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Espanha anula 'quarteto estrelado', vence a França e volta a uma final de Copa do Mundo após 16 anos - Linha de Passe

15 de julho de 20261h53min
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No Linha de Passe desta terça-feira (14), nossos comentaristas analisaram todos os detalhes da classificação da Espanha em cima da França, após vencer por 2 x 0 e garantir vaga na final da Copa do Mundo.

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Participantes neste episódio8
W

William

HostNarrador
G

Gustavo Hoffmann

Comentarista
J

Jailson

Comentarista
J

Jean

ComentaristaArrematante
M

Marcela Rafael

Reporter
M

Mário Marra

Comentarista
P

Paulo Calçade

ComentaristaJornalista
V

Vítor Birner

Comentarista
Assuntos10
  • Copa do MundoDomínio da Espanha no meio-campo · Controle de posse de bola espanhol · Ineficácia do ataque francês · Desempenho dos laterais espanhóis · Estratégia de Luis de la Fuente
  • Rivalidade Brasil x Argentina no futebolRivalidade histórica entre as seleções · Possíveis formações táticas da Argentina · Desempenho de jogadores chave (Messi, Kane, Bellingham) · Bolas aéreas e duelos aéreos · Pressão da torcida e ambiente hostil
  • NBB Quartas de FinalVitória sobre a França · Copa do Mundo de 2026 · Fim de um jejum de 16 anos
  • Didier Deschamps· EsportesDesempenho em Copas e Euros · Títulos conquistados · Legado e comparação com outros treinadores · Didier Deschamps
  • Filosofia de jogo e metodologiaJogo de posse de bola e controle · Metodologia de treinamento desde a base · Estratégia tática de Luis de la Fuente
  • Desempenho de JogadoresRodri · Dani Olmo · Cucurella · Lamine Yamal · Digne · Mbappé · Olise
  • Seleção Argentina· EsportesPossibilidade de jogar com 3 zagueiros · Papel de Otamendi e Lisandro Martínez · Desempenho de Enzo Fernández e Mac Allister · Cobertura para os laterais · Ausência de sombra de Messi
  • Comparação com a Espanha de 2010Estilo de jogo e controle de bola · Evolução da equipe na Copa
  • Gol· EsportesPênalti infantil de Digne · Gol impedido de Lamine Yamal · Análise da jogada do segundo gol
  • Abertura da Copa do MundoMobilização da torcida argentina · Reação da torcida inglesa · Rivalidade Argentina x Inglaterra
Transcrição330 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Olá para você que é fã de esportes, e já temos o primeiro finalista da Copa do Mundo de 2026. É a Espanha que venceu a França por 2 a 0, está na decisão. Espera agora o vencedor do confronto de amanhã entre Argentina e Inglaterra. Desde 2010, né, Que a Espanha não experimentava uma decisão de Copa do Mundo, foi quando venceu. Tenta agora o bicampeonato e deixa a França para trás mais uma vez, né? Porque olha, CPF na nota, pode ser?

É, meu amigo, porque quando a Espanha pega a França, não sobra nada para os franceses. Vamos fazer um intervalo aqui nesse Linha de Passe e daqui a pouco a gente vai falar bastante sobre essa classificação espanhola. E hoje também, claro, a gente vai pensar um pouquinho no que vai ser esse jogaço de amanhã entre Argentina e Inglaterra.

?Voz B

Daqui a pouquinho.

?Voz A

Cadê a Superfoods? Cadê a Superfoods? Essa é a pergunta do chat. Gostei do Cristiano Figueiredo aqui. Esse Valderrama da Espanha joga muito. Cucurelha, né? Imagino eu, só pode ser, só pode ser. Torcendo por Inglaterra-Espanha agora, diz o Limoneto. Messi bicampeão da Copa, diz o Tafarel, mas é o Tafarel Broker, infelizmente, segundo ele, né? Pois é, meus amigos e minhas amigas, começando o nosso Linha de Passe. Daqui a pouco tem Gustavo Hoffmann aqui com o nosso Jailson, com o Jean, com o Birner, com o Calçade, para falar desta classificação da Espanha para decisão da Copa do Mundo.

E eu vou começar, óbvio, né, por favor, né, óbvio, né, por favor, com ele. As pessoas aqui no chat já estão pedindo, né, já estão enaltecendo enaltecendo hoje o Calçade. Sabe quando o pessoal vem que detona a gente, acaba com a gente? Hoje só estão te enaltecendo, Calçade.

PCPaulo Calçade

Isso é um sinal muito bom que eles estão assistindo Linha de Passe, estão acompanhando Linha de Passe.

?Voz A

E eu te pergunto, o Paulo Calçade, depois da Euro, da Nations, agora com a Copa, dá para pedir música?

PCPaulo Calçade

Ah, cara, boa tarde, né? Foi um partidaço da Espanha. E é um, assim, sabe o que tem de mais legal? Esse jogo é aquele jogo que a gente senta aqui, você consegue descrever exatamente Você não consegue é dizer o placar, porque ninguém pode adivinhar que o Dinho vai fazer um pênalti daquele e isso condiciona bem a partida.

?Voz A

Mas peraí, você meio que adivinhava. Você no programa que a gente debatia— outra coisa, eu não sei se vocês lembram, quando a Espanha se classificou, que definiu essa semifinal, começou a ter um embate aqui do Bierne com o Calçade, o Barceló, o Dembélé, o Olise, porque não sei o quê, com o Olise, com o Rodri e tal, como é que vai ser. E eis que o Calçade vira e fala assim: é, mas com o Lamine do outro lado tá fácil para o Dinho, né?

PCPaulo Calçade

E tava mesmo.

?Voz A

Pois é, foi dali, saiu o pênalti e o gol impedido do Lamine foi em cima do Dinho também.

PCPaulo Calçade

Assim, isso não dá para prever, né? Você sabe que tem um monstro em cima de um lateral que não é um monstro como ele. Então também Lamine em cima de qualquer lateral leva vantagem. Mas você não consegue prever pênalti, cartão amarelo, cartão vermelho. É, por exemplo, a França teve um contra-ataque muito perigoso no início da partida, por toda adiantada a Espanha, e quase o Kubasi agarra e poderia ter sido expulso de campo. É outro jogo, tá?

Então essas coisas ninguém consegue. Agora, como o jogo iria acontecer dentro de campo, isso era um dos jogos mais previsíveis que a gente tem hoje em dia, porque a Espanha com a posse e controle total. Foi assim? Foi. A França vertical, não é um time com a posse e controle total. Ela exerceu a posse em adversários com o bloco muito baixo, fundados na defesa. Por um time que sai, era a Espanha finalmente dando à França aquilo que a França queria na Copa toda, que era jogar um pouco mais atrás e sair na velocidade de Mbappé, Olise, Dembélé, Doué, o Barcola, um festival.

Só que Espanha marcou alto, deu esse campo para França, mas entrou com uma intensidade necessária para esse tipo de postura. Nenhum time que joga adiantado pode ter uma postura passiva na hora que perde a bola, porque aí você tá morto. E a Espanha entrou e bem. E basta, quem quiser vai, você tem uma série de aplicativos aí para olhar. Você olha o meio de campo da França, tem o Rabiot, e o Tchouaméni juntos assim. Aí você vai para o meio de campo da França, da Espanha, então 5 aqui, cara.

Isso era previsível, um meio de campo absoluto contra um meio de campo de 2 jogadores. O Olise ficou pesado demais para o Olise voltar no Rodri. Aí uma hora troca, bota o Dembélé, e pior ainda, Dembélé voltando para marcar o volante. Então assim, o Rodri, cara, era só assim, cabeça erguida, ele é alto, só ali, maestro. E um meio, o Dani Olmo jogou demais. Fábio Ruiz entrou, Fábio Ruiz, não entrou o Pedro, entrou depois no segundo tempo.

Aliás, as trocas da Espanha deram à Espanha assim, revigoraram o time dentro do seu padrão. Só entrou o Nico Williams, que é mais rápido, mas para um time que tá abandonando lá atrás como a França, fazia sentido. Então assim, dentro daquele jogo mapeado, que sabia como cada um ia jogar, a Espanha saiu melhor. Por circunstâncias teve o pênalti, mas teve um controle absurdo. Ela teve mais posse, inclusive no geral, mesmo não tendo a bola no final do jogo, que é a França tentando de qualquer jeito.

Mas assim, foi um partidaço da Espanha. E ponto para o De La Fuente, ele manteve o Dani Olmo, poderia ter jogado com Fabián Ruiz, Pedri e Rodri. Ele manteve o Dani Olmo, Baena encorpando o meio de campo, Oyarzabal também joga ali. Então a quantidade de jogadores da Espanha no centro do campo foi aquilo que determinou a vitória do time espanhol. E a França sabia disso, sabia, não tem nenhuma novidade, só que não conseguiu.

?Voz A

Para continuar o nosso programa nesse clima de reconhecimento ao talento individual, Vamos ao Gustavo Hoffmann, né? Porque esse acompanhou o professor Paulo Calçade no bolão, na classificação espanhola. Eles só falaram 2 a 1, tava achando que a França ainda ia fazer um golzinho, né? Mas não rolou esse golzinho francês. Talvez tenham subestimado a França, né, Vitor? 2 a 0, mas poderia ter sido mais, hein, Gustavo Hoffmann? Tudo bem com você?

GHGustavo Hoffmann

Tudo bem, William. Um grande abraço a você, aos companheiros, ao Absoluto Esportes. Enorme vitória da seleção francesa, de imposição, de imposição de ideias, de estilo de futebol. A Espanha foi com sobras o melhor time em campo na tarde desta— não tem a menor ideia que dia da semana é hoje— na tarde de hoje aqui em Arlington, região metropolitana de Dallas. Mas foi uma vitória assim convincente da seleção espanhola. O 2 a 1 que eu palpitei e que era o palpite do Calçade também, imagino que o Calçade, assim como eu, imaginou o quê?

O ataque da França marcaria um gol. Por isso que eu achava que para a Espanha vencer o jogo ela precisaria de 2 gols, porque eu imaginava que o ataque da França pelo menos um gol ia guardar.

?Voz E

Não conseguiu.

GHGustavo Hoffmann

Um tão poderoso ataque francês que encantou na Copa até aqui. Isso é um fato, isso é um fato. Apesar do jogo de hoje, a França com seu quarteto ofensivo encantou até as quartas de final. Hoje esse ataque francês foi engolido pela coletividade espanhola. A Espanha ganhou o jogo no meio-campo. Aquilo que a gente tanto falou nos dias anteriores ao jogo aconteceu, e aconteceu com um toque de maestro do Luis de la Fuente. O Mikel Oyarzabal hoje foi meio-campista.

A Espanha jogou sem um centroavante no jogo de hoje. O posicionamento médio do Oyarzabal no jogo de hoje foi próximo ao Rodri. No primeiro tempo, Fabián Ruiz e Dani Olmo tiveram posicionamentos médio mais à frente do Oyarzabal do que o seu próprio atacante central. O time tinha Baena, Oyarzabal, Rodri, Fabián Ruiz e Olmo nesse setor. E aí você pega esse gráfico da seleção francesa, principalmente do primeiro tempo, porque aí depois o Didier Deschamps tenta mexer, inverte, Olise e Dembélé, coloca o Koné no segundo tempo, coloca o Cherki.

Mas o gráfico da França é assustador porque tem seus dois meio-campistas titulares, Tchouaméni e Rabiot, isolados no meio, isolados. Então algo que parecia tão óbvio, mas a gente imaginava que a França buscaria soluções, isso não aconteceu. Vitória grande da seleção espanhola. Com nome e sobrenome dentro de campo, Mikel Oyarzábal, e com o maestro fora, que foi o Luis de la Fuente.

?Voz A

Pois é, esse é um ponto, né, Jailson, é a questão do quanto o ataque francês, que é tão poderoso, né, foi assim encaixotado pela Espanha. E os caras, a ponto de até, sei lá, o segundo gol da Espanha, um pouquinho depois, a gente tava até comentando, eu e o Calçadinho, não tinha um chute no alvo da França. Depois, no final, teve, né, porque aí vem a pressão, vem, né, tentando, né. Exatamente, cara. Fora isso, a França não tinha acertado o alvo, cara.

?Voz E

Foi um atropelo. Boa tarde, William. Boa tarde aos companheiros. Boa tarde, Hoffmann. Cara, foi um atropelo, sinceramente. A gente tinha essa expectativa assim que o Hoffmann falou em relação ao meio-campo. Eu imaginei em determinado momento que poderia ficar pesado, como ficou para o Olise, mas eu não imaginei, por exemplo, que o Rodri fosse deitar. O Rodri, para mim, ele deitou no jogo da forma que o Calçade falou. Cabeça erguida, tapa para um lado, tapa para o outro, conseguindo distribuir muito bem as jogadas.

E aí o Olise começou a cansar, né, porque ele tava tendo que baixar o tempo todo para correr atrás do Rodri. Fisicamente ficou pesado, ele não aguentou. Enfim, do meio-campo a gente vai falar, porque foi o controle mesmo completo de bola da Espanha. É admirável, né, da forma impressionante como é o hat-trick, né, da Espanha em relação às eliminações em cima da França. Mas eu queria destacar os dois laterais, porque numa conversa prévia que a gente teve ali no Sport Center, eu falei que os dois laterais poderiam, seriam decisivos, poderiam ser decisivos no jogo, porque os dois laterais da França tinham a característica mais defensiva, né?

Tudo bem que o Digne é mais ofensivo, mas na seleção, na seleção, o papel dele é mais defensivo do que ofensivo. E que os laterais espanhóis são muito influentes na parte ofensiva da seleção e que eles poderiam definir a partida porque eles fazem ultrapassagens, movimentos que os laterais franceses não fariam. E foi exatamente o que aconteceu, né? O Pedro Porro chegando à frente, o Cucurella também, que assim, que partidaça! A gente tava falando com Jean aqui antes, é, o Rodri ele eleva ainda, ele e o Dani Olmo, né?

O Dani Olmo pelo encaixe que dá ao meio-campo e o Rodri pelo que tá fazendo. Mas eu continuo destacando o Cucurella. Pra mim, a Copa do Mundo do lateral esquerdo espanhol é um absurdo o que ele tá fazendo. Pra mim, a Copa dele é extremamente positiva, tanto ofensiva como defensivamente. Ele tá jogando demais, demais mesmo. Então fica aí o meu destaque pros dois laterais espanhóis também.

?Voz A

Tudo bem. Te espantou o tamanho do domínio da Espanha sobre a França hoje, ô Werner? Tudo bem?

?Voz B

Tudo bem, Willian. Boa noite a você. Boa noite.

?Voz E

Era boa noite já?

?Voz A

É, boa noite.

?Voz B

Desculpa, perdão.

?Voz E

Boa noite.

?Voz B

Calçade, Rafa, boa noite aos fãs e às fãs do esporte. Espanto não, mas foi acima do que eu imaginava que podia ser, até se conseguisse impor o seu jogo de posse de bola como fez. Porque a gente falou muito, era um duelo, né, do jogo agressivo da Espanha contra um jogo da França, controle da Espanha. E foi uma aula, uma aula do começo do jogo até o pênalti bobo do Digne. E o Eugênio falava muito sobre o imponderável ontem aqui no Linha de Passe.

E o pênalti é uma coisa do imponderável do jogo, que não vai acontecer sempre. A partida tava igual, não tava confortável para ninguém. Ninguém, fora um contra-ataque da França, ninguém oferecia muito risco ao adversário. Mas daquele momento em diante, o Digne se perdeu e a seleção francesa não foi nem perto do que ela mostrou até agora na Copa do Mundo. Muito obviamente por mérito da Espanha, né? O Rafa já chamou atenção da posição do Azabal.

Os laterais, eu assino embaixo, Eu tô também falando isso desde a Copa do Mundo, Jailson, do que vem acontecendo. Acho inclusive que se a Espanha for campeã e os laterais conseguirem manter o nível na decisão contra qualquer uma das seleções, você tem que olhar para 3 jogadores provavelmente como jogadores da Copa do Mundo, ou um dos laterais, eu vou mais com o Cucurella, ou Rodri, né? Mas obviamente a Copa do Mundo não vai dar o prêmio de melhor jogador do mundo para um lateral, mas ambos os laterais fazem uma Copa do Mundo espetacular, e o Cucurella com momentos assim de nível muito alto.

E acho que faltou ali para França um pouco de soluções, talvez um pouco de demora para mexer com a saída do Olise, que tava morto no jogo. E era um jogo para ele, era um jogo para ele circular, para ele ser o cara que faz a França ter um pouco mais de bola, a bola rodar no pé dos atacantes. Mas ele foi engolido pela marcação da Espanha, que começa com a posse de bola Ou seja, nesse choque de estilos do jogo do encanto, do jogo bonito, do jogo agressivo, do jogo que todo mundo, quase todo mundo gosta de ver porque gera muitas chances de gols e humilha os adversários às vezes jogando só futebol, contra o jogo do controle, o jogo pensado, planejado, de ocupar espaços, de ter a bola, venceu a segunda opção, é do futebol. Só que não dá para negar, Tá acontecendo demais com a França contra Espanha.

?Voz A

É impressionante, Jean. É o que eu falo, gente.

GHGustavo Hoffmann

Cucurella ficou barato, hein?

?Voz A

Como é que é, Hoffman?

GHGustavo Hoffmann

Cucurella ficou barato para o Real Madrid agora.

?Voz A

Verdade, ficou. Nossa Senhora!

?Voz E

Ainda mais pelos problemas das laterais do Real Madrid, né? Hoffman pode falar melhor do que a gente. O Mendy não joga, né?

?Voz A

Ele chegando nesse nível do Real Madrid.

?Voz E

Todo mundo que foi gastando dinheiro, Fran Garcia, o Carreiras agora também, Álvaro Carreiras, tudo um dinheirão. Ninguém conseguiu jogar, o Mendy nem se fala, e agora o Cucurella ficou barato mesmo.

?Voz A

No popular do futebol, se estabeleceu uma freguesia agora, hein? E olha que é uma freguesia complicada, porque a gente tá falando da França, cara, da França. Não é uma freguesia contra qualquer seleção, é a França. Impressionante.

?Voz F

Pois é, é uma freguesia. A gente falava que são as duas melhores seleções do mundo antes da Copa do Mundo. Acho que a Copa de alguma maneira confirma isso. Todo mundo sabia como o jogo ia transcorrer, quer dizer, aquilo que a Espanha queria ser, ou queria ter, ou queria fazer. Em relação à França, você poderia ter uma dúvida ou outra, mas a gente sabia também quais eram as forças da França. E aí me impressiona demais o que fez a Espanha, porque me impressiona demais a confiança que a Espanha tem no seu jogo, no seu tipo de jogo, independe do adversário, independe da competição.

Independe do contexto. Ela confia demais naquilo que ela sabe fazer tão bem. Então essa troca de passes, a tranquilidade com que ela fica trocando passes, pode ser na defesa, pode ser no meio, pode ser no ataque, ela vai trocar os passes dela. E é trocando os passes dela que ela criou muito mais chances perigosas de fato do que a França. Foi trocando passes que ela impediu uma seleção até então temida e avassaladora na Copa do Mundo de jogar.

Porque para mim foi o que aconteceu. A França não jogou. A gente até pega as estatísticas, vê umas finalizações da França por causa do finalzinho, tudo no final, 2 a 0, 2 a 0. Você baixa, você fala, não, tudo bem, se sair um gol, beleza. Mas assim, não fosse isso, a Espanha não deixou a França jogar futebol. E aí fica de novo uma aula do futebol coletivo. É uma aula do futebol coletivo que a gente viu o PSG com as suas recentes reformulações fazer, né?

Quer dizer, quando o PSG passa a ganhar Champions League é porque ele passa a olhar para o futebol coletivo e não para o futebol que aposta em craques, que aposta em individualidades. E eu quero ressaltar, não tô diminuindo a França nesse caso, tá? Mas eu tô exaltando quem joga futebol coletivamente, quem tem uma ideia de jogo Então ele confia nessa ideia para ganhar os seus jogos, e foi o que a gente viu acontecer, cara. Então é um negócio impressionante.

Eu acho que a Espanha tá muito de parabéns, e eu entendo quem acha chato, quem não gosta tanto, mas vou te falar, eu gosto. Eu acho demais ver a Espanha jogar desse jeito.

?Voz A

Fala, Hoffman.

GHGustavo Hoffmann

Luiz Henrique, o técnico citado do time citado pelo Jean. Luiz Henrique, treinador espanhol, um quarto dos técnicos da próxima Premier League vem da Espanha também, não é à toa não. E eu, eu, provocação barata aqui, eu me divirto porque o jeito da Espanha jogar irrita cada vez mais os fãs, acima de tudo, da agressividade, do jogo forte, de transição, de velocidade da Premier League. E a gente vem, eu venho falando muito nisso, né, que esse jogo de transição rápido, de intensidade, que é a palavra-chave para melhor defini-lo, Ele é um jogo mais atrativo, gera mais entretenimento acima de tudo, e eu respeito isso, eu entendo isso, mas não é a única forma de se jogar e de se ganhar jogos de futebol. E a Espanha tá aí para mostrar, né, já há um bom tempo.

PCPaulo Calçade

Eu gosto da bola no pé e acho que sinto, repito aqui o que falei a Copa toda, é o que falta para o Brasil é ter um meio de campo que dê significado para o jogo. E você tem um meio de campo que controla o jogo não significa que você não vai marcar gols. Quem tem Lamine mal e Nico Williams bem, não era o caso dessa Copa, não pode estar tão distante assim do gol adversário. Então esse controle é uma questão de formação, uma questão de entender que, cara, você joga com a bola.

E quem joga— e o incrível é, no final, claro que no final com 2 a 0 tem um componente emocional que toca os dois lados. O lado de quem viu, tá vendo a Copa ir para o espaço, E o lado de quem fala, que baita placar, vamos defender. Então você fica um jogo diferente, há menos controle daquele time que controlou o jogo todinho, quase todinho, foi a Espanha. Mas com 1 a 0 e até metade do segundo tempo, falava assim, gente, a França precisa recuperar essa bola pra começar a agir.

E não acontecia isso, cara. Era a França ali olhando e a Espanha pra cá, pra lá. E gira e toca. E o que é mais legal, você não tem esse jogo, esse jogo da Espanha não existe se quem jogar no centro do campo não se movimentar. Você só troca passes com quem se movimenta, você não troca passe com quem fica parado. Quem fica parado é jantado pelo adversário. E aí é só bastonhar quem tem a bola, quem tá do lado, é para cá, para lá, saindo da marcação e recebendo, cara. Se isso não é bonito, eu não sei o que é.

?Voz B

Eu achei a atuação, eu não sei o que é. Eu gosto de ambos os jeitos de jogar. Eu achei a atuação da Espanha hoje, você fala de beleza, espetacular.

?Voz A

Ela subiu patamares, cara.

?Voz B

Hoje ela subiu patamares, espetacular.

?Voz A

Lembra que você brincou aqui, você falou assim, ah, é o jogo triste da Espanha?

?Voz B

Que ainda brincou jogo triste, porque faltava o complemento. Hoje não faltou nada disso, hoje não faltou.

GHGustavo Hoffmann

E mais, mais, quando tava 1 a 0, mas o complemento que você pedia, Bira, não veio. Não veio atacando de lado, mas subiu o nível a moda espanhola, subiu o nível a moda espanhola.

?Voz B

O jogo que a Espanha criou hoje foi o mesmo jogo das últimas partidas.

GHGustavo Hoffmann

A diferença é que conseguiu controlar o seu adversário em um nível que não tinha acontecido ainda, a partir de um conceito muito básico de futebol: se a bola está comigo, você não me ataca. O poderoso ataque francês não existiu hoje porque ele não teve a bola nos pés.

?Voz F

É, eu resumiria assim, né, Gustavo? Para mim, o que a gente viu hoje foi muito mais a Espanha de 2010 do que a Espanha da Euro de 2024. Porque é isso, ela subiu o nível, é o que o Gustavo falou, trocando passes e chega. Então aquele gol que quase sai, o quase gol do 2 a 0, que ia ser um golaço ali, acho que do Yamal, né, que é bloqueado pelo Upamecano. Aquele gol é a cara da Espanha de 2010, Quer dizer, é a cara da Espanha que trocava passes e que chegava ao gol adversário triangulando com finalizadores melhores.

?Voz B

A Espanha não teve um jogo desse nível ainda na Copa do Mundo. Foi disparado o melhor jogo, foi muito melhor do que contra Portugal, mas também o jogo mais exigente. E o que mais me chama atenção é que quando a Espanha tinha posse de bola, tava 1 a 0, o Calçade falava que a França quer recuperar a bola, os jogadores da França corriam, jogadores da França se movimentando.

?Voz E

Crianças, exatamente.

?Voz B

E é óbvio que você tá lá, são seres humanos em campo. Eles sabem que eles têm o time mais talentoso. Tudo aconteceu favoravelmente a eles na Copa do Mundo, eles conseguiram lidar com todas as situações. Eles não conseguiam pegar a bola, exatamente, e a França foi com a bola minando mentalmente, emocionalmente, seleção francesa. Chegou um momento que no final, quando a França tava lutando para tentar, quando a França recuou um pouco, tava 2 a 0, tava tentando fazer o gol, a Espanha parecia que tinha certeza que não ia tomar o gol, e a França tava naquele modo que você tenta achar um gol para tentar renascer no jogo, mas ela não acreditava.

PCPaulo Calçade

Você começa a perder a concentração, perde o caminho.

?Voz E

Destacando, né, queria destacar também que o Hoffman falou essa questão da Espanha semelhante de 2010. Foi essa semana, foi semana passada, já não lembro mais, Hoffman. Tô que nem você, já não sei nem que dia é hoje. Mas enfim, o Hoffman destacava essa questão da semelhança com a Copa de 2010 e eu brinquei de parecer criança porque pra mim a Espanha foi tão— o controle foi tão bizarro, que a gente não imaginava. Eu imaginava a Espanha com mais posse, ter mais posse de bola, ter um pouco mais do controle, ok.

Mas da forma que foi, de parecer que o meio-campo da França parecia umas crianças barata tonta correndo, sabe, atrás da bola, e você não vai conseguir pegar. Porque, e aí era o que o Calçade tava falando, era o Rodri dava o passe, apontava para cá, dava o gato, aí o Olise ou o Tchouaméni baixava achando que o Rodri ia estar lá ele já tava aqui do lado esquerdo pedindo a bola de volta. E toma, vai no Fabián Ruiz, vai no Dani Olmo, vai no Oyarzabal, como o Ralf tava falando. O controle foi surreal no meio-campo.

?Voz F

O que ninguém imaginava era que a França não fosse criar nada, mesmo que tivesse o meio-campo dominado.

?Voz E

Então, mas sabe o que eu acho que aconteceu? Acho não, foi o que eu vi. E aí eu queria saber também de vocês. Na hora que a França, no início ainda da partida, eu imaginei que fosse ter uma trocação pra ver quem ia conseguir ficar com a posse da bola. Mas eu imaginava que a Espanha fosse ganhar essa trocação e que a Espanha ficaria com a posse. Só que a França tentou subir a linha de marcação, e aí entra o Naissimão, o contestado Naissimão, que 2 ou 3 vezes que ele sai da área, aí o contestado Naissimão, que você vira e fala assim: eu vou pressionar lá, pô, vou pressionar que ele vai entregar.

Aí o cara vai com toda tranquilidade do mundo, chamou outro zagueiro para jogar, Jailson, lateral, chama o volante. E aí como é que tu vai pressionar?

?Voz F

Sair jogando, tô falando, sair jogando.

GHGustavo Hoffmann

Como é que tu vai pressionar? Tu não vai pressionar. Hoje teve uma jogada no primeiro quarto do jogo que, nesse momento que o Jailson cita, que a França, para ter, porque assim, os primeiros 15 minutos foram de controle absoluto da seleção espanhola. A partir ali de 16, a seleção francesa tenta subir a marcação, ela adianta a marcação para tentar pressionar a saída de bola da França. Tem uma jogada dessa de tentativa de pressão da seleção francesa Que a bola é recuada para o, para o Naissimón e ele dá um passe de primeira quebrando a primeira linha de pressão da França e já colocando a bola nos pés, não lembro de quem foi, mas na linha já quase de meio-campo da seleção espanhola.

E é um passe rasteiro, não é que é um chutão, a bola vem, ele já ajeita o corpo e já dá com a esquerda, já quebrando a linha de marcação da primeira pressão da França. Ali eu falei, olha isso, olha a qualidade. Desse time para resistir a esse jeito de pressionar o adversário.

PCPaulo Calçade

Nesse embate, nesse jogo, é claro que você tem que extrair um pouco mais de cada time. Eu digo, a França tem que dar um pouquinho mais do que deu até agora na Copa. Semifinal ia contra a Espanha, e a Espanha a mesma coisa. A Espanha conseguiu fazer isso, a Espanha conseguiu fazer como visível na agressividade para recuperar a bola, Porque era o pior time pra... assim, era o pior adversário, o mais perigoso que poderia enfrentar a França, que poderia enfrentar a Espanha, dentro das características da Espanha, que poderia causar mais dano, que é uma defesa que joga na altura do meio de campo, com velocistas e com uma qualidade técnica incrível.

Porque não é só velocidade, quer ver? A França tem velocidade, mudança de direção com posse de bola, e gol, todos eles têm. Então é muito difícil enfrentar. Já a Espanha, você tem Lamine Amal, e aí vai começar o Rodri, o Yasser Abou te oferece uma coisa diferente, o Baena que não ia jogar tá jogando por circunstâncias, e eu entendo que tá fazendo um bom papel dentro daquele jogo coletivo que a Espanha precisa. É mais um no meio de campo, libera corredor para o Cucurella e dá tudo certo.

Até porque quando a Espanha tem a posse no centro e vem mais um, qualquer adversário vai se concentrar aqui. E o Cucurella passa muito, porque aqui existe uma expectativa terrível com a posse de bola da Espanha. Então isso facilita. Agora, a Espanha deu algo mais, que era a intensidade para recuperar a bola. Porque se você joga com a posse no campo da França e é mole, não, eles vão jogar bola nas tuas costas o tempo todo. Teve uma grande chance, Hoffman, lembra?

Quase que o Kubarski agarra. Eu não lembro se era o, o Barcola, ou era no primeiro tempo, ou era o Mbappé. Aquele lançamento passou perto dele pegar uma camisa.

?Voz E

Aí, mas o que o Naíssimo pegou foi aquela dividida, aquele chute.

?Voz F

Eu só queria falar, eu não sei se foi esse lance, mas acho que isso é importante tem que também ressaltar, porque o Jailson tava falando do Naissimão na saída de jogo, e é verdade, em 2, 3 ocasiões ali no primeiro tempo a gente viu a tranquilidade, a tranquilidade na troca de passes que eu ressaltei em relação ao time vale muito também para o Naissimão. Agora, ressaltar também as saídas dele nos contra-ataques da França, porque aquilo ali foi essencial.

Teve um lance, talvez tenha sido a melhor chance da França, que nem chegou a ser uma uma chance de fato, mas que ele sai ali e tá completamente adiantado para impedir o contra-ataque.

?Voz A

Então assim, foi um chutão para frente, né, que é muito ligado no jogo.

?Voz B

E aí ele foi fazer a gente, duas vezes no Mbappé, lateral para trás, como Neuer fazia na melhor versão da seleção alemã, que a Alemanha tinha muita posse de bola e dominava o jogo.

?Voz F

Só que assim, contra a França você tem que ser muito corajoso, né, para você sair em cima do Mbappé ou do Brahim.

PCPaulo Calçade

Equipes que jogam adiantadas assim, isso vale para o Barcelona, vale para para a Espanha e outros times jogam, o Manchester City também, né, com Guardiola agora, outra. Se o goleiro não jogar acima da grande área, fora da grande área, sim, ele tá ferrado, porque o atacante domina e vai para cima dele, aí ele só pode recuar. Então os goleiros com esse posicionamento das equipes jogam realmente fora da grande área. É claro que quando esse goleiro a cada 5 anos toma um gol por cobertura, ah, o mundo, ele tava fora do gol, tal.

Todos os lances que ele impediu não são vistos, não são esquecidos. O dia que ele toma um gol por cobertura, tá vendo, olha aí, tal. Meu, é incrível, né? O futebol tem que observar de uma forma mais ampla.

?Voz A

Esse pênalti, ele é incrível também, né? Não, não, não tô falando da cobrança não, tô falando do dia. E sabe como surge o pênalti?

?Voz E

Não sei se vocês lembram como surgiu esse pênalti. Foi aí que, que noite terrível para o Lizzie, né, cara? Uma noite terrível para ele, que ele não conseguiu botar o pé em campo basicamente. E de novo no momento decisivo, né? Vou aqui dar uma punhetada de leve, porque lembra contra o PSG? Contra o PSG também tinha muita expectativa em cima dele lá na semifinal da Champions League, e ele também foi mal. E agora novamente, eu acho que hoje ele foi abaixo ainda daquela partida decisiva, ele também, ele sumiu de novo.

E hoje, além de estar ali encaixotado, tentou mudar de função. Calçade falou muito bem, eu também tava observando isso, que ele tentou mudar de função, né? O Dechamps: tira ele do meio, bota ele lá aberto pelo lado direito, vou te jogar novamente na zona de conforto para ver se você entra na partida. E nem assim ele conseguiu entrar. Mas esse pênalti surge no momento que existe ali uma dúvida na marcação entre o Koundé e o Olise, na hora de descer, na hora de descer do corredor.

Para marcar o Cucurella, que já tava avançando, teve uma dúvida. Um olhou para cara do outro, ninguém baixou, e o Cucurella foi. E aí, quando eles vão correr para trás, já era. O Cucurella vê muito bem, faz ali o cruzamento, que no final das contas não ia dar muita coisa porque ele errou. Mas aí o Dinho faz o favor de nem olhar para trás, e aí dá um chute no Yalá.

?Voz B

No segundo também, o gol do segundo gol também, o Dinho tinha acabado de entrar.

?Voz E

Aí é o Manu Coneil e o Dembélé. O Manu Coné e o Dembélé lá no início da jogada, os dois dormem porque a bola passa na frente do Dembélé, ele fica olhando. Depois o Manu Coné achou que tivesse alguém atrás dele, se eu não tô enganado era o Dani Olmo. Dani Olmo carrega a bola, vai avançando e ele não consegue, ele não sabia que tinha alguém atrás dele. E aí ele volta desesperado e na hora do, na hora que o Dani Olmo faz o pivô aqui para o Pedro Porro, se eu não tô enganado, o Coné também que dá uma dormida, não acompanhou.

Pedro Porro sai na cara do gol. Gol. E aí justamente a movimentação que a gente tava falando, as duas diagonais que os dois laterais espanhóis fazem, que os dois franceses não fazem.

PCPaulo Calçade

É muito malandro no pênalti, porque foi pênalti, né? Quando falou malandro, não é que é o seguinte, né?

?Voz A

Foi um pênalti infantil, mas foi pênalti.

PCPaulo Calçade

Foi assim, ele tenta cabecear a bola, ele ficou olhando só para bola, ele não dá uma mapeada. Você tá marcando o lado do Lamine Amal, Qualquer ação que você tem no jogo, você precisa sempre saber onde está Lamine Yamal, porque ele é o jogador teu jogador. Ele só ficou olhando para bola e abriu o pé para chutar. Pois é, o Yamal fala: agora que eu vou passar dividida, agora que eu vou para dividida. Ele foi para dividida e toma no meio.

?Voz E

Ele já vai se protegendo, ele sabe que ele vai para tentar levar a bola.

PCPaulo Calçade

Ali o Dinho foi, cara, se ele puder rodar de novo, ele já vai se protegendo, porque ele já passou.

?Voz B

Eu vi a gente criticando Porque o pênalti tinha que ser invalidado porque foi no braço a bola. Não, se ele tivesse finalizado para o gol na sequência e feito gol, aí o gol não valeria mesmo com o braço grudado no corpo.

?Voz A

Para o pênalti, vamos rodar o lance de novo. É a primeira vez que a gente consegue identificar. Tem trecho para mostrar o que o, ó, olha o Olímpico desesperado.

?Voz E

Era isso que eu tava falando, entendeu? Foi o momento que um olhou para a cara do outro e falou, erramos, hein? E aí o Olise já abaixa desesperado, mas aí já era.

?Voz A

E aí vai vir a câmera bem em cima agora, vai mostrar o que o calçadeiro olhou. Olha lá, olha lá, não olhou.

?Voz E

Ele já foi se protegendo, né? Ele já foi ali encostando a bola, ele já assim, ó, ganhei.

?Voz F

Cara, eu queria só destacar na batida e de maneira geral durante o jogo a leveza com que o Oyarzabal leva essa Copa do Mundo. Ele tá sempre dando risada, ele tá sempre se divertindo, parece que ele tá jogando a pelada do churrasco.

PCPaulo Calçade

E ele joga na Real Sociedad, tá? Ele não é no Manchester United.

?Voz F

Quer dizer, não é que ele tá acostumado a final de Champions League, ele tá acostumado também.

?Voz A

Já pensou se ele jogasse na Premier League?

?Voz E

Aí o RNG me pegou.

?Voz F

Mas o cara tá sempre curtindo a Copa do Mundo, né?

?Voz A

Tá desfrutando, cara.

?Voz F

E hoje acho que foram uns 3 ou 4 lances, inclusive aquele que ele acaba tirando a bola do Neymar, se não me engano é ele, os dois dando risada depois. E se abraçam depois. Quer dizer, uma leveza realmente do atleta.

PCPaulo Calçade

A expressão do Dini era assim, nada que nem reclama, de forma nenhuma.

?Voz A

Não tem o que reclamar, não tem o que protestar nada.

?Voz E

Esse passinho que ele vai dar agora, o passinho que ele dá antes de cobrar o pênalti, que dá assim, fala: caraca, o cara é muito tranquilo mesmo. Semifinal de Copa do Mundo, olha, ele vai pra corrida agora. Ó o passinho agora, agora, ó lá.

?Voz A

É isso, só que ele não ficou rodando pra lá e pra cá, vai e volta.

GHGustavo Hoffmann

Ele vai embora.

?Voz F

Impressionante.

?Voz B

Se fosse um cara acostumado com jogar decisões constantemente, ele tem duas Copas do Rei e uma Euro.

?Voz E

E ele faz gol em todas as finais. E outra coisa, o canto que ele bateu o pênalti, os últimos 5, ele não tinha batido naquele canto. É verdade, é verdade.

PCPaulo Calçade

E ele bateu numa altura que o goleiro foi e não pegou. É, o legal desse lance é o Cucurelha pelo lado esquerdo. Se você tem uma Espanha com uma estatura altura no ataque que você não pode cruzar bola para disputar com o Upamecano.

?Voz E

O Upamecano acho que já tinha saído aí, já não, Saliba, foi Saliba que saiu. Eu acho que foi logo depois, se eu não tô enganado, foi logo depois.

PCPaulo Calçade

E ele não, você não adianta cruzar logo depois, não adianta que você, o ataque da Espanha não é o ataque para o Haaland, não é um ataque para quem cabeceia a bola. Então você tem que procurar um outro tipo de cruzamento e o Cucurella procura inversão, né? E eles fazem isso muito bem, tanto que é muita gente até do lado esquerdo, porque quando você concentra no lado do Lamine Amal, você leva muita gente para o lado do Lamine, que facilita a marcação dele.

Hoje o mapa da Espanha, ele tem um mapa mais para o lado esquerdo justamente para deixar um pouco Lamine solto. Lamine, com uma marcação no máximo dobrada, mas não o time todo da França ali. Então a busca da inversão, e o Cucurella dá, né? Assim, foi até um, tá bom, vai.

?Voz A

E o Gustavo, até para passar para você que você tinha pedido a palavra, vou te passar. E já com uma perguntinha também, você fala o que você ia falar aí, já responde. Você acha que esse pênalti ele meio que condiciona o jogo Ou o jogo já se mostrava muito favorável para Espanha até aquele momento?

GHGustavo Hoffmann

O jogo já estava condicionado pela Espanha, pela superioridade da Espanha. O pênalti pode vir por uma falha individual do Dini. A gente não vai ficar aqui supondo o que poderia ou não acontecer, mas para mim o jogo já era dominado pela Espanha, o jogo já estava condicionado para Espanha. A gente ali, vocês, todo mundo já esperava um gol da Espanha em algum momento pelo domínio do time, pela incapacidade que a França teve de criar ofensivamente.

A primeira finalização certa acontece aos 81 minutos, 36 minutos do segundo tempo, que é aquela jogada que o Doué tenta encobrir, tenta chutar de fora da área ali quando o Naismith sai. Ou seja, nem é uma finalização certa para valer, né? Então assim, o jogo já estava totalmente condicionado pela superioridade espanhola dentro de campo. Sobre esse detalhe que o Calçade traz de como a Espanha puxava o jogo para esquerda para muitas vezes buscar o Yamal, olhando o posicionamento médio dos jogadores em campo, você vê exatamente isso.

Yamal bem aberto na ponta direita, com Cucurella tendo a liberdade para avançar, e todos os meio-campistas trabalhando por dentro, incluindo aí o Baena. E um detalhe estatístico que me chamou muito a atenção, eu não tenho o número final agora, se puderem até buscar no True Media da ESPN, mas a diferença no número de passes do Laporte para o Kubasi. A última vez que eu olhei era, tava com 35, 40 do segundo tempo, o Laporte com número muito superior de passes ao Kubasi.

É normal que os zagueiros do, do dos times tenham o maior número de passes pela saída de jogo. No caso da Espanha, você vai sempre colocar o Rodri nesse pacote também, mas a diferença do número de passes do Laporte para o Kubasi chamou muito minha atenção e mostra, evidencia isso na prática que o Calçade falou, né? Trazem números essa saída pelo lado esquerdo.

?Voz E

E só para pegar o gancho, porque o Laporte faz esse passe lateral, né, muitas vezes, e o Kubasi em si, a gente tá falando de um moleque de 19 anos que tá, além de fazer tudo que ele tem que fazer com excelência, que é defender primeiramente, já é a segunda vez que ele pifa alguém. Ele já tinha, ele foi que fez a finalização para o rebote contra Portugal, se eu não tô muito enganado, foi ele que finalizou. Foi, não, contra a Bélgica, contra a Bélgica, que o Lamez falha, quem chuta é ele para o gol.

Ele tinha dado um passe em profundidade para o Yamal e E hoje de novo, no gol, no impedido, quem dá a pifada nas costas é ele. Então assim, 19 anos para zagueiro, coisa que a gente geralmente não vê tanto aqui, né, porque a posição que tem que ter mais casca de futebol e tal, é o moleque que tá assim, tá botando a Copa dele no bolso, não tá com problema nenhum. Porque hoje não era missão fácil, ele tinha que parar um quarteto muito veloz.

E além de assim, obviamente, né, todo o conjunto, né, defensivo, é ter atuado muito bem com a posse da bola, um problema algum. Isso que o Calçade trouxe também de inversão de corredor é muito interessante da gente observar, que parece um balé, né, assim, porque vai chamando todo mundo para um lado e na hora que o adversário acha que, ó, conseguimos pressionar, agora vai roubar a bola, tá o cucurelha aberto lá do outro lado assim, ó, vira a bola em mim.

Aí alguém vai lá, vira a bola, por ele, domina a bola, vem todo mundo no bloco, ele vai com aproximação. E é isso, até conseguir achar um dos pontas, né, que geralmente ou Lamine Amol ou Baena, ou abrir a defesa adversária para achar esse espaço por dentro. E aí os dois laterais, né, o Pedro Porro muitas vezes nessa inversão também pisa bastante.

PCPaulo Calçade

Eu tô lembrando aqui do, da estreia da Espanha na Copa, né, aí era 0 a 0 com Cabo Verde, o mundo já tinha acabado, né, naquela hora já era, já era, né.

?Voz A

Veja como tem.

?Voz F

A fase de grupos, eu cornetei a fase de grupos toda.

?Voz E

A fase de grupos, toda hora que o Rafa não participava, uma via cruz. Eu deixava de cornetar. Jogo do Uruguai, não vai acordar.

PCPaulo Calçade

Jogo do Uruguai foi um frango na musleira, um frango na musleira.

?Voz E

E tecnicamente foi ruim.

?Voz A

Você lembra o jogo contra a Arábia Saudita? A Espanha resolve no primeiro tempo, no segundo tempo vai de arrasto. Ah, tava duro de assistir, tava duro. É que né, chega no mata-mata, começa a conversa.

?Voz F

O Lamine Amal previu isso, mas esse é meu ponto. Para mim, o que impressiona é que a Espanha virou a história dela na Copa do Mundo sem precisar do melhor Lamine Amal. Acho que a aposta de todo mundo sempre foi: não, calma aí, porque o Lamine Amal, ele tá evoluindo jogo a jogo. E eu acho que ele evoluiu jogo a jogo mesmo. Não acho que hoje tenha jogado mais do que na última partida. Mas ele vinha evoluindo jogo a jogo e parecia que o Lamine Yamal era essencial para a Espanha conseguir subir de nível, eliminar a França e chegar à final da Copa.

Pois bem, a Espanha, como eu já disse, chegou à final da Copa sendo muito mais aquela Espanha de 2010 do que a Espanha da Euro de 2024, tão aguda, com seus pontas tão letais. Então acho que isso também é muito interessante, né? Mesmo não tendo o seu craque 100% fisicamente, mesmo não tendo um segundo jogador que era o Nico Williams, que poderia ser muito perigoso pelo lado esquerdo para fazer esse trabalho também, ela conseguiu, ela conseguiu a moda antiga, vamos dizer assim, e de maneira completamente indiscutível.

GHGustavo Hoffmann

O Hoffman, só para passar para você, viu, grande talento individual, Jean, que é o Rodri.

?Voz F

Sim, mas o Rodri é o típico, é, mas é o típico jogador que passa pela subida de produção do Rodri.

GHGustavo Hoffmann

Mas o que eu quero dizer é, a gente tá vendo nesses últimos jogos o Rodri melhor do mundo, que não merecia ter vencido a Bola de Ouro quando ele ganha do Vinícius. Ele merecia ter vencido, na minha opinião, a Bola de Ouro da temporada anterior. Mas a gente viu nesses 3 últimos jogos o Rodri melhor do mundo.

?Voz F

Perfeito. Mas assim, só lembrar, quer dizer, o Rodri ele não é um símbolo da mudança da Espanha. O Rodri é um símbolo da Espanha tradicional, né?

PCPaulo Calçade

Tinha como você tinha, na maneira de jogar, Busquets e Modrić, dois controladores absurdos. É claro que tinha Xavi Iniesta ali, de fato ele tá jogando muito, né? Para mim, e Xabi Alonso, era uma Espanha dominante no meio. O que faltava para Espanha naquela 2010 era mais contundência para colocar a bola no gol, que essa Espanha tem até, né?

?Voz F

Mesmo com, mesmo sem os seus caras letais Ali no mais alto nível.

PCPaulo Calçade

Sem o 9 também, mas o Oyarzabal, ele é exatamente uma adaptação, mas é superior a todas as outras experiências que a Espanha teve.

?Voz E

Pode falar, pode falar do Lamine Amal. Eu acho que ele tecnicamente não apareceu ainda aquele Lamine Amal que a gente viu no Barcelona na temporada.

?Voz A

E a gente passa um paninho por tudo que aconteceu fisicamente.

?Voz E

Exatamente. Só que eu acho, para mim, a virada dele é física, na imposição que eu digo, no sentido de, vamos falar o português claro, vontade, tá? Porque na primeira fase, em algumas oportunidades que o Lamine Amal perdia a posse da bola, o perde-pressiona que o Calçade destacou não tava acontecendo. Ele perdia a bola, ele às vezes ele ficava olhando para o juiz, ele ajeitava lá o short, ele não voltava para dar bate no cara.

?Voz F

Mas talvez seja uma coisa física, talvez ele não tava legal.

?Voz E

Então, exatamente, eu acho que essa crescente dele física mesmo até que permitiu na fase no mata-mata ele aparecer mais, que contra a Áustria foi a mesma coisa, contra a Bélgica. Então o que ele fez com o Doku, o Doku lá tentando tomar a bola dele, não conseguia de jeito nenhum. E ele voltando às vezes para marcar o lado, o lado direito, né, com a Espanha. Então assim, eu acho que Essa questão física, no final das contas, mas também no embate mesmo, ele tá um pouco mais fortalecido para ganhar as divididas.

Eu acho que ele cresceu, acho que ele chegou para a Copa nesse ponto. Tudo bem, tecnicamente ainda tem as questões, mas acho que fisicamente ele conseguiu entregar a partir do mata-mata.

?Voz F

Mas é engraçado que eu não sei o que vocês acham agora, me parece muito, muito, muito improvável que com a Espanha campeã O Lamine Amal seja eleito o melhor jogador da Copa do Mundo, vire favorito à Bola de Ouro. Porque a gente falava, olha, se ele acabar com o jogo na semifinal, não, não, se ele acabar com o jogo na semifinal e acabar com o jogo na final, se ele fizer um gol na final e resolver o título, ele ganha. Você acha que ele ganha? Então eu acho que vai para o Rodri, né?

?Voz B

Eu acho que os jogadores do Barcelona e do Real Madrid sempre tem vantagem, né?

?Voz A

Porque essa, essa Esses prêmios, eu acho que dependendo do que acontecer amanhã, as portas vão se abrir para o Harry Kane.

?Voz F

Não, não, esquece os outros, porque é uma temporada toda.

?Voz E

Eu acho que o Rodri vai, mas Espanha campeã, se for campeã, se for campeã, mas tá falando de melhor da Copa, não Bola de Ouro, né?

?Voz B

Não, eu acho que Espanha campeã com a Argentina na final, Messi ganha.

?Voz A

Vou falar, ser justo não, Espanha campeã com Argentina na final, você acha que dá Messi?

?Voz B

Independentemente do último jogo de Copa dele, eu não vou duvidar não.

?Voz A

Eu também não, eu também não, eu também não.

?Voz F

E também assim, ele já ganhou sendo o melhor da Copa sem merecer. Sim, agora não seria um absurdo Messi ganhar o prêmio de melhor da Copa.

PCPaulo Calçade

Esses prêmios assim, esses prêmios quando eles são focados absolutamente análise do futebol e sensatas, tem um resultado.

?Voz F

Quando essa papagaiada de prêmio que a gente tem hoje em dia, é, mas acho que, mas é que aí pode dar qualquer um, eu sei, mas acho que isso, calçadinho, mas eu acho que o Rodri tem uma força maior do que vocês estão imaginando, porque o Rodri já ganhou prêmio.

GHGustavo Hoffmann

Então assim, eu acho que nesse imaginário coletivo, eu acho que se a Espanha ganha, a não ser que o Lamine Amal faça 5 gols, eu acho que se a Espanha ganha a Copa do Mundo, ele leva o prêmio, ele de melhor do torneio.

?Voz F

Mas eu tô falando justamente isso, é que eu acho que pela Copa que o Rodri já fez, embora a gente sempre olhasse para o Yamal como grande candidato a melhor da Espanha e a melhor da Copa, e eventualmente a melhor do mundo se a Espanha fosse campeã, eu acho que o andamento da Copa até aqui não permite muito isso. Precisaria ser um negócio, eu precisaria fazer que nem Mbappé na última final fazer 3 gols, aí talvez de fato a coisa mudasse.

Agora, o Rodri é isso, o Rodri já é grande, como disse o Gustavo, Rodri já ganhou o prêmio, né, de melhor do mundo, e o Rodri faz uma Copa excepcional. Então eu acho que ele tá bem na frente na corrida nesse momento.

?Voz A

Só passar para você, o Hoffman, chegaram aqui os números. O Laporte, foram 59 passes recebidos, 70 acertos de 76 passes passos tentados, 70 certos, tá? O Laporte. E o Kubarsky, de 32 passes, foram 29 certos, tá?

?Voz E

Como é que tu vai pressionar?

GHGustavo Hoffmann

Ou seja, é isso que eu quis mostrar. Você vê a diferença? O dobro de passes do Laporte.

?Voz A

Então assim, a saída foi condicionada para o lado esquerdo, é mais que o dobro. Exatamente isso, exatamente isso. A gente, a gente acompanha, é claro que a gente a gente não acompanha todos os jogos da seleção francesa, ainda mais nesse recorte que eu vou fazer agora, que é só para falar, abordar esse tema, o feito da Espanha hoje, né? Vamos lá, vamos pegar esse recorte aí do, do 2014 para cá, do Deschamps. Vamos lá, são 12 anos, certo?

Obviamente, nesses 12 anos, eu acredito que todos aqui assistiram todos os jogos da França nas Copas, ok?

?Voz F

E nas Euros também.

?Voz A

É aí que eu ia chegar. E nas Euros também são os principais.

?Voz F

Então são os principais. A gente pode até propor um pouco de Nations aí, pode pôr o título da Nations League, o nível. Legal, o nível é alto. E a competição aí assim, acho que é o ponto, né, que você queria trazer, né, William? Se eu olhar, eu até tuitei logo depois do jogo, tuitei esse negócio, porque assim, para mim é o seguinte, se a gente é muito cruel, né, o jogo de hoje mostra como a Copa do Mundo pode ser cruel, porque o mérito da Espanha é indiscutível, ela deu um baile na França, mas a Copa foi muito cruel com a França.

Porque nós estamos falando de um Deschamps que já ganhou uma Copa do Mundo, já ganhou uma Nations League, chegou à final de outra Copa do Mundo, chegou a uma final de Euro. E para mim, olhando para trajetória nessas competições todas, a seleção que mais jogou futebol foi a seleção dessa Copa, que acaba sendo eliminada na semifinal de maneira indiscutível, repito, na despedida do Deschamps. Mas essa França para mim jogou mais do que as Franças campeãs da Nations League e da Copa do Mundo, ou até mesmo ganharia, principalmente que a última ganharia a final, ganharia a final da Argentina. Exato.

PCPaulo Calçade

Você, além de acessar o Google, você tem esse pensamento Nem precisei completar.

?Voz F

Era isso, né? Eu tava muito com isso na cabeça, cara.

?Voz A

Você tá demais. Não, porque ele adivinha as coisas, gol do Meirinho e tal. Agora ele leu meu pensamento, eu não sei nem concluir.

PCPaulo Calçade

Era por aí que eu ia chegar. Ele é um mago, né?

?Voz A

E outra coisa, eu não lembro, viu?

PCPaulo Calçade

Força do Laguinho.

?Voz A

É a força do Laguinho, é a mística do Laguinho. Aí eu te pergunto, Rafa, até para ampliar para os companheiros aqui também, mas vou passando primeiro para você. Assim, eu não lembro neste período, vendo estes jogos que são os principais— é claro, jogo de eliminatórios, amistoso aqui, outro colégio não vê, mas os principais, né? Eu não lembro da França em algum momento nesses jogos ela se encontrar da forma que ela se encontrou, é acuada pela Espanha, dominada pela Espanha.

Eu não lembro de alguma outra seleção ter exercido este domínio sobre a França em nenhum momento nesse período que eu citei, nos grandes jogos.

GHGustavo Hoffmann

Até porque hoje era o grande jogo. Então, se você espera uma grande atuação de algum dos lados, era hoje. E a Espanha teve essa grande atuação. É, até a gente tá com a pergunta no ar: por que o futebol da França não foi visto na semifinal? Por absoluto mérito espanhol. Por imposição do jogo espanhol. É olhar e entender que em uma derrota há um vencedor e há um perdedor, mas nem sempre a culpa é do perdedor. Ali, o jogo de hoje, hoje para mim o mérito é todo da Espanha.

A França não conseguiu jogar porque não teve a bola nos pés, e quando teve não conseguiu acelerar porque a Espanha mostrou compactação e organização coletiva. Então, no grande jogo desse ciclo que você citou, William, a França, de um enorme talento individual, foi superada pela coletividade espanhola.

?Voz E

É isso, é isso, cara, é isso, exatamente. Sinceramente, para mim, eu repito o que eu falei no início, para mim foi um atropelo assim assustador.

?Voz A

Eu não vi desde, porque sem brincadeira, de 2014 para cá eu não lembro nenhuma essa seleção impor à França o que a Espanha impôs, sabe?

?Voz E

A gente vê equilíbrio, a gente vê o próprio 5x4, mas naquele jogo tava 4x1 também, se eu não tô enganado.

?Voz A

É 5x1, né? E foi um jogo do Cherki, era um jogo com Lamine Amal e Nico Williams a todo vapor. E a Espanha não teve isso hoje, ela não teve esses dois.

?Voz E

Então é porque acho que a gente vai, eu vou muito, vou repetir o que que o Hoffman trouxe pra gente nessa semana em relação a 2010. Porque esse jogo do 5x4, pra mim, a Espanha faz muito uso, né, muito mais uso dos pontas, né, que estavam voando, que era grande fase, né, tanto do Yamal, do Nico, quanto do que hoje. Hoje, pra mim, foi o que o Hoffman falou logo na entrada: 5, 6 jogadores no meio-campo, só não tá mais comigo. E aí você acaba irritando uma seleção que tá acostumada a ter a posse da bola.

A França tava, a França foi protagonista em todos os jogos, todo mundo teve medo da França. O Lamine Amal falou antes, por que que a gente vai ter medo da França? A gente não tem medo da França, porque eles sabem a forma de tirar o jogo da França. Eles mostraram isso para o mundo todo.

?Voz B

E o Deschamps falou, não sei se por milonga, mas também falou com milonga, as duas coisas. Ele falou que tratou a Espanha como favorita, falando que a Espanha tinha muitos pontos fortes e difíceis de lidar. Eles vão, eles vão, uma realidade para fazer uma milagre.

PCPaulo Calçade

Que é estranho, você tá vendo que os outros jogos da França, né, França na maioria teve mais posse de bola, não teve contra Marrocos e Espanha, mas ela se deu bem nos outros jogos. Claro, contra o Paraguai então nem se fala, porque o Paraguai não quis, e tá tudo certo. Porque se o Paraguai quisesse, tinha tomado 8, 9. Então ninguém é trouxa de levar 8, 9 da França. Mas hoje era o jogo da grande expectativa da França. Finalmente, finalmente, porque a França foi obrigada a desenvolver o jogo dela.

Não que assim, eu não posso falar que um time que tem, vai, é, Koné, Rabiot, Tchouaméni, Rabiot, Olise, Dembélé, Barcola e Mbappé, que é um time que tem dificuldade para trabalhar a bola, né? Aí é um exagero, né? Até nesse nível, a gente tá falando um outro nível de jogo, foi esse contra a Espanha. Então a Espanha, a França era obrigada pelos adversários, é o quê? Toma a bola, fica com você a maioria, e a França jogar trocando passes e buscando profundidade, que é característica dela.

Troca para achar o Mbappé de frente para o gol, o Dembélé de frente para o gol. Quando ela vai para um jogo diferente, que era hoje, que finalmente a gente não vai precisar, imagino eles pensando, vamos ter que ficar ali jogando no campo da França, da Espanha, trocando passes. Deixa a Espanha fazer isso e vamos agredir, vamos aproveitar esse espaço nas costas do Koulibaly, do Laporte, Cucurelli, então nem se fala. E ela não conseguiu.

Quer dizer, a expectativa da França cresceu, ela cresceu os olhos para essa, sabendo que a Espanha é um time muito forte. Porém, teoricamente, isso era um plano teórico que a gente achava isso, né, que daria à França várias oportunidades de matar o jogo numa única.

?Voz B

Era uma hipótese.

?Voz F

É isso que é impressionante. Impressionante, né? Essas oportunidades não vieram. Agora, eu só acho importante, porque senão eu já sei que tem uma narrativa possível que vai aparecer agora, que é o seguinte: ah, tá vendo aí, todo mundo falando da França, mas foi só pegar uma seleção de verdade.

?Voz B

Metade do chat tá falando isso.

?Voz A

Era óbvio que isso ia acontecer, vocês comentariam.

?Voz B

Todo mundo achava que a Espanha ia passar.

?Voz F

Então beleza. Só que achava que as pessoas que estão dizendo isso, será que elas acham que contra a Argentina ela não seria muito favorita, contra a Inglaterra não seria muito favorita, contra o Brasil, contra Portugal? Eu acho que assim, a única seleção, e isso podemos falar tranquilo, a gente falou antes aqui, a única seleção que na minha maneira de ver realmente dificultaria as coisas para a seleção francesa é a Espanha. Por quê?

Porque ela tira a bola, ela tira a bola. Ninguém mais tem a capacidade de tirar a bola e de impedir essa sofrência como a Espanha fez.

PCPaulo Calçade

Eu não achei que ia ser tanto, tá? Uma Argentina e Espanha, né, se acontecer, é porque a Espanha tem um controle de um jeito e Argentina de outro, mas ambas têm essa, né, você tem o Messi, tem jogado assim, né, os últimos 2 jogos era Messi e Julian Álvarez. E se pegar a Espanha, se for para final, não é contra a Espanha que a Argentina vai tirar alguém do meio ali, claro, vai jogar a galera toda ali, quem tiver bem fisicamente, para— e aí vai ser interessante porque é um jogo que eu acho que vai sair faísca, vai ser até porque é um jogo, a bola recuperar fora Premier League, né?

Imagina uma final Espanha-Argentina com controle de posse de bola, os dois times dos dois lados.

?Voz F

Na frente.

?Voz E

Tchau Premier League, sabe, nesse sentido, nessa intensidade e tal que a gente já viu, porque são os dois de controle.

?Voz A

Eu acho que aliás a gente vai fazer essa análise ainda nesse Linha de Passe de hoje. A gente vai falar, já projetar esse confronto de amanhã entre Argentina e Inglaterra. E a gente, claro que modestamente, porque a gente vai deixar a maior parte disso para amanhã, mas modestamente a gente já vai ficar pensando aqui, se for contra Argentina, se for contra Inglaterra, a gente vai esbarrar nisso também um pouquinho. Uma parte desse tema mesmo, a gente vai esbarrar nisso. Você ia falar?

?Voz F

Não, tudo bem. Acho que a gente vai falar disso depois.

?Voz A

É, já vamos chegar lá.

?Voz F

A eventual final.

?Voz A

Só uma coisa, para não perder você também desse papo da França. Eu concordo com o Hoffman que para a gente explicar a França de hoje, a gente tem que olhar para a Espanha. É isso, o que a Espanha fez.

?Voz B

Muito.

?Voz A

Mas obviamente, neste momento, lá entre os franceses e tal, claro que os os questionamentos, pô, o que que a gente podia ter feito melhor? O que que não deu certo aqui? O que que tinha que ter mexido? Que nessa análise, esse olhar só para França, aonde que deu errado? Alguma coisa poderia ter sido feita de forma melhor? Poderia ter tido um olhar diferente para o jogo com relação ao que a Espanha fez para tentar desenroscar esse jogo que a Espanha enroscou para França?

?Voz B

Eu acho que os encaixes defensivos espanhóis, os lances dos 2 gols mostram isso. A outra oportunidade que o Upamecano cortou também mostra isso, porque o encaixe defensivo da seleção da Espanha foi muito bom, foi muito bom. Foram as duas junções das coisas: a capacidade de manter a bola e de recuperar a bola. Qual era a capacidade da França de recuperar a bola? Se você olhar a posse de bola, eu não vi calçadinha, mas deve ser muito parecida.

?Voz F

Exatamente isso, mas ficou muito parecida pelo final do jogo, porque até a metade do segundo tempo a Espanha, eu acho que mesmo no primeiro tempo, deixa eu olhar aqui, Jean, para não falar bobagem.

?Voz B

Olha, na metade, no intervalo tinha quanto? Devia ter um pouco mais.

PCPaulo Calçade

Primeiro tempo, 55 a 45.

?Voz F

Então não é isso muito pelos 10 minutos finais.

PCPaulo Calçade

Segundo foi 53 a 47.

?Voz A

Para França, pelo final, Gustavo Hoffmann nesse momento de guarda-chuva.

?Voz B

O que chama atenção, eu acho que isso deu errado para França, e que é porque a Espanha tem mérito, isso é muito mérito da Espanha, é que a Espanha sofria muito para recuperar a bola. A França sofria muito para recuperar a bola da Espanha. A Espanha recupera a bola com facilidade. Os setores do campo também onde a Espanha recuperava a bola, a Espanha não precisava recuar, recuperar a bola, fazer a transição. Ela tinha um controle do jogo muito grande.

Isso foi crescendo porque, olha, isso é uma coisa muito, é muito louco isso do futebol. Isso todas as finais tem isso. E na Copa do Mundo isso é 50 vezes maior, 500 vezes maior. O jogo engoliu a França. Chegou o momento que era a Espanha e o jogo, as circunstâncias do jogo, o fato de ser uma partida que leva a uma final de Copa do Mundo, o histórico de derrotas para Espanha, a falta de argumentos de futebol para você conseguir lidar com uma situação, com as situações que a Espanha impõe, mesmo sendo elas diferentes.

O Jean chamou atenção ao jogo da Nations, por exemplo, usava muitos atacantes. Esse jogo foi diferente. Né, no jogo da Nations, por exemplo, muito porque a França ficou atrás e depois ela ficou muito mais com a bola e a Espanha usou contra-ataque. A França teve mais posse de bola que a Espanha, mas daquele jeito não deu certo. Hoje não deu certo. A França não acha um jeito de jogar contra a seleção espanhola.

PCPaulo Calçade

Não, não caiu o negócio.

?Voz A

Ah não, caiu o carregador de celular.

GHGustavo Hoffmann

Isso é a incapacidade, isso daí é a incapacidade que a França teve de reagir. E aí automaticamente, porque os jogadores são seres humanos, isso gera frustração dentro de campo, porque eles percebem que não tem o que fazer. Olham para o banco, falam: o que que a gente vai fazer? Vai colocar que meio-campista aqui para bater de frente com esses caras? Vai inverter Dembélé, Ulisses? Não tá adiantando nada. Então gera essa frustração mesmo.

?Voz B

Eu concordo contigo. E tem uma coisa que é mais curiosa que é uma das loucuras e uma das coisas mais ricas do futebol. Se é um time que tá acostumado a sofrer, ele lida com isso. A França não tá acostumada. Esse sofrimento para a França é uma situação muito específica contra a Espanha, porque a França consegue. E aí esses jogadores, numa Copa do Mundo ainda mais, não se mostraram preparados para lidar com essa, literalmente, dor de cada indivíduo ali, que vira uma dor coletiva. De não conseguir jogar o seu jogo contra uma outra seleção.

?Voz F

E hoje ninguém tira a bola da França porque— ah, Marrocos tirou, Marrocos tirou, teve mais posse porque ficou trocando passe lá atrás com medo de atacar.

?Voz A

Você tá lendo aí uma posse sem efeito? Você escreveu o comentário, ele tá lendo, não é possível, cara. Eu juro para tu, Marrocos com posse, mas com medo de atacar.

?Voz F

Exato, exato. Ele pensou no comentário do cara, mas é isso. Dizer que até só falei isso porque o Calçade bem lembrou que foi isso mesmo, que o Marrocos teve mais posse. Só que a posse de Marrocos não se compara com a posse da Espanha, porque era isso, era o medo de Marrocos que fez com que tenha tido posse e não a posse da Espanha, que era um time, foi um time frágil.

PCPaulo Calçade

O que eu vejo de diferença aí é assim, quando a Espanha, quando a França baixa, quando você é obrigado a os retornos os atacantes, que você tem Rabiot e Tchouaméni no centro do campo. Então quem tá jogando lá, Dembélé e Barcola, tem que voltar, né, sem a bola. O Olise voltava também, o papel do Olise era voltar no Rodri, ele não conseguiu. Então, cara, o que acontece, né, o retorno, retornar e fechar o espaço é uma coisa, retornar, fechar o espaço e roubar a bola de um time joga por dentro o tempo todo, é outra categoria.

Porque os caras de lado tem um papel, os pontas, vamos dizer assim, não é só voltar para bater com lateral, cara. Além do lateral que tá passando aqui, você tem que ficar de olho nele, você tem o resto do time jogando por dentro. E se você não apoiar seus volantes, eles serão insuficientes. O Olise já tava batido, você olhava o Olise, o Olise tava no desânimo, falou, pô, não dá, meu, eu não vou conseguir. É, não vai ser. E ele jogou e ele fez esse movimento durante a Copa toda, voltando por dentro.

E foi até uma boa sacada do DeChamps. Não é que não é uma invenção, não é nada. Ele colocou aqueles que ele considerava os melhores, teve um quarteto violento, né, agressivo, e arranjou o Lise. E o Lise se deu bem, só que aí pegou um adversário que cobra muito mais. Então esses caras acostumados a retornar, fechar espaço, além de fechar no lado, tinham que apoiar os jogadores de meio de campo. E aí você olha, eles estão, só pegar, buscar, eles estão sozinhos e um grudado no outro, cara.

Você fala assim, assim, juntos, o Duván Rabiot e Tchouaméni, e a Espanha dominando.

?Voz F

Você sabe que eu acho que nessas horas, talvez, e não quer dizer que fosse dar certo e tal, Mas nessas horas, talvez a excelente campanha, as incríveis partidas da França nem fizeram com que o Deschamps pudesse cogitar a entrada do Koné no lugar de um dos caras da frente, do Barcola.

?Voz B

Hoje mudar, hoje falar, vou com 3 volantes, botar os atacantes do lado, linha de 5, deixar o Mbappé adiantado.

?Voz E

Exato, porque você teria 3 atacantes ainda, porque agora é fácil a gente falar Como é que tu vai falar para o cara mudar sendo que atropelou todo mundo?

?Voz F

Você vem com a seleção jogando daquela maneira, indiscutível. Eu até achava, e não acho que fosse mudar, o Cornet também, né? Acho que o Jailson já chamou atenção em relação ao segundo gol. Não é que foi, entrou tão bem, mas eu já achava que o Cornet, para mim, das dúvidas que havia antes do jogo e que foram definidas pelos treinadores, a única da qual eu eu discordo mesmo, porque eu achei que a Espanha tinha que entrar com esse time mesmo.

É, Barcola ou Doué, não acho que mude muita coisa quem você vai escolher, mas eu achava que o Cornet tinha que jogar essa partida, porque para mim dos 3 ele foi o melhor. E não é porque é da Roma não, ele foi o melhor. Eu concordo, fez uma bela, ele fez a melhor Copa dos 3, fez uma bela Copa, começou no banco. Não acho que só ele, por tudo que o Calçade falou, ele no lugar do Tchouaméni, ou mesmo ele no lugar do Rabiot.

?Voz E

Acho que não ia mudar, mas eu tô contigo, é porque agora é muito fácil. Mas eu, quando o Calçadinho tava falando, falei, é um meio-campista a mais talvez na hora de tentar igualar. Mas ele não ia mudar, até porque a Copa atropelou todo mundo. Eu ia falar sobre a irritação de você não ter a posse da bola, né? Porque pareceu exatamente isso que com a França que aconteceu. Tentaram subir a marcação, o Simão impediu que a França tivesse a posse da bola.

Então vamos lá, não vamos conseguir pressionar, vamos marcar, tentar aqui no meio-campo para ver se a gente consegue tomar a posse da bola. Só que no momento que você toma o gol, você naturalmente você tem que adiantar, porque se você não adiantar, a Espanha vai tocar a bola para o resto da vida. Exato, que é a forma que eles jogam. Só que a Espanha, os jogadores não têm medo de ninguém que vier pressionar. E para mim tá aí a diferença na posse da bola, por exemplo, contra Marrocos.

Marrocos tava apavorado. Marrocos ia ficar trocando a bola no campo de defesa e não iam tentar atacar, estavam se defendendo com a posse da bola. Não, a Espanha, além de se defender com a posse da bola, ela ataca com a posse da bola. E aí o meio-campo da França, quando chegava próximo dos jogadores espanhóis, era toca, toca, toca, toca, e a gente vai conseguir o lançamento para o Cucurella nas costas de vocês, que vocês estão subindo desorganizados.

A gente vai conseguir um lançamento nas costas do Yamal, que vocês estão desorganizados. E se vocês não apertarem, a gente vai continuar tocando a bola aqui. Então acho que foi nesse sentido do desânimo do Olise que o Calçade tava falando, que o Biren também falou agora há pouco. É isso, que ele ficou correndo de um lado para o outro tentando fazer a sombra, que não é a função que ele faz melhor, porque a gente sabe que o Olise é melhor com a posse da bola e não sem.

E depois, determinado momento, ele virou e falou assim, pô, não vai dar, eu não vou conseguir tomar tomar bola do Rodri, eu não vou conseguir tomar bola do Fábio Ruiz, tem que vir mais alguém. E aí o The Champs tenta inversão de posicionamento, só que é com Dembélé. Tudo bem, o Dembélé faz a pressão lá no PSG, mas ele não vai fazer pressão no meio-campo. Aí vai pegar, vai tentar fazer a pressão no Rodri, vai olhar para o lado, já a bola já foi.

Então assim, a Espanha ela naturalmente não força passes. No momento que ela não força passes, ela vai irritar completamente, ainda mais se ela já tiver 1 a 0 a seu favor.

?Voz F

O adversário, quem assiste, já tem 1 a 0, não preciso forçar passe.

?Voz E

Quem precisa sair da caixinha é o meu adversário.

PCPaulo Calçade

E aí, na hora que o adversário tenta sair um pouco da caixinha, eu fico pensando assim, né, cara, por que que um time, assim, futebol, imagina o seguinte, você é moleque, tava jogar bola na rua, né? Eu adorava jogar bola na rua, era uma delícia assim, muito bom. Na minha época acho que podia, né? Dava para jogar. Hoje é difícil, mas eu adorava. Eu achava, não poderia acreditar que alguém não quisesse num sábado à tarde jogar bola na rua, né?

Não concorda? Exatamente assim. E aí eu pergunto, é você, eu ficava irritadíssimo. Aí você, esse moleque que nem eu, que gosta de jogar bola na rua, como um monte aqui. Aí quando você jogar bola na rua, você gostava de ficar só marcando atrás? Escorrer, ou você queria bola no pé?

?Voz E

Queria ficar com a bola.

PCPaulo Calçade

Aí esse povo cresce, esse povo cresce, quando vai ver jogo não gosta. Falei, cara, a essência é ter a bola, a essência do jogo. Ninguém que vai jogar bola quer tocar uma vez na bola. Isso é um problema de formação de muita base. Você bota os moleques, você bota os moleques de 12 anos de idade para jogar no campo grande, o menino lateral direito vai tocar uma vez na bola em Meia hora. Então sei, por isso que os campos são, tem que ser menores para todo mundo tocar muitas vezes.

Aí, cara, quando você vai para um jogo que os caras gostam da bola, falou assim, esse jogo eu não gosto. Foi o quê da vida, filho? Eu aceito o jogo da França, pô, é calçade. O jogo de quem tem a bola é o jogo mais lúdico, mais legal, e para mim o mais gostoso de ver, que é eu tenho a bola, você não tem, vem pegar. E aí, qual foi a essência do jogo? Eu tenho a bola, você não tem. E você pior, não consegue pegar a bola de mim.

?Voz E

Esse é o ponto principal, você não consegue.

?Voz F

Eu vou te provar que você não vai conseguir pegar a bola de mim.

PCPaulo Calçade

Isso é chato, não consigo entender isso.

?Voz A

Fala, Guga.

GHGustavo Hoffmann

E esse jogo espanhol é treinado, é trabalhado desde a base. Essa filosofia que a gente tanto fala do jogo espanhol não veio por acaso, não surgiu do nada, e nem surge apenas do talento do jogador espanhol. Tem metodologia de treinamento, tem formato, algo que acontece da base até o profissional. E quando eu falo tanto de La Liga, de La Liga, de La Liga, é isso. O jogo de La Liga é um jogo horizontal. A principal forma de se jogar futebol na Espanha é essa.

E aí a gente vê a seleção espanhola refletindo isso da melhor maneira possível. Mas é aquilo que a gente já falava outro dia, esteticamente pode não ser o jogo mais agradável de se ver. Eu entendo que gera mais entretenimento um jogo vertical, mas a Espanha, como eu já falei aqui, está aí para provar que se ganha de várias maneiras.

PCPaulo Calçade

E sabe o que é legal olhar depois, até da parte estratégica tática do jogo, que eu acho que teve um trabalho ótimo do Lafuente. Você pegar Baena, claro, onde tá o Baena? Lado esquerdo para dentro. Você pegar o Dani Olmo, lado esquerdo. O Cucurella nem se fala, lado esquerdo. Mas quando você vai para os dois volantes, tem Fábio Ruiz muito do lado esquerdo e também o Rodri mais para o lado esquerdo que para o direito. Então é uma Espanha que tentou conduzir o jogo por um lado para justamente aliviar para o cara que pode decidir numa zona mais assim despovoada.

Porque o que o Lamine Amal também enfrentou desde que ele passou a jogar mais constantemente na seleção é 1, é 3, 4, 5. E a Espanha, naturalmente, você vai para o cara que você toca a bola no cara que pode decidir. E a Espanha hoje busca uma outra referência, é E vai terminar por aquele lado, porque é melhor o Lamine Amal num drible chegar na linha de fundo, levantar a cabeça e tocar a bola para trás, do que passar pelo primeiro, pelo segundo e parar no terceiro.

Então nesse ponto também ele conseguiu moldar o time do elefante. E a França era aquilo: Dembélé aqui, Barcola aqui, Olise tomando, né, perdendo para o Pê. Pro Rodri. E os volantes, coitados, sufocados, que todo mundo tocando a bola em cima deles. E aí, cara, você intimida os seus zagueiros também. Eu só tô vendo os volantes, cara, um festival de passe aqui dentro. Os zagueiros fica ali, cara, fica ali. Os dois ficam e ainda os laterais encurtam, sendo que o Dinho tá de olho no Lamine assim, só toca para trás aí, porque na hora que eu vou Agora que o bicho pegou ele, atropelou.

?Voz A

Eu queria só levantar mais dois temas aqui com relação à França para a gente encaminhar também para as perspectivas aí para o jogo da Argentina com a Inglaterra. Daqui a pouco tem o Mário Marra com a gente também. Eu quero falar do principal jogador francês, que é o Mbappé, e depois fechar com o Deschamps, que tá encerrando o ciclo. Claro, a França ainda vai jogar sábado, a decisão do terceiro lugar, mas já é, já, né, já aquela coisa.

Ali baixou. Claro que o Mbappé, por uma questão de briga pela artilharia da Copa, pode jogar ali, pode ter uma briga. Aliás, pode ser França e Argentina, edição terceiro lugar, o Messi, Mbappé brigando.

PCPaulo Calçade

Lembrando que são 4 campeões do mundo na série.

?Voz A

Exatamente, exatamente, exatamente. Pode ser até artilharia histórica da Copa, que o Messi tá um gol ali na frente, né? Enfim, mas como é que termina, o Hoffman, começando por você? Como é que termina a Copa do Mundo para o Mbappé? Ele vem para essa Copa, sempre uma grande liderança, principal jogador ali da França e tudo, mas teve uma temporada difícil no que diz respeito a relacionamento com torcida e tal. Real Madrid, aquela lista, pô, Mbappé para fora daqui.

Embora os números eram bons, hein, eram muito bons. Te pergunto, como é que o Mbappé sai dessa Copa? Como é que ele termina a temporada dele? Melhor, na mesma? Pior não ficou, com certeza.

GHGustavo Hoffmann

William, é complicado, viu? Sabe por que complicado, porque assim, individualmente a temporada dele é muito boa. A temporada do Mbappé individualmente é muito boa pelos números, pela quantidade de gols. Ele termina essa Copa do Mundo prestes a se tornar o maior artilheiro na história da competição. Então assim, individualmente é uma Copa do Mundo muito boa. Problema é que coletivamente ele não conquistou qualquer título. Não conquistou título com Real Madrid e não conquistou título com a França, que era a grande favorita, vinha como grande favorita, vinha jogando como grande favorita.

Então assim, individualmente, uma temporada de altíssimo nível do Mbappé. Coletivamente, deixa a desejar. Então, colocando esses, esses dois fatores na balança, acho que dá para falar que ele termina a temporada com menos do que ele gostaria. Pode ter somado gols, assistências, números, mas sem qualquer título Eu ainda acho que isso é o mais importante no futebol.

?Voz A

Dependendo do que acontecer no final de semana, ele pode se tornar o maior artilheiro da história das Copas. Ainda dá para acontecer isso.

?Voz E

A primeira Copa que ele não chega na final, né?

?Voz A

Exatamente, exatamente.

?Voz E

Também isso, a terceira Copa foi duas finais, chegou nas duas finais, 18, 22, e agora não chega.

?Voz B

E participou de todas as rodadas das Copas.

?Voz E

E com o timaço, é, participou, mas assim, com o timaço da França, mas vai ser Muito decepcionante, com todo respeito ali, mesmo sabendo que é um baixo astral, né, cara? Mesmo sabendo que era uma semi, 4 campeões, né, mundiais, semifinais pesadíssimas, mas a França chegou na Copa do Mundo e o que vinha apresentando até a semifinal era da expectativa de levantar a taça. A expectativa até um segundo lugar ali, talvez, para os franceses era nossa.

Não, não tinha como essa seleção perdeu o título, então você já toma uma ducha de água fria, mas é uma ducha de água fria muito pesada. A ducha de água fria de que não foi na sorte que você perdeu, um acaso que você perdeu uma semifinal, um detalhe, porque o Mbappé tava num dia ruim, o Olise tava num dia ruim, nem porque o Dinho fez o pênalti que fez.

?Voz F

Não foi só por causa disso.

?Voz E

Você foi engolido pelo seu adversário, você foi completamente dominado pelo seu adversário. Não tem outra, não tem outra de agressão. Então assim, você foi eliminado porque mereceu e acabou. Sendo que era, a gente falava, a melhor seleção que a França desempenhava futebol até daqui, foi campeão, até que bateu ali vice-campeonato, porque essa seleção desempenhava o futebol melhor. Mas foi eliminado assim de forma arrasadora.

?Voz F

Eu acho que é melhor assim. Eu prefiro as derrotas assim. Eu prefiro a derrota que o teu adversário do que o azar atrapalhou tudo, foi muito melhor, te deu um baile dentro de campo. Eu prefiro perder assim do que perder com erro de arbitragem, com gol no final.

PCPaulo Calçade

Ninguém falou de VAR aqui, nada disso.

?Voz F

Agora, eu acho que o Mbappé fez uma excelente Copa. O Mbappé fez de novo uma grande Copa do Mundo, jogou muita bola, e é injusto dizer dizer, até porque este é um time que a gente sempre ressaltou que não dependia de um ou de outro protagonista, porque tinha muitos protagonistas. E é injusto dizer que, ah, né, a frase que tá ali, a França foi eliminada porque faltou o Mbappé na semifinal. Eu não acho que é isso. Eu acho que a França foi eliminada porque a Espanha deu um baile de bola, ficou com a bola o tempo todo e não deixou o Mbappé, o Dembélé, o Barcola, o Ninguém jogou, ninguém conseguiu jogar com o mérito da Espanha.

PCPaulo Calçade

A gente volta a olhar para o jogo só individualmente e o que ganhou o jogo hoje foi um coletivo absurdo potencializando individualidades. Porque é o seguinte, o que jogou o Rodri, ninguém jogou. A França não teve o Rodri, não teve o Rodri dominante ali. Então a estrutura da Espanha facilitou e produziu essa vitória. Então, porque senão a gente, cara, é sempre assim, faltou, claro, faltou Mbappé, faltou o Barcola, faltou o Dembélé, faltou o Lisey. Você fala assim, pera aí, faltou todo mundo?

?Voz E

O que aconteceu?

?Voz B

É uma grande coincidência?

?Voz F

Claro que não, né?

PCPaulo Calçade

Um negócio que atrapalha para caramba o jogo, que é adversário.

?Voz F

Isso é que eu acho que é uma coisa, Calçade, que é assim, essa pergunta ela é, eu acho que ela Cabe mais ou caberia mais, caberá mais de repente para semifinal de amanhã. Se a gente faltou Lionel Messi para Argentina, aí faz muita diferença.

?Voz E

Aí vai, aí vai, aí vai.

?Voz F

Faltou, meu Deus, faltou Harry Kane ou Jude Bellingham para Inglaterra também. Porque a gente fala muito do Messi, mas não é que a Inglaterra tá dando um banho nos adversários. A Inglaterra está passando na base dos protagonistas, né, no que os seus superações protagonistas Estão fazendo. Então quem joga futebol coletivo é a Espanha e era a França, porque também não vou tirar esse mérito da França. Eu acho que a França, claro, tinha os protagonistas também e jogava um futebol coletivo, mas no encaixe com a Espanha tomou o baile que a gente já descreveu.

?Voz B

Só queria falar uma coisa sobre— é óbvio que o Mbappé tá insatisfeito. Mbappé é a primeira vez que não chega numa final de Copa. Ninguém vai dizer que o Mbappé é um jogador que treme em decisões, ele tem um numa final de Copa. Ele tem título em final de Copa do Mundo, campeão do mundo muito jovem. Só para esses caras, só a única satisfação é ser campeão, campeão, que ser campeões. Mas isso vale para o Messi, vale para o Kane, vale para o Mbappé, vale para todos os grandes jogadores. Mas nem só um vai ser, assim é o futebol.

?Voz A

Para fechar, Gustavo Hoffmann, Dechamps, Chega ao fim aí atrás de, pelo menos ele já falou que não vai ficar, né, que acabou, né, acabou. É, então eu quero chegar aí. Vamos ver essa telinha agora do The Champs para a gente fazer esse comparativo aí, para encaminhar daqui a pouco para Argentina e Inglaterra. Então, período, eu falei 12, são 14 anos, né, foi 2012. Eu tô com a Copa de 2014 na minha cabeça aqui, mas foi antes, começou no meio do ciclo. Então é 2014, mas o período é de 2012 a 2016.

?Voz F

E eu acho que eu não me enganei, mas tem um vice de Euro aí também, né? Ali a gente tá vendo vice da Copa de 2022 e foi vice da Euro também.

?Voz A

Foi vice da Euro também, ele também era 2012, né?

?Voz F

De 2016, né?

?Voz A

2016, é. 2016 já era ele.

?Voz F

Perdeu para Portugal. É isso, né?

?Voz A

É isso, é isso. Era ele, era ele.

?Voz F

Tem 2 vices em competições bem difíceis.

?Voz E

O trabalho é absurdo.

?Voz F

Título da Nations League e o título da Copa.

?Voz A

O aproveitamento de 71,3%, 121 vitórias, 35 empates, 30 derrotas, 186 jogos. É a Copa de 2018 e a Nations League é de 2021, reforçando o que disse aqui o Jean, vice da Copa de 2022. E cara, tá entre os 4 melhores dessa Copa também, também é outro, né? E na Copa de 2014 foi eliminado pela campeã, pela Alemanha, naquele 1 a 0, gol do Rúmios. Era um, dá para dizer, ali era um início de trabalho, né? Mas fez até uma boa Copa em 14 ali.

E aí, o Gustavo Hoffmann, qual o tamanho desse cara na história do futebol francês? Ele que também jogou pela seleção francesa. Eu tô, eu tô misturando tudo porque como treinador, cara, ele é o maior, né? Como treinador. Agora, o personagem O combo Deschamps, qual o tamanho desse cara na história do futebol francês?

GHGustavo Hoffmann

Um dos maiores possíveis, tranquilamente. Campeão mundial como jogador, campeão mundial como treinador de uma seleção que passou a ser vitoriosa há poucas décadas. Não é uma seleção que historicamente estava entre as grandes, sempre foi uma seleção tradicional do futebol mundial. Mas não estava na mesma mesa de Brasil, Alemanha, Itália, Uruguai, Argentina. A França entrou nessa mesa, chegou para essa mesa depois. A Espanha na sequência ainda.

A gente até falava outro dia aqui no Linha de Passe mesmo, né, de como França e Espanha redesenharam o mapa das potências globais nessas últimas décadas. E o DeChamps faz parte dessa transformação, ele foi fundamental nessa transformação no futebol francês, sendo uma liderança do time campeão do mundo e depois sendo treinador. Então ele está entre os maiores nomes na história do futebol francês. Deixa agora a seleção como um grande e dá lugar a outro maior ainda que se chama Zinedine Zidane.

?Voz A

É 98 para cá, se você olha o futebol francês, 98 ele jogando. Sim, 98, tudo lá. E depois todo esse, todo esse processo aí.

?Voz F

Não, mas olhando só para uma vitória como treinador.

?Voz A

E aí eu vou ser suficiente?

?Voz F

Não, eu não, eu acho que não, eu acho que não, eu vou te dizer, eu acho que não. Com esse trabalho todo, cara, porque eu vou te falar, eu tinha uma opinião muito clara sobre a França até o começo dessa Copa do Mundo, e porque eu sempre achei que a França podia mais, que a França podia ter jogado mais nas Euros, né, nas próprias Copas do Mundo, inclusive na Copa que dominou. Nessa Copa, realmente, a França era aquele meme do cara que vem correndo, pulando corda enquanto os outros estão morrendo.

Aquele meme é maravilhoso, porque é isso. E não adianta falar que não pegou ninguém, porque teve um monte de seleção que, abre aspas, não pegou ninguém e acabou eliminada pelo meio do caminho, né? Então eu não gosto desse papo de que não pegou ninguém, porque a Copa do Mundo é Copa do Mundo. E a França tava jogando, tava se impondo de uma de maneira incrível. E é o que eu disse, é muito cruel, porque no fim das contas ele é eliminado na semifinal, nem a final chega, numa Copa em que o time dele tava jogando, para mim, mais do que jogou em qualquer uma dessas outras competições.

Então eu não coloco o Deschamps como treinador no primeiro time de treinadores do futebol mundial.

?Voz A

Eu não acho que o futebol francês, na história do futebol francês, acho que aí toda a discussão, né? Porque ninguém fez isso, claro.

?Voz F

Não, não, claro. Mas é que aí são, acho que são coisas diferentes, né? É a gente olhar para, bom, o trabalho dele como treinador e agora o que vai ser e tudo mais, o que não vai ser. Porque o elenco dele, cara, se você for olhar, eu acho que desde que ele assume, a França está entre os melhores elencos do futebol mundial. Talvez não com a larga margem, porque Para mim não tem comparação. Elenco da Espanha com elenco da França não tem comparação, não tem comparação.

GHGustavo Hoffmann

Sim, a França tem. Já falava sobre isso.

?Voz A

Então eu não acho, eu não acho.

?Voz F

É que eu, e por isso que eu acho que o treinador, os treinadores têm muitos méritos. Eu não acho que eu olho para esse elenco da França e te falo, se você perguntar para os torcedores de qualquer time do futebol europeu, do futebol sul-americano, Escolhe 10 aí dos dois elencos.

PCPaulo Calçade

O que eu vejo na França, não vou nem entrar na defesa, porque eu acho que vamos para o meio de campo. Ali na Espanha sobra, e a Espanha e a França sobra no ataque, porque Nico Williams está machucado. É claro que a França não, a Espanha não tem reposição para Lamine Amal, nada próximo, e nem Nico Williams, tanto que o Baena tá jogando. Agora, no meio de campo, a França Se tivesse um Merino, tava feliz. Se tivesse um Fábio Ruiz, tava feliz. Se tivesse um Firmino Lopes, tava feliz.

?Voz F

Mas agora imagina, você pergunta para o torcedor do time: você quer um Merino, os nomes todos que você citou, ou você quer o Mbappé, o Dembélé?

PCPaulo Calçade

Então, mas aí é aquela coisa do olhar para o futebol.

GHGustavo Hoffmann

Mas o time não é feito só de ataque, né?

PCPaulo Calçade

É o jeito Isso você olha para o futebol, você olha para o— eu diria que o Merino, ele é zero midiático. Quem é o Merino perto do Dembélé?

MMMário Marra

Ninguém.

PCPaulo Calçade

Quem que é o Fábio Ruiz, hoje mesmo jogando na França, perto do Barcola? Ninguém. Agora, eles jogam bola. Uma coisa é aquela ilusão do grande nome, a outra é o cara que é bom, que não é visto pelo público como grande nome, Mas dentro de campo ele entrega.

?Voz F

Mas você pode fazer os nomes maiores, é esse o meu ponto, que se você olha para o meio-campo da França, eu ia falar dos meias, eu ia comparar os meias, o próprio Tchouaméni, Rabiot, Koné, um Merino que você citou, Dani Olmo, Pedro, Pedro, Pedro.

?Voz E

Porque assim, é porque Pedro e Rodri já tem outro holofote. Eu tô tentando lembrar jogadores com menos holofote, tecnicamente melhores. Do que os da França.

PCPaulo Calçade

Jogadores de meio de campo da França não são jogadores de controle. Os jogadores de meio de campo da Espanha são 100% controle. Então já é até injusto até comparar, porque vai controlar com 2 caras só, ninguém vai controlar nada. E a Espanha controla tudo.

?Voz F

Mas é um problema tático, né? Enfim, é tudo que a gente tava falando, é isso.

PCPaulo Calçade

É uma questão tática. A visão do elenco ela é, claro, você põe uma lista e a outra lista você bate, ela é meramente individual. Mas então, mas o time é um pouco mais misto, né?

?Voz F

Isso que eu tô querendo dizer, porque você olha, mas eles não são caras assim para coner, para do grande cenário, para Tchouaméni, para, não são meio-campistas ruins.

PCPaulo Calçade

Onde é que os atacantes têm muito mais espaço no futebol mundial, inclusive de sair desse impacto? Do que jogadores de meio de campo, né? Para ver o Rodri, para chegar à conclusão que o Rodri é um monstro, cara, você, a pessoa tem que prestar atenção, você tem que prestar muita atenção no jogo, porque senão o jogo passa por ele, está olhando só lá na ponta final. Agora ele é um cara que tá no meio do campo.

?Voz A

Calçadinho, tu finishe.

PCPaulo Calçade

É, tá bom.

?Voz F

William, eu preciso. Agora aguenta aí, pode.

?Voz A

Nossa, preocupação zero com esse tema. É que o tu finish, eu vou anotar para minha vida. Tu finish, Gustavo Hoffmann, tu finish também, viu? Obrigado, meu querido, um abraço para você. Valeu demais aí ter ficado esse tempo todo com a gente, viu?

PCPaulo Calçade

Finishou para você, imagina.

GHGustavo Hoffmann

Aproveito, e não, eu aproveito para me despedir mesmo, minha partida aqui da Copa do Mundo, minha última, minha última partida dessa Copa do Mundo. Então me despeço, foi um prazer ter passado todo esse mês aqui com vocês fazendo Linha de Passe. Volto para temporada agora 26, 27 lá na Espanha.

?Voz F

Ele vai para as praias espanholas, ele não quis dizer, mas agora ele tá indo para praias espanholas.

?Voz A

Gustavo Hoffmann, arrebentou! Obrigado demais, cara, tuas participações aqui no Linha foram maravilhosas, ajudou demais aqui no debate com os temas, o teu olhar aí de quem acompanha o futebol espanhol no dia a dia, fora o teu conhecimento de futebol internacional. Demais mesmo, cara, só te agradecer de coração. Valeu mesmo, viu?

?Voz E

Nossa, agradecer também, eu que agradeço a companhia de vocês e a confiança. Não, não, estendendo agradecimento às aulas no Esporte Center, nas nossas resenhas durante toda a Copa do Mundo, basicamente, mas também sobre futebol espanhol a gente tava trocando bastante ideia. Então muito obrigado, Gustavo Rocha.

?Voz A

Vamos que vamos, meu Povo, seguindo aqui com o nosso, com a festa do torcedor espanhol lá que a Marcela Rafael registrou. Vai, Marcela!

MRMarcela Rafael

Fala, William, tudo bem? Olha, aqui a festa da Espanha está completa lá dentro, o pessoal não para de festejar. Aqui fora eu encontrei um monte do Cucureia, que foi muito bem hoje. Do outro lado, Pedro Porro também foi muito bem. O Lamine Amal, a gente pode até falar, será que ele tava um pouco abaixo? Sofreu o pênalti. Foi uma Espanha Muito, mas muito melhor do que todo mundo tava esperando. Porque a gente pode falar aqui que a França chegou aqui como favorita.

A França praticamente entrou em campo. O que que aconteceu com a seleção francesa? Que você passa com França hoje?

GHGustavo Hoffmann

Que que passa com França?

PCPaulo Calçade

Gugu Gureia, você come uma paella.

?Voz F

Gugu Gureia, você bebe uma estreia. Alan, templa!

MRMarcela Rafael

Gracias, gracias, gracias. Eles são, eles estão apressados porque eles vão pegar agora um ônibus. Agora olha a minha situação na chuva que começa aqui em Dallas. E isso é Dallas, tava sol, 40 graus, de uma hora para outra começa a chover. E pelo menos a gente encontrou alguns cucureias fazendo a música do cucureia, que foi muito bem hoje, realmente. Viva a França! É, não é bem, não é bem o viva a França, talvez pela queda da Bastilha, né?

Porque hoje é o dia que eles comemoram a Revolução Francesa. Alguns torcedores da Espanha também estavam lembrando isso. Mas é isso, a festa tá muito, mas muito legal. A gente tá aqui do lado de fora, então os torcedores E estão saindo aos poucos. A gente tem conversado com eles aos poucos, mas agora a gente vai se proteger da chuva, vai conversar com mais torcedores. Mas é uma Espanha na final e veremos quem é que vai estar nessa final, Argentina ou Inglaterra. Volto com você, Willian.

?Voz F

Só dizer, Marcela, Rafael, que quem acompanha o podcast Futebol no Mundo já não aguenta mais o Gustavo Hoffman cantando essa musiquinha do Cucurê, com ou sem a peruca do Cucurê? Não, sem a peruca, porque ele é um cara sério, né?

?Voz A

Assim que tiver, eu tenho certeza que ele coloca. Intervalinho e a gente volta já já. Marcelo Rafael deu a letra aí, a gente vai falar de Inglaterra e Argentina na volta, com outro comentarista maravilhoso, incrível, maravilhoso.

PCPaulo Calçade

A gente volta já.

?Voz A

Voltando com o nosso Linha de Passe, porque amanhã é dia de Inglaterra e Argentina. Faltam só 3 jogos para acabar a Copa do Mundo, hein? Esse de semifinal, disputa do terceiro lugar e a final. E você vê todos esses jogos ao vivo na Kazé TV, no Disney Plus, aquela cobertura completa que você se acostumou aí nos últimos 34, 35 dias, mais ou menos, né?

?Voz B

E o Renato Neves fala que a França encontrou o seu Sarriá. Ah, forte!

?Voz A

Aliás, aliás, esse era um tema que tanta coisa que a gente foi falando aqui, né? Quem sabe nos próximos programas aí a gente pode— vai ter quinta-feira, sexta-feira que não tem jogo e tal, a gente pode abrir pauta para essa conversa. Mário Marra, o comentarista maravilhoso. Argentina e Inglaterra para você. Tudo bem, melhor agora com você aqui no programa. E a pergunta para a gente começar o nosso papo é a seguinte: na coletiva foi perguntado para o Scaloni sobre essa rivalidade, né, essa coisa extracampo e tudo.

Ele falou: não, isso é um jogo de futebol, é um jogo de futebol, é ali nas 4 linhas e tal. Eu te pergunto: essa rivalidade histórica, o Scaloni pode tentar afastar, mas ela vai entrar em campo, meu amigo? Tudo bem com você?

MMMário Marra

Fala, William, prazer estar com você, com os companheiros Jean Ode, Paulo Sade, Jailson e também Vitor Birner. E o Fandesportes também deixa aquele abraço. William, eu acho que se a Argentina vencer, essa vai ser uma das músicas puxadas pelos jogadores. Inclusive, acho que o técnico tá fazendo o papel dele para não subir muito o volume, né, disso. Mas acho que, acho que pode entrar em campo. Eu não sei, porque dá algum desequilíbrio também você ficar pensando muito nisso.

Mas eu acho que essa é uma conversa, talvez não no grupo de WhatsApp com o Scaloni, mas naquele outro grupo de WhatsApp que não tem o Scaloni. Porque não sei se você sabe, a gente tem aqui um grupo de WhatsApp do Linha com você e tem um grupo do WhatsApp sem você.

?Voz A

Não tem problema, não tem problema. Por isso que eu pego o celular do Birner para ver o que estão falando de mim no outro grupo.

PCPaulo Calçade

Aí eu não conheço esse grupo não, eu tô sempre ligado.

?Voz A

Não tira da reta não, sou o primeiro ali a falar, eu já vi, sou o primeiro a falar.

?Voz B

Administrador do grupo, administrador do grupo, sou a pessoa mais atuante nos comentários dos grupos.

?Voz A

Nossa, só para você, doce ironia do Vitor Birner, né? O Vitor Birner, eu mando mensagem para ele de Feliz Natal, ele me responde no Carnaval. Fala, mas eu leio, leio e agradeço.

MMMário Marra

A entrevista Seriam duas entrevistas, né, duas entrevistas uma atrás da outra. Primeira, Thomas Tuchel, logo depois Scaloni. As entrevistas foram atrasadas pelo menos 30 minutos. Tenho certeza que os dois também devem estar reunidos e pensando assim: caramba, se eles perguntarem para gente sobre essa seleção da Espanha, nós estamos ferrados, né? Porque que espetáculo, né? Como vocês terminaram de falar, eu acho que a seleção da Espanha deve ser um dos um dos problemas, ou talvez um dos motivos do atraso das duas coletivas.

William, é claro que é um jogo que tem muita coisa envolvida, né, muita história no passado, muita história em Copa, muita história política também envolvida. Desde 66, né, tinha também lá no passado também quando o Ratinho sai expulso, né, e pega a bandeira da Inglaterra. Depois disso tem muito problema, né, o da França e técnico da seleção da Inglaterra, fala que os sul-americanos eram animais. Isso já tem tanto tempo, isso acaba se reproduzindo, isso acaba virando tema.

Várias matérias trouxeram isso de volta nos últimos dias. Mas eu sinceramente, depois do que a gente viu, né, vocês estavam falando aí agora, eu também vi antes, depois do que a gente viu, uau, né? Acho que a Espanha se coloca de um jeito que, ok, estar na final é maravilhoso, todo mundo tem chance de vencer, mas Inglaterra e Argentina vão ter que jogar mais. Acho que já tinham mesmo, que já teriam que jogar mais pelo que vem apresentando na Copa.

Inglaterra vai ter que jogar mais, Argentina vai ter que jogar mais. Hoje de manhã o Jean tava junto no Futebol no Mundo, no podcast, começou a surgir um papo da Argentina jogar com 3 zagueiros, com Otamendi no meio da zaga, com Lisandro de um lado, Couto Romero do outro, de ter possibilidades também no treino. Foram trocados os laterais, mantendo Paredes, mantendo Mac Allister, mantendo Enzo. E na Inglaterra muito tem se falado também do Morgan Rodgers entrar em campo.

O jogo já começou, o jogo entre eles amanhã já começou. Os treinamentos parece que tem sido bons, com boas ideias dos técnicos. Já não vejo a hora.

?Voz E

Tava falando hoje de manhã com Pedro ao vivo, que ele participou com a gente no Esporte Center, e ele falou que lá nasceu justamente isso que o Marra acabou de trazer, uma possibilidade de um 5-3-2. E aí cairia o Depay na teoria, é, o Molina, Romero também deslizando, Itália, Fico, Enzo, Paredes e Mac Allister, e o Julian Álvarez e o Messi. E aí eu lembrei daquela imagem que viralizou, né, do Paredes conversando com o Scaloni, que o— tava a Suíça, tava fechando a linha de passe dele e ele precisava que algum zagueiro tivesse atrás dele. Ele falou, mas você quer que eu faça o quê? Vamos trocar?

?Voz F

Não, eu preciso que você coloque mais um zagueiro.

?Voz E

E o Scaloni, mais um zagueiro? Preciso que coloque mais um zagueiro. Coloca mais um zagueiro. Aí foi quando entra o Otamendi. E aí o Paredes, né, tem um pouco mais de segurança. Confiança para fazer as saídas de bola. Talvez já seja um receio, que algo que eu percebi contra a Suíça, que eu acredito a Inglaterra possa tentar explorar, que é o seguinte: o Messi não faz sombra, né? E a gente acabou de falar sobre uma aula de meio-campo, de uma dominação no meio-campo.

A Argentina, para fazer frente aos adversários nessa Copa, ela precisa da posse da bola. E é, a Argentina avança em O que que aconteceu contra a Suíça, ao meu ver? O Xhaka pegou esse espaço que o Messi não faz a sombra e fez a Suíça jogar, principalmente com o Ndoye lá pelo lado esquerdo. Então talvez o Scaloni já esteja prevendo essa possibilidade de perder e fazer uma mescla ali, né, com 3 jogadores na linha de defesa para tentar, mesmo com inferioridade numérica, às vezes subir um pouco um desses terceiros zagueiros, Otamendi, o Romero, o próprio Martínez, que sai muito bem, para tentar ao menos cobrir a ausência do Messi nessa primeira linha de marcação.

?Voz F

É, eu acho que assim faz sentido por várias razões. A primeira das razões é a mais simples: Argentina aparentemente precisa mudar, precisa fazer alguma coisa, porque jogando o que jogou e defensivamente frágil como que foi nos últimos jogos contra a Inglaterra, ela dificilmente aguenta. Outra razão: o Depay tá muito mal, o Depay tá muito abaixo. Quer dizer, você precisa tirá-lo, e você vai tirá-lo para colocar quem? Você vai pôr o Almada?

Você vai deixar o time mais ofensivo no jogo contra a Inglaterra? Então, nesse aspecto, também é interessante. Outra boa razão: na hora que você coloca um terceiro zagueiro, né, e o Marra até falava para a gente de é que o normal é que ele comece com os laterais de sempre, Tagliafico e Molina, mas também na hora que você quiser deixar o time mais ofensivo, você tem a opção de colocar o Juliano Simeone de um lado, Nico do outro.

Então você ganha uma alternativa ofensiva maior. Então são, acho que são vários, vários bons motivos, várias boas argumentações para que ele faça essa mudança. Muito bem lembrado pelo Jailson, porque eu tinha esquecido do Paredes falando tudo que ele falou. Então é uma lembrança realmente muito boa do Jailson, porque foi um pedido do Paredes naquela prorrogação. A única questão é, nós estamos falando de um zagueiro que é um veterano, é um zagueiro de 38 anos.

Eu chamei atenção já aqui umas 2, 3 vezes que a diferença média de idade da Argentina em relação à Inglaterra é de 4 anos a mais, né, 30 e meio a 36 e meio. Então é muita coisa, é uma Copa a mais. Exatamente. Então é uma média de idade muito maior. Já tem um jogador de 39 anos, embora esse jogador seja o Messi. Você vai ter um outro de 38, que claro, o zagueiro precisa se movimentar menos, não é, não é essencial que ele, que ele se movimente o tempo todo.

Mas é, ele vai, ou também a gente vai fazer. Eu acho que assim, nos prós e contras Eu acho que seria uma boa. E a outra, olhar para Argentina também, na Argentina, para as bolas aéreas da Inglaterra, né?

PCPaulo Calçade

Fala, Marinha.

MMMário Marra

Não, é isso que eu ia falar, é isso aí que o Jean destacou, né? Dos 4 semifinalistas, a Inglaterra é que mais fez gols de cabeça. E dos 4 finalistas, quem menos ganha o chamado duelo aéreo é Argentina. Então também, né, é preciso destacar isso, né. De repente você perde um jogo, uma chance de ir para uma final porque faltou um zagueiro para ganhar lá no alto, né. E o Otamendi, por mais que tenha idade, a gente sabe que ele intimida, né. É um jogador que ganha bola alta. Era só isso, só um complemento mesmo.

?Voz B

Eu acho que tem toda lógica também, como disse o Jean, com alguns prós e contras. Por exemplo, para mim, fora o Messi, o Lisandro Martínez é o melhor jogador da seleção argentina na Copa do Mundo. Só que ele é um zagueiro baixo, se posiciona bem. Eu lembro sempre do Cannavaro quando fala de zagueiro baixo, ganhando a Copa do Mundo pela Itália, mas pulando 2 metros e meio. Exatamente, impressionante. Por isso que eu penso um pouco quando fala assim.

Mas de qualquer jeito, sem o Depay, com trio meio-campo, Argentina vai abrir mão de um pouco de controle com bola que ela costuma ter. Ela chama a Inglaterra um pouco mais, acredita que com o terceiro zagueiro reforça a jogada aérea. Eu acho que protege Também bastante o Nahuel Molina, que para mim é um lateral que tá um pouco abaixo também do lado direito. Ou seja, você tem um zagueiro para fazer a sobra do lateral. E chamando a Inglaterra, você cria espaço para o contra-ataque.

O Julián Álvarez vai ajudar um pouco na recomposição como um quarto jogador de meio-campo. Aí ele tem muito mais lógica jogar com ele do que com o Lautaro jogando com 3 jogadores. E também vai ser acionado no contra-ataque junto com o Messi. É uma ideia, é uma ideia, já que a Argentina não consegue se impor contra ninguém, chegou se arrastando. Nessa fase da Copa do Mundo é preciso mudar. O De Paul não tá rendendo, você abre mão do controle.

Acho que você não perde a personalidade forte do time, que você mantém alguns pilares importantes da equipe, e acha um jeito de tentar melhorar sua equipe para enfrentar um time que vem jogando mais, apesar de não ser tão consistente quanto algumas pessoas dizem, que é a Inglaterra.

?Voz A

É, então assim, a campanha na Inglaterra também não tem apresentado um futebol que você, ó, que futebol tá apresentando na Inglaterra.

PCPaulo Calçade

Argentina.

?Voz A

Esse é o ponto, é mais time que Argentina.

PCPaulo Calçade

É, o que tem Argentina é, Argentina é um time em relação à Inglaterra mais baixo, é 1 metro. O time médio, a altura média do time que pode jogar é 1,84, Argentina 1,78. E aí você, ah, mas qual é a diferença? A diferença é que em algumas, os mais altos numa bola parada, essa média vai lá para cima contra Argentina, que não consegue ter jogadores assim.

?Voz B

Você às vezes coloca um terceiro zagueiro e se eles não tiverem muito entrosados, isso pode atrapalhar.

PCPaulo Calçade

Não é a forma de jogar. Normal jogar da Argentina. Agora, tem um, assim, faz muito sentido o seguinte: você muda um jogador na equipe, um. Saiu Paredes, o Paredes, saiu o Depay e entra, porque a Argentina tinha um quarteto no meio, né? E essa foi a forma que ele foi desenvolvendo e acabou adotando. Ele tira o Almada, entra o Paredes, fica Paredes, Depo, Enzo e McAllister. Ficam os 3 no centro, né? Paredes, McAllister, Enzo. E ele ganha mais um zagueiro, cara, te permite os laterais subirem, que não são laterais Não é que você tem um Cafu e um Roberto Carlos ali, né?

Eles são bem limitados, até por isso é melhor proteger a defesa. Mas esses caras podem jogar numa altura média no meio de campo, então o meio de campo não vai sentir falta de perder um jogador porque ele vai ter dois nessa, nesta faixa do gramado. Porque a Argentina, com esta formação ou a outra, lá na frente é só Messi. É, não é que você tá tirando um atacante e tal. Então é o seguinte, ele vai taticamente preencher os espaços de uma forma diferente, teoricamente mais equilibrada.

Sobe lateral, baixa lateral, e no meio de campo ainda você vai ter 3 caras, né? 3 caras podendo, dependendo da configuração na Inglaterra, pode ser com lateral, né?

?Voz F

Você pode fazer uma linha de 4, lateral um pouquinho mais adiantado, e você mantém 2 linhas de 4 E acho que o que é legal é a possibilidade, porque assim, a Argentina do jeito que jogava não tinha como você colocar os pontas, vamos dizer. Embora o Nico tenha entrado em vários jogos, ele não é exatamente esse jogador. Mas você falou várias vezes, né, Calçadura, né, várias vezes. É, então, não, mas o que eu quero dizer assim, o Calçadura falou aqui várias vezes sobre o Giuliano Simeone, que não era utilizado.

E eu sempre parei para pensar, mas realmente Como que você vai colocar o Juliano Simeone nesse time? É difícil, porque vai ficar um cara lá isolado correndo.

PCPaulo Calçade

É muito específico.

?Voz F

Agora, no momento em que você joga com 3 zagueiros, eventualmente essa possibilidade de mudança, de ter caras que atacam pelas beiradas, ela passa a aparecer.

PCPaulo Calçade

Por exemplo, a Inglaterra tá ganhando o jogo, a Inglaterra tá ganhando o jogo. Você tem que, aquele momento de ou aceita a derrota ou tenta empatar. Você pode colocar Juliano Simeone e o Nico nas laterais, você passa a ser muito agressivo. E o Juliano Simeone é um leão para voltar. Então você, se der vacilar, ele já chegou. Então eu vejo essa formação para o segundo tempo numa situação de necessidade preocupante. Agora, veja, é neste movimento de de semifinais, você tem uma Espanha que foi do jeito dela, né, inclusive mantendo Dani Olmo e tal.

A França que não mudou, foi do jeito dela. A Inglaterra não acredito que vai mudar. E Argentina tá dando um passo atrás. Ela precisa, porque nítido que Argentina chegou no limite, né, tá no limite. Isso não quer dizer que ela não vai passar, acho as chances pequenas, mas é preciso dar um passo atrás para pelo menos empurrar o jogo e sentir o que dá para fazer. Agora, Messi e Julián Álvarez, cara, pode ser muito pouco para o time da Argentina.

Você vai precisar muito de Mac Allister, chegou 2 jogadores, o Enzo. Vai ser, vai ser ótimo, vai ser legal demais esse jogo.

?Voz A

Fala, Mário Mahá.

MMMário Marra

É muito, não, é que é muito legal participar do programa porque assim, é muito isso, né? Eu ia falar que aí da, de mudança no time, o Jean falou, e eu ia falar disso também assim, da possibilidade de 2 jogadores que são jogadores de Premier League, né, como Enzo, como Enzo e Mac Allister, que chegam muito na área, né. O Enzo definiu o jogo há 2 rodadas, ele definiu o jogo. Mac Allister fez o primeiro gol no jogo contra a Suíça.

E são jogadores que são fortes de meio-campo. É aquela história, William, você precisa de quê?

?Voz E

Qual é a demanda do jogo?

MMMário Marra

É um volante? O Mac Allister compra a roupa de volante e vira volante. O Enzo também. Você tá precisando de quê? É para chegar na área para surpreender o adversário? Os dois fazem. Então assim, eu acho que tem, tem essa situação. Você pode chegar com um bom número de jogadores ao ataque, talvez ou Enzo ou Mac Allister. Acho difícil os dois juntos, né, em momento do jogo, se o jogo tiver 0 a 0, né? E você ainda tem solidez defensiva com 3 zagueiros e 2 laterais que não vão subir tanto.

?Voz E

Só um minutinho, gente.

?Voz A

Não, não, segue, que daqui a pouco eu pego uma imagem de torcedores, mas já já. Pode falar, pode falar.

?Voz E

Eu só vou pegar o gancho que o Marra falou, porque o Mac Allister e o Enzo, eles já trocaram de função, inclusive, né, nessa Copa do Mundo. Teve o primeiro jogo, o Enzo começa como 5 e o Mac Allister um pouco mais à frente. Depois eles faz a inversão, Mac Allister desce como 5, Enzo avança um pouco. Só que o que eu queria falar sobre a troca do Scaloni, talvez seja o receio, 3 coisas, né, na verdade. É o Kane, quando ele sai, ele arrasta a marcação, e o Bellingham tem entrado nas costas dele, tem feito um gol atrás do outro assim.

Então talvez ele já esteja com receio de arrastar um zagueiro com ele, não ter cobertura. Então na teoria ele já tá tentando se precaver com 2 zagueiros para fazer essa cobertura. E tem um outro ponto que são os dois pontas da Inglaterra, né, que no caso seja o Saka ou Madueke por lá, ou Gordon, porque o Gordon não vai sair. O Gordon pelo lado esquerdo e o O'Reilly, né? É, mas é porque a questão física do Madueke, né, do Saka quer dizer, então o Madueke foi ficando por ali.

Mas assim, tipo em qualquer um, e coloca lá O O'Reilly, que é o lateral esquerdo do City, que ele faz isso, ele tem 1,92, então ele faz muito isso de chegar, pisar a diagonal e chegar na área também para cruzamento. O que eu acho que o Scaloni deve estar pensando também, quando o time, além de já estar envelhecido, como o Jean falou, 4 anos, né, uma Copa à frente, quando o time da Argentina tinha que correr para trás, principalmente no losango, eles tinham que ajeitar ali, né, tava no losango, aí o Depay tinha que ir para o lado direito para marcar o lateral ou ponta da equipe adversária, e o Enzo Mac Allister, a mesma coisa do outro lado, eu acho que ele já tá fazendo uma precaução.

Vou fazer o seguinte, deixa eu colocar 3 jogadores centralizados, deixa eu botar meus 2 laterais, vocês 2 vão marcar os 2 pontas dos caras. E aí os 2 laterais que vierem por dentro, vocês vêm embolando, né? Os 2 meias da Argentina viriam embolando, seja o Enzo Fernández ou seja o Mac Allister. Eu acho que já, talvez já seja uma preocupação do Astrológico.

PCPaulo Calçade

Acho que faz muito sentido você nos— toda a questão tática do jogo, pensando na Inglaterra, pensando em como minimizar os efeitos da Inglaterra, os virtudes, e como também a Argentina fazer algo que ela não conseguiu fazer na Copa ainda, faz, justifica a entrada do terceiro zagueiro liberando os laterais. Mesmo não sendo laterais fantásticos. Por quê? Vai defensivamente, você vai poder filtrar mais os cruzamentos da Inglaterra, interferir mais nos cruzamentos, não ficar tão vulnerável.

Isso não quer dizer que a Inglaterra não vai cruzar, mas então se você diminuir a quantidade de bolas que a Inglaterra alcança o Kane por cima, é melhor, né? Então você tem os laterais, pode ajudar muito. Ofensivamente falando, qual foi para mim o grande problema da Argentina na Copa? Não ter ocupado os lados. Não ocupa o lado. Você tem o Depay do lado direito, que é o que é o Depay, um ponta? Não, ele é um volante. Então, volante do lado direito, ele não tem a parte ofensiva do jogo do Depay, é quase zero.

?Voz B

Dinâmica tá baixa.

PCPaulo Calçade

O lado esquerdo, você vai, passa, pode passar o Enzo ali e tal também. Não é um jogador, não estamos falando de jogador que vai para o fundo. Imaginando a Argentina com a posse de bola, tem 3 zagueiros adiantados, Argentina 3 zagueiros, Paredes tem 4, mas o goleiro 5. Você vai atacar, tá bom, com 6. Você pode ter os 2, Enzo e McAllister, um Messi e um Leão Álvarez. Esse é o centro. E com os laterais dando apoio. É importante ter um apoio nas laterais para rodar a bola, para tentar entrar na defesa inglesa.

Faz todo sentido. Questão é a confiança no Otamendi, com a idade que tem. Todo esse projeto é lindo e maravilhoso, só que os laterais não são fantásticos.

?Voz A

Mas essa é a Argentina que chegou para Copa, cara, e que chegou até aqui, né? A gente tá encaminhando para o final do programa. Amarra só uma coisa aqui, porque a Inglaterra ela já passou por um ambiente hostil nessa, nessa Copa, que foi jogar no Azteca contra o México. Então torcida toda contra, ou maior parte avassaladora assim contra, e num jogo onde perdeu jogador e tal, expulso tudo. A gente tá mostrando aqui, ó, é o torcedor, o torcedor argentino que tá fazendo uma festa durante todos esses dias, nessa expectativa para o jogo, tem uma mobilização assim que a gente sabe que eles são incríveis, eles são fantásticos nesse tipo de coisa.

E eu não lembro se foi você, Marra, ou se foi o Zuca, que numa das entradas aqui no Linha falou, olha, o primeiro jogo que ele foi ver da Copa com Argentina, e já tinha visto outros jogos, falou assim, olha, hoje eu senti o estádio tremer. Foi o Zuca, né? Hoje eu senti o barulho, eu já senti o estádio realmente tremer, e foi o jogo da Argentina. Eu te pergunto, a Inglaterra, mediante jogo contra o México, já está vacinada contra esse tipo de coisa?

Ou até a gente tá vendo as imagens aí, não sei se você tem retorno, Mário Marra, se isso aí é o combustível a mais, é que essa Argentina que já vem do jeito que vem na Copa precisa e pode fazer alguma diferença.

MMMário Marra

Mas, Willian, eu vou te falar, vai ter muito inglês, tá?

?Voz A

Tá. Eu já tive um jogo da Inglaterra aqui contra uma maioria argentina, ou pau a pau?

MMMário Marra

Não, maioria argentina, mas muito inglês, e muito inglês barulhento. Teve inglês que tentou morder o microfone do Mendel, né? Ou seja, ele não tava só barulhento, ele tava também assistindo um pouco, né?

?Voz A

É um Luizito Soares inglês.

MMMário Marra

Isso, isso. Então vai ter muito inglês. Já tive aqui no jogo da Inglaterra contra a República Democrática do Congo. Eu acho que vão para fazer barulho. Eu acho que o jogo do Azteca mudou a Copa da Inglaterra. A Inglaterra se tornou uma seleção diferente, vestiário mais unido, um time mais competitivo depois do jogo do Azteca.

PCPaulo Calçade

Eu acho que o Azteca mostrou para a Inglaterra o seguinte: Se tem um caminho, é esse aqui, tá? Se você desviar deste caminho, você vai se dar mal. Que foi um caminho de participação absurda coletiva, de ambiente, cara. E eles vão encontrar um estádio, acho que pior até, porque sabe que cada argentino aqui faz barulho por 2 mexicanos, né?

?Voz A

É verdade, eles são bons. Ele, olha, de tirar o chapéu.

?Voz B

Eu só espero que não tenham brigas também, também, sem dúvida. É isso aí, por conta da rivalidade, tem mobilização da polícia de Atlanta, tá? Ainda bem que tem essa conexão com outras questões além do futebol. Eu conversava ontem com um amigo inglês, inglês mesmo, mora aqui no Brasil, mas formado em Londres e um pouco mais velho que eu. E ele, eu perguntei para ele, mas os ingleses ainda sentem rivalidade por causa dessa questão das Malvinas?

Ele falou, só os mais velhos, mas os argentinos todos ainda têm. Sim, tá. Então assim, eu espero que qualquer idade que seja decidido no futebol, que seja decidido em campo, que fique tudo em paz, que vença quem for melhor, tiver mais sorte, e que arbitragem seja perfeita.

?Voz A

Perfeito. Mário Marro, beijo.

PCPaulo Calçade

Amanhã será um teste para polícia.

?Voz F

Isso.

?Voz A

Beijos. Terminando o nosso dia de paz. Amanhã tem mais após Inglaterra e Argentina.

?Voz B

Saudade, paz a todos e a todas.

?Voz A

Valeu, valeu, gente!

Espanha anula 'quarteto estrelado', vence a França e volta a uma final de Copa do Mundo após 16 anos - Linha de Passe | Castnews Index — Castnews Index