A Confissão Chocante de Rex Heuermann: O Serial Killer de Gilgo Beach
📌 O caso chocante do Serial Killer de Gilgo Beach finalmente chegou ao fim. Rex Heuermann, o arquiteto de Long Island, confessou e se declarou culpado pelos assassinatos de pelo menos 8 mulheres entre 1993 e 2011. Neste vídeo conto toda a história: como os corpos foram descobertos na praia, a investigação que durou mais de 10 anos, as evidências que levaram à prisão e o desfecho surpreendente em 2026. Um dos casos mais perturbadores da história criminal americana.-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br📲 Me acompanhe nas redes sociais: @eusoumarcoscampos-------⚠️ Aviso importante:Todo o conteúdo deste canal é baseado em informações públicas, investigações oficiais e reportagens jornalísticas. O objetivo é informar, refletir e promover debates construtivos — sempre com respeito às vítimas, às famílias e à complexidade dos fatos apresentados.
Marcos Campos
- Caso Rex HeuermannAssassinatos em Gilgo Beach · Investigações Policiais · Confissão do serial killer · Evidências e DNA · Impacto nas famílias das vítimas
No verão de 2009, uma menina de 15 anos olhou para o celular e viu o nome da irmã mais velha na tela. Melissa tinha sumido uma semana antes e ninguém sabia onde ela estava. A menina atendeu correndo esperando ouvir a voz da irmã. Mas quem falou foi um homem. Voz monótona, sotaque de Long Island, sem emoção nenhuma.
Ele sabia o nome da menina, sabia como ela era e nos minutos seguintes ele descreveu o que tinha feito com a Melissa, com detalhes que uma menina de 15 anos nunca deveria ter ouvido. No final da ligação, ele disse que matou a irmã dela e desligou.
Esse homem ligou mais seis vezes nas semanas seguintes, sempre do celular da Melissa, sempre de locais lotados em Manhattan, onde não dava pra rastrear. E sempre pra mesma menina. Não ligou pra polícia, não ligou pra imprensa, ele ligava pra uma adolescente, porque o que ele queria não era crédito, era fazer alguém sofrer. E o pior...
Ninguém, absolutamente ninguém ia descobrir quem era esse homem por mais de 13 anos.
Eu sou Marcos Campos, um arquiteto de Nova York matou oito mulheres ao longo de 17 anos e ninguém nunca desconfiou de nada. Então, como um pai de família comum conseguiu esconder uma vida dupla por tanto tempo, por que a polícia levou mais de uma década sem chegar nem perto do suspeito certo? E como é que um pedaço de borda de pizza derrubou o que anos de investigação não conseguiram?
É o que a gente vai investigar juntos no episódio de hoje, então já deixa o seu like, um comentário, nem que seja um emoji. Se torne membro se puder. E vamos aos fatos.
Pra entender esse caso, a gente precisa ir pra madrugada de 1º de maio de 2010. Uma mulher de 24 anos, chamada Shannon Gilbert, estava trabalhando como acompanhante em Long Island, no estádio de Nova York. O motorista dela, um cara chamado Michael Peck, tinha levado ela até uma comunidade fechada chamada Oak Beach, pra encontrar um cliente ali e tal.
Um sujeito chamado Joseph Brewer. A Shannon nunca tinha ido a Oak Beach antes. Nunca tinha visto esse cara aí, o Brewer. Ela chegou lá por volta das duas da madrugada e entrou na casa dele. Beck ficou esperando lá no carro. O motorista, não é? Por quase três horas, tudo pareceu normal. Aí, por volta das quatro e cinquenta da manhã, Shannon ligou pra emergência. E o que o atendente ouviu fez o sangue gelar. Tem alguém atrás de mim. E a Shannon repetia, estão tentando me matar.
A ligação durou mais de 22 minutos. Shana, ora estava coerente, ora não conseguia formar frases. Em certos momentos, só dava para ouvir a respiração pesada e batidas, como se alguém estivesse socando uma porta ou algo do tipo. Em outros momentos, ela gritava.
A atendente perguntou onde ela estava. A Shannon não soube responder. Depois da ligação, Shannon saiu correndo da casa do tal Brewer e começou então a bater na porta do vizinho, de vizinhos na verdade, e implorando por ajuda. Um morador chamado Gus Collett abriu a porta para ela, deixou a garota entrar e ligou para a polícia.
Mas quando ele disse que a polícia estava vindo, a Shanna ficou ainda mais desesperada. Ela levantou e saiu correndo de novo no meio da noite. Ela foi vista pela última vez batendo na porta de uma outra moradora, Barbara Brennan. Ela estava gritando por socorro.
Quando a polícia enfim chegou, quase uma hora depois da ligação original, a Shana Gilbert tinha desaparecido. E aqui, caríssimos, começa a parte que ninguém esperava, tá? A polícia do condado de Suffolk lançou uma busca por Shana. Passaram meses sem encontrar nada. Aí, em 11 de dezembro de 2010, um policial chamado John Malia estava ali fazendo um exercício de treinamento qualquer com o seu canfarejador, o Blue.
Numa faixa isolada ao longo do Ocean Parkway. Uma estrada ali que passa por Gilgubitch. Uma área remota e cheia de arbustos no litoral de Long Island. Do nada o cachorro parou ali. Começou a cavar. Sabe aquele jeito que o cachorro quando ele percebe que tem alguma coisa? Pois é. E ali, enrolados em estopa de camuflagem. Daquele tipo usada pra caça de patos.
não sei se vocês já viram, estavam os restos humanos de alguém. Não eram da Shannon Gilbert, se foi ela que vocês pensaram em primeiro lugar. Dois dias depois, os investigadores voltaram ao local e encontraram mais três corpos, espalhados em um trecho de menos de um quilômetro ao longo da mesma estrada.
Todos enrolados nessa tal estopa aí, nesse... Enfim, todos de mulheres jovens. A polícia tinha ido procurar uma pessoa desaparecida e encontrou um cemitério. As quatro mulheres foram identificadas. Melissa Barthelme, de 24 anos. Maureen Brynard Barnes, de 25. Megan Waterman, de 22. E Amber Lynn Costello, de 27 anos.
Todas trabalhavam como acompanhantes e elas anunciavam os serviços que elas faziam e prestavam no Craigslist. Todas tinham desaparecido entre junho de 2007 e setembro de 2010 e nenhuma tinha conexão entre si. Elas não se conheciam, não eram amigas, nada disso. Elas ficaram conhecidas como as quatro de Gilgo. Mas vai vendo.
Nos meses seguintes, as buscas se expandiram. E o que a polícia encontrou foi ainda pior do que eles imaginavam. Entre março e abril de 2011, mais seis conjuntos de restos humanos apareceram ao longo da Ocean Parkway. E em áreas próximas ali também. Alguns eram de mulheres cujos torsos tinham sido encontrados anos antes em Manorville. E olha só, isso a mais de 60 quilômetros dali.
Em 2000 e 2003, outros eram de vítimas que nunca tinham sido reportadas como desaparecidas. No total, 10 conjuntos de restos humanos foram localizados. Entre eles, uma mulher e sua filha de dois anos, uma criancinha. Havia também um homem vestido com roupas femininas, cuja identidade nunca foi revelada publicamente.
Não se tratava mais de uma mulher desaparecida, né? Tudo começou com aquele desaparecimento que eu conversei, comentei com vocês, melhor dizendo. Então aquilo agora era definitivamente uma investigação gigantesca de um possível serial killer. Mas vocês devem estar se perguntando sobre a Shanna Gilbert, não é?
Em dezembro de 2011, 19 meses depois do desaparecimento, os restos dela também foram encontrados num pântano perto de Oak Beach, a menos de um quilômetro de onde ela tinha sido vista pela última vez. A causa da morte dela foi classificada como indeterminada. A polícia disse que provavelmente ela entrou em um pântano ali, desorientada e morreu afogada.
A família discordou disso. Um legista independente contratado pela família disse que os ferimentos no pescoço da Shanna eram consistentes com estrangulamento. Não de um jacaré, de qualquer bicho aí, mas de um ser humano mesmo. Até hoje, o caso da Shanna Gilbert.
não foi oficialmente ligado aos assassinatos de Gilgobit, mas foi a busca por ela que desenterrou tudo que a gente vai conhecer. Então agora, vamos voltar àquelas ligações que abriram esse episódio. Melissa Barthelme tinha 24 anos, como eu disse. Ela era de Buffalo, no norte do estado de Nova York, e tinha se mudado para o Bronx, querendo ali trabalhar como cabeleireira. Quando o emprego no salão não veio, ela começou a fazer trabalho de acompanhante.
pelo site que eu comentei com vocês, o Craigslist, para pagar as contas. Enfim, dá os rolês dela ali e ninguém dá nada com isso.
12 de julho de 2009, a Melissa disse a uma amiga que ela ia encontrar um tal cliente. Depositou 900 dólares na conta, provavelmente de um encontro anterior, e tentou ligar para um ex-namorado, que não atendeu. Foi a última vez que alguém teve notícias dela. Depois que Melissa sumiu assim do nada, a irmã mais nova dela, Amanda, que na época tinha 15 anos, começou a receber ligações. A primeira veio do celular da Melissa. Amanda atendeu então achando que era irmã, vocês se lembram?
Mas era tal homem, começou a falar coisas estranhas. As igrejações vieram em sete ocasiões ao longo de várias semanas. Cada uma durava menos de três minutos. O homem falava com voz monótona, sem emoção. Amanda descreveu a voz como de um homem branco de meia-idade com sotaque forte de Nova York e Long Island. Ele chamou a Melissa de nomes degradantes.
Disse que fez sexo com ela. Disse que a matou. Na última ligação, no dia 26 de agosto de 2009, ele disse o seguinte. Vou ficar vendo o corpo dela apodrecer. E aí, fez uma última coisa. Disse pra Amanda. Talvez um dia eu vá até aí.
pra te mostrar. A polícia até tentou rastrear as ligações. Todas vinham de locais movimentados em Manhattan. Penn Station, Praça Times, região ali da Madison Square. O cara desligava rápido demais pra localização exata, sabe? Tipo aquelas coisas que a gente vê em filme, que o bandido sabe exatamente, ele fica ali com o cronômetro, a hora que, sabe, o negócio ali da polícia tá quase rastreando, o cara desliga.
Tipo isso, as ligações pararam de vez depois que uma reportagem na TV mencionou a existência dessas ligações. Provavelmente porque o cara ficou com medo de ser identificado, ser rastreado, coisa e tal.
Uma coisa chamou a atenção dos investigadores. Uma das ligações fez com que o celular emitisse um sinal de um local exato, Massapequa, que é um bairro residencial em Long Island, bem longe de Manhattan. Ninguém sabia o que isso significava na época. A investigação dos assassinatos de Gilgobit virou o caso criminal mais discutido de Long Island, no entanto.
Livros foram escritos, documentários foram feitos, teorias sobre o serial killer de Long Island dominaram os fóruns de crimes reais na internet. Mas, sempre tem um mas, o caso empacou. Não foi pra lado nenhum. Ficou ali, recebando, correndo atrás do rabo. Uma razão central. James Burke, o chefe de polícia do condado de Suffolk.
Pois é, ele impediu que o FBI participasse das investigações. Bloqueou a colaboração entre agências. Fechou o caso num, digamos, fio do territorial que deixou as famílias das vítimas possessas de raiva, furiosas. Elas sentiam como, sabe, um abandono ali. Não um abandono, mas um negócio meio velado, estranho. E com razão, porque a polícia...
não levava o caso a sério, não como elas queriam, né? Porque as vítimas, vocês já devem ter inferido aí, eram trabalhadoras do sexo. E como a gente já viu diversas vezes em casos criminais...
essas pessoas via de regra, não sempre, mas boa parte aí, são as vítimas preferidas de serial killers, não é? Justamente pelo fato de que às vezes ninguém vai dar por falta. Em 2015, o Burke, esse cara aí da polícia, foi preso. Não pelo caso de Gilgubit, tá?
Mas por agredir um detento ali e depois conspirar para impedir que o FBI investigasse suas próprias ações. Só depois da saída do Burke é que o FBI finalmente entrou na investigação. Sei lá, aquelas lambanças que não tem muito perna em cabeça, não é? Só acontecem assim, mas felizmente desacontecem a tempo. Ainda assim, o progresso foi lento, tá? Mais de uma década se passou sem nenhuma prisão.
Mas agora eu vou te apresentar uma pessoa. Preparados? Um cara chamado Rex Royerman. Royerman era um sujeito grande, imponente. Um cara, ele era arquiteto de profissão. Trabalhava na região central ali de Manhattan. Projetava construções, renovações, prédios. Ele morava em Massapequa. Eu nem sei se é assim que pronuncia, tá? Mas...
Ele morava lá nesse lugar, a Sapequa Park. Um subúrbio tranquilo de Long Island, com a esposa dele de boa aça, a Asa Ellerup. E tem mais, tá? Dois filhos. Os vizinhos descreviam ele como um cara muito quietão, reservado, extremamente inteligente. Do lado de fora, o Rex Hoyerman era um pai suburbano ali, como qualquer outro, né? Passava batido, apesar do porte. Do lado de dentro, no entanto, era outra coisa, tá?
Em fevereiro de 2022, o novo comissário de polícia do condado de Suffolk, o Rodney Harrison, fez algo que deveria ter sido feito muito antes, tá? Ele criou uma força-tarefa multiagência dedicada única e exclusivamente pro caso Gilgobitch. Não sei se era única e exclusivamente, mas dedicada lá pro caso, tá? FBI, Polícia Estadual de Nova York, Departamento do Xerife, do Condado, todo mundo...
Na mesma página. Agora sim, né? Mas já faz tempo, hein? O negócio começou lá atrás. Bom, seja como for, em março de 2022, um nome apareceu pela primeira vez na investigação oficial do Gilgobit. Rex Hoyerman. Aqui talvez esteja, claro, um dos principais elos dessa corrente criminal que durou tanto tempo. Os investigadores tinham uma pista antiga.
Pois é, o elo que estava perdido, não é? Uma testemunha que viu o suspeito dirigindo uma caminhonete verde quando o Emberlin Costello desapareceu lá em 2010. Você se lembra desse nome que comentei, que era uma das vítimas lá de Gilgo? Pois é, a força-tarefa então cruzou registros de veículos
e descobriu que uma Chevrolet Avalanche verde estava registrada no nome do irmão do Reuerman e que Reuerman dirigia esse veículo. Aí começaram a puxar o fio da meada, não é? O celular pessoal do Reuerman emitia sinais de torre de celular
Nos mesmos locais e horários que os telefones descartáveis usados para contatar três das quatro de Gilgobit. Antes do desaparecimento delas, evidentemente. Hoyerman morava lá em Massapequa. O mesmo local de onde saiu aquele sinal estranho durante as ligações para o celular da Melissa Barthelme. Você se lembra? Ele trabalhava no centro de Manhattan. Exatamente a área de onde as ligações sádicas, digamos. Podemos dizer, acho que com...
certa tranquilidade, foram feitas para Amanda, garotinha de 15 anos. Vocês estão ligando todos os pontos aí, galera? São muitas coisas, é um caso gigantesco, com muitas. Tentei fazer da melhor forma possível para não ficar nenhuma ponta solta, mas também não ficar, meu Deus.
gigante. Mas vai vendo, Royerman correspondia à descrição física do suspeito que foi dito lá, vocês lembram? Um homem branco, meio idade, voz monótona, sotaque de Long Island. Aqui eu tava até lendo aqui, né? Estou estudando o caso e me fez até lembrar.
Do Trinity. Quem se lembra do Trinity? Comenta aqui pra mim. Do Dexter. Mas continuando aqui. Além de tudo, né? Dessa descrição. Homem branco, tal. Meia idade. Ele era um cara grande. Corpulento. E as vítimas eram todas mulheres pequenas e magras. Mas os investigadores ainda precisavam de uma coisa mais contundente. Não só essas descrições aí. Poderiam ser fruto aí de... Como é que fala? Lembrança criada, etc. E tal. Tem isso também. Tem que tomar cuidado. Eles precisavam de um DNA. E aqui?
Entra um pedaço de pizza. Quem gosta de pizza, hein? A Força Tarefa. Aqui eu diria que terminou em pizza, mas pro lado bom, tá? A Força Tarefa montou uma equipe de vigilância em Manhattan, tá? Eles seguiram o Royerman durante o expediente de trabalho dele. E numa determinada ocasião, eles viram ele sair do escritório e jogar uma caixa de pizza num lixo, ali da calçada da rua ali mesmo. Com restos de borda de uma pizza que ele não comeu. Os policiais correram até o lixo, pegaram a caixa.
Mandaram para o laboratório. O DNA extraído da tal borda de pizza bateu com o DNA de um fio de cabelo encontrado no fundo de uma... Daqueles sacos lá de estopa, sabe? Que estavam usados, que foram usados, melhor dizendo, para envolver o corpo da Megan Waterman. Uma das quatro de Gilgo. Cabelos da ex-esposa e da filha de Harriman também foram encontrados em algumas das vítimas.
provavelmente transferidos a partir da casa de onde ele vivia. Aquela questão do DNA... Tem um termo aí agora que eu não vou lembrar. É a transferência de DNA secundária. Bom, a estratégia da força-tarefa era clara agora. Não deixar a Heuermann desconfiar de nada, que ele estava ali na mira dos caras, até o momento da prisão. Até a Federal bater às seis da manhã lá na casa dele. Estou de brinques. O promotor Raymond Tierney...
Explicou depois o seguinte, a gente queria que a única pessoa que importava o assassino achasse que estava tudo de boa, tudo normal, que ninguém fazia ideia que era o Trinity, não, o Royerman. Mas vai vendo, em 13 de julho de 2023, agentes prenderam Rex Royerman perto do escritório dele lá em Manhattan. Ele foi acusado então dos assassinatos de três das quatro de Gilgo, Melissa Barthelme, Megan Waterman e Amberlynn Costello.
A polícia o classificou como o suspeito principal no assassinato da quarta mulher, a Maureen Brenard Barnes. No dia seguinte, então, da prisão, o Heuermann apareceu no tribunal, se declarou inocente e chorou. O advogado de defesa, o Michael Brown, disse à imprensa o seguinte, a única coisa que ele disse em lágrimas foi, eu não fiz isso.
Quando os investigadores entraram na casa de Hoeyerman em Massapequa Park. Espero que seja assim que pronunciei isso. O que eles encontraram foi perturbador, tá galera? Dezenas de milhares de páginas de material foram apreendidas lá. No porão, num disco rígido dele lá de computador, eles acharam um documento Word.
Um arquivo criado no ano de 2000 e modificado ao longo dos anos seguintes. O título interno do arquivo era HK2004. 04, melhor dizendo. Estava no espaço não alocado do disco. A área onde ficam dados que o usuário deletou.
Pois é. Cara, você acha que a investigação é uma parte de TI? Os caras não tem como. Promotores chamaram esse documento de blueprint, planta, esquema, porque era exatamente isso, um manual de como matar escrito por um arquiteto.
O documento tinha quatro colunas. A primeira era problemas e o item número um dessa lista era DNA. A segunda era suprimentos, incluindo luvas, redes de cabelo, scanner policial. A terceira era rotulada de DS, que segundo os promotores significa local de despejo. E a quarta era TRG, alvo. Na coluna de alvo, uma anotação dizia o seguinte, pequena é bom.
consistente com o perfil das vítimas, não é? Todas mulheres pequenas e magras. Ou seja, um sádico, covarde e meio burro, né? Mas assim, falaram que ele era inteligente, né? Mas eu tava pensando aqui, né? Ele listou que um dos problemas que ele poderia ter pra camuflar todos os crimes era o DNA. Olha que ironia do destino, né, galera? Porque foi justamente o DNA que derrubou ele, que fez ele cair, mas num lugar que ele não fazia a menor ideia, que ele não esperava, na borda de uma pizza.
Mano, vai vendo. O documento também tinha sessões de pré-preparação, tá? Preparação e pós-evento. Cara meticuloso. Na pré-preparação, tinha ali inspeção do veículo, previsão do tempo, reconhecimento de câmeras de vigilância. Na preparação, tinha lá montar o palco. No pós-evento, trocar os pneus, queimar as luvas, ter uma história pronta. Queimar o palco.
Exalgo isso, né? Tipo o Dexter mesmo, né? Só que o Trinity não era que nem o Dexter. Muito embora o Dexter tenha ficado fã do Trinity. Não fã, né? Mas meio bitolado. Inclusive foi isso que fez ele desandar, né? Mas enfim, não é o Dexter que é o assunto. Olha só, galera. Uma das anotações desse cara aí, do Royerman, dizia o seguinte. Som viaja. Um lembrete pra se preocupar com barulho. Outra coisa dizia ali. Considerar golpe no pescoço da próxima vez.
Na sessão de preparação de corpo, instruções sobre remover cabeça em mãos e destruir marcas de identificação como tatuagens. Cara, vai vendo. Detalhes que batiam exatamente com o estado em que algumas das vítimas tinham sido encontradas.
Jessica Taylor, por exemplo, foi achada decapitada, com os braços cortados e uma tatuagem no corpo severamente obliterada, sabe, por um objeto cortante ali. O promotor Tierney disse que nunca tinha visto nada parecido. Eles encontraram também no escritório do Royerman, lá em Manhattan.
Duas revistas guardadas, uma edição de 2016 da People com a manchete A Caça ao Cereal Killer de Long Island, na capa ali, sabe? E uma edição da revista New York do mesmo ano com a matéria de capa sobre os assassinatos. Ele acompanhava toda a cobertura do próprio caso e meio que sentia um prazer ali, não é? Meio que evidente isso, para o cara guardar as revistas.
E tinha mais, uma coleção extensa de pornografia, de tortura nos dispositivos dele. O Reuerman usava o pseudônimo Thomas Hawk para se comunicar com dezenas de trabalhadoras do sexo e para acumular esse material. As acusações foram se empilhando conforme a investigação ia avançando. Em janeiro de 2024, o Reuerman foi formalmente acusado pelo assassinato da Maureen Brenard Barnes, que é a quarta do grupo original das quatro de Gilgo.
Em junho de 2024, então, veio a acusação pelos assassinatos da Jessica Taylor, de 20 anos, desaparecida em 2003, e Sandra Costila, de 28 anos, cujos restos foram encontrados em 1993, mais de 30 anos antes.
Em dezembro de 2024, a acusação pelo assassinato de Valéry Mack desaparecida em 2000, um padrão que se repetia em todos os casos. A esposa e os filhos do Royerman estavam sempre fora do estado nos dias em que cada vítima desapareceu.
Ele esperava ficar sozinho em casa pra agir. Cara, que louco isso, né? Muito provavelmente era o gatilho do cara. O fato de ele ficar sozinho meio que dava ali aquele pensamento que tem acho que até um cunho meio sexual por trás disso, né? Não sei, coisa da minha cabeça, né, galera? Se tiver algum psicólogo forense aí nos assistindo, por gentileza.
comente aí, vou fixar seu comentário, porque me parece isso, né? O cara se via numa situação ali sozinho, opa, agora eu tô sem nenhum vigia aqui, posso fazer o que eu quiser, e meio que dava aquele negócio, né? Estranho demais. Bom, a defesa do cara contestou as provas de DNA, tá? Chamando os testes de genoma completo de mágica, argumentando que o laboratório não era licenciado no estado de Nova York, que é blá blá blá técnico de juridiquês pra tentar alguma coisa, né?
Mas em setembro de 2025, o juiz Timothy Mazzei decidiu que as evidências de DNA eram, sim, admissíveis, marcando, então, a primeira vez que esse tipo de teste era aceito num tribunal. O julgamento estava marcado para setembro de 2026. Mas aí, aconteceu uma outra coisa.
Dia 8 de abril de 2025, exatamente mil dias depois da prisão, Rex Hoyerman, de 62 anos, entrou no tribunal do condado de Suffolk, em Riverhead, de terno ali escuro, mãos agemadas nas costas. A sala estava lotada, famílias das vítimas, policiais, imprensa. Aí o promotor lá, o Tierney, começou a confirmar os fatos com Hoyerman.
vítima por vítima, e em ou por volta de 6 de julho de 2010, você encontrou Megan Waterman, ele perguntou, com a intenção de causar a morte dela, e causou a morte dela? Ele reforçou a pergunta. O Royerman respondeu.
Sim. Você matou cada vítima da mesma maneira, ou seja, por estrangulamento? Ele. Sim. Vítima por vítima, a mesma resposta. Sandra Costilha, 93. Karen Vergata, 96. Valerie Mack, 2000. Jessica Taylor, 2003. Maureen Barnes, 2007. Melissa Barthelme, 2009. Megan Waterman, 2010. Amber Lynn Costello, 2010.
Oito mulheres, 17 anos. Royerman confirmou que estrangulou todas elas. Que amarrou cabeças e pernas de algumas. Que embrulhou os corpos nas estopas lá e tal. E que os despejou em Gilgubit. Que desmembrou algumas das vítimas. E enquanto ele falava, sem nenhuma emoção, a ex-esposa Asa Ellerap e também a filha Vitória estavam sentadas ali na última fileira. E elas estavam ali, segurando as mãos uma da outra.
apertando lenços de papel. Mil dias antes, ele tinha chorado e dito que não fez nada. Agora, com a mesma calma com que apresentava um projeto de arquitetura a um cliente, ele descreveu oito assassinatos. O advogado de defesa, o Michael Brown, explicou depois que chegou um ponto em que o Rex disse eu quero me declarar culpado. O Brown disse que Heuermann queria poupar as famílias das vítimas do sofrimento de um julgamento e poupar a própria família também.
Cara, muito louco isso, né? A mente do cara completamente. Mas lembra que eu comentei sobre o comportamento dele? Aquelas ligações pra Amanda, Bartelme. Não eram pra se gabar, tá? Não eram pra desafiar a polícia. Eram pra fazer uma adolescente sofrer, como eu disse. Literalmente. O Royerman não queria um palco. Ele queria controle sobre a situação.
E se declarar culpado nos termos dele, na hora que ele queria, era uma última forma de controle que ele podia exercer. Aí vocês estavam pensando que ele tinha de alguma forma, né? Alguma compaixão, uma empatia, coisa e tal. Na verdade, era só o egocentrismo dele, né? O narcisismo dele aflorando ali uma última vez, prestes a ser... Enfim, vamos ver o que aconteceu. Mas tem mais um detalhe aí, tá?
Sabe a oitava mulher, a Karen Vergata? Então, ele admitiu ter assassinado ela, a oitava vítima dele no esquema todo aí, né? Como parte de um acordo de confissão, tá? Porque ainda ele não tinha sido formalmente acusado por esse assassinato aí. A Karen, ela tinha 34 anos, era acompanhante em Manhattan e ela desapareceu em 96, como eu disse. Os restos parciais dela foram encontrados em Fire Island em abril de 96. E mais restos apareceram perto de Gilgo Beach em 2011.
Em troca dessa confissão, o Royerman não será processado pelo assassinato da Karen. Também concordou em cooperar com a unidade de análise comportamental do FBI, ajudando a identificar padrões de outros serial killers. A sentença, no entanto, está marcada para 17 de junho de 2026 agora. Prisão perpétua sem possibilidade condicional, com toda certeza. Três sentenças de prisão perpétua consecutivas, seguidas de quatro penas de perpétua com possibilidade condicional.
Enfim, é só um monte de coisa jurídica aí. O que quer dizer no frigir dos ovos é que o cara vai morrer atrás das grades, né? Depois dessa audiência aí, o promotor Tierney pediu desculpas às famílias das vítimas pelo tempo que a investigação levou. A irmã de Maureen Barnes, a Melissa, falou com a imprensa, tá? Ela disse... Pra cada família que ainda está procurando, ainda esperando, ainda se segurando, por favor, não desistam.
A ex-esposa do assassino disse que nunca quis acreditar que o homem com quem foi casada por 27 anos, o pai da filha dela, fosse capaz dessa atrocidade. E ainda disse, Rex Heuerman e somente Rex Heuerman é responsável por esses crimes.
Cara, é incrível como isso se repete, né? Porque lembra aí o BTK, não é? Também viveu um tempão ali. Dizem que ninguém fazia a menor ideia, né? Mas enfim. E pra fechar, galera, vocês lembram da Amanda? Pois é, né? Nem comentei lá na hora que eu tava descrevendo isso, mas parece que ela acertou no alvo, né? Quando ela descreveu o cara. Falando que era um homem meia-idade, aí branco, tal. Voz monótona, sem emoção.
Parece que ela tava lendo o manual do cara. Quinze anos depois disso, então, em abril de 2026, o Rex Reuerman se levantou num tribunal ali e descreveu, uma por uma, como matou as oito mulheres exatamente assim. Mas monótona, de boaz. Mesmo tom, sem emoção, mesmo jeito de falar. Como se ele estivesse ali listando etapas. Como se ele estivesse ali listando um projeto matemático arquitetônico. No final das contas, a Amanda tava certa, né? Sempre esteve.
É isso, agradeço imensamente a sua companhia, não esquece seu like, seu comentário, nem que seja emoji, é muito importante. Um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.