A rotina difícil de brasileiros que vivem nos EUA
Francielly deixou o Brasil em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos, mas sua trajetória não foi nada fácil. Logo nos primeiros meses, ela enfrentou trabalhos pesados, situações de humilhação e até momentos de desespero que quase a fizeram desistir do sonho americano. Com garra, fé e muita determinação, ela passou por diferentes funções — limpeza, cuidado de idosos, tirar neve no inverno e até serviços temporários. Mas foi no cuidado com crianças que encontrou sua verdadeira vocação, mesmo tendo que enfrentar denúncias, perdas pessoais e a dura realidade da adaptação como imigrante. Hoje, Francielly compartilha sua história para inspirar outras famílias. Entre desafios e superações, ela mostra que, mesmo diante muita dificuldade, é possível recomeçar, se levantar e conquistar uma vida digna nos EUA sem perder a fé e a coragem. Instagram: https://www.instagram.com/francielymontehiro/ Youtube: https://www.youtube.com/@UCq-4LLxiPkz6nsifyYJ9wrg ≡≡≡≡≡≡ 🚀 Conecte-se com a nossa comunidade! 🎥 Inscreva-se no Canal Perguntas e ative o sininho 🔔 📲 Instagram: @canalperguntas 🤝 Empresas que confiamos: https://canalperguntas.com/patrocinadores/ 🎯 Transforme seu sonho americano em realidade 📚 O melhor curso sobre imigração legal, com profissionais renomeados: 👉 https://construindoosonhoamericano.com 💬 WhatsApp oficial: 🌎 Quem ainda não mora nos EUA https://chat.whatsapp.com/GslfdA28Kfl8CRkOmceS2t 🗽 Quem já mora nos EUA https://chat.whatsapp.com/5omnZPlVhQx6zlbqK3eOEM 📢 Quer falar com Paulo Paternes ou contar sua história? 📞 Envie mensagem para +1 (321) 285-2551 https://wa.me/13212852551 Copyright © Canal Perguntas e Paulo Paternes. Todos os direitos reservados. #amigosnoseua #vidanoseua #podcast
- Política de Imigração dos EUAMotivações para imigrar · Desafios iniciais de adaptação · Trabalhos precários e exploração · Busca por segurança e qualidade de vida · Impacto da imigração na família
- Superação e ResiliênciaLidar com perdas pessoais · Enfrentar humilhações e dificuldades · Manter a fé e a coragem · Reconstruir a vida após adversidades
- Mercado de TrabalhoExperiências de trabalho informal · Cuidado de crianças como vocação · Legalização e licenciamento de negócios · Trabalhos braçais e perigosos · Adaptação profissional de imigrantes
- Deslocamento de População e RefugiadosDificuldades no sistema educacional · Saudade do país de origem · Aprendizado de novas línguas · Diferenças culturais e sociais
- Maternidade e Protecao InfantilLicenciamento e regulamentação de daycares · Atividades educativas e recreativas · Desafios de cuidar de múltiplos bebês · Importância do seguro para daycares
- Custo de VidaAluguel e moradia · Contas de consumo (luz, internet) · Alimentação e compras de supermercado · Transporte e custo de veículos · Seguro de daycare
- Condições de trabalhoLimpeza de residências e escritórios · Remoção de neve no inverno · Trabalhos temporários e informais
- Relacionamentos FamiliaresFortalecimento dos laços familiares
Fala aí, galera. Beleza? O Paulo está falando ao vivo, diretamente de Orlando, Flórida, para mais um bate-papo com vocês. E hoje estou aqui com a Franciele. Fala, Franciele. Tudo bem? Bem-vinda. Obrigada, Paulo. Franciele, vamos lá. De onde você era do Brasil? O que você fazia? E por que você decidiu vir para os Estados Unidos?
Eu sou do Mato Grosso, com a divisa da Bolívia ali. A gente veio atrás de segurança, para mim e para a minha família, porque a gente morava na divisa da Bolívia ali e estava tendo muita...
facção, né? Hoje, principalmente a minha cidade foi tomada por isso e a gente queria algo seguro para a nossa família, para os meus filhos, e aí a gente decidiu vir para cá para dar uma qualidade de vida, principalmente a segurança para os meus filhos. Então, tu é casada, você veio com o marido, você trabalha lá no Brasil?
Primeiro, a gente estava trabalhando com o depósito de madeira, que o meu pai é madeireiro lá em Vila Bela, né? E aí ele fornecia madeira para mim, para o meu marido. E depois o meu marido voltou a trabalhar com o pai dele, que o pai dele é revendedor de carro, tem uma garagem lá. E o meu pai ficou com a madeireira e eu e a minha irmã começou a trabalhar com o meu pai com o depósito de madeira.
Entendi. E aí, o que estava tão ruim que vocês quiseram vir para cá? A minha cidade é uma cidade bem pequena, né, Paulo? Então, a questão da violência lá, hoje em dia, está muito perigosa, sabe? E por ser divisa da Bolívia ali, que é 100 quilômetros só, e ter muito...
Muitas pessoas ruins, né? Que eu posso dizer assim, que ali é um lugar onde passa muito roubo de carro, de caminhonete principalmente, e muita droga, né? Então tá bem complicada aquela situação ali. E qual que é a idade dos seus filhos? A minha filha chegou com 10, hoje ela vai fazer 17 anos, daqui uns meses, três meses. Como que isso é possível que você tá com 18 agora?
Obrigada, daqui dois anos, quarentão. Quarentão, Jovem, mas tá com a carinha de menina. Obrigada. Aí eu entrei com o Lucas, meu filho, hoje ele vai fazer 10, ele entrou com 3. E eu, meu esposo e meus dois filhos. E hoje a gente tem a Bela de 9 meses. Ah, você teve um que nasceu aqui, então? Sim, sim. Ai, que bonitinha, bichinha. A Bela.
Sim. Tá. E aí me fala, quando vocês vieram, vocês vieram para onde? Vocês tinham algum amigo aqui? Para onde vocês foram? Onde vocês moram hoje?
Hoje nós moramos em Massachusetts, em Everett. O tio do Rafael já morava aqui do meu esposo. E a gente veio para ficar na casa dele, só que como ele morava em um apartamento cheio de rapazes, pessoas que trabalhavam com ele no serviço, então ficava meio difícil a gente ficar num lugar onde só tinha homem, porque eu era mulher, uma menina... É mulher ainda, Franciella, você ainda é mulher. É.
Então, no caso, chegar num lugar onde só tinha homens, né? E aí ficava complicado. Aí a gente foi pra casa da ex-mulher do tio do meu marido. E lá a gente ficou três meses. Só que foi assim. O meu marido ficou com o tio dele. E eu fiquei na casa da ex-mulher do tio do meu marido. Você ficaram separado por três meses?
Não, um mês. A gente chegou com a disponibilidade de ficar 15 dias só na casa da ex-mulher do tio do meu marido. E acabou que a gente não conseguiu resolver a nossa vida ali de alugar um apartamento em 15 dias, né? E aí a gente ficou no prazo de um mês certinho. Com um mês a gente foi para o apartamento que a gente morou um tempão. E quanto de dinheiro vocês vieram?
O Paulo, a gente chegou aqui com 70 dólares. Menina! 70 dólares. E como que tu alugou um apartamento depois de um mês? A gente pegou emprestado lá no Brasil. 5 mil dólares na época.
É legal falar sobre isso, sabe, Franciele? Porque as pessoas não imaginam quem vê você hoje, que vocês estão bem melhor hoje do que quando vocês vieram. É um perrengue no começo, não é? Sim. Foi com a geota emprestada, era com juros altos? Sim, foi com a geota. Hoje eu não lembro o juro, mas foi com juros um pouco altos. Graças a Deus, a gente pagou em um ano, um ano, um ano e meio, a gente conseguiu pagar os 5 mil dólares.
Graças a Deus. E quando você chegou, qual era o plano? Você ia vir aqui, desceria um lugar e trabalho, o que você ia fazer? Então, a gente chegou, né? A gente chegou... Quando a gente está no Brasil, a gente pensa uma coisa, né? E querendo ou não, tem muita gente daqui...
que fala que só mostra o lado bom, né? E conta muitas mentiras também. E aí a gente chegou com proposta de onde morar e com trabalho. Só que acabou que quando a gente chegou aqui, a gente não chegou nem ver as pessoas que tinham prometido tudo isso para nós. Mentira, menina. Sim. Sumiu. Uau.
Mas nosso Deus é o maior, né? Trabalhar do quê? Com quem? Como que foi? Me conta esse começo. O meu marido, ele tá na mesma empresa desde quando chegou, né? Seis anos. O tio dele já trabalhava nessa empresa, aí o tio dele conseguiu colocar ele lá. E hoje o meu marido é gás de frente que fala, né? Ele toma conta de um grupo bem grande.
e eu entendi gás de frente que fala né eu não sei como que fala ele toma conta de um grupo o patrão dele ele é tipo é como se fosse um gerente de construção entendi ele constrói esses bil de empresa e constrói o que
Esses build, né? Esses prédios enormes de... Ah, esses build? Isso. Ele constrói prédio e ele é tipo encarregado de uma turma grande. Isso, é. Ele que toma conta. Que legal. E você? Quando você chegou, você foi trabalhar com o quê? Eu cheguei... Com uma semana que eu tinha chegado, eu fui para a limpeza. E foi bem traumático. Nosso Deus. Porque o primeiro banheiro que eu peguei...
Parecia que estava abandonado na casa que tinha gente morando, acho que uns quatro meses, por aí. O banheiro estava destruído. Deus me livre, Paulo. Hoje eu lembro assim, parece que vem a imagem na minha cabeça. Horrível, horrível. E ali eu vi que era um teste, sabe? Tipo assim, o que realmente eu vim fazer aqui, o porquê que eu estou aqui. E aí... E você ficou quanto tempo limpando?
Olha, a primeira vez que eu fui, eu fui só para me ter uma base de como era a limpeza daqui, que é totalmente diferente do Brasil. E quando eu cheguei para limpar, o homem não me pagou nada, né? A gente fez a limpeza, tudo, eu fui mesmo para aprender, não ganhei nada no primeiro dia. No segundo dia eu ganhei 30 dólares.
e já no terceiro dia ele me pagou 80 e aí já me falaram que eu tava bem que eu já poderia jogar nos grupos de WhatsApp e os bazares que eu tava disponível para help e aí foi onde que começou né só que depois da limpeza eu joguei no grupo como me pedir para fazer e apareceu uma pessoa para mim o dono de uma imobiliária
entrou em contato comigo e aí pediu para mim fazer um trabalho para ele, que era separar documentos, e aí eu fui. Aí eu cheguei, foi a primeira vez que eu peguei um Uber. Nossa, eu saí com muito medo, porque eu sou bem do interior. É lá de Mato Grosso, que você falou? Lá você morava em uma cidade pequena, você não estava acostumada com o Uber.
Não, é lá a gente chama de táxi. Eu nunca tinha ouvido falar Uber. Cheguei aqui, aí que eu fui ouvir o que era Uber. Eu não sabia. Nossa, eu fui com muito medo, muito medo mesmo. E aí foi a primeira vez que eu saí sozinha. Aí eu cheguei, primeiro dia eu separei os documentos do jeito que ele pediu. Só que é assim, foi numa sexta noite, num sábado e num domingo. Eu não achava estranho, porque era leiga aqui e eu achava que era normal.
E o engraçado é que quando eu postei, Paulo, no grupo, falando que eu estava disponível e eu estava recém-chegada do Brasil e eu precisava trabalhar, muitos homens entraram em contato comigo, muitos mesmo.
E aí eu fui trabalhar para esse rapaz, para esse homem. O dono da imobiliária. Isso. Aí a primeira vez eu cheguei, era um escritório enorme. Aí ele me mostrou o que eu tinha que fazer, um brasileiro. Aí eu fiz a primeira vez. O que era para fazer? Era para... Não tem essas notas de compra? Aham. Ele pediu para me separar por meses e sequência de data.
É, e eu fiz. Aí eu fui, no primeiro dia eu fui, fui, fiz. O segundo dia eu já achei meio estranho, sabe, assim, a conversa dele. E, tipo assim, mas eu achei que era coisa da minha cabeça. E eu só pensava em pagar a conta, né, o dinheiro. E nós que a gente veio pra cá também. E aí a gente...
Eu comecei a separar os documentos, o primeiro dia foi ok, o segundo dia eu já achei umas perguntas, umas conversas estranhas, e aí eu achei que era coisa da minha cabeça. Aí no terceiro dia eu fui, e na hora de eu esquentar a minha marmita, era um lugar bem apertadinho, que ficava o micro-ondas, e aí eu passei pra...
e para colocar a minha marmita ali para esquentar nisso ele veio por trás e se esfregou em mim sabe e aí não tem como não sentir né E ali eu já gelei eu já eu só pedi essa calada para Deus cuidar de mim porque ele ele passou assim deu uma encoxada por trás sim mas ele ficou ou só deu uma passada E aí
Não, ele sem querer não tem como, não sei sem querer, porque não cabia ninguém ali, entendeu? Tipo assim, num negocinho era só eu que cabia ali com o macroe, com o microondas. E aí ele fingiu falando que ia pegar um negócio. E aí eu senti, né? Aí eu gelei tudo. Você sentiu o quê? O medo? As partinhas. Você sentiu o negócio do... Aí eu gelava, tipo, gelei mesmo.
E aí eu peguei, tirei minha marmita rapidinho e já sentei na minha cadeira. No que eu sentei na minha cadeira, ele passou assim, né? A mão em mim assim. E aí eu começo a falar com um jeito mais mole, do jeito que ele tinha falado no segundo dia. Aí eu peguei meu celular e pedi pra menina que tinha pedido Uber pra mim, pedir o Uber de volta.
aí pediu Uber e aí quando foi eu fui embora, aí ele falou assim que ia me pagar tudo e me pagou aí quando foi no próximo final de semana ele me mandou mensagem de novo querendo meu trabalho e eu já caí fora falei não, não, não você chegou em casa e contou para o teu marido isso? contei e ele ficou muito bravo
A gente não... Ele ficou, né? Mas, tipo assim, a gente é recém-chegado, a gente fica assustado com as coisas, ainda mais a gente que é praticamente do mato, né? Bem do interior, a gente não... E aí depois você foi fazer o quê? Depois disso? Aí depois disso eu comecei a fazer limpeza, né? Você falou pra esse cara? Você falou pra ele, ô, Fio?
Não, porque, tipo assim, eu fiquei com medo, eu nunca tinha acontecido isso comigo, assim, sabe? Eu fiquei em choque, eu não sabia o que fazer. E outra, uma pessoa que já tem uma empresa, que já sabe como os Estados Unidos funcionam, eu, uma pessoa que é recém-chegada, não sabia nem o nome da rua que eu estava. Então, aí eu fiquei assim. E aí, depois disso tudo passou, aí eu vi ele no Mercadinho Brasileiro, eu gelei.
Eu gelei e ele me conheceu. Aí eu mudei de sessão e, sabe assim, eu fiquei com muito medo naquele dia. E aí o meu marido estava comigo, se eu não me engano ele estava, e eu peguei e falei para ele que era aquele rapaz. Um senhor, na verdade. E daí eu comecei a limpar a casa ali, outra aqui. E no início eu não sei porque, quando a gente chega, tem umas mulheres que aproveitam muito. Como assim? Como que aproveitam? Me explica.
Eu tive uma brasileira que ela morou... Quando eu conheci ela na limpeza, eu fazia... Era assim, eu fazia part-arme para uma mulher na segunda e na terça.
Na segunda e na terça eu fazia o Pai Carme com ela Então na quarta, quinta e sexta eu não tinha com quem trabalhar E aí eu fazia help Eu era fixa duas vezes só na semana com uma mulher E os outros dias eu tinha que ficar procurando no grupo Alguém pra me dar help Aí nisso, eu já tava acho que um mês, dois meses com essa mulher Duas vezes só na semana Aí apareceu uma brasileira
falando que precisava de uma help. E aí eu fui, eu fui na quarta, aí na quinta-feira ela me fez a proposta, ela conversou comigo, perguntou da minha vida, aí eu contei da minha vida, ela contou da vida dela.
Aí na quinta-feira ela me fez a proposta, Paulo. Franciele, você acabou de chegar dos Estados Unidos, a moça que trabalhava comigo fixa todos os dias da semana, saiu, me deixou, me abandonou. Você não quer ficar fixa comigo de segunda a sexta? Melhor do que dois dias ainda, ela falou desse jeito. E você que chegou agora, você está precisando pagar o...
Como falo, o agiota vai ficar melhor para você. Aí eu cheguei em casa, isso foi na quinta. Aí eu cheguei em casa, conversei com meu marido. Meu marido, né? A gente tinha acabado de chegar, a gente... Aí ele pegou o celular e começou a fazer os cálculos, né? Como que a gente ia... Falou assim, poxa, eu estou ganhando tanto. A Francieli ganha tanto na semana, então já está bom. Quando chegou ganhando, qual foi o valor dos preços que vocês ganharam quando chegaram?
O meu marido começou a ganhar 13 dólares a hora. Ok. É. E você? E o primeiro dinheiro que eu peguei na vida aqui foi 30 dólares.
Aí quando você pegou 30 dólares, você falou, cara, vou ficar rica aqui desse jeito. É, gente, o mal do recém-chegado é que chega já convertendo, né? Já conversa, pô, 30 dólares, já ganhei mais de 100 reais por dia aqui. Ah, o mal do novato é isso. Aí a gente já fala, meu Deus, né? E aí esquece que aqui a gente ganha em dólar e gasta em dólar.
Aí eu fui com essa moça, né? Foi no primeiro dia, no quinto dia ela me fez essa proposta. Aí eu fui na sexta-feira, Paula, eu vivi um inferno com essa mulher. Mentira, o que ela fazia? Me conta.
Eu cheguei, assim, ela foi em casa me pegar, né? E aí eu cheguei nela, eu abri a porta e eu vi que ela tava com a face diferente. Aí ela falou assim que não tinha dormido bem, que ela tava gripando. E tava com muita dor de cabeça, ok. Aí eu peguei e fui falar assim, fulana, eu conversei com o meu marido e conversei com a mulher que eu tava trabalhando duas vezes na semana fixa e falei que eu ia sair dela, que eu ia ficar com você a semana, né? Do jeito que você falou pra mim.
Aí ela falou assim, ah, então tá, tudo bem. Aí eu achei estranho que ela não conversava, igualzinho os dois dias que eu fui, né, os dois primeiros dias. Aí ela foi calada até chegar na primeira casa. Chegou na primeira casa, ela seca, estúpida, e aí pedia pra mim andar rápido, e sabe assim, ela começou a fazer... Como que eu posso falar?
um pânico na minha cabeça sabe assim tipo assim ela falava assim faz isso aí eu ia lá fazer ela falando eu não mandei você fazer isso sai daqui e começar a me chamar de burra né chamava eu de lerda e aí ela começou a contar o a
o acontecido do dono da casa que a gente tava limpando a história que ele tinha ele tinha uma mulher e tinha traído ela com a babá sabe se começou e aí ela do nada ela brigava comigo e começava a contar a situação do dono daquela casa que a gente tava limpando e era a casa enorme
E aí, tipo assim, ela começou a falar, faz isso, faz aquilo. E aí eu comecei a ficar, tipo assim, nervosa em saber o que eu tava fazendo. Porque ela começou a me colocar pressão na minha cabeça. Aí teve uma hora que ela falou, Bessi, pega o lixo e joga fora.
E o lixo, as duas vezes que eu fui com ela, a gente sempre pegava o lixo para jogar quando a gente saísse e terminasse a limpeza, né? Jogasse e saísse de casa. E nisso, ela me pediu para me jogar no meio da limpeza. Eu estranhei.
Aí eu peguei o lixo e joguei lá fora. Aí ela foi e abriu a porta. Eu jogando o lixo, ela abriu a porta e falou assim, o que você tá fazendo aqui, sua burra? E foi me xingando, sabe? Eu não te mandei você jogar o lixo, o lixo é por último e não sei o quê. E aí eu, tipo assim, aí eu parei, sabe, não tem? Quando sua cabeça faz assim... Uhum.
Aí eu falei assim, Deus, o que está acontecendo comigo? Eu não estou ficando doida, essa mulher está fazendo isso, isso e aquilo. Aí, nisso eu falei para ela assim, falei assim, pelo amor de Deus, deixa eu respirar, que eu estava para lá de fora e era bem no invernão mesmo. Aí ela entrou para dentro. Aí, nisso que ela entrou para dentro, eu fiquei lá fora respirando, tipo assim, tentando me acalmar. E na hora eu liguei para minha ex-patroa.
Aí ela falou assim, Fran, o que está acontecendo? Eu falei assim, você me quer? Aí eu lembro que eu falei bem assim pra ela, você me quer de volta, Vera? No seu esquete? Porque eu só pensava em trabalhar e ajudar meu marido, né? Aí ela falou assim, o que aconteceu? Eu falei, ah, está acontecendo isso, isso, isso. Ela falou assim, não, segunda-feira você pode voltar, só que eu não vou te prometer os outros dias, só os dois dias que você já estava. Aí eu falei assim, ok.
né, porque eu tinha, na verdade, eu tinha indicado uma menina ficar no meu lugar, aí eu liguei pra Vera, falei assim, Vera, fulana de tal entrou em contato com você? Ela falou bem assim, não. Aí eu falei assim, você quer eu de volta no seu esquete? Ela falou assim, por quê? Não deu certo? Aí eu falei, eu falei o que tinha acontecido, e eu falei assim, eu acho que não vai dar certo. Ela falou, não, segunda-feira você começa comigo, então. Eu falei, ok. Aí nisso, Paulo, falar pra você, o recém-chegado sofre demais.
Eu, em vez de pedir um Uber ou pedir para alguém me buscar, sei lá, né? Não. Eu fui limpar o restante das outras casas. Você foi passar, terminar o trabalho do dia com ela? Isso, porque eu jurava que ela não ia me pagar.
Aí chegou na segunda casa, ela me humilhava de novo, ela me humilhava, eu chorava, chorava com aquele veco, sabe? Com o aspirador. Aí na terceira casa, eu não sei se ela achou que eu tava fazendo pirraça com ela e tá ali, em vez de esbravar com ela, xingar ela, fazer alguma coisa, ou pegar e ir embora.
Quando nós chegamos na terceira casa, ela ficou doida. Ela falou assim, você não vai entrar comigo, você vai embora. Eu te deixo na porta da sua casa, mas você não vai entrar comigo. Eu falei, ela vem assim, eu preciso trabalhar, eu preciso do dinheiro. Não vou te pagar nada. Você vai embora, eu vou te levar na terceira casa. Aí eu peguei e falei, não, eu vou trabalhar até na quarta casa. Aí eu entrei na terceira casa, ela me humilhando e eu chorava. Eu chorava na quarta casa.
Ela te mudava como? Ela ficava xingando? Ela falava bem assim, o que você está fazendo aqui, sua Patricinha? Sai daqui! De onde ela era, do Brasil? Minas Gerais. Mineira? Aí ela falava bem assim, porque eu falei para ela que eu trabalhava com o meu marido, depois fui trabalhar com o meu pai. E você não era Patricinha, você só não estava acostumada a trabalhar no pesado. É, e aí... É...
sabe aí ela me xingava muito não sei se é porque ela tinha brigado com o namorado dela ela tava meio gripada sabe falando as coisas aí eu peguei e falei não eu vou limpar até a quarta casa que eu preciso do dinheiro e aí foi na quarta casa ela fazia os trem dela eu fazia o meu aí ela já não conversava comigo
Aí eu entrei dentro do carro, na última casa ela falou assim, só coloca o veco dentro do carro. Eu coloquei, sentei e esperei. E aí ela foi da quarta casa até chegar aqui, na Brother, sem conversar comigo. Aí quando ela chegou ali, ela começou a falar de novo. Sou a Patricinha, você tem que ir embora daqui. O que você veio fazer nos Estados Unidos? Seu lugar não é aqui.
E se você não quer trabalhar, você não tem que ficar aqui. E, tipo assim, como que eu ia conseguir pegar o ritmo dela se eu era recém-chegada? Eu acho que era por isso que ela ficava estressada. Eu não sei por que ela me xingava. Você é meio lerdinha na limpeza ou não? Não, não lerd. Eu sou muito detalhista. Mas, tipo assim, eu tinha recém-chegado, né? Não sabia que eu falho, né?
assim eu tava pegando jeito ainda e ela fez de tudo para me sair da outra que eu tava duas vezes na semana para ficar fixa com ela semana toda enfim aí ela aí quando eu cheguei ali que eu vi onde eu tava que eu conhecia onde eu tava na hora que eu cheguei na brother que eu vi um o banco né e a rua assim onde eu passava eu falei bem para ela para o carro
que eu vou descer. Ela falou assim, não, eu vou levar você na sua casa. Eu falei assim, eu não aguento mais ouvir, pelo amor de Deus, desce, para o carro que eu vou embora, de a pé. Aí ela falou bem assim, não vou. Você vai ficar me ouvindo. Aí eu falei bem assim, eu vou pular do carro. Aí nisso passou uma viatura, mas eu falei porque a viatura passou, entendeu? Aí ela foi, estacionou assim, e aí eu desci do carro, coloquei meu capudinho de frio.
E aí eu fui andando assim do lado do carro, né? Aí ela me xingava, ela abaixou o vidro assim e começou a me xingar. Ela te pagou, não? Não. Não, ela me pagou, isso, ela me pagou. Ela me deu o dinheiro e aí eu olhei para ela ainda, eu lembro que eu falei bem assim, isso aqui não paga tudo o que você falou para mim. E era quanto? Você lembra as quatro casas?
As quatro casas, foi R$121 um dia, R$120 no outro. Eu sou uma de maternidade, R$300. Ela pagou a semana inteira, os dias que você trabalhou. Não, que eu só fui na quarta. Na quinta, ela me fez a proposta da semana fechada. Aí, na sexta, eu fui com ela falando que eu ia ficar fixa com ela. Aí foi onde ela começou, entendeu? Quando eu falei pra ela que eu tinha saído da outra já,
que eu ia ficar com ela. E aí você foi fazer o quê depois, ô Franciele? Oi? Depois dela, você voltou para trabalhar com a outra? Não, aí eu voltei. Aí eu voltei, fiquei um tempo com ela, com a Vera, aí entrou o Covid, né? 2019 veio. E aí você foi o que? Não, aí fechou tudo.
Aí nem eu nem meu marido trabalhavam. Quando eu arrumava um help, assim, era por debaixo do esconderijo, né? Que a gente não podia sair. E aí a gente começou, tipo assim, eu montava a caixa, que era do dono do apartamento onde eu morava, que ele tem uma...
um restaurante de de massas alguma coisa e aí ele começou a fazer delivery né E aí para mim para ele para eu acho que ele ajudou eu e meu marido nessa parte para não pesar o aluguel para ele eu não sei aí ele chamava os funcionários dele né as pessoas que moravam no apartamento dele para montar as caixas aí a gente montava
E aí ali a gente colocava limão, negócio de cachorro quente, sabe? Para a pessoa preparar. Eu trabalhei nisso. Aí eu também limpei um correio de madrugada, escondido também. Eu fui limpar também asilo. Então, isso era mais escondido, sabe?
Como assim, escondido? Você sai, como se... Não podemos fazer nada, de repente... Não, é porque a pessoa que chamava a gente, ela não podia chamar muitas pessoas. Tanto que, não sei se você lembra que para sair aqui à noite, você tinha que ter um documento, na época do Covid.
E aí as pessoas chamavam a gente para trabalhar. Então, a gente... Quando a gente saía com eles, a gente não podia andar com muita gente dentro do carro, né? Aí eles falavam bem assim, ó, se pararem, fala que a gente só vai andar, só que quem estava com o documento era o dono do carro, né? Tipo assim, que ele podia sair para dirigir, para ir a algum lugar.
Aí depois que o Covid voltou, as minhas amigas começaram a voltar para a limpeza, e aí umas começaram a pedir para cuidar de criança, né? Aí foi um... Fran, cuida só do meu filho, Fran, cuida da minha filha, Fran, cuida... E aí, quando eu vi, eu já estava cuidando até de 15 crianças. E, nossa, e você começou... Qual foi o máximo de criança que você começou a cuidar? Eu comecei com dois, e o máximo que eu já cuidei foi 15.
15? Dentro da tua casa? Aham. 15, qual a idade? Qual a idade deles? Eu tinha duas bebês de três meses. De três meses. E mais 13 grandes. E como que você dava conta? Deus, minha filha. Tua filha que está com 16 agora.
É, e eu também, eu acredito que você passando calma para as crianças, as crianças ficam calmas, sabe? E aí eu acredito que se você for muito agitada, as crianças também se agitam. E criança perto de mãe é uma coisa, criança longe é outra. É, então é isso aí, daí você tem que impor respeito, né? É, e lá eu também tranquei minha faculdade de pedagogia, né? Então já é algo que a gente gosta.
Tu gosta de mexer com criança? Sim, eu tranquei minha faculdade faltando três meses para a minha colação de grau. Por que você não terminou? Para vir para cá? Você não quis terminar? Não, porque era a faculdade, a conclusão, ou era vir para cá. Ou grana para vir para cá. É. São escolhas que a gente faz na vida. Você acha que valeu a pena? Valeu. Está valendo a pena você morar aqui?
Tá valendo, sabe por quê? Porque, primeiramente, a gente evolui muito mentalmente, né? A gente, principalmente, a gente sai do interior, vê que o mundo não é só aquilo que é bem grande, e aí, quando você tá num lugar que é só você, seu marido e sua filha, seus filhos ali, que você tem que lutar por eles, então, você amadurece mais rápido. É, amadurece muito.
Com certeza, Madure. Depois você foi cuidar de criança e teu marido lá na construção. Sim, sofrendo. Até então ele não tinha virado boss, né? Quando é chefe, né? Como que fala é? Ah, boss! Ah, boss! Você tá querendo falar boss. É, não, ele não é o patrão. Ele é como se mandasse ali, entendeu? Um supervisor. Isso, hoje ele não pega no pesado, né?
Entendi. Hoje ele só supervisiona as pessoas. É, ele lê a planta e ele manda as pessoas. O que fazer. Isso. Entendi. E aí me conta, depois disso, teus filhos, todo mundo indo para a escola, como foi a adaptação deles, depois de grande? Ainda, para começar em inglês, saindo lá da roça, lá do mato, e vindo para outro mato.
A Rafaela foi um pouco mais difícil, porque ela... Qual é a Rafaela? A Rafaela chegou com 10, né? Ah, é grande. É, a maior. A Rafaela, ela não falava... Assim, todo tempo ela falava, mãe, eu não quero vir para cá, eu não queria estar aqui, as minhas amigas, tudo está lá. O que deixou ela mais abalada foi que ela teve que voltar uma série a menos, entendeu?
Então isso ela não aceitava, ela falava assim, mãe, por que eu tenho que voltar uma série a menos se minhas amigas lá do Brasil passaram de série? Elas estão na minha frente e ela sempre... Então ela não queria, tipo, andar para trás, ela queria sempre acompanhar juntamente com as amigas dela que desde ela começou a estudar...
Na escola, ali, acho que ela ficou três, quatro anos com a mesma turma, né? Então, isso ela não conseguia entender. E aí, eu falei para ela que era para o futuro dela, que quando ela fosse embora para o Brasil, ela ia estar falando duas línguas, que ela ia poder arrumar um trabalho melhor. É isso que eu falo até hoje para ela. Ela pensa em voltar para o Brasil ainda? Ela quer ou não? Ela não gosta daqui?
Não, ela gosta, mas ela fala que ela fica muito presa, né? Porque lá no Mato Grosso, ela ficava brincando na frente de casa, andando de bicicleta, e é que eu não deixo ela ficar saindo. É, e agora ela tá mocinha também, né? Ela nem vai ficar mais correndo de bicicleta pra lá e pra cá. Mas ela acha, ela fala, mãe, se a gente for pro Brasil, eu vou sentar na frente de casa e vou ficar vendo movimento. E aqui ela não faz isso, né?
Aí não tem muito movimento. E ela terminou a escola já ou ainda não? Ela tá na high school, tá indo no segundo ano.
no segundo ano é o 11? É. É o 11, né, Neninha? O 10. Acho que é. É isso aí, vai até o 12. Ela está no 10, falta mais dois. E trabalho, depois você ficou cuidando de criança, fazendo faxina, o que mais você foi fazendo?
Eu, na época, eu cuidava de criança, no inverno eu cuidava de criança, e quando caía neve, aí meu marido tinha o Paitermi de madrugada, eu ia com ele. Aí eu rapava neve também. Aí eu... Mas tem muita neve também de madrugada, nossa. Eu cheguei a perder uma unha do dedo, do pé. Sério? Porque eu já achei... Eu fiquei três anos rapando neve, né?
E aí, tipo assim... Olha, quem ouviu dizer... Fiquei três anos sapando neve. Nem neva tanto assim, vai. Não, tipo assim, todo ano pega neve.
Eu ia lá e rapava, porque aqui é de loja, minha filha, que é Mato Grosso. E o raspar a neve, para vocês que estão no Brasil, que não sabem o que é, no caso da Franciele, é com uma pazinha dessa largura, gigante, de plástico, bem levinha, e só vai raspando a calçada, vai tirando neve da calçada, e principalmente em lugares comerciais, porque até três horas depois que caiu a neve, o lugar tem que estar limpo.
Não cai a nevada e já vai a galera para a rua. Você vê caminhão limpando a rua, jogando sal, areia com sal, é uma sujeira. E as pessoas, e as mulheres geralmente, ou homem que não dirige, que não tem carta para limpar os caminhões, vai limpar as calçadas. E limpar é raspar, depois jogar sal.
E é bem complicado. O frio é muito frio aí em Massachusetts. E me fala uma coisa, vamos fazer um custo de vida para as pessoas entenderem quanto custa morar em Everest, se você está, não é? Isso. Vamos lá, vamos fazer um custo de vida. Quanto que é o aluguel de um quarto? Você está em um apartamento de quantos quartos? Três quartos. Aqui foi presente em Deus na minha vida, isso aqui. É, que é baratinho.
Não que é barato. Invista por ser 3 quartos, é barato, sabe? Mas aqui foi muito joelho no chão, Paulo, que eu estou nesse apartamento. Muito choro, muito joelho no chão. Invista... Explica para mim isso daí.
Porque, tipo assim, igual eu tava falando, eu cuidava de criança, né? E na época que eu cuidava de criança, eu não ouvia dizer que a gente tinha que ter licença pra cuidar de criança aqui, pra trabalhar com criança. E aí, o que que aconteceu? Por eu já, assim, lá no Brasil, eu fazia...
pedagogia, né, então e eu fazia o estágio, e quando eu cheguei aqui que eu comecei a cuidar de várias crianças e eu sempre fui contra de ficar só na televisão, então acabava que eu me destaquei por fazer um trabalho diferente de só cuidar de criança, só deixar ali e colocar brinquedo pra eles e dar o de comer
Eu comecei, tipo assim, fazer... Passar atividade, fazia brincadeira. Teve criança aqui que aprendeu as vogais, o alfabeto, os números comigo, o nome. Você fez uma escolinha. Isso. E aí eu sempre postava no Instagram, né? Sempre postava no Instagram. E aí foi indo assim, né? Dois, três anos, três anos por aí.
E aí me falaram assim, Fran, você tem que ter um curso de CPA e o de incêndio. E eu fui e fiz. Eu fui lá, fiz o curso, tudo. E continuei trabalhando com as crianças só. O curso de primeiros socorros.
Isso, dos primeiros socorros. E eu não sabia, Paulo, que eu tinha que ter uma licença do órgão do EEC, entendeu? Que é o órgão que a gente tem a licença de Massachusetts para poder trabalhar com uma criança. E aí, você foi tirar depois? Não, tipo assim, até então eu não sabia. Eu sabia que eu tinha que ter o curso do CPI, dos primeiros socorros. Aí eu fiz, continuei trabalhando com as crianças normalmente, aí eu fui denunciada.
Ah, te denunciaram! E eu vou te falar pra você, eu tava com três dias que eu tinha perdido o neném quando me denunciaram. Pensa o choque que eu levei. Eu senti como se eu tivesse matado alguém, porque a mulher que me ligou...
Ela falou que eu tava fazendo algo ilegal, que era perigoso, que isso e aquilo, e eu tava frágil, que eu tinha acabado de perder o neném, então... Sabe? E é muita informação, muita coisa, você tinha que ter feito isso, você tem que ter isso. E eu não sabia.
E aí acabou que ela marcou um dia para ir na minha casa, me levou o documento, né? E pediu para me assinar. E ela falou que se eu voltasse a cuidar de criança sem licença, eu tinha que pagar 5 mil dólares de mo... 5 mil dólares, se eu não me engano. Para não falar errado, algo assim, sabe? Eu tinha que pagar uma multa. E aí eu fui, parei de trabalhar, dispensei as crianças. Você tinha quantas crianças nesse momento?
Quando ela me ligou, eu tava com umas 7, 8.
E quanto paga cada criança? Como funciona? É por dia, por semana? Por dia. Na época era 35 dólares uma criança que não usava fralda, né? E com a alimentação das mães. A mãe faz o lanchinho, uma marmita. É, ela sempre leva um par de roupa e a comidinha deles, né? E eu dava banho também na época.
E coisa que não pode, né? É, eu pensei agora que você falou isso. Não pode. E aí, criança que usa fralda era 40, né? E baby era 50, dependendo ali. Por dia? Isso, por dia. E aí você dispensou todo mundo... No mesmo dia. E você falou, agora vai fazer o quê?
Nossa, meu mundo caiu, né? Falei assim, meu Deus, o que eu vou fazer agora? Voltar para a caixinha. É, tipo assim, eu vou até estar casero, né? Eu falei, meu Deus, como que eu vou ajudar meu marido? E eu nunca paguei aluguel, né? Então, era algo que o aluguel me assustava muito. E querendo ou não, é caro. Quanto que é? Você não falou o aluguel. Na época que eu morava no outro apartamento, eu pagava R$2,100. Na época, para mim, era caro, né? Agora, hoje, eu estou em outro também, é mais caro ainda.
Mas vem aqui, deixa eu falar. Eu perguntei o custo de vida, você contou uma história, ele me deu o preço do aluguel. O apartamento que eu morava antes era R$ 2,100. Eu vou falar hoje, um apartamento de hoje. O meu, ele custa R$ 2.800. R$ 2.800, tá. E abrir água, luz, internet, quanto você paga?
Ah, eu não pago água, né? Que é incluso. Mas a minha internet é 70 dólares. E luz? Aí vem a internet de celulares meu. Meu, do meu marido, da minha filha, é uns 240. Aí vem o seguro do meu daycare, né? 600 dólares por aí. O seguro, você montou um daycare em casa? Sim, licenciado e legalizado.
E aí, luz? Quanto você gasta de luz? A minha luz vem cara, principalmente no inverno, porque a energia, né, tipo, aqui não é gás. Aqui não é gás. Então, aí, por conta do inverno, fica bem mais caro. Eu já paguei três meses, três a quatro meses seguidos, R$ 800, R$ 700, R$ 900. Uau! É. Agora, no verão, porque também do ar,
É um pouquinho caro, mas não é tão caro como no inverno, né? Mas fica na base de 200, 300 dólares. Aqui você já veio para a Flórida? Uma vez na vida. Chorei igual uma criança na Disney.
Você veio na Disney? Eu moro do lado da Disney, do lado. Todo dia de manhã eu vejo a Cinderela e fala Bom dia, Paulo Paterno. Eu imagino. Bem pertinho. A minha luz está vindo agora, 650 dólares, por causa do ar-condicionado. Porque, menina, se existe um inferno, é aqui perto, sabia? É, Cuiabá também. Cuiabá é quente também? É úmido também, Cuiabá?
É muito quente, abafado. Não sabe. 90. Nossa, Deus, muito quente. É muito quente. Então, vamos lá. Vamos falar de comida. Quanto que você gasta por mês no mercado? Olha, por semana eu gasto 300 dólares. Por mês eu nunca parei. Bom, 319,12. 1.200. É porque eu compro muita coisa para as crianças do daycare, né? Então, toda semana eu compro as coisas para o daycare.
Quanto tempo você está tomando conta hoje? Hoje eu tenho quatro com a minha menina, né? Mas a minha licença é para oito. Vamos voltar aí. Carro, quanto tempo demorou para vocês comprar o primeiro carro de vocês? Opa, a gente comprou o carro em outubro do ano passado, porque é da minha bebê. Em seis anos aqui. Sem carro? Sem carro. Como você não fazia mercado, essas coisas? A gente andava cavando o trabalho do meu esposo.
Ai, que bom que ele ficava... Isso é maravilhoso, economizou muito dinheiro. Graças a Deus, né? Graças a Deus. O patrão do meu marido também é um anjo na nossa vida. É. É. E aí, qual carro que vocês compraram ano passado? A gente comprou uma caminhonete FF250. Uau, 250? É pro teu marido, então, né?
É, mas se eu te falar que eu aprendi a dirigir aqui, e já fui pegando a caminhonete. Eu ia perguntar, eu ia falar se tu aprendeu a dirigir, se dirige direto ou não?
No Brasil, eu andei acho que uns seis meses foi muito de carro. Aí eu vim pra cá, fiquei esse tempo todo sem andar de carro. Aí com sete meses eu tive que tirar a habilitação, porque eu sabia que por conta da Bela, da bebê, né? Pra levar no médico, dependia de mim. E aí eu tirei a carteira de motorista com sete meses de gravidez. E aí meu marido comprou a caminhonete. E com 15 dias ou 20 dias, uma coisa assim, eu peguei ela pra ir no médico.
E agora, você está dirigindo ou não? Oh, demais! O marido continua com a van da... Não, não. Ele vai com a dele. Ele está indo com a dele. Agora tem que juntar a grana para comprar a tua, menina. Imagina uma minivan para você buscar as crianças na casa, já cobra um pouquinho a mais. Tem meninas aqui de daycare, provedoras, que fazem isso. Aí, quanto que vocês pagam de prestação de caminhonete? A gente comprou ela à vista, né?
Ah, que bom. E seguro? O seguro é 361 dólares. 362. Por mês. E gasolina? Ela é a gasolina ou é a diesel? Eu acho que é a gasolina. É a gasolina? Não sei. Menina, eu passei uma vez com meu marido do lado e eu não entendo ainda. Eu só sei que é gasolina. Ele está falando que é gasolina. Bebe pra caramba essa caminhonete aí, hein? Bebe bastante. Ele está falando que bebe bastante.
Bebe mais que o dono. Quase. Quase. Caramba, que bacana. Então, hoje, qual é a despesa de vocês mensal que você tem que ganhar para sobreviver? Não estou falando comer pizza, não estou falando um extra. Para sobreviver. O aluguel, que para nós é o primordial.
Ao aluguel, a conta... É o que você me falou, mas é em torno de quanto? 5 mil?
uns 4.500 4.500 dólares para sobreviver e eu gosto de falar isso até para as pessoas que estão pensando em vir para cá entender quanto de dinheiro a gente precisa que não é fácil começar principalmente com dólar né com real tão desvalorizado que acaba saindo tão caro hoje para os brasileiros que estão chegando deixa eu fazer uma pergunta para você o Fran
Esse negócio da imigração, porque a gente vê você, a televisão fala da Flórida, só que aqui a gente não vê nada, porque como a Flórida não é um estado santuário, então a Flórida se pega alguém que for preso, ilegal, fazendo essas coisas, eles dão para a polícia de imigração, e aí se aporta, então aqui não tem batida. Aí, pelo que a gente vê na televisão...
últimos dois meses, praticamente, foi um terror. É isso mesmo ou não? Foi, foi, foi bem tenso aqui, esses dois meses, mas foi a mais afastada, assim, da minha cidade, sabe? Aqui teve, mas não teve igualzinho, foi em Malboro, em Frame, e um outro lugar que eu esqueci o nome, mas foi bem tenso. E o pessoal indo embora, o que você ouve dizer na comunidade, o que as mães falam?
Olha, tem muita gente indo embora, Paula. Muita gente mesmo. Eu fui no banco, né? E eu tava conversando com a moça que mexe com a parte do daycare, né? Com a conta do daycare. E aí eu perguntei pra ela como que tava a situação, né? Sobre a questão de se muita gente tava indo embora. E ela falou assim, Fran, tem muita gente tirando dinheiro e mandando direto pro Brasil. Tem muita gente que tá indo embora.
Eu tirei o passaporte americano da minha bebê agora e o rapaz que fez a agência, né? Que vem aqui em casa, que ajuda nessa documentação, porque a vida dos Estados Unidos é muito corrida, né? Então, a gente chamou uma pessoa pra vir aqui pegar nossas fotos, nossos documentos. E aí, eu perguntei pra ele como tava. Ele falou bem assim que tem muita gente indo embora, mas muita mesmo.
Nossa. Mas tem um monte de gente ficando também, né? Tem muita gente. Tem uns amigos meus que estão indo embora o ano que vem. E vão, estão pensando em ir embora o ano que vem? Sim, já estão aqui. É a segunda vez que vieram, né? Então, eles falaram que já está na hora mesmo. Ô, Fran, qual foi a maior conquista de vocês aqui nos Estados Unidos nesses últimos seis anos? A minha maior conquista? Um...
Foi o meu day care, que eu falo que é meu quarto filho. Que esse aqui foi com... Foi muito choro, sabe? É. Que foi algo assim que eu me senti muito humilhada pra poder hoje eu ter ele. E a minha bebê, né?
o meu sonho era ser mãe de três e depois de nove anos e depois de uma perca ela veio e é um foguetinho a Bela e a união da minha família né também que acho que aqui teve esse laço mais forte você acha que você qual que é o nome do seu marido você acha que você e o Rafael se juntaram mais se uniram mais sim
E qual foi o maior perrengue que vocês passaram, que você falou, gente, será que a gente fez o certo de ficar aqui? Qual foi a maior tristeza de perrengue mesmo?
Foi quando o dono do antigo apartamento que eu morava expulsou a gente, né? A gente morou lá no apartamento quatro anos. Eu já cuidava de criança, ele já sabia, tanto que eu morava no segundo piso. E ele nunca falou nada e quando a moça de baixo mudou, né? Ele perguntou pra mim se eu queria mudar pro primeiro piso por conta das crianças que eu cuidava.
E aí eu falei pra ele que sim, e aí eu falei pra ele que se tivesse chumbo, eu não poderia por conta das crianças, né? E aí ele tirou o chumbo de uma janela que tinha do quarto, eu lembro até hoje, ele reformou tudinho e eu desci. E ele tratava a gente super educado, Paulo, sabe? A gente fala, hoje eu entendo que foi espiritual, sabe? Porque ele nunca se importou de eu trabalhar com criança, mas nunca...
nunca nunca ele ia lá para arrumar alguma coisa ele o tio dele ele interagia com as crianças e e nunca achou ruim e aí quando eu fui denunciada nesse tempo que eu tirei o que eu fui denunciada eu tirei eu fiz o curso de cílios né de leste de cílios
Lash Design. E aí eu fui trabalhar no salão, ali fazendo os cílios das meninas. E nesse tempo que eu tava trabalhando no salão, eu tava estudando, porque a gente estuda muito pra tirar um daycare, pra ter uma licença do daycare. E eu estudava, fazia curso, e comprava as coisas, montava, né? Tipo, pra montar o daycare. E nesse jogo eu tava morando na casa dele ainda.
Aí tá, né? Não, minto. Antes dos cílios, eu morava na casa dele, montei o daycare depois que eu consegui a licença, né? Depois que eu consegui a licença, depois que eu consegui a licença, eu montei meu daycare tudo e... Não, peraí, Paulo, só para me voltar. Tá.
Que é muita informação. Quando me denunciaram, eu não pude cuidar mais de criança. Aí, o que eu fiz? Eu fui fazer o curso de cílios. Fiz o curso de cílios, comecei a atender na minha casa. E aí, eu fui para o salão. Uma mulher me chamou, a dona do salão me chamou para ir para o salão. Eu trabalhei no salão. Aí, nesse tempo, trabalhando com cílios, eu estava estudando quietinha para tirar a minha licença do day care.
né? E aí, eu estudando, que a gente estuda muito, faz muito curso, consegui tirar a licença. Aí eu montei o daycare tudo, a fiscalização vem, né? A licenciadora vem, médio, olha se tá tudo seguro. E aí ela aprova e te dá a licença, né? Aí a minha licença chegou e aí eu comecei a divulgar falando que eu tava com daycare, que tinha vaga para criança. Aí eu...
Isso foi na quinta-feira. Na quinta-feira eu comecei a trabalhar legalmente com a licença em mão com daycare. Quando foi na sexta-feira, o proprietário do apartamento onde eu morava por quatro anos me ligou e falou pra mim que não era pra me cuidar mais de criança, e eu fiquei sem entender com ele. Eu falei pra ele, mas agora que eu tô com a licença, que eu tenho o seguro do daycare, que aqui você tem que ter seguro pra tudo, por que não?
Se você vai ficar... É melhor eu trabalhar licenciada por seguro do que eu trabalhar sem nada e sobrar para ele, né? Claro. E aí, Paula, esse homem, eu tenho até o vídeo, ele se transformou, não era a mesma pessoa. Não era a mesma pessoa. Não era aquela pessoa educada, gentil. Ele...
se transformou, sabe? E aí eu pedi uma reunião com ele, com a moça que faz o intermediário ali da... Pessoa que aluga os apartamentos pra ele? Aham. Da imobiliária? Claro. Ela era brasileira, é brasileira, e aí a gente fez uma reunião e ela foi traduzindo pra ele, e ele entende muito bem espanhol até português, só que ele não consegue falar, né?
E aí a gente teve a reunião e ele não quis saber, não quis, não quis, não quis. E aí ele pediu para me desmontar tudo e parar de cuidar de criança. Aí eu falei ok, desmontei tudo. E nisso eu voltei a trabalhar com cílios, só que eu comecei atendendo em casa, né? Porque eu não tinha como ficar pagando salão. E eu já tinha dispensado minhas clientes, então eu tinha voltado a estar com a casa, não estava com cliente mais.
E aí, isso ficou, desmontei tudo, aí a minha irmã morava em New Jersey, ela veio pra passar as férias aqui na minha casa, o 4 de junho. E nisso que ela veio, veio ela e minhas duas sobrinhas e o marido dela. E numa bela quarta-feira, não me recordo, eu acordei cedo.
Fui, levantei, sentei na cozinha, fui tomar meu café, comer meu bolo e ouvi meu devocional pra ir esperando minha cliente chegar. Nisso, eu escutei uns barulhos, porque eu morava no primeiro andar, eu escutei uns barulhos no mês, mas normal, né? Achei que ele poderia estar ali arrumando alguma coisa. De repente, ele subiu e ele começou a bater muito forte na porta da cozinha, mas muito forte mesmo.
E eu achei que tava acontecendo alguma coisa no prédio. Aí eu abri. No que eu abri, ele já começou... Cadê? Cadê Kids? Cadê? Sabe assim? Procurando as crianças. Aí eu fui e falei pra ele que não tinha criança aqui. Aí ele, tipo assim, ele falava meio que espanhol, assim. E eu entendia que ele tava atrás de criança. E eu falava que eu não tinha. E nisso, ele passou pela sala, assim, já não tinha nada de daycare ali, sabe?
montado nem nada. Aí ele foi no quarto onde estava a minha filha, o meu filho e minhas duas sobrinhas dormindo. Ele abriu a porta, assim. E nisso minha irmã, e ele gritava, e nisso a minha irmã já saiu do quarto que ela estava dormindo, assustada. E aí eu falei assim, gente, mas ele não pode fazer isso. Ele não pode nem entrar na tua casa sem ser convidado.
Então, aí eu comecei a falar para ele assim, não estou cuidando, não estou. E aí ele me chamava tipo de liar. Acho que é... O liar. É isso. De mentirosa. É, e eu falava assim, é minha sobrinha, não é criança. E tipo assim, o The Kermit estava montado. Estava desmontado e ele mesmo assim achava que aquelas duas meninas... Eita, caiu.
Cadê ela? Será que o celular dela pifou? Porque a bichinha fala pra caramba, hein? Cadê você? Você sumiu, Franciele? Gente, é isso aí, é a vida como ela é, a história da Franciele, a imigrante raiz lá de Mato Grosso, vivendo essa vida maluca. Eu acho que o celular dela acabou a bateria, porque ela estava no celular quando a gente começou a ligar.
Então, desejo tudo de bom para a Franciele. Um beijo, galera. Se você mora nos Estados Unidos, se quiser contar a sua história, manda um zap para mim. Mais um. 321-285-2551. E a gente vai falando. Até a próxima. Fica com Deus. Tchau, tchau.
E aí
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curso sobre imigração legal