#33 - Sidarta, e os Ciclos de Aprendizagem
No episódio de hoje do Notas de Rodapé, mergulhamos em uma das obras mais profundas e transformadoras da literatura: Sidarta, de Hermann Hesse.Acompanhamos a jornada de um jovem em busca da iluminação — não por meio de mestres ou doutrinas, mas através da própria experiência. Entre ascetismo, prazeres mundanos, perdas e reencontros, Sidarta nos convida a refletir sobre propósito, tempo, autoconhecimento e o verdadeiro significado de viver.Ao longo do episódio, exploramos o contexto da obra, os personagens marcantes, trechos poderosos e, claro, as conexões surpreendentes com o mundo da gestão e da vida profissional. O que a jornada de Sidarta pode ensinar sobre liderança, tomada de decisão e equilíbrio em um mundo cada vez mais acelerado?🎧 Dá o play e vem com a gente nessa travessia — porque, como o próprio livro nos mostra, algumas respostas só aparecem quando aprendemos a escutar.#Podcast #Literatura #HermannHesse #Sidarta #NotasDeRodapé #Autoconhecimento #Gestão #Liderança #Clássicos #PodcastLiterário #NotasDeRodapéPodcast #LivrosClássicos #ClássicosDaLiteratura #LiteraturaClássica------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Organizado e mantido por: Neifer França: https://www.instagram.com/neiferbf/ Flavio Oliveira: https://www.instagram.com/flavio_mensan/ ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Mande seus elogios, sugestões, dúvidas, críticas e ofensas para o notasrodapepodcast@gmail.com Siga no Youtube: https://www.youtube.com/@NotasDeRodapePodcast Siga no Instagram: www.instagram.com/notasrodapepodcast Siga no Spotify: https://open.spotify.com/show/0uUgMtWk7Td4hPnGkH78nM?si=ed7c17a774144637 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Patrocinadores: Q ACADEMY e PM ANALYSISPM Analysis: https://www.pmanalysis.com.br Q Academy: https://qacademy.com
- Obra Sidarta de Hermann HesseJornada de autoconhecimento · Busca por propósito · Conexões com a gestão · Diálogos profundos
- Valores na liderançaImportância da experiência · Ouvir como habilidade de liderança
- Influência do contexto históricoInfluência do hinduísmo · Cultura indiana
O rio está em toda parte ao mesmo tempo, no início e no fim, no meio, acima e abaixo.
Seja bem-vindo ao Notas de Rodapé Podcast. Eu sou o Neyfer França e estou aqui com Flávio Oliveira. Flávio, qual será o episódio de hoje? Ah, rapaz, muito esperado. Um livro que... Um livro e mais do que um livro, um autor que foi muito importante assim na minha retomada à literatura depois da infância, digamos assim, né? Na transição assim pra vida adulta. Não por causa desse livro, por causa de um outro, mas...
Cara muito importante. Vamos falar sobre Siddhartha, do nosso amigo Herman Hesse. Acho que é um livro pouco falado, né? É, não é dos mais...
É, porque talvez tenha um pouco... Como esse título também pode confundir as pessoas sobre o Buda, o Siddhartha Gautama, que é o Buda original, digamos assim, pode haver alguma confusão. Aqui é uma história que é sobre o Siddhartha, mas não é este Siddhartha exatamente, mas que não é o Buda.
Mas é alguém que trilha esse caminho e que alcança a iluminação, né? Bonito. É bonito, cara. Eu comecei falando aqui que é um autor bem importante pra mim por causa de um outro livro, que é o Lobo da Estepe. Eu acho que é mais conhecido que esse, né? Eu acho que é também. Você vê resenhas, é mais conhecido como esse. Mas eu acho que esse é...
Não, é muito bom, assim, ele é, inclusive, acredito que literariamente seja mais complexo, assim, e tem mais mensagens, né, mais conteúdo, talvez, né, mas não foi o primeiro que eu tive contato, foi o outro, foi o Lobo da Estepe, mas extremamente recomendável também. E Herman Hesse, que é um Nobel de literatura, né? 1900 e?
É... 46. Exatamente. Recebeu o prêmio Gutt, logo depois recebeu o nome de literatura, por seus escritos inspirados que enquanto crescem em audácia e penetração, exemplificam os ideais humanitários clássicos e as altas qualidades de estilos.
Está mais do que justificar a academia. É isso aí. É o Goethe que seria o prêmio de literatura mais importante da Alemanha. Ele é alemão, nasceu no final do século XIX. Em 1877. E assim, ele com certeza é um dos grandes expoentes da literatura moderna alemã. A gente tem lá os mais antigos, como o próprio Goethe, mencionado aí no prêmio.
Mas junto com ele aí, Gunter Grass, Thomas Mann, Herman Hesse, são dessa fase produtiva aí do século XX, né? Do início do século XX, de altíssima qualidade e livros acessíveis. Não, acessíveis. Os do Herman Hesse, principalmente. Tranquilo. Viveu bem, né? Foi até 85 anos. De 1877 até 1962.
Viu bastante coisa, né? Diferente de outros caras, ele acho que não produziu tanto, são menos livros, mas mais impactantes, talvez, na literatura. Então, ele teve participação nas guerras, teve uma vida atribulada nesse tempo todo, né? Não se dedicou apenas à literatura.
Interessante aqui, a gente, Siddhartha, a gente vai falar um pouco, né? Tem muita conotação, obviamente, com o Buda, né? Toda essa questão aí da Índia. E os pais deles, dos pais dele eram missionários protestantes e eles, os pais, pregaram o cristianismo na Índia. Então ele tinha bastante referência, provavelmente, da cultura da Índia, né? Engraçado, né, assim, ter crescido numa família.
religiosa, de outra religião, né? E ter, no entanto, escrito uma história que, apesar de ser fictícia, né? Ser uma ficção, é bem baseada na religião indiana, né? No hinduísmo. É, isso que aconteceu aí com ele. Ele foi, além de escritor, foi pintor.
e pensador, é um filósofo espiritual, é um cara bem espiritualizado, religioso, e claro, com toda essa formação que ele teve em casa e nessa experiência que ele teve na Índia, ele acabou também ampliando essa visão para religiões orientais. E aí é interessante esse sincretismo, acho que esse aqui é o grande pulo do gato, um alemão escrevendo sobre...
Um alemão, família cristã, escrevendo também sobre hinduísmo. Em miscelânea. E no final, então, aí é que tá, né? Talvez o grande valor seja menos religioso e mais literário nesse sentido. Cultural também. Com certeza. Dessa obra especificamente, apesar da gente conseguir ser extraída ali em muitas camadas aí, né?
O interessante é que ele não lançou só romance, né? Ele lança contos. Ele tem livros de poesia também. E tem livros de não-ficção. Então, é um pouco conhecido, assim, né? É interessante. Eu, particularmente, conheço três. O Siddhartha e o Lobo da Estepe. E tem o Damien. Que é um até dos primeiros dele. Antes de Siddhartha e Lobo da Estepe.
1917, Siddhartha 1922 e Lobo da Estepe 1927 e é interessante que todos eles tem a ver um pouco com essa transição das fases da vida
O Damien tem bem essa questão da transição da juventude para a vida adulta, né? Assim, levando em conta essa... De novo, a questão espiritual, né? O Lobo da Estepe também é isso, né? Um cara meio desajustado ali na sua juventude. Inclusive, sobre o Lobo da Estepe, a curiosidade é que tem uma banda, né? De rock americana chamada Steppenwolf. Steppenwolf.
que é do Born to be Wilde lá, é a música mais famosa deles, né? Então, Steppenwolf é o lobo da Steppen, né? Daí que vem. Influenciou muita, muita gente. Cultura americana foi bastante... Nessa época, principalmente, anos 60, anos 70, aí tinha muito dessa... O pessoal se aproveitou muito do Herman Haas.
E o Nobel, obviamente, também traz mais notoriedade. É, o pessoal fica mais famoso, né? O último livro de romance dele foi A Viagem ao Oriente. Também pouco conhecido. Esse eu não conheço, nunca li. Pouco conhecido. Os mais conhecidos é o que você falou mesmo. Tem Demir, Cidarte, o Lobo da Estep, tem esse também que às vezes é falado, Narciso e Godmund.
Também é pouco falado. Mas o que você achou da escrita dele, comparando com outros autores? Ah, eu acho que é bem fluida, né? Eu não vejo muita complexidade, assim, em termos de vocabulário, nem de lógica na narrativa.
É uma narrativa linear, acho que todos os livros, pelo menos os que eu me lembro aqui, né? O Lobo da Estépia, o Demi eu lembro pouco, eu li muito tempo atrás, cara. Eu não lembro quase nada dele. O Lobo da Estépia eu lembro bem e o Sidarta também. O que me passou quando eu li é uma...
É uma escrita poética sem dificuldade. Ele escreve bonito, sabe? Então, me lembrou até um pouco Turgenev, autor russo, que também tem essa escrita poética e bonita de você ler. Então, eu gostei bastante. Eu achei, como você falou, totalmente fluido. Então, assim, não tem dificuldade nenhuma.
Da pessoa pegar e ler, até mesmo porque Realmente não tem dificuldade nenhuma, né? A gente falou que Tamanho de livro não é dificuldade Mas às vezes pode aparecer, os livros são Pequenos até, né? São curtos E a história é bem construída, linear E a escrita também É bem poética De uma forma bonita, sem dificuldades É, eu lembro que uma coisa, principalmente nesse siddhartha Onde ele coloca os Os They have that
Uma parte da complexidade, assim, da rebusquês, digamos assim, no texto, está nos diálogos, né? Eu lembro que como ali tem muita conversa entre o personagem principal, entre o amigo dele lá, e depois ele vai encontrando mestres, encontra outras pessoas e é sempre...
as mensagens são profundas, os diálogos são de aprendizado, são de fato de aprofundamento nessa questão espiritual da coisa. E acho que ali é um meio que ele encontra para fazer essas coisas aflorarem mais. O texto continua simples, continua acessível, mas os diálogos são bem profundos.
Eu achei bem profundo e um tema que eu gosto muito em literatura, quando eu vejo, e é o que está aqui em Siddhartha, já falando um pouco mais sobre a obra, é propósito. Ele está sempre buscando, ele está em busca do seu propósito. Conhecer a si mesmo, basicamente, mas também para que ele está nesse mundo. Então, ele está lá buscando.
Então vamos falar um pouquinho da obra aqui. O Fidartali narra a história dele mesmo, né? A trajetória de um homem que nasce numa família bastada, né? Parecido com o Buda. É. Coincidência, né? Coincidência. Parecida com o Buda. Então ele tá lá numa camada da aristocracia, né? Da região. E ele...
decide romper com isso, né? Ele sai, ele rompe com o pai, né? Tem lá uma contenda com o pai, porque o pai obviamente não queria que ele seguisse esse caminho. Vale lembrar que na Índia tem a questão das castas, castas muito bem definidas e que transitar entre elas...
É quase impossível. Sim. E no caso dele, ele queria transitar pra baixo, né? Pra baixo. Terrível, né? Aí ele realmente sai e ele vai... Entra de cabeça na vida espiritual. E ele vira lá um... Como que chama? Brahmani? Não. Não, é um... Não lembro exatamente.
Ele entra lá pra uma sociedade espiritual Que é aquele pessoal Que realmente desapega De todos os bens materiais Voto de pobreza Voto de Escassez total Então ele entra nessa fase Ele e o amigo dele Então ele leva o amigo É o Govinda Govinda Govinda
Ele leva o amigo dele aí nessa jornada E os dois entram aí Nessa sociedade, nessa casta Mais espiritual E abrem mão totalmente
dos bens materiais, dos prazeres carnais, dos prazeres terrenos, vamos dizer assim. É a negação dos sentidos, né? Como mencionas. Quer dizer, você, através dessa abstinência total do prazer ou dos sentimentos que sejam prazerosos para ele, ele descobrir esse conteúdo mais profundo, o conteúdo que está nele próprio. É uma jornada de iluminação, né, cara?
Então, essa questão que eu falei, busca de propósito, busca de autoconhecimento, alguma coisa assim, né? Então, ele vai... Ele passa um tempo nessa vida, né? A sociedade dos samanas. Samanas. Então, é jejum, mortificação do corpo, que tem aquela questão de...
Isso aí, flagelar, né? Isso aí. Desapego total, negação de desejos. Então, basicamente, o tempo todo meditando. É o que a gente vê hoje na sociedade, né? As isso aí, meditando no TikTok.
Galera, medita, parece que tá em transe. Endorfina na veia, se puder, né? Então aí, nessa primeira parte do livro, ele já tem uma impressão digital que é o abandono da tradição, né? Ele sai do mar.
Família bastada, uma família tradicional e vai tentar encontrar na vida espiritual. Mas ele também tá sempre em busca, né? Sim. Ele tá sempre em busca de alguma coisa. Nesse período, ele tem um encontro com o Buda, né? Lembra dessa época? É, ele ouve falar, né? De que tem o... E eles querem seguir. O Gautama, o Sidak seria o Gautama, né? O Buda e vão ao encontro dele. E ele opta por não seguir o Buda. É.
Ele conhece, ele vê lá um ser iluminar, que era um cara iluminado. O amigo dele, o Govinda, ele segue, se adere ali ao movimento do Buda.
Mas ele ainda acha que é pouco, né? Ele não se... não é que ele não se converte, não se convence. Ele entende Buda como uma figura espiritual, como uma figura importante, mas ele é o que você falou, ele acha que tem algo mais. É, e que ele precisa percorrer por conta própria, não é isso? Não é o que falta a ele?
não é algo que pode ser ensinado, se eu não me engano, né? O que ele menciona é isso, que precisa viver algumas coisas pra poder alcançar essa iluminação final. Não adianta você ter um... É como nas artes marciais, né? Acho que chega um ponto em que o mestre não tem mais... Você se torna o seu próprio mestre, né? É. Então, ele continua essa jornada.
E depois disso, ele sai dessa sociedade e vai para o caminho oposto novamente. É, ou experimentar, né? Experimentar. Então, nós somos prazeres carnais. E... Ele vira comerciante? É, ele fica rico. Ele vai em encontro ao comércio e ao prazer. Então, ele vira um amante e um comerciante.
Encontra a Camala. Camala. Não aquela, outra Camala. É, aí... Então, aí, pô, ele podia ter parado por aí, né, Ney? Você não acha, cara? Pode parar. Não, o cara encontrou. Pensa bem, o que tem de errado? Dinheiro? Prazer. Prazer, bebida, comida, mulheres, né? Mas não, cara, é pouco pra ele. Mas não!
Ele tá, né, e daí mostra, eu acho que isso é o plano de fundo, né, do livro, mostra que ele realmente tá numa busca incessante. Busca do autoconhecimento, de ele se encontrar nesse mundo de alguma forma, né? E essa busca de propósito, de missão, qual é a missão dele? Então ele não se encontra nos lugares, então ele foi, ele não se encontrou no berço.
Ele não se encontrou no espiritual. E ele também não se encontra no carnal. E depois? Mas vamos contar o fim mesmo? Não.
Mas ele não termina, né? Então, de fato, ele vai passando por essas etapas todas e até que ele chega à beira de um ponto crucial, né? Assim, de, por exemplo, tentar pôr fim na vida, inclusive, né? Mas aí, ainda assim, tem algo a aprender, né? E aí ele começa a ouvir o rio.
Ele começa a capital sim O OM OM Então é muito louco isso E na verdade o Rio tá presente durante todo o livro Vai trespassando Nessas jornadas de indas e vindas
ele atravessa o rio várias vezes, fisicamente, né? E provavelmente espiritualmente também, se a gente pode dizer assim. Isso também explica ou ajuda a consolidar a ideia da importância dos rios para a Índia, né? Sim, tudo gira em torno, né? Todas as questões religiosas e os sacrifícios e as oferendas e os banhos de purificação é tudo...
No Ganges, né? Que é o rio principal. Eu não tenho certeza. Deve ser esse rio, né? Eu não me lembro de... Eu não lembro se ele cita, né? É, mas... Pode não ser o mesmo, mas meio que... Tem a ideia, né? Com uma conotação. E me lembrou também o Grande Sertão Veredas, né? Que fala bastante do rio lá. Ah, com certeza.
Tudo é rio atravessado de uma margem. A terceira margem do rio. É, cara. É a ideia da fluidez. É a ideia da mutabilidade. Essa frase do início tem a ver com isso. A dualidade também. Tem a ver com essa ideia de que o rio nunca é o mesmo. Quando você entra no rio pela segunda vez, ele nunca mais é o mesmo. Ele está lá parado, estacionado.
fluindo, o rio está em toda parte ao mesmo tempo. No início e no fim, no meio, assim e abaixo. E o Grande Sertão Vereda tinha bastante do rio, né? Ele conhece desde o começo do livro, né? Sim, sim. É muito... Então, me assim... Ah, cara, né? É mais nessas culturas que são, assim, mais...
milenares, né, e que a vida gira em torno da água, né, qualquer qualquer cidade cresce em torno da água, cresce a margem do rio, o Egito é assim, a Índia é assim, a China é assim, nós somos assim, basta ver como as cidades vão se formando nos diversos locais aí, porque de fato é o que traz vida, né.
A gente precisa dela para viver. E o que leva, muitas vezes, mas sim, o Rio é a base de muitas sociedades. E do ponto de vista religioso tem todas essas... Me lembra da Ilíada também, né? É, lembro.
Briga do Aquiles lá. Até o Rio reclamou. Tá sujando aqui. E o que você acha do personagem em si? Foi o personagem que você se conectou? Como que foi a... Porque a gente tem essa questão de se conectar ou não com o personagem. Como que foi a sua experiência? Não, eu acho que é muito interessante. A gente vê muito disso ali. E vê muito como uma visão... E aí
idealizadora, né? Um cara que é capaz de abrir mão de todas as coisas, que é capaz de experimentar e voltar atrás, que é capaz de aprender com tudo que passa pelas coisas da vida. E tem muito do que a gente...
Gostaria de ser, das oportunidades que a gente às vezes perde, passar pelos perrengues e não aprender com isso. No entanto, tem uma obstinação. O Siddhartha tem essa abnegação de abrir mão de todas as coisas com facilidade. Isso é típico de um ser elevado, de um espírito elevado. Ou inquieto.
É, pode ser Ele é bem inquieto com essa Eu acho que ele A pele se é
Nessa jornada inteira, ele é um cara, ele é um espírito insatisfeito, né? É. Ele tá sempre buscando, tá sempre insatisfeito. Então, a própria, que eu achei uma parte bem interessante, como a gente comentou aqui, quando ele encontra o Buda e decide, foi uma decisão até difícil, porque ele questiona o Buda, né? É. Ele pergunta questões cruciais lá pro Buda.
Não que ele não fica satisfeito com a resposta, mas ele vê que é insuficiente, como você falou, seguir o mestre. E ele vai e volta então para o mundo material. Será que está lá? Deixa eu voltar então para o mundo material. Então ele fica nessa dualidade entre o material e o espiritual.
Isso aí a gente vê na vida, na nossa vida, assim? Será que isso é o que a gente, quando a gente vê alguém que troca muito de emprego, que muda muito de cidade, que muda muito de... É, tem gente que nunca tá feliz, né? É, será que é o mesmo fundamento da coisa ou é, né? Ou, assim, essa é a história de você. Eu acho que você se compara, porque às vezes tem insatisfação do ser humano, que é aquela questão daquele ditado lá que é a grama do vizinho, sei o que é mais vergonha. É, é. Ele em nenhum momento se compara com ninguém.
Então ele tem uma inquietude espiritual mesmo, assim, interna. Pelo menos foi o que me passou no livro, né? Ele tem um esgotamento existencial. Ele faz, de alguma forma, ele fala como que a gente vai seguir. Como eu vou me encontrar, de alguma forma. É meio uma paranoia, né? De alguma forma. É, e a gente julga, né? Eu, pelo menos, julgo muito.
Tipo assim, tem até um amigo meu recentemente que assim, ele já foi, voltou, foi pra outra empresa, pra outra cidade, pra outra... Mudou de país, inclusive, e assim, não fica muito e todas as vezes que ele faz essas mudanças é por decisão própria. O cara não é, por exemplo, o demitido da empresa e tem que... Não, cara, ele tá sempre inquieto, né? E às vezes a primeira coisa que você pensa assim, pô, esse cara não para, né?
Como é que... que tipo de imagem isso passa? Mas é muito preliminar você julgar sem saber o contexto disso tudo. Pode ser esse tipo de inquietação, né, cara? De você achar que ainda não... você ainda não encontrou o seu lugar, né? E claro, né, que o aprendizado que vem com tudo isso é muito grande, porque uma das lições que a gente vê aqui é que...
É que para aprender, você precisa experimentar tudo isso. Você precisa passar pelas coisas, né? Essa história, quando ele chega e encontra o Buda e ele seria mais simples e mais óbvio. Você acreditar no que alguém te fala? Você aprender, sei lá, você ir para uma sala de aula e ouvir uma aula sobre um determinado assunto?
Não, cara, eu quero... Eu preciso experimentar isso pra decidir por conta própria. Isso é o grande... É uma das bases da andragogia, inclusive, do ensino de adultos. Só dá pra aprender pela experiência. Imersão. Porque a gente passa a ser mais questionador, né? É, ele decide aprender pela imersão. É. E aí é corpo e alma, né? O cara é tudo ao lado. É aulinha a todo momento.
Então ele vai fazendo esse all-in, all-in, all-in e de uma forma tentar se encontrar, né? É o... modelo, né? Que vira depois atriz pornô e depois vira pastora.
E depois, não é? Não tem isso. Tem alguns exemplos. Você acha assim que isso é um absurdo. É o oposto, né? Como é que essa pessoa conseguiu sair de um local e ir para o outro completamente? É o que você falou. Não tem uma frase aqui, ó. O saber pode ser transmitido, a sabedoria não. Olha aí. Boa. Tá o que você falou da andragogia aí, né? Ele, o saber sim, né? O know-how pode ser transmitido. Eu sei disso. É assim, assim. Não, não aprendi. É assim, assim, assim. Aprendi.
Mas a sabedoria, a experiência... Mas não necessariamente que você precisa... É, não sei, né? Mas não necessariamente que você precisa viver a experiência pra saber se ela é boa ou ruim. Acho que depende, né? De pessoa pra pessoa, né? Você pode aprender com a experiência dos outros também, né? É. É possível, né? Que a história doou.
da reincidência nos erros e de você... Isso também tem muito a ver com o que a gente faz, né, cara? Ao encontrar problemas, estudar aquilo para entender os motivos deles acontecerem. Mas você vê os problemas acontecerem do seu lado, então é claro que dá para aprender sobre isso, né?
Mas num mundo em que a gente está hoje, em que a informação não é mais um problema, acesso à informação não é um problema, qualquer coisa que você queira saber, basta procurar na internet e você descobre, a diferença me parece que vai ser a maneira como você utiliza e aplica aquele conhecimento ou então vive ele na prática, né? Então eu acho que tem muita conexão com isso, ainda que tenha sido escrita em uma época que não existia Google, nem inteligência artificial, nem nada disso.
Mas essa metáfora é bastante aplicável, né? É, buscar o conhecimento por si próprio. Tem até outra frase aqui, ó. Busquei mestres, que é quando ele começa a falar com o barqueiro, né? Das experiências dele. Ele fala, busquei mestres, mas encontrei a mim mesmo.
Cara, isso é muito profundo, cara. Pensa bem, né? O nível de iluminação. E o cara escrevendo sobre isso, né? Pensando no escritor, pensando no próprio Herman, né? Herman Hess. De onde é que o cara... É só uma vida que tenha experimentado essas coisas e que tenha visto como viu na família, como viu lá na Índia, pra dar pra ele acervo, pra... Imagina a construção, né, John? A gente já falou aqui de diversos gênios da literatura e o aixquivir.
Esses caras, eles veem um mundo diferente, né? Mais ou menos igual o Neo da Matrix, sabe? Aquela cena no final do filme aí, que ele vê tudo em código binário. É, só vê os... Eles veem de forma diferente, né? Então, assim...
São pessoas muito sensíveis, né? Pra identificar Coisas como essa, né? Então É isso, ele tava sempre buscando Ah, então eu acho que essa O que que é o mestre, né? Ele tinha lá o mestre, a família dele, o pai e a mãe Ele viu o pai como um mestre e tal Daí ele sai de lá e vai pra uma sociedade espiritual
Nessa sociedade espiritual, ele acha que aquela ideologia, vamos dizer assim, né? Aquela sabedoria espiritual era o mestre, o novo mestre. Não deu certo. Então ele vai, vamos dizer que depois ele vai pro hedonismo, né? Isso. Vou viver a vida, curtir a vida doidá. Sessão da tarde. É, curtir a vida doidá. Fui curtir a vida doidá. Um toque em bala. Esse é o meu mestre. É, esse é o prazer. É.
E ele também não se encontra nisso. Então ele está sempre em busca de mestres e é o que o Herman fala para a gente aqui. E nisso ele buscou, não encontrou, mas encontrou a si mesmo. E assim, uma coisa que eu acho que torna menos... Porque em primeira análise a gente poderia pensar que um texto que é baseado ou que tem como pano de fundo uma religião...
pudesse ser apelativo ou pudesse ser panfletário, talvez, alguém tentando te convencer de alguma coisa. Mas é interessante que em pouquíssimos momentos, talvez nenhum, não me lembro exatamente, mas não é algo marcante no texto, pelo menos, a questão das divindades.
Não tem nada de... O Buda é até Mais humano, né? Sim Ele personifica melhor Buda Mais do que qualquer outro tipo de... Não é uma questão de adoração Ou de... Como é que fala? De ecoloclastia, né? De você colocar alguém no pedestal E é isso que me guia, né? Pelo contrário, né? O que ele prega é o questionamento, né?
Isso é legal, isso torna um livro também mais acessível mesmo a quem seja de outra religião ou que não tem interesse nisso. Eu não senti, na verdade, uma escrita sobre religião. Que é mesmo porque ele não segue nenhuma depois, né? É. Ele tá lá, ele tá entrando a entrar aí, tem um plano de fundo, obviamente. Eu acho que é menos religioso e mais cultural. Certo. Ele emerge a gente naquela cultura da Índia. Uhum.
E a gente consegue se sentir lá, né? Então a gente viajou lá pra Índia. Então fomos lá pra Índia. Então a gente entende lá as sociedades, entende as castas, entende que é na época do Buda, então ele vê lá as pessoas seguindo o Buda.
Então, não senti nada religioso, mas mais cultural, provavelmente dito. E é legal que a estrutura não é linear, ela é cíclica, né? Então, traça um círculo e volta para o círculo. Mas diferente, né? Ele vai evoluindo nesse passo. É uma espiral, né? É uma espiral. É uma espiral mais do que um círculo fechado. E aí tem o símbolo do rio, propriamente dito.
Que o tempo não é linear também. No rio. E a unidade de existência propriamente do rio, né? Então o rio tá lá, como eu falei. O rio tá lá, fica o seu lugar, mas ele sempre vai ser diferente. E é o que acontece com o nosso personagem aqui, o Siddhartha. Ele tá, ele vive intensamente, mas sempre de forma diferente, né? É o cara que vive intensamente, eu acho. Vida louca.
É, cara, passa por tudo, né? Experimenta de tudo. E... E... E aí também tem uma frase legal, assim, que tem a ver com essa... Com essa fase que ele... Quando ele passa pela... Encontra com o Buda e vai lá pra... Pra essa nova fase dos prazeres ali, sensorial, né? E depois disso, quando ele emerge e diz novamente...
espiritualmente evoluído e mais iluminado, tem até um momento em que um amigo dele encontra com ele de novo e encontra outra pessoa, né? Totalmente diferente, né? O encontro com o amigo é bem emocionante. E aí ele conta assim que eu tive que pecar pra viver de novo.
Quer dizer, ele teve que fazer o errado Porque a visão do pecado também é um negócio relativo, bastante relativo Aqui está no sentido especificamente de ter o prazer como pecado Não de fazer algo errado, mas de sucumbir a essa tentação Para viver de novo Então o único jeito de alcançar a iluminação é passar por tudo isso
E quais reflexões que a gente pode tirar do livro, da obra, do personagem, para gestão, para até nossa vida aí? Eu acho que um pouco a gente já vem explorando, uma das coisas é o valor que tem a experiência efetivamente vivida.
mais do que aprendida. A frase que você mencionou ilustra bem isso, mas essa ideia de que a sabedoria prática e não apenas teórica é o que de fato...
transforma pessoas em líderes ou em profissionais, mais do que profissionais, humanos, melhores. Então acho que isso é uma das coisas, se você tivesse que ter uma lição única desse livro, é isso daí. A obrigação de passar pelas diversas coisas para poder sair do outro lado mais...
mais evoluído, mais próximo do que se tem como como meta, como objetivo eu gostei da relação em relação ao propósito então a busca incessante pelo propósito eu acho que a gente pode pensar nisso na vida profissional, nas empresas aquela questão do propósito é claro né, todo mundo tem um trabalho e tal mas se você fazer o trabalho só pelo trabalho né sem o propósito só pra tô vendendo a hora e recebendo dinheiro né né
É, em você enxergar o seu benefício O benefício que você tá conseguindo transmitir Com aquele trabalho Aquilo fica uma coisa penosa, né E mais ou menos o que ele Viu, né, ele tava numa Família tradicional Não tava bem, foi lá pro espiritual Não, foi lá pro hedonismo Também não, então ele tava Buscando, então a gente mais ou menos A Ah
A relação com troca de emprego, né? Pô, não tá legal aqui, não tô conseguindo agregar valor, não tô gostando, não tá não tô conseguindo entregar um propósito aqui dentro, vou buscar ou a pessoa que pivota de área, vai pra outra área, né? Já se abandona tudo, né? Munda completamente. Já abandona tudo, era enfermeiro, agora vou fazer faculdade de psicologia, administração.
Então, enfim, mudar de área. Então você está sempre buscando um propósito. Eu acho que, e falando de empresas, como empresário, eu acho que também é a missão. Para que a empresa existe? A empresa não pode existir no fim do dia só para dar lucro. Isso também vai ser bem penoso para você. Ela tem que ter algum impacto positivo. Eu acredito nisso. Sei. Ela tem que ter algum impacto positivo na sociedade de alguma forma.
Então eu acho que A busca da missão também precisa É o vínculo com esse propósito Aliás o propósito é uma coisa Que tem surgido bem mais com bastante Frequência em épocas de
De governança, de sustentabilidade, ESG e coisas do tipo, né? Porque não é mais apenas o lucro, né? Obviamente o lucro é o que faz a empresa girar, mas existe um objetivo maior do que esse, ou pelo menos algo que direciona os esforços, né? É até uma maneira de mobilizar o recurso, mobilizar as pessoas nessa direção.
Outro ponto que eu consegui relacionar com a vida empresarial e uma lição de liderança importante é o próprio barqueiro. Então tem um encontro lá já na reta final do livro com o barqueiro, ele tem bastante diálogos com o barqueiro, mas você percebe que o barqueiro ele praticamente não fala. Ele é um líder que não ensina, ele ouve.
Então ele é um bom ouvinte. E nessa... Nessa questão do ouvinte, ele ajuda muito o Siddhartha, né? Então é... Talvez é uma lição pra gente... É ele que fala, né? Ou sorriu, né? É. Quer dizer, dá mais atenção ao que estão te falando e fala menos, né? Isso. Eu acho que é essa questão do... Ô cara, tem tanta gente que precisa seguir essa...
esse direcionamento. A gente não aprende também. Como bons auditores, né, Nifer, tá na raiz da palavra, ouvir, né? Auditar é ouvir mais do que qualquer outra coisa. E eu acho que essa coisa do ciclo também é algo que é natural e que acho que faz sentido. A gente já citou também a outros livros, né? Ah, sim, né? Na questão da gestão, os ciclos são bastante... É...
importantes, o reconhecimento do eterno retorno. Você retorna a um ponto e que se você retorna para o mesmíssimo lugar, é porque você perdeu tempo. Então você tem que sempre voltar um pouco maior, um pouco melhor.
Aprender com esses erros, aprender com as experiências, aprender com as coisas que dão errado, principalmente. Em gestão tem muito disso, né? A gente tem um objetivo, tem uma meta, tem uma perspectiva, mas precisa se adaptar e precisa aprender com isso. Então os ciclos aqui também são algo presente nessa jornada. E eu acho que o pessoal que está ouvindo a gente vai ler o livro.
como o Flávio comentou, prestar muita atenção nos diálogos. O ouro...
O ouro realmente está nos diálogos. Começa pelos diálogos. Muitos, assim, excelentes diálogos. Dele com o amigo. Então, lá tem muito ouro de... E ainda é uma fase... E é legal que você acompanha a fase do personagem. Ah, ele vai crescendo, né? É, muito legal, né? Então, você vê a... Eu acho que aqueles diálogos com o personagem é o diálogo da inquietude. Ele tá muito inquieto, né? Querendo buscar, buscar, buscar. E daí o...
O amigo, ele é mais pacato, né? É. Ele é meio o oposto dele. É sempre assim, não é? O escudeiro? É, o escudeiro. Não é o Sancho? É o Sancho Pants. É, é um cara que dá um equilíbrio, assim. Você tem alguém que é o herói, né? Da jornada. Mas sempre tem alguém com um contrapeso ali pra poder...
equilibrar isso daí mesmo e muitas vezes, ó, vem cá, segura a onda aí, né, não vai por aqui. E você lembrou do encontro dele depois com o amigo, é bem emocionante. Ah, sim, sim, sim, porque aí ele já encontra um ser iluminado, né, sim, ele já encontra... Nossa, é bem emocionante, né. É legal. Então, daí esses diálogos são bem legais. Daí depois os diálogos com a Kamala também são bem interessantes, que é a amante dele. Aí ela...
É basicamente diálogo sobre o prazer, né? Sim. Então, ela está falando de coisas, se você conseguir traduzir isso em camadas mais filosóficas, né?
Ele tá falando mais do terreno, das coisas materiais mesmo. Sempre das coisas materiais. E ela, ela é bem material, né? Total. É, bem material. Gosta de roupas, vida boa, né? E tudo mais. Então, aqueles diálogos demonstram isso daí, né?
E depois o diálogo com o barqueiro. Então, esses três blocos... E com o próprio Buda, né? E com o próprio Buda, que é curto, mas também excepcional, né? É isso, né? Ele vai indo pra cá, encontra alguém, né? Aí começa a vir pra cá, encontra alguém. Quer dizer, ele vai usando isso como baliza, né? Então, fiquem bem atentos, assim, porque é daí que você vai...
A gente sempre fala aqui, né? Você pode ler, extrair a primeira camada do livro, né? É uma história de ciclos e até ele se encontrar de alguma forma. Mas se você quiser se aprofundar um pouquinho mais do que o autor tá querendo dizer, qual a filosofia do autor, o que ele tá querendo transmitir mesmo como lições de vida, é realmente pensar nos diássicos. Eu lembro de eu lendo, grifando, voltando.
Terminava tipo um diálogo, eu voltava Eu falava, nossa, mas que E como eu falei, eu achei ele muito poético, né? Então eu falei, nossa, isso é muito bonito Voltava e lia de novo Eu acho que esse é um dos livros que vale a pena Eu, inclusive, precisaria fazer isso, né? Você relê Puts, bom
Eu li em 2020. Em momentos diferentes da vida, né, cara? Com certeza tem muita coisa aqui assim. Esse especialmente, porque ele é especialmente profundo, né? Esse é idoso agora. Eu já no ocaso...
Eu já aqui no caso da vida, na ladeira abaixo, né? Quem sabe o problema todo foi que eu... Eu fui pela direção errada. Era o Kacamala. Eu fiquei só na vida espiritual. Pensava que eu devesse ter explorado mais a vida mundana e... Como é que você falou? O hedonismo. O hedonismo. O hedonismo é bonito, hein?
A causa de muitos males. Então, realmente, eu lembro de... Se pegar meu livro lá, esqueci o livro, mas... Se pegar o livro, tá grifado lá muitas partes. De tipo, nossa, que legal. Como o cara... Então, é uma escrita bem poética. Ele consegue... Ele atingiu o objetivo. Eu acho que ele consegue transmitir muito bem o que ele pensava. Esse é o cara que mereceu as honrarias. Não, sinceramente, assim... Então, eu acho que...
Realmente, eu lembro que Foi uma fase, mais uma vez O Cidarta veio logo em seguinte, mas o Herman Hesse Especificamente, né Mudou um pouco porque eu tinha uma Eu tinha, lia quando Criança, lia até o início da adolescência E aí teve um hiato ali Quando você tá na fase em que você quer outras coisas Tem outras prioridades, digamos assim, né Dos 13 aos A fase teen mesmo Até os 19, 18 anos E E
E quando eu estava trabalhando no meu primeiro emprego e eu encontrei lá uma outra pessoa que gostava de ler, esse cara me apresentou O Lobo da Estepe. Foi o primeiro livro que ele me emprestou. Um barqueiro. É, você gosta, gosta, acho legal, tá, não sei o quê. E aí ele, ó cara, lê isso aqui. Já leu? Não, lê isso aqui. Herman Hesse.
E era o longo da step. E aí aquilo me, tipo, sabe, ó. A chama tava, a brasa tava apagando e aí olha que legal. É, e aí teve um sopro ali que voltou e aí dali pra frente eu retomei. Dependendo do autor, você não voltaria, né? Ah, sim, se fosse. Dependendo dele.
Se fosse o Pequeno Príncipe, por exemplo, seria um... Se fosse, ó, lê esse daqui. Alquimista. Pois é, cara. Porque é de altíssimo nível, né, cara? É fácil, tal, acessível, mas é bom demais, cara. E tem tudo isso por trás, não é só o texto, né? Cara, você tira dali um monte de coisa, assim. Você tira muitas... A gente já falou em outros episódios, mas...
A literatura permite você viajar, né? Então, poxa, a gente foi com Herman House pra Índia. É isso. A gente foi com Shakespeare pra Europa inteira, né? E a gente vai literatura americana, russa.
Foi com o Homero para a Grécia. Então, é realmente uma viagem. A alta literatura vai trazer isso. Ela vai trazer você a viajar, a entender. Eu acho que esse é um ponto principal de grandes obras. Você se sentir no local.
E esse livro me fez sentir. É, é legal. Ele relata, né? Ele fala do local. Eu lembro quando ele foi pra essa sociedade espiritual. Então ele falava da mata. Sim, meditação. Uma boa parte é para... Eles estão na floresta, né? Sim, sim. Então você se sentia no local. Mesma coisa...
Guerra e Paz com Tostoi, você se sente lá na guerra. Você está em Moscou, Dostoiévski, enfim. Você se sente nos locais. Eu acho que esse é um bom indicativo de grandes obras. Eu lembrei, da Índia tem mais um... Aqui é o inglês, na verdade, que escreve sobre a Índia, que é o Rudyard Kipling.
Que é o livro das selvas. Sim. Que deu origem lá, o Mogli, o Menino Lobo. E que também é um ambiente parecido. E é floresta. Você tem total razão. Se a gente pudesse ter um passaporte de leitura. Quantos carimbos. Não, que nem a gente já falou nesse episódio. Que coração das trevas. Ah, tá bom. Aí na África, né? O Conrad. Nossa. Congo, né? Lá no Congo. Lá você se sentia exatamente lá. A amidade da floresta.
Os mosquitos. A escurita é uma. A forma que é um pouco ameaçadora. Ah, que legal, Ney. Você pode ver isso que é interessante. Estou lembrando aqui da montanha mágica. Aí é no topo da Suíça, lá em Davos. Aí você sente o frio da montanha. Você sente o vento cortando a noite. Você sente...
Você se transporta, né? É, porque leituras que você não se conecta, você não vai. O autor não consegue fazer você viajar, literalmente. Ele não consegue fazer você ir pro local. Porque eu acho que pra você se imergir numa leitura, você precisa se sentir no local. Você precisa estar vendo... Porque muitas vezes...
Quando você lê um livro e depois você vê um filme sobre aquele livro, você prefere o livro, acho que na maioria das vezes. Porque o livro é o... você faz o filme na sua cabeça. Você constrói, né? Constrói o filme na sua cabeça. Participativamente. Então você sempre vai ficar um pouco decepcionado, porque o diretor está fazendo o filme da cabeça dele.
É isso, o diretor conta a história do jeito dele. E daí tem alguns livros que às vezes a gente se decepciona, lê, não consegue, não se conecta exatamente, porque você não consegue fazer esse filme, fica uma coisa um pouco obscura, você não se sente no local, você não... Eu lembro também de 1984.
Porque você se sente lá numa... Ele não fala exatamente, né? Mas numa União Soviética da Vier. Você se sente naquele lugar. Você vê aquela... Você se sente monitorado. É. Então, eu acho que o livro consegue... Livros bons, grandes obras da literatura te colocam dentro da história. E você observa a história lá de dentro. Isso aí, cara. Isso aí. Bonito isso, hein, Flávio? Pô, cara. Finalmente fizemos um episódio que... Sério? Cá...
Caramba, velho. Eu acho que sério demais. Sério demais. Não é? Não, pra você ver como esse livro curto, né? Deixa eu ver aqui quantas páginas que tem. Ah, o que eu tinha lá era umas duzentas, cento e poucas. Era um... Libre de menhão, nada mais. Não é mais que isso. Tranquilo de ler. E você... É rápido.
Simples, uma linguagem que você consegue na hora, assim, observar, mas ele extrai muita coisa, né? Muita coisa sobre tudo. Deixa eu ver aqui. Número de páginas, 168 com prefácio. Então, quer dizer, 168 páginas. Então, um ônibus no horário de rush, aí de volta você mata. Eu não consigo porque eu passo mal.
no ônibus. É, tem gente aí que não pega ônibus há muito tempo e tal. Então é realmente fantástico. Altamente recomendado. Com certeza. Com certeza. E aí esses dois principalmente, né? Assim, eu acho que o Lobo Bestep e o Cidardo. Mas eu ainda acho que é uma grande obra e pouco falada. Sim, sim. É pra poucos. Eu acho que parabéns por você trazer aqui, Flávio. Mas imagina, eu que trouxe? Não, isso aí a gente... Não, não.
Fizemos uma votação aqui por unanimidade, escolhemos. Bom, acho que é isso, né, cara? Realmente, extremamente recomendável e talvez agora a gente tenha que falar do Lobo da Estepe na próxima. Vamos falar sobre o Lobo da Estepe na próxima. O livro que fez você voltar ao caminho da literatura. A gente poucas vezes repetiu autores aqui até agora, né, Olifer? Dostoiévski. Duas vezes.
Tolstói também. Duas, Tolstói. Ivan Illich. Paz. E Guerra e Paz. E Guerra e Paz, né? Poucas vezes. Em breve vamos repetir o Kafka. É, citamos bastante Clarice Lispector. Clarice Lispector ainda não tivemos a oportunidade. Ela já foi citada duas vezes, mas em outro contexto. É... Eu acho que vale a pena, cara. Vale a pena, com certeza. É um dos grandes alemães aí. Expoentes da literatura alemã moderna.
Maravilha, então mais do que recomendado Siddhartha De Herman Hels A edição que eu tenho O pessoal gosta de falar de edição aqui, né A edição que eu tenho é da editora Record Então é uma edição que tem Na capa aí, uma capa laranja Então vale a pena Uma edição boa, tem um texto de apoio legal
E tradução acho que não é problema. Então a gente, você consegue realmente extrair o que você precisa desta grande obra. É isso aí. Antes disso aí, não deixa de dar um like no vídeo, se inscrever no canal, acionar o sininho e comenta aqui embaixo pra gente se você já leu o que você achou de Siddhartha. Até uma próxima. Tchau, tchau. Tchau.
Aí. Ô, esse aqui se arrastou, hein? Demo arrastado. A gente arrastou. Conseguiu ganhar a hora que... Puta, eu tô quase pegando.
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