O quarto estava limpo. O problema era outro - O Insólito Caso das Irmãs Noémi e Audrey
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- Morte das irmãs Noémi e AudreyDescoberta dos corpos no hotel · Circunstâncias da morte · Investigação inicial da polícia tailandesa · Autopsia e análise forense · Conclusões oficiais vs. investigação independente
- Conteudo Prejudicial OnlineUso ilegal de pesticidas em quartos de hotel · Gás fosfina altamente tóxico · Controle de pragas sem regulação adequada · Efeitos de exposição prolongada vs. breve · Dificuldade de detecção após morte
- Investigação pela legista canadenseAnálise independente dos corpos · Pesquisa de casos similares entre 2009-2015 · Padrões em mortes de turistas na Tailândia · Conclusões não-oficiais sobre causa real · Questionamento da rapidez do encerramento
- Sinais do Fim dos TemposSaída do hotel no início da noite · Encontro com brasileiros na praia · Consumo de bebidas e dança · Retorno de Noémi por volta da 1h da manhã · Retorno de Audrey por volta das 4h da manhã · Saída dos brasileiros às 6h da manhã
- Negligência e falta de responsabilizaçãoFalta de contato com família pelos investigadores · Encerramento rápido do caso · Ausência de investigação aprofundada · Nenhuma responsabilidade criminal · Interesse econômico no turismo
- Intoxicação e envenenamentoBebida 4 vezes 100 popular em Phi Phi · Presença de DET nos exames toxicológicos · Hipótese inicial de envenenamento acidental · Refutação pela legista canadense · Questionamento sobre quantidade letal
- Causa e Circunstancias da MorteNúmero elevado de casos entre 2009-2015 · Características compartilhadas entre casos · Hipóteses oficiais similares · Falta de investigação aprofundada generalizada · Sensação de casos encobertos
- Reações fisiológicas e sintomasVômito ao redor dos corpos · Sangue seco nas gengivas · Sangue embaixo das unhas · Sinais de intoxicação severa · Adoecimento dos brasileiros nos dias seguintes
- Resposta da autoridade canadenseIntervenção do governo do Canadá · Contratação de legista independente · Refutação de conclusões tailandesas · Falta de reabertura oficial do caso · Cobertura mediática canadense
- Viagem de formatura das irmãsRoteiro pela Ásia · Passagem pelo Vietnã · Última parada em Phi Phi, Tailândia · Encontro com turistas brasileiros · Noite na praia e baladas
Era o final da tarde do dia 15 de junho de 2012 em uma ilha paradisíaca na Tailândia. O lugar estava cheio de turistas, gente por todos os lados, aquela música ao vivo vindo de algum lugar. E em um hotel do local, bem perto da areia, uma funcionária estava passando com seu carrinho de limpeza pelo segundo andar. Ela parou na frente de um quarto, bateu na porta, não teve nenhuma resposta. Então ela bateu de novo, chamou, disse que era da limpeza, mas nada.
cartão mestre, passou na porta, destrancou e entrou. E o que ela encontrou dentro daquele quarto? Bom, isso é o que eu vou te contar no episódio de hoje. Eu sou o Marcos Campos, sejam todos muito bem-vindos. Aqui toda semana tem pelo menos três episódios, segunda, quarta e sexta. Já se inscreve e ativa o sininho para não perder nenhum. Se torne membro e se puder, deixa um like, um comentário e nem que seja um emoji. Recado dos dados, vamos aos fatos. No começo da noite do dia 12 de junho de 2012,
na ilha de Pipi, na Tailândia. Elas se chamavam Noemi Bellinger, de 26 anos, e Audrey, de 20. As duas eram do Quebec, elas eram estudantes universitárias, e estavam ali para fazer uma viagem. A ideia, na verdade, era uma viagem pela Ásia, comemorar o fim do ano letivo, antes de voltar para casa e começar toda a rotina de novo. Elas tinham acabado de chegar do Vietnã, ou seja, elas estavam ali na Tailândia, já tinham viajado pelo Vietnã,
parada delas antes de voltar pra casa no Canadá. Bom, assim que elas entraram no quarto, o cansaço bateu assim que elas chegaram lá de viagem e tal, principalmente na Noemi. Afinal de contas, aquela viagem como mochileira, digamos, avião, barco, calor pra caramba, tudo acumulado, ela queria ficar um pouco mais de boa naquele momento ali. Só que mesmo assim, antes de se deitar, ela fez algo que já tinha virado meio que hábito naquela viagem. Ela foi conferir a cama onde ela ia se deitar.
O colchão, os cantos, tudo pra ver se tava certinho, tudo limpo e tal. Nada fora do lugar. Então, ela se jogou na cama e ficou ali parada, só aproveitando o ar-condicionado. Já a Audrey, a irmã dela, nem pensou duas vezes, tá? Ela não queria descansar, não. Ela foi pro banheiro, começou a se arrumar e ela tinha um motivo pra isso. Quando elas ainda estavam no Vietnã, elas conheceram dois turistas. Eles acabaram se dando bem e esses turistas, segundo as fontes, seriam brasileiros ainda.
Mas calma que eu já falo. Então elas acabaram se dando bem com os caras, conversaram bastante. E como eles também iriam pra Tailândia, elas acabaram combinando, né? De se verem de novo, tomar uma, conversar, aquela coisa. Então, como os brasileiros também estavam lá, nessa ilha aí de Pipi, o plano era naquela noite ali, eles iam se encontrar. Bom, as duas irmãs então estavam nessa pegada aí, nessa vibe, né? Uma bem animada, a outra querendo dar uma relaxada, mas à noite as duas iam sair.
já estavam preocupados. A Noemi, então, pra acalmar os pais, sempre falava com eles, ela deixava claro que estava cuidando da irmã mais nova, que não deixaria que nada saísse do controle. E a Audrey aceitava essa situação, né? Meio que a irmã mais velha ali, né? Sendo babá, entre aspas, dela. Assim, nessa situação aí, quando elas chegaram, a Noemi lá deitada, a Audrey já se arrumando, a Noemi ligou pros pais, como ela fazia com frequência durante toda essa viagem delas aí. Mas antes de ligar,
A Audrey saiu do banheiro e disse pra irmã não ligar, né? Porque já era madrugada lá no Canadá. Então ela saiu gritando, falando, não, não liga agora. Você vai acabar acordando os dois, né? Deixando eles assustados, que eles sabem que a gente tá viajando, coisa e tal. E aí a irmã falou, ah, beleza, você tem razão, né? Por causa do fuso horário, deixa pra depois. Assim, a Noemi concordou, deixou o celular de lado ali e falou, quer saber?
Vou me arrumar também. E assim, pouco tempo depois disso, as duas saíram do hotel e foram em direção à praia.
muito para que elas encontrassem os tais brasileiros. Eles estavam em frente a um bar ali à beira-mar. Cada um estava segurando um balde cheio de gelo e bebidas. As meninas estranharam aquilo e perguntaram o que era. Então os caras explicaram que era uma bebida comum por ali, muito popular entre os turistas, os locais também. Mas eles não souberam dizer exatamente o que era. Só que era forte e que todo mundo bebia. Vai vendo. A Audrey não pensou duas vezes, pegou uma bebida ali e já mandou para baixo.
Já a Noemi, na função ali, ficou mais desconfiada no começo. Mas ela começou a olhar em volta ali, tava todo mundo bebendo aquilo ali. Ela falou, pegou uma lá também e começou a beber. E assim as horas passaram e passaram bem rápido. Elas beberam, comeram algumas comidas locais ali, entraram no mar, dançaram. Enquanto um DJ tava tocando umas músicas lá e tal, todo aquele clima bem da hora assim. Com o tempo as duas então ficaram meio embriagadas, os brasileiros também.
Isso já passava um pouco da uma da manhã, quando a Noemi decidiu então voltar pro hotel com o rapaz que estava com ela. Antes de ir, no entanto, ela falou pra Audrey, ó, eu tô indo, vamos comigo? A Audrey falou, não, não vou agora não, eu vou ficar mais um pouco aqui, vai tranquila, tá tudo de boaça aqui, como você tá vendo, não tem perigo, daqui a pouco eu chego lá. Bom, a Noemi talvez não deixaria a irmã ficar lá, mas como já tava rolando, né,
Naquele climão, tava todo mundo meio embriagado já. Acho que ela também olhou e falou assim, ah, beleza então, eu te espero lá. Acabou confiando também no cara que estava com a Audrey. Assim a Noemi se despediu, virou as costas e foi pro hotel. E foi assim que essa primeira noite, digamos, da viagem delas lá à Tailândia terminou. A Noemi, pessoal, voltou pro hotel pouco depois da uma da manhã, como a gente viu. Ela estava acompanhada desse suposto brasileiro com quem ela estava tendo um rolinho ali.
prédio, registraram os dois juntos no quarto lá das irmãs. Dentro do quarto, a Noemi foi direto pra cama. Ela estava já bem alta, cansada também, então não demorou pra ela apagar. Algumas horas depois, por volta das quatro da manhã, a Audrey voltou pro hotel também, mas não sozinha. Ela chegou acompanhada do outro brasileiro, o rapaz com quem ela tinha passado toda noite dançando lá na praia. As imagens de segurança mostram também os quatro entrando no quarto em momentos distintos, tá? Ou seja, primeiro a Noemi,
depois a Audrey, mas pro final da madrugada aí já. A partir dali, galera, ninguém mais foi visto entrando no quarto. Então, por volta das seis da manhã, as câmeras registraram os brasileiros saindo juntos do quarto. Eles foram embora do hotel logo depois disso aí. As irmãs ficaram lá durante todo o dia seguinte. Ninguém viu a Noemi, nem a Audrey saíram daquele quarto. Elas não apareceram pro café da manhã, não saíram pra passear, nada.
No hotel, isso não levantou suspeita ali naquele primeiro momento, porque a ilha lá da Tailândia,
recebe muitos turistas jovens e às vezes esses turistas jovens acabam manguaçando na noite anterior e ficam lá no quarto de ressaca durante o dia inteiro. Então esse primeiro dia passou despercebido. O segundo dia passou despercebido também. Terceiro também foi somente na noite do dia 15 de junho, três dias depois daquela madrugada que um funcionário da limpeza estranhou o silêncio. Ele bateu na porta falando que era da faxina, coisa e tal.
respondeu, pegou o cartão e entrou. E segundos depois disso, essa funcionária do hotel saiu correndo pelo corredor, gritando por ajuda. Dentro daquele quarto, a Noemi e a Audrey estavam deitadas em suas camas, cobertas por lençóis. As duas estavam imóveis. Havia vômito ao redor delas. A polícia foi chamada imediatamente e por volta das nove da noite, uma equipe que estava sendo liderada pelo Tenente Coronel Hati Sambon chegou ao hotel. Esse investigador, Tenente Coronel,
Era muito experiente ali na região, já tinha sido informado do que ele poderia encontrar lá. Mesmo assim, a cena chamava atenção. As duas irmãs estavam sem vida. Havia pelo menos 12 a 20 horas, o cálculo estimado ali de primeira vista. Não havia sinais de luta, não havia arrombamento, o quarto estava em ordem. A primeira vista, então, a hipótese parecia simples. Intoxicação por álcool. Era um destino turístico conhecido por festas.
Aquele vômito ali espalhado em volta delas reforçava essa hipótese. Mas, ao examinar os corpos mais de perto ali, o detetive notou algo que não combinava muito com essa explicação simplista de intoxicação. Porque tinha sangue seco nas gengivas das duas irmãs. E também embaixo das unhas delas. Aquilo não era normal. E naquele momento, o investigador percebeu que precisava entender exatamente o que tinha acontecido nas horas anteriores.
aquela madrugada. As turistas que morreram estavam deitadas normalmente em suas camas. Seus pertences não pareciam ter sido mexidos e não havia sinais de luta. Elas pareciam estar dormindo normalmente, como se tivessem apenas adormecido. Bom, a partir daquele momento, a principal pergunta que a polícia precisava responder é com quem as duas tinham estado naqueles momentos que antecederam a morte delas. Os funcionários do hotel foram os primeiros a serem ouvidos.
Foi aí que a linha do tempo, digamos, começou a ficar clara. Na primeira noite lá na Tailândia, as duas irmãs saíram do hotel no começo da noite. Então, por volta da uma da manhã, como eu comentei com vocês, a Noemi voltou para o quarto acompanhada de um homem. Depois de algumas horas, ali pelas quatro da manhã, foi a vez da Audrey voltar. Ela também estava acompanhada de um homem. Esses dois homens permaneceram no quarto até por volta das seis da manhã, saíram juntos. Depois disso, ninguém mais entrou naquele quarto.
A polícia divulgou um comunicado pedindo ajuda para identificar esses homens. A informação se espalhou rápido, principalmente porque envolvia turistas estrangeiras encontradas mortas em um dos destinos mais famosos da Tailândia.
garotas na praia naquela noite. Só que tinha um detalhe aí. Eles já tinham zarpado da Tailândia. Já tinham ido embora quando os corpos foram encontrados. Elas ficaram lá três dias. E isso, claro, colocava ali uma pulguinha atrás da orelha, levantava uma suspeita. Mas, legalmente, eles podiam fazer isso. Nada estava impedindo eles até então. E como, evidentemente, as autoridades de lá não têm jurisdição aqui, o caso precisou de uma... Como que eu vou dizer? De um intermediário internacional.
No caso, a Interpol. Cerca de uma semana depois, a Interpol conseguiu localizar os dois homens e ouvi-los oficialmente. Segundo o relatório, quando foram informados da morte das irmãs, os dois demonstraram choque, um choque genuíno. Eles disseram que não sabiam de nada e que ficaram surpresos com a notícia. Quando questionados sobre a saída rápida da Tailândia, eles explicaram que a viagem já estava planejada. Já tinham passagens compradas, etc.
qualquer especulação ali que eles estivessem fugindo do local. Eles também foram questionados sobre o estado das meninas quando saíram do hotel por volta das seis da manhã. E eles disseram que as duas pareciam muito mal, enjoadas, fracas, como se elas estivessem passando mal ou alguma ressaca, alguma coisa assim. Como eles tinham enchido a cara durante toda a madrugada, a Noemi menos, até uma da manhã. Não sei se quando ela chegou lá no quarto acompanhada, continuou bebendo, coisa e tal. É dito que ela foi direita pra cama, mas...
Só estando lá pra saber, não é? E durante esse processo aí da investigação, nessa oitiva aí com os rapazes, surgiu um detalhe curioso. Os dois brasileiros contaram que nos dias seguintes daquela noite, eles também ficaram meio zoados, passando mal. Eles passaram dias vomitando, presos na cama, sem saber exatamente o que eles tinham. Eles, claro, sobreviveram, mas disseram que nunca tinham se sentido tão mal assim na vida.
recebeu essa informação, ele começou a ligar alguns pontos. As coisas começaram a fazer algum sentido na cabeça dele. Se os quatro tinham passado mal aquela noite, eles tinham bebido juntos, comido juntos, talvez todos eles tivessem sido expostos a alguma coisa, não é? Alguma intoxicação, enfim. Só que os dois sobreviveram e as duas irmãs não. A princípio, então, na cabeça do detetive, pode ser que os organismos delas tenham reagido diferente
a toxina, sei lá o que quer que seja, que os quatro comeram. Então as coisas precisavam ser esclarecidas, não é? Com o relato dos brasileiros em mãos, o tenente Sambon passou a trabalhar com uma nova hipótese. Se os quatro tinham ficado juntos naquela noite, bebido as mesmas coisas, comido nos mesmos lugares, fazia sentido pensar que todos tinham sido expostos a uma mesma substância. A diferença é que, por algum motivo, os corpos reagiram de formas diferentes, como eu disse.
A primeira possibilidade levantada, então, foi intoxicação alimentar. A Tailândia recebe milhões de pessoas, galera, turistas por ano ali. Então, não é raro que muita gente passe mal, né? Experimentando comida diferente, coisa que não está acostumada. Tem gente que pega ali uma intoxicaçãozinha leve por comer realmente uma coisa que nunca comeu, enquanto outras têm um estado clínico ali mais grave. E em casos mais extremos, alguns alimentos, inclusive, podem causar intoxicações graves
risco de vida mesmo. Mas essa hipótese começou a cair por terra quando chegaram os primeiros laudos da toxicologia. No sangue da Noemi e da Audrey, os exames detectaram a presença de uma substância chamada DEET, que é um componente químico usado como, na verdade, usado em repelentes contra insetos. Essa descoberta chamou atenção, claro, mas não surpreendeu totalmente a polícia, os investigadores desse caso. Naquela região, é bem comum uma bebida conhecida
como 4x100. Muito popular entre turistas, essa bebida não segue nenhuma receita fixa. É praticamente um negócio que na minha época se chamava de farmácia, que os caras vão lá misturar tudo que é porcaria dentro de um negócio e vende barato, sabe? No caso aí da Tailândia, foi descrito que é uma mistura normalmente feita com refrigerante, xarope, remédio mesmo, sabe? Xarope de tosse e tal. Outras substâncias, bebidas, alcoólicos, uma mistureba toda. Em alguns casos,
Inclusive, componentes químicos como esse daí que eu comentei, o D-E-E-T. Essa bebida, galera, não é obviamente regulamentada, nem segura. Mas ainda assim, era vendida abertamente em bares da praia, tá? Aqui cabe um disclaimer, porque eu falei, na minha época chamava farmácia. Comenta aqui pra mim quem já ouviu falar desse negócio, dessa bebidinha misturada aí com tudo que é farmácia. Não que eu bebi essa porcaria aí, tá? Eu sempre fui da cervejinha, do chope.
Nunca gostei muito dessas bebidas muito loucas. Destilado também, não sou muito chegado.
Bom, disclaimer feito, seguimos. A conclusão da polícia, galera, diante de tudo isso, foi a seguinte. As irmãs teriam ingerido uma quantidade excessiva dessa bebida, que tinha uma quantidade excessiva desse tal DET aí. E isso teria causado, então, nelas um envenenamento acidental. Essa teoria explicava algumas coisas, não é? Explicava o vômito, o fato de os brasileiros também terem ficado passando mal, explicava porque tudo começou depois de uma noite de festa,
E a polícia acreditava que aquele lote específico dessa bebida tinha sido preparado com uma quantidade muito acima desse DET aí. Não sabemos se propositalmente ou acidentalmente vai saber quem faz essa mistureba aí, não é? Talvez o lance da intoxicação, do envenenamento, melhor dizendo, explicasse também um pouco de sangramento na gengiva, debaixo das unhas, não sei. Nove dias após a descoberta dos corpos, a investigação foi considerada encerrada.
mesmo como um envenenamento por essa substância. Os corpos da Noemi e da Audrey foram preparados e enviados de volta ao Canadá, junto com o relatório final da polícia tailandesa. Para as autoridades locais, Zé Fini, o caso estava resolvido. Para a família, não preciso nem dizer, o negócio estava só começando. Quando a notícia chegou ao Canadá, os pais da Noemi e da Audrey já estavam desesperados. Eles passaram dias tentando falar com as filhas, ligar para elas. Mensagens sem resposta, chamadas,
que não eram atendidas e em nenhum momento alguém da polícia tailandesa entrou em contato para explicar o que estava acontecendo. A confirmação da morte das duas veio só pela mídia. Só depois disso é que as autoridades da Tailândia procuraram a família para informar que as filhas tinham perdido a vida e que o caso que estava sendo investigado estava encerrado com uma morte acidental. Segundo eles, tinha sido um envenenamento causado por uma bebida, coisa e tal. Para os pais, aquilo ali soou como um absurdo,
Como assim duas jovens saudáveis morreram do outro lado do mundo e ninguém avisou a família? A investigação foi feita assim, em dias, horas e tá tudo resolvido já? Uma bebida proibida, vendida assim e ninguém vai investigar quem fez caralho dessa bebida? É bizarro, não é? Bom, eles começaram então a fazer perguntas, só que as autoridades da Tailândia não tinham as respostas. Se essa bebida era tão comum, por que não havia nenhum tipo de alerta pra turistas?
Aqui se vende um veneno, cuidado. As autoridades não fazem nada. Se os quatro beberam essa mesma coisa, por que só as duas morreram? E por que a investigação tinha sido encerrada tão rápido? Tudo isso eram coisas que estavam passando pela cabeça dos pais das garotas. Claro que isso mostrava que a conclusão que a polícia da Tailândia queria dar para os pais delas era totalmente zero à esquerda. A indignação da família chamou a atenção da imprensa canadense. E o caso então começou a ganhar repercussão nacional.
Com isso, o governo do Canadá decidiu intervir. Antes que os corpos fossem entregues à família, eles foram encaminhados para análises de uma das principais legistas do Quebec, a doutora Renée Russell. A missão dela era bem simples, confirmar se de fato o DET tinha sido a causa da morte das duas jovens. A Renée realizou uma autópsia completa nos corpos da Noemi e da Audrey, e o resultado não bateu muito com a versão oficial não, tá? Havia sim vestígios de DET nos organismos das duas,
não o suficiente para matar alguém. E não havia nenhum outro veneno detectável que explicasse aquelas mortes. Para Renê, aquilo não fazia o menor sentido. Se não tinha sido a bebida e se não havia outra substância identificável, então o que exatamente tinha matado aquelas duas jovens? Aqui eu pontuo com vocês, tá? Nenhuma substância identificável, mas será que não havia outra substância? Por quê? Estou dizendo isso aí. Estamos aqui pensando com fontes, vozes da minha cabeça.
Por quê? Pô, elas ficaram lá no quarto três dias, mais ou menos, né? Depois eu não sei especificamente quanto tempo levou até que os corpos fossem transferidos para o Canadá. Passou muito tempo, galera. Se isso prejudicou ou não essa autópsia secundária da profissional lá do Canadá, não sei, mas eu presumo que sim, não é? Bom, o que eu sei é que essa profissional do Canadá, contratada pela família, sabia que a resposta que ela queria não estava nesses relatórios oficiais. Então, ela precisava procurar por conta própria.
A Renee Russell não estava convencida de que aquilo era um caso isolado, então ela começou a pesquisar mortes de turistas na Tailândia, pelo menos ali naquele período, anos anteriores. Casos parecidos, hotéis parecidos, com relatos vagos e conclusões rápidas, sabe? E quanto mais ela cavucava, ela pesquisava, mais inquietante ela ficava.
muito parecidas com o caso da Noemi e da Audrey. Jovens, saudáveis, em viagem, quase sempre depois de uma noite, sem relato de violência, sem sinais claros de crime. Em muitos desses casos, a explicação oficial era parecida. Mal súbito, intoxicação, algo que deu errado depois de uma noite de festança, mas havia pontos em comum demais para serem ignorados. As vítimas costumavam ser encontradas na cama. Havia relatos de vômito, sangramento discreto,
tenso antes da morte. E quase sempre, as investigações eram encerradas de maneira celere, rapidamente. A Renée passou então a desconfiar de que o problema não estava na comida nem na bebida. Ela começou a olhar pra uma outra coisa insólita, eu diria. Pro ambiente. Então ela voltou aos primeiros relatos do caso da Noemi e da Audrey e reparou em um detalhe específico. Na época, isso pareceu totalmente irrelevante, mas agora, com esse trabalho
se estreitando, fazendo funil, aquilo chamava atenção. Assim que elas chegaram ao hotel, a Noemi e a Audrey, elas tinham... Vocês lembram que eu comentei lá no começo do episódio que a Noemi, principalmente, tinha conferido os lençóis antes de deitar? Eles pareciam que estavam limpos, não é? De fato, eles estavam. Mas, tem sempre o mas, não é? Eu diria que eles estavam limpos até demais, vocês já vão entender. Naquele período, muitos hotéis da região estavam enfrentando surtos de persevejos. E pra lidar com isso, alguns estabelecimentos adotavam métodos
Ilegais e extremamente perigosos. Em vez de chamar a empresas especializadas nisso, né? Eles usavam pesticidas por conta própria nos quartos. Em alguns casos, diretamente nos colchões e nos lençóis. Um desses produtos usados é um gás chamado fosfina. E essa fosfina é altamente tóxica. Ela é usada pra matar insetos e roedores. A exposição pode causar vômito, falência respiratória, danos aos vasos sanguíneos e mortes. E morte, no caso, né?
E o mais importante, ela é difícil de detectar depois que o corpo já passou por um certo tempo. Vai vendo. A Renée percebeu que isso explicava quase tudo. As respostas que ela queria estavam surgindo aí com essa substância. Explicava o sangue nas gengivas, embaixo das unhas, o mal-estar súbito extremo, né? Também o mal-estar que os brasileiros passaram depois, porque eles ficaram no quarto delas um tempo. Só que eles ficaram menos tempo que elas.
questão dos organismos, né? Da particularidade. Cada um reage de um jeito. Mas isso parecia explicar muita coisa, não é? Inclusive, por que que essa substância não apareceu na autópsia secundária lá? Naquela madrugada, os quatro tinham se deitado naquelas camas. Os brasileiros ficaram algumas horas e foram embora por volta das seis da manhã. Eles foram expostos, mas em pequenas quantidades. A Noemi e a Audrey ficaram lá. Elas passaram muitas horas lá.
Não dá pra saber exatamente o momento que elas perderam a vida, mas elas ficaram absorvendo aquilo. E elas, infelizmente,
não resistiram. Essa descoberta da René Russell mudava completamente como todo mundo olhava para o caso, não é? Se a Noemi e a Audrey tinham sido expostas ao gás fosfina dentro do próprio quarto do hotel, então aquilo não era um acidente, um janelamento ali acidental. Era o resultado de uma prática extremamente irresponsável e ilegal. Pulverizar pesticida em colchões e lençóis não é permitido em nenhum lugar. O risco para os seres humanos é conhecido há muito tempo já. Você está colocando ali, caramba, imagina,
Turista ainda, né? Você vai lá na confiança. Às vezes você paga a cara do negócio e fala, não, eu confio aqui. Tem esses FDP que te colocam em perigo, né? Mesmo assim, apesar dessa descoberta dessa patologista, o negócio ficou meio naquele limbo ali. Não andou muito, não. A causa oficial era aquela ainda. Não houve reabertura do caso. Ninguém, nem nenhum hotel, nem nada. Ninguém foi responsabilizado. A explicação da polícia tailandesa era a mesma. Envenenamento acidental por causa de bebida adulterada.
O Dutero precisava responsabilizar essa pessoa também, né? Bizarro, cara. A hipótese da fosfina nunca foi adotada oficialmente. E isso não aconteceu só com a Noemi e com a Audrey, tá? Outras mortes semelhantes, apontadas por Renê durante a pesquisa dela, também nunca foram investigadas a fundo. Em muitos casos, os relatórios foram encerrados rapidamente, sem autópsias detalhadas ou acompanhamento independente. Hoje, mais uma década depois desse caso aí, das irmãs, não é? Continua oficialmente o caso como resolvido.
mesmo sem uma resposta que convença as pessoas que ouviram o relatório da René. O sentimento, na verdade, de abandono. Para a René, o caso expôs um problema muito maior do que duas mortes. E para quem acompanha essa história até o fim, fica a sensação de que algo básico falhou bizarramente. Não foi uma noite que elas se perderam na cachaça. Foi uma escolha irresponsável. Também não podemos dizer que foi falta de sorte. Foi uma combinação de negligência,
Conveniência. Porque pensa, não é, galera? Ninguém pagou por isso. Aí você tá lá, né? Num ponto turístico. Quem que sustenta provavelmente lá toda a região? Turismo, né? Acho que não tem ali os conluios por trás disso. Também fontes na minha cabeça, tá? Mas só se vocês discordarem, comentem aqui. Se concordarem, também comente. Porque assim, imagina, os caras vão falar, não, a patologista lá do Canadá tá certa e acertou e enchei no bumbum da mosca. Ela acertou. Mas agora a gente não
de reconhecer isso, porque assim, não, como que as pessoas vão nos visitar, não é? É meio que um caminho bizarro que faz o efeito reverso, pelo menos na minha cabeça, né? Porque assim, porque se eles assumissem, falaram, não, assim, a gente errou, fizemos um trabalho porco aqui, né, pra reconhecer essas mortes aí, a causa dessas mortes. Ô, dona Renê, por gentileza, vamos reabrir o caso aqui, você passa a ser nosso auxiliar. Cara, você passa muito mais credibilidade pras pessoas, não é? Pelo menos essa é a minha visão, né? Sei lá. Bom, e pra encerrar,
certeza que tem alguém aí do outro lado falando assim, mas e os brasileiros? Olha, galera, eu pesquisei pra caramba sobre esses brasileiros, tá? Pesquisei pra caramba. Não achei absolutamente nada sobre eles. O que eu achei foram posts nas redes sociais, no Reddit, no Facebook, falando que eles eram brasileiros, esses turistas aí. Posts também baseado no vídeo, inclusive que eu usei também aqui como base do meu roteiro do Mr. Balen,
não sei como é que pronuncia o nome dele, com base no vídeo dele, o pessoal tá falando desses turistas aí. Aí aparece lá um nome, Bruno Igay, mas eu achei totalmente, sei lá, se é fantasioso, se esses nomes foram protegidos de alguma forma, preservados, melhor dizendo. Não sei, então eu não consigo cravar aqui pra vocês quem são, se eram de fato, ou se isso foi apresentado aí só pra, enfim, encorpar a cobertura midiática do caso, não é? Não sei, se alguém souber, comenta aqui.
esse caso, galera, ele, assim, falando sério agora, ele é tão bizarro, cara, ele causa uma sensação tão de insegurança, assim, porque ele me fez lembrar o caso do Mike Mansholt. Vocês lembram desse caso? Eu apresentei ele aqui na temporada 2024. Se eu lembrar, eu vou deixar aqui na tela final desse, que é um garoto que foi viajar pra Malta sozinho, era a primeira viagem dele, salvo engano, sozinho, e ele teve uma morte bizarra, sinistra demais.
Se vocês não viram esse episódio, vale muito a pena, porque é daqueles, assim, de tirar o fôlego, porque o jeito que o menino
voltou pra casa depois o corpo dele, não é? Cara, é surreal. Bom, é isso. Comenta aqui pra mim o que você achou do nosso trabalho de hoje. Eu agradeço imensamente o seu companhia. Um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.