Pedro Páramo - 2024 -S08E13
8ª Temporada - Filmes 2026
Filme 13: Pedro Páramo
Direção: Rodrigo Prieto
Roteiro: Juan Rulfo e Mateo Gil
Cinematografia: Nico Aguilar e Rodrigo Prieto
Composição Musical: Gustavo Santaolalla
Atores: Manuel Garcia-Rulfo e Tenoch Huerta
Gênero: Drama Psicológico
Ano: 2024
País: México
Prêmios:
DiscussArte: Temporada 08 (2026)- Episódio 13 - Número 218
Antônio Ricardo
Frederico
- Pedro Páramo: Análise do FilmeAdaptação do romance de Juan Rulfo · Narrativa não-linear e fragmentada · Realismo mágico e a fronteira entre vida e morte · Poder, corrupção e caciquismo em Comala · Amor frustrado e obsessão de Pedro por Susana San Juan · Herança, culpa e identidade na jornada de Juan Preciado · Violência como motor da sociedade e da Revolução Mexicana · Memória e o peso do passado no presente · Comala como alegoria da nação mexicana · Personagens: Pedro Páramo, Juan Preciado, Damiana Cisneros, Fulgor Sedano, Doroteia, Miguel Páramo
- Direção e Cinematografia de Pedro PáramoRodrigo Prieto como diretor e diretor de fotografia · Uso de claro e escuro e contrastes visuais · Fotografia para realçar o realismo mágico · Atmosfera onírica e hipnótica
- Música de Dorothy MasukaComposição de Gustavo Santaolalla · Tom melancólico e fantasmagórico
- Comparações com outras obrasRealismo mágico em outras literaturas e novelas brasileiras (Saramandaia) · O conceito de 'inferno' como a ausência de desafios · Alegoria do McDonald's e a perda de identidade/cor · Tragédia Shakesperiana tropicalizada
- Filmes de Fábio PorchatFilme argentino disponível na Netflix · Trama sobre advogado ligado à máfia de seguros
Boa tarde Antônio Ricardo, boa tarde ouvintes. Boa tarde Frederico, boa tarde ouvintes. Sejam bem-vindos a mais um Discussarte. Hoje dia 3 de maio de 2026, 14 horas e 8 minutos. Seguimos na oitava temporada, filmes 2026. Esse é o filme de número 13, Pedro Páramo.
Direção, Rodrigo Prieto. Roteiro, Juan Rulfo e Mateo Gil. Cinematografia, Nico Aguilar e Rodrigo Prieto. Composição musical, Gustavo Santalala, que é o mesmo do Diário de Motocicleta. Atores, Manuel Garcia Rulfo e Tenok Huerta.
Gênero, na minha opinião, drama psicológico. Ano, 2024, país de produção, México. Esse é o Disco Sarte, temporada 8, episódio 13, número 218. Uma breve sinopse. O filme com spoilers, como sempre.
O filme é uma adaptação fiel do clássico romance homônimo de Juan Rulfo, de 1955, uma das obras fundamentais da literatura latino-americana e precursora do realismo mágico. Após a morte de sua mãe, Juan Preciado,
Cumpre o último desejo dela e viaja para uma remota vila de Comala, em busca do pai que nunca conheceu, o poderoso e enigmático Pedro Páramo. Sua mãe lhe contara sobre um lugar fértil, vivo e cheio de promessas, mas Juan chega a um povoado aparentemente abandonado, poerento e decadente. Aos poucos ele percebe...
que os habitantes que encontra não estão exatamente vivos, ou pelo menos não estão mais presos às regras normais da vida e da morte. O filme narra duas histórias entrelaçadas em tempos diferentes, focando na figura de Pedro Páramo, um cacique latifundiário implacável que domina a cidade de Comala.
Então, no presente, é Juan apreciado, procurando saber quem era Pedro Páramo. E vem a promessa. Após a morte de Dolores, Juan viaja para Comala para encontrar o seu pai. E reivindicar o que é seu por direito. Ele encontra uma cidade fantasma. Aos poucos, os habitantes estão mortos ou condenados a vagar.
Juan é guiado por vozes e fantasmas, como Eduígios e Damiana Cisneros. Incapaz de suportar o horror e perseguição espiritual e o calor sufocante, Juan literalmente morre de medo. No meio da história, passando a narrar sua própria morte. A partir daí, ele ouve as histórias dos outros mortos enterrados próximos a ele. Já o flashback do passado é a ascensão e queda de Pedro Páramo.
O poder. Ele constrói o seu império através de assassinatos, estupros, casamentos por interesse e roubo de terras na fazenda La Media Luna. Susana San Juan. O único ponto de humanidade de Pedro e sua obsessão amorosa de infância por Susana San Juan. Ele atras de volta, assassina seu marido barra pai, mas ela está louca, vivendo em estado de luta e alucinação e ignorando o amor de Pedro.
Arruina de Comala. Quando Susana morre, Pedro entra em depressão profunda. A cidade de Comala comemora a morte como uma festa, o que enfurece o Pedro. E ele decide cruzar os braços e deixar Comala morrer de fome.
Pedro Páramo, velho e sem vontade de viver, é esfaqueado por Abundio Martínez, um de seus muitos filhos ilegítimos, e o funcionário bêbado que buscava ajuda, desmoronando como se fosse um punhado de terra. Essa é a morte dele. Nesse livro, o tempo se dissolve. Passado e presente, vivos e mortos coexistem no mesmo espaço.
O que começa como uma jornada de busca por um pai e uma herança transforma-se em uma imersão hipnótica em memórias, desejos, culpas e ressentimentos que ecoam eternamente em Comala, uma cidade da morte. Abra a palavra. Você iniciou falando da música, né, o Gustavo Santaolala?
do filme Diários de Motocicleta, do nosso diretor aqui, agora me fugiu o nome dele. Salles. É em Salles. Então, destacar também que o Rodrigo Prieto, esse é o primeiro filme dele como diretor,
Ele foi diretor de fotografia de outros filmes que nós discutimos. Acho que o irlandês, não me lembro se a gente discutiu o irlandês. E o Matheu Hill, que é o roteirista, foi roteirista também de Alexandria.
Que bacana, bom demais. Tem dois filmes que nós discutimos e esse pessoal estava presente já nos filmes. A narrativa, você já deu um toque aí, narrativa densa, complexa, não linear.
E uma coisa para quem vai assistir ainda, muita atenção, a narrativa exige atenção do espectador para entender e ir conectando as informações que são trazidas, porque são cenas quase que independentes uma da outra, e aí você vai montando todo o mosaico para ter uma visão geral.
da narrativa como um todo. Eu diria que esse filme é extremamente não-linear. É, extremamente não-linear. Você é passado muito para trás, meio futuro, é muito perdido mesmo. Então você, por exemplo, você tem analepse, aí você tem analepse da analepse. Você está numa delas, você pega o passado daquilo.
E uma coisa é superposição de cenas em tempos distintos. Quando uma termina em determinado tempo, é continuada uma cena em outro tempo completamente diferente. Ele faz uma viagem constante no tempo da narrativa. A apresentação de um argumento em uma cena é um argumento em um argumento em um argumento.
Por exemplo, ele fala lá, quando ele trata do Aldrete, Aldrete, me esqueci o primeiro nome dele, que o Aldrete é assassinado. Ele tem terras que interessam ao Pedro Páramo. Então, Pedro Páramo faz uma acusação a ele de que tinha feito usufruto e tal, essas coisas.
Ele fala, alguém fala assim, não, nesse quarto aqui morreu Aldrete. Foi morto Aldrete. Bom, aí muda para outra cena. De repente, lá na frente, aparece como Aldrete foi morto. E assim, diversas cenas são feitas dessa maneira. Ele dá uma informação no momento.
e depois ele complementa a informação em outro momento completamente distinto. Tem cenas repetitivas, por exemplo, quando Pedro Páramo, quando Suzana vai embora, Suzana San Juan, quando ela vai embora por conta do falecimento da mãe, ele fica olhando e indo embora na estrada, ela...
vira e olha para ele. Essa cena é repetida no enterro de Suzana. Quando ela está saindo para ser enterrada, ele olha e repete a cena anterior, lá na adolescência dele, vamos falar assim. A mesma coisa acontece como anúncio.
da morte do pai dele e o anúncio da morte do filho dele. A cena é basicamente a mesma. Alguém entra no quarto e fala, seu pai morreu, ou entra no quarto chorando, ele olha a mesma cena carregando o corpo numa espécie de uma lona para colocar.
E aí você falou também algo interessante, há uma mudança de protagonista. Na primeira parte, a gente tem como protagonista a pessoa que está em busca do pai, que saiu para conhecer o pai, que é o Juan Preciato. O Juan Preciato, a mãe fala para ele, vai lá e não peça nada, exija o que é nosso. Porque o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o peaje é o pe
o Pedro Páramo tomou tudo, tomou a terra dela, tomou tudo. Ele devia para ela e ele, no fim, toma tudo dela. Então, ela fala para o filho, vai lá e não peça, exija o que é nosso. Aí, nesse momento, quando Juan Preciato vai a Comala,
Ele é o protagonista. Depois de certa parte do filme, já Pedro Páramo passa a ser o protagonista. Embora o Juan Preciato tenha participação ainda no filme,
como morto, mas tem a sua participação. A história vai se desenvolvendo muitas vezes com os questionamentos que ele faz, com as vozes que ele ouve, com tudo isso. Uma outra coisa, quando ele está lá com a Eduviras, Eduviras de Ada, ele não acha estranho que ela seja mais ou menos jovem.
Aliás, a Damiana está jovem. A Damiana falou, eu te criei. Foi entregue em meus braços. Ele não estranha o fato dela estar jovem, dela não ser uma anciã. E não há esse estranhamento. Mas por quê? Porque no momento que ela morreu, ela ficou com a...
a aparência do momento que ela morreu. Fotografia. A fotografia é muito interessante. Ele capta bem aquele ambiente da cidade de Komala, uma cidade fantasma, vamos falar assim. Ele capta bem...
e ela é usada para realçar o realismo mágico que o filme é. Aliás, o romance é um dos romances pioneiros, eu não sei se bem pioneiro, mas o autor do romance é um dos pioneiros nesse realismo mágico.
que pegou diversos escritores, como o Garcia Marques, o Torres, na Argentina, Cortázar, diversos escritores brasileiros também fizeram realismo mágico.
Tem até uma novela de realismo mágico muito interessante que passou no Brasil, acho que é do Dias Gomes, que é Saramandaia. O cara tem asas, desenvolve asas, o outro é um vampiro, um sai formiga pelo nariz. É um negócio bem interessante. Bom,
ela sempre está focada em trazer para o público algo obscuro, fúnebre, fantasmagórico, mesmo quando na festa. Ainda que esteja na festa, você fica aguardando o que vai acontecer de extraordinário aqui. Pessoal...
brincando e tal, ele filma os rostos, filma o pé batendo lá e tal. Você vai ter alguma coisa, ele transmite essa sensação. Utiliza o claro e escuro com muita eficiência. A música, aliás, a música fala, a música sempre fala, é um tom melancólico do começo ao fim do filme.
A música é sempre melancólica. Bom, trata... Uma das coisas que o filme trata é poder. Pedro Parma é a representação do poder local. Diz que a lei somos nós que a fazemos. Quando perguntam o fulgor...
Pergunta para ele, mas isso aí está de acordo com a lei? A lei somos nós que fazemos. O Fulgor falou, eu medi a terra lá do Aldrete, está certinho. Ele não tem nada de extraordinário. Não, nós vamos fazer isso, mas isso é contra a lei. Não, a lei somos nós que fazemos. A lei está a ser moar, como diria o Luiz XIV, lá da França. Então, é o poder absoluto.
O Pedro Parma é a representação do poder absoluto de uma fortuna constituída, uma parte por herança, outra por corrupção e a maioria por violência. A violência não precisa ser necessariamente a violência como ele fez com o Aldrete, de eliminar. Mas, por exemplo, a violência que ele faz com a...
com a mãe do... a mãe do Juan Preciato, a Preciato lá também, ela também é Preciato. A credora. Dolores. A credora. A credora Dolores Preciato.
Ela fala assim, eu queria visitar minha irmã, eu queria ser um corpo para visitar a minha irmã. Ele fala, não, já está decidido, você vai. Ou seja, manda embora. Vai embora, vai com seu filho, vai embora. Tomou a terra dela, pronto, agora você vai embora. Depois que já tinha tomado, quer dizer, é uma violência absurda.
com a pessoa, mas é isso. Conflito. Conflito, você falou que é um drama psicológico. E eu acho que quem mais expressa esse conflito interno é o padre Renteria. Porque ele fica... Primeiro, ele não quer absorver o Miguel Páramo.
Miguel Páramo matou o irmão dele, estuprou a sobrinha, além de outras coisas. Ora, ele não quer mais o... O Pedro Páramo para em frente dele, fica olhando.
Aí ele faz a absolvição. E aquilo para ele é terrível, porque logo em seguida aparece alguém pedindo absolvição para a irmã que tinha se suicidado, que é, na realidade, Edu Virgas, que tinha se suicidado. E ele fala, não, ela não pode ir para o reino do céu, porque...
Aí ele fica naquele, mas eu absolvi um, e agora essa aqui eu não posso saber por quê. Depois mostra o dinheiro que ele recebeu lá do Pedro Paro, a quantia que ele recebeu. Então, ou seja, até o reino do céu pode ser comprado, porque se coloca lá.
Tem uma passagem no filme bem interessante, que é quando Pedro Páramo intui que o comportamento que ele tinha podia trazer de sabores para ele. Quando é isso? Quando ele sabe da morte do filho.
Aí ele diz uma frase, mas isso é muito rápido, se a gente não prestar atenção nem nós, estou começando a pagar. Ou seja, ele intui que aquela maneira dele conduzir as coisas, como ele estava conduzindo ali, ele chegaria ao momento em que ele teria a reversão dos fatos.
Bom, essa parte você colocou a vingança de Pedro Páramo, quando a data da morte da mulher dele vira festa, aí aquilo para ele é um absurdo, e ele resolve vingar e deixa Comala morrer. Então o pessoal morre de fome.
tem lá, porque ele não planta mais, ele fica lá. Muita gente vai embora e outras morrem de fome. Tem um tema interessante nesse filme também, que é no romance e no filme, que é o amor irrealizado.
Então, nós discutimos o caso do Morro dos Ventos Vivantes, o amor irrealizado. Aliás, na versão recente que nós discutimos, o amor é realizado. Mas, nas versões anteriores, é o amor irrealizado. Então, nesse filme também é o amor irrealizado. E ele adora a Suzana. Ama a Suzana e tal desde a adolescência dele.
30 anos depois, ele fala, agora eu vou conseguir ficar com Suzana, realizar o intento de ter uma vida com a minha amada. Mas acontece que Suzana, em decorrência da relação incestuosa com o pai, ela está completamente louca. Suzana está louca.
novamente aqui o amor dele, ele não consegue realizar o amor dele. Susana falece antes, ela não consegue cura, não consegue nada. Falece. O pai dela, Bartolomé San Juan, quer dizer, estava só com a filha, aproveita-se da filha. Ela chora.
Tem a cena quando ela está deitada, que o pai vai deitar, ela está chorando e depois parece dar a impressão que ela estava... Que ela queria o pai, que ela gostava do pai. Mas aquilo já era o sintoma da loucura. Ela já estava completamente louca. Não, não...
Não que ela quisesse aquilo, pelo contrário, ela ficou louca exatamente por conta disso. Uma relação extremamente agressiva com ela. Então, o retorno dela à média aluna, por obra de Pedro Parham, que mata o pai para ficar com ela, vou matar esse pai logo e tal. A forma dele resolver as coisas era essa.
ela não está bem de saúde nem física nem mental. E é interessante que ela tem alucinações eróticas, significando que foi exatamente o erotismo que a destruiu psicologicamente. Bom, o que diz o filme? A busca por fortuna...
no caso do Preciato, Juan Preciato, ele, na verdade, não quis nem ir lá, mas depois de certo tempo resolveu cumprir o desejo da mãe e vai lá em busca da fortuna. A busca da fortuna pode resultar em morte ou
numa série de outros problemas. Pedro Parman, por exemplo. Ele tem tudo o que queria, exceto o que ele mais queria, o bem mais valioso dele, que era Suzana San Juan. E não consegue ter Suzana San Juan. Tem tudo na vida. Manda no povoado. É a lei. Ele é a lei. Lá em Comala.
Não adiantou nada, porque Susana jamais foi dele. O que ele faz? Ele acaba por destruir a fortuna em razão do bem que ele não conseguiu. Ele destrói tudo que existia lá em Comala, toda a riqueza de Comala.
Juan Preciato foi em busca daquilo que Pedro Parma havia tomado da mãe dele, da Dolores. E tem uma cena também muito rápida, que a Eduvírdes vira para ele e fala assim, quando você descansará? Ela já intuiu que ele foi em busca de alguma coisa?
e que ele ia encontrar a morte naquele lugar. Ela pergunta, quando você descansará? Ele encontra a morte em função daquele mundo fantasma-górico, como você falou, morreu de medo, o cara morre, na verdade morre de medo, e é isso que acontece.
Bom, vida e morte se confundem. Isso é uma característica do tipo de romance, realismo mágico, que o extraordinário convive com o que é normal. O extraordinário é normal. Então, vida e morte estão no mesmo plano, interagindo uma com a outra sem qualquer... A gente nem sabe se...
alguns personagens de fato estão mortos ou se eles são vivos, na verdade, se morreram junto com o Juan Preciato. É o caso da Doroteia. A Doroteia estava viva ou morta quando o Juan Preciato chegou lá. Indicação de que o passado tem um peso grande no presente.
e terá um peso grande no futuro. Ou seja, a gente depende do passado da gente. O teu futuro foi construído ao longo do tempo. O teu presente foi construído. Juan Preciado, por exemplo, pergunta a Daniana, em determinado momento fica até difícil de discernir o peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje peaje
Quem está vivo e quem está morto, não se sabe. Tanto é que Juan Preciado pergunta a Damiana Cisneiro se ela está viva. Damiana, você está viva? Ela não estava. Depois da pergunta dele, ela some. E ele podia intuir que ela não estava viva. Ela é muito jovem quando apareceu para ele em relação a...
Há um momento, ele encontra com ela já adulto e ela fala, eu te carreguei no colo, foi eu que te olhei e tal. Quer dizer, o cara vira, mas você tem quase a minha idade. Uma referência ao mundo das ideias. Algumas ideias antigas, superadas, persistem no tecido social.
a morte continua no mundo das ideias. O que está morto no mundo das ideias continua vivo no mundo das ideias. Ideias já superadas e tal, de repente voltam, de repente aparecem de novo e tal. E é assim. Bom, personagens. Pedro Páramo é a classe dominante.
que concebeu as bases da sociedade mexicana com violência. Coloca-se acima das leis, aliás, ele é a própria lei. E todas as pessoas são suas cercas, ou objetos de satisfazer seu desejo. Damiana diz que ela é a única que não pousou na cama de Pedro Páramo.
Tem uma cena até que, quando a Suzana está tendo seus delírios lá, o Pedro Páramo bate numa porta lá, e quem abre a porta é a Damiana. Mas ela falou, ele nunca deitou na minha cama. Quando o ato é terminado, é outra pessoa que está lá, não é a Suzana. É outra pessoa completamente diferente.
Então, talvez ela tenha razão. Fulgor sedano. Empregado que dá a vida pelo patrão. Faz tudo para satisfazê-lo, seja correto ou não. Algumas vezes, como no caso do traçado da divisória lá, entre o Toríbo e Aldrete, entre as propriedades do Toríbo e Aldrete e o Pedro Parão,
ele viu que o Toribio Aldrete tinha feito a divisão correta, mas mesmo assim atende o pedido do patrão de eliminar, de mentir. Veja que mentir é algo que percorre o ser humano desde longa data. Ele mente que o cara usurpou lá, usou de usura e tal, e acaba assassinando o Toribio Aldrete.
contra esse ato. É aquela pessoa que, desconhecendo o que vai encontrar pela frente, pasca em busca de algo que acredita lhe pertencer. Seria aquela parte de uma fortuna sem pensar nas consequências da atitude e das dificuldades que vai enfrentar.
aquele que quer ganhar tempo, ganhar tempo e tal, tal, tal, o quanto antes conseguir a riqueza. Embora o Juan Apreciato não demonstre isso, ele não demonstra isso no filme. Ele, na verdade...
relutou em ir atrás do pai, mas resolveu cumprir o desejo da mãe e ir atrás. Doroteia, pessoa dependente de outras para satisfazer suas necessidades mais elementares, razão pela qual submete-se aos mais absurdos pedidos para que possa sobreviver.
Quais são esses pedidos absurdos? Ela regimentava as meninas lá para Miguel Páramo. A regimentava ou falava para ele, nesse horário, em tal lugar, ela vai estar sozinha. Era isso. Então, ela fez essas coisas para conseguir sustentar-se. Miguel Páramo é uma espécie de um retrato do pai,
aproveita da sua condição privilegiada para abusar de outras pessoas. Seria o playboy, o garotão e tal. Perfeito. Damiana Cisneiros, o povo em si depende do emprego, mas não cede à tentação de conseguir as coisas com facilidade.
Foi a única que não dormiu com Pedro Parma. Esse é um indicativo. Alguém naquela cidade manteve a sua moral, a sua conduta ética. O que não aconteceu, inclusive, com o padre, que tem crises mentais. Em essência, o filme...
constitui um simbolismo e o romance também a respeito da formação da sociedade mexicana, que foi construída em cima da violência, da corrupção, do poder absoluto, da regimentação de uma comunidade inteira para atender ao interesse de uma classe dirigente indiferente, apática em relação aos sentimentos alheios.
e às vezes aos próprios sentimentos. O Pedro Páramo parece uma pessoa insensível. Quando alguém entrega um filho lá e diz que o filho é dele, ele fala, não, dá aí para a Damiana e ela vai cuidar dele. Ou quando ele mandou embora a Preciato,
que mandou para ir ficar com a irmã, e ela estava grávida, ele falou, não, Deus cuida de olhar. Eu não quero nem saber, Deus cuida de olhar. Nem mesmo... Veja só que aqui o autor do romance colocou uma situação interessante.
Nem mesmo a Revolução Mexicana conseguiu destruir esse sistema de classe que foi implementado. Tanto isso é verdade, que os revolucionários vão lá conversar com Pedro Páramo e o que ele faz? Ele coloca o Damasio lá para liderar os caras. O Damasio é empregado dele.
Quando a Revolução Mexicana ficou, não se sabe até, tem até uma distorção histórica de quando é que ela acabou de falar, mas ela estava lá, o Renteria resolveu pegar em armas, o padre Renteria, e o Damásio resolve, eu também vou ajudar o padre lá.
O Pedro Páramo, naquele momento, diz o seguinte, nós devemos lutar sempre ao lado do governo. Mas se você quiser ir, vá. Ora, veja só, o governo lá estava tentando acabar com o latifúndio, destruir essas fortunas, construir grandes propriedades de terra e tal. A revolução foi feita com esse sentido, mais ou menos.
Ele já estava, não, vamos lutar. O governo já estava posto e ele permanecia o grande mandão do lugar. Então, não, vai lá e... Se você quer lutar do lado do padre, vai lá lutar. Mas a gente deve lutar sempre do lado do governo. Bom, concentração de riqueza e de poder associado a espírito de vingança.
pode levar uma sociedade inteira, como é o caso de Komala, ao desassossego e à morte. Bom, como você diz, é baseado no romance de Juan Rufo, publicado em 1955, Realismo Mágico, que apresenta o irreal e o estranho como algo corriqueiro, presente na vida das pessoas.
Alguns escritores que adotaram essa técnica, Gabriel Garcia Marques, Jorge Luiz Borges, Julio Cortaza, Mário Vargas Llosa, Isabela Liende, Mário Escorça, o Garcia Marques é colombiano, Jorge Luiz Borges e Julio Cortaza, argentinos, Mário Vargas Llosa, Isabela Liende e...
Manuel Escorça, peruano, Alevo Carpentier, cubano, Artur Oslar Pietre, venezuelano, Murilo Rubião, José J. Veiga, Luiz Bustamante, Aguinaldo Silva, Dias Gomes, brasileiros. Tem também a Socorro, a Cioli, brasileiros.
Tem um livro do José J. Veiga, muito interessante, chama Hora dos Ruminantes, onde você vê esse realismo mágico se manifestar de forma bem interessante, não com essa coisa fantasmagórica, mas de uma outra maneira bem diferente.
Bom, é isso. Essas são minhas observações. Excelentes observações. Muito completo. Gostei muito. É um filme extremamente fragmentado, realmente. Parece que o livro também é assim. Eu acho que nisso dizem que o filme foi muito fiel ao livro.
Precisa de atenção Pra compor a história na mente A história vem fragmentada E você vai juntando as peças Do quebra-cabeça O que eu fiz aqui Foi o seguinte Num dos momentos aqui Eu peguei a história E coloquei na ordem Cronológica Temporal, na ordem cronológica Bacana Temporal, na ordem cronológica
Os temas principais, como o Antônio Ricardo falou O realismo mágico e a fronteira entre a vida e a morte Os mortos não apenas aparecem, mas falam, lembram e sofrem como se ainda estivessem vivos A morte não é o fim, mas uma continuação melancólica atormentada da existência Como ela é um purgatório coletivo A morte não é o fim, mas falam, lembram e sofrem
Poder, corrupção e caciquismo. Pedro Páramo encarna o arquétipo do cacique latino-americano. O homem forte e rural que acumula riqueza, autoridade através de violência e exploração e impunidade. O filme explora como o poder absoluto corrompe, isola e destrói o tecido social.
Amor frustrado e obsessão. Como o Antônio Ricardo falou, o que ele mais queria ele não conseguiu. No centro da tragédia é o amor não realizado de Pedro por Suzana San Juan. Uma figura materna idealizada da infância também. Porque a mãe parece que morre cedo junto com o pai, né? E ele fala, e quem te matou, né? Esse desejo insatisfeito torna-se rancor e fúria que envenena tudo ao redor.
É um amor poderoso como é macabro, capaz de destruir uma cidade inteira. Herança, culpa e identidade. Juan busca o pai para reclamar o que lhe é devido, mas acaba confrontando o peso da herança familiar e coletiva. A jornada de Juan é uma busca pelas raízes mexicanas, encontrando um passado de violência, aridez e abandono, mas também de uma beleza trágica.
Questões como o que carregamos no sangue e como o passado violento molda o presente mexicano são centrais. A violência é a revolução, como Antônio Ricardo falou. A história se passa no contexto da revolução, entre 1910 e 1920 e pós-revolução. Pedro representa o velho sistema latifundiário que a revolução tenta derrubar, mas falha. A crítica à exploração, a violência endêmica e ao machismo.
Memória, o passado não morre, ele assombra. As vozes fragmentadas mostram como as memórias coletivas constroem ou destroem a realidade.
Significado. Pedro Parman é uma meditação profunda sobre a condição humana no México e por extensão da América Latina. Comala não é apenas um povoado fantasma, é uma alegoria da própria nação, marcada por violência histórica, promessas não cumpridas da Revolução.
desigualdade extrema e uma relação íntima e ambígua com a morte, tão presente na cultura mexicana. Eles têm o dia dos mortos também, eles são bem assim mesmo, os mexicanos têm essa mistura bem presente mesmo do realismo fantástico, faz parte do cotidiano, da cultura deles, é bem forte isso mesmo neles.
Você colocou algo aí interessante que eu queria destacar aqui, que é o seguinte, ele vai, o Juan Preciado vai atrás do que lhe pertence e encontra Abundio. É verdade. Que é o irmão. Que é um irmão. Que é um irmão. Aí ele olha para o Abundio, aquele olhar é muito significativo.
Ele olha, o Abundi é um cara miserável. Ele fala, eu também sou filho de Pedro Páramo. Eu sou filho de... Aí ele deve ter pensado ali naquele, eu vou buscar o quê mesmo? É. Isso mesmo. Eu também vi, essa cena foi muito boa, muito boa ali no começo. Também reparei isso. E é ele que mata o próprio pai, né? O Abundi, né? É, exatamente. Vai lá e...
Ele exerce o complexo de ético sem pensar na mãe. De verdade, de verdade. Isso aí. O filme sugere que o rancor vivo, como define o personagem, e o desejo insatisfeito são forças mais poderosas que o dinheiro ou poder político.
Pedro conquista tudo materialmente, mas perde a alma e condena sua comunidade ao inferno, terreno, eterno. É uma tragédia shakesperiana tropicalizada. Ambição, luxúria, vingança e uma justiça cósmica irônica.
Para muitos críticos, a obra de Rufo e essa adaptação refletem por que a violência persiste no México e na região. Ciclos de poder abusivo, traumas não resolvidos e uma espécie de maldição herdada que faz com que o passado continue vivo no presente.
Como você falou, o Rodrigo Prieto é um renomado diretor de fotografia. Ele fez Killers of the Flower Moon, The Irishman, que foi um que a gente já discutiu, Brokeback Mountain, que é dos cowboys gays, e Barbie, ele também foi diretor de Barbie, que é um excelente filme, por sinal, com a Margot Robbie. Ele usa sua maestria visual para criar um ambiente onírico, com belos contrastes de luz e sombra, Que Ar Oscuro.
Cores vivas que contrastam com a decadência e a atmosfera hipnótica que reforça a desorientação temporal. O estilo fragmentado é grande, tanto no livro quanto no filme. Nisso ele foi muito fiel. Mas o que é também muito enriquecedor. Uma bela e melancólica, em síntese, uma bela e melancólica exploração de como o amor, o poder e a morte entrelaçam-se para criar fantasmas.
para criar fantasmas que nunca descansam, tanto individuais quanto coletivos. Aí tem uma fala que tinha no material de divulgação do filme, todos temos nossa própria comala. Eu fiquei meio em dúvida, em que sentido eles queriam dizer isso. Você estava fazendo a pergunta?
talvez seja todas temos a nossa própria comala todos temos a nossa própria comala sim, todos nós temos um passado que pesa sobre o nosso presente isso de fato sonhos não realizados todo mundo vai ter também sonhos não realizados é o caso de Ilá
Às vezes aquilo que você mais pretende, você consegue diversas coisas que você dá menos valor àquilo que você mais pretende.
E você jamais alcança aquilo. Algo que você queria muito na vida e não conseguia alcançar. Sim, é normal. Faz parte da jornada, né? É. Faz parte da jornada. A jornada tem isso mesmo. Essa é a graça também da vida ao mesmo tempo, né? Essa talvez seja a beleza trágica da vida, né?
Exatamente, já pensou. Os sonhos colidem com a realidade, né? Nem todos são viáveis. Eu assisti um filme que uma pessoa morre, aí, de repente, ele aparece em um lugar. Alguém o recebe muito bem e tal, tal. Aqui você... O que você quiser aqui, você está conseguindo e tal. E aí vai, né?
Aí o cara gostava de sinuca, acertava tudo, não perdia nada. Pensava nas mulheres, apareciam as mais lindas para ele. E assim foi, nada do que ele queria lhe faltava. Ele conseguia tudo o que queria, tudo. Aí ele chega perto do anjo, vira e fala assim, ó, senhora, eu acho que eu vim para o lugar errado, eu acho que o meu lugar...
Não é aqui no céu. Iria ir para outro lugar. Aí o anjo vira para ele e fala assim, só que você não está no céu. Quer dizer, ou seja, se você conseguir tudo aquilo que você deseja, não tiver desafio.
Pra conseguir nada, se não houver um desafio, você simplesmente desejar e conseguir, na verdade você tá no inferno. É, eu acho que sim, acho que sim. Quando tudo é permitido, né, tudo sim, né, é estranho mesmo. Sabe o que eu ia falar também? Qual seria um inferno pensando num Black Mirror?
Uma realidade virtual, dá tudo o que o cara quer, tudo de mentirinha, sabe? É. Muito boa a analogia, gostei. Gostei. Sugestão, próximo filme. Bom, eu tava pensando naquele, já que a gente tá na língua espanhola, né? Ou na língua castelhana, vamos falar assim. Eu tava pensando em Abutre, que tem lá, acho que é o Ricardo Darim, como...
protagonista. É. Netflix? Filme argentino, Netflix. Pode conferir. Vou conferir aqui rapidinho. Está disponível. É Abutre ou Abutres? Eu acho que é Abutres. Abutres. Não, é Abutre. Tem razão. Abutre 2010.
Advogado ligado à máfia de seguros, dividem hospitais públicos em busca de potenciais clientes. Uma história de amor nasce quando ele conhece uma jovem médica que está tentando salvar a vida de um de seus clientes. Deve ser interessante. Está disponível no Netflix. Confira, Butris. Vamos ver, então. Próximo filme. Próximo filme. Combinado. Combinado.
Então é isso. Satisfeito? Mais algum detalhe sobre Pedro Paramão? Ah, você sabe que o ator principal é primo do do Rufo? Ah, sim. Ele tem lá o nome Rufo. Ele tem o Rufo. Eu olhei e falei, esse Rufo não é atoa, cara, que colocaram. Parece que eles estavam cogitando colocar o Gael Garcia Bernal. Mas aí eu acho que eles preferiram colocar o Rufo.
Mas as interpretações são muito boas. São boas. São boas. São boas. É. É, eu diria assim, ele ficou daquele jeito pelo passado dele ali, né? Na infância eu acho que ele perde o pai e a mãe e aí fica duro, né? Ele fala assim, mas a realidade é essa, né?
Você está falando o Pedro Parmo? Pedro Parmo, exatamente. Eu acho que ele entra no contexto. Eu acho que ele entra no contexto. Ele era uma criança. Mataram o pai e a mãe. Aí ele teve que se virar. Ele era aquela... Quando jovem, era aquela pessoa preguiçosa, rebelde, que não queria trabalhar, não queria fazer as coisas. Quando ele assume...
a propriedade do pai, ele se endivida. Aliás, o pessoal fala lá, né? O que é? Vamos vender a propriedade hoje? A gente vai ser mandado embora hoje? Vai vender hoje? Aí depois que ele combina lá com... o fulgor lá, ele fala, não, vamos... vamos fazer falcatruas.
E crescer isso aqui, aí sim. Aí vai. Mas era aquele... Aquele jovem que o pessoal fala, isso não vai dar em nada na vida. Não. É. E eu...
Vendo ele na infância, você vê como é colorido também quando ele está na infância com a Susana. Ele soltando pipa, a pipa é azul. Parece uma fantasia mesmo. Dentro do lago, nadando. E vai ficando árido mesmo, seco. Parece que é um choque mesmo. Porque ele começa colorido assim e de repente vai ficando...
Exato Bem interessante Talvez é Eles falam que é o McDonald's McDonald's era alegre e feliz Virou um homem de meia idade Com depressão Mas você já viu essas fotos Comparativas do McDonald's Antes e depois É que o McDonald's nos anos 90 Tinha o Ronald McDonald Era meio infantil Aquele bonecão Sim
Tinha um bonecão, aquele roxo, as cadeiras eram de hambúrguer, era bem infantilizado mesmo, sabe? Aí ele se modernizou, né? Porque eu acho que essa geração que viu o McDonald's envelheceu. Não dá pra ficar indo num lugar...
infantilizada assim, né? Só pra levar os filhos. Era muito familiar. Agora, eles falam que ele virou um adulto de meia idade com depressão porque ficou tudo preto, cinza, perdeu o colorido que tinha. É o Pedro Paramo, é o alegorismo do McDonald's. Mas verdade. Então tá bom. Até o próximo filme, o Abutre.
Até lá. Boa tarde, Antônio e Ricardo. Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Frederico. Boa tarde, ouvintes.