Episódios de CBN Meio Ambiente e Sustentabilidade - Marco Bravo

Canudo de papel salva o planeta? Carro elétrico é sustentável? Os mitos e verdades ambientais

06 de maio de 202612min
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No CBN Meio Ambiente e Sustentabilidade desta quarta-feira (06), o comentarista Marco Braco fala sobre os mitos e as verdades ambientais. Muitos discursos, segundo o comentarista, viram quase "símbolos de consciência ambiental", mas estão longe de salvarem o planeta. Ouça o comentário!

Participantes neste episódio4
F

Fernanda

HostAdvogada familista
J

Juliana

Convidado
L

Lenaldo

Convidado
M

Marco Bravo

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Assuntos6
  • Carros Eletricos vs CombustaoFonte de energia para carros elétricos · Energia sustentável no Brasil · Etanol de cana de açúcar · Etanol de milho · Veículos a etanol
  • Mitos e verdades ambientaisCanudo de papel · Carro elétrico · Sustentabilidade
  • O problema dos canudos plásticosImpacto ambiental dos canudos plásticos · Projeto Tamar · Canudos orgânicos · Bioplásticos
  • Matriz energética no agronegócioCaminhões a diesel no transporte de cana · Caminhões elétricos autônomos · Biodiesel · Guerra e impacto no agronegócio
  • Veículos híbridos e a dieselPicape híbrida · Veículos a diesel · Emissão de enxofre
  • Energia solar e o futuro das casasPlacas fotovoltaicas · Custo de placas solares · Casas sustentáveis
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CBN Meio Ambiente e Sustentabilidade, com Marco Bravo. Hoje a gente trata aqui no quadro com Marco Bravo dos mitos e verdades ambientais. Canudo de papel, carro elétrico, são os discursos mais recentes sobre os símbolos da consciência ambiental. De fato, a gente vai salvar o planeta tomando essas e outras medidas? Ei, Marco, me conta isso.

Bom dia, Fernanda. Bom dia a todos os ouvintes da Rádio CBN. Muita alegria, né? A gente está aqui fazendo esse comentário. Porque existe muito mito realmente, né, Fernanda? Tem muita coisa que às vezes as pessoas tomam como atitudes sustentáveis que não necessariamente são tão sustentáveis como a gente pensa, né? Por exemplo, começa até pelo carro elétrico. O carro elétrico realmente é o carro do futuro, presente e futuro, né?

bem estabelecido. Mas que energia, qual é a fonte de energia que eu abasteço o carro elétrico? Então vamos parar para refletir sobre isso. Na Europa, usa muito o termo elétrico, até porque eles têm uma produção de energia bem vulnerável, é um continente vulnerável na produção, diferente do Brasil, que nós temos aqui.

um processo de sustentabilidade, uma energia limpa, um percentual até alto de energia sustentável, hidroelétrica, eólica, fotovoltaica. Se eu abasteço o veículo com energia sustentável, aí o veículo é sustentável.

Mas se eu abasteço o veículo com o gerador de diesel, que está produzindo energia, no caso da França, da Alemanha, então já não é sustentável. Eu estou consumindo combustível fóssil, emitindo carbono para a atmosfera, para fazer um veículo elétrico de emissão muito baixa.

Até porque praticamente zero emissão. Então, quer dizer, não compensa. Eu vou te dar um outro exemplo. Por exemplo, o álcool é muito sustentável e muitas vezes mais sustentável que o veículo elétrico. Movido a etanol. Por quê? A cana, eu plantei a cana lá no campo. Para ela crescer e produzir glicose, produzir o amido e a celulose, que também é um polissacarídeo, ela precisa realizar fotossíntese. Então, ela capta carbono da atmosfera.

transforma o carbono em glicose, C6H12O6. Essa glicose que fica ali na cana vai para o caldo da cana, do caldo vira açúcar ou vira álcool, etanol. Aí sim. Por quê? A planta, aí eu vou emitir carbono na saída do meu veículo, na descarga do veículo. Só que o carbono que eu estou emitindo, primeiro, a quantidade é pequena. Dois, já foi capturado lá no campo quando a cana estava crescendo.

Então quando assim, zera praticamente a emissão, a emissão é zero, porque a planta capta carbono para realizar fotossíntese. Eu libero carbono na combustão do etanol, então quer dizer, a quantidade é mais ou menos equiparada. Então o veículo a etanol no Brasil é muito sustentável, aí não é mito, é fato, né? Diferente.

O veículo elétrico é isso também. Se a gente tiver aqui, se eu tenho, por exemplo, uma casa com placas fotovoltaicas que eu mesmo produzo energia, eu tenho um sistema de baterias que eu posso armazenar uma parte dessa energia e abastecer meu veículo à noite, aí o carro é sustentável. Eu estou produzindo, agora nós vamos melhorar muito essa parte de eletropostos.

Já tem no Brasil, São Paulo, já tem uma série de eletropósitos. Você tem tipo um estacionamento com placas fotovoltaicas produzindo energia, abastecendo essas super baterias e essas baterias vão carregar os veículos elétricos. Aí o processo é sustentável. Você entendeu a diferença da Europa para o Brasil? Aqui nós temos, por isso que esse país é abençoado por Deus, bonito por natureza, mas que beleza, né? Pena que não é fevereiro, se fosse fevereiro era carnaval. Se não, era carnaval.

Era o Jorge Peijó. Então, quer dizer, e é verdade, o Brasil tem tudo. Nós temos aqui, se você esquece uma semente no solo, vira um pé de milho. Aqui nós temos toda a estrutura. Nós estamos agora produzindo o etanol de milho. Nós vamos agregar valor também, sabe por quê? Antigamente você vendia um milho in natura lá para a China, para a Europa.

Agora não, nós vamos vender o subproduto do milho, que tem um valor agregado muito alto, porque você transformou o milho em etanol. Aí o subproduto do milho está sendo exportado. Nós estamos agregando valor e produzindo um etanol de altíssima qualidade, e além do etanol de cana de açúcar também que a gente produz.

Esse etanol de cano de açúcar é o que mais de 50% do etanol produzido no Brasil. Com safras, nós podemos ter três safras por ano no Brasil. Na Europa, nos Estados Unidos, no máximo uma, se não der um problema climático grave. Quer dizer, nós temos muitas virtudes que precisamos desocruir dessas virtudes. É importante. E o canudo?

Ah, o canudo. O meu canudo de papel é do Martim da Vila, que é o canudo de ploma. Outro canudo. O Marco está engraçadinho hoje. O canudo vai depender da fonte. Canudo de plástico, esse canudo deve ser abolido. Não podemos mais usar canudo, Fernando. É o uso muito rápido.

O canudo, você usa o único, você usou, jogou fora, virou lixo, vai pro mar, é muito leve, aquilo vai agredir tartaruga, peixes. A gente vê uma série de vídeos aí que dá pena ver tartarugas aí asfixiadas com plástico. Canudos também, canudos da narina da tartaruga. O projeto Tamar que o diga, né? A quantidade de tartaruga que chega ali morta por...

fome, de fome, que estão cheias de plástico no seu aparelho digestório. Então, quer dizer, o canudo nós temos assim, se a pessoa deseja, dá para viver sem canudo, né? Primeira coisa que a gente tem que parar para pensar, eu consigo viver sem canudo? Claro que consegue. Viver muito bem sem canudo. Não é uma necessidade básica.

Primeira coisa, rejeite o canuto. E tem canudos também orgânicos. Hoje você tem canudo feito de fécula de mandioca, de celulose de cana, que são chamados bioplásticos. Aí você poderia, caso haja uma necessidade, você tem o hábito de usar, utilize. É igual essas garrafinhas. Eu tenho visto muita garrafinha de uso único, garrafinha de boa qualidade. Você tem garrafinhas hoje de bioplástico.

garrafinhas orgânicas, que saem lá na natureza, elas se decompõem e vai ser consumida por bactéria, vai ser decomposta, né? O canudo, primeira coisa, vamos parar de usar canudo. Não há necessidade de você usar canudo. Canudo é uma mordomia para você obter um copinho de bebida ou de suco. Você vai consumir ali em dois minutos, três minutos e joga o canudo fora. Eu acho que é uma coisa assim que não faz nem sentido. Temos que abolir canudo.

Vamos à participação dos nossos ouvintes? Juliana está aqui conversando com eles. Pois é, o assunto carros elétricos sempre rende muita participação para a gente. O Lenaldo, nosso ouvinte, mandou uma dúvida. Bom dia, Fernando. Bom dia a todos da CDI. Eu queria fazer uma pergunta para ele. Quando eu voltar ao Brasil, eu pretendo comprar um carro, uma picape, né? Porque a gente tem uma chaca em Santa Lopudina e é mudo. Não compensa comprar uma picape híbrida?

A melhor companhia do diesel, no caso, eu queria essa opinião dele. Acho que diesel tem dia contado para acabar, né? Dia, mês e ano, né? E o diesel também melhorou muito. Você tinha o D200, hoje você tem o D10.

O que é isso, 200 para 10? É enxofre. A quantidade de enxofre que é emitido, o diesel era escuro, o diesel hoje é clarinho. Isso também melhorou muito na emissão de enxofre, de carbono para a atmosfera. Agora, hoje os veículos elétricos estão evoluindo muito. Vem uma nova bateria agora de ferro, em vez de ser de lítio, eles estão vendo que ela é mais barata, mais sustentável, e dura mais tempo e carrega mais rápido.

Quer dizer, a tendência é a gente caminhar para isso. É porque ele falou que o local é muito morrado, tem a topografia íngreme. Realmente, o consumo de energia é maior. Mas se ele tiver lá na propriedade dele, placa fotovoltaica, que ele consiga abastecer o veículo, vai compensar bastante. E essas placas, não sei se você lembra, Fernando, a gente quando começou, eu conheci um rapaz que veio da China. Falando coisa de 15 anos atrás, 12 anos atrás, a gente já falou na rádio aí.

ele trouxe uma placa que eu levei para os meus alunos numa faculdade que eu dava aula e eles ficaram admirados. A própria placa evoluiu muito e o custo, eu lembro da gente comentar na rádio, 25 anos pagando de economia para pagar o custo da placa. Hoje não, com 3 anos você está pagando, caiu muito o preço. Então, quer dizer, compensa e o Brasil tem fábrica, nós temos fábrica no Espírito Santo, em Colatina, uma fábrica que de repente a gente podia fazer uma reportagem sobre isso.

sobre essa fábrica lá de Colatina, né? Quer dizer, nós temos a placa mais eficiente, uma placa que hoje tem uma eficiência maior na captação da energia solar, transformação em energia elétrica, e hoje os veículos também estão melhores. Agora, se ele tiver uma estação de fotovoltaica lá, ele vai abastecer a casa, abastece o veículo e ele vai ser bem sustentável. Futuramente as casas serão totalmente sustentáveis, com água.

com a chuva, com aproveitamento com energia fotovoltaica, com tratamento do esgoto individual. Quer dizer, nós teremos um futuro, eu acredito muito nesse futuro. Não tem outro caminho, né, Fernanda? É verdade. Vamos fechando aqui com a última participação. Não estou querendo criar intriga, não.

Mas os maquinários, caminhões que carregam canas de açúcar, é tudo a diesel e poluente, viu? É muito. É verdade, nós precisamos melhorar, mudar essa matriz. Se ele produz o etanol lá, já tem um caminhão e trator movido do etanol.

Ou ele pode, por exemplo, na China nós temos diversos caminhões que são autônomos, não tem motorista, todos elétricos rodando a China. Então, quer dizer, o caminhão também está evoluindo, saindo do diesel para o elétrico e pode ser também o etanol. Quer dizer, hoje você tem propriedades rurais aí em Goiás, Mato Grosso, que eles produzem o etanol e abastecem a própria frota. E a frota dos produtores de soja está aumentando muito.

Você sabe que o agronegócio brasileiro, esse ano, com essa guerra, essas coisas estúpidas do ser humano, uma estupidez que não tem nem como a gente ficar falando sobre isso, vai criar um rombo no nosso agronegócio em 7 bilhões só a questão do combustível. Então nós precisamos mudar a matriz na propriedade, no meio rural, usando o biodiesel, usando o etanol, quer dizer, fundamental.

a gente parar para fazer um investimento nessa mudança gradual da matriz energética que o Brasil já faz com muita eficiência desde a década de 70. O etanol, que era o álcool na bomba, era usado desde 70, foi mudado de deboche, de piada. Você vê que hoje o Brasil é um sucesso nessa questão do etanol. É isso, Marco. Te agradeço pela sua participação e até a próxima quarta-feira.

Eu que agradeço. Um grande abraço a todos os ouvintes, a todos que nos estão assistindo pelas redes sociais aí, da nossa Rádio CBN, que fez 30 anos. Nós temos que comemorar no restante do ano esses 30 anos. E vamos. Obrigada. Até quarta.

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