A verdade sobre chegar nos EUA sem dinheiro e sem contatos
Ele chegou aos Estados Unidos com apenas US$140 no bolso e uma bagagem cheia de sonhos. Sozinho, sem conhecer ninguém e enfrentando as dificuldades de um novo país, começou do zero, determinado a construir uma nova história. Cada dia foi um aprendizado sobre superação, trabalho duro e adaptação. Durante sua trajetória, passou por diversas funções — trabalhou em barbearia, fez delivery, atuou na Panebras, na FedEx e em outros empregos que o ajudaram a se manter firme no propósito de vencer. Cada passo, mesmo os mais difíceis, foi essencial para chegar até aqui. Hoje, ele trabalha na Cargovan, onde encontrou estabilidade e satisfação em um novo começo. Sua história é um exemplo real de resiliência e perseverança — mostrando que, com foco e esforço, é possível transformar um início incerto em uma trajetória de sucesso nos Estados Unidos. Contatos: Instagram: https://www.instagram.com/waggner_usa YouTube: https://www.youtube.com/@UCK8iXv-NULUxDP7kKffCk3Q ≡≡≡≡≡≡ 🚀 Conecte-se com a nossa comunidade! 🎥 Inscreva-se no Canal Perguntas e ative o sininho 🔔 📲 Instagram: @canalperguntas 🤝 Empresas que confiamos: https://canalperguntas.com/patrocinadores/ 🎯 Transforme seu sonho americano em realidade 📚 O melhor curso sobre imigração legal, com profissionais renomeados: 👉 https://construindoosonhoamericano.com 💬 WhatsApp oficial: 🌎 Quem ainda não mora nos EUA https://chat.whatsapp.com/GslfdA28Kfl8CRkOmceS2t 🗽 Quem já mora nos EUA https://chat.whatsapp.com/5omnZPlVhQx6zlbqK3eOEM 📢 Quer falar com Paulo Paternes ou contar sua história? 📞 Envie mensagem para +1 (321) 285-2551 https://wa.me/13212852551 Copyright © Canal Perguntas e Paulo Paternes. Todos os direitos reservados. #amigosnoseua #vidanoseua #podcast
- Viagem pelo MéxicoFalta de visto e dinheiro · Inspiração em canais do YouTube · Grupo dos 'vai por conta' · Acompanhamento de rotas via GPS · Viagem de bicicleta como inspiração
- Encontro com o CartelTravessia de balsa em Tecumã · Sequestro e extorsão · Falta de dinheiro para pagar · Liberação por não ter dinheiro
- Chegada e adaptação nos EUADetenção e checagem de DNA · Liberação com data de retorno · Apoio em abrigos para imigrantes em Nova York · Dificuldade de encontrar trabalho sem documentos
- Travessia por El Salvador e GuatemalaCrachá de historiador falso · Travessia de rio clandestina · Extorsão por guia · Perigos da Guatemala
- Decisão de imigrarMotivações para imigrar · Frustração profissional no Brasil · Convencimento da esposa · Estudo de rotas de imigração
- Travessia de trem no MéxicoViagem com família mexicana · Condições precárias no trem · Chegada em Pedras Negras · Cruzamento da fronteira para o Texas
- Apoio e solidariedade na jornadaAmizade com 'Bill' do Equador · Ajuda financeira de inscritos · Hospitalidade de mexicanos · Apoio de igrejas católicas
- Experiências de trabalho nos EUATrabalho em barbearia · Delivery · Panebrás · FedEx · Cargovan
- Vida em abrigos e no carroShelter em Framingham · Convivência com pessoas em vulnerabilidade
Fala aí, galera, beleza? O Paulo que tá falando ao vivo, diretamente de Orlando, Flórida, Estados Unidos, pra mais um bate-papo com vocês. E hoje estou aqui com o Wagner. Fala aí, Wagner, beleza? Opa, beleza, tudo bem com você, Paulo? Tudo bem com vocês, ouvintes, e onde vocês estiverem aí, boa tarde, bom dia, a hora que você estiver vendo. É um prazer estar aqui com vocês.
Obrigado, Wagner. Vamos lá, de onde você era do Brasil, o que você fazia e por que você decidiu vir para os Estados Unidos? Bom, eu sou natural do Pará e morei em São Paulo há mais de 20 anos, então eu estava em São Paulo antes de vir para cá, sou casado lá em São Paulo também e era um barbeiro lá, frustrado, antes de vir para cá, barbeiro frustrado, querido.
É, querendo prosperar, querendo crescer na vida e nada acontecia, as portas estavam fechadas para mim. Tentei de tudo e realmente estava difícil. Aí resolvi, depois de ver algumas pessoas no YouTube, entrou no meu coração a vontade de vir realmente ver se isso aqui era o que o pessoal falava e acabei chegando aqui de uma forma inusitada. E você veio com a família? Você veio sozinho? Com quem que você veio?
Eu vim sozinho porque, Paulo, antes de mais nada, é um prazer falar com você, com a tua audiência. O canal é um dos mais antigos que eu assisti aqui no YouTube nos Estados Unidos. Eu vim sozinho porque eu vim caminhando, eu vim sem visto, né? Não sei se eu posso falar isso aqui. Pode. Aqui tu pode falar o que você quiser. Então vamos lá. Você era casado ou solteiro na época?
Eu sou casado. Ainda sou casado com a esposa. A esposa está no Brasil. Ela está no Brasil. Então você é casado. Aí você falou... Qual é o nome dela? É Priscila. A Priscila. Você falou assim, Priscila, vou para os Estados Unidos. Ela falou, você é louco. Falei para ela.
É, a minha esposa, ela é contrária a eu vim para os Estados Unidos, ela não gosta dos Estados Unidos, mas eu fui convencendo aos poucos ela e chegou um momento que ela, de tanto eu insistir e teimar, aí ela cedeu e eu acabei vindo. Entendi. E você tem filhos? Tenho sim, tenho três filhos no Brasil, dois do primeiro casamento e um com essa esposa atual. Eu gosto de fazer filho.
Você gosta? É, igual eu tenho quatro aqui, ó. Eu tenho quatro. Adoro fazer filho também. Fazer filho é muito... Filho é bênção, Paulão. Filho é bênção. Ô, Wagner, você sabe que eu falo para as pessoas assim. Eu falo, se você quiser ganhar muito dinheiro, faça bastante filho, porque aí você vai ter que fazer a correria.
Pô, você tem que trabalhar de um jeito ou de outro. Não tem jeito, velho. Não tem jeito. É isso mesmo. E um dos motivos pelo qual eu vim pelos Estados Unidos é justamente para dar algo melhor para os meus filhos. Foi esse o princípio do entendimento do negócio aqui. Mas a história é muito grande, Paulo. Você fica à vontade para você me perguntar aí, porque é muita história para contar. Tá. E aí você falou para a Priscila, eu vou. Isso foi quando que você falou para ela?
Eu cheguei aqui em dezembro de 2023, isso foi bem antes de 2023, eu fiquei uma espécie de uns dois anos estudando e dois anos convencendo ela até que cedeu. Aconteceu que em dezembro, em novembro de 2023, eu vim embora para os Estados Unidos, pelo México. Tá, então calma aí, você está lá em São Paulo, aí você falou, bom, eu vou pelo México.
Como é ir pelo México? Para quem você liga? Porque para eu vir para cá, eu fui tirar meu visto. Aí depois eu liguei para a companhia aérea para comprar minha... E para quando você vem pelo México? Você vem direto para o México? Como é o passo a passo do México?
Aí é uma história bem legal pra te contar, porque nós somos de uma família bem humilde, bem simples lá no Brasil. Mas humilde mesmo, cara. Eu recebia nessa época 1.800, por aí. Minha esposa recebia 1.200. Então, as dívidas não deixavam a gente prosperar de jeito nenhum. Então, eu nem me atrevi a tirar o visto, porque eu tenho...
uma visão sobre o visto, entendeu? Eu penso de uma forma sobre o visto, isso eu posso falar para você uma outra hora e ir mais para frente na entrevista, mas eu nem me atrevi a ir tirar o visto, porque se eu fosse pagar o visto para fazer a minha entrevista, eu não ia ter dinheiro para mais nada, então era muito apertado mesmo a minha situação.
Aí eu comecei a ver na internet que tinha três canais aqui nos Estados Unidos que eram muito bons e passavam muitas informações reais, né? Que é o meu amigo, ou não sei se eu posso falar, o Thiago aqui de Massachusetts, meu amigo ele. É qual o Thiago? É qual o Thiago?
É, Thiago. Pode falar, pode falar. Ele é muito meu amigo. Thiago é gente boa demais. É gente boa. E outra pessoa que eu via que era o Rodrigo Veronese e o canal Perguntas. Meu vizinho. E o canal Perguntas. Esses três foram a minha referência.
pra mim poder ver e comecei a perceber assim, cara, é a única oportunidade que eu tenho, é a única chance que eu tenho, eu vi que o pessoal tá indo pra lá e eles tão chegando lá, estão trabalhando e eles vão mostrando que vão alcançando seus sonhos seus objetivos e voltam pro Brasil nessa época tinha gente que voltava e falava eu fiz 60 mil reais nos Estados Unidos, eu fiz 100 mil e voltei pro Brasil, não sei se você lembra desse tempo, pessoal fazendo isso lembra tchau, Bolton
Aí beleza, eu pensei assim, eu tenho uma chance só, então eu vou. Só que eu não tinha dinheiro para pagar um coiote, cara, entendeu? E aí eu comecei a perceber que os atravessadores, eles cobravam um valor, né, assim, para trazer as pessoas. E tinha uma série de indicações nos grupos, o pessoal fazia grupos.
Então, em nenhum desses grupos eu consegui me encaixar, porque eu não tinha dinheiro. Mas, conversando com algumas pessoas que também não tinham dinheiro, a gente fez o grupo dos quebrados. É o grupo dos que vai e vai. O nome do grupo era vai e vai. Que era vai por conta, vai sozinho. O grupo dos vai por conta. Era muito louco isso, cara. Porque nesse grupinho aí, eu era o líder, né? Eu era um dos líderes do grupo.
Então eu falava assim, ó, gente... Olha, olha a evolução, ô Wagner. A evolução do negócio, pra você ver. Do barbeiro frustrado a líder do grupo dos vai por conta. Isso é muito interessante, que no final a gente vai ter outras coisas pra falar sobre isso. Aí eu... acabou que eu falei pra galera assim, ó, eu vou... Eu tinha alguns amigos que vinham...
mas vinham com esses atravessadores que iam vindo. Então eu conversei com eles e falei assim, vocês vão e vocês ativam o GPS de vocês e conforme vocês vão indo eu vou acompanhando a rota, porque aí o atravessador não vai saber que vocês estão sendo monitorados, mas eu estou acompanhando. Então eu fui acompanhando várias pessoas através de rotas, entendeu? E aí eu fui meio que entendendo por onde que eles estavam vindo.
mas a maioria vinha clandestino, ilegal, então eu não poderia fazer o mesmo caminho que eles faziam, porque passaria por tráfico, passaria por várias situações, N situações difíceis aí. Enfim, aí o que eu pensei? Tem um cara vindo de bicicleta, esse cara, ele tá vindo de bicicleta. Aí eu pensei, pô, eu posso comprar a bicicleta e fazer igual ele. Só que o cara tava muito na frente já, ele tava praticamente no meio dos Estados Unidos. Não sei se você lembra dessa história.
de um senhor que estava vindo de bicicleta. Mas vindo de bicicleta? Ele estava vindo de bicicleta pelo México, esse cara está aqui, em Massachusetts. Ele chegou em Massachusetts. E deu certo o negócio dele. Aí eu pensei... Quando você falar com ele, manda ele entrar em contato com a gente para contar essa história aqui também.
Então, eu vou falar com ele. Eu não falo com ele, entendeu? A gente não se bica aqui no norte. Esse cara serviu também de inspiração, entendeu? Eu pensei e falei, se ele tá indo de bicicleta, eu posso ir.
eu posso ir também e vai dar certo. E foi aí que eu comecei a fazer uma estratégia de qual era os lugares por onde eu ia, como que eu ia fazer. Pedi demissão do trabalho. Pedi demissão do trabalho.
recebi lá um dinheiro para mim poder vir. Não sei se você está me ouvindo. Estou ouvindo, estou ouvindo. Então, eu recebi um dinheiro lá que era um seguro desemprego para receber. Eu tinha um seguro desemprego e tinha também uma rescisão para receber. Com o dinheiro da rescisão, eu comprei passagem para mim e para o meu filho de 14 anos.
Eu ia vir com ele, entendeu? O menino de 14 anos. Comprei ida e volta. Aí me sobrou, nesse tempo aí, me sobrou em torno aí de 600 dólares, mais ou menos, que eu já tinha convertido pra dólar, o dinheiro. E deixei guardado. Aí a minha esposa começou a fazer o papel dela de esposa. Você sabe qual que é o papel de esposa? Ela começou a fazer... É eu gastar o dinheiro. Ela começou a me sabotar.
Tá atrasado tal conta de água, de luz. Eu fui pagando. Mô, precisa fazer a compra. Antes de você ir, você não vai me deixar sem dinheiro aqui, não. Você tem que fazer compra pra deixar aqui com a gente. Aí eu fui trocando dinheiro de dólar pra real, cara. Aí eu fui gastando. Quando eu percebi, eu já tava só com 300 dólares. 300 dólares.
o que mais? Uma passagem de de volta, duas passagens de volta. Aí o que eu fiz pra mim ter uma segurança maior? Resolvi cancelar a passagem do meu filho. Ele chorou muito porque ele queria vir. Eu falei, não, filho, tá muito perigoso, filho, eu tô com pouco dinheiro.
e 300 dólares só e assim é eu entrei em contato com um coiote de última hora falando de novo essa palavra nem pode falar né entrei em contato com atravessador uma hora aí o atravessador falou assim para mim quanto que você tem amigo na real fala para mim quanto que você tem aí um coiote brasileiro um coiote brasileiro que esse cara não sei não de que ele tá uma vez no vídeo aí do Thiago Skol ele
comentou lá, disse que ele era o coiote e que ele ficou surpreso. Enfim, eu falei pra ele, eu tenho 300 dólares, cara, eu posso te ajudar, eu sou novo, eu tenho força, posso ajudar. Qual que é a tua idade, Wagner? Aham. Qual que é a tua idade? Hoje eu tenho 40 anos, cara. Eu saí de lá com 39.
38 pra 39 ia fazer já aqui em janeiro. Aí falei pra ele que eu poderia ajudá-lo. Mas ele falou pra mim assim, ó, com 300 dólares, meu amigo, você não chega nem no México. Entendeu? Pode esquecer, não dá. Não dá, eu preciso de gente que tenha dinheiro. Mas quando chega lá eu te pago e tal. Não dá, realmente, tira isso da sua cabeça, não dá. Aí quando ele falou isso, eu falei, pô, nem o coiote me quer, velho.
Nem o atravessador me quer. Aí eu falei, sabe o que eu vou fazer? Eu vou estudar direitinho e vou. Entendeu? Pensei assim, vou fazer essa rota, vou fazer essa, vou fazer. Bolei um plano, comprei a passagem para El Salvador e cheguei em El Salvador lá com um plano na cabeça. Uma ideia de um plano, um projeto na cabeça. E dinheiro? Quanto de dinheiro que você tinha?
300 dólares. 300 dólares. E a passagem você comprou no cartão, então? Passagem eu paguei com rescisão do meu trabalho. Eu tinha recebido a rescisão, paguei e fui. E ainda tinha um dinheirinho, uns 900 reais, que ia cair depois, porque eu canceleia do meu filho, entendeu? Aí ia ter um estorno de 900 reais e isso também me ajudou. Mas eu cheguei com 300 dólares lá em El Salvador, com um baita plano na cabeça de atravessar pela selva.
atravessar a selva, era, era, loucura, loucura, atravessar a selva, atravessar rio nadando, ir até o deserto do Arizona, entrar pelo deserto do Arizona sozinho, meu plano era muito cabuloso, cara. Aí quando chegou em El Salvador, eu consegui, aí é a história que você já sabe, o pessoal desce em El Salvador, vai pra Santana, tô falando isso que todo mundo fala. Não, não, me conta, me conta, eu não sei, eu não faço ideia, vamos lá, chegou em El Salvador sozinho, do nada.
É o Salvador sozinho, cheguei lá com um crachá de historiador, eu fiz lá um crachá de historiador, falei, olha, eu sou um historiador, eu estou aqui para... Crachá de historiador.
É, um historiador. Historiador. Eu faço parte de um... Isso é inédito aqui no canal Pergunta. Isso foi forte. Isso foi forte. Eu faço parte de uma associação, associação dos historiadores do Brasil, cara. Isso aí é forte, isso aí. Aí ele me deu um crachá, era uma pessoa que cortava cabelo comigo, que ele era um dos fundadores dessa associação. Cortar cabelo comigo, eu trabalhava na prefeitura como barbeiro e tinha acesso a várias pessoas. Aí esse cara falou pra mim, ó.
eu posso te colocar como uma pessoa do nosso, você vai trabalhar como alguém de dentro do sindicato lá, dos historiadores. Aí me deu um crachá, eu tenho esse crachá até hoje. Aí com esse crachá eu cheguei lá e falei, ó, eu sou um historiador e vou fazer uma pesquisa aqui, a gente vai conhecer o vulcão, vai conhecer aqui, tem umas pirâmides, tem várias coisas legais lá em Santana, eu fiz um estudo, eu fiz um levantamento de tudo.
O cara falou, uau, legal, Brasil, samba, samba, morreres e tal. Eu falei, é, é, morreres, ok, seja bem-vindo. E entrei sem ele perguntar o dinheiro, sem perguntar nada. É o Salvador. Então, estava dentro. Aí, de Salvador ali, houve...
todo o percurso que eu desenvolvi ali com o taxista, fui até a cidade de Santa Ana, com o taxista já fui conversando com ele, e lá em Santa Ana eu tive um encontro com alguns imigrantes que estavam indo. Você encontrou do nada? Tipo assim, você estava andando ali e de repente você viu uns caras falando português ou espanhol? Não, não, não, espanhol, espanhol, falando espanhol e um grupinho de gente.
E eu me aproximei, vocês estão indo para os Estados Unidos? Sim, estavam indo. E aí, até em Santa Ana, eu estou turistando, para mim está tudo bem, está tudo legal. Santa Ana é uma cidadezinha dentro de El Salvador. Ela é caminho de quem está indo para Guatemala. Então, a nossa cidade que está à frente é Guatemala. Então, Santa Ana, já estou passando...
A vivência, tá, gente? Eu estou passando a vivência do que aconteceu, dos lugares que foram passados. Não estou ensinando ninguém. É só por onde eu passei. Claro, não. Você está contando a história. Você está contando a tua história. A gente está contando a história. Eu não aconselho ninguém a fazer, embora vocês já tenham a opinião, cada um tenha a sua opinião formada. E hoje também, na situação de migração, ninguém passa, né?
então fui para Santa Ana, chegou lá em Santa Ana e eu encontrei esse grupo de mexicanos e eles estavam, eu não sei se era mexicano, era espanhol, acho que era venezuelano e eles estavam indo para lá e eles falaram assim amigo esse esse esse plano seu não funciona não dá certo aí quando eu estava no plano ele falou assim isso não dá certo você quer ir para os Estados Unidos vem conosco
Aí eu falei assim, qual que é o plano? Aí, os hispanos da Venezuela são muito bem organizados. Eles vêm e vão passando toda a fita da estrada, da rota para os que vêm atrás. E o cara me deu uma foto, um print, sabe? No print da foto, tinha os nomes assim.
tava lá, Tapachula aí tava assim o outro nome, assim é... Arriaga, Tonalá aí tava vários nomes assim até chegar, Cidade do México aí o último trem
Eu falei assim, é isso que eu tenho que seguir? Ele falou, é, você faz uma por uma. Aí eu fui no estilo mochilão, cara. Mochilão cabuloso. Fui com a mochila nas costas, fazendo uma por uma. Mas pra mim sair de El Salvador pra Guatemala, eu fiz uma loucura. Uma loucura bem grande aí.
que foi entrar no rio e em vez de eu passar na ponte, tem uma ponte lá que todo mundo passa e a maioria é parada, é presa, eu entrei num riozão lá que tem, atravessei o rio, caí dentro de uma floresta que eu não sabia onde que eu tava.
Disse assim, meu, eu fiz besteira aqui. Eu não vou saber sair desse lugar aqui. O que eu vou fazer pra mim sair daqui? E não tinha como. Não tinha como. Realmente, floresta fechada, sabe? Floresta toda fechada. Aí eu falei, o que eu faço agora, cara? Aí comecei a andar, voltar, tentar voltar. Você tava com o telefone celular? Desculpa te cortar, Wagner. Não tem sinal nesses lugares, assim, de visa entre Guatemala e...
entre Guatemala e El Salvador, toda divisa, quando você chega próximo dela, o celular fica em modo avião. Você acredita? Entendi. Aí eu tô sem internet, sem mapa, no meio do mato, eu tenho um vídeo disso que eu fiz, eu lá no meio do mato.
Encontrei um homem, um senhor, uma casa, chamei, ele veio, o senhorzinho sem camisa, com um facão gigante, assim, falei, meu Deus do céu, que que senhor, meu Deus do céu, e o homem com um facão na mão. Aí ele veio, eu expliquei pra ele, falei assim, ô, de hoje sou um imigrante, de hoje quero passar pelo teu caminho, na tua casa, e expliquei a situação. E ele falou assim, ô, por aqui você não pode passar, porque é uma propriedade privada.
Aí eu falei assim, nem se eu pagar pra você, se eu pagar você me atravessa. Aí ele falou assim, pra passar aqui, 150 dólares. 150 dólares. Era metade do que eu tinha. Aí eu falei assim, não tem como negociar pra 100 dólares. E fui conversando com ele, conversando. Aí ele falou, tudo bem, mas como que você vai chegar do outro lado? Aí eu falei assim, se o senhor me levar, eu pago os 150.
Pô, lá é muito dinheiro, 150 dólares, ô Paulo. Então eu peguei os 150 dólares, assim, meio que consequente, e dei pra ele assim, toma, pá, 150 dólares. Ele falou de vazia a sua mochila, tira tudo que tem aí dentro, eu pensei, pô, o cara vai me matar, velho, é possível, esse cara vai me matar. O que que você tinha na sua mochila? Tinha um monte de roupa, tinha um monte de roupa.
roupa nova, tinha um tênis que eu tava comprei um tênis novo pra usar nesse percurso, só que quando eu tava no mato, entrou um espinho um espinho gigante no tênis que eu não conseguia tirar ele na hora, e toda vez que eu pisava, ele furava meu pé aí, pô, eu larguei o tênis pra trás, e o único que me sobrou foi o social, que eu entrei todo social lá em El Salvador
Pô, segui de social, cara. Segui de sapato social por dentro dos matos. O meu apelido no México era sapato. Porque o galera olhava pra mim e falava, você tá migrando de sapato social? Era, cara. Doido. Brasileiro é doido. Falando pra você. Aí, esse velho me levou. Cara, e ele corria no mato e eu fui seguindo ele. Fui seguindo. Até o momento que ele falou, fica aqui. Seis horas da tarde você sai daqui. Sobe aqui essa ribanceira, as pedras. Você vai sair na pista.
Aqui você está perto da pista, você já está no lado de El Salvador. Aí eu falei, muitas graças, muchachos, muitas graças. Peguei o contato dele, falei, por onde eu vengo, muitos outros virão e tal, peguei o contato, mas perdi o contato do homem.
E ele falou, ok, vou esperar. Todos que vierem, eu vou trazer por aqui. Já fiz uma conexão ali. Coisa da minha cabeça, Paulo. Aí, passei, passei, consegui, né? Consegui. Ele me deixou ali. Eu já subi pra pista, porque eu pensei assim, não vou ouvir o que ele me falou, porque vai que ele depois. Então, eu falei, vou subir logo. Subi e, por coincidência, nessa subida minha, nessa caminhada minha, vinha passando uma van.
uma peruazinha. Eu dei sinal com a mão, ele parou, eu entrei, ele falou, vai pra onde? Aí eu falei assim, pro México? Aí todo mundo olhou pra trás, alguém que tava do meu lado cutucou e disse assim, Guatemala? Aí eu falei, é, Guatemala. Aí foi aí que essa pessoa me disse assim, olha, todo esse plano que você fez, não dá certo, esquece isso. O cara tava do meu lado, ele falou, tô indo pra lá também.
Aí, resumindo, eu tive que pagar a passagem dele, por conta que ele me deu essa informação, me deu a foto com o nome das cidades. Aí fiquei num hotel lá, em Guatemala, ele falou, não sai à noite para lugar nenhum, porque aqui é muito perigoso, cara, vão te sequestrar, que está todo mundo contra você, aqui todo mundo vai te sequestrar, então não sai à noite para lugar nenhum. De manhã você pega um táxi, eu vou pedir para o cara botar um táxi na porta, te leva para a rodoviária, de lá você vai para Tecumumã.
que é a divisa com o México. Isso já lá em Guatemala. Um lugar perigosíssimo para brasileiro lá. El Salvador é uma maravilha, é uma delícia, mas Guatemala eu não recomendo a pessoa ficar de bobeira lá. Aí eu dormi nesse hotel lá, já gastei ali mais um pouco do dinheiro. E comida, você comia o quê, Wagner?
O próprio hotel, ele foi buscar comida pra mim na rua lá. Comida ruim da Guatemala. Cara, uma comida sem... É sobrevivência mesmo. Comida ruim? Comida ruim, sobrevivência, cara. Guatemala é horrível. Embora tenha alguns amigos de Guatemala que são maravilhosos, sabe? Guatimatecos são maravilhosos. Mas lá eu não me adaptei. Aí de manhã, o dono do hotel me chamou e eu desci na recepção. Ele falou, ó, o seu táxi já tá aí. Eu paguei ele.
Paguei o cara do táxi, pensei, tá tudo certo, o táxi realmente, como foi uma indicação, aí eu consegui pegar o táxi correto e ele me levou até a rodoviária. Na rodoviária, eu consegui pegar ônibus, tudo tava dando certo, sabe, consegui pegar o ônibus.
E foi um dia inteiro de viagem até chegar à divisa do México, que é Tecuma. Atravessamos a Guatemala em um dia, passamos por vulcões, tudo em um dia, e sem parar em polícia nenhuma, graças a Deus. O que os comentários de outras pessoas que vieram por ali foram parados, foram taxados, foram extorquidos, entendeu? Mas eu consegui ir direto.
Só que aí foi que caiu a minha... O momento que eu caí em si, que eu estava fazendo algo muito perigoso, foi que eu cheguei lá em Tecumã, eram 5 horas da tarde, aí o pessoal estava cruzando lá. Não sei se você já ouviu alguns depoimentos, eles cruzam em cima de uns pneus, sabe? Umas balsas, uma espécie de balsa. Na água, né?
Na água, cara, na água, debaixo das pontes ali. E eu fui lá e parei ali. E nessa que eu parei, já era um pouco, já estava escurecendo. E alguma coisa dizia assim, deixa para amanhã, vai amanhã. Procuro, eu já sabia que tinha um lugar lá que chamava Casa do Imigrante, que era um lugar onde você poderia dormir, confiar. É uma ONG, ela vai ter em vários lugares, ela tinha lá.
E aí, o que eu fiz? Fiquei por ali, trocando ideia com o barqueiro. Tinha um menininho que me olhava assim, um menininho me olhava e balançava a cabeça assim, que não, e o barqueiro me insistindo, vamos, se você quiser, e agora eu te levo. Aí eu tinha, o único dinheiro que eu tinha, nesse momento agora aí, eram cerca assim, tipo assim, alguns trocados já de, alguns trocados de dinheiro assim de, de Guatemala.
Porque o dinheiro já tinha ido embora. Os 300 dólares tinham ido embora. Moedas, né? Mas moedas... E se eu não me engano, eu tinha 30 dólares. 30 dólares num cartão, sei se bem, que eu levava. Aí veio um grupo descendo. Nesse exato momento, veio um grupo descendo de 15 pessoas pra cruzar. E aí reacendeu em mim a vontade de cruzar junto.
Aí eu pensei, com eles vai ser seguro e eu vou cruzar junto com eles. E o barqueiro falou, você quer ir? Você quer ir, vai. Aí eu falei, ó, tudo que eu tenho tá aqui. Dei as moedas pra ele. As moedinhas. E fui. Pronto, acabou meu dinheiro. Chegou do outro lado, todo mundo desembarca, sai uma pessoa de dentro do mato. Vamos, vamos, eu sou o guia. Vamos, eu sou o guia.
Aí todo mundo segue, eu sou um dos que vai na frente, porque eu queria logo sair daquela situação. Aí eu falava, vamos, gente, vamos, gente. E o cara, me segue, me segue, me segue. Aí foi indo pro meio do mato, assim, fomos indo mais pra dentro, fomos indo mais pra dentro, chegando o momento que a gente chegou no local, onde tinha um monte de roupa no chão, onde tinha muitas coisas jogadas. Ele falou, façam uma fila aqui. Eu falei, epa, já começou a sair do negócio aqui. Aham.
Faz uma fila, todo mundo fez a fila. Pode botar as mochilas no chão. Falei, mas o que ele vai fazer? Vai conferir a galera como é que é? Aí ele falou, ó. Aqui é o cartel. Falou desse jeito, cara. Aqui é o cartel. Aí saiu mais dois, três, não sei de onde. Estavam lá também. Já com pistolas na mão, sabe? Aí ele falou, aqui vocês têm que pagar. Se vocês não pagarem, matem.
E joga na água. Aí eu falei, pronto, velho. Putz, velho. E agora? E para passar a cá, são 100 dólares. São 100 dólares. Isso eu passei. Isso aí eu passei quando vim, né? Lá na Guatemala. Todo mundo começou a se coçar lá, a caçar dinheiro. E aí eu esperei ele vir me cobrar. Quando ele veio me cobrar, eu falei assim...
É, mano, eu não tenho, porque eu estou migrando somente com uma tarjeta. E há 32 horas de cá, só 30 horas. Eu sei falar um pouquinho espanhol, né? Aí ele, ok, você não tem? Aí eu falei, não, não tenho. Ele falou, você deu revistar você aqui, tá?
eu vou se você tiver vou matar você aí eu falei assim não tem problema eu não tenho aí cara passou uns cinco minutos de liberou todo mundo e falou a você pode ir
caminando, entendeu? Aí eu fui junto com eles, saí daí daquela situação, assim, saí em pânico, sabe? Saí em pânico, porque eu não tinha visto armas. Você foi com os bandidos ou você foi com a outra galera? Com o grupo, com o grupo da galera, cara. O grupo da galera fui. Então os caras não pegaram nem os 30 dólares teu? Não pegaram, porque tava num cartão e eu ia fazer o que no meio do mato, né? Não tinha como. Tava no meio do mato lá. Foi ali que você teve que liberar o negócio, não?
não, ali, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, foi, foi ali eu fui, não, ali, ali eu fui para a praça, ali eu já fui para a praça. Enchei no teu saco, velho, estou brincando. Não, não, aí... Deixa eu parar só um pouquinho, ô Wagner, muito bom aí, pessoal, eu estou enchendo o saco, cara, que ele é um bom contador de história.
e ele tá falando e eu tô vivendo a história com ele cara e é um negócio muito muito doido isso você não vê na televisão você só vê isso aqui no canal perguntas e não se esqueça se você não for é inscrito no canal pergunta inscreva-se vai seguir a todas as redes sociais do Wagner tá aqui na descrição deste programa aonde você tiver vendo ouvindo vai lá e segue o Wagner também e compartilha
este bate-papo aqui porque é coisa de maluco, isso é coisa que a televisão não mostra. Fala, aí você foi com a galera. Sim, aí eu fui com a galera. Um detalhe, eu era o único brasileiro até então ali. Único brasileiro. Aí chegando do outro lado, dessa galera tinha um negrão alto, que era de Equador. Era o Bill.
E o Bill se tornou o meu guarda-costas, cara. Porque o Bill caiu assim, perto de mim. Aí falou assim, amigo, você não tem nada para comer? Aí eu falei assim, eu tenho, tenho. Aí eu trazia dentro da mochila pão, trazia uns biscoitos. Aí eu peguei e dei para ele. Ele falou, amigo, muito obrigado, muito obrigado. Eu estou morrendo de fome e tal. Eu dei para ele. O cara era gigante, velho. O cara é gigante. Mas era uma moça. Com o tempo eu conhecia ele. Era uma moça.
Aí eu falei assim com ele, se você vim comigo, camina comigo para que nós dois andamos juntos. Aí ele, bueno, bueno e tal. E a gente, eu gastei os 30 dólares que eu tinha ali, comprei uma Coca-Cola, comprei uns pães e dei para a galera que estava lá, os venezuelanos. Estava comigo, sofreram comigo lá o sequestro, cara, e eu dei para eles.
e eles eles ficaram muito meus amigos sabe e assim comeram como como se tivesse porque tinham perdido tudo seu dinheirinho deles e aí nessa conexão muitas coisas vão acontecer eu vou conhecer o bio o bio vai andar comigo o caminho inteiro eu mando mensagem para minha esposa no Brasil que eu fui sequestrado que eu tinha que falar também aí você deixa mais pânico
Não, mas aí eu não tinha dinheiro. Eu não tinha mais como prosseguir, entendeu? Foi aí que eu falei, ó, amor, tenta ver o que você pode fazer. Fala com o cunhado, fala com a minha sogra. Depois eu pago direitinho. Tenta pegar com eles, tipo assim, 500 reais e tal. Aí nisso, eu já tinha um canal que eu tinha feito no Brasil, que eu tinha falado que eu tava indo, mas eu não tinha postado nada.
E aí eu comecei a postar os vídeos ali, porque eu fiquei nesse lugar aí, eu fiquei, tipo assim, uns dois dias parado. Nisso eu postei tudo, pedi ajuda pro pessoal, e aí o pessoal começou a me ajudar. Tipo assim, 15 reais, 20 reais, tipo, ao total eu consegui uma ajuda lá de uns 500 reais.
Aí já deu 100 dólares. Aí já deu 100 dólares, entendeu? Esses 100 dólares eu consegui avançar, eu e o Bill, até a metade do caminho. A gente foi avançando. Aí é aquela história toda. Avança pela pista, caminhando, pega um ônibus, o ônibus não te leva...
após umas blitz que tem, eles param antes da blitz, para 500 metros antes. É o ônibus onde que é? O ônibus nos Estados Unidos já ou não? O ônibus do México. O ônibus do México. Ele pega você no ponto, fala assim, você vai para a Riaga? Vou. A gente deixa você antes do retém, que é o nome que eles chamam, retém, que é uma barreira policial. Aí a gente vai, chega lá antes desse retém, eles deixam a gente.
Eles vão embora, aí a gente perde a passagem. A gente passa andando no retém, na frente dos policiais, está cheio de câmeras ali, as câmeras batem foto do seu rosto, eles pedem que você entre num corredor, a câmera bate foto do seu rosto, eles sabem que você já está ali, entendeu? O governo mexicano já sabe, nesse momento eles já sabem que você está ali.
Aí você vai passando, passa do primeiro, passa andando. Porque passa andando, eles não fazem nada. Aí no segundo, passa andando. E quando você passa, você está passando em 100, 150 pessoas, entendeu? Gente pra caramba, velho. Igual uma procissão.
E só eu, e só eu de brasileiro, por enquanto. Então, só eu de brasileiro. Nessa caminhada, eu fui um dos primeiros que chegou aqui nos Estados Unidos vindo assim, por pé. Tipo, passa caminhando, aí do outro lado, reza para parar uma van, porque todos que passam, passam lotada. Aí para uma van, tu paga mais 20 pesos, ou 50 pesos, 40 pesos, 60 pesos. E você tinha? E você tinha?
Esse dinheiro que eu recebi do Brasil, os 100 dólares aí, eu fui comprando. Eu sempre trabalhei assim, comprando um pouquinho de pesos e guardando. Entendeu? Era 100, de 100 em 100 eu fui avançando. Eu e o Bill. E eu fui pagando a passagem dele. O Negão. O Negão. Que é o que você casou hoje.
Não, ele casou já lá em Nova York, já tem até filho o bichão, já até tem filho já. É rápido. Aí, cara, eu vim com ele até chegar num lugar chamado São Pedro. São Pedro de Tapanantepeque. Tô dando o nome da cidade porque eu me lembro dessa cidade. Lá em São Pedro, eu conheci um mexicano muito católico.
Esse mexicano disse assim pra mim, se vocês quiserem, vocês podem ficar na minha casa e lá vocês vão ter comida, vão ter roupa lavada, vocês vão poder descansar. Só que eu quero que vocês chamem outros imigrantes pra ir pra lá. Aí eu cobro deles, tipo, 100 pesos pra eles dormirem lá. Vocês não precisam me pagar. Tipo, a gente ia trabalhar pra eles chamando pessoas pra ir pra casa deles, que é tipo uma pensão, né?
Aí eu fiquei na casa dele lá por, tipo, uns 15 dias, cara, porque eu não tinha dinheiro pra continuar. Então, foi 15 dias que eu trabalhei pra ele. 15 dias lavando o banheiro, 15 dias chamando gente pra casa dele. Aí, ele me arrumou lá, dentre os amigos dele, uma maquininha de cortar cabelo. E aí, eu vou cortar cabelo lá no México pra levantar dinheiro pra mim continuar a viagem. Fiz uma plaquinha, falei, ó, eu tô aqui bloqueando, tá? Para continuar lá a migração.
Fiz lá. Fiz muitos amigos no México, cara. Tinha gente que nem queria que eu fosse embora mais, entendeu? É muito louco essa história aí. E você cortou o cabelo e levantou quanto de dinheiro? Um cabelo lá eu levantei em torno de uns 300 pesos, cara. Muito pouco. Porque o corte de cabelo lá é muito barato. O corte de cabelo é 10 pesos.
entendeu 10 pesos 10 pesos dólar quantos reais ou é dólar é 10 pesos é quase é menos que um dólar eu acho que é um dólar mais ou menos nossa muito barato aí nisso daí é conheci eu conheci a família do mexicano é a esposa dele gostava muito de mim os amigos
Fizemos festa de aniversário dele lá e tudo, mas chegou um momento que eu tive que vir e o Bill não tinha o dinheiro. E eu já tinha, porque eu recebi o quê? O seguro desemprego começou a cair pra mim, entendeu? Foi aí... Tá me ouvindo? Tô ouvindo. Aí, eu tinha agora um dinheiro pra prosseguir e o Bill não tinha, mas eu não podia levar o Bill mais.
E aí, nesse momento, eu peguei... Lá, eles tinham... Tinha, nessa época, um ônibus que levava você até a cidade do México, cara. E nessa cidade do México, o próprio mexicano, né? Que me recebeu lá, ele tinha um amigo que também já tinha passado na casa dele, que estava vindo para os Estados Unidos.
e que vinha num tal de um trem. Aí eu falei assim, bom, me indica que eu vou junto. Ele falou, tá bom, o Luiz vai te esperar, que é esse amigo dele, e ele vai junto com a família, vai te levar de trem. E aí foi quando eu cheguei na cidade do México, depois de três dias de ônibus. Bem difícil, viu? O México é muito grande, é igual os Estados Unidos, é muito grande. Aí quando chegou lá na cidade do México, eu encontrei o Luiz e a sua família.
E eles me receberam como da família, eles falaram, a partir de hoje você é da nossa família, o que a gente comer você come, o que a gente beber você bebe, nós vamos para o trem. Aí nesse dia, nesse mesmo dia, eu cheguei de manhã, de tardezinha a gente começou a ir atrás desse trem, que ele fica numa região afastada do México, é um deserto, meio que deserto. Então você sai da cidade do México e vai pegando ônibus, vai mudando para um trem, depois pega um ônibus, pega uma van.
Sei que você chega lá em frente de uma fábrica e você fica dormindo ali no chão até esse trem passar. Foram uns três dias esperando esse trem. Tem um momento que ele para, aí quando ele para eu falei, vamos pegar o trem. Ele falou, vamos, corre, corre que agora você vai subir no trem, entendeu? Então a ideia do trem era pegar o trem e subir no trem.
um trem em movimento? é, o trem ele vai parar ele vai parar porque é subida em determinada parte ele para ele não arranca o trem ele não arranca de começo, ele vai pegando força entendeu? então ele tinha um determinado lugar que ele parava principalmente nas curvas ele para também aí a gente subiu no trem junto com a família dele tinha em torno de umas mil pessoas esperando esse trem nossa, era muita gente então E aí
Cara, eu tenho essa gravação no meu canal, depois você pode pegar também. Cara, muita gente, mil pessoas em cima de um trem. E eu fui seguindo com a família dele, fui ajudando eles, fui fazendo amizade com eles. Fizemos uma casa em cima do trem. Em cima, literalmente, é no teto do trem. Esses trens que passam aqui nos Estados Unidos, é exatamente esse. Esses trens antigos que passam na ferrovia. E aí, esse trem, acho que foi aí pra gente cruzar, foi uns cinco dias pra gente chegar.
numa cidade ali, em Pedras Negras, e quando chegou em Pedras Negras, a gente desceu, fomos caminhando, eu já não tinha mais força, eu já não tinha mais força, eu já não tinha mais dinheiro, não tinha mais comida, porque a gente comia, assim, o que davam, as pessoas davam para a gente. Às vezes o trem parava e ficava assim, tipo, dois, três dias parado, a gente tinha que descer.
ir na cidade mais próxima pedir comida pras pessoas, pros mexicanos os mexicanos abriam a porta e davam olha, toma isso, toma aquilo toma sapato, você tem sapato? o povo mexicano eles são muito caridosos são muito cristãos sabe?
Os lugares por onde eu passei, que eu comi, sempre foram igrejas católicas, do Sagrado Coração de Jesus. E eu que sou um evangélico, me senti constrangido, porque muitas vezes eu não tive esse apoio evangélico, mas eu tive esse apoio católico, entendeu? Então eu tenho um grande respeito por esses irmãos.
católicos que fizeram esse trabalho aí pra gente e fizeram com que eu chegasse. Mas voltando aqui à história do trem, chegou em Pedras Negras, foi o que aconteceu. Chegou lá, a gente cruzou o rio, nessa época podia cruzar o rio, depois tinha um container, que era por onde os migrantes pulavam, todo mundo conseguiu entrar ali por aquele container, ainda era a época do presidente...
anterior ao do Trump. Eu sei o que é. O Biden estava aberto. Estava aberto a fronteira, cara. Todo mundo estava entrando por lá. E todo mundo entrou. E nessa época eu entrei. Dezembro, dia 24 de... Não, dia 4 de dezembro de 2023. Foi quando eu entrei. Entramos no Texas. O Texas fez um documento com a gente que a gente não poderia ficar em terras texanas.
Mas se foi lá, você se entregou. Entreguei, entreguei. Eu entrei por cima dos alambrados, tem uns alambrados ali, a gente fez um esquema lá, jogamos mais roupa, varamos, passamos por... Você pulara a cerca. Tem um arame mesmo, é um arame de guerra, aqueles arames que cortam. A gente conseguiu deitar aquilo, passamos para cima. O exército, tipo, sim, eles ficavam olhando, mas eles não podiam fazer nada.
Como tinha criança, mulheres, então, tipo assim, eles só acompanhavam a gente. Pra lá, ó, vocês têm que seguir pra lá. Um lugar onde que era a entrada dos Estados Unidos. Lá dentro, eu ainda assim ajudei os meus amigos que vinham, que estavam subindo, os outros. Fui fazendo tudo aquilo, fui encontrando todo mundo ali. Muita gente se perdeu no caminho, muita gente ficou pra trás. No México, cara, existe uma coisa que é assim, se você não tem dinheiro, você não migra.
sem dinheiro você não avança. Tinham duas moças que estavam migrando juntas com a gente, e elas tinham uma 17 e outra 19, coisa assim. Aí eu dei para elas o dinheiro que eu tinha, o último dinheiro que eu tinha ainda, uns trocados, eu falei, olha, eu tenho 50 pesos, eu vou dar para vocês, eu vou ter que continuar porque eu não posso parar. Aí dei o dinheiro para elas e fui embora.
Depois de um tempo, eu encontrei uma delas só, mais na frente. Porque a gente, na migração é assim, alguém que você encontra aqui, às vezes você encontra lá numa outra cidade. E aí, encontrei uma delas lá e perguntei para o pessoal, cadê a irmã dela?
Aí o pessoal falou assim, ela deixou a irmã pra trás, porque ela achou um cara, que um cara disse que ia pagar pra ela, pra trazer ela, bancar, né? E não podia bancar as duas. Então ela deixou a irmã pra trás, a irmã dela ficou pra trás. Então isso acontece no México, na migração. Pessoas ficam pra trás. Às vezes você pega um ônibus, a pessoa não pega, nunca mais você vê.
Porque já vai pra outro caminho, nunca mais ver. Então foi isso que aconteceu. Mas eu consegui entrar nesse dia. Passei só uma noite preso. Não foi preso, na verdade, foi só pra fazer checagem, né? Foi detido, né?
É detido ali para fazer o exame de sangue, eles fazem o exame de sangue, eles tiram o DNA da sua saliva, verificam o seu status no Brasil, se você deve à justiça. Aí depois disso, eles de manhã te dão um papel, que eles me deram um papel para eu entrar.
com a data do meu retorno para me apresentar no setor de migração. Eu tinha uma amiga que me deu o endereço dela lá da Filadélfia, então meu endereço ficou de Filadélfia, mas na verdade eu fui para Nova York. Aí eu fiquei chegando em Nova York sem nada. Meus inscritos fizeram uma vaquinha e me mandaram 140 dólares. Fizeram uma vaquinha e me mandaram 140 dólares, inscritos.
Então eu chego nos Estados Unidos com 140 dólares no bolso, lá em Nova York. Fui ficar numa ONG que fica bem na Thalm Square. Bem ali, cara. Eu tive a oportunidade de conhecer tudo ali. Andava para cima e para baixo. Aí Nova York tem todo o suporte, cara, para imigrantes. Então quem está vindo para cá.
sem nada, sem... No meu caso, é uma loucura. Eu sou uma loucura... Definitivamente, eu não tinha que estar nos Estados Unidos. Eu sou um dos caras que, tipo assim, você não tinha que estar aqui. Pela lógica, porque eu não falo inglês, entendeu? Eu não tinha dinheiro pra vir, não tinha o visto, não tinha lugar pra ficar.
Cara, eu não tinha nada, cara. E de repente eu vou e fico lá num albergue para imigrantes, bem no centro da Home Square, começo a procurar trabalho. Qual a raça que tem mais, qual a nacionalidade que tem mais no albergue? Cara, lá é mais africano. Mais africano...
árabe e venezuelanos, essa parte de venezuelanos, brasileiros, o pessoal, assim, você quase não acha, africano, árabe, venezuelano, e aí você ficou quanto tempo lá e fazendo o que? Como que eles te ajudam a sair de lá?
Cara, nesses 30 dias que eu cheguei lá... Então, lembra que eu te falei que eu entrei no Texas? E o Texas disse, você não pode ficar aqui. A gente te libera, mas você tem que escolher um lugar e a gente vai te dar um ônibus. Aí eu escolhi Nova York porque era o que me veio na cabeça. E eles deram o ônibus para Nova York e todo mundo vai para fora do Texas. Ninguém fica no Texas, nem podia ficar. Se você for pego aqui no Texas, você é deportado.
Aí eles... O que eles estavam fazendo? Eles estavam mandando para as cidades que são santuários, né?
Aí eu fui pra lá E chegando lá já tinha uma estrutura, cara Estrutura de Nova York Pra você ser recebido Tem café, almoço, janta Você recebe os primeiros atendimentos Faz novamente toda aquela check-up E depois eles te levam pra você Tipo assim, orientam você Você tem que fazer o seu pedido de asilo Eles orientam Tem assistente social que te ensina Como fazer o pedido de asilo Tem os lugares que você pode fazer o pedido de asilo lá Tem o curso do OSHA Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe
Tem... o que mais? Tinha vários benefícios, cara, em Nova York, inclusive comida, roupa, o que mais tinha. Você tinha uma lista de lugares onde você podia pegar roupa durante a semana e no sábado. Tinha uma lista de lugares onde você podia comer, almoçar e jantar. Tipo assim...
tá à vontade aqui em Nova York, mas não tinha trabalho, porque pra você trabalhar, você precisa lá ter o social, o pérmido do trabalho e tudo mais, e a gente não tinha isso então. Então, por esse motivo, tipo, Nova York pra mim não deu certo. Trinta dias eu falei, eu tenho que sair daqui, não dá, eu não posso ficar aqui. Eu saía pra todo lugar, eu ia pro Brooklyn, eu ia procurando trabalho, sabe? Mas, tipo...
não tava conseguindo nada, não aparecia nada, porque, tipo, Nova York é turismo, é turismo, não é um lugar pra você chegar e dizer assim, vou arrumar um trabalho aqui, a não ser que você fale um pouco de inglês. Então, alguns amigos meus falaram, ficaram sabendo de um shelter que tinha em Framingham, tem um shelter lá, na Três Mechã, Framingham, lá em Framingham, Três Mechã.
é um shelter e eles me falaram tem uma vaga lá cara vai lá que você pode ficar no shelter e procurar trabalho aí eu peguei fui para o foi aonde que eu saí de nova york me deram a passagem eu fui lá em cv da vai aqui o embaçado né cara lá eles dão a passagem para você e eles te de volta para o brasil se você quiser também
Tipo assim, você vem aqui, caso você quiser ir para o Brasil, para a sua cidade, você vem aqui que a gente compra passagem para você. Aí tem um lugar lá que você compra passagem. Os pessoal vão começar a mandar mensagem para você, para você dar o endereço do lugar. Onde que pega a passagem de graça? Para voltar.
Vamos fazer o seguinte, galera. Deixa aqui o teu like e compartilha o comentário. Escreve assim, eu quero saber que a gente vai mandar para você. Não sei como a gente vai mandar, mas escreve aí. Eu quero saber o que é. A gente manda. E é tudo legalizado. A própria prefeitura te dá a passagem. Deram para um amigo meu e ele foi...
até pra Recife, deram uma de São Paulo pra Recife, até o Uber, eles dão até o Uber. Aí ele aí eu fui fiz uma, cometi uma besteira aí vai ser engraçado te contar isso, cara foi assim. Peguei, cheguei num aeroporto de Nova York
que é o Laguarda, é isso, o Laguarda, né? Pra Boston. Aí, quando eu chego no aeroporto, eu já todo... Seu ponto nos Estados Unidos, tá? Deu certo e tudo. A moça falou assim, você tem algum eletrônico na sua bolsa? Aí eu olhei pra ela e falei assim, eu tenho uma bomba. Mentira.
Falei, falei, cara. Uma piadinha de... Uma piadinha de péssima. Essa piadinha podia te levar pra cadeia, cara. Na mesma hora, cara. Depois me falaram isso, falaram você é doido de você fazer isso, cara. E eu falei assim, mano, mas eu falei da boca pra fora, falei brincando, uma piadinha de brasileiro.
Aí ela falou, what? Aí ela falou assim, what? Aí eu falei assim, stand-up. Stand-up. Aí veio um outro agente que falava espanhol e ele falou assim, o que passa? Aí eu falei assim, não, não, eu falei pra ela que eu tenho aqui, não tenho nada em minha bolsa e tal. Aí ele olhou pra ela.
E disse assim, é um erro de pronúncia. Ele não tem nada, é um erro de pronúncia. Aí ela falou, ok. Emburrada, com a cara emburrada, assim, séria. É claro, você não se brinca nunca, gente, nunca. Não pode fazer isso, porque assim, depois que eu contei para alguns amigos, principalmente quem já mora aqui nos Estados Unidos, o pessoal falou assim, cara, você fez duas coisas erradas. Primeiro você falou a palavra bomba.
dentro do aeroporto. Isso não pode falar. É como se falassem fogo dentro do cinema. Você não pode falar isso. E você disse pra ela e eu estou de pé. Então eu tava falando stand-up. Stand-up. Tipo assim, eu tenho uma bomba e eu estou de pé. Que eu queria comedy, entendeu? Era isso. Eu queria falar...
Standard Comedy Mas aí eu só lembrei da palavra Standard Enfim, consegui chegar lá em Boston, deu certo
E lá eu fui trabalhar numa barbearia de um guatemateco também, o Tigre, que é um cara gente boa. E não deu certo muito bem a barbearia, porque, tipo, cortava só dois cabelos por dia, todo mundo tem seus barbeiros preferidos e tal. Então, eu fiquei ali meio passando uma necessidade, sabe, cara? Foi aí que o Thiago Escol apareceu na barbearia pra cortar cabelo e falou, vem cá, você eu te conheço. Eu falei assim, ah, eu também te conheço. E ele falou, eu também te conheço.
Vamos gravar um vídeo? Você não é o que veio do Brasil? Falei, sou eu. Aí fui gravar o vídeo com ele, com o Thiago Scholl, que se tornou para mim peça fundamental. Aí...
Fui fazer o delivery e fiquei trabalhando no delivery. E saí do shelter por conta de um outro imigrante que estava chegando, um amigo chamado Nilo. Ele estava chegando e não tinha onde ficar. Eu tinha o carro e tinha o shelter. Cara, eu estava no melhor dos mundos, porque o shelter não paga aluguel, entendeu? Então, você não paga aluguel. Inclusive, hoje, deve estar morando lá. Porque o shelter só tem na cama.
É uma casa, uma casa com vários quartos, né? Sem portas, eles não têm portas. Mas no quarto são dois biliches, um de cada lado, da parede. Quartos pequenos, né? Aí, então, dorme dois em cada lado, assim. Quarto com janela. Você não pode deixar nada, você só tem uma mochila, praticamente.
Tu pode deixar as tuas coisas que tu confia nas pessoas que estão no teu quarto, entendeu? Tipo assim, ó, se sumir, a gente sabe quem foi aqui, só tem nós quatro aqui, então vamos cuidar. E era regra, lei, não pode entrar no quarto do outro. Tipo assim, se tu é de um quarto, tu não pode entrar no outro quarto. Tu tem que pedir permissão. Então, eu jogava minhas coisas em cima da cama. Eu também não tinha muita coisa, não, era uma sacola de roupa.
que eu trouxe de Nova York, então eu jogava em cima da cama e eu ia fazer delivery. Aí comecei a fazer delivery, mas como o shelter é muita gente drogada, o pessoal bebe, fuma maconha, essas coisas, né? O shelter. Shelter é pra isso, pessoas em situação de vulnerabilidade, porque aqui em Massachusetts o pessoal fica na rua e morre, né? Então...
de vez em quando tá dando uns ataques aí, mandam pro shelter, essas pessoas, que são bêbados, viciados, vai tudo pra lá. Só que aí, conforme você vai convivendo ali com eles, vão te respeitando, tá ligado? Ô Brasil, Brasil, ô Brasil, tá? E vai te respeitando ali. Mas eles começam a pedir dinheiro pra você com o tempo.
Tipo, se você tá trabalhando, eles começam a te pedir emprestado o dinheiro. Ah, me empresta 20, Brasil, pra comprar um negócio ali, depois eu pago. Aí eu pensei assim, pô, não tá dando certo esse negócio aí não, dos caras me pedirem dinheiro, eu vou ter que sair. Nisso, o Nilo chegou, sem lugar pra ficar. Aí eu falei assim, ô Nilo, fica aqui no quarto e eu vou sair e vou dormir no carro. Porque eu pensei assim, vou dormir no carro. Como que você conhece esse Nilo?
O Nilo é um ciclista que estava vindo também pelo México lá. Ah, esse é aquele ciclista que você falou que estava vindo pelo México de bicicleta? Não, não. Esse já é outro. Esse já é um que vem depois desse. Esse aí já é um outro que vem. Nossa, cara, tem mais gente maluca brasileira do que o... Os malucos estão tudo aí em Massachusetts. Você não conheceu. Tá, você não conheceu essa galera, o Fernando da bicicleta Aventura Sem Fim. Você não conheceu. Ele veio pelo México de bicicleta. Foi o primeiro.
Ele foi o primeiro a chegar. Esse foi o que veio puxando a turma. Abriu o leque. Porque tem, então, você só vinha cá. Ou de visto ou de atravessador, né? Só essas duas maneiras aí. Aí ele falou, não, preciso de uma bicicleta.
Pô, ele vinha de bicicleta, entendeu? E ele foi o cara que começou tudo. Aí, daí eu saí de lá do shelter e fui morar em Boston, dentro do carro. Então, você sabe qual o modo dos operantes, né? Pra quem dorme no carro, né? Paga lá a academia Planet Fit, acabou. Você paga Planet Fit. Eu já dormi no carro, eu já dormi no carro.
Ô Paulo, é tranquilo, hoje eu durmo numa van aqui, porque eu trabalho em cargo van, já estou avançando as coisas aqui, mas só para te adantar, hoje eu durmo numa van, mas não me falta nada. Mas o carro, ele chega um momento que você vai ficando caustofóbico no carro, né, que é muito apertado.
Tipo assim, chega uma hora que você não aguenta mais, cara. Você quer sair, você quer se levantar, você quer dormir numa cama. E o carro é horrível, porque você tá dormindo, chega alguém, passa do lado andando assim, você se acorda. Você tá ali dormindo, aquele carro que lança gelo, ou o pessoal que limpa a rua, te acorda também. Mas joga gelo em cima de você. Joga gelo em cima. Não, é horrível dormir no carro, porque todo barulho te acorda.
E todas as luzes do dia também, isso tudo influencia. Você acaba nunca dormindo direito. Então, é...
Tava lá, eu tava lá, tipo assim, definhando dentro do carro. Aí mais uma vez, o Papa Help, não é Papa Help, é o Dad Help, o Dad Help, Thiago Scholl foi lá e falou assim, tu não quer ir lá pra minha casa não, velho? Que eu não sei o que ele viu em mim, entendeu? Eu não sei, eu sei que o cara me ajudava toda a vida, velho.
falou assim, tu não quer ir lá pra minha casa não? Tu paga o aluguel de um quarto lá e tu fica lá. Aí eu falei assim, pode ser, né? Eu tô aqui no carro aqui e fui pra lá. E comecei trabalhando e tal, e pagando o aluguel pra ele, até que chegou um momento que ele falou assim, como é que tá o delivery? Você tá gostando do delivery? Ele falou assim, vou arrumar pra você trabalhar numa empresa.
Agora eu vou falar da empresa. Vou falar da empresa, que foi a empresa que abriu as portas pra mim, cara. Que me quebrou um galhão. Eu já tinha tirado aí, então, o meu... Como é que chama esse... Work Permit. Não, não. O Work Permit veio depois, porque eu tirei primeiro... Eu dei entrada no asilo. O Social Security. Não, o Social e o Permit, eles só vêm cinco meses depois que você dá a entrada. Mas eu tirei um outro, um antes.
A Etinambi. Eu acho que é esse. Esse é a Etinambi. Eu consegui tirar o mais rápido possível.
Aí, o Thiago, com os contatos dele, conseguiu pra mim uma vaga numa empresa chamada Panebrás. Não sei se eu já ouviu falar dessa empresa aqui. Cara, uma santa empresa, cara. Ajudou, me quebrou um galho, me tirou da miséria, essa empresa. Ah, eu fui trabalhar nessa Panebrás. Fui ser drive nessa Panebrás. Não sei se o dono Paulo vai estar ouvindo aqui, cara, mas com certeza ele vai estar ouvindo. Velho, eu saía da casa do Thiago Scholl.
Olha só, saí da casa do Thiago Scholl, eu ia dormir na garagem dessa Pannebrás, eu ia dormir lá, até abrir a Pannebrás, que abriu às 5h30. Às 5h30 eu saía, escovava os dentes e ia trabalhar. Aí eu comecei, como estava muito longe, de Fitbur para Caneric, ela é em Caneric, ela é em Vernon.
Tava muito longe, cara. Eu tinha que sair três horas da manhã. Então, eu comecei a dormir no estacionamento do negócio, da empresa. E os caras viram pela câmera, que eu tava dormindo lá, entendeu? Aí, nessa época, tinha um garoto que trabalhava lá dentro. E ele falou assim pra mim, assim, você não quer dormir aqui dentro no sofá, não? E o Paulo não sabia disso. O Paulo, o dono da Panhebras, não sabia disso, não.
Aí tu dorme aqui no sofá, porque eu vi que você tá no carro lá e tá muito frio, tá congelando, cara. Isso aqui, você tá quentinho. E por sorte, a Panhebras tinha um chuveiro, tinha um banheiro com chuveiro. Então eu comecei a dormir no sofá, comecei a tomar banho no chuveiro. E era drive, trabalhar de drive pra eles. Aí eles ficaram sabendo que eu tava dormindo lá e falaram assim, olha, tem uma pessoa aqui que aluga a casa pros drives, você vai morar na casa dela.
E você vai pagar aluguel pra ela lá. Aí você vai morar lá. É baratinho, ela faz. Que é a Solange. Aí a Solange me arrumou um quarto. Eu fui dormir lá. Me senti como família, sabe, cara? Foi a primeira vez que eu me senti como família nos Estados Unidos. E eu comecei a sentir dignidade, sabe? Sabe você ter aquela dignidade das pessoas gostarem de você? Você chegar, o pessoal te chamar pra jantar. Final de semana, você fazer churrasco.
Foi a melhor fase da minha vida trabalhando na Pannebras, cara. Trabalhei na Pannebras. Comia muito pão de queijo. Vinha enchendo a barriga de pão de queijo. Eles não sabiam que eu ia. Tanto queijo.
agora você vai estar sabendo porque o Paulo é meu amigo pessoal o Paulo é meu amigo pessoal, a Fane Brás foi o meu primeiro patrocinador e é meu patrocinador até hoje
E agora, com certeza, eu vou mostrar esse vídeo para eles aqui. Cara, vou te falar uma coisa. Vou te falar uma coisa. Foi o melhor momento da minha vida, porque é onde ele me levantou financeiramente, pagando um salário para mim, toda semana pagando. Aí foi onde eu saí do carro preto, comprei o Audi, depois do Audi comprei o Jeep e estava lá. Só que, o que acontece? Eu saí da Pannebras...
Esse ano, eu saí da Panebrás, acho que faz o quê? Não faz nem quatro meses, faz uns três meses. Eu fiquei um ano na Panebrás, aí estava lá. Mas apareceu uma pessoa me falando assim para mim, Wagner, momento difícil na América, a taxação vai vir alta, produtos importados vão ficar caros, eles vão começar a demitir. Entendeu? Então, se prepara. Tem uma vaga.
lá na FedEx. E se você quiser, eu aplico pra você e você vai trabalhar na FedEx. Aí esse cara aplicou pra mim e eu não tava ciente que tava rolando o processo. De repente ele me liga e falou, Wagner, saiu sua vaga na FedEx, vem, vem, pede demissão aí, vem. Você tem documento? Não, aí eu já tinha recebido o Pérmite de Trabalho Social. Aí eu peguei e fui pra FedEx. Foi a pior...
que besteira que eu fiz na minha vida cara não trabalhe na FedEx se você vem para os Estados Unidos fuja da FedEx fuja pega essas coisas e puxa cara foi o trabalho que eu mais fui destruído foi na FedEx aconteceu
Você passa o dia inteiro correndo. Você corre o dia inteiro. Mas corre, velho. Corre o dia inteiro. Tipo assim, você chega lá em frente a um lugar, você desce correndo, volta correndo. Desce correndo, volta correndo. Você tem uma noção, no delivery, você faz 100 entregas, você demora... Eu acho que pra você fazer 100 entregas no delivery, você demora um...
Mais três semanas. Mais três semanas. Lá é 150 entregas no dia. Você tem que fazer no dia. 150. Aí ele falou, você vai fazer até 200. Vai ter dias que você vai chegar aqui e vai ter 200. Aí, beleza. Eu comecei a fazer correndo isso, cara. O bichinado querendo fazer. Pra dar certo, comecei a sentir as pernas. Comecei a sentir o corpo. Eu sou gordinho, eu sou sedentário, cara. Eu não corro.
eu não tenho eu não faço academia, só tomo banho na academia você tem até raiva de passar e olhar aquelas máquinas, né? então, acho que a academia a Planet, eu acho que eu sou o melhor cliente, porque eu não uso as máquinas, então eu não estrago pra eles eu sou o melhor cliente aí, cara eu trabalhava virado no Jiraya e quando eu pensei assim, eu falei, eu vou fazer andando eu vou fazer andando
dignamente, eu vou fazer andando, porque esse negócio aqui não dá certo se fazer correndo. Pois eu saí da rota 10 horas da noite, eu saí do bairro, 10 horas da noite, até 10 horas da noite eu tava entregando. E não podia voltar, não pode voltar a Sedex, é tipo assim, é crime, se você não entregar o pacote...
Se você voltar com o pacote, se você sumir com o pacote, é crime. É um crime federal. Aí, putz, eu falei assim, cara, não dá não, velho. Não dá não. Aí eu saí de lá. Até hoje eu tenho o crachazinho, o bonezinho da FedEx. Aí eu saí por conta que eu não aguentei. E eu não conselho, viu? Se você não tá acostumado. Se você não é atleta, não vai. Porque é pra atleta. Negócio da FedEx.
Se você não é atleta, não vai. Não vai, você vai quebrar sua cara. O cara falou, não, é tranquilo. Pessoal, vocês que estão nos assistindo e nos ouvindo, nós já passamos de uma hora aqui de vídeo, deixa aquela curtidinha, não se esqueça, inscreva-se no canal Perguntas. Nós temos programa todos os dias aqui da semana. Vamos lá, e aí o que você está fazendo agora? Da FedEx você foi para onde?
Daí, da FedEx, fui fazer os delivery, porque eu já tenho todos. Eu tenho todos os delivery hoje. Paulão, tem o DoorDash, tem o Uber Passageiro. Então, eu estava me programando para ir fazer o Uber Passageiro, né? Aqui nos Estados Unidos e tal, de boa.
Quando me ligou uma pessoa e falou assim, Wagner, não, tem uma vaga, eu estou sabendo se você está precisando, tem uma vaga de motorista na Cargovan, que é van pelos Estados Unidos. E você quiser, a gente consegue te pagar uma porcentagem, você vai ganhar 60%, 60% e 40% do dono da van. É, mas não esqueminha, então, esqueminha no bom sentido. Alguém é dono da van, alguém está pegando... O cara é dono dessa van? Você só dirige.
inclusive ela tá carregada aqui, eu tô vindo pra cá. Cara, eu só dirijo, só que assim, não tem volta, você não volta pra Massachusetts. Não volta, nunca. Não tem volta, é só uma ida. Eu saí de lá, acho que vai fazer no mês passado que foi que eu saí de lá, aí fui pra Washington, o estado, aí do Washington pro Oregon.
Do Oregon, voltei para Ohio. De Ohio, fui para Orlando. Você não para.
Sábado eu tava em Orlando, eu até pensei em, vou ligar pro Paulo aí pra gente trocar uma ideia e tal, eu tava em Orlando sábado. Aí daí de Orlando, me jogou de novo aqui nesse estado aqui que eu tô agora, é o... Wyoming. Wyoming. Wyoming. Estado diferente, né? Então, tipo assim, eu tô rodando os Estados Unidos todo, todo, cara. É impressionante esse trabalho aqui, você...
Aqui dentro tem micro-ondas, tem geladeira, tem cama, você fica de pé aqui dentro. Então, nesse momento agora eu estou parado, é um horário de almoço, né? Mas é...
Eu estou recebendo bem, assim, a quantia que eu já recebia mesmo, estando na Panebras, mas estou fazendo assim, para quem é solteiro... Para quem está pagando aluguel, não está pagando nada. Cara, é exatamente isso que está me segurando aqui, porque, tipo, eu não pago aluguel, já entreguei o quarto lá. O carro também, eu vou ver se eu faço negociar com quem quiser, pegar o meu carro aqui para continuar pagando, porque devolver para o banco é pior ainda, né? Você sabe disso, né? Se você devolve para o banco...
o seu crédito escola fica pior ainda então eu tenho um jipe lá então aproveitar aqui tá para quem quiser hoje aproveite e falar comigo é um jipe Wengler um jipe Wengler é 2014 quem quiser só me chamar 2017 é 14 é 14 só me chamar tá lá o jipão carro bonito e você a pessoa paga assume mas é isso a minha vida hoje consiste nisso aqui e eu tô com projeto para voltar para o Brasil
em fevereiro. São 160 dias porque o meu pedido de asilo, eu removi o meu pedido de asilo. Cara, eu vou falar isso aqui pra você. É interessante isso aqui. Eu retirei. Você já viu gente que dá entrada no pedido de asilo? No meu caso, eu retirei o pedido.
As pessoas retiram quando sabem que não tem mérito, na verdade, né? Exatamente, Paulo. Quando o meu pedido de asilo estava indo para uma corte de deportação, tipo assim, são três cortes, na terceira é a negativa. Então o advogado percebeu...
Ele disse, Wagner, você vai ser recusado, o seu pedido. A gente já estava na segunda, no segundo, segunda corte. E ele falou, seu pedido vai ser recusado. Hoje eu posso falar, porque eu já estou fora do processo, né? Mas ele falou assim, vamos pedir, a estratégia dele foi essa, vamos pedir a remoção do pedido para desqualificar. Ele vai desqualificar seu pedido de asilo e ele vai te perguntar o motivo. Você vai dizer que você quer sair da voluntária.
isso vai te dar um tempo, porque ele vai te perguntar quanto tempo você precisa. Aí eu disse para ele que eu precisava de pelo menos uns quatro meses para poder me organizar. E ele me deu até, tipo, dezembro, mais ou menos, o advogado conseguiu aumentar ainda até fevereiro. Interessante isso aí. Que bom, cara. E aí, você vai realmente voltar em fevereiro?
Aí é que tá, né? Eu tô fazendo uma série de vídeos no meu canal e o pessoal tem que acompanhar lá pra saber, pô. É 160 dias. Aí cada vez que vai chegando próximo, vai diminuindo. 150 dias, 120 dias, 130 dias.
Então, eu estou fazendo a certa medida. Até para todo mundo saber o que vai acontecer. A ideia é essa. E a tua esposa? Como está a tua esposa durante esse ano e pouco que você já está aqui? Quase dois anos, se não me engano. Dois anos já. A mulher está subindo pelas paredes lá no Brasil. Já falou para mim que, se eu não for, vai acabar, porque ela precisa de um homem. Ela falou já para mim isso aí, ó, Wagner. Venha-se embora.
que eu tô ainda sendo fiel a você aqui, mas não aguento mais não, meu filho. Eu preciso de um homem. Eu casei pra ter um homem. E você tá mandando recursos pra ela ter a vida dela lá, ajudando em casa? Claro, cara. Toda semana eu envio toda semana. Eu faço isso com maior, sabe? Com maior emoção, com maior alegria.
Eu ajudo, mando mantimentos, mando dinheiro toda semana. Até estou deixando ela mal acostumada, sabe? Mas a minha esposa, ela é bem cabeça, ela sabe economizar. A gente mudou de casa. Hoje ela está morando num apartamento, tá? Mas a ideia de eu vir para cá era juntar um dinheiro para comprar uma casa, para a gente poder ter o nosso próprio lugar, porque a gente vivia uma situação bem difícil lá no Brasil.
Então, juntar o dinheiro, ter uma estrutura para poder comprar a nossa casa e depois tocar a nossa vida, entendeu? Foi exatamente... Eu não vim para cá para morar nos Estados Unidos, eu não vim para ficar nos Estados Unidos, eu vim realmente para romper financeiramente.
Está faltando pouco, sabe, para mim terminar essa meta, para me alcançar essa meta. Talvez até fevereiro eu alcance. Pode ser que eu precise esticar um pouquinho mais, mas aí a gente precisa ver quando estiver mais próximo. Esperar chegar para ver o que vai precisar. Se eu vou precisar. O advogado falou assim, a ideia do advogado é que o juiz disse assim.
nesse período, nesse prazo que eu tenho para sair do país, eu posso pedir asilo novamente. Ele falou, você pode entrar com um novo pedido de asilo, porque você ainda está dentro de um prazo aceitável. Aí o advogado queria que quando estivesse no finalzinho...
do prazo a gente entrasse com um novo pedido e aí a gerar uma nova corte e empurrar isso com a barriga mais para frente mas talvez também mas talvez a gente não mexa mais com isso não deixa isso que é do jeito que tá eu já tenho o social permite é preparado pela polícia ontem
ontem à noite, madrugada, por conta de um farol que estava queimado na van. Então ela me parou lá em Orlando, pediu a minha drive, eu dei, ela não localizou porque é de Massachusetts, aí eu dei para ela o permito de trabalho social, aí ela falou ok.
Ok, você tem o permit, você tem o social, você mora aqui? Aí eu falei assim, não, não, não, não moro aqui, entendeu? Então, tipo, se eu morasse realmente lá na Flórida, ela talvez poderia falar alguma coisa para mim por conta da minha habilitação ser de...
Massachusetts, mas aí eu, como eu não moro lá, me liberou normalmente. Já caindo por terra aí esse negócio que se você fala em português, você é preso, é deportado, isso não, isso para mim, é uma das fake news maiores que está tendo. Eu faço vlog na rua, eu falo com as pessoas, eu cumprimento policiais, entendeu? E não vejo isso.
enfim estamos aqui estamos aqui cara o lugar dá para ver que você é um cara extremamente carismático fácil de gostar deve ser por isso que o Thiago Skoll quis ajudar você que você é um cara bem carismático aparentemente um cara do bem o cara que não tá fazendo mal para ninguém que precisa de sobreviver da forma mais honesta possível
E, velho, Deus já está te abençoando. Olha, você entrou para cá no negativo e que você já está com o seu carrinho, está trabalhando, está sobrevivendo, está sendo digno, está ajudando em casa. Então, eu acho que Deus já vem abençoando muito você e sua família.
E você precisa sim colocar essa meta que você tem e trabalhar duro, agradecer essa galera da van aí que está te dando essa força, que mesmo que seja um trabalho difícil, não é fácil ficar dirigindo. Não é fácil. E é cansativo para caramba, que você não tem uma casa. Exatamente. Cara, de onde você veio, você está muito melhor do que quando você chegou.
e você já está com planos para retornar para o Brasil com algumas coisas, e eu tenho certeza, cara, se você focar nisso, vai dar certo. Em relação à polícia ter te parado com a van, é muito importante. Vai anoitecer, dá uma estacionada, ou então de manhã faz aquela revisão em volta da van para não ter mais esse problema, principalmente fazendo o horário que pode ter alguma loja aberta para você resolver.
o problema para evitar, porque a gente só precisa pegar alguém de mau humor para estragar o nosso dia, não é verdade? Exatamente, cara, e às vezes eles também, eles não vão te parar de qualquer forma, eles precisam de um motivo, aí você deu um motivo, é só o que eles queriam, é um motivo. É isso aí, deixa eu fazer uma coisa então, vamos fazer o seguinte, da forma que está, eu vou te pedir uma coisa que não tem nada combinado, da forma que está o teu telefone...
Vira ele do jeito que está, tira e dá uma mostrada para a gente em volta da van, lá atrás, como é. Você pode fazer isso? Posso, posso. Viramos aqui? Não, deixa do jeito que estava. Ah, tá. Se você quiser virar a câmera, não sei se funciona assim ou não, mas não desliga nada. Fica aí. Tá todo mundo vendo você grandão aí.
Tá todo mundo vendo, né? Então, aqui na frente, micro-ondas, geladeira. Aqui, ó. Geladeira, tem carne aí, ó. Tá vendo? Carne, refrigerante, bife, hambúrguer.
Ok? O que mais? Deixa eu ver que eu consigo mostrar aqui. O que é que você não pode? O que é que está escondido ali atrás? Não, aqui, ó. A Priscila quer saber, hein? Isso aqui é um transformador que transforma a energia elétrica. Ele pega a bateria e transforma a energia elétrica. Para as duas coisas que são elétricas lá.
Aqui atrás, ó, parte de trás, nós estamos carregados hoje com essa peça aqui. Como você sabe, é logística, né, que a gente faz. Logística é de tudo, né? Então, tudo que cabe aqui vai entrar aqui. É, eu não sei o que é isso. Parece uma peça de equipamentos, ferramentas, alguma coisa. Então, é uma van, é colchão, colchão para dormir. E onde você coloca esse colchão?
Eu arrumo um espaço aqui no meio e eu coloco aqui no meio, ó. Nessa parte aqui. Eu durmo aqui. Tem aquecedor aqui em cima.
Tem aquecedor aqui. Não, é de pé, ó. Eu tô de pé, ó. Ah, é grande. É alta a van aí. Ela é gigantona. É gigantona. Aqui, de lateral, assim, dá eu inteiro em pé. Essas vans são maiores. São tamanhos maiores. Aqui não faz... não esquenta por conta desse material aqui e não faz frio. E o aquecedor, ele consegue aquecer a van. Fica quente, entendeu? A van fica bem quentinha. Então, é isso. Temos a porta Rafa. Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe Europe
A porta lateral. Estamos vendo aí, né? Você está no estacionamento de onde aí? Oi? Eu estou no estacionamento aqui dessa loja de frangos. Frango frito, ó. Entendi. Arby's. É, é frango frito. É uma delícia, cara, esse franguinho aí. Esse franguinho salva muito, de vez em quando. Entendeu?
E a vida não tem muito o que reclamar, tirando a saudade da família. Tirando a saudade... Esse trabalho aqui é para você que é desapegado, cara. Você que não se preocupa aonde você vai dormir, você não precisa de pessoas para ficar conversando.
Você gosta de ser um cara sozinho, na sua, é esse trabalho aqui, porque é solidão, velho. Às vezes eu estou cruzando deserto. Eu tive a oportunidade de passar no Arizona. Então, fui até Las Vegas, passei em frente a uma cratera de um meteoro, passei, tipo assim, quase perto lá daquela área proibida, vários lugares assim, que eu jamais iria se eu não estivesse trabalhando nesse lugar.
mas é tudo sozinho, tipo, é você sozinho aqui. E a esposa, né, que te liga, me liga de vez em quando aí pra falar comigo. Mas é isso. Caramba, velhão. Ó, o que que hoje, você conhecendo tudo que você conheceu, ter passado por tudo que você passou, você faria tudo de novo? Faria, faria tudo de novo.
Faria com maior orgulho, maior prazer. Hoje eu sou uma pessoa mudada, transformada, porque eu aprendi muitas coisas aqui nos Estados Unidos. Aprendi a ter responsabilidade, ter respeito. Aprendi a cuidar das pessoas, aprendi a me sensibilizar. Cara, os Estados Unidos realmente foi um ponto de ruptura na minha vida. Os Estados Unidos mudou a minha história, mudou a minha vida. Me ensinou a ser homem, de verdade.
Entendeu? E hoje em dia, todas as minhas contas lá no Brasil, a gente já pagou. As dívidas a gente já pagou. Aqui nos Estados Unidos eu tinha dívidas também, sabe? Dinheiro que eu tinha pegado com um ali, outro aqui. Fui pagando essa galera. Paguei essa galera. Eu ganhei irmãos aqui. Verdadeiramente eu ganhei irmãos.
que me acolheram, e hoje eu sou outra pessoa. Eu sou um homem, eu posso dizer que eu sou um homem melhor do que eu era. Estou cada dia mais aprendendo, cada dia mais melhorando, aprendendo com meus erros, mas me sentindo muito feliz. E eu amo o povo...
Acho as pessoas aqui maravilhosas. São pessoas que têm paciência. Mesmo você não sabendo falar, eu estou aprendendo o inglês. Eu até arranho o inglês já. Então, eu consigo fazer eles rirem quando eles falam comigo. Mas é muito bacana mesmo. Eu gostaria, sim, se no futuro eu pudesse fazer um visto para tentar novamente, daqui a 10 anos. Eu não sei, talvez os meus filhos possam vir.
Mas eu achei muito gostoso, é muito válido você vir conhecer os Estados Unidos. Eu sou positivista. Eu penso que os Estados Unidos é o maior país, é a melhor economia, vai continuar crescendo. Esse país aqui vai continuar sendo bom para quem quiser vir para cá. E, tipo assim, eu sei que tem os problemas da migração hoje, mas eu não vejo isso como um empecilho, porque somos milhões e milhares de imigrantes aqui.
O que acontece hoje é só um pouquinho, é uma consequência que acontece com um pouquinho das pessoas que estão aqui. Então vai ter muito imigrante ainda aqui. Então se acontecer comigo ou se acontecer com qualquer outro é porque tinha que acontecer, entendeu? É o efeito colateral do negócio que está sendo feito. Mas eu espero que as coisas venham melhorar, venham com o tempo aí se encaixar. E aquele pensamento, daqui uns dias...
vai ficar muito melhor para quem está aqui, quem está organizado, quem se organizou, quem procurou se legalizar. Então, acho que vai ficar muito bom. É isso aí. Magnão, muito obrigado pelo seu tempo, pelo seu carinho.
Pessoal, todas as informações do Wagner estão aqui na descrição deste programa, onde você estiver vendo ou ouvindo. Vai lá, vai seguir ele, vai ver o que ele está aprontando nas ruas aqui dos Estados Unidos. Lembra, nós não aconselhamos, é totalmente errado vir pelo México. Você pode morrer, você pode ser sequestrado, você pode roubar seus filhos.
Ele deu muita sorte, mas acontece todos os dias, muitas desgraças, pode ser mordido por bicho e o povo te deixa de trás. Essa é a realidade nua e crua. Ele está falando, está bonitinho, está tudo ok.
Mas a verdade não é essa. A verdade é que o bicho pega, muita gente vem, muita gente consegue, mas a maioria não consegue, a maioria dá errado. São milhares e milhares de pessoas todos os dias tentando entrar neste país, exatamente como o Wagner falou, porque aqui é um país abençoado, é a terra da oportunidade, é onde você começa do zero e consegue ficar rico, independente da idade que você tem.
Vale muito a pena você morar nesse país, mas tome muito cuidado com as decisões que você toma. Pense direitinho em você e na sua família, porque muitas vezes o sonho pode virar um pesadelo. Beijo, amo vocês. Obrigado pelo carinho. Inscreva-se no canal Perguntas. Entre em contato, você tem uma história, você quer contar a sua história aqui no canal Perguntas?
entre em contato, vai ser um prazer, é mais um 321-285-2551, você vai falar com a Alexandra, ela vai agendar um bate-papo ou aqui no estúdio do canal Perguntas em Orlando, ou remotamente, como nós estamos falando, hoje eu estou aqui no estúdio na minha casa, e a gente vai falando, galera, fica com Deus, tchau, tchau, falou, Vagnão, fica com Deus.
E aí