Sem vacina: o que faz o rinovírus liderar hospitalizações por SRAG no RS
- SRAG e Rinovírus no RSAumento de hospitalizações por SRAG · Rinovírus como principal causador · Ausência de vacina contra rinovírus · Grupos vulneráveis · Medidas de prevenção
- Transmissão e complexidade do RinovírusReservatório humano do rinovírus · Período de incubação e assintomáticos · Co-infecção com outros vírus · Complexidade do rinovírus e resposta imune
- Tratamento e vacinação contra o vírusComplexidade dos sorotipos · Resposta imune específica e limitada · Reinfecção por diferentes subtipos
- Situação de emergência em PernambucoObjetivo de obter mais recursos · Ampliação de leitos hospitalares · Operação Inverno em Porto Alegre · Validade do decreto de emergência
- Grupos vulneráveis a quadros graves de RinovírusExtremos de idade (bebês e idosos) · Pessoas com comorbidades · Bronquiolite em bebês · Descompensação de asma
- Hábitos como proteção e risco simultâneosUso de máscaras e álcool em gel · Evitar ambientes fechados e mal ventilados · Preferência por ambientes abertos e ventilados · Importância da vacinação (gripe, COVID)
- Vírus causadores de SRAG e sazonalidadeSazonalidade das doenças respiratórias · Influenza (gripe) · Vírus Sincicial Respiratório (VSR) · Rinovírus e asma
- Doenças InfecciosasDefinição de SRAG · Diferença entre gripe, pneumonia e SRAG · Vias aéreas superiores vs. inferiores
- Sinais de alerta para SRAGFebre · Dificuldade respiratória · Aumento da frequência respiratória
O Rio Grande do Sul decretou emergência em saúde pública por causa do aumento expressivo de hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave, a SRAG. Entre os vírus responsáveis por esse cenário, um tem chamado a atenção das autoridades, o rinovírus.
conhecido por estar entre os principais causadores do resfriado comum. Só neste ano, o vírus provocou mais de 500 hospitalizações e 17 mortes no estado. Entre as últimas semanas epidemiológicas, as interações por rinovírus subiram 376,9%. Entre as crianças menores de 12 anos, esse número chega a 528,6%.
O vírus também lidera a taxa de letalidade entre os causadores da SRAG, com 7,02%, segundo o painel da Secretaria Estadual de Saúde.
Ao contrário da influenza e da Covid, não existe vacina contra o rinovírus. Estudos recentes mostram que ele age de forma mais complexa no organismo do que se imaginava. Para entender melhor esse contexto de alerta, a gente conversa agora com Eduardo Sprins, infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Eu sou Giovana Reis e esse é o Direto ao Ponto.
Antes de falar sobre o rinovírus em si, é preciso que a gente entenda essa diferença entre a SRAG e outras infecções respiratórias mais comuns no período de inverno. Para começar com o básico, o que é a síndrome respiratória aguda grave em termos mais simples? A síndrome respiratória aguda grave é quando uma pessoa tem intensa falta de ar. Isso aí tem diversas causas. Muitas dessas causas são doenças infecciosas.
E qual seria a diferença de, por exemplo, uma gripe, uma pneumonia e a síndrome respiratória aguda grave? Então, a pneumonia pode ser uma causa de síndrome respiratória aguda grave. Existem outras causas, às vezes doenças pulmonares, doenças cardíacas também podem levar a isso.
Mas, na maior parte das vezes, principalmente nos extremos da idade, geralmente o que causa descompensação respiratória pulmonar, muitas vezes é um processo infeccioso que acomete o pulmão. A gente tem as vias aéreas superiores e as vias aéreas inferiores. Quando acomete...
vias aéreas superiores, se a gente fosse classificar, a gente diria que é um resfriado comum. Quando a doença vai até os pulmões, a gente diz que é a gripe ou o resfriado complicado, que é algo mais sério, potencialmente pode até ameaçar a vida da pessoa. Quais são os principais vírus responsáveis por esse tipo de quadro e o que eles carregam em comum?
Geralmente, excetuando a COVID, na maior parte das vezes, respeita a sazonalidade, ou seja, a estação do ano. Então, com a chegada do frio ou a diminuição do calor, as pessoas tendem a ficar mais juntas e existe uma facilidade na transmissão de doenças respiratórias, principalmente causadas por vírus.
Se a gente for pensar, então, nós estamos no inverno, ou não no inverno, pelo menos acabou o verão, estamos no outono, veio o primeiro frio, e aí a gente tem que pensar principalmente naqueles micro-organismos, geralmente vírus, que causam doenças das vias respiratórias. Então, normalmente a gente sempre fala...
do influenza, causador da gripe. Mas na maior parte das vezes, felizmente, a maior parte das infecções virais fica somente nas vias eras superiores. Então não causa doenças potencialmente graves. As pessoas podem ficar com uma dor de garganta leve, podem ficar com uma coceira na garganta, mas geralmente fica só assim.
E existem outros vírus, como por exemplo o vírus sensicial respiratório, que também pode causar potencialmente uma sinos respiratória aguda grave. Como tem vacina, e a vacina é fornecida para recém-nascidos e pessoas...
Então, em princípio, ele está um pouco com uma incidência, uma frequência um pouco menor. E o rinovírus, que é um... Talvez a gente possa dizer que um terço, 50% dos resfriados comuns são causados pela família dos rinovírus.
eventualmente o rinovírus também pode acometer as dias aéreas inferiores. E às vezes ele pode descompensar um quadro de asma, por exemplo. E a pessoa com asma vai ter falta de ar e pode vir a ter uma síndrome respiratória aguda.
Tem uma situação que vem preocupando muito nos últimos dias, que é o aumento dos casos de internação por doenças respiratórias. A chamada síndrome respiratória aguda grave. São quase 3 mil internações e 185 mortes apenas este ano aqui no estado. O resultado é a superlotação que atinge hospitais da região metropolitana e de todo o estado.
E por isso, o governo anunciou a abertura de novos leitos para ampliar esse atendimento. No caso do rinovírus, os números recentes impressionam. As hospitalizações pelo vírus subiram mais de 370% entre as semanas epidemiológicas 7 e 10 de 2026. Entre os menores de 12 anos, como a gente já falou, o crescimento chega a mais de 520%. Mas como um vírus considerado tão comum chega a esses números?
A gente sempre diz que um vírus, geralmente, ou muitas doenças infecciosas, existe um reservatório. O reservatório é onde é a fonte da continuação da infecciosidade da transmissão. Então, por exemplo, o grande reservatório do rinovírus são os humanos também. Então, a transmissão é entre humanos.
existe um período de incubação, ou seja, da exposição até ter sintomas, geralmente é de dois a sete dias. Muitas pessoas são totalmente assintomáticas, minhas delas podem contaminar outras, e muitas vezes é só um resfriado muito simples.
Mais nada. Em paz, a pessoa pode ter contaminado outras pessoas. Então, de novo, a mesma coisa. E algumas vezes ele pode dar casos mais graves. E às vezes ele pode causar... Dois vírus podem causar uma doença nas vias aéreas.
ao mesmo momento, que aí pode fazer com que o quadro também seja mais grave. Então, a gente às vezes pode ter gripe e infecção por rinovírus ao mesmo tempo. Rinovírus é um vírus RNA.
Existem mais de subtipos dele. E é um vírus que a gente geralmente não dá muita bola para ele. Como a infecção geralmente é leve e fica só restrito às dias aéreas superiores, às vezes nem dá tempo de a gente fabricar anticorpos. A gente reconhece algumas partes do vírus. A gente pode fazer anticorpos, mas os anticorpos geralmente...
Quando eles aparecem, a pessoa já está amplamente recuperada. E existem algumas partes do vírus que o nosso organismo reconhece e fabrica proteínas inflamatórias para tentar fazer com que a gente tente conter o vírus. Muitas vezes a gente falha nessa contenção.
E o vírus pode, eventualmente, se propagar para as vias aéreas inferiores. Quando a gente fala em amígdala, a andenoide, isso pode fazer parte da nossa linha de primeira defesa, segunda defesa, já nas vias aéreas. Então, é assim que ele vai causando as doenças. É assim que ele fica na célula, ele infecta a célula.
ele se multiplica e ele vai, de preferência, como ele gosta, o epitélio respiratório, isso é, ele tem predileção pelas células do sistema respiratório. Ele vai infectar depois as células do sistema respiratório. E nesse caso, a infecção das vias aéreas superiores, geralmente vai dar dor de garganta, amígdalas estarão afetadas.
Mesmo com destaque entre os altos índices de mortalidade e letalidade, o infectologista alerta que o dado precisa ser lido com cuidado.
A gente não pode dizer que seja ele o mais letal. A gente pode dizer que ele está contribuindo para quadros mais graves. Eu acho que esse é o fundamento. A gente tem mais elementos, ferramentas diagnósticas que antes a gente não tinha. E a gente tem outras doenças que são mais preveníveis já. Então, assim como existe a vacina da gripe, também existe a vacina contra os vírus sensicial respiratório.
Esses eram os maiores, e ainda a gente viu que a influenza ainda tem um bom número, que eram os que mais causavam síndrome aguda respiratória grave. Como a gente tem como diminuir a chance dessas infecções, se protegendo com vacina, é natural que outros agentes que a gente não dispõe de vacina possam causar mais frequentemente mais doença.
Logo no começo do episódio, a gente falou de um detalhe que separa o rinovírus da gripe e da covid. Nesse caso, não existe vacina contra a doença. Mas o que torna esse imunizante tão difícil de produzir? Eu cheguei a comentar que os anticorpos, quando aparecem, não existe nem mais infecção ativa. E geralmente esses anticorpos são específicos para cada sorotipo. Então é muito complexo isso, né? Porque...
A gente vai tentar defender contra um tipo e aí a gente faz uma espécie de anticorpo contra esse tipo, mas vem um outro. E aí, muitas vezes, isso atrapalha até nossas defesas. Porque nosso corpo, teóricamente, nosso sistema imunológico, ele é meio sábio. Então, se ele tem umas defesas parcialmente constituídas e ele acha que vai conseguir combater...
Esse agente infeccioso, ele normalmente não sintetiza anticorpos diferentes. Então, a pessoa tendo sido infectada uma vez, ela vai continuar tendo chance, ao ser exposta por outros subtítulos, de também se contaminar.
E pensando já, então, já que o reinovírus não tem uma vacina, o que realmente funciona para a gente se proteger? Essa questão de máscara e álcool em gel como a gente usou na pandemia, faz sentido aqui também? Isso faz sentido, mas eu acho que a gente tem que destacar que, certamente, quando a gente vê só...
as hospitalizações ou só o número de aumentos, a gente só está vendo a ponta do iceberg. Então, existe uma maior circulação desses vírus nessa época do ano. Então, se a gente for pensar em como se proteger, é aquela mesma coisa, tentar evitar ambientes muito fechados, tentar, se possível, sempre não respirar pela boca.
dá preferência para ambientes abertos, bem ventilados. Perfeito. Então, pensando agora também já nessa questão da emergência de saúde pública, o que na prática significa decretar esse nível de emergência estadual?
Eu acho que isso visa a gente conseguir mais recursos e talvez viabilizar um pouco mais de leitos para melhor assistir a população. Eu acho que isso aqui são duas coisas, para a gente conseguir tentar se proteger melhor e fazer com que consigamos ter mais recursos para conseguir tratar um número maior de pessoas de forma adequada.
Para enfrentar esse cenário, o governo do estado anunciou a abertura de quase 1.900 leitos em todo o Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, com investimento de 19 milhões de reais, foi lançada a Operação Inverno, que prevê a distribuição de leitos em hospitais como o da Restinga, o Presidente Vargas, o Instituto de Cardiologia e o Hospital Santa Ana.
Na capital, essa ampliação já começou a sair do papel. Porto Alegre iniciou a ativação de mais de 150 novos leitos para reforçar a rede. E nos próximos dias, o Hospital Vila Nova deve abrir outros 25 leitos pediátricos entre UTI e suporte ventilatório.
E o que a gente quer é evitar a síndrome respiratória aguda grave. O que é isso? É aquela doença que vai causar a procura de uma emergência, a internação, a procura de um leito clínico, um leito de UTI. E morte, gente. Tensão, é uma morte evitável. Ninguém quer perder um filho, não quer perder um familiar, uma criança. Ela tem que ter oportunidade de crescer. E a gente cresce com a vacina, com a segurança. Por isso, procure a Unidade de Saúde.
Mesmo com ampliação, a orientação é investir na prevenção. A recomendação é manter a vacinação em dia, principalmente contra a gripe, para evitar casos graves de internações. A cobertura ainda está abaixo da meta de 90%. A gente espera que sim seja suficiente. A gente espera que isso aqui, que as pessoas adiram mais à vacinação, que as pessoas procurem. Então, pena que... Obrigado.
esgotou, mas a ideia era que se vacinem contra influenza, que se vacinem contra os vírus respiratórios que a gente pode se proteger.
que a outra vacina disponível é da COVID. E, infelizmente, a vacina para o vírus sensicial respiratório só está disponível para crianças jovens prematuras. Seria bom se conseguíssemos disponibilizado para grande parte da população mais suscetível. Ou seja, mais suscetível para quadros mais graves.
Quais são os grupos mais vulneráveis a um quadro grave de rinovírus? Tudo que a gente falava sobre a covid, a gente consegue transpor para os outros vírus ou para qualquer outra doença infecciosa. Então, sempre nos extremos, ela pode ser mais grave. Pessoas com comorbidades têm maior chance de evoluir para quadros mais graves.
Basicamente é aquela repetição muito parecida. Então a gente sabe que pessoas contaminadas por esses vírus.
e que apresentam comorbidades, seu sistema imunológico não tão adequado, vão ter mais chance de, ao contrário desses vírus, esses vírus passarem e não ficarem somente nas vias aéreas superiores, mas também nas vias aéreas inferiores. E aí vão comprometer o pulmão.
Vamos falar de síndrome respiratória aguda grave? Os casos crescem e sabem qual parcela da população? Aquela que é deste tamanhico, os bebês. E isso está acendendo um alerta no Brasil. A bronquiolite, a bronquiolite o grande causador era o vírus insincial respiratório. Como ele consegue ser, a gente consegue, pelo que tem uma vacina contra ele, então ele pode, a gente consegue dar uma proteção.
E também tem drip, agora tem muitos vírus que não têm proteção. E podem causar, então, nos extremos, nas crencinhas pequenas, quadros mais graves, broncoelite e descompensação de asa. E um desses exemplos é o rinovírus. E quando a gente pensa nessa vulnerabilidade, a gente falou um pouco sobre a proteção, mas quais são os sinais para a gente ficar alerta?
A pessoa vai ter sinal e sintoma. Então, geralmente, assim, depende das idades, mas a gente sabe é febre, febre, febre. E nos quadros que a gente fala de sínome respiratório aguda grave, a pessoa vai começar a ter dificuldade respiratória. A primeira coisa que acontece é aumentar o número de movimentos da caixa torácica. A pessoa aumenta a velocidade, a frequência de sua respiração.
E aí depois a gente vê um esforço respiratório quando a pessoa respira e as asas do nariz, as partes laterais do nariz abrem um pouco para tentar facilitar a entrada de oxigênio. O estado de emergência decritado pelo governador Eduardo Leite tem validade de 120 dias, podendo ser prorrogado de acordo com a evolução dos indicadores epidemiológicos. Nesse período para a doença respiratória é o tempo necessário para...
para que a maior parte dos suscetíveis sejam contaminados e a gente diz que a população mais suscetível seja esgotada e aí esgota a circulação viral.
O Direto ao Ponto de hoje fica por aqui. Para ouvir outros episódios desse podcast, basta acessá-los no site do Correio do Povo, no YouTube ou em seu agregador de podcasts preferido. Você pode receber a newsletter com os principais podcasts produzidos pelo Correio do Povo no seu e-mail. Basta se inscrever na nossa página. A produção, roteirização e apresentação foram realizadas por mim, Giovana Reis, a edição por Alex Reis e Felipe Teixeira.
Já a coordenação é de Márcio Gomes e Lucas Eliel. Os áudios reproduzidos ao longo do episódio são de reportagens da Record e da CNN. Obrigada por nos acompanhar e até a próxima.