Episódios de Filosorréia

Paul Robeson e a URSS ☭

01 de maio de 202630min
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Conheça Paul Robeson, uma das figuras mais brilhantes da História!

Participantes neste episódio1
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Rogério

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Assuntos8
  • História da RússiaVida e obra de Paul Robeson · Perseguição de Robeson nos EUA · Experiência de afro-americanos na URSS · Leis de Jim Crow · Macartismo e caça às bruxas
  • Paul Robeson e a Paz MundialEncontro com Albert Einstein · Discurso na Conferência de Paz em Paris (1949) · Recusa em pegar em armas contra a URSS
  • Racismo EstruturalLeis de Jim Crow · Ku Klux Klan · Linchamentos · Apartheid norte-americano
  • O Legado de Paul RobesonAutobiografia de Robeson · Aprendizado de mandarim · Atuação no teatro (Imperador Jones) · Músicas traduzidas para 25 idiomas
  • ComunismoPerseguição a comunistas nos EUA · Discurso antirracista da URSS · Ameaça vermelha
  • O Comitê de Atividades AntiamericanasInvestigação de posturas antiamericanas · Acusação de comunismo · Cancelamento de apresentações de Robeson
  • Lista Negra de HollywoodArtistas acusados de serem comunistas · Revogação de passaporte de Robeson · Filme Trumbo
  • A Grande Depressão e seus impactosCrise de 1929 · Desemprego afro-americano · Onda de imigração para a URSS
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Opa, e aí, como é que você tá? Tudo bem? Tudo em paz? Como estamos? Seja bem-vinda, seja bem-vindo ao nosso humilde podcast, o nosso querido Filosoféia, beleza? Que bom que você tá aí. E se você gosta do Filosoféia, reverbere, faça isso aqui chegar em mais gente, compartilhe, porque conhecimento se multiplica dividindo, né?

E já que os últimos dois episódios a gente passou falando de um sujeito que... Ai meu Deus, não foi assim. Não é legal, um cara que não é legal. Vamos usar esse episódio aqui para falar sobre alguém muito importante para a nossa história. Falar de Paul Robertson. Você fala, pô, quem que é esse cara? Eu nunca ouvi falar.

Eu acho que a gente tem que entrar em contato com algumas personalidades da história, alguns personagens da história, para nos inspirar e acreditar que esse mundo pode ser melhor. E o Paul Robson, ele é uma dessas figuras. Quem que é o Paul Robson? Ele era um ator, na verdade assim.

Ele foi um homem renascentista da época, foi cantor, foi ativista, foi ator, foi atleta, jogou futebol americano. E ele foi um homem negro que nos Estados Unidos foi perseguido por defender a liberdade e igualdade.

é isso, olha que absurdo, você defender liberdade e igualdade e ser um antirracista convicto num país em que considera a Ku Klux Klan liberdade de expressão e os Panteras Negras como um movimento terrorista, evidentemente você está falando de uma ditadura, é isso. E enfim, o Paul Robinson...

Ele nasceu no final do século XIX, em 1898, e morreu em 1976. E a história dele é muito doida, é muito legal. Por isso que eu quis fazer esse episódio aqui, porque a gente passou os últimos dois falando de um cara que a história não é legal. E agora a gente vai falar de um sujeito bacana. É assim, nos anos 50, nos Estados Unidos, na época do macartismo,

naquilo que a gente chama de caças bruxas, em plena Guerra Fria, você falar sobre injustiça, preconceito, exploração, era considerado coisa de comunista, ou seja, uma atitude anti-americana, olha que doideira. E essa caça às bruxas desse governo norte-americano,

ali o presidente era Dwight Eisenhower, na época, em plena Guerra Fria. Falar sobre essas coisas era considerado uma atitude anti-americana.

Ou seja, coisa de comunista. Igual quando você fala no Brasil hoje em dia, você defende a igualdade, você fala sobre, enfim, denuncia as injustiças e etc. Se opõe numa luta, enfim, antirracista, é a favor da criminalização, da misoginia e coisas assim, você é visto como, ah, isso é coisa de comunista. A história, ela acontece como tragédia e se repete como farsa, né? Karl Marx fala isso.

E assim, o Paul Robinson foi um cara que por denunciar isso tudo, no auge da sua carreira, ele chegou a ser diagnosticado como psicopata. Olha só.

E hoje em dia no Brasil, e faz um tempo bom já no Brasil, quando você defende ideias progressistas, socialistas e comunistas, etc., etc., você costuma ouvir, vai para Cuba, vai para Cuba. E antes era lá nos Estados Unidos, por que você não vai para a União Soviética, então vai morar na União Soviética. E teve um deputado, um congressista,

que perguntou um dia para o Paul Robson, se você gosta tanto da União Soviética, por que você não vai para a União Soviética? Aí o Paul Robson respondeu o seguinte, porque meu pai era escravo e meu povo morreu para construir esse país. Eu vou ficar aqui e eu vou ter parte desse país assim como você. Ele respondeu isso para um congressista.

E o que tem a ver Paul Robertson com a União Soviética? É assim, em 1934, ele foi convidado a visitar a União Soviética. E essa viagem dele para a União Soviética colocou ele em contato com um mundo que não o julgava pela cor da pele. Entendeu? E assim, por que isso aconteceu? Vamos entender.

Estados Unidos havia aprovado desde 1870 leis segregacionistas, as leis de Jim Crow. E foi até 1965, cara. Olha só. As Jim Crow Laws, que é tipo o apartheid norte-americano. E sabe qual é o mais absurdo do nome dessa lei? Jim Crow.

Era um ator americano que se apresentava fazendo blackface. Pintava o rosto de preto e fazia aquela coisa do negro bem caricatural, de luvas brancas.

pintava aquela boca bem pro tuberante vermelho, assim, né? E, enfim, se apresentava fazendo blackface. E foi ele que ajudou a espalhar pelos Estados Unidos o mito do negro vagabundo, assediador, estuprador, papapá, pipipi, malandro, né? E coisas assim. Jim Crow laws, as leis de Jim Crow. Igual outro dia, foi deputado ou vereador? Eu não vou me lembrar agora.

mas evidentemente do PL, que começou a passar tinta preta no rosto, e se dizendo que se sentiu uma mulher negra com aquilo, etc. Enfim, a história, de novo, acontece como tragédia e se repete como farsa.

Estamos aí. E aí é o seguinte, o Paul Robinson, ele foi para a União Soviética durante, evidentemente, o apartheid norte-americano. Mas por que ele foi exatamente na década de 30? Porque é o seguinte, com a Grande Depressão, a crise de 29, livro bom para entender isso é o As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, que é um...

um romance que se passa durante a crise de 29, quando veio a crise de 29, a grande depressão, a situação racial nos Estados Unidos, ela se deteriorou, entendeu? Se deteriorou muito assim, porque em 1932 metade da população negra norte-americana, afro-americana, estava desempregada. E tinha umas cidades no norte dos Estados Unidos que tinha apelos.

pela demissão de pessoas que não fossem brancas para não deixar os brancos desempregados. E essa população negra, muitas vezes, buscou apoio com a União Soviética, porque a União Soviética tinha um discurso antirracista, um feroz discurso antirracista. Para você ter ideia do que aconteceu nos Estados Unidos na década de 30, você já tinha o Apartheid, você já tinha as leis de Jim Crow, você já tinha a...

as leis de segregação racial. E a violência racial aumentou tanto que em 1933, você tinha 20, você teve quase 30, de 28 a 30 linchamentos naquele ano. Linchamento da galera perseguir as pessoas negras na rua, linchar.

pendurar numa árvore pelo pescoço. Daí vem aquela música de Billie Holiday, Strange Fruit, uma música na qual é uma verdadeira crítica a esses linchamentos, às leis de Jim Crow, à perseguição sistemática de negros nos Estados Unidos. Strange Fruit, frutos estranhos, frutos estranhos pendem das árvores. São os homens negros pendurados e enforcados, homens e mulheres negras.

Tem um documentário também que acho que você vai gostar de ver, chamado Linch Postcards. Numa tradução livre é cartões postais de linchamento. A galera ia nesses lugares onde os negros estavam sendo linchados e pendurados em árvores.

tiravam uma foto ao lado do corpo pendurado, faziam um cartão postal e mandavam para alguém. Enfim, nos Estados Unidos, no auge da crise econômica, com as pessoas negras sendo mais perseguidas do que já eram, o que vai acontecer? Enquanto isso, lá na União Soviética,

O artigo 123 da Constituição Soviética, contra a discriminação, compunha aquilo que a gente chama de internacionalismo, do marxismo-leninismo. Que dava voz aos oprimidos, independente da sua raça. A questão é a classe, é uma luta de classes, não é uma luta racial. Percebe? E...

E isso evidentemente mostrou porque que o Paul Robinson, que estava tão encantado por aquele país, ele gravou até uma versão do hino soviético em 1949. E a União Soviética se encantou com a voz dele. Ele também interpretou algumas canções folclóricas russas e tal. Ele era um cantor, brilhante.

E justamente por isso, por ser esse cantor e tal, a União Soviética amou esse cara. Ele aprendeu russo, inclusive. Tem um discurso que ele faz numa fábrica.

na qual ele diz que o socialismo seria a grande saída para a humanidade porque seria a saída de fato para todos os oprimidos, independente da sua cor, independente de qualquer coisa. E ele faz esse discurso em russo, é muito interessante isso. E a maior parte dos negros, dos afro-americanos, vamos colocar assim esse termo, dos pretos e pardos que foram para a Rússia,

na onda de imigração, da grande depressão, da crise de 29, porque você teve uma onda de imigração, teve gente que saiu dos Estados Unidos, evidentemente, que conseguiu sair, né? E teve muita gente que foi para a União Soviética, tá? Essa galera buscava uma vida melhor.

E a União Soviética precisava de professores, de engenheiros, de gente especialista em agricultura, trabalhadores qualificados e tal. Ela estava em construção. O projeto tinha acabado de nascer, ele tinha 15 anos. Percebe? E essa experiência de levar afro-americanos, levar homens e mulheres negras para a União Soviética foi um sucesso.

Sabe? Por quê? Porque eles relataram ter sido retratados, retratados não, perdão, ter sido tratados, tratados com dignidade pela primeira vez na vida. O Paul Robson, ele falou assim, foi a primeira vez na minha vida que eu não fui tratado como um cidadão de segunda classe, fui tratado como um ser humano de verdade. Entendeu? E eles também encontraram bons empregos, com direitos, evidentemente, com férias, sabe?

E assim, mais ou menos, uns 18 mil americanos responderam o chamado soviético na década de 30. Quem fala isso é um professor da Universidade de Boston, Alison Blakely. Ele tem um artigo sobre isso, depois se dá uma procurada.

Ele fala que se teve um chamado soviético, sabe, para os Estados Unidos, assim, já que o sistema aí quebrou, venham para cá para a gente construir um novo mundo. É uma coisa muito interessante isso, mas muito interessante mesmo. E muitos negros foram para a União Soviética nesse contexto da Grande Depressão, sabe?

E o Robinson, ele chegou a ser, por um certo período, o Paul Robinson, ele chegou a ser o mais famoso afro-americano dos Estados Unidos, e possivelmente do mundo, porque as músicas que ele cantava, olha que interessante, foram traduzidas para 25 idiomas.

E ele era um grande admirador da União Soviética, do socialismo, do comunismo, do marxismo-leninismo.

Você fala, pô Rogério, mas ele está vivendo durante a era stalinista. Sim, evidentemente, ele está vivendo sobre a era stalinista, mas pelo fato dele ter se... vivendo não, ele vivenciou a era stalinista. Stalin estava no poder, evidentemente. Porém, a grande questão é que era uma nação, uma realidade, que estava em construção, que era um projeto recente.

e que estava fazendo esse chamado para muita gente para construir aquilo tudo, como a gente disse agora há pouco. E o Paul Robertson é uma coisa interessante, porque na União Soviética, onde ele se viu sendo tratado como um cidadão, não sendo tratado como cidadão de segunda classe pela primeira vez na sua vida,

Você pensa o seguinte, nos Estados Unidos ele foi esculhambado, durante o macartismo, durante essa coisa de caça às bruxas, porque, como a gente falou aqui, diagnosticado como psicopata, porque defender justiça social, igualdade, etc., era coisa de, entre aspas, comunista. Entendeu?

E ele teve muitas apresentações canceladas nos Estados Unidos, perdeu contratos, por ter sido um defensor da União Soviética, por ter sido tratado como ser humano, por ter sido tratado como ser humano na União Soviética, e não como uma sub-raça, um cidadão de segunda classe, num país...

que é sempre bom lembrar, que considera Ku Klux Klan e supremacistas brancos e neonazistas como liberdade de expressão, ao mesmo tempo em que criminaliza Panteras Negras como um movimento terrorista, entendeu? Mas enfim, vamos falar mais do Roberson aqui, se tornou o afro-americano mais famoso dos Estados Unidos, teve músicas traduzidas para 25 idiomas em 4 continentes, e isso rendeu para ele, olha que interessante, o título de Cidadão do Mundo.

cidadão do mundo. E ele escreveu um livro muito bacana chamado O Povo Negro e a União Soviética. E tem uma frase desse livro que eu separei aqui para a gente dar uma lida. Ele fala o seguinte, abre aspas.

Sinto que vou além de meus sentimentos pessoais e coloco meu dedo no verdadeiro cerne do que a União Soviética significa para mim. Ou seja, para um negro que é norte-americano. A resposta é muito simples e muito clara.

a própria existência da União Soviética, seu exemplo perante o mundo de abolir toda discriminação de cor ou nacionalidade, sua luta em todos os cenários de conflitos mundiais por uma democracia verdadeira e pela paz, tudo isso deu a nós, negros, a chance de alcançar nossa completa libertação dentro de nosso próprio tempo, dentro desta geração. Olha que interessante.

Porque ele vem de uma família que tinha passado por muito perrengue, tinha passado por muitas dificuldades. O pai dele era um escravo que tinha fugido e que lutou na Guerra Civil norte-americana, ao lado nortista, no exército anti-escravagista. E a mãe vinha de uma família quaker, abolicionista.

Então ele tinha um discurso, ele tinha uma visão muito clara sobre o que era as leis de Jim Crow, as políticas discriminatórias, o apartheid e a segregação racial. Ele tinha um discurso muito claro sobre as políticas discriminatórias, sobre as políticas de segregação, de divisão dos Estados Unidos naquela época.

E assim, o que acontece? Conforme ele vai ficando famoso, a posição dele sobre a União Soviética, a visão que ele tinha sobre a União Soviética, esse livro em que ele fala, começa a ganhar mais destaque, né, cara? E aí, naquela época de caça às bruxas,

Você tinha um comitê que chamava Comitê de Atividades Antiamericanas, sabe? Então era um grupo de deputados, de senadores e de políticos em geral, gente da CIA, etc, etc, que investigava pessoas sendo acusadas de terem uma postura antiamericana. O que é ser antiamericano no caso? Olha que caralho, é você ser contra a segregação racial, velho.

É você ser contra o apartheid dos Estados Unidos. É você ser contra as reis de Jim Crow. É você ser a favor da igualdade. É você ser a favor da liberdade independente da cor da sua pele. Isso era ser anti-americano na cabeça dos caras. E aí o Robinson foi acusado de ser, adivinha, adivinha, adivinha, comunista. É óbvio. Aí ele teve 80 apresentações canceladas.

invadiram dois shows dele em Nova York, olha que doideira, grupos racistas invadiram dois shows dele em Nova York, deram porrada num monte de gente, causaram, muito parecido com o CCC, o Comando de Caça aos Comunistas, que atuava aqui no Brasil, durante a ditadura, os caras do Mackenzie, que invadiram a USP, ali, quando a Faculdade de Filosofia da USP era na Consolação, enfim, tá?

E sabe qual foi a resposta desse cara, meu? Ele falou assim, ó, eu vou cantar onde as pessoas quiserem me ouvir cantar. E não vou me intimidar com Cruz pegando fogo. O que é Cruz pegando fogo? Nas reuniões da Ku Klux Klan, isso você vai ver num filmaço, filmaço, filmaço, chamado Mississipa em Chamas. Se você quiser, se procura.

Nas reuniões da Ku Klux Klan, eles colocavam cruzes, aqueles caras com aquele capuz de fantasma, de Zé Gotinha racista, como eu sempre falo para os meus amigos, aqueles caras se reuniam, aquela seita racista, e acendiam uma cruz, pegavam uma cruz e botavam fogo nessa cruz.

Lembrando que a Ku Klux Klan começou a botar fogo em cruz depois de um filme que homenageava a Ku Klux Klan. Olha que doideira. Você tem um filme no início do século XX, dirigido por William Griffith, chamado O Nascimento de uma Nação, na qual ele exalta a Ku Klux Klan, e na verdade é uma narrativa.

que diz o seguinte, como seria Estados Unidos se o sul dos Estados Unidos, os escravagistas, os escravocratas, os racistas, tivessem vencido a guerra. E ele exalta a Ku Klux Klan, transforma os caras em heróis e tal. Nesse filme, inclusive, os homens negros, o personagem principal que é negro, na verdade não é negro, é um ator branco fazendo blackface. E esse filme é onde aparece pela primeira vez o lance da cruz pegando fogo. E a Ku Klux Klan depois adotou.

esse signo, esse símbolo, percebe? E nas reuniões da Ku Klux Klan, etc, etc, colocar a Cruz pegando fogo e o Robinson fala isso, eu vou cantar onde o povo quiser me ouvir e Cruz pegando fogo não vai me intimidar. E assim, nos anos 50 foi diferente, porque a dissidência, a oposição ao outro

a segregação e tal, virou uma doença, entre aspas, a ameaça vermelha, entre aspas, se espalhou por todos os Estados Unidos. E aí veio a caça às bruxas de uma vez.

porque assim, durante a guerra, a opinião que o Robinson tinha sobre a União Soviética, durante a guerra, não causava tanto assim, porque os Estados Unidos eram aliados dos soviéticos para vencer o nazismo, percebe? Mas assim, ó...

Nem mesmo, assim, perdão, após esse acontecimento, após a Segunda Guerra, nos anos 50, em que começa a Guerra Fria, a oposição entre Estados Unidos e União Soviética, as opiniões dele sobre a União Soviética começaram a gerar problemas para ele. Entendeu? Então, assim, o governo Macarty, durante o macartismo,

É onde ele foi caçado de vez. Então o passaporte dele foi revogado. E o nome dele foi adicionado àquilo que a gente chama de lista negra de Hollywood. Que é onde você tem os atores acusados de serem anti-americanos, serem comunistas. Isso aí você vai ver num filmaço também. Olha só que legal. Chamado Trumbull.

onde o personagem principal que faz um jornalista, que pesquisou sobre essa lista negra de Hollywood, sobre artistas que foram colocados nessa lista como comunistas, taxados como comunistas e tal, quem faz o personagem principal é o Bryan Cranston, que fez o, como chama? O Heisenberg, o Walter White, na série Breaking Bad. Muito legal esse filme.

Mas aí sabe o que acontece? Você fala aí o Robertson parou depois disso, né? Depois que ele foi colocado na lista negra de Hollywood e tal. Não, jamais. Cara, ele se encontrou com o Einstein pra discutir paz mundial.

Ele publicou uma autobiografia na qual ele falava sobre a experiência dele na União Soviética, por que ele defendia a União Soviética, por que a União Soviética era um país que de fato não o tratou como um cidadão de segunda classe, por conta da cor de sua pele. E ele também aprendeu mandarim. Olha que interessante.

E assim, qual que foi a gota d'água para os americanos que o viram como um anti-americano e como um comunista? Foi o discurso dele na Conferência de Paz em Paris, em 1949. Quando ele falou assim que os negros americanos teriam que se recusar a pegar em armas contra a União Soviética, caso houvesse uma guerra entre Estados Unidos e União Soviética, ele disse isso.

na Conferência de Paz em Paris, em 1949, que os negros americanos jamais poderiam pegar em armas para lutar contra a União Soviética, porque a União Soviética tratava os negros americanos e negros de qualquer lugar do mundo como seres humanos, e não como uma subespécie, e não como cidadão de segunda classe. Entendeu? Aí isso, evidentemente, ele passou a ser rotulado como um traidor. Tá? Como um traidor.

E sabe o que é muito louco? A galera chama a vida de comunista e ele dizia o seguinte, ele nunca negou ser um comunista. Entendeu? Nunca negou. Só que o comunismo na cabeça dos americanos durante a Guerra Fria e hoje, pra muita gente, evidentemente, é sinônimo de intolerância, é sinônimo de enfim, de terrorismo e tal. Só que porque

É uma ideologia que prega o fim da exploração do homem pelo homem. Essa é a grande questão. E aí é o seguinte, você tinha um grupo nos Estados Unidos de políticos bem conspiratórios e tal,

E eles diziam o seguinte, que os comunistas eram mestres do disfarce, sabe? E eles eram tão bons nessa arte que apenas a psicanálise, a psicologia podia fazer cair sua máscara. E sabe o que aconteceu?

os comunistas passaram a ser taxados como loucos. Então, quem defendia ideias comunistas era declarado louco. Então, assim, falar sobre, por exemplo, a Guerra Civil Espanhola...

falar sobre Marx, debater e discutir o socialismo científico, o trabalho internacional, a segregação, falar sobre colonialismo, tudo isso era considerado uma atitude anti-americana. Percebe? E isso levou Paul Robson ao diagnóstico de psicopata. Entendeu? Psicopata.

Então assim, quando um congressista, a gente falou isso no começo, mas é sempre bom lembrar aqui, quando um congressista do Comitê de Atividades Antiamericanas perguntou a Robinson, em 1956, por que ele não se mudava para a União Soviética, se amava tanto a União Soviética? Aí ele respondeu.

porque meu pai era um escravo e meu povo morreu para construir esse país. Ficarei aqui e terei parte no país, assim como você. Então, o passaporte dele foi restabelecido só em 1958, devido à Suprema Corte dos Estados Unidos. E ele viveu o resto dos dias, o resto da vida na obscuridade, no ostracismo.

e morreu em 1976, morreu ali durante o final da guerra do Vietnã, vendo também seus irmãos afro-americanos virar bucha de canhão no Vietnã para combater um regime comunista, socialista, entre aspas, que enquanto a segregação foi imposta aqui nos Estados Unidos. Enfim...

Essa foi uma conversa sobre uma grande personalidade da história, um sujeito que você deve ir atrás, que você deve buscar. Se você quiser, procure os filmes de Paul Robertson.

Ouça as músicas de Paul Robson, tá? Um vozeirão muito legal. Procure saber mais sobre ele, porque, gente, assim a gente tem que conhecer, né? É o que faz a gente gostar ainda mais de...

de estar aqui no mundo conhecendo as coisas, tá bom? Ele também atuou no teatro também, uma peça chamada Imperador Jones, incrível, incrível, incrível, enfim, vai dar uma olhada, tá, em quem é essa figura. A gente ficou aqui conversando um pouco a mais, quase meia hora.

Porque a gente passou dois episódios antes falando de um sujeito aí, então a gente está tentando aqui, ao mesmo tempo, percebe, compensar isso tudo, falando de uma figura genial tal qual Paul Robertson. Então, obrigado pela presença, paciência e audiência neste humilde podcast.

Se você gosta do Filosoféia, compartilhe, reverbere, faça isso aqui chegar a mais gente, porque conhecimento se multiplica dividindo. Beleza? Um grande abraço e até uma próxima. Tchau, tchau.

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