Projeto vencedor da Espanha, legado de Messi na mentalidade argentina e balanço da 'Copa dos protagonistas' - Linha de Passe
Nesta segunda-feira (20), nossos comentaristas analisaram o título espanhol sobre a Argentina e projetaram o início de ciclo para a Copa de 2030. Vem com a gente!
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- Análise da Seleção EspanholaDNA da Espanha · Estilo de jogo · Seleção mais autoral do mundo
- Rodadas BrasileirãoVolume de craques · Estilo de jogo ofensivo · Potencial de talentos
- História do Futebol Argentino: Lanuestra e AntifutebolPaixão e energia em torno de Messi · Trajetória com adversários de menor calibre · Manutenção do estilo de jogo · Lionel Messi
- Inglaterra e PortugalPipocagem em finais e momentos cruciais · Elenco forte, mas sem convicção · Histórico de eliminações
- Forças emergentes e protagonismo de craquesEvolução do futebol africano · Protagonismo de estrelas individuais · Nível técnico da Copa · Seleções africanas
A Hora Agora foi de Esporte, o Linha de Passe chega nesta segunda-feira, dia 20 de julho, no dia depois da final da Copa do Mundo. A gente, claro, vai falar do Mundial ainda, o Mundial realizado nos Estados Unidos, México, Canadá, e usaremos alguns temas curiosos, algumas frases ditas ao longo da caminhada para falar Essa frase, entre aspas, envelheceu bem? É isso mesmo? Não é um cenário completamente diferente do que foi dito?
A gente vai ter uma hora para falar sobre Mundial 2026. Eu estou com Paulo Calçade, com Vitor Birner e Jean Oddi. A gente faz uma rápida pausa. Já estamos no YouTube e o YouTube sempre traz boas colocações. A gente volta já já para começar o nosso debate.
Boas colocações, talvez seja isso.
Ai, sujou!
É, vamos lá, estamos de volta aqui no Linha de Passe. Para começar o nosso debate, a gente vai colocar duas telas com frases que entraram no debate, algumas até um pouco antes da Copa. E vamos lá, eu vou ler uma por uma e depois a gente vai debatendo, porque elas se relacionam a alguns países. Vamos lá, Espanha, campeã mundial, é a seleção mais autoral do mundo. E aí o título da tela é Copa confirmou essa frase, esse pensamento desmentiu.
A Argentina foi mais coração do que bom futebol. A França é o novo Brasil. A Inglaterra falha em momentos decisivos. A seleção brasileira não é mais a mesma. Copa confirmou forças emergentes. Seleções africanas subiram de patamar. Foi a Copa com o maior protagonismo de craques. Tanto que muita gente falava a Copa dos Protagonistas. Vamos voltar com a primeira. A primeira é a da Espanha. A Espanha é a seleção mais autoral do mundo? Jean Oddi, boa noite.
Tudo bem?
Boa noite, Felipe. Acho que essa é uma das mais fáceis de responder. Ela é a mais autoral do mundo e já faz um bom tempo, não é de hoje.
Até quando não joga bem, né?
Até quando não joga bem. Não tem nada a ver com o título ou não. Acho que ela seria a mais autoral do mundo. E acho que ela voltou a ter esse DNA muito forte nessa Copa, porque como a gente falou, ela acabou não tendo seus pontas no mais alto nível, né? Porque quando a gente pensa em Espanha autoral, a gente pensa na troca de passes, na posse de bola, em conseguir as suas vitórias assim, impedindo o outro de jogar, né? A gente nunca pensa na Espanha autoral como um time ofensivo, um time vertical, um time agudo.
E ela até pretendia ser assim nesta Copa, como ela foi na Euro de 2024, mas não teve nenhum problema. Ela não contou com os pontas em forma, ela não teve o seu craque brilhando, mas ganhou a Copa justamente com o seu DNA mais claro. E é certamente, já faz muito tempo, a seleção mais autoral, com DNA mais claro entre todas do mundo.
De acordo, Vitor Birner. Boa noite.
Tudo bem, Mota? Boa noite a você, Jean Calçade, aos fãs da Esporte. Não tem como discordar, né? A Espanha, como disse o Jean, ganha e perde jogando com a mesma ideia de jogo. É óbvio que essa ideia tem adaptações. Por exemplo, na Copa do Mundo passada, a Espanha tentou fazer a mesma coisa, teve um pouco mais dificuldade de saída de bola, um pouco mais de dificuldade defensiva, um pouco mais de dificuldade de construção de jogada.
E nessa, ao contrário, a parte defensiva, até quando o time não jogou bem, funcionou muito bem. A posse de bola sempre funcionou muito bem. E em boa parte da Copa do Mundo, principalmente na primeira fase, Faltou a última parte desse jogo, que é agredir, ameaçar o adversário para tornar o jogo bem desconfortável, como fez contra a Argentina. Mas é sempre a mesma ideia de jogo. Enquanto a França foi, por exemplo, na Copa do Mundo uma seleção de contra-ataque, a Argentina achou o jeito de jogar na Copa passada e simplesmente manteve.
Mas se você for ver lá atrás, não era exatamente esse jogo. A Inglaterra não tem uma maneira de jogar. O Brasil virou uma seleção de transição, ou seja, a única seleção das grandes seleções que tem uma ideia muito clara, insiste nela, Funcione ou não, é a seleção espanhola.
Você acompanha o Campeonato Espanhol e o futebol espanhol há muito tempo e de forma cotidiana, dia após dia. É a seleção mais autoral do planeta, Paulo Calçade?
Boa noite.
Boa noite.
Eu não gosto dessa frase.
Você mudaria para o quê?
Eu vou dizer assim, eu vou colocar a seguinte situação: José Mourinho assume uma seleção e passa a Copa colocando o ônibus dentro da área, aquela expressão que a gente usa. Para ninguém atacar. Eu vou dizer que não é autoral? É super autoral.
Não, é, sim, é.
Nós estamos falando sobre a seleção independentemente do treinador.
Então é que ser autoral não traz a grandeza.
Não, não, sim. Ser autoral parece que é todo time que vai, como ela tem a posse, ela domina os adversários pela posse, então autoral fica relacionado a ter a bola.
Ah não, acho que não é isso que eu quero dizer.
Não, mas é a marca dela.
Não, não, eu acho que autoral Então, ela especificamente... Particular. Esse é o DNA da Espanha especificamente. Mas acho que é o que você falou, se tivesse uma seleção, sei lá, pra mim talvez a segunda seleção mais autoral do planeta seja a Suíça.
Sim, sim, sim, sim.
Ela é autoral de um outro jeito.
E se a França tivesse vencido o Mundial, que teria condições pra isso, do jeito dela... É que a posse em si, pra mim, não caracteriza isso. Embora eu goste da posse. O que eu acho é que talvez ela tenha sido a que mais, a mais fiel, aí sim, a mais fiel ao seu estilo. Porque é o seguinte, a França foi fiel ao estilo dela, só que ela não ganhou a Copa. O estilo dela não ganhou a Copa. A Argentina foi fiel ao estilo? Foi, mas não ganhou a Copa. Então, nesse caso, o estilo Espanhol levou assim.
Se a frase fosse a seleção de mais, com mais DNA no mundo, você concordaria mais? Que eu quero dizer, independente de Mourinho, De La Fuente, o Escamal, quem tiver lá eles jogam assim.
Não sei, na Espanha não tem, não sei se quem tiver lá vai jogar dessa forma. Luiz Henrique jogaria assim? Não sei, talvez ele pensasse, não tava na última volta.
Não, talvez em algum momento fizesse uma outra coisa diferente. Mas eu acho, vou dar um exemplo que não vai acontecer: se a Espanha na próxima Copa do Mundo jogar as partidas da primeira fase, perder os 3 jogos de 11 a 0, ela demite o técnico, mas contrata um técnico que joga dessa maneira, com a mesma ideia.
É isso, é por isso que eu acho que é a mais autoral.
É isso que eu acho que tem o estilo mais marcante e resiste a mudança.
É a única que tem um estilo muito marcante assim, aliás, a única.
Então, mas é isso, acho que o termo autoral é porque eu vejo autoral noutras seleções também, tá?
Não no Brasil, evidentemente.
Mas eu não acho, por exemplo, você falar autoral, eu não acho, porque acho que a França ela foi com o próprio Deschamps, quer dizer, com o mesmo técnico, ela foi uma seleção muito diferente. Ela era uma seleção de contra-ataque única e exclusivamente durante várias competições. Nessa Copa não, ela foi a seleção da construção.
Ela só não foi porque ela também não conseguiu, não deixaram. Quando ela teve o contra-ataque, ela não conseguiu jogar. Foi contra a Espanha.
Então, mas é que eu acho que é diferente da Espanha. A Espanha, ela tem essa marca, essa característica.
Ela tem, tem porque 2010 deu para ela um título assim. E isso, claro, com esse carimbo de mais uma vitória do— vamos definir de uma maneira mais grosseira, do mesmo jeito. Embora essa seleção tenha, ela é mais vertical e tem atacantes Que não renderam tanto. Com o Nico e a Maubain, não dá para comparar a seleção de 2010, porque esta tem o que eles não tiveram lá, e mesmo assim eles ganharam o Mundial. Mas é uma seleção que tem um estilo que, ao carimbar o mesmo estilo 16 anos depois, ganhou o segundo título.
Então, na Espanha hoje, você fala assim: vamos mudar o jeito de jogar? De jeito nenhum! Tem 2 títulos mundiais com este formato, aí entra, reforça. A Espanha reforçou um estilo, é fenomenal, porque há uma mudança nesse, quiser chamar de DNA espanhol, mas há uma mudança e ela é uma mudança presente no dia a dia na Liga também. É diferente, e o Hoffmann fala isso o tempo todo, que mora lá e acompanha e vê os trabalhos e acompanha os jogos, o ritmo da Premier League é diferente do ritmo da Espanha.
Isso não quer dizer que seja melhor ou pior, tanto que o Real Madrid cansou de ganhar a Liga dos Campeões no ritmo dele e a Espanha ganhou a Copa do Mundo no ritmo dela. Então, o que é melhor ou é pior? Só são diferentes. A Espanha tem um pouquinho mais de posse, a Espanha trabalha as equipes pequenas, não que as inglesas não façam isso, mas o que é legal de ver na Espanha, você pega time pequeno, vai, Oviedo, Almería, os times pequenos, O Sassuna, em vários momentos eles tentam valorizar a posse, tentam se organizar a partir da bola.
Claro que um time pode ter 40% só, mas é porque não tem condição técnica. Para ter a bola você tem que ter uma condição técnica muito alta. Equipes sem uma condição técnica muito alta não conseguirão sustentar a bola por muito tempo, porque se vem alguém, toma, toma fácil. Mas é um bom, é um bom tema.
Eu acho que na próxima Copa do Mundo talvez a França tente arrumar, se aparecer algum jogador de meio-campo para ter mais controle, mantendo essa agressividade.
Ainda mais com o Zidane, se for treinador, né?
Exatamente. Mas é onde ele jogava mais, né, até agora.
É isso. O Brasil vai tentar ter esses jogadores, vai buscar para ter mais variação de jogo.
É o que acho que é legal da Espanha.
A Espanha vai jogar desse mesmo jeito.
É legal mesmo para quem, assim, acho que assim, é indiscutível para mim que ela é a mais autoral, mesmo para quem não gosta, né, do estilo.
Quantas pessoas falam que é chato ou não é chata.
E não vamos entrar nessa discussão. Quando não consegue construir, mas é por isso, quando as pessoas veem essa maneira tão clara, essa chatice tão clara para algumas pessoas, ou falta de chatice para outras, não interessa, é porque ela tem um jeito claro de jogar, ao contrário das outras que variam. E no caso da Espanha, depende pouco do técnico, ou tem dependido pouco do técnico. Então, se a gente fala de duas décadas, no fim das contas, com uma ideia de jogo que tá muito clara ali, Enquanto a França, por exemplo, pode ser mais forte na opinião de muita gente, mas ela mudou com o mesmo treinador.
A Argentina vai jogar de outro jeito na próxima Copa do Mundo, vai ter que jogar de outro jeito, mas não vai ter. E a França vai jogar desse jeito.
Mas eu acho que não tem nenhuma obrigação de também—
sim, não é que é obrigatório que é melhor ou pior, né?
Eu acho que a beleza do futebol, tô falando de uma equipe com grandes jogadores, né? Nem todo treinador detime Pode fazer isso. Treinar um time é uma coisa, treinar uma seleção de um nível muito alto é outra, porque você pode escolher e você tem jogadores de uma qualidade altíssima. Então você pode escolher a forma de jogar. Ele pode ir, o próximo, sei lá, eles podem pensar uma forma diferente. O que eu não quero é só condicionar um jogo à vitória.
Não, não, não, não é a ideia.
Embora eu, pessoal, goste de ter a bola, acho que a essência do jogo é ter a bola, minha visão é ter a bola. Quem não tem a bola, que lute por ela.
Sabe o que é mais curioso, Calçade? É que o time espanhol com mais títulos de Champions é a negação do jogo mais espanhol que tem. Até com Ancelotti, que você tinha o meio-campo com Modrić, Kroos e Casemiro, os jogadores podiam manter a bola e fazer esse jogo. O Real Madrid nunca resvalou na tentativa de fazer isso.
Mas é uma coisa legal nesse debate, tem uma coisa que eu acho legal nesse debate, que é assim, falando de um time que ganhou a Eurocopa, ganha a Copa, ganhou a Olimpíada, foi prata na outra. Então assim, tá vendo o momento com esse DNA autoral. Então quem quiser ganhar, então quem quiser ganhar tem que olhar e falar: eu tenho que saber jogar. E se a gente pega nas Copas, eles foram eliminados só em pênalti.
Assim, vamos dizer assim, porque você tem 2008, né? Sim, 2008. Então começa com a Eurocopa e é uma construção desse modelo. Hoje a Espanha, se perguntar para federação, ela vai querer manter isso.
Não, não, mas eu tô falando do olhar sobre os outros, porque excluindo 2014, excluindo 2014, 2014, que foi uma coisa muito fora da curva dessa trajetória da Espanha. A Espanha eliminada em 2018 nos pênaltis para Rússia, invicta. E invicta a Espanha eliminada no primeiro jogo do mata-mata dela, né? E na outra também, no primeiro jogo do mata-mata, cai para Marrocos nos pênaltis. Ou seja, times que botaram um bonde atrás, seguraram zero, que é o que a gente— é, e só dá para jogar assim com eles?
Não, eu acho que aí vai depender de quem você tem à disposição. A gente até brincava ontem, né, falando sobre a França e tal, que talvez a grande missão, o grande desafio do Zidane seja a partir de agora dizer o que que eu vou fazer a hora que enfrentar a Espanha. Porque de resto, de fato, parece que ele tá— claro que um jogo de futebol você pode ganhar ou perder contra qualquer um, e a França já foi eliminada para Suíça na Euro em oitavas de final.
Isso pode acontecer, mas me parece que hoje quem tem condição de dar, de enfrentar a França sistematicamente, gerando dificuldades sistematicamente para a França, e isso tá claro pelos resultados recentes, é a Espanha. Então eu acho que aí é uma questão de que a França precisa mesmo, que se jogar 10 vezes com a Suíça, por mais que a Suíça tenha eliminado, provavelmente a França vai ganhar 8, 7. Com a Espanha não, com a Espanha tem sido o contrário.
Então o desafio vai ser para as seleções dizer: o que que eu vou fazer? Qual vai ser o plano? Vai ser de repente fazer isso que você disse, baixar mesmo as linhas, impedir a Espanha de jogar, como algumas seleções fizeram inclusive nessa Copa do Mundo. Só que aí uma coisa é, você baixa completamente a linha, você impede a Espanha de jogar também a partir de um certo momento, e aí você solta a bola para Dembélé, para Mbappé, para Olise, para Doué, para Barcola.
Quer dizer, eu não tô dizendo que essa é a solução, eu não sei, a gente, isso é uma discussão para a próxima Euro. Mas eu acho que é um desafio sim para França hoje dizer como eu ganho da Espanha.
Eu acho que a grande, a maior marca da Espanha é que parece hoje, quando a Espanha joga bem, impossível alguém no jogo ter mais posse de bola do que a Espanha.
Mas será que não é uma coisa de abrir mão disso? Então, eu acho que querer ter mais posse que a Espanha você não vai ter.
Se você não desenvolver um jogo desse, e é uma coisa que é muito gradativa, né, que você demora muito tempo para desenvolver, a não ser que você chegue no estágio que fala, eu tenho esse jogo, comigo vai ser diferente, o caso é abrir mão. Ou achar que na sua pressão alta ela vai ser tão bem feita que você vai comprometer os espanhóis, que vão correr risco na saída de bola.
Acho que os outros não podem permitir criar esse temor pela Espanha. Se eu tenho um temor, eu não vou ter a bola, tal. Cara, vai lá e brigue por ela, se é que você acredita nisso. Tem gente que não acredita, que acha que é melhor deixar a bola e pressionar e recuperar.
Depende da capacidade de elenco que você tem, né?
É, mas a França tem um, né?
A França tem, mas para brigar pela bola eu acho difícil. Tanto que eu falei, lembra? Eu falei antes do jogo da França-Espanha, eu falei Cara, eu tenho dúvida se o Deschamps, lembrando do que o Deschamps fez nas competições passadas, se ele não deveria justamente dizer: tá bom, quer ter a bola? Você vai ter 3/4 do campo ali, você vai ter a bola, você vai ficar com ela, depois você vai ter muita dificuldade para passar. E aí de você se eu te roubar essa bola.
Quer dizer, a França podia ter tido este plano de jogo. Eu acho que nem foi o que ela quis.
Ela não consegue porque ela tem, primeiro que ela joga com 2 jogadores no meio de campo, né?
Talvez com a Espanha não jogue mais.
A Espanha joga normalmente com 3, porque ela tem o Yamal, o Nico Williams. A Espanha bem, o Nico Williams é titular. O Oyarzabal é um jogador que faz esse, ele é o falso 9 mesmo, ele pode estar no meio de campo, né? E mas no momento que você tá transitando a bola Os pontas fazem isso, eles não estão ali só para serem agudos. Ó, o Yamal é— não, ele toca, ele vem por dentro, o Nico Williams faz isso. Então, além dos jogadores, tem um contexto sim do qual todos participam. Agora, aceitar isso, sim, pode ser.
A França tinha como jogar assim.
A França não precisa.
Turma, deixa eu só trazer, a gente já tá na França, vou até— a frase 3 era da França, eu já vou até puxar que a frase 3 da França era: a França é o novo Brasil.
Em que sentido? Da mais temida?
De temida barra volume de craques, jogadores, teto, estilo de jogo.
Eu acho ousado falar isso. Eu acho que na Copa do Mundo sim, foi uma coisa entre aspas brasileira, que inclusive uma inspiração francesa, pela ideia agressiva de jogo e alguns momentos quase irresponsável. Tanto que o Deschamps fala durante a Copa do Mundo que Frância tinha que marcar melhor em alguns momentos por esse jogo muito ofensivo, com jogadores muito técnicos na frente, onde marcar o gol o quanto antes, rapidamente, era a ideia da França.
Então, nesse aspecto, nessa essência de jogo ofensivo, sim. Mas afirmar que é o novo Brasil, jogo bonito, de jogo bonito, beleza, uma coisa subjetiva, do jogo mais bonito para quem gosta do jogo ofensivo, é a seleção que mais se aproxima do que é o Brasil histórico, não atual.
Eu, então, eu discordo que a Copa confirme isso, porque talvez essa tese possa ter sido criada nesta Copa.
Assim de baixo.
Nesta Copa.
Assim de baixo.
Com a França, né?
Com a França.
O Deixamos apanhava antes, né?
Apanhava, e acho que tinha que apanhar mesmo, porque a França não era e nunca foi uma seleção à altura do seu potencial. Nunca foi. Tô falando, obviamente, dessa última geração, né? Dessa França recente, não da França do Platini, aí é outra história. Mas essa aí, nem mesmo a campeã do mundo do Zidane, tá? Mas tô falando desta França do Deschamps. Eu acho que ela sempre esteve abaixo do potencial. Ironicamente, ou curiosamente, a que esteve dentro do potencial esperado, que jogou um grande futebol durante a Copa do Mundo, para mim foi essa daqui.
E é a que não ganhou. É assim, Copa do Mundo é assim, esse campeonato funciona dessa maneira. Você vai ganhar, você vai perder. E todos os méritos para a Espanha. Mas eu não consigo dizer que a Copa confirmou a ideia da França como futebol-arte, porque a França não era vista como a seleção do futebol-arte antes dessa Copa do Mundo. O que talvez a França possa ser vista como o novo Brasil é no sentido de que ela é a seleção com mais talentos, com mais jogadores de alta qualidade. Isso para mim é indiscutível, ela tem mais qualidade.
Eu vejo França e Espanha como Aí sim, como seleções, na verdade federações, países, ou internamente, nem sempre tá vinculado à federação, mas é um trabalho mais consistente em revelar jogadores, bons jogadores. A Espanha tem muito isso pela sua forma de jogar, que tá estabelecida em alguns clubes, e alguns clubes têm que ter uma, alguns clubes, a base é muito boa. Tem, por exemplo, só para Para o povo pensar um pouquinho, se o Athletic Bilbao não tiver a melhor base do mundo, fecha o clube.
Ele não contrata jogador de outro país, ele só contrata jogador com origem vasca. Pode ser o Nico Williams, entendeu? Mas vai ter que ser bom, mas tem que ter uma relação com o País Vasco. Pode ser francês do País Vasco, francês, a parte francesa. Ele não vai pegar um catalão para jogar no time dele. Então você precisa produzir bem. Eu tô só dando um exemplo. Tem outras bases, o Betis, Barcelona, o Real Madrid produz demais, é que usa muito pouco, nem sempre aparece.
Mas são países que têm hoje um cuidado na formação muito maior do que aquele país que está listado, Brasil. E isso para mim é fundamental. Uma coisa é a gente só analisar o panorama que está estabelecido, quem jogou a Copa, onde estão os talentos e analisar o produto pronto, que é os times convocados e que foram para a Copa com resultado A, B, C, D. Espanha ganhou, Argentina foi vice. A outra é olhar para esses países, no caso a França, a Espanha, o Brasil, e como esses países estão trabalhando para formar jogadores.
Aqui no Brasil é que nem erva-daninha, ela cresce, você vai lá e cata ela. É assim que a gente forma jogador. A França não faz isso, a França trabalha. A França desenvolve, tanto que você tem países menores com a população pequena em relação ao Brasil, às vezes 20 vezes. Portugal, 20 vezes menor que o Brasil, 20 vezes.
E aí você tem um fenômeno, Uruguai é um fenômeno, é um fenômeno, 3 milhões de pessoas.
E aí você monta, é um negócio, você tira as mulheres, você tira as pessoas grandes, crianças e idosos, aí você pega quem tá na faixa de jogar futebol. Quantas pessoas? É uma faixa minúscula para montar uma seleção. Não foi bem na Copa, mas sim, sempre desenvolve talentos. Então é como formar, como observar, como não desperdiçar talentos. Aliás, eu vou aproveitar, fazer um comercial aqui. Em breve, na nossa grade, haverá um programa especial sobre isso.
A gente tá produzindo na ESPN, mais perto, a gente, legal, com gente que tem muito para mostrar. Legal, né? E porque assim, se a gente não tratar aqui a nossa, a nossa formação, o Brasil é o país que mais exporta jogador no mundo.
Sim.
Aí a pergunta é: e cadê? E onde tá a seleção? É só quantidade que a gente tá falando? Mas isso não serve. E a qualidade disso?
Ô Calçade, desculpa te interromper, mas o tema do Brasil combina com isso. Ainda eu já pego a frase para te devolver numa tabelinha aí já, que a seleção brasileira não é mais a mesma.
Toca e vai.
Essa seleção brasileira, é justo afirmar isso, porque é o seguinte: o último título do Brasil foi em 2002.
Ou é a mesma, porque tem acontecido no mesmo número de jogos em todas as Copas.
2006, 2010, 2014, 2018, 2022, 2026. São 6 Copas do Mundo, 6 Copas. 5 europeus venceram e um sul-americano, que foi Argentina. Que já tinha chegado à final contra a Alemanha no Brasil, chegou à final agora. Então a Argentina é uma representação, você pode falar, Argentina é uma resistência, cara. É 14, tá na final de 14, de 22, de 26. É claro, não ganhou. Se a gente só olhar, ganhou, não ganhou? Ah, não ganhou, não presta? Então esquece.
Mas pera aí, chegou, né? Chegou para decidir. E nessa Copa aqui com caminhão de problemas e ela foi longe demais. Mas o Brasil não é mais o mesmo, porque quando você olha ex-jogadores falando do Brasil, as pessoas que viram outro Brasil jogar, e tá cheio, a imprensa internacional tá cheia dessas frases, dessas entrevistas, há um, assim, eles falam até com uma certa tristeza. É claro que uma coisa é você jogar o futebol bonito, se a gente puder jogar, Eu acho que a gente tem que sempre jogar um futebol agradável, bonito, gostoso, de entretenimento, mas que vença.
Só um futebol que, ai, que lindo, mas não ganhou nada, aí nós vamos aumentar essa lista e não é legal. Mas então nós temos que fazer um trabalho sério para poder jogar da forma que— Por que a gente fala bonito? Porque é como a gente gosta. Sim, é algo que tem a ver com brasileiro. O brasileiro, o brasileiro pode defender O tal jogo bonito. Por quê? Porque a gente é capaz de fazer isso. Se nós perdemos essa capacidade, aí nós temos que conversar.
Por que que nós perdemos isso? O que aqui na nossa produção está acontecendo para a gente não desenvolver mais esse jogo? A gente fornece jogador brasileiro para grandes times no mundo, todos os níveis, todos os níveis, Real Madrid, a times inexpressivos. E aí Então o que nós temos que fazer? Essa é uma pergunta muito boa, mas o Brasil não é mais o mesmo.
Lembrando que tem jogador brasileiro, e aí não é atacante, no bicampeão da Champions, no atual campeão inglês, no Real Madrid, no Barcelona.
Ou seja, produz e protagonista assim, relevante, né, no time.
Então, mas acho que alguns tipos de jogadores, principalmente esse cara de meio-campo, que é muito uma coisa brasileira, O ponta de lança, o meia, o cara não faz. E o único jogador que tem potencial para trabalhar assim, e não sei se vai trabalhar nesse momento, é o Estevão. Na base talvez tem algum, não conheço. A gente olha todo o futebol brasileiro, toda essa produção, todo mundo que joga em primeira divisão ou segunda divisão do futebol brasileiro ou está fora, o único jogador que tem idade para chegar na Copa do Mundo atuando assim é o Estevão.
Marinho, eu acho que ela não é mais a mesma em dois aspectos, e acho que um deles pode mudar muito rapidamente. Um deles é o, talvez, o olhar do estrangeiro, como o Calçade estava falando, e acho que esse muda rapidamente, né? Depende um pouco da fase dos jogadores, de dois ou três amistosos, de uma Copa América e a camisa do Brasil. Se a seleção viaja, volta tudo em um segundo, de bons resultados, volta sim, volta em dois segundos.
Então não ser mais a mesma nesse sentido, no sentido do olhar, vamos dizer, menos temeroso do adversário, eu acho que isso conta pouco. Acho que conta mais o que o Birner tava falando em relação a— que aí é o DNA, é o DNA do futebol brasileiro, essa coisa do meia. Não adianta a gente reclamar que, ah, puxa, tivemos tanto de posse contra a Noruega, ah, puxa, estamos tentando jogar na transição. Cara, o meia, o cara mais meia que a gente tinha nessa seleção, isso não é uma crítica ao jogador, mas era o Paquetá.
Então assim, não adianta a gente querer que a seleção brasileira seja uma seleção de 70, que era recheada de meias, de camisas 10, se a gente não tem mais um camisa 10 num nível parecido com aqueles lá.
A melhor atividade do Brasil é o Matheus Pereira, que passou a maior parte da vida fora do Brasil.
E a gente tem, e a gente tem hoje um monte de ponta, a gente tem um monte de jogador jogador agudo, jogador de velocidade, de drible, de chegada. Então assim, eu acho que a seleção brasileira não é mais a mesma nesse aspecto também. A gente mudou aí por questões que a gente já discutiu bastante aqui, que precisaria de um programa quase inteiro para discutir, questões que dizem respeito à base, a formação de jogadores, né? Por que isso acontece?
Acho que existem explicações, mas nem dá tempo da gente falar aqui. Mas por causa disso a gente mudou. A seleção brasileira não é mais a mesma. Ela pode ser uma seleção Acho que tão vitoriosa quanto, mas de fato aquela ideia de se impor, de ficar com a bola, de ficar trocando passe, de jogo e tal, hoje não é a ideia de jogo da seleção brasileira, porque o Brasil somava as duas coisas, né? Ele tinha a coisa de manter a posse de bola, manter o passe, triangular com facilidade, com passes bonitos, né?
Eu tô lembrando só, sei lá, da seleção de 82, obviamente com Falcão, com Sócrates, com Zico. E o Cerezo. E a gente tinha tudo isso, mas ao mesmo tempo sempre teve também jogadores atacantes muito letais, ferozes, agudos. E hoje a gente não tem. A gente tem os atacantes letais, agudos, verticais, e não tem mais esses meios.
A gente tinha uma coisa que a Espanha tem hoje, só para o povo entender. A gente tem um negócio que era troca de ritmo. Então você tava ali tocando bola com o Bia, parece que os dois iam cair aqui tocando a bola, mas de repente você encontrava o espaço. Porque assim, tocar a bola, passar, é uma forma de você encontrar o espaço. Por que que você faz isso? Para manejar seu adversário. Enquanto a bola está com você, as chances são menores você tomar um gol.
É uma relação interessante. Então tá comigo. E se você tem habilidade para fazer isso, é mais difícil tirar a bola da tua posse. E de repente o ritmo muda. Por quê? Porque alguém partiu, encontrou um espaço e vai lá. Então o jogo não precisa ser o jogo nesse ritmo alucinado do começo ao fim, porque o jogo do ritmo alucinado ele é só vertical. Ninguém vai ficar alucinadamente do lado. Você tem que ter ritmo, tem que ter a posse, a circulação de bola tem que ser rápida, não pode ser lenta.
Porém ela não é só nesse sentido, e o Brasil sabia fazer isso, sabia trocar o ritmo e agredir na hora certa.
E é curioso que era uma coisa muito natural, natural, como se nascesse com a cultura do futebol brasileiro.
Esse era o canimbo. Ele não era um jogo de posse, não era um jogo só de vertical. O futebol, basta quem pega 70 Veja os gols que o Brasil marcou, né? Como tem gol de, como tem gol de jogadas verticais. Não é que é uma seleção que só ficava para cá, para lá, tá? Fazia. E aliás, era a menor parte, eles, menor para cá, para lá. Era um time que a bola tava no pé do Gerson, meio segundo depois ela estava dentro da área no pé de Jairzinho, ou Clodoaldo vindo.
Então assim, ninguém tá dizendo que precisa. Se você havia um cara que colocava a bola onde ele queria, Então você encurta o caminho. O problema de um time de futebol é não tomar gol e fazer gol. Como isso vai acontecer é um detalhe que a gente discute aqui no Linha de Passe, por isso que a gente tá aqui. Agora, se você tiver um caminho e ele for eficaz, não há motivo para você inventar outro. O legal é sempre ter uma saída ali para não ficar na mesma tecla, mas se você for competente para ter um jogo vertical e ganhar dos seus adversários e chegar, ganhar a Copa do Mundo, tá tudo certo. Ninguém é contra isso.
Deixa eu trazer a próxima frase, porque eu acho que ela se comunica de certa forma. É fatalmente, a gente vai voltar um pezinho para falar do Brasil, que é Argentina. Que a frase é: a Argentina foi mais coração do que bom futebol. E aí eu pego essa frase para jogar para você, Vitor Birner, e começar o debate. Que assim, eu Eu entendo que quando há a queda do Brasil, a gente tende a olhar todos os problemas da seleção brasileira e olhar as qualidades da concorrência, às vezes potencializando as próprias.
A frase do Calçadinho era, a Argentina foi a resistência. Curiosamente ou não, neste período eles tinham um certo Lionel Messi. Essa Copa passou os trancos e barrancos contra algumas seleções mais fracas, mas passou de um jeito que acho que todo brasileiro gostaria de ver a seleção do país jogando de alma. Mas de bola não foi sempre que ela apareceu. E eu quero saber como você vê essa Argentina. Para você foi só coração ou foi mais coração, mas teve bola sim?
Como é que você avalia essa equação, essa balança entre a alma argentina e o talento argentina, que não é só do Messi?
A sua pergunta foi se mais coração.
É, Argentina foi mais coração do que bom futebol.
Assim, a Argentina também é uma seleção que gosta de ter controle de jogo à base de posse de bola. Os times que ela enfrentou permitiram isso muitas vezes, porque ela não enfrentou times de nível alto e meio-campo forte, times que foram capazes de brigar com a Argentina pela posse de bola. E a Inglaterra, quando era melhor que a Argentina no jogo, entregou a bola sem sequer tentar roubá-la, porque se enfiou na área para Argentina.
Argentina, seleção muito inteligente dentro daquilo que ela se propõe a fazer. Eu concordei com a ideia do Scaloni, com a manutenção do modo de jogar do time campeão do mundo, tá? Mas eu sei que podia fazer outras coisas, mas só isso não seria o suficiente. Só se fosse uma seleção de personalidade fraca com o Messi também não seria suficiente. Então a resposta é sim, é mais coração e bastante raciocínio dentro de uma ideia de jogo para ir avançando.
Mas também acho que só foi possível porque a Argentina teve uma trajetória assim iluminada quando a gente olha a qualidade dos adversários.
O Rony Valdano escreveu algo parecido com o que eu vou dizer, porque eu não vou lembrar de tudo hoje, que é: entre a paixão e a harmonia, o futebol ficou com— a Copa ficou com harmonia hoje, que é um pouco da seleção da Espanha. E a Argentina fez o que podia ser feito, né? E você observa isso. Eu tava até lendo, sim, buscando como jornais, a imprensa, o povo argentino viu a seleção, se fosse em outro lugar, estariam sendo atacados todos eles.
E todos entenderam o seguinte: era impossível fazer algo diferente. Primeiro que você tinha o Messi, estender esse momento Messi. E o cara, gente, não é porque a Argentina perdeu a Copa, a gente, claro que ela perdeu, mas até o sétimo jogo esse cara conseguiu fazer tudo que ele podia e mais um pouco. Então não havia motivo para criar, tentar desenvolver um time sem o Messi. Agora, para ter o Messi, tem até um ponto legal para entender o jogo.
Se você tem uma, vamos imaginar que nós somos adversários da Argentina, vai jogar contra a gente aqui, cara. O adversário, geralmente os adversários iniciavam seus ataques pelo lado do Messi. Por quê? Porque é o lado de menor resistência. Eu não vou para o lado, vai, se eu tenho o lado ontem, o exemplo de ontem, o Nico, Nico Gonçalves, ele tá do lado esquerdo, é um cara que vai correr, tá, ele vai tentar travar ali. Pô, se eu vou para o lado direito, eu já tenho um Depol que tá preocupado com Cucurella, o Messi que não vai voltar, um meio de campo que já começa a ter problemas, então proteger Molina limitado.
Então, claro, o Scaloni sabia disso, porém não dá para tirar esses caras. O Depay, o Depay era chamado de guarda-costas do Messi, porque o Depay era o cara para sustentar esse jogo, vamos colocar entre aspas, livre do Messi. Então você tinha o Depay, tinha o Enzo Fernández, o Mac Allister, pelo menos 3 caras aí, o Paredes ainda na maior parte da Copa. Por quê? Porque era o jeito de do gênio pegar a bola e tentar resolver as partidas. E ele fez gol à beça, deu assistência à beça. Então agora acabou, agora acabou.
Então a Argentina vai ter que começar um trabalho, sim, vou dizer do zero, mas pelo tamanho do Messi é quase perto disso, porque nós estamos falando, vai junto agora, quer dizer, dessa geração era uma coisa muito ligada, era uma coisa É uma seleção muito unida, é uma seleção muito diferente nesse aspecto em relação a todas as outras seleções. Acho que a gente não vê nada nem parecido com essa energia que emanava em torno do Messi.
É, nem em time você vê isso. Então assim, era uma coisa muito especial. E respondendo à pergunta, eu acho que sim, Argentina foi muito mais coração do que futebol. Mas eu tô muito na linha do Calçade de dizer, cara, eles fizeram tudo que dava para fazer. E acho que quem agora tá querendo desmerecer, dizendo que essa Argentina é uma porcaria porque não criou nada, contra a Espanha e não criou nada contra a Espanha, para mim o que absolve de alguma maneira a Argentina nesse sentido é a França, porque a França não criou nada também.
E olha que eles tinham potência, né?
Se a França— por isso que eu achava antes a Espanha bastante favorita contra a Argentina, porque assim, a França não tinha conseguido fazer nada com todos aqueles jogadores, com toda aquela qualidade. Então aquilo me impressionou. O jogo da Espanha contra a França me impressionou a ponto de dizer, cara, se esses caras não deixar a França jogar, provavelmente a Argentina não vai conseguir jogar e vai depender de uma bola, de uma disputa de pênaltis.
Ela segurou até quando deu. E acho que mesmo o discurso do caminho fraco, que é indiscutível, como disse o Birner, também se desfaz de certa maneira na hora que ela pega a Inglaterra, que era muito mais respeitada por todo mundo mesmo tendo tido também um caminho razoável para chegar até a semifinal. E se você for ver, no jogo todo contra a Inglaterra, em nenhum momento a Inglaterra foi superior à Argentina, em nenhum momento a Inglaterra criou mais, em nenhum momento a Inglaterra teve mais a bola, criou chances de gol.
Foi uma covardia no primeiro tempo.
É que, claro, no segundo tempo a covardia ficou escancarada. Eu acredito, mesmo no primeiro tempo, né, Calçade? Não é que a Inglaterra tenha mandado no jogo.
Eu Nunca a gente vai saber isso, mas eu tenho impressão que a Argentina deve ter ficado surpresa com a atitude da Inglaterra, porque foi um, foi um nada, né? E ainda mais quando faz o gol, isso justifica tudo, todas as atitudes tomadas no jogo, faz 1 a 0. Mas aí você, vamos voltar à primeira pergunta do programa, que era da Espanha, da autoral. A Espanha, o autoral merece ser carimbado no seguinte Eu vou me impor sobre qualquer adversário.
E isso é uma coisa incrível, né?
É isso aí, e o se impor, né? Acho que o se impor é se impor do jeito dela, quer dizer, eu vou ter mais a bola que meu adversário e é o jeito que ela sabe se impor. E não vou deixar o outro jogar, que foi o que a Espanha fez contra a França e contra a Argentina. França e Argentina não jogaram. Agora, o que eu tô querendo dizer é o discurso de que a Argentina só pegou galinha morta, né? Só pegou time fraco e tal. Cara, Argentina pegou a Inglaterra na semifinal, que era uma seleção cotada entre as 3 ou 4, e a Inglaterra fez muito pouco, fez muito pouco no primeiro tempo.
Porque a gente fica também com a ideia de, ah, a Inglaterra fez 1 a 0 e até lá ela era melhor. Não, não, coisa nenhuma. Ela fez um gol no contra-ataque. Exato, ela faz o gol no contra-ataque.
O Tuchel botou a Inglaterra dentro da área do Pickford no segundo tempo, na volta para o segundo tempo, tava 0 a 0, tanto que faz o gol no contra-ataque. No 0 a 0 ele decidiu, acabou o jogo aqui. É, cara, eu acho vergonhoso fazer isso, ainda mais sabendo que estrategicamente, né, você tem um jogador que é um gênio, mas ele também gera dificuldades para equipe se organizar. E outra, você vai lá e se impõe, cara, diante do adversário E não, a Inglaterra já foi um horror, cara.
Segura o tchan aí porque a gente vai para o intervalo. Aliás, galera do YouTube, eu vou fazer uma pergunta para esses caras no intervalo que não vai dar tempo aqui, mas também não é a pauta do programa. E na volta a gente começa com a Inglaterra, a gente já molhou o bico.
As perguntas vão ser no YouTube, aquelas diretas, né? Boa, boa.
Vamos lá, Lili Passa está de volta.
A sua pergunta agora é o intervalo. Aula.
Foi bacana no YouTube, sempre a possibilidade de você se juntar a gente no chat para bater papo e mandar pergunta. Inglaterra, a Inglaterra falha em momentos decisivos é a frase. Trocando em miúdos para um português, é o famoso: a Inglaterra pipoca, Geodi?
Popcorn? Aí é um fato, não é uma assim, acho que não tem muita subjetividade nessa resposta, basta olhar.
Tira a interrogação.
A Inglaterra falha em momentos decisivos, ponto. Porque assim, a gente tá falando de uma seleção que pegou uma Argentina que não era nenhum fenômeno, tava ganhando, cansada, com uma hora de jogo— não, na verdade, em relação à Inglaterra, meia hora de jogo a mais. É uma seleção bem mais velha, 4 anos mais velha do que a seleção inglesa, faz 1 a 0 e aí entrega. E aí a gente soma isso, por exemplo, as duas últimas finais de Euro, né?
Contra a Espanha e contra a Itália. Essa mais grave ainda, porque essa contra a Itália jogando em casa, jogando em casa. Então, se ela vai jogar de novo em casa a próxima, a próxima Euro, não sei. Assim, jogadores estão ali, o time tá ali, mas de fato eles parecem não se ver. Isso eu tô falando em relação a jogadores, em relação a técnicos. Eles não se olham como uma seleção do tamanho, sim, das gigantes do futebol mundial, maiores do que eles próprios. A impressão que dá é que sim.
Eu não sei quem foi o nosso repórter que tava no jogo, falou tava do lado de um jornalista inglês e no 1 a 0 rapidinho, não, não esquece, vir. Parece aquele torcedor de clube que a gente brinca que tudo acontece com o próprio clube e tal. Eles têm isso e a gente não olha assim. 60 anos, você acha que é por isso?
Não tem como, como, como alguém vai ter convicção que a sua seleção suporta, ainda mais depois dos resultados mais recentes, com uma seleção forte inglesa? E não faltaram jogadores para a Inglaterra. Que perde do Brasil em 2002, é um timaço. Aquele Atlético tinha feito 5 a 1 na Alemanha, em Berlim, se eu não me engano. Foi na Alemanha?
Foi na Alemanha.
Na primeira derrota da Alemanha em toda a história das eliminatórias, num tempo em que o futebol era muito mais equilibrado. Aquilo era um timaço. Chega contra o Brasil, pipocou. Tinha time para encarar o Brasil naquele momento. Pipocou. Foi virada?
Virada e gol.
Então, a Inglaterra é isso agora. Uma hora eu acho que não vai acontecer mais. Quando? Eu não sei. Mas se você disser a Inglaterra é um time pipoca, não tem como negar.
É que tem uma coisa, né, Benedito, que você mesmo falou. Hoje em dia é mais difícil, você tem duas seleções muito fortes. Acho que assim, a gente olhava para a Copa passada, assim, você olha para hoje para França e Espanha, que começaram a Copa como favoritaças. Acho que assim, elas estavam acima das outras em relação ao favoritismo. Depois, claro, as coisas vão mudando, é uma primeira fase ruim. Um monte de gente cobrava comigo depois da primeira fase quando Eu tinha mantido a Espanha como segunda favorita no ranking lá que eu fiz, como se primeira fase fosse mudar alguma coisa.
Agora, eu acho que a questão da Inglaterra é essa: ela tem um dos melhores elencos, ela tem jogadores para caramba, altíssimo nível. Só que ela vai ter sempre para ganhar essas competições, provavelmente vai ter que passar pela Espanha ou pela França ou pelas duas. E dessa vez não chegou nem mesmo a esse combate.
Ó, seguinte, a gente tem mais 3 perguntas, 2 vai ser mais pingue. A última já vou até deixar para ficar aquela dos protagonistas e tal, eu vou deixar com um tempinho maior.
Se você quiser respostas rápidas, adiante, por gentileza.
Confirmou forças emergentes?
Indiscutível, muita gente.
E quem? Noruega, Marrocos?
Você tem alguns países africanos, é uma quantidade absurda, de 10, 9 passaram de fase. Então Aquele Mundial esvaziado, aí vai ser chato, arrastado, não existiu.
Tem uma meiuca boa, né?
Tem, tem.
Não é só isso, as piores seleções estão mais próximas das seleções, vamos colocar primeiro, segundo, terceiro e quarto escalão. As seleções do quarto para o segundo estão muito mais próximas.
Eu acho muito difícil a gente começar qualquer Copa no ritmo que nós vamos, 48, tipo agora provavelmente a próxima 64, que a gente tenha na primeira fase times, equipes voando já. Quem passar vai começar realmente no mata-mata nos últimos 5 jogos. Eu acho que o Mundial vai estar aí.
É, eu acho só fazer uma distinção aqui e olhar para essa Copa, e acho que não é um acaso, porque às vezes a Copa traz acasos. A África sim, a África trouxe, mostrou evolução indiscutível das suas seleções. Acho que né, na média você olha, vê as seleções africanas jogando um alto nível de futebol, inclusive defensivamente, né? Elas que sempre eram acusadas de serem seleções relapsas defensivamente e mais inspiradas ofensivamente, que a gente viu foi até o contrário nessa Copa.
E foi muito legal ver isso. A Ásia não. Eu acho que assim, vamos, porque senão também a gente fica, ah, tá tudo bem, tá tudo. A Ásia tem vaga demais. Demais. Tem vaga demais, porque tem uma seleção que acho que poderia ter ido bem mais longe, que era a seleção japonesa. Sim, ali indiscutivelmente uma seleção forte. Mas se você aumentar para 64 a Copa agora e quiser colocar mais seleção asiática, tá doido, na boa, assim, tudo bem, você vai colocar mais seleção asiática para ter uma população maior no planeta, para colocar a China e para ter uma população maior interessada na competição. Mas tecnicamente não tem muito acrescentar mais.
E as africanas subiram de patamar?
Demais, muito demais. As africanas assim é a grande notícia, eu acho. Muito.
Eu acho até que talvez justificam o que rolou.
Exato. Sim, então a África sim, eu acho que em relação às asiáticas não. Mas a gente até acha que quando fala das seleções emergentes, e eu mesmo cometi, não digo esse erro, mas hoje eu fiz prós e contras da Copa, escrevi uma coisinha a respeito disso tal nas redes sociais. E eu coloquei isso, o brilho das coadjuvantes e tal, mas na verdade talvez eu devesse ter colocado o brilho das seleções africanas, porque para mim foram essas que brilharam de fato.
Ah, o Canadá foi legal, jogou, mas assim, são coisas mais esporádicas. A África em bloco acho que fez uma grande Copa.
Quem vê a Copa Africana das Nações vê um torneio ali de nível para a gente aplaudir, tem muitos jogos bons. Vamos lembrar que Camarões qualquer hora aparece com uma seleção forte. Aí a Nigéria. Sim, então cada vez mais tem seleções competindo em bom nível na África e gostam muito de futebol, e os jogadores atuam também em grandes campeonatos. Ou seja, tendência que o futebol africano continue cada vez crescendo e cada vez mais forte.
É, fora da Copa a gente tem Nigéria, Camarões, mas se você pegar Mali, Burkina Faso, faz parte da Copa das Nações, o pau come, e no nível, jogo muito equilibrado, pegaram e tudo mais.
Só rapidinho, 16 seleções a mais na Copa do Mundo, gente, vai ser assim, ah, não quer mais europeu, não precisa de mais europeu. Precisa, precisa, não tem jeito. E na América do Sul, mais 6 seleções. E se você aumentar 16 seleções na próxima Copa, eu defendo realmente que na América do Sul você não pode mais ter eliminatória, cara. Leva todo mundo, leva todo mundo.
Já tem 3 classificadas, turma. A última, Paraguai.
Acho que tem aumentar as vagas da CONCACAF também.
E começa contigo aí, Calçade.
Foi a Copa com maior protagonismo de craques?
Mas não, não vou, não vou. Não, essa pergunta tá me fazendo o seguinte: de 1930 para cá foi a Copa tal? Então é impossível dizer. Então eu vejo que foi dos últimos, nos últimos mundiais, talvez sim, tava muito focado, o que é legal, mas não é só isso, até porque Deixa eu ver aqui essa lista aqui. Todos dançaram aqui atrás, não tem nenhum que saiu campeão. Então, mas eles são geniais. Eu acho, cara, Copa do Mundo é isso, é o grande jogador com o trabalho bem feito. E aí por isso que a Espanha é campeã.
Eu, eu, fala, fala.
Não, só em relação a isso, que eu acho que no fim das contas tudo caminhava para essa ideia consolidada de a Copa dos craques, a Copa dos protagonistas, como quiserem e tal. Porque de fato, né, não são só esses. Você teve o Bellingham, acho que o próprio Vini Júnior acabou fazendo uma boa Copa. Enfim, então as estrelas das grandes seleções, acho que exceção feita a Cristiano Ronaldo em Portugal e a Lamine Yamal na Espanha, acho que assim, as grandes estrelas de fato brilharam.
Agora, campeã acaba sendo uma seleção que é justamente o oposto disso. Que é a seleção do conjunto, que é a seleção do futebol coletivo e tal. Então não sei se a gente pode chamar de Copa dos Protagonistas uma Copa que teve uma seleção cujo grande mérito foi o time, foi o conjunto.
Eu posso estar falando uma bobagem, mas talvez tenha sido— eu tinha que pensar em todas, mas tô puxando rapidamente pela memória— a que tenha mais protagonistas, mais jogadores de qualidade com capacidade de fazer gols. De frente, fala centroavantes ou atacantes, tipo assim, sempre pega, por exemplo, a lista aqui desses 5, assim, nível muito alto e bem distribuído. Ainda tinha o Cristiano, que é um cara capaz, mas que a seleção portuguesa não ajudou, né?
Então você tem essa ideia porque de fato talvez eles tenham brilhado mais do que— porque obviamente acho que em todas as Copas, se a gente for para trás, a gente sempre vai conseguir pensar 8 caras de altíssimo nível, que ainda tem uns 40 e poucos gols na temporada, o Haaland por aí, eu sei, mas também o Messi não precisa falar.
Eu acho que tem um fator que não pode ser excluído. Eu achei o nível da Copa melhor do que eu esperava pelo inchaço, mas o inchaço também faz uma caminhada sua. Em 8 jogos você ter 2 enfrentamentos aqui, ela foi boa. E se a Noruega, ótimo time, mas a França contra um time reserva meteu 4.
Então assim, e outra coisa, você pega as seleções porque assim também não vamos— eu até sou daqueles que doa mão palmatória para dizer, cara, a queda do nível técnico, que acho que aconteceu, acho que você teve várias seleções abaixo da média, é que a gente esquece. Mas se você pegar as 10 últimas colocadas ali das 48, você vai ver que foram seleções que não jogaram nada. E acho que a presença destas seleções também facilita o protagonismo dos craques.
Quando você tinha uma Copa, pega a caminhada de 70, o Brasil dominava o time gigante, fazer 3 gols no jogo, Uruguai, outro negócio.
Eram 16 seleções disputando o campeonato.
Sim, exato.
E eu acho que tem um também, é o momento que a gente vive, que é de Premier League. Você tem esse cara jogando Premier League lá, ligas, principais ligas, a Liga dos Campeões, que tá todo mundo reunido. Então isso gera um confronto entre eles e uma disputa que é natural a gente trabalhar isso durante 4 anos e tentar enxergar no Mundial. E eles estão no Mundial. Então hoje, com este monte de seleção, é mais difícil você deixar.
Alguns ainda acabam ficando, mas a maioria tá dentro, tem mais protagonizado. 64, então, tirando a Itália, que tá— vamos ver se vai, né, Jean? Mas quem sabe agora vai, de algum jeito vai.
Mas dos protagonistas, quem assim, primeiro, concordaram? Eu sei que vocês devem ter falado ontem, ontem no de passe, eu tava comemorando a vida, desculpa, o título da Espanha. Então não tava tão ligado em vocês, mas o destaque individual, porque levou o Rodri, que faz parte de um símbolo de um jogo coletivo, Rodri, Messi, Mbappé, né?
Então eu falei ontem, repito hoje, eu acho que o prêmio pode ser considerado justo porque o Rodri ele simboliza o que é o futebol espanhol. Mas repito o que eu disse ontem, eu acho que talvez sem o Rodri a Espanha tivesse sido campeã do mesmo jeito. Eu acho que sem o Mbappé, pela quantidade de craques, a França teria chegado à semifinal do mesmo jeito. E acho que sem o Messi a Argentina não teria chegado na final, talvez não tivesse passado nem da, da 16 avos.
Então eu, olhando para as atuações individuais, pesando tudo isso, quer dizer, a importância de cada protagonista em cada seleção, acho que o meu voto é muito—
desculpa a palavra, porque ela fica entre imbecilidade e só uma divagação.
Se o Mbappé jogasse na Argentina e não tivesse o Messi, fosse só Mbappé o atacante, eu acho que o Mbappé teria capacidade talvez de levar a Argentina muito longe.
Eu só não sei se ele mobilizaria os outros 25.
É outra questão, é aquela energia que o Tomasse bordô e tomasse Malbec.
Mas isso é uma boa.
Para mim, o grande jogador foi o Rodri. Agora, o destaque, um cara de 39 anos fazer o que ele fez, apesar da Argentina ter dado um vexame depois. Sim, foi um vexame, foi um horror, né? Os caras tentando socar os outros, o cara passou virando de costas, o Messi tentando expulsar o Cocoreli ali. Isso foi uma vergonha.
É preciso saber dele.
Mas um cara de 39 anos, você conseguir espremer carreira dele, levar até os 39, maravilha. Acho que nenhum outro vai conseguir.
Calçário, abraço.
Amanhã tem mais, né, de passe. Quarta tem mais e quinta tem mais.
Acho que não.
Tchau, tchau, tchau!
Valeu, galera!
Voltamos aos clubes, finalmente.