Episódios de Vamos aos Fatos

A amante morava com a esposa: O plano inacreditável por trás do crime

20 de maio de 202624min
0:00 / 24:33

📌 Eles pareciam a família perfeita do subúrbio americano: um Agente Federal respeitado, uma enfermeira dedicada e uma babá brasileira que cuidava da filha do casal. Mas por trás das portas fechadas, um plano macabro estava sendo traçado.📌 No vídeo de hoje você vai ver:O Caso extraconjulgal entre o Agente Federal e a Babá Brasileira.O plano da "fantasia" usado para atrair a vítima.Como a investigação digital derrubou a farsa da legítima defesa.O desfecho e as sentenças de Juliana e Brendan.🔔 Inscreva-se no canal Marcos Campos para mais análises de casos reais e True Crime. 👍 Deixe seu like se você gosta de investigações detalhadas. 💬 Comente: Você acredita que a babá foi apenas manipulada ou ela foi tão culpada quanto ele?#CasoBrendan #TrueCrime #MarcosCampos #Investigação #CasosReais #Justiça #Documentário-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br

Participantes neste episódio5
M

Marcos Campos

HostJornalista
B

Brendan Benfield

ConvidadoAgente Federal
C

Christine Benfield

ConvidadoEnfermeira
J

Joseph Ryan

Convidado
J

Juliana Pérez Magalhães

ConvidadoBabá
Assuntos4
  • O caso do Agente Federal e a Babá BrasileiraO plano macabro · O caso extraconjugal · A investigação digital · Brendan Benfield · Juliana Pérez Magalhães · Christine Benfield · Joseph Ryan
  • O plano da 'fantasia' para atrair a vítimaSite Fat Life · Perfil falso Anastasia 9 · Joseph Ryan · Brendan Benfield
  • Delação premiada e investigaçõesPrimeira ligação para emergência · Porta destrancada · Análise de padrões de sangue · Brendan Benfield · Juliana Pérez Magalhães
  • Angústia no coraçãoJulgamento de Brendan Benfield · Acordo de cooperação de Juliana · Sentença de Juliana · Sentença de Brendan · Joseph Ryan · Deidre (mãe de Joseph)
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Era de manhãzinha quando alguém ligou pro serviço de emergência. A ligação durou cerca de oito segundos, ninguém falou nada, mas dava pra ouvir ao fundo um gemido. E aí a ligação caiu. A emergência tentou ligar de volta, mas só cerca de 15 minutos depois é que veio uma segunda ligação. E dessa vez, com alguém do outro lado pedindo socorro. Os policiais foram até lá e o que eles encontraram dentro daquela casa...

Aquela manhã até parecia ter uma explicação fácil, simples, mas aqueles oito segundos da primeira ligação e todo esse tempo de silêncio entre uma chamada e outra iam destruir toda a história que tentaram contar.

Eu sou Marcos Campos e essa história envolve um agente federal americano, uma babá brasileira, um site de fetiches sexuais e dois assassinatos numa casa de subúrbio, enquanto uma criança de 4 anos estava brincando no porão sem saber o que estava acontecendo no andar de cima. É um dos casos mais elaborados e perturbadores, eu diria, que eu já apresentei por aqui, tá?

Porque o plano que essas duas pessoas montaram para se livrar de uma e usar a outra como bode expiatório é o tipo de coisa que parece ficção, mas aconteceu. Então bora conhecer tudo isso em detalhes, ritual de engajamento e vamos aos fatos. Amanhã

Na manhã de 24 de fevereiro de 2023, policiais do condado de Farfax, na Virgínia, uma região de subúrbio, a uns 40 quilômetros de Washington, mais ou menos, eles chegaram numa casa em Herdon Reston, atendendo aquela segunda chamada de emergência. A casa ficava numa rua arborizada, tranquila.

Daquelas vizinhanças totalmente americanas, sabe onde todo mundo tem gramado ali na frente de casa, uma camionetona na garagem, nada ali sugeria alarde, violência. A porta da frente daquela casa estava destrancada, os policiais subiram para o segundo andar e encontraram o quarto do casal, e o que eles viram ali dentro mudou o caso inteiro. Uma mulher de 37 anos estava deitada na cama, coberta de sangue, ela tinha sido esfaqueada várias vezes, principalmente no pescoço.

Um homem estava ajoelhado do lado dela, com as mãos pressionando o pescoço dela, tentando estancar aquele sangramento. Era o marido dela. Ele olhou para os policiais e disse que tinha atirado num cara que estava atacando a esposa dele. O cara que ele disse ter atirado estava caído no canto do quarto, em cima de uma cama de cachorro. O cara estava sem vida. Tinha levado tiros na cabeça e no peito.

Esse homem tinha 39 anos e tinha uma faca do lado dele. No porão da casa, os policiais encontraram uma menina de 4 anos, filha do casal, ilesa, sozinha lá embaixo. E ali, do lado de fora, na entrada do condomínio, tinha uma mulher jovem, a babá da família, uma brasileira de 22 anos. Ela estava ofegante, visivelmente abalada com tudo aquilo e ela contou para os policiais o que supostamente tinha acontecido.

A história que o marido e a babá contaram naquela manhã era a seguinte. A babá tinha saído de casa com a filha do casal pra ir ao zoológico, mas ela voltou porque esqueceu os lanchinhos. Quando voltou, viu uma caminhonete estranha estacionada na frente da casa, ela ficou assustada e então ligou pro patrão, que tinha saído pra buscar o café da manhã num McDonald's ali perto da casa.

Então ele voltou correndo, entrou em casa e encontrou um desconhecido atacando a esposa dele com uma faca no quarto. Ele sacou a arma então e como ele era agente federal, andava armado, atirou no cara, legítima defesa. A babá também atirou com uma outra arma que tava no cofre da casa. Vai vendo.

O cara, como eu disse, morreu lá mesmo. A esposa foi levada pro hospital e não resistiu. Nesse momento da história, vocês poderiam dizer, caso encerrado? Claro que não, né? Vocês são experientes investigadores. Certamente não. Parecia legítima defesa. Um invasor armado, um marido que reagiu pra salvar a esposa. A maioria dos vizinhos que ouviu a história naquela manhã deve ter pensado, que sorte que ele tava por perto, não é?

Só que os investigadores repararam em duas coisas antes mesmo de sair daquela casa. Primeira, a porta da frente estava destrancada, sem sinal de arrombamento, sem janela quebrada, sem marca nenhuma de entrada forçada. Se aquele cara era um invasor, alguém abriu a porta pra ele, concordam? Derraba básico de investigação. Segunda coisa, aquela primeira ligação pro serviço de emergência, uns oito segundos, mais ou menos, lá por volta das 7h47 da manhã, aquela ligação. Então...

com alguém gemendo no fundo? Se o marido chegou, viu a cena e reagiu, então por que alguém ligou pra emergência mais ou menos uns 15 minutos antes da ligação que de fato ligou pra pedir socorro? E por que desligou aquela primeira? Pra entender como aquelas duas pessoas foram parar naquela casa naquela manhã?

A gente precisa voltar uns dois anos no tempo, tá? A Christine Benfield era enfermeira de UTI pediátrica e ela trabalhava num hospital da região cuidando de crianças em estado grave. Ela tinha 37 anos. O marido dela é o Brandon Benfield. Ele era agente especial do IRS, que é o equivalente americano da Receita Federal. Só que a divisão dele era de investigação criminal. Pra simplificar a coisa, o cara investigava fraude financeira, lavagem de dinheiro, sonegação e essas coisas.

Então ele andava armado, tinha treinamento, tático, sabia como funcionava uma investigação por dentro. E os dois moravam juntos naquela casa, em Herdon Reston, com a filhinha deles de 4 anos. Em outubro de 2021, como muitos casais de classe média americana que trabalham o dia inteiro e precisam de alguém ali pra cuidar dos filhos fazem, eles também fizeram, contrataram um au pair.

Que é aquele programa de intercâmbio onde uma pessoa jovem de outro país vem morar na casa da família, cuida da criança e em troca recebe moradia, alimentação, salário, sabe? Pois é, a Au Pair que veio morar com eles era uma brasileira. Ela se chamava Juliana Pérez Magalhães, tinha 21 anos na época, e veio do Brasil pelo programa oficial de Au Pairs dos Estados Unidos. Ela cuidava da filhinha do casal, morava no quarto dos fundos e fazia parte da rotina familiar.

Tudo parecia, nos conformes, funcionar muito bem até agosto de 2022, quando o Brandon e a Alper, Juliana, começaram a ter um caso. Ele tinha 38 anos e ela 22 a essa altura dos papos. A relação foi ficando cada vez mais séria. Em outubro de 2022, durante uma viagem que os dois fizeram juntos a Nova York, o Brandon disse pra Juliana uma coisa que mudou a direção de tudo aqui. Ele disse que queria se livrar da Christine.

Aqui é importante entender porque ele não simplesmente pediu o divórcio. O Brandon não queria divórcio por duas razões. Primeira, porque era um mau caráter. Não, primeira, ele ia perder dinheiro. Ou seja, num divórcio ali na Virgínia, os bens do casal seriam divididos e a Christine ficaria com uma parte considerável. Segunda, porque ele era um cretino. Não, ele queria a guarda total da filha.

E num divórcio isso seria difícil de conseguir. Ele queria a Juliana, queria a filha e queria a vida que já tinha. Só sem a Cristine no meio, né? Eu fico me perguntando como é que alguém que divide um pensamento desse com a então amante, porque não tinha se divorciado ainda, e amante compra a ideia do cara que tem essas coisas aí na mente, né? Bizarro, bizarro. E aí, em vez de procurar um advogado pra fazer o divórcio de uma maneira republicana, o Brandon.

um agente federal treinado em investigação criminal, começou a planejar um assassinato. Primeiro ele pensou em contratar alguém pra matar a Cristine, a esposa dele, mas descartou, achou arriscado demais. Sabia pela experiência profissional que esse tipo de plano quase sempre dá errado, porque envolve uma terceira pessoa que pode abrir a boca. Uai, o plano dele fazer lá dá sempre super certo, né?

E aí então ele teve a brilhante ideia de definir o caso inteiro, controlar tudo. Claro que contém muita ironia em algumas frases aqui, tá? A armadilha.

O plano que o Brandon montou é talvez um dos esquemas mais frios que eu já vi num caso de assassinato, tá? E pra funcionar ele precisava de uma coisa específica, um desconhecido. Alguém que pudesse ser usado como bode expiatório. Alguém que aparecesse na cena do crime com uma faca na mão e que todo mundo acreditasse que era o agressor. Ele precisava de um cara que parecesse culpado estando morto. E pra encontrar esse cara, ele usou a internet.

mais especificamente um site chamado Fat Life, que é uma rede social voltada para as pessoas que praticam fetiches sexuais. É tipo uma comunidade online onde as pessoas discutem e combinam práticas consensuais entre adultos. Não é um site ilegal e funciona com perfis, mensagens e fóruns, parecido com qualquer outra rede social, só que mais de 18. O Brandon criou um perfil falso nesse site, usando o nome e informações da Christine, sem ela saber, evidentemente. O perfil se chamava...

Anastasia 9. E o que ele publicou ali era um anúncio específico. Uma mulher casada que queria realizar uma fantasia sexual envolvendo um estranho. O cenário descrito no anúncio era o seguinte. O homem entraria na casa, traria ali com ele uma faca e amarras, imobilizaria a mulher e faria sexo com ela à força. Tudo supostamente consensual. Uma encenação. Vai vendo. E aí alguém respondeu. Um cara de 39 anos chamado Joseph Ryan.

que morava na região de Washington. O perfil dele no site era Taco Supreme 7000. O Joseph gostava de pintura, de artes marciais e de cuidar de animais abandonados, especialmente cachorros. Ele morava com a avó dele e cuidava dela. Ele acreditou que estava conversando com uma mulher casada que realmente queria fazer uma fantasia e coisetária. Durante cerca de um mês...

De janeiro até fevereiro de 2023, o Brandon e a Juliana mantiveram conversas com o Joseph se passando pela Christine. As mensagens iam, voltavam, combinando ali detalhes do encontro caliente. E as instruções que o Brandon mandou para o Joseph eram muito específicas.

Ele deveria ir até a casa numa manhã combinada, trazer uma faca e amarras, aquela coisa toda, e não parar por nada durante a encenação, por mais assustada que a mulher parecesse. O Brandon tava construindo ali uma cena do crime antes do crime acontecer.

Um homem desconhecido, aparecendo na casa com uma faca, fazendo exatamente o que parecia pra qualquer policial que chegasse depois. Um invasor, cometendo uma violência sexual. E o Joseph não fazia ideia de que estava caminhando pra própria morte. Olhando assim, parece um plano muito bem elaborado, perfeito, quase. Só que e as pegadas digitais, eu pergunto a vocês?

Ele acha mesmo que a pessoa ia morrer ali numa cena minimamente estranha dessa, sendo casada a mulher? E os caras não iam investigar os equipamentos eletrônicos? Não iam ver que aquelas mensagens não tinham... Enfim. Claro, podia ser que eles realmente marcaram um encontro sexual e ali no meio virou um crime porque o cara era um doido, um predador sexual.

Pode até ser, mas... Sei lá. O que vocês acham? Comenta aqui pra mim. Vocês acham que o plano desse marido maluco aí fazia algum sentido? Ele tava indo bem? Ou tava colocando as algemas nele próprio? Bom, em janeiro de 2023, umas semanas antes do assassinato, o Brandon, o marido, comprou uma nova arma. Então ele levou a Juliana pra treinar tiro num stand lá da região, em Ashburn. E ela nunca tinha tirado antes, tá? E ele ensinou ela.

O dia ficou maravilhoso lá, os dois treinando tirinho. Pra quê? Pra um grande dia.

E ele chegou. Na manhã de 24 de fevereiro de 2023, dia do aniversário do Brandon, o plano entrou em ação. Ele acordou muito cedo, pegou o celular da Christine, desligou e escondeu numa gaveta ali e destrancou a porta da frente da casa. A Juliana saiu de casa com a filhinha do casal, o Brandon saiu de carro e foi até um McDonald's. E esse McDonald's ficava a poucos minutos da casa deles ali.

Ele ficou esperando lá, com o celular na mão, monitorando tudo. A Christine tava dormindo no quarto, não fazia a menor ideia do que tava acontecendo. Por volta das sete e pouco da manhã, isso não é tão esclarecido nas fontes, sete e vinte, sete e quarenta, mais ou menos nesse intervalo aí, o Joseph chegou de carro e estacionou na frente da casa.

Ele tinha trazido a faca e as amarras, como combinado lá pelo site de fetiche. O Joseph é o cara aí, o bode expiatório. Ele entrou pela porta da frente, estava destrancada, como combinado com a mulher dele, enfim, com a mulher que ele ia fazer o rolê ali, e ele subiu para o quarto. O que aconteceu dentro daquele quarto nos minutos seguintes é o centro de todo esse caso.

O Joseph entrou no quarto onde a Christine estava dormindo e acreditando que tudo era uma encenação consensual combinada com ela, ele começou a agir conforme as instruções que ele tinha recebido. E a Christine acordou sendo atacada por um desconhecido. Uma mulher que dormia na própria cama, que não sabia de nada, que não tinha combinado nada com ninguém, acordou ele com o cara em cima dela.

A Juliana, que a essa altura dos fatos já estava do lado de fora da casa, com a criança, ligou pro Brandon, dizendo que viu o carro do Joseph chegar. Tudo ali, como se nossa senhora tem um carro estranho aqui e tal. O Brandon voltou correndo no McDonald's. Ele e a Juliana então deixaram a filhinha lá no porão e subiram pro quarto. A Christine gritou, Brandon, ele tem uma faca. O Joseph olhou pra eles assustado sem entender nada e o Brandon atirou na cabeça do cara.

Joseph caiu ali. Christine pediu pra Juliana ligar pro serviço de emergência. E aí vem aquele detalhe dos segundos daquela ligação, sabe? A Juliana ligou pra emergência, nesse momento aí, por volta das 7h40 e 7h mais ou menos da manhã. Mas era cedo demais. O Brandon ainda não tinha terminado. Então ela desligou. E foi um baita de um elo de uma corrente aí que se quebrou ou que se juntou, não é? Porque ela desligou a mando dele.

E aí fez a lambança toda, né? O Brandon então pegou a faca que o Joseph tinha levado com ele ali, esfaqueou a Christine várias vezes no pescoço. A Juliana tava no quarto, viu o Joseph ainda se mexendo no chão, foi até o cofre de armas do Brandon, pegou uma segunda arma, lembra? E atirou no Joseph no peito. O cara morreu ali mesmo.

A Christine tava sangrando viva no chão do quarto. Nos minutos seguintes, o Brandon fez o seguinte. Ele arrastou o corpo do Joseph pra cima de uma cama ali de cachorro no canto do quarto, pegou o sangue da Christine e colocou em cima do Joseph. Pra parecer que o sangue dela tinha respingado nele durante o ataque. Cara, vai vendo isso.

Ele posicionou a faca então perto do corpo e aí se ajoelhou do lado da Cristina e colocou as mãos no pescoço dela como se estivesse tentando estancar o sangramento e mandou a Juliana fazer a segunda ligação. Cara, é surreal demais esse caso, vocês não acham? Cara, por isso que eu falei que é um dos negócios mais elaborados assim e mórbidos e insólitos que eu já apresentei. Porque você vai imaginando essa cena e você fala, como é que a pessoa consegue um bagulho desse, velho? Bom...

Quando os policiais chegaram lá, eles viram exatamente o que ele queria que vissem, o marido assassino. Que na verdade era ele como marido desesperado tentando salvar a esposa. Um invasor morto no chão com uma faca do lado, uma babá em choque do lado de fora e uma criança lá no porão. A Christine morreu no hospital. Naquele mesmo dia, o Brandon contou a história da legítima defesa pra todo mundo que perguntou.

Nos meses seguintes, o Brandon fez algo que chamou a atenção dos investigadores mais do que qualquer prova forense. Ele e a Juliana começaram a namorar abertamente. E aí, eu não preciso nem falar pra vocês tão calejados com casos criminais que isso acende um alerta gritante, não é? Imagina pros investigadores, pros profissionais. Aí não dá, né, galera? Bom, ela saiu do quarto dos fundos e se mudou pro quarto do casal.

Como dizem por aqui, com um cadáver fresco ainda no caixão. No mesmo quarto, onde a Christine tinha sido assassinada. Quando a polícia fez uma busca na casa meses depois, encontrou uma foto emoldurada dos dois, Brandon e Juliana, na mesa de cabeceira do lado da cama, onde a Christine costumava dormir.

Mas o que realmente derrubou a história de legítima defesa foi a investigação digital, tá? Pois é, as pegadas. Os técnicos da polícia mergulharam nos computadores e celulares da casa e encontraram o perfil Anastasia 9, vocês lembram lá do Fat Life? Eles rastrearam todas as mensagens com o Joseph e descobriram que a atividade do perfil acontecia nos horários em que a Christine estava trabalhando ou dormindo, nos horários em que os dispositivos do Brenda e da Juliana mostravam que os dois estavam juntos.

Os padrões de sangue ali que foram analisados pela perícia e tudo mais, meio que sugeriram que quem segurou a faca na verdade, dentro daquele quarto lá, foi o Brandon e não o Joseph. Os respingos, as marcas no colchão, a posição das feridas, tudo apontava pra ele.

Em outubro de 2023, então, oito meses depois do assassinato, dos assassinatos, melhor dizendo, a polícia prendeu a Juliana. Foi acusada pela morte do Joseph, já que ela mesma tinha admitido que atirou nele. Ela manteve a versão do Brandon por um tempo, mas aí em outubro de 2024 já aconteceu algo que mudou um pouco essa história. Com a conclusão da análise de padrões de sangue apontando pro...

o marido aí, a polícia prendeu o Brandon também. Ele já tinha sido indiciado em setembro. E quando a Juliana viu que os dois estavam presos, encurralados, e que as provas apontavam pra eles, pra ele, né, resolveu contar a verdade. Meio que tentando tirar o dela da reta pra não encrespar tanto pro lado dela. Então ela sentou ali com os promotores durante quatro horas e abriu o bico. Contou tudo.

O caso, plano, perfil falso, treinamento de tiros, minutos entre as duas ligações, o sangue que o Brandon jogou no Joseph, a foto emoldurada, tudo. Em troca de cooperação, ela aceitou um acordo, confessou participação na morte do Joseph, com uma acusação mais leve, homicídio involuntário, e concordou em depor contra o Brandon no julgamento. O julgamento do Brandon Benfield...

Aconteceu em janeiro de 2026, três anos depois dos assassinatos. Durou cerca de três semanas. É muito louco isso, né? O cara desvirtua, quer matar a mulher pra poder ficar com a amante novinha.

E aí quando a casa cai, é cada um por si e aí acaba sendo também caguetado pela amante que sabe sei lá por que ele quis matar a esposa pra ficar com ela. Cara, é bizarro demais. Bom, a Juliana subiu no banco de testemunhas e contou tudo.

Dessa vez, pro júri. Descreveu o início do caso com o Brandon, as conversas sobre se livrar da Christine, o perfil falso lá naquele site, as mensagens pro Joseph, a compra da arma, o trem no instante de tiro, e descreveu o que viu naquela manhã. O Brandon atirando no Joseph e esfaqueando a própria esposa.

O Brandon também subiu no banco de testemunhas, mas ele negou tudo. Disse que amava a esposa, apesar de ter tido casos extraconjugais ao longo do casamento, amava pra cacete. Disse também que o caso com a Juliana era coisa passageira e que ele nunca planejou matar ninguém. Chamou as acusações de absurdas e contou a versão dele daquela manhã. Disse que chegou em casa, encontrou o Joseph atacando a Cristine, atirou nele pra salvar a vida dela, da esposa, né?

E ficou tentando estancar o sangramento até a ambulância chegar. Diz que a Christine, agonizando, pediu desculpas pra ele e disse que o amava. Que cretino, sem vergonha, velho. Cara, é muito, é um comportamento narcisista, né? O cara assim ainda tem coragem de fazer esses carnes no cadáver da mulher. Enfim.

A promotora desmontou o depoimento dele na hora, no entanto. Perguntou por que ele nunca tinha contado essa versão aí pra polícia antes. Em nenhuma das audiências, em nenhum depoimento, em nenhum lugar. Ele ficou sem resposta convincente, não é? Essa promotora também mostrou uma carta que o Brandon tinha escrito pra Juliana na cadeia depois da prisão dela.

Uma carta onde ele chamava ela de heroína. O cara tava preso, acusado de matar a esposa, escrevendo carta de amor pra amante dizendo que ela era uma heroína, mano. O júri levou nove horas, divididas em dois dias pra chegar ao veredito. Nem sei porque demorou tanto. Culpado em todas as acusações. Dois assassinatos com agravante, uso de arma de fogo na prática de crime, e também...

Pelo fato de ter colocado a filha em risco durante todo esse plano, exposto a menina nesse risco todo. No dia da sentença da Juliana, em fevereiro de 26, a juíza olhou pra ela e disse que aquele era o caso mais grave daquele tipo que ela já tinha visto na carreira. E deu a pena máxima, 10 anos de prisão. A promotoria tinha recomendado soltar ela pelo tempo já cumprido, como parte do acordo de cooperação, mas a juíza ignorou a recomendação.

Diz que as ações da Juliana foram deliberadas, egoístas e mostraram um desprezo total pela vida humana. E que a única coisa que ela merecia era ficar presa e refletir sobre o que fez. A mãe do Joseph, o cara que perdeu a vida nesse embrólio todo, a Deidre, falou no tribunal também. Ela contou que o filho nasceu dois dias antes do Natal e que desde a morte dele ela não consegue desmontar a árvore de Natal. A árvore fica montada lá o ano inteiro.

do lado da urna com as cinzas dele. Ela pediu à juíza que reconhecesse que o Joseph era mais do que uma peça naquele plano, que ele era uma pessoa real, que gostava de pintar, de artes marciais, de cuidar de cachorro abandonado, que merece dignidade e que não mereceu o que aconteceu com ele como se ele fosse alguma coisa, alguém descartável. Uma das tias do Joseph olhou pra Juliana e disse que, embora reconheça que...

Ela contou a verdade no tribunal. Contar a verdade não apaga a responsabilidade pelo que ela fez. A Juliana falou por quatro minutos. Diz que se perdeu dentro de um relacionamento e deixou seus valores pra trás. Que entendia que era culpada e que esperava um dia ser perdoada. Assim como esperava conseguir perdoar a si mesmo. O Brandon vai ser sentenciado no dia 8 de maio, agora, de 2026. A pena provavelmente será de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

E é provável que esse vídeo aqui já tenha ido ao ar e eu vou fixar nos comentários aqui qual foi a sentença, qual foi a, enfim, a pena que ele vai ter que cumprir. Prepara o grito que Nescau chegou com o feat do ano.

Vem torcer com o novo hit de Ana Castela, Fit e Pedro Sampaio. Essa dupla que combina igual leite com Nescau. Então joga, aumenta o volume e vem junto. Dá o play e ouça já a música agora ou nunca. Nescau, energia que dá jogo.

Aqueles oito segundos da primeira ligação, dos gemidos ao fundo, era o Joseph. Ele já tinha sido baleado. A Juliana ligou para o serviço de emergência, mas era cedo demais. O Brandon ainda não tinha terminado o plano sujo dele. Ela desligou a mando dele e depois de minutos ligou novamente. Enquanto tudo isso acontecia, a Christine agonizava na cama e o Joseph sangrava no chão.

O Brenna esfaqueou a esposa, arrastou o corpo do Joseph, espalhou o sangue, posicionou a faca e sajoelhou do lado da esposa pra parecer um marido desesperado. Christine Benfield era enfermeira de UTI pediátrica. Passava os dias salvando crianças. Tinha uma filha de 4 anos que tava brincando no porão enquanto a mãe era assassinada no andar de cima pelo próprio pai. Marido dela. E o marido dessa mulher, o homem que jurou protegê-la, passou meses fingindo ser ela na internet pra atrair um desconhecido até a casa deles.

E Joseph Ryan, o desconhecido, morreu achando que estava fazendo algo que uma mulher tinha pedido. Ele entrou naquela casa acreditando que ia encontrar uma pessoa que queria ele ali. O que encontrou foi uma emboscada montada por um agente federal que precisava de um corpo com uma faca na mão pra justificar o caráter podre que ele tinha e o assassinato da esposa. E a pessoa que cuidava da filha deles, a pessoa que eles trouxeram de outro país pra morar na casa deles, fez parte de toda essa história. Cara, que plano...

Comenta aqui pra mim o que vocês acharam. Eu agradeço imensamente a sua companhia. Um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.

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