A história completa de Ellie Butler
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- Caso de morte de Ellie ButlerMorte de criança de 6 anos · Investigação criminal · Autopsia e perícia forense · Julgamento e condenações · Cobertura do crime
- Atuação de Lucia na políticaRetirada da criança pelos serviços sociais · Acolhimento pelos avós maternos · Recursos jurídicos de Ben Butler · Batalha legal entre pais e avós · Decisão do tribunal em 2012 que revogou guarda especial · Devolução da criança aos pais
- Segurança OperacionalAnálise de autopsia · Comparação de trauma com acidente de carro · Múltiplos impactos na cabeça · Análise de câmeras de segurança · Investigação de roupas com sangue · Análise de registros telefônicos e diários · Timeline da morte
- Ben Butler - histórico de violênciaCondenação anterior por lesão corporal grave · Intimidação de testemunha · Agressão contra parceira anterior · Padrão de comportamento controlador · Manipulação e cobertura de crime
- Jane Gray relacionamento abusivoDefesa contínua de Ben Butler · Relacionamento desequilibrado e controlador · Dependência emocional · Busca na internet por feitiços para recuperar parceiro · Participação na cobertura do crime · Condenação por crueldade contra criança
- Noel e avós maternosCuidados dedicados à Ellie · Luta legal e financeira pela guarda · Gastos com honorários advocatícios · Último encontro com Ellie · Morte de Linda durante julgamento · Busca por justiça e mudanças no sistema · Luto e legado
- Poder JudiciárioAtuação dos serviços sociais · Decisão questionável da juíza de família · Investigação oficial em 2018 · Alertas ignorados dos avós · Responsabilidade institucional · Reconhecimento inadequado de erros
- Desempenho de JogadoresSangramento cerebral aos 6 meses de idade · Sangramento nos olhos · Queimaduras nos dedos e testa · Fratura no ombro um mês antes da morte · Padrão de abuso contínuo
- Relacionamentos FamiliaresEncontro casual de Jane e Ben Butler · Gravidez rápida de Ellie · Vida inicial com pais · Envolvimento dos avós desde o nascimento
Era fim de outubro de 2013, um dia frio e cinzento no sul de Londres. Um McDonald's qualquer, daqueles com mesas de plástico brilhantes, cheiro de hambúrguer e crianças correndo pra lá e pra cá. Uma menininha de seis anos entrou pela porta de mãos dadas com a mãe. Ela viu os avós sentados lá no fundo, perto da janela. Neil e Linda Gray. Os dois abriram um sorriso enorme assim que viram a netinha. Fazia semanas que eles não se encontravam.
A menina, a Ellie, soltou a mãe da mãe e correu pra perto dos avós. Ela pulou no colo da avó. A linda abraçou a neta muito forte, cheirou o cabelinho dela, como se quisesse guardar aquele cheiro. Neil deu um beijo na testa da neta e tirou da sacola uma porção de guloseimas. Besteirinhas que os avós adoram dar pros netos. Eles riram, conversaram. A Ellie contou coisas da escola, mostrou um desenho que ela tinha feito. Os avós ouviam tudo com a máxima atenção.
fosse a coisa mais importante do mundo. A mãe da criança, a Jenny, ficou de pé ali do lado, braços cruzados, olhando de vez em quando para o relógio. A conversa não durou muito, cerca de 20 minutos. De repente, a Jenny disse em voz alta, nós precisamos ir. A Ellie então desceu do colo da avó devagar, deu um último abraço nos dois, acenou com a mãozinha enquanto saía pela porta sorrindo. Neil e Linda acenaram de volta e disseram, te amo, querida. A Ellie então virou uma última vez,
acenou e desapareceu com a mãe. Aquela foi a última vez que Neil e Linda viram a neta. Meses depois, tudo o que havia por trás desse encontro seria reconstruído em detalhes pela investigação de um caso criminal. Porque aquele era o início de um caso que revoltaria o mundo. Eu sou Marcos Campos, sejam todos bem-vindos. Toda semana aqui tem vários episódios. Já se inscreve, verifica o sininho, se torne membro se puder e deixa um like e um comentário. Combinados?
dados, vamos aos fatos. Tudo começou em março de 2006, numa festa de aniversário simples em Sutton, em Londres. Festa, na verdade, do irmão da Jane Grey. A Jane estava lá, muito animada, rindo com os amigos. Foi quando, de repente, o olhar dela cruzou com o de um rapaz chamado Ben Butler. Ele era amigo de alguém que estava ali, estava encostado na parede, tomando uma cerveja de boaça na festa. Eles começaram a conversar, riram
Números de telefone. Depois daquela noite, eles continuaram se vendo. Nada muito oficial, assim como um namoro, só encontros casuais. O Ben parecia muito interessado nela, atencioso. Pelo menos era o que a Jane contava para as amigas dela. Mas quem conhecia o Ben de antes desse momento aí, sabia que a vida dele não era lá grandes coisas, tá? Tão simples assim, eu poderia dizer. Ele estava desempregado já há bastante tempo na época e tinha um passado que pesava bastante contra ele.
testemunha, crime inclusive pelo qual ele cumpriu três anos de prisão, mas não para por aí, ele também tinha uma condenação por agressão contra uma ex-namorada que supostamente estaria grávida na época em que aconteceu isso. Pois é, coisas sérias demais, não é? Pesadas demais. Mas que no começo, a Jane parecia não se importar tanto ou minimizar, colocar panos quentes. Ainda assim, quando eles se aproximaram, bem dava a impressão que talvez quisesse mudar alguma coisa, querer algo diferente.
a querer estar disposto, na verdade, a tentar algo novo. Ou era só uma estratégia. Ninguém nunca vai saber. O que eu sei é que oito semanas depois desse primeiro encontro, a Jane descobriu que estava grávida. Ela não hesitou. Ela queria ser mãe. Queria aquela criança. Então, no dia 30 de dezembro de 2006, veio ao mundo a pequena Ellie May Butler. Uma menininha pequena, de olhos grandes, linda, de cabelos longos, que encheu a casa de choros e também risadas. Nos primeiros meses,
Aí ele morava com a mãe num apartamento simples, um quarto lá em Sutton, Inglaterra. O Ben não morava junto com a mulher dele aí e a filha, mas ele aparecia com frequência lá, tá? Todo dia ele aparecia lá, levava algumas coisas e tal. E a Jane dividia a rotina entre cuidar da bebê e precisar trabalhar. Ela tinha formação em design gráfico, a área que ela atuava profissionalmente, só que dentro dela ela tinha um desejo também de ser atriz.
Ela chegou inclusive a fazer pequenas participações em programas lá do Reino Unido e tal.
E com o tempo, essas oportunidades acabaram diminuindo e o trabalho como designer passou a ser o seu foco, né? Na verdade, o que ela precisava fazer pra se manter, ela e a filhinha. E quem se envolveu intensamente com o nascimento da Ellie foram os avós dela, os avós maternos, o Neil e a Linda Gray, aqueles que estavam lá no McDonald's no começo do episódio. A Ellie era a primeira netinha do casal. Eles passaram a fazer parte da rotina desde o início.
família com um recém-nascido. Até que, quando Ellie tinha ali cerca de suas seis semanas de vida, ela precisou ser levada ao hospital. E os médicos, quando começaram o atendimento ali, identificaram algo bem sério. Ela tinha um sangramento no cérebro, sangramento também nos olhos, lesões na cabeça. Segundo os especialistas, aquele tipo de lesão ali acontece quando um bebê é submetido a uma força muito intensa. Como em casos de sacudir a criança, sabe? A síndrome do bebê sacudido. Não sei se foi isso, mas dava a percepção.
para entender que era. O hospital, então, acionou a polícia diante disso, dessa evidente possível agressão. E quando os investigadores tentaram entender o que tinha acontecido naquele dia, eles levantaram um dado objetivo para o caso. No momento em que a Ellie passou mal, digamos, ela estava sendo cuidada pelo pai, pelo Ben Butler. O Ben contou, quando foi interrogado sobre isso, que ele percebeu que a filha do nada começou a ficar pálida, sem reação, quase sem vida. Ele disse que pouco antes ela estava super bem brincando
coisa com a bebê e afirmou que tudo deve ter acontecido de forma acidental, que ele não percebeu. E durante essa apuração, veio à tona também que aquela não tinha sido a primeira vez que a Ellie tinha sido levada para o hospital às pressas. Porque cerca de uma semana antes disso aí, ela já tinha dado entrada no pronto-socorro com algumas queimaduras nos dedinhos, na testa. Naquele dia, quem estava cuidando dela também era o Ben. Ele explicou ao médico, nesse momento aí, que ele colocou a bebê perto de um
de a dor que ele estava mexendo e que talvez a temperatura ali, talvez a criança tenha encostado acidentalmente e isso explicava aquelas queimaduras. E não é que o médico aceitou nesse primeiro momento aí, lembrando que é uma semana antes, tá? E ficou por isso mesmo, né? Uma notificação, vida que segue. Mas agora, com os dois episódios considerados graves em um intervalo tão curto, a situação já era vista com outros olhos. Ben Butler depois foi preso sob suspeita de ter causado maus tratos à criança, lesão corporal grave.
própria filha. A Ellie foi retirada dos pais, então, e colocada sob cuidados do sistema de acolhimento. A Jenny, a mãe dela, ficou profundamente abalada com essa separação aí, não é? Os avós, claro, também. Neil e Linda passaram a visitar a netinha sempre que possível, dentro das regras ali estabelecidas pra essa condição aí. Enquanto isso, a investigação seguia. Decisões começavam a ser tomadas sobre onde e com quem aquela pequenina criança deveria viver. O que tinha começado, então, como um relacionamento recente, seguido
pelo nascimento de uma filha, agora caminhava para uma disputa longa, uma disputa que decidiria quem, de fato, seria a melhor pessoa para ficar com a Ellie. Depois que a Ellie foi retirada da casa dos pais, ela passou a viver sob os cuidados do sistema, como a gente viu, de acolhimento. Para a Jane, aquilo foi um choque. Enquanto isso, a investigação ia ligando seus pontinhos ali. Os médicos mantinham um entendimento de que as lesões não tinham sido acidentais. A polícia reunia laudos, depoimentos e reconstruía os eventos.
Ben Butler acabou sendo acusado e mais tarde condenado por lesão corporal grave contra a própria filha. E a sentença dele pra isso aí foi de 18 meses de prisão. O Ben nunca admitiu a culpa, no entanto. Desde o início, ele sustentou que não tinha feito nada com a Ellie. Estava sendo vítima de uma injustiça ali. Diz que tinha sido um acidente, enfim. A Jenny, a mulher dele, ficou do lado dele. Mesmo após a condenação, ela dizia que não acreditava que o Ben pudesse ser capaz de machucar a própria filha. Pra ela, aquilo não fazia o menor sentido.
posição dela teve consequência direta no caso. Por ter decidido apoiar o bem, a Jenny não conseguiu recuperar a guarda da Ellie. E diante disso, os serviços sociais tomaram outra decisão. A Ellie deixaria o sistema de acolhimento e passaria a morar com os avós maternos, o Neil e a Linda Gray. Para o casal, aquilo significava começar tudo de novo, eles já estavam lá na casa dos 60 anos, todos os filhos adultos, inclusive a Jenny, e agora eles tinham que cuidar de uma criança, um bebê. Mesmo assim, eles não hesitaram, acolheram a menininha,
com o maior amor do mundo. A adaptação, claro, não foi tão simples, mas ela acabou acontecendo. E, gente, só um disclaimer aqui. A Jane provavelmente não conseguiu ficar com a guarda-filha porque ela estava envolvida com o marido, companheiro dela. Então, a investigação precisava ligar todos os pontos para saber o que ia acontecer, não é? Então, foi um momento de precaução, eu diria. Bom, com o passar dos meses, então, a Ellie, lá na casa dos avós, cresceu, criou a sua rotina, começou a frequentar a escola, convivia diariamente com os avós,
não é? E as avaliações feitas pelas autoridades indicavam que ela estava super bem cuidada. Em agosto de 2018, então, quando a Ellie tinha cerca de um ano e oito meses, o Tribunal de Família tomou uma decisão importante. Neil e Linda receberiam a guarda especial da neta. Na prática, isso significa que eles não seriam mais os cuidadores principais ali enquanto alguma coisa estava acontecendo. A Ellie seria cuidada por eles agora a longo prazo.
Não era uma solução mais temporária. Para Neil e Linda, foi um alívio. Eles passaram a organizar a vida pensando no futuro da neta.
neta, escola, saúde, rotina. Aí ele fazia parte agora de tudo aquilo. Enquanto isso, Ben cumpria a pena dele. Em outubro de 2009, ele deixou a prisão antes do prazo total de 18 meses, porque ele pegou uma condicional lá. Pouco depois de sair, o Ben anunciou que iria recorrer dessa condenação dele. Ele queria limpar o nome dele, dizer que ele foi vítima de uma injustiça, apagar toda a ficha criminal dele. E a Jane ficou do lado dele, estava ajudando o marido. Se é isso que você quer,
Vamos lá, tamo junto, amorzão. Ela passou então a escrever cartas para as autoridades, para a imprensa, para qualquer pessoa que pudesse ouvir o que eles tinham para contar. Ela dizia que o Ben era inocente, dizia que era um bom pai, que o caso tinha sido uma pura injustiça. E esse recurso acabou sendo aceito. E em junho de 2010, a condenação do Ben Butler foi anulada. Aos olhos da lei, então, ele deixava de ser culpado pelas lesões sofridas pela Ellie quando ela era um bebezinho. Com isso, o cenário mudou completamente.
e Jane passaram a ter direito a visitas supervisionadas ainda a filha. As visitas eram agendadas, tinham dia e horário definidos e precisavam seguir regras específicas. Na prática, segundo os avós, essas visitas aconteciam de forma irregular. Havia semanas, inclusive, que Ben e Jane nem apareciam. Já em outras, eles queriam ver a Ellen em horários não agendados, sabe? Tipo assim, ligava lá, a hora que desce e falava, vou passar aí e dar uma olhada. Mesmo assim, Ben não estava satisfeito. Ele queria mais.
guarda total da filha. Queria provar que podia cuidar dela. Queria apagar definitivamente o passado. E foi nesse ponto que a disputa começou a ganhar um outro tom, um outro tamanho. Depois que a condenação do Ben Butler foi anulada, ele passou a tratar a guarda da Ellie como o seu objetivo de vida. Agora, do ponto de vista legal, ele não carregava mais uma condenação. Então, o Ben e a Jane começaram a dizer de forma mais aberta que queriam a Ellie de volta pra casa deles, em tempo integral. Ou seja, não queria só visitar, queria que a menina
eles. Pra sustentar esse pedido então, os dois passaram a se expor mais. Procuraram a imprensa, deram entrevistas, apresentavam o ponto de vista deles da história, falavam de um erro do passado, de uma injustiça que tinha sido corrigida e de um pai que só queria exercer o direito de criar a filha. A Jenny começou a registrar os encontros que eles tinham com a Ellie. Ela gravava vídeos durante as visitas, a Ellie brincando, rindo, jogando bola, fliperama ela jogava com o pai. Esse material aí passou a ser usado como uma prova da boa relação entre eles.
Ao mesmo tempo, Ben e Jane começaram a questionar os cuidados dados pelos avós. Aí é sacanagem demais, né? Eles disseram que Neil e Linda não alimentavam a Ellie de forma adequada, que não escolhiam bem as roupas da menina, que não proporcionavam experiências suficientes. Chegaram até a insinuar que eles não eram bons cuidadores, que a Ellie não estava sendo bem cuidada. Anegaram ali a questão da idade dos dois. Claro que o Neil e a Linda ficaram arrasados, negaram tudo.
tratada, que frequentava escola, que tinha rotina, acompanhamento médico, uma vida estável. E mais do que isso, diziam que estavam preocupados com a possibilidade de a neta ter que voltar a morar com os pais. Vai vendo aí, galera, como os zelos desse caso vão se fechando diante dos nossos olhos. Diante de tudo isso, então, o caso foi parar num tribunal. Pros avós, aquilo virou uma batalha desigual, sacanagem demais. Ben e Jenny tinham acesso à assistência jurídica pra custear todo o processo. Sabe-se Deus como, mas
tinham. Já o Neil e a Linda, não. Eles tiveram que abrir mão de muita coisa ali, de economias pra poder dar tudo que a netinha precisava, né? Então eles usaram as economias, como eu disse, pra pagar advogados, laudos, avaliações. Galera, era o dinheiro da aposentadoria deles. Agora tava tudo sendo direcionado ali pra ficar com a neta. E tem um outro detalhe que passa a fazer parte do caso agora, tá? Temos um parêntese aí, mas é importante vocês saberem.
Porque enquanto o Ben tava preso, a Jenny o visitava e eles acabaram tendo um outro filho. E por alguma razão que não foi esclarecida nas fontes, talvez
segredo de justiça e tal, essa criança também teria sido retirada dos pais. E o Ben e a Jenny também queriam recuperar a guarda de segundo filho. A disputa, portanto, não era só pela Ellie, não é? O tempo passou, a situação se arrastou por anos, aquela história toda. A Ellie ia crescendo lá na casa dos avós, criando cada vez mais laço. E em outubro de 2012 já, uma nova audiência foi marcada sobre o caso. Seria a audiência que decidiria o futuro da Ellie. Ela estava há poucas semanas de completar seis anos
vida. E nesse momento aí, Neil e Linda estavam esgotados já financeiramente. Eles já tinham gastado mais de 80 mil libras em honorários advocatícios. Eles não tinham mais como pagar advogado. E quando a audiência começou, eles estavam sem representação legal. Ben e Jane, não. Eles tinham advogado deles lá. Ao final da audiência, uma juíza... E ao final da audiência, uma juíza foi lá e falou assim, a guarda especial dos avós está revogada. Ellie deveria voltar a morar com os pais.
a Neil e Linda, aquilo foi devastador. A Ellie tinha passado praticamente toda a vida dela com eles. Era tudo o que ela conhecia. Toda a estrutura familiar ali. Mesmo assim, a decisão estava tomada e quem é que vai poder ir contra, né? A meretíssima. Pouco depois da audiência, Ben e Jane participaram de um programa de televisão lá do Reino Unido. Estaram tudo, foram entrevistados sobre a batalha judicial e falaram da alegria de ter a filha de volta.
No dia 9 de novembro de 2012, a Ellie voltou a morar com os pais. O irmão mais novo delas,
Lembra aquele que eu comentei ali em parênteses? Pois é, também voltou. No papel, então, a disputa tinha terminado. Mas a história... A história não. Quando a Ellie voltou a morar com os pais, ela tinha seis anos incompletos, não é? Pra ela, aquela mudança não era apenas trocar de endereço. Era sair da casa onde ela tinha passado toda a vida. Ben e Jane recuperaram também a guarda do segundo filho. Ou seja, a família estava, então, finalmente reunida.
Não havia restrições afetivas impostas pelo tribunal. Não havia acompanhamento constante.
Só a família dentro de quatro paredes. Fotos, vídeos, registros do dia a dia. A Ellie aparecia brincando, sorrindo, participando de atividade com os pais. Esse material continuava sendo explorado para provar que eles eram excelentes pessoas, que a Ellie estava muito feliz, outra criança também, tudo certo. E apesar de estar morando com os pais, a Ellie ainda tinha contato com os avós. Não com a frequência que o Neil e a Linda gostariam, mas eles ainda se viam ali de vez em quando. Sempre, claro, dependendo da autorização dos pais.
passar dos meses, então, esse contato aí foi ficando mais espaçado. E no dia 27 de outubro de 2013, quase um ano depois de Ellie ter voltado a morar com os pais, Neil e Linda combinaram de fazer um encontro num McDonald's lá em Sato. Eles não viam a netinha já há cerca de seis semanas. Eles levaram muitos docinhos, bolinhos. Enfim, porcariada, guloseimas pra crianças. Mas claro que o mais importante era rever a neta. A Ellie chegou acompanhada da mãe, eles tiveram aquele tempo ali gostoso pra caramba,
que durou pouco, cerca de 20 minutos. Depois desse tempo aí, a Jane disse que precisava ir. Eles se despediram então, os avós disseram pra ela e que a amavam. Ela respondeu enquanto saía, acenou com a mãozinha, deu tchau pros avós. Foi a última vez que o Neil e a Linda viram a neta viva. No dia seguinte, 28 de outubro de 2013, por volta das 2h46 da tarde, o Ben e a Jane ligaram pro serviço de emergência. Eles disseram que a filha não estava respirando, que ela tinha ficado azul, que não reagia. O serviço de emergência foi enviado
e a Ellie foi levada às pressas pro hospital. Os médicos tentaram de tudo, mas não conseguiram. Às 4 e 1, Ellie Butler foi declarada morta. A Ellie tinha só 6 anos, cara. Pouco depois, um policial foi até a casa do Neil e da Linda Gray pra dar a notícia. Quando a polícia chegou lá, foi como impossível de imaginar uma coisa dessa, não é? Tanto que a Linda já até sabia sobre o que era, né? O policial bateu lá e falou assim, é sobre a Ellie, não é? A causa da morte ainda não tinha sido divulgada, mas a polícia já tratava
Ele tratava o caso como algo que precisava ser investigado. E aquela decisão tomada meses antes no tribunal de família, ou seja, a menina precisa voltar pra casa dos pais, voltaria pro centro da história e chocaria o mundo. Assim que a Ellie foi declarada morta, a polícia passou a tratar o caso como prioridade máxima. Uma criança de seis anos morrendo assim dentro da própria casa não é comum, não é? O corpo da Ellie foi encaminhado pra autópsia.
Enquanto isso, investigadores começaram a reconstruir as últimas horas de vida dela.
Ele estava em casa no momento em que a Ellie passou mal. A versão apresentada por ele era bem curta, direta. Ele disse que a Ellie estava no quarto assistindo Peppa Pig e que nesse episódio aí da Peppa, a Peppa dava uns pulos lá na cama e a menininha quis imitar e teria se acidentado. Caído da cama, batido a cabeça ali no chão e ficou desacordado. Ele afirmou que tudo foi muito rápido, que não houve agressão, que foi um acidente mesmo. Mas esqueceu que havia a perícia do caso.
A autópsia encontrou lesões extremamente graves no crânio e no cérebro da Ellie. Metade do crânio, para vocês terem ideia, estava esmagado. Segundo os especialistas, aquelas lesões definitivamente não tinham nada a ver com alguém que caiu da cama. Um dos médicos comparou o nível desse trauma com um acidente de carro. Outro apontou que o padrão indicava, no mínimo, dois impactos fortes na cabeça causados por algum objeto pesado, com força contundente. Ficou claro que a Ellie tinha sido espancada, assassinada.
dado importante. No momento em que os paramédicos chegaram na casa, a Ellie já estava morta, havia pelo menos duas horas. Isso mudava completamente o cenário, não é? Se a queda tivesse sido realmente acidental, essa narrativa do cara aí, por que ele só chamou o serviço de emergência depois de duas horas? Os investigadores passaram então a olhar para o que tinha acontecido antes da ligação para a emergência. Eles descobriram que a Jane Grey estava trabalhando naquele dia.
Por volta do meio dia, então, bem ligou para ela e disse, ó, volta para casa. E as câmeras de segurança registraram a Jane saindo do trabalho realmente meio apressada, assim,
Você fez o quê?
encobrir o que tinha acontecido, ou seja, ela virou uma cúmplice. Foi identificado que roupas com sangue foram colocadas para lavar, entre elas as roupas do Ben e também algumas peças da Jane. O Ben saiu de casa então para passear com o cachorro e durante esse trajeto ele teria jogado também páginas de um diário da Jane, onde ela descrevia episódios de violência dentro da casa, abuso que ela sofria. Mas mais tarde a polícia conseguiu encontrar essas páginas que ele se desfez. E somente depois disso, por volta das 2h46,
como eu disse, foi que o Ben e a Jane ligaram lá pro serviço de emergência. Durante a ligação, seguiram as instruções da operadora, tentaram fazer reanimação ali, mas só que eles sabiam que não ia resolver nada, porque a menina já tava sem vida, né? Só que tudo isso, galera, que foi contado nos interrogatórios e tal, a polícia já tava com muita coisa sendo cruzada, né? Não convenceu ninguém essa historinha deles aí, bem fantasiosa, né?
Os dados da autópsia, o intervalo de tempo, os relatos aí do motorista, as imagens das câmeras, histórico recente,
também não tão recente assim, né? A polícia passou a trabalhar com uma conclusão clara sobre o que tinha acontecido lá naquela casa. Ben Butler, então, foi preso sob suspeita de assassinato e a Jenny Gray também foi levada para o interrogatório. E a partir daí, o caso deixava de ser apenas uma morte suspeita e passava a ser tratado como um homicídio cruel, brutal e covarde. Depois da prisão do Ben Butler, os investigadores passaram a aprofundar o que já vinha sendo levado em conta desde o começo. Agora, a apuração não se limitava ao dia da morte da Ellie.
O Ben foi interrogado várias vezes. Ele manteve a mesma versão. Disse que não agrediu a filha, repetiu que tudo tinha sido um acidente, a história da Peppa, etc. Enquanto confrontado com os laudos, ele passou a responder muitas perguntas com 100 comentários. Em um dos momentos do interrogatório ser questionado diretamente se ele poderia ter feito aquilo com a própria filha, o Ben respondeu Vocês acham que eu conseguiria fazer isso?
Ou seja, galera, ele não disse que não fez, né? Disse que não conseguiria. A Jane Grey também foi levada
para o interrogatório e ela não foi presa naquele momento. Ela foi ouvida como parte da investigação, testemunha. Durante toda a entrevista, a Jane manteve a defesa do bem. Disse que não sabia o que tinha acontecido, mas que não acreditava que ele tivesse coragem de machucar a filha. Disse que não tinha motivo para pensar nisso. Os investigadores notaram alguns detalhes no comportamento dela. A Jane nunca disse o nome da Ellie durante o interrogatório.
Segundo consta, ela dizia assim, ela, a menina. E ali, durante o interrogatório, ela teria recebido lencinhos de papel
as lágrimas que não escorreram, eu acho, né? Esse lance de chamar de ela, de menina, acho que psicologia explica, né? Um afastamento emocional do que ela sabe que aconteceu, talvez, não sei, vamos ver. Enquanto tudo isso tava sendo feito, né? Interrogatório e tal, a polícia tava fazendo buscas. Na casa da família, a polícia encontrou mais diários, anotações da Jane. Aí começou a ficar claro o caso, tá? Porque nessas anotações aí, ficava evidente que havia ali um controle psicológico.
Ela dizia o seguinte em alguns trechos. Ben está acima de tudo. Ela pedia também para que ele parasse de ser agressivo, odioso e violento. Em outro ponto, ela dizia que sentia que ele a odiava e que aquilo a machucava profundamente. Houve também análise de celulares, que começou a colocar mais dados ainda nessa investigação. As mensagens trocadas entre o casal mostravam uma relação bem desequilibrada. Jane enviava textos dizendo que o amava, que tinha medo de perdê-lo, que era obcecada por ele.
morreria por ele. Só que a resposta do Ben era o oposto. Ele já xingava, humilhava, chamava de feia, de vadia, mandava que ela se calasse. O Tom era agressivo, constante, de um cara controlador mesmo. E o histórico de buscas da Jane na internet também foi analisado. Ela tinha pesquisado termos como feitiço pra fazer ele me amar de novo, feitiço urgente pra fazer ele se arrepender de me machucar e frases relacionadas a viver com um parceiro violento.
Cara, é chocante demais, né? O que acontece no cérebro de uma pessoa pra colocar um traço
Deste desse em primeiro lugar, né? Na frente da filhinha de seis anos, indefesa, cara. Pode ser vítima de um desgraçado desse, não é, velho? Para os investigadores, ficava claro agora que a Jane vivia sob controle absoluto. Outro dado surgiu com a autópsia detalhada da Ellie. Além das lesões fatais, os peritos identificaram uma fratura no ombro que ela tinha ali cerca de um mês antes de morrer. Aquela fratura não tinha sido tratada.
A Ellie não foi para o hospital. Ela conviveu durante todo esse tempo aí com provavelmente uma dor lancinante, sem ser cuidada.
Cuidada ali, até que foi passando naturalmente o ossinho de criança. Com o avanço da investigação, olha que crueldade, velho. A polícia concluiu que Ben tinha agredido a filha em um acesso de raiva. E que Jane, ao chegar em casa e encontrar a criança morta, ajudou a encobrir o crime. Com base nisso, então, as acusações foram formalizadas. Ben Butler foi acusado de assassinato e crueldade contra a criança. E a Jane foi acusada de crueldade contra a criança. Meio que cúmplice, né? E também por obstrução no curso da justiça.
2016. Pra Neil, o avô da Ellie, naquele momento ele chegou com um peso difícil de colocar em palavras essa galera. Porque pouco antes do julgamento, a esposa dele, a Linda, tinha falecido. Ela lutava contra um câncer já havia algum tempo. Morreu ali bem nos finalmentes da data do julgamento. A Linda não chegou a ver o desfecho do caso da neta dela. Neil passou por todo o julgamento sozinho. Durante o processo, o júri ouviu os laudos médicos, depoimentos, peritos, registros telefônicos, tudo isso que eu contei aqui pra vocês. A versão apresentada por
de que a filha teria caído da cama, foi confrontada diretamente com as conclusões dos especialistas. Tudo aquilo era baboseira, balela que não fechava com os fatos colocados ali pelas perícias. Em relação a Jane, o tribunal analisou o papel dela após a morte da filha. O foco não foi apenas o que ela sabia, mas o que ela fez depois que ela chegou em casa naquela tarde, não é? A limpeza da cena, as roupas colocadas pra lavar, demora pra chamar ajuda, sustentou a versão do cara,
No dia 21 de junho de 2016, o júri chegou ao veredito. Ben Butler foi considerado culpado de assassinato, de crueldade contra a criança. Ele recebeu prisão perpétua. Tempo mínimo é de 23 anos até a pedia condicional. Jenny Gray foi considerada culpada de crueldade contra a criança e também a questão de atrapalhar a justiça. A sentença dela foi de 42 meses de prisão. Não preciso nem dizer que a pena revoltou muita gente. Para muitos aquilo ali era uma bizarrice.
O Graham, inclusive, foi uma dessas pessoas aí que achou isso extremamente de mau gosto. Ele sempre disse que acreditava que a própria filha deveria ter recebido uma punição muito mais severa. A Jane cumpriu a pena e deixou a prisão. Depois disso, Neil cortou completamente o contato com a filha dele. Disse que não conseguia mais manter qualquer relação. Após o julgamento, Neil passou a buscar respostas além da condenação criminal.
Pra ele, a morte da Ellie não era um resultado apenas das ações dos pais, mas também de uma sequência de decisões institucionais desastrosas,
Ele questionava a atuação dos serviços sociais, do sistema de proteção à infância e, claro, da juíza de família, do Tribunal de Família. Lembrava que, durante anos, ele e a esposa tinham alertado que a L não estava segura lá. Em 2018, então, foi realizada uma investigação oficial para avaliar se falhas das autoridades contribuíram para a morte da L. Ah, eu não vou nem contar. Adivinha aí, comenta pra mim o que aconteceu. Conclusão?
Nada. Com base nas evidências, não era possível afirmar que os erros institucionais
a morte da criança. Diretamente causou, ninguém foi lá e matou, mas porra. O Neil ficou arrasado com isso. Ele sempre afirmou que se a Ellie não tivesse sido devolvida aos pais, ela estaria viva. Que aquela decisão foi o ponto sem retorno. Neil escreveu uma carta pra juíza que deu essa decisão. Na carta ele pediu apenas um reconhecimento, um pedido de desculpas. Um sinal de que os alertas tinham sido ignorados. Esse pedido nunca veio.
Nos anos seguintes, Neil falou publicamente sobre o caso sempre que teve oportunidade.
Diz que queria mudanças no sistema que protege as crianças. Também falou sobre a ideia de criar uma instituição de apoio a crianças vítimas de abuso, como uma forma de manter a memória da Ellie viva e ajudar outras pessoas também. E o caso da Ellie Butler, galera, terminou nos tribunais, mas nunca terminou para quem ficou aqui e quem realmente amou essa criança. Esse caso segue sendo um alerta, um exemplo de como decisões tomadas no papel podem ter consequências devastadoras e irreversíveis na vida real.
às vezes, os alertas mais claros são justamente os que são ignorados, que ninguém escolhe ouvir. Pois é, ninguém escolhe ouvir, porque de fato ouviram, não é? E quando você ouve, entende o risco e mesmo assim ignora, decide seguir em frente, a responsabilidade também existe, não é? De outra forma, mas existe. Agora, falando diretamente do Ben Butler, desse crápula, não dá pra suavizar nem um pouco, né? A gente tá falando de alguém com histórico de violência, de abuso, de controle, um homem cruel e covarde,
Exatamente como se apresentar, quando se apresentar e o que mostrar pra parecer que não era quem de fato ele era. E no meio disso tudo, tinha a mãe da Ellie. Se foi manipulação, dependência emocional, medo ou uma combinação de tudo isso, não sei. O fato é que ela foi capturada por essa dinâmica. Ela escolheu ficar ao lado do sujeito. Escolheu defendê-lo. Escolheu sustentar a versão dele. O resultado disso não foi confusão nem erro pontual. Foi a morte de uma criança inocente de 6 anos. Tudo muito lamentável.
Como que um sistema que provavelmente já viu isso acontecer diversas vezes pode repetir o mesmo erro? Com base no quê, cara? Caramba, será que ninguém nunca viu um cara perturbado agindo? Aquelas pessoas que são tipo camaleão, não é? Que vão se moldando conforme a situação. Será que ninguém percebe que está sendo manipulado? Eu não sei, não sou especialista nisso, mas há de ter uma solução um pouco mais inteligente. Não. Os caras foram lá, mostraram uns videozinhos, umas brincadeiras.
Ah, está suficiente, família unida, feliz. A pergunta que fica então é bem simples, não é?
Por que esse casal quis a ele de volta? Ela estava bem, segura, estava feliz com os avós. Não havia urgência, não havia necessidade real. Quando você tira tudo isso da equação, sobra praticamente nada que não seja uma resposta incisiva. Ego, controle, posse, maldade, gente vazia, perdida em si mesma, arrastando uma criança junto. Pois é. Mas eu quero saber a sua opinião sobre tudo isso. O espaço terapêutico dos comentários está aí. Agradeço imensamente seu companhia. Um beijo do ruivo e até o próximo episódio.