Qualidade dos jogos da Copa do Brasil liga alerta para o futebol nacional? - Linha de Passe
Nesta segunda-feira (3), nossos comentaristas repercutiram as partidas de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Em destaque, a qualidade dos jogos e os desafios para o futuro. O futebol brasileiro está deixando a desejar? Vem com a gente!
Learn more about your ad choices. Visit podcastchoices.com/adchoices
- Problemas de ArbitragemNotas oficiais · Pressão sobre árbitros · VAR · CBF
- Indústria de Jogos· TecnologiaCopa do Brasil · Futebol brasileiro · Nível técnico · Competitividade vs. Qualidade
- Gestão no Futebol· EsportesNarrativas de redes sociais · Dirigentes · Jogadores · Técnicos · Intimidação
- Campeonato Brasileiro de Futebol· EsportesBase · Gramados · Credibilidade interna · Corrupção
- Julgamentos STJD· EsportesDecisões de campo · Cartões amarelos · Efeito suspensivo · Maurício
- Interação de regras de jogoGol qualificado fora de casa · CONMEBOL · Arbitragem e decisões assistidas
Fã de esportes, que bom ter você com a gente! Tá aqui o seu presente para começar a semana feliz, sorridente. Jean Odis está de volta e fecha aqui no Jean Odis, olha só. Moreno alto, bonito e sensual. Voltou nessa versão, tá?
Dos lençóis Maranhenses.
Melhor do que aquele que você...
Não, Moreno alto, bonito e sensual. Só elogio.
Liga, só elogio.
Você começa com moral lá em cima. Obrigado. Lá em cima.
Muitos corações no nosso chat.
Pela generosidade.
Muita alegria com o seu retorno. As pessoas realmente felizes com você aqui de volta, viu?
Um beijo pra você.
Não sei se consigo ficar de bom humor também. Não, tô muito feliz.
Mesmo com o assunto de hoje?
Não, tô... Mas isso a gente já sabia que ia ter que lidar com isso depois da Copa do Mundo.
Ah, futebol brasileiro! Temos Vitor Birner, temos Paulo Calçade, igualmente importantes, mas a gente não viu Jean Odi há muito tempo.
Muito tempo. Uma semana é muita cara de pau, né? É que a gente não consegue mais perceber quando uma começa e a outra termina.
Exatamente, eu não sei.
Eu acho que a quantidade de tempo depende do tamanho do seu afeto por quem você não vê.
Viu só? Então meu afeto é gigante, porque pra mim é muito tempo.
Muito tempo.
Muito bem. Vamos para o intervalo. Linha de Passe volta já já. Tá divertido, mas daqui a pouco a gente vai pros jogos oficiais.
Acabou a diversão aqui. A diversão vai acabar quando a gente começar a falar dos jogos do final de semana. Ô tristeza, viu? Meu Deus do céu.
Tá no YouTube aí já?
Tô no YouTube. Então vamos embora.
Os melhores momentos demoram 20 segundos.
É rapidinho.
O editor de melhores momentos praticamente fungou nesse final de semana.
Fungou, filha da puta. Negócio terrível. Foi pus na história.
Muito bem. Primeiro bloco foi divertido, foi legal, foi de boas-vindas. Bons assuntos, né?
Agora vamos lá.
Você, meu amigo, minha amiga, não só torcedor dos clubes envolvidos na Copa do Brasil que jogaram neste final de semana, tem jogo rolando inclusive agora, não só os torcedores, mas também aqueles que gostam de futebol, acompanha ou torce para secar o adversário porque gosta de ver bola rolando. A gente gosta. Você sofreu esse final de semana, né? Porque realmente o nível dos jogos foi bem triste. Os de sábado então, meu Deus do céu, complicado.
E nesse Linha de Passe a gente vai tratar da qualidade dos jogos e num segundo momento, lá no outro bloco, a gente vai falar um pouco sobre essas polêmicas de novo, dirigente falando de arbitragem, se colocando, aquelas conversas que voltaram à tona e meu Deus do céu, é só atrapalho, não levam a lugar nenhum, mas elas estão aí, tem que ser discutidas.
Estão relacionadas.
Estão relacionadas. Vamos começar esse programa falando da qualidade do jogo, depois a gente vai falar da arbitragem, a gente conecta, mas vamos começar falando da qualidade do jogo. Na opinião de vocês, vou começar ali pelo Calçade, a gente vai girando. Por que este final de semana foi de sangrar os olhos? Boa noite.
Bom, olá, boa noite. Tem sido assim, né? Nós temos, na verdade, se a gente olhar para qualidade, a gente tem raros momentos, temos algumas ilhas de qualidade no futebol brasileiro. O geral é, ele é frágil mesmo na qualidade. Ela não é algo que realmente impressione. Uma coisa é ser competitivo, você pode competir muito sem nenhuma qualidade e vira um pouco disso que a gente viu. E aí a gente pode aprofundar, que tem a ver com aquele segundo tema, e a gente trata depois, mas eles estão interligados.
Porque, cara, acabou esse final de semana que você citou, quando a gente fala em qualidade, foi ruim, ele terminou com uma pancadaria, é um festival de notas.
Exatamente.
Notas de repúdio, notas para cá, para lá, é essa nova profissão, né? Você é notas, né? Mas bem que inteligência artificial pode fazer isso muito bem, que ela já tá bem treinada, né? Tanta nota. Mas, cara, tem um monte de arquivo lá. Você não vê, você viu algum dirigente na tela falando da qualidade dos jogos?
Nenhum, né?
Não.
Só reclama daqui, reclama de lá, aquele é beneficiado, aqui tem um cotovelo, ali não tem, mas teve um igual, o outro parecido e tal. Então, assim, esta geração, eu não consigo separar os temas porque eles estão interligados. A falta de qualidade é também resultado desta geração que dirige o futebol e que se preocupa muito pouco ou nada com a qualidade do jogo. Eles se preocupam, obviamente, em ganhar. Mas ganhar por um caminho sem qualidade, e aí fica muito mais difícil.
Quando você tem qualidade no seu jogo, e qualidade é um conceito muito amplo, não é só aquilo, é o resumo de tudo, é aquilo que você vê dentro de campo. Mas para chegar dentro de campo, você tem que ter muita qualidade fora de campo, todas as suas ações.
Claro.
E aí que entra essas pessoas que dirigem o futebol, né? E elas não estão preocupadas. Eu falo isso tranquilo porque esse é um tema que a gente trata muitos anos aqui no Linha de Passe. A gente, quantas vezes a gente já falou aqui que ninguém trata do tema da qualidade? É qualidade dos gramados, de vez em quando alguém reclama, mas não conserta. E é generalizado, generalizado.
Aí vira briga entre o sintético, aí vira briga.
Aí nós vamos para um lado, aí eles vão para um terreno que eles gostam, que é da briga, da polarização, para não resolver nada. E às vezes, geralmente, em alguns momentos, quando as equipes estão com rendimento inferior, sem qualidade, compensa falar de outras coisas.
Ah, aí fala de contratação, fala do problema do outro, a pobreza.
O time tá assim, ó, pá, baixa, tira o foco, tira o foco. E as pessoas caem, né? Porque assim, cara, eu sei que a gente, nós estamos aqui com uma ideia de programa, mas cada um tá pensando só no seu. É, o meu foi prejudicado, sempre o seu é prejudicado, nunca, né? Ninguém consegue olhar de uma forma mais ampla e falar, pô, isso aí tá ruim, tá ruim para todo mundo. O meu é o mais roubado, o outro é o maior beneficiado, todo mundo, né?
Olha só por essa perspectiva. Então é impossível melhorar, é impossível. A gente vai ter que aceitar a falta de qualidade. Por quê? Porque quem está envolvido nisso, com ferramentas para melhorar a qualidade, Não quer fazer nada.
A gente vai trazer na próxima parte do programa, inclusive, trechos dessa discussão para ilustrar e a gente vai aprofundar mais, mas a gente traz esses trechos também do que aconteceu.
O sistema é assim, você não consegue separar um tema do outro.
É difícil.
Porque aquelas pessoas que poderiam mudar não querem.
Mas a gente concentra um pouquinho mais a questão da arbitragem para lá, mas tem tudo a ver, tem razão. Birner. Olhando ali para o campo, é o retorno de Copa do Mundo, envolve questão física, ainda não estão adequadamente na parte física para jogar, é falta qualidade individual mesmo. São equipes que a gente olha assim e fala, pô, as equipes envolvidas na Copa do Brasil, vamos lá, Vasco tá brigando para não cair, não tem um elenco de grande qualidade.
Santos tá brigando para não cair. Tem um elenco um pouquinho melhor, mas também não tá demonstrando isso. Remo tá brigando para não cair, Chapecoense tá brigando para não cair, nem tá brigando, Fortaleza nem tá brigando, já foi, né? Fortaleza tá na Série B, Juventude tá na série, e olha que ainda jogou decentemente contra o Atlético Mineiro, o Juventude foi bom, segundo tempo foi bom da Juventude, mas é um time de Série B. Tem a ver com o nível das equipes?
Tem a ver com o fato de, olha, Tá voltando de Copa do Mundo, ainda tem pouco tempo da volta, fisicamente ainda não tá ok, taticamente ainda não se acertou, é como se tivesse começando tudo de novo. Olhando os jogos, você fez esse exercício assim como eu fiz também, sofremos. O que que você aponta ali que fala, pô, tá aqui o problema, ou esses são os problemas?
Bom, agora boa noite a você, Jean Calçade, aos fãs do esporte. Olha, eu não tenho a resposta exata, tá? Eu tenho algumas hipóteses apenas. Por que os jogos do Campeonato Brasileiro depois da Copa do Mundo foram na maioria melhores que a maioria dos jogos da Copa do Brasil?
Boa pergunta.
Talvez por ser um mata-mata e por ser o primeiro jogo do mata-mata, né? Muita gente é contra. A gente vai entrar nessa, nesse assunto depois.
Isso é bom.
Uma mudança de regra que eu não gostei. Eu gosto do gol qualificado fora de casa, eu também, porque ele permite estratégias, né? Ele permite que um time, por exemplo, jogue fechado o primeiro jogo fora de casa, como costuma fazer, e se aposte, por exemplo, no empate fora de casa com gol no erro do adversário, como fez o Palmeiras do Abel, por exemplo, contra o Atlético Mineiro, que era inferior. E assim Passou de fase na Copa Libertadores e foi campeão.
Isso é estratégia, isso pertence ao jogo. Então eu acho que por mais que isso torne os jogos mais truncados, ele também torna os jogos mais tensos. E o que eu quero no mata-mata? Tensão. É, eu quero jogo cardíaco. E os jogos não foram. Para mim essa é a questão. Eles foram— o jogo do Vasco e Fluminense para mim um pouco melhor. O Juventude e Atlético, quando o Juventude cresce um pouco no segundo tempo, foi interessante. O Santos não fez gol porque falhou na finalização e até teve um pouco de azar, mesmo não tendo uma atuação tão boa assim, mas ele é melhor que o Remo.
O Remo fez a parte dele. Então eu acho que tem um pouco de tudo, tá? O caráter do jogo por ser mata-mata. E acho que também uma coisa que é do Sport, uma, posso estar sendo até positivamente ingênuo, tá? Uma sequência de atuações mais infelizes, principalmente de quem tem que dar o último passe. Quem tem que finalizar todas somadas na Copa do Brasil numa rodada só. Eu acho que o futebol brasileiro fica abaixo do que ele pode, mas ele é melhor do que foi essa rodada da Copa do Brasil, consideravelmente melhor.
O Jean, você que tá com a mente tranquila, sossegada, voltando do seu descanso, começa a ficar nervoso agora. Ele vai começar a ver os brasileiros, vai ficar irritado. O Jean, você acha que a gente tá exagerando, tá cobrando demais no momento que não dá para cobrar muito, ou a cobrança faz todo sentido?
Tudo bem, William? Boa noite a você, a todos. Não, eu acho que a cobrança ela faz sentido porque ela não se aplica só a essa rodada da Copa do Brasil. Eu concordo muito com o que o Birner falou em relação ao primeiro jogo do mata-mata, e por isso eu acho o problema do futebol brasileiro não são fórmulas de campeonatos, porque a gente tem todas as fórmulas, a gente tem mata-mata para quem gosta de mata-mata num campeonato que vale muito como é a Copa do Brasil, a gente tem um campeonato por pontos corridos que vale muito, que é o Brasileirão.
Então, fórmula de campeonato não é o problema, na minha visão. Qualidade técnica de jogador não é o problema, na minha visão. A gente tem muito jogador de alto nível. Acho que até a qualidade dos técnicos, que já foi um problema do futebol brasileiro, hoje a gente não pode apontar o dedo para isso e dizer, ah, o problema são os técnicos. Porque na média acho que a gente tem bons técnicos, muito graças, claro, à presença dos estrangeiros por aqui.
Então eu, se tivesse que resumir o problema do futebol brasileiro, e que não se aplica única e exclusivamente a essa rodada da Copa do Brasil, que é um problema acho que geral que acontece e que aparece o tempo todo, eu resumiria da seguinte maneira: falta aos profissionais do futebol brasileiro tratarem o futebol como um esporte. Ninguém trata o futebol como esporte. Acho que jogadores não tratam futebol como esporte, técnicos não tratam futebol como esporte, dirigentes não tratam futebol como esporte, porque todos eles basicamente, dentro ou fora de campo, dependendo da atuação que tem, todos eles tratam o futebol como uma disputa de intimidação, como uma disputa de pressão, é como uma disputa de bastidor.
Parece que a última coisa que vai te fazer ganhar um jogo de futebol no Brasil é jogar bola. Se a gente olhar para alguns dos jogos, inclusive dessa rodada, eu vou citar o exemplo de um jogo que não teve absolutamente nada, né, para ser discutido, que foi Fortaleza e Corinthians, e que acabou o jogo. Fortaleza e Palmeiras, desculpa, Fortaleza não, Corinthians, Internacional e Corinthians. Até misturei os dois. Internacional e Corinthians acabou o jogo, parecia que tinha sido a pior arbitragem da história do futebol, que tudo aquilo que tinha feito sido feito em campo pelo árbitro tinha prejudicado e acabado com o jogo.
Como assim? Assim, quer dizer, a gente consegue tratar certas arbitragens como terríveis, como devastadoras, como responsáveis pelo mal do futebol brasileiro. E não à toa os mesmos árbitros que são tão criticados aqui vão lá fora e apitam seus jogos numa boa, tem boas arbitragens, podem não ser os melhores árbitros do mundo e nem acho que sejam mesmo, Mas é impressionante porque assim, o que a gente pressiona, o que a gente acha que vale pressionar e intimidar, e aí é todo mundo, são todos os times, são todos os dirigentes, são quase todos os jogadores.
Então para mim esse seria o grande ponto de mudança, a hora que a gente começar a considerar o futebol um esporte e saber que, bom, vamos entrar em campo, jogar a bola por 90 minutos, 11 por um lado, 11 para o outro, talvez um fique com um a menos, outro contra menos, mas enfim, quem se sair melhor nisso pode ganhar e pode perder. E nem sempre quando você perde pode ser por conta da arbitragem. Porque senão, cara, assim, vamos desistir, vamos desistir do futebol, vamos transformar o futebol numa disputa, não sei, de notas oficiais, de advogados.
A gente pode definir tudo em transfer bans, enfim, porque o futebol tá parecendo cada vez mais a coisa menos importante dentro desse meio que a gente tanto discute. E a gente mesmo acaba discutindo muito menos o futebol.
Do que você falou aí do Biner, o Biner falou de primeiro confronto mata-mata. Bom, é fato, isso para os amantes do mata-mata, que onde você encontra a menor qualidade de jogo é no mata-mata. Não tem uma coisa, algo que seja pior que o mata-mata, porque você tá condicionado a duas partidas, é um jogo de estratégia, sempre é futebol, mas Você atua, aquilo que te cerca é muito menor do que um campeonato de pontos corridos. A energia é menor.
Então você encontra barbaridades dentro do mata-mata. E as pessoas confundem emoção com jogo bem jogado. Então os segundos jogos agora, a segunda perna do mata, serão emocionantes. Talvez menos para Palmeiras e Fortaleza. Mas para o Corinthians, se fizer um gol contra o Inter ou se tomar um gol, O Santos vai também, é um jogo aberto. Então isso torna a situação emocionante, não quer dizer que seja uma partida bem jogada. Isso é um fato.
Por isso que pontos corridos, você tem mata-mata onde precisa ter e pontos corridos onde é possível. Perfeito. O Jean falou desse ponto, né, do jogo é o que menos importa, né. A questão de arbitragem, a gente diz muito aqui, inclusive aqui na mesa, a gente sempre fala muito de lugares onde a arbitragem é melhor. Sempre a gente fala Premier League, outros lugares. O que muda basicamente é a reação de quem está envolvido, não é só o árbitro.
Porque algumas decisões são absolutamente as mesmas, que se toma aqui, se toma lá. A questão é que lá passa e aqui dura um mês. Não é que passa, um lance que o Birner acha que foi falta, eu acho que não foi. Tá bom, morreu o lance lá. Ninguém vai passar 6 meses falando disso e divulgar 80 notas, a guerra de notas. Aqui a gente fica na guerra de notas. Então parece que lá foi bem e aqui foi mal. Não, mal somos nós. Nós que estamos doentes, porque esse aqui é um futebol doente.
Calçadinho, você faz jogo na Espanha? Eu diria que a arbitragem espanhola é pior que a brasileira.
É um horror.
A arbitragem espanhola é pior que a arbitragem brasileira. Mas tudo bem, lá até se fala mais do que em outros lugares, mas não chega no nível que o Calçadinho tá falando.
E o tema, geralmente o tema que cresce é o tema do Vinícius, do racismo, digo, e Real Madrid naquela eterna guerra que Sim, sim, o Real Madrid, eu não sei se o Real Madrid espelha na gente ou a gente espelha no Real Madrid e Barcelona, que ficam nessa guerra. A guerra também é igualzinha, desses dois gigantes.
Mas o resto não.
Mas o resto passa, ninguém tá falando de escândalos, é que a gente transforma em aberrações e escândalo aqui.
Lances discutíveis viram certezas absolutas.
Lances que passam, deviam passar.
E é louco que são lances discutíveis que viram certezas absolutas. Dos dois lados. Então assim, 50%, quando é o caso, tem certeza de uma coisa absoluta, indiscutível, e não concebe a possibilidade de que, pô, cara, dá para marcar e não dá para marcar. O futebol, infelizmente ou felizmente, tem muito disso.
E quando acontece algo, não é técnico, o time dele, você muda a opinião na hora de coisas absolutamente iguais.
Exato, o mesmo lance é visto de maneiras diferentes de acordo com o time envolvido.
Nós adoecemos aqui Todos nós estamos doentes com isso. Quem joga, você vê quem joga, um árbitro não consegue. Seguinte, o VAR chamou para alguma coisa, o árbitro quando é chamado, algumas vezes ele não sabe o que está acontecendo, ele vai ver no VAR. E ele vai com dois grupos aqui na orelha dele, como se ele fosse falar assim: o senhor tem razão, eu vou mandar o VAR para aquele lugar, eu não vou olhar não, porque você ficou aqui me enchendo o saco. Gente, o que adianta isso?
Nada. Mas sabe o que tem?
Pode falar, pode falar.
Só rapidinho, acho que assim, nem dá mais para a gente falar de uma era sem redes sociais.
Não dá.
Isso já é algo consolidado há muito tempo.
A menos que venha o dilúvio outra vez.
Não, mas o que eu quero dizer é que assim, na verdade, a mudança toda veio a partir daí. Quer dizer, com o crescimento das redes sociais e a facilidade de criação de narrativas. E aí acho que em relação ao jornalismo, não sei se não, a produção de conteúdo esportivo em redes sociais, você junta essas duas coisas, quer dizer, a máquina na mão das pessoas, a capacidade de editar um vídeo, de contar uma história, de mostrar uma versão, e coisas muito bem feitas, né, mal intencionadas, ou se não mal intencionadas, absolutamente partidárias, mas as pessoas que sabem fazer as coisas bem feitas elas têm a capacidade de mostrar isso, de contar essa história, que a parte que quer acreditar naquilo vai acreditar.
A gente vê numa série de— acho que na política talvez seja o ponto mais forte em que isso acontece. Mas em relação ao futebol, acho que o futebol tem sido muito prejudicado por isso também. Quer dizer, essa capacidade de montar narrativa, de criar um bom produto para contar aquela história, e as pessoas comprarem aquela versão porque é o pai do meu time, isso aqui me interessa. E saírem divulgando. Eu acho que é o que faz com que esse embate— e a palavra narrativa ficou muito batida hoje em dia, mas é um embate além de pressão, de intimidação e tudo mais, é um embate de narrativa que acontece o tempo todo.
E que sinceramente, eu não quero ser pessimista aqui, o resignado, mas eu não vejo como isso vai mudar numa sociedade como a nossa. Porque acho que é o que o Calçad falou, se você olha na Inglaterra, os caras não agem assim em relação à arbitragem.
A mudança disso não depende do futebol. O futebol um pacote lá dentro grande dessa guerra de narrativa de rede social. O nosso problema do futebol é como a gente tem um futebol de pouca credibilidade interna. E isso desde que eu vejo futebol, desde o começo dos anos 70, sempre foi assim, né? E isso foi construído por arbitragens ruins, resultados duvidosos, dirigentes que foram depois pegos em casos de corrupção. E achar que o campo é sagrado e que todas essas coisas que aconteciam fora de campo não entravam no campo, com manipulação de resultado, com preferência política ou lobby, era até uma certa ingenuidade.
Então nós fomos, nós crescemos, nosso futebol foi construído com sementes ruins, mas com frutos muito bons, muito, muito bons. Quem são os jogadores? Que é a qualidade do jogo, né? Que é uma coisa do lúdico, que também é muito brasileira, que era do futebol antigamente de rua, né? Daquela coisa do improviso, do talento, do brasileiro ser o herói em campo, da magia. Então tem os dois lados. O que acontece? Os nossos principais jogadores foram para fora, e aqui tem bons jogadores.
Eu concordo com o Jean totalmente. Futebol brasileiro não é um futebol de nível ruim internamente.
Essa questão do final de semana não tem a ver com nível técnico, não, não tem a ver com nível técnico, capacidade individual.
Tecnicamente não foi bom, mas não é isso. Porque se fosse isso, seria quase sempre assim. Eu acho que essa é a questão. E o que ficou hoje depois da construção das redes sociais? A falta de credibilidade. Então a gente tem um monte de gente falando de futebol que na verdade não entende o jogo em campo em si, não entende como você junta características de jogadores, porque um sistema de jogo é feito de tal maneira, qual é o embate de ideia dos técnicos, etc.
Mas tem retórica muito forte. E aí tem uma coisa que funciona no futebol brasileiro. E por mais que isso seja chato, eu não vou culpar o torcedor por fazer isso. E eu não tô fazendo média, eu não vou culpar. Porque se funciona, queira ou não, ele ajuda o time dele a ganhar jogos. Porque aqui eu vi uma entrevista do Luiz Castro pra Bola já faz algum tempo, ele falou, cheguei no futebol brasileiro, achei que fosse botar o time pra tocar bola, sair pelos lados jogando, e foi ficando...
Ele usou essa palavra, ele falou, foi engolido. Fechei o time, passei a jogar em contra-ataque, porque o Brasil você vive, ele falou, a coletiva depois do jogo. Ele falou, aqui no Brasil, lá no Brasil você vive o futebol o tempo inteiro, 24 horas por dia, 50 horas por dia. E a coletiva que é aquecida e vai para rede social. Vamos combinar, porque como tem muito jogo, tem muita coletiva, muita coletiva, e tem que explicar coisa no treino.
E tem que falar quase todos os dias com alguém do clube, e tem as questões da arbitragem, e o dirigente fala. O futebol brasileiro é jogado fora de campo, gostem ou não. E ele vai continuar sendo jogado fora de campo, não vai mudar, não vai mudar. Porque o árbitro entra assim pressionado em campo para não errar a favor de um time. Porque é só o que falava agora: ah, mas quando é para o meu time erra, não fala. Sabe por que não fala?
Porque ele sabe que se houver qualquer microequívoco no outro jogo, que pode acontecer, que é do jogo, que não tem trambique, que não tem manipulação contra o time dele, no terceiro jogo vai ter um erro.
E o problema é que a coisa do fora de campo, e toda vez que a gente eventualmente aponte isso, porque há casos recentes muito claros disso, quer dizer, de gritaria de um lado e de reflexo na arbitragem dentro de campo para o outro por causa disso, não dá nunca para citar. A gente nunca pode falar dessas coisas claramente para não contaminar o debate. Quer dizer, a gente fala claramente na hora dos jogos, mas o que eu quero dizer é que quando a gente tá numa discussão como essa, que pretende ser uma discussão um pouco mais ampla, um pouco mais, eu acho até mais útil, né?
Porque quando você fica falando só do, ah, foi pênalti para o X, ou devia ter sido expulso o jogador do Y, você já sabe quem vai estar a favor de qual ideia e quem vai estar. Quando você fala que existe, existe, a gente já viu isso acontecer muito recentemente, de maneira contundente, de você grita para um lado, você tem um reflexo para o outro. Eu acho que assim, a gente precisa olhar para isso, para o fato de que isso acontece.
Agora, como que a gente resolve essa questão? Como eu falei, não vai assim na mídia, e por mídia entenda-se tanto jornalismo como quem produz conteúdo sobre futebol em rede social e tudo mais, ou mesmo faz jornalismo em rede social. Isso não vai mudar. Quer dizer, as pessoas agem de acordo com as suas consciências, com aquilo que elas são pagas para fazer ou com aquilo que lhes dá lucro, que traz dinheiro. E aí esse é o problema também um pouco da lógica das redes sociais, que o que dá dinheiro nunca vai ser uma discussão mais equilibrada.
Vamos falar a verdade, assim, aqui a gente pode falar desse jeito porque a gente não depende do número de views. A gente não fica aqui olhando o tempo todo quantas pessoas estão assistindo o programa no YouTube. Agora, entendo que existam certos contextos em que você precisa ser mais contundente, você precisa falar de uma outra maneira, você precisa às vezes falar o que agrada às pessoas para que as pessoas assistam e tragam, portanto, a monetização, como se fala em rede social.
Aqui a gente é monetizado independentemente do que a gente diga ou não, e isso nos facilita também poder falar dessa maneira. Agora, o que eu acho que pode melhorar não é na mídia, não é na produção de conteúdo esportivo, são os profissionais. Eu acho que aí sim daria para ter uma melhora enorme, para dirigente, jogador e técnico mudarem completamente o seu comportamento. E para isso bastaria chegar à conclusão de que tudo que a gente tá falando aqui faz sentido.
Eu acho que faz, as pessoas podem achar que não faz, e dizer, cara, vamos fazer o seguinte, a partir de 2028 2027, Campeonato Brasileiro de 2027. Vamos, isso aqui tá atrapalhando o futebol brasileiro. Vamos fazer o jogo ter mais do que tantos minutos de bola rolando por jogo. Vamos parar de, vamos fazer um pacto aqui de, isso dá para fazer, dá para fazer tudo, e dá para inclusive para determinar consequências. Assim, a tal da rodinha no árbitro não vai ser aceita, como já chegou a acontecer antes de competições da FIFA dizendo Ó, rodinha, vai ter cartão para todo mundo.
Ah, insistiu? Beleza, vermelho. Se precisar, acaba o jogo por conta da expulsão dos atletas. Eu te garanto que isso acontecendo 2, 3 vezes, os caras mudam. Combina com os técnicos, tenta falar com os técnicos. Vamos, vamos, um pacto aqui de todo mundo agir do mesmo jeito, que se um não pressiona, o outro não pressiona, não vai ter mais isso. Nota oficial: tá proibido. Não é tolher a liberdade de expressão, mas Nota oficial é para falar de assuntos relevantes e não ficar falando de arbitragem toda rodada, porque senão, se um faz, o outro vai fazer, e você tem a tal da guerra de narrativa. Essas coisas podem ser combinadas, muito simples, podem acontecer.
Super rápido, eu acho que o clube pode ficar indignado com uma arbitragem e pode se manifestar com a CBF. A partir do momento que ele faz isso para o público, é para pressionar o árbitro, não é porque ele tá indignado. E às vezes é para fazer uma coisa interna, torcedor, então podia ser um procedimento interno. Né? Vamos, tô insatisfeito com arbitragem, precisamos melhorar isso daqui, o que você acha, tal, resolve-se internamente para que arbitragem melhore.
A ideia não é essa, a ideia é gerar a pressão para quem sabe, na dúvida no próximo jogo, quem se sentiu prejudicado ser beneficiado. E no mata-mata, sei que você precisa ir fazer intervalo, isso vira vezes 10.
Poderíamos ter adotado as regras que a gente viu, as novas que a gente viu na Copa do Mundo, que foram interessantes.
Vamos falar sobre isso, vamos falar, vamos falar, poderíamos, né? Poderíamos, já tem, tinha que estar em curso, né?
Vai ter uma reunião dia 10, segunda que vem, que são regras que estão sendo adotadas pela CONMEBOL. Então, quanto mais você deixa igual, unifica, porque assim, não dá para ter um campeonato com cada regra. Então poderia se fazer, mas é o seguinte, quem determina isso não tem força política, tem uma nova comissão de arbitragem, de chegar e bancar. Então vão consultar os clubes. Gente, não é para consultar clube, clube é para fazer, não é para ficar consultando, porque aí fala: esse eu quero, isso eu não quero, isso eu gosto, isso eu não gosto.
Cara, aí nós vamos fazer o quê? Um Frankenstein das regras, o que pegou e o que não pegou. É um negócio maluco. E eu discordo de você, para mim o jogo aqui, a qualidade é ruim, não estruturalmente. Você olha para— não vou citar para não— vamos deixar os haters só num lado. Mas tem equipes que você olha estruturalmente, são horrorosas.
Inclusive equipes grandes.
Não, tô falando dos grandes, tô falando de Série A, não tô falando de Série B. É equipes que o jogador não sabe se perfilar o corpo para disputar uma bola. E significa que ele veio da base sem saber, virou profissional sem saber, continua sendo dirigido por 25 treinadores diferentes sem saber como se posicionar para disputar uma bola e ganhar jogada. Então isso estruturalmente é péssimo e a qualidade do nosso jogo.
A gente vai fazer um intervalo, seguimos no YouTube, a gente vai continuar esse papo no próximo bloco e a gente vai trazer alguns fatos aí do final de semana e debater isso também aí com relação a essa história, né, de arbitragem e as notinhas, e usando muitas vezes o tema para esconder um futebol pobre, ruim, que foi jogado pela equipe do dirigente. A gente volta já já.
Um jogo com 49 minutos apenas de bola rolando, isso mostra que não foi bem conduzido. 7 cartões amarelos para o Corinthians, um pênalti absurdamente não marcado em cima do Bidu, assim, incontestável e causa estranheza nem o árbitro de campo marcar, nem o VAR chamar. Então arbitragem realmente complicada. Quero trazer um outro ponto sobre arbitragem que a gente vem ouvindo dos jogadores que é um processo meio que de intimidação dentro de campo, né, de que os jogadores não podem falar, os jogadores não podem se comunicar, o auxiliar técnico pode apontar uma situação, o jogador vai contar o número de faltas que o adversário fez, ele toda hora sendo tolhido de poder falar qualquer coisa dentro de campo, não só dentro como fora de campo, porque hoje as entrevistas também causam, né, punições, causam gancho, né.
O Ranieri falou muito bem sobre isso na última partida. Ontem o Canóbio do Fluminense falou sobre isso também. O Hugo já foi punido por dar uma entrevista especificamente do jogo de hoje com relação a esse tipo de conduta. O nosso departamento jurídico tá estudando inclusive uma representação por situações com tons de ameaça. A gente tá olhando um lance específico, buscando o áudio do VAR para falar sobre essa questão específica de tom de ameaça contra nossos atletas.
Bom, vamos lá, seguinte, eu vou até passar para o Jean, que já tá se coçando aqui. Só falar uma coisa aqui rapidinho, gente. Aí quando você vê o Marcelo Paz nesse modus operandi, você vê que os caras são engolidos, não tem jeito. Quantos treinadores de fora, inclusive os portugueses, já vieram, vem com um discurso que você fala, pô, esse cara é diferente, olha o olhar dele, tem razão. Passa o tempo aqui, o cara é infectado, infectado por esse vírus maldito que tem no futebol brasileiro.
Que leva a esse tipo de argumentação. Porque se ele não fizer isso, ele morre na praia, ele morre sozinho. Então ou ele se adapta a esse ambiente infeccioso, né, ou, cara, ele vai morrer na praia. O Marcelo Paes não é um estrangeiro, ele já tava aqui, mas ele também é de uma linha de dirigentes aí mais novos que a gente sempre tem uma expectativa: pô, vai fazer diferente. O Marcelo Paes vinha com alguns discursos sobre a administração do Corinthians, falou sobre Memphis Depay, bom trabalho.
E bons discursos sobre Memphis Depay, sobre transfer ban, sobre pagar os jogadores, sobre como tem que ser administrado. Pô, legal. Mas aí ontem ele derrapa no mesmo problema. Eu não sei se ele já foi engolido também, já tá brasileiro, já daqui já tá muito tempo, se ele foi engolido também pelo processo e tá por estar no corredor, pode ter que dar resposta e falar alguma coisa para o torcedor.
Eu sei que você é o apresentador e eu comentarista, mas eu vou inverter o jogo aqui com você. Você acha que esse discurso é porque ele acredita ou porque ele quer pressionar pro jogo de volta?
Porque ele quer pressionar pro jogo de volta.
Você acha que ele não acredita nisso?
Eu falei isso ontem, eu acho que não. Com essa veemência toda, eu acho que não.
Acho que quem tá envolvido se envolve integralmente, assim. Você falou engolido, mas assim, você acaba tendo um envolvimento todo, porque é o dia a dia aí, o dia a dia é esse.
Sabe por que que é o dia a dia? Seja no Corinthians, no Flamengo, no Palmeiras. Quando o dirigente vem, eu era acostumado antigamente, quando o dirigente vinha falar é porque teve um escândalo, um escárnio, um absurdo. Meu Deus do céu, aquele pênalti, aquele impedimento, foi uma coisa assim absurda, o cara vinha louco babando. E você até entendia a indignação, mas essa de ontem é um jogo que, sabe, não teve isso tudo. Pode discutir, um pode achar que sim, outro pode achar que não e tal.
Eu só queria que assim alguém que eventualmente vai avaliar isso que o Marcelo Paes tá dizendo, tá, eu queria que alguém pegasse e assistisse esse jogo olhando para a postura dos jogadores do clube.
Isso, isso.
Eu fiquei impressionado com 25 minutos, o processo de intimidação é sempre dos jogadores em relação ao árbitro, um negócio absurdo. Não tinha dado tempo do árbitro fazer nada, intimidar ninguém, a não ser que ele tenha entrado no campo xingando os jogadores dos dois times naquela apresentação dos dois capitães, dos dois capitães ter dito, olha, você é um, você é isso aqui, xingado todo mundo e já ameaçado de expulsão. Nada justifica aquilo que os jogadores fizeram, porque era um negócio impressionante.
Primeiro, a quantidade de reclamação absolutamente bizarra. Quando eu digo reclamação bizarra, é que assim, Acho que às vezes o jogador pode reclamar, né? Porque às vezes o árbitro erra, às vezes o lance é um lance dúbio e o próprio jogador pode ter tido uma impressão, ainda que o que aconteceu foi outra. Mas assim, lances— e por isso eu citei esse jogo como exemplo no começo do programa— lances em que a bola batia claramente na perna do jogador, saía para escanteio, e o cara metendo a mão na cabeça, dizendo, como assim escanteio? Foi tiro de meta!
Bizarro!
É uma indignação, tom muito alto para uma coisa assim.
Para algo que o cara sabe.
Que não aconteceu. Ele tá clamando por algo que não aconteceu. Reclamação de falta, a mesma coisa. Então era assim o tempo todo. E o tempo todo, vocês podem olhar, assim, tinha cara que saía do banco. O Pedro Raul saiu do banco alucinado. Parecia que a missão dele foi o seguinte: você gruda no árbitro, o árbitro, cada decisão do árbitro.
O jogo anterior que ele apitou, que foi bizarro, qual que foi?
Foi o do Vitória com Palmeiras, o árbitro de Corinthians e Inter. Vitória e Palmeiras, que teve aquele lance do Maurício e tal.
E ele assim, numa combinação VAR-árbitro, foi um negócio triste, né? E aí ele tava escalado antes, ou seja, aquele jogo condicionou essa atitude. Por quê? Porque o cara já veio pressionado, uma atuação que o VAR— se o VAR quando tinha, quando ele, quando o VAR— mas não, Jean. Não só tem, não só tem, não só tem, mas isso não é que vem do nada, isso é passado para qualquer jogador de clube que quer. Vem cá, infelizmente o cara vem aqui, ele errou, alguma orientação nesse sentido.
Então, porque é que era muito fresco, é todo jogo, era muito fresco. E é assim, se a CBF não tivesse sido escalado antes, não era para ter escalado nesse jogo. Bota outro cara, você não pode pegar alguém que Tava no centro de uma polêmica na quarta-feira para um jogo no domingo.
Sendo justa ou injusta a polêmica, concordo com você, existe o risco.
Você preserva, você ou você preserva o árbitro, você preserva o jogo, ou na melhor das hipóteses você preserva o árbitro e o jogo. E ali não foi nada, foi um cara que já vinha pressionado, que não foi boa atuação. Eu só acho que aí tem uma outra questão, no mata-mata de Copa do Brasil com dois gigantes. E a rivalidade de Corinthians e Inter, ela é altíssima, altíssima.
Então tudo bem, isso pode ser um festival de notas também. Sim, aí pode ser discutível. Porque é o seguinte, porque é o seguinte: se a gente for tirar da escala, vivo aquilo até hoje, todo árbitro que está envolvido em, abre aspas, alguma polêmica, se a gente for tirar esses árbitros da escala, não tem árbitro, não tem ninguém. A gente precisa, a gente, ou a gente precisa de 40 árbitros Mas a de quarta tinha Palmeiras, Vitória, Flamengo na parada.
É, não, tudo bem, você pode discutir. O jogo precisava ser Corinthians e Inter com toda a carga que ele foi premiado, uma arbitragem, algo que não funcionou na quarta-feira e recebeu um prêmio.
Então assim, cara, cada vez mais escala que você escala assim 10 dias antes, 15, não dá.
Eu acho que cada vez mais eu vou estar Do lado dos árbitros. Eu sei que é completamente antipopular isso, porque no fim das contas— e fora que assim, também tem isso, né? Bater em árbitro é a coisa mais fácil do mundo. Porque bater em árbitro é só popularidade, não tem, né? Não tem.
Agora, ele, se eles conseguirem provar que ele chamou o Mateuzinho na mão para ir brigar lá fora, aí é isso que deixou o Hugo louco.
É porque a conversa foi essa, né? Aqui, aqui você falando, quero ver fazer lá fora.
Se isso aconteceu, não dá também.
Eu já conversei com ex-jogadores, por exemplo, inclusive, cara, às vezes eu não vou falar quem, obviamente, indignados por perderem um título porque disse que o árbitro tratava com respeito, com gentileza, um, e xingava o time dele assim, claramente naquilo que o Marcelo disse. É isso, dessa época, é dessa época, sim, que não era o mesmo tratamento para os dois times. Agora, assim, tem uma coisa sobre intimidação. Que intimidação acontece em grande parte do jogo hoje, com as leituras labiais, com as falas, que eu adoro inclusive.
Inclusive foi feita a leitura labial do árbitro do jogo do Corinthians, Gustavo Machado.
Se isso acontece, todo mundo vai saber. Agora tá difícil para o árbitro fazer isso novamente.
Eu vou ficar sempre fazendo advogado do diabo agora, porque assim, ou do árbitro, né, que é o diabo. Não, é porque, cara, assim, olha o que foi a intimidação em cima desse cara desde o primeiro minuto do jogo. Eu me lembro que isso me chamou atenção nesse jogo especificamente, que com 20 minutos eu falava, cara, não é possível. Assim, não é possível que assim, 20 minutos, ele não errou nada, não teve nada polêmico, não teve nada discutível.
Olha o nível de rodinha, de intimidação em cima de um cara que tá fazendo o trabalho dele até aqui normalmente. Porque eu até entendo que depois, no fim do jogo, depois de erros grosseiros, você possa mudar a sua postura, você tá de cabeça quente, você tá irritado. Mas por que que você entra num campo predisposto a intimidar o árbitro dessa maneira? Então o que eu quero dizer é: dependendo do nível de intimidação que você coloca, você espere um nível de intimidação de volta mais ou menos parecido.
Porque senão vão chamar, sabe o quê? Ah, esse árbitro é um banana, o cara não faz nada, olha aí, não é à toa, perdeu o pulso. Quantas vezes a gente já não ouviu comentarista de jogo falando, comentarista de arbitragem dizendo: Não, perdeu o pulso, perdeu o comando do jogo, perdeu o comando do jogo, cara. É assim, a gente precisa ter um mínimo de postura decente para exigir que a postura decente venha só do outro lado também, porque senão fica difícil mesmo conviver nesse ambiente absurdo.
Agora foi um show de ambiente no futebol brasileiro que a gente colocou aqui, e ele tá— por isso que eu digo que ele tá doente.
A gente tá falando de coisa só do retorno da Copa. É que a gente não tá falando de coisas do retorno, só retorno a gente já falou.
É que retornou tudo que tava acontecendo antes da Copa.
É um choque, né?
A Copa é só um divisor aí. As barbaridades são as mesmas.
Embora vamos combinar uma coisa, né? Na Copa do Mundo tivemos um episódio histórico, histórico, que é a retirada de um cartão de um atleta da seleção norte-americana a pedido, né? A pedido do presidente da nação, né? Então isso já já é um absurdo.
E o pior é alguém, ele pedir tudo bem, agora é aceitar.
Mas agora, e todo mundo foi aceitando, e deu um tiro no cara. E ainda eles ajudaram o falso testemunho contra o árbitro, foi o Claus.
Mas isso é legal, o projeto, o projeto que foi agora ficou muito claro, porque ele fez isso, entregar o futebol aos Estados Unidos. Exatamente, era vender a Copa do Mundo a grosso modo para os amigos do Trump.
É óbvio que ele ia aceitar tudo. São meus compradores.
E a ganância levantou tudo isso.
Eu queria só responder rapidinho uma mensagem que eu vi aqui no intervalo. E eu entendo a mensagem, não é com raiva que eu respondo, mas porque eu sabia que ia vir esse tipo de: ah, essa ideia de proibir nota oficial é muito perigoso. Quando eu digo proibir nota oficial, eu tô querendo dizer o seguinte: é você sentar numa mesa com os 20 representantes dos times da Série A. E quando eu digo proibir, eu tô falando: vamos parar com isso, vamos, vamos assim, quer reclamar de arbitragem, reclama aqui, traz aqui, a gente avalia, a gente eventualmente emite, nós CBF, a nota dizendo que arbitragem errou e que a punição vai ser essa ou aquela.
Quando eu digo proibir, eu tô querendo dizer que é preciso que haja um consenso entre dirigentes, técnicos e jogadores Para que a gente pare com isso, para que a gente pare de achar que o futebol se ganha na pressão e na intimidação. Porque todo mundo só faz isso, todo mundo acha que o futebol só se ganha dessa maneira. Os jogadores dentro de campo, os técnicos na beirada do campo, e os dirigentes lá sentados nas suas mesas emitindo as notas oficiais ou assinando as notas oficiais.
Agora, falando de diferença entre o que o Jean deseja, e seria muito bom, e a realidade. A maior briga de bastidores hoje, que é uma coisa quase pessoal entre os dirigentes do Palmeiras e do Flamengo. Exatamente, é essa a realidade. A realidade é desde um bom tempo, os clubes, os times servem para que um ganhe do outro, mas tem uma coisa pessoal entre eles, e as pessoas não vão sentar numa mesa e fazer um acordo para o bem do futebol brasileiro.
É porque esqueça, os dirigentes estão jogando para suas torcidas. Talvez os dirigentes também estejam jogando com aquilo que a gente falou, com a percepção de que sim, você grita aqui, você tem o resultado ali. Mas evidentemente isso não é positivo. Acho que assim, isso não é positivo para o futebol de maneira geral. Pode ser positivo na semana seguinte. E esse é o grande problema: ser positivo na semana seguinte significa que a prática ela vai se consolidar.
E a gente viu, né, porque eu tinha batido palmas para Leila Quando ela, depois da final da Libertadores, em vez de fazer como estava o Abel fazendo, como estava toda a torcida fazendo, falando da expulsão, da não expulsão do Pulgar, ela falou: gente, não perdemos por causa disso, não foi este o motivo da derrota. Ela foi muito bem ali. O time não jogou bem, o time não jogou bem, o time não conseguiu produzir. Não foi por isso que o Palmeiras perdeu do Flamengo a final da Libertadores.
Ela percebeu que é preciso chutar o gol, só que depois Só que depois ela, enfim, ela entrou, o Palmeiras entrou obviamente nessa mesma dinâmica, exatamente a mesma. E agora é isso, sai de um, sai de outro, sai de outro, sai de outro, exatamente igual. E entre eles, porque os dois que brigam por títulos.
A gente falou aqui na, nossa senhora, quinta-feira, quando foi o jogo do Palmeiras com Vitória? Foi quinta, né? Quinta-feira. A gente falou aqui na quinta-feira, logo depois do jogo, antes de qualquer coisa, se preparem porque daqui a pouco Alguém do Flamengo vai se posicionar sobre este jogo.
Acho que até demorou, esperava logo depois do jogo.
Falei, vai acontecer, vai acontecer, pode ter certeza. Mas dito e feito, dito e feito. Tinha nada que ver com a história, mas foi lá dar uma cutucada. Agora, uma coisa quero dizer também: o que vocês acham do STJD tomar para si a história do Maurício? Maurício em campo, o Maurício em campo foi o seguinte: Aqui nesta mesa as opiniões foram divididas, lembra? Se eu não me engano, Calçadio, eu e você achamos que tinha que ser expulso o Maurício, né?
Sim.
Você achou que—
Eu disse que era um lance em que ele se protege de um jeito arriscado, porque ele levanta o braço demais, mas eu não acho que ele teve a intenção de dar uma cotovelada. Para mim era amarelo.
Isso.
E eu discordei inclusive da expulsão também do jogador do Vitória.
E o Bertozzi era contra a expulsão também, ele foi favorável. E, cara, tudo bem, ninguém chegou aqui a um consenso. Eu vi outros programas, como eu sempre assisto outros programas de outras emissoras e tal, a maioria até achando que o Maurício não deveria ter sido expulso. A maioria achando, eu e você, calçadinho assim, uma minoria. A maioria achando que não tinha que ser expulso. Só que aí o STJD vai querer punir o Maurício, ou não, vai levar a julgamento.
É da natureza do tribunal, de vez em quando eles acordam, e nem sempre acorda para fazer a coisa certa.
Mas alterar o resultado do campo, o resultado não, perdão, uma decisão do campo, mas isso é acordar, né, cansado.
Num lance que não houve consenso, eles acordam, mas não é um lance de acordar certo assim. Tô aqui, ah, teve um lance, quem foi?
Teve um monte de lance parecido com esse do Caio César, do Corinthians.
Caio César foi absolvido agora. Ele faz assim, ó, ele foi para pauta do STJD. Eles têm horas que eu digo eles acordam, que é o seguinte, vai tudo que leva, eles vão julgar tudo coisas que leva, que consome dinheiro, tempo do tribunal, e não precisa estar lá. Esse daí é o seguinte, é uma decisão do árbitro. Tem lances que são mais graves, por exemplo, o lance do jogador quebrou a perna do outro, uma entrada violentíssima.
Eu sou totalmente a favor porque tá na lei, mas ele ficou com recurso, pode jogar, viu?
Mas já vai jogar, já vai jogar. Mas é, entendeu?
É isso.
É por isso que eu não, o tribunal não funciona, eu sou totalmente contra Os meus amigos advogados vão ficar bem chateados comigo, mas a existência do tribunal, a existência do tribunal, não, porque é o seguinte, você julga qualquer caso, você julga um empurrão, um seu feio, ou como um fato grave, como se fosse um assassinato.
E antigamente na reta final de campeonato desaparecia muito.
Tribunal na primeira instância, você tem um na segunda, aí você suspende aqui, aí tem efeito suspensivo ali, aí o tempo passa, aí o tempo passa.
E o circo jurídico que é necessário para, obviamente— Mas não, não para isso. Eu tô plenamente de acordo com você, Calçadinho. Eu tô dizendo, este circo, entre aspas, jurídico que é necessário para uma série de casos, né, da sociedade civil.
Mas no caso do STJD, geralmente é um circo mesmo, no sentido lúdico, pelo seguinte: que você tem uma, ele entra na pauta. Às vezes o cara demora 20 dias para entrar na pauta, às vezes entra no dia seguinte. Aí tem o julgamento, aí toma um gancho, aí vem efeito suspensivo, aí passa. Aí nessa reta final acontece muito, o tempo vai passando e o jogador ele vai ficando pendurado. Aí de repente ele perde, vem a suspensão numa hora mais decisiva.
Aí como é que você vai defender a credibilidade do sistema se parece que Uma falta tá sendo utilizada, e aí qualquer grau dessa falta, para suspender o cara na hora que interessa. Porque ninguém, nenhum torcedor acredita algo diferente disso. Então, suspensão, o cara foi lá, tá na lei, pegou, quebrou a perna do outro, ficou 6 meses fora, fica 6 meses também. O que que vai mudar isso? Acabou. Vai mudar o quê? Na hora de entrar, na hora que eu vou dar um carrinho em você, Eu não vou com pernas no seu queixo, eu vou pensar duas vezes.
E se mesmo assim eu fizer, eu vou tomar um gancho. Também pode acontecer de alguém quebrar a perna num lance casual. Então, neste caso, acho que precisa do julgamento. Mas ele existe por uma condição.
Existe na CONMEBOL, existe na Copa do Mundo.
É o tribunal de penas que tem em outros países e tal.
Não é o tribunal do trânsito.
Não tem que ter o círculo jurídico que tem aqui. Porque é um circo pra qualquer lance irrelevante. Mas assim, o que precisaria ser feito, e não é difícil, é muito fácil. Isso que me incomoda é que tudo, todos esses, ou todos não, mas boa parte dos problemas que a gente cita repetidamente aqui, você soluciona muito rapidamente. Nesse caso, é só tipificar exatamente, peraí, em que lance, em que tipo de conduta, porque às vezes não é nem lance, em que tipo de conduta É, um jogador pode ser julgado pelo TJD, pelo STJD, o JD que você quiser.
São umas porcarias esses negócios. Eles, num futebol já sem credibilidade, a existência desses tribunais com esses caras julgando da maneira que julgam esses casos, absolutamente sem critério em relação a um caso e outro, porque você vê uma discrepância absoluta. Não sei se de acordo com o time, com o campeonato, com o momento. É tudo absurdo, é tudo bizarro e aumenta obviamente toda a desconfiança sobre o futebol brasileiro. Mas seria muito fácil a gente dizer, olha, só vai para o tribunal de penas e não chega de TJDs, só vai para o tribunal de penas os lances em que aconteça isso, isso, isso e isso.
São 4, 5 tipos de coisas que acho que caberia ser julgado por esses caras e não um lance em que o cara vai se proteger, acerta enquanto—
Eu só queria só um, preciso fazer essa ressalva. A comissão de arbitragem mudou. Então anteriormente a comissão de arbitragem tinha uma visão de uso de VAR e arbitrar, e o árbitro. Agora mudou, então agora é outra visão. Então você imagina, e o sujeito tá ali operando, a situação dele é uma lei aqui, é uma informação aqui, é outra ali. Agora o STJD parece que mudou o comportamento dele também, porque coisas que ele não fazia no primeiro semestre ele passa a fazer no segundo. Então a gente precisa dar uma afinada nisso. Por isso que é—
eu vou repetir uma coisa que digo há muito tempo: eu acho que você, os árbitros, deveriam ter lances, e eles trabalham com isso como norte para saber que decisão tomar em cada lance. E essas orientações aos árbitros deveriam estar à disposição no site da CBF para quem quiser olhar, para entender como eles foram orientados. Outra questão, Calçade falou, agora vai se usar o VAR menos do que se usava no primeiro semestre, quando a comissão de arbitragem era outra.
Não tem problema, não acho ideal, mas não tem problema, tá? Você pega, comunica aos jogadores, comunica aos treinadores, dirigentes e a nós jornalistas e torcedores que os critérios mudaram e explica quais são. É como se fosse uma cartilha de vídeo.
Ele muda sem ninguém saber?
É isso, não pode. E aí eu acho que tem uma questão sobre o lance do Maurício que pra mim é muito pontual. Desde quando não havia VAR, não havia tanta transmissão, pra mim você não pode mudar decisões do árbitro de campo na SJD, seja qual for a decisão. Tá? A não ser que houve, que houvesse um caso de racismo, alguma coisa assim. Aí é uma outra questão. Agora, para mim é muito simples: você só pode julgar para aumentar a punição jogadores tomaram cartão vermelho.
Cartão amarelo não se julga. E se o árbitro deu cartão amarelo em vez de dar vermelho, você pune o árbitro, pune o VAR, não pune jogador.
Exato, porque agora ainda tem o VAR para ver.
É isso, não tem agora, não tem mais desculpa. Desculpa, cartão amarelo não se julga. Vermelho, uma entrada dura, você quer aumentar, não quer aumentar a pena, perfeito, você avalia. Agora cartão amarelo, suspender jogador por amarelo, já aconteceu, tá?
Mudar a cor do cartão realmente é um negócio muito sério. Acabou, hein? É quarta-feira, não perca o nosso Linha de Passe.
Teremos polêmica, certamente pode ficar.
Açaí bom. Muita coisa que a gente falou aqui, a gente tem um programa no Disney Plus, Futuro do Jogo, que foi ao ar aqui na ESPN no sábado, no domingo, a gente falando também, depois de tantos insucessos na Copa do Mundo, um pouco sobre a estrutura do nosso futebol, partir da base. E esse programa tá bem legal, é um convite, tá no Disney Plus, mais fácil achar, encontrar, e a gente aborda alguns desses temas e vamos abordar outros. Tem tanta reforma para fazer que no fundo não vamos fazer nenhuma.
O Jean tá precisando de férias.
Eu já voltei, já voltei.
O Linha de Passe arrancou os lençóis maranhenses que vieram dentro de Geódromo.
Olha que poético, hein?
Maravilhoso.
Voltou em paz e agora já tá no clima das notas oficiais.
Tá no clima de guerra. Dá o seu tchau.
Saúde e paz a todos e a todas. Ótima semana. Acabou?
Acabou. Foi com uma entonação de que vinha alguma coisa a mais.