Caso Ana Luiza: Pistas e Revelações - Precisa de Investigação?
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Marcos Campos
- Caso Ana Luizafeminicídio · relacionamento abusivo · histórico de violência · investigação policial
Foram diversos socos no rosto, no corpo. Ele tentou me matar asfixiada com um cinto.
Depois eu tentei, lutei muito com ele, pela minha vida. Depois disso ele fez um vídeo meu, todo ensanguentado, onde ele fazia com que eu falasse para ele todas as coisas que ele queria ouvir. Ele era extremamente ciumento, possessivo. Ele tinha muito ciúme das minhas redes sociais, porque eu sempre fui uma pessoa muito ativa. Por conta do meu trabalho, eu uso muito as redes sociais e isso era algo que incomodava ele extremamente.
e que foi um dos pontos mais críticos que levou a situação a chegar a esse ponto. Uma mulher no Mato Grosso do Sul viu uma foto numa reportagem ali no celular, parou o que ela estava fazendo, releu o nome e sentiu algo que ela nunca imaginou que sentiria por aquele homem. Algo que mais tarde, inclusive, ela ia admitir em voz alta na televisão, mesmo sabendo que algumas pessoas, por incrível que pareça, iam julgá-la por aquilo.
Graças a Deus hoje estou aqui para contar a história e com vida, mas com esse sentimento ainda de falha, de que eu não consegui levar isso para mais pessoas, para que mais pessoas vissem o rosto dele ou para que as pessoas conhecessem de fato, para que uma fatalidade dessa não acontecesse com outras mulheres.
Mas pra entender por que aquela mulher sentiu o que ela sentiu, a gente precisa começar por outra pessoa. Uma pessoa que aquela mulher nunca conheceu, mas com quem ela divide mais do que gostaria de dividir. Eu sou Marcos Campos e essa história aqui aconteceu recentemente, semana passada, dia 22 de abril de 2026, num condomínio lá na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Uma modelo de 29 anos caiu do 13º andar de um prédio às 5 horas da manhã, mais ou menos. Naquele mesmo horário, ela deveria estar no aeroporto. Tinha uma passagem comprada pra voltar pra casa. Como ela foi parar naquele prédio, então? O que aconteceu nas horas antes da queda? E por que a história do homem que tava com ela naquela noite vai muito além daquele condomínio? É o que a gente vai tentar investigar juntos aqui hoje. Fica comigo, porque essa história é bem pesada.
Se inscreve no canal, deixa um like, um comentário, nem que seja um emoji, se torne membro se puder, toda semana aqui tem vários episódios de crimes reais, tanto nacionais quanto internacionais. Se você gosta do meu trabalho, dá essa moral aí, fechados? Recados dados, vamos aos fatos.
O condomínio Alfa Parque fica na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. É um daqueles prédios onde muita gente aluga apartamento por temporada, sabe? Airbnb, poucos dias, passa e vai embora. No dia 17 de abril, um casal chegou por lá pra se instalar nesses termos. Eles ficaram num apartamento no 13º andar. Ela era da Bahia e ele do Mato Grosso do Sul. Namoravam há cerca de três meses.
Nos primeiros dias, tudo parecia absolutamente normal, mas na noite do dia 21 pra madrugada do dia 22, o que aconteceu dentro daquele apartamento fez os vizinhos, porteiro, funcionários do prédio, se envolverem na situação. O casal chegou ao prédio já discutindo naquela noite. E a briga não parou. Os vizinhos descreveram o que ouviram como uma guerra, gritos, barulho.
Coisa pesada mesmo. A briga foi tão intensa que funcionários do condomínio e vizinhos de outros andares começaram a ligar pra portaria reclamando. Em algum momento da madrugada, o namorado dela saiu do prédio sozinho. Nesse intervalo, os funcionários do condomínio chegaram a orientar a garota a ir embora, se ele voltasse. Até porque já tinha uma passagem de avião comprada pra voltar pra Bahia naquela mesma madrugada.
O embarque era pra ser nas próximas horas, mas aí ela pegou o celular e mandou mensagens pra ele, perguntou onde ele tava, disse que tava preocupada e ele voltou. E o que voltou também foi a discussão que recomeçou ainda pior do que a anterior. Os vizinhos ligaram pra portaria de novo, os funcionários tentaram se articular ali pra intervir de alguma maneira e aí, por volta das 5 e meia da manhã, praticamente o horário em que o voo dela deveria estar decolando, aconteceu a queda.
Há um histórico por trás de tudo isso. Elementos testemunhais, não apenas o porteiro, mas várias outras testemunhas, amigos, parentes, familiares, já anunciavam, já vaticinavam a respeito dessa relação conturbada entre eles.
Ana Luísa Matheus, de 29 anos, natural de Teixeira de Freitas, no sul da Bahia, candidata ao Miss Cosmo Brasil, representando o estado dela, foi encontrada no térreo daquele condomínio, sem vida. Nos minutos seguintes, o namorado dela...
fez três coisas que os investigadores registraram. Ele mexeu no corpo dela, depois tentou sair do condomínio pela porta dos fundos, não conseguiu, apareceu na frente do prédio chorando e começou a tocar o corpo dela de novo. A polícia militar chegou e ele foi preso ali mesmo. Na delegacia, entregou um documento de identidade, só que não era dele, supostamente era do irmão que morava no Paraná. Ele se apresentou com o nome do irmão.
A identidade verdadeira só foi confirmada depois pela perícia. No depoimento, ele negou ter empurrado a jovem, mas repetia o tempo inteiro uma frase, eu sou o culpado, independente de eu ter feito ou não. E no meio dessa frase, que parecia quase uma confissão sem ser confissão, ele xingava Ana Luísa, ofensas pesadas de violência moral e psicológica. O cara tava ali.
com a namorada sem vida, se dizendo culpado e ao mesmo tempo humilhando a garota. Admitiu que o relacionamento era marcado por brigas constantes e que tinha um ciúme doentio da Ana Luísa, da beleza dela, das amizades, das relações que ela tinha com outras pessoas. O nome dele era Andrew Lincoln Ferreira da Cunha, tinha 32 anos, era estudante de medicina e supostamente tinha mais de 20 passagens pela polícia.
Pra entender quem era o Andrew, a gente precisa voltar alguns anos no tempo. Porque o que aconteceu naquele condomínio, na Barra da Tijuca, não foi um surto, não foi um acidente. Supostamente não foi a primeira vez, em março de 2011.
Ele saiu de uma festa universitária em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e teria se envolvido numa confusão. Na fuga, dirigindo sem habilitação, atropelou um policial civil, foi baleado durante a abordagem e acabou condenado a três anos de prisão em regime aberto. Tinha vinte e poucos anos nessa época. Em junho de 2019, a violência chegou dentro da própria família. Alguém muito próximo dele...
um familiar direto teria atirado nele com um revólver durante uma briga. Esse familiar alegou legítima defesa, dizendo que o Andrew tentou invadir a casa dele e que reagiu para se defender. Mas o que ele contou para a polícia naquele dia vai além da briga. Ele disse que o Andrew tinha problemas psiquiátricos e que já tinha sido internado por surto psicótico pelo menos duas vezes. Colegas da faculdade de medicina...
também procuraram a imprensa e disseram que ele era imprevisível e perigoso. Dois alunos chegaram a pedir medida protetiva contra ele dentro da universidade. Mas o capítulo mais perturbador, eu diria, veio em 2025, meses antes de ele conhecer a Ana Luísa. Uma ex-namorada dele, uma consultora de licitações que morava em Campo Grande, foi até a delegacia da mulher e registrou o que supostamente tinha vivido.
O relacionamento durou cerca de três meses. Segundo o relato dela, a primeira agressão aconteceu porque ele viu mensagens no celular dela, mensagens que ela tinha trocado com a mãe do próprio Andrew, pedindo ajuda para lidar com o comportamento dele. Quando ele então viu aquilo, teria espancado ela com socos na cabeça, no rosto e no abdômen. Ela foi atendida com traumatismo craniano em dois pontos.
E aí, segundo ela, ele fez algo que mostra um nível de frieza peculiar. Depois de bater nela, teria levado a jovem para São Paulo e mantido ela lá trancada num apartamento por 15 dias, sem celular, sem contato com ninguém. A lógica era simples.
Enquanto o rosto dela tivesse marca, ela não ia poder sair. Quando as marcas então desapareceram, os hematomas, ele liberou ela. Ainda em São Paulo, teria vindo a segunda agressão. Dessa vez, ele tentou enforcá-la com um cinto. Depois de bater nela de novo, filmou ela ensanguentada e obrigou a mulher a repetir coisas que ele queria ouvir.
O Andrew me sequestrou, me levou para a casa dele e me manteve em cárcere privado por quase 24 horas, proferindo ameaças. Ele tentou me matar. Eu tive traumatismo crâniano no rosto em dois lugares e foram horas de cura e de muito medo.
Durante esse mesmo episódio, ameaçou pular do 14º andar do apartamento. Depois disso, ela conseguiu terminar o relacionamento. Só que terminar com o Andrew não significava necessariamente que ele ia embora. De volta a Campo Grande, ela passou a ser perseguida durante meses. Ele supostamente mandava mensagens para os clientes dela, para esposas dos clientes dela.
dizendo que ela tinha caso com eles. Ela registrou tudo isso, a justiça expediu medida protetiva, ele foi preso e acabou solto. E aí vem um detalhe que conecta essa história com a família inteira. Depois que essa mulher denunciou o Andrew...
Alguém muito próximo dele, o mesmo familiar que supostamente tinha atirado nele em 2019, teria ligado pra ela e ameaçado. Segundo o relato dela, disse que se o Andrew se matasse por causa do relacionamento, ia matar ela, cortar em pedaços e jogar cada parte num canto do país. Ela registrou essa ameaça e conseguiu uma medida protetiva contra esse familiar também. Vai vendo.
Só pra você ter uma ideia do tamanho do rastro que o Andrew deixou, a justiça do Mato Grosso do Sul expediu medidas protetivas contra ele em favor de pelo menos duas ex-namoradas diferentes. Ele tinha mandado de prisão a cumprir mais de 20 anotações criminais, supostamente, respondia também por injúria, ameaça, lesão corporal, estelho equestro...
e cárcere privado. E mesmo assim, no começo de 2026, estava livre, lá no Rio de Janeiro, cursando medicina. O endereço dele já não era conhecido pela justiça, o mandado de prisão estava pendente. Uma lambança generalizada, que como eu já comentei aqui diversas vezes, parece apenas um bolo no forno esperando crescer e ficar pronto, quentinho, esfumaciando.
Não é? Alguém discorda. Ele simplesmente sumiu de Campo Grande e reapareceu no Rio, e foi lá que ele conheceu a próxima namorada. Ana Luísa Matheus era de Teixeira de Freitas, como eu disse, uma cidade lá no extremo sul da Bahia, quase divisa com minas. Trabalhava como maquiadora e vivia entre a Bahia e o Rio, tentando construir uma carreira como modelo. Ela tinha acabado de ser selecionada para representar a Bahia no Miss Cosmo Brasil 2026. Era um passo importantíssimo para ela.
algo que ela estava construindo com muito esforço. Tinha uns 30 mil seguidores nas redes sociais, postava sobre viagens, moda, trabalho e segundo amigos, era o tipo de pessoa que fazia amizade muito fácil. Os dois se conheceram no Carnaval do Rio de Janeiro, no camarote da Marquês de Sapucaí. Ela estava trabalhando para uma revista digital de moda.
E eles começaram então a namorar ali mesmo, no meio da folia. Três meses. Foi o tempo que isso durou. Mesmo tempo que o relacionamento dele com a ex anterior tinha durado antes de explodir em violência. E talvez isso não seja coincidência, não é? Amigos da Ana Luíza contaram depois que nas últimas semanas de vida, ela começou a dar sinais de que algo estava errado ali.
Ela não teria dito abertamente, mas insinuou para pessoas próximas que o relacionamento era abusivo, complicado. E aquilo foi escalando, noite após noite, até aquela madrugada, no andar 13º. Horas depois de ser preso, o Andrew foi encontrado morto na cela da delegacia de homicídios. Ele tinha se enforcado com uma bermuda. A polícia abriu então um inquérito para apurar as circunstâncias disso.
Ele morreu como suspeito. E a investigação sobre esse caso segue aberta, segue em andamento. Mas agora a gente precisa voltar lá pro começo. Todo mundo se lembra daquela mulher que viu a notícia no celular e reconheceu um rosto? Pois é, era a ex-namorada do Andrew, a consultora lá de Campo Grande.
A mulher que ele supostamente espancou, trancou no apartamento por 15 dias, filmou ela ensanguentada e perseguiu por meses. Quando ela viu aquela notícia então, da morte da Ana Luísa e a foto do Andrew preso, ela deu uma entrevista e disse uma coisa que ficou marcada. Disse que, dado tudo que ele fez com ela, sim, sentiu alívio depois de saber que ele tinha morrido.
que era pesado admitir isso, mas que agora finalmente ia poder ter a vida dela de volta, que durante meses viveu olhando por cima do ombro com medo de encontrar a pessoa na rua, no trabalho, em qualquer lugar. Uma verdadeira assombração que durou por muito tempo, e que aquele medo tinha acabado naquela quarta-feira de abril. E aí ela disse uma outra coisa, mais baixo, poderia ter sido eu.
E o padrão tá ali, pra quem quiser ver, não é? Três meses de namoro, ciúme, agressão, cárcere. Com a ex, ele teria tentado enforcar com o cinto e ameaçou o pular do 14º andar. Com a Ana Luísa, foi do 13º. E a Ana Luísa tinha só 29 anos, tinha acabado de ser selecionada pra representar o estado dela e subir um degrau aí nos sonhos que ela tinha de carreira.
Talvez o elo de ironia do destino de toda essa história esteja justamente no fato de que a passagem de avião estava marcada para aquela madrugada. O voo saia às 5 da manhã e ela caiu às 5 e meia. Pois é, caríssimos, o coração tem razões que até a razão desconhece, não é? Creio que as pessoas bondosas de bom coração têm ali aquela chama que tentam enxergar sempre algo positivo. A bondade, nunca a maldade. Sempre achando que...
a pessoa pode mudar, pode melhorar. O Andrew, supostamente, tinha diversas passagens pela polícia. Mandado de prisão a cumprir, medida protetiva de duas mulheres diferentes. Aparentemente, muitas pessoas e muitas instituições sabiam que ele era um perigo ambulante. Mas, apesar disso, ele estava livre, namorando uma outra mulher, hospedado, morando, vivendo, num prédio lá no Rio de Janeiro.
E essa é mais uma história que grita o clichê, não é? Uma vez violento, sempre violento. Parece que faz parte da essência da pessoa. Aí muita gente vai comentar, ah, observem, pesquisem as pessoas com quem vocês vão se envolver. Claro, isso faz parte.
Mas quando você tem do outro lado um Estado que não coloca o peso devido da mão em cima de quem deveria, a gente está à mercê do quê? Todo histórico, todo caso ainda está em andamento sendo investigado, como eu disse, mas se metade disso tudo que foi divulgado corresponde à realidade, nós estamos diante de mais uma falha grotesca de quem deveria proteger pessoas inocentes. Dessa vez foi Ana Luísa. Amanhã será quem?
Agradeço imensamente a sua companhia. Comenta aqui pra mim o que você achou dessa história. Beijo do Ruivo e até o próximo episódio.