Episódios de Trem Pra Fazer

Meu Negócio É Arte - Outros Caminhos

28 de abril de 202639min
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Na série "Meu Negócio É Arte", a nova temporada do Trem Pra Fazer Podcast, você mergulha no dia a dia de quem faz da arte o ganha-pão. Cultura também é fonte de renda!

Neste episódio, ouvimos a dançarina, atriz e cantora Fernanda Signorini, a performer Lígia Morase, a produtora Deisy Castro e a analista do Sebrae Minas Carla Goob.

A terceira temporada do Trem Pra Fazer Podcast foi contemplada na Política Nacional Aldir Blanc de Fomento À Cultura, a PNAB Contagem, em 2024.

Participantes neste episódio5
F

Felipe Pedrosa

HostJornalista e apresentador
C

Carla Goob

ConvidadoAnalista do Sebrae Minas
D

Deisy Castro

ConvidadoProdutora
F

Fernanda Signorini

ConvidadoAtriz, dançarina e cantora
L

Lígia Morase

ConvidadoPerformer
Assuntos4
  • Empreendedorismo CulturalFernanda Signorini · Carla Goob · Deisy Castro · Lígia Morase
  • Desenvolvimento de Produtos ArtísticosMétodo Corporal Autêntico · Infoprodutos
  • Marketing Digital para ArtistasRedes Sociais · Estratégia de Comunicação
  • História da Arte em Contagem
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O livro apresenta relatos reais, memórias individuais e manifestações coletivas em uma narrativa sensível que percorre a cidade por dentro, revelando camadas pouco visibilizadas de sua história e de sua cultura. Essa é a voz do jornalista Luiz Fernando Freitas, apresentador do Expresso 104,5, programa da rádio FMG Educativa. E o livro citado por ele é o Contagem da Abóbora à Indústria Cultural, obra escrita por mim, Felipe Pedrosa.

Lançado no dia 15 de janeiro de 2026, em uma noite de autógrafos com a entrada gratuita, o livro agora está à venda online. Quem quiser adquirir, basta acessar o site tremprafazer.com.br. Calma! Isso não é simplesmente uma publi. Vou deixar que o jornalista Eric Funes, que também divulgou este momento na Rádio 98 News, explique melhor.

A obra nasce a partir do podcast Trem para Fazer e percorre diferentes fases de contagem, do período colonial ao processo de industrialização. Ao longo dos capítulos, o autor apresenta personagens ligadas ao teatro, ao carnaval e ao cinema de periferia.

Sim, os roteiros da temporada de estreia deste podcast se transformaram em um livro-reportagem. Sabe o que isso quer dizer? Que eu criei um ativo financeiro. Vou te explicar melhor. A primeira temporada do Trem para Fazer Podcast está disponível no Spotify e no YouTube. Quem quiser ouvir, vai poder ouvir sem gastar um real. E eu, que idealizei todos os episódios, não ganho nada com esses novos streams. Então, eu vou te explicar melhor.

Mesmo que o usuário pague a mensalidade das plataformas, nenhum valor chega ao meu bolso. Essa é a política das empresas. Detalhe.

Para que o YouTube faça remuneração por streaming, é necessário atingir vários requisitos. E a cada dia que passa, os requisitos aumentam ainda mais. Já o Spotify Creator remunera por inserção de anúncios, que são selecionados pela própria plataforma. Ao tentar me cadastrar nesse recurso, eu recebi a mensagem A monetização ainda não está disponível na sua região.

Ao me deparar com esse impasse, a minha ideia ganhou força. Afinal, dessa maneira, eu poderia monetizar a minha produção jornalística. Deu certo. A cada exemplar vendido, uma porcentagem é o meu lucro. Ou seja, enquanto o livro estiver à venda, eu terei um ativo financeiro. Um produto intelectual capaz de gerar renda.

O lançamento do livro aconteceu na Casa Nair Mendes Moreira. E é nesse mesmo local que eu encontro Fernanda Signorini, atriz, dançarina e realizadora cultural. Conheço a Fernanda desde o colégio. Estudamos juntos na Fundação de Ensino de Contagem, a FUNEC.

Não a encontrava há tempos. Porém, com a facilidade das redes sociais, eu acompanho a trajetória dela como se estivéssemos trocando ideias no horário do recreio, sabe? Foi assim que eu percebi que ela tem um baitativo cultural. É revolucionário para nós artistas. Foi revolucionário na minha vida, sabe? Entender um pouco mais como trabalhar estrategicamente pensando nessa independência.

Nessa autonomia. Se não fosse isso, eu não sei. Eu acho que talvez eu já tinha desistido. Neste episódio da série Meu Negócio é Arte, do Trem para Fazer Podcast, você vai perceber que, para viver da arte, às vezes é preciso descobrir outros caminhos.

Eu sou atriz, dançarina, pesquisadora corporal, terapeuta corporal. E hoje já estou entrando aí dentro do universo, me tornando uma cantora profissional, preparadora corporal.

E mentora de métodos autênticos. Nascida em Contagem e moradora do Riacho das Pedras, Fernanda dança desde a infância. O movimento corporal faz parte de sua essência. Já o teatro chegou um pouco depois. Comecei a fazer balé aos cinco.

Depois eu fui fazer jazz e dança de rua. Na época uma companhia que chamava Solange Denses, até conhecida aqui em Contagem. Aí dancei com ela até os 12, 13. Dei um hiato ali, aí com 15 alguém me chamou, vamos lá fazer uma peça de teatro. E aí eu fui, meu filho, nunca mais saí.

Além da dança, outros ingredientes conectaram Fernanda ao universo artístico. Primeiro, o pai e o avô são músicos. De acordo com ela, os dois passavam um fim de semana inteiro fazendo um som. Segundo, a artista fez parte de um movimento de ocupação urbana aqui em Contagem. Não sei se você lembra do movimento que rolou cultural na Praça da Glória.

Eu acho que aquilo ali foi um grande burburinho de trocas musicais, artísticas, circenses. E aí a gente montou um coletivo na época com os meninos da praça todos. E aí a gente fez um período que eu acho que ele foi muito frutífero, pelo menos para mim. E você estava também no meio, estava todo mundo junto. Acho que várias carinhas que a gente vai encontrar.

Esse movimento, do qual eu também fazia parte, foi um acontecimento. E ele está devidamente retratado no livro Contagem da Abóbora à Indústria Cultural. A gente ficava o dia inteiro, e era uma proposta incrível, assim, o dia inteiro criando com quem tinha chegado, com quem chegava. Então era cena, era música, era o dia inteiro criando. E quando dava cinco horas da tarde, a gente subia para a Praça da Glória e apresentava na tora. Assim.

E aí foi um movimento, um tempo desse movimento. Esse movimento, na minha visão, na minha carreira, foi origem, foi muito importante. Foi muita pesquisa, foi entender o que eu gostava. E eu acho que todo mundo que estava ali, todo mundo meio que virou artista, já era. Acho que a gente foi unindo. Eu não sei te dizer o que aconteceu, mas eu lembro que aquela época foi uma época de muitos encontros dessa juventude.

No meio dessa loucura artística, desse movimento de ocupação da cidade com arte, em um período em que Contagem ainda não tinha os editais de cultura, Fernanda entendeu qual caminho iria seguir. Dedicada, ela começou a pesquisar, estudar e experimentar a profissão. Foi quando estreou no elenco da peça Nas Ondas do Rádio.

E na primeira vez que eu pude cantar, dançar, interpretar, eu falei, acho que é esse o meu caminho.

Quando eu saí do meu terceiro ano, aí comecei a fazer teatro. Comecei a fazer as peças, já ficava em cartaz em Belo Horizonte, com as ondas do rádio. Então comecei a experimentar esse universo mais profissional da coisa, muito nova. Em Contagem, assim como em centenas de cidades do Brasil, há famílias muito ricas. Famílias em que os filhos e as filhas não precisam se preocupar com o ganha-pão.

Herdeiros e herdeiras que não sabem o que é a escala 6x1. Fernanda não faz parte desse núcleo. Ao contrário, ela é de uma família humilde. Apesar desse cenário, ninguém demonstrou objeção quando ela chegou em casa e disse Eu vou fazer teatro e eu não sei se eu vou ter dinheiro, mas eu vou ter satisfação.

Pós-ensino médio, Fernanda descolou um trampo como jovem aprendiz. Com o salário, ela pagava um curso profissionalizante em artes cênicas na PUC Minas. Quando estava com 19 anos, arrumou um emprego de professora de teatro. A partir daí, não parou mais de trabalhar com arte.

Depois da primeira formação, Fernanda começou a fazer o curso de Bacharel em Artes Cênicas na Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, que fica em BH. Para você ter uma ideia da distância, da Praça Rinaldo Cota Arnaldo, no miolo do bairro Riacho das Pedras, até a portaria da UFMG, na Avenida Presidente Antônio Carlos, na Pampulha, são mais de 21 quilômetros.

Por isso, como eu te falei, trabalhava em companhias grandes, eu rodei muitas cidades com espetáculo, mas acabava a temporada, acabava o dinheiro. E aí, eu estudava lá na UFMG na época, gastava uma puta grana pra ir pra lá, pra voltar. Lá não tem um turno só, isso era uma questão, porque na minha trajetória toda eu tinha que trabalhar e estudar. E aí lá você tinha aula de manhã, de tarde e de noite.

que mudava e que de seis em seis meses mudava, e isso começou a me dar uma crise existencial, de fato. Até chegar nesse dia que eu estava amarrando meu cadastro para ir para o FMG, assim, por aqui, sem grana.

E aí alguma coisa assim na minha cabeça falou assim, pra que você tá indo? Por quê? Você tá insatisfeita, você tá sem grana, sabe assim, eu acho que você não devia ir, você sabe, uma coisa assim. Eu acho que você podia sentar e pensar.

numa solução pra você. E é isso, assim, eu sempre não tinha ajuda da minha família, não tinha quem me salvava. Aí foi um pedido de socorro meu, assim, estratégico, de falar, eu preciso fazer alguma coisa.

Ligada ao teatro de rua, ao fazer artístico mais prático do que teórico, e com essa oscilação de grana, ora a conta bancária no verde, outrora no vermelho, Fernanda pensou em largar a UFMG de vez, chutar o balde. Ela então respirou fundo e trancou a matrícula. Pediu um tempo.

Longe da rotina acadêmica, Fernanda teve um start. Desenvolver algo em que não ficasse mais dependente do convite das companhias teatrais e que não precisasse da aprovação em editais. E aí eu tive essa ideia, assim, eu vou desenvolver uma metodologia corporal, nessa época eu já trabalhava com preparação corporal, mas que buscasse essa investigação da expressão essencial.

E hoje é esse o método que eu aplico, estudando um pouco, trazendo um pouco desses conhecimentos que me interessavam, que era o corpo com esse canal de autoconhecimento, de autoinvestigação, não só para você criar com mais verdade, mas para você se expressar com mais verdade. Isso foi uma investigação muito pessoal minha, e aí eu fui unindo tudo que eu já tinha estudado e montei uma estrutura de atendimento individual.

e coletivo e falei vou trabalhar com isso assim bem na cara e na coragem na cara de pau

Um estudo realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Gestão do Conhecimento aponta que 60% das mulheres empreendem por necessidade. E esse empreender por necessidade cabe em todas as frentes de trabalho. Prova disso é que, no quarto trimestre de 2025, o Brasil contabilizou mais de 10 milhões de mulheres à frente de um negócio.

Fernanda, para tirar a conta do vermelho, virou empreendedora cultural.

Consegui algumas alunas, fiz minha mãe de cobaia no primeiro momento. Ela adorou, assim, é um atendimento onde eu manuseio o corpo da pessoa, faço um alongamento, depois a gente trabalha um pouco de movimento livre e vou relacionando isso com o emocional, com como ela está se sentindo em estados corporais. A gente vai conversando um pouco enquanto vai mobilizando, enfim, dentro dessa pesquisa que eu já trazia. Começou a dar muito certo, eu comecei a ter procura.

Isso, assim. E aí eu fiquei um tempo me sustentando com essas alunas particulares. Elas iam na minha casa, eu fazia esse atendimento e comecei a ter resultados muito bons.

Foi assim que a Fernanda começou a pensar em produtos artísticos comercializáveis. Detalhe, quando falo produto, não estou tentando comparar o fazer intelectual com um item feito em grande escala. Estou apenas lançando luz que uma criação intelectual pode ser comercializada. O saber artístico pode render lucro.

E não tem pecado nisso. Analista do Sebrae Minas, Carla Gobbi, endossa o raciocínio.

Eu acho que é um lugar que o artista deve pensar em estar, ele deve estar inserido. Muitas vezes o que ele vai vender não é nem o produto final, às vezes ele vai vender o processo mesmo, que é o caso dessa dançarina que você falou. Eu acho que hoje tem várias possibilidades, vai depender obviamente do tipo de negócio, de serviço.

O primeiro workshop ministrado por Fernanda aconteceu na Casa Bartô, um bar cultural localizado na cidade de Contagem. Divulguei nas minhas redes e fazia inscrição comigo mesmo e a ideia era isso, paga 20 contos, a gente vai e eu vou fazer esse workshop pessoal. Não tinha recurso mesmo, eu queria ser independente.

E aí eu fiquei surpreendida com 20 pessoas ter chegado, pessoas que eu não conhecia, alguns amigos, mas uma galera que eu não sabia quem era. E a galera gostou muito. E aí as pessoas saíam dali e queriam uma coisa mais pessoal, mais particular. Ou indicava para uma tia que tinha dor no corpo, porque eu também trabalhando com essa parte de dor, de trauma. E aí foi assim, aí eu fui conseguindo alunos particulares.

No momento em que as pessoas iam descobrindo e procurando pelas aulas particulares, Fernanda recebeu um convite. A UFMG enviou uma carta perguntando se ela queria voltar para o curso de bacharel em artes cênicas. E aí eu voltei para a universidade, porém, entendendo o que eu queria estudar dentro da universidade. E aí que eu fiz minha formação complementar em dança, na educação somática, e apresentei o meu método no meu TCC.

como um processo de treinamento corporal auto-investigativo para atores e não atores. Nesse método, Fernanda provoca a reflexão sobre criar com mais essencialidade e também com mais verdade. Ela ainda instiga para que o indivíduo se expresse de maneira mais espontânea. Comecei a perceber que as pessoas estavam sem espontaneidade, sem naturalidade. E isso me incomodava de algum aspecto. Obrigado.

Principalmente na cena e na vida. E aí eu falei, cara, por que será? E eu também, dentro desse lugar de perder a espontaneidade, de perder a naturalidade da expressão.

O método corporal autêntico potencializa, por exemplo, a comunicação das pessoas. Para quem quer viver da arte, a comunicação é essencial. Você ter clareza de como você apresenta esse trabalho, você ter clareza de como você fala sobre ele, qual é o processo que você oferta e serve nesse serviço e qual o resultado que você busca com aquela pessoa. Que eu acho que é uma das coisas que as pessoas menos têm, principalmente minhas alunas que chegam até mim.

as pesquisadoras mesmo e artistas. É que é isso, tem muita bagagem, tem muito material, estuda muito, mas nunca sabe falar sobre o trabalho, não tem clareza do que serve.

Para transformar a profissão em uma atividade sustentável, capaz de trazer recursos financeiros, Fernanda teve que trilhar por outros caminhos. Mas antes de colocar os pés na estrada, ela precisou de um único ingrediente, perseverança. Porque desistir do sonho, Felipe, na minha perspectiva, não é uma opção. Eu não sei fazer outra coisa.

Vários momentos eu chego nessa encruzilhada. Porque quando a gente é independente, autônomo, requer um movimento seu constante. Você sabe, assim, também.

Um desses movimentos adotados por Fernanda, movimento que eu particularmente acho genial, foi comercializar formações online. Após fazer alguns cursos, mergulhar em metodologias como a chamada fórmula de lançamento, Fernanda desenvolveu seus ativos culturais financeiros. Eles estão disponíveis na Hotmart, a plataforma líder na América Latina para venda e distribuição de produtos digitais.

estudei como fazer um primeiro lançamento online e falei, cara, vou testar. E sabia que era uma coisa meio que de médio prazo, assim. Eu fiquei dois anos até eu conseguir ficar 100% no online. Então, fui fazendo essa transição. No primeiro lançamento, eu acho que tinha, assim, 30 pessoas na sala, eu vendi 9 por 300 reais.

Na hora que eu vi esse resultado, que me surpreendeu, e era um curso gravado, então eu só vendi, recebia o dinheiro, o material já estava lá. E aí foi uma loucura, porque eu não sabia nada. Eu desfiz o meu quarto para gravar o curso, sabe? Tipo assim, porque eu não tinha espaço, mas fiz, coloquei o material na Hotmart.

E vendi sem precisar trabalhar. Tipo, depois. Eu fazia os acompanhamentos com as alunas, mas na época era muito comum, a pessoa comprava o curso gravado, né? Vendi sem precisar trabalhar.

Ao ouvir essa frase, eu sou obrigado a voltar no começo do episódio. Eu disse que um ativo financeiro, após ter sido criado, é capaz de trazer renda sem um novo esforço inventivo. O único trabalho, após o desenvolvimento do infoproduto, é vender. E aí me deu um clique, velho. Falei, nunca ganhei um dinheiro desse, assim, com meu trabalho independente.

E que eu ainda posso trabalhar em outra coisa e ainda fazer outro dinheiro, porque aquilo ali já tá feito. Sabe? Nossa. Foi assim, abriu um portal na minha frente.

Ao abrir a plataforma Hotmart, eu cliquei na aba de busca e escrevi Fernanda Signorini. Apareceram quatro produtos artísticos. Desenvolvendo seu método corporal autêntico, estratégia de carreira para pesquisadoras corporais, imersão corpo alquímico e dança reconexão e ancestralidade.

Cada um desses cursos tem um valor, uma especificidade e uma carga horária. Além de serem uma fonte de renda contínua, eles possibilitam que Fernanda atue em outros projetos. No dia da entrevista, ela estava em cartaz na campanha de popularização teatro e dança com a peça Lia Maria Mulher.

O espetáculo sobre uma personagem aqui de contagem foi apresentado no Palácio das Artes. Um outro bônus desses ativos culturais, segundo Fernanda, é não ficar presa a um território. Não é de hoje que ela passa mais tempo no mato, em meio à natureza, do que na cidade grande, enfrentando trânsito e poluição.

Mas eu sempre tive o sonho de ter muita liberdade disso, assim, que foi um dos grandes pontos pra eu poder querer estar no online mesmo, que é isso, mudar pro interior, não ter que ficar cumprindo um horário semanal, sabe, presencial.

Nascida e criada em Belo Horizonte, Carla, a analista do Sebrae Minas, conta que, ao contrário de Fernanda, nunca teve o desejo de deixar a metrópole. No entanto, ela concorda que a liberdade territorial, essa liberdade de trabalhar de qualquer lugar, é uma característica dos tempos atuais.

O digital veio para democratizar, ele não tem fronteira geográfica. Você fala com uma pessoa que está aqui no seu bairro, uma pessoa que está em outro estado, outra cidade, outro país. Então, aproveitar porque é uma forma de você usar um megafone, de mostrar o que você tem, o seu produto para o mundo.

Com esse megafone nas mãos, Fernanda conquistou alunas em tudo quanto é lugar. Os seus ativos culturais já foram adquiridos em mais de 10 países. Esse resultado não caiu do céu. A artista, ao mesmo tempo em que criava, estudou. Segundo Carla, para colher bons frutos, não existe outro caminho senão a qualificação.

Acho que o primeiro passo é se capacitar, pensar em todas essas possibilidades para potencializar o que eles estão fazendo, o que está sendo feito. Porque às vezes a gente está num caminho e esse caminho tem outras entradas, outras estradas que podem ser percorridas.

A indústria criativa é formada por profissões que possuem o intelecto como base. Artistas, músicos, roteiristas, produtores e, claro, a galera da comunicação. Carla é publicitária. Quando ela formou, a publicidade era 100% offline. Ou seja, ela pensava em ações para revistas, jornais, outdoors.

Hoje o mundo é outro. Por isso, Carla também teve que se reinventar. Porque a gente vive num mundo que as coisas são muito rápidas. Eu que sou profissional de marketing, que estudo o tempo todo, porque eu preciso estudar para poder ensinar as pessoas, eu às vezes fico ansiosa com todas essas mudanças.

O Sebrae Minas conta com dezenas de cursos focados no marketing digital. Há formações gratuitas e pagas. Carla se dedica a fortalecer as iniciativas que batem na porta da instituição. Segundo ela, a missão é...

Ajudar os pequenos negócios a utilizarem o marketing digital de forma estratégica. E quando falamos em negócios, não estamos focando apenas na padaria que abriu na esquina da sua casa, mas também nos artistas, cujo negócio é o próprio fazer artístico.

E a gente tem também o projeto para trabalhar a digitalização, para ajudar as empresas a usarem o digital de forma mais estratégica. E isso vale para qualquer tipo de segmento, seja um negócio, seja um artista, enfim, uma startup, por exemplo. Então a gente tem essas soluções, esses produtos, consultorias, para que as pessoas aprendam a usar o digital de forma estratégica.

Quem já utiliza o digital de forma estratégica é o Instituto Cultural Circular, o ICC. Presidenta da instituição, Daisy Castro, que surgiu no primeiro episódio desta série, defende que não tem como falar de processo administrativo sem falar em tecnologia.

O ICC sempre teve um sistema, é um sistema implementado que tudo acontece por ele, com baixas automáticas, assim. E aí tecnologia é muito além de um aparelho tecnológico, de um lançamento novo.

É uma tecnologia aplicada à administração. Então, você tem processos bem definidos e pessoas bem treinadas com o suporte necessário para que aquela tarefa seja feita de uma forma eficiente, de uma forma produtiva. Então, a tecnologia passa por esses lugares.

Por esses lugares também é trilhar outros caminhos. O ICC ainda não lançou um infoproduto. No entanto, ele incorporou métodos para potencializar o que é produzido. Exemplo, ao fazer um intercâmbio no Peru, em uma das escolas de circo mais respeitadas da América Latina, o ICC aplicou as novas tecnologias. Quando a gente visita a Latarumba, criando um diário de bordo,

Para depois lançar um documentário, a gente está falando sobre tecnologia aplicada. Nós estamos falando sobre um cenário lido, uma oportunidade feita, um método, olha. Então, é essa partinha no drive, dia 1, dia 2, dia 3. Cada dia eu faço essa cobertura e se não der nada, vira um registro lindo. Então, essa tecnologia, ela passa por isso. O que a gente precisa para potencializar aquela ação?

A transformação digital vai além do marketing. Carla confirma. Engloba outras vertentes, com certeza. E é muito importante pensar, porque às vezes, falando de transformação digital, falando de digitalização, acho que isso talvez seja um consenso em todos os lugares, eles acham que é sempre o marketing digital. E não necessariamente, porque você pode digitalizar gestão, você pode digitalizar processo, você pode digitalizar...

finanças, inclusive é uma forma excelente de fazer essa organização. Além de digitalizar os processos administrativos, o Circular dá um show no marketing. Em todo o projeto, o ICC conta com uma equipe de designer e com assessoria de imprensa, o que gera um ótimo posicionamento da marca.

Ah, posicionamento de marca é a forma como você é percebido pelo público. Para Daisy, isso abre caminhos. É que a imagem devidamente transmitida é a base para uma construção sólida, seja de um artista, um coletivo ou uma instituição sem fins lucrativos. No entanto, muitas pessoas, ao se depararem com esse profissionalismo, fazem um pré-julgamento.

Não devia ser natural que as pessoas pegassem, por exemplo, seu livro, ficou maravilhoso, pegassem ele e enxergassem ele pelo que ele é ali. E não levassem adiante uma série de entendimentos sobre você ter conseguido imprimir ele.

Ah, o Pedrosa está ótimo, olha, está rico. O Pedrosa não sei o quê. O Pedrosa, os projetos do Pedrosa, o quê? Não escutou, não sabe, não viu daquele projeto. Você está pagando ele ainda. A pessoa te dá um desconto enorme porque acredita no seu projeto, parcela. Você ainda está pagando ele. Mas você não aceita colocar seu porta-retrato no chão.

Você vai fazer a mesa, fraga, você vai pedir ajuda, você vai bater na porta dos outros e falar, eu não admito que esse projeto tão legal seja colocado aqui. Aí por isso que eu falo que o amor resolve muita coisa, mas a indignação é muito potente. Porque se todo mundo se indigna com...

Essa ausência da mesa de papelão, a gente entende que o padrão é esse, é qualidade alta porque é seu trabalho. Gravar um disco, estrear um espetáculo, escrever um livro, lançar um filme. Nada disso é barato. E para realizar um trabalho dessa magnitude, é necessário acreditar e se dedicar ao sucesso do produto.

Quando Daisy fala sobre mesa de papelão, ela está resgatando um tema abordado no primeiro episódio. O artista não deve colocar o sonho em qualquer lugar.

Se falta recurso financeiro para uma escrivaninha, improvise uma mesa de papelão, um forro bonito e, claro, um porta-retrato. Aí, o resto é outra coisa. É a viabilidade financeira do seu projeto, é uma luta que a gente tem que ter com as secretarias, com a cultura de uma forma geral, com a sociedade civil para reconhecer nosso trabalho. Isso é uma outra coisa muito potente.

mas é sobre o que você aceita, onde você coloca a sua imagem. E aí eu acho que a gente precisa prestar atenção nesse lugar. As redes sociais são um ótimo lugar para o artista se posicionar. E se falta verba para contratar um profissional de comunicação, um social mídia, dá para improvisar.

Afinal, o digital é democrático. Carla destaca que um artista também pode ter uma conta na mesma rede social que uma multinacional.

Eu acho que às vezes a gente pensa que é muito focado a empresa, né? Num negócio talvez mais tangível. A gente às vezes não pensa no marketing para algo que é às vezes mais intangível, assim, né? Que é a arte, por exemplo. Mas eu acho que para qualquer negócio, assim, ele deve, né? Pode e deve ser utilizado porque ele ajuda a alavancar, né? A trazer toda essa presença, a fazer com que pessoas não conheçam, conheçam, a marca, o produto ou serviço.

Então, eu acho que nesse caso não tem muita diferença. O que vai mudar a estratégia, obviamente, às vezes o canal, mas eu acho que tanto um negócio tradicional como um negócio, pensando em arte, no coletivo, eles podem e devem utilizar o marketing digital para potencializar tudo que está sendo feito.

Antes de desenvolver um infoproduto, Fernanda criou uma conta no Instagram. No primeiro momento, ela foi relutante. Porém, ao ser aconselhada por um amigo, um maçoterapeuta que já estava no ambiente online, ela resolveu utilizar o espaço das redes sociais para divulgar o trabalho. Eu ainda demorei um ano e meio para entrar, porque é isso, né? Artista pensa de outro jeito, mas...

Ainda entrei nessa ideia, preciso divulgar e expandir o meu trabalho. Eu tinha alugado uma sala lá no Floresta, para dar essas aulas, esses atendimentos, e eu estava meio assim, preciso divulgar, divulgar, fazer material, e era o Instagram que estava começando. Então a primeira coisa foi essa, entender a importância desse meio que surgiu na época, que foi há quase sete anos atrás.

que eu aceitei e falei, beleza, vou entrar nesse jogo. Fernanda entrou nesse jogo e soma mais de 12 mil seguidores. Além de divulgar seus ativos culturais, ela compartilha os espetáculos que participa, as ações culturais que faz parte, potencializa os trabalhos de outros artistas e fala sobre as atividades da Casa Candieiro.

Um ponto de cultura que reúne, além dela, outros artistas de contagem, como Epaminondas Reis e Francisco Falabella. Essa casa é uma casa que está aberta com eventos específicos. Então, a última temporada da linha, a gente fez duas apresentações lá. E...

Temos sessões de corpo, expressão. É uma casa de arte e pesquisa aqui em Contagem. Então lá é o foco da gente trabalhar com arte, com as terapêuticas, que envolvem musicoterapia, dançoterapia, teatroterapia, coisas...

para o autoconhecimento. Quem também entendeu a importância das redes sociais foi a multiartista Lígia Morazzi, que você conheceu no segundo episódio desta série. Ela é categórica em dizer... A arte é trabalho também, é um mercado também. E para a gente ter trabalhos que te remunerem, a gente tem que ter consciência do que é a nossa carreira.

Então, eu vou me divulgar? Ok. Quando tiver uma possibilidade de evento, eu tenho fotos, vídeos para mandar para a pessoa saber qual tipo de produção que eu faço.

Então, eu acho que isso é a primeira coisa, gente. O artista tem que fazer seu portfólio. Tem um portfólio, junta tudo com fotografias, links de vídeo. O nosso Instagram pode se tornar um portfólio. Lígia destaca que, apesar de usar um único perfil para a vida pessoal e profissional, sempre compartilha os trabalhos que realiza.

Ela frisa ainda que, na falta de grana para contratações, os artistas podem utilizar ferramentas online gratuitas, tanto para construir um portfólio quanto para criar peças gráficas. Mídias sociais são importantes. Ah, porque...

Eu não gosto muito. Gente, precisa. Como você vai conhecer o trabalho? Eu conheço uma pessoa que está divulgando um workshop de uma atividade super legal, mas o perfil dela é fechado. Como eu consigo compartilhar o workshop dela?

Entende? Então, a gente tem que ter essas percepções. Ah, mas eu não gosto de misturar. Então, faz um perfil profissional e um perfil pessoal. Então, a gente tem que levar mais a sério essa vida também como artista, sabe? Levar a sério como profissão. Que isso também é o que vai trazer valorização para a gente.

Instagram, TikTok, LinkedIn, X, Facebook... São tantas as redes sociais. Mas afinal, Carla, o artista precisa estar em todas? Não precisa estar em todas, né? Não é uma coisa que ele precisa estar em todas. Ele precisa estar numa rede que é estratégica, que o público dele utiliza.

Então, se o canal X é o mais estratégico, é o que você tem mais resultado, é onde o seu público está, isso vale para qualquer tipo de empresa, para qualquer tipo de negócio. É lá que você tem que estar, porque é lá que você vai conseguir o engajamento, é lá que você vai conseguir conversar com o seu público, você vai conseguir se relacionar. Então, não faz sentido estar em tudo. É realmente escolher aquele canal que vai fazer sentido.

A publicitária destaca ainda que, voltando à metáfora usada por Daisy, não adianta montar uma baita mesinha de papelão e não cuidar dela. Coloque um forro bonito e um porta-retrato. Isso vai fazer diferença. A rede social não é só postar. A rede social, pelo próprio nome, já entende que você precisa estabelecer um relacionamento.

é mais social, então é importante que essa pessoa tenha essa familiaridade com essas ferramentas, com esse processo de estar lá, porque não é só estar, é você estabelecer um relacionamento ali que é assim que você vai ativar, crescer e ter mais presença.

De acordo com o relatório digital 2025 Brasil, publicado pela Data Reportal, o nosso país conta com 144 milhões de identidades ativas nas redes sociais. Além disso, a pesquisa Consumer Pulse, da Bain & Company, mostra que os brasileiros passam mais de três horas por dia nas redes sociais.

o que torna o marketing digital, a presença do artista no mundo online, ainda mais essencial. Fernanda entendeu que tem que estar onde o povo está. E mais, ela compreendeu que isso não a faz perder a essência. Essa foi uma virada de chave para mim.

De eu deixar de ser a hippie artista, amo ser a hippie no mato, artista, amo. Mas quando a gente vai pensar em estratégia, a gente precisa entender que você não vai perder sua essência, mas você precisa ser mais cuidadoso nesse aspecto para você conseguir uma rentabilidade que não te limita a ter o trabalho de criação.

que não é rentável. Então, hoje em dia, eu gosto muito da estratégia de a gente poder, todos nós artistas, encontrar esse lugar de fazer com que o seu conhecimento adquirido nos anos de estudo e pesquisa se torne um servir.

Bem remunerado. Meu negócio é arte. Essa é a nova temporada do Trem para Fazer Podcast. Um programa do projeto Trem para Fazer, que foi criado em 2014. O Trem para Fazer Podcast foi contemplado na Política Nacional Aldir Blank de Fomento à Cultura, a PNAB Contagem, em 2024.

Eu sou Felipe Pedrosa, criador, apresentador, roteirista e idealizador da série Meu Negócio é Arte. A operação de áudio é de Daneda. A edição e a finalização de Arthur Rocha. A arte de capa é de Iana Ottoni. A revisão de Renata Crepaldi. Preparação Beto Placides. Transcrições Júlia Bigão. Assessoria de imprensa Vapor Comunicação.

As narrações foram gravadas nos estúdios da Scriptos Comunicação. Este episódio usou áudios das rádios, o FMG Educativa e 98 News. Antes de me despedir, quero te pedir para seguir o podcast no Spotify e no YouTube. E claro, se possível, avaliar, deixando uma nota. Para falar comigo, basta me encontrar nas redes sociais, arroba Trem Pra Fazer. Até o próximo episódio!

E aí

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