UMA TRAIÇÃO CRUEL POR INVEJA
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- Desaparecimento e morte de Missi ÁvilaCircunstâncias do desaparecimento · Corpo encontrado em Big Tujunga Creek · Causa da morte por afogamento · Cena do crime · Investigação e Delação
- Autoria criminalPlanejamento do assassinato · Motivação por inveja · Execução do crime · Papel de cada acusada · Confissão e evidências
- Popularidade e competição entre adolescentesMissi como menina popular · Inveja de Carém · Disputa por garotos · Boatos e difamação · Impacto social na escola
- Segurança OperacionalFalta de pistas iniciais · Hiato de investigação · Denúncia de Eva Schirumbolo · Identificação dos culpados · Processo investigativo
- Inveja e traicaoSentimento de inveja patológico · Injúrias e boatos perpetuados · Humilhação percebida · Punição vigilante · Psicologia do adolescente criminoso
- Relacionamentos FamiliaresInfância compartilhada · Afastamento na adolescência · Conflitos e desconfiança · Inveja e ciúmes · Deterioração da relação
- Autobiografia e crimeLivro 'It's My Life I Live It' · Acordo para produzir filme · Lucro com o crime · Reação da família da vítima · Lei Missi na Califórnia
- Comportamento obsessivo de Carém após o crimeMudança para casa da vítima · Uso das roupas de Missi · Visitas frequentes ao túmulo · Recortes de jornal nos quartos · Busca por informações da investigação
- Libertação condicional e vida após prisãoLiberação de Carém em 2011 · Liberação de Laura em 2012 · Anos cumpridos em cadeia · Reabilitação reivindicada · Comportamento após libertação
- Leis sobre direitos autorais de criminososLei Missi da Califórnia · Lei 'Son of Sam' · Confisco de lucros · Compensação a vítimas · Conflito com liberdade de expressão
- Cultura e SociedadeBairro Arleta em Los Angeles · Vale de San Fernando · Dinâmica de adolescentes pré-internet · Cultura de entretenimento juvenil · Transformações da adolescência norte-americana
Após se mudar para uma casa nova, a menina de 7 anos de idade passou por uma experiência preocupante. Seu gato desapareceu. Ela, tão criança, não era especialista em gatos e nem sabia que, muitas vezes, os malandros fazem isso. Procuram se esconder quando estão em um ambiente novo, desconhecido. Uma estratégia apenas para dar tempo e depois explorar as novidades. Isso no ritmo deles. E foi assim naquele dia.
Mas isso faz muito tempo. Eu nem sei se era verão ou se fazia frio. Eu sei que a pequena de cabelos ruivos e expressivos olhos verdes primeiro caminhou em volta do imóvel, depois foi para a rua procurando seu animal e chamando o nome dele. Então, de maneira bem dependente e proativa, ela se aventurou mais longe, perguntando para os vizinhos se alguém tinha visto seu bichinho de quatro patas. Descrevendo o peludo,
e pedindo ajuda para encontrá-lo. Foi assim que ela conheceu uma certa menina da vizinhança, aquela que seria sua inseparável companheira de infância e sua melhor amiga na adolescência. E mal sabiam elas o que o destino preservava para uni-las para sempre. Eu sou Marcos Campos, sejam todos muito bem-vindos. E eu abri o episódio de hoje narrando o momento em que a Michele Ivete Ávila conheceu a Karen Severson.
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Tanto faz. Às vezes, havia noites de pijamas e alegres festas de aniversário que revezavam as casas das famílias Ávila e Severson. Elas aproveitavam ao máximo a liberdade que existia naquela época, quando o maior medo era ficar de castigo presa dentro do quarto pela determinação dos pais após alguma desobediência. Eu diria até que hoje isso não seria castigo e seria assim... Tirar isso seria o castigo, não é?
as meninas, naquela época, Missy e Karen possuíam famílias amorosas que acabaram ficando conectadas por meio da amizade das crianças. Como acontece muitas vezes, não é? Tanto que, bem mais tarde, todo mundo se lembraria do importante papel que Karen desempenhou junto a Irene, a mãe da Missy, quando a menina desapareceu. Mas essa lembrança nós vamos revisitar daqui a pouco. Antes de continuar, já peço seu like, um comentário e nem que seja um emoji.
Se deres se tornar membro aqui do canal, me ajuda muito. Verifique sua inscrição pra não perder nenhum episódio, combinados? A amizade da Missy e da Karen durou muitos anos, mas não resistiu às mudanças provocadas pelo ingresso delas na adolescência e no ensino médio. Pois é, as duas melhores amigas do mundo começaram a se afastar quando entraram na San Fernando High School, no Vale de San Fernando.
tão chocante como a experimentada pelos jovens norte-americanos. Pelo menos é o que a gente vê nos filmes de Hollywood, não é? Porque aos 16 anos, eles tiram a licença pra dirigir e se preparam pra sair de casa, indo pra faculdade, onde eles moram, assumem as próprias vidas de maneiras diferentes, não é? Enfim, eles começam a trabalhar bem cedo, é uma realidade, uma cultura diferente da nossa.
acabou engravidando e abandonou temporariamente esse processo da vida dela da escola. Isso para assumir a responsabilidade do bebê. Isso impactou profundamente a vida das duas amigas. Karen relatou que pedia para a Missy ir visitá-la, já que ela precisava ficar em casa com a criança. Mas a Missy parecia sempre ter outros planos, deixando a Karen cada vez mais de lado. Alguns meses depois, com a ajuda da mãe e da avó, a Karen conseguiu retornar aos estudos.
A experiência de ser mãe tão cedo deixou marcas emocionais claras. Três anos depois, em 1985, quando as duas estavam com 17 anos, essa distância entre elas já era impossível de ignorar. A Missy era uma das meninas mais populares da escola. E isso incomodava muita gente. Especialmente a Karen, sua melhor amiga de infância. Pra Karen, foram dois golpes. A Missy ser muito mais popular do que ela.
divertindo com garotos em vez de socializar com a Karen. Nessa época, lá por 1985, as garotas estavam com 17 anos de idade e parece que as coisas fugiram um pouco do controle. Quando os ciúmes da Karen levaram ela a difamar a Missy, uma acusação bem pesada em qualquer tempo e lugar. A Karen espalhou para toda a comunidade, toda a escola, que a Missy estava dormindo com vários garotos.
essa mentira, ela foi espancada por um grupo de meninas que eram as namoradas dos garotos que supostamente estavam se relacionando com a Missy. Meio confuso, mas eu acho que dá pra entender, não é? Eu não sei quanto a vocês, mas parece que isso era um caso de polícia pra gerar boletim de ocorrência até, processo por difamação ou coisa parecida. É até pedido de indenização e ordem de restrição, mas ainda expulsão da escola, quem sabe? Era pra ser um episódio, no mínimo,
levado mais a sério. Porém, não existe registro nenhum disso. No mínimo, a amizade entre elas deveria ter se desfeito, desaparecido. Mas, como em uma novela mexicana bem dramática, outros capítulos se seguiram. Um deles envolveu um namoro de poucas semanas entre Missy e um garoto chamado Randy. O relacionamento não estava indo bem por causa das atitudes do Randy, que era bem chegado a festas
Quando o namoro deles acabou, a vida seguiu em frente, mas parece que rápido demais para o Randy, que na sequência se envolveu com a, adivinhe, Karen. E eles foram morar juntos em um pequeno apartamento. Dentro já desse contexto que poderia gerar muito atrito, muita confusão, a Karen foi fazer fofoca para a mãe da Missy. Falou para a dona Irene que o Randy estava sediando a Missy porque ela facilitava as coisas.
dando atenção para o ex. Mas a verdade é que a percepção é de que o menino era meio inconveniente e que ele perseguia a Missy, mesmo que ela não tivesse nenhum interesse em voltar para ele. Mas o estrago já estava feito. Diante dessa confusão e da impossibilidade de confiar no Randy, a Karen foi aconselhada a terminar o relacionamento com o garoto. Em vez de fazer isso, ela ficou de mal com a Missy.
com muitas pontas que podem virar grandes pesadelos, não é? Apesar de tudo isso, a relação nunca foi oficialmente rompida. Era uma amizade marcada por afastamentos, reaproximações e ressentimentos acumulados ao longo dos anos. E vocês se lembram que a Missy era popular e talvez considerada a mais bonita e interessante do que a sua rival?
namoros de adolescentes que não deveriam ser levados tão a sério. Mas, infelizmente, ninguém pensava dessa maneira. Essas confusões estavam saindo do controle, porque elas começaram com acusações mentirosas, intrigas, bate-bocas e depois escalaram. Isso aconteceu um dia quando as meninas Missy e Karen estavam em um parque do bairro onde elas moravam. Só não sei dizer se esse encontro foi uma coincidência
chegaram lá juntas mesmo. A questão é que elas tiveram uma outra discussão, mas dessa vez isso evoluiu para uma briga física, quando a Karen ameaçou a Missy com uma garrafa de cerveja quebrada e empurrou a amiga e deu um tapa no rosto dela. E briga com ameaça de garrafa quebrada parece até coisa de bêbado, não é? Ou de algum criminoso violento. Porém, foi mesmo nesse nível de violência entre duas adolescentes. E lembrando que isso foi
A uns 40 anos. Mas a história não para por aí. Depois desse episódio, as duas passaram um período sem contato direto. A relação parecia ter chegado ao limite finalmente. Até que, semanas depois disso, algo aconteceu que mudou tudo. As pessoas que acompanharam esse caso se lembram de que, no dia 1º de outubro de 1985, uma terça-feira, a Missy falou pra mãe que iria sair com uma amiga da escola.
Laura Doyle, que era conhecida dela. Então, estava tudo bem. A Laura passou de carro na casa da Missy e elas saíram juntas. E essa foi a última vez que a dona Irene viu a filha com vida. A Missy estava demorando pra voltar. Já fazia umas quatro horas que ela tinha saído. Bastante tempo, não é? Então, de repente, a própria Laura ligou pra casa da Missy e pediu pra falar com ela. Nesse momento, acendeu uma luz de emergência na cabeça da dona Irene.
chamada super estranha, porque as garotas tinham saído juntas e a Missy ainda não tinha voltado. E a continuação da história da Laura era que a Missy tinha ficado conversando com três rapazes em um posto de combustível, meninos que estavam em um Camaro Azul. Depois de abastecer o próprio carro, a Laura então procurou a Missy, mas ela já não estava mais no mesmo local onde o Camaro Azul esteve estacionado.
aqueles três rapazes. Mas não havia nome, descrição ou placa de carro. Só essas informações vagas que foram transmitidas aos policiais quando eles foram envolvidos no caso de desaparecimento misterioso. Porque a Missy não tinha histórico de fuga, problemas na família, um namorado secreto, nada de dependência química, nada disso. Mas tinha um histórico com uma amiga de infância, não é? Mas nada que naquele momento aos olhos dos detetives justificasse a
A missi saiu de boa com uma amiga. Ou seja, ela provavelmente foi impedida de retornar para casa. Alguém do mal provavelmente deveria estar envolvido nisso. Um sequestro? Um serial killer? Um acidente? Ninguém sabia. Lamentavelmente, no dia 4 de outubro, 72 horas mais ou menos depois de desaparecer, a missi foi encontrada. Mas não como esperavam os pais.
e amigos dela. Ela estava morta, caída de bruços em um riacho no Big Tujunga Creek, dentro da Floresta Nacional Ângeles. A garota de 17 anos havia sido mantida com o rosto submerso em cerca de 15 centímetros de água. Era um homicídio, uma cena de violência assustadora, pois havia um tronco de árvore sobre o corpo e o seu cabelo, que era uma marca registrada da sua presença e que chegava à cintura, havia sido praticamente raspado.
Um elemento muito importante sob o ponto de vista da psicologia forense, não é? O crime causou comoção na comunidade, na escola e entre quem conhecia e amava a garota. Inclusive, entre as suas amigas, tanto Karen como Laura. Ambas, inclusive, compareceram ao funeral da Missy e estavam emocionadas. A Karen, apesar das brigas nos últimos tempos, ainda carregava o status de melhor amiga. Ela foi especialmente solidária com a dor da família, enviando um cartão de condolências,
a família na Missy, junto com 20 dólares, um valor simbólico para contribuir com as despesas do sepultamento. Algo muito comum, né, nos Estados Unidos. Mas aqui chega a parte que eu considero mais surpreendente nesse relato, que foi o fato da Karen temporariamente ter se mudado para a casa da amiga morta para demonstrar seu apoio e amor. Ela até mesmo dormiu na cama da Missy e usou as roupas da amiga morta,
filha substituta para a senhora Irene. A Karen parecia obcecada pelo crime. Ela visitava o túmulo da Missy várias vezes por semana, também cobriu as paredes do seu quarto com fotos da Missy, recortes de jornal sobre o caso e visitava repetidamente o Big Tujunga Creek. Pois é, exatamente onde o corpo da amiga tinha sido encontrado. Em certo momento, ela relatou para a Irene, a mãe em luto, que ela viu o fantasma da Missy.
Nesse caso, nós não sabemos o porquê de tamanha incompetência policial, tamanha ausência de respostas, mas o caso ficou parado até 26 de julho de 1988, quase três anos depois do crime. Será que não havia suspeitos? Nenhuma evidência? Enfim, muitos se recordam desse dia de 1988, quando assim, aparentemente do nada, uma jovem chamada Eva Chirumbolo,
tinha aparecido por aqui, se deslocou uns 100 quilômetros de sua casa até uma delegacia de polícia e apresentou um relato bizarro. A Eva é essa moça que naquele dia contou à polícia os fatos que explicaram o assassinato da Michelle, ou Missy,
E os detalhes são chocantes. Ainda hoje, depois de tantos anos e depois de conhecermos inúmeras histórias similares, ainda assim, são chocantes. Ela sabia de tudo porque um dia, anos antes, duas colegas haviam relatado os acontecimentos. Mas como no roteiro de um filme policial sem nenhuma criatividade, eu diria, quando os criminosos são os personagens já incluídos na história,
amigas. Karen Severson, a vizinha e companheira de infância, a Best, Laura Doyle, que a convidou pra sair e lhe ofereceu uma carona, a última da sua vida. Vocês se lembram bem, né? Que foi essa Laura que passou na casa lá da Miss, pegou ela, foi viajar, foi viajar, foi dar um rolê e supostamente a Karen estava junto depois lá nesse passeio onde três rapazes num camaro teriam levado a Miss. Pois é. Foram as duas moçoilas.
sobre esse caso se concentram muito nessa verdade decepcionante. E não na parte técnica da investigação, tá? Então ficam aqui algumas perguntas sem resposta. Mas o que os promotores descreveram em 2020 no julgamento das perversas, podemos dizer, não é, Karen e Laura, se parece com aquilo que atualmente se chama de tribunal do crime. Dá uma olhada. Quando algumas pessoas se sentem no direito de prender, julgar, condenar e executar
as regras do tráfico, por exemplo. No caso aí, regras que só existiam na cabeça dessas duas, não é? Porque nesses casos, não estão envolvidas as violações das leis constitucionais. Será que eu preciso ser mais claro nessa comparação? Karen e Laura armaram um plano, uma armadilha, uma emboscada para a Missy, para que ela fosse até lá à Floresta Nacional de Ângeles. Ali as duas acusaram a garota de ser promíscua,
delas e de outras supostas vítimas, ou seja, que Missy, aos 17 anos, era uma devoradora de homens e que ela tinha interferido e estragado muitos relacionamentos das meninas da escolinha. Por esses crimes, a Missy foi condenada à morte imediatamente pelas duas colegas do mal. Karen e Laura agrediram a Missy e a seguraram com o rosto dentro daquela poça d'água, 15 centímetros,
pulmões da Missy se enchessem de água e ela morresse afogada, mesmo que o reacho fosse bem raso, como eu disse. Depois, elas colocaram um tronco de árvore sobre o cadáver, um pedaço de madeira pesado o suficiente para manter o corpo naquele lugar, para ele então ser dias depois encontrado por possíveis pessoas que passariam ali fazendo trilhas dentro do parque. Pois é, galera, sentimento de inveja dentro de uma alma adolescente ser tão cruel assim, não é?
a inveja que tantas vezes já apareceu aqui, disputa na adolescência sobre competições entre meninas em relação à popularidade entre os garotos. E pensem que nos anos 80, galera, nem dava pra contabilizar os likes, tá? Mas era nisso que se resumiam os problemas de relacionamento das ex-melhores amigas. Bom, seguindo a cronologia do caso, então, alguns anos se passaram desde o assassinato e a gente chegava, então, em 1990, quando as assassinas Karen e Laura,
foram julgadas. Elas, no início, foram acusadas de homicídio em primeiro grau. Porém, as suas condenações foram por homicídio em segundo grau. A mudança aconteceu porque os jurados disseram que não estavam convencidos de que o assassinato foi planejado e premeditado. Assim, as penas foram leves, de um mínimo de 15 anos até perpétua. Resumidamente, Karen Severson foi libertada em dezembro de 2011 após cumprir 21 anos e meio de cadeia.
A Laura Doyle foi libertada em dezembro de 2012, após cumprir 22 anos. A Karen não perdeu tempo, pois ela precisava ser observada e admirada. Ela concedeu muitas entrevistas, se dizendo arrependida do cometimento do crime. Ela também explicou que estar na casa da Missy em 1985, após o desaparecimento e morte dela, tinha a intenção de apoiar mesmo a senhora Irene, mãe da vítima.
amiga. E assassina também, né? Outro objetivo era acompanhar de perto a investigação e saber em primeira mão o que a polícia estava descobrindo e se ela mesma, junto com a Laura, as cúmplices estavam ou não na mira dos detetives. Aí sim eu acho que tem mais verdade. Ela falou sobre o enorme peso de guardar o sentimento de culpa e esse segredo, né? Entre o dia do crime e também a denúncia da Eva. Também que ela buscou refúgio no álcool e que foi emocionalmente libertador quando a verdade veio à tona. Mas,
depois de sair da cadeia, ela conseguiu um emprego em telemarketing e começou a promover uma autobiografia sobre o crime e sua experiência na prisão e fez um acordo para produzir um filme. O livro se chama It's My Life, I Live It. É minha vida, eu a vivi. Obviamente que a família da Missy ficou indignada com esse projeto e processou a Karen em 2015 buscando impedir que ela lucrasse com a morte da Missy. Nesse caso, o dinheiro deveria ser destinado à família da vítima.
O assunto ganhou muita publicidade e discussões. Com isso, o estado da Califórnia aprovou a lei MISSE, exigindo que editoras e organizações que publicam obras escritas por criminosos entrem antes em contato com a família das vítimas. E isso, acho que eu nem preciso dizer, é bem interessante em vários sentidos, não é? Existe uma lei chamada Filho de Sam, lei de notoriedade para fins lucrativos, criada para impedir que criminosos lucrem com a publicidade dos seus crimes, vendendo suas histórias para editoras,
ou produtoras. Essa lei autoriza o Estado a confiscar o dinheiro, que é oriundo dessas vendas, para poder compensar as vítimas dos criminosos. O que parece bem lógico e correto, não é? Mas vocês não vão acreditar que essa lei recebeu críticas por violar a liberdade de expressão que é garantida pela primeira emenda lá da Constituição dos Estados Unidos. É mole? A conclusão é que vários Estados adotaram isso para coibir esse tipo de, eu diria assim, imoralidade.
né, convenhamos. Liberdade de expressão é mole, cara. Como assim liberdade de expressão? É aquele mesmo conflito, né, que tipo, nós precisamos combater de toda forma esses cretinos covardes que assassinam mulheres, crianças, pessoas indefesas, assim, idosos. Mas aí quando tranca o cara, o cara recebe um tiquinho, assim, de pena e pode sair por bom comportamento. Existe um conflito aí, evidente, né, pelo menos na minha cabeça leiga, existe.
Ah, quem discorde, claro. Talvez, enfim, eu lembrei disso porque me parece isso, né? Garantir que o cara explore comercialmente o crime que ele fez. Daqui a pouco vai virar um comércio, então, né? Matar pra escrever um livro. Faz sentido, né? Bizarro até. Bom, uma história criminal, assim, de mesquinharia dessas garotas, não é? De pura inveja, um sentimento, assim, podre. E ficam as reflexões sobre como os pais das homicidas não perceberam a evolução do comportamento perverso das filhas, não é?
como perceberam e talvez ignoraram. Porque qualquer um que soubesse das brigas veria a presença de violência anormal e crescente, não é? Aqui inclusive dá pra lembrar da morte da Daniela Pérez, que levou a mãe dela, a escritora Glória Pérez, a travar aí uma guerra durante anos e não permitir que os assassinos dela, da Dani, ganhassem publicidade e tivessem lucro com a exploração do crime. Porque em meados dos anos 90, enquanto ainda aguardava o julgamento,
o Guilherme de Pádua, o assassino, escreveu a versão dele dos fatos. E ele batizou essa obra aí de A História que o Brasil Desconhece. O livro foi publicado pela editora O Escriba, de Minas Gerais, mas a justiça proibiu a circulação da obra. Nesse suposto romance autobiográfico, o Guilherme defendeu a tese de que ele e Daniela Pérez tiveram aí um breve relacionamento romântico e que foi a Paula Tomás, sua mulher à época, que cometeu o assassinato motivado por ciúmes. Enfim, foi só uma lembrança.
Mas eu quero saber o que vocês acharam do caso da Miss. Comenta aqui pra mim se vocês já conheciam. Uma história assim, mais uma, né? Onde o clichê A Inveja Mata em Peru. Agradeço imensamente a sua companhia. Um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.