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Ela Foi Arrastada da Rua e Passou 3 Dias no Inferno… Mas Conseguiu Ser Salva

01 de maio de 202627min
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📌Em novembro de 2014, Carlesha Freeland-Gaither, uma auxiliar de enfermagem de 22 anos, foi brutalmente sequestrada na rua em Philadelphia por Delvin Barnes. Arrastada para dentro de um carro, ela passou 3 dias em cativeiro: espancada, amarrada, ameaçada com martelo e faca. Mesmo assim, Carlesha lutou pela vida, deixou pistas, quebrou o vidro do carro e ajudou a polícia com seu celular e cartões. Graças a testemunhas, câmeras de segurança, GPS e o esforço da comunidade, ela foi resgatada viva em Maryland. Uma história incrível de sobrevivência e coragem.-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br📲 Me acompanhe nas redes sociais: @eusoumarcoscampos-------⚠️ Aviso importante:Todo o conteúdo deste canal é baseado em informações públicas, investigações oficiais e reportagens jornalísticas. O objetivo é informar, refletir e promover debates construtivos — sempre com respeito às vítimas, às famílias e à complexidade dos fatos apresentados.

Participantes neste episódio1
M

Marcos Campos

HostJornalista
Assuntos3
  • Sequestro de Carlesha Freeland-GaitherDelvin Barnes · Philadelphia · sobrevivência e coragem
  • Investigação e DelaçãoDwayne Fletcher · câmeras de segurança · GPS
  • Questões legais e processuaissentença de Delvin Barnes · perdão de Carlesha
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Uma mulher tava varrendo a calçada da casa dela quando ela percebeu um saco de lixo preto ali jogado perto da entrada da garagem. Ela não sabe de onde veio aquilo, então ela abre pra ver o que tem ali, né? Se tem alguma coisa que identifique quem julgou ali. E dentro daquele saco, ela encontra três coisas. Um recibo de supermercado de uma loja que fica a mais de 150 quilômetros da casa dela. Um pacote vazio de batatas chips. E um punhado de cacos de vidro ali espalhados.

Um vidro supostamente de janela de carro. Ela olha aquilo, não entende muita coisa ali e acaba deixando pra lá. Só que, naquela mesma semana, essa mulher tá conversando com uma amiga e essa amiga comenta sobre um caso que tá dominando todos os noticiários policiais.

Uma moça que foi sequestrada e que ninguém sabe onde ela está. A polícia procura por ela há dias já. E um desses detalhes que a polícia divulgou é que durante o sequestro, a vítima teria quebrado a janela traseira de um carro do sequestrador. A mulher então congela diante disso. Ela volta lá pra casa correndo, acha onde ela tinha deixado aquele saco de lixo e liga pra polícia.

E é esse telefonema, feito por uma dona de casa aleatória, totalmente ao acaso, que vai se tornar uma das peças mais importantes de toda essa investigação. Porque dentro daquele saco de lixo, tava o fio que conectava o local do sequestro ao esconderijo de um predador que a polícia de dois estados procurava via semanas. Sou Marcos Campos.

E essa história vai te mostrar como uma mulher de 22 anos, trancada no porta-malas de um carro, conseguiu deixar rastros, pistas, que nem um detetive profissional talvez tivesse pensado ali no calor da emoção, na adrenalina. Então, para conhecer tudo em detalhes, já deixa seu like, um comentário nem que seja um emoji. Se puder, se torne membro para contribuir aqui com as produções do canal. E vamos aos fatos.

Pra entender o que aconteceu com aquela moça sequestrada que eu falei no começo, a Carlisha, a gente precisa voltar um mês no tempo, tá? Porque o homem que sequestrou ela não era um desconhecido, digamos, pro sistema ali de justiça. Muito pelo contrário. Ele era um velho conhecido. E o que ele fez em outubro de 2014 mostra exatamente quem ele era, tá? Veja, no dia 1º de outubro de 2014, na cidade de Richmond, na Virgínia,uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

A família de uma garota de 16 anos ligou para o escritório do xerife para dizer que a filha tinha desaparecido e ninguém sabia onde ela poderia estar, o que estava acontecendo. Ela simplesmente não voltou para casa. Dois dias se passaram então sem nenhuma notícia dessa menina, até que no dia 3 de outubro, essa garota aparece em um estabelecimento comercial na estrada 106, lá mesmo no condado de Charles City.

Nua, sangrando, coberta de queimaduras, cheirando a água sanitária e gasolina. Ela então conta para os investigadores o que aconteceu e o relata de arrepiar, tá? Um homem bateu na cabeça dela com uma pá, enfiou ela no porta-malas de um carro e levou até a casa dos pais dele.

um trailer no interior da Virgínia, onde ele violentou sexualmente essa garota por dois dias. E durante esse tempo, o sequestrador mostrou fotos de outras meninas pra essa que tava sequestrada ali. Ele disse que tinha feito a mesma coisa com todas elas. Só que, no terceiro dia, esse homem levou a garota pro quintal lá de onde eles estavam, mandou ela tirar a roupa, jogou água sanitária e gasolina no corpo dela, queimou as roupas que ela tava usando e começou a cavar um buraco no chão.

Aí ele olhou para a garota e perguntou como ela queria morrer. Só que esse cara, talvez ali já muito afoito com a situação, talvez acreditando que ele estava no domínio, ele se distraiu felizmente com alguma coisa ali e a garota teve tempo para correr. Nua, sangrando, queimada, mas ela correu até encontrar uma pessoa, algumas pessoas e escapar com vida.

Depois do DNA coletado dela, foi inserido numa base de dados nacional e no dia 28 de outubro do mesmo ano, deu match com um nome, Delvin Barnes, um cara de 37 anos. E quando os investigadores puxaram a ficha desse cara, o que apareceu lá foi um histórico criminal que parecia não ter fim.

Roubo a mão armada, agressão agravada, cárcere privado, ameaça de bomba. Só que o caso mais revelador, digamos, tinha acontecido em 2005, muito tempo antes, quando Delvin invadiu a casa da própria ex-esposa lá na Filadélfia. Olha, ela tinha uma ordem de restrição contra ele por causa de agressões anteriores. Mas, como costuma acontecer, não é? Isso não impediu que o sujeito se escondesse dentro do armário no quarto dela para esperar a mulher ir dormir.

e pular em cima dela depois que ela apagasse as luzes. Ele arranhou o rosto dessa mulher com as unhas, socou, estrangulou, ameaçou matar. Quando a mãe e o pai dela tentaram intervir, ele deu um soco na cara da mãe e acertou o pai com uma tigela de vidro na cabeça.

Ele foi condenado por isso, tá? Foi condenado em 2006 por seis acusações, incluindo agressão agravada e cárcere privado. Ele pegou oito anos de cadeia. E a junta de condicional negou a liberdade antecipada pra ele todas as vezes que os advogados dele pediam. Porque disseram que ele não demonstrava remorso do que ele tinha feito e representava um risco pra comunidade. Então ele cumpriu a pena dele e saiu em 30 de novembro de 2013. Mas tem um detalhe aí que eu já conto.

Mas, resumindo aqui, menos de um ano depois de sair da cadeia, o Delvin Barnes já tinha sequestrado, violentado e tentado assassinar aquela adolescente de 16 anos. Aquela que eu comentei há pouco tempo aqui com vocês. A polícia da Virginia, então, emitiu um mandado de prisão contra ele, mas decidiu não tornar isso público. A estratégia, segundo eles, era não alertar o Delvin de que sabiam...

o que ele estava fazendo, quem ele era, para tentar pegá-lo de surpresa. Só que ninguém pegou, né? Porque o Delvin simplesmente sumiu. Ele fugiu da Virgínia e foi para exatamente onde tudo tinha começado anos atrás, Filadélfia, na Pensilvânia.

E aqui talvez esteja um dos principais elos dessa corrente criminal, não é? Delvin tinha cumprido a pena inteira, como eu disse. Mas quando ele saiu da cadeia, lembra do detalhe? Pois é, isso foi em 2013, né? Ele se mudou pra Virgínia e ficou sob supervisão obrigatória. E a Virgínia ficou responsável, então, por vigiar ele a pedido do estado da Pensilvânia, onde ele tinha cumprido a pena. Mesmo assim, ele conseguiu sequestrar e tentou matar aquela adolescente.

Fugiu então pra Filadélfia de novo e tava circulando lá livremente pelas ruas como se ele fosse um cara qualquer, indo às compras no supermercado. E olha a ironia aí, foi exatamente isso que ele fez horas antes de mudar a vida de uma pessoa. Na verdade, a vida da personagem principal do episódio de hoje, que é a Carlicia.

Então, ele entrou no supermercado lá na Filadélfia já, comprou um pacote de batata chips, pagou, saiu, entrou no carro dele, um Taurus cinza, e foi embora. Acho que todo mundo se lembrou da introdução do episódio, né? Aquele pacote de batata chips que uma dona de casa encontrou num lixo estranho que tinha sido jogado na frente da casa dela, não é? Vai vendo.

A Carlisha tinha 22 anos de idade e ela trabalhava como auxiliar de enfermagem no hospital presbiteriano lá da Filadélfia. Ela tinha voltado pra cidade dela ali há dois anos mais ou menos, depois de passar a infância e a adolescência inteira morando com a avó dela, a dona Ana, no interior de Maryland. Ela voltou porque sentia falta da mãe, da queixa, e ela queria crescer ali mais na profissão, carreira de enfermagem e tal. Não sei por que ela passou todo esse tempo aí com a avó, não é dito.

Seja como for, a mãe descreveu a garota como muito tranquila, na dela, assim, mas que ela virava uma onça, né? Ela virava outra pessoa, se transformava quando alguém mexia com ela, quando ela se sentia ameaçada. Na noite de 2 de novembro de 2014, a Carlisha estava voltando para casa depois de visitar o afilhado dela, rotina normal.

Ela morava com um namorado. E o combinado de sempre era que ela ligava pra ele quando ela descesse ali num ponto de ônibus determinado. Então o cara ia lá, encontrava com ela e eles iam caminhando juntos pra casa. Só que, naquela noite, por volta das 9h40, mais ou menos, a Carlisha desceu ali num ponto. Como sempre ali no bairro deles ali, Germantau. Ela começou a caminhar sozinha.

Ali pela rua West Counter. Não deu tempo do namorado chegar. Talvez fosse ao encontro dele e tal. Ela tava usando uma jaqueta azul clara, um suéter cinza e branco. E carregava uma mochila ali com ela. Aí, sabe aquele Ford Taurus cinza do Delvin? Pois é.

Ele passou por ela, virou numa rua ali, deu a volta no carteirão, passou na frente dela mais uma vez. Tinha uma câmera de segurança ali naquele trecho que registrou o que aconteceu a seguir. O Delvin se aproximou, estendeu a mão na direção dela, a Carlisha recuou. Então ela tenta desviar, passar por esse cara aí, mas ele avança e agarra a garota com as duas mãos.

A imagem então muda para outra câmera depois em toda a avaliação do caso, e é possível ver a Carlisha sendo arrastada pelo quarteirão ali da rua West Counter ainda. Ela é jogada no chão, empurrada na direção do carro do sujeito, que estava estacionado ali na rua, e o carro tinha placas de Maryland, tá? Enquanto o Delvin tenta forçar a garota a entrar dentro do carro dele, a Carlisha faz uma coisa que os investigadores depois vão chamar de brilhante.

Ela deixa o celular dela cair no chão ali sem ele perceber. Óbvio, de propósito. E junto ela deixa o óculos dela também cair. Ela explicou a lógica depois, tá? Nos filmes de terror e crime, ela disse, a primeira coisa que a pessoa faz quando alguém tá numa situação de perigo ali, eu digo o sequestrador, não é? A pessoa que tá provocando o perigo. É tirar de quem tá sendo sequestrado ali qualquer coisa que sirva pra se comunicar, não é? Então ela pensou.

Se eu largar meu celular aqui, antes que ele peça pra eu pegar o celular, alguém pode ver, não é? E depois ele pode me revistar, não vai mais estar aqui depois que a gente já sair daqui. Então olha o raciocínio dela ali já de cara. Só que não parou por aí não, tá? Dentro do carro do cara, o Taurus lá cinza, ela encontrou um martelo que supostamente tava jogado no banco de trás ali. Ela pegou e sem pestanejar, deu na cabeça do cara.

E aqui, galera, eu presumo que eu acho que não acertou em cheio, né? Porque senão teria acontecido alguma coisa. O cara continuou dirigindo e tal. Só que o que foi mais em cheio, eu diria, foi que ela usou o martelo também pra quebrar o vidro do carro. A ideia dela nessa hora aí era fazer barulho, chamar a atenção de alguém que pudesse ver o que tava acontecendo. E foi nesse exato momento que o Delvin acabou pegando ali uma faca que ele tinha.

E mandou ela parar, senão ele ia matar ela ali mesmo dentro do carro. O Kalixta, então, sem muito o que fazer naquele momento ali, parou. Enquanto isso estava acontecendo, um homem chamado Dwayne Fletcher estava caminhando ali por uma rua próxima quando ele ouviu os gritos de uma mulher. Ele, então, correu na direção desse barulho aí e chegou a tempo de ver o que estava acontecendo. O Delvin forçando a Kalixta para dentro do carro dele.

Então ele gritou, perguntou para o cara o que estava fazendo ali, mas aí ele viu que o Delvin estava com uma faca na mão e ele recuou.

Nesse momento aí, o carro do Delvin arrancou. O Duane ficou ali parado na calçada, com o celular da Carlisha na mão, que ele já tinha encontrado. Ele ligou pra polícia na hora e contou tudo que ele tinha visto. Mas, como a viatura não chegava, ele ligou de novo. O Duane contou numa entrevista depois, que ele só conseguiu naquele momento ali, tentar administrar o choque. Ele chorava e ele sentia que não tinha feito o suficiente naquele momento.

Mas os investigadores discordam dele completamente, tá? O detetive James Sloan, do caso aí, liderou toda a parte investigativa da polícia lá da Filadélfia, né? Ele disse numa coletiva que o Duane era um herói, que ele testemunhou, observou e ligou pra polícia duas vezes e que se não fosse por ele, provavelmente o desfecho teria sido outro. Quando a polícia finalmente chegou lá então no local, a Carlicia já não tava mais lá, não é?

Mas eles tinham o celular dela agora, os óculos, os cacos de vidro de uma janela do carro ali, e o relato do Duane, e também o vídeo da câmera de segurança ali, que mostrava cada segundo daquele sequestro. Até o comissário de polícia lá da Filadélfia, o Charles Ramsey, disse que em 46 anos de carreira policial, aquela era a primeira vez que ele tinha visto um sequestro gravado assim em detalhes, sem nenhum pudor por parte do sequestrador.

E com isso, a corrida contra o tempo começou, porque todo mundo sabia que a cada minuto que passava, as chances de encontrar a Carlisha viva diminuíam. O Delvin começou a dirigir o carro dele e saiu da Filadélfia. Ele estava indo de direção ao sul, rumo a Maryland. Lembrando que o carro dele era de lá, não é? Então, em algum momento durante a viagem, ele amarrou os pulsos da Carlisha.

E jogou ela dentro do porta-malas do carro dele. Só que, trancada ali no escuro, a Carlisha não entrou em pânico. É claro, pessoal, que ela sentiu sim um medo absurdo naquele momento ali. Mas ela conseguiu ainda assim raciocinar. E mais do que pensar, ela conseguiu agir.

Vai vendo só. Quando o Delvin parou numa cidade ali chamada Aberdeen, em Maryland, já uns 120 quilômetros mais ou menos da Filadélfia, a Carlisha ofereceu o cartão bancário dela pra ele. Deu a senha, deixou ele sacar uma grana ali. A lógica dela...

Era simples e ao mesmo tempo genial, não é? Criar rastro, fazer com que ele usasse o caixa eletrônico ali, que tivesse uma câmera, usasse o cartão dela para que a investigação conseguisse rastrear onde eles estavam. Assim, na manhã seguinte, já 3 de novembro, menos de 12 horas depois do sequestro, os investigadores já sabiam que o cartão da Carlisha tinha sido usado em Aberdeen. E as câmeras do caixa eletrônico mostraram ali um homem com roupas escuras usando o cartão.

E confirmavam que de fato era o sequestrador. E ele estava se movendo para o Sul. Mas Carlisha fez mais do que isso. Ela usou habilidades que tinha aprendido no trabalho como enfermeira. Para lidar com pessoas. E ela começou a conversar com o Delvin.

Começou a falar coisas assim mais particulares e tal, pra abaixar a guarda do cara, fazer com que ele se abrisse com ela. E ela conseguiu com isso se aproximar emocionalmente dele. E não só ser ali uma vítima inerte, esperando o que quer que fosse que ia acontecer, não é?

O agente especial do FBI, o Percy Gillis, explicou depois que a Carlisha basicamente se tornou humana para ele. E o que ela fez foi se abrir, baixar a guarda dele, e isso provavelmente foi o que a manteve viva. Ela então guiou o Delvin até caixas eletrônicos que tinham câmeras de segurança, esperando que alguém captasse a imagem dos dois.

Eles pararam inclusive numa lanchonete, num McDonald's, e em cada parada a Carlisha tentava ali do jeito dela discretamente sinalizar que ela precisava de ajuda. E durante a viagem, os dois foram jogando lixo pela janela do carro. O Delvin jogava porque ele era um desleixado porcão mesmo. Já a Carlisha era estratégia, ela jogava cada coisa que ela conseguia ali pra ir criando um rastro.

E é aí que a gente conecta lá na introdução do episódio. Vocês se lembram do saco de lixo na frente de uma casa de uma dona de casa? O recibo de um supermercado que ficava longe da casa dessa mulher aí? Pacote vazio de batatinha? Os cacos de vidro?

Os investigadores pegaram esse recibo aí depois e viram a data, o horário de compra e foram até o supermercado pra verificar, né, puxar as imagens de segurança e eles encontraram o Delvin ali andando pelos corredores de gorro escuro e tênis colorido, comprando exatamente o mesmo pacote de batata chips que tava lá no lixo. E foi nesse momento que a casa definitivamente começou a cair pro maluco aí.

Enquanto os investigadores da Filadélfia juntavam as peças do lado de cá, uma coisa acontecia do outro lado. A polícia da Virginia estava assistindo os noticiários. E quando eles viram o vídeo do sequestro da Carlisha lá na Filadélfia e as imagens de segurança que a polícia divulgou, eles reconheceram na hora o sujeito. Era Delvin Barnes, o mesmo homem que eles estavam procurando pela tentativa de homicídio e estupro daquela adolescente de 16 anos.

Lembram? Então, os investigadores da Virginia tinham algo que a polícia da Filadélfia ainda não tinha. O nome do sujeito. A foto precisa dele e, o mais importante, informações sobre o carro. E é aqui que entra o detalhe mais improvável de toda essa história e eu diria que é o elo fundamental.

Quando eles cruzaram os dados, eles descobriram que Delvin tinha comprado um Ford Tauro cinza numa concessionária de veículos usada, que vendia para pessoas com crédito ruim. E como medida de segurança, para caso o comprador parasse de pagar as prestações, a loja instalava um rastreador GPS escondido no veículo para poder localizar o carro e retomar se fosse necessário.

Uma cautela contra o caloteiro. O Delvin tinha crédito péssimo. O nome dele tava no Serasa dos caras lá. Então o Taurus dele tinha um GPS. E o capitão Jason Crowley, lá do escritório do xerife do condado de Charles City, ligou então pra concessionária e pediu pra ativar esse rastreador aí. Ele contou depois que em cinco minutos a concessionária já tinha passado...

Todos os points da localização do GPS. O sinal apontou para um estacionamento de um centro comercial em Jessup, Maryland. A uns 70 quilômetros mais ou menos ao sudeste de Baltimore. E aí eu preciso perguntar para vocês galera. Vocês concordam comigo que o elo mais insólito desse caso é justamente o fato do Delvin Barnes. Esse maluco perturbado. Ter sido encontrado por causa do crédito sujo dele. Nome no Serasa.

E esse GPS, que foi instalado para proteger um revendedor de carros, de algum calote, acabou salvando a vida da carlicha.

Era 5 de novembro de 2014, três dias depois do sequestro. Agentes do ATF, que é uma agência lá dos Estados Unidos, agência de álcool, tabaco, armas de fogo, explosivos, eu já até comentei sobre ela aqui com vocês no canal. Então, eles se deslocaram até o centro comercial lá onde o GPS apontava, não é? Em G-SUP, e encontraram mesmo o Ford Taurus lá no estacionamento. Estava com uma janela traseira quebrada, improvisada ali com um plástico.

Os agentes então se posicionaram ali ao redor do veículo e eles viram que tinha lá dentro um homem e uma mulher. Os dois sentados do lado do passageiro do banco de trás. Quando o Delvin percebeu a movimentação dos policiais, ele pulou para o banco da frente do motorista ali e tentou ligar o carro para fugir. Mas os agentes usaram os próprios veículos deles, as viaturas ali para bloquear todas as saídas e cercaram o carro do sequestrador.

O agente do ATF, o Tim Jones, estava no telefone com o detetive Sloan, lá da Filadélfia, que começou toda a investigação. No exato momento em que a equipe fechou o cerco e depois disse que foi um daqueles momentos em que todo mundo ficou muito feliz que a sorte estava do lado deles. Do lado certo, né? Delvin foi retirado do carro e preso sem resistência. Segundo o Jones, ele estava meio surpreso ali, sabe? Sem entender como eles conseguiram chegar tão rápido nele.

Mas todo mundo, na verdade, eu acho que quer saber da Carlisha, não é como ela estava nesse momento aí? Olha só, galera. Ela estava bem nervosa, emocionalmente, melhor dizendo, esgotada. Três dias inteiros na mão de um predador que um mês antes tinha cavado um buraco para enterrar uma adolescente. Mas assim como a última vítima, a Carlisha também estava viva.

Os agentes levaram então ela pra um hospital ali às pressas. Ela foi examinada, tinha vários ferimentos ali, mas nada que colocasse a vida dela em risco. Aí o detetive Sloan, aquele primeiro lá do caso, pegou o telefone e ligou pra família da Carlisle. Primeiro ele falou com a irmã, perguntou por que ela tava com uma voz tão triste.

Mandou ela começar a se acalmar e comemorar, porque eles tinham encontrado a irmã dela e ela estava sã e salva. Pediu então para falar com a mãe dela. E a Keisha foi até o hospital depois em Maryland. Entrou no quarto lá, viu a Carlisha chorando, disse para ela que estava procurando por ela todo momento desde que ela sumiu. E na coletiva de imprensa daquela noite, a Keisha, a mãe da Carlisha, ficou diante dos microfones.

cercada de familiares, sorrindo pela primeira vez em três longos dias. Ela agradeceu, claro, todo mundo ali por ter mantido a esperança da família, disse que ia levar a filha para casa finalmente. Mas, tem sempre o mas, não é?

A história da Carlisha não termina no resgate, porque o que veio depois revelou camadas insólitas nessa história. Quando Delvin foi preso, ele confessou. Disse que não conhecia a Carlisha, que nunca tinha visto ela antes, que não tinha nenhuma relação com ela e que o sequestro começou como um assalto. Um ato de desespero dele, nas palavras dele. Ele então precisaria de dinheiro para viajar até a Virgínia e ver uma filha dele uma última vez, antes de se entregar para a polícia.

de lá, da Virgínia, pelas acusações do caso daquela adolescente. Disse ao juiz que tinha pegado a pessoa errada e que o roubo acabou virando outra coisa. Outras coisas. A investigação federal revelou que durante os três dias de cativeiro, o Delvin explorou sexualmente a Carlisha. O pai de Delvin é pastor, mas o tio dele, o Lamar, não tentou defender o sobrinho.

não, tá? Ele disse à imprensa que não ficou surpreso quando soube e que não ia fingir que Delvin era uma pessoa boa só porque ele era da família. Esse tal Lamar aí contou que a irmã do Delvin ligou pra ele uma semana antes do sequestro da Carlicha, dizendo que o Delvin tinha feito uma coisa muito ruim na Virgínia. Que ele avisou toda a família pra ficar longe. Assim, o Lamar ligou pra mãe do Delvin pra contar que ele tinha feito outra coisa ruim.

O comissário Renzi resumiu toda a situação numa frase, tá? Ele disse que Delvin era um bandido que aparentemente era só isso que ele fazia e que ele era um predador violento. Perigoso, eu acrescento. O caso, galera, foi assumido pela Justiça Federal porque o sequestro cruzou fronteiras estaduais, não é? O procurador federal, então, apresentou a acusação de sequestro federal e foi feito um acordo de delação que funcionou da seguinte forma.

O Delvin se declararia culpado em troca, a promotoria então ia oferecer pra ele uma pena de 35 anos, tirando ali a prisão perpétua da questão, sabe? O Delvin também teria que admitir a culpa no caso da adolescente lá na Virgínia, só que os promotores não apresentariam acusações federais separadas por aquele crime. E aqui, cara, eu fiquei pensando, né? Caramba, o cara corria risco de perpétua por esses crimes que ele cometeu sem ninguém ter morrido.

Comenta pra mim o que vocês acham que aconteceria aqui num caso desses. Em setembro de 2015, o Delvin entrou no Tribunal Federal da Filadélfia diante do juiz Curtis Joyner, usando ali um macacão verde escuro, algemas, e falou pouco, tá? Ele só respondeu sim senhor e não senhor pro juiz, disse também ali que ele tomava medicação diária pra depressão e ansiedade, e manteve a cabeça baixa ali o tempo todo.

Quando o juiz perguntou por que ele cometeu o crime, o Delvin respondeu que foi um ato de desespero e que não conseguia dar sentido para aquilo. A sentença veio só em 30 de junho de 2016 e o que aconteceu nessa audiência é algo que ninguém esperava talvez. A Carlicha foi ao tribunal, ela ficou lá de pé diante do juiz sem olhar para o Delvin em nenhum momento e descreveu o que ainda sofria.

ansiedade, estresse pós-traumático, depressão. Disse que naquele dia, quando conheceu o Delvin, ela achou que ia morrer mesmo. Quando o juiz Joyner praticamente convidou a Carlisha a pedir a prisão perpétua para o sequestrador dela, a dizer que queria que o Delvin nunca mais visse a luz do dia, ela fez o oposto.

Ela pediu ao juiz que aceitasse o acordo de 35 anos. Disse que quando o Delvin saísse da prisão ali, ele não ia mais conseguir fazer de novo porque estaria mais velho já, teria pensado bastante no que ele fez. Olha, não tenho minhas dúvidas, viu? O juiz acabou aceitando. 35 anos de prisão com 5 anos de liberdade supervisionada depois da soltura. Lembrando que ele fez tudo isso em liberdade supervisionada, né? Vocês se lembram?

Mas Delvin abaixou a cabeça lá e disse que pedia desculpas do fundo do coração, acabou aceitando também. E foi só isso. E a Carlisha disse publicamente porque ela decidiu perdoar o Delvin, tá? Ela disse que não porque ela achava que o que ele fez era aceitável, tá? Mas porque, segundo ela, era a única forma de seguir em frente.

Ela disse que não achava que o que ele fez foi certo e tal, que existiam consequências que ele precisava enfrentar, mas que todo mundo merece uma segunda chance de se tornar uma pessoa melhor. E que pra ela continuar vivendo e seguir em frente, ela precisou deixar parte daquilo ir. E parte disso era perdoar. Concordam, Abduzidos? Comenta aqui pra mim.

Delvin Barnes está preso agora na Penitenciária Federal de Herlong, na Califórnia. A previsão de soltura, segundo consta, é 2044, quando ele vai ter 67 anos. O Dwayne Fletcher, lembram dele? A testemunha lá que tentou intervir, ligou para a polícia duas vezes.

foi chamado de herói pelos investigadores. Um total de 47 mil dólares em recompensa foi oferecido durante o caso e a polícia disse depois que se alguém merecia aquele dinheiro, era o Duane. A Carlisha tirou um tempo de trabalho, fez terapia e voltou para o hospital depois onde ela trabalhava. Ela disse que rever os colegas ali também era uma...

Enfim, uma situação que ajudava ela a se reerguer, a melhorar psicologicamente. Depois ela teve um filho e é por ele que ela diz que consegue se manter forte todos os dias. Ela contou que ainda sente medo às vezes sim, mas que tenta ser forte porque agora tem um filho, não é?

É assim que a Carlisha Freeland Geiter sobreviveu porque pensou mais rápido que o homem que tentou destruí-la. Ela largou o celular para ser encontrado, deu o cartão do banco dela para ser rastreada, estilhaçou as janelas do carro para ser vista, conversou com o sequestrador para ser tratada como gente, guiou ele até câmeras de segurança para ser filmada. Depois de tudo isso, ficou de pé no tribunal e pediu clemência para o homem que quase matou ela.

Olha, eu diria que o Delvin ainda representará perigo sim depois de sair da cadeia, tá? Se ele realmente tiver 67 anos, afinal de contas hoje em dia, com essa idade, tem energia de sobra ainda pra causar mal, viu? Eu ficaria esperto com esse sujeito aí. Eu espero que a justiça americana, quando chegar o momento oportuno, dê uma olhada mais de perto nisso. Porque ele não fez uma, nem duas, nem três, né? Eram várias. Ela falou, né, a Carlisha, ah, todo mundo merece uma segunda chance.

Até a página 2, porque esse cara já era reincidente, né? Aí complica. Mas eu quero saber a opinião de vocês. Eu agradeço imensamente sua companhia. Um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.

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