Episódios de Vamos aos Fatos

Levou o Namorado ao Mercado Pra Comprar Diesel e Terminar de Queimar Ele

29 de abril de 202626min
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📌 Em março de 2006, dois policiais encontraram um rapaz moribundo dentro de um carrinho motorizado no meio de um supermercado. Ao lado dele, dois galões de diesel. Eles foram embora — e aquele rapaz nunca mais foi visto.Eu e a Ju Cassini investigamos o caso de Sheila LaBarre, a mulher que transformou uma fazenda no interior de New Hampshire em um crematório particular. Ela atraía homens jovens e vulneráveis com promessas de amor, os isolava numa propriedade de quase cinquenta hectares, e os torturava até arrancar confissões falsas de pedofilia — tudo isso gravado em áudio pra ela ouvir depois. Quando terminava, queimava os corpos no quintal.A polícia de Epping foi chamada mais de 150 vezes ao longo de quase duas décadas. E mesmo assim, ninguém conseguiu parar o que tava acontecendo lá dentro. No fim da investigação, restos humanos foram encontrados na fossa séptica, três pilhas de queima espalhadas pelo terreno — e três dedos humanos que, até hoje, não pertencem a ninguém que a polícia consiga identificar.Quantos homens entraram naquela fazenda e nunca mais saíram? É isso que a gente investiga no vídeo de hoje.Se curtir o conteúdo, deixa o like, comenta o que achou do caso e se inscreve no canal pra não perder nenhum vídeo. Tamo na caminhada rumo ao 1 MILHÃO!#MarcosCampos #TrueCrime #SheilaLaBarre-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br

Assuntos1
  • Caso Sheila LaBarreTortura e assassinato · Polícia de Epping · Vítimas de Sheila · Investigação policial · Julgamento de Sheila
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Em março de 2006, dois policiais receberam uma chamada pra ir até um supermercado. Nada demais, aparentemente, a loja tava só tendo um problema com uma cliente que já era conhecida por causar confusão. Só que quando os policiais chegaram, eles encontraram algo que não esperavam. Um rapaz que parecia ter uns 20 e poucos anos, tava largado assim, num daqueles carrinhos motorizados que servem como cadeira de rodas dentro de loja, sabe?

O rosto dele tinha cortes, as mãos estavam cheias de marcas, a pele estava meio acinzentada e uma das mãos estava tão inchada que ele nem conseguia mexer os dedos. No carrinho, dois galões de cinco litros de diesel. Um dos policiais tentou se aproximar e perguntar se estava tudo bem, mas antes que ele pudesse abrir a boca, uma mulher surgiu ao lado dele e disse para ele não responder nenhuma pergunta.

A mulher era loira e falava com uma autoridade que não combinava com a situação. Ela explicou que os ferimentos dele eram decorrentes de um acidente de carro e não tinha nada demais ali. Aí os policiais acompanharam os dois até a saída, viram ele se apoiando em um carrinho de compras porque ele mal conseguia ficar em pé e depois a mulher colocou ele dentro de uma caminhonete. Eles foram embora. O que os policiais não sabiam é que aquele rapaz já estava condenado.

Eu sou Marcos Campos e numa fazenda isolada no interior de New Hampshire, uma mulher fazia seu ritual de anjo vingador. Segundo ela mesma, os homens que entravam lá nunca mais eram vistos. E aí surgem evidentemente perguntas, não é? Como a polícia, mesmo sendo chamada dezenas de vezes, não impediu nada? O que levava essa mulher a gravar áudios das sessões de tortura pra ouvir depois como se fossem músicas favoritas?

E de quem são os três dedos humanos encontrados na fazenda que até hoje nunca foram identificados. É o que a gente vai investigar hoje juntos e com uma presença ilustre de Ju Cassini. Nossa collab garantida de todo ano tá por aqui, então seja muito bem-vindo a esse canal, Ju.

Oi, oi, gente! Eu sou a Juca Cine. Obrigada pela introdução. Marcos, estou muito feliz de estar aqui no canal mais uma vez contando um caso em conjunto com você. Essa história é bem intensa, então sempre um prazer poder estar aqui no canal trazendo casos junto com você. E que venham mais collabs por aí. Vamos aos fatos!

Pra entender essa história de terror da vida real sob várias perspectivas, a gente precisa voltar pra uma cidade pequena lá no Alabama, chamada Fort Payne. Foi lá que a Sheila Kai Bailey nasceu no dia 4 de julho de 1958. A família dela era grande, batista, e pelo lado de fora parecia uma família bem comum. O pai, o Manuel Bailey, trabalhava no departamento rodoviário do estado e a mãe dela, a Ruby, fazia faxina nas casas das vizinhas pra complementar.

a renda. Só que dentro daquela casa, a realidade era completamente diferente. O Manuel era alcoólatra e tinha um temperamento violento que transformava os fins de semana em campos de batalha. Numa noite bêbado, ele virou um aquecedor de ferro fundido no chão da cozinha e começou a jogar comida na esposa e nos filhos.

A família tentou fugir de carro e enquanto eles saiam, Manuel quebrou a janela do veículo, mas ele tropeçou e caiu antes de conseguir alcançá-los. Nessa confusão toda, a pequena Sheila, que tinha 6 anos de idade, foi atingida na mão por uma lata e ficou com uma cicatriz que nunca desapareceu. Naquela noite, a família se escondeu num milharal e caminhou quase 10 quilômetros no escuro até encontrar um lugar seguro.

Além da violência doméstica e psicológica, tinha uma outra camada de terror. Anos depois, a Sheila e a irmã dela, a Lynn, revelaram que o pai delas abusava sexualmente das garotas desde que a Sheila tinha dois anos de idade. E não era só ele. O Manuel trazia outros homens pra casa pra participarem do abuso. A irmã mais velha confirmou todas essas informações décadas depois no tribunal.

O psiquiatra que analisou a Sheila descreveu a infância dela como um ambiente em que as pessoas usavam ela da forma que ela bem queria e não tinha nenhum tipo de proteção ou segurança. Ali, naquele ambiente, existia uma ameaça constante de morte. Apesar de tudo, a Sheila se formou no ensino médio em 1976 e tentou construir uma nova vida. Ela era bonita, carismática, ela participava de concursos de beleza. Ela até tinha o sonho de ser cantora country ou até mesmo modelo.

Em algum momento da vida, ela começou a ter relacionamentos amorosos, mas todos esses relacionamentos tinham um padrão bem perigoso, algo que estava bem impregnado na vida dela. Só pra vocês entenderem, o primeiro casamento da Sheila com um cara chamado John Baxter durou só seis semanas. Isso porque a Sheila trancou a filha pequena dele dentro de um armário e obrigou ela a usar o banheiro em um balde. O John, quando ficou sabendo do que aconteceu, ele terminou o casamento e foi o mais longe possível da Sheila que ele podia.

No começo dos anos 1980, a Sheila tentou se matar. Ela engoliu um vidro inteiro de comprimidos, entrou num carro e dirigiu até desmaiar no volante e bater. Foi levada pro hospital e ficou em coma por mais de uma semana. Quando ela acordou, ela contou uma história que mudaria tudo dali pra frente. Ela disse que tinha morrido e que do outro lado se viu sentada numa mesa com vários homens de barba longa. Um deles, segundo a Sheila, era Deus.

E Deus teria então dito a ela que o trabalho na terra ainda não tinha acabado. E ela precisava voltar e cumprir uma missão, punir pedófilos, matar pervertidos como os homens que tinham abusado dela quando ela era criança. A partir dali, a Sheila passou a se apresentar como um anjo vingador, alguém que tinha recebido uma ordem divina.

Mas isso não aconteceu imediatamente, tá? Levou anos até que isso começasse a se manifestar em violência real. Mas a semente já estava plantada, não é? O delírio, ou seja lá como você queira chamar isso, só cresceu com o tempo.

E isso alimentado por um transtorno esquizoafetivo que seria diagnosticado anos depois, combinado com um transtorno delirante. Mas acontece que junto com a doença existia algo mais, um padrão muito calculado de manipulação e controle que não combinava, digamos, com alguém simplesmente em surto.

Em 1987, a Sheila respondeu um anúncio pessoal colocado por um quiroprático chamado Wilfred Labar, ou Bill, como ele era conhecido. O Bill morava em uma fazenda de quase 50 hectares em uma cidadezinha chamada Epping, que ficava em New Hampshire. Lá ele criava cavalos, ele tinha uma vida bem confortável. A Sheila se mudou pra lá, adotou o sobrenome dele, mesmo sem eles nunca terem se casado, e logo ela já foi tomando conta de tudo.

Então ela cuidava das finanças, do consultório dele, da propriedade. O Bill era mais velho que ela, ele já tinha 70 e poucos anos e ele já tinha se casado duas vezes. Agora, a Sheila, enquanto estava casada com o Wilfred, ela se casou com um outro cidadão jamaicano em 1995.

O nome dele era Wayne Anies, e eles se divorciaram um ano depois. Em 1997, ela conseguiu uma ordem de restrição contra ele, alegando agressão. Só que segundo o Wayne, a história era completamente diferente. Quem agredia ele era a Sheila, e não só isso. Ela pedia pra ele matar o Wilfred pra que ela pudesse ficar com os bens e a propriedade dele. A filha do Wilfred, a Laura, disse que nunca gostou da Sheila, inclusive tentou várias vezes alertar o pai com relação a ela.

Segundo ela, a Sheila era bem estranha e ameaçava atirar contra as pessoas. Em 2000, o Wilfred morreu aos 74 anos. A causa oficial foi natural, mas a família dele sempre suspeitou da Sheila, uma acusação que ela nega até hoje. Com a morte do Bill, a Sheila herdou a fazenda inteira.

Os filhos de Bill tentaram contestar o testamento, mas foram informados de que teriam uma chance de 50% e precisaram desembolsar 50 mil dólares só de custos iniciais. Acabaram então desistindo. A fazenda agora era da Sheila. Ei, seu Wilfred, hein? Sacanagem com os filhos e digamos que...

o primeiro elo da coisa que começa a ficar feia. Depois que tomou posse da propriedade, a Sheila passou a atrair homens jovens pra fazenda dela, geralmente através de anúncios pessoais em serviços de encontro por telefone. A promessa era sempre a mesma, um relacionamento amoroso, um lugar pra morar, uma vida nova. Os homens que ela escolhia tinham um perfil específico.

Quase todos eram jovens, com pouca estrutura familiar, alguns com deficiência intelectual, outros saindo de abrigos ou situação de rua. Gente que não tinha pra quem pedir socorro. O James Brackett, por exemplo, era um homem tímido e tinha um atraso no desenvolvimento.

Ele morou com a Sheila durante seis anos e depois ele testemunhou no tribunal que ele foi agredido por ela durante todo esse período. Os vizinhos mesmo já tinham falado que tinham visto homens saindo da propriedade com uma dificuldade para andar, mancando, parecendo estar machucados. Inclusive, uma detetive local descreveu aquela fazenda como um playground sádico cujos capítulos estavam sendo revelados aos poucos.

A polícia de Epping já tinha sido chamada mais de 150 vezes por conta da Sheila desde quando ela tinha chegado na cidade. Isso foi desde o final dos anos 80. 150 vezes, galera. Sério, vocês têm noção do que é isso? E ninguém conseguiu parar o que estava acontecendo lá dentro.

Michael Delodge era um homem de 37 anos que tinha passado por abrigos e estava procurando um recomeço. A Sheila ofereceu exatamente isso pra ele. Trabalho na fazenda, um teto, companhia de alguém que parecia se importar. E ele se mudou pra lá. E por um tempo as coisas pareciam mesmo funcionar. Só que a Sheila começou a acusá-lo de coisas absurdas. Num episódio documentado, ela acusou o Michael de ter danificado uma charrete de cavalos dela.

Ficou horas gritando com ele, xingando, agredindo, até que ele confessou. Mas confessou o que não fez. Era só pra fazer aquilo parar. Aí ela bateu nele até ele desmaiar. Em julho de 2005, a Sheila deixou o Michael visitar a mãe dele, a dona. E quando a dona viu o filho, ela ficou horrorizada.

O Michael estava muito magro, assustado e completamente diferente da pessoa que ela conhecia. Quando a dona perguntou o que estava acontecendo, o Michael, claramente sob influência da Sheila, acusou a própria mãe de ter abusado dele quando criança. Vai vendo. A dona entendeu na hora que aquelas palavras não eram do seu filho. Logo depois, a Sheila obrigou o Michael a gravar uma confissão forçada dizendo que ele era pedófilo.

Então, o Michael desapareceu. Ninguém mais viu o cara. A mãe do Michael reportou o desaparecimento para a polícia. É claro que ela temia que a Sheila tivesse matado o filho dela. Sem provas concretas, infelizmente, a investigação não avançou. Os restos do Michael só foram encontrados anos depois, em 2008, quando a polícia fez uma busca mais extensa na fazenda.

O que eles encontraram foi um osso, uma cápsula de munição deflagrada e a certidão de nascimento dele. Tudo isso estava dentro de uma fossa séptica na propriedade. Até hoje a gente não sabe exatamente como ele foi morto.

O Kennedy County nasceu em 1981, em Massachusetts. A mãe, a Carolyn Lodge, descrevia o filho dela como um rapaz carinhoso e confiante, mas com deficiência intelectual. O Kennedy tinha passado pelo exército, ele trabalhava fazendo entregas, ele morava com um colega de quarto em uma cidade chamada Wilmington, que também ficava no Massachusetts. Ele conheceu a Sheila em fevereiro de 2006, por meio de um serviço de encontros por telefone.

Eu acho muito engraçado esse serviço por telefone, né, naquela época. E o primeiro encontro dos dois foi no dia dos namorados. A Sheila prometeu amor, prometeu noivado, prometeu uma vida juntos. Em poucos dias, o Kenneth deixou o emprego, deixou o lugar que ele morava e se mudou pra fazenda sem levar a vã que ele tanto amava.

Quase imediatamente depois que o Kenneth chegou na fazenda, a Sheila ligou pra irmã e falou que ele tinha os olhos do demônio e achava que ele era um pedófilo. Nas semanas seguintes, o que aconteceu dentro daquela casa foi brutal. A Sheila submeteu o Kenneth a trabalho forçado, agressões físicas constantes e abuso sexual.

Ela o isolou completamente do mundo. E como ela já tinha feito com o Michael, ela começou a gravar sessões de tortura. O autor do livro sobre esse caso, um cara chamado Michael Benson, dizia que a Sheila gravava os áudios dessas sessões pra ela ouvir depois, depois que o corpo da pessoa já era ossos e cinzas enterrados. Era tipo um prazer sádico mesmo. Nas gravações, ela forçava as vítimas a admitirem que eram pedófilos. Ela continuava aquela tortura até conseguir a confissão que ela queria.

Em 24 de fevereiro de 2006, Carolyn Lodge, a mãe do Kenneth, ligou para a delegacia de Epping, totalmente desesperada. O filho tinha sumido. Ele não atendia o telefone, não aparecia no trabalho. A Carolyn registrou um boletim de pessoa desaparecida e pediu que a polícia fizesse uma verificação de bem-estar na fazenda.

O sargento Sean Gallagher recebeu então a ligação e ele conhecia Sheila, já tinha lidado com ela várias vezes desde 1995. O Gallagher e o detetive Richard Colt foram então até a fazenda naquela mesma tarde. Quando eles chegaram lá e bateram na porta, a Sheila recebeu os dois e disse que o Kennedy tava lá, que tava tudo bem. E de fato o Kennedy apareceu. Naquele momento ele não parecia em perigo imediato.

Pelo menos não de uma forma que os policiais conseguissem agir com base no que estavam vendo. A Sheila explicou a situação com confiança de sempre e os policiais tiveram que ir embora. Mas sempre tem o mas, não é?

Menos de três semanas depois, no dia 17 de março, os mesmos dois policiais, o Gallagher e o Cole, receberam uma chamada do supermercado da cidade. Alguém estava sendo inconveniente lá dentro, e o supermercado já estava tendo problemas com essa mesma pessoa há algumas semanas. Quando os policiais chegaram, eles encontraram uma cena bizarra que deixou todo mundo sem reação. Era o Kenneth, o mesmo rapaz que eles tinham visto na fazenda algumas semanas antes, mas agora ele estava completamente reconhecível.

Ele estava jogado num carrinho motorizado, tipo cadeira de rodas. O rosto dele estava cortado, a pele dele estava cinzenta e as mãos estavam tão inchadas que elas nem funcionavam mais. No carrinho também tinham dois galões de diesel. A Sheila também estava lá, andando pelo mercado com uma câmera descartável e fotografando todas as câmeras de segurança do estabelecimento. Ela dizia que o Kenneth tinha sido agredido lá dentro e que ela ia processar a loja.

Quando o detetive Cole se virou para o Kenneth para perguntar se ele estava bem, a Sheila mandou ele calar a boca. Ela disse que ele não tinha que responder nenhuma pergunta. Os policiais acompanharam os dois até a saída, eles viram o Kenneth se apoiando no carrinho porque ele não conseguia ficar em pé, e depois a Sheila ajudando ele a entrar na van. A mãe do Kenneth processou a polícia de Epping alguns anos depois, mas o processo foi rejeitado em 2010.

Cinco dias depois do episódio no supermercado, na madrugada do dia 24 de março, por volta de uma da manhã mais ou menos, a delegacia de Epping recebeu uma ligação estranha. Era a Sheila. E ela não ligou para pedir ajuda nem para fazer uma denúncia. Ela ligou para tocar uma gravação. Do outro lado da linha, os policiais ouviram a voz do Kennedy County vomitando enquanto a Sheila o acusava de ser pedófilo. E ele, entre engasgos...

confessava o que ela queria. Sheila reproduziu aquilo como se estivesse apresentando uma prova, como se aquela confissão forçada justificasse tudo o que ela estava fazendo. Os policiais ficaram preocupados com a segurança do Kenneth e decidiram ir até a fazenda naquela mesma noite.

Quando eles chegaram, bateram na porta, nas janelas, pros lados ali da casa, ninguém respondeu. Aí eles voltaram pro carro e Gallagher ligou pro promotor assistente do condado pra saber se tinha alguma forma legal de entrar lá. O promotor disse que sim, que ele tinha evidências suficientes ali pra poder fazer uma verificação.

Os policiais voltaram e dessa vez com reforço. Um dos oficiais levou um rifle de patrulha e era só por precaução, não é? Afinal de contas, o rifle estava apontado para o chão, mas eles sabiam o que poderiam encontrar lá. Assim, o Gallagher chutou a porta da frente e entrou.

Ao mesmo tempo, ele ouviu barulho e viu a Sheila caminhando do portão em direção a eles. Ela tinha saído pela frente enquanto eles estavam arrombando os fundos. A Sheila disse imediatamente que o Kenneth não estava ali. Os policiais pediram para entrar na casa, ela autorizou, e ela parecia até bem satisfeita em fazer aquele tour cômodo por cômodo. No porão, eles encontraram tênis que ela disse que era do Kenneth, mas ela não autorizou que eles levassem.

Quando eles saíram da casa, o detetive Cole, ele reparou em um osso bem grande que tava numa pilha de cinzas ali no quintal da casa. Ele perguntou o que era aquilo, a Sheila falou que era só um coelho, que ela costumava queimar coelhos na fazenda. Só que o Cole observou que aquele osso era grande demais pra ter vindo de um coelho. A Sheila ficou agitada e ela soltou uma frase que gelou o sangue dos policiais. Ela disse que aquele osso era ou de um coelho ou de um pedófilo. O Gallagher perguntou por que ela tinha dito pedófilo, do nada.

Ela simplesmente negou ter falado qualquer coisa. Os policiais tentaram pedir pra levar o osso embora, mas ela negou, e aí depois de alguma falação eles foram embora também. O detetive Gallagher sabia que precisava voltar, mas agora com um mandado. No dia 25 de março então, a polícia de Appian e a polícia estadual de New Hampshire chegaram na fazenda com um mandado de busca.

E o que eles encontraram quando chegaram foi uma cena que confirmou o pior. Sheila estava coberta de cinzas e fuligem da cabeça aos pés. Ela correu pra dentro de casa, trancou a porta, e quando abriram a porta na força, a Sheila estava chorando e disse que já esperava que eles viessem. Perguntou se iam prendê-la, os policiais disseram que não, que só queriam conversar e também tinham um mandado ali pra fazer uma busca do lado de fora da propriedade.

A Sheila saiu e caminhou até uma das pilhas de fogueira, de queima no quintal. E ela disse depois que tinha passado a noite inteira acordada queimando um coelho e umas roupas. Enquanto a polícia saía na noite anterior para tentar conseguir um mandado, a Sheila ficou sozinha na propriedade com liberdade total para destruir as evidências. E foi exatamente isso que ela fez. O osso grande e carnudo que o detetive tinha visto no dia anterior já não estava mais lá.

O tênis do Kennedy também tinha sumido. Então, assim, o próprio autor que falou sobre o caso comentou sobre essa questão da Sheila ter sido deixada sozinha na propriedade com liberdade total para destruir qualquer coisa que ela achasse que poderia incriminá-la. O que foi um grande vacilo, né?

Mesmo assim, a busca revelou muito. Os investigadores encontraram três pilhas de queima separadas, um colchão incinerado, fragmentos de ossos humanos e respingo de sangue em vários pontos da casa. Bagagens e objetos pessoais também estavam empilhados ao lado de fogueiras. A fazenda inteira era uma cena do crime.

A Sheila foi levada pra delegacia e interrogada por sete horas. Não confessou nada. Sem confissão e sem provas suficientes naquele momento pra manter a prisão, os policiais tiveram que soltá-la. E aí, ela fez o que todo fugitivo faz quando sabe que a polícia tá fechando o cerco.

Sumiu. A Sheila atravessou a fronteira para Massachusetts e acabou caindo na casa de uma mulher chamada Pam Paquin. Essa mulher aí, ela tinha conhecido poucos dias antes quando deu três coelhos de presente pros filhos da Pam e pagou até o jantar em família pra eles ali. A Pam, que tinha gostado do jeito gentil da Sheila, convidou ela pra ficar nessa noite. Os quatro estavam lá na sala assistindo televisão à noite quando o telejornal local entrou no ar com a notícia de um homem desaparecido de uma fazenda.

em Epping, pertencente a uma mulher chamada Sheila Labai. A Sheila viu a reportagem com todo mundo ali e gritou o nome de Adam. Pam ficou sem entender. Que Adam? A Sheila começou a chorar e começou a confessar a parte da verdade pra nova amiga. Disse que Adam era o namorado dela, mas que ele tinha mudado de nome quando ele foi começar uma vida nova com ela na fazenda.

Era como um recomeço de vida e ninguém em Massachusetts conhecia o Kenneth pelo nome real. A Sheila tinha rebatizado ele como Adam Olympia Labar. E pra Pam, a Sheila soltou uma frase que incriminou muito ela. A Sheila não sabia onde o Adam tava e agora todo mundo ia achar que ela tinha matado ele.

No dia 1º de abril de 2006, cinco dias depois da Sheila ter sido liberada do interrogatório, o mandado de prisão foi expedido. A foto dela, tirada dos registros lá do departamento de trânsito da cidade, saiu na primeira página do jornal local com a manchete.

Mulher procurada por homicídio e incineração. A Sheila tentou se disfarçar, cortou o cabelo, pintou de ruivo, mas não adiantou. No dia seguinte, 2 de abril, depois de uma denúncia anônima, ela foi presa em Rivery, que é uma cidade da região metropolitana de Boston.

A polícia vasculhou a fazenda por três semanas. O que eles encontraram foi devastador. Ossos humanos, várias pilhas de cinza, sangue espalhado pela casa, evidências de que o Kenneth tinha sido esfaqueado até a morte antes do corpo dele ser queimado.

O DNA dele foi identificado a partir dos registros do exército. Vocês lembram que ele tinha passado por lá? A Sheila, por fim, admitiu ter esfaqueado o Kenneth e queimado o corpo depois. Ela também admitiu ter matado o Michael DeLogge. Ela disse que ela tinha queimado os restos dele, mas a forma que ela matou nunca ficou clara.

mas a descoberta mais perturbadora veio de outro lugar. Durante a busca, investigadores encontraram três dedos humanos na propriedade. Eles fizeram algumas análises e o resultado foi bizarro. Aqueles dedos não eram nem do Kenneth, nem do Michael. Esses dedos eram de uma terceira pessoa que nunca foi identificada. Até hoje, nenhuma correspondência de DNA foi encontrada. A Sheila também nunca disse nada sobre isso.

Além disso, testemunhas disseram que viram a Sheila ordenando que vítimas fossem colocadas no porta-malas do carro dela e havia motivos para acreditar que ela mantinha homens em jaulas dentro da propriedade dela. O ex-marido, Wayne Ennis, declarou que a Sheila tentou forçá-lo a participar dos assassinatos. Diante de tudo isso, a pergunta que ficou sem resposta é quantas pessoas passaram por aquela fazenda e nunca saíram?

O julgamento da Sheila aconteceu em maio de 2008. Ele foi no Tribunal Superior do Condado de Rockingham. A Sheila se declarou inocente por insanidade, inclusive o advogado de defesa disse que ela era uma pessoa bem perturbada. Alguns psiquiatras também testemunharam que a Sheila tinha sido diagnosticada com esquizofrenia e transtorno delirante. Um dos psiquiatras, o Roger Gray, também falou sobre como tinha sido a infância dela.

Quando ele falou sobre os abusos que ela sofreu quando ela era mais nova, ela desabou e precisou ser retirada do local. Só que a acusação apresentou o outro lado. Brad Bailey, o próprio advogado de defesa, reconheceu depois que não havia absolutamente nenhuma base na realidade pra qualquer sugestão de que as vítimas dela fossem de fato pedófilos.

Nenhuma. Zero. O delírio era exclusivamente dela. A acusação mostrou as gravações que Sheila fazia ali durante as sessões de tortura, confissões arrancadas sobre dor e medo. Mostrou que Sheila escolhia vítimas vulneráveis com precisão, atraía elas com a promessa de amor, isolava essas pessoas na fazenda e destruía sistematicamente. Isso não era surto, a acusação argumentou.

Era método. Provavelmente ela sentia muito ódio de homem por causa do pai, talvez, e tal, não é? E precisava de um motivo pra matar mesmo. Mesmo que ela mesma inventasse esse motivo.

O júri visitou a fazenda pessoalmente. Eles também visitaram o supermercado onde o Kenneth tinha sido visto pela última vez em público. A Sheila foi junto nas duas visitas e eles colocaram um cinto de choque elétrico nela por medida de segurança. No dia 20 de junho de 2008, o júri decidiu. A Sheila estava sim sã quando cometeu os assassinatos.

Ela foi considerada culpada em duas acusações de homicídio em primeiro grau. A sentença foi de duas penas de prisão perpétua consecutivas sem possibilidade de liberdade condicional. Ela apresentou um recurso em 2010 que foi rejeitado. A Sheila Labarri está presa até hoje na penitenciária feminina de New Hampshire, lá em Concord.

nunca mais vai sair. Michael Deloge foi parcialmente identificado por um moço e uma certidão de nascimento encontrada na fossa séptica de uma mulher que disse que Deus mandou ela matá-lo. Kenneth Count foi identificado pelo DNA que o exército americano guardava dele lá nos arquivos. E aqueles três dedos humanos que apareceram na fazenda durante a busca

nunca foram atribuídos a ninguém. Nenhuma correspondência genética, nenhuma pessoa desaparecida que bata com o perfil. Nenhuma resposta. A polícia de Eppin foi chamada mais de 150 vezes por causa da Sheila Labarri ao longo de quase duas décadas. Naquela tarde de março, dentro de um supermercado, dois policiais olharam para um rapaz de 24 anos, destruído numa cadeira de rodas, ouviram uma mulher mandar esse homem ficar calado e foram embora. Bizarro, não é?

É isso, Abduzidos. Que caso pra lá de insólito bizarro, não é? Até comentei com a Ju quando eu tava trocando ideia com ela pra fazer essa collab aqui que eu acho que isso aqui daria uma temporada de American Horror Story, vocês não acham? Mas é isso. Obrigado pela companhia, galera. Ju, sempre um prazer receber você aqui no meu canal. Considere-se convidada já pra nossa próxima collab anual. Fechou?

Bom, galera, espero que vocês tenham curtido o formato de vídeo, a gente contando casos juntos. Marcos, mais uma vez, muito obrigada pelo convite. Sempre adoro muito essas collabs e agora a gente precisa fazer uma collab no meu canal. Comentem aí outros temas pra gente falar juntos lá. E obrigada a todo mundo que assistiu. É isso, tamo junto. Um beijo do Rui e até a próxima. E aí

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