Episódios de DiscussArte

Abutres - 2010 -S08E14

11 de maio de 202631min
0:00 / 31:31

8ª Temporada - Filmes 2026

Filme 14: Abutres - Carancho

Direção: Pablo Trapero

Roteiro: Alejandro Fadel, Martín Mauregui e Santiago Mitre

Cinematografia: Julián Apezteguia

Atores: Ricardo Darín e Martina Gusmán

Gênero: Drama Psicológico

Ano: 2010

País: Argentina

Prêmios: 
 

DiscussArte: Temporada 08 (2026)- Episódio 14 - Número 219

Participantes neste episódio2
A

Antônio Ricardo

Host
F

Frederico

Host
Assuntos2
  • Análise do filme Abutres (Carancho)Sinopse e contexto do filme · Direção de Pablo Trapero · Roteiro e Cinematografia · Atores Ricardo Darín e Martina Guzmán · Gênero: Drama Psicológico · Crítica social e corrupção sistêmica · Exploração da tragédia e dor como lucro · Redenção possível e zonas cinzentas morais · O amor como catalisador moral e tragédia · Violência urbana, fatalismo e prisão social · Fotografia claustrofóbica e simbolismo · Crítica ao capitalismo selvagem · Jornada exaustiva de médicos e falta de infraestrutura · Comparativo com a produção brasileira e americana
  • Próximos filmes e assinatura do Prime VideoPróximo filme: A Era do Rádio de Woody Allen · Disponibilidade no Prime Video
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Boa noite Antônio Ricardo, boa noite ouvintes. Boa noite Frederico, boa noite ouvintes. Sejam bem-vindos a mais um Discussarte, hoje dia 10 de maio de 2026, Feliz Dia das Mães, 8 horas e 33 minutos. Seguimos na oitava temporada, filmes 2026, hoje o filme de número 14, Abutres, no título original Carrancho.

Direção, Pablo Trapero, o mesmo diretor de Elefante Branco, que já discutimos aqui. Roteiro, Alejandro Fadel, Martim Mauregui e Santiago Mitre. Cinematografia, Julián Apetesguia. Atores, Ricardo Darim e Martina Guzmán.

Gênero, drama psicológico, ano 2010, país, Argentina, esse é o Discurso Arte, temporada 8, episódio 14, número 219. Uma breve sinopse, o filme se passa em Buenos Aires, na Argentina, onde os acidentes de trânsito são uma epidemia, mais de 8 mil mortos por ano, ou seja, 22 por dia, especialmente entre jovens.

A trama acompanha Hector Sousa, um advogado desabilitado pela ordem dos advogados que trabalha como carancho, ou seja, um abutre, um oportunista, para uma fundação corrupta.

Ele ronda hospitais públicos, delegacias e cenas de acidentes em busca de vítimas ou familiares enlutados para oferecer ajuda legal, processar asseguradores e garantir indenizações, das quais a máfia leva a maior parte via comissões, fraudes e esquemas. Souza é um homem cínico.

Experiente moralmente desgastado, que participa ativamente das fraudes, conhece clientes, manipula testemunhas, colabora com paramédicos corruptos, em alguns casos chega a orquestrar acidentes, como quebrar a perna de um cliente com um martelo, para que ele seja atropelado e gere uma indenização maior. E uma noite caótica em um hospital, ele conhece Lujana Oliveira, uma jovem médica, paramédica.

Recém-chegada do interior, idealista e exausta, que trabalha em turnos exaustivos no pronto-socorro. Os dois se atraem imediatamente. O relacionamento começa de forma carnal e intensa, mas evolui para algo mais profundo e afetuoso.

Luján apresenta o oposto de Souza. Ela luta para salvar vidas, enquanto ele lucra com a morte e o sofrimento. Souza, influenciado pelo amor e pelo cansaço ético, decide sair do esquema. Ele tenta recuperar sua licença de advogado para atuar de forma legítima, ajuda alguns clientes de verdade e tenta romper com seu chefe corrupto, El Perro, e os sócios violentos como Casal e Pico.

No entanto, o sistema não permite saída fácil. Os ex-parceiros o ameaçam, sabotam seus esforços e recorrem à violência. Lujan descobre a verdadeira extensão das fraudes, incluindo a cumplicidade de colegas de ambulância, e fica horrorizada, rompendo temporariamente com suas. Eles reatam, mas o passado volta com força, em uma escalada de tensão a confrontos, perseguições e violência.

O clímax envolve um ataque brutal dos antigos sócios contra o casal. E uma cena final impactante, durante um acidente, o confronto na rua, a violência explode de forma trágica.

Sousa tenta proteger Lujan e fazer a coisa certa, mas o filme termina de forma pessimista e no ar. O ciclo de corrupção e morte continua e o amor do casal não consegue escapar do sistema que o cerca. A redenção de Sousa chega tarde demais. Abra a palavra. Bom, eu considerei que o filme tem um final fechado.

Não sei se você considera a mesma coisa. A fotografia, eu a vi como uma fotografia um tanto quanto sombria. E, para dar maior realismo, eles colocavam a câmera na mão, saindo acompanhando a cena. Ela é sombria e claustrofóbica também. Isso, exatamente.

Trilha sonora também, a música é bem melancólica. Eu entendi que a música estava bem melancólica. O que a gente vê no filme? Primeiro, a Lohan, que é uma médica trabalhando nas horas vagas dela, lá de paramédica, para dar condições melhores.

adquirir melhores condições de vida, alguma coisa assim. Trabalho exaustivo, exaustivamente. O que a gente nota ali é que o hospital dispõe de muito poucos paramédicos e aqueles que estão lá têm que trabalhar a exaustão. Para ela dar conta da...

Aliás, tem uma cena, antes dela dar conta, tem uma cena interessante, a primeira vez que ela sai com o Sousa, que vai para o apartamento dela ou dele, eu não sei qual dos dois que é, que ele está preparando lá uma noite amorosa e quando ele vê ela está dormindo completamente desfalecida, vamos falar assim.

de tão cansada que ela estava. Cansar-se é tão grande. E a gente vê não só a intensidade com que ela trabalha, o número de acidentados que ela tem que atender, que é uma hora que sai de um, vai para outro, sai de um, vai para outro, a pressão intensa, as famílias pressionando. Quando alguém morre, então, aí é muito difícil.

Bom, fatalidade, você citou que são 22 acidentes por dia, 22 por dia, 683 por mês, 8 mil por ano, 100 mil na última década. E feridos, 120 mil por ano. Quer dizer, é uma...

Vamos falar assim, o trânsito ali é uma verdadeira carnificina. Como o brasileiro também é uma verdadeira carnificina. Então é muito intenso. E é como você tem muitos acidentes, e como você tem um seguro, eu não sei como é o argentino, talvez seja igual ao brasileiro, você tem um seguro obrigatório.

para indenizar acidentes, é evidente que vai surgir gente tentando tirar proveito disso, dado o volume de acidentes que existe. A faixa etária, como você colocou, são jovens, abaixo de 35 anos, até 35 anos, por aí. E muitos acidentes são provocados com automutilação, como você colocou lá, aqui e ali.

para aumentar a indenização, alguma coisa, na verdade, ele estava querendo pegar o seguro ali. E para falar que ele realmente teve um acidente de trânsito com...

ficou ferido e tal, e quebrou a perna do cara antes do acidente. O acidente seria a simulação. A perna seria quebrada para mostrar que o acidente teve consequências para a pessoa. Violência, né? Fugir da regra da organização...

pode significar a morte. Gera uma violência contra as pessoas. Espancamento. O Sousa é espancado. A organização é violenta. Ela não quer que haja desvios de seus auxiliares, vamos falar assim. Então, fugiu da regra e...

Tanto o Sousa quanto a Luham sofreram pressão por conta disso. Luham é viciada em drogas, isso por conta de um relacionamento anterior que ela teve e da vida agitada que ela leva. Ela precisa da medicação para suportar aquilo. E tem uma...

uma simbologia interessante no filme. Quando Luham e Sousa estão tomando café na mesa de um bar, a janela é um vidro transparente, então aparece lá fora um trânsito intenso, que é o tema do filme, trânsito. Carro se abalroando a todo momento. Mas há uma barra de ferro na janela.

indicando que nenhum daqueles dois, nem o Sousa, a Lujan não vai conseguir se livrar da vida de intensa exploração a que ela estava sujeita. E o Sousa está aprisionado lá na máfia do seguro de acidente automobilístico. Então, ambos estão lá iniciando um relacionamento, ambos estão aprisionados. Eu entendi que ele...

fez essa simbologia no filme. Bom, pessoas fragilizadas, quem que eles veem, vão atrás de quem? Quem está com algum parente que foi, sofreu um acidente de trânsito, está numa situação ruim no hospital ou que veio a falecer. Então, é um momento de extrema facilidade e eles propõem ajuda.

àquelas pessoas, para receber a indenização do seguro, e fazem com que elas assinem documentos. A pessoa, naquele momento, assina o documento, porque ela, às vezes, nem tem conhecimento dos trâmites que seria necessário para conseguir a indenização, assina o documento e, nessa assinatura,

parcela significativa vai para os que são procuradores e a menor parcela para os verdadeiros, a quem deveria ser efetivamente indenizado com a quantia total, que são aqueles que tiveram pessoas familiares, vitimados. Ele fala isso no filme, né?

Quando ele está discutindo, eu não me lembro se foi com o Cassal, ele fala, fulano de tal, a indenização foi tanto e os familiares receberam tanto. Cicrana, indenização, os familiares receberam. Ele foi dando a informação e fala para o cara, eu tenho tudo isso documentado.

Se você fizer alguma coisa comigo, vai ter algum problema. Ele achou que estava seguro com essa ameaça que ele fez. Corrupção. Você vê que o casal, que é o cara lá do hospital, ele anda no carro de polícia, o policial prende o sosse.

vai ao banco para sacar o dinheiro junto com o soço. A corrupção ali estava generalizada, o cara envolve o Estado nisso aí. Os policiais são corruptos ali, estavam a serviço deles. O Pico, que trabalha com a Lohan, que é o chofer da ambulância lá, faz parte do esquema.

Então, é um esquema muito grande, muito bem montado, e abrange parcela de pessoas que trabalham na seguradora, no hospital, na polícia, tudo quanto há. É um esquema muito grande de explorar a desgraça alheia.

Explorar a morte, explorar o acidente, explorar a pessoa ficar com alguma deficiência no corpo por conta do acidente. Bom, fatalidade sem controle, número intenso de vítimas, indenização para vítimas e seus familiares.

para os familiares quando há morte, para a vítima quando ela não morre e fica em condições mentais normais. Isso faz com que o volume é muito grande, envolve dinheiro, cria um mercado, cria um mercado que alguém vai explorar. Então são os abutres que são os...

os pesquisadores de acidentes, um atrás de acidentes, o que aconteceu e tal, são os que pegam as assinaturas da família. E a fragilidade do sistema de fiscalização disso, tanto do governo quanto das companhias de seguro. Se bem que aí eu falo das companhias de seguro, mas eu não sei.

se elas teriam condições de fazer avaliação, porque os acidentes são reais, eles existem, o volume de acidente é muito grande. Então, o que ela poderia fazer seria o quê? Verificar se o destinatário da indenização realmente recebeu a indenização integral, mas isso não interessa.

Porque se ela pagou, se ela fez a quitação, pronto. Ela promoveu a indenização de acordo com as normas legais. Então seria uma preocupação do Estado. Quem é o destinatário recebeu integralmente, mas o Estado está lá, junto com o cara lá, para dentro do esquema. Bom, a última cena indica o quê?

Aliás, aquela última cena é impactante. Independente do fim que tiver os protagonistas, não quero saber se eles morreram ou não, ou não morreram, qualquer coisa. O fato é, a situação persistirá.

Você vê que alguém está ferido, deitado no chão, ferido e tal, e está ouvindo, faça isso, faça isso. Ou seja, os paramédicos fazendo a mesma coisa lá. A relação entre Sousa e Lujan...

demonstra que pensamentos e ações claramente opostas, o dela, ela recusa inclusive conversar com ele, quando ela fica sabendo o tipo de atividade que ele exercia, podem ser envolvidos em um esquema de aproveitamento de pessoas fragilizadas, tanto ela quanto ele. Lujan tenta salvar a vida, que é a...

a função dela como médica e como paramédica, e Sousa tenta tirar proveito da morte ou da mutilação das pessoas. Coisas completamente opostas. Se reúnem e acabam sendo envolvidos nesse esquema total.

de aproveitamento das pessoas fragilizadas, e ambos têm um fim que a gente não sabe qual é, mas que não é a dos melhores. Qual é a mensagem a me ouvir? Quem beneficia de determinado esquema pode ser vítima do próprio esquema, que é o que acontece com eles. Eles beneficiam daquele esquema, são beneficiários daquele esquema.

e acabam como vítimas dos esquemas que eles se beneficiam. Bom, essas são as minhas observações. Muito bom. Temos os significados. Bom, Pablo Trapero, diretor, conhecido por seu cinema social realista e engajado. Ele também tem os filmes O Clã e Leonera.

Nós só analisamos aqui o elefante branco. Ele usa butres para fazer uma forte denúncia social disfarçada de thriller noir romântico.

cujos temas principais, como Antônio Ricardo citou, corrupção sistêmica e exploração da tragédia. O filme mostra como uma indústria inteira, advogados, paramédicos, clínicas, seguradoras e até policiais se alimentam da morte e do sofrimento. Os abutres não são apenas vilões isolados, mas parte de um ecossistema econômico que transforma dor em lucro.

Trapero baseou-se em fatos reais da Argentina da época, e o filme inclusive influenciou o debate sobre leis de trânsito mais seguros.

Redenção possível e zonas cinzentas morais. Souza não é um monstro puro, mas um homem preso e um sistema que o corrompeu. Sua tentativa de redenção via amor e consciência é genuína, mas o filme questiona se é possível sair ileso de estruturas corruptas. O amor com Luján funciona como catalisador moral, mas também como tragédia clássica no ar. Um romance condenado desde o início.

Amor em meio ao caos e oposição de mundos. A relação entre Sousa, cínico, urbano, explorador e Luham, idealista, exausta e salvadora, é o coração emocional do filme. Trapero filma as cenas íntimas com sensualidade e ternura, contrastando com a brutalidade das ruas. É um amor improvável e humano que humaniza os personagens.

Violência urbana, fatalismo e prisão social. A fotografia é claustrofóbica. Barros nas janelas, espaços apertados, noite constante, simboliza que os personagens estão presos em suas vidas e no sistema. Acidentes de carro funcionam como metáfora da Argentina e da sociedade moderna. Imprevisível, violenta e explorada por quem está no topo.

O fatalismo no ar é forte. O esforço individual pouco adianta contra estruturas maiores. Gênero e crítica social. Trapero mistura drama social, romance e thriller e noir. Evita maniqueísmo. Até Luján tem falhas e é afetado pelo cansaço do sistema de saúde, porque ela mesma se droga para aguentar. O filme critica o capitalismo selvagem que monetiza a vulnerabilidade humana.

Em minhas palavras. O filme realmente consegue passar essa sensação de prisão. Eles estão presos. Ela precisa trabalhar e as condições são...

horríveis, né? Ela trabalha num hospital que eu acho que não tem a mínima infraestrutura pra garantir a segurança dela, né? Tem aquele problema lá dos jogadores de futebol, ela tem que ficar trancada lá na sala pra ver se não acontece nada com ela, né? Dos caras brigando, né? Ela, e você vê que não tem segurança mesmo, porque quando ela tava sozinha tomando banho, os caras pra pressionar ela pra assinar, pra entrar no esquema, já desce a porrada nela lá mesmo, ou seja, né?

A pessoa está sob estresse, tentando salvar pessoas, consolando famílias quando a pessoa morre, e ainda tem todo um sistema por trás tentando lucrar em cima das assinaturas dela, do parecer dela médico, da causa da morte, principalmente. É pesado, assim. Eu nunca vi um filme que mostrasse tanto como é exaustiva.

a jornada de um médico plantonista, claro, que é assim...

guardadas proporções, mas assim, eu já ouvi dizer que os médicos às vezes não gostam de ir para o interior justamente pela falta de infraestrutura que o lugar não oferece, não tem ferramenta para eles trabalharem e aí fica a carga toda em cima do médico, ah, você não viu isso, sei lá o que, não tinha nem como fazer o exame de sangue, sabe?

É complicado também, sabe? E aí vem o pessoal querendo indenização, sei lá o quê. É bem delicado mesmo. Eu nunca vi como que é bem complicado mesmo. Foi um retrato assim. Porque tem todo esse glamour, né? Da medicina, né? O glamour é médico, sei lá o quê, tá? Milionário. Mas você vai ver esse outro lado aí, cara. Pô, não é muito difícil de um advogado de porta de cadeia, não. Bom.

E veja que na Argentina em 2010, assim como no Brasil, é evidente a falta de infraestrutura que eles trabalham com qualidade, como falei. Falta segurança, material e tantas outras coisas que os expõem direta e frontalmente às mazelas da sociedade. O tempo inteiro precisando de... Você vê que não tem infraestrutura.

porque eles estão extremamente sobrecarregados, extremamente sobrecarregados, essa cena que você falou, eu achei ela muito bonita mesmo, ela está querendo ficar com o Sousa, mas ela não aguenta, ela pega e dorme, ela dorme, ela está exausta, ela está exausta, e aí você vê que ela já está estressada, e o que ela faz? Ela injeta não sei o que, no pé dela, para ninguém ver que ela se droga, para aguentar o... o...

Ela pede a ele, né, por favor. Teve uma hora lá que ela pediu a ele. Por favor, me ajude. Sim, quer falar. E era exatamente...

Só que dessa outra vez, eu acho que foi no braço. Foi, foi no braço. Suponhamos que seja tipo morfina, né? Uma coisa assim para dar uma relaxa. Porque eles tinham batido nela e eu acho que ela queria não sentir dor. Eu acho que era alguma coisa assim. Você vê como que a carga é extremamente pesada. Eu nunca... Isso eu gostei muito no filme. Eu acho que foi muito feliz nisso, de mostrar a carga.

O Souza já é macaco velho. O Souza já é macaco velho. Ele aguenta. Mas ela é... Eu acho que ela é ingênua. Ela chega ali idealista e tal. Mas já tem uma carga extremamente... Uma sobrejornada pesadíssima. E aí você vai vendo mais apertada ainda. Ela está...

destruída ali, cara. Ela ficou decepcionada também com o Pico, né? Sim, que era o colega dela. Você também faz isso aí. Sim, sim. Gostei muito, é bem realista, bem como o Elefante Branco também. O cara vai tentando, é bem pessimista. O cinema do...

do Pablo Trapero é bem pessimista, né, cara? É, ele apresenta a realidade tal qual, sem floreio nenhum. Não tem, não apresenta assim, aquela aquela tentativa que muitos filmes fazem, né? Ó, tal, você tá assim, mas você vai melhorar. É, verdade. Não tem romantismo, não tem nada, não tem.

Eu acho assim, talvez esse tipo de cinema do Pablo Trapero, cru, como é a realidade, ele causa mais mudança social do que o outro que fala que vai ficar tudo bem. Porque quando você faz a crítica assim, igual ele está fazendo...

Você viu que repercutiu. Eles começaram a discutir na Argentina leis melhores de segurança por causa disso. A gente não acompanha muitas notícias da Argentina aqui, pelo menos não chega tanto. Mas o caso do Elefante Branco deve ter repercutido de alguma maneira. Eu acho que ele consegue mexer um pouco a sociedade com esse cinema dele, sabe?

É um cinema duro. A sociedade tem um choque de realidade. Sim, porque todo mundo está vivendo no mundo do alfajor.

principalmente em Buenos Aires, aí você lança um filme desse no cinema, você vê que a gente lança mais ou menos alguma coisa aqui assim. É quase um documentário. É, isso mesmo. Você começa a falar, cara, olha aqui, olha essa médica, olha o que vocês estão fazendo com os médicos recém-formados, cheio de idealismo para salvar, e não, vocês sobrecarregam os caras.

coloca tudo na costa deles, tudo precisa de supervisão deles, eles não conseguem descansar. Se a família perde alguém, eles ainda têm que consolar a família e tem que sei lá o quê, tem que isso...

É precário, é precário, cara. É pedir demais, cara. É uma coisa que eu particularmente sempre acreditei na minha vida inteira. Eu acho que se você quer fazer alguma coisa, o mínimo que você tem que oferecer para as pessoas é ferramentas. Não adianta você dar uma caneta BIC para o cara e falar, faz um furo na parede.

Quanto tempo ele vai levar para fazer um furo na parede com uma caneta BIC se você der uma furadeira para ele? Então, acho que tem esse tipo de pensamento que eu acho extremamente econômico ao ponto de ser prejudicial.

é bem do país subdesenvolvido mesmo, sabe? Aí vem esse tipo de comparativo que o trabalhador americano produz seis vezes mais que o brasileiro. Então, por isso, ele pode ganhar seis vezes mais. Mas aí é seis vezes mais por quê? Mas o cara tem um equipamento para fazer, tem ferramenta, tem um monte de coisa de última geração para...

aproveitar o máximo da hora dele e aí ele consegue ter uma produção alta. Aqui no Brasil os caras dão um martelo para o cara, faz a mesma coisa que o americano está fazendo lá. Como assim, cara? Não tem jeito não. Se você quer...

ter uma produção alta e de qualidade como em qualquer lugar no mundo, como em qualquer indústria, assim como em hospitais, você tem que dar ferramenta para as pessoas, facilitar, enfim. É no que eu acredito e eu acho que é assim que o mundo deveria caminhar. Bom, Abutris é um filme visceral, bem atuado. Darin ficou bem, com um pouco de meio anti-herói. O ritmo é tenso.

com uma mensagem dura, né? Em um mundo onde a tragédia é negócio, a redenção pessoal é rara e o amor pode não bastar. Eu gostei muito da Guzman também. Achei ela uma excelente atriz. Eu achei ela até melhor que o Darim, viu, cara?

Não, ela trabalhou muito. Ela trabalha muito bem. Ela muito bem, muito bem, muito bem. Ela, ela, eu esqueci que eu estava vendo uma atriz. Eu falei, coitado da voz, ela está sofrendo mesmo. Tem hora que a gente esquece, cara. Parece um documentário, como você falou. Pô, estou vendo um documentário. Ah, não, é um filme, cara. Eles estão atuando. Muito bom. Próximo filme, Antônio Ricardo.

O próximo filme é Woody Allen, né? Isso. A Era do Rádio. A Era do Rádio. Woody Allen disponível no Prime. Então os próximos quatro filmes nós vamos pegar do Prime. Então assinem o Prime aí por um mês e venha discursartar conosco. Exato. É isso. Satisfeito?

Satisfeito. Também. Boa noite, Antônio Ricardo. Boa noite, ouvintes. Feliz Dia das Mães. Boa noite, Frederico. Boa noite, ouvintes. Feliz Dia das Mães para as que nos ouvem. E as mães daqueles que nos ouvem. Muito bem.

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