36 segundos depois de discutir com a polícia… ela estava baleada
📌 Na madrugada de 3 de abril de 2026, Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, caminhava de mãos dadas com o marido por uma rua de Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo. 36 segundos depois de uma viatura passar por eles, ela estava no chão com um tiro no abdômen. A PM diz que ela agrediu a policial. Testemunhas e câmeras contam outra história. Neste vídeo, apresento os fatos, as versões e as imagens que contradizem o boletim de ocorrência — onde a policial que atirou foi registrada como vítima.-------📧 Contato comercial: contato@mpcampos.com.br📲 Me acompanhe nas redes sociais: @eusoumarcoscampos-------⚠️ Aviso importante:Todo o conteúdo deste canal é baseado em informações públicas, investigações oficiais e reportagens jornalísticas. O objetivo é informar, refletir e promover debates construtivos — sempre com respeito às vítimas, às famílias e à complexidade dos fatos apresentados.Escrito, gravado e editado por Marcos CamposFONTES:Ponte Jornalismo (mais completa, com relatos exclusivos de testemunhas e da advogada)https://ponte.org/morte-thawanna-versao-pm-contestada/Metrópoles (vídeo da câmera de segurança com áudio da discussão)https://www.metropoles.com/sao-paulo/mulher-reclamou-antes-morrer-tiro-pmCartaCapital (resumo jornalístico equilibrado do caso)https://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-que-se-sabe-e-o-que-falta-esclarecer-sobre-a-morte-de-uma-mulher-em-acao-da-pm-na-zona-leste-de-sp/Agência Brasil (confirmação oficial da investigação do MP)https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-04/mp-de-sao-paulo-vai-investigar-morte-de-mulher-baleada-pela-pmSBT News (entrevista com Luciano, marido da vítima)https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/marido-foi-impedido-de-se-aproximar-do-corpo-da-esposa-morta-por-pm-em-spReportagem da Rede Globo
Marcos Campos
- Morte de Alireza TangsiriVersão oficial da polícia · Depoimento do marido · Demora no socorro · Protestos da comunidade · Investigação do caso
36 segundos. Esse foi o tempo entre uma viatura da polícia militar passar por um casal que estava caminhando numa rua da periferia de São Paulo e uma mulher levar um tiro no abdômen. Essa mulher estava voltando pra casa de mãos dadas com o marido e isso era uma sexta-feira por volta das três da madrugada.
A versão oficial diz que a Tauana agrediu uma policial. O que aconteceu? A gente estava passando aqui e o retrovisor pegou um cara lá e eles vieram para cima da viatura. Aí a Fox desembarcou, quando desembarcou foi para cima dela, deu um tapa na cara dela e estava continuando para cima dela e ela chorou.
Mas testemunhas contam outra história e o colega da policial que atirou perguntou pra ela. Tirou? Você atirou nela? Você atirou na minha pessoa? A resposta? Por que? Na minha cara. Bateu uma...
Eu sou Marcos Campos e esse caso aqui expõe versões completamente opostas sobre o que teria acontecido naqueles 36 segundos. Por que Tauana ficou tanto tempo no chão aguardando socorro enquanto moradores supostamente tentavam ajudar e foram impedidos? Por que no boletim de ocorrência oficial quem atirou foi identificada como vítima? De um lado, a versão da polícia militar. Do outro, a versão do marido, de testemunhas e de imagens que contradizem esse boletim de ocorrência.
Este é um vídeo com conteúdo baseado exclusivamente em reportagens publicadas pela imprensa até o dia 9 de abril de 2026. O caso está sob investigação pelo Departamento de Homicídios, a DHPP, Inquérito Policial Militar e pelo Ministério Público de São Paulo. As versões apresentadas são as divulgadas até o momento, ok? As fontes estão na descrição desse vídeo.
O objetivo aqui é relatar, até porque minha única visão sobre tudo isso que aconteceu, com base nessas versões, é de uma desinteligência completamente lamentável que tirou uma vida e destruiu, de muitas formas, direta e indiretamente, outras. Tô falando, socorre minha mulher, minha mulher tá morrendo, mano, pelos gritos dela. Eu vi que a voz dela tava ficando mais... Ela tava perdendo a força também porque ela tava gritando. Ela ficou fazendo esforço pra poder pedir socorro. Os meus amigos queriam socorrer ela.
Não faz força, fica de boa, já vai chegar o resgate. Cadê o resgate? Moço. Reitera o resgate pra Edmund Aldran. Já se inscreve no canal pra ficar por dentro de tudo que está acontecendo no universo de True Crime. Deixa um like, um comentário, nem que seja um emoji. E vamos aos fatos.
Vou começar então pela versão oficial, que consta diretamente no boletim de ocorrência registrado pelos policiais envolvidos. Segundo o documento, os policiais militares estavam em patrulhamento pela rua Edmundo Aldran, quando avistaram um casal caminhando com os braços entrelaçados no meio da rua.
Os agentes registraram que o casal apresentava supostos sinais de embriaguez. Ao passar por eles, segundo a versão policial, o homem, identificado como Luciano Gonçalves dos Santos, marido da Tauana, se desequilibrou e seu braço bateu no retrovisor direito da viatura.
A equipe policial relata que retornou ao local para verificar se estava tudo bem com o indivíduo. Nesse momento, segundo os agentes, Luciano começou a gritar e reclamar com a guarnição, desobedecendo ordens para se afastar. O boletim de ocorrência registra que quando a viatura parou, se iniciou um desentendimento e que a policial feminina desembarcou da viatura, momento em que a mulher que acompanhava o indivíduo foi para cima da policial. A soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos,
Autora do disparo, declarou em depoimento que Tauana invadiu seu espaço pessoal e desferiu tapas, um deles no rosto. Yasmin afirmou que foi necessário um emprego de força para cessar a agressão e garantir a segurança da equipe e dos envolvidos. Esse é o registro oficial do caso. Mas como eu disse no início, preciso apresentar para vocês também a versão do marido e das testemunhas.
Luciano Gonçalves dos Santos, servente de pedreiro de 37 anos, conta uma história completamente diferente. Segundo seu depoimento, ele e tal Ana estavam voltando da casa de um amigo quando eles viram uma moto passar em alta velocidade pela rua, perseguida por duas viaturas. Pouco depois, uma terceira viatura passou muito próxima ao casal. Nas palavras do Luciano ao portal Ponte Jornalismo, A viatura veio pra cima de mim.
De propósito, passou tirando fina da gente e o retrovisor pegou no meu cotovelo. Na hora, fez até barulho e a minha mulher questionou por que estavam fazendo isso. Segundo o Luciano, a viatura então voltou de ré. Ele relata que a policial Yasmin desceu da viatura xingando e agredindo sua companheira. Ela já chegou chutando a minha mulher e dando tapa na cara.
Em momento algum, a tal Ana agrediu primeiro e jamais chegou perto da arma da policial. A advogada da família, Viviane Leme, afirmou ao portal Ponte também que assistiu as imagens da câmera corporal do soldado Éden Silva Soares que conduzia a viatura e usava o equipamento. Segundo essa advogada, foram só 36 segundos do momento que a viatura passa por eles até o disparo. Um detalhe importante, a advogada afirma que nas imagens é possível ouvir o soldado Éden orientado.
tentando Yasmin para não descer do veículo. Nas palavras da advogada Viviane, o policial parceiro da Yasmin ainda fala não desce e mesmo assim ela desce. A advogada descreve ainda o que viu nas imagens. Ela desce da viatura já dando chute, não teve nenhum tipo de abordagem ou conversa com a Tawana, que tentou se defender e tomou o tiro. O portal Folha de São Paulo conversou com quatro moradores da rua de Mundo Aldran.
Dois afirmaram ter visto a agressão e o tiro. Outros dois disseram que ouviram a discussão e viram a movimentação logo após o disparo. Policial todo despreparado. Tem que vir polícia não, tem que vir resgate, isso sim.
Uma testemunha que preferiu manter a identidade preservada relatou ao portal jornalístico Ponte o seguinte. A viatura passou devagar e quando chegou ao lado deles, jogaram o carro pra cima. A tal Ana falou, vai atropelar mesmo? Foi quando eles deram ré e a policial Yasmin saiu toda alterada, xingando a menina de vagabunda. Essa mesma testemunha que disse isso descreveu ainda na sequência. Depois, a policial deu um murro nela e um chute nas partes íntimas.
A tal Ana se agachou, mas conseguiu levantar e deu um tapa na mão da Yasmin, que ainda não estava segurando a arma. Depois desse tapa, a policial deu um passo pra trás, sacou a arma e atirou. Bom, essas são as versões apresentadas, a oficial e essa das testemunhas. Mas temos também as imagens de câmeras que registraram toda a ocorrência. Há três tipos de registro visual desse caso, tá? Uma câmera de segurança da rua, a câmera corporal do soldado Éden, parceiro da Yasmin.
e vídeos gravados por moradores após o disparo. A câmera de segurança da rua Edmundo Aldran registrou imagens às 2h50 da madrugada. O vídeo mostra Tauana e Luciano caminhando ali pela rua, de mãos dadas. Minutos depois, uma viatura da PM passa pelo local. A partir desse ponto, o casal sai do enquadramento da câmera, mas o áudio continua captando. É possível ouvir parte da discussão. Em um trecho audível, Tauana diz...
Então uma voz feminina, que seria da policial, responde. A discussão escala pra gritos. Luciano pergunta. Segundos depois disso, então, vem o disparo.
A câmera corporal do soldado Eden registrou imagens às 2h58. O vídeo mostra o Eden dirigindo a viatura. Ao lado dele estava a Yasmin, que não usava a câmera corporal. Segundo a PM, porque havia ingressado recentemente na corporação com aproximadamente três meses de experiência em patrulhamento. O vídeo captou o momento em que o retrovisor atinge o braço do Luciano.
Em seguida, o Éden para o carro, engata a marcha ré e se dirige ao casal com palavras agressivas.
Luciano então responde usando a expressão, o Steve, que é uma gíria comum expostamente para se referir a policiais fardados. O agente rebate, Steve é o, tal Ana intervém. Não, não, com todo respeito, vocês que bateram em nós. Nesse momento então, segundo descrição da advogada que viu as imagens, Yasmin desce da viatura mesmo após o Eden orientar que não descesse como a gente viu.
O áudio capta a Tauana pedindo que a agente não apontasse o dedo na sua direção. Em seguida, vem o disparo. E é importante registrar, as imagens da câmera corporal do outro soldado não mostram diretamente o momento do tiro, mas captaram o áudio e toda a movimentação. Após o disparo, um vídeo de câmera corporal mostra, a gente pode ouvir...
O colega da Yasmin questionando, você atirou? Você atirou nela por quê? E a policial responde, me dê um tapa.
Imagens subsequentes mostram a chegada de outra viatura por volta das 3 horas. O soldado Eden relata os acontecimentos aos colegas, mas o resgate só chegou às 3h30, aproximadamente 30, 40 minutos após o disparo. E aí entramos num ponto em que as pessoas estão se questionando, que é a demora do socorro. Este é um ponto que todas as fontes, família, testemunhas e até as imagens confirmam. Houve demora significativa no socorro da Tauana.
Luciano relata que após o disparo, ele tentou se aproximar da esposa, mas foi impedido pelos policiais. Ela, entre aspas, pedia socorro e eu ouvi que a voz dela estava diminuindo, indo embora. Estou falando socorro e minha mulher, minha mulher estava morrendo, mano, pelos gritos dela. Eu vi que a voz dela estava ficando mais... Ela estava perdendo a força também porque ela estava gritando. Ela ficou fazendo esforço para poder pedir socorro.
Ele descreve a situação, eu fiquei de frente pra ele, pro policial, pedindo pra socorrer a minha mulher, porque fiquei com medo de ele atirar em mim se eu me virasse de costas. Quando criei coragem pra tentar passar pela barreira de PMs e ir até ela, o policial engatilhou a arma e disse, se pular, você vai tomar. O empreiteiro Israel Campos, de 48 anos, morador ali da rua onde a Tauana foi baleada, relatou ao portal Folha de São Paulo.
Eu saí de casa e fui em direção a ela, mas o policial apontou a arma e falou, se vier, vai tomar. É indignante ver uma pessoa agonizando e não poder fazer nada. Vídeos gravados por moradores, divulgados pela imprensa, mostram a Tauana caída ali no asfalto sangrando, enquanto policiais estavam ao redor. Em uma das imagens, é possível ver um policial apontando uma arma, aparentemente um fuzil pra vítima ali no chão.
Segundo o Portal Ponte, quase uma hora depois de ser baleada, a Tauana foi socorrida por uma equipe do SAMU e levada ao Hospital Santa Marcelina. Ela não resistiu e perdeu a vida. Cadê o resgate? Reitera o resgate para Edmundo Aldrão.
Luciano resumiu a situação em entrevista. Deixaram ela sofrendo agonizando lá. Tinham mais de 20 policiais naquela hora e nenhum deles socorreu. Jogaram videogame com a nossa vida. Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou em nota que o atendimento à vítima no local e o socorro a uma unidade de saúde também são apurados.
Um detalhe importante desse caso está no próprio boletim de ocorrência. Segundo reportagem do Portal Ponte, no BO, registrado após a morte de Tauana, Luciano foi autuado pelo crime de resistência. Já a policial Yasmin foi registrada como vítima. O caso foi inicialmente encaminhado ao GCRIM, Juizado Especial Criminal,
que recebe infrações penais de menor potencial ofensivo. Ou seja, no registro inicial, o homicídio da Tauana não foi tratado como crime, mas como uma ação legítima da policial em resposta a uma suposta agressão. Esse enquadramento foi contestado pela família e, posteriormente, o caso passou a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa da Polícia Civil, além de um inquérito policial militar.
O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo de Atividade Policial, também instaurou procedimento para apurar a morte. A advogada da família, Viviane Leme, informou que a causa registrada da morte foi hemorragia decorrente de agente contundente.
Yasmin Cursino Ferreira tinha 21 anos no momento do disparo. Era soldado da segunda classe da Polícia Militar de São Paulo, havia ingressado recentemente na corporação e atuava no patrulhamento havia cerca de três meses. Segundo informações da PM, Yasmin não usava a câmera corporal no momento da ocorrência. A justificativa apresentada para isso foi seu ingresso recente na corporação. No entanto, a Secretaria de Segurança Pública informou que a ausência do equipamento de uso obrigatório também é alvo de apuração da corrigidoria da PM.
Após o caso, a Yasmin foi afastada das atividades operacionais, assim como o soldado Éden, que conduzia a viatura no momento. A arma usada no disparo foi apreendida para a perícia. E a morte da Tauana gerou uma reação imediata na comunidade da cidade de Tiradentes.
Na noite da própria sexta-feira, 3 de abril, moradores saíram às ruas em protestos. Segundo registros oficiais, teriam acontecido cinco pontos de bloqueio nas imediações da rua Alexandre Davidenco. Tauana foi velada no domingo, 5 de abril, sob forte comoção. E novos protestos aconteceram na segunda-feira, 6 de abril, na mesma rua onde ela foi baleada. Manifestantes carregavam cartazes com os dizeres Queremos uma resposta e justiça por Tauana.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo divulgou uma nota oficial sobre o caso. A Secretaria de Segurança Pública lamenta profundamente a morte da Tauana da Silva Salmásio e solidariza com seus familiares. A ocorrência é investigada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa com prioridade e também é objeto de inquérito policial, com acompanhamento das corregedorias. Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais e a arma com a qual foi feito o disparo foi apreendida.
Anota ainda afirma o seguinte, todas as imagens registradas pelas câmeras corporais durante a ocorrência, inclusive a do parceiro da policial envolvida, já foram identificadas e anexadas aos inquéritos. A ausência do equipamento de uso obrigatório por parte da policial envolvida também é alvo de apuração da corredoria da PM.
Tauana da Silva Salmazio tinha 31 anos, ela trabalhava como ajudante geral, tinha 5 filhos, faria 32 anos no dia 8 de abril de 2026. No boletim de ocorrência registrado após sua morte, ela foi enquadrada como autora de crime de resistência. E a policial que disparou foi registrada como vítima.
Foram 36 segundos entre o momento em que a viatura passou pelo casal e o disparo que a matou. Os filhos dela dependiam diretamente da renda da Tauana para comer, segundo os familiares ouvidos pela imprensa. E até o fechamento dessa pesquisa aqui, nenhuma acusação formal havia sido apresentada contra a policial.
E como eu disse lá na abertura, esse caso é tão emblemático no que diz respeito ao tempo. Muito se falou aí na imprensa sobre os 36 segundos entre a passagem e o disparo. 36 segundos que mudaram tantas vidas, não é? Uma delas, pra sempre, foi tirada, mas impactou ali direta e indiretamente muitas pessoas. Literalmente um caso de desinteligência, entre aspas, extremamente lamentável.
Mas até o momento, tudo o que foi apurado e divulgado, eu tentei resumir aqui para vocês. Todas as fontes estão aí na descrição. O objetivo aqui, claro, é sempre informar sem fazer juízo de valor, até porque cabe às autoridades fazer uma investigação zelosa, minuciosa, para que tudo se encaixe e haja um desfecho onde a gente consiga olhar e enxergar a justiça. Obrigado pela sua companhia, um beijo do Ruivo e até o próximo episódio.
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