Episódios de Vamos aos Fatos

Um Bilhete Suspeito e os Fios de Cabelo que Revelaram o Crime

13 de março de 202629min
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Sobre o curso de perícia https://clickby.com.br/z/mpcampos📌 Caso Bobby Curley-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br📲 Me acompanhe nas redes sociais: @eusoumarcoscampos-------⚠️ Aviso importante:Todo o conteúdo deste canal é baseado em informações públicas, investigações oficiais e reportagens jornalísticas. O objetivo é informar, refletir e promover debates construtivos — sempre com respeito às vítimas, às famílias e à complexidade dos fatos apresentados.

Assuntos8
  • Relacoes ToxicasSíntomas iniciais confundidos com síndrome de Guillain-Barré · Descoberta da toxicidade por tálio · Níveis letais detectados na autópsia · Análise de fios de cabelo como linha do tempo · Múltiplas doses administradas ao longo de meses
  • Motivo e Oportunidade CriminalMudança na apólice de seguro (300 mil dólares) · Processo indenizatório do ex-marido (acima de 1 milhão) · Acesso constante da esposa ao chá gelado que Bob bebia diariamente · Tálio armazenado em casa há muito tempo · Casamento recente e fresco relacionamento
  • Atuação de Lucia na políticaBusca por evidências no laboratório da universidade · Testes toxicológicos iniciais inconclusivos · Descoberta do bilhete suspeito 'pano para limpar tálio, toque-me e morra' · Suspeitas sobre colegas de trabalho · Avanço tecnológico na análise de fios de cabelo em 1994
  • Progressão de doençaInício dos sintomas em agosto de 1991 · Inicialmente diagnosticado como síndrome de Guillain-Barré · Queda de cabelo em mechas · Internação em hospital especializado (Hershey Medical Center) · Coma e morte em 27 de setembro de 1991
  • Poder JudiciárioPrisão em 12 de dezembro de 1996 · Acusação de homicídio em primeiro grau · Confissão de homicídio em terceiro grau · Condenação a 20 anos com mínimo de 10 · Libertação em 2 de dezembro de 2016 após cumprir 20 anos
  • Relacionamentos FamiliaresCasamento recente com viúva · Enteada de 4 anos chamada Angela · Afeto do Bob pela criança · Comportamento suspeito da esposa durante hospitalização · Traços de tálio encontrados na esposa e filha
  • Vida e Carreira de Robert CurleyTrabalho como eletricista qualificado · Liderança de equipe · Reformas na Universidade em 1991 · Sonhos de abrir próprio negócio · Relacionamento com colegas de trabalho respeitoso
  • Criminalidade FemininaEnvenenamento como método preferido de mulheres · Crimes que passam despercebidos · Diferença entre homicídios de homens e mulheres · Natureza lenta e invisível do envenenamento
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Era uma manhã fria de 12 de dezembro de 2016, quando os portões de uma prisão estadual na Pensilvânia se abriram bem devagar. Dali surgiu uma mulher de 53 anos. Ela atravessou sem pressa, sem algemas, sem olhar pra trás, literalmente. O vento de inverno batia no rosto dela, mas ela não demonstrou nada, nem alívio, nem arrependimento. Ela só caminhou até o estacionamento.

tinha cumprido. Pena máxima. Ela estava livre agora. Ninguém estava esperando por ela com flores. Ninguém a recebeu de braços abertos. Mas em algum lugar em Wilkes-Barre, uma família ainda carregava o peso daquele dia. Porque a liberdade dela não apagava o que havia acontecido 25 anos antes. Não apagava o sofrimento de um homem que morreu aos poucos sem nem entender o porquê. Eu sou Marcos Campos e hoje eu conto pra vocês o caso do

Robert Curly, o Bob. Galera, um caso daqueles que você vai falar, caramba, parece que eu voltei no tempo. Mas antes, já deixe seu like, seu comentário, nem que seja um emoji, me ajuda muito. Considere se tornar membro aqui do canal e verifique a sua inscrição para você não perder nenhum episódio que sai aqui toda semana. Tem um na segunda, tem outro na quarta, tem outro na sexta. Pelo menos, às vezes tem uns episódios extras que pintam por aí.

E aproveitando aqui a oportunidade, galera, já que acabou o carnaval e agora o ano está começando

pra valer em março. Queria perguntar pra vocês se você já deu uma guinada na sua vida também. Galera, vou deixar um link aqui pra vocês de um WhatsApp do nosso curso de perícia. Nosso não, não. É o que eu tô fazendo. É o curso de perícia pra você que ama investigação, enfim, entender como as coisas acontecem na prática. É um curso que vale muito a pena. Você tem as aulas online, você tem também a imersão que é presencial, onde você vai aprender diversas coisas lá com o professor Danilo Peleje.

Então, vale muito a pena. Entra lá sem compromisso, troca uma ideia com o pessoal.

aula da Empate Forense, que eles vão esclarecer todas as suas dúvidas antes de você bater o martelo pra ver se é isso mesmo que você quer. Mas se você gosta de True Crime e tá procurando aí alguma coisa pra fazer, no sentido assim de trampar mesmo com isso, galera, ou se você já tem uma profissão e quer fazer uma pós, né, que funciona assim também, se você já tem uma graduação, você vai encontrar ali um caminho bacana pra seguir.

Por que que eu tô falando isso? Porque, cara, é assim, você pode receber as nomeações, você não precisa fazer

curso público e você recebe as nomeações dos juízes, dos casos, de diversos tipos de casos, tá? Não é só perícia criminal, tem vários tipos de perícia. E assim, você é nomeado, você tem trampos ali que um simples laudo do seu relatório, cara. 5K, por aí vai. Então assim, se você se dedicar, pode ser uma porta que se abre pra você agora em 2026, tá bom? Link tá aqui. Fechou? Recado dos dados. Vamos aos fatos. O Robert ou Bob Curley era aquele cara que era adorado pelos amigos.

Ele tinha 32 anos, tinha uma vida sólida já, construída ali com as próprias mãos. Ele era eletricista, bem qualificado, trabalhava com uma equipe, era chefe. E todo mundo queria fazer parte da equipe dele. Pra você ver aí como é que o Bob era um cara respeitado. Ele fazia hora extra, sem pestanejar, era um cara determinado. Porque, acima de tudo, ele gostava muito do que ele fazia. Claro, ele precisava da grana ali pra ajudar a família, mas tinha aquele que a mais ali que o cara faz porque curte mesmo, sabe?

dele, ele gostava de pescar com o irmão David nos finais de semana. Ele ria pra caramba das brincadeiras bem pesadas, eu diria, dos colegas de trabalho. E sempre tinha uma palavra boa pra quem precisava ouvir. E há pouco mais de um ano ele havia se casado de novo. A esposa dele agora trouxe uma enteada pra morar com eles. Uma menininha de quatro anos chamada Angela. Uma garotinha, inclusive, que o Bob tratava como se fosse filha de sangue dele, com muito amor e carinho. Eles moravam num duplex

simples, num bairro com alguns operários, com as pessoas que trabalhavam com ele ali, de Wilkes-Barre, na Pensilvânia. Eles não eram ricos, mas também não passavam necessidade. Tinha uma vida boa, estava. O Bob ganhava o suficiente para pagar as contas, sobraram uma grana para sonhar, digamos. E os sonhos estavam ficando maiores. O primeiro marido da esposa dele tinha falecido de um acidente de carro e havia ali, nesse momento que eu estou contando para vocês da história, um processo que estava rolando contra a empresa de transporte.

que esse ex-marido da esposa do Bob trabalhava. E segundo consta, era um acordo bem generoso, está na casa de mais de um milhão de dólares. O Bob chegou a comentar com alguns amigos próximos dele que talvez pegasse uma parcela dessa grana para abrir o próprio negócio dele no ramo dele de elétrica. Enfim, ele estava sonhando uma chance de ter o seu próprio negócio, de crescer mais. E naquele verão de 1991, o Bob estava liderando uma equipe e eles estavam fazendo uma reforma em um dos prédios

Wilkes University, da universidade lá do local onde eles moravam. Eram salas de aula, corredores, laboratórios de ciências. O lugar era um caos quando eles chegaram. Móveis antigos, equipamentos espalhados, frascos de produtos químicos esquecidos ali sobre as bancadas. E a equipe teve que limpar tudo isso aí antes de começar o serviço lá. Eles trabalhavam cerca de 12 horas por dia pra não atrasar o cronograma de entrega da obra. O Bob nunca reclamava de nada. Ele dizia que o pagamento das horas extras,

valiam muito a pena. E que, sobretudo, ele gostava muito dos caras que trabalhavam com ele. Ele, inclusive, citava o nome dos caras, o Sammy de Pasquale, o Robert Moroney e também os outros ali da equipe. E aí, galera, assim, dá pra imaginar como é que era o climão lá, né, dos caras na obra, né? Eles se zoavam o tempo todo e, assim, aquelas zoeirinhas pesadas, sabe? Pra vocês terem uma ideia e esse detalhe que depois, mais pra frente, vocês vão entender por que que eu tô falando.

Os caras chegavam a sacanear um outro mascando, sabe quando tem uns caras que mascam

fumo, né? Então os caras mascavam o fumo ali na lata um dos outros pra tirar sarro, né? Mas não era nem uma brincadeira que colocasse em risco a vida de algum deles. Era essas zoeiras mesmo, né? E em certo dia, o Bob começou a passar mal, se sentir meio cansado, um cansaço fora do comum. Dores estranhas nas pernas, suor frio, falta de ar. E ele atribuía tudo isso aí ao excesso de trabalho. Ele dizia, ah, é só cansaço, vai passar.

Continuava subindo as escadas, passando os fios, liderando a equipe ali com o punho firme. Mas ninguém fazia ideia que aquilo que o Bob estava sentindo não tinha nada a ver com o cansaço do trabalho. O Bob Curley sempre foi o cara que pegava no pesado, aguentava firme. Quando as dores começaram, ele não parou de trabalhar. Ele continuou fazendo tudo que ele sempre fez. E quando a galera ali que trabalhava com ele falava, falou, cara, você está parecendo que está meio mal aí e tal. Ele dizia que não, é só o corpo pedindo uma folga.

mentalmente pra ele mesmo. Os colegas, no entanto, percebiam que ele estava pálido, meio, sabe, suando além do normal, aquela respiração ofegante, pesada. E aí, sabe o Sammy de Pasquale e o Robert, os amigos de trampo dele ali? Então, aqueles mesmo que faziam essas brincadeiras porquinhas, sabe, de cuspir na lata do cara e tal, enfim. Eles começaram a ficar no pé do Bob. Falou, Bob, vai pra casa, cara. Você tá mal, bicho. Mas o Bob, não, tô bem e vou continuar e vida que segue. Mas, no dia 23 de agosto de 91,

Era uma sexta-feira. O corpo dele não aguentou mais. Disse basta. Ao atravessar o estacionamento da universidade, as pernas do Bob estavam muito pesadas. Cada passo que ele dava ali é como se alguém estivesse apertando os nervos dele com o alicate. Lá no laboratório onde eles estavam reformando, o suor dele pingava, escorria no rosto assim, pesado, sabe? E todo mundo ali da equipe olhando, percebendo. Fala, cara, vai pra casa, tá parecendo um fantasma. Mas o Bob, teimoso,

que nem continuava, continuava. Até que um dia ele saiu do trabalho meio que convencido que ele tava precisando descansar, sabe? Tava dirigindo ali, já era hora de chegar em casa, poder tomar um banho e deitar. Depois desse dia aí, então, no sábado de manhã, ao invés de acordar mais tranquilo, né, mais descansado, ele acordou pior. A dor nas pernas tinha virado algo lancinante, subindo pelas coxas, como se fosse, sabe, como se uma coisa estivesse queimando o cara por dentro ali. As mãos dele, segundo os relatos, formigavam, depois ficavam dormentes,

Então, ele tentou se levantar da cama nesse dia aí e quase caiu. Foi quando ele admitiu para si mesmo que aquilo ali não tinha nada a ver com o trabalho. Era alguma doença. Então, a primeira consulta ele fez. Foi uma consulta rápida. O médico ouviu os sintomas. Dor intensa, dormência, fadiga extrema. E disse que não parecia nada grave. Pediu para ele descansar, estresse. Seu corpo está pedindo uma pausa, Bob. Então, o Bob fez o que o doutor falou, não é? Passou o resto do sábado e todo domingo deitado. Mas na noite do domingo,

A dor continuava lá, não dava uma trégua. Então ele pegou o telefone e ligou para um colega. Ele disse assim, ó, amanhã eu não vou conseguir ir, desculpa. Na segunda-feira então, dia 26 de agosto, o Bob não conseguiu nem ficar mais em pé sozinho. A esposa dele tentou ajudar, tentava ajudar ele ao banheiro, fazer as coisas básicas ali, só que ela não estava conseguindo. Então ela acabou chamando o irmão do Bob, o David, que morava ali por perto e tal.

pessoa totalmente debilitada. E todo mundo nessa altura dos fatos aí já entendia que aquilo ali não ia passar, só ficando deitado, descansando. Então a família chamou a ambulância e foi pro hospital. Lá no hospital a dor explodiu. As pernas estavam em chamas, ele começou a vomitar, começou a gritar nos corredores de dor. E ali ele passou por uma bateria de exames até que um médico voltou lá e veio como alguma coisa que ia mostrar salvação pra aquele estado ali.

muito preocupante do Bob. Ele chegou e disse, achamos, é síndrome de Guillain-Barré. O sistema imunológico dele tá atacando os nervos. É tratável. Uff, todo mundo ficou aliviado, né? Então, os médicos deram ali a medicação específica, a dor diminuiu um pouco, os vômitos pararam, o Bob se sentiu bem, bem inclusive pra voltar pra casa alguns dias depois. A família respirou aliviada, parecia que finalmente o pior tinha passado, mas não passou. Poucos dias em casa, a dor voltou e,

com força dobrada. E aí veio um sintoma novo. O cabelo do Bob começou a cair. Punhados inteiros nas mãos, no travesseiro, no ralo do chuveiro. Tudo que ele fazia, ele via que tinha um chumaço. Os médicos então ficaram confusos. Caramba! Mas isso agora não tem nada a ver com a síndrome de Guillain-Barré. E aí eles precisaram começar do zero. Reexaminar o Bob de novo, fazer exames daqui, de lá. Nada fazia sentido no caso dele. O Bob entrou em um estado quase delirante,

de dor. Ele não dormia direito, não comia direito, não conseguia fazer nada. E no dia 7 de setembro, menos de duas semanas após a alta, primeira alta que ele teve, ele estava de volta ao hospital e dessa vez pior do que nunca. Transferiram o Bob para o Hershey Medical Center. Ficava a mais ou menos 160 quilômetros de dali onde ele estava, um local mais equipado. E lá, um neurologista chamado Dr. Robert Brennan assumiu o caso. Mesmo de longe no corredor, dava para ouvir o Bob gritando de dor, xingando as enfermeiras completamente

alucinado de dor. Ele jogava os equipamentos médicos pela sala, precisavam contê-lo fisicamente na cama. Esse doutor Brennan estava no quarto todos os dias, totalmente se sentindo impotente. Nada do que ele tentava aliviava a dor do Bob. Assim, no dia 22 de setembro, seis dias após a chegada do Bob, ele entrou em coma. Três dias depois, o doutor Brennan reuniu a família no quarto. A esposa, a enteada, a Angela, a menininha pequenininha, os irmãos, a Susan e o David, e a mãe, Mary.

estavam lá esperando. O médico respirou fundo e disse, os novos exames chegaram, nós sabemos o que está acontecendo. E aí ele explicou, né? Toxicidade por talho, uma substância química rara, extremamente venenosa, que destrói o corpo aos poucos. Proibida em produtos comuns nos Estados Unidos já há décadas. Não era algo que se encontrava fácil, tá? A família, então, olhou um para os outros ali. A reação inicial é, como assim? O que a gente vai fazer?

sua cabeça e disse, infelizmente, não existe cura pra esse tipo de envenenamento por talho. Dois dias depois, em 27 de setembro, a família se reuniu ao redor da cama. A decisão final coube à esposa do Bob. Sem esperança, ela deu o sinal pra equipe e os médicos desligaram o suporte de vida. O Bob deu seu último suspiro e a autópsia depois confirmou níveis de talho 900 vezes acima do letal. Alguém tinha colocado aquilo em algum lugar, não é?

A pergunta era quem, como e assim surgiram as primeiras pistas no lugar errado. A notícia da morte do Bob chegou assim bem rápido ali na comunidade de Wilkes-Barre. Um eletricista jovem, forte, respeitado, trabalhador, assim, morrer do nada. Ninguém entendeu aquilo. A autópsia trouxe a resposta que ninguém queria ouvir. Ele tinha sido envenenado e provavelmente não era um envenenamento acidental por talho, um negócio que não se encontra fácil.

Alguém tinha feito aquilo com ele. E como o talho era uma substância controlada, rara, quase impossível de obter sem intenção, a polícia tratou aquilo ali como homicídio desde o primeiro dia que o médico deu essa virada de chave aí. E o detetive do caso começou pelo óbvio, o lugar onde o Bob passava a maior parte do tempo, o laboratório de química da Wilkes University. Era ali que ele e a sua equipe reformavam, como a gente viu, estavam trabalhando ali, almoçavam, comiam, bebiam.

Adutos químicos antigos, bancadas sujas, entulhos por todo lado. Se havia talho envolvido, tinha que ser dali, não é? No dia 30 de setembro de 91, então, o investigador do caso e a equipe dele entraram nesse prédio da faculdade. A sala ainda estava uma zona completa, equipamentos espalhados, fios pendurados, poeira pelo chão. Eles vasculharam tudo, tintim por tintim, e encontraram cinco frascos de talho num depósito, todos lá intactos, devidamente registrados pela universidade.

Eles testaram o ar, as superfícies, as tubulações. Tudo deu negativo para resíduos de talho. Nada. Mas então veio o que chamou a atenção de verdade. Sobre uma bancada relativamente limpa ali do laboratório, tinha um pano dobrado com cuidado ali. Alguém parece que dobrou ele ali. Ao lado desse pano tinha um bilhete escrito à mão em letras bem grandes. O detetive pegou e ele leu. Pano para limpar talho. Toque-me e morra.

imagina, né? Sentiu um frio na espinha ali, falou, lascou. Então, ele mandou imediatamente esse pano aí pra análise. Ao mesmo tempo que ele tava, que não passava Wi-Fi de medo, né? Porque ele tinha tocado ali num veneno altamente tóxico. Ele falou assim, pensou com ele, falou, agora resolvi o caso, né? Foi daqui mesmo que ele se envenenou, talvez. Se tem esse pano aqui, pode ter mais por aí. Mas o resultado chegou. E o resultado, meus amigos, era negativo. Nada de talho. O bilhete era antigo. E eles deduziram que provavelmente

tinha sido deixado ali já há algum tempo pra algum aluno, pra fazer uma pegadinha entre eles ali e tal. Só que tinha um elemento ali que não soava naturalmente como um acaso, né? Pô, talho. Bem o talho que matou o cara que tava trabalhando ali. Então eles interrogaram toda a equipe. O Sammy, o Robert, os caras que trabalhavam com ele ali. E os dois tinham um histórico de aquelas brincadeiras pesadas, não é? Meio porcas. Cuspindo o refrigerante do cara, coisa assim. E pra piorar a situação deles,

falharam no teste de polígrafo. Bom, aí o detetive evidentemente perguntou, vocês colocaram alguma coisa na garrafa dele pra brincar? Os dois negaram, né? De jeito nenhum eles disseram. As brincadeiras eram bem idiotas, assim, mas nunca colocar a vida de alguém em risco, né? Jamais colocar uma coisa que a gente não sabia o que que era. Era só uma zoeira mesmo, né? Cuspir. Putz grila, velho. Cuspir. Fuma de caindo. Bom, mas o detetive não acreditou neles assim 100% nessa hora aí.

Bob, galera, levava da casa dele uma garrafa térmica todo dia. Ele bebia chá gelado. E esse chá era a esposa dele que preparava. Então se alguém quisesse envenenar, talvez essa garrafa aí era um lugar perfeito, não é? Mas não havia prova concreta sobre isso. E a universidade jurava que não tinha sumido nenhum vidro de talho que eles ainda armazenavam lá. Ou seja, muitas pontas soltas, não é? Então veio o resultado que mudou o rumo da investigação.

também pra traços de talho. Mas traços mínimos, quase nada. Não o suficiente, pelo menos, pra causar um dano sério. Mas o suficiente pra uma pergunta, não é? Como uma quantidade letal, então, foi parar somente na corrente sanguínea do Bob? Enquanto as duas que viviam na mesma casa tiveram exposição, mas exposição sem risco. O detetive chamou os irmãos do Bob, a Susan e o David, e eles conversaram ali, né? Os dois não esconderam uma desconfiança em específico.

contou que quando o Bob adoeceu gravemente, ah, adivinharam, né? A esposa mal se mexeu pra ajudar. Ligou pra ele pedindo socorro, vocês se lembram que o David chegou aí na casa, né? Pra carregar o irmão, coisa e tal, então. Mas ele disse que apesar de ter ligado pra ele, não ficava ali perto olhando o que tava acontecendo, nem nada disso. Ela ficou no andar de baixo da casa quando isso tava acontecendo, com a filha, sem oferecer ajuda.

Assim, o que o David aí tava querendo dizer é que não demonstrava ali estar aflito o suficiente

da situação deplorável que o Bob tava passando já naquele momento. E a Susan, a outra irmã do Bob, disse que lá no hospital, na ocasião em que eles precisaram desligar, né, tomar a decisão de desligar os aparelhos, porque o Bob já tava ali sem, provavelmente, com morte encefálica e tal, não é? A Susan disse que a impressão que ela teve naquele momento ali era muito mais de alívio do que de tristeza. Meio, sabe que quando um peso sai das costas?

Pois é, foi o que a Susan disse. O detetive, então, ouviu tudo isso com atenção, começou a ligar os pontos dele ali,

relutante, porque ele pensou assim, ah, não prova nada, né? Cada um lida com o luto de um jeito, né? Talvez a mulher simplesmente não quisesse que a filha visse o quadraço dela ali naquele estado, sofrendo. Enfim, não tinha prova de nada, hein? Dias depois, então, em 25 de outubro de 91, o detetive sentou frente a frente com a esposa do Bob. Ela estava acompanhada de um advogado. Ele observou cada gesto dela. Postura, estava ereta, olhar direto, firme, voz firme. Então ele perguntou sobre os sintomas

Ela contou que o Bob se sentia mal já tinha semanas, talvez meses até. Mas nada grave. Atribuiu ao trabalho, como a gente viu. Diz que nunca pensou em veneno. Quando a detetive perguntou sobre os traços de talho nela e na filha, ela deu uma explicação simples e estranhamente detalhada. Bob adorava chá gelado. Toda manhã, ela enchia a garrafa térmica com chá que ela preparava pra ele, né? Guardava na geladeira e todo dia ele levava.

Só que, quando ele voltava pra casa, às vezes ele não tinha bebido tudo. Aqui, ele colocava um copinho ali.

Então às vezes sobrava um tanto no garrafão térmico dele, fechava, trazia pra casa e devolvia na jarra. Então era só completar, no outro dia ele colocava ali e tava tudo certo. E a esposa dele disse nesse interrogatório aí que às vezes ela e a Ângela tomavam um tequinho, um golinho desse chá aí. E aí ela pensou, ah, se ele tá sendo exposto, talvez seja daí que a gente teve esse contato mínimo. Porque a gente bebeu um pouco de chá ali.

Nesse momento aí o detetive trocou uns olhares ali com os outros detetives na sala.

Era meio bizarro, específico demais. Talvez conveniente demais. Mas não impossível, não é? Se o Bob tivesse sido contaminado fora de casa, resquícios poderiam voltar na garrafa e contaminar, sim, a jarra em doses mínimas ali e as duas. Então, o detetive pediu permissão para revistar o apartamento dela. Geladeira, jarra, garrafas térmicas, tudo. Ela concordou na hora, sem hesitar. Naquela tarde, então, a equipe chegou ao duplex onde eles moravam.

Eles vasculharam lá cada cantinho. Nada de talho em nenhum lugar. Exceto na garrafa térmica do Bob. Traços na rosca da tampa onde ele encostava a boca pra beber. E não na garrafa que ficava na geladeira. Aquilo apontava pra ingestão direta. Mas não explicava como o veneno tinha chegado lá. Então o detetive começou a questionar se tinha sido rápido demais em descartar o laboratório. Talvez ele precisasse dar uma olhada mais de perto de novo. Mas algo não se encaixava ali.

começado bem antes do que as pessoas imaginavam. O caso, galera, pra vocês terem uma ideia, foi arquivado em 1992, sem provas concretas de nada, sem suspeito claro. Ele ficou guardado numa gaveta da justiça lá, até 94, quando uma nova tecnologia surgiu e mudou o rumo das coisas. A linha do tempo escondida nos fios de cabelo. Em agosto de 1994, mais de dois anos depois que o caso foi arquivado, o detetive do caso

foi novamente pra casa onde o Bobby Curley morava. Ele bateu na porta. Quem abriu era ela, a esposa do Bobby, surpresa. O detetive foi direto. Havia um avanço nos testes toxicológicos, uma nova técnica que não existia lá em 91. E essa técnica permitia analisar fios de cabelo como se fossem uma linha do tempo química, sabe? Cada dose de veneno deixava ali uma marquinha permanente no cabelo, enquanto esse cabelo estava crescendo. Como se fossem ali anéis, sabe?

E o detetive queria ter a oportunidade de olhar isso de perto e ele precisava então fazer uma exumação do corpo do Bob. E o detetive estava apreensível, né? Será que a esposa vai autorizar? Se ela não autorizasse, não sei se haveria ali uma outra forma judicial, né? Uma vez que o caso estava fechado já. Mas ele estava contando com a colaboração da esposa. E olha, ela veio. A esposa não hesitou não, falou. Vamos fazer então, se surgiu essa tecnologia aí. Quem não deve, não teme.

94, uma retroescavadeira abriu a sepultura lá no cemitério de Wilkes-Barre. O caixão foi retirado, a polícia levou os restos pra análise. Os fios de cabelo que ainda estavam no corpo foram examinados com precisão milimétrica. O resultado chegou e chegou como um soco, eu diria. O Bob não havia sido envenenado uma única vez. Foram várias doses repetidas ao longo de quase um ano inteiro. A primeira marca apareceu em outubro e novembro mais ou menos de 1990.

a oito semanas depois do casamento, em agosto daquele ano. Ou seja, um ponto pra se olhar com atenção, talvez, as doses continuaram espaçadas, mas constantes. Pequenas quantidades que acumulavam devagar, sem alarde, até agosto de 1991, quando os sintomas explodiram e mesmo no hospital, uma dose final massiva foi administrada. Aquela linha do tempo nos cabelos do Bob eliminou suspeitos um a um. Os colegas de trabalho completamente

O envenenamento começou cedo, muito cedo, antes deles fazerem essa obra lá na faculdade. E também durou tempo demais pra que fosse considerado uma brincadeira idiota que os caras fizeram com ele. Aqui, pelo que dá pra entender, esses dois caras que estavam trabalhando com ele lá especificamente, estavam nessa equipe só, não em outros trabalhos anteriores dele. Então, eles foram completamente escanteados. O irmão dele, o David, também foi descartado, e não se tem muitos detalhes sobre isso, mas talvez o ponto mais forte aqui é que ele não tinha

Acesso, atalho. Investigado também, não encontraram nenhum ponto que ligasse ele. E eles também não se viam com a periodicidade que os anéis ali no cabelo demonstravam, sabe? Então, depois de todas as pessoas que eu comentei aqui com você já serem analisadas uma a uma, sobrava uma, não é? A esposa tinha acesso constante, diário, desde o começo do casamento. Que, por coincidência, duas semanas depois, tinha o primeiro anel lá no cabelinho de envenenamento. Detalhe, a esposa preparava o chá pra ele, ele levava toda manhã,

Ai, como ela me ama. Agora uma coisa aqui, fiquei com a pulga atrás da orelha, né? Assim... Acho que ela tava mentindo, então, né? No caso de ter bebido o talho mesmo. Acho que a exposição ali, o negócio deve ser tão tóxico que talvez só o fato de preparar já colocou ela numa exposição mínima e por tabela ali, por osmose, a filha dela, né? Enfim, não sei. Também fontes da minha cabeça aqui. E tinha mais, tá, galera? Poucos dias antes da primeira dose detectada, Bob mudou uma pólice de seguro de vida.

Ele tornou a esposa dele agora a principal beneficiária e o valor era cerca de 300 mil dólares. Então você pensa aí, somado àqueles mais de um milhão que eu falei para vocês lá no começo do episódio, que era oriundo de um processo que estava rolando, de uma empresa onde o ex-marido da esposa do Bob trabalhava, etc, etc, não é? Pois é, são os elementos ali, os meios, motivos e oportunidades, sabe? Eles vão surgindo aí.

casa dela lá já havia muito tempo. Esse produto, inclusive, foi fabricado bem antes da proibição lá nos Estados Unidos. Assim, em 12 de dezembro de 1996, 5 anos, praticamente após a morte do Bob, a esposa dele foi presa, acusada de homicídio em primeiro grau. Mas ela acabou se declarando culpada de homicídio em terceiro grau, foi condenada a 20 anos, com um cumprimento mínimo de 10. E ela cumpriu os 20 anos inteiros. E foi só em 2016, retomando lá a introdução do episódio, que ela

surgiu pra sociedade atravessando o portão da cadeia depois de 20 anos com o vento frio batendo no rosto dela. Aquela mesma mulher que eu descrevi pra vocês que tava saindo lá sem ninguém esperando, sem nenhum sinal de arrependimento, sem nada. A mesma que durante 13 meses de casamento transformou o chá gelado do marido que ele tanto gostava em arma letal e lenta. A mesma que assistiu o homem sofrer, gritar, perder cabelo, entrar em coma. A mesma que deu a ordem final pra

desligar a máquina que dava suporte de vida ao Bob. A mesma que, por dinheiro que não queria dividir, envenenou o homem que a amava e que sonhava em construir uma vida melhor ao lado dela. O Bob Curley morreu sem nunca desconfiar de quem estava ao seu lado. Isso talvez seja o detalhe mais sombrio desse caso, não é? Pois é, não é, galera? Às vezes o veneno vem de quem você mais confia. No caso aí veio da Joan Curley, a esposa, num chazinho simples.

Você bebe todo dia. O Bob confiou e pagou o preço mais alto possível. E lá na introdução eu brinquei, né? Falei assim, pô, nesse caso vocês vão olhar e falar, caramba, voltei no tempo. Pois é, as damas envenenadoras, não é? É muito louco isso, né, galera? Como a gente vai olhando pra forma do crime, não é? Quando a gente vê casos assim que envolvem, por exemplo, o homem que mata a esposa, sempre um negócio mais visceral, violento, né?

Faca, arma, etc. Enforcamento. Via de regra é sufocamento, né? E aí você vê a mulher assim,

Pelo menos historicamente, né? Nos documentos aí da criminologia, a gente vê que são esse tipo de morte, né? Envenenamento e tal. E muitas vezes passa despercebido o negócio, né? Se não tiver um cara ali, um investigador que tá deitando o cabelo pra tentar entender realmente a fundo o que aconteceu, fica por isso mesmo, né? Infelizmente no caso do Bob não ficou, apesar de que a pena também foi meio branda, não é? O que vocês acham?

Comenta aqui pra mim. Agradeço imensamente a sua companhia. Um beijo do Rui e até o próximo episódio.