowntown Eastside · Dependência química · Pobreza extrema · Mulheres indígenas · Profissionais do sexo
- A descoberta na fazendaMandado de busca por armas · Ossos humanos e de porcos · Crânios cortados · DNA de 33 mulheres
- Sinais de alerta ignoradosBill Riscox · Kim Rosman · David Dixon · Sargento Mike Conner
- Relatos de sobreviventesWendy Lynn Eistetter · Tentativa de homicídio · Testemunha não confiável
- Inquisição e ConfissãoAgente disfarçado na cela · Confissão de 49 assassinatos · Fama como motivação
- O Pig Palace e as festasPig Palace · Festas com drogas e mulheres · Hells Angels
- A fábrica West Coast ReductionWest Coast Reduction · Descarte de resíduos animais · Homem dos Porcos
- Julgamento e CondenaçãoSeis homicídios em segundo grau · Prisão perpétua · Retirada de 20 acusações restantes
Esse fazendeiro esquartejava mulheres em um dos galpões da fazenda dele Só que tem um detalhe Em um desses galpões, ele também dava festas enormes pra muitas pessoas da cidade E praticamente durante 20 anos
Ninguém percebeu ou quis perceber? Se liga nos detalhes dessa história. Uma mulher saiu correndo de um trailer numa fazenda de borgos. De madrugada, ela estava coberta de sangue. Tinha marcas de faca pelo corpo todo, uma algema pendurada em um dos pulsos. Ela correu até uma estrada e foi encontrada no asfalto por um casal que estava passando ali ao acaso.
Esse casal chamou a emergência. Os ferimentos dela eram tão graves, tão profundos, que até o coração dela parou duas vezes na sala de cirurgia. Mas ela sobreviveu. Contou pra polícia tudo o que tinha acontecido, exatamente quem era aquele homem, onde ele morava. A polícia prendeu o fazendeiro. Acusou ele de tentativa de homicídio. Mas em dez meses, retirou as acusações, porque aquela mulher que saiu correndo era dependente química e na avaliação da promotoria...
ela não seria uma testemunha confiável o suficiente. Então, o homem voltou para a sua fazenda. E o que ele fez nos anos seguintes, antes de finalmente ser preso de novo, é a parte dessa história que ninguém nunca vai esquecer. Eu sou o Marcos Campos, sejam todos bem-vindos a esse remake do caso Robert Picton. Eu contei essa história aqui, se você me acompanha desde o começo, lá no primeiro ano de canal. Mas agora...
Com novos detalhes que vieram a público depois. Eu quis fazer essa nova versão muito mais profunda. Pra gente conhecer em detalhes. Esse que é um dos casos de serial killers mais insólitos do mundo. O próprio contexto e ambiente já daria aí um roteiro de filme de terror, não é? O Fazendeiro de Porcos. Que matou dezenas de mulheres. Se livrou dos corpos de maneira assim, completamente surreal, perturbadora.
E ficou impune durante cerca de duas décadas, enquanto a chefia da polícia estava olhando para outro lado. Se você gosta de histórias reais, com profundidade, já se inscreve aqui no canal. Toda semana tem vários episódios como esse por aqui. Se puder, se torne membro. Isso me ajuda demais nas produções. Combinados? Ficados dados. Vamos aos fatos.
Pra entender mais profundamente o caso do Robert Pickton, a gente precisa entender primeiro um lugar. E esse lugar não é a fazenda dele não, tá? É o bairro de onde as vítimas da fazenda vinham. No centro de Vancouver, no Canadá, existe uma região chamada Dental Eastside. E pra quem não conhece, galera, Vancouver é uma cidade muito bonita, moderna.
Rica, cercada por montanhas. Sabe aqueles cenários de Hollywood? Pois é, mas no coração dessa cidade existe um bairro que parece pertencer a outro país. São umas 10 quadras, mais ou menos, onde se concentra tudo o que o resto da cidade finge que não existe, sabe? Dependência química, pobreza extrema, pessoas morando na rua, abrigos lotados.
E aqui já entra um detalhe que vai pesar muito quando a história começar a se desenrolar, tá? Eu diria que essa contextualização do bairro é importante pro contexto do caso em si, porque existe aí uma conotação histórica, social. Boa parte das mulheres que viviam ali, naquele bairro, eram de origem indígena, vindas aí de famílias destroçadas por décadas, de políticas de um governo canadense ali que tirava a criança, por exemplo, indígena de casa à força pra fazer ali...
Uma geração inteira sem uma rede de apoio, sem família pra cobrar quando essas pessoas sumissem, sabe? Quando a polícia entrou nessa história do caso, com todo esse contexto, os elos dessa corrente começaram a pesar pra valer, tá?
Nesse bairro aí, muitas mulheres trabalhavam na rua, algumas para sobreviver, outras ali para sustentar vício. E quando eu digo trabalhavam na rua, vocês já entenderam, né? Prostituição, profissionais do sexo. E elas ficavam ali numa área específica do bairro chamada Low Track. Umas poucas ruas ali, onde todo mundo sabia que dava para encontrar a companhia pagando, sabe?
Então era o ponto ali onde as mulheres mais vulneráveis da cidade acabavam se encontrando e evidentemente ficavam expostas durante noites frias, enfim, sem um policiamento, sem muita gente pra poder proteger de qualquer coisa que aparecesse. Claro que envolve o risco ali de assumir essa responsabilidade também. Mas enfim, a gente tá falando de uma cidade, né, onde havia estrutura. E assim então, a partir do final dos anos 70, essas mulheres começaram a desaparecer.
No princípio era uma aqui, outra ali, uma que não voltava mais pro abrigo, outra que não aparecia mais no ponto que costumava ficar, não ligava mais pra uma irmã, por exemplo. E como eram mulheres sem endereço fixo, sem um documento muitas vezes, em família, né? Como eu disse pra poder ir até a delegacia, cobrar uma investigação, esses desaparecimentos aí não geravam nada. A polícia de Vancouver anotava o nome numa lista, se é que anotava e vida que segue. A explicação era sempre a mesma.
Ela deve ter ido embora, deve ter se mudado, ou morrido de repente de overdose em algum beco. E essa era a tônica do que estava acontecendo. Só que elas não tinham ido embora, não é? E muito menos morrido em um beco qualquer.
Bom, galera, essa breve contextualização, ela é importante pra esse caso, tá? Como vocês vão perceber, porque, digamos que ajudou no modus operandi de tudo que vai se desenrolar aí na vida desse serial killer. E como a gente já viu em diversos outros casos de serial killers, esse desdém da investigação por serem pessoas que eles consideram que ninguém vai procurar, e o serial killer também sabe disso, aí cria-se um ambiente perfeito pra ação do predador. A fazenda.
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A uns 27 quilômetros, mais ou menos, lá do centro de Vancouver, numa região chamada Port Coquitlam, existia uma fazenda. Uma fazenda porcos, criação de porcos. Não era uma fazenda bonita, tá? Daquelas de cartão postal. Longe disso, apesar do local onde ela estava inserida. Era um terreno grande, meio sujo, pontos de lama em alguns pedaços, com barracões de metal gigantescos, todos enferrujados. Cercas tortas, sabe? Centenas de porcos.
E no meio da propriedade tinha um trailer, velho também, onde moravam dois irmãos, o Robert e o David Picton. Os dois tinham herdado essa fazenda aí quando os pais deles morreram. Isso aconteceu no final dos anos 70. A mãe dele, segundo o consta, era uma mulher bem dura, que priorizava a criação dos porcos lá da família acima de tudo.
Inclusive, às vezes, acima dos filhos, né? O Robert e o David, então, iam pra escola com roupa suja, cheirando a esterco muitas vezes. E até os colegas faziam bullying, né? Chamavam eles de porquinhos fedidos. O Robert era quieto, meio estranho pra algumas pessoas. O tipo de pessoa que os vizinhos descreveram depois como um cara simpático, mas esquisito em alguma medida. E eles não conseguiam explicar o porquê.
O que exatamente, sabe? Dessa sensação de esquisitice. Com o tempo, então, a cidade foi crescendo em volta dessa fazenda e os irmãos venderam alguns pedaços do gigantesco terreno lá que eles tinham para construtoras. Eles ganharam muita grana com isso. E com esse dinheiro aí, dessas vendas da terra...
Eles, ao invés de modernizar a fazenda ali, eles fizeram uma outra coisa, transformaram um antigo matadouro ali da propriedade numa casa de festas. E essa casa de festas aí, eles chamaram de Pig Palace. O Pig Palace virou ali um dos lugares mais populares da região. Os irmãos registraram nesse local aí uma entidade sem fins lucrativos, provavelmente pra, sei lá, driblar alguma questão aí burocrática, de repente de imposto de renda, alguma coisa assim, não sei exatamente.
O que eu sei é que eles diziam que lá eles organizavam eventos para causas sociais. Mas eles davam, na verdade, festas enormes. Por volta de duas mil pessoas frequentavam lá. Políticos, empresários, membros dos Hells Angels. Que eram ali uma gangue de motociclistas bem enorme, assim, populares e tal.
E nessas festas não tinha nada social, não. Até pras pessoas que estavam ali, né? Droga, bebida, muitas mulheres, inclusive trazidas lá de Dantau, Eastside, pelo próprio Robert Picton, que ia lá pessoalmente até o bairro. Oferecia grana, drogas, e muitas delas, que eram viciadas, acabavam indo pra fazenda.
E aí, entra um detalhe que ligava a fazenda ao Dantal Eastside, que é um dos elos principais dessa corrente, que talvez não tenha sido olhado com mais atenção, pelo menos na época. O Picton já visitava aquele bairro ali com regularidade. E o motivo era bem simples, banal. Tinha uma fábrica lá de processamento de resíduos animais. A fábrica era a West Coast Reduction. Ela ficava na orla ali de Vancouver.
E não era só o Picton que ia lá, muitos criadores ali de fazendas da região iam lá pra jogar ossos, vísceras, restos de animais abatidos pra serem descartados ali. O Picton era um desses fazendeiros, desses clientes dessa fábrica. Então ele ia lá com certa regularidade, levava os restos dos porcos que não serviam pra venda lá na fazenda, não é?
E trabalhadores desse local depois testemunharam no julgamento que viam o Picto chegar ali com barris enormes empilhados na caminhonete dele e despejava tudo ali nas covas industriais dessa fábrica aí com as mãos nuas mesmo, sabe? Sem nenhuma proteção. Inclusive lá ele era conhecido como o Homem dos Porcos.
E o que ninguém sacava na hora é que essa fábrica ficava perto ali do low track. Ou seja, era meio que, como a gente diz aqui, não era fora de mão. Era caminho do cara, sabe? Então o Picton ia lá pra fazer o serviço que ele precisava descartar os animais. Passava ali em Dental Eastside, naquele lugar lá, pra conversar com as mulheres do bairro ali. Levar umas pra fazenda. Anos depois, inclusive, essa rotina aí de viagem ia mostrar o...
Quanto essa coincidência, entre aspas, era muito mais sinistra do que parecia. A sobrevivente. Você se lembra da mulher que eu narrei lá no começo, quando eu falei assim, presta atenção nos detalhes dessa história. Um moleque saiu correndo lá, achou um casal na rua, que ligou, chamou a emergência e tal, ela estava muito ferida. Pois é, essa mulher aí é a Wendy Lynn Eistetter. E ela, evidentemente, estava correndo da fazenda, fugindo da fazenda do Robert Pickham. O que eu não contei ainda é o que veio depois disso, tá?
O Picton também foi parar no hospital naquela mesma noite, porque essa moça tinha conseguido machucar ele durante uma luta que eles tiveram. Algumas fontes dizem que os dois foram atendidos até no mesmo pronto-socorro, mas outras, no entanto, dizem que o Picton foi levado pra outro lugar. O que se sabe ao certo é que a equipe médica encontrou no bolso dele a chave que abria, adivinhem? A algema que tava no braço daquela mulher. A polícia foi chamada então, não é? Na hora.
E o Picton acabou preso naquele dia. Ele foi acusado de tentativa de homicídio, mas ele saiu sob fiança. Algo cerca de 2 mil dólares ali canadenses. É que está um dos elos porcos dessa corrente criminal, não é? Com o perdão do trocadilho. Quando a promotoria retirou as acusações, 10 meses depois, eles disseram que a Wendy era uma usuária de drogas, que tinha faltado muito ali as reuniões que precisavam acontecer com os promotores do caso.
E ninguém se deu a trabalho de investigar com profundidade, por exemplo, as roupas e as botas, objetos pessoais que tinham sido apreendidos com o Picton naquela noite. Parte dessas evidências foi analisada na época, mas itens importantes não foram explorados como deveriam para conectar o caso da Wendy a outras mulheres que já estavam sumindo à época. Tudo ficou guardado ali num depósito de provas. Ficou lá.
Mais de sete anos sem ninguém abrir aquela caixa daquele caso da Wendy. Os caras simplesmente olharam lá e falaram assim, ah, velho de drogas, deve ser profissional do sexo aí, não deve estar falando coisa com coisa. Oh, o pictão, que isso, fazendeiro, amigão nosso aí, libera o homem.
Dez meses aqui já. Que isso? Absurdo. E assim ficou. E quando eles finalmente então abriram essa casa, essa caixa aí de objetos pra testar, isso em 2004 já, dois anos depois inclusive que o Picton tinha sido preso de novo, eles encontraram o DNA de mulheres que tinham desaparecido naqueles objetos. Segundo o testemunho no inquérito público de 2012, o DNA de três mulheres foi identificado lá. O de Jacqueline...
Merdok, que estava ali na embalagem preservativo. Também o de Andrea Borheaven, que estavam em umas botas. E também o de Cara Ellis, que eles encontraram em uma jaqueta. Algumas fontes, eu preciso dizer pra vocês, galera, registraram só duas confirmações, tá? Mas o testemunho mais detalhado aponta pra essas três mulheres. O que...
pesa nisso é o seguinte, pelo menos uma dessas mulheres, a Cara Ellis, já estava desaparecida quando a Wendy foi esfaqueada em março de 97. Ou seja, a polícia tivesse testado aquelas evidências na época, em vez de jogar tudo numa prateleira, talvez tivesse ligado o Picton aos desaparecimentos num momento mais oportuno. Se é que vocês me entendem, não é?
E aqui vem uma parte bem pesada, porque 5 das 6 mulheres pelas quais o Picton seria condenado anos depois, desapareceram justamente depois que as acusações contra ele foram retiradas, nesse caso da Wendy. Mas no total mesmo, 19 mulheres ligadas à fazenda sumiram entre janeiro de 98 e a prisão dele em fevereiro de 2002.
E aqui um negócio surreal que me chamou a atenção é os caras olham pra credibilidade da vítima e não fazem o trabalho que é pra ser feito. Parece até um negócio de permissão pra matar. Tipo, faz a limpeza pra nós aí, piquito. Embaçado, hein? As vozes ignoradas.
Bom, enquanto o Picton continuava livre, leve e solto, pessoas tentaram alertar a polícia. Não foi uma vez não, tá? Várias. Em julho de 98, pra vocês terem uma ideia, um homem chamado Bill Riscox, que trabalhava ali num dos negócios dos irmãos Picton,
e ia toda semana naquela fazenda para pegar, para receber ali pelo trampo que ele fazia, ele ligou para uma linha de denúncias que tinha sido montada por um amigo de outra mulher desaparecida. Esse Rick Scrox. Tinha ali uma amiga próxima do Robert que tinha estado dentro do trailer dele várias vezes e ela contou para ele o que tinha visto lá. Eram bolsas, documentos, roupas femininas espalhadas ali pelo trailer. Coisas que claramente não pertenciam ao Robert Picton.
Então esse Hitchcock levou essa informação para o telefone da denúncia e contou ainda que a fazenda era um lugar estranho. Tinha até um javali enorme, segundo consta, lá com cerca de 270 quilos que funcionava como um cão de guarda e atacava qualquer pessoa que entrasse lá, sabe? Desavisado, assim. E que as mulheres que iam para lá, às vezes, não eram mais vistas.
A polícia até anotou essa informação aí. Mais ou menos nessa mesma época, um policial canadense chamado Kim Rosman, o cara que inventou inclusive a metodologia de profiling geográfico, que hoje é usada amplamente no mundo inteiro para rastrear criminosos, analisando padrões de localização, concluiu depois de cruzar dados que havia um serial killer atuando na região de Vancouver e que ele estava caçando deliberadamente mulheres que seriam...
e invisíveis para o sistema. Rosmo levou a análise dele para a chefia da polícia em setembro de 1998, junto com um grupo de trabalho que estava prestes a emitir um alerta público sobre o assunto. A chefia simplesmente rejeitou, disse que as conclusões eram imprecisas, inflamatórias, e desmontou o grupo de trabalho. Rosmo acabou saindo do departamento depois dessa disputa e anos depois processou a polícia de Vancouver por demissão indevida e...
perdeu, mas o processo deixou exposto no tribunal o nível de disfunção daquele departamento. Ia ia ser bizarro, né? Tinha mais, tá? Uma organização indígena entregou pra polícia uma lista com os nomes de dezenas de mulheres desaparecidas lá de Dantau, Eastside, pressionando por uma investigação conjunta.
Em 1998, um policial chamado David Dixon, um patrulheiro ali veterano que conhecia bem da Antal Eastside, tinha trabalhado no bairro desde 1980. Ele começou a bater de frente com os superiores dele, cobrando ali uma investigação séria sobre esses desaparecimentos. Mas só ganhou recursos formais pro caso em 99.
E com a investigação aberta, o Picton chegou a ser alvo de vigilância, mas de um jeito tão esporádico e mal coordenado que beira o inacreditável. A polícia montou um monitoramento lá na fazenda dele, que durou 30 dias só, e parou na hora em que perceberam que o Picton tinha sido avisado de algum jeito que estava acontecendo ali. Teve um agente da polícia montada, o sargento Mike Conner, que ficou tão obstinado com o caso, que passou a fazer vigilância por conta...
própria, sozinho lá na fazenda. Isso tarde na noite, mais de 30 vezes. Sem nunca conseguir o flagrante que precisava pra justificar o mandato. Mas aí se alguém avisou o cara, não vai pegar flagrante nenhum mesmo, né? Qual a sensação que vocês estão tendo nesse momento aqui? Conta pra mim, conta pra mim. Será que tinha alguém ali?
um conluio com o Robert Picton? Como é que o cara anda mais ou menos disso? Ele falou, não, tudo bem, pode ter visto, né? O fazendeiro fica ligado ali e tal, né? Mas, sei lá, né? Passa uma sensação meio esquisita. Enfim, em agosto de 1999, agentes chegaram a seguir o Picton até a fábrica lá de processamento, né? Ele jogava os restos lá e viram ele descarregar os barris da caminhonete. Mas não saíram do carro pra ver o que tinha lá dentro daqueles barris, tá?
Dois dias antes, o informante tinha contado pra polícia que era exatamente assim que o Picton se desfazia do Sul.
Corpos ou pedaços dele. Três anos e meio antes da prisão do Picton, o alerta do Rosmo, esse policial aí, foi engavetado pela chefia da polícia. E nesse intervalo, dezenas de mulheres ainda desapareceram. Mais de 70 mulheres tinham sumido daquele bairro em duas décadas.
E a polícia continuava tratando cada desaparecimento como um caso isolado. Ah, não é possível. Não é possível. Ou é muita burrice e ingenuidade, ou tem... Então, junto com o cara. Não é possível, cara. Surreal isso. Bizarro. A porta que abriu tudo.
No começo de fevereiro de 2002 já, a polícia finalmente entrou na fazenda do Picton. Só que não foi por causa das mulheres desaparecidas não, tá? Foi por causa de armas ilegais. Mandado de busca por posse irregular de armas e fogo. Nada a ver com homicídio.
Quando os policiais entraram lá no trailer do Picton, eles começaram a revistar tudo. Encontraram algo que não estava no mandado. Pertencem pessoais de mulheres que constavam na lista de desaparecidas. Alguém já tinha falado sobre isso, né? Documentos de identidade, roupas, objetos pessoais. E entre eles, um inalador de asma com o nome Serena Abbotsway.
Uma das mulheres desaparecidas. Prescrito esse remédio cerca de duas semanas antes de ela ser vista pela última vez. E foi nesse momento que o mandado de armas virou outra coisa. Os policiais pediram um segundo mandado agora dessa vez, ligado à investigação dos desaparecimentos. E quando eles começaram a cavar a propriedade, a coisa mudou de patamar completamente, tá?
Finalmente, eles encontraram ossos humanos misturados com ossos de porcos, dentes, pedaços de crânio espalhados no meio de pilhas de restos animais, em alguns galpões, baldes com crânios humanos cortados ao meio, e mãos e pés enfiados dentro. Numa prateleira da lavanderia do trailer,
Tinha uma arma, um revólver calibre .22 com um objeto sexual acoplado na ponta, que Picton mais tarde alegou usar como silenciador improvisado. E pela propriedade inteira, havia roupas manchadas de sangue enterradas no chão. A escavação durou quase dois anos, custou mais de 70 milhões de dólares canadenses. A polícia trouxe duas esteiras transportadoras industriais de 15 metros, sabe daquelas usadas em mineração, pra poder peneirar ali toneladas de terra.
Mais de 100 peritos forenses trabalharam no local, coletaram cerca de 200 mil amostras de DNA e apreenderam mais de 600 mil evidências. E o problema que eles enfrentaram era um que nenhuma investigação criminal do Canadá tinha enfrentado ainda. Os porcos de Picton tinham ajudado a destruir as evidências. Porcos comem qualquer coisa, inclusive carne humana e ossos pequenos.
Boa parte, então, dos corpos simplesmente não existia mais. Mesmo assim, os peritos conseguiram encontrar restos, o DNA, de 33 mulheres naquela propriedade. E aí veio uma informação que fez o caso saltar das páginas policiais para manchetes internacionais. As autoridades de saúde da Colúmbia Britânica vieram a...
público dizer que não era possível descartar a possibilidade de carne humana ter sido moída e misturada com a carne de porco produzida na fazenda. O oficial de saúde da província, ou Perry Kendall, explicou que a carne nunca tinha sido vendida em comércio, mas que tinha provavelmente sido distribuída para cerca de 40 amigos e vizinhos do Picton.
Em churrascos, como presente, de repente, as autoridades emitiram um alerta pra qualquer pessoa que ainda tivesse em casa carne vinda daquela fazenda. Mano, vai vendo. Existe a possibilidade de carne, né, desse jeito aí que eu contei pra vocês, ter sido servida nas festas do Pig Palace. Embora oficialmente as autoridades de saúde tenham confirmado apenas as distribuições ali pra essas cerca de 40 pessoas, tá, amigos e vizinhos.
Quando finalmente esses mandatos foram emitidos, o Picton foi preso, foi levado para uma cela de investigação e avançando. E aí que a polícia montada canadense, o equivalente à polícia federal, galera, fez algo que mudou o caso, tá? Colocou um agente disfarçado na cela do Picton, fingindo ser um preso comum ali. Durante horas, os dois conversaram, foram estreitando ali, uma certa amizade. E o Picton, achando que estava falando ali com outro detento qualquer, foi soltando as coisas.
Comendo ali uma tigela de chili, ele disse que tinha matado 49 mulheres. De se rindo que queria ter chegado a 50. Ou o grande 5-0, como ele disse. Mas que foi descuidado no final. E uma câmera escondida na cela gravou tudo.
Picton mastigando, rindo e contando os mortos como quem conta pontos num jogo. No interrogatório formal que durou 11 horas, o Picton mudou de postura várias vezes. No começo ele negou tudo, aos poucos admitiu que podiam encontrar dois, talvez três corpos na propriedade e soltou uma frase que os investigadores registraram. Disse que a polícia não conseguiu pegar ele antes porque simplesmente não era competente o suficiente.
meio que esfregou na cara a obviedade desse esvagal, né? Ah, tá louco. Em determinado momento, um dos sargentos no interrogatório disse pra ele o seguinte, você está maior que o Papa, maior que a Princesa Diana, está na primeira página de cada jornal do país. E Picton se animou. Afinal de contas, galera, é meio que isso que esses serial killers, quando são pegos querem, né? Fama. E que a prolongação do prazer que ele sentiu em matar, agora é em reconhecer que ele matou todo mundo, né?
Ele tava ali parecendo uma criança ouvindo que tinha tirado a melhor nota da turma. Uma testemunha chamada Lynn Ellensen, que tinha morado ali um tempo na fazenda, foi até a polícia depois e contou que tinha visto o Picton anos antes esfolando o corpo de uma mulher pendurada num gancho de carne no matadouro da fazenda. Ellensen admitiu que não tinha contado antes porque tinha medo de morrer também. Mas ela admitiu também que tinha chantageado o Picton com aquela informação mais de uma vez.
E um conhecido do Picton, o Andrew Bellwood, contou à polícia uma cena ainda mais cabra e perturbadora. Ele disse que Picton, uma noite, encenou para ele o método dos crimes. Ele então tirou uma algema e um fio debaixo do colchão e foi mostrando. Algemava as mulheres por trás durante o sexo, estrangulava com o fio.
Levava para o matadouro para sangrar e estripar. O que dava alimentava os porcos. O que sobrava ia em barris com vísceras de porcos direto para a fábrica de processamento. Junto com os restos dos animais. Você lembra que eu comentei que teve um carro de polícia que parou lá para observar ele nessa fábrica aí? Pois é. Porque os caras não foram lá ver. Lembra que eu comentei? Que lá tem arrestos humanos também.
O Picton contou tudo pra esse amigo aí com tanta naturalidade que ele disse que era como se eles estivessem ensinando uma receita. E na escavação lá na fazenda, os peritos forenses também recuperaram fragmentos de osso humano de uma trituradora de madeira encontrada na propriedade. É um negócio tão absurdo, galera, assim, que poderia, né, tipo ser um roteiro aí, o massacre da Serra Elétrica, no caso aí o massacre do Homem dos Porcos, né. Um negócio tão...
desumano, tão pesado e grotesco, parece um roteiro de um filme gore, de terror, que você fala assim, ah, não é possível que isso aconteça na vida real. Acontece até pior. O julgamento. O julgamento desse homem começou em janeiro de 2007. E ele durou quase um ano. Para simplificar, a promotoria decidiu levar ao julgamento apenas 6 dos 26 assassinatos.
Foram eles os de Serena Abostway, Mona Wilson, Andrea Joyceberry, Brenda Ann Wolfe, Georgina Faith Peppin e Marnie Frey. A defesa tentou argumentar que Picton não tinha agido sozinho e outras pessoas tinham acesso à fazenda e poderiam ter cometido os crimes. E o próprio Picton, durante o interrogatório gravado, tinha insinuado que não era o único envolvido.
A acusação respondeu com as evidências encontradas na fazenda, o DNA das vítimas no trailer de Picton, os pertences pessoais escondidos ali entre os objetos dele, a confissão gravada para o agente disfarçado. Em dezembro de 2007, Robert Picton foi condenado por seis homicídios em segundo grau.
No sistema canadense, a diferença entre primeiro e segundo grau é a premeditação. O júri entendeu que havia provas suficientes para condenar por assassinato, mas não para provar que cada crime foi planejado com antecedência. E a pena foi prisão perpétua com possibilidade condicional após 25 anos, que é a pena máxima permitida pela lei canadense para homicídio em segundo grau. Em 2010, a promotoria retirou oficialmente as 20 acusações restantes.
O argumento era prático. Como o Picton já estava cumprindo a pena o máximo possível, novas condenações não iam mudar nada na sentença. Galera, vocês têm noção disso? Os caras falam um absurdo desse. Mas e as outras vítimas? Não precisa ter nome, não precisa de nada. É tipo a confirmação daquilo que eu falei lá no começo, que porque eram profissionais do sexo, pessoas ali de origem indígena e pobres, etc, etc. Então...
Dane-se, não precisa ter justiça por elas. O cara já foi condenado por seis, tá bom. Vai ficar preso mesmo, não pode ficar mais que isso. Cara, bizarro tanto quanto os crimes do cara, velho. Mas, por incrível que pareça, é dito que algumas famílias até meio que ficaram aliviadas por não terem que reviver os detalhes em outro julgamento. Mas outras ficaram devastadas porque nunca iam ver justiça formal pelos assassinatos de suas filhas, irmãs, mães, etc.
Eu sou obrigado a ficar do lado desse segundo grupo, porque, afinal de contas...
É, a justiça é pra isso, né, galera? Dá uma resposta. Depois da condenação, o governo da Colômbia Britânica abriu um inquérito público pra investigar como a polícia tinha lidado com o caso. Ou não lidado, né? O resultado publicado num relatório chamado de Forsaken.
que em português significa abandonadas, concluiu que investigações mal conduzidas, preconceito institucional, problemas de liderança e fragmentação entre os órgãos policiais da região tinham contribuído para que Picton ficasse livre por tanto tempo fazendo o que ele gostava de fazer.
O relatório confirmou ainda que o alerta feito por Kim Rosman, lembra desse cara, desse policial? Pois é, ele já tinha identificado o padrão de um serial killer agindo ali, então foi simplesmente engavetado pela chefia da polícia três anos e meio antes da prisão do Pico.
Ou seja, o cara ficou ali um tempão ainda livre da absurdo. Em fevereiro de 2024, agora, o Picton se tornou elegível para pedir a liberdade condicional. Diurna. Um regime onde o preso pode sair de dia e voltar para a prisão à noite. A gente conhece bem aqui no Brasil isso, né? A liberdade condicional plena só viria em 2027, 25 anos depois da prisão original dele. Mesmo sendo só a primeira etapa, a notícia, é claro, gerou revolta no Canadá inteiro.
Famílias das vítimas, organizações indígenas e políticos pediram que ele nunca fosse solto. Três meses depois, então, em 19 de maio de 2024, outro preso atacou o Picton dentro da penitenciária de segurança máxima de Port Cartier, lá no Quebec, usando um cabo de vassoura quebrado. O Picton foi levado para o hospital em estado grave no dia 31 de maio de 2024. Albert Picton morreu.
tinha 74 anos. O agressor, um detento chamado Martin Chahé, se declarou culpado tempos depois, num tribunal em Quebec. E disse uma frase que correu o Canadá inteiro. Eu matei o Picton pelas vítimas. Eu sei que ninguém pode fazer justiça com as próprias mãos, mas eu fiz pelas vítimas, não por mim. E aí, eu pergunto, caríssimos abduzidos, o que vocês pensam sobre isso? Lembra da Wendy Lynn Estetter? Aquela que sobreviveu saindo correndo lá do...
O trailer contou tudo pra polícia, deu nome, endereço, todos os detalhes, e a polícia simplesmente decidiu não acreditar na palavra dela, disse que a palavra dela não era suficiente. E uma mulher com dependência química não era confiável o bastante pra manter um homem preso por tentativa de assassinato.
Soltaram ele e ele voltou pra fazenda e voltou a matar. Aqui tem um ditado que caberia como uma luva, onde a fumaça a fogo, a função da polícia era ter ido investigar independente da opinião que eles tinham sobre ela. Muitas mulheres morreram depois. 33 DNAs foram encontrados na propriedade. 49, ele mesmo disse sorrindo enquanto comia um chili.
na cela que matou. E queria ter matado 50, mas não conseguiu porque foi descuidado. E as evidências todas que poderiam ter freado esse assassino estavam lá, mas também foram ignoradas dentro de uma caixa no arquivo. O relatório Forsaken concluiu que tudo isso foi alimentado por investigações mal conduzidas, liderança fraca, falta de coordenação entre órgãos policiais.
e preconceitos sistêmicos contra mulheres pobres, indígenas, usuárias de drogas e trabalhadoras sexuais. Ou seja, a polícia não as tratou como cidadãs que mereciam proteção. Tratou como pessoas que se sumissem.
Tudo bem, ninguém ia procurar. Aquilo que eu comentei, né? De repente, talvez o Picton limpa aí pra nós. Foi praticamente isso, só que implicitamente ali, não é? E aqui a gente nem consegue entrar nas camadas profundas que isso gera, né? Porque afinal de contas, se tá lá fazendo o que elas faziam, é porque existem muitas outras coisas ali que, enfim... Claro que eu não tô generalizando, né? Mas...
Enfim, existem muitas camadas aí que daria para se conversar sobre isso, e não só essa porquista que aconteceu na investigação. O Picton, um fazendeiro isolado lá, muito provavelmente super conhecido ali na região, o cara da fazenda dos porcos, vendia porco para todo mundo, e foi matando. Agora ficou a questão aqui, né? Se ele tivesse...
É que esses serial killers vão se copiando, né? Mas será que se ele tivesse polido umas vítimas aí um pouco mais da região ali da cidade, onde tem tudo aquilo que eu comentei no começo, né? Linda, cenário maravilhoso, cidade rica, etc. e tal. Será que o Picton teria ficado tantos anos livre? Teria se gabado de matar 49 pessoas?
Sei lá, é uma questão aí que, nesse caso especificamente, ela cabe. Quero saber a opinião de vocês sobre tudo isso. Eu agradeço mais uma vez a companhia, espero que vocês tenham gostado desse remake do caso Robert Picton. Quando eu fiz lá no começo do canal em 2020, ele ainda vivia. É isso, obrigado pela atenção, beijo do ruivo e até o próximo episódio. Pronto pra sentir a energia de Nescau? Então entre no jogo com Ana Castelli e Pedro Sampaio, o maior feat do ano.
Chama a galera e dá o play, que eu quero ver você jogar. E se prepara que esse hit não vai sair da sua cabeça. Vem, que é agora ou nunca. Nescau. Energia que dá jogo.