TERAPIA E IMIGRAÇÃO EM FAMÍLIA | CAMILA & FÁBIO | TALKEANDO PODCAST #385
- Dicas de saúde mentalA importância da terapia para imigrantes·Escolha de terapeutas com vivência imigratória·Cuidado com o corpo, mente e alma·O papel do terapeuta como guia·Diferenças entre terapia no Brasil e no exterior
- Vida Pessoal e Familiar· SociedadeDesafios da imigração em família·Adaptação cultural e social·Rede de apoio para imigrantes·Rotatividade de imigrantes·Vínculos e amizades no exterior·Raízes e pertencimento cultural·Criação de filhos em ambiente multicultural
- Propósito do Casamento· SociedadeDesafios de manter um casamento durante a imigração·Propósito e visão compartilhada no casal·A dinâmica de um casal terapeuta·Como se conheceram em Dublin
- Migração para Nova Lima e Qualidade de VidaMotivações para imigrar para a Irlanda e Portugal·A decisão de mudar de país em família·A importância de dar raízes às crianças·Diferenças culturais e climáticas entre países
- Proposito de Vida· SociedadeA busca por diversidade e novas experiências·A vida nômade e a construção de um propósito familiar·A importância de sair da esfera do 'eu' para o 'nós'·A vida como um 'salto ao vivo'
- Agenda Cultural de Brasília· CulturaA saudade do Brasil e a importância de manter as raízes·A experiência de retornar ao Brasil em momentos de crise·A riqueza de ter múltiplas raízes culturais
- Desenvolvimento Pessoal e Profissional· EducacaoA jornada de Camila como psicóloga e terapeuta·A atuação de Fábio como terapeuta e personal holístico·A criação do projeto 'Travessia'·A importância da experiência vivida para terapeutas
Muito boa tarde, tá começando o Talkando Podcast diretamente aqui de Dublin, na Irlanda. É que é estranho eu falar muito boa tarde, sabe? O tarde parece que é aqueles programas de domingo, sabe, de auditório. Muito boa tarde, estamos aqui ao vivo diretamente do teatro lá no— muito boa tarde, pessoal, esse é o Talkando Podcast, sejam bem-vindos. Eu sou o Thales Andrade, juntamente com o meu Muito boa tarde. Que estranho, né? É estranho falar boa tarde. Bom dia.
Quantos anos falando boa noite? Boa noite.
6 anos já falando muito boa noite.
A gente veio para romper os padrões.
Mas teve uma época que a gente fazia sábado, sábado era tarde, sábado era tarde, era 2 horas da tarde, 2 da tarde, era muito tarde. Maluco também nessa época, né? 3 episódios na semana era doideira. Terça, quinta e sábado. Uau, cara, eu vou falar aqui, mas anota aí para a gente falar depois desse assunto, porque é que agora assim, alguém como antes, assim, só para não perder, porque eu me separei ano passado. Então agora assim que eu tô mais recuperado de tudo assim, né, a cabeça tá melhor, tá batendo umas nostalgias da época que eu era solteiro lá de trás.
Que aí eu lembro desse menino aqui e do primo dele. E aí ele sabe disso, então mais na frente a gente fala disso, tá bom?
Aqui ou no Brasil?
Aqui, aqui, aqui, já, já aqui.
Eu conheci o Cupilinho aqui através do primo dele.
Os dois saíram do Rio para se conhecer aqui. Sim, você tá com 3 cariocas, né? Aliás, uma quarta ali, porque ela fala igual carioca.
Aí, tá vendo, pessoal? Esse episódio 385 do Tauquiano Podcast, estamos recebendo aqui a Camila Prada e o Fábio Schwaire. Antes da gente começar, quero dar um recado para você que tá vindo agora e não conhece o Talkando. Talkando Podcast é uma conversa para fazer você pensar um pouco fora da caixa e te motivar a sair da sua zona de conforto e mudar de vida. Todos os convidados que vieram aqui fizeram isso, mudaram de vida, e vem aqui contar a história para você se inspirar.
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Mas caso você tenha alguma mensagem, alguma pergunta para mandar para o Fábio e para a Camila no decorrer desse episódio, basta vir no live chat do YouTube, que mais para o final desse episódio a gente vai responder todas as perguntas e mensagens. Porém, caso você queira participar desta conversa, você manda um Super Chat para a gente que a sua mensagem vai ser lida na hora e vai virar o assunto aqui da mesa. Beleza? Quero agradecer os nossos patrocinadores, que nós temos aqui o nosso querido, inseparável Gaúchos, o Gaúchos Açaí, o Gaúchos Burger.
E para você aproveitar todas, assim, é tão bom que o meu já até acabou aqui na prosa que a gente tem. E para você aproveitar todas as promoções do Gaúchos com aquele descontinho do Talqueando Podcast, basta usar o cupom TALQUEANDO10, que você tem 10% de desconto em qualquer pedido do Gaúchos, seja online, seja lá na loja Queens, lá na Smithfield. Também temos a CI Irlanda, que é uma agência de ensino superior aqui na Irlanda. Para você que já completou o curso de inglês, não quer voltar para o Brasil, não quer sair da Irlanda, quer continuar aqui a sua vida na Ilha Esmeralda e dar aquela alavancada na sua carreira, então o ensino superior é uma ótima decisão que você pode escolher aí para seguir legalmente aqui no país e melhorando de vida no decorrer do tempo.
Então a CI Irlanda é agência para te ajudar em todas as suas decisões na questão ensino superior. E mais informações dos nossos patrocinadores estão aqui na descrição desse vídeo. Gostou, né, Pulinho? Ficou nice nessa, né? Tá aprovado, vai para o Opus. Também temos um canal de apoio, nós temos o Buy Me a Coffee ali. Com 5 euricos por mês você nos ajuda a manter a luz acesa e trazer convidados incríveis aqui, como a Camila e o Fábio estão aqui.
Acho que é isso, né, Pulinho? Tem mais? Tu tem recado? É isso, é isso. Nosso convidado de hoje é a Camila e o Fábio. Eles são um casal terapeuta, já imigraram 3 vezes, já moraram na Irlanda, e eles ajudam bastante gente. Inclusive, o Fábio é meu personal holístico, já tivemos aqui, né?
É verdade, a gente brincou com essa palavra.
Exato, é bem legal, sabia?
Foi, né?
E a Camila é psicóloga, né, Camila?
18 anos. Só isso.
Eu sou um— a gente foi bem legal com a forma que a gente se conheceu. Fui contratado para dançar forró na TV.
É verdade, você lembra? Eu lembro, eu lembro. O Thales tava lá quando tudo começou.
E aí você já tava grávida da— não, não era o Travessinho ainda?
Não, não. Aí, aí acho que assim, antes que— acho que antes de eu começar, antes de eu entrar para dançar, eu fiquei conversando com o Fábio Oi! E foi bem numa época assim que eu acho que eu tava, o quê, uns 6, nem sei se eu tava 1 ano de terapia ainda. E a gente trocou a maior ideia sobre terapia, foi assim, deu conexão, a gente se conectou.
Legal!
Nossa, a gente bateu um papo ali, é verdade.
Foi maneiro!
A gente não foi dançar.
Verdade, ficou tempão ali.
Fica aí que a gente tem um papo aqui que tá rolando bem.
Eu ainda tava mostrando o Taqui ainda pra uma galera e tal. Acho que foi um pouquinho depois da pandemia, eu acho.
Foi 2021.
Foi essa noite que a gente voltou pra casa.
Foi bem no fim, foi no fim de 2021. Era um evento sobre relacionamento amoroso. Né, sobre casais, relacionamento amoroso. E depois desse evento é que tudo aconteceu, todos os outros eventos que a gente vai falar aqui hoje nasceram aí. Aí até gostava, você tava lá, hein? Você tava lá, tudo era mato.
Sim, o Talqueando a gente começou, e nessa época não tinha nenhum pupilinho ainda. 21 não tinha tu, era o Bob. É, então a gente começou em dezembro de 2020. Aí, como era pandemia, a gente ficou 6 meses parado e voltou em junho de 21.
Olha, foi bem aí, foi bem aí.
Então ali, mais ou menos na época que a gente se conheceu, eu ainda tava distribuindo muito adesivo. Onde eu ia era adesivo.
Eu lembro, você me deu um monte, já dei para as mulheres. Sim, sim, eu lembro disso.
Foi um dia bem legal.
Como que foi participar lá do evento?
Foi leve, foi único assim, que eu não— primeiro que eu nunca tinha sido chamado para dançar forró. E eu achei aquilo uma surpresa. Eu falei assim, não, tô precisando de dançarino de forró. Aí, tá, sei dançar, vambora. Aí fui. Aí cheguei lá, eu vi para que que era. Eu falei assim, cara, que legal, tudo diferente assim, nunca tinha visto, né? Nunca tinha participado de nada disso. E eu sendo o único homem lá no meio da mulherada, dançando e tudo mais, sem saber o propósito disso.
É a única coisa que eu falei para você, dança forró, não precisa fazer mais nada. Ou seja, gente, vai dançar forró, isso pode te levar muito longe.
É verdade, a dança, a dança se leva. Aí eu falei, ah, vou me divertir aqui. Aí me joguei, aí eu fechei o olho e tal. Isso até comentou, ai, Lidl, olho fechado para se concentrar. Foi bem legal, foi uma experiência bem legal assim.
Ai, que bom!
Se quiser de novo, pode me chamar que eu vou.
Opa, pronto, tá registrado aí.
Pode chamar, pode chamar. Pô, esse quesito de dança assim eu gosto. É bacana.
E foi assim que tudo começou?
Sim. Como é que vocês se conheceram?
Como é que a gente se conheceu?
Tem a ver com a história, né?
Como sempre, né? Tem que ter uma longa história. Mas na verdade foi no Trinity Bar, né? Foi aqui, foi aqui em Dublin, no Trinity Bar.
Porque o Fábio, eu já tenho a sensação que a gente já se viu no Rio, né? Lembra que a gente comentou?
A gente com certeza já se viu, já.
A gente já, com certeza, algum churrasco, algum evento, com certeza. E Camila, tu é da onde mesmo, Camila?
Eu nasci em Santa Catarina, mas fui criada em Minas Gerais. Então eu tenho todo meu jeitão mineiro assim de ser, entendeu?
A gente tem uma certa conexão também porque meu pai é de Criciúma.
Ah, boa!
Então eu tenho que tirar minha cidadania catarinense, eu brinco disso assim.
E eu tenho que tirar a minha mineira. É isso, é o que o coração manda também, né? Sim, sim.
E aí vocês se conheceram aqui na Irlanda?
É, a gente se conheceu aqui e eu entrei no Trinity Bar assim, olhei para ele e falei, putz, vou casar com esse homem e agora? Porque eu tinha acabado de chegar, não queria namorar não. Imagina, queria curtir a vida, pegar os gringos. Claro, entendeu?
Tu chegou aqui comigo já de cara.
E pior que tu não é o primeiro caso que eu escuto não.
Teve gente assim, porra, não beijei nenhuma outra boca, cara, já fui logo conhecer.
Não, eu dei meu tempo, eu dei meu tempo. Sou safa, né? Mineira, né? Como que é? Mas foi assim mesmo, eu entrei no treino de bar, vi ele assim de cara e falei, nossa, na hora que eu grudar nesse homem eu não vou desgrudar. E aí, o que que eu fiz? Eu corria dele. Porque Dublin é um ovo, todo mundo sabe disso, né? É um ovo entre nós brasileiros. Então isso foi em 2017, quando eu cheguei. Ele já tava aqui um tempinho a mais, a mesma ano que eu cheguei.
Chegou quando? Em 17?
Fevereiro. Eu cheguei no final, cheguei no inverno. Não façam isso, que se você tiver vindo, chega no verão, é mais de leve.
17 fez frio, fez muito frio, muito.
Que eu cheguei em novembro, tava 40 graus no Rio, cheguei aqui, tava acho que Nossa, assim, da vez do Rio. Loucura.
Mas enfim, daí cheguei, vi ele lá, e aí ficava correndo dele assim, já vamos não sei aonde. Aí eu pensava, não, vai tal pessoa, ele vai, eu não vou.
Mas vocês chegaram a trocar ideia lá no trilho de barco?
Trocamos ideia assim, conversamos e tal. Eu já falei, isso aqui vai dar, isso aqui já vai dar, eu já sei que vai dar. E sério, eu corri dele um ano mais ou menos.
Caramba, um ano!
Eu não sei se deu uns 10 meses eu corri dele assim, meio onde ele ia eu evitava ir, porque eu sabia que ia dar match, entendeu?
Ia dar match.
E aí eu fui pro Brasil, acho que enfim, fui pro Brasil um tempo depois visitar a família e tal. E aí ele me fez uma encomenda, pediu um livro, traz um livro pra mim e tal. E aí eu, quando cheguei, trouxe o livro e fiquei correndo dele na mesa, mas não posso te entregar ainda. E fiquei uns 2 meses sem entregar o livro pra ele. Mas aí já não teve jeito mais, ele falou assim, ó, você me entrega o livro e eu quero um date.
Eita!
Falei, agora já não tem mais jeito, né? Vou enrolar até onde? E aí daí pra frente, né? Aí já era, já era, eu já sabia.
Caramba, mas o que que te fez vir para Irlanda?
Olha, eu tinha minha vida lá em BH, né, meu consultório, já era psicóloga e tudo. Mas sabe quando chega aquela hora que você tem tudo, tudo que o script, né, assim meio que fala? Tem seu apartamento, tem seu carro. Eu tava bem, sabe? Mas é o famoso falta alguma coisa, sabe? O famoso falta alguma coisa. Então não é que eu tava com a vida ruim, eu sou aquela pessoa que veio, a vida tava boa, tava organizada, sabe? Mas faltava ali um Com qualquer coisa.
E aí eu falei, não, vou. Inclusive, isso eu ensino muito, sabe? Eu falo muito isso em consultório, assim, que a gente precisa aprender, todos nós precisamos aprender a sair das coisas quando— sair da festa quando a festa ainda tá boa. Às vezes a gente espera ficar muito ruim pra gente sair, sabe? E aí eu usei muito esse princípio. Tá bom, tá muito bom, mas eu quero mais e eu quero diferente, né? Eu não quero mais aqui.
Tu quer uma outra festa.
Eu quero uma outra festa, exatamente. E aí eu não fui a pessoa que vim para cá jovem, exatamente. Eu já vim com mais de 30 para cá, 34 eu cheguei aqui. E aí cheguei muito no intuito mesmo, falava uma palavra de inglês e fui fazer, fui para escola de inglês com os chóferes. Eu era a senhora na sala, aquela senhora de 30 a mais no meio dos 18, 20, né? Enfim, mas foi muito divertido. Eu acho que foi um respiro na minha vida, assim.
Foi um renovo na minha vida ter vindo pra cá. Conheci meu marido, pronto, e tudo isso. Mas eu vim muito pra... Eu acho que eu precisava ampliar mesmo. Aquela coisa de ampliar os horizontes. Eu preciso ampliar o meu olhar. O que eu sei, eu já sei.
Tu não sabia o que faltava?
É, eu não sabia o que faltava. Então assim, eu tava procurando... E eu acho que hoje, né, tantos anos aqui... Na Europa e tudo, mudando de país algumas vezes, indo e voltando. Eu acho que o que me faltava era diversidade. Acho que às vezes a gente quer mais do mesmo, mas quando você entende que a riqueza vem de você ter diferente, de você integrar em você aquilo que é diferente e não mais do mesmo, acumular coisas mais, sei lá, mais roupa, mais dessa cultura, mais— eu acho que a riqueza é você conseguir aceitar, integrar em você aquilo que é diverso.
Eu acho que é uma riqueza diferente, sabe? E era, eu acho que era isso que me faltava, que o Brasil eu já tinha conhecido quase todo. Eu sou meio peregrina, nasci meio nômade.
A Camila mesmo tem cara daquelas viajantes mesmo, daquelas, sabe? Eu tenho uma amiga na faculdade que eu não sei se ela acha que ela trabalhava para viajar, que todo mês ela tava num lugar diferente, um lugar incrível assim, sei lá, interior da Bahia. Camila tem bem esse perfil assim, olhando para ela assim.
Eu era um pouco assim, meio me solta que eu tô indo. É, eu era meio assim, sim. Agora sosseguei, sosseguei.
Mas chegou um pouco, né? Chegou um pouco. Nossa família se mexe bastante, né?
Também não dá para romper com a identidade.
É isso, é uma coisa que eu percebo, vocês estão sempre viajando, né?
Isso é assim esse ano então, né?
Esse ano já foi chão, já foi quilômetros, e ainda vai mais.
A gente tava fazendo as contas, esse ano de meses inteiros que a gente dorme em casa todos os dias foram 2 meses de 12 meses.
Foram não, serão, serão, porque a gente já tá, é um cálculo de uma viagem, enfim, fez tudo isso.
A gente vai voltar agora, vai passar 5 semanas, a gente vai para o Brasil por 3 meses.
Olha que legal!
A gente volta para o Ano Novo.
Então, então vocês vão voltar para cá para passar o Ano Novo aqui?
Não.
Portugal.
Ah, tá em Portugal.
Portugal, pré-Europa, ele disse.
Ah, tá.
Eu tô bufando um pouco porque foram 4 andares com uma criança no colo, peso de 20 kg, que se mexe.
Tá garantido.
Mas quando eu saí, você tinha perguntado como você se conheceu.
Vamos ver a versão número 2.
Não, não, não, quero só saber se você contou bem.
Quando você contou, ela contou que te enrolou um ano.
Pô, foi isso mesmo. Podia pular, né? Não, tô brincando, tô brincando, não faz parte.
Mostrando como você é um homem resistente.
Nada supera o homem paciente. Nada. Nada. Paciência, atitude.
Verdade. Muito legal.
E aí tu encomendou um livro, ela enrolou mais 2 meses para entregar o livro.
É, mas o livro ele foi estratégico, né? Eu já queria, mas enfim, podia.
O cara paciente ele é estratégico, não tem como.
E aí pediu o livro assim estrategicamente, aí a gente, aí sim rolou o delivery do livro. Né? E aí foi delivery com cafezinho, eu estou, e o resto é história.
Como é que é manter essa vida movimentada? Tá aqui no país, depois tá no outro, e aí tem retiro no outro lugar, e aí atende a galera online, e com uma bebezinha linda, né? Como é que, como é que vive assim, gente?
Olha, é uma coisa mais natural da Camila.
A minha pergunta é: como é que vocês não vivem bem assim?
Mas como todo casal, tem sempre, tem os dois, não vou dizer extremos, né, mas o casal sempre se equilibra. Então eu sou um cara mais, por mim, fica mais em casa, né, não viaja tanto, fica mais aqui. E ela tem essa questão do movimento, se movimentar muito. E a gente foi, foi Tá legal o som? A gente foi manejando, tá da melhor maneira chegar perto, né? Mas isso na verdade foi construído em termos de família, né? Porque, porque que nem vocês estavam conversando antes, que você sempre se movimentou muito, sempre viajou muito, ela solteira, né?
Quando a gente tá em casal com uma criança fora do nosso país de origem, que não tem aquela rede de apoio sempre ali, Foi um, vamos dizer, um aprendizado contínuo, e ainda tá sendo, para a gente conseguir estar sempre nessa movimentação, digo geográfica mesmo, tá sempre se mexendo, ao mesmo tempo servindo da forma que a gente serve, né, trabalhando da forma que a gente trabalha, entregando o que a gente quer entregar, mantendo o máximo possível de saúde para Dana e para o nosso casamento.
Porque eu acho que isso que é o maior desafio, na verdade, que as questões profissionais, de novo, aí entra a questão de construção. Então a gente já tinha, desde o início, a gente tinha esse sonho, vamos dizer, esse plano da gente ter uma vida assim que a gente poderia, que a gente poderia, por exemplo, há 6 meses aqui, depois passar 6 meses no Brasil e continuar tocando os negócios. E quando a Dana nasceu A gente morava na Irlanda e foi uma época que eu tinha 3 trabalhos, né?
É mais que o personal, é personal, é treinador de kickboxing ali com os atletas e terapeuta. Então eram 3 trabalhos. Só que aí a gente falou, olha, agora ou nunca, ou a gente faz esse movimento de ter mais liberdade para a gente poder viajar e estar mais juntos e fazer as nossas coisas, poder estar Portugal, Irlanda, Brasil. E aí foi construída uma transição onde ela já trabalhava online e eu fui migrando para o online. Então, no sentido profissional, a construção aconteceu bem ali.
Quando se mudou de volta para Portugal, nós dois 100% online. E aí a gente conseguiu, a gente consegue agora viver dessa forma, que essa foi sua pergunta: como é que vocês conseguem viver assim? Então isso já criou uma estrutura. E aí vou deixar para você falar No sentido de, da saúde da família, da gente tá, da gente tá bem, da Dana tá bem. A gente tem essa sensibilidade de que ela não tá sendo over, como é que eu vou dizer, over sobrecarregada. E nem ela e nem eu.
É uma equação bem complexa, né? Mas eu acho que o propósito assim é muito mais sobre o propósito. Quando você sabe o que você tá fazendo Né? Você paga os custos pelo que você tá falando, a decisão de ir naquele destino, naquela direção. E nós, enquanto família, assim, a gente, todos os nossos trabalhos convergem para um único ponto, que é colaborar com famílias imigrantes de forma geral, famílias, mas claro que muito mais por famílias imigrantes.
Por quê? Porque a gente sabe o que a gente tá falando, né? A gente fala de um lugar, é o nosso lugar de fala, né? A gente vive isso, né? Então essa coisa da gente viajar, por exemplo, eu vir aqui uma, duas, às vezes três vezes por ano, a gente vem aqui para fazer os retiros, para fazer palestras, enfim, né? Colocar o nosso trabalho aqui é muito para colaborar com as famílias. Então a gente tem esse propósito, a gente sabe o que a gente tá fazendo, né?
E essa equação, claro que é complexa. Então tudo é muito calculado. Então de 12 meses a gente sempre tem que encaixar tudo isso, entendendo que se a nossa família família não tá saudável, a gente não pode de forma nenhuma colaborar com outras famílias. Isso é claro, né? Isso é óbvio. Então é muito sobre o tempo dela. Ela ainda é pequena, a gente ainda pode fazer. Imagina quando ela tiver na escola, não vai ser tão simples, né?
Então a gente pode fazer agora, não sei se daqui 5 anos a gente vai poder fazer, né? Então a gente tem que saber o timing das coisas também, né? É importante. Quando eu tava grávida, eu até fiz 2 eventos aqui em Dublin Mas quando eu tava no puerpério, quando ela era um bebê, já fiz bem menos, né? Assim, então tudo tem o tempo, sabe? E agora a gente ainda pode colaborar muito. E a gente quer, né? Então eu sempre falo que a gente...
É a frase que todo mundo conhece, mas... A gente... Só um pouquinho, filha. A gente sai da Irlanda, mas a Irlanda não sai da gente. É uma coisa, sabe? É uma coisa mesmo, assim. A gente tem uma paixão por isso aqui. A gente tem uma rede de pessoas aqui. E então a gente faz toda essa equação para vir mesmo, porque vale a pena. E o propósito é isso, é que as pessoas tenham família com qualidade de vida tal qual a gente quer para nós.
E como surgiu esse projeto de ajudar as famílias? Porque assim, eu entendo você, psicólogo, já é da sua profissão, né, ajudar indivíduos, vamos dizer assim. Mas quando você diz, quando, pelo menos para mim, né, quando já entra a família, já não é um indivíduo, são individuos, né?
Isso mesmo.
É um, como é que eu vou dizer, é um grupo de pessoas que formam uma unidade, vamos dizer assim. Então são mais fatores na equação.
Exato, são muito mais.
Obrigado.
É o cara, né? Sem ele não dá.
Sem ele não dá. Obrigado, Felipe.
Um sistema completo, né? Sim.
Então, da onde surgiu assim? Porque, por exemplo, até brinquei aqui do corte do casal que eu tava falando com o Pupilim. Que a gente conversou com um casal que já abriu no patrocinador, que a gente tem uma série, né, que é Brasileiros de Sucesso, que são de brasileiros que tiveram sucesso aqui na Irlanda, né, que vieram, fizeram curso de inglês, depois fizeram ensino superior, e aí ficaram, acabaram se tornando bem-sucedidos depois com, né, depois de ter passado por ensino superior.
E teve um casal que veio e ele já, eles são muito novos assim, abaixo dos 30 assim, que eu digo, acho que entre 23 e 25 anos a idade deles, e já estão aqui já quase 2, um já tá aqui mais de 2 anos. E a pergunta que eu fiz foi assim: como é que vocês, como vocês se mantêm casados aqui na Irlanda? Porque é uma coisa assim que a gente vê que acontece muito, de acabar o relacionamento das pessoas. E aí a gente viu que a palavra deles é o propósito.
A questão é essa, é o propósito. Então assim, como é que surgiu a ideia de ajudar as pessoas a terem um propósito de se manterem unidas. E mesmo com tudo novo, com as coisas que vêm novas, que vem adversas, outras vem, né, a favor, mas muitos vem adversas. Então assim, saber lidar com isso, como surgiu tudo esse, é porque assim, é algo muito grande, né, que vocês trabalham, não é algo simples. Já com um indivíduo já é difícil. É, eu faço terapia há 6 anos, como eu falei, assim, já é difícil.
Sim, tudo começa aí. Antes da gente trabalhar, tem gente que chega querendo trabalhar o casal, só que quer trabalhar outra pessoa, entende? Tá olhando para, não, porque ele, ou então porque ela, isso, isso, aquilo. E é entendível pelo momento que a pessoa tá. Realmente é muito difícil. Só quem, só quem imigra como casal ou imigra e depois tá num relacionamento fora sabe que é diferente do que você se relacionar no Brasil, casar no Brasil, ter uma família no Brasil, que já é difícil, né?
Só que no falar do outro e querer tratar o casal, muitas vezes existe o não querer olhar para si, para as próprias questões. E tem, é importante lembrar que você se levou para esse lugar e trabalhar a si, consequentemente ao seu redor também vai mudar. Isso é uma parte, é a questão de começar no indivíduo, mas tem também todo um olhar sistêmico que é o que é mais trazido também nos trabalhos em grupo.
Eu acho que essa pergunta que você faz ela é riquíssima, como é que se mantém casados, especialmente imigrantes? A gente sabe o índice de separação no mundo é altíssimo, né? Mas Imigrantes é gritante, é gritante mesmo. Aí eu encaixo na pergunta que você fez assim, né? Qual que é esse propósito, né? Como é que vocês chegaram nisso? É um princípio, na verdade, né? É um princípio, o princípio de que a gente precisa sair da esfera do eu.
Todos nós, o ser humano tá muito individualista, muito autocentrado, muito eu. Eu, pra mim, eu, eu, eu, sabe? E a gente só consegue ter essa qualidade de vida, nos manter casados, bem casados também, há que se dizer, né? Porque ninguém tá dizendo aqui pra você ficar mal casado, né? Mas ficar bem casado, ficar— é gostoso tá casado, é bom, né? Não quer dizer que não é desafiante, mas é que é bom. A gente consegue quando a gente sai do princípio do eu e vai para o princípio do nós, sabe?
Então todo o nosso trabalho, seja o meu ou seja o dele, a gente trabalha em frentes diferentes, frontes diferentes, mas para dizer para pessoa, olha, cuidar de você é importante, autoconhecimento mínimo, sensacional, entendi? É mesmo, tem que, você tem que se conhecer, mas para quê? Para você conseguir se vincular com as outras coisas, seja com a esposa, o marido, os amigos, um bom trabalho. A gente se vincula com coisas diversas, mas as pessoas estão muito centradas Sabe, muito centradas nela.
É claro, tô tendo uma sociedade convergindo para isso, né? Assim, as redes sociais é muito essa exaltação do eu e tudo isso. Então assim, é um negócio meio sério, meio amplo assim. E o nosso trabalho é levar toda, fazer uma mudança de mentalidade mesmo nas pessoas de que você se cuida para quê? Exatamente essa pergunta: você se cuida para quê? Afinal, quando a pessoa— e é uma pergunta difícil, sabe? Quando— e aí a pessoa olha e fala: é, para quê? Ah, eu tô só a última bolacha do pacote, e aí?
Essa é a primeira pergunta da primeira sessão de terapia. É: por que que você tá fazendo terapia?
Afinal, o que que você tá querendo da sua vida, cidadão?
O que você tá fazendo aqui?
É porque é isso que tá dizendo: é importante cuidar do eu, mas a gente tem que subir o próximo degrau, que é falar: tá, Eu tenho que ser uma boa pessoa para um coletivo, e o primeiro coletivo é a sua casa, é o seu marido, seus filhos, a sua casa de uma forma geral ali, a família que você tá construindo, tá? Então eu trabalho isso muito mais, o meu front enquanto psicóloga é muito mais trabalhar isso no sentido da mentalidade e da alma, né?
Depende em que nível que a pessoa tá, são coisas diferentes, né? Mental é uma coisa, alma é outra. E ele já trabalha nesse front do corpo, que foi onde ele começou, né, porque ele já foi atleta, porque ele é personal e tudo isso, trabalha com artes marciais e toda essa parte mais corporal. Ele também trabalha no nível mental das pessoas, de mudar essa mentalidade, sair do eu. E também agora na alma, porque ele também é terapeuta, né.
Então assim, tudo isso, por exemplo, você vai ter um bom, é um bom condicionamento físico, legal, que bom, saúde física, Para quê?
Exatamente.
Entende? Para quê? Então vai fazer com esses músculos todos, sabe?
Então aquela coisa é sim olhar para si, é sim ter autocuidado. Agora a questão é a razão principal, o porquê disso que nós távamos, porquê disso de você tá fazendo isso. E para poder ir para o coletivo, que a gente tá falando, sair ali da esfera do eu e mais para a esfera do coletivo, O eu precisa ser trabalhado. Parece um paradoxo, até um paradoxo, né? Para você sair do eu, você tem que olhar para o eu, porque antes de olhar para o eu, você acha que tá olhando para o coletivo, mas não tá, entende?
Por exemplo, uma, uma, lida muito com isso, uma mulher que cuida muito dos outros e não cuida de si, parece que ela tá no coletivo, mas não tá. Na verdade, tem autopunições ali, tem muitas, tem muitas coisas ali por baixo que ela tá centrada no eu. Por isso que ela acha que ela tá cuidando dos outros e deixando de cuidar de si. Então ela tá presa no eu. E aí, para ir para o coletivo, ela tem que passar pelo eu para sair do indivíduo e ir para o coletivo, e para, enfim, começar a ir para a esfera familiar.
Mas assim, para concluir muito essa, responder sua pergunta diretamente, né, assim, como é que se mantém casado, especialmente os imigrantes? Eu sei que é um rolê. Às vezes a gente, quem chega, às vezes tá muito nesse modo sobrevivência, né. Vou fazer o dinheiro para pagar o aluguel, né? A gente sabe, a gente já passou por isso também, a gente sabe disso. Mas tem que sair desse lugar. A gente faz terapia, e eu acho que as pessoas— gente, sou psicóloga, façam terapia, não é sobre— façam terapia.
Mas chega uma hora que a terapia, o assunto não pode mais ser só você, sabe? Chega uma hora, aí começa em você, mas daí você tem que graduar. E a mesma, aí eu respondo: como é que você se mantém casado? Quando você tiver mentalidade e visão do nós. Aí você se mantém, certamente você se manterá casado, certamente você se manterá. Claro que são duas pessoas, né? Quando as duas têm essa visão, é muito mais fácil de manter esse casamento, sabe?
E aí eu emendo no que você falou desse outro casal, né, do que você entrevistou, que é O casal precisa ter, eles precisam olhar na mesma direção. O que que um casal precisa? Qualquer casal, qualquer da Terra, precisa o quê primeiro? Estar olhando na mesma direção, seja ela qual for, seja ela qual for, mesma direção junto, entende? Nós dois, por exemplo, temos isso em comum. Nós temos o princípio da família e por isso nós trabalhamos para isso, para fornecer isso para as outras pessoas.
E aí a gente olha nessa direção. Entende? Esse casal, claro, não os conheço, mas a princípio, né, a leitura que eu faço é: eles estão olhando o quê? Para esse lugar de construir uma carreira, sabe? De ser assim um lugar de business. Não sei se vocês têm um empreendimento, que seja, eles têm isso. E às vezes isso une eles também, para além do amor. A gente tem uma fantasia gigantesca de que o amor vai dar conta de tudo. Amor não paga conta, não, ele não dá conta de tudo, sabe?
É diferente de paixão, é contrário.
Para manter o casamento unido precisa ter de um direcionamento, os dois olhando na mesma direção, seja ela qual for. Tem casal que olha para quê? Para dinheiro. E tá tudo bem, certo? Não tô julgando, não tem mais bonito, mais feio, tá? É isso, olhar na mesma direção e entender. Amor não une pessoas, definitivamente não, não mantém as pessoas unidas, sabe? E esse princípio do nós, se você não tiver o princípio do nós, os dois olhando para a mesma direção, Não vai funcionar, vai ter separação, entende? É isso, para responder bem diretamente, direto ao ponto.
E aí, como é? E aí, o que que te levou aqui na Irlanda a criar o projeto de vocês? Porque assim, é muita gente diferente, né? É muita história, né?
Nossa, teria que ter muito podcast para contar todas as histórias.
Terminou ontem, né? O Travesseiro terminou ontem. A quantidade de mensagem já que ela tava lendo no carro antes de vir, de coisas que já aconteceram de ontem para hoje. Nossa Senhora, imagina juntando com todos os outros também.
É, mas eu tenho muita história para contar. Mas você trouxe aqui uma coisa no início que é a gênese mesmo. Tudo começou, claro que tudo começou muito antes, porque eu fazia grupos de constelação aqui, constelação familiar, junto com a Juliana. E a gente fazia juntas grupos e tal, era duas vezes por mês. Agora já não me lembro mais, porque isso foi nos primórdios, mas aí pré-pandemia, pré-pandemia, gente, outros tempos, outra era, outra era.
É, foi, foi. E aí, nesse episódio que você foi dançar forró, é que tudo começou. Porque tudo começou com isso, eu tava ali dando um workshop pra falar de casais, né? Pra falar de relacionamento amoroso. E era aquele episódio, acho que foi só uma tarde. Então eu comecei fazendo uma tarde, depois virou um dia. Aí já um dia não comportava, porque as pessoas, as mulheres queriam mais. Eu trabalho muito mais com mulheres, né? Queriam mais, queriam saber mais de tudo isso.
E todo esse universo, e como é que faz pra chegar lá e tal. E depois isso mudou de nome, foi indo e virou o Travessia, né, que é uma imersão de alto impacto pra mulheres que acontece pelo menos uma vez por ano aqui na Irlanda, às vezes duas vezes por ano, onde a gente vai, fica lá pelo menos 3 dias sem internet, sem telefone, sem mundo, sem interferência nenhuma. E aí ali é tiro, porrada e bomba. Ali a gente faz toda uma transformação mesmo assim de mentalidade.
Elas saem de lá com direcionamento, com mapa. E é o que eu acho que é rico dentro do processo. Tantas coisas são ricas, mas o que é rico no processo do Travessia é que as mulheres saem com direcionamento personalizado. Não é igual para todo mundo. O seu caminho não é o caminho do outro, sabe? Tem gente que tá precisando desacelerar, outras pessoas estão falando, olha, vamos, bora, acelera aí, moça, que senão não vai dar tempo.
Né? Então eu acho que a riqueza é isso, não é um processo genérico, sabe? Assim, então eu tenho muita história para contar. Imagina, são muitos anos assim. Eu já fazia isso no Brasil antes.
Ah, tá.
Então já era algo que já não é uma coisa que eu aprendi a fazer aqui, mas eu tive que aprender as condições daqui. Sim, condição do imigrante é bem específica. Então eu, é isso que eu falei, eu falo de um lugar que eu conheço. Né, por exemplo, uma mulher grávida que vai ter o filho aqui sem rede de apoio, eu sei o que eu tô falando, eu sei o que ela vai passar, exatamente o que ela vai passar, né? E aí tem ali aquele caminho. Mas esse princípio que a gente tava falando antes do eu e do nós é muito que não é fácil de construir, não é assim tão fácil.
Ah, entendi, tô escutando aqui no podcast, entendi, vou fazer, né? Assim tão fácil, né? Mas tem uma história que é muito engraçada assim. Que num desses episódios, desses workshops que eu dava de um dia ou de uma tarde aqui em Dublin, teve um episódio que a gente tinha lá uns tapetinhos de yoga assim, mas para sentar, não era para fazer yoga de fato. A gente fez uma roda assim e aí tinha lá os tapetinhos. E o princípio do eu era tão forte naquelas mulheres naquela época, né, que elas não conseguiam partilhar o tapete para sentar. Eu sei que parece assim, como assim? Mas eu tava lá, eu vi essa loucura.
Lembrando que quando chega num evento desse, num set terapêutico, as atitudes, as características de cada um, elas se potencializam. Então não significa que se elas fossem numa aula de yoga elas não iriam partilhar. É claro que iam partilhar, tá tudo bem. Mas naquele ambiente, ah não, as coisas se mostram, tá? Entende?
O que você viu ali é muito precioso. Você teve ali?
O que você viu?
Sou lisonjeado por isso.
Você tava lá na Jeep.
E quando tu vê assim alguma diferença assim gritante entre as pessoas do Brasil e os imigrantes, assim algo assim que caraca é de praxe?
Nossa, é gritante, é em nenhum. Acho que todo imigrante sabe. Primeiro uma coisa assim, a gente sabe que se a gente chegar lá no Brasil e contar as coisas ninguém entende, né? Isso é unânime, a gente já conversou em boteco assim aqui, né, em pub. Boteco é coisa de mineiro, né? Mas enfim, a gente conversa, a gente sabe, a gente chega lá, conversa e ninguém entende nada a intensidade que é assim. Mas nesse sentido, né, que a gente tá falando assim, eu acho que o gritante é que aqui as pessoas demoram mais, o imigrante de forma geral, né?
Mas falo muito de Dublin porque eu trabalho muito, eu tenho muitos pacientes aqui e faço os grupos aqui, tudo. E eu acho que o mais gritante é isso, é mais difícil, leva mais tempo para você sair dessa autoimportância, desse eu que eu tô aqui falando. Demora muito mais do que as pessoas no Brasil. Por quê? Por causa do princípio da sobrevivência e essa sensação de que é eu por mim, eu estou em plena solidão. A gente, todo mundo aqui já sentiu isso muito.
Tipo, mano, é eu por mim, não é assim, ninguém vai vir me ajudar, sabe? A gente tem um pouco dessa sensação de que se tudo der errado é comigo, né? E então é mais difícil você entender, criar uma rede de pessoas de fato que estão à sua volta, sabe? Lá não, lá você meio que pode correr para aquele amigo de infância ou para uma tia ou sei lá, daí contexto de cada um, você meio que tem para onde correr, sabe? Então aqui não, você chega, você se sente só assim, você fala, meu Deus, eu sou só uma pessoa na multidão e eu tenho que ficar nessa sobrevivência assim.
Então até você levar a pessoa e falar assim, calma, respira, você consegue ter esse nós, sabe? Esse lugar de construir uma rede de pessoas. E eu tenho orgulho mesmo e posso falar assim, igual mãe orgulhosa de filho, sabe? Eu falo, o Travessia, né, essa imersão que eu faço, na travessia, ela promove muito essa sensação de rede. As mulheres lá são família mesmo, é impressionante. Que nem eu conseguia calcular que isso ia acontecer assim, sabe?
E agora tá acontecendo um fenômeno depois do último Travessia, não esse agora, mas do ano passado, que a gente convidou os maridos para vir no último dia. E eles vieram todo receosos, né, achando que a gente ia fazer terapia com eles, né? Deus o livre, imagina. Imagino eu fazer terapia. E aí eles vieram, mas claro, a gente não fez nada disso. Foi uma tarde muito gostosa, almoçamos juntos e tal. Mas o princípio era eles se conhecerem. E hoje, pasmem, são amigos. Entendi.
Normal, pô.
Deve ter grupo de futebol.
Já tem. Eles foram, né? Tem muito Irish, né? Marido Irish. Aí eles saem para jogar golfe, claro, né? Porque é muito Irish jogar golfe e tal. E aí, enfim. Mas esse princípio, a gente, nós imigrantes, nós temos sim que fazer muito mais força e nos esforçar muito mais, custa muito mais para fazer rede de apoio real. Sim, é real isso, a gente sabe.
É porque a gente não sabe o passado de ninguém aqui, né?
Não sabe quem que você tá falando ali, você não sabe com quem você tá falando. A gente fica meio cascaldado assim, sabe? A gente fica meio receoso assim. Apesar de no início parecer que a gente quer fazer muitos amigos. A gente tem esse desejo, todos nós temos, né? Mas a gente não se vincula de fato, não faz a relação de verdade. É tudo meio, ah, conheço, sei quem é, sabe?
Acho que também agrava a questão da rotatividade também, né? As pessoas aqui vão, vem e vão, vem e vão, ou às vezes só vão. Então assim, eu lembro, por exemplo, até o terceiro ano de Orlando, vou fazer 9, Agora, então até o terceiro ano, né, que tinha a galera que já acabava o curso de inglês e ia embora e tal assim, você via, né, tinha aquela sensação assim, pô, não dá para se vincular muito com a pessoa porque daqui a pouco a pessoa vai embora, pô.
E isso é verdade, é verdade. E tem um lado positivo que é a mudança disso, de quando a gente chegou, que você chegou a 9 anos, eu cheguei a 12 anos, você chegou a 8 anos. É que naquela época isso era muito mais comum que hoje. Hoje a quantidade de famílias estabelecidas aqui brasileiras, donos de negócio, aqui os patrocinadores, né, que estão realmente estabelecidos aqui, é muito grande. Então existe também a possibilidade de criar laço e criar vínculo, coisa que quando a gente chegou era muito difícil mesmo, muito difícil, porque você começava a criar ali, virou ali melhor amigo e vai embora.
Hoje não, hoje isso é extremamente possível. Inclusive, quando a gente consegue aprofundar a amizade, a amizade daquela se torna mais intensa. E pessoas que a gente conhece aqui às vezes há 5, 6 anos, tem a sensação que é tão amigo quanto seu amigo de infância, de 20 anos, 30 anos atrás lá. Então tem esses dois lados. Então, para quem tá chegando agora, acho que é importante também que se quiser ficar aqui, olha, existem também pessoas que já estão estabelecidas aqui.
A gente tá na casa, a gente tá lá com o Lucas e Amanda, e quando você vai ver o condomínio deles e os vizinhos, nossa, quantidade de brasileiros com família, com filhos que nasceram aqui, tudo é muito, é uma comunidade muito, muito, já muito unida, sabe? Pensando já a longo prazo aqui, isso é muito bom também.
Essa rotatividade eu percebo ela, mas o convite é que eu faço mesmo assim enquanto psicóloga. Para todos que tiverem ouvindo e tal, para todos nós, é que a gente entenda que isso é uma condição, é uma realidade. A gente escolheu isso, a gente escolheu ser imigrante, ponto. Seja aqui, seja em outro país qualquer, né, que esteja ouvindo. A gente escolheu isso e isso não pode ser um impeditivo para a gente se vincular. A gente tem que saber, essa é a condição, eu vou me vincular, vou fazer amigos, vou fazer uma rede de apoio real mesmo com essa condição, porque ela é Ela é, não tem jeito, entende?
E você pode trazer riqueza disso. Vou dar um exemplo, que é isso que ele disse assim: a gente tem amigos aqui, a gente tem amigos que a gente conheceu aqui que já moraram em Portugal, agora já estão na Espanha. Nós somos padrinhos do filho deles, entende? Ah, mas foi embora. Mas é nosso, porque vínculo não se desfaz. Um vínculo de verdade, ele não se desfaz com a distância, entende? Então o próprio, aquele, citou agora, a gente tá na casa deles, né, dessa vez estamos hospedados lá, da Amanda e do Lucas, que fizeram 10 anos de casado agora e nos convidaram para vir celebrar o casamento deles, entende?
A gente mora em outro país, entende? E tudo isso assim, toda essa, olha que riqueza a gente ter amigos morando em países diversos, mas amigos mesmo, aquelas pessoas que você sabe que não é que não vai só te oferecer o sofá para você só turistato. Eles te querem na casa deles. Isso são vínculos. E então a gente tem que entender, é imigrante, tem essa realidade. Isso pode impedir os vínculos? Não. Só que é mais difícil de fazer. A gente tem que ter mais investimento do que se a gente tivesse no Brasil.
Aí, por um lado também, os vínculos acabam sendo mais assim, vamos dizer, fortes, né? Porque assim, muitos dos vínculos são feitos em momentos de vulnerabilidade, né? Seja física, seja psicológica e tudo mais, né?
Exatamente.
É um momento assim, acaba que você— aquele momento que eu tava bem mal, conheci essa pessoa e a gente trocou uma ideia e ele me ajudou nesse quê? Coisas do cotidiano do imigrante mesmo, sabe?
E é só assim que vínculo é feito, seja em lugar qualquer do mundo.
É mais intenso, muito mais intenso.
É que a gente acha que a gente vai fazer vínculo quando a gente tiver bem legal assim, bem lindo na foto, né? Tipo, bem lindão na foto. Não, na hora que eu tiver bem lindão na foto, daí as pessoas vão gostar muito de mim e vão querer ser meu amigo. Só Só que o receita é completamente ao contrário, é exata que você falou agora, exata. Isso para imigrante ou qualquer pessoa.
Tu me lembrou agora uma coisa que tem nada a ver, mas um dos meus grandes amigos, o Alex, a gente se conheceu foi numa batalha de break. A gente dançava break, legal, e parecia que a gente ia sair na mão, era dedo na cara um do outro, não sei o quê. Aí acabou a batalha, a gente se abraçou, na semana seguinte se encontrou para treinar, e aí a amizade tá até hoje, quase 20 anos.
É isso, é aleatório. É aleatório nesse sentido, entendeu? Não é desse lugar que você, nossa, eu tenho que ser uma pessoa muito legal, muito isso, muito aquilo, e daí vai funcionar. Não, é na hora que você tá lá, ou na sarjeta, né, no limbo, uma vulnerabilidade gigantesca, né? Ou quando você tá assim desavisado, assim, num rolê, aí você faz, fala, nossa, e aí, tudo bem? Gostei de você, você é muito louco, sabe? E essa troca assim.
Amizade vem desse lugar de vulnerabilidade, definitivamente. Não queira ser o cara legal, sabe? Não vai funcionar, você tá forçando alguma coisa, sabe? É muito legal assim. Mas o imigrante é mais dispendioso a gente fazer esses vínculos. Mas nós temos a possibilidade de ter vínculos mais sólidos do que se faz no Brasil, sabe? Eu sempre falo que o que muito vale, muito custa. Então, o que que eu tô dizendo? Nós imigrantes, sim, amizade custa mais, a gente tem que investir mais, só que ela tem um valor muito maior, ela é muito mais sólida do que às vezes as coisas, as amizades que são feitas no Brasil. Elas são mais sólidas. É ou não é? É isso.
Não, concordo. Tem gente que, por exemplo, já não vejo há muitos anos, mas pô, a gente teve um ótimo relação uns anos atrás aqui já na Irlanda, mas a gente não se vê por conta de rotina mesmo, cotidiano. Mas parece que a gente se viu ontem.
E aí é o que acontece com amigos de infância. Sim, é o Brasil, amigo, você não fala 8 anos, parece que você é muito.
É a intensidade. Mas vocês que migram assim, já migraram já de país 3 vezes, né? Vocês foram para Portugal e voltou, voltou, conheceu aqui.
A gente foi para Portugal, a gente voltou E agora a gente voltou para Portugal de novo.
Sim, tá melhor lá em Portugal, tem mais sol, né, gente?
Resposta óbvia, mas é isso.
Esse foi o motivo principal. Mas qual foi o motivo principal mesmo assim de vocês migrarem da Irlanda para Portugal da última vez?
É definitivo?
Foi definitivo?
Definitivo? O quê? Você é definitivo morar lá?
Eu digo nada, alguma coisa definitiva.
Quando a gente voltou de Portugal para cá pela primeira vez, eu falei: nunca mais volto a Portugal. Não, não, não, mas é sério, é sério.
Eu falei: nunca mais volto.
Nunca mais volto.
É verdade.
E passado 2 anos e meio, 3 anos, vamos voltar. Então tá definitivo em Portugal? Não, não posso falar. A gente tem planos, a gente tem planos.
Vou falar um, não sei, tô só chutando, mas é o homeschooling para ela, para não ficar tendo que ir para escola, faz o homeschooling lá ali, é bem de boa. Acho que é bem popular nos Estados Unidos homeschooling.
Portugal tá crescendo, né?
Portugal tem muito também, mas não, não, para ela vai para escola, tem que estar em comunhão com os irmãozinhos, com os coleguinhas, tem que ter o convívio social.
É, a gente escolheu isso.
E aí a gente aprende português de Portugal com ela. Sensacional, sensacional. Mas o principal motivo de ter ido, deixar para você, amor.
Eu acho que o principal motivo da gente ter ido por último agora é, eu acho que foram as condições assim aqui de vida que a gente tava tendo aqui, né? Enfim, condições financeiras, tudo muito caro, tudo muito difícil nesse sentido. E a questão dela, né, a criança, assim, eu acho que para nós, isso não é um princípio para todos, mas para nós faltavam coisas essenciais na criação dela aqui na Irlanda, para nós, nosso princípio, daquilo que a gente queria oferecer, de acordo com o que a gente teve também, a gente queria oferecer para ela, né.
Então, de forma nenhuma eu tô dizendo que a infância na Irlanda é ruim, Mas da nossa referência, do que a gente queria fornecer para ela, faltavam itens essenciais, né? Então eu vou dar um exemplo. Quando a nossa filha tinha 1 ano, a gente foi fazer a festa de 1 ano dela no Brasil, família e tudo, né? Já é mais fácil ir do que trazer o povo todo, logicamente. Então a gente foi, pronto, fizemos lá. E quando chegou lá, era verão, porque era março, aniversário dela em março.
E muito quente, aquela coisa toda. E chegamos tirando uma roupinha dela, deixamos ela de fraldinha naquela época, ela engatinhava. E aí ela— eu fiquei muito chocada assim, eu não vou me emocionar, mas ela não conseguia colocar os joelhinhos no chão porque ela nunca tinha engatinhado sem roupa, sem estar com roupa, com calça. Então ela andava como uma aranha assim, com os pezinhos, não conseguia colocar o joelhinho no chão, sabe? Aquilo me louco.
Eu falei, meu Deus, logo depois ela, claro, né?
Mas foi impactante naquele primeiro momento assim. Claro, depois ela engatinhou e pronto, andou de fraldinha para todo lado e tudo certo, sabe? Mas aquilo, gente, tá faltando alguma coisa, né? O contato. Então para nós foi muito sobre o contato que ela não tinha muita condição de ter com a terra. Eu fui criada meio no interior assim, eu tenho um pouco esse princípio, sabe, de subir em árvore, essas coisas todas. Então isso era muito essencial para nós.
Então nós decidimos, e também porque ela nasceu lá, nossa filha é portuguesa, nasceu em Portugal, a gente queria que ela tivesse essa primeira infância pelo menos em contato com a terra dela, honrar também o país que ela nasceu, sabe? E ter mais esse contato com esses princípios que para nós são importantes. O que vai ser depois eu não sei, mas eu acho que é muito importante para nós pais, né, Vou emendar uma coisa que me veio, se você me permite.
Você tem toda a permissão.
Pra nós pais, ou você, né, que tem às vezes o marido é árabe, ou a esposa é árabe, ou enfim, de outra nacionalidade, é muito importante a gente dar raiz pra essas crianças que estão nascendo multinacionalidade, sabe? É muito importante pra criança, pro psicológico da criança, é importante que você dê raiz pra ela. Ela tem que saber de onde ela veio. Você pode ser nômade o tanto que você quiser, como nós somos, Sabe? Mas a gente, esse é um lugar que a criança fica perdida depois.
Ela é tudo e não é nada, sabe? Então dá um pouquinho, uma dose de raiz, de consistência daquilo que ela é. Então, na nossa filha, nasceu em Portugal, né? Então ela tem esse princípio. E ela também conhece muito isso aqui, a Irlanda, por exemplo. Ela tá sempre falando, quando a gente fala vamos pegar o avião, a primeira coisa que ela fala, vamos para Irlanda! Para ela, avião só vem aqui, entendeu? Ele sempre vem para cá. Enfim, ou para o Brasil, né?
Ela falou ou a Irlanda ou Brasil, ou seja, isso faz parte da vida dela, né? Faz parte mesmo.
Ela e a criança carrega tudo isso. Só que mesmo carregando tudo, ter ali a raiz de onde você veio é muito importante, muito importante. Mesmo que se a gente não tivesse ido morar em Portugal, mas teria que estar claro para ela já onde ela nasceu, qual cidade que ela nasceu, o que que tem lá de diferente. Entende? A comida típica, que seja algo para ela ter ali conscientemente de onde ela veio, a raiz dela, para que daquela raiz firme ela possa expandir.
É isso, essencial.
Inclusive é uma coisa que é muito trabalhada com quem imigra, de esquecer, querer esquecer a raiz do Brasil.
Eu acho isso bizarro. Putz, é muito coisa que eu mais gosto é ser carioca, por exemplo. Imagina parar de falar do jeito que eu falo.
Não tem como, não tem como.
Você perde quem você é, perde uma parte sua, você fica manco, sabe?
Eu não consigo nem me ver, sei lá, falando porta. Não tem como, não faz sentido. Com todo respeito a quem fala, né? Mas é tipo, sei lá, eu sou brasileiro, aí não, tudo bem, isso aí já não tem nada a ver, porque aí já entra já Nada contra, mas assim, pô, botar o nome do meu filho tipo irlandês, por exemplo, sabe? Eu não botaria, sacou?
Mas é uma questão muito de raiz, é muito de raiz assim. Eu imagino que se você tiver uma esposa Irish ou, né, um marido Irish, ok, faz sentido, mas é escolha de cada um. Mas a questão muito é a raiz, sabe? Pertencimento. A gente tava agora, né, a gente ontem terminamos o travessia, né? A gente tava lá, dessa vez foi lá em Mead, uma casa lá em Mead, e tinha lá uma portuguesa que veio de Portugal. As pessoas vêm de outros países para fazer aqui, sabe?
Inglaterra, Escócia, uma da Inglaterra também, já veio da Escócia, da Alemanha, enfim, brasileiras. A portuguesa é portuguesa, mas todas falam português. Nós temos lá uma romena maravilhosa que fala um português, olha, melhor do que eu, porque ela é casada com brasileiro há muitos anos.
Eu olhei, eu escutei, eu falei, não, não, enganada. É minha paciente, eu sei que ela é romena. Não é não, ela é muito perfeita. Presta atenção nela falando, é muito perfeita.
Português dela é perfeito. E aí a gente terminou, né, falando assim que vem pessoas de outras, de outros países, né, para cá, mas a maioria brasileira, claro, ou portugueses, porque fala, né. A romena é um item à parte, né, a pessoa tem que falar porque eu faço tudo em português. E aí tinha lá uma portuguesa, e aí nos cardápios todos lá a gente serve tudo, mas ela falou, não, tem que ter sopa, porque para o português tem que ter sopa antes da refeição, é um hábito deles.
No verão também, é um hábito muito bom, por sinal. E aí as únicas duas pessoas no travessia todo tomando sopa era quem? A minha filha e ela.
Aliás, aprendi a tomar sopa antes da refeição aqui, parece que é uma estranha de curiosidade.
Aqui também é, aqui também tem isso.
Mas que faz mais sentido que é um país frio, mesmo no verão é frio, né?
Mas as sopas daqui são boas, tem umas sopas top, fica o pãozinho na manteiga, é bom demais.
Lá em Portugal também é muito bom. Mas muito para falar dessa coisa de quanto é importante, sabe? Assim, eu já vejo aí, ali eu vi, nossa, deu certo, né? Ela já sabe quem ela é, ela já sabe aquilo que é da terra dela, aquilo que é importante para ela. Não precisa ser para mim ou para o pai, é para ela, sabe? E ali você vai dando liberdade para criança ter identidade, né? Identidade dela. Eu não sou portuguesa, mas ela é. Então eu enquanto mãe, ele enquanto pai, nós escolhemos que ela nascesse lá e tudo, né, dentro da nossa história de família.
Mas eu tenho que deixar ela ser portuguesa então, sabe, um pouco, né? Ela é uma mistura, ela é filha de brasileiro, mas ela é portuguesa e que teve os primeiros anos de vida na Irlanda. Essa é a história dela até aqui, né? Vamos ver até onde vai essa loucura. Mas tem que deixar ela ser, sabe? Acho que isso é bem importante assim. Aí achei fofo, sabe? Eu falei, as duas sentadas lá, as portuguesas sentadas tomando sopa, né? Só as duas.
Sensacional.
Legal, legal.
É muito impressionante, mas acho que é legal.
Tem algum país assim que você já pensou em migrar assim, ficar bastante tempo? Sei lá, na Ásia, um lugar, por exemplo.
Um país que eu sou apaixonado é Espanha.
Espanha tá do ladinho já lá, do ladinho, só atravessar a fronteira.
É, mas morar lá não sei, mas enfim, enfim, a gente não sabe o futuro, mas é um país que eu moraria com certeza. Já conversou que todo mundo moraria lá, com certeza. Inclusive nossos afilhados moram lá.
Eu quero me mudar agora. Claro que não, sossega a bunda.
Não quer?
Eu tenho bons olhos para Espanha também, muito por conta do clima e por ser uma língua também diferente do português, que ainda, ainda tô muito jovem, não gostaria de morar em país de língua portuguesa porque já é minha língua mãe, né? Então gostaria assim, tipo, para morar no lugar que minha A língua ainda fosse um desafio, que aí pelo menos eu aprendo, me desafio mais.
Ah, você quer aprender mais uma língua? Sim. Legal.
Eu fiz um ano de Duolingo de espanhol, né?
Aí eu já me viro, já dá para pedir uma tapa, fazer tal.
O Darim faz alemão, né, Darim? Já tá, já tá alemãozão, né? Eu faço francês, francês, francês, japonês, já francês, já japonês. Olha só, francês é porque eu acho legal, japonês porque eu quero ver anime sem legenda.
É isso, é a minha motivação.
Dari é o nosso japonegro.
Maravilhoso, maravilhoso. Eu acho que a Espanha Espanha tem um que eu vejo, né, assim aleatório meu comentário, mas eu acho que tem um quê de Rio de Janeiro assim, tem um quê ali na costa, né, muito bem para as praias.
Quando eu vim para cá, muita gente falou assim, cara, você tem que ir para Barcelona. Aí outro falou de Valença, Málaga, não sei o quê. Cara, tudo parece o Rio de Janeiro que deu certo, porque eu sempre falei, eu gosto de surf, eu gosto de jiu-jitsu, eu gosto de vida ao ar livre. Isso é uma coisa assim, um país vivo. É, e por conta dessa questão, aprendendo meu pack. Então, por conta dessa questão do estilo de vida, uma coisa que eu concordo muito com vocês assim, de não querer ter filho aqui na Irlanda.
Porra, não quero. Eu acho que o lifestyle deles aqui é bem bonitinho. Eu acho que o lifestyle deles aqui é— e lá foram os dois, ficou sozinha.
A dona senta aqui agora.
Eu acho que o lifestyle daqui também Tô brincando, gente. Eu acho que o lifestyle da vida deles aqui é meio parado, não sei, não me agrada muito não, muito chato. Eles mesmos falam que eles não têm muito o que fazer.
Ok, é aquela questão de sempre para pub, aniversário é pub, celebration é pub, tudo é pub.
Você vê que quando tá, por exemplo, hoje tá um dia bonito, tá todo mundo na rua. No inverno não. No outono também não, é tudo lugar fechado.
A gente cresceu indo para praia, acho que é do Rio de Janeiro, indo para praia o tempo todo, floresta o tempo todo.
Então eu tenho um amigo, por exemplo, que ele mora no centro ali de Lisboa, esqueci o nome do lugar, mas pô, 6 horas da tarde tá toda a galerinha, sei lá, em dezembro, sim, tá ali no morrinho ali tomando uma cervejinha e tal, vendo o pôr do sol.
É diferente, faz uma boa diferença mesmo, entende?
Então assim, nós somos tropicais, solares, né? Isso faz falta assim. Emendar muito naquilo que a gente falou e não seguiu aqui o raciocínio, mas a questão do pertencimento mesmo. Na verdade, a gente vem, né? A gente imigra porque a gente quer o diferente, tudo aquilo que eu falei no início, né? Assim, a gente quer a diversidade, como é rico, né? A gente ser diverso e tudo. Só que o que nos pertence e o que nos constitui não tem jeito, sabe?
Aquilo vai pulsar de algum jeito assim, e a gente não pode negar, sabe? Então é isso, a gente é solar, a gente tem essa necessidade, todo ser humano, né? Mas nós que nascemos solares, né, tropicais, digamos, a gente vai ter essa necessidade. E eu vejo muito assim como as pessoas às vezes adoecem. Isso agora tô falando bem do ponto de vista de psicóloga. Nossa, tô sendo muito psicóloga agora. As pessoas adoecem, sabe? Elas acham que elas adoecem pela falta de sol só, que isso obviamente biologicamente você não pode ficar sem sol, né?
Vitamina D, a coisa toda. A gente já mora aqui, sabe disso. Mas aquela depressão que vem ali no inverno, né, aquilo tudo, isso existe, pô, isso existe muito, isso é real demais. Tem que cuidar. Se você mora aqui, tem que cuidar, não ignore isso, sabe? Mas muito também as pessoas ficam doentes emocionalmente. Essa depressão não é só por causa do sol, tá, ou por causa do inverno. Elas ficam, vão ficando doentes com os anos porque elas estão negando partes delas, parte que constitui você, sabe?
Parte, por exemplo, a gente tava aqui falando do Rio de Janeiro, aquilo te dá um, sabe, um boost assim. Você fala, nossa! Então a gente tem que cuidar que todas as as nossas partes pertencem. Você pode morar aqui, pô, claro, você pode escolher morar aqui por milhões de razões, né? E eu amo esse país, apesar de não morar mais aqui, né? Mas eu amo muito. Mas a gente não pode negar quem a gente é. E primeiro, a gente é brasileiro, ponto.
E da onde que você for, né, São Paulo, Rio, BH, como é o meu caso, enfim, da onde você for, né, do Norte E é importante você ter contato com isso. Quando você perde o contato com a sua raiz, você pode morar fora mil anos, quando você perde o contato com a sua raiz, você começa a adoecer. É tipo uma árvore que começa a secar, leva um tempo, sabe, mas ela seca. E tudo que você vai colhendo no caminho, países que você já morou, línguas que você já fala, tudo isso, né, a gente tava aqui brincando com ele agora, fala japonês, fala francês, tudo isso, isso na verdade vai constituindo ele.
Vai constituindo a gente. Então o Brasil é a raiz e todo o resto, todo o resto te constitui também, te pertence, sabe? É uma posse que você tem, é quase uma posse. A Irlanda, por exemplo, ela é posse, eu tenho posse. Eu chego aqui, pô, tô em casa, é minha, é minha Irlanda. Eu nem tenho cidadania, não é sobre isso, sabe? É muito, eu me constitui, eu conheço isso aqui, eu sei circular, eu sei como é que é, sabe? E me faz falta vir aqui daqui, sabe?
Eu ter contato com alguma coisa daqui, porque eu já, um pedaço de mim já é isso aqui. Imagina o Brasil, sabe? Às vezes a pessoa adoece. Eu recebo muitas pessoas no consultório, muitas que estão doentes porque desconectaram da raiz e tão vislumbrada com um monte de coisa que é muito legal mesmo, mano, é muito legal. Eu sou imigrante, eu adoro ser imigrante, eu acho que eu não vou deixar de ser nunca. Né, não sei se um dia eu vou voltar para o Brasil, mas você não pode perder contato.
Isso traz assim um ressecamento interno mesmo para as pessoas, sabe? Que é isso que às vezes a gente vê assim com os nossos colegas imigrantes, sabe? Isso é muito sério.
Uma vez eu tava uma época, um bom tempo sem ir ao Brasil, né? E aí tava, e foi uma época que eu viajei bastante por aqui. E aí nos lugares que eu ia, pelo menos assim, antes dessa viagem específica para o Brasil, eu via que eu era o único diferente assim do ambiente por conta de cor de pele e tal assim. E não que isso me incomodava, não incomodava não, porque nunca, nunca sofri preconceito nem nada assim. Mas era engraçado, eu me senti engraçado.
Eu falei, caraca, sou diferentão aqui, velho. Então assim, e aí teve uma, aí eu fui para o Brasil logo em seguida, e aí o lugar que eu me senti confortável estando no ambiente que tinha outras pessoas foi dentro do metrô. Olha que eu olhei assim para as pessoas assim, eu falei assim, caraca, gente, eu sou isso aqui, ó, é daqui que eu venho, sabe?
Assim, e dá um bom, né? Dá um bom.
A gente precisa dar essa sensação assim, pô, pera aí, eu posso viajar o mundo todo, mas assim, eu sou daqui, é isso aqui, a minha raiz é essa aqui, é isso, é o nosso que a gente tá falando. Então assim, por isso que eu faço até questão de todo ano para o Brasil mesmo, até nesse últimos meses assim que passei por uma situação bem delicada assim, a minha recuperação foi para o Brasil.
É onde tá tudo maior.
Foram uns 11 dias assim que mexeram assim comigo, que valeram mais do que outras viagens que eu fiz de 40 dias. Foram 11 dias assim que mudou muita coisa.
Você podia pegar sua mochila em vários países, você não ia encher do mesmo jeito, nunca, nunca. Em momentos de crise, o imigrante ele precisa puxar da raiz, ou de algo que pertença muito a ele, né? Por exemplo, a gente que já tinha morado em Portugal, quando a gente chega de novo também, porque a gente já tem uma coisa assim bem forte lá, sabe? Assim, nossa história, né? Mas sim, o imigrante em crise tem que ir na fonte. Se você tá bem moribundo, assim, por qualquer razão que seja, né?
Às vezes uma perda de emprego, passando alguma dificuldade, relacionamento, sei lá, qualquer coisa.
É, então você foi direitinho.
Então você pegou o endereço certinho e foi assim, foi logo indo. Desculpa, eu não sabia, falei justo ali na lá.
Ela foi falando, opa, um ponto.
Então não sabia mesmo, mas é isso, você foi na fonte. Aí, mas tem gente que fica doente porque fica procurando em outras fontes, sabe? Não tem jeito, vai aonde você sente ali, que você fala, não, agora eu sei quem que eu sou, pera aí, né? A gente precisa disso, a gente precisa disso. Eu lembro quando a gente foi ficar junto assim, eu falei para ele, eu falei, ó, beleza, vamos ficar junto, vamos casar, gostei, vamos, né? E aí eu falei para ele, olha, mas vamos fazer uma vida que dê para a gente vez em sempre, né?
Tipo assim, às vezes todo ano, a cada 2 anos pelo menos, a gente vá, sabe? A gente tem que saber isso, gente. A vida de imigrante custa, é boa demais, mas custa também, entendeu? E aí a gente tem ali, né, a caixinha, né, para ir para o Brasil assim, né? No nosso caso, né, que nós dois somos brasileiros. Mas dá para fazer, dá para fazer toda essa manobra, sabe, que você perguntou, como é que vocês fazem tudo isso de vai e de volta?
É muito planejamento, sabe, tem que ter muita estratégia, saber muito o que tá fazendo assim, aonde a gente quer ir no sentido de família. Como se perguntasse, sabem para onde vocês vão depois? Não, no sentido de país não, não sabemos. Por hora a gente vai ficar em Portugal e tá tudo bem, né. Porque até ali a gente escolheu que a primeira infância da nossa filha vai ser lá, para ela ter essa raiz também. Mas e depois? Não sei.
Agora, saber o que tá fazendo é— a gente sabe que a gente quer para nossa família, sabe? A gente quer que a gente tenha fonte, que a gente saiba onde tá a força. Então nós vamos para lá. Provavelmente a nossa filha ela já vai ter duas fontes de força, sabe? Ela vai para Portugal e vai poder ir para o Brasil. Olha que beleza, né? Que riqueza que a gente só tem uma e ela tem duas.
E quando vai para o Brasil fica onde? Rio ou Minas?
É uma peregrinação, não é mesmo?
Em Santa Catarina?
É Santa Catarina.
Ah, legal também.
Passa em todos os lugares, sempre passa. Dessa vez a gente vai ficar uma semana no Rio, 3, 4 semanas em Minas, e depois 2 meses no—
quase 2 meses em Santa Catarina. Eu já tenho um retiro programado lá em Minas também. Sempre que eu vou, sempre que a gente vai, eu faço um evento lá também, Minas Gerais, porque lá eu faço com a minha mãe. Minha mãe também é psicóloga, terapeuta, e a gente faz junto. É incrível, é incrível. Com ela é maravilhoso, é outro patamar fazer com a mãe, é outro patamar.
E é rico, né? Porque nos últimos a Dana já tava nascida. Dana foi o quê, em 2 já, né?
Já foi em 2.
São 3 gerações.
Caraca, legal, né?
É a avó, a mãe e a filha. São 3 gerações de mulheres ali. E como o trabalho delas é com mulheres lá no Brasil também, A riqueza que é ter ali 3 gerações, você vê na sua frente 3 gerações sendo trabalhadinhas ali uma com a outra. Nossa, para as mulheres é incrível.
Eu acho que eu não mencionei aqui, né? Acho que vale mencionar agora que a minha mãe vem aqui também, ela já veio, né? E ela sempre faz, sempre não, mas já aconteceu dela fazer algumas edições do Travessia no verão. Ela vem no verão que ela é esperta, né? Claro.
E aí eu te entendo, mãe.
E aí ela já participou de alguns também com esse mesmo princípio assim das 3 gerações, né? Porque a nossa filha também tava lá. E eu acho que vale mencionar, já que a gente tá falando da mãe, dessas coisas de família e dessas gerações, que muitas mulheres que participam do Travessia elas falam isso assim, que é muito mais, elas aprendem muito lá. Claro, eu trago várias dinâmicas, orientações mesmo, né, enquanto psicóloga e tudo, mas que elas aprendem muito mais pelo exemplo assim, por estar ali toda a minha família.
Família, sabe? Eu falo que outra, outra vez, se ele é servido pela minha família, quem serve a essa imersão é a minha família inteira. E é mesmo, até minha mãe, né, que nós estamos falando aqui agora. E esse projeto é um projeto que é da minha família para as famílias, para promover famílias, promover o senso de família nas pessoas. Então não faria sentido eu não levar a minha, sim, né? Não levar Então é muito isso. E a presença do Fábio no início, nesse evento, por exemplo, que você foi ali, já foi ali, começou antes.
É muito engraçado, as mulheres ficavam muito incomodadas com a presença dele, sabe? Mas por que que o Fábio tá aqui, né? Por que que tem um homem entre nós na UOL, esse intruso, sabe? E agora, se ele não aparece, meu Deus, meu Deus, ele tem que— cadê o Fábio? Por que não chegou ainda? Onde ele está, sabe? Porque elas já entenderam esse princípio de que é tudo junto assim, sabe? E qualquer profissão, mas eu acho que nós enquanto terapeutas, e se você aí que tá ouvindo tem terapeutas, né, deixar isso assim bem, bem falado: o terapeuta, seja da área que for, da linha que for, tô falando bem geral mesmo, tá, o terapeuta só vai te levar até onde ele foi.
Sim, ele não consegue te levar onde ele não foi. Ele pode saber a teoria, mas ele é um ser humano. Sabe, ele é um ser humano como você, né? Então mesmo que ele tenha todo o conhecimento, ele pode te ensinar, mas ele não pode te guiar. Eu me intitulo assim: eu sou uma psicóloga que não ajuda pessoas, eu guio pessoas. Onde? Onde eu já caminhei. É como se eu pegasse na mão de uma pessoa, né, de uma mulher ali, e eu falasse: pode vir, porque nessa floresta aqui eu já andei.
Aqui você não vai andar em círculos, porque aqui eu já andei. Então eu guio essa pessoa, sabe? Quando a gente ainda tá no princípio de ajuda, o terapeuta, quando ele ainda tá no princípio da ajuda, ele diminui o cliente. Eu te ajudo, sabe? Se eu te ajudo, você não sabe nada. Assim, claro que eu tô exagerando assim só para falar mais rapidamente, mas nesse sentido é a guiança. E por isso que eu digo, ou o terapeuta só te leva, só te guia até onde ele próprio foi.
E depois, depois ele tem que caminhar, né, para ele poder levar as pessoas mais avante. Por isso que a gente não para, entende? Porque a gente quer, processo é diário, a gente quer avançar, a gente quer amadurecer, a gente quer para nós. Em consequência, a gente vai levar, vai guiar as pessoas até onde a gente já tenha ido, sabe?
Você que é do jiu-jitsu, das artes marciais, pensa da seguinte da mesma forma. É uma pessoa, ela pode te ensinar jiu-jitsu ali ao observar outros e entender, saber da técnica, tudo certinho. Mas com quem você aprende? É com faixa preta, porque ele viveu cada uma daquelas posições, ele viveu, ele fez rola ali por anos, anos, anos, anos, anos. E o faixa preta que vivenciou aquilo é o que pode dar aula no jiu-jitsu, no kickboxing, enfim, por aí vai.
Então Então é o que ela tá falando. Então saber de longe a teoria, claro que ajuda, mas viver, saber o que que é alguém te estrangulando e o que que você vai sair, como é que você vai sair dali, além da técnica, mas como fica a sua respiração, como você lida com aquilo, é quem passou por aquilo. E aí entra a questão do terapeuta, além do, independente da linha, como ela disse, além disso tudo é o que que ele já vivenciou na vida acceder.
E geralmente não é tão incomum que a maioria das pessoas que chegam para um terapeuta são pessoas que estão vivendo o que aquele terapeuta já viveu. É muito comum que isso aconteça. Então as mulheres que chegam para ela, homens e mulheres, né, mas mais mulheres, são a Camila de uns anos atrás.
É verdade.
E quem chega para mim também geralmente é homem, são homens que estão vivendo o que eu vivi há uns anos atrás. Entende? Então tem esse, essa bagagem de vida, ela vai junto. Isso é muito rico.
Entendi. O Pilim, diga, como estamos de mensagens? O pessoal tá tímido, não tem mensagem hoje.
Deve ser o horário, deve ser o horário, né?
Pessoal tá trabalhando, foi meio do nada também, a gente conseguiu encaixar aí bem.
Você tem pergunta para o Pilim? Não tenho pergunta, mas eu aprendi hoje aqui do que é coisa. Hoje foi uma aula, eu fiquei quieto o episódio todo. Só tomando nota. Pupilinho, ele é casado com uma Irish, então tu tomou nota de relacionamento.
Tudo aí, tomou tudo. Boa, boa.
Um beijo para Kira. Beijo, ela tá ligada aqui. É, tá.
Beijo, beijo, beijo.
Saudade daqui, vai ter pouco não vejo. Tá bem ela? Tá bem, trabalhando sempre. É isso aí. Então, gente, teve algum assunto que a gente não entrou que vocês gostariam de falar? Alguma pergunta que eu não fiz que vocês gostariam de ter respondido?
Não necessariamente. Então, que me venha, vem aqui.
Tem uma coisa que me veio aqui na hora que você tava falando, talvez só para complementar mesmo assim. É meio polêmico. Bora, dá para fazer?
Pode.
É, tá bom, tá liberado, tá liberado.
Então, 6 anos de podcast, já com quase 40 anos, a gente já começa a tacar meio F, né?
Não, porque Meio, é só meio polêmico. Já tô tocando, já se adiantou, né? Adiantou.
Ah, meio polêmico, tá aqui, eu não vou falar português, claro, por mais que ela seja portuguesa.
Mas é só o que me veio assim, é tão polêmico, então não vamos exagerar, né? Mas eu vejo muito enquanto psicóloga assim, as pessoas às vezes tendem, os imigrantes brasileiros e tudo, tendem a fazer terapia com as pessoas no Brasil Brasil porque é mais barato, né? Porque vai pagar em euro e pronto, em real, né, no caso. E isso às vezes é um problema. Não tô dizendo que é sempre um problema, é porque na hora que você tava falando me veio assim, terapeuta só te leva até onde ele foi.
E tem uma vastidão de universo que eu só aprendi quando eu mudei para cá. Eu, psicóloga, sabe? Eu não me sentia em condições de atender um imigrante, mesmo sendo uma excelente psicóloga no Brasil. Hoje eu sei que eu não tinha condição de entender, de ter a dimensão do que que é a vida de um imigrante, sabe? Então às vezes, né, as pessoas escolhem por causa do dinheiro, o preço, ok, sabe? Mas se você puder, se tiver condições financeiras de fazer terapia com um psicólogo que entende o seu universo, que viveu, né, não é que ele leu, não é que ele estudou, que leu, enfim, que já viveu mesmo de fato o seu universo, mesmo que você pague em euro, sabe, vale muito mais a pena.
Eu vejo que as pessoas às vezes ficam anos patinando, literalmente enxugando gelo na terapia. E eu não tô falando da qualidade dos meus colegas psicólogos, é porque não tem como saber se você não vive mesmo. Às vezes um excelente psicólogo, mas às vezes ele não consegue te ajudar porque ele não consegue ler o seu contexto. Com a clareza de um psicólogo, um terapeuta que tá aqui também no rolê, entendeu? Igual a gente tá. Então assim, eu acho que valia falar isso porque pode ter pessoas que podem refletir, sabe, sobre esse princípio.
Assim, é o barato que às vezes pode, pode às vezes sair caro, né? Não tô generalizando, mas é uma possibilidade.
É, nesse momento, por exemplo, eu tenho 3 Tem 3 nesse exato momento, 3 homens. Imagina, um corte, tem 3 homens lá, ele, meu Deus do céu, em terapia, em terapia, tá?
Corta para esposa.
Nesse momento, a terapeuta de— tem 3 homens pacientes que têm ou estão tendo filhos agora aqui na Irlanda, agora, um um tem o filho, tá com 4 meses, o outro vai ter daqui a 2 meses, o outro também daqui a pouquíssimos meses vai ter. E as questões que eles trazem são questões que, enfim, é no âmago. A gente viveu isso da mesma forma, quantidade de mulher grávida ou que tá tendo filho aqui. Aí tem a questão de que ninguém entende quando não passa, que por mais que seja casado com Áries, por exemplo, e que tem a família do Áries, a sua rede de apoio, a sua raiz não tá aqui, você que tem que trazer a sua raiz.
E enfim, são questões que, que foi o que você disse, vivendo aqui a gente sente um âmago. Faixa preta que sabe o que que é, tá sendo estrangulado aqui, não pode deixar a peteca cair, né? Então realmente faz toda a diferença.
É, acho que valia falar, vai dividir opiniões, mas enfim, é a minha opinião, é a minha opinião.
Tem vezes que realmente não tem condições e tudo bem, se tiver condições É muito válido, sim, é muito válido.
Top, é isso.
Mas, Pupilinho, você tem pergunta? Não tem, meu querido. Tá, então Camila Prada Schuairi e Fábio Prada Schuairi: o que é a vida?
O que é, meu irmão?
Diga lá, que é a vida. A vida é servir. Vou parar por aqui, deixar curto assim, não vou prolongar não. A vida é servir. Servir o quê? A quem? Como? Vou deixar cada um, cada um internalize aí e veja o que vai sair daí de dentro. Mas tenta se responder de uma forma que você não se respondeu ainda.
Como?
O quê? De que forma você serve e pode servir? O que, a quem, deixar para você.
Olha aí, gostei! Gostei! Boa! Para mim, a vida é um salto ao vivo, como se você saltasse assim. Imagina daquelas, tem uma cachoeira lá embaixo, tem um poço, aqueles loucos que saltam. É como se fosse um salto e lá embaixo é o vivo, aquilo que tá muito vivo que você não faz a mínima ideia, porque o que tá vivo tudo pode acontecer. E no sentido de ao vivo, assim, não se repete, é tipo uma live, entende? Não vai ficar gravada, não dá para fazer de novo, sabe?
Então eu acho que a vida é um salto ao vivo e a gente tem que ter muita coragem para estar vivo, muita coragem para estar vivo mesmo, viver, né? Respirar é uma coisa, né? Aí a sua pergunta é sobre estar vivo. Então para mim é um salto ao Camila e Pablo, eles em diante.
Só trazer uma coisa antes de terminar, claro que a gente não pode deixar de trazer essa mensagem. A gente falou muito da parte psicológica, e lembrando que quando, puxando lá do início do que você trouxe, do sair do eu e ir para o maior, aí para o, qual foi a nomenclatura que Do nosso coletivo. A gente falou muito de terapia, a gente falou muito do cuidar da alma, do coletivo. E muita gente no autocuidado, ou a pessoa cuida do corpo ou a pessoa cuida ali da parte almática, da parte de mentalidade.
E enquanto olha um, não olha o outro. É importante entender que a gente é um sistema e o corpo corpo, a mente, a alma, eles, a alma num sentido espiritual, tá? O corpo, a mente, a alma, eles estão completamente conectados ao mesmo tempo. É importante trabalhar todos eles ao mesmo tempo, todos eles em conjunto. Então fica aqui um reforço de cuidar do seu próprio corpo, seja como for, seja numa academia, seja no esporte, nutrição, Então cuidar do seu corpo olhando para a perspectiva de sair do eu e auxiliar no coletivo é essencial, porque sem o seu corpo saudável, forte, com vitalidade, não tem como servir e não tem como saltar ao vivo.
Você tá extremamente limitado e isso influencia toda a sua, todo o seu psicológico também. Então enfim, fica aqui a questão do exercício físico e da nutrição e de cuidar do corpo também.
É isso aí, perfeito, é isso aí. Leires ingente, irmão. Valeu, meu bom! Que episódio bom, cara! Gostosinho! A gente devia fazer episódio mais cedo também, tá? É, mais cedo fica legal, fica legal.
Não tanto que a gente começa a cozinhar nessa sala aqui, que ela é quente.
É porque tá no verão, hein?
Verão, traz um ventilador, vai dar tudo certo.
Pior que a gente tem, fica com barulho. Tá ali, ó, ventilador ali, só que fica um barulhinho.
Mas pega no microfone?
Pega, pega, pega, pega, pega.
Gente, muito obrigado, de verdade adorei. Pô, maneiro demais para vir de novo aqui.
Finalmente conseguimos. Obrigado, querido.
E a casa de vocês, quando tiverem de novo aqui, eu vou querer mais.
Adorei, prosa boa.
Agora, como vou estar mais livre, como é que eu vou dizer, livre geograficamente. Em breve eu falo as novidades. Aí a gente tem um estúdio móvel, tá acabando, dando uma mão. Olha só! Então estamos preparando, né, Pupilim? Em breve a gente vai começar, quase contando já aí, né? Mas é isso, quem sabe quando tiver tudo pronto, em breve a gente vai estar fazendo episódios fora do estúdio.
É isso, é isso.
Nossa, sensacional!
Eu aqui imaginando que é de frente para o mar, hein? Amém, amém, também, também pode ser, pode ser.
Vamos chegar lá, vamos chegar lá. Então é isso, gente, muito obrigado de verdade. Vocês ficam na Irlanda até quando?
Sábado, até sábado.
Então aí, ó, quiserem ver a Camila e o Fábio aí, ainda dá tempo, sábado estão aqui. É isso, quero agradecer os nossos patrocinadores, a CI Irlanda, né, e também o Gaúchos Açaí. As informações dos nossos patrocinadores estão aqui na descrição desse vídeo e também no QR code que tava passando aqui na sua tela. E é isso, né, Pulinho? É isso, é isso. Semana que vem a gente tá de volta. Não deixe de se inscrever no nosso canal, também de seguir a gente nas redes sociais.
Aproveitar, agradecer que a galera aí ajudou a gente a bater os 6 mil. Exato, batemos 6 mil inscritos no YouTube.
Ah, sensacional!
Boa! Mais um marco aí. Vamos para os 7 mil agora e vamos que vamos embora devagar. A gente Galões.
Obrigada, Charles, obrigada pelo convite, foi uma delícia a prosa.
Amém, também foi ótimo para a gente também. Muito obrigado. Então é isso, até semana que vem. Isso foi o Top Piano Podcast. Um beijo e até semana que vem.
Valeu, até!
CI Irlanda
Ensino Superior na IrlandaGaúchos Açaí
Açaí