Resumo Abril 26 MMZR Family Office
- Resumo de Abril MMZR Family OfficeRecuperação em abril e bolsa em alta · Juros elevados e dificuldade de recuo · Reavaliação de preços após cessar-fogo · Fluxo para empresas de tecnologia · Entrada de recursos em bolsas globais · Reversão de posições vendidas · Crescimento como direcionador de mercados · Economia resiliente e revisões de lucro · Petróleo próximo de 100 dólares · Reavaliação do risco de espiral inflacionária · Componentes inflacionários benignos · Nova onda de disrupção tecnológica · Inteligência artificial e produtividade · Desinflação global com componente estrutural · Imigração e dependência do bônus demográfico · Robótica e inteligência artificial física · Cenário macroeconômico no Brasil · Dificuldades do governo em ano eleitoral · Inflação elevada no componente de alimentos · Riscos para reeleição de Lula · Expectativas para juros médios · Desafios para o crescimento econômico · Política fiscal expansionista · Posicionamento das carteiras
Boa noite. Esse é o resumo da nossa carta para o mês de abril. A recuperação em abril, bolsa em alta e juros elevados. Ficamos satisfeitos com a análise apresentada em nossa carta de março, momento em que questionávamos se o comportamento recente dos ativos poderia remeter, em alguma medida, ao cenário observado em 2022.
De toda forma, já a partir do segundo dia útil de abril, o anúncio do cessar-fogo trouxe uma forte reavaliação de preços por parte do mercado. Do ponto de vista microeconômico, os valuations mais atrativos voltaram a estimular um fluxo relevante para as empresas de tecnologia.
No âmbito macro, observamos um movimento consistente de entrada de recursos para as bolsas globais, especialmente em países desenvolvidos e em mercados emergentes, com elevada participação do setor de tecnologia em seus índices, como Coreia do Sul e Taiwan. Além disso, parte importante do movimento de alta também foi impulsionada pela reversão de posições vendidas em algumas bolsas, contribuindo para a aceleração das máximas recentes à medida que esses investidores zeravam suas exposições.
No geral, o comportamento dos ativos continua bastante alinhado à premissa estrutural que estabelecemos para o ano, na qual o tema crescimento permanece como principal direcionador dos mercados. Dentro desse contexto, seguimos observando sinais de uma economia resiliente, com revisões positivas de lucro para as empresas e uma valorização mais sustentável dos ativos de risco.
Ao mesmo tempo, os juros permanecem elevados e encontram dificuldades para recuar de forma mais consistente diante da combinação entre crescimento econômico e um petróleo ainda próximo da região de 100 dólares por barril. É interessante notar que esse mesmo patamar do petróleo foi um dos principais responsáveis pela correção observada nos ativos ao longo de março.
Em abril, entretanto, o mercado parece ter reavaliado a probabilidade de uma nova espiral inflacionária, entendendo que esse risco é hoje menos provável do que o inicialmente precificado durante a escalada do conflito geopolítico. Ainda assim, sabemos que os cenários econômicos permanecem dinâmicos e sujeitos a mudanças rápidas.
Por ora, porém, os demais componentes inflacionários continuam se mostrando mais benignos do que aqueles observados em 2022, especialmente no setor de serviços. Por fim, gostaríamos de reforçar aquilo que seguimos considerando como nosso principal tema estrutural de longo prazo do ponto de vista macroeconômico. Entendemos que o mundo caminha para uma nova onda de disrupção tecnológica.
potencialmente capaz de elevar o PIB potencial de diversas economias por meio de ganhos relevantes de produtividade impulsionados pela inteligência artificial, combinados com uma nova etapa de desinflação global. Dessa vez, essa desinflação pode carregar também um componente estrutural adicional. Com o tema imigração ganhando crescente relevância política e econômica ao redor do mundo,
é possível que diversas economias passem a buscar alternativas para reduzir sua dependência do bônus demográfico associado aos fluxos migratórios. Nesse contexto, a evolução das tecnologias ligadas à robótica e à inteligência artificial física pode se tornar um importante vetor de substituição e ganho de produtividade ao longo dos próximos anos.
Seguimos avaliando cuidadosamente todos os cenários, buscando entender constantemente se nossa visão estrutural exige revisões relevantes. Até o momento, porém, permanecemos confortáveis em utilizar esse racional como principal guia para a construção e alocação dos diferentes portfólios. No Brasil, nosso comentário passa pelo aumento da dificuldade que o atual governo deve enfrentar ao longo deste ano eleitoral.
O país provavelmente conviverá com níveis de inflação mais elevados, especialmente no componente de alimentos, tema que historicamente possui forte impacto sobre a percepção da população e sobre os índices de aprovação presidencial. Nesse contexto, entendemos que os riscos para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentaram marginalmente.
Ao mesmo tempo, as expectativas para os juros médios dos próximos 12 meses se encontram significativamente acima das projeções observadas há aproximadamente 45 dias. Esse movimento pode representar desafios adicionais para o crescimento econômico, mesmo em um ambiente de política fiscal ainda expansionista.
Seguimos discutindo internamente se os acontecimentos recentes justificam alterações mais relevantes no posicionamento das carteiras, embora ainda sem uma definição conclusiva até o momento. Esse foi o resumo da nossa carta. Você encontra a versão completa em nosso site, com detalhamento de diversas classes de ativos. Obrigado e até a próxima!