O Padeiro que Caçava Humanos: O Segredo do Mapa de Robert Hansen
📌 Como um padeiro gago e pacato se tornou o predador mais metódico da história dos EUA? Neste vídeo, mergulhamos no caso de Robert Hansen, o "Açougueiro Padeiro", que aterrorizou o Alasca nos anos 70 e 80.Vamos decifrar o mapa de aviação com 24 marcações misteriosas e entender como Cindy Paulson, uma jovem de 17 anos que sobreviveu ao horror, foi a peça chave para derrubar um monstro que o sistema insistia em proteger.📌 Neste vídeo você vai ver:O perfil psicológico feito pelo lendário John Douglas (Mindhunter).Como o Alasca selvagem se tornou o cenário perfeito para crimes imperdoáveis.A caçada humana real nas florestas geladas.O desfecho de um dos casos mais revoltantes do true crime americano.O que mais te chocou? A frieza de Hansen ou a falha da polícia? Comenta aqui embaixo!#TrueCrime #RobertHansen #Documentario #HistoriaReal #MarcosCampos-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br📲 Me acompanhe nas redes sociais: @eusoumarcoscampos
- O desfecho do casoO perfil psicológico de John Douglas · O Alasca como cenário de crimes · A caçada humana nas florestas · O mapa de aviação com 24 marcações · Cindy Paulson · Robert Hansen
- Experiência de caçaSeleção de vítimas em bares e clubes · Uso de arma e algemas · Violência e tortura na casa · Voo para área remota com avião particular · Soltura da vítima na floresta para caça · Coleta de troféus
- Reflexões sobre serial killers e rotinasDescoberta de corpos de mulheres desaparecidas · Detetive Glenn Float · Pedido de ajuda ao FBI · Perfil psicológico de John Douglas · Robert Hansen como suspeito
- O Alasca dos anos 70 e 80Febre do óleo duto · Auge da vida noturna em Anchorage · Natureza selvagem e isolada · Desaparecimento de mulheres ligadas à vida noturna
- O passado de Robert HansenInfância e adolescência com bullying e rejeição · Obsessão pela caça como forma de poder · Prisão por incêndio criminoso · Diagnóstico psiquiátrico · Mudança para o Alasca · Prisões por sequestro e estupro
- Prisão e Julgamento de Larry LovelaceSequestro e cárcere · Descoberta do nome real de Hansen · Fuga do aeroporto · Depoimento inicial à polícia · Descredibilização pela polícia
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Se você escapasse de um homem que te sequestrou, te manteve presa por horas dentro da casa dele e tava prestes a te colocar dentro de um avião pra te levar pra uma floresta onde ninguém ia te encontrar e você corresse descalço algemada pela rua até a polícia chegar. E aí contasse tudo, com detalhes, com nome, com endereço, com o modelo do avião e a polícia olhasse pra você e dissesse que...
Não acredita que um homem como aquele, pai de família, dono de padaria, nunca faria aquilo. Que você provavelmente estava inventando tudo o que você faria. Uma garota de 17 anos em Anchorage, no Alasca, viveu exatamente isso.
Em junho de 1983, a polícia descartou ela, mandou ela de volta pra rua e o homem que ela denunciou continuou livre. O que aconteceu nos meses seguintes e o que finalmente forçou o sistema a ouvir aquela garota...
é provavelmente a virada mais improvável de todo true crime americano. Eu sou Marcos Campos e essa daqui é uma história que se passa no lugar mais selvagem dos Estados Unidos, o Alasca dos anos 70 e 80, onde mulheres desapareciam sem deixar rastro e ninguém procurava por elas. E tem alguns questionamentos nesse caso, tá? Como um padeiro tímido e gago se transformou no predador mais metódico que o FBI já tinha visto?
O que ele fazia com as vítimas naquela floresta, que fez até investigadores experientes perderem o sono. E o mais assustador, o que eram aqueles X marcados a caneta em um mapa de aviação que a polícia encontrou escondida na cabeceira da cama dele. Fica comigo, que a gente vai decifrar esse mapa juntos e investigar esse caso. Então já faz o ritual de engajamento e vamos aos fatos.
Pra entender essa história, você precisa entender primeiro o que era o Alasca naquela época. E olha, não é o que você tá pensando, tá? No final dos anos 70 e começo dos anos 80, o Alasca tava em plena febre do óleo duto. O governo americano tava construindo um duto gigantesco de mais de 1.200 quilômetros pra transportar o petróleo do norte do estado.
até o Porto de Valdes. Isso atraiu uma avalanche de trabalhadores de todo o país, homens que vinham atrás de salários altos e que longe de casa procuravam diversão. E junto com os trabalhadores, vieram também as pessoas que queriam ganhar dinheiro com eles, traficantes, golpistas e mulheres que trabalhavam na noite. Anchorage, a maior cidade do Alasca,
Era o centro de tudo isso. Sabe aquela energia de cidade de fronteira, tipo o faroeste moderno? Pois é, bares cheios, dinheiro circulando, pouca lei, muita impunidade. E tinha um detalhe que tornava aquele lugar especialmente perigoso.
natureza. A uns poucos quilômetros do centro da cidade, começava a floresta mais densa, mais fria e mais isolada do continente americano. Rios congelados, montanhas sem trilha, áreas onde nenhum humano pisava em meses. Se alguém sumisse ali dentro, não iam encontrar o corpo nunca. E era exatamente isso que estava acontecendo.
Entre o final dos anos 70 e começo dos anos 80, mulheres começaram a desaparecer em Anchorage. Não era uma coisa que saía no noticiário, sabe? Não era uma coisa que mobilizava a cidade. Porque as mulheres que sumiam eram, na maioria, dançarinas de clube de strip e trabalhadoras do sexo. E naquela época...
Naquele lugar, ninguém achava estranho que uma garota que dançava num bar de caminhoneiro parasse de aparecer de uma hora pra outra. A explicação, pronta, era sempre a mesma. Ela deve ter ido embora, voltou pra casa, se meteu com o cara errado e por aí vai.
Só que em setembro de 1982, um grupo de trabalhadores que fazia manutenção numa estrada perto do rio Nick encontrou algo estranho. Numa clareira no meio da floresta, a terra estava arremexida de um jeito que não parecia natural.
Quando eles cavaram, eles encontraram ossos. Eram de uma mulher jovem enterrada numa cova rasa. Ela tinha sido baleada com calibre .223, o mesmo tipo de munição usado em rifles de caça de alta potência. A mulher foi identificada. Era Sherry Monroe, 23 anos de idade, dançarina de um clube de Anchorage. Ela tinha desaparecido um ano antes e ninguém tinha dado queixa.
Um ano depois, em setembro de 1983, outro corpo apareceu na mesma região, também numa cova rasa perto do rio Nick. Paula Golding, 30 anos, dançarina, desaparecida havia cinco meses. Mesma munição, os tiros vieram do mesmo rifle. E aí a coisa começou a ficar esquisita. Quando os investigadores cruzaram os arquivos de mulheres desaparecidas com casos de corpos não identificados, que eles encontraram ali na região nos últimos anos,
O número foi crescendo. Duas, quatro, sete. Todas mulheres jovens. A maioria ligada à vida noturna. Todas desaparecidas, sem explicação. Algumas encontradas em covas rasas, em áreas remotas. Outras nunca encontradas.
E uma coisa em comum, quase nenhuma delas tinha registro de pessoas desaparecidas. Ninguém, na verdade, tinha procurado por elas. E o investigador que juntou as peças disso tudo se chamava Glenn Float. Ele era um detetive do Alaska State Troopers, a polícia estadual de lá. E quando ele percebeu esse padrão aí, ele entendeu que estava lidando com algo muito maior do que crimes isolados. Tinha um predador operando ali naquela região.
Alguém que conhecia aquela floresta, que sabia como se movimentar em áreas remotas e que escolhia as vítimas que o sistema não ia procurar. O detetive Float fez algo que poucos investigadores faziam naquela época. Ele pediu ajuda para o FBI. Ele mandou tudo o que ele tinha, os laudos dos corpos, a balística.
os registros de desaparecimento, quando existiam, não é? Mandou tudo isso pro agente especial John Douglas, que trabalhava na unidade de análise comportamental do FBI, que era uma divisão que tava praticamente engatinhando, sendo inventada naquele momento. O detetive Douglas era um dos primeiros profilers criminais do mundo todo. Os caras que tentam montar ali o retrato psicológico, sabe, de um assassino, a partir das evidências que ele deixa.
E aqui vale uma curiosidade, tá? O John Douglas é o lendário agente que inspirou a série Mindhunter. Você sabia disso? Comenta aqui pra mim. O Douglas, então, analisou o material e desenvolveu um perfil que era assustadoramente específico.
Ele disse que o assassino provavelmente era um caçador experiente, que tinha autoestima muito baixa, que tinha um histórico de rejeição por mulheres, que guardava lembranças dos crimes, joias, objetos pessoais, como troféus. E acrescentou um detalhe que parecia pequeno, mas mudou muita coisa. Ele disse que o assassino provavelmente gaguejava. O detetive Float então leu aquele perfil do colega do FBI e um nome...
subiu imediatamente na lista de suspeitos. O nome que já tinha aparecido nos arquivos por causa do depoimento de uma garota de 17 anos, meses antes que ninguém tinha levado a sério. Robert Hansen nasceu em 1939 em Easterville, uma cidadezinha no interior do Iowa. O pai era um imigrante dinamarquês que tinha uma padaria e era o tipo de homem que acreditava que o filho se educa com trabalho e disciplina.
Desde criança, o Robert acordava de madrugada para trabalhar na padaria do pai, mesmo em dia de escola. Ele era canhoto de nascença, mas o pai forçou ele a usar a mão direita. Essa mudança forçada provocou algo que ia marcar a vida dele para sempre, uma gagueira severa que ele nunca conseguiu controlar. Na escola, o Robert era invisível, e quando não era invisível...
Era alvo, era magrelo, tinha o rosto coberto de acne que deixava cicatrizes profundas e gaguejava tanto que evitava falar. Os meninos zoavam ele, as meninas o ignoravam. Ele não tinha um único amigo. E quando as garotas que ele gostava riam da cara dele ou viravam as costas, o Robert não esquecia. Ele guardava cada nome e cada humilhação e fantasiava com vingança.
Sozinho, sem amigos, sem namoradas, sem ninguém que olhasse pra ele, Robert encontrou uma coisa que fazia ele se sentir poderoso. A caça. Na floresta, com uma arma na mão, ele não era o garoto gago e espinhento que todo mundo ignorava.
Ele era o predador. A caça virou obsessão pra ele. Ele desenvolvia habilidades de rastreamento, aprendia a se mover em silêncio e a esperar por horas numa posição até a presa aparecer. E cada vez que abatia um animal, ele sentia algo que nunca tinha sentido na vida.
Em 1957, com 18 anos, ele se alistou na reserva do exército americano. Ele ficou um ano, virou um instrutor de tiro num centro de treinamento, conheceu uma mulher e se casou com ela. Parecia finalmente que a vida dele tinha andado, se encaixado, mas aquele ressentimento que ele carregava...
desde a infância não tinha ido embora. Na verdade, estava adormecido e esperando. Em dezembro de 1960, o Robert convenceu um colega da padaria a ajudá-lo a incendiar a garagem de ônibus escolares do município. Era uma vingança contra o sistema escolar que tinha permitido que ele fosse humilhado durante anos.
O colega confessou depois e Robert foi preso. Condenado a três anos, ele cumpriu 20 meses. Durante a cadeia, a esposa pediu o divórcio e um psiquiatra que avaliou ele fez um diagnóstico que ia se provar profético. Depressão maníaca com episódios esquizofrênicos, personalidade infantil e uma obsessão com se vingar de quem ele achava que tinha feito mal a ele. Depois de sair da cadeia nesse episódio,
Robert se casou de novo, teve dois filhos e em 1967 ele fez uma coisa que muita gente faz quando quer recomeçar. Ele foi o mais longe possível de onde as coisas lembravam ele do que tinha acontecido. Então ele se mudou para o Alasca, em Anchorage.
O Robert Hansen abriu uma padaria. Fazia pão, doces, era simpático com os clientes. Ele estava ali dando sequência à profissão do pai. Os vizinhos gostavam dele. Ele participava de campeonatos de caça com arco e flecha. Claro, ganhava. Ele quebrou recordes locais. A sala de estar da casa dele era decorada com troféus e cabeças de animais empalhados nas paredes. Parecia um homem realizado, enfim.
Mas sempre tem um mais, não é? Em dezembro de 1971, Robert Hansen foi preso duas vezes num intervalo de semanas. Uma por sequestrar e tentar estuprar uma dona de casa e outra por estuprar uma trabalhadora do sexo. Nos dois casos, ele usou arma e algemas. Ele foi condenado a cinco anos, cumpriu seis meses, saiu, voltou pra padaria, voltou pra família, voltou pros campeonatos de caça. E ali, ele começou a matar.
O método dele era construído em cima de tudo o que ele tinha aprendido na vida. A paciência da padaria, a precisão da caça e o conhecimento do Alasca selvagem. Hansen escolhia mulheres que trabalhavam nos bares e clubes da 4ª Avenida, a rua mais movimentada da vida noturna de Anchorage.
Ele oferecia dinheiro, quando a mulher entrava no carro dele, ele puxava a arma e as algemas, levava ela para a casa dele, onde a esposa e os filhos não estavam. Às vezes viajando, às vezes simplesmente no andar de cima, enquanto ele mantinha a vítima no porão.
A casa tinha uma sala à prova de som. Depois de horas de violência, vinha a parte que ele tinha planejado desde o início. Ele colocava a vítima no carro e dirigia até o aeroporto Merrill Field, onde então ele guardava o avião particular dele, um Piper Super Cub, daqueles que pousam em qualquer terreno, sabe?
Então ele colocava a mulher dentro desse avião, decolava e voava até uma área remota na região do rio Kne, onde então ele tinha uma cabana isolada cercada por floresta. E ali, ele soltava a mulher, literalmente. Pra você entender o que isso significa?
Imagine uma floresta do tamanho de países inteiros, sem estrada, sem trilha, sem sinal de celular, sem nenhum ser humano num raio de dezenas de quilômetros. Temperaturas que podem cair abaixo de zero, rios de água congelada, e uma mulher descalça, sem roupa de frio, sem nenhum recurso, correndo entre as árvores. Atrás dela, com um rifle Mini-14 calibre .223, If thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought thought
O mesmo tipo de arma usada por militares vinha o Robert Hansen, caminhando devagar, sem pressa, rastreando pegadas na lama, marcas em galhos quebrados, ouvindo a respiração ofegante entre as árvores. Ele não corria atrás dela, da presa dele.
Ele caçava. Aqui talvez esteja a coisa mais perturbadora de todo esse caso. Para o Hansen, matar não era o objetivo. O objetivo era a caça. O momento em que ele estava na floresta com a arma seguindo uma pessoa que fugia dele. Isso era o que ele buscava. É onde ele encontrava um prazer mórbido. A sensação de poder absoluto.
O garoto gago que as meninas ignoravam agora decidia quem ia viver e quem ia morrer. Quando terminava, ele enterrava o corpo numa cova rasa, pegava um objeto pessoal da vítima, um brinco, um colar, uma pulseira e voltava pro avião. Pousava lá em Anchorage e ia pra casa, guardava o troféu e abria a padaria no dia seguinte.
E tinha mais uma coisa, tá? O Hansen mantinha um mapa de aviação da região toda. Sabe daqueles mapas que pilotos usam pra navegação aérea visual? Pois é. E nesse mapa, cada lugar onde ele tinha matado e enterrado alguém tava marcado com um X pequeno. Entre 20 e 4. Eram 24 marcações.
Lembra da pergunta que eu fiz lá no começo do episódio? O que você faria se contasse a verdade e ninguém acreditasse? Essa garota existiu. Ela se chamava Cindy Paulson. Tinha 17 anos e trabalhava na rua em Anchorage. Em uma noite, o Hensei parou o carro ao lado dela e ofereceu 200 dólares. A Cindy entrou no carro e na mesma hora ele puxou uma arma, algemou ela e dirigiu pra casa dele.
Uma casa azul numa rua residencial tranquila, perto de um centro de veteranos. Tinha ali um cachorro preto na sala. O Hansen levou ela para o porão, amarrou uma corda no pescoço dela, prendendo a outra ponta dessa corda numa mesa de centro e fez o que ele fazia com todas as outras. Quantas horas passavam, o Hansen mostrou para Cindy a coleção de troféus de caça na parede da sala.
E é aí que aconteceu algo que provavelmente salvou a vida dela. Os troféus, os certificados, nos prêmios emoldurados, estava escrito o nome completo dele. Hansen tinha dito que se chamava Dom, e a Cindy viu que o nome real dele, na verdade, era Robert Hansen. E naquele momento...
Ela entendeu que ele ia matá-la, porque agora ela sabia quem ele era. Então ela decidiu que se aparecesse qualquer chance de fugir, ela ia arriscar. Por volta das cinco da manhã então, Hansen colocou Cindy no carro dele e dirigiu até o aeroporto. Ele estacionou ao lado do avião, saiu do carro e mandou a Cindy ficar parada.
Disse que se ela se mexesse, ia matá-la. Aí, virou as costas para abastecer e carregar o avião. Nesse momento, a Cindy se jogou para o banco do motorista, abriu a porta com os pés porque as mãos estavam algemadas, caiu no asfalto e começou a correr.
O Hansen se virou e viu a garota fugindo, mas não foi atrás dela. Talvez tenha calculado que perseguir uma garota algemada correndo por uma rua pública às 5 da manhã ia chamar a atenção demais. A Cindy foi resgatada por um caminhoneiro chamado Robert Yont, que a levou até um motel. A polícia chegou, ouviu a história dela, foi até o aeroporto e Cindy apontou para o avião do Hansen.
Um segurança ali do aeroporto confirmou que tinha visto o carro estacionado ali e tinha anotado a placa. Mas, quando confrontaram Hansen, ele disse que a garota era uma trabalhadora do sexo que tentou extorquir ele e que ele nunca tinha encostado um dedo nela.
Dois amigos confirmaram um álibi falso dele. E a polícia, olhando pro padeiro, simpático e respeitado de um lado, e pra uma garota de 17 anos, sem documento do outro lado, escolheu acreditar no padeiro. O caso, o engavetado.
Meses depois, quando o corpo de Sherry Monroe e Paula Goldin foram encontrados e o investigador Glenn Float recebeu o perfil do FBI, tudo mudou. O investigador Float foi rever os arquivos de suspeitos e encontrou o depoimento dessa garota, da Cindy Paulson, que estava lá, esquecido numa gaveta.
Ele leu de novo, releu o perfil do FBI, caçador experiente, autoestima baixa, histórico de rejeição, guarda troféus, gagueja, obra de Hansen, era tudo isso? O float então procurou Cindy Paulson e pediu pra que ela contasse tudo de novo, com detalhes. Dessa vez, ele acreditou? Cada detalhe que Cindy descreveu, a casa azul, o cachorro preto, o porão, os troféus na parede, o avião naquele aeroporto.
Tudo era verificável. O float usou o depoimento dela e o perfil do FBI para convencer um juiz a emitir um mandado de busca na casa do cara. No carro dele e no avião também. No dia 27 de outubro de 1983, os investigadores entraram na casa de Robert Hansen.
No sótão, escondido atrás de um painel falso nas vigas do telhado, eles encontraram um arsenal, várias armas de fogo, incluindo o rifle .223. Os testes de balística confirmaram. As balas encontradas nos corpos de Sherry Monroe e Paula Golden tinham saído daquele rifle.
Encontraram mais, num canto do porão havia joias, brincos, pulseiras, colares, anéis, pertences de mulheres que estavam desaparecidas. Troféus, exatamente como o perfil do FBI tinha previsto.
E na cabeceira da cama do Hansen, escondido dentro da estrutura da cama, estava um mapa de aviação com os 24 X. Aqui está um dos elos dessa corrente criminal. Aqueles X não eram marcações aleatórias. Cada um indicava um lugar onde o Hansen tinha levado uma vítima, caçado ela pela floresta, matado e enterrado o corpo. Quando os investigadores compararam as marcações com os locais onde os corpos já tinham sido encontrados,
Os pontos coincidiram e tinha mais 12x que a polícia não conhecia, 12 lugares onde provavelmente havia mais corpos que ninguém tinha encontrado aí. Confrontado com as evidências, as balas, as joias, o mapa, o Hansen tentou negar tudo por horas. Ficou repetindo que era inocente, que era um homem de família, que aquilo era um erro, até que desmoronou. E quando começou a falar, não parou mais.
culpou as mulheres, disse que elas mereciam, que provocavam ele, que ele estava fazendo um serviço, o promotor ofereceu um acordo, Hansen se declararia culpado de quatro homicídios, e os que a polícia tinha conseguido provar, e em troca revelaria a localização de todos os outros corpos, e cumpriria a pena em uma penitenciária federal longe do Alasca, o Hansen aceitou em fevereiro de 1984 então,
Ele voou com os investigadores sobre a região do rio Neck e apontou de dentro do avião os lugares onde tinha enterrado as vítimas. 17 covas. 12 delas eram desconhecidas pela polícia. Os investigadores passaram semanas cavando naquela floresta gelada, encontraram 7 corpos. Os outros nunca foram recuperados.
Hansen foi condenado a 461 anos de prisão, mais prisão perpétua sem possibilidade de condicional. Depois da condenação, a Associação de Caça do Alasca apagou o nome dele de todos os livros de recordes. A esposa tentou ficar em Anchorage com os filhos, mas depois de dois anos de assédio e humilhação, pediu divórcio e foi embora do estado. Robert Hansen morreu na prisão em 21 de agosto de 2014.
aos 75 anos de causas naturais, nunca demonstrou remorso. E lá no começo eu perguntei, o que você faria se contasse a verdade e ninguém acreditasse em você? Cindy Paulson, como a gente viu, com só 17 anos, respondeu essa pergunta. Ela continuou contando.
A polícia não acreditou nela, arquivou o caso, mandou ela embora, e ela continuou viva e continuou repetindo a mesma história, até que alguém, meses depois, finalmente escutou. Se Cindy não tivesse fugido naquela madrugada, se não tivesse memorizado o nome nos troféus, se não tivesse apontado para o avião no aeroporto, Hansi teria continuado.
O perfil do FBI sozinho não bastava, as balas sozinhas não bastavam. Foi o depoimento de uma garota de 17 anos que o sistema inteiro descartou, que derrubou um caçador metódico. O mapa com os 24x foi guardado como evidência. Até hoje, nem todos os pontos marcados foram escavados.
O que significa que em algum lugar na floresta do Alasca, debaixo de musgo e gelo, talvez ainda existam vítimas de Robert Hansen, que ninguém encontrou e que talvez ninguém nunca vai encontrar. E eu fiquei imaginando o peso para as famílias que ainda hoje olham para aquele mapa e sabem que um daqueles pontos...
Pode ser o lugar onde está sua filha, mas a floresta do Alasca se recusa a devolvê-la. O que mais te chocou nessa história aqui do Robert Hansen? A frieza dele em conviver ali com uma família, ser o padeiro respeitado, ou a falha inacreditável da polícia em relação ao depoimento da Cindy? Comenta aqui abaixo, agradeço imensamente seu companhia, um beijo do ruivo e até o próximo episódio.
Amém.