Bem-Estar #349 - Medicamentos: tire todas as dúvidas sobre o jeito certo de usar
- Uso Racional de MedicamentosAutomedicação e seus riscos · Efeitos colaterais adversos · Interações medicamentosas · Agravamento de doenças · Organização Mundial da Saúde · Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos
- Legibilidade de Prescrições MédicasPrescrições ilegíveis · Segurança do paciente · Dose errada prescrita · Medicamento incompatível com dose usual · Lei Federal 5991/1973 · Receitas digitais vs. manuscritas
- Papel do Farmacêutico na Orientação ao PacienteDispensação privativa do farmacêutico · Orientação sobre horário de tomada · Medicamentos termossensíveis · Armazenamento de medicamentos em casa · Conciliação medicamentosa · Interação medicamento-alimento · Interação medicamento-etanol
- Validade e Substituição de MedicamentosPrazos de validade de receitas · Antibióticos · Medicamentos controlados (tarja preta/vermelha) · Medicamentos genéricos · Medicamentos similares · Princípio ativo · Anvisa
- Armazenamento e Conservação de MedicamentosLocais inadequados (cozinha, banheiro) · Temperatura e umidade ideais · Degradação de ativos · Medicamentos vencidos
- Medicamentos e TratamentosTomar remédio com água · Medicamentos com leite ou sucos · Medicamentos lipossolúveis · Formas farmacêuticas diversas (xarope, suspensão, jujuba, pirulito) · Custo e paladar como barreiras
- Uso de Medicamentos em Populações EspecíficasCrianças · Idosos e polimedicados · Pacientes acamados · Insulina e canetas emagrecedoras
O brasileiro é campeão no hábito de tomar remédio por conta própria. Sabe aquela história? Deu certo para minha vizinha? Não custa tentar também? Custa sim, gente. Porque essa ânsia de aliviar sintomas de um jeito rápido pode trazer consequências graves para a saúde.
E aí, entre as mais comuns, estão os efeitos colaterais adversos, as interações indesejadas com medicamentos que a pessoa já toma, o agravamento de algumas doenças. Na prática, o uso de remédios sem orientação adequada é uma ameaça à nossa saúde. E esse não é um problema pequeno, não. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 50% de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidos de maneira errada.
Por chamar atenção para essa séria questão de saúde pública, ontem, dia 5 de maio, foi celebrado o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos. E hoje a gente conversa com a farmacêutica Talita Barbosa, que é conselheira do Conselho Federal de Farmácia, sobre esses cuidados que são tão necessários no dia a dia para que os remédios sejam usados do jeito certo.
Eu sou a doutora Thelminha e está começando agora mais um podcast do Bem-Estar. Thalita, seja bem-vinda!
Muito obrigada, eu que agradeço a oportunidade de poder mais uma vez estar com você, Thelmin, estar aqui no Bem-Estar, para a gente falar de um assunto tão relevante, que está relacionado ao uso de medicamentos, à segurança do paciente e de uma forma geral com os cuidados em relação à legibilidade das prescrições e a informação passada da forma correta, da melhor forma possível, na verdade.
É isso. E vamos começar, então, já passando essa informação com alguns exemplos. Porque quando a gente fala que remédio usado de um jeito errado pode causar sérios problemas, muita gente acaba não levando a sério, né, Thalita? E você já deve ter visto uma série de problemas. Conta alguns exemplos pra gente, por favor.
O fato é que os farmacêuticos do Brasil recebem constantemente prescrições ilegíveis nos balcões das farmácias de todo tipo de segmento, farmácias hospitalares, farmácias comerciais, nos laboratórios de análises clínicas, onde chegam os pedidos de exames laboratoriais e a falta de legibilidade, gente, a falta de clareza na prescrição coloca em xeque a segurança do paciente e a própria responsabilidade do profissional que quase que é obrigado a adivinhar o que está escrito ali.
Então, hoje a gente vê a falta de legibilidade na própria solicitação, seja do medicamento ou do exame. A gente vê muitas vezes a dose errada prescrita ou um medicamento que não é compatível com a dose usual que a gente tem nas apresentações disponíveis nas farmácias. E tudo isso é muito ruim para a gente que atua na farmácia e que atua na ponta diretamente.
Uma necessidade que a gente tem urgente é que prescritores em geral, e isso inclui farmacêuticos, médicos, odontólogos, enfermeiros, nutricionistas, todo mundo que faz receitas, para ser bem claro, se eles puderem ter a mão algum tipo de impressão, seria muito mais fácil. O que é uma barreira muito grande para a gente é que a gente também sabe que não é uma realidade.
da gente ter profissionais sempre com uma impressora, com um computador, com recursos básicos que possam garantir qualidade nessas prescrições. Perfeito. Então, quer dizer que aquela...
Piada, entre aspas, interna que a gente tem entre os colegas de saúde da letra de médico, não dá certo no dia a dia. Na prática, ela pode ser, então, muito prejudicial. Já teve algum caso de algum paciente que, de fato, tomou algum remédio numa superdose ou numa infradose e chegou para você assim?
com o prejuízo disso? A gente vê isso acontecendo com alguma frequência. Olhem, parem para pensar. Imaginem o manimodipina com o manifei de pina. Olha como que o nome é muito parecido. Muitas vezes nós temos os laboratórios genéricos, principalmente de genéricos, em que a caixa é igualzinha, só muda o nome.
Então, se a gente já chega no balcão da farmácia enquanto paciente com a prescrição elegível, se imagina a facilidade que não é de ocorrer erros na dispensação. A gente sabe que o farmacêutico monitora e acompanha esse processo constantemente, mas a demanda também dentro dos estabelecimentos...
em geral, é muito grande. Quando eu falo em geral, eu quero dizer as farmácias comerciais, as farmácias hospitalares. Então, a gente vê muitas vezes, desculpe o termo sem querer ofender, mas é uma realidade, a gente vê garranchos chegarem nas farmácias que é impossível. Mesmo que, e é um apelo nosso constante, mesmo que não tenha muita estrutura dentro do consultório do prescritor,
Mas escrever direitinho, por exemplo, uma metiformina, que é um medicamento de uso crônico muito prescrito, antipertensivos, que são medicamentos importantíssimos para o paciente, com uma clareza, não é pedir muito. Vale lembrar que no Brasil nós temos uma lei federal...
de 1973, que é 5991, que exige a legibilidade nas prescrições, no estado do Rio de Janeiro, entre outros estados. Nós temos leis estaduais que exigem a legibilidade nas prescrições. Então, a gente está pedindo o mínimo, que não é cumprido. Sabe que hoje, vou falar uma realidade que a gente vive hoje muito nas farmácias, nós temos os farmacêuticos nos grupos de WhatsApp pelo Brasil, tentando, de forma solidária, uns com os outros, traduzir.
adivinhar medicamentos. Eu sempre digo, se o paciente estiver na dúvida e se na dispensação o farmacêutico ou balconista não tiver insegurança real e certeza de que aquele medicamento, o melhor é não dispensar, o melhor é a farmácia não vender e aquele paciente, infelizmente, ter que voltar ao prescritor.
Porque o que é muito triste, o que é muito ruim para o próprio paciente, que a gente sabe que não dá para ler. Às vezes, a letra prescrita ali, como eu falei, que pode ser de profissionais diversos, parece um exame de eletrocardiograma, que parece que o rabisco sai muito manscrito.
Então, são esses cuidados básicos que a gente precisa ter, inclusive, no momento da prescrição, esse prescritor habilitado e tudo, ele precisa virar a receita para o paciente, explica para ele o horário de tomada, manhã, tarde, noite. A gente sabe que...
O que eu vou falar agora até independe de uma questão de letramento. A gente sabe que é difícil para as pessoas leigas entenderem o melhor horário de tomada, a necessidade de obedecer as posologias prescritas. Então, explicar para o paciente, a gente sabe que socialmente o médico tem um papel importante no cuidado do paciente, social, cultural.
Eu sou uma farmacêutica, mas se eu tentar desconstruir ou mudar uma prescrição, fazer uma intervenção dentro da minha casa, para a minha mãe chegar com a receita, e a gente vê isso no balcão, de uma prescrição já feita é difícil, porque muitas vezes o paciente já sai do consultório muito certo de que aquilo ali é o ideal. Então, às vezes a gente vê que não é o medicamento.
que é compatível com aquela dose, tem alguma coisa errada, ou ativo, ou a dose prescrita. Então é muito mais difícil para a gente que é de fora, fora do consultório, ainda conseguir fazer uma intervenção para corrigir aquele medicamento prescrito de forma errada.
Eu queria saber o papel do farmacêutico nesse momento, quando ele chega ali no balcão da farmácia, que tipo de orientação ele pode receber? Até onde o farmacêutico pode ir nesse acolhimento? Legal. A dispensação é privativa da responsabilidade do farmacêutico no estabelecimento previsto em lei federal. Todas as farmácias têm que ter um farmacêutico por todo o horário de funcionamento.
E o fato é, Thelminha, que a gente salva vidas todos os dias. Eu poderia falar para você assim, a todo momento, em relação às prescrições que chegam nos balcões. O mínimo delas são impressas. É claro, e aí a gente esbarra nas condições difíceis do serviço público, às vezes no privado também, mas voltando à farmácia.
É o farmacêutico que vai esclarecer para o paciente o melhor horário de tomada, qual aquele medicamento prescrito de fato. É ele que vai orientar o balconista ou atendente dessas farmácias e drogarias sobre o medicamento correto a ser dispensado.
É ele que vai avaliar se o medicamento é controlado, que o paciente coloque ali todas as informações, se precisa de uma informação a mais na orientação ao paciente, se é necessário orientar se é um medicamento termossensível, com uma condição específica de armazenamento. É claro que existem as condições ideais de armazenamento do ambiente da farmácia.
Mas eu falo de condições ambientais. Se a gente falar de um médico que é termossensível, de 2 a 8 graus, ele é de geladeira. Se ele não é de geladeira, ele não tem que estar na geladeira. Às vezes a gente dentro de casa, acha que está muito calor, ou está muito quente aqui em casa, eu pego um remédio e boto na geladeira. Não é o ideal. Se ele não é termossensível, ele não tem que estar lá. A gente precisa colocar o medicamento dentro da casa, num ambiente ideal, que a gente consiga garantir uma condição de temperatura e de umidade.
De uma temperatura de, no máximo, 25 graus, por exemplo. E a mesma coisa dentro da farmácia.
Se o paciente for comprar o medicamento e a gente identificar na hora da dispensação que é um medicamento termossensível, essa informação tem que ser levada ao paciente. Um exemplo dela são as canetas emagrecedoras, que algumas são termolabs. Um exemplo de medicamentos termossensíveis são algumas insulinas para esses pacientes. Então, são informações fundamentais, básicas, para a gente estar cansado de saber. Eu estou cansada, porque eu trabalho em farmácia.
Mas para a maioria das pessoas isso não é uma realidade. Então são coisas muito básicas que podem fazer muita diferença no resultado, no desfecho da doença, no controle de uma doença crônica que esse paciente pode vir a desenvolver. E eu poderia falar outros termos técnicos que não cabem aqui, mas o fato é que é uma informação simples dada ali pelo farmacêutico, pelo balconista, pelo atendente, quem vai dispensar o medicamento, pode fazer muita diferença na qualidade de vida do paciente.
Certo. Então, só para a gente resumir até aqui, que são muitas informações úteis que a gente está falando aqui. Então, primeira coisa, o paciente que recebeu aquela receita com uma letra que ele não está conseguindo entender, é um direito dele virar para o médico e falar, doutor, doutora, não estou conseguindo ler isso aqui. Certo? É um direito dele.
E a outra dúvida que eu tenho, hoje em dia, com a era da tecnologia que estamos vivendo, não tem chegado para vocês mais receitas digitais? Ainda tem muita receita manuscrita? Ainda tem muita receita manuscrita, muita, muita. A gente fala de um Brasil muito plural, que são várias condições multifatoriais que vão intervir nessas situações.
As prescrições manuscritas, a gente vê isso muito fortemente no ambiente hospitalar ainda e no serviço público, quase que 80% disso. Isso é uma realidade, principalmente nas estratégias de saúde da família, que a gente chama hoje de equipe multi, que é atenção primária em saúde, que são os postinhos de saúde da família.
e que é uma... as clínicas da família de uma forma geral, existem as que já têm mais estruturas, estão informatizadas, sim, mas ainda é uma minoria. Ainda assim. Se a gente pular para o setor privado, a gente vê que vários prescritores atendem no seu consultório, naquela consulta particular ou naquela do convênio e que ainda fazem prescrições manuscritas. E Thelmin, eu digo pra você, se eu fosse hoje contabilizar, nós temos grupos...
de WhatsApp, que se chamam Receitas Elegíveis. Um grupo dois, um grupo três. Eu quero dizer que é constante as publicações de prescrições em que um, a pessoa não entende, o farmacêutico não entende e tenta de forma insolidária ver se algum colega traduz. É ruim a gente falar traduz, porque parece que a gente está tentando adivinhar aquilo ali, porque a frequência ainda é muito grande.
Nossa, infelizmente. Agora vamos entrar num outro conceito que é um pouco polêmico, nessa coisa da prescrição, que é em relação à validade das receitas. Qual seria, então, o prazo de cada receita de acordo com o tipo de medicação? Porque a gente tem um prazo para antibiótico, para os medicamentos controlados. Queria que você atualizasse a gente em relação a isso.
É importante a gente saber que tem uma portaria que se chama 344, que estabelece esses prazos e critérios de dispensação para esses medicamentos controlados. Para ser bem claro para quem não é farmacêutico, a gente vê que nós temos os antibióticos, a validade é de 10 dias, as prescrições, receitas brancas.
E aí a gente vai ver os medicamentos tarja preta, para ser bem claro, para vocês entenderem, e os tarja vermelha, que são prescrições de apresentação. Quando a gente fala, por exemplo, esses medicamentos tarja preta, isso varia muito. Na receita A, A1, B1, B2, isso vai variar muito. Mas é importante vocês entenderem que existe uma portaria.
que ela tem um contexto e penalidades criminais, inclusive, para todo mundo que atua no ambiente das farmácias, que se não seguirem, podem ser penalizados criminalmente. Então, quando um profissional dentro da farmácia, o farmacêutico ou atendente dão uma orientação...
de que a prescrição está vencida porque ela passou de 30 dias, porque ela passou de 60. Inclusive, independente da data, nós temos alguns ativos que só podem ser dispensados para 30 dias, para 60, isso numa gama enorme de variedades que estão estabelecidos por essa portaria 344.
Então, quando o paciente é orientado no balcão, aquela prescrição está vencida, é porque aquela farmácia é obrigada a seguir essa portaria. Então, hoje os critérios são vastos. A gente vê que é uma portaria muito dinâmica. A gente tem hoje mais de 50 atualizações, até porque ela é de 1998.
Já nas últimas décadas, a gente viu, por exemplo, sem querer mergulhar muito, porque passou, a gente viu a cloroquina entrar e sair, a gente viu as canetas emagrecedoras entrarem na portaria. Então, é importante a gente entender que, como eu falei para vocês, que tudo é um processo controlado.
A gente vê algumas situações, até para nós que somos membros do Conselho de Farmácia, hoje eu sou membro do Conselho Federal, a gente vê que a gente observa com tristeza, às vezes, algumas violências dentro dos estabelecimentos das farmácias, quando algumas pessoas que não têm essa informação reagem de forma agressiva ou grosseira, porque a prescrição já está vencida ou ela não pode ser dispensada novamente, o paciente não pode reutilizar, como de antibióticos.
Por exemplo, uma vez adquirido, o paciente não pode comprar novamente, com exceção de se o médico ou seu prescritor, em questão, tiver colocado uma observação de uso crônico para alguns medicamentos que são de uso contínuo e que tem previsão também nessa mesma portaria, podem ser disponibilizados ou dispensados para seis meses. Existe essa realidade, mas não é constante. É importante que haja sempre uma comunicação na dúvida.
Sempre é legal que quem trabalha na farmácia, o farmacêutico, consiga um contato com esse prescritor, o que não é fácil sempre. Mas, então, na dúvida, é melhor não dispensar. Ou, como eu disse, como a gente tem classes diversas, a gente vai seguir portarias diferentes para esses medicamentos. É, você falou em mim...
Eu puxei aqui pela memória. Em 2012, eu trabalhei em UBS, saúde da família, e a gente tinha muitos pacientes crônicos, hipertensos, diabéticos, e a demanda muito grande. Então, muitas vezes, a gente não consegue reavaliar o paciente no tempo que a gente gostaria, e o paciente não pode ficar sem o medicamento. Então, a gente tinha ali por hábito prescrever e colocar uso contínuo. Esse uso contínuo para esses medicamentos de doença crônica ainda vale para seis meses.
Isso ainda é válido, quase 15 anos depois. E em relação à insulina? Porque agora, com esse controle maior e necessário das canetas emagrecedoras, como é que tem sido feita as prescrições de insulina? Para quanto tempo elas são válidas e precisa de receita, né? Porque antes não, claramente, precisava.
Na verdade, o que gira em torno do uso da insulina de uso crônico é um cuidado maior sobre como manipular o recurso, o próprio instrumento em si, o equipamento em si. Até porque nós passamos por muito tempo tendo muitos frascos de insulina. Hoje a gente já tem as canetas de insulina, que é um equipamento que não é mais descartável. Então o paciente recebe a embalagem da insulina, depois ele vai só pegando no postinho de saúde da família.
ou nas farmácias e drogarias, o flaconete para repor, um refil para repor. Então, o que gira muito mais em torno do uso da insulina é mais o cuidado e o uso adequado. Então, a nossa preocupação muito hoje nas farmácias é treinar esses pacientes dentro, muitas vezes, da limitação de informação, às vezes, da limitação de estudo, ou, às vezes, nem a limitação do estudo. É realmente a dificuldade de saber manusear a caneta de forma adequada.
Eu poderia passar horas para você ir dividindo experiências de visitas domiciliares que os farmacêuticos fazem pelo Brasil afora e que a gente vê o péssimo, é meio péssimo, é o uso inadequado, da falta de orientação e que o paciente não melhora de um desconforto enorme metabólico tendo medicamento de qualidade em mãos, mas muito mais porque ele não sabe usar. Você falou...
Sim, ela só deve ser dispensada e vendida sob prescrição por tudo isso que eu te falei. Hoje a gente vê que o uso da insulina é um dos medicamentos que tem que ser prescrito muito personalizado. É muito individualizado. A gente pode ter um paciente que usa 32 UI como um adulto de 30 anos que utiliza 18 UI pela manhã. Então é muito personalizado. Por isso tem que ser sob prescrição e sobre acompanhamento.
É claro que o paciente vai sair do consultório, nesse caso médico, com a prescrição, vai na farmácia, seja ela pública ou privada, para comprar ou para adquirir pelo serviço público, e é na farmácia que ele vai receber as principais informações em relação ao uso adequado, como você estava falando no início do nosso podcast, em relação ao uso racional de um medicamento tão importante.
Perfeito. E no caso das receitas digitais, os prazos são os mesmos? Os prazos são os mesmos. É importante lembrar uma questão de saúde pública grave, que é importante a gente esclarecer. As prescrições digitais são enviadas para as farmácias, e é a mesma coisa, seja no público ou privado, através de aplicativos, de softwares, de programas. Receitas digitais não são receitas que chegam nas farmácias pelas fotos de WhatsApp.
Porque a gente vê uma tendência, tendência mesmo, tendência tendenciosa de que se leve esse tipo de entendimento para as farmácias para que se dispense, por exemplo, um medicamento tarja preta por uma foto de WhatsApp. A gente vê, Thelmin, que o envio das prescrições por meios digitais ainda precisa crescer muito.
A gente tem uma RDC que vai entrar em vigor a partir de 1º de junho, que é a RDC 1000, que vai tratar um pouquinho também das prescrições de tais, mas também do cadastro das farmácias no Quinez. Mas, enfim, o que vale lembrar é que é um movimento que precisa crescer muito e seria tão melhor para todo mundo.
A gente vai economizar papel, a gente vai ter muito mais segurança para o paciente. A ilegibilidade das prescrições e dos exames, como eu falei no início, é uma preocupação e um tormento muito grande nas farmácias, porque a gente tem de um lado quem quer cuidar, quem quer dispensar, e do outro o paciente fica de mãos atadas, ele não entende nada, ele não sabe nada. Às vezes é difícil retornar um médico ou prescritor, qualquer que seja ele.
Amanhã, depois de amanhã, imagine um paciente hoje com uma prescrição ilegível que depois a gente vai entender que é ciprofloxacino. Por exemplo, sem querer citar o ativo, não foi por nenhum tipo de interesse, mas imagina se é um medicamento para tratar uma pneumonia, uma sinusite. São pacientes que têm pressa, a condição de doença dele tem pressa. Então, se é um transtorno muito grande para a saúde pública porque parece uma coisa simples, mas não é.
Perfeito, Thalita. E outra dúvida muito comum é em relação à substituição de um medicamento prescrito por um remédio genérico ou similar, né? O que tem que estar escrito ali na receita para que o paciente possa substituir o remédio por um genérico mais barato?
Legal. O genérico já tende a ser um medicamento mesmo mais acessível, até porque, como a gente sabe, já encerrou aquela fase de exclusividade de patente daquele medicamento de referência. Legal. É importante todo mundo saber, e isso tinha que ser um corte público, sabe? Eu falo corte de informação pública, porque se o medicamento tem um G de genérico, o paciente pode confiar em toda a qualidade de produção daquele medicamento.
Ele passou por todos os testes de biodisponibilidade, de controle de qualidade, que a Anvisa exige.
É importante também a gente saber que a intercambialidade, que a substituição dos medicamentos de referência pelos medicamentos genéricos, são previstos em resoluções. Então, não é feito de qualquer jeito pelas farmácias e drogarias, como também a gente vê, às vezes, sendo divulgado de forma muito incorreta.
Quando um profissional de saúde hoje, dentro do estabelecimento, sugere a substituição, é porque ele sabe que é permitido por lei. Mas, vale lembrar, se o prescritor escreveu o que muitos escrevem na receita que não é permitida a substituição, que tem que ser utilizada aquele meio de referência, é uma informação que também tem que ser seguida. E as farmácias seguem, sim, com certeza.
E aí eu queria que você explicasse que tem muita gente que tem dúvida sobre o que é o remédio genérico, o que é o remédio similar. O farmacêutico costuma também orientar sobre...
vou ser bem clara para vocês, até do ponto de vista comercial. Se a gente puder evitar adquirir os medicamentos similares, sempre é bom quando a gente pensa nos critérios de qualidade de produção daqueles medicamentos. Os medicamentos similares são chamados de gueltas hoje, no varejo farmacêutico, de uma forma geral. É importante a gente saber, como eu disse no início, que se ele tem o G de genérico, ele é de qualidade, você pode confiar. Thalita, você trocaria? Sim.
Eu falo que se você vai comprar para sua filha e para sua mãe, que você confia que ele realmente é de qualidade e é fato, e eu uso e eu usaria. Beleza. Então, quando você vai no balcão da farmácia, seja ele de que natureza for, e o balconista te oferecer o método genérico, observe, pegou, tem o E, você pode confiar e pode adquirir com toda qualidade. Às vezes a gente vê as pessoas falando, poxa, mas se eu comprar às vezes, vou dar um exemplo de um medicamento muito utilizado que está no programa farmácia popular, porque ele é muito utilizado, é o Losartan.
um anti-hipertensivo. Então, às vezes, as pessoas falam, se eu comprar o Losartan dessa cor ou dessa marca, a minha pressão fica boa, desse não fica. Podem ser, talvez, questões psicológicas, talvez, mas o que é importante a gente observar? É claro que cada indústria, cada laboratório, inclui um recipiente diferente, um educorante diferente, um corante, não é natural que já tenha cores diferentes. Às vezes, você pode vir a passar mal com uma outra apresentação.
porque essas outras substâncias que entram na produção daquele comprimido sulcado, daquela cápsula, e essas outras substâncias vão facilitar a absorção, vão reduzir a umidade, elas são necessárias farmacotecnicamente para a qualidade desse medicamento.
Então, se a gente vê que, às vezes, são essas outras substâncias que podem causar algum tipo de desconforto, e elas vão favorecer ou não a absorção. Então, por isso, às vezes, tem pessoas que se dão bem, elas falam isso, elas se dão bem, mais com uns do que com outros medicamentos. Como eu falei, é importante vocês pensarem, olhar o seguinte, não tem muita informação, mas alguém ofereceu no balcão da farmácia trocar, se tem um jeito genérico, vocês podem confiar.
Perfeito. Resumindo, o princípio ativo é o mesmo, mas a forma ali, a casquinha ali do medicamento, como ele vai ser absorvido no seu corpo, pode variar de fornecedor para fornecedor e pode ter paciente tão sensível que tenha essa cinta, essa diferença.
Perfeito, explicou de uma forma ótima. Agora, muita gente para de tomar a medicação depois que os sintomas desaparecem, né? E sabemos que isso pode ser um grande problema. Principalmente, a gente está falando aqui de doenças crônicas, né? Muitas pessoas demoram a entender, né? Quando tem esse diagnóstico, que você vai ter que tomar o remédio para o resto da vida.
principalmente também se a gente fala dos antibióticos, né? Não é pra parar, eu queria que você falasse um pouquinho sobre essa importância. Normalmente a gente vê os antibióticos, normalmente aí, num uso de no mínimo três dias, algum em cinco, sete ou oito, até doze dias. Isso varia muito de acordo com a infecção bacteriana ou viral e com o próprio princípio ativo.
É importante, gente, não importa o medicamento que a gente está discutindo. Se está prescrito por sete dias, dez, sigam o tratamento. O que é agravante nos medicamentos, nos antibióticos, de uma forma geral, é que a gente faz seleção de bactérias. Então, não é de se estranhar, por exemplo, se é uma infecção.
de garganta breve agora. O neném breve, mas um pouco mais usual, mais cotidiano, dentro dos sintomas que a gente vê com mais frequência. O paciente recebe uma receita, nesse caso vai ser uma prescrição médica, de um antibiótico, em que ele vai precisar utilizar pelo menos de 8 em 8 horas, um dos mais clássicos, aí por 8 dias. Aí ele utiliza 3 dias, a garganta para de arranhar, ele volta a engolir com facilidade, sem doer, tira aquela vermelhidão na garganta, ele para de usar o medicamento. Isso é muito comum.
Até porque alguns antibióticos também causam desconfortos gastrointestinais. Mas é importante, assim, seguir o tratamento até o final. E aí, esse paciente que para o tratamento com três dias, ele vai voltar, pelo menos daqui a cinco dias, daqui a dez dias, ter uma infecção de garganta, por exemplo, ainda pior.
E a gente vai fazendo seleção de bactérias constantemente. Foi isso que fez com que, ao longo dessas últimas décadas, a Anvisa tornasse o medicamento antibiótico um medicamento controlado. É quando a gente olha para os tratamentos para tuberculose, que são de seis meses. Isso é muito importante. E a gente vê que o paciente melhora com dois meses, com um mês, e abandona o tratamento.
Então, o serviço público tem que ter estrutura para captar essas pessoas e levar essa sensibilização de que a posologia é para ser cumprida. E como eu disse para vocês, não é nem só sobre antibióseis, imagina sobre anti-inflamatórios.
Exato. E a resistência à bacteria não é um problema muito sério. Imagina você, com o tempo, aquele mesmo antibiótico pode não fazer efeito para você, porque você não tomou ele do jeito certo lá atrás. Italita, voltando um pouquinho ali na questão da absorção, tomar o remédio com água é sempre a melhor forma?
Sempre a melhor forma. Gente, remédio só com água. No mínimo, no mínimo, eu não tenho que ir perto de mim, um copinho de 250 ml. Nós temos artigos científicos de qualidade publicados em que a gente viu quanto em infração, quanto em porcentagem esses medicamentos são melhor absorvidos com no mínimo 250 ml de água. Se vocês pararem para pensar, a absorção do medicamento se dá no intestino delgado. Então, é boca, esôfago, estômago, intestino delgado. Ali do Odeno, Jejunilho. A gente deu isso no ensino médio.
Então, para a gente fazer com que o medicamento, a cápsula, o comprimidinho, nos casos dos anticoncepcionais, que tendem a ser pequenininhos, os comprimidos maiores, como alguns analgésicos, por exemplo, que são para dor. Então, engolia seco. Ou como é que a gente vai fazer o medicamento chegar com qualidade no trato gastrointestinal para dar início a esse processo de absorção?
E isso está muito relacionado ao aproveitamento. E puxando um gancho, medicamento em ser ingerido com, no mínimo, paciente em pé ou sentado. Tomar medicamento deitado, você não vai estar facilitando o trânsito dessa cápsula, desse comprimido, até o intestino.
Minha filha tem 5 anos, eu boto ela sentada, eu tenho que dar um xarope para ela, logo depois, 5 ml, logo depois um pouco de água, claro, sentada. Aí o medicamento vai chegar, o trato gastrointestinal, e aí o paciente pode voltar a deitar. É claro que nós temos alguns casos específicos, pacientes acamados e tudo. Aí, em casos como esse, realmente é melhor tomar do que não tomar. Mas se o paciente tem condições de estar sentado em pé e beber água, deve ser feito.
E só para concluir, nunca medicamento com leite, com sucos diversos, nunca. E só para terminar, também não deve a gente raramente, em raros casos, a gente deve ingerir medicamento após as refeições. Raros casos. Com exceção dos medicamentos que são lipossolúveis, que o ambiente gorduroso facilita.
É importante, se a gente parar pra pensar um pouquinho, se a gente toma um medicamento após encher a barriguinha num almoço ou num super lanche, é claro que o intestino vai competir por absorção. Ou ele vai absorver o alimento ou ele vai absorver o medicamento. Alguma fração disso vai ser aproveitado? Com certeza. Mas quem tem dor tem pressa. Se a gente está passando por uma situação da pressão alta naquele momento, é uma condição de pressa.
Então, por isso que medicamento só com água e se o estômago estiver vazio, na maioria absoluta das vezes, é muito melhor.
Aí você falou da sua filha de 5 anos, eu lembrei das crianças e de algumas pessoas que têm dificuldade de ingerir remédio. Lá em casa, meu marido tem dificuldade de engolir uma cápsula de ômega 3 que ele acha muito grande e entala. Qual dica você daria para essas pessoas? E olha que ômega 3 são cápsulas oleaginosas de em torno de 1 grama. Existem formas farmacêuticas diversas.
um indivíduo como um adulto, como seu esposo, até as crianças, é importante que isso seja levado ao médico para que ele possa prescrever, então, na forma de xarope, de suspensão e até algumas vias mesmo. Eu já trabalhei alguns ativos em que eu transformava na forma de supositório para que a paciente não deixasse de usar porque ela tinha uma gastrite severa. O que vale a pena?
ser feita uma avaliação. E aí é o médico, é o prescritor com o farmacêutico nesse segmento da farmácia mais tráquea, um ambiente muito personalizado. É se aquele ativo que aquele paciente precisa tomar, se ele vai ter estabilidade, sendo transformado numa outra forma.
Por exemplo, nós temos crianças especiais com transtornos diversos que elas precisam tomar uma valeriana, que é um fitoterápico com odor característico, características muito específicas. Transformar na forma de xarope é fácil? Não é, mas é possível. Mas, como eu disse no início, é melhor a gente fazer, a gente preparar, buscar a melhor condição farmacotécnica do que aquela criança ou aquele adulto deixar de usar.
Ômega 3, por exemplo, é um desafio muito grande. E você poderia estar falando de vitamina E, de vitamina A, que são vitaminas lipossolúveis, alguns óleos de graça de uma forma geral. Hoje a indústria avançou tanto. E hoje são tantas tecnologias em saúde disponíveis que certamente, se o paciente não pode usar aquele ativo na forma de comprimido, a gente vai ter o mesmo ou o outro para o mesmo propósito em outra forma farmacêutica.
Hoje a gente tem medicamentos até na forma de jujuba, de pirulito, de algodão doce, né? E de suspensão e de xaropes aí pra gente fazer adesão ao tratamento. A adesão ao tratamento, ela passa por várias situações, né? A forma é uma delas, o custo é uma delas, o paladar é uma outra característica que incomoda muito. Já pra mim, se for ácido, se for um sabor muito, muito, é uma coisa que me repele, eu tenho dificuldade, isso sempre foi um problema pra mim.
Mas para muitas pessoas, elas encaram com facilidade. Para outras, tomaria uma cápsula grande com facilidade. Elas têm que ser avaliadas, na verdade, em situações como essas. Cada caso é um caso. E ainda nesse universo das dificuldades, a gente não pode deixar de citar aqui os idosos, que com o avançar da idade têm uma tendência a tomar um número maior de medicamentos. Os geriatras tentam ali conter isso, mas ainda assim tem muitos pacientes que tomam muitos comprimidos por dia.
E acabam se confundindo. Eu queria entender o papel do farmacêutico, como que vocês ajudam nisso. Ah, legal. Pergunta muito interessante. Hoje, a gente não precisa nem ser tão idoso mais para ser polimedicado, né? Eu falo o termo polimedicado, até algum cuidado. Na academia não é um termo que a gente usa muito. Mas o fato é que nós temos muitos adultos hoje, os idosos...
É uma condição praticamente 100% dessa realidade nessa faixa etária, que eles usam muitos medicamentos. Procure um farmacêutico, porque esse profissional pode fazer conciliação medicamentosa. É fazer a organização dos ativos que esse paciente usa. O fato é que a gente vê que não é uma tendência dos prescritores a cada vez que recebem um paciente, perguntar o que ele já usa.
E às vezes também o paciente não considera importante que ele já usa dois ou três. Então ele vai no cardiologista, ele vai no fisiatra, ele vai no ortopedista, vai na ginecologista, quando é o caso da mulher, vai no geriatra, e aí ele pega várias prescrições e toma de qualquer jeito. Eu acho que todo mundo aqui já viu um tio ou uma tia que abre aquele pote de plástico.
Após o café da manhã, coloca quatro ou cinco comprimidos coloridos que ele se entende, ele sabe o que é cada um, toma cinco de uma vez só. Então, para concluir e responder na sua pergunta, leve todas as suas prescrições, vá numa consulta com o farmacêutico, vá numa farmácia e peça. Ele vai identificar com sinalizações, ele vai orientar, vai fazer uma intervenção, vai mandar algum documento, se necessário, para o prescritor ou para o cardiologista, se for o caso de um paciente idoso ou com condições cardiológicas ou situações diversas, pode ser um psiquiatra, enfim.
Ele vai orientar e vai organizar melhor os horários de tomada. E uma coisa que é importante, tudo isso é muito dinâmico. Nem sempre todo mundo toma tudo por cinco anos, por um ano, por dois anos. Então procure um farmacêutico constantemente, porque ele vai com prazer organizar. Você vai ter muito a ganhar com isso no aproveitamento. Num termo que eu estou evitando usar, que a gente chama de biodisponibilidade, que é o quanto de medicamento realmente é absorvido pelo seu organismo.
ele vai diminuir desconfortos. E uma coisa que é muito importante, que é muito pouco falada, é interação medicamentosa. Então, você toma vários medicamentos juntos, nós temos interação medicamento-medicamento, medicamento-alimento, medicamento-etanol, quando é o caso. Então, a gente tem medicamentos que fazem sinergia, eles somam seus efeitos, e às vezes é bom para o paciente, mas às vezes também não é. A gente aumenta o tempo de permanência de um desses ativos no organismo, aí ele passa a ser tóxico, já que ele não é excretado e eliminado na urina.
Nós temos a interação medicamento-alimento, como eu falei brevemente para vocês antes, e que na maioria das vezes ela não é a desejada para o aproveitamento desse medicamento. E a mesma coisa em relação ao medicamento álcool, que pode parecer uma coisa boba e supérflua, mas não é. A tendência que a gente vê é que os pacientes mais velhos é mais fácil ele não tomar o remédio do que ele não beber a cervejinha ou o vinho.
Então é melhor organizar para que ele faça adesão ao tratamento com o medicamento e num horário adequado ele possa tomar a cervejinha dele. A gente precisa viver dentro da realidade da ponta, né? Como é que a gente realmente recebe o paciente, como é que a gente pode levar a qualidade de saúde para ele.
Talita, isso que você está falando é extremamente importante. Eu vivi isso também. A minha mãe, ela é hipertensiva e diabética crônica de longa data. Então, ela toma 16 comprimentos por dia. E é muito importante, pessoal, a gente se atentar, a gente que é cuidador, que é filho, que é neto, entender o limite de cada um. Porque durante muito tempo, eu achava que deixá-la, com a independência dela, para pegar a receita todo dia, antes do café da manhã, ler o nome de cada remédio, ela está ativando a memória.
tá ali tendo uma rotina, não vou tirar essa rotina dela, até o dia que ela tomou dois remédios pra pressão e fez uma hipotensão. Hipotensão, pacientes idosos, é super perigoso, né? Então aí, a partir desse dia, eu comprei uma caixinha organizadora e hoje, semanalmente, eu organizo o remédio. Perde um pouco da autonomia, da independência? Perde, mas é pro bem dela também.
quem é filho, quem é neto, né? Tem que ficar atento também, porque às vezes a pessoa tem um desfecho trágico dentro de casa por uma questão ali de falta de atenção no dia a dia, né? Agora, a gente tá caminhando aqui pra reta final, esse assunto rende muito, uma farmacêutica, uma anestesia...
A gente ficaria aqui até amanhã. Mas eu queria que você falasse um pouquinho sobre armazenamento, né? Se existe um local da casa que seja mais indicado, né? Porque tem gente que guarda na cozinha, no banheiro. Eu queria que você falasse um pouquinho disso.
Meu coração dispara com essa pergunta. É difícil a gente entrar numa casa de uma família que não tem um profissional de saúde ou que não tem um farmacêutico com esse conhecimento. É difícil a gente não ver, e deve ser na casa de muita gente que vai acompanhar o nosso podcast e que aqui está na produção com a gente também. E que não tem os medicamentos na cozinha ou no banheiro.
É muito difícil. É uma coisa muito cultural, é normal. E a gente precisa lembrar que qualquer ambiente quente faz degradação desses ativos. Ora, e se foi na farmácia, você comprou um medicamento, você espera um resultado com aquele tratamento, pensa nisso. Porque qual é o melhor local de armazenamento? Onde é a temperatura mais amena da sua casa? No mínimo, no seu quarto e no seu guarda-roupa.
A gente precisa organizar isso. Medicamentos fiquem nos banheiros, com chuveiros quentes, na cozinha, com fogão, em cima do micro-ondas, são desperdício. Isso é real. Hoje a gente vê que os artigos mostram o quanto é em porcentagem que a gente perde com a degradação da má conservação desses medicamentos.
Isso a gente traz, a gente leva para ambientes de farmácia, depósitos, lojas de produtos naturais que armazenam essas cápsulas ou suplementos em condições ruins. Eu, quando eu vejo que a temperatura não está legal, eu não compro. Eu entro numa farmácia e não está legal, eu não compro. A mesma coisa dentro da nossa casa. Mulheres e rapazes, os homens em geral também. Está com medicamento na bolsa, saiu do carro, leva a bolsa. Não deixa o medicamento também dentro do porta-luvas. Ali sempre é muito quente.
Nossa, sim, com certeza. E é bom ter uma caixinha, uma caixinha de remédio ali para poder armazenar. Compre até para que você possa manter armazenado direitinho no ambiente limpo, fora da poeira, e dê uma olhada de seis em seis meses, reveja a validade desses medicamentos. Na verdade, o fato é que o ideal é que a gente não tivesse farmacinhas em casa.
Mas aí a gente esbarra na dificuldade de acesso às consultas, ao serviço público ou privado de uma forma geral. Falta também, às vezes, de condições financeiras para ter uma consulta periódica. E aí a gente vê as farmácias também.
diminuindo muito o fluxo desses pacientes que iriam para média e alta complexidade, hospitais e UPAs, e para atenção primária. São os postos em saúde da família. Então, a gente consegue, a gente ainda tenta nas farmácias diminuir muito o fluxo dessas pessoas que fariam e que fazem automedicação, sendo tratados, porque o farmacêutico hoje faz esse trabalho clínico.
Então, como eu disse para vocês, o ideal seria que a gente nem precisasse ter farmacias ou medicamentos de SOS em casa. Mas a gente tem que a gente mantenha em condições de armazenamento fora, principalmente, do calor e da umidade. A gente tem estados pelo Brasil, eu estou aqui em Brasília, a gente vê que é muito mais seco, mas eu moro no interior do Rio de Janeiro, em Cabo Frio, que é uma região muito mais úmida. Então é importante a gente ter esses cuidados. A gente olha termoigrômetros.
Nas farmácias do Brasil. A gente controla isso nas farmácias. E se entrou num estabelecimento, como eu falei, diverso, tá calor, não leve o medicamento.
Certo, e você falou, às vezes nessa caixinha fica ali um remédio, muito tempo, perde a validade, existe um risco, né? É óbvio, né? Mas a gente tem que falar aqui o óbvio, né? Que não é para tomar remédio fora da validade. Gente, quando a indústria estabelece o vencimento de dois anos, ela deixou aquele mês de 24 meses em condições hipotéticas, reais, temperatura e umidade.
Ela conferiu a estabilidade antes de 24 meses para publicar aquela validade. A gente não deve consumir nada vencido. Pode ter certeza. Quando você usa um medicamento de, por exemplo, 100 miligramas, pode ser uma dipirona, por exemplo, vencida. Aquilo ali não é mais 100 miligramas. Uma coisa importante, eles tendem a sofrer alterações com a presença de fungos.
de características organolépticas que a gente chama, que são relacionadas à cor, ao odor. Às vezes você pode não perceber ou achar que é normal. E aí a gente vai começar a desenvolver sintomas que a gente chama de idiosincráticos, que são relacionados muitas vezes ao medicamento que você está tomando de forma errada e você acha que é uma nova doença, você acha que piorou aquilo que você já tinha, mas estão relacionados muitas vezes ao mau uso daquele medicamento.
E para encerrar, eu queria falar sobre falsificação, que infelizmente também tem acontecido muito recentemente. Como é que as pessoas podem fazer para se proteger?
sabe que medicamento tem que ser adquirido de farmácia. Farmácias abertas, farmácias de porta aberta, em que você conversa com o farmacêutico, você conversa com o atendente. Se você está adquirindo de marketplaces, de um grupo de WhatsApp, de fontes desconhecidas, às vezes alguns estabelecimentos em locais de difícil acesso.
Ou, às vezes, você entra num estabelecimento que, teoricamente, parece uma farmácia, mas você não olha para o estabelecimento e você não vê aquele quadro com as licenças que são necessárias. Aquele local pode comercializar ou pode estar vendendo medicamentos falsificados ou de procedências desconhecidas. Não cumpre pela internet se você não tem uma certeza absoluta de aquilo ali é um método de uma farmácia de qualidade. Para vocês terem uma ideia mesmo, com todo o trânsito que eu tenho.
Nas farmácias do Brasil e no Rio de Janeiro, eu não compro medicamentos pela internet. Olha que é difícil, eu não conhecia algum estabelecimento hoje no nosso país. E voltando, um cuidado com essas canetas emagrecedores, anabolizantes, hormônios em geral, medicamentos para emagrecer, que vêm de países como Paraguai, entre outros locais que você não conhece a procedência real.
desconfie do que é muito barato, desconfie de pessoas que não têm formação nenhuma em saúde para adquirir aqueles medicamentos. Gente, a gente tem que ter cuidado. Você pega um medicamento e você injeta no seu corpo. A gente não tem como reverter um caso de toxicidade e até o risco de óbito em algumas situações. Às vezes, por vir ao arói, é mais fácil de você reverter uma toxicidade, uma overdose. Mas, mesmo que você aplica no seu organismo...
A gente não vai ter mais como reduzir ou evitar um dano possível. Uma coisa importante, essas caixas de medicamentos têm hologramas. Às vezes, se você riscar assim, aparece a palavra medicamento, confere a validade, confere o lote. Ali na caixinha também tem o registro do Ministério da Saúde. Entra no site da Anvisa e você consegue digitar para verificar. Se hoje a população, normalmente a mulher que sai de casa para comprar o medicamento. Eu ainda vi isso muito quando fiz o meu mestrado.
É a mulher que ela tende a levar para dentro de casa esse papel cuidador do medicamento. Se já, pelo menos, entrar numa farmácia registrada na Vigilância Sanitária e no Conselho de Farmácia do seu estado, a gente já tem pelo menos 70% de chance de estar comprando um medicamento de qualidade. E se você olhar para o balcão e ver um farmacêutico ali por todo o horário de funcionamento, a gente vê o estabelecimento ali totalmente irregular.
É isso aí, gente. Não deixar o barato sair caro, né? Porque o caro é a nossa saúde. Nossa, tá lindo. Foi ótimo. Adorei nosso bate-papo. Espero que o pessoal tenha gostado, porque teve... Falamos aqui muitas orientações úteis, né? Pra saúde das pessoas. Muito obrigada, viu? Por sua participação. Eu agradeço. Prazer mais uma vez estar junto com você. Um beijo. Tô à disposição sempre, hein? Um grande abraço a todos.
Esse podcast teve gravação de Fernanda Lanza, edição de Rebeca Marques, roteiro e direção de Karina Dorigo. Aqui tem informação útil para a sua saúde. Eu sou a doutora Thelminha e a gente se encontra na semana que vem. Um beijo.