Episódios de Terminei

#333 - Você Encontrou o Oliver

07 de agosto de 20268min
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Faz quase um ano que o melhor amigo de Oliver, Sam, morreu. E apesar de saber que não vai receber resposta alguma, o garoto não consegue parar de mandar mensagens para o número do amigo… até que um dia ele acidentalmente toca no botão de ligar e alguém atende.

A voz do outro lado não é de Sam. A linha que antes pertencia ao seu amigo foi repassada para outra pessoa, e um estranho tem recebido as mensagens mais privadas e vulneráveis de Oliver há meses. Mas Ben, um estudante universitário de Seattle, não vai continuar sendo um estranho por muito mais tempo. Quando os dois finalmente se encontram, a química é inegável. Tudo parece perfeito, até Oliver descobrir algo que pode ser a ruína dos dois.

Livro: https://link.amazon/B00CgJVIP

Twitter e insta: @termineicast

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Oi, esse é o Terminei o Podcast Sobre Livros. Eu sou a Gabs e hoje voltamos a ler Dustin Thao e chorar um pouquinho. Mas nesse livro eu não chorei, eu só fiquei perplexa com algumas coisas, mas ao mesmo tempo quis estudar filosofia. Eu achei muito massa essa história. Livro de hoje é Você Encontrou o Oliver, do Dustin Thao, autor de Você Ligou para o Sam. Pra quem não lembra, tem podcast de Você Ligou pro Sam, que é a história da namorada do Sam que liga pra ele no telefone dele depois que ele morreu e ele atende, né?

Então, no primeiro livro a gente já tem esse choque. Mas essa questão também de querer que as pessoas sigam em frente. Já nesse a gente tem o Oliver, que é o melhor amigo do Sam. E aí a gente tem outras questões. Oliver é um garoto LGBT, ele é gay. Ele demorou para se abrir para as pessoas sobre, ele demorou para se abrir para o Sam. E aqui a gente tem um vislumbre de como foi a perda do Sam para ele, mas também como aconteceu tudo, né, como sendo, e como agora ele é muito amigo da namorada do Sam que a gente viu no primeiro livro.

Tanto que eles se odiavam no começo do livro e agora eles são muito, muito melhores amigos. E tipo, cara, você fala, o que que tá acontecendo? Como assim eles são Best friends forever, e tá tudo bem. E tá tudo bem, entendeu? Porque a Julie entendeu e o Oliver entendeu também o lugar dele na vida do Sam. O que a gente tem aqui é um menino que tá cansado, teve um relacionamento horrível, que ele foi traído pelo namorado com o colega de quarto, e um adolescente que acabou de entrar na faculdade sem o melhor amigo com quem ele tinha feito planos a vida inteira e a namorada desse melhor amigo lá.

E ele não faz ideia do que ele quer da vida dele. Então ele tá fazendo diversas matérias na faculdade para tentar encontrar o lugar dele. Então ele tá ali no segundo semestre da faculdade, né, o segundo período, e ele tá começando coisas novas. E ele continua mandando mensagem para o número do Sam. O que eu acho engraçado é que ele e a Dili não conversaram, né. E eu acho que se eles tivessem tinha conversado, acho que a Julie tinha falado para ele, cara, não faz isso não, que eu liguei e deu B.O., imagina mandar mensagem.

E aí um dia ele tá ali mandando mensagem, né, e ele pega e sem querer liga no número e alguém atende, e ele toma um susto. E aí ele pede desculpa tal, e a pessoa fala, não, tudo bem, eu tava vendo que você tá mandando mensagem há muito tempo, né, quase um ano, e eu só não respondi antes e tal. E eles começam a conversar. E aí o Oliver sente um quentinho no coração porque essa pessoa já conhece ele, né? Faz um ano que ele se abre com esse número.

E aí ele quer saber quem é, e ele descobre que é o Ben, um rapaz que mora em Seattle, tá fazendo faculdade de astronomia, já tá um pouco avançado nessa área, e ele ama essa área. E aí o Oliver começa a fazer as aulas de filosofia da mãe da Julie, da senhora Clark, e ele começa a gostar muito dessas aulas. O que acontece é que ele toma iniciativa e fala, Ben, vamos nos encontrar, assim, vamos sair junto e tal. E ele vai até a cidade, até Seattle, e aí ele chega lá, e aí ele vai para o restaurante que o Ben disse para ele ir, e o Ben não tá lá.

E aí ele acha que foi uma armadilha e tudo mais, só que dá 5 minutos, o Ben aparece, e aí ele acha muito esquisito, ele sente o ambiente muito diferente. E aí o que acontece é que o nosso menino Oliver tá apaixonado por um rapaz que tá há 6 meses no passado. E o choque que ele tem é muito grande. A gente tem esse estranhamento durante a leitura. E eu vou dizer para vocês assim, ah, isso é um plot? Não, porque o plot é tipo, e agora?

E agora, José, não é mesmo? Não, porque a gente vê que ele vai entendendo assim, porra, eu tô— ele não tava aqui, agora ele apareceu. Aí ele veio me ver e o lugar onde eu sempre vou tá fechado, e tá nevando, mas é primavera. E aí ele começa a ligar lé com cré, olha no celular e vê que a data não tá batendo com o dia que ele tá. Ele tá em abril, aparece novembro, as coisas tão esquisitas. E eles percebem que eles estão viajando no tempo.

O problema aqui não é a viagem no tempo, é que o Oliver tá voltando 6 meses no passado. E aí muita coisa pode acontecer porque é mudança de linha do tempo, principalmente da dele também. E ele tem esse problema de encontrar com o Ben. Como que eles vão ficar juntos sendo que eles estão em linhas do tempo diferentes? Então esse é o propósito desse livro. É um relacionamento à distância, literalmente 6 meses de diferença, entre duas pessoas completamente diferentes, mas que compartilham perdas, principalmente o trauma de perder alguém que se ama, o medo de ser quem é, o medo de não saber o que tá fazendo da vida.

Principalmente o Oliver, ele não sabe o que ele quer. Mas ele começa a entender o que ele quer, mas também as questões de abrir mão de algumas coisas que parecem muito importantes para gente, mas elas não são, pelo bem das pessoas que a gente ama. Porque o que acontece, viajar na linha do tempo altera a linha do tempo, certo? Oliver volta 6 meses e aí isso bagunça a linha do tempo atual dele, e bagunçada a linha do tempo atual dele, é, para ele não era ruim por um tempo, até que as coisas começam a não fechar mais as contas.

São sonhos deixados para trás, desejos que não voltam, pessoas que vão embora, pessoas que ficam, coisas que não funcionam da mesma forma. E aí ele entra em desespero, porque amar alguém é muito importante, mas perder de novo alguém porque você tá querendo abrir mão desses sonhos das pessoas porque é mais cômodo para você tá com ela, é doloroso. E o Oliver começa a ter visitas em sonhos do Sam para tentar entender um pouco mais do que ele tá passando.

É um livro sobre crescimento. Eu acho que é um personagem muito jovem, né? Ele tem 17, 18 anos, ele tá na faculdade agora, então ele tá conhecendo o mundo. Mas eu achei muito maduro ele ter esse crescimento e essa decisão de vida de entender o que é certo, o que é errado para ele, e abrir mão de coisas que fazem dele mais feliz. Até porque a gente tem um personagem aqui que ele é muito complexo, porque o Oliver mora só com a mãe.

A mãe já teve outros relacionamentos, a gente não tem citação do pai dele, mas o padrasto, que é o último homem que a gente tem essa citação na família, era um cara completamente ridículo. Ele brigava com a mãe dele, né, do Oliver, porque ela passou na frente da televisão enquanto ele tava assistindo. E aí ele não tem lar porque eles vivem se mudando. Então quando ele vai para aula de filosofia e a professora começa a discutir essa questão de lar, como o universo e alguns outros lugares podem ser o seu lar, e ele encontra o Ben, e para ele o Ben é esse lar, para ele é muito crítico para uma pessoa que nunca teve algo que ela pudesse chamar de seu abrir mão de alguma coisa.

Então esse livro traz essa reflexão muito boa. O estudo de filosofia nessa história é muito legal porque torna tudo assim, parece bobo, parece simples, mas abre um leque de questionamentos, de problemas para você pensar e também refletir sobre o que é certo e o que é errado e o que pode ser feito ou não. Então É um livro muito bonito. Eu não chorei, mas eu senti bastante nas questões do Oliver. Eu não vou dizer para vocês que não é um livro emocionante, ele pega em lugares muito pesados, porque eu acho que se eu tivesse na situação dele, eu faria o mesmo que ele fez.

E é doloroso, porque às vezes amar é deixar ir, e isso é bem pesado assim para mim, que já passou, já passei por muitas coisas. Chegar nesse ponto que o Oliver chega é muito pesado assim. Eu acho que é o ponto final de tudo, sabe? Quem já leu Você Encontrou o Oliver, me manda no @terminecast. Quem não leu, eu recomendo muito, muito, muito, muito. Leiam Você Ligou para o Céu e leiam Você Encontrou o Oliver. Eu quero muito ler Quando o Rádio Esteve Aqui.

Não tenho esse livro ainda, mas assim, quero muito. Porque eu gosto muito da forma como The Central lida com a questão do luto, mas também com o autoconhecimento e o crescimento humano. Então eu acho muito, muito legal. E é isso, um beijo para quem ficou até agora e tchau!