Episódios de Linha de Passe

Argentina vira sobre Inglaterra com Messi brilhante, despacha rival e vai buscar bi da Copa contra Espanha - Linha de Passe

16 de julho de 20261h49min
0:00 / 1:49:14

No Linha de Passe desta quarta-feira (15), nossos comentaristas analisaram todos os detalhes da semifinal histórica entre Inglaterra x Argentina e a classificação dos hermanos à grande final da Copa do Mundo.

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Participantes neste episódio8
W

William

HostNarrador
J

Jean Odi

Comentarista
L

Leonardo Bertozzi

Comentarista
M

Mário Marra

Comentarista
M

Mendel Bidlovski

ReporterJornalista
P

Paulo Calçade

ComentaristaJornalista
P

Pedro Ivo Almeida

ReporterCorrespondente seleção brasileira
V

Vítor Birner

Comentarista
Assuntos8
  • Vitória da Argentina na Copa do QatarVirada contra Inglaterra · Messi brilhante · Terceira final em quatro Copas
  • Possível convocação de Neymar para a CopaMaestro do time · Influência mesmo sem gols decisivos · Respeito dos adversários e árbitros
  • Lionel Messi e o futuro da ArgentinaForça mental inquestionável · Espírito de luta e superação · Aceitação de papéis em prol do time
  • PIX na ArgentinaConsciência de grandeza · Postura passiva da Inglaterra · Rivalidade histórica
  • Análise da Inglaterra na CopaPostura covarde no segundo tempo · Mudanças táticas de Tuchel · Pipocada histórica
  • Críticas ao Elon MuskDecisões táticas equivocadas · Medo e covardia · Responsabilidade pela eliminação
  • Lionel Scaloni· EsportesDecisões cruciais no segundo tempo · Adaptação e leitura de jogo · Gestão emocional do grupo
  • VAR e arbitragemNível da arbitragem CONCACAF · Deixar correr nas semifinais · Intimidação com Messi
Transcrição410 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Band Esporte está começando o nosso Linha de Passe. Depois de quase 40 dias de Copa, eu não tenho mais vocabulário, não tenho mais adjetivos para falar da Argentina, juro para você. É inacreditável, inesperado, surpreendente, é garra, é força, é determinação. Não tem, não tem. Todas as palavras aqui são muitas repetições do que eu já falei em outros programas. A Argentina de novo se supera, de novo a Argentina tem um jogo desfavorável, ela vai lá, ela consegue virar.

A gente vai falar bastante do outro lado também, que ajudou muito, hein, ô Inglaterra, hein. E a Argentina vira para cima da Inglaterra, 2 a 1, tal qual há 40 anos no Azteca. 40 anos, 2 a 1 lá, 2 a 1 hoje também. E a Argentina está na final, final inédita de Copa do Mundo. Entre Argentina e Espanha. Espanha vai tentar o seu segundo título, Argentina vai tentar ser tetra, hein? Comece tudo que tem direito. Linha de Passe vai falar bastante sobre esse jogo, vai começar a projetar um pouquinho da final também contra essa Espanha, onde de novo Argentina não vai ser favorita.

Eu já sei, Argentina não é favorita, mas quem duvida da Argentina nessa altura do campeonato, hein? A gente vai para o intervalo e voltamos daqui a pouquinho. Vem com a gente no YouTube, vem com a gente no TikTok, no Disney Plus, na ESPN. Vamos papear! O nível de falta de paciência com a seleção inglesa aqui no chat é gigantesco. E olha, injustificável, absolutamente justificável. Mas vamos começar pela Argentina, né? Porque de novo, de novo A Argentina consegue tirar coelhos da cartola e a Argentina está em mais uma final de Copa do Mundo.

Nas últimas... Presta atenção nisso aqui, porque às vezes a gente esquece, né? Nas últimas 4 Copas do Mundo, a Argentina foi finalista em 3. Cara, isso é espetacular! É espetacular!

?Voz B

E não vai dizer que a gestão da AFA ajuda.

?Voz A

Exatamente, porque tá ali, ó, CBF, AFA.

?Voz B

CBF é melhor.

?Voz A

CBF ainda é melhor. Mas a AFA não ajuda, não ajuda. E a Argentina consegue em 4 Copas do Mundo chegar a 3 decisões, já ganhou uma e pode, claro, conquistar. Mas quem duvida agora? Eu sei que de novo a Espanha é favorita, mas quem duvida que a Argentina pode tirar outro coelho da cartola e vencer e ser novamente campeã do mundo, chegar ao tetracampeonato? Impressiona. Uma das maiores histórias é de uma caminhada de uma seleção.

Claro que precisa do carimbo do título, Mas uma das maiores histórias de uma caminhada de uma seleção, por tudo que aconteceu nessa Copa, essa história da Argentina. E uma das maiores pipocadas da história das Copas do Mundo, essa do segundo tempo da Inglaterra. Ao mesmo tempo que é incrível o que a Argentina faz, é uma vergonha o que a Inglaterra fez no segundo tempo, capitaneada ali pelas opções do seu treinador. A gente vai falar de tudo isso nesse Linha de Passe, que tem o Paulo Calçade, que tem o Vitor Birner, que tem o Jean Odi, que tem o Leonardo Bertozzi, que daqui a pouco tem o Pedro Ivo Almeida, que daqui a pouco tem o Mário Marra também.

Vamos falar sobre tudo isso. Eu vou abrir com o senhor, Vitor Birner. Faz tempo que eu não abro um programa com o senhor, hein? E hoje é o dia, mas podia ser justo ontem. Você deve estar com muita sorte no amor, porque no jogo a coisa tá feia, Vitor Birner.

?Voz B

Tudo bem?

?Voz A

Tudo bem.

?Voz C

Você quer começar com esse tema, Birner?

?Voz B

Boa noite, Jean. Boa noite. Já que você tá tudo feliz, professor Calçade, boa noite, Bertozzi, é o Pedro, nosso pesquisador.

?Voz D

E ele não negou.

?Voz B

E não tô.

?Voz A

Não negou.

?Voz B

Não, não tô. Bom, um resultado inquestionável, mostra a força mental da Argentina. Eu não vou falar sobre organização de jogo porque a Argentina é um time que toca muito a bola quando o adversário permite. E a Inglaterra no começo se fecha do jeito bom porque ele obriga, a Inglaterra obriga o Messi a vir jogar longe da área e ser o construtor, o cara que tentava os passes por dentro, não achava muito espaço. E a gente não pode questionar nunca a capacidade competitiva dessa Argentina pela Copa passada, por essa Copa do Mundo.

Então ela tem todos os méritos. Contra uma Inglaterra, eu tenho que falar disso, pode ir lá, eliminação assinada por Tuchel. E eu não sou de falar isso muito sobre os treinadores. O que acontece, ele primeiro, ele monta um 5-3-2, ele faz a modificação, aí ele corrige para um 5-4-1. Não tem nenhum problema, tem lógica, tem lógica. Você tá fechado, seu time adversário tá só cruzando bola na área. Ele coloca zagueiro alto, ele bota linha de 5 ali.

O problema é que eu tenho absoluta certeza que ele nunca treinou isso, porque se você bota 3 zagueiros que não se entendem, você complica a marcação, porque eles não sabem quem marcar. E aí foi no lance do Mac Allister, e depois que ele fez a modificação, a Argentina começou a ganhar todas as bolas por cima, porque antes era uma bola invertida do Messi, geralmente da direita para esquerda, para alguém cabecear para dentro. Que é uma jogada que a Argentina faz muito bem. Depois, ele começou a cruzar bola na área e a Argentina ganhava todas as bolas.

?Voz A

Todas!

?Voz B

Não tinha bloqueio na frente da área e não tinha pressão. Bola aérea, mesmo colocando 3 zagueiros. Ou seja, o Tuchel, ao invés de mandar sua seleção adiantar um pouco as linhas, marcar um pouco mais à frente e tentar encarar a Argentina, foi covarde, né? Esquentou a pipoca, estourou a pipoca e agora vai ter que comer a pipoca com a Argentina, que fez o seu primeiro jogo contra um adversário difícil E nesse jogo mostrou que pode ser finalista.

?Voz A

Vai comer o baldinho de pipoca no próximo domingo assistindo a final, né? E provavelmente lamentando, lamentando o que fez no jogo de hoje. Quem ainda duvida da Argentina, Leonardo Bertoazzi?

?Voz D

Tudo bem? Tudo bem, William.

?Voz E

Boa noite, boa noite, companheiros. Agora que tá na final, cara, vai falar o quê, né? É aquela história, ah, tá, tá, os trancos e barrancos, aos trancos e barrancos, papapá, chegou na final. Não se contesta um finalista de Copa do Mundo, esse é o ponto. Né, você pode apelar agora para o que você quiser, para as conspirações, para os Illuminati, para outros mundos. O fato é que a Argentina jogou bola quando precisou jogar. Ela não jogou bola a Copa inteira, ela foi tropeçando, foi vencendo ali na bacia das almas, na garra, com ajudinha de expulsão correta, mas com ajudinha do Embolô, no caso ali contra a Suíça.

E hoje, quando a Inglaterra Tô de acordo com o Birner, fez as alterações no segundo tempo e chamou a Argentina para cima. Argentina como um, como um touro, el toro, Lautaro Martínez, quando vê ali o pano vermelho, ele vai para cima. Você não precisa pedir muito para Argentina ir para cima da Inglaterra historicamente, né? E é um jogo que eles sentem muito, e hoje eles mostraram por quê. Eu tava, eu tava lendo hoje uma entrevista do Antonio Conte, porque o Conte dirigiu tanto o Kane no Tottenham quanto o Lautaro na Inter, e Então, para ele falar um pouquinho sobre os dois, ele falou, uma coisa que me impressionou muito é que o Lautaro e o Julián Álvarez, que são caras muito grandes nos seus times, aceitam ser, na Argentina, serventes do Messi, como todo mundo nesse time.

E isso diz muito sobre esse elenco, sobre esses caras que são bambambãs nos seus clubes e na seleção eles viram quase um fã a mais do Messi e dão a vida para que a história dele em Copa do Mundo termine com um incrível Segundo título consecutivo. Então, as partes táticas nós vamos discutir, porque de fato eu acho que sacar o Gordon, que era o cara que te daria o contra-ataque com 1 a 0, que seria muito valioso, porque a Argentina tava ficando sem perna ali já, e naturalmente ela ia dar os espaços para o contra-ataque.

E a gente até tava no camarim já, né? A gente falava, vai atrasar, vai para prorrogação. Aí, só que aí, aí, Calçade e eu falando, não, acho que a Argentina pode ganhar esse jogo nos acréscimos.

?Voz B

Nada impedirá a gente chegar no laguinho quando ele quiser.

?Voz E

Nada. Eu já tenho até a saída pro laguinho marcada, não vai atrasar. Mas por quê? Porque a gente pensou, ir pra prorrogação com aquela montagem, com o time todo desarrumado pra frente, não seria um grande negócio pra Argentina. Mas como a Inglaterra tava tão abatida, tão perdida, com 9 de acréscimos, opa, bora, dá pra ganhar isso aqui. E eles não duvidaram em nenhum momento que tava pra ganhar. Acreditaram e acreditaram até o final.

Acho que tem um lado anímico, sim. Acho que os 60 anos sem uma final de Copa pesam, sem um título e sem uma final de Copa.

?Voz A

A gente fala disso também.

?Voz E

Já é a terceira semifinal que a Argentina, que a Inglaterra perde desde então, né? A terceira. Perdeu em 90, perdeu em 2018 e perde agora em 26. Então eu acho que a gente vai ter que discutir muito também o anímico desses jogadores, além de algumas falhas de concentração, né? Porque tomar o gol do empate com 10 atrás e ninguém proteger na entrada da área, cara, isso é o básico. É o básico que você não fez. E também, para não me alongar, que dois dos maiores técnicos dessa Copa do Mundo, talvez os dois maiores se olhar para clube, o Ancelotti e o Tuchel, tem as digitais dos dois gigantemente nas eliminações.

?Voz B

Isso é impressionante.

?Voz E

Isso é muito curioso, porque assim, eles não vão— é claro que assim, eu tô vendo o chat aí, aqui nas redes sociais, tá todo mundo querendo que o Tuchel nem pise na Inglaterra de novo, até porque ele é alemão, né? Então isso certamente vai contar mais contra ele agora.

?Voz A

Esse momento dá até para entender, né?

?Voz E

Depois a pessoa com a cabeça fria vai pensar um pouquinho mais, mas realmente continua achando que ele não cometeu erro convocação de quem ele queria levar, que o time fez uma bela Copa do Mundo. Mas assim, eu acho que na hora de tomar as decisões hoje foram as piores possíveis, como foram as do Ancelotti também contra a Noruega. Quer dizer, até os melhores técnicos colocam os pés pelas mãos nas horas decisivas. E hoje foi claro assim, o jogo, a Inglaterra dificilmente tomaria a virada se não mudasse para a linha de 5 ali atrás e desorganizasse o seu sistema defensivo.

?Voz A

A gente tem uma tela aqui para falar inclusive dessa sequência da Argentina em Copas do Mundo, né? Daqui a pouco passar a bola para o Jean, para o Calçade. Daqui a pouco, como eu disse, tem Pedro Ribeiro, tem Mário Marra. Vamos lá, então 2014 vice-campeã, em 2018 cai nas oitavas de final, não foi bem na Rússia, mas aí em 2022 é campeã e agora finalista de novo.

?Voz B

E desde 90 não ganhava de uma seleção campeã do mundo.

?Voz A

Exato. E é importante, bem lembrado, é importante lembrar também, né, além desse período de Copa do Mundo, a gente lembrar, como já falamos aqui no último programa, sim, sim, sim, como já falamos aqui em outro programa, vai para uma final de Copa do Mundo depois de ter sido campeã na última Copa do Mundo. E Argentina, que é duas vezes campeã na Copa América, as duas últimas edições a Argentina ganhou, ela tem mais títulos, mas tô falando dos dois últimos, que é campeã da finalíssima.

Uma seleção que chegou sem muito peso de cobrança nessa Copa do Mundo, mas que os jogos foram cobrando algumas coisas da Argentina e que não sei pensar se essa coisa do desfrute da Argentina ajudou na hora do, vamos ver, o que a Inglaterra tem de questão mental para resolver por estar encalhada há tanto tempo. A Argentina não tinha. Talvez isso deu uma confiança, deu uma casca que pode ser um dos ingredientes aí nessa receita de mais uma final da Argentina. E, Jean, tudo bem?

?Voz C

Tudo bom, William? Boa noite a você, boa noite a todos. É, para resumir, eu diria o seguinte, cara, eu acho que A consciência da Inglaterra sobre a sua pouca grandeza diante da grandeza do adversário acabaram fazendo a diferença, né? Porque eu até no final do primeiro tempo fiquei pensando, bom, os dois times não tinham mostrado muito na Copa do Mundo até aqui, e o primeiro tempo vai bem nessa linha, né? Continuaram não mostrando muita coisa.

Aí quando a Inglaterra faz o gol no segundo tempo, eu pensei Mas no fim das contas, parece que vai avançar aquele que mostrou um pouquinho mais do que a outra durante a Copa do Mundo. Mas aí veio, acho que, a consciência da Inglaterra sobre a sua grandeza, que é incomparável com a grandeza das gigantes do futebol mundial, e entre as quais está a Argentina. E acho que essa tela que a gente mostrou explicita isso, escancara isso.

E aí foi isso. Provavelmente, se não fosse a Argentina do outro lado, essa Argentina de Lionel Messi, essa Argentina com esse espírito que a gente vê todos os jogos, não existe jogo perdido para os caras. Se não fosse essa Argentina, talvez a Inglaterra não tivesse feito o que fez, não tivesse tido essa postura tão covarde. E aí vai muito para eliminação do Thomas Tuchel, para conta do Thomas Tuchel essa eliminação, mas também dos jogadores, porque nós estamos falando de caras como Jude Bellingham que é novo, mas é experiente, é rodado, fez uma grande Copa.

O Harry Kane, ainda mais experiente, teoricamente o líder dessa seleção. E eles não conseguiram se impor, eles não conseguiram fazer o time jogar, reter a bola. Foi um massacre, foi um massacre o segundo tempo da Argentina. Um segundo tempo, um tempo que a Argentina não tinha feito na Copa do Mundo até aqui. Então assim, é óbvio que tem muito mérito da Argentina, é óbvio que tem muito desse espírito que os caras têm, que é indiscutível, e acho que é invejado por qualquer seleção do mundo.

O espírito é algo para ser invejado por qualquer seleção do mundo. A gente pode e vai discutir quem joga mais, quem joga menos, mas o espírito é algo para ser invejado por qualquer seleção do mundo. E eles têm todos esses méritos, mas a postura da Inglaterra, o Thomas Tuchel e os líderes do elenco também colaboraram demais para permitir essa, essa virada e essa classificação da Argentina para a final, que assim é épica, né? Se você olhar para todo o roteiro, para maneira como a Argentina vira os jogos, para os buracos dos quais a Argentina saiu nessa Copa do Mundo, cara, é uma história para ser invejada por qualquer torcedor de futebol no planeta.

?Voz A

Argentina saiu de um 0 a 2. Olha só para a gente relembrar também, né, porque os jogos vão um atrás do outro. Argentina sai na frente contra Cabo Verde, aí tomou empate, Aí falou, agora vai. 2x1, toma o empate de novo, vai buscar o 3x2, time extenuado, cansado. Aí vai enfrentar o Egito, aí toma 2x0 do Egito. Falou, agora a vaca foi pro brejo. 34 do segundo tempo, mais nada a fazer, time arrebentado, cansado, destruído fisicamente, mas jamais emocionalmente, jamais emocionalmente.

E aí vai, consegue uma virada épica contra o Egito. Falou, agora Deus esticou a corda. Vem a Suíça, Argentina faz 1x0, parecia que tava no controle. De repente, a Suíça vem para um segundo tempo, 1x1, melhor no jogo. Aí o Emboló faz a besteira que fez, Argentina volta para o jogo, consegue fazer 2x1, 3x1. E aqui, Calçade, no último programa da classificação da Argentina contra a Suíça, eu falei assim: Calçade, a impressão que dá é que já esticou a corda o máximo que dá, né?

Acho que não tem mais de onde tirar, cara. Agora Inglaterra é outra, é outra pegada. Toma aí de novo, que essa corda é maior do que a gente imaginava, hein?

?Voz D

Bom, boa noite, cara. Administração da Argentina, ela é emocional, totalmente, né? Total. Então ela é um, ela joga a Copa, nessa Copa então isso é muito mais evidente, até porque ela vem de um título de campeã do mundo, vem com Messi muito bem. É isso que tem feito a diferença também. O Messi está ótimo na Copa do Mundo. E é impressionante a relação dos adversários com o Messi. A gente tava comentando, o Messi tomou uma chegada aos 36 minutos do primeiro tempo, foi a primeira que ele tomou na Copa.

O cara passou a Copa toda sem ter uma chegadinha, e ele é o Messi. Não tô dizendo que devam dar nele, apenas que um cara deste nível, todos eles sofrem, o Bale, o Harry Kane e tal, o dele, os adversários têm um respeito, eles meio que escoltam, parece, né? É quase uma escolta do adversário. Porque assim, se eu sou um treinador, ao invés do Tuchel botar todo mundo dentro da área, elege um. Um. Olha, vem cá, você vai jogar grudado nele. Se você distanciar 1 centímetro dele, o bicho vai pegar pra você.

?Voz C

Fica nele.

?Voz D

Por quê? Ele vai receber menos bolas, ele vai ter, ele vai se irritar. Não, o gol é uma bola tranquila pra ele do lado direito, que ele passa pra entrada da área. Todo mundo dentro da área, ninguém defendendo na entrada. Ou seja, a Inglaterra foi fazendo algo ao longo da partida que é assim de um nível de futebol que não é de Copa do Mundo, que é colocando gente dentro da área e deixando cruzar.

?Voz B

E é um escanteio que ele cobra curto, que ele já tinha feito igual.

?Voz D

Entraram 2 jogadores, o Burnley acho que tem 1,21m, sim, o Riley.

?Voz A

Entraram torres, entraram torres.

?Voz D

1,93, e eles continuaram tomando bola aérea de um ataque que não tem ninguém de 1,80. Ficou mais frágil, mas ele trabalha fora.

?Voz A

É impressionante como trabalhou bem fora, hein?

?Voz D

Então sim, mas o Scaloni foi bem demais, impressionante, porque todas as decisões, mais uma vez, o que ele faz, tem uma hora que ficou estranho, mas aí tinha sentido. Primeiro tempo Julian Álvarez jogando do lado esquerdo. Juliano Simeone, a surpresa, a gente debatia ontem, ele foi no meio termo que a gente tava falando, porque quando ele precisa de linha de 5, Juliano Simeone baixa. Quando ele precisa de um escape, Juliano Simeone é o escape.

E ali era Messi tentando acionar o Juliano Simeone pelo lado direito da Argentina. Um belo, um entendimento interessante. Do outro lado, Julian Álvarez. Então era uma linha de 4 Sem a bola era o Messi, uma linha de 4, Julian Álvarez, Enzo Fernández, Mac Allister, Julian e Simeone, Mac Allister e Enzo. Paredes era o recheio desta linha e a linha defensiva era um 4-1-4-1, bem interessante, mudando o sentido do Julian Álvarez na Copa, que era voltar no 4-4-2 ao lado do Messi.

Então o Messi também não ia marcar ninguém, mas a Argentina ia ficar compacta. O tempo vai passando, aquele jogo de espírito sul-americano no início, né? Foi primeiro tempo Libertadores, bem Libertadores. Mas no segundo tempo aí o Scaloni arrebenta com o Tuchel, porque o que faz Scaloni no segundo tempo? Ele traz o Julian Alvarez para o lado direito, do centro lá direito, esquece o lado esquerdo. Até porque a Inglaterra não atacava mais, a Inglaterra abriu um monte de jogar.

?Voz E

E aí, cara, mas coloca o Nico por ali, né?

?Voz D

É possível você abrir mão de jogar e ganhar o jogo. E eu repito aqui o que a gente fala, falou até ontem: eu sempre prefiro time que tem a bola. Para mim, jogo é ter a bola. Eu respeito quem não tem, quem não tem pode ganhar, mas quem tem a bola eu respeito e entendo, aplaudo. A Inglaterra largou mão com Bellingham, com Kane, com Gordon, E toma um gol numa bola e faz um gol numa bola longa, né, da Argentina, numa bola longa. Mas aí o que faz o Scaloni?

Juliano Simeone, Messi, Julián Álvarez, ele e o lateral ainda. Ele tem o, entra o Molina, entra depois, né, Molina entrou depois. Então ele troca o lateral e quando ele troca o lateral ele tira um atacante. Falei, pô, mas tá esquisito para quem precisa virar o jogo. Não tava, porque ele monta um sistema de um time que não— ele não precisava mais do velocista que era o Juliano Simeone, até porque a Inglaterra tava no fundo. O que ele precisava era um lateral que ficasse posicionado aberto ao lado do Messi com o Julián Álvarez.

Dali saíram todas as jogadas e a Argentina ganhou o jogo ali. Primeira bola do Messi ali Depois cruzamentos. É impressionante então o que ele montou. E aí no lado esquerdo colocou o Nico. Então ele tinha o jogo concentrado no lado direito, o escape pelo lado esquerdo, e cruzando bolas na área até arrancar o lateral, colocar mais atacante, Lautaro. E ele ganhou o jogo. A prorrogação ia complicar um pouco porque ele tava todo meio desestruturado e a Inglaterra poderia colocar, por exemplo, o Rashford e o Saka.

?Voz B

Aí ia ser—

?Voz C

mas acho que ele não esperava virar o jogo.

?Voz D

Ele foi pra— Não, mas ele fez o que ele podia dentro das limitações.

?Voz A

Exatamente.

?Voz D

E a Inglaterra, cara, foi de uma covardia diante desta administração emocional da Argentina, que é desse festival de finais. Isso dá uma segurança pros caras, sabe? Porque você olhando ali, independentemente do que vai acontecer domingo, são 3 Copas em 4 que você é campeão ou vice.

?Voz A

Sim, exatamente. Que você experimenta o torneio inteiro, que você tá no topo.

?Voz D

E chegou jogando menos, por exemplo, do que o desclassificado time da França, que ontem foi engolida pela Espanha. E a Inglaterra não se pode falar nada além de um merecimento, que ela mereceu perder.

?Voz C

Nesse final, vendo essa semifinal, imaginando França e Espanha do outro lado, eu imagino que ia ser difícil uma final diferente de França e Espanha. Por mais que assim, Argentina é espetacular, para mim é épico. Essa história, esse roteiro é algo que ninguém consegue. Mas do ponto de vista do futebol jogado, do que foi apresentado na Copa do Mundo, eu acho que foi uma— foram semifinais muito distintas. É verdade, a França não jogou também, mas a França tinha jogado até então, né? A França tinha jogado muito e ontem foi um baile da Espanha.

?Voz E

Hoje foi para um terreno menos bola, né?

?Voz C

Menos bola, o terreno menos bola desde o começo do jogo. Embora, embora, e acho que isso é importante ressaltar, porque tô falando aqui o tempo todo da consciência, né? Praticamente, a gente, para falar no popular, é o time pequeno consciente de que tá jogando contra um gigante. Foi o que a Inglaterra fez hoje. A Inglaterra foi um time pequeno consciente que tava enfrentando um gigante.

?Voz E

Mas é bizarro pensar assim, né?

?Voz C

Eu sei, mas eu acho que é bizarro É bizarro ela pensar assim, sobretudo pelo nível dos seus jogadores, pela qualidade do time, não pela história da pressão.

?Voz B

Quando você fala do jogo mais pegado, é porque a Argentina tem um mental forte, anímico, e ela leva o jogo para onde ela quer.

?Voz E

Claro, e ela conseguiu fazer isso. As duas semifinais tiveram isso, né, de um time que levou o jogo para onde quis. Tanto a Espanha ontem quanto a Argentina hoje. O jogo da Argentina era esse, assim, é o confronto, é o contato, é É parar com faltinha, né? E aí um árbitro muito inadequado para uma semifinal, que perdeu o controle do jogo muito rápido.

?Voz A

Chega, ontem também fraquinho, hein?

?Voz E

A CONCACAF, ela é reconhecidamente ruim em arbitragem. Não que a arbitragem mundial seja uma maravilha, mas a CONCACAF, ela é especialmente ruim. Aí você dá para elas as duas semifinais, enfim. Mas assim, é só bom só deixar claro uma coisa, né? Hoje não há um um pio que se possa dar sobre arbitragem.

?Voz A

De jeito nenhum. Pedro Ivo tá chegando com a gente agora também, acompanhou a partida, vai conversar um pouco sobre essa classificação da Argentina conosco nesse Linha de Passe. Daqui a pouco tem o Mário Marra para falar também, falar de Argentina, mas um pouquinho mais focado no lado inglês, porque é especialidade da casa, né? Especialidade de Mário Marra é o futebol inglês. Pedro Ivo Almeida, olha, a gente já tava falando aqui do Scaloni, né?

Para quem tinha o discurso, Scaloni é o gestor ali do grupo, é o cara que deixa o Messi fazer o que ele quer, é o cara que entendeu como é que funciona essa engrenagem ali, é só não atrapalhar. Hoje a gente viu a mão do treinador, hein, garoto? Tudo bem?

PIPedro Ivo Almeida

Tudo bem, William. Abração para você, Léo, Jean, Calça, Bierer, todo mundo aí. Sim, eu acho que até reduzir demais ou tornar o debate raso demais falar que um Scaloni era só um gestor. Acho que até no primeiro momento, quando ele chega à seleção argentina, pelo tamanho que ele tem, pelo tamanho que a Argentina tem, pelo tamanho que o Messi tem, tinha naquele momento já na seleção argentina, talvez você pudesse discutir. Hoje não tem como.

Segundo tempo, acho que é isso. Mas eu particularmente acho, tava ouvindo os companheiros, acho que a história de hoje ela é muito contada também pela omissão e pelo que o treinador do outro lado fez. E aí se impõe a Argentina. Acho que foi o Jean que usou um termo muito interessante, interessante. Não sei se foi Jean, se foi Birne agora, me perdão, é que foi um time pequeno se deparando a um time grande. Eu debatia muito com Marra, Marra que tá chegando aqui já, tava dando a volta aqui no estádio, já tá aqui se preparando para entrar com a gente.

E eu trocava uma ideia com ele, acho que o Léo tava na bancada também, se eu não me engano, do Mundo F, de que para além do que o Tuchel tava pensando para o jogo, para além do que Scaloni poderia pensar para o jogo, era momento de imposição, é com o cenário. E a Inglaterra, para mim, se assustou com o bicho, se assustou com o gol, se assustou com o tamanho do que tava vivendo, se assustou quando ela deliberadamente escolhe baixar um pouquinho.

Ela se assusta com aquele leão ali dentro da selva. Você não pode demonstrar para esse leão que você tá com medo dele, né? Quanto mais você demonstra para esse bicho que você tá com medo dele, mais ele cresce, parece que o tamanho dele dobra. Então acho que passa pelo que o Scaloni fez. Acho que o calçado tava destrinchando aí muito bem. Só que eu acho que passa muito pelo que o Tuchel também escolhe fazer e chamar uma Argentina.

Quando você se comporta assim numa semifinal de mundial, com a qualidade que você tinha do outro lado, é muito difícil que você não experimente o gosto mais amargo. A turma pode ficar brava, muitos brasileiros por aqui, gente comprou ingresso imaginando o Brasil na semifinal, e com quem a gente conversa também querendo que o final fosse diferente. Você tem que respeitar como a Argentina se comporta nesses momentos, né? O Scaloni falava ontem que perguntavam do time dele com bola, do time dele sem bola, sabe, do físico do time dele.

Ele falou, cara, o que mais me marca no meu time é que ele vai até o final. Por mais que soe clichê, ele não vai desacreditar do jogo, independentemente da circunstância, até o final. E hoje, quando você para para se debruçar, para olhar daqui de perto, você vê que é muito disso. A Inglaterra foi muito permissiva. Eu acho que isso a gente tem que falar, não é só o que a Argentina fez, porque no próprio lance do gol, o Mac Allister receber como recebe dentro da área.

O Lionel Messi ter a bola como tem do lado direito, sabe? A passividade. A Inglaterra escolhe marcar ou escolhe baixar o seu bloco, mas ela é passiva de um jeito que você vai ser punido. Então isso tudo também não é só o dedo do Scaloni. Acho que a gente vai passear muito por Scaloni de hoje até domingo, dia da final entre Argentina e Espanha, mas acho que a gente tem que falar muito do que não foi essa Inglaterra no momento que ela mais precisava ser com placar em vantagem.

Ainda tô um pouco assustado com confesso, como o McAllister recebe uma bola daquela. Argentina já demonstrava volume, era cabeçada, era defesa do Pickford, era chute de fora da área. Um lance antes teve um chute ali para testar o goleiro. McAllister recebe tranquilamente como quem desfila dentro da área. A bola sobra do outro lado, o Messi para, olha, corta, olha de novo, para, levanta a bola e sempre procurando alguém especificamente.

Não era simplesmente levantar de bola, bico para dentro da área. Tava muito fácil assim, entre aspas, encontrar alguém dentro dessa área inglesa. Então temos que falar muito também sobre o que a Inglaterra não fez por aqui. William, Mário Marra já está chegando, ansioso para falar com você, se entendendo ali com o celular. Mas vai funcionar, Mário Marra? Se não funcionar, pega o meu fone aqui e a gente segue nesse papo.

?Voz A

William, tá bom, maravilha. Aguardando a chegada do Mário Marra aí para falar um pouquinho. A gente vai entrecortando aqui, né, porque é difícil a gente— vamos falar aqui só da Argentina, depois a gente fala da Inglaterra. Não dá, o jogo tá completamente conectado entre o que um fez de certo, outro fez de errado. Há um encaixe aí, há um encaixe, e beneficia a Argentina. Por isso, exatamente, o resultado se explica por esse encaixe.

?Voz D

A cada passo Isso, claro que o resultado, a Inglaterra começou a defender o resultado que surgiu. O segundo tempo foi, se você olhar a movimentação, ele é todo da Argentina, todo. Aí saiu o gol da Inglaterra, a Inglaterra continua dentro de uma postura que já exibia desde o início.

?Voz C

O começo do segundo tempo, a Argentina já era melhor, é verdade.

?Voz D

É fruto desse reposicionamento da Argentina, tanto que dá o contra-ataque. E o Scaloni fez certinho, ele falou, onde é que eu tenho o meu maior potencial? É no Messi. Da onde ele joga? Da direita para o centro. E ele agrupou mais gente naquele setor. Então ele tinha cruzamento com lateral o tempo todo e a Inglaterra marcava individualmente ali, mano a mano, não tinha sobra. Ao contrário de outros adversários, a gente viu isso com, por exemplo, Lamine Amal na Copa.

Claro, ninguém marca o Lamine Amal, deixa sozinho com lateral. A Inglaterra deixou, deixou o Messi no mano a mano com um monte de gente para correr. E aí, cara, mesmo quase aos 40 anos, ele prende a bola de um jeito, você não sabe nem onde ela tá, acha que tá dentro da camisa. É mágica, é mágica, é mágica. E ele coloca a bola onde ele quer, na cabeça de quem ele quer. Aí o que faz o Túlio? Vai aumentando a estatura da zaga, mais gente dentro, e larga o fora, fica fora largado, cara.

Você começa a bater de fora. E o Pickford ainda, cara, o Pickford fez defesa, as duas cabeçadas, bolas que não dentro, bolas que foram colocadas dentro da pequena área, no meio de gigantes.

?Voz E

Desculpa, para mim ele não tem culpa nenhuma nos gols.

?Voz B

Nem no primeiro gol, um bom goleiro, um goleiro de outro nível pega. Mas ele é o pique, foi um goleiro do nível.

?Voz E

Eu tenho dúvida, acho que não, eu acho que frontal ali, não é uma falha, mas um goleiro do outro nível pega.

?Voz B

O pique foi um goleiro nota 5, 5,5.

?Voz A

Eu acho que se não fosse ele, já tinha sido resolvido.

?Voz C

Ele tinha feito um milagre ali.

?Voz D

Se não fosse ele na Copa, não é nem no jogo de hoje.

?Voz B

O problema não é ele fazer a linha de 5, ele aumentar a zaga. É, eu acho que tem 2 problemas. Um, primeiro, tira a linha de dentro da área, né, para que você permite que o adversário faça os cruzamentos muito perto da área. Então você tira a linha de dentro da área, você coloca ela pelo menos na linha da grande área, um pouquinho para frente, bota uma linha de 4 na frente, tá? E aí você Tenta manter o adversário mais longe. O problema não é defender, o problema é que o time claramente não sabe, nunca deve ter jogado assim na vida com esses jogadores, sabe? O time não estava preparado para fazer.

?Voz E

Então não é um técnico, você vai defender, fazer o quê? Beleza, o adversário vai cruzar, você vai tirar a bola, tirou a bola, vai fazer o quê? Vai voltar e vai defender de novo 30 minutos fazendo assim? Não, você segura a bola, cansa o adversário, traz, esse que é o ponto para mim, achar um contra-ataque. Eu tô contigo, eu também assim, eu não tenho essa visão tão firme quanto a do Calçade sobre posse de bola, eu aceito que o time possa tentar de outro jeito, mas...

?Voz D

Não, não, eu só digo que eu prefiro. Eu aceito, mas eu prefiro. Eu só acho que é perigoso.

?Voz E

Eu entendi esse ponto, mas se eu for ficar só atrás e na hora que eu roubar a bola eu só vou devolver a bola, qual que era a saída da Inglaterra? Como é que a Inglaterra ia sair de trás? Quantas vezes a Inglaterra conseguiu sair de trás depois que ela mudou a formação?

?Voz A

Nenhuma.

?Voz E

Nenhuma. Então assim, aí uma bola entra, cara. Uma bola entra. 30 minutos com o seu time lá atrás, uma, uma, porque a Argentina tem alguns caras bons aparentemente.

?Voz C

Ele teve tempo de ver isso, que o gol, o gol de empate saiu aos 41, saiu aos 41 minutos. Então assim, ele foi massacrado da hora que a Inglaterra fez o gol até os 41 minutos.

?Voz E

Contra a Noruega, por exemplo, ele foi já, contra a Noruega ele fez mudanças no intervalo, tirou o Rice, puxou o Bergwijn para trás. E o time, e o time sentiu um pouco, nasceu no jogo depois. E depois ele trocou, ele fez as trocas em cima das trocas.

?Voz C

E aí é diferente, cara, porque para mim é aí entre o que eu tava falando, cara. É uma coisa é a Noruega do outro lado. Ah, tem o Haaland, muito bem. Mas aí você, você olha e você fala, pera lá, eu sou Inglaterra, ela é a Noruega, e tá tudo bem. Aí eu acho que hoje eu insisto nisso, cara, pesou a consciência de que a Inglaterra tem um tamanho, a seleção inglesa tem um tamanho, a seleção argentina tem outro tamanho. São tamanhos distintos, são tamanhos distintos, cara.

Não adianta a gente, por causa do título em 66, falar que a Inglaterra tem o mesmo tamanho da seleção argentina.

?Voz A

Não é só o título, a Inglaterra não chega a uma final desde aquele momento. Foi o título e não chegou mais em final de Copa do Mundo.

?Voz B

Eu acho inclusive a forma como perde essa classificação, a pequena Inglaterra, a pequena Inglaterra.

?Voz A

Mário Marra pode falar bem disso. Ah, eu sei quem é. Mário Marra aqui com a gente.

?Voz E

A eliminação de 2022 jogando melhor que a França foi muito mais digna que essa.

?Voz A

Muito mais, foi muito mais, mas muito mais.

MMMário Marra

Tá vendo? Tá vendo? É exatamente isso que eu falo. Para mim, a questão— boa tarde, quer dizer, boa noite, não sei, para todos vocês. Mas a única coisa que vocês não podem me chamar é de oportunista, não, porque eu critiquei a convocação. E hoje o senhor Thomas Torreão, hoje ele mostrou o tamanho dele. Eu acho que a gente tá trazendo para uma situação de que a Inglaterra, a Inglaterra nas duas últimas finais de Eurocopa, a Inglaterra vem crescendo, mas hoje tem nome e sobrenome, gente.

Um técnico medroso, o meu, aguou muito medo. E assim, eu vou lembrar, ele perdeu também uma final de Copa da Inglaterra quando o Klopp colocou do lado do Liverpool adolescentes de 16, 18 anos Jogador que nunca mais jogou, o Dens, por exemplo, Jalen Dens. E mesmo assim ganhou com gol do Van Dijk de cabeça, ou foi nos pênaltis do ano antes com ele também. Sim, porque na hora de ganhar, meu querido, não, não, vamos proteger aqui, vamos evitar problema.

E para mim hoje, quando ele faz as modificações logo depois do gol, eu olhei e falei assim Não é possível, né, gente? Isso aí não é um jogo de Championship, isso não é um jogo de— isso é um jogo de Copa do Mundo. Então, para mim, hoje não dá para— se fosse no clube, a gente não ia falar que esse clube, esse clube hoje foi mal, tal. Não, esse treinador hoje, ele presta atenção que eu tô falando com a letra B, letra B. Ele acabou, acabou, acabou com o jogo. Não é com a letra G, ele acabou com o jogo.

PIPedro Ivo Almeida

Mas poderia ser com a letra G. Ah, sim, mas é, mas só, só para colocar uma pimenta no debate antes de voltar lá para o estúdio, porque me chamou atenção. Eu falava aqui na primeira entrada, você tava ali ajeitando, você tava com retorno já. Tem muito do acabar com o jogo do Turro, só que eu acho que tem mais, claro que tem uma outra lado. Não, não, não, é porque eu nem tô chegando no escalonamento ainda, eu tô falando da turma dentro de campo também.

Tem muito do Turro, o que ele direciona. Ele praticamente fala para os jogadores, ó, lá atrás, turma, lá atrás. Só que Até para marcar lá atrás numa semifinal de Copa do Mundo, você teve.

MMMário Marra

Eu tava me incomodando muito, repito.

PIPedro Ivo Almeida

Não é como saiu o gol do Anderson Fernandes, uma bola antes já tinha espaço na frente da área. Você não deixa de corrigir, você não protege ele de novo numa segunda bola. Como é que o Mac Allister recebe a bola no lance do gol, no gol que bate na trave e volta para o Messi cruzar? Então assim, essa passividade também, o terror, Pedro. Então tá, aí a gente consegue casar muitas mudanças dele com a time toda.

MMMário Marra

Tanto que quando toma o gol, eu não tenho um ponta a mais, quem é o meu veloz? Não tem. E aí ele lança, não tem, não, ele tinha tirado, ele tinha tirado todos. Aí ele lança o Tony, que não tinha jogado, assim, não, vai lá, queridão, e me salva com um gol de cabeça. Mas que gol de cabeça, querido? Agora não dá mais. Então, para mim, sim, e ele tinha muitas opções boas para convocar. Então eu tava aguentando calado porque tava dando certo.

Né? Eu tava vendo, mas para mim ele errou desde o início e ele foi tentando remendar com a Copa. E agora ele não tinha laterais bons, não tinha pontas boas e não tinha alguém para puxar contra-ataque. Talvez um Gibbs-White foi horroroso. E aqui eu não tô tirando, porque eu já tava ouvindo o programa antes, o que todos falaram dos méritos, e tem até dificuldade para entender como vai resolver o problema da lavanderia do hotel que tá Argentina, porque o Tuchel tá no bolso do Scaloni.

PIPedro Ivo Almeida

Ele vai estragar uma máquina, não cabe na máquina. Agora rapidinho para devolver lá enquanto a gente assiste esses lances da partida, a situação de ter testado Otamendi, ter sacado o Depay. A gente comentava antes do jogo, né, me pareceu que ele sabia que em algum momento ele ia precisar gente que tem garrafa vazia para vender. E eu acho que eu acho de postura, eu acho que muito de postura. E eu não tô falando exatamente sobre jogo com bola, tô falando de postura, quando você coloca esses dois caras e quando você lança mão de gente desse jeito.

Mas só para devolver vocês para o debate aí, porque a gente também passeou por isso, o Léo tava na bancada mais cedo. Aliás, eu entro no ar, o Léo tá no ar, eu começo a ficar preocupado, mas acho que é um bom sinal, ele gosta dessa brincadeira.

?Voz C

O William, só para devolver para vocês aí, porque eu pergunto, William, e acho que assim, até legal ouvir o Marra a respeito, porque a minha impressão é óbvio que o Tuchel é o principal responsável, é óbvio, porque as mudanças são muito claras em relação ao que ele queria. E o que ele queria era que a Inglaterra jogasse do jeito que jogou, né, mesmo tomando a pressão absurda e sendo massacrada pela Argentina desde o momento em que fez algo diferente do que ele quis.

Exatamente, não dá para dizer isso. Agora eu me pergunto pergunto, e aí, e aí entra para mim o tamanho das equipes, o tamanho das seleções. Eu me pergunto se o Tuchel fosse técnico da seleção da Alemanha nessa semifinal, se ele ia fazer a mesma coisa. Eu juro que eu tenho muitas dúvidas, porque eu acho que isso no fim das contas vem um pouco da questão psicológica, do peso, da pressão, dos poucos títulos, né, da crença de que é preciso ganhar mais para para atingir um outro patamar.

E a Inglaterra não consegue atingir esse patamar, mesmo tendo nos últimos tempos, acho que a gente pode falar sem medo, uma das 3 melhores seleções do ponto de vista de resultados. Eu não tô nem falando só de resultado, eu tô falando também de qualidade. E aí, enfim, tudo bem quem ele deixou de fora, quem não deixou de fora, é outra história. Vamos dizer uma das 4 melhores seleções, acho que para olhar para qualidade de elenco, tá?

Mas é, mas eu acho que isso pesou muito. Eu duvido que o Tuchel, sendo técnico que é, e como disse o Léo, ele é um bom treinador, tivesse feito o que ele fez se ele estivesse comandando a seleção da Alemanha e não da Inglaterra.

?Voz A

Queria a percepção do Marra sobre isso. Eu vou até emendar uma para você também, Marra. Além disso, é porque no começo do programa você falou aí sobre a convocação. A gente até tava conversando aqui, na minha percepção, o Léo também falou isso, que O que aconteceu hoje não tem a ver com a convocação, né? Não tem a ver com hoje, não tem mesmo. Hoje não tem a ver com a convocação. Você pode questionar e tal a convocação e tudo, mas o que aconteceu hoje foi independentemente de questionamentos relacionados à convocação.

A tua análise me deu a entender que você pensa um pouquinho diferente, ou eu tô enganado?

MMMário Marra

Não, penso diferente. Quando ele tem um banco e que ele morre com saca, Sim, jogando com a Madueke, é assim, começar o jogo hoje não. Mas ele demorou muito a perceber, né, que é o tipo de jogador que— então é o seguinte, William, ele é corajoso, e se ele fosse campeão, a gente ia falar autoral. Só que como ele não é campeão, a gente tem que falar burro, porque ele fez as escolhas dele deixando de lado jogadores que são melhores.

Ah, então, mas é porque ele preza pelo ambiente. Então ele é fraco. Porque ele tinha que contornar o ambiente, um ambiente de Copa do Mundo, gente. Ele tem que ter capacidade, e talvez até comissão técnica, para não ter medo do ambiente, para chamar jogador que ele assim, é o seguinte, eu sou técnico disso aqui. Aí, ah, é porque o Arnold é difícil. É difícil, mas é bom. Você quer o quê? Você quer alfacinho e ruim? Quer? Então, então o problema é seu.

Então aí o problema para mim é da federação. Ah, então hoje poderia ter um Morgan Rogers para forçar contra-ataque? Poderia. Foi convocado várias vezes, foi um, teve um campeonato maravilhoso, mas não tava aqui. Não tava aqui para quem? Olha o banco de reservas. Sim, então acho que tinha o autoral dele, cai com ele. Ele ficou, ele fica mergulhado no que ele construiu. Para mim, do jogo hoje, ele não tinha muita opção mais. Por quê?

Por causa da convocação. Ele poderia ter Luiz Raul na lateral, Ele poderia ter o Arnold, ele poderia ter Gibbs-White, ele poderia ter Phil Foden, ele poderia ter Cole Palmer. Esses caras não tem um passe de vez em quando? É, mas eles jogaram mal, tal. Gente, o Burnie tá lá só para tirar bola no alto. Isso é jogar bem? Então, se é jogar bem, tomou um gol de cabeça, mais um. Então assim, você tem que ter capacidade de gestão. Gestão para trazer os bons.

É muito melhor você ter os bons do seu lado. Os médios, os fracos, eles vão te levar nisso aí, e você vai mostrar para os outros, os bons, o Kane, o Bellingham, que você não tem o tamanho daquele cargo.

?Voz B

É só uma coisa, Léo, quando o Márcio fala da capacidade de gestão, na hora me veio na cabeça a péssima declaração dele Depois da classificação nas quartas de final.

?Voz E

Depois ele até falou, não, mas só levaram para o Bellingham o lado negativo. Eu falei outras coisas também, mas não passaram para ele. O meu ponto hoje sobre a convocação de alguns jogadores é que assim, ele já estava decidido a chamar o time para trás. Então chamando o time para trás não ia ter esse problema ali.

?Voz D

O problema foi a postura, porque ele, gente, ele tinha o Rashford no banco, ele tinha o Saka.

?Voz C

O Saka morreu no gol, nem entrou no jogo. Não entrou no jogo então.

?Voz D

Então é o seguinte, a ideia dele já era uma ideia compatível com aquilo que ele fez. Então se ele pudesse ter o Mbappé no time dele, tá, não ia jogar do mesmo jeito. É porque ele tinha o Kane, ele tinha o Bellingham, ele tinha o Kane totalmente recuado, lançamento lá para frente. E para Argentina, na situação que ela se encontrava, foi assim um presente Porque se o Scaloni sacou rapidamente, primeiro ele viu que o adversário estava, se não estava atemorizado, estava próximo, como era um sinônimo disso.

Só ainda faz o gol. Quer dizer, o Túlio estava levando o segundo tempo, a gente não sabe para onde, porque tava 0 a 0 com essa postura. Esta postura lhe deu gol ainda. Ele falou assim, agora acabou o jogo.

?Voz A

É muito cedo, foi antes da pausa para hidratação.

?Voz D

E outra, muito cedo, se você olhou o teu adversário nas outras Copas e o que o teu adversário, do jeito que ele vem nessa daqui, você pode falar o que quiser da Argentina. É um time cansado, é cansado, é um time às vezes com poucas opções, poucas opções, mas ela tem o Messi que ele deixou o seguinte: já que você tem uma postura defensiva, o Messi não joga. Não, eu tenho uma postura defensiva, coloco todo mundo dentro da área e o Messi faz o jogo que ele quiser.

?Voz C

Isso acho que impressiona mesmo. Essa liberdade para o Messi, de certa maneira, impressiona na Copa do Mundo.

PIPedro Ivo Almeida

E acho que tem a ver mesmo com o que eu acho, que mais do que para o Messi já, é, não, foi só o Messi que teve a bola para jogar no segundo tempo, não.

?Voz C

Pois é, mas é que eu acho que para o Messi especialmente você tem que ter, exato, você tem que ter uma atenção especial. Agora, eu assim, eu entendo o Marra, e a verdade, o Marra já falava sobre a convocação no momento da convocação, não agora. Eu também acho que, para mim, o Palmer principalmente era um cara que poderia estar e teria sido útil no momento, de repente ter mais a bola, né, e não ficar nesse jogo de se fechar todo lá atrás.

Então ele poderia ter sido útil. Agora, eu acho que no fim das contas o que coloca o carimbo de fracasso na testa do Thomas Tuchel é a semifinal e a postura, e são as modificações a partir do 1 a 0, porque Acho até que no momento em que ele chega à semifinal da Copa do Mundo, com tudo que eu já falei a respeito da seleção inglesa, das cobranças, das pressões, do tamanho, etc. e tal, cara, ele já tinha, ele já tinha garantido a nota 7, tá?

Ele já tinha garantido. Chegou na semifinal, semifinal de Copa do Mundo, vai fazer 8 jogos, a nota 7 tava garantida. Só que daí o roteiro da semifinal, 1 a 0 feito, Você tá com o jogo na mão, você tá muito próximo de chegar numa decisão e você faz o que você fez e perde a vaga, da nota 7 você perde uns 3 pontos, vai para 4, 5 no máximo.

?Voz D

A derrota não está na nossa análise da performance do time, ela passou toda para o trabalho do treinador. Porque a performance foi— você não pode falar assim, pô, o Bele falhou, hein? O Kenny falhou, eles falharam.

?Voz A

Você percebeu o que tá acontecendo nessa mesa? Desculpa te interromper.

?Voz D

Kenny pegou a bola dentro da área, né?

?Voz C

Porque tem na área, é isso. É, eu reparei.

?Voz A

Não é isso, cara.

?Voz C

Mas é que o Marra, que tá com o Marra, o grande defensor do futebol, ele não quer ir botar a bola na área.

?Voz E

Gente, cara, o Thomas Tuchel conseguiu irritar o Marra. Isso é ruim. Eu conheço o Marra há mais de uma década, nunca vi o Marra irritado. Ele nunca tá irritado.

?Voz A

É um crime.

?Voz E

É um crime irritar o Mário Marques.

?Voz A

Só o Turra eu consigo isso. Eu tô falando, não é uma crítica não, é porque assim, o erro, esse carimbo tão pesado, esse erro foi tão autoral, a derrota dela é autoral. Eu já fiquei com uma seleção com Inglaterra que, cara, ele conseguiu, que a gente assim, se eu cronometrar, a gente falou mais da Inglaterra.

?Voz C

Vamos falar muito da Argentina, vamos chegar lá, vamos chegar lá.

?Voz A

Mas é uma uma tendência natural, porque é um negócio tão absurdo o que aconteceu, cara.

?Voz E

Eu acho que a gente tá revivendo o que a gente viveu com Brasil e Noruega, mas elevado à terceira potência.

?Voz A

Sim, foi pior.

?Voz C

Então, pior. E outra coisa, não, assim, para mim, Brasil não sai na frente, né, Léo? Não, não, não. E eu acho bem diferente, eu acho bem diferente. A gente pode assim, já fizemos muitas críticas aqui ao que fez o Ancelotti, as substituições do Ancelotti, não vou entrar mais nisso, pelo amor de Deus.

?Voz A

Tempo, né?

?Voz C

Não é fácil. Mas a questão é a seguinte: a ideia, para mim, a crítica à pouca posse de bola do Brasil, se você olhar para as características da seleção brasileira, para que o Brasil tem de mais forte para atacar e tal, tem uma coisa ali que faz sentido. Faz sentido. Vamos parar também de se apegar só na grandeza para dizer: ah, o Brasil, o Brasil tem que ir de peito aberto e para cima da Noruega. Eu acho que a estratégia da pouca posse, do contra-ataque, do jogo do jogo em transição não era nada absurdo.

A gente pode discutir e discutir bastante a forma, e acho que as substituições do Ancelotti no momento que o Brasil— agora não dá para comparar, é incomparável a responsabilidade que o Thomas Tuchel tem nessa eliminação depois de estar ganhando por 1 a 0, a maneira como ele colocou o time para jogar, com o que fez o Carlo Ancelotti precisando buscar o resultado.

?Voz A

Temos a capa do Olé aí já? Eu falo capa, né, mas é a capa do site, né, lá.

?Voz C

Heróis.

?Voz E

Histórica.

?Voz A

Tchau, Inglaterra, na final do Mundial. Heróis. Mas é um exagero?

PIPedro Ivo Almeida

Até trazendo agora um pouquinho mais respeitosa, até respeitosa.

?Voz E

Não, sim, a de amanhã do Impresso vai vir mais forte.

?Voz A

Exato.

PIPedro Ivo Almeida

Essa foi aquela capa rápida ali, ó. O Jean sabe bem de internet, feita em emoção. A Inglaterra virava de cabeça para baixo.

?Voz A

Só uma coisinha ali do lado, só para ressaltar para quem só tá vendo o principal, como a Albina é no campo. E um minuto de silêncio para os ingleses.

PIPedro Ivo Almeida

Tem a provocação, porque essa eu tava ali acompanhando, porque essa foi, essa foi a comemoração. Primeiro eles cantam, né, e quem não canta é o inglês. E depois eles cantam a tradicional música, um minuto de silêncio para a Inglaterra, que tá assim para provocar se ela vem adiante.

?Voz E

Sim, eles chegaram cantando ao estádio.

PIPedro Ivo Almeida

Só um pré-jogo aqui.

MMMário Marra

É, e fala, no hino, no hino da Inglaterra. É, então o primeiro hino foi o hino da Inglaterra.

PIPedro Ivo Almeida

Sim.

MMMário Marra

E aí a torcida da Argentina ficou cantando, não parou. Aí começou o hino da Inglaterra, aí começou o hino da Argentina, a torcida da Inglaterra vaiou. Então assim, já desde o início já tinha problema.

?Voz C

E só um, os hinos foram reciprocamente vaiados, né, Marra? Vocês viram isso em algum outro jogo nessa Copa do Mundo?

MMMário Marra

Não, não, não, não, não, não. Eu vi respeito o tempo inteiro.

PIPedro Ivo Almeida

Não, era o único momento. A gente até falava que o público de Copa do Mundo, ele é diferente, assim como o público de Argentina e de Inglaterra também é diferente de todo o restante.

MMMário Marra

Você viu briga onde você tava? Não, eu não vi briga.

PIPedro Ivo Almeida

Eu vi muito de discussão. Eu vi agora, principalmente, eu tava na tribuna, saindo da tribuna e vindo para cá. Eu vi muito daquela coisa na escada rolante, um encosta no outro, outro fura a fila, outro fala que é isso mesmo. Aí começa a ficar um pouco hostil, mas nada que descambasse para uma grande confusão. Mas é algo bem distinto do que a gente vê em Copa do Mundo. Copa do Mundo, que é o cara que é eliminado, o cara que o time dele é humilhado, o cara que tá muito triste, mas o torcedor brasileiro aqui ele não ia para cima do norueguês, ele não ia brigar com norueguês.

Ele tava muito mais Aqui, se alguém parasse uma frente por 3 segundos, sim. Aqui não, aqui é uma briga direcionada ao time rival. E a pergunta do Jean é interessante, desculpa, porque de fato não é um comportamento habitual desse protocolo de Copa do Mundo.

MMMário Marra

Não, não é.

PIPedro Ivo Almeida

Sai o hino, essa vai. Inclusive, os raros momentos ali de silêncio e cada um canta o seu, e tem até uma liturgia ali, uma educação.

MMMário Marra

E só para terminar, assim, não sei se o William vai querer terminar, mas só um outro papo em relação Oturro, vale destacar, vamos seguir. O nome, o nome dele só foi escolhido pelo desempenho dele em eliminatórias. Ele foi campeão da Copa da Alemanha, ele foi duas vezes finalista de campeonato de copas na Inglaterra, ele foi campeão de Liga dos Campeões contra o Manchester City na final, ele o grande pré-requisito que ele carregava era a parte eliminatória, que é competição, boas competições eliminatórias, porque pontos corridos nunca foi o forte dele.

Mas aí, na hora das eliminatórias, ele mostrou o que várias vezes ele mostrou também, que preferia segurar o resultado.

?Voz C

É, ele assim, eu acho que a escolha dele não tinha nada de absurdo A não ser uma eventual rejeição prévia, né, que uma discussão prévia por conta da nacionalidade. Também a gente não pode ignorar essas coisas. Essas coisas existem, são relações históricas que existem entre países, positivas ou negativas. E é claro que essas relações históricas, elas vão acabar contando num determinado momento. Elas podem contar, elas podem pesar positiva ou negativamente.

?Voz B

Tá falando da Segunda Guerra das Malvinas? Inglaterra e Alemanha, Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha dominava a guerra, a Inglaterra ficou lá resistindo, resistindo até os Estados Unidos entrarem na guerra. A história seria mudada, sei lá, quer dizer, isso tudo eu acho.

MMMário Marra

E a final do mundo de 66, né, gente?

?Voz C

Sim. É, e podemos inclusive assim, é claro que essas coisas contam, mas o simples fato do treinador estrangeiro na Inglaterra não é tão, acho que o baque não é tão grande, até porque convenhamos, você já teve Fábio Capello, por exemplo, E convenhamos, a escola de técnicos inglesa não é uma escola de técnicos tradicional, importante, como seria, sei lá, no caso, né, de Portugal, da Itália, da Espanha.

?Voz B

Lembrando que nem o Ferguson era inglês, algumas pessoas fazem questão de alguém, não era inglês.

MMMário Marra

Ali tinha o último jogo entre eles, foi com o Ferguson. Fala, foi com o Eriksen, Sven-Gunnar Eriksen. É, então, 2005, quando foi a última vez que eles jogaram?

?Voz C

Então assim, só que eu acho que do ponto de vista técnico, a escolha do treinador não era nenhum absurdo, não tem nada. E a gente até dizia, né, é o segundo maior técnico dentre os técnicos de Copa do Mundo, é o segundo visto, ele é visto dessa maneira. E no fim das contas, realmente tem a digital dele, o registro dele nessa eliminação.

?Voz D

Agora, como esses esses grandes erros, no caso do Ancelotti também, como eles foram determinantes e ficaram carimbados, né? Porque geralmente o treinador tenta algumas coisas e mantém a estrutura das equipes, não dá certo, você acaba— não é uma crítica por tentar. Nesse caso foi uma crítica pela decisão tomada, que é uma decisão incrível de abrir mão do jogo contra a Argentina, uma postura covarde, que ela foi Inglaterra punida por isso, e contra um time que é emocional. A Argentina é um absurdo.

?Voz B

É só que a decisão do Ancelotti foi ilógica. A do Tuchel, ela poderia ter sido lógica se o time tivesse capacidade de fazer isso, e não fez.

?Voz A

Vamos trazer um pouquinho mais para Argentina aqui. Daqui a pouco, Silvani, vou te pedir, eu sei que depende muito de vocês, mas rodar de novo essas imagens, viu, porque uma coisa linda Uma coisa linda, linda de arrepiar, que vai ser domingo, a festa do torcedor argentino. O Silvani falou que vai deixar um pouquinho a cara da gente aqui só porque é muito bonita, agradável, pelo menos para ele. Ele gostou, ele acha todos muito bonitos.

Então daqui a pouco ele vai rodar a imagem da festa argentina lá no Obelisco. Tá de arrepiar, parece que já foi campeão do mundo. E olha, eu acho que pelo que foi a Copa do Mundo da Argentina, chegar na decisão e vários momentos flertou e não chegar, teve por isso de não chegar.

PIPedro Ivo Almeida

E contra quem foi a semifinal? Exatamente, contra quem foi a semifinal? Você conversa aqui agora, porque a gente traz muito para nossa realidade, desculpa, William.

?Voz A

Imagina, vai lá.

PIPedro Ivo Almeida

Ninguém se imaginou que a semifinal dessa chave aqui de Atlanta poderia ser um Brasil e Argentina. E quando você conversa com os argentinos para tentar entender, que eu acho que aquilo, né, Marques, sempre bate nessa tecla, a função nossa tentar entender para trazer um pouco do contexto do que é peso. O argentino, ele não tem esse ódio necessariamente do brasileiro. Ele tem uma rivalidade, isso é forjado em Copa América, em questão continental, em questão de disputas em muitos e muitos e muitos torneios.

Tudo bem, e é uma construção ali de isso vai para clube, isso vai para Libertadores, depois vai para seleção, você tem muita coisa que envolve. Só que ele não tem um ódio exato. Quando você fala de Inglaterra, é um ódio no olhar, é um ódio no olhar. Então isso tudo entra no pacote para também a gente não achar Ah, foi só por conta de uma virada numa semifinal de Copa. Semifinal de Copa por semifinal de Copa, estavam em 22, eles estavam em 14, eles estão frequentando este ambiente.

É o que a gente conversava mais cedo, frequentar este ambiente torna esse grupo, essa gente muito acostumada àqueles minutos finais. Quando a selva ali, quando o leão cresceu, quando a coisa ficou, né, o Mário acabou sendo querer trocar o B pelo G, quando tava quase todo mundo se borrando para Então ninguém tava se borrando lá da Argentina. Então isso tudo é muito importante. E para Argentina, esse ódio que consome quando se ouve Inglaterra, então acho que explica essas imagens.

Não é simplesmente uma semifinal de Copa do Mundo, é quem você tirou, como você tirou, no contexto que você tirou, e com gostinho ali do final: não, vocês não vão ser felizes aqui. Eu acho que isso pesa muito também. Eu fiquei muito surpreso quando eu, quando a gente ouve sobre o ódio, o ódio de ódio, não querer ouvir, não se fala Inglaterra. Isso eu acho que ajuda a costurar muito de onde a gente chega no pano de fundo dessa imagem, William.

?Voz E

Agora tem o, tem o Argentina e Inglaterra para chamar de seu, né?

?Voz A

Exatamente. Pode não ser, não chegou no tamanho daquele porque teve tudo que o Maradona fez, né? Se alguém discordar, fica à vontade. Minha percepção, não chega no tamanho daquele por tudo que o Maradona fez.

PIPedro Ivo Almeida

Muito recente, a guerra era muito recente, o fim da guerra era muito recente.

?Voz A

Exatamente. Tava ali colado, tem esse impacto também de tempo, mas também é histórico porque foi uma virada.

?Voz E

Aí assim, na minha avaliação que eu compartilhei com vocês aquele dia de seleções de ponta, né, campeãs mundiais mais a Holanda, Argentina não ganhava de uma delas desde 90.

?Voz A

Exatamente, tem isso.

?Voz E

1 a 0 no Brasil, ganhou várias nos pênaltis, né.

?Voz D

Mas aí a trajetória da Argentina para Copa, os últimos 15, 16 jogos.

?Voz E

Não jogou com isso aí. O jogo de hoje foi o jogo que matou qualquer desconfiança para mim. A gente vai discutir até domingo e vai ter muito tempo para isso. E para mim, a Espanha é favorita para ser campeã do mundo. Sim, eu acho que o jogo da Espanha com o jogo da Argentina, o jogo da Espanha leva muita vantagem.

?Voz B

Então fez um grande jogo na Copa. O quê? Um grande jogo. A Espanha, um grande. Eu entendo o que você quer dizer.

?Voz E

E a Argentina fez meio. Esse não é o ponto. O ponto é o encaixe de estilos.

MMMário Marra

A Espanha não toma nem finalização, gente.

?Voz E

Sabe quem é a seleção que tá feliz da vida hoje? Cabo Verde, que em 90 minutos empatou com as duas.

?Voz D

Mestre, entrega a taça para Cabo Verde, cara. É verdade, é verdade.

?Voz C

Só lembrando que inclusive assim, só uma curiosidade, que nós vamos ter a tal finalíssima.

?Voz E

E não é verdade, e a Argentina correu em março.

?Voz A

Correu por quê?

?Voz E

Porque ela não queria esse jogo.

?Voz C

Ela não queria jogar com nenhum grande, né? E acho que depois o Scaloni meio que falou disso também. Ele não queria ter esses confrontos. Ele falou, vale lembrar, né, porque essa frase é muito legal. Não é essa frase literalmente, mas ele disse que assim, ele tinha plena consciência do que a seleção argentina podia fazer, ele conhecia muito bem os caras. Ele não precisava ficar testando, fazendo jogo grande, de repente perder até a autoestima, que a gente vê que é muito alta desses caras, né?

Então essa autoestima, ela conta também, essa confiança ela conta. Ele preferiu não fazer esses jogos. E como disse o Léo, ela talvez tenha corrido, ela fugiu do jogo contra a Espanha na finalíssima. Agora vai ter esse jogo, vai ter a tal finalíssima valendo um pouquinho mais.

?Voz A

Eu queria falar sobre o Messi. Tem como não falar dele em jogos da Argentina? Impossível. Porque enquanto a gente revê aí essas imagens lindas, lindas, lindas, lindas da torcida argentina lá em Buenos Aires, no Obelisco, clima de ganhamos a Copa do Mundo, é esse o clima. Embora, claro, os caras querem mais e tem todo direito, tem confiança para isso. Mas aí, né, Calçade, é falar do cara Quando o cara não faz gol, por exemplo, né?

Porque fazer gol, fez um monte de gol na Copa, pode ser o artilheiro da Copa ainda, tá lá na frente, tem a briga com Mbappé. Mbappé vai decidir o terceiro lugar, Harry Kane tem 2 a menos, vai decidir lá o terceiro lugar. Mas enfim, e a gente destacou muito aqui como ele teve espaço, né? Mas assim, como atuou, como virou a chave do Messi no segundo tempo também? Porque no primeiro tempo, né, Calçadinho, ele tá baixando muito ali, tá complicado, tá difícil.

E aí veio a porrada também, num lance em que o Messi toma 3 porradas antes de cair. Ele não, ele não se rendia às porradas que ele tomava. Uma, duas, três, ele foi, seguiu a jogada. Aí ele toma a quarta e realmente ele vai para o chão. Mas assim, o quanto ele foi importante hoje, mesmo não sendo o cara do gol, o cara da jogada incrível, maravilhosa, mas o quanto ele ia para cima da marcação, o quanto ele buscou a tabela, o quanto ele buscou o embate, o quanto ele lutou, o quanto ele brigou.

Eu acho que é mais uma excelente atuação do Messi, mesmo sem gol, sem aquele brilho absurdo.

?Voz D

Ele é o maestro do time, né? Ele consegue reger o time de várias formas diferentes. Ele pode reger o time chutando para gol, fazendo gol. E ele hoje, diante desse paredão na frente, fale que falhou, mas tava difícil de entrar driblando pelo centro. E ele começou a colocar a bola onde ele queria, põe na cabeça Ele escolhia um companheiro e mandava a bola pra trás.

?Voz A

E não errava, cara.

?Voz D

E não errava. E é o passe, o passe pra gol, no caso ele tem um passe pra gol, né? Que é o passe pro Enzo. Então assim, ele é um... ele controla o jogo de várias maneiras, porque ele exerce no adversário muitas vezes um certo fascínio que o deixa abandonado. E ele não é o cara que vai se meter no meio de 4, 5 jogadores adversários. Mesmo se ele pisar na área, ele vai estar numa— tentar estar numa zona um pouquinho mais livre para poder finalizar.

Porque o jogo físico com— não é o jogo do Messi, aos 39 anos de idade, 1,69m, você não vai disputar, entendeu? O seu não é o jogo do confronto. Se precisar, ele aguenta o tranco. Mas ele prefere se poupar disso para poder ter energia de sobreviver, porque ele poderia ter que ficar 120 minutos dentro de campo. Você imagina uma Argentina, você vai para prorrogação, aí assim, substituição, sai o Messi no primeiro tempo da prorrogação, entra qualquer um. Você fala assim, é outra Argentina.

?Voz A

Mas nem tiraria, porque na possibilidade de pênaltis é importante.

?Voz D

Nenhum outro time, cara, nenhum outro time, ao tirar um jogador, o time desaparece. Na Argentina é outra. Você começa a analisar outra Argentina.

?Voz E

Só que o que é ter o Messi nessa Copa do Mundo, claro, gente, é leve para o lúdico isso que eu vou falar, porque é outra época, outra medicina e outra preparação. É como se o Pelé tivesse jogado a Copa de 78 e bem, tem noção? E ele já tinha se aposentado, né? Então assim, você entender a longevidade, existem narrações da eliminação da Argentina para França em 2018, de narradores falando: acho que foi a última vez que a gente viu Messi em Copas do Mundo, né? Acho que não era para ele mesmo. E o cara tá aí, foi campeão, vai para lá.

?Voz B

Meio país xingava ele na Argentina, né? Por causa dos resultados.

?Voz C

Ele chegou a desistir da seleção, ele falou que ia abandonar a seleção antes de ganhar sua primeira Copa.

?Voz E

Quantos desses aí agora estavam no meio desses que falavam? Nesse povo aí, quanto você acha que falavam que ele, que ele que ele não servia para seleção. Mas é incrível, né?

?Voz C

Eu acho que é incrível porque, no fim das contas, isso é um contrassenso com tudo que o futebol atual pede, com tudo que se imagina que o futebol moderno precisa. Quer dizer, essa história da Argentina, a maneira como a Argentina é montada para jogar essa Copa do Mundo, a maneira como ela se prepara, a maneira como ela joga em função de um jogador que não precisa fazer Mas absolutamente nada além de, abre aspas, resolver os jogos.

Não é algo normal, não é algo corriqueiro, não é algo que tá em voga e que a gente em geral defende no futebol mundial. Mas é o que acontece com a Argentina com muito sucesso. E é claro que tem muito de personalidade também, não é só na categoria do Messi, tem na personalidade. Aliás, eu queria só fazer uma lembrança e uma referência ao Leandro Paredes, e aquele papo dele com o Scaloni no jogo das quartas de final. Porque eu fico imaginando, se você tem um Leandro Paredes no time da Inglaterra, um cara com essa moral, com esse respeito, e um técnico que saiba ouvir, se não dá, vamos lá, vem cá, pera aí, vem cá, você tá vendo que tá acontecendo isso aqui?

Vamos fazer assim, vamos fazer assado, discutir, debater, entendeu? Então eu acho claro que O carimbo do fracasso está na testa do Thomas Tuchel. Mas também acho que os jogadores maiores nessa seleção da Inglaterra— Tem uma maturidade que ninguém tem. Essa grandeza, os jogadores da Inglaterra, que são muito bons, são craques, né? O Harry Kane é um craque, o Jude Bellingham é um craque. Mas eu não sei se eles têm essa maturidade, se eles têm essa experiência, se eles têm essa força.

?Voz D

E a relação hierárquica na região. A relação hierárquica. Embora eles, o Lionel Scaloni, ele é o comandante, ele toma decisões. Hoje ele trocou, ele foi trocando durante a Copa, né? Ele tirou o De Paul, ele começou a Copa com Almada, ele foi, não é que ele tem um time fechado, nas duas Copas ele foi mudando, nas duas ele mudou com o evento em andamento e os jogadores aceitam isso até Que pode ser também conversado muito bem com eles, né?

Como a gente já falou aqui em outra linha, o Messi sempre é consultado. Nenhuma decisão será tomada, até porque todas elas vão interferir na— é importante olhar para a gente, mas você saiu, hein, Calçade? Sobre olhar por esse ponto, que é o quanto qualquer mudança impacta positivamente ou negativamente no jogo do Messi. Tem que ser sempre uma mudança positiva. O Depay é falado na Argentina até como guarda-costas do Messi. Por quê?

Porque o Depay joga, jogava do lado direito, o Messi faz esse direito para dentro, e o Depay é o cara que consegue um pouco modular na hora, naquele setor Messi, o jogo mais físico é dele, não é do Messi. A bola perdida, ele que tem que correr, não é o Messi. Quer dizer, o Depay joga numa zona de influência muito grande do Messi. E hoje o Scaloni mudou e ainda ele criou pro Messi um companheiro, porque o Giuliano Simeone é um cara que o Messi pode pegar uma bola e esticar.

E ele tentou fazer algumas vezes isso. Não deu muito certo, né? Mas era uma tentativa. Até a gente não sabe também a capacidade do Depay de aguentar mais 90 minutos. Agora, um jogo menor, ele pode até voltar para o time na final, que eu acho que é uma final que vai ter um confronto no meio de campo absurdo, porque as duas equipes são dominantes no meio de campo. Então vai ser bem divertido ver essa final. Mas eu só queria, só para concluir, Jean, é a relação hierárquica com Lionel Scaloni é de aceitação, mas de absoluta amizade.

Entre eles, estão todos dentro da mesma página, da mesma história, né? E o Tuchel já é o— já vi diferente, não é, não tem essa relação, é o chefe, ele manda, ele escolhe, ele é diferente. Então, cara, a hora que você vê esse papo do Paredes com Scaloni, é o Scaloni aceitando todas as argumentações, e ele é o treinador. Porque o jogador tá dentro de campo, cara, é ele que sabe. Você tem que ouvir o cara.

?Voz C

Mas eu me pergunto se os jogadores da Inglaterra têm essa maturidade, essa visão, essa capacidade de fazer a leitura. E acho que sim. E é claro que a abertura dada pelo Lionel Scaloni é muito maior do que a do Thomas Tuchel quanto a isso, não tenho a menor dúvida. Agora, também acho que, cara, às vezes você tá num momento tão essencial tão grande da sua carreira, é um momento, cara, eu vou ser eliminado da Copa do Mundo, então eu não quero saber se esse cara, né, vai, vai ficar p da vida ou não comigo.

E vou falar, cara, é o seguinte, você tá vendo o que tá acontecendo? Ter essa, essa postura, né, essa iniciativa. E eu acho que nesse aspecto a seleção da Inglaterra também acaba sendo muito diferente da seleção da Argentina. Outras também não tem. O Brasil é outro exemplo. O Brasil se assemelha muito mais à seleção da Inglaterra nesse aspecto da personalidade do que da Argentina. Mas repito o que eu disse no começo do programa, a Argentina é um caso único. Eu acho que não existe uma outra seleção como Argentina nesse, nesse quesito.

?Voz B

Lembrando que o Messi joga com o treinador, o Kompany, que é um, você que adora posse de bola, é o Guardiola vezes 5, né? É o extremismo da posse de bola, de recuperar a bola no ataque e tal. Tá acostumado com outro tipo de jogo. E para mim ele ficou bem desconfortável em vários momentos nessa Copa do Mundo, quando a seleção passou a ser reativa e ele, a bola passava menos do pé dele, ele tinha que voltar muito para marcar em vez de sair da área para construir jogo, para entrar na área. E o rendimento dele caiu muito nos jogos eliminatórios.

?Voz A

Não, companheiro técnico do Bayern de Munique.

?Voz E

Perfeito.

MMMário Marra

Eu não fui, foi o Pedro.

PIPedro Ivo Almeida

Não, não, é porque eu fiquei na dúvida do Jean. Eu tinha ouvido, eu tinha ouvido que o Vitor poderia estar falando do Messi, mas depois a gente também perguntou, ele acha que ele se confundiu, mas tá falando do Kane agora sim. Porque falar não, mas isso aproveitar a vírgula, desconfortável, aproveitar a vírgula, porque acho que essa leitura do Calçade é perfeita assim.

MMMário Marra

O Turro, até pelo jeito que ele foi conduzindo as coisas, ele deu um giro no Bellingham, cara.

?Voz C

Bellingham.

MMMário Marra

Ele deu um gelo no Bellingham, o gelo que ele deu no Arnold ele deu no Bellingham. Mas aí pesou assim, opa, esse cara pode me— e aí ele com isso não é que ele dá o gelo em um ou dois, ele assusta o grupo, ele se coloca numa posição assim distante do grupo.

PIPedro Ivo Almeida

Aí não tem acesso, eu acho que não tem acesso. Eu acho que tem um debate que ele vai extrapolar e talvez a gente não tenha resposta agora, talvez num grande papo, em alguém que topa falar sobre isso em algum momento. Porque a gente fala muito sobre o que é essa Argentina, e são muitos elementos. A gente pode falar de Messi, a gente pode falar do caráter, a gente pode falar do Scaloni, como conseguiu entender como é que ele entra, como é que ele chega por ali, como é que ele hoje também é um líder dessa.

Mas eu queria muito entender até que ponto isso impacta no comportamento 2 jogadores dentro de campo. O argentino, o argentino que entra em campo, ele não negocia algumas coisas. Ele não negocia, sabe, ser corajoso. Ele não negocia ser competitivo. Ele não negocia ser um cara que entende o que que é uma semifinal de Copa do Mundo. Eu acho que isso é muito do ambiente que você chega. Você sabe onde você pisa. Isso é do ser humano.

Você sabe como você chega no ônibus, como é que eu tenho que me comportar aqui, como é que eu me estabeleço aqui, como é que eu leio isso aqui. E eu acho que talvez o efeito contrário, a partir do momento que o Túrril tem o comportamento que ele tem com outros e com o time de hoje, ele tá tornando esse elenco menos corajoso, ele tá tornando esse time mais passivo, ele tá tornando esse time mais frouxo, mais medroso. Isso é uma leitura que eu acho que cabe, porque se a gente passeia pelo aspecto mental, pela força mental, pela força de falar de coragem dessa Argentina, a gente precisa também passear para tentar explicar o que que é o Tuchel para além da estratégia.

E eu vou voltar no que o Jean fala sobre o Ancelotti. Eu entendo o que o Tuchel quis hoje, como eu entendo o que que o Ancelotti quis naquele Brasil-Noruega. Eu questiono o que acabou sendo feito a partir disso. Só que não é um baixar o bloco. Baixar o bloco depois que você faz um gol contra um time que tem mais peso dá para entender. Agora Passividade e o medo, e você vai recuando, vai recuando, vai recuando, você fica desse tamanhinho, você fica desse tamanhinho, e o bicho que tinha dificuldade para andar ali, ele tá ficando cada vez maior.

Então até que ponto isso também, sabe, pega para os jogadores, passa desse banco, né, sentido reverso, passa do banco para os jogadores da Inglaterra, da mesma forma que passa do ambiente para quem entra. Um garoto de 20 anos que começa a frequentar o ambiente da seleção argentina, ele pode não ser um cara de coragem? Ele pode, ele pode não ser um cara competitivo? Não vai ter essa Ele pode ser um cara blasé, ele pode ser, mas quero entender o inverso também, como é que se dá isso nessa Inglaterra, porque chama muito atenção.

William já bateu nessa tecla, mas a gente não abre falando meia hora, 40 minutos na Inglaterra só porque o Marra tá aqui, tudo que ele vive, futebol inglês. Mas é que é impossível contar a história do jogo sem a mudança de comportamento brutal dessa Inglaterra naquele momento.

MMMário Marra

Sim, concordo. E como também acho que a Inglaterra não faz bom jogo gols há muito tempo. Alguém vai falar que aquele 5 a 0 da Sérvia, vai lá ver o jogo, muitos gols, mas não acho que teve tão bom jogo assim não.

PIPedro Ivo Almeida

Só que 5 a 0, sim, foi bom.

?Voz C

Eu acho até que talvez na primeira rodada a Inglaterra tenha sido o grande destaque da primeira rodada da Copa do Mundo, né, olhando para o nível do adversário. É óbvio que, né, acho que a Alemanha que goleou o Curaçao, foi na primeira, né? Ou foi na segunda? Foi na primeira. Mas o grande jogo, acho que a primeira, né, a grande atuação no fim das contas tinha sido da Inglaterra na primeira rodada da Copa do Mundo. Mas para mim parou ali, parou ali, porque depois acho que a Inglaterra sofreu muito também para passar pelos seus adversários.

E isso talvez não tenha sido tão destacado, porque Argentina sofria mais, né? Quer dizer, Inglaterra sofria, mas Argentina sempre sofreu mais para passar.

?Voz D

Eu tô fazendo uma continha aqui, pedi para o Caio Alves aqui, o Caio Alves da ESPN me ajudou agora. A gente tem essa percepção de parece que não encostam no Messi, né? Então ele é tão, ele é tão relevante com a bola no pé que você fala, pô, deixa ele jogar o tempo todo. Ele é o segundo na Copa que mais falta sofreu, tem 16. Só que hoje Duas só.

?Voz C

Então, mas eu vou te falar que hoje não tô falando para bater no Messi, tô dizendo que— mas sabe que eu acho que teve uma diferença hoje, né? Hoje eu acho que algumas faltas que foram dadas em outros jogos em cima do Messi, tô dizendo contatos, hoje o árbitro deixou seguir. Teve inclusive um contra-ataque da Inglaterra que eu fiquei pensando, uma falta dupla, né?

PIPedro Ivo Almeida

Hoje a primeira falta, uma falta dupla, o tranco do Kane. E depois ele toma por cima e por baixo de dois jogadores diferentes.

?Voz E

Aquelas pessoas fazem a impressão de que a orientação para os árbitros nessas semifinais foi deixar correr, deixar o pau comer mesmo.

PIPedro Ivo Almeida

Mesmo ontem a gente teve uma arbitragem, primeiro tempo inclusive, dá para pensar isso sim, Léo.

?Voz C

Hoje foram umas 3 faltas, não. Fala, fala, mano.

MMMário Marra

No primeiro tempo foi aquela estatística de gols esperados, né, de 0,08, e 19 faltas. Faltas no primeiro tempo.

?Voz C

É, então foram muitas, né?

?Voz E

Somado, tá, os dois.

?Voz C

Isso. Mas assim, eram muitas faltas porque de fato o jogo tava, como a gente disse, naquela pegada de Libertadores. Então não dava para não marcar as faltas que foram apitadas. Mas repito, eu fiquei com a clara impressão de que faltas que foram marcadas no Messi em outros jogos, quer dizer, chegadas que não eram chegadas tão fortes, dessa vez ele deixou correr.

?Voz D

Dessa vez, quem vem para final, hein?

?Voz C

2 ou 3.

?Voz E

Eu acho que agora que a Argentina passou, não vai ser o Hilton, né?

?Voz D

Eu também acho que não.

?Voz E

Eu acho que vai ser o Alireza Fagani, que é a bola de segurança.

?Voz A

Não vai ter brasileiro apitando.

?Voz B

Colocando as coisas na ordem, eu acho que o Messi, pela genialidade e qualidade, conseguiu resultados, adquiriu um tamanho tal que os adversários e os árbitros ficam intimidados com ele. Os adversários e os árbitros.

?Voz A

Então, né, não acho que a sua direcionado, os árbitros no sentido de dar uma reladinha ali no Messi.

?Voz C

Qual é o motivo?

?Voz B

Qual foi a última vez que você viu um pênalti duvidoso no Messi não marcado?

?Voz C

Eu não lembro nem do—

?Voz B

então, mas por exemplo, vou dar um exemplo, Jean.

?Voz A

Acho que o exemplo mais recente que a gente pode falar, que todo mundo falou sobre isso, e aí é um lance que eu não acho que tem perseguição, que tem teoria da conspiração, eu tô contra isso aí. Respeito, tá, quem é, mas não concordo com isso. Mas por exemplo, o lance do Messi poderia ter sido para— parece que só foi no primeiro jogo da Copa, né?

?Voz E

Foi contra Argélia.

?Voz A

Ali, ali, ok, ali, ok.

?Voz E

Para mim, eu acho que teve pênalti nele que o árbitro marcou cravado.

?Voz B

Se você olha, por exemplo, o pênalti pro Brasil contra a Noruega, teve erro de arbitragem contra o Brasil.

?Voz E

Aliás, foi o árbitro de hoje, é bom lembrar.

?Voz B

Sim, então talvez isso explique o fato de as 47 seleções que jogaram a Copa, que estiveram na Copa do Mundo, e a Espanha que ainda está entre elas, tiveram pelo menos um lance de VAR contra revisado e nenhum contra Argentina.

?Voz E

Ah, Bene, isso aí, desculpa, mas isso aí eu só vou explicar.

?Voz B

Eu acho que o lance, pegando, pegando o lance, pegando o lance do Balogun, por exemplo, o lance do Messi, eu não tô falando que o cara tem que expulsar, eu acho que é bem diferente, poderia ser revisado. Tem um pênalti no Messi, eu não lembro contra o jogo, tem uns exemplos com lance contra a Áustria, poderia ser. Eu acho que se fosse contra outro jogador, às vezes o lance seria revisado. Contra o Messi ele não será. Eu não acho que isso é direcionado, perigoso, não, não tô falando isso.

Eu acho que é uma coisa que o Messi adquiriu. Nós estamos num futebol diferente, onde as redes sociais têm um peso enorme. O Messi é gigantesco.

?Voz E

Então é por isso mesmo que eu acho que a gente tem um papel de, em vez de alimentar isso, combater.

?Voz B

Mas eu acho que eu tenho que tratar... Porque eu acho que, pra mim, o futebol é tratar cada jogador exatamente do mesmo jeito.

?Voz E

Tudo bem, mas assim, por exemplo, deixa eu te explicar por quê. A fase de grupos teve vários lances como o do Messi.

?Voz B

Sim, eu concordo.

?Voz E

Que tiveram a mesma interpretação.

?Voz C

Esse era o meu ponto.

?Voz E

Então assim, eu entendo que o árbitro se intimida com grandes jogadores, assim como com as principais camisas. Isso, o Brasil historicamente teve decisões a favor em Copa do Mundo, mas assim, eu não acho que seja um caso específico desse lance do Messi. Ou a gente teve uma, a gente vai fazer essas contas, estão aparecendo aí, a Argentina teve X pênaltis, X revisões de VAR, quando o certo é ver elas foram corretas, elas foram erradas.

?Voz B

Tem um pênalti no Messi que não daria.

?Voz C

Mas isso é um grande problema, para mim isso é um grande problema da gente mesmo como imprensa. E assim, o Jef faz esse levantamento o o tempo todo. A gente já fez no nosso site também, que eu já vi, que eu acho terrível, que é quantos lances de intervenção mudaram lances a favor de um time ou contra um time. Isso não interessa, não tem valor nenhum esse levantamento.

?Voz E

Eu posso achar, se ele não dá a falta do Egito, a gente não ia ter sido prejudicado, porque não tem valor nenhum.

?Voz C

Porque esses levantamentos você precisa fazer, você precisa chegar à conclusão se a intervenção foi correta ou se a intervenção foi errada.

?Voz D

Exato.

?Voz C

Fazer levantamento sobre intervenção de VAR, porque primeiro é óbvio que times que atacam mais vão ter mais lances ao seu favor do que times que atacam menos.

?Voz D

Então eu não, eu sinceramente, um outro lado aí, se vamos supor que o time, vale aqui para o Brasil, para Libertadores, Brasileirão, porque a teoria conspiração é grande. Chamou um time, não vou nem citar nome aqui, vai, o time Y chamaram o VAR 6 vezes. Vezes para ele. Em 6 vezes, a decisão foi favorável para ele, e isso é correto. Eu posso inverter a análise e falar assim: poxa, por 6 vezes não viram isso no campo? Tiveram que chamar o VAR?

Então estão tirando dele no campo e o VAR tá arrumando? Posso dizer isso também. Então, o que para mim, o que existe com relação ao Messi é o seguinte: existe um respeito do mundo do futebol absurdo pela pessoa, pela pessoa. Messi não, ele só te irrita porque ele põe bola na rede. Você nunca, gente, quem que viu aí, me diga o jogo em que o Messi deu uma pedalada ou ele passou o pé na bola, desrespeitou o adversário, ou ele desrespeitou o adversário. Me diga, se você encontrar, me avisa aqui.

?Voz B

Ele provocou controlando na última Copa do Mundo, mas é uma exceção na Copa do Mundo.

?Voz D

Tá bom, então uma a cada 4 anos.

?Voz E

E também não foi com jogada, foi provocação no vestiário.

?Voz A

Ele tá assim, ok, no momento de jogo ali, é o que mira a bola, no momento de dar um chapéu, dar um rolinho, tentar uma jogada de efeito, no momento de quebrar a trajetória de um time que não ganha e dele também em Copas do Mundo a caminho de casa sem ganhar uma Copa.

?Voz D

Mas não é a vida do Messi, irritar e tentar humilhar. Para o brasileiro, driblar é humilhar o adversário. Isso é uma visão brasileira da coisa. Se puder voltar e driblar duas vezes, ele volta.

?Voz C

Mas eu digo, por isso que acho que muitas vezes tem-se esta visão, porque o drible muitas vezes aqui ele não é usado como instrumento de chegar, não é uma ferramenta de fazer o gol, uma ferramenta de Tudo bem, é uma arte.

?Voz D

Às vezes o cara dá um chapéu no meio de campo, aí fica em televisões todas, inclusive a gente, você passa a semana toda aquilo que não serviu para nada, nada, nada, nada, nada, nada. O cara não fez gol, o cara não passou a bola, aí o povo fica, ó, que futebol arte. Futebol arte é o que vence jogos. A arte que não vence jogos Com todo respeito, né, obrigado, até logo. Sem, se não vence o jogo, é uma competição, você tem que competir, fazer gol e ter mais números que seu adversário no placar.

Agora, ele nunca fez isso, então ele não leva para campo nenhuma birra, nenhuma raiva, nenhuma coisa do passado, além de um reconhecimento de que se der moleza ele resolve o jogo. E ele tem feito isso na Copa do mundo. É que eu acho que— e aí eu vejo que diminui isso. Embora esse número de 16 faltas não é, não são 16 lances de uma violência, você percebe que o cara entra para quebrar, tem algo mais, é algo que é o último recurso.

Então ele tem essa característica, ele não é o cara da ostentação, ele não é o cara de falar muito, você não ouve ele falando falando de adversário, jogando papinho fora. Ele só vai lá, faz o dele dentro de campo.

?Voz C

Eu tô plenamente de acordo, assino embaixo o que você disse. Acho que isso tem muito a ver com o fato dele não sofrer entradas desleais, né? Entradas desleais.

?Voz D

Inclusive, o árbitro olha para isso, os árbitros falam: pô, esse cara aí não é um violento, não tem bronca dele.

?Voz C

Então, mas eu acho que a postura dele A postura dele faz com que ele não sofra entradas desleais. Até aí tô plenamente de acordo. A questão é que para mim, e eu me lembro até de ter comentado isso no último jogo ali dos grupos, era Jordânia, né?

PIPedro Ivo Almeida

Sim.

?Voz C

Que eu falei, cara, é óbvio que os caras, ninguém vai chegar mais pesado no Messi num jogo como esse, valendo tão pouco, um time já eliminado, o outro já classificado. É o Messi, tem um respeito absurdo. Ninguém quer ser culpado, né, de de repente tirar o Messi da Copa do Mundo, ainda mais nesse contexto. Eu só acho que evidentemente quando você tá jogando uma Copa do Mundo e tá, por exemplo, numa semifinal, o normal seria com que as chegadas ou as faltas que eles sofram, que ele sofre, não sejam desleais.

Desleais não vão ser porque ele é esse cara que o Calçade definiu. Mas que sejam mais duras. E eu acho que de fato, Paraguai contra França, exato. Por incrível que pareça, por incrível que pareça, eu acho que esse respeito chega ao ponto de os caras tomarem cuidado para fazer falta mesmo numa semifinal de Copa do Mundo.

?Voz D

A impressão que eu tenho, e eu tenho dado aqui, o nosso Ricardo Spinelli do DATSPN passa também, este jogo contra Inglaterra, a gente observando o Messi de 2014 para cá, 2014, desde a partida contra a Suíça. Na partida contra a Suíça em 2014, 12 anos atrás, o Messi tinha 27 anos e foi um jogo com prorrogação, tá? O Messi venceu 15 duelos, confrontos com os adversários. Hoje ele venceu 12, hoje contra a Inglaterra, mais do que em 2018, do que em 2022.

Que a Argentina foi campeã do mundo. Então ele veio mais velho com uma capacidade de jogo. É aí, cara, é aquela combinação dos astros, entendeu? O cara poderia— a bandeira de Bangladesh, cara, poderia um pouquinho mais velho, um pouquinho mais velho não, muito mais velho, trazer assim dores, problemas musculares e tal. E parece que ele não tem nada, talvez até tenha, mas não acusa. Bom, ele tá Tá enganando bem.

?Voz A

Então é duro de imaginar que esse cara não tá convivendo com algum tipo de dor, de desgaste.

?Voz B

Só que ele não acusa os jogadores. Oi, maior parte dos jogadores.

?Voz A

Exatamente, ele não acusa.

?Voz B

Agora eu não entendo por que não joga, tá doendo tudo. Por exemplo, por que não os adversários? Aí falta, acho que maldade mesmo de jogo que os sul-americanos nós temos. Por exemplo, ninguém dá uma chegada no Depay quando entra, ninguém provoca o Otamendi, ninguém cria situações de jogo quando você tá ganhando o jogo de 1 a 0.

?Voz A

Para desestabilizar.

?Voz B

Assim, aí eu repito, Inglaterra merece ficar 500 anos sem uma Copa do Mundo depois de hoje. Mas repita essa frase, essa frase aqui: a Inglaterra merece ficar mais 500 anos sem uma Copa do Mundo depois de hoje.

?Voz C

Só um dado aqui, rancor, né? Interessante que é entre o gol da Inglaterra e o gol do Lautaro, a posse de bola do jogo, 12% para Inglaterra. 88% para Argentina, cara.

?Voz A

Você falou, é o time grande contra o time pequeno, cara. É isso, eu acho que isso resume bem.

?Voz E

E o Messi revivendo a era ponta, né? É, calçado comentou quantos anos do Messi de ponta.

?Voz D

Ele só não vai, não corre muito para linha de fundo, embora tenha feito isso.

?Voz A

E Jean, o Scaloni falou um negócio aqui que tem muito a ver com o que você disse também. Você falou assim, o que Argentina tem hoje é uma coisa única, é um negócio de E o Scaloni disse o seguinte: somos únicos. E não é arrogância, é coração, né?

?Voz C

Mas é exatamente isso. Aliás, o Scaloni, eu acho que ele cresceu demais nessa Copa do Mundo. Ele já era um técnico campeão do mundo, mas essa, esse chegar à final, acho que torna o Scaloni muito maior do que ele era ao final da Copa do Mundo, cara. É impressionante. E não só pelo, acho que assim, não só pelos resultados esportivos. Eu parava, eu parava, eu parava.

?Voz A

Ficava só vivendo de Londres, da família dele.

?Voz E

Não fazia nada parecido com esse significado tão, tão claro que, tô brincando, ele vai sair, vai trabalhar em clube, vai ganhar muito dinheiro.

?Voz A

É o Homem-Aranha, tá torcendo para Argentina lá.

?Voz E

Não, o Julián Álvarez. Mas assim, cara, que absurdo assim, duas finais de Copa e essa com uma geração já que boa parte de nós acreditava que essa geração tinha passado do ponto.

?Voz A

Lógico, pô, mas passou, Léo.

?Voz B

Os clubes mostram isso aqui agora, tá acontecendo.

?Voz E

Perfeito, mas passou, não passou. Eles estão na final. No final das contas, os vencedores contam.

?Voz D

Eles levaram esse grupo até a final de um, com uma condução diferente da Espanha. Os dois times foram times foram se construindo ao longo da Copa e era aquilo que a gente esperava. Quando a gente fala que é o melhor do mês, mas é o seguinte, né, a Copa mostrou os dois melhores do mês da Copa, mas também mostrou o seguinte, né, que os dois trabalhos, um trabalho da Espanha, que do Luis de la Fuente, que na final contra o Brasil nos Jogos Olímpicos em 2021 tinha 8 jogadores que estão na Copa, é o mesmo treinador.

Jogadores. Há um certo trabalho aí, né, que nós não sabemos fazer aqui no Brasil. E a Argentina pegou esse rebote do campeão mundial e levou, cara, e levou.

?Voz A

E como administrou bem.

?Voz E

O Alan Shearer, que jogou aquele jogo de 98, 2 pênaltis, ele é comentarista da BBC hoje, tava lá no estádio em Atlanta, e ele falou uma frase para mim dele, é perfeita. Ele disse, Argentina é campeã do mundo por uma razão, e não é sobre capacidade, é sobre know-how. É sobre saber como fazer, é experiência. Seguindo, é sobre a sua atitude quando as coisas estão contra você, quando você está sofrendo. É sobre acreditar em quem você é e no que você é.

Acho que assim, é um recado sobre a Argentina, mas é sobre a Inglaterra também. É muito o que o Jean falou lá no começo.

MMMário Marra

Exatamente.

?Voz D

Ou seja, a Inglaterra venceu o jogo por 1 a 0, o gol da Argentina foi aos 41.

?Voz E

Cara, a Inglaterra colocou a Argentina onde ela queria que a Argentina estivesse.

?Voz D

Mas foi aos 41 o primeiro gol.

?Voz E

Foi os 41.

?Voz D

O gol de empate saiu aos 41 e até os 41 quem tá atemorizado é a Inglaterra, que tá vencendo o jogo, e quem tá teoricamente, dentro do possível, mais tranquila e consciente do que tava fazendo é quem tá perdendo.

?Voz A

Mas qual era a nossa sensação? Até eu tenho que chamar o Mendo Bidrovski, mas assim, qual era a nossa sensação assistindo o jogo? Você falou a Argentina tava até certo ponto tranquila, ciente do que tava fazendo. Qual era a nossa sensação vendo o jogo? Vai fazer o gol, vai sair o gol, cara. Vai sair o gol, tá na cara, só o Turra não viu. Falou, vai sair esse gol, tá na cara. Eu tava aqui no camarim, adiantava, eu já ia ver pro estúdio, ainda fiquei no camarim.

Aí o Branco Barros, que é um dos nossos maquiadores aqui, ele virou e ainda falou assim, é, mas a Inglaterra vai ganhar, né, e tal, não sei o quê. Eu falei assim, olha, deixa eu falar uma coisa pra você, é muito possível que a Argentina vai empatar esse jogo. E assim, eu não fui nada brilhante na minha parte, foi o óbvio que eu falei. É muito possível que a Argentina vai empatar esse jogo, pelo menos pelo que tá acontecendo.

?Voz B

Eles vão empatar. Eu acredito muito que os times bem formados, eles têm um perfil de personalidade coletiva, que é uma coisa como se fosse uma pessoa só, o time, uma personalidade coletiva. A gente fala muito de alguns times do Brasil, por exemplo, já falei isso várias vezes em vários momentos do Palmeiras, sobre um perfil de time. A personalidade do time Argentina é muito forte e vencedora, enquanto a personalidade inglesa, que eu achei que tivesse se fortalecido depois das viradas do mata-mata, Também achei. Continua a mesma coisa.

?Voz D

Como diria Mário Marra, é verdade, né?

?Voz A

Qualquer momento o Seu Vani me avisou aqui que o Pedro tá chamando. Não gosto de ser o Pedro Evo, mas o Seu Vani me lembrou aqui.

?Voz E

Pedrão, tá falando aí, meu querido?

?Voz D

Qualquer momento o turno pode acabar.

?Voz A

Opa, tô te ouvindo, pode falar, Pedro.

PIPedro Ivo Almeida

Eu sei, eu sei que você tem que seguir aí, chamar o Mendel daqui a pouco, mas é só porque— manda aí, tava tentando acompanhar aqui, estamos do lado de fora, as entrevistas ocorrem lá dentro. Eu posso abrir uma aspa aqui para o Thomas Tuchel? Vai nessa entrevista coletiva de agora, por favor. Não tenho arrependimentos, pelo menos por enquanto. Estivemos muito perto, merecíamos estar vencendo, fizemos uma das nossas melhores partidas.

?Voz E

Ah não, ah não, agora eu achei que era relevante.

?Voz A

Pelo amor de Deus. Desculpa, vou voltar com vocês.

PIPedro Ivo Almeida

Eu acho justo, já que ele foi tão atacado pelas nossas análises, achei justo trazer também o jogo aqui só na coletiva que acontece lá dentro.

?Voz D

Porque é o seguinte, o jogo que ele ganhou, o jogo que ele venceu, ele criticou o time. É isso, o jogo que ele entregou, que ele tem nome, ele perdeu. Não, não, a atuação foi boa. Até onde eu escapei, foi perfeito.

?Voz A

Gostaria de ter no meu time.

?Voz D

Mário Marra, por favor, calma, Mário Marra, calma.

?Voz A

De coração e com razão também.

?Voz B

Eu tive um técnico assim recentemente no meu time, não quero outro.

PIPedro Ivo Almeida

Quer uma água antes?

MMMário Marra

Não, tô ouvindo.

PIPedro Ivo Almeida

Ele tá digerindo ainda, tá? Se vocês olharem, há 5 segundinhos, ele tá digerindo a frase.

MMMário Marra

Aí tá meio alto, aí quando falam pessoas juntas eu não consigo entender.

?Voz A

Então vamos lá, coitado.

PIPedro Ivo Almeida

Fica o recado aí para vocês, tá?

?Voz C

Você vê que o Marra tá realmente irritado.

MMMário Marra

Não, não tô, eu tô calmíssimo, eu tô tentando ouvir. Aí eu fico concentrado e calado assim. Eu acho que essa entrevista coletiva era melhor ele não ter ido, né?

PIPedro Ivo Almeida

Era uma boa.

MMMário Marra

Se é para falar isso assim, é uma coisa completamente ridícula. Assim, é um mundo, ele vive no mundo encantado Thomas Turville, porque eu tenho certeza que ele não acha isso.

PIPedro Ivo Almeida

Eu acho que a barra de fato tá um pouco incomodada agora.

?Voz A

A Argentina vai sair campeã, pelo que eu não puto na Madruga.

PIPedro Ivo Almeida

Já tinha passado aqui antes fazendo, né? Já tinha passado, já tinha Tinha passado aqui um nakonte de não sei de onde, a gente ia passar ali campeão. Tá bom, deixa eles, é legítimo, os cara ganharam, tô na razão. Agora, de puta madre, não.

?Voz D

Mas o Pedro, o Pedro, eu queria ressaltar apenas a sua autoridade, é impressionante. O Pedro cortou o couro e os cara baixaram a cabeça e saíram correndo.

PIPedro Ivo Almeida

Isso aí eu vou falar, eu vou falar porque eu falei, eu vou falar o que eu falei para o Mário Marra antes do jogo. É costume com o ambiente. Foi só no olhar aqui, entendeu? Foi só no olhar aqui. Eu falei, eu dei o microfone, eu dei oportunidade, não souberam se comportar, a gente recolheu. Foi só no olhar, calçadinha.

?Voz A

O Mário Marra conclui, por favor, por favor, se ninguém te atrapalha agora.

MMMário Marra

Não, assim, se ele, se ele realmente pensa isso, eu acho que ele tem que ser demitido. E é isso assim, sabe? Assim, acaba. Não, porque é o seguinte, não posso tomar essa decisão decisão no calor da emoção. Aí então conversa com ele hoje à noite, amanhã de manhã. Vem cá, você viu o que que você falou na entrevista coletiva? É, pois é, tal. Então deixa fazer o jogo de sábado, né? E aí fala, amigo, se você não retira absolutamente nada, e se para retirar não é falando comigo, não é falando na imprensa o que você falou, você tem que ser demitido. Você quer que eu cumpra uma opção?

PIPedro Ivo Almeida

Só para a gente trazer também o que ele explica Sobre as mudanças, abre aspas novamente para Thomas Tuchel: decidimos jogar com 5 defensores porque os espaços estavam muito grandes e eles estavam cruzando muito, então queríamos ser fortes no jogo aéreo. Logo após o gol do Gordon, sem substituições, sofremos muito cruzamentos. Tentamos ajudar os jogadores, mas importante agora, mas a responsabilidade é do treinador.

?Voz A

Ah, o mínimo, né?

?Voz B

Tentamos ajudar os jogadores. Jogou para torcida, os jogadores, mas a responsabilidade do treinador aí é a parte formal política. Ele acabou de colocar a culpa nos jogadores.

?Voz A

Só tem uma coisa, né, vamos reforçar a bola aérea, né? Não, isso até que é lógico, mas piorou essa questão, piorou a questão que deu errado.

?Voz D

Você deixa cruzar também, não adianta.

?Voz B

Exatamente, você reforça a bola aérea e não é que o jogador perdia a bola com o gol que o Mac Allister quase faz de cabeça primeiro. Que o Pícaro pegou, ele subiu, cabeceou sozinho, sozinho.

?Voz E

O outro gol, cabeceou sozinho de novo na trave, sozinho.

?Voz B

Ou seja, não havia entrosamento entre os caras, não funcionou, não funcionou.

MMMário Marra

Fala, Marra. Não, e o Mac Allister tem 1,70m, né, gente? É um cara que vai muito bem na área, fez gol contra o Real Madrid assim, fez gol na Copa do Mundo assim, né, atrás no escanteio, atrás do Akanji. Ele vai bem na área, mas Não é só isso, né? É que se você cortar, você tem que ter uma opção de contra-ataque, você tem que ter alguma opção, fazer alguma coisa para tirar os cara de perto aqui.

PIPedro Ivo Almeida

Tira esses cara daqui. Eu só discordo uma leitura do Turro. Perfeito mar, faltou esse cara do escape. Quando você baixa tanto, você não tem um cara de escape, você praticamente tá dizendo que você não vai jogar. E eu acho que também é equivocado dizer que naquele momento do jogo a Argentina só chegava com bola levantada na área. Não foi uma, não foram duas, não foram três vezes que a construção fazia de pé. A bola no Mac Allister poucas vezes era pelo alto, muitas vezes era ele com o Messi.

O Messi tentava conectar o Mac Allister, a coisa tentava acontecer por baixo também. Só para não ficar nessa, nunca tentamos reforçar só pelo jogo aéreo, que não fez.

MMMário Marra

Foram três finalizações, inclusive a bola que o Mac Allister recebe, repito, foram três finalizações de fora da área desde o primeiro tempo, finzinho do primeiro tempo, e duas do segundo tempo do Enzo Fernandes. E na terceira ele faz o gol. E isso, esse foi uma jogada assim, tá difícil entrar, o técnico pensa assim, eu tô protegendo a minha defesa, os caras vão bater de fora da área. Então já tem um cara que bateu duas vezes, e a liberdade que teve o Enzo Fernandes para bater, gente, ele joga no Chelsea, os caras conhecem, você tem que diminuir o espaço.

Então ele afundou demais, trouxe todo mundo para muito perto da área. Se a bola bate em um e outro ali, não tem quem pegue. Mas agora ela nem bateu, ela foi direto, porque também o goleiro não consegue enxergar com aquela quantidade de gente na frente dele.

?Voz A

Tudo bem, vamos com o Mendel Bidlovski. Vamos nessa, hein? Ah, agora sim, Mendel Bidlovski chegando no nosso Linha de Passe. Vamos que vamos!

?Voz D

Falamos aqui de Atlanta com a festa dos argentinos depois da classificação a mais uma 4 more years, 4 more years.

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?Voz A

Muito fácil, mas é o seguinte, tem um rapaz aqui, tá com a camisa do Corinthians.

?Voz D

Nosso Israel tá chegando aqui, está com a camisa do Corinthians na festa.

?Voz E

Eu não quero saber quem morreu, eu quero é chorar só.

?Voz D

Vai Corinthians!

?Voz E

Você tá na festa dos argentinos aqui?

PIPedro Ivo Almeida

Ah, é Brasil, mas Mas não tá dando. Eu só quero chorar com quem morreu, só quero comemorar a festa.

?Voz D

Isso, e o sentimento nesse momento? Você tava agradecendo, tu estava agradecendo aqui abaixo. Ele solo, quando encontrei ele tava assim, ó, agradecendo.

PIPedro Ivo Almeida

Diego, Diego, Diego, Diego, sempre Diego, sempre Diego.

MMMário Marra

Diego Armando Maradona, papai, o mais grande de todos os tempos. Vamos, Diego!

?Voz D

É a festa no Jardim, deu para ter uma ideia, né? É com vocês.

?Voz A

É a última imagem que você vai ver de Mendo Bidós. Ele foi engolido, abduzido pela multidão. Eu não sei mais quando a gente vai ver o Mendo, eu sei que a gente vai ver o Mendo lá no Obelisco.

?Voz D

Aparecer no Obelisco lá na gente.

?Voz A

Aparecer no Obelisco. Não, vai ser levado para aí. Isso é Atlanta, isso é Atlanta. Vai aparecer o corintiano. É o corintiano maravilhoso. Gostei dessa filosofia de vida aí.

?Voz B

É isso aí.

?Voz E

Não quero saber quem morreu.

?Voz C

Você quer chorar, quer chorar.

?Voz A

Muito bom. Vamos para o intervalo. Mário Marra e Pedro Ivo continuam com a gente. Depois a gente vai ter um bloco curtinho para fazer uma projeção aí do que vai ser Argentina-Espanha. Que bom que é curtinho, que assim sobra assunto também para vocês.

?Voz E

O Marra cruzar o Tuchel ali, eu tenho medo.

?Voz D

Temo pelo Tuchel.

?Voz B

Eu acho que eu nunca vi Marra assim.

?Voz D

Imagina o Tuchel, já pensou o Tuchel no Liverpool?

?Voz A

Eu ia lançar uma enquete no começo do programa que era assim: quem está mais indignado, Mário Marra com túnel ou Vitor Birner porque a Argentina ganhou? Em menos de 3 minutos eu falei: não dá para laçar.

?Voz E

Eu frequentei a arquibancada com o Mário Marra, eu nunca vi o Mário Marra assim.

?Voz A

Eu nunca vi o Mário Marra aqui na minha vida.

?Voz D

No Liverpool, que legal!

?Voz A

Nossa, mano, ou num clube brasileiro aqui.

?Voz D

É, pode ser.

?Voz C

Vamos para o YouTube.

?Voz B

Eu não sei como é que eu sou amigo de vocês, sério.

?Voz D

YouTube, eu vou chamar o Crespo de assistente. Nossa Senhora, vamos para o YouTube!

?Voz C

Será que a gente já não tá lá? Já nem sei.

?Voz B

Mandando abraço para o Estevão Soares, mandou mensagem aqui.

?Voz E

Nada disso, é só uma partida de futebol.

?Voz C

Os cara entraram com a bandeira das Malvinas.

?Voz A

Pode expor. Martins, é isso, hein? Temos ainda pela frente a decisão do terceiro lugar entre França e Inglaterra, 103, jogo 103. E no domingo, jogo 104 entre Espanha e Argentina, a grande decisão. E você vê todos esses jogos na Gazeta TV, no Disney Plus, completando uma Copa do Mundo aí muito vitoriosa para todos nós. Show de bola! Acho que o Pedro Ivo me chamou, Omar.

PIPedro Ivo Almeida

Eu vi aí, importante, é muito importante, porque é uma questão até para tranquilizar a família. Ele apareceu por aqui, não foi abduzido não, só para tranquilizar a família.

?Voz A

Ainda bem, tá tudo bem, tá tudo bem, tá tudo tranquilo.

?Voz B

O pessoal falou que foi negócio de pula pirata ali, que não, não, não, não, foi tranquilo.

MMMário Marra

Cheiro de cerveja?

?Voz A

Não, mas vou até falar um negócio, né?

PIPedro Ivo Almeida

Não é bafo de cerveja não, é cheiro na camisa.

?Voz A

Tô cobrindo aqui a tua torcida. A gente fez, né, teve essa participação, algumas outras. É legal que eles estão festejando. E comigo, pelo menos, toda vez que eles falam, ah, eu falo, sou brasileiro, eles, pô, chegam numa tranquilidade. Pô, a gente tem muito carinho por vocês, né? Legal que você tá aqui, Brasil, tamo junto. Nenhum momento uma hostilidade pelo fato de ser brasileiro.

PIPedro Ivo Almeida

Tá aí o Brasil, tá aí o Brasil, que não incomoda mais ninguém.

?Voz A

Agora é isso. Porque a gente começa a ver, os nossos amigos preocupados com esse momento aqui. Fica tranquilo que eles estão bem, tá tudo certo. Eu combino com eles, fica tranquilo. Só se eu fizer o sinal, o sinal, se eu fizer o sinal você entra no meio, senão não sei te enxergar ali no sinal. É por isso que eu acho que ele ficou um pouco tenso ali, mas tá tudo certo. Deixa a turma festejar, né?

PIPedro Ivo Almeida

Eu chamei o Mendel porque o Willian terminou o bloco dizendo que o Mendel tinha sido abduzido. Então não, está entre nós e seguirá Que bom, entre nós, daqui para Nova Jersey, saudável e sem escoriações, só com cheirinho de cerveja aí, mas tudo bem.

?Voz A

Ó, isso aí é o que a gente tá brincando aqui, e não é brincadeira, não é verdade. Quando a gente percebe que uma seleção, um time, ele começa a se apequenar um pouquinho, quando o rival já olha desse jeito, com dó, com dó, ah, tá tudo bem, você é brasileiro, tá tudo bem, pô, legal, não, vamos juntar aí, comprar uma cerveja, tá tudo certo, bacana, né?

?Voz B

Não se incomoda mais quando você ganha.

?Voz A

Não se incomoda mais quando você ganha. Deixa os caras ganharem lá, não ganham de ninguém mesmo, né? E tal. Porque essa que é a grande realidade, né? O Brasil ganhou uma Copa lá em 2002, daí para frente, meu amigo, nem sente cheiro de final mais. E a Argentina já empilhou 3 finais nas últimas 4.

?Voz E

Escutou bem? Não tá escalado domingo, não?

?Voz A

Ah, tá, tá, tá.

?Voz B

Eu passei cada coisa na minha vida, fica tranquilo.

?Voz E

É o caso, eu acho que sim.

?Voz A

Temos que ter o Vitor Birna aqui.

?Voz D

Se quiser me dar folga, eu nem pensar. Na Sul-Americana, que logo logo, semana que vem, já tem a Sul.

?Voz E

A gente, ó, vamos nessa aí.

?Voz A

O Linha de Passe não acaba. Ah, que o último jogo da Copa do Mundo domingo e tal, os cara vão descansar. Agora não tem essa não, já vai, ó, para o fight com a Sul-Americana, já vai ter Campeonato Brasileiro. É Linha de Passe todo dia na semana que vem.

?Voz E

Você viu?

?Voz A

Beleza, hein? Que espetáculo, hein? Deixa eu passar a bola para os dois lá. Se o Dimas tinha colocado um jogador do Palmeiras Que eu queria, que eu certamente, que eu queria ouvir dos dois aí uma expectativa para essa decisão aí. Espanha e Argentina, meus companheiros. Vamos lá, Mário Maia e Pedro Ivo.

MMMário Marra

Vamos lá então. Para mim, a Espanha é grande favorita. A Espanha, gente, Olise e Mbappé só tiveram uma troca de passe no jogo contra a Espanha. Isso é assim, a Espanha não permitiu que a França evoluísse, que a França jogasse. Para mim, a Espanha é superior. Agora, eu preciso contextualizar, por favor. O que estão falando do coração da Argentina, ninguém mais tem. Argentina tem isso de sobra e a Argentina vai, vai para o jogo.

Eu acho que a Espanha vai, já achava isso antes, né? Espanha tava preparada para ser campeã. Acho que tem muita chance, que é a grande favorita. Só que eu vou respeitar o que eu vi ali, respeito muito a Argentina e acho que eles têm muita capacidade para tornar o jogo muito difícil para Espanha também. E vai ser até a última gota.

PIPedro Ivo Almeida

Sim, é difícil discordar da análise técnica do Marra. Eu acho que se a gente fosse se debruçar sobre jogo de futebol, o que se construiu de futebol até aqui, dá para colocar a Espanha com esse favoritismo. Mas a gente tá falando de uma final de Copa do Mundo, é difícil você dizer qual o tamanho de uma vantagem, os 80, os 75, o que que é essa Argentina aos 85, que que é o cansaço, que que é o desgaste, que que é o mental. Eu não consigo tirar essa Argentina de nenhum papo sobre vencer, ter condições e disputar no futebol jogado, no que pode fazer, no que entregou até aqui, que não deixou as outras equipes fazerem também.

Espanha, que mostrou que subverte a lógica também, o que é uma final de Copa do Mundo. E o Binek cita tanto isso, eu tô com ele. E a mística, ela suplanta muitas vezes isso, é, você não tem como desenhar um cenário de Copa do Mundo. É um gol no início, é um lance, é uma disputa um pouco mais pesada, é uma bola que você intimida o cara que tecnicamente tá tomando conta do jogo. Eu acho que a Argentina pode se apresentar à final Por aí, jogo jogado, Espanha.

?Voz A

Muito bem, Bertozzi, vamos lá, vou girar vocês aqui.

?Voz E

Então, eu respeito muito também o que a Argentina é capaz de produzir, porque eu era da turma da desconfiança, eu era da turma que achava que a Argentina tinha mais chance de decepcionar do que fazer uma grande Copa também. E eles estão aí na final, você tá na final, seria estúpido duvidar agora. Dito isso, né, sempre digo dito isso, né, dito isso A Espanha tem total condição de fazer a Argentina correr atrás da bola, se desgastar, sofrer com essa condição de jogo e até mesmo isolar o Messi do jogo por longos períodos.

E isso para Argentina seria um desastre, né? Eu não consigo imaginar a Espanha falando: Messi, você pode jogar ali do lado direito com tempo para pensar, colocar a bola onde você quiser.

?Voz B

Você acha que o Messi pode pode estragar a visão que a gente tem do melhor lateral esquerdo da Copa do Mundo?

?Voz E

Eu não sei, não sei. Acho que o Messi pode fazer qualquer coisa, né? Ele é o Messi. Qualquer coisa que eu duvide dele, eu vou estar sendo tolo. Mas eu acho que assim, neste momento, o coletivo da Espanha, ele é o mais impressionante da Copa do Mundo. Depois do que eles fizeram com a França— a França foi a seleção desde a Suécia de 94 a ter menos gols esperados numa semifinal de Copa do Mundo. Lembra Brasil e Suécia? Dominou, martelou, martelou, martelou, mas tá precisando do Romário de cabeça.

?Voz B

Praticamente não sofreu, foi meio timíssimo marcar o Raíl.

?Voz C

Eu acho que tem uma questão aí que tanto a Argentina como a Espanha, cada uma à sua maneira, gostam de ter a bola, de reter a bola. Para uma, né, de maneira mais cadenciada, esperando o momento certo para dar o passe para o Messi ali resolver a parada. E a Espanha não. A Espanha trocando passes rapidamente, triangulando e chegando à marcação dos seus gols dessa maneira. E aí eu acho que no fim das contas é menos perigoso para a Espanha do que era a França, no sentido de que a França, cara, são os caras letais, os caras rápidos, os caras que numa transição podem te matar, por mais que você esteja jogando melhor, por mais que você esteja fazendo tudo que você tem que fazer.

E isso não aconteceu. Porque a França não conseguiu jogar com a Espanha para a gente ver o nível de perfeição da atuação da Espanha. Nesse jogo em que teoricamente os dois times vão disputar a bola, os dois times vão querer ficar com a bola, eu diria haja coração para Argentina. Porque a Argentina vai precisar muito ganhar esse jogo no coração, porque na maneira de jogar eu acho muito pouco provável que a Argentina consiga ganhar.

Mas claro, É uma Copa do Mundo, é uma final, 90 ou 120 minutos. O favoritismo para mim, ele é todo da Espanha, mas favoritismo tem que ser relativizado num jogo desse tamanho.

?Voz B

Eu fecho com o Jean. Para mim não tem favorito. Só acho que a Espanha joga mais bola. Ela fez um grande jogo na Copa do Mundo só, que foi o jogo contra a França. O resto fez bons jogos, principalmente no mata-mata. Quando o Rodri cresce, seleção cresce junto, fica uma equipe bem consistente. Se for campeã sem tomar gols, provavelmente Se a memória não me trai, a única seleção campeã do mundo tomando apenas um gol na história das Copas.

Mas eu não consigo apontar favoritismo lado a lado, apesar da Espanha jogar mais bola que a Argentina.

?Voz A

40 segundos, Calçade.

?Voz D

60 a 40 para Espanha. É o meu voto, era meu voto de campeã antes da Copa começar, eu continuo com ela. São dois, chegaram à final dois times que jogam futebol coletivo, coletivo, porque sem ele o Messi Messi não brilharia. O Messi já teve numa fase muito superior à que ele tá hoje, mas não tinha um time tão coletivo. Então o Messi hoje é resultado desse time coletivo. Ambos jogam futebol coletivo. Argentina administrado emocionalmente e a Espanha com administração racional do jogo coletivo. Vai dar Espanha.

?Voz A

Muito bem. Chegando Equipe F, eu vi, não, eu vi, tá, tá.

?Voz E

Depois da cravata que o Alçade deu contra a França. Esquece, tá grandão o calçadinho. É o nosso comentarista cravador, que ele falar vai acontecer.

?Voz D

Tchau, Pedro Ivo!

?Voz A

Tchau, Maíra Barra! Um beijo para vocês. A gente vai fechar esse programa sempre com desejo honesto, sincero e de coração de Vitor Birner. Vocês possam encontrar tudo já respondendo.

?Voz B

Pac-Man é mística. Tiago Duarte, um desconto para mim hoje. Saúde e paz a todos.

PIPedro Ivo Almeida

Valeu!

?Voz E

Dá uma folguinha para o Birner domingo. Não.