Episódios de FOLHA FM 98,3

Folha no Ar - Francisco Caruso Júnior Geólogo, PHD em Geologia Marinha e Diretor Executivo da Caruso Soluções Ambientais e Tecnológicas e Eduardo Bulhões Geógrafo Marinho, Doutor em Geologia e Geofísica Marinha e Professor da UFF Campos#2417

05 de maio de 20261h47min
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Estudo técnico para conter avanço do mar em Atafona e no Açu

Impactos da alteração da foz do rio Paraíba do Sul para Gargaú em SFI
Participantes neste episódio3
C

Cristiano Abreu Barbosa

Host
D

Dr. Carlos Mário

Host
I

Igor Franco

Host
Assuntos6
  • Estudo de contenção do avanço do mar em Atafona e AçúEngordamento de praia como solução · Estruturas para fixação da barra do Rio Paraíba do Sul · Impactos socioeconômicos da erosão costeira · Modelagem computacional e geodinâmica · Retirada de escombros e memoriais · Valorização de imóveis e comércio local · Cronograma do estudo e obra · Desafio da fixação da Foz do Rio Paraíba do Sul · Influência do Porto do Açú na erosão · Medidas emergenciais
  • Impactos da alteração da Foz do Rio Paraíba do SulMigração da Foz para São Francisco de Itabapuana · Redução do volume hídrico do Rio Paraíba do Sul · Impacto na navegação dos pescadores · Influência da vazão na dinâmica da Foz · Demanda de água para abastecimento e indústria
  • Restauração de praias e serviços ambientaisServiços de lazer e recreação · Proteção costeira e defesa do litoral · Serviços ecológicos (captadores de água, tartarugas marinhas) · Comparativo com projetos internacionais (EUA, Europa) · Processo de licenciamento e agilidade
  • Engenharia costeira e fixação de barrasEstruturas como moles e espigões · Importância da modelagem computacional · Impactos positivos e negativos de intervenções · Estudo de dados secundários e primários · Validação de modelos em laboratórios internacionais
  • O papel da universidade na solução de problemas complexosProdução de conhecimento básico · Operacionalização do conhecimento por empresas · Formação de equipes técnicas qualificadas · Divulgação do conhecimento e cooperação
  • Degradação AmbientalProblemas de erosão em outros municípios do litoral · Obras de contenção em Barra do Furado e Farol de Santo Amaro · Espigões e sua eficácia · Muros de arrimo em Olinda
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Começa agora o Folha no Ar, primeira edição. Terça-feira, 5 de maio de 2026, começa agora pela Folha FM, 98,3, emissora do grupo Folha da Manhã de Comunicação, mais um Folha no Ar. Como eu anunciei...

vamos trazer notícias boas para São João da Barra, vamos conversar hoje com, vou até inverter a ordem aqui, alfabética, é a primeira vez que ele está no programa, mas a gente vai conversar aqui, nesta bancada hoje, junto com o jornalista repórter de política do jornal Folha da Manhã, Everton Luna.

com o Francisco Caruso Júnior. Caruso está com a gente aqui hoje, ele é geólogo, PHD em Geologia Marinha e diretor executivo da Caruso, soluções ambientais e tecnológicas, empresa que venceu a licitação para formular os estudos de recuperação e diretor executivo da Caruso Júnior.

estudos de impacto ambiental, ecológico e tudo mais econômico também, aqui do nosso litoral da erosão costeira, que vem aí há muitos anos destruindo, literalmente destruindo a tafona, e já começando também a destruir, e causar sérios prejuízos em...

no Açú. Então, é importante destacar que essa licitação para a formulação desses estudos, ela engloba os dois locais. Vamos falar também com o nosso querido professor Eduardo Bulhões.

geógrafo marinho, doutor em geologia e geofísica marinha e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense. O Francisco estava conversando com a gente internamente, também foi professor universitário, mas agora ele ficou rico, então já está em...

Bom, vamos falar sobre um estudo técnico para conter o avanço do mar em Atafona e também no Açú, que é um estudo que o mundo inteiro está de olho, porque serve de referência para o mundo. Então, o papo aqui é muito sério, é muito importante esse programa de hoje, a gente poder abordar aqui de forma bem ampla e...

técnica e curiosa também, né, essa situação. E ainda hoje a gente fala sobre os impactos da alteração da Foz do Rio Paraíba do Sul.

em Gargaú, mudou literalmente, tem aí todo o desvio de água já que acontece no Rio Paraíba, há quem diga que a gente só recebe aqui hoje professor João, por exemplo, fala

João Siqueira fala, a gente recebe aqui hoje cerca de 30% do volume do que era o Paraíba há 70 anos atrás. Então, a gente vai poder conversar muito aqui nesta manhã sobre essa demanda, sobre essa pauta.

começar aqui cumprimentando a nossa bancada, e eu vou pedir licença aí ao nosso querido Eduardo Bulhões, para a gente fazer a ordem versa alfabética aqui que a gente sempre faz, né? Deixa eu trazer o Francisco, é a primeira vez que ele está conosco aqui neste Folha no Ar, Francisco Caruso Juno, geólogo, PhD em Geologia Marinha, e diretor executivo da Caruso Soluções Ambientais e Tecnológicas.

Caruso, bom dia. Primeiramente, obrigado por estar aqui conosco. Prazer poder recebê-lo aqui. Você tem vivido aqui muito o dia a dia da nossa região, de Atafona, do Açú, as pessoas que estão envolvidas diretamente ali naquela situação, mas já deu para você perceber que é toda uma...

uma região que vive esse drama, as pessoas que perderam os seus imóveis e essa história toda, você já sabe mais, que vive esse drama de também ter perdido aquele prazer de poder aproveitar aquela praia no fim de tarde como sempre foi, ou num dia de verão, enfim. Bom dia, obrigado pela sua presença, Caruso, seja bem-vindo. Eu que agradeço, bom dia a todos.

A você, Carol Everton, professor Eduardo Bulhões, aqui presente. Agradeço o convite, é uma honra estar com vocês, bater esse papo aqui e falar um pouco do que nós vamos fazer nos próximos anos, próximos meses, vamos dizer assim, a respeito do estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental nessa região que tem um sério problema de erosão costeira.

Eu diria até que talvez no Brasil seja a área que tenha o maior problema de erosão costeira, mas que nós montamos um time bem forte, um time bem gabaritado, e nós vamos encarar esse desafio, e tenha certeza que nós vamos fazer uma solução definitiva. Boa, nem vou perguntar quem é o Camisa 10, senão depois dá inveja lá, mas eu escolheria Eduardo Bulhões.

Não sei quem é o time todo, mas fica aqui o registro. Sou fã do Eduardo, assim como muita gente sabe disso, o trabalho que ele faz aqui é primordial e muito caprichoso. Meu cara, o professor Eduardo Bulhões, geógrafo marinho, doutor em geologia e geofísica marinha, professor da UF Campos, bom dia, bem-vindo, amigo.

Bom dia, Nogueira, bom dia, Efstom, bom dia, Caruso, bom dia aos ouvintes. É um prazer estar aqui novamente para a gente dialogar sobre esse tema que já há muito tempo aflige a região e agora com nova expectativa.

da empresa Caruso poder trazer aí sua contribuição para que as coisas, de fato, avancem no sentido de recuperar e redevolver a população, a praia e todas aquelas amenidades que ela traz junto. Então, realmente, eu acho que é um bate-papo importante no dia de hoje para que a gente possa trazer aí para os seus ouvintes, Nogueira, um pouco sobre o que...

o que vai ser feito, como vai ser feito, e tentar deixar as coisas bem claras para que as pessoas saibam que existe muito trabalho por trás de uma solução, digamos, sólida para os problemas que a região enfrenta.

Perfeito. Meu caro Everton Luna, bom dia, obrigado pela sua presença, sempre bom contar com você aqui nessa bancada, eu já peço a você pra abrir essa pauta aí e já, né, mandar bala na pergunta do milhão, porque a ansiedade da população, que não só por questão de ir de praia, por questão de curtir os momentos, a vida, mas sobretudo...

para aqueles moradores ali, os pescadores e tudo mais. Tem todo um processo de sobrevivência ali naquela região. Bom dia, Everton, bem-vindo. Bom dia, Longueira. Bom dia, Caruso. Bom dia, professor Agulhões. Bom dia aos ouvintes aqui da Folha FM. Eu acho que a gente pode começar... Sao?

para fazer que os ouvintes entendam o que consiste o estudo em si, o que ele vai analisar, o que ele vai buscar de solução. Então, professor Caruso, professor Bulhões, o que é o estudo de viabilidade técnica e ambiental que será feito em Atafona e no Porto do Açúcar?

Eu começo aqui, depois a pessoa pode complementar. Essa é uma citação que a Prefeitura de São João da Barra já vem há bastante tempo buscando uma empresa que fizesse um estudo, um estudo integrado da viabilidade. Quando a gente fala viabilidade ambiental, a gente quer dizer também viabilidade socioambiental, porque é uma das vertentes ambientais justamente a parte da comunidade. Então, a gente diz assim, é um estudo socioambiental.

que vai trazer uma solução e que seja uma solução definitiva. Então falaram que a prefeitura já faz tempo que ela está querendo contratar e teve um processo de seleção que teve uma parada, depois voltou novamente. E a gente tinha muito interesse em participar dessa licitação. A Caruso, a empresa Caruso, tinha muito interesse em participar da licitação porque nós já viemos alguns anos trabalhando em restauração de áreas costeiras.

Nós já fizemos alguns trabalhos em Balneário Camboriú, em Natal, e agora outros trabalhos em Santa Catarina, em Maceió. E a gente tem se dedicado, Caruso tem se dedicado bastante a fazer esses projetos de restauração costeira. E esses projetos de restauração costeira, na maioria das vezes, ele passa por aquilo que a gente chama de engordamento de praia.

Ou seja, na verdade, é uma terra hidráulica na qual uma draga, ela vai numa jazida situada em mar aberto, ela draga sedimentos, esses sedimentos são compatíveis com a areia da praia, e ela despeja esses sedimentos na praia, e ela vai restaurando a praia do jeito que ela foi um dia. Então, essas engordas de praia estão, vamos dizer assim, muito em moda no litoral brasileiro,

porque tem sido a arma principal de combate à erosão costeira. No caso de São João da Barra, que compreende então a Tafona e a Sul, não é só a engorda da praia que a gente está pensando. Por quê? Porque a gente precisa de alguma estrutura na saída do Rio Paraíba do Sul para que possa fixar a barra, fixar a barra, fixar, que as coisas fiquem mais ou menos estruturalmente...

adaptadas para que haja posteriormente uma engorda de praia e que seja uma solução que perdure por um bom tempo. As engordas de praia, como é feito tanto aqui como nos Estados Unidos, na Europa, elas têm uma vida útil. Então pode ser que essa engorda de praia dure 5 anos, 10 anos, ou pode ser que ela dure 20 anos, por exemplo. A primeira praia a ser engordada no Brasil foi a praia de Copacabana. Então, está há anos lá, foi feita em 1970.

E até hoje não precisou ser realimentada nem nada, por quê? Foi uma obra de engenharia feita e que perdoou até hoje. Mas não quer dizer que as outras prédios que a gente vai fazer trabalho de engenharia, também um dia não tem que ser realimentados.

Mas a Tafone, exatamente a Tafone e a Sul, a gente está pensando em uma solução que tem que ser uma solução maior. Ela tem que atender não só a parte ambiental, mas tem uma vertente socioeconômica muito grande e tem muitos moradores que foram afetados por esse problema de erosão costeira. Então, a gente vai procurar nesse estudo levantar todos esses problemas.

Mas os problemas científicos, que são os problemas de como a gente vai restaurar a praia, a gente vai usar muita modelagem computacional, modelagem geodinâmica, que estuda um pouco as correntes, as marés, toda essa parte de estrutura física do meio oceânico, para poder então achar uma solução que seja definitiva. Quando eu falo definitiva, eu...

que a engola de praia possa ser feita agora e daqui a cinco anos tem que ser feita uma nova realimentação. Mas isso não é o problema. O problema é trazer uma solução. Essa solução vai ter base científica, porque tem muita gente gabaritada no nosso time. Tem muito professor, tem muito profissional de grandeza, de experiência comprovada nesse meio.

e que a gente traga essa solução e que, uma vez o estudo apontado a essa solução, a Prefeitura, então, ela tenha um elemento, tem uma arma na mão, um elemento na mão, para poder buscar recursos, tanto estaduais ou federais, para licitar uma obra, e essa obra, então, ser executada e trazer essa tranquilidade que o povo aí do Anticampo, de Goitacá, de São João da Bar, necessita e almeja muito.

Se eu pudesse complementar, São João da Barra tem, digamos, vantagens e desvantagens do processo. Eu diria que a principal desvantagem, como é um litoral de oceano aberto, digamos assim, há um intenso transporte de areias em São João da Barra.

não só São João da Barra, mas Campos também, o Sul do Espírito Santo, se destaca por um intenso transtrânsito de areias ao longo do litoral. As ondas, uma parte do ano empurra as areias em direção ao norte, outra parte do ano empurra as areias em direção ao sul. Então você tem, digamos, muita variação no volume de areia das praias.

esse talvez seja o desafio técnico a ser entendido e superado da melhor forma possível. Não estou dizendo que não existe solução, existe solução, mas esse é o desafio que a modelagem, que o grupo do Caruso e nós na universidade vamos executar, entender como ocorre esse fluxo e tentar, de alguma forma, transformá-lo em algo a nosso favor. Então, vamos lá.

Já a grande vantagem de São João da Barra é que está numa planície, é uma planície arenosa, basicamente. Então, um dos grandes problemas nesses projetos de contenção, às vezes, é o custo de encontrar uma areia que seja compatível àquela com que a praia veio perdendo ao longo das décadas.

Isso São João do Abarro, eu costumo dizer, tem, digamos, uma vantagem nesse sentido, porque por ser uma planície costeira, ela tem um volume muito grande na zona submarina, na calha fluvial, enfim, no município como um todo existe uma abundância desses recursos que são fundamentais para esses projetos de restauração. E outra grande vantagem é que tem, é que há aí uma...

expertise acumulada ao longo das décadas também sobre esses processos de erosão. Há também um grande interesse público sobre o tema, porque se não é também o interesse e a cobrança da população, as coisas realmente não evoluem.

Então eu acho que a gente tem aí, nesse cenário, muitas condições para que uma equipe técnica super bem habilitada, como o time lá do Caruso, possam achar, de fato, o caminho para a melhor solução. Professor Eduardo, para além da engorda da praia,

O que será feito com o resquício de material, de obra, de casas, de construções que tem ali na região? Ali, que já está dentro da água já há algum bom tempo, né? E torna a praia muito perigosa para os banhistas. Tem planejado a retirada desses escombros? Olha, eu...

Não tenho certeza se isso vai ser feito, tá, Everton? Pelo que eu entendi da proposta técnica, isso não está previsto. Eu acho que é uma decisão a ser tomada, o que vai ser feito com os resquícios, né, de...

de destruição que ficaram na praia. Existe aí gente que defende que haja um memorial, catafona, ou seja, aquilo que está destruído ali na beira da praia fique como memória do problema, para que ele não seja esquecido. Mas o que está na zona submarina está em decomposição, digamos assim. Os materiais construtivos que a gente usa basicamente são cimento.

tijolo, metais, e esse material dentro da água vai sendo corroído bastante rapidamente. Existe um trabalho que a UF fez de geofísica para observar os resquícios de material que tem debaixo da água e a decomposição é realmente bastante acelerada. Eu acho que é um desafio técnico gigantesco retirar esses escombros.

precisa ser avaliado na prática é o custo de retirada disso e, digamos, o custo-benefício de retirada disso, até porque tudo tem que ser visto, com dinheiro público, tudo tem que ser visto com esse olhar do custo-benefício. Mas há quem diga que manter o material em decomposição e manter os escombros junto à praia são uma forma da gente...

ter o passado em evidência para que os mesmos problemas não voltem a se repetir no futuro. Professor Caruso, quer falar sobre essa questão desses materiais, por favor? Áudio.

Ah tá, desculpa. Só vou retornar aqui. Nogueira, o seu microfone está fechado. Obrigado. Não, vou dar um espirro aqui, desculpa. Professor Caruso, quer falar sobre essa questão também, da retirada desses materiais? Já aconteceu caso semelhante em algum outro estudo realizado pelo senhor? Nesse caso é o primeiro que nós vamos enfrentar, vamos dizer assim.

E achei interessante a colocação do professor Eduardo, que falar que existe um grupo de pessoas que querem ter essa memória do que aconteceu e que não aconteça mais. Mas, geralmente, os escombros são retirados. São retirados porque podem até machucar alguém, pode trazer algum tipo de problema. Mas é um assunto que tem que ser debatido pela comunidade local. Nesse estudo, a gente está muito focado, vamos dizer assim,

em soluções científicas, vamos dizer assim, de achar uma jazida com areia que seja semelhante à areia nativa da praia, qual o volume de areia que a gente vai botar na praia. Enfim, a gente tem uma série de questões científicas, mas aqui no nosso grupo tem um time também trabalhando na comunidade, entrevistando a comunidade, entrevistando atores governamentais, entrevistando o pessoal da região.

também para sentir qual é o sentimento da pessoa em relação a isso. Uma coisa que eu tenho quase que certeza, assim,

que a maioria das pessoas vão adorar o fato de ter aí, no caso aí, 30, 40, 50, 100 metros de Praia Nova, porque isso é um atrativo. Onde a gente trabalha e onde a gente põe a Praia Nova, vamos dizer assim, isso atrai turista, isso atrai, isso faz com que os turistas também, as pessoas tenham orgulho de ter a sua praia de volta, vamos dizer assim.

os turistas têm um local para veranear, para passear, isso resulta numa valorização dos imóveis da região. Os imóveis ali devem estar todos com um valor muito baixo, vamos dizer assim. E aí se você recupera a praia e essas pessoas têm certeza que não vai acontecer mais episódios de erosão marinha, o próprio imóvel passa a ser valorizado o que era antes.

Em ciasco locais, por exemplo, em Balneário Camboriú e Balneário Pissaras, os imóveis valorizaram 30% após a engorda da praia. O comércio foi ativado quase em 70%, porque muitas pessoas voltaram a frequentar a praia.

voltar a comprar no comércio, voltar a se alimentar no comércio, usar o supermercado, usar a lojinha ali da esquina, usar o posto de combustível. Então, as pessoas não têm ideia do que é uma restauração, uma recuperação de uma praia, ela pode trazer benefícios para o município. E o principal é trazer aquele orgulho da pessoa da comunidade.

que aquela tristeza vai indo embora, por quê? Porque a praia está voltando a existir, as pessoas podem frequentar a praia com a família, o turista pode frequentar a praia, o comércio fica ativado, e aí o PIB econômico do município vai lá em cima, então tem uma série de fatores que uma simples obra de engenharia costeira traz de benefícios.

Alguém falou aqui no Rio de Janeiro, ah, você mesmo, Caruso, falou sobre Copacabana, e assim, eu estava vendo recentemente um conteúdo sobre a Ilha do Fundão, só para eu contextualizar e chegar na minha pergunta, aliás, nas minhas perguntas, porque assim, a Ilha do Fundão era um... Não, não...

uma série de ilhas, que houve um aterramento daquela região toda ali, e virou aquela estrutura fantástica, que é a nossa UFRJ, que está lá na chamada Ilha do Fundão, e tem toda uma história sobre isso, eu não vou parar para contar isso aqui agora, mas assim, a gente vem a muitos, o próprio aterro do Flamengo, do Botafogo, você tem, né?

aqui em Vitória mesmo, por exemplo, no Espírito Santo também, isso na década de 70, 60, mas o que eu quero trazer aqui para o nosso litoral, e não para o nosso canavial, agora vamos para o litoral, é o seguinte,

Quanto tempo esse estudo vai levar para ficar pronto? Porque você sabe, já tem até comentário aqui na internet, mas é porque começou o ano eleitoral, volta de novo o assunto de um projeto, porque é ano de eleição. E aí eu quero saber, quanto tempo...

leva isso para ficar pronto esse estudo. Quantos metros de praia você já começou a responder, mas eu queria que você fosse talvez mais preciso, se é que é possível ser, antes do estudo, se é tudo técnico ainda. Quantos metros de praia vocês conseguem projetar para depois dos estudos e obras já prontas?

E qual é o maior desafio? Fazer a população acreditar que esse projeto vai ser diferente de tudo que passou e que vai dar certo a partir de agora, vai sair do papel, ou encarar aí o avanço das ondas poderosas ali daquela região? Eu começo com você, Caruso, por favor.

Vamos lá, afirmar quantos metros vai ser a engorda da praia. Vou usar esse termo aqui, para o pessoal não ter mais popular. Nesse momento, a gente não dá para afirmar. Por exemplo, vamos lá. Balneário Camboriú, as ondas batiam na calçada. Quando tinha ressaca, quando tinha amarelo meteorológico, o mar batia lá nos edifícios. Copacabana também, eu sou daqueles anos lá, eu nasci no Rio de Janeiro. Eu morei no Leme, toda a minha infância.

Então, eu comprei essa saca desde que eu sou pequeno. O mar chegar e bater nos edifícios para mim era uma coisa normal. E você vê o que é hoje o Copacabana, você vê hoje que o Ateco também, vou voltar para alguns exemplos que você usou, e eu vou usar o exemplo de Bondeira e Camboriú, onde o mar batia na calçada e hoje tem 90 metros de praia. Desses 90 metros de praia, a prefeitura pegou aqueles 20 metros, 25 metros próximo à calçada e fez uma urbanização.

transformou tudo aqui numa área de lazer, com barraquinhas, com áreas de lazer, para jogar futebol, para jogar isso, aquilo. Então, aproveitou uns 90 metros de engorda para utilizar 25 para a estrutura urbana, que foi uma coisa interessante. Então, hoje em dia, a pessoa que vai ao balneário Camboriú, ele larga o carro lá no centro da cidade, ele pode andar na zona eleitorânea, porque tem diversas atrativas, ele pode andar além da praia.

Então, a praia lá ficou realmente fantástica. E tem suas particularidades. Por exemplo, a Bonaia de Camboriú é uma praia que a gente costuma dizer no nosso jargão científico. É uma praia de bolso. Tem dois promontórios nas suas extremas. Então, essas praias têm a vantagem de poder reter o sedimento por mais tempo.

Diferentemente dessas praias que ficam muito próximas à barra, à boca de um rio, que tem um fluxo fluvial ou estuarino, é diferente. No caso do delta do Pará do Sul, que foi que acresceu toda essa área. Então, é diferente você comparar uma área com outra. Mas eu diria assim, é muito prematuro dizer qual é a largura da praia que vai ter.

Mas, assim, isso é uma coisa que não incomoda a gente, porque a gente, trabalhando no nosso projeto de engenharia, de educação científica, a gente pode botar uma praia de 100 metros, até mais, ou uma praia de menos de 100 metros. Mas eu diria assim, botar uma praia de 100 metros, você fazer uma engorda de praia e utilizar um milhão de metros públicos e utilizar dois milhões de metros públicos de areia, isso significa mais um mês, dois meses de trabalho. Não é uma coisa assim, ah...

Vou usar um milhão de metros curto, vai demorar tantos meses. E vou usar dois milhão de metros curto, vai demorar mais um ano. Não. Essas obras são muito rápidas, por exemplo. Balneário Camboriú foi colocado dois milhão de metros curtos de areia na praia. Para fazer a engorda, deu quase cem metros de largura de praia.

levou três meses. Então, é pouco tempo. A solução do problema é muito rápida. O processo de engenharia costeira para fazer o aterro hidráulico é um processo muito rápido. Mas o que demora um pouco é você ter a segurança do projeto de engenharia. Esse é que demora. A fase que nós estamos montando nessa equipe é a fase de estudos.

Então, ela faz estudos científicos, socioeconômicos, muita modelagem, muita modelagem hidrodinâmica, matemática. E tudo isso vai levar a apontar uma solução. Ao apontar uma solução, e se a prefeitura achar que essa solução é a melhor para a região, essa obra tem que passar por um processo de licenciamento ambiental.

que muito provavelmente é um estudo de impacto ambiental, um Iaima, algo nesse sentido. E após o licenciamento ambiental da obra, a prefeitura pode licitar a obra de engenharia. Então, se você colocar isso num cronograma de tempo, vamos dizer assim, vamos supor que o Eveteia leve um ano e meio, vamos dizer assim, ele tem um prazo maior, mas ele tem expectativa de um ano e meio a gente chegar para a prefeitura, a prefeitura.

Essas são as alternativas tecnológicas e locacionais. E nós entendemos que a melhor alternativa seja esta, por tais razões. Isso, muito possivelmente, vai passar por audiências públicas, vai se passar por uma série de aprovações. E após a Prefeitura entender que essa é a melhor solução, ela tem que licenciar a obra. E aí tem que passar por um processo de licenciamento ambiental.

obter o licença de aguentamento ambiental prévio e a licença de instalação para em seguida, então, fazer a licitação da obra de engenharia. Então, estamos falando assim, por baixo, dois anos, dois anos e meio, um pouco mais, um pouco menos. O nosso time, o nosso time, ele vai trabalhar com uma expectativa de um ano e meio. A nossa expectativa é de ter segurança no nosso trabalho.

e apresentar as alternativas para que a prefeitura decida qual é melhor a solução de engenharia da obra. Nogueira, se me permite só um detalhe. Por favor. Em relação a esse tempo que a gente pensa, ai, demora e tal,

Eu acompanhei de longe a questão do balneário Camboriú, e uma das coisas que me chamou a atenção é que a luta deles lá por uma praia maior, uma recomposição da praia, foi também de 30 anos, ou quase isso. A coisa começou a ser discutida no...

No final da década de 70, no início dos anos 80, a coisa avançou, eles tinham lá já um problema de erosão durante as ressacas, mas uma solução como foi adotada, ela chegou agora, no início de 2020, 2021, né, Caruso? Então, às vezes, entre...

Às vezes as coisas demoram mesmo e não é uma particularidade daqui. A gente acha que podia ser feito antes, podia ser feito antes, mas não é incomum que a concepção e a decisão, a tomada de decisão para se executar uma solução demore muitos anos, em alguns casos décadas. A gente pode dizer que agora com a contratação, que...

isso é feito, com a licitação, a gente está mais perto do que já esteve antes de uma solução para o litoral de São João da Barra. Só uma antes, o Everton, desculpa, em que pé está esse processo de agora então? Eu volto a Caruso, depois fecho com você, professor. Da seguinte forma, nós temos hoje o desafio...

e que me parece a tafona ser diferente do mundo, pelo menos é o que se apresenta, o que se fala até hoje aqui, e aí eu fecho com essas duas questões. Qual é o maior desafio? É porque tem a presença do Rio Paraíba, qual a influência do Rio Paraíba naquela situação ali para trabalhar a tafona?

E aí, já vou avançando também, o Everton, e meus caros Caruso e Bulhões.

no Açú, o processo já ia acontecer, mas com o Porto do Açú, houve uma aceleração desse processo de erosão costeira, volta você, Caruso, só por conta da questão da licitação, que aí sua empresa ganhou, eu acho justo você falar em que pé está esse processo agora, a sua empresa ganhou, então...

Está faltando o que para você já começar a sua equipe a trabalhar? Ou já está trabalhando, enfim? Bom, enfim, nós já estamos trabalhando, como eu falei, nós nos preparamos muito para essa licitação, e é interessante falar assim da dedicação que o professor Eduardo Bolhões tem há muitos anos para essa região. Eu diria que é a menina dos olhos dele, né? Porque ele publicou muito trabalho sobre essa região, e foi uma coisa que me incentivou a convidá-lo a participar da equipe.

porque ele tem notório saber dessa área. E a gente se preparou muito bem, porque a licitação foi técnica e preço. Então, assim, as licitações, quando só tem preço, ela é um pouquinho, assim, uma exíndia complicada, é um pouquinho temerosa, porque nem sempre a empresa que tem o melhor preço, ela tem a melhor equipe técnica. Então, o que eu acho que a Prefeitura de São João da Barra fez, e fez muito bem, foi fazer uma licitação onde tivesse valores técnicos e preço.

E no nosso caso, a gente se preparou há muito tempo para apresentar uma proposta técnica para que a comissão de licitação pudesse avaliar e nos pontuar. E nós fomos pontuados, das empresas que participaram da licitação, a melhor nota técnica foi do nosso time. E o menor preço também foi do nosso time. Então, a gente entrou para ganhar. A gente não entrou para participar. A gente entrou para ganhar.

Por quê? Porque nós tínhamos convicção de fazer um bom trabalho, e nós iremos fazer um bom trabalho, e nós iremos apresentar uma solução, que eu diria é definitiva para resolver o problema de São João da Barra. A parte aí da... em que ponto que o Assu ou o Porto de Assu contribui ou não para esse problema, eu vou deixar para o Eduardo, que ele tem mais capacidade de poder responder essa pergunta.

Perfeito, claro. Aliás, nós já falamos sobre isso aqui, né, Eduardo? Recentemente a gente conversava aqui com o pessoal lá de São João da Barra, a gente falava com a Camila Issa também, né, enfim.

parece, ao olhar assim, leigo, depois do Porto a coisa disparou. O que é de fato ali importante analisar neste momento? Que aí, assim, parece que muda tudo com a presença do Porto, ou não muda?

É bom realmente fazer esse destaque, a gente conversou realmente aqui, há poucos meses atrás, com a Camila, representando a Associação de Moradores, a Associação SOS Atafona, e o Jonathan, que veio representando a comunidade do Açú. Obrigado pela lembrança do Jonathan, boa. Eu não lembrava o nome dele. São duas figuras importantes da comunidade, dois interlocutores.

importantes da comunidade que vêm também preocupados, acompanhando, e são pessoas com muita clareza em relação, sobretudo, às diferenças entre a Atafona e a SU.

Eu diria que a Atafona, o principal desafio é compatibilizar a evolução da Foz do Rio e Paraíba do Sul com o problema da erosão costeira. A gente já falou muitas vezes que o Rio e Paraíba do Sul é o principal abastecedor e o principal elemento vinculado ao problema erosivo em Atafona. E a gente vem mencionando que o Porto tem aí um impacto direto na...

questão da erosão no Açú. Isso, na verdade, não sou eu que estou falando propriamente. O próprio Iarrima do Porto já previa uma aceleração do processo erosivo. Na engenharia costeira, Caruso pode comentar isso também, tudo é bastante previsível. A gente sabe que determinado tipo de...

infraestrutura vai ter um impacto positivo e vai ter um impacto negativo, e isso são os estudos de impacto ambiental visam antecipar quais são os problemas. Isso já estava antecipado lá no Açú. Então, realmente, existem esses dois grandes elementos, o Rio Paraíba do Sul e as estruturas de abrigo portuário lá no Açú.

Porto do Açú, que interagem, digamos assim, com a dinâmica costeira e litorânea e tem alguma participação não só nos problemas erosivos, mas também nas soluções que deverão ser adotadas. Eu acho que é por aí, não sei se ficou alguma coisa faltando responder nesse sentido.

questão do método, da distância ali, né, só depois do estudo, mas Caruso já falou em algo em torno de cem metros, de trinta, quarenta, cinquenta, cem metros, então a gente fica nessa expectativa. Oé, Beto? Ah, que deu uma picotada aqui, eu fiquei meio, fiquei fora do ar. É.

Caruso e Bulhões, assim, é possível retomar, por exemplo, que a sociedade, as pessoas já estão falando

possam retornar a se banhar ali naquela região? Vai ser possível voltar à atividade turística, atividades de praia, pescaria, banho de mar, ali naquela região que foi tão degradada durante os últimos anos? Não tenho a menor dúvida. Você pode ser o, vamos dizer assim, passar essa...

Essa mensagem, pessoal da Atafona, pessoal do Laçu, que eles vão voltar até a praia que os avós, os antepassados tinham nessa região. Isso aí eu acho que assim, eu diria assim, que não é o nosso maior problema. O problema do aterridalgo nessa região, devolver a praia, devolver todas as benesses que a população, não é o nosso maior nó, o nosso estudo.

E o nosso desafio principal é a fixação da barra do Rio Parada do Sul. E sem dúvida, a gente vai precisar de muita capacidade técnica, muita gente boa envolvida, muita modelagem matemática. A gente vai fazer a modelagem aqui e muito provavelmente no exterior também, em locais que tem um centro de modelagem de dinâmica muito forte.

e a gente tem que ter, o nosso maior desafio é justamente a fixação da barra, eu diria isso, não sei se o professor Eduardo concorda comigo, que esse que é o nó da questão. A gente tem que, porque muita parte, vamos dizer assim, já tem pessoas morando em algumas partes, até onde está ali, na foia do rio, paraíba do sul. E ao longo do tempo geológico...

Por exemplo, a Foz do Rio e do Paré do Sul, ele é um elemento geomorfológico consagrado na literatura posteira brasileira. É um modelo, quando a gente está lá na faculdade, vocês querem saber o modelo de um delta? O delta é uma área de acreção. Tem um delta do Rio Mississippi, tem um delta... E tem um delta do Rio Paré do Sul, que é todo professor de geografia. Para nós, vocês querem ter um exemplo de um...

de uma costa que tem um modelo deltaico, então, olha, aí o Parê é do Sul. Isso é um lado bom, que acresceu em termos de terras no local, mas tem pessoas morando aí também, então, isso é um problema também de... E essa fixação dessa barra vai afetar alguma comunidade, não vai afetar? Essa fixação de barra, como é que é a parte cultural disso aí? Isso aí tem que ser modelado. Só os modelos computacionais é que tem essa resposta.

E esse, eu acredito, seja o nosso maior desafio, trazer essa fixação da barra. E uma vez isso delimitado, quanto tempo isso vai durar, a engorda? Pode durar cinco anos, pode durar dez anos. Como é que vai ser a engorda do lado direito, do lado sul, do lado norte? Então, essas questões vão ser o nosso principal objeto de estudo. E o que a gente vai se dedicar daqui para frente é fazer isso.

E o resultado do Iverteia é justamente apresentar para a prefeitura algumas alternativas, dentre as quais a que nós acreditamos que seja melhor. Sobre devolver a praia, né, Everton, eu acho que, na verdade, uma das...

Uma das funções da restauração das praias, a restauração das praias é um processo amplo que envolve, primordialmente, a engorda da praia, o aumento do volume de areia e da faixa de areia. Uma das principais vantagens da restauração da praia é que a gente devolve algumas funções, alguns serviços, digamos, ambientais que as praias nos oferecem.

Existem os serviços de lazer, que são super importantes. Então, a praia é uma estrutura natural, sobretudo para o brasileiro, de recriação, de lazer, de contato com a natureza. Então, esse é um serviço que as praias nos oferecem gratuitamente. Quando a praia entra em erosão, a gente vai perdendo esse serviço. Então, devolver esse serviço é um dos objetivos.

E um outro serviço que as praias, todas as praias, oferecem naturalmente para nós, enquanto seres humanos, é a proteção do litoral, que na verdade a praia é a borda do oceano, eu costumo dizer.

E essa borda é o que protege as áreas que estão fora do oceano de serem inundadas, alagadas ou erodidas. Então, um projeto de restauração de praias, ele devolve não só a função, digamos, social, recreativa que as praias oferecem, mas também devolve a função...

vital, que é de defesa do litoral e de proteção costeira. Então, eu costumo apostar muito nesses projetos de recomposição e restauração de praias, porque, não só eu, né, hoje a literatura inteira no mundo trata desse tema, porque ela devolve, digamos, dois serviços essenciais, fora, se a gente pudesse entrar aqui com nossos colegas biólogos lá da UENV, ecólogos, um dia eu acho que a gente tem que bater esse papo, Nogueira.

Boa, tem lá o nosso querido professor Carlão Rezende. Carlão poderia estar aqui batendo papo com a gente. Olha os serviços ecológicos, que as praias, enquanto ecossistema costeiro, também fornecem. Praias são ótimos captadores de água. Praias tem, a gente tem aqui na região as tartarugas marinhas, que são um atrativo à parte. Então você tem muitas funções ecológicas.

propriamente ditas também que vão ser devolvidas com o projeto de restauração. E aí tem aquela população ribeirinha ali, os pescadores de Atafona também, todos naturalmente, recentemente vi a Camila, professor, gravando um vídeo de que o mar tinha invadido, subido, rio, encheu de novo, enfim. E desabriga aquele pessoal também.

Eu estava olhando o Delta, porque o rio chega próximo à Foz, ele cria vários caminhos até chegar ao mar, e vira um triângulo, tipo um triângulo.

E aí, eu queria só, a gente vai precisar fazer o intervalo, mas vou fazer outra comparação, porque o Rio Itapemirim, aqui no sul do Espírito Santo, há muito tempo, e isso aí já bem antes da década de 90, ele tem, eu acho que o que se chama espigão.

ali na foz dele, até para dentro do mar, e ele é fixo, não muda igual mudou mais uma vez, e não é de hoje essa mudança aqui na foz do Paraíba. Mas eu queria deixar para a gente discutir isso, entender esse processo também, parece que...

como o Caruso disse, vai ser o maior desafio, então o Paraíba tem total influência nessa questão de contenção do avanço do mar também, a gente já discutiu isso, falou isso, e a gente vai entender melhor nesses estudos daqui a pouco no próximo bloco.

São 7 horas e 55 minutos, meu caro Francisco Caruso Júnior, Eduardo Bulhões e Eberton Luna, você que está nos acompanhando aqui agora também, pausa rápida aqui no Folha no Ar e a gente volta a seguir com essa importante conversa aqui.

e vou reforçar aquela pergunta, está faltando o que agora para começar? Você falou que já começou os estudos, mas a liberação de ordem de serviço já saiu?

para a execução do início desses estudos. No programa de hoje, com o jornalista, repórter de política do jornal Folha da Manhã, Everton Luna, estamos recebendo aqui o Francisco Caruso Júnior, que é geólogo PHD em Geologia Marinha e diretor executivo da Caruso Soluções Ambientais e Tecnológicas.

empresa que venceu a licitação para a formulação do EVTEA, não é isso mesmo? EVTEA Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental.

da Praia do Açú e de Atafona, Atafona e Açú, as duas. E também com o Eduardo Bulhões, geógrafo marinho, doutor em geologia e geofísica marinha.

e professor da UF Campus com a gente nesta bancada. O Everton, antes de você abrir o programa com esse bloco, com a pauta já pré-estabelecida aqui para dar um note na nossa conversa, que é também já revelada aqui pelo Caruso como um dos maiores desafios, o Rio Paraíba do Sul.

Eu vou abrir aqui esse bloco perguntando a você, meu caro Caruso, como executivo, CEO da empresa, vencedora dessa licitação, como é que está o processo de conclusão agora de prática? Vamos dizer, o rito...

desse processo. Qual o próximo passo agora? É sair a ordem de serviço para começar, então, de fato, a colocar na prática o que vocês, como você disse, já vêm preparando há um bom tempo? Sim, Nogueira e Everton e Eduardo. O resultado da licitação, que a gente ganhou a licitação, foi há pouco tempo atrás.

Então, o que nós temos hoje é o resultado que a comissão de licitação forneceu a todos, daqueles concorrentes que participaram da licitação. Então, nós teremos primeiro lugar, tanto na parte técnica como na parte financeira. Nós fomos a melhor nota técnica e o lance foi o menor lance ofertado para poder fazer esse trabalho.

Então, nós fomos decretados vencedores da licitação e agora está no trâmite burocrático junto à prefeitura para assinatura de contrato e a ordem de serviço. Então, é isso que nós temos essa expectativa, que pode até sair essa semana, isso é uma questão interna da prefeitura, mas nós da equipe estamos nos preparando. Já tivemos uma primeira reunião da equipe envolvida, foi semana passada.

Então, nós estamos já meio que delegando o que cada um vai fazer, a parte de estudos, a parte de compondo a equipe, vamos dizer assim, e saindo a ordem de serviço, então, nós colocamos em prática aquilo que nós planejamos e apresentamos para a prefeitura. Agora, entrando no assunto do segundo bloco,

A gente tem noticiado, a Folha noticiou já, sobre a questão da mudança da Foz do Paraíba para São Francisco de Tavapuana. Ela, historicamente, tendia a São João da Barra.

na Foz ali, que faz a ligação com a Atafona, mas nos últimos tempos ela tem transferido para a margem de São Francisco. Então, Caruso e Bulhões...

Como que essa mudança vai influenciar no estudo e como vai influenciar na vida das pessoas da região? Isso o Bulhões pode falar melhor por conta do histórico dele. Mas como isso também vai influenciar no estudo técnico? Boa pergunta, Everton. Se o Caruso me permite começar.

Eu gosto de fazer analogia, assim, não é... É uma analogia, né? Serve pra gente conseguir imaginar abstratamente a coisa. Se você pensar numa mangueira...

sem ninguém segurando a mangueira na sua ponta, ela fica solta. É mais ou menos isso que acontece com a foz de um rio que deságua numa planície. A depender do fluxo, há uma movimentação da posição da foz.

e aí o seu exutório, ou seja, o seu deságue principal, ele pode migrar. No Paraíba do Sul, essa migração da foz principal, digamos assim, ela já vem até do tempo geológico indo em direção à norte. Então, o rio vai...

Sobre a planície, ele vai construindo as barras de areia, vai construindo os terraços fluviais e há uma tendência dele ir em direção ao norte, em direção a São Francisco de Itabapuano. Localmente isso tem impactos que as pessoas conhecem melhor do que eu, que são os impactos sobretudo para a navegação daqueles pescadores que cotidianamente precisam sair para o mar. Quando a Foz estava...

em Atafuna, era um pouco mais fácil para a comunidade de pescadores locais sair e voltar, porque era mais perto. Agora eles têm que andar, digamos, um pedaço muito superior para sair ao norte da Fozinha, onde São Francisco estava apuando. Isso traz implicações técnicas, no sentido de...

estabilização. Então, se há uma ideia de estabilizar a posição da Foz para que o projeto de recuperação da praia tenha mais sucesso, digamos assim, haja menor perda, essa...

digamos, essa dinâmica da posição da FOES, ela precisa ser levada em consideração, os cenários de migração da FOES precisam ser considerados nessa modelagem, nesses estudos que a equipe vai produzir. Então, realmente, como eu estava colocando lá no início, para além do transporte de sedimentos, a posição da FOES e a forma como ela evolui, são talvez o principal desafio.

científico, para a gente conseguir, digamos, modelar. Então, não é...

Parece que fico fugindo um pouco da resposta, mas não é isso não, é que é dinâmico mesmo. Então, hoje a Foz está indo em direção a São Francisco da Bapuana, existe uma tendência histórica da migração da Foz do Paribra do Sul em direção ao norte, ou seja, no sentido de São Francisco da Bapuana, mas essa migração não é, digamos, necessariamente definitiva. Então, uma mudança no volume de deságua e do rio pode fazer com que a Foz é para afinar os movimentos. E aí

busque outros caminhos para chegar até o mar. Então, realmente é complexo. A gente agora, esse ano, está com uma perspectiva de aoninho. Se a gente tem aoninho, chove menos. Se chove menos, a Foz fica cada vez mais restrita. E o que a gente tem visto é que, com menor volume de água, mais a Foz vai em direção a São Francisco da Papuana.

Então, eu acho que é um cenário, esse cenário de migração de Foz, ele precisa estar integrado às análises. Eu diria que não é negativo, digamos assim, a migração da Foz em direção ao norte, sob o ponto de vista técnico, para a solução de Otafona, mas eu diria que é um desafio a ser considerado nesse detalhamento. Eu até, complementando a palavra do Eduardo, eu diria que é o maior desafio, né, Eduardo? É isso que eu...

A fixação da Foz do outro lado era um pouco mais tranquila, né Eduardo? Falando assim, a gente tem em mente que seja mais tranquila. Do outro lado, o que é o problema? E aí nós vamos ter que modelar diversas vezes. A modelagem matemática, computacional, à medida que você vai dando elementos, o input que a gente diz no sistema, ela vai trazendo resultados. E esses resultados é que a gente vai estudar para ver qual é a melhor morfologia,

fixação dessa estrutura física do lado de lá, do lado norte. O lado sul é um pouquinho mais tranquilo do que do lado norte. Mas esse é o maior desafio, sem dúvida nenhuma. Tem, inclusive, vamos dizer assim, influência até socioeconômica, eu diria. Tem comunidades que moram ali do outro lado. Tem que achar uma solução.

que todo mundo fique bem, a comunidade fique bem, o meio ambiente fique bem, e uma solução que seja quase que definitiva para que o Paraíba do Sul tenha um curso definido, vamos dizer assim, na sua voz. E eu sei que está falando assim que a gente tem exemplo de literatura, eu, Nogueira, Everton e amigos que estamos ouvindo.

Na literatura científica, nós temos diversos exemplos brasileiros e, inclusive, nos Estados Unidos. A fixação de uma barra é uma coisa normal na zona costeira. Ela traz diversos benefícios. O benefício principal é o fluxo da avapaça correr naquele caminho e você tem a entrada e saída de embarcações turísticas e de pescadores, enfim.

E aí você consegue fixar as zonas laterais e fazer o que a gente pretende fazer aqui. Uma vez fixada a barra, você pode fazer o processo de engordamento de praia. Então, a fixação de áreas de barras, essas barras, esses roncamentos que tem na cela de Foz de Rio.

É uma estrutura de engenharia costeira normal, mas ela tem que ser muito bem estudada e limitada para ver qual é o melhor modelo que se adapta a essa região. E até porque você tem que ver, se de um lado está fixado, ele vai trazer uma cresção, e se do outro lado pode trazer um problema de erosão. E aí, essa briga que os engenheiros costeiros, nós geólogos e geógrafos temos o tempo todo, né?

É um debate interno nosso, que a fixação de barra, de um lado, traz a cresção, do outro traz a erosão, e que de maneira minimiza esse fato. Mas, com certeza, a fixação de barra é uma obra que é muito bem-vinda, porque ela está de muito benefício.

Eu estou com uma pergunta aqui para fazer, mas é aquela pergunta de leigo. E aí, sabe como é que é a pergunta de leigo? De repente o cara dá uma canelada. E aí Deus manda as coisas certinho para evitar que o cara passe vergonha. Mas eu ainda vou insistir com a minha pergunta. Mas primeiro eu quero trazer o comentário aqui no Face, feito pelo nosso querido professor Almin Júnior, professor da UEMF.

cara extraordinário, ex-reitor também daquela universidade, eu não sei se você conhece já, Caruso, o professor Almir, o Bulhões conhece certamente, e ele inclusive faz um comentário aqui sobre o Bulhões, e tem perguntas aqui para vocês, e depois eu dou a minha canelada lá na frente.

que representa um pouco também essa pergunta mais leiga, representa talvez, eu já querendo me safar aqui, uma parte das pessoas que não entende de fato o que é, como que é essa contenção que você fala, essa coisa de...

controlar ali a Foz do Rio. O Almir diz aqui, bom dia, a presença de bolhões no time é a presença efetiva da academia da região na busca pela solução.

Ótimo, concordo com ele, se é que vale alguma coisa, mas perfeito. E a gente falava isso aqui, né, o Caruso, mais cedo. E, aliás, você foi professor acadêmico também. O Almi diz aqui, uma pergunta ao Bulhões. O estudo sobre a tafona é separado ou diferente sobre o que acontece no Açú?

E tem um outro detalhe também já, que aí não está nesse processo, é outra parte, é outro município, Barra do Furado até Farol de Santo Amé, ele coloca tudo junto aqui, o Bulhões, para você, e aí eu acho que o Caruso fica à vontade para você emitir sua opinião também, não sei se você conhece essa outra região que é Barra do Furado, que é Farol de Santo Amé, onde já tem esse avanço também. Bulhões, por favor.

Vamos lá, mandar um abraço aí para o Almir, grande figura, também ex-reitor da UEMF, professor acadêmico, hoje secretário de Agricultura e Pesca do município de Campos, que é o maior município da região e também uma figura bastante preocupada com...

com a questão do avanço do mar no município de Campos, que é aí vizinho. Eu acho que o que o Almey traz é um pouco o que eu já tinha alertado ao Caruso, que existe uma preocupação que é regional com o problema da erosão costeira. A gente tem erosão costeira em São João da Barra, tem erosão costeira em...

Tem erosão costeira em Kissamã, tem erosão costeira em Macaé. A gente tem problemas de erosão em todo esse litoral. E os gestores e a população que sofre diretamente esses impactos, eles estão, na verdade, atentos. Então, eu acho que a questão de Atafona e do Açú...

elas vão, digamos, abrir alguns caminhos, viu Caruso, para que outros municípios também busquem soluções para proteção costeira e para devolver a praia e a tranquilidade a quem usufrui dela. Então, eu acho que a pergunta dele vai nesse sentido. Sobre o estudo, é o seguinte, a Tafona e a Su são dois problemas distintos, pois tem...

causas distintas e consequências também distintas e para cada um vai precisar de uma proposta ou de algumas propostas de soluções distintas. Então, a licitação, eu acho que o Caruso pode falar, vencedora, ela pressupõe, digamos, a proposição e a comparação técnica entre soluções para as duas localidades.

E a questão da Barra do Furado, que é aqui no município de Campos, eu não sei se o Caruso conhece, mas também nesse mesmo contexto de um intenso transporte de areias ao longo do litoral, na década de 80 foram colocados dois espigões para fixar a desembocadora da Lagoa Feia, que é a maior lagoa que a gente tem aqui no Rio de Janeiro.

E esses dois espigões que a gente chama de guia corrente, que foram utilizados lá, eles promoveram aquele efeito clássico de acumulação de areia. De um lado aqui...

caso acumulação de areias ao sul, no município de Kissamã, e um longo trecho de recuo da linha de costa em Campos, ao norte da estrutura. Menos pior ali em Campos, porque não existe muita urbanização lá. Mas eu também já alertei lá ao MIE e o grupo da Prefeitura de Campos de que há uma tendência de aumento de urbanização justamente na área onde há erosão.

Então existe uma questão de planejamento urbano associado com a proteção costeira. Então, na verdade, eu acho que a pergunta vai nesse sentido. Quais são os impactos negativos vistos lá prejudicaram o município de Campos?

trecho longo, pelo recuo da linha de costa depois da execução de obras. Então, acho que é mais ou menos isso. E aí, a proposição de solução também precisaria, o Almeida sabe bem, eu já comentei isso lá na prefeitura, precisaria passar pelo mesmo rito, um estudo de viabilidade que mostre quais são as alternativas para a solução.

antes de ficar apostando em soluções paliativas. Então, mais ou menos por aí. Quer falar um pouquinho sobre a Tafone e a Sul, Caruso, no término da licitação? Não, eu acho que, assim, o meu entendimento nessa região, eu trabalho, quando eu passei para, vamos dizer assim, o professor universitário, geralmente, ele se dedica muito para a região onde ele dá aula, onde ele faz pesquisa, então,

O problema é certamente a pessoa certa. Eu, apesar de ser carioca, estou aqui em Santa Catarina há mais de 40 anos. Eu conheço bem a dinâmica costeira do litoral catarinense. Trabalhei recentemente em outros locais. Trabalhei lá em Maceió, trabalhei lá em Ponta Negra. Então, eu tenho pego essa experiência.

Mas o que a gente faz muito, e eu também fui professor universitário do curso de sinografia aqui em Santa Catarina, é estudar literatura a respeito da questão. Então, por exemplo, é até interessante falar. A associação do pessoal dos Estados Unidos que se dedica à restauração de praias está fazendo 100 anos. Agora é 100 anos. Tem um concurso bem interessante.

que todos aqueles que são associados, eu também sou associado, que indiquem qual foi a melhor recuperação de praia. Então está tendo uma disputa super interessante, eu tenho acompanhado. Pena que quem não é dos Estados Unidos não pode participar. Se não, nós é um participante. Eu ia falar de outros locais aqui, de Balneário e Pissar, que nós acabamos de entregar agora, em 75 dias, com um trabalho espetacular, um município que estava com um problema seríssimo de ilusão posteira.

E é um município Bandeira Azul, ainda por cima, que tem todas as qualidades para ser Bandeira Azul. Estava sem praia, estava com uma praia muito estreita e agora foi acrescido, no caso de Baraneta Pissar, 30 metros, que devolveu o dinamismo da cidade e aí recuperou a autoestima, recuperou economicamente o PIR municipal, enfim.

Mas eu falava dessa associação dos Estados Unidos, que está completando 100 anos agora, nesse ano, nesse mês. E está tendo um concurso, então, entre os associados, o pessoal lá local, que indica que a minha praia foi a melhor recuperação. Ah, não, eu acho que é a minha. Então, é uma coisa legal de você ver isso. Quem sabe daqui a nós, daqui a alguns anos, também...

teremos um concurso para ver qual foi a melhor restauração de praias ao longo do litoral brasileiro. Então, nós estamos bem no começo agora, temos a Copacabana, que é o nosso modelo mais antigo, que foi feito pelos portugueses, a escola de engenharia portuguesa é muito boa em restauração de praias.

foi pego muita areia, eu era mocinho, eu pegava o surfar na praia do Lênio, eu sou originário do Lênio, e a draga pegava areia ali nas cagarras, que são aquelas ilhas que tem em frente, areia da praia do Patacão, em Padre Milleblom, e toda vez que a draga trazia areia, a armada de cagarras, a angulação que...

Foi um ano que eu quase perdi o meu ano letivo, de tanta onda que a gente pegou ali na parte do Macabando do N. Então, essa é uma história muito bonita de restauração de praias. É isso que eu quero falar para vocês. Nós estamos no meio de uma história muito bonita e nós temos um aprendizado muito legal, muito bom, mas nós temos uma literatura da qual a gente está aprendendo muito, que é a literatura na Europa e nos Estados Unidos. E esse pessoal está muito mais avançado em restauração de praias, porque...

Eles têm um problema lá que nós não temos aqui, que são os furacões. Cada furacão que passa ali na costa no oeste, ou passa ali mesmo em Miami, na costa leste, tanto na costa leste como oeste dos Estados Unidos, ele faz uma devastação imensa na praia. Ele leva boa parte dos sedimentos, e uma parte dos sedimentos, eles ficam na área de arregatação e depois voltam para a praia, mas muitas vezes esse sedimento é perdido.

Então, eles têm que fazer o processo de engordamento de praia exatamente como a gente está propondo aqui. Tem que vir uma draga, tem que ir numa jazida, buscar areia e depois botar essa areia na praia e recuperar essa praia.

Então, esse processo de engenharia costeira, estou citando aqui os Estados Unidos, ele é um processo, assim, normal. Hoje em dia tem locais que passou o furacão, levou à praia, a prefeitura pede licença ao órgão federal para utilizar uma jazida tal, o governo federal autoriza, ele contrata a Draga, a Draga vai lá, pega a areia, põe na praia, em alguns meses a praia está restaurada, e vida que segue. Entendeu?

Esse aprendizado é que a gente se baseia e que está trazendo essa leitura aqui para o Brasil que a gente espera que, no futuro, os projetos de restauração da área costeira passem sendo normais. Que a Prefeitura possa submeter um trabalho, um licenciamento mais rápido, o ER é um licenciamento mais demorado. Que a Prefeitura possa submeter...

um projeto, que faça a licitação e que apresse a ser restaurada em menor tempo do que é hoje. Hoje, como é tudo muito novo, todos nós estamos assim, tem que fazer DTA, depois tem o licenciamento, depois tem a licitação. Essa brincadeira, essa brincadeira é um termo, esse processo, três anos.

para quem mora aí na região de Atafone, a Sul, fala, porra, mais três anos para a gente ter a nossa praia aqui, do jeito que era. Para quem já está 70, né? É, o que o Bolonjo falou, para quem está 30 anos esperando, daqui a pouco, três anos é pouco, né? Mas no futuro, tenho certeza que vai ser um processo bem mais ágil. Eu entendi o que você falou, é tipo pavimentação de rua.

Vai ser uma coisa meio que normal assim. A alta de costeira vai ser muito mais rápida do que é hoje, vamos dizer assim. Perfeito. E assim, claro e evidente que eu entendi perfeitamente o que você falou, que é uma história muito bonita de recuperação e de vida, aquela coisa toda aí, lembrando o Leme e Copacabana.

Infelizmente a nossa história aqui ainda está triste, e muito, né? São sei lá quantos quarteirões, dizem aí, dez quarteirões perdidos por conta do avanço do mar. A gente espera muito, Caruso, que vocês encontrem aí essa solução. E mais assim do que isso...

para outros municípios também. Eu desconheço parte de onde eu consigo lembrar aqui, ou eu já tenha passado, ou que eu tenha visto, alguma parte do litoral brasileiro que não tenha hoje, um estado que não tenha um problema com o avanço do mar. Eu conheci Olinda na década de 90, e eu fiquei espantado porque Olinda tem tipo um muro de arrimo, um muro alto.

de contenção do mar, não sei nem se aquilo está funcionando ainda, e você chega assim, pela uma espécie de espigãozinho pequeno, uma entradazinha, vai lá, olha o mar lá embaixo, é um negócio impressionante, e atrás de você, aquela parte central de Olinda, é o morro.

Aqui em Vitória, por exemplo, no Espírito Santo, ali no Jardim Camburi, você tem vários espigões ao longo da praia, inclusive um virou ponto turístico, à noite o pessoal pesca muito, muito, muito naqueles espigões, acho que é espigão que pode dar o nome daquilo, enfim.

Mas o que eu quero trazer aqui para vocês analisarem aí é a questão... Ah, deixa eu trazer outra pergunta do Almir, por favor. Só para fechar aqui. Como a redução do volume hídrico do Paraíba do Sul, principalmente entre maio e outubro, com os desvios do volume de água para atender São Paulo e a região metropolitana do Rio de Janeiro, podem contribuir com os danos provocados? E...

Com isso, pode piorar ao longo dos próximos anos com os possíveis e ditos novos desvios de água já em estudo. Inclusive, aqui neste programa, nós fizemos uma série...

de entrevistas no ano passado com várias autoridades, com várias pessoas, inclusive com o INEA, que garantiu que não tem nenhum pedido hoje, ou pelo menos naquela época, protocolado para novo desvio. Mas não garantiu que não tenha estudo, estudo pode ser feito. Eu começo com você, Bolhões, nessa pergunta do Almir novamente.

Isso é uma coisa que a gente já está mais ou menos em concordância, pelo menos os especialistas já são bastante enfáticos nesse aspecto. Acho que talvez a melhor pessoa para falar sobre o volume de águas no Paribas do Sul aqui na região seja o meu amigo João Siqueira, lá do Comitê de Passeia Hidrográfica do Baixo Paribas do Sul, Italapuano.

Mas na prática é o seguinte, a redução, o Rio Paraíba do Sul, a bacia do Rio Paraíba do Sul, ela abriga algo em torno de 180 municípios, no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. A gente está falando de Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, mas a gente está falando do sudeste do Brasil, que é a região ainda mais industrializada do país. Então a água do Paraíba do Sul, ela abastece.

alguns milhares de propriedades rurais, algumas milhares de indústrias e grandes e médias cidades, incluindo a metrópole do Rio de Janeiro e uma parte da água também vai para São Paulo. Então, esses números são para dizer o seguinte, a demanda pelo uso da água do Rio Paribas do Sul é enorme.

E eu não vejo essa demanda, digamos, diminuindo da noite para o dia. Ela vai continuar uma demanda elevada para uso dos recursos hídricos, que a gente sabe são tão importantes para a agricultura, indústria e abastecimento urbano. Bom, no final das contas, todo o uso dessa água gera um impacto terminal, justamente na bacia hidrográfica, que vai ser visto, observado na foixa. Ou seja...

O volume de água que chega na Foz é hoje mínimo, sobretudo nesses meses de outono e inverno, que o meu amigo Almir comentou, maio e outubro, que é a época, digamos, de estiagem, a época de seca.

Não é seca, de fato, mas é uma redução na vazão, devido à redução nas chuvas, mas também devido ao uso que é feito dessa água da bacia hidrográfica. Ocorre que, na prática, Caruso, quando o rio não consegue empurrar a água para o mar, ele também não consegue empurrar sedimentos. Então, o estuário do Paréba do Sul é bastante assoreado, entulhado de materiais que deveriam estar hoje na praia.

E para além disso, relacionado diretamente à dinâmica costeira, a gente tem um modelo já consagrado desde a década de 80 do mole hidráulico, que é o seguinte, se o rio tem força para empurrar água para o mar, a área de atafona tende a crescer, porque as areias que estão sendo transportadas ficam barradas justamente pelo fluxo fluvial. É como se o rio produzisse um espigão para reter os sedimentos natural. Obrigado.

Com o rio com uma baixa vazão, e isso já está sendo observado há décadas, a redução dessas vazões, esse mole hidráulico deixa de acontecer, o plantal de Atafona cresce e a praia continuamente fica perdendo as suas areias. Então, esses impactos já estão bastante descritos na literatura.

Eu acho que o Almir conhece bem isso, eu acho que é uma pergunta até para puxar o assunto, que é bastante importante, mas realmente o uso dos recursos super importantes, que são os recursos hídricos, ele tem algumas consequências que precisam estar bem descritas.

para que São João da Barra, eventualmente, há quem advogue que o município deveria receber uma compensação por esse, digamos, prejuízo de receber, digamos, os impactos diretos desse uso excessivo das águas.

Então, mais ou menos por aí, de fato, a época de estiagem traz impactos adicionais. Eu fiz um cálculo que a gente viu que há uma correlação direta entre a redução da vazão média ao longo do ano e o aumento da velocidade da erosão em atafona. Então, eu acho que isso faz parte, digamos, do problema erosivo.

Mulhões, essa questão da diminuição da vazão também é um dos motivos da mudança da foz? Sim, como a gente tinha comentado, né Everton? O rio, a água sempre vai buscar o caminho mais baixo, e isso também está relacionado ao volume de água que existe. Quando o volume de água está muito baixo, essa água vai lentamente procurando...

uma parte mais baixa para chegar até o mar e hoje essa parte mais baixa para chegar até o mar está sendo direcionada para o lado de São Francisco. Então, digamos assim, existe uma correlação direta entre o volume de água e a mudança nos padrões da Foz. Eu sei que é difícil precisar, até porque vocês são técnicos e não tem chute, tem estudo.

Por uma possibilidade do Rio Paraíba se restabelecer em volume de água, é possível que a Foz retorne para a margem de São João da Barra?

É possível, a gente consegue ver isso, Everton, no período de cheia, quando a gente tem uma cheia histórica do sul, a gente vai ver que o rio vai fluir por todos os caminhos para chegar até o mar, incluindo a parte de Atafona ali. Então, é isso, o rio funciona oscilando. Então, no verão tem mais água, no inverno tem menos, no verão tem mais água, só que tem anos que...

sobretudo aqui para nós no Sudeste, em anos onde a gente tem um laninha, que você tem um maior volume de chuva e o rio tende a ter as cheias históricas. As cheias históricas trazem transtornos, não estou dizendo que elas são boas não, trazem transtornos para campos, podem quebrar alguns diques, como a gente viu, mas nesses períodos de cheia histórica a gente vê que a Foz volta a se estabelecer junto à Atafona.

Então, o problema é que a gente não consegue precisar nem quando a próxima cheia histórica vai acontecer, a gente não consegue ter certeza disso. E o cenário de que o Rio se estabeleça como ele era no passado, sei lá, antes da década de 80, antes da primeira grande transposição que...

sistema de transposição que é feito para a metrópole fluminense, eu já acho um cenário mais irreal. Eu não acho que a gente vai conseguir retornar o Paraíba em termos de volume de água que ele era antes de todos esses usos intensos de suas águas. Mas antes de cheia histórica, de fato, a gente tem essa dimensão de que a Foz do Rio se amplia para todas as saídas possíveis.

Sobre esse assunto ainda, a última pergunta é, o que o poder público dos municípios do norte, noroeste, mais do norte, Campos, São João da Barra e São Francisco, podem fazer para poder facilitar o aumento dessa vazão, desse volume de água?

Eu acho que realmente esse é um debate que talvez eu não seja a melhor pessoa. Então vou tentar responder de uma forma de quem não atua diretamente com isso. Mas eu acho que...

Regularização das vazões e o controle das vazões, ele é possível, sob o ponto de vista da engenharia hidráulica. Existe aí, o João Siqueira realmente tem propostas sobre isso, para que isso seja regularizado. Os municípios da região, eles têm que, digamos, politicamente, ocupar os seus assentos nesses comitês de bacias hidrográficas e acompanhar e cobrar, digamos, um...

uma melhor regularização desses fluxos, digamos assim. Eu acho que, na verdade, tem que participar dos fóruns onde essas decisões são tomadas. Se já não participam, é necessário que participem e consigam, digamos, tecnicamente defender medidas que visem reduzir os impactos negativos em seus territórios.

Gente, eu também tenho aquela questão da pergunta que eu ia trazer aqui mais cedo, e daquele comparativo, e é justamente sobre... Caruso, você usou um termo mais cedo que é de contenção, é de controle...

do local exato da Foz. Você usou um termo mais cedo aqui, eu acabei... Identificação. De? Fixação. Fixação da Foz. Na minha cabeça passa o quê? Dois muros, um de um lado e um do outro. É isso que eu ia falar para você na minha leguice. Como é que é esse projeto de... Pelo que eu entendi...

Vocês vão primeiro tentar, não sei se é essa a ordem, é o que eu entendi. Primeiro vão tentar fazer esse projeto de fixação da Foz do Rio Paraíba para então fazer o projeto, ou fazer tudo junto, mas a contenção, a fixação da Foz do Paraíba vai ser feita. E como que é feita essa fixação? Literalmente, um muro de cada lado, como é que seria isso?

Sim. Então, assim, é um desafio de engenharia, vamos dizer assim. O que a gente vê nos locais similares aqui, a Tafona, é a fixação da barra. Então, você fixa a barra através do mole, ou arrancamento, ou enfim, guia corrente, como se chama. E a partir do momento que você tem essa fixação da barra, você começa a trabalhar na área costeira. Na engorda da praia.

Se o outro lado está com erosão, você tem que fazer algum elemento também para ajudar a outra área que está guardando em erosão e tudo. Então, isso é a rotina de trabalho da engenharia costeira. Então, eu estou conhecendo a Datafono agora, vocês conhecem muito melhor do que eu. Então, na nossa mente, em termos de estudo...

a gente entende que ao fixar a barra, ao trazer algumas estruturas na saída da barra do rio, na dinâmica da barra do rio, você melhora o fluxo fluvial, você tem uma saída, entrada de embarcações turísticas, pescadores, enfim, toda uma dinâmica econômica em volta dessa fixação da barra.

E a partir daí você então passa a recuperar a praia. Porque recuperar a praia para nós, vamos dizer assim, não é um problema maior, ainda mais aí. Historicamente um delta, ele traz muito sedimento. Então tem muito sedimento arenoso na plataforma continental adjacente à área costeira. Então o problema de encontrar uma jazida que alimente a praia, que a gente faça a engorda da praia ali na região,

Isso aí não é a nossa questão principal, porque a gente, de uma maneira ou outra, a gente vai resolver isso. O problema maior é essa engenharia costeira e de fixação da saída do Rio para o Rio Grande do Sul. E eu acho que precisa ser muito estudado, vamos lá, estudar vazão fluvial, estudar corrente fluvial e corrente costeira, estudar a dinâmica das marés, fluxo de marés,

estudar diversos aspectos climáticos, de chuva, enfim. Então, quando você faz uma modelagem computacional, você tem que entrar com uma série de dados, e aí o que a modelagem faz? É um IA da vida, né? Você entra com uma série de dados e ele vai te dando respostas.

ter uma resposta assim, que tem benefícios ou traz alguns problemas negativos. Tem uma outra posição que tem isso, que traz isso e negativo. Então, essa modelagem vai te dar, vou chutar aqui, cinco, meia dúzia de respostas de modelos de fixação de barra ou de modelos estruturais na saída do Rio Paraná do Sul.

E aí você tem que escolher qual é o melhor modelo. E aí, a partir do momento que você tem o melhor modelo, você começa a trabalhar os impactos, positivos e negativos. Os positivos são sempre muito bem-vindos, é tranquilo. E os impactos negativos, como é que você trabalha? Como é que dá para minimizar o impacto negativo?

Às vezes, ele pode ser minimizado por processos preventivos, mas pode ser também trabalhado no modelo de compensação, compensatórios. Então, essas são as etapas do trabalho. Primeiro momento, fazer um amplo estudo ambiental da área. Pegar dados secundários que a universidade, através de professores e dissertações de mestrado e tese de doutorado. Tem muito trabalho acadêmico nessa região.

você juntar todo um banco de dados secundários, você adquirir dados primários, que a nossa equipe vai ter que ir a campo, trazer uma série de estudos, levantar uma série de estudos no meio físico, no meio biótico e no meio socioeconômico, são os três meses que a gente estuda, e alimentar esse modelo hidrodinâmico, que possivelmente a gente vai rodar modelos através de profissionais aqui no Brasil,

E a gente está pensando em rodar esse modelo também lá fora, na Europa. A escola holandesa é uma escola muito avançada de modelagem, assim como a belga. São os melhores profissionais na área de modelagem computacional. Estão na Holanda, estão na Bélgica também, estão na Europa. Portugal também tem bons profissionais. Então, a gente vai validar as nossas ideias, possivelmente, em laboratórios na Europa.

E a partir disso, a gente vai estudar o melhor, esse é o melhor modelo de fixação da barreira. Então, vamos estudar os impactos positivos e negativos desse modelo. Esse é o nosso grande desafio. E juntamente com isso, paralelamente com isso, ou posteriormente a isso, a gente tem o problema da engorda de pré, que está nóis não é o problema, que a gente sabe que a região tem muita areia, tem muita jazida de areia.

Tanto é que você vê que ali no açu, o açoreamento é muito grande. Ele tem uma draga que trabalha o mundo inteiro lá.

eu vejo na literatura que tem uma média de 2 milhões de metros cúbicos que são retirados de areia ali da barra do porto do Iaçu para poder facilitar a navegação naquela região. Você vê o acúmulo de sedimento que tem nessa região, que isso é uma coisa ruim para o porto.

Ela tem um contrato de desastoreamento com o draguista, como a gente diz assim, permanente retirando o sedimento. Por outro lado, tem a vantagem de ter sedimento na região. Que esse poderia ser um problema que é nos Estados Unidos, na Europa. Por exemplo, tem locais nos Estados Unidos.

que para fazer engorda da praia, o draguista, a draga, ela caminha horas, eu diria até dias, às vezes, para buscar uma draga, para encher a draga de areia, para trazer a areia até onde está tendo problema de erosão. Que esse não é um problema nosso. Por exemplo, aqui, o nosso último engorda de praia que a gente fez, a jazida estava a 10 quilômetros da costa. Isso dava uma viagem de uma hora e meia.

mais uma hora e meia para encher lá a praia da draga, e uma hora e meia para voltar. Isso dá um ciclo de três horas que você está trazendo, alimentando a praia. Isso fez que a jazida de 500 mil metros cúbicos de engorda de praia fosse feita em 75 dias. Então, a região não tem esse problema de matéria-prima. A matéria-prima está aí. A região tem que resolver o problema.

da estrutura, da estrutura que vai ter que ter na saída do Rio para o Rio Grande do Sul, para amenizar as famílias de enchente, de erosão, tal, tal. Então, esse é o grande tipo de engenharia costeira.

Se me permitem, posso tentar mostrar aqui a vocês? Eu achei, consegui uma imagem aqui. Mas se não der para ver, me fala, porque a gente pula o assunto. Estou mostrando aqui do meu celular mesmo uma foto da Foz do Rio. Deixa eu ver se está legal. Conseguem ver?

Está vendo aí o marrom, naturalmente é o rio, tem a ponte, isso aqui é Barra de Itapemirim, agora virou Barra de Marataís, essa ponte aí, adiante você vai para Itaipá, Vitaoca, Piuma, chega agora a Pari, pela Rodovia do Sol, e aí vocês estão vendo um espigão que vai até lá dentro do mar? Seria isso uma solução?

Essa é uma estrutura, se me permite, Caruso, que a gente chama de mole. É uma estrutura que foi feita para... Uma estrutura mais robusta que é o espigão, que é feita para regularizar a vazão da Foz do Rio.

O modelo teórico é assim, mas na prática a teoria é outra, digamos assim, porque os rios são diferentes, de fato eles têm invasões diferentes, eles têm particularidades que os diferenciam. O que o Caruso está...

querendo dizer, é que na verdade a gente precisa avaliar, não é uma estrutura, vamos fazer assim, vamos fazer um L de pedra. Não é uma receita de bolo. Não, não é uma receita de bolo, porque na verdade é o seguinte, é muita responsabilidade.

que eu acho que é isso, e o Caruso, a gente já tinha conversado, esse tipo de trabalho é um trabalho de muita responsabilidade, por isso que a equipe tem que ser muito boa e a gente precisa realmente de modelos e bastante certeza sobre o que está propondo e fazendo, porque uma estrutura dessa mal feita é dinheiro público, uma estrutura dessa mal feita pode gerar problema de erosão e afetar uma comunidade que está ao lado.

Uma estrutura dessa, se ela não tiver, digamos, a distância suficiente mar adentro e a distância suficiente rio adentro, ela pode expor determinados três segmentos a uma erosão mais localizada. Então, de fato, precisa de uma concepção muito boa. Você tem uma ideia, Nogueira? Se você olhar algumas imagens de satélites antigas, eu acho que tem uma de 2011 no Google Earth que mostra. Existe uma ideia de tipo um espigão junto ali à tafona.

que ele, na verdade, foi feito para tentar regularizar a vazão da flor, só que ele é uma estrutura muito pequena, muito frágil, subdimensionada, que está lá. Hoje você tem fragmentos dela, o pessoal vai tirando as pedras para poder passar com as embarcações, mas tem lá uma estrutura como essa.

que não funcionou, não foi pensada adequadamente. Então, a ideia, eu acho que qualquer intervenção, ela precisa realmente considerar todos os cenários para que ela seja feita com segurança e não crie novos problemas. Então, aqui já são 8h57, meu caro Caruso, Bulhões, você que está nos acompanhando, tem uma pergunta no Face do Marcos Freire.

Ele diz aqui, nesse um ano e meio de prazo de estudo, vocês falaram mais cedo, não teria nenhuma medida emergencial que poderia ser tomada para mitigar a destruição esperada nesse período? Em torno de 5 metros ao ano? Começo com você, Bolhões.

Eu não tenho certeza se eu conheço o Marcos Freire, talvez eu conheça. Não estou ligando o nome da pessoa, mas também não é estranho.

Tá. Então, existe uma expectativa emergencial, né? Considerando que você tem um prazo para o estudo de viabilidade, depois um prazo para os estudos ambientais, depois um prazo para a licitação. O Caruso falou aí três anos de forma otimista, né? E aí, se a gente pode pegar um cenário pessimista, mais do que isso, né?

há quem diga que não há tempo hábil para determinados trechos da costa. Medidas emergenciais são, às vezes, a solução. Então, a gente tem em vários lugares no Brasil, depois de um evento de tempestade ou depois de um impacto negativo mais forte, a adoção de medidas emergenciais.

O ruim é que, no geral, essas medidas são adotadas sem critério e, no fundo, elas têm pouco resultado efetivo. Então, eu acho que até mesmo para medidas emergenciais, não é qualquer decisão que pode ser tomada. Eu, particularmente, já fui perguntado sobre isso e, para mim, a única... e eu já dei essa...

apontei esse caminho várias vezes e eles já foram adotados, sobretudo em ataforma. A única medida emergencial que eu vejo é mobilizar a areia. Então você pega um lugar que está sem areia e você empurra a areia para que ela haja como uma estrutura emergencial, digamos assim, de contenção do avanço do mar em determinadas épocas do ano.

A minha visão sobre esse problema é mobilizar material da própria praia para recompor a praia. Às vezes, o pessoal não vai jogar pedra porque tem uma casa que está protegida por blocos de pedra em atafona.

segurou a casa, mas a rua do lado foi embora, do outro lado foi embora, daqui a pouco aquela casa pode virar uma ilha. Então, eu acho que medida emergencial pode ser adotada, mas na minha visão, ela passa basicamente por mobilização de areia. Eu posso, se o tempo permite, eu vou complementar o que o Eduardo falou.

eu vejo com muita cautela essas ações emergenciais, mas eu vejo que são necessárias em algum momento. Só que o ideal é que a medida emergencial, pelo menos, tenha um estudo técnico. Então, deixa eu colocar uma situação aqui. Em situações de emergência, o município não precisa licenciar a obra. Isso é uma coisa que muita gente não sabe.

Então, por exemplo, a gente fez a EVTEA, deu tudo certo, deu tal, passou uma alternativa, tal, tal, e a prefeitura, de repente, decreta emergência no município. Decreto de emergência, com a gente diz assim. Então, em decreto de emergência, uma vez justificado pela defesa civil, tal, tal, tem todo um rito burocrático, isso aí não passa por um processo de licenciamento ambiental. Mas é uma coisa simples.

É uma coisa assim, para começar o decreto de emergência são só seis meses. Então permite a ele, por exemplo, como o Eduardo falou, fazer uma engorda de praia, botar areia aqui, tirar ali, proteger uma casa, fazer uma coisa pontual. Eu acho que esse que é o termo, Eduardo. Então, pontualmente, um decreto de emergência, ele permite uma intervenção do município. Agora, no caso aí do estudo...

ele tem todo o rito dele tem o rito do estudo tem o rito do processo de licenciamento e tem o rito da licitação para poder fazer a obra em si então respondendo a pergunta Marcos Freire pontualmente sim pontualmente a prefeitura pode decretar um decreto de emergência em determinada região do município e fazer intervenção

desde que, como o Belto falou assim, desde que fizemos uma coisa mais simplificada, nunca colocar pedra, porque colocou pedra, o problema é que ele só aumenta em vez de diminuir.

Gente, nove horas e dois minutos, a gente precisa encerrar o programa, e eu espero muito assim, primeiro em Deus, depois em vocês, na nossa gloriosa sempre ciência, acredito muito, de que vocês encontrem mais rápido, porque a gente fica vendo, e é aquilo que eu repito.

Quando você é leigo, dá essa condição de você, poxa, mas é tão complicado. Na Holanda, os caras fizeram uma engenharia fabulosa, fantástica. Não sei como é que está hoje, a última vez que vi, é uma espécie de uma barreira que fica como se fosse um portão de casa desse de garagem automático, deitado.

Do nada, o mar começou a subir, eles levantam aquela barreira de dentro do mar. Como que aquilo não enferruja? Como que aquilo não para? Como que aquilo não trava? Como que a marizinha não... É muito interessante. Muito interessante de ver. E aí tento imaginar, poxa, se os caras conseguem fazer isso lá, por que a gente não consegue fazer aqui? Então...

Espero muito que vocês consigam e em breve vocês possam estar aqui de novo nessa bancada. Ó Nogueira, está feito o Everton e nossa equipe toda aqui também. A decisão é essa, vamos partir para cima e vamos conter essa erosão marítima no farol de Santo Tomé, em Atafona e no Açu, nesse projeto que vocês conseguiram vencer a licitação.

Espero que seja rápido e que a gente possa estar reunidos aqui de novo nessa bancada para conversar sobre isso. Te agradecer, meu caro Eduardo Bulhões, você que fez essa ponte que a gente falou, Francisco, sensacional, atendeu a gente desde o começo, com maior paciência.

Então eu começo agora ao contrário, agradecendo do que comecei no início do programa. Começo por você, Eduardo, te agradecendo por hoje e desejando boa sorte aí para que a gente consiga o mais rápido possível todos esses trâmites, ritos de processo e tudo mais e tudo seja resolvido o mais rápido possível. Obrigado por hoje, Eduardo Bulhões.

Obrigado Nogueira, Everton, equipe, agradecer ao Caruso também por participar desse bate-papo, para nós, e aí falando em nome da universidade, é sempre importante estar aqui publicamente mostrando o nosso trabalho, publicamente mostrando o nosso valor e mostrando que de fato boa parte das soluções que a gente busca hoje já tem resposta.

Outras que não têm resposta, a gente pode, com criatividade, trabalho duro e rigor técnico, buscar. Eu gosto muito de falar do papel da universidade, porque às vezes a universidade é meio mal vista entre a comunidade e, no fundo, na verdade, o conhecimento está sendo gerado aqui. O Caruso veio da universidade.

A empresa dele patrocina eventos na Faculdade de Oceanografia lá em Santa Catarina. Ou seja, a equipe dele é toda de jovens bem informados em diversas áreas do conhecimento. Por isso que é uma equipe que eu acredito muito. Descobri que tem lá uma ex-estudante de doutorado aqui na UF, trabalhando diretamente com ele, vai estar atuando nesse projeto. Então, a busca por soluções passa por um conhecimento.

e o conhecimento é basicamente produzido hoje dentro das universidades. As empresas operacionalizam isso com criatividade e inteligência.

investimento em tecnologia, mas o conhecimento básico, ele está dentro das universidades. Então, também ter um espaço daqui para a gente divulgar o nosso conhecimento e as nossas possibilidades de cooperar com esses assuntos complexos da sociedade é realmente sempre muito importante. Estou sempre à disposição da Folha 98.

Obrigado amigo, meu caro Francisco Caruso Júnior, obrigado por hoje, prazer te conhecer, desde que a gente começou a fazer o contato eu percebi muito o seu entusiasmo, a sua empolgação, a sua expertise naturalmente também.

que deixa você bem tranquilo para tratar desse assunto, que para nós aqui, talvez diferentemente de outros lugares, é um assunto bem tenso, e chega a ser, como você percebeu aqui em alguns comentários, mais polêmico, porque as pessoas já perderam a esperança da coisa ser resolvida.

Então, sobretudo, espero que vocês tenham a sorte aí e encontrem uma solução que seja melhor para a nossa região. Obrigado por hoje, Caruso. Eu que agradeço, foi um prazer estar com vocês, é um bate-papo muito agradável. E a gente ressalta aí o que o Eduardo falou, nós estamos com uma equipe técnica muito boa e estamos abertos também, no fato de ter uma equipe técnica, não quer dizer que possam agregar outros profissionais, se alguém oriundo das universidades, enfim, né.

e esse trabalho vai estar sempre aberto a diálogo, em alguns momentos a gente vai apresentar isso em algum encontro, workshop, audiência pública, vai ouvir todos os interessados, todos os atores da universidade ou não, mas a gente tem uma equipe técnica muito forte para enfrentar esse desafio, e nós vamos conseguir, vamos trazer uma solução que o pessoal da região vai ter o prazer de ter novamente o ambiente que tinha o ambiente que tinha,

seus avós, os seus pais e principalmente por criar seus filhos no futuro. Legal, muito bom. Meu caro Everton, obrigado por hoje. Fique à vontade também para despedir dos nossos convidados, por favor.

Eu agradeço, foi um bate-papo muito legal, muito esclarecedor sobre a situação de Atafona, do Rio Paraíba. Então, eu agradeço muito aos professores, Bulhões, Caruso. Sempre é bom bater papo com gente que sabe o que diz.

tecnicamente, e pensa muito no lado humano, que para além de ser um corpo hídrico, aquele espaço ali, conta histórias, conta histórias dos antepassados, conta em suas casas, tem seu lazer, seu divertimento.

Então, assim, é muito importante a gente ter profissionais como vocês, o Bulhões, que é da nossa cidade, que é da nossa região, que está sempre envolvido nesses estudos, nessas disputas. É uma fonte que a gente usa bastante na Folha, quando a gente vai falar do Rio Paraíba, quando a gente vai falar de Jatafona, a gente sempre manda mensagem. Bulhões, pode ajudar a gente. Sempre está disposto a contribuir com a Folha. Então, foi um bate-papo muito legal. Muito obrigado, muito obrigado mesmo.

Naís, você lembrou bem aí falar sobre Paraíba, tem mais o Ângelo Vidal está falando aqui sobre estudos ao longo do leito do Paraíba, numa próxima rodada aí dessa, Bulhões, Caruso

como a gente já sugeriu aqui, o próprio Bulhões falou, vamos trazer o Joãozinho Siqueira, botar ele para acordar cedo para estar aqui com a gente. Está doido, está doido, está doido, está acordado já desde cedo. É que hoje ele não comentou, mas ele comenta sempre aqui no programa, mas de qualquer maneira a gente faz isso também, proponho isso para a gente exatamente trazer, agregar mais riqueza de detalhes sobre essas possibilidades todas.

Gente, muito obrigado. Até amanhã, sete horas da manhã. Você que nos acompanhou até aqui também, muito obrigado. Obrigado pela audiência, obrigado pelo carinho. Continue ligado, continue aqui na Folha FM. A gente volta amanhã no oferecimento de Proteus, Unimed Campos, Laboratório Plínio Bacelar, Vacina Plínio Bacelar e Rádio Média Diagnósticos por Imagem, sempre à frente.