Episódios de Igreja Presbiteriana Moriah

O grande mandamento | Marcos 12.28-34 (ep.48)

04 de maio de 20261h3min
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Um escriba faz uma pergunta que resume toda a lei de Deus. A conclusão de Jesus para o cerne da nossa relação com o Criador é revolucionária. Misericórdia é superior ao sacrifício. Vamos aprender juntos com o Messias.

Pregação do Rev. David Horta no Culto do dia 03/05/2026 na IP Moriah em Americana-SP.

Participantes neste episódio1
D

David Horta

HostReverendo
Assuntos6
  • O Grande MandamentoA pergunta do escriba · A essência da lei · O Shemá Israel · Amar a Deus · Amar ao próximo
  • Amor sem condiçõesMisericórdia como padrão · Não dar ao outro o que ele merece · Amor ao inimigo · A fábula do lobo e do cisne
  • O Senhor dos AnéisExclusividade de Deus · Novas divindades contemporâneas · Confiança em Deus vs. ídolos · A unidade de Deus (Echad vs. Yashid) · A Trindade
  • Sacrifício vs. Obediência e AmorA irrelevância do sacrifício sem amor · A obediência como prioridade · A crítica profética aos rituais vazios
  • Evolução do amorAmor como medida e ordem · Amor puro vs. amor egoísta · Amor como identidade
  • Amor de JesusJesus como exemplo de amor · Jesus como sacrifício · Jesus como agente de misericórdia
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a nossa agenda aí da nossa semana, vamos estudar a Palavra de Deus, queria convidar você a abrir a sua Bíblia no Evangelho de Marcos, nós estamos no capítulo 12, Evangelho de Marcos, capítulo 12, última semana da vida de Jesus Cristo e como você já percebeu nos nossos últimos encontros, Jesus está tendo embates com líderes religiosos.

Ele chegou em Jerusalém por meio de um símbolo. A entrada triunfal de Jesus representa na cidade santa que o rei chegou, carregando o seu povo em triunfo. Eis o rei. Depois ele faz um outro ato simbólico muito especial.

ele purifica o tempo, ele vai lá, vira a mesa, chuta a cadeira, mostra para aqueles cambistas que eles tinham transformado aquele lugar que era uma casa de oração para todos os povos em lugar de ladrões, salteadores, exploradores da fé. E isso incomodou os líderes religiosos.

Porque o sinedro, composto pelos saduceus, pelos fariseus, pelos escribas, ficou incomodado, porque Jesus estava provocando todo o sistema. E aí, o que eles fizeram? Quiseram desacreditar Jesus, mostrar que a teologia de Jesus era falsa, que os ensinos dele eram furados, e aí tivemos uns embates. Tivemos já alguns embates.

Este é mais um, da última semana de Jesus Cristo, próximo à sua crucificação. Esse talvez seja o último embate de Jesus Cristo com o Sinedro e aqui, no caso, os escribas. Mais uma vez eles aparecem e aqui vem uma pergunta interessante a Jesus Cristo.

E é uma pergunta que ecoará para nós, ela vem de um escriba que estava incomodado. Essa é a primeira pergunta feita de uma forma não hostil. Eles queriam desacreditar Jesus e eles vinham com sangue no olho. Mas parece que esse escriba que chegou até Jesus, ele ficou assim surpreendido com as respostas que Jesus estava dando. E aí ele fez uma pergunta aparentemente sincera.

Não dá para sentir no texto bíblico, Marcos aqui não deixa uma nuança de ódio, ou de pegadinha, ou de algo escondido por parte do escriba, parece que esse cara estava realmente querendo saber a opinião de Jesus. E aí esse diálogo é legal. Porque é uma pergunta provocadora ali, e também é uma pergunta que vai ecoar para nós.

tem a ver com qual é o grande mandamento, que é o tema da nossa mensagem de hoje. O grande mandamento. Marcos, capítulo 12, do versículo 28 até o 34. E a ideia de grande aqui não é a ideia de maior ou menor, mas é a ideia de essência. Qual é o mandamento que, se você resumir todos os mandamentos, ficará este.

Qual é o mandamento que sai todos os mandamentos dele? Imagine, sabe quando você pega as pedrinhas de dominó, monta uma fileira assim e dá um tutututu, sabe isso? Qual é a pedra inicial? Qual é aquela pedrinha de dominó que você bate nela e ela vai derrubando todas as outras? Essa é a pergunta do escriba. Qual é essa pedra aqui inicial? Qual é a mais importante? Essa é a ideia de o grande mandamento.

Vamos lá? Estão comigo? Acompanhe a leitura na sua Bíblia, diz assim a palavra de Deus. Aproximou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e percebendo que lhes havia respondido bem, olha só que interessante, perguntou-lhe qual é o principal de todos os mandamentos? Jesus respondeu, o principal é...

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e de todas as suas forças. E o segundo é este, amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esses.

E o escriba lhe disse, muito bem, mestre, é verdade que ele é o único Deus e que além dele não há outro. E que amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.

Vendo que ele havia respondido com sabedoria, Jesus lhe disse, não estás longe do reino de Deus. E ninguém mais ousava interrogá-lo. Quando eu leio esse texto, eu imagino uma cena assim.

Imagina você dentro da sua casa e você tem a notícia que está em chamas, começou a pegar fogo. O que é que você salvaria? O que você pegaria nesse breve tempo que você tem? Pegaria, claro, se você é um pouquinho esperto, pegaria os seus filhos, pegaria, botaria assim, correria, pegaria alguém que você tem mobilidade mais baixa e tal.

Mas, beleza, desconsiderando a família, que eu acho que, pelo menos aqui, todo mundo falaria isso. Por favor, se você não falaria, fique quieto. Mas, a família, em primeiro lugar. Mas, e depois, em segundo lugar? O que você pegaria? Talvez fotos? Fotos são irrecuperáveis, não é verdade? Hoje é por meio digital também, mas fotos são coisas que não tem, não tem dinheiro que restaure fotos.

Talvez fotos? Talvez alguma lembrança de algum lugar, de algum momento, de algum tempo especial que você viveu? Uma aliança, quem sabe? Uma flor, um retrato?

pegaria e levaria, por quê? Porque eu imagino, depois você saindo e olhando lá, tudo se desmorolando, mas aquilo que era o mais importante, o essencial, você salvou, você pegou, e aquilo ali é o resumo de toda a sua história até aquele momento.

Essa é a questão aqui levantada. Porque não era uma pergunta assim aleatória, era algo que eles sempre conversavam. Todos buscavam essa resposta. Era algo debatido pelos judeus, pelos escribas, os fariseus, os líderes religiosos, os intelectuais da época. A elite religiosa fazia essa pergunta. Se rasgasse todos os mandamentos, todos os pergaminhos se perdessem, qual seria o único importante para se salvar?

Se estivesse pegando fogo em todos os manuscritos, qual você correria para pegar? Qual é o mandamento que você resumiria todo e a partir dele você conseguiria interpretar toda a escritura?

Essa é a pergunta que todos debatiam ali. Olha só comigo, para a gente entender esse contexto de que todos queriam essa resposta. Essa não era uma pergunta qualquer, mas um debate comum entre os rabinos, já que a Torá, a lei, continha 613 mandamentos.

248 dos mandamentos positivos, 365 negativos. Eram 613 mandamentos, estatutos, que partiram ali dos 10 mandamentos e, a partir deles, foram se desdobrando. 613, alguns positivos, alguns negativos. Então, era muita coisa.

Eram mandamentos de todas as áreas possíveis, morais, cerimoniais, civis, de tudo quanto é coisa. E a pergunta era, qual é a essência desses mandamentos? Qual é o mais importante? Qual é que resume todos esses 613?

Era um dilema. Os judeus queriam saber disso. Eles discutiam como resumir toda a lei sem distorcê-la. Olha que pergunta inteligente. Como a gente pode resumir toda a lei, todo o Antigo Testamento, todas as propostas da lei de Deus, em uma única frase?

Em uma única sentença, como reduzir tudo? É uma excelente pergunta. Os escribas formavam a elite intelectual e religiosa, juntamente com os outros líderes ali. Eram responsáveis por copiar a lei, interpretar, ensinar, sendo amplamente respeitados. Então, quem perguntou a Jesus Cristo não é qualquer um. É alguém que traduzia, é alguém que escrevia, é alguém que ensinava, é alguém que ministrava. Era um intelectual da época.

era alguém apto a também dar uma opinião e considerar a opinião de quem estava dando. Por isso teve um diálogo interessante aqui em Jesus e esse escriba. A resposta e a interlocução dos dois é muito bonita, é interessante. Assim, quando esse escriba se aproxima de Jesus, ele está buscando o essencial, aquilo que realmente importa quando a casa pega fogo. O que é que importa?

Então, Jesus respondeu unindo dois textos bíblicos. A resposta de Jesus são dois textos bíblicos do Antigo Testamento, dois textos da lei. O Shemá, que é conhecido, Shemá é uma palavra hebraica, que significa ouve, escuta, e aqui o sentido não é simplesmente só ouvir, é escuta para obedecer.

ouve, filho, sabe quando você chama a criança e fala assim, olha, escuta aqui, é nesse sentido, escuta a instrução que eu vou te dar. Então, o Shemá, que é bem conhecido no livro de Deuteronômio, é o primeiro texto que Jesus cita, tem a ver com ouve, ouve, Israel, que eu tenho para te dizer, do texto de Deuteronômio 6, e a gente vai dar uma olhada nesses textos.

como a declaração central do amor a Deus. O Shemá é resumido pelo amor a Deus. Ame ao seu Deus. E o outro texto que combina a resposta de Jesus está na lei também, no livro de Levítico. Capítulo 19, versículo 18. Como o coração ético de toda a lei. Onde esse amor se traduz na forma como tratamos o próximo.

Os dois mandamentos centrais que Jesus aponta têm a ver com as tábuas da aliança mosaica. Imagine as duas tábuas de Moisés. Uma tábua tem a ver da relação humana com Deus. Não terás outro Deus acima de mim.

Primeiro mandamento, guardarás o dia de sábado. Os mandamentos que têm a ver da relação do ser humano com Deus. É a primeira tábua. Na segunda tábua, tem a ver da relação dessas pessoas que se relacionam com Deus, como elas se relacionam com os outros. Não roubarás, não darás falso testemunho, não adulterarás. É a relação ética.

O que é ética? Ética é o convívio social, aquilo que determina o que é certo e errado na relação comum. Moral é aquilo que eu entendo como certo e errado. Moral tem a ver comigo. Moral é o meu caráter, é a minha essência de valor. Ética é aquilo que nós combinamos para ter uma relação boa como sociedade. Isso é ética.

Por isso, o segundo mandamento tem a ver com a ética, tem a ver com a relação, tem a ver com a segunda tábua. A primeira tábua, ame a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, como a ti mesmo, a segunda placa. Essa é a resposta de Jesus Cristo.

Olha que belíssimo isso. Ele pegou as duas placas da lei, que é a essência mosaica nos 10 mandamentos, centrou a primeira placa, relação com Deus, centrou a segunda placa, relação com o próximo. Jesus vai desenvolver...

esses dois mandamentos como o tema da sua resposta, sendo o maior, a essência de toda a lei. E aí a gente vai explorar agora e examinar a resposta de Jesus, separando, então, essas duas placas da lei e pegando a primeira parte. Deuteronômio 6, queria que você fosse comigo lá e olhasse lá o texto. Abra lá comigo em Deuteronômio, capítulo 6, nós vamos ler o versículo 4 e o versículo 5.

Lá no Antigo Testamento, primeiros livros da Bíblia, cinco primeiros livros que são a lei, Deuteronômio capítulo 6, versículo 4 e versículo 5. Contexto, o povo vai entrar na terra, e a terra vai ser vizinha de muitos outros povos, e esses povos eram cheios de divindade.

O povo vai chegar na terra, vai habitar a terra, vai construir uma nação. E Deus tem uma instrução final aqui. Ouve, Israel, a instrução final, para que você, daqui a um tempo, não se perca. Depois que você se estabelecer na terra, começar a prosperar, para você não se esquecer e acabar sendo contaminado com outros deuses, acontaminado com o conforto, com a prosperidade, para que você não se perca na administração da terra, da sua vida e da relação com os vizinhos.

Entrando na terra, Deus tem uma instrução, é o Shemá. Então vamos lá comigo, Deuteronômio 6, capítulo 6, versículos 5 e 6. 4 e 5, desculpa. Ouve, ó Israel, eis o Shemá. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Olha essa frase que boa.

O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Por que ele está dizendo isso? Porque vamos conviver com poligamia. Poligamia é politeísta, na verdade. Poligamia tem a ver com as relações familiares. Vamos conviver com povos politeístas.

Eles amam divindades, para tudo quanto é coisa. Divindade da terra, divindade do mar, divindade da chuva, divindade da fertilidade. Vamos conviver com tudo isso. E essas relações culturais, toda relação cultural tem troca de cultura. Veja o Brasil. O Brasil é uma miscelânea de culturas misturadas. Você pega uma coisa de lá, uma coisa daqui e vai incorporando na sua vida.

Mas aqui, Deus está falando para eles, olha, essas relações culturais que vocês vão ter, tem uma frase muito importante. Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. E aí vem o versículo 5. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças.

Vamos separar aqui, vamos avaliar essas duas sentenças desse versículo. A primeira é, Deus é o único Senhor. É o primeiro mandamento. Não terás outros deuses diante de mim. Do que se trata isso? Jesus nos leva de volta ao momento em que Israel estava prestes a entrar na terra prometida.

Cercado por nações idólatras, com muitos deuses com promessas distintas, ali é declarado o Senhor, nosso Deus, é único. Essa afirmação não é apenas matemática de unidade, ela é relacional e exclusiva. Deus não divide a sua glória, não aceita concorrentes, não pode ser colocado ao lado de outros.

Olha que interessante, ele é o único digno de aliança, o único Senhor da vida. Jesus ensina sobre um relacionamento exclusivo. A primeira frase está dizendo para aquele povo, cuidado para que você não divida a glória que Deus não divide com ninguém.

E do que se trata essa glória? A glória de exclusividade. Ele é o único Deus, é o único Senhor. Ele não é compatível com ninguém. Um erro que às vezes a gente comete é achar que o adversário de Deus na Bíblia é o diabo. Não existe adversário de Deus na Bíblia. Não existe adversário.

Existe inimigo, inimigo é aquele que se coloca contra Deus, por exemplo, Satanás. A palavra Satanás significa adversário, aquele que se coloca contra, o oponente. Existe um opositor, mas não existe no sentido de igualdade. O Satanás é aquele que se opõe, é a melhor maneira de entender a palavra Satanás, o opositor. Mas não no sentido de que ele é páreo.

Ele é o inimigo de Deus, não tem inimigo de Deus. Entende essa ideia? Deus é um único, não tem inimigo. Então, não tenha medo, Israel. As outras divindades não são párias para mim. Os outros deuses não podem colocar medo. Por quê? Porque eles não são como eu. Eu sou único, não tenho adversários.

Agora traga para a gente essa frase. Porque quais são os ídolos hoje? Ninguém se curva hoje diante de uma estátua de Baal, por exemplo, que era o deus do trovão, deus da chuva. Ninguém se curva diante de Astarate, deusa da reprodutividade, da fertilidade. Ninguém se curva diante dessas estátuas. Mas...

As divindades que estão por aí, e nós muitas vezes tendemos a nos curvar, são tantas outras. A gente sempre tem um porém com Deus. Ah, eu creio em Deus, mas a gente tem que fazer o nosso joguinho aqui, o nosso jeito, porque se não, vai que não dá. E aí a gente se curva muitas vezes diante de uma mentira.

diante de um esquemazinho, diante de uma maliciazinha, diante de um negócio sujo, diante de uma vida não tão legal, ou, às vezes, até um desejo legítimo.

Eu preciso cuidar dos meus filhos, preciso administrar a vida com os meus netos, eu preciso que eles tenham uma vida boa. E aí a gente coloca os nossos filhos, ó, Deus, eu entendo o Senhor, mas eu preciso cuidar dos meus filhos, eu preciso priorizar eles, eu preciso. E a gente se curva. Trabalho, rotina, sonhos.

São as novas divindades, são as divindades contemporâneas. E Deus está dizendo, eu sou o único Senhor, não divido a minha glória com ninguém. Será que nós acreditamos de verdade nisso? Eu tive uma conversa recente com uma pessoa que eu achei interessante. Ela estava num dilema com relação a finanças.

E ela tinha muito medo de Deus voltar para que essa pessoa tivesse uma situação de pobreza de novo. E aí, ela disse uma coisa que eu achei muito interessante. Ela falou assim, eu tenho medo porque todo crente verdadeiro e que leva a Deus a sério, essas pessoas são pobres. Essas pessoas, elas não têm dinheiro, elas ficam aí mendigando, elas ficam sofrendo. E eu não quero esse tipo de coisa.

Aí eu achei engraçado isso, porque eu falei, eu sou pobre? Eu falei assim, nossa, eu devo estar muito molambento mesmo, ou ela está falando que eu não levo nada a Deus a sério, uma das duas, ou eu não estou nem aí com Deus, ou eu sou muito molambento.

Porque é uma ideia de que a gente precisa ajudar Deus. Porque se você levar Deus muito a sério, se você se consagrar de verdade a Deus, se você crer que Deus é o único realmente suficiente Deus, em que Ele vai suprir todas as coisas, você vai acabar se dando mal. E às vezes a gente não fala isso, mas às vezes a gente crê nisso.

Porque a gente duvida que Deus vai fazer as coisas se fecharem, fechar as contas do mês. A gente duvida que vai ter comida. A gente duvida que vai dar para pagar alguma coisa, plano de saúde, ou a empresa fechar a conta. A gente duvida muitas e muitas vezes disso. E aí a gente faz negócios. Isso é muito trágico.

porque Israel penou muitas vezes na sua história, porque não confiaram na palavra de Deus. Deus falando, ouve Israel, não confia no Egito. O Egito parece mais poderoso, parece que vai proteger vocês contra os assírios. Não confie neles, eu sou o Senhor, acredite. A Israel olha para as suas armas, olha para a Síria, povo muito monstruoso, olha para o Egito, fala, eu vou correr para o Egito.

E a gente?

Será que a gente acredita mesmo que Deus é o único Senhor? E Senhor aqui no sentido de o dono da prata e do ouro, o criador de todas as coisas, o mantenedor, o provedor, o Senhor da história. Será que nós acreditamos mesmo nisso? Ou a gente fica o tempo todo duvidando que Deus pode cuidar de nós? Que Deus pode proteger os nossos filhos? Que Deus pode dar saúde, ou curar, ou libertar, e fazer o que Ele quiser? Será que a gente acredita mesmo nisso? Ou a gente sempre quer dar uma ajudinha, uma desculpa para Deus?

isso é provocador irmãos a essência da lei começa em entender que ele é senhor ele é o dono de todas as coisas ele é poderoso, ele é suficiente para dizer haja luz e haverá luz haja cura e haverá cura abra a porta e abrirá a porta, feche a porta e fechará a porta

Ele é o Deus que diz e acontece. Ouve, Israel, eu sou o único. Isso é muito legal. Porque isso aquieta o nosso coração quando a gente crê nisso de verdade. Claro que a gente vai trabalhar, vai se esforçar, vai cuidar da nossa família, vai partilhar a vida e vai enfrentar os leões cada dia.

Mas saiba de uma coisa muito boa que Jesus está dizendo aqui, apontando para a lei do Antigo Testamento. Ouve, filho, esse é o mandamento principal, é o cerne de tudo. O Senhor é o único que você precisa. O Senhor é o único que é suficiente. É o Senhor. Você já parou para pensar? Tudo vai acabar. Tudo vai acabar. Essa roupa que você veste, por mais bonita ou cara que seja, vai acabar.

A sua esposa, por mais nova ou mais velha que ela seja, o seu marido, por mais bonito ou feio, vai acabar. Vai acabar. Já pensou nisso? Vai acabar. Vai acabar. Tem uns dias, agora, parentes dentro do colchete, levando o reverendo Anderson. Tem alguns dias eu abraço a Kate, ela está dormindo, eu abraço ela e falo assim, isso vai acabar.

Você já teve essa sensação? É tão terrível. O Shabbat diz, isso vai acabar. E vai acabar. Os seus filhos vão acabar. Tudo vai acabar. Os seus amigos, tudo passará. Tudo, tudo. Essas paredes, esses bancos, tudo vai acabar.

Tudo, a única coisa que não passa é a palavra de Deus. Eu sou o Senhor. Eu sou quem lhe dá identidade. Eu sou quem te dá eternidade. É só em Cristo, é só no Senhor.

Cuidado para que você não ponha toda a sua vida, toda a sua esperança, todo o seu sentimento em coisas que vão passar. Não divida a glória do Senhor com nada desse mundo. Não vale a pena. Não divida nada, nada, nada com o Senhor.

O mandamento essencial começa com a singularidade de Deus. E aqui um detalhe interessante do texto, só como uma informação. A palavra que é usada aqui é muito legal. Um detalhe dessa unidade divina é a palavra hebraica usada, Echad, um.

O Senhor é um, é a palavra echad, que aponta para uma unidade completa e indivisível. Deus é único, não tem divisão nele, ele é pleno. Mas olha o detalhe dessa palavra, mas não uma solidão absoluta. Aqui é algo bonito, porque esse Deus é um, esse Deus é um, não tem o sentido de solitário, não tem o sentido de único.

Echad fala da unidade, como, por exemplo, no casamento.

Deixará pai e mãe e unirá-se a sua esposa e tornará uma só carne. Essa palavra da unidade do casamento, duas pessoas, uma só carne, é a palavra echad, que aparece nesse texto. Deus tem essa conotação de complexidade relacional na sua unidade. Ele não é um Deus solitário.

Mesmo no livro de Deuteronômio, já dá uma ideia de que o nosso Deus, ele é um único Deus. Mas ele é um Deus relacional. E a vé é um Deus que vai ser apresentado durante toda a escritura como pai, filho e espírito. Uma unidade relacional. Como o homem e a mulher, que é a imagem e semelhança de Deus. O homem e a mulher é a imagem e semelhança de Deus. Por quê?

Porque um casal, uma unidade representada na relação, uma unidade representada na relação trina. Essa palavra eixade é muito importante. Se Deus quisesse falar que ele é único, que não tem nada, um Deus solitário, ele teria usado a outra palavra. A outra palavra que tem no hebraico, ela aponta para essa unidade, é a palavra yashid.

Yashid é a ideia de absoluto, não tem mais outro, é solitário. É a palavra que aparece, por exemplo, quando Abraão vai sacrificar Isaac. O seu único filho, o seu Yashid, ou o único Deus. Deus, Yashid, único, solitário, não tem outro. O único filho lá de Abraão, não tem outro.

Essa é a beleza desse jogo aqui em Deuteronômio. E às vezes a gente não entende, né? Poxa, mas a Bíblia não está dizendo que Deus é um só? Como é que o Filho é Deus? Como é que o Espírito é Deus? E aí a gente fica confuso. E algumas pessoas tentam resolver esse mistério, por exemplo, como os testemunhos de Jeová, que dizem que o Filho não é Deus, e nem o Espírito é Deus, porque só existe um Deus solitário. E aí eles olham para esse texto e dizem, só há um Deus.

Só que aí não há um respeito para o texto bíblico.

Porque o texto bíblico está dizendo, existe realmente um único Deus. Mas esse Deus, ele não é Yashid, solitário. Ele é um Deus echad, complexo. Ele é único, indivisível, mas ele tem uma relação ali. Tanto é que depois você vai vendo os textos na frente. Façamos o homem a nossa imagem e semelhança. É plural. A quem enviaremos?

quando aparece no profeta Isaías. A quem enviaremos é plural. Elorrim, que é um dos nomes de Deus, é plural.

Isso é muito bonito, porque o Antigo Testamento vai construindo a ideia de um único Deus que é três. E aqui não é uma questão matemática e nem lógica na nossa cabeça, porque a trindade não é explicada, ela é um mistério. O mistério de uma única essência, um único ser divino, que existe em três pessoalidades. Pai, Filho e Espírito para sempre. Um ser eterno.

Único, exait, único, exat, no sentido de relacional, mas no sentido de sozinho, como não divide a sua glória com ninguém. Isso é muito bonito desse texto bíblico. É só um detalhe para que a gente, muitas vezes, quando a gente encontra alguém que usa esse texto, para falar, olha, como é que Jesus é Deus se está falando que só existe um Deus? E aí é beleza de entender a palavra aqui. Isso é muito legal.

Um desdobramento dessa primeira parte do único Deus é que tem a ver com a relação com esse Deus. Porque o ouro Israel é, eu sou o único Deus. Como vai ser a nossa relação? Aqui entra o amor. Essa é a beleza da continuidade do versículo. Amarás o Senhor teu Deus. O amor é o mecanismo de relação com Deus.

O amor supera os sacrifícios. O amor supera os holocaustos. O amor supera qualquer coisa. O que é que Deus espera de nós? Amar. Amar o Senhor teu Deus. De todo o coração, com toda a sua alma, com todas as suas forças. Está aqui no Shema.

Jesus vai acrescentar duas palavras aqui, entendimento, ele vai acrescentar a palavra da ideia da razão, mas o bonito aqui é que a relação com esse Deus, ela é uma relação de exclusividade, mas ela não é uma relação de servidão no sentido de medo, temor. Escravos. Deus é um Deus carrasco, um Deus que quer que você seja massacrado, ajoelhe, ande no milho, ande arrastejando-se.

A ideia de Deus aqui não é a ideia de poderosos desse mundo. Dê poder a esse pessoal aqui nesse mundo. Vai esnobar você, vai pisar em você. Vai dar oportunidade, vai arrotar sobre você. Os poderosos desse mundo são malignos.

Agora, a ideia de um Deus poderoso, a ideia de Yavé, ela é diferente de todos os deuses e de toda a ideia de poder maligna desse mundo. Porque esse Deus, ele quer que você se aproxime dele, baseado não em sacrifício e holocausto, mas em amor.

Não em medo de tomar chicotada, ir para o inferno, de morte, não. Mas em tremor, de adoração, de contemplação. Sabe quando você se aproxima daquela pessoa e você quer abraçá-la, quer senti-la, quer tocá-la, quer vibrar perto dela. Essa é a relação que Deus quer ter com o seu povo. Uma relação de amor. Olha lá comigo.

Não é apenas um discurso de tradição o que Jesus está dizendo, mas Jesus está colocando Deus no centro da vida.

A relação de amor é o centro da nossa existência. Quando diz, amarás o Senhor teu Deus, não fala de um sentimento superficial, como gostar, admirar ou simplesmente concordar com Deus. Mas a ênfase aqui do texto é a palavra toda, de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento. Por quê? Porque a palavra toda, ela orienta a relação com Deus.

marcada por lealdade, devoção, entrega, exclusividade, o coração como a nossa identidade, a alma como os nossos desejos mais íntimos, quem somos quando ninguém está olhando, essa é a ideia de todo desejo.

A mente como a forma de pensar e interpretar o mundo. A força como a prática diária de tempo e recursos. Em outras palavras, amar a Deus é viver de tal maneira que tudo em você, desejos, identidade, pensamentos, ações, estejam alinhadas a Ele.

O que Jesus está provocando aqui, e eu volto agora para o texto de Jesus, porque ele acrescenta duas palavras, ele responde, amarás o Senhor, teu Deus, de todo o coração, de toda a tua alma, de todo o entendimento, de toda a tua força, tudo, tudo requer amor. E o que é amar?

Amar é quando você se sente seguro, acolhido. É quando você tem paz. Isso é decorrência do amor. Quando você tem paz porque tem dinheiro para pagar o boleto de amanhã e você não está incomodado e dorme tranquilamente, você está amando outra coisa que não é Deus. Porque se não tivesse o dinheiro, você estaria tanto na paz quanto com o dinheiro?

Certo? Quando você tem um boleto, vai vencer amanhã. Você tem o dinheiro? Você não dorme preocupado. Você tem o dinheiro para pagar? Tenho paz. Agora, quando você não tem a grana, você só tem Deus, você dorme em paz? Essa é uma excelente pergunta. Porque aquilo que nos amamos, aquilo que nós amamos de verdade, é o que nos dá paz.

E aí o convite de Jesus Cristo é, quer ter uma experiência verdadeira com Deus? O maior dos mandamentos é você desfrutar desse amor de todo o coração. E o coração aqui é a nossa identidade. É a nossa identidade.

Nós somos filhos de Deus. Nós o amamos. E é isso que permanece. Como eu disse, todas as coisas passam. Tudo acaba. Mas o nosso coração, firmado em Deus, e amando a esse Deus, estará seguro para sempre. Amarás o teu Deus de todo o coração. Tenha essa confiança de que Ele está comigo. Ele estará comigo e Ele manterá quem eu sou para sempre. Ainda que tudo passe.

que hoje eu sou marido, amanhã eu posso não ser mais. Posso ser viúvo, ou a Kate, viúva, não sou mais marido. Hoje eu sou pai, amanhã posso não ser mais. Hoje eu sou pastor, mas amanhã posso não ser mais. Porque a minha identidade não pode estar ligada com essas coisas que acabam. Porque se a minha identidade estiver ligada com as coisas que acabam, quando elas acabarem, eu perco todo o meu ser. Porque eu deixo de ser aquilo que eu sempre achei que eu era. Mas eu sempre achei que eu era pastor.

mas por algum motivo Deus me tirou do ministério. E aí eu não sou mais pastor, aí eu vou fazer o quê? Vou morrer porque não tenho mais identidade? Tudo passa, irmãos. Por isso que todo o coração, quando ama a Deus, tem a única identidade que não passa. Filho de Deus. Relação com o Senhor, que é único. Isso não passa.

Céus e terras passarão, mas você será sempre filho de Deus. Isso é muito bonito. E a ideia de alma, os nossos desejos, os nossos sentimentos, a nossa mente, compreensão do mundo, as nossas forças, poder pegar cada uma dessas palavras e destrinchar ela. Mas pegando força.

Força tem a ver com como você gasta o seu gás, sua energia, o fôlego de vida que você tem, a sua força. Como é que você gasta a sua força? Amarás o teu Deus com todas as suas forças. Como você investe o seu tempo? Isso é muito legal de perguntar a si mesmo.

Estou investindo a minha vida para quê? Qual é a grande agenda da minha vida? O grande propósito da minha vida? Você está pensando em ter ou em ser? Porque a gente sempre pensa em ter, os nossos planos sempre são em ter coisas. E aí planejamos e organizamos sempre para ter. Mas a essência, amar a Deus com todas as forças, tem a ver com o ser.

A força de se tornar cada vez mais parecidos com Jesus Cristo. Isso demonstra o nosso amor. Ser como Cristo, o humano ideal. Esse é o resumo de toda a lei. Como primeira parte. Amarás o teu Deus como o único Deus. E amarás o teu Deus com todo o seu ser. É a essência de todo o mandamento. Olha só essa frase.

do Tomás de Aquino. O amor a Deus é a medida e a ordem de todos os outros amores. Quando a gente ama a Deus sobre todas as coisas, esse amor a Deus vai ser a medida de todos os outros amores. Como assim?

Porque nós amamos, o ser humano é um ser que ama. Nós amamos nossos filhos, amamos nossos amigos, amamos as nossas coisas. Nada de errado nisso. Nós somos seres que amam. O problema é quando você ama mais alguma coisa ou alguém do que o próprio Deus. Quando isso acontece, ou ama você mesmo mais do que o próprio Deus, quando isso acontece, o amor fica impuro.

Aí se torna um amor egoísta, um amor de troca, um amor de benefício. É um amor que fica na dependência, nas expectativas. Por isso Deus convida, ame a Deus sobre todas as coisas. Por quê? Porque ao partir do momento em que eu começo a amar a Deus, Ele purifica o meu amor, Ele limpa o meu coração. Aí o meu amor para com Deus vai fazer com que eu ame a mim mesmo de uma maneira correta e ame as coisas e as pessoas de uma maneira correta, na sua ordem.

As outras coisas não vão ser coisas que vão me escravizar, me manipular. Por quê? Porque eu amo a Deus, o amor a Deus purifica o meu amor com todas as outras coisas. O amor a Deus é a medida e a ordem de todos os outros amores. Ame o seu cônjuge, ame os seus pais, ame os seus filhos, só depois de amar a Deus.

porque o amor a Deus purifica o nosso amor, e aí podemos amar corretamente as pessoas, sem abuso, sem exploração, sem subjulgar-se, sem esperar nada em troca. O amor puro vem daquele que nos amou primeiro. Por isso, o amor a Deus é a medida de todos os amores. Uma segunda dimensão desse texto, porque tem um desdobramento, e aí vai para o livro de Levítico.

Além de amar a Deus, amar ao próximo é a prova viva do amor a Deus. E aí nós vamos ao texto de Levítico, convido você, Levítico 19, 18. Deixa o seu dedo em Marcos aí. Olha o outro versículo que Deus, filho, apresenta como a essência, o grande mandamento. O primeiro é amar a Deus sobre todas as coisas.

E o desdobramento desse amor é claramente provado pelo amor ao próximo. Levíticos 19. Olha só, alguns versículos antes de chegar no 18, que é o que Jesus usa.

Olha o 9, 19, 9. Quando fizerdes a colheita da tua terra, está falando lá para o dono de terra que plantou, não colherás totalmente nos cantos do campo, nem recolherás as espigas caídas da tua colheita.

Por quê? Da mesma forma, não colherás a tua vinha até os últimos frutos, nem recolherás as uvas caídas da tua vinha. Tu as deixarás para o pobre e para o estrangeiro. Eu sou o Senhor vosso Deus. Não queira lucrar em tudo. Não queira ganhar em tudo. Deus separa uma parte da colheita para distribuir para as pessoas que não têm.

Cabeça do cara que é o dono da terra. Na verdade, ele não é o dono da terra. Ele é o administrador do dono. E aí Deus está falando assim, use aquilo que você tem, você me ama? É eu que estou te dando essas coisas? Então também partilhe. Deixe uma parte para as pessoas escolherem. Olha só o 13, 12. Vamos ler vários, 11. Não furtareis relação com o próximo.

Não enganareis, nem mentireis uns aos outros. Relações éticas de quem ama a Deus. Não jurareis falso pelo meu nome, profanando o nome do vosso Deus. Eu sou o Senhor. 13. Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás. O pagamento do diarista não ficará contigo até amanhã seguinte. Se você tem o dinheiro para pagar, não explore.

Não engane. Não deixe a pessoa que depende de você como um pedinte.

Não amaldiçoarás o surdo, nem porás tropeço na frente do cego, mas temerás o teu Deus, eu sou o Senhor. Perceba que as relações que o livro de Levítico está falando, a ética social, ela não é porque você é bonzinho, ou eu sou bonzinho, ou qualquer pessoa é bonzinha, ou é por causa do outro, não é por causa do outro, é por causa de Deus. Você não me ama? Não ama a Deus? Deus está falando assim, você não me ama?

Então, ame aqueles a quem eu amo também. Então, você não está atendendo ao próximo porque ele é bonzinho, porque ele merece. Não, é porque você me ama. Isso é misericórdia. Misericórdia. Guarde essa palavra misericórdia. 15. Não farás injustiça em um julgamento. Não favorecerás o pobre, nem honrarás o poderoso.

mas julgarás o teu próximo com justiça. Não divulgarás calúnia entre o povo, nem conspirarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. Não odiarás o teu irmão no coração. Não deixarás de repreender o teu próximo. Olha que bonito. Não odeie, não deixe de corrigir o próximo, não deixe de repreender o próximo. Às vezes a gente deixa de amar porque a gente não fala a verdade para o outro, não corrige o outro.

para que não sofra por causa do pecado dele. Abre os olhos do irmão. 18. Não te vingarás, nem guardarás ódio contra a gente do teu povo. Aí vem o que Jesus citou. Pelo contrário, amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.

O resumo da lei, o maior dos mandamentos, tem a ver com o próximo. Ame o teu próximo como a ti mesmo. O que significa isso? O amor ao próximo é a prova visível que você ama a Deus. Você ama a Deus? Prove isso. Ame ao próximo. Jesus desdobra a relação com Deus diretamente a uma relação com o próximo. Porque é impossível separar as duas dimensões da lei.

O invisível, primeira placa da lei, Deus, se revela no visível, segunda placa da lei, pessoas. E por isso o amor ao próximo se torna a evidência concreta do amor a Deus. Quando Jesus diz como a si mesmo, ele não está incentivando um narcisismo espiritual.

Não é que você tem que amar o próximo no sentido de eu amo, amo a mim mesmo. Não é a ideia de narcisismo. Mas é o quê? Ele não está incentivando esse narcisismo, mas partindo de algo profundamente humano. Você busca cuidado, evita a dor, deseja dignidade, então chama você a estender exatamente isso ao outro. Transformando a maneira como se vive, se relaciona e se enxerga cada pessoa ao redor. É a ideia do espelho. Você está olhando no espelho, você está vendo você ali.

Então, você vai se arrumar, vai arrumar a gravatinha, a camisa, pentear o cabelo, porque você quer que aquele lá seja bonito, é o que você está vendo. Então, essa é a ideia, amar ao próximo como amar a si mesmo, é como se você estivesse no próximo olhando o seu espelho.

Você não quer que ele fique desarrumado, porque é você mesmo. Você não quer que ele vá todo torto trabalhar, com um tufo no cabelo, igual o Alex me contou esses dias, que ele cortou o cabelo, foi um tufo assim, ficou andando o dia inteiro, com o tufo na cabeça. Aí, quando ele chegou em casa, ele viu, a mulher dele falou, Alex, você cortou o seu cabelo errado. Mas, se você ver o tufo, você não vai assim.

Certo? Você está no espelho. Essa é a ideia. Amar o próximo como a ti mesmo é como se você olhasse para o irmão, para a irmã, e você visse você. Você deseja que esteja refletindo você. Essa é a proposta. Não é um narcisismo. É a ideia de que você deseja que o outro esteja tão bem, tão digno quanto você deseja para você mesmo.

E aqui entra a misericórdia. Por que a misericórdia é legal? Porque esse texto, o Levíticos 19 todo, ele é baseado em Deus. O tempo todo ele fala assim, eu sou o Senhor vosso Deus. Está lá no versículo 10. Lá no versículo 14, eu sou o Senhor. Certo? Lá no versículo de novo 16, eu sou o Senhor. Então, baseado na misericórdia de Deus. A misericórdia de Deus é o padrão da nossa relação com o próximo. Por que a palavra misericórdia aqui é muito boa? Vamos pegar um aspecto da palavra misericórdia. E aí

Tem muitos. A palavra misericórdia tem a ver também com não dar para o outro o que ele merece. Repetindo, não dar ao outro o que ele merece. Um dos aspectos da misericórdia, Deus não nos deu o inferno. Porque o inferno era o que nós merecíamos.

Certo? O inferno era o que todos nós merecíamos. O salário do pecado é a morte. Todos nós somos pecadores. Todos nós merecíamos a morte eterna. A misericórdia de Deus revela-se quando Ele não nos dá aquilo que merecíamos. Ao contrário, Ele se manifesta de forma graciosa e nos dá salvação, perdão. Merecíamos? Não. Fizemos alguma coisa? Não. Ele fez por misericórdia.

A relação com o próximo, quem ama a Deus, experimentou desse amor de Deus, a relação com o próximo é misericordiosa. Como você trata a sua esposa? Ela não merece. Ela foi a semana inteira brava, ela gastou o dinheiro tudo errado. Estou falando lá de casa. Ela fez isso, me tratou mal.

sei lá o quê, o que ela merecia? Ela merecia que eu desse a resposta adequada, que eu falasse alto, que eu gritasse, que eu falasse um monte, apontasse o dedo, é o que ela merece, é o que a minha mulher merece. Mas aí entra a misericórdia, porque a misericórdia é dar para a pessoa o que ela não merece.

Ainda que me tratou mal, ainda que me apontou o dedo, ainda que fez um monte de coisa errada ao meu juízo, eu responderei, porque eu amo a Deus e ao próximo como a mim mesmo, eu responderei com misericórdia. Se foi com grito, eu respondo com palavras doces. Se foi com ódio, eu respondo com amor. Se foi com pancada, eu respondo com graça. Porque a misericórdia dá à pessoa o que ela não merece.

E aquele meu patrão chato, explorador, que fica o tempo todo se abusando e tal, ele merecia que eu gritasse com ele, que eu trabalhasse mal, ele merecia que eu roubasse a empresa. Merecia, é verdade. Merecia. Poderia fazer isso mesmo. Mas a gente não trabalha por mérito.

Nós trabalhamos por misericórdia. E se nós amamos a Deus e ao próximo como a nós mesmos, nós responderemos ao nosso patrão com misericórdia. Daremos a ele o que ele não merece. Um funcionário bom, honesto, que responde com amor, que trata com decência. Mesma coisa, um patrão que tem um funcionário traste.

Merecia um monte de xingo, de punição, mas trataremos com misericórdia. Daremos a ele o que ele não merece. Amor, compreensão, porque cada um dá o que tem. Às vezes, a gente se frustra porque a gente fica na expectativa aguardando que o ímpio devolva para a gente aquilo que ele não tem para dar.

O ímpio não tem amor para te dar, ele só tem interesse. E a gente se frustra. Ele não tem bondade para dar, ele só tem interesse. E a gente se frustra.

Não aguarde coisas que os outros não podem te dar. Mas você não precisa responder com aquilo que ele usa. Você não precisa dar pedrada em quem só tem pedra para dar. Se ele só tem pedra para te dar, você tem o que para dar? Misericórdia. Cada um dá aquilo que tem. Eu tenho misericórdia. Responderei o mal com o bem.

Isso é amar o próximo como a nós mesmos. E vai além, porque Jesus diz quem é o próximo. Até mesmo os nossos inimigos. Até mesmo quem nos persegue, quem fala mal de nós, quem é fofoqueiro, quem é malicioso, quem deseja o nosso mal, quem quer puxar o nosso tapete.

Merecem, merecem soco na cara, paulada na cabeça, rasteira, voadora, merecem. Se você falar para mim assim, merece? Eu vou falar, merece. Merece mais do que isso que você está falando. Mas a gente não responde as pessoas com o que elas merecem. Nós respondemos com misericórdia. Respondemos com amor, com graça, com perdão. Isso é o cristianismo. Isso é a prova real que nós amamos a Deus.

quando amamos o próximo. Isso é o maravilhoso dessa história, meus irmãos. Isso é entender que o amor de Deus, ele é derramado por aquelas pessoas que não merecem. Pessoas que o tempo todo... E não tem para te oferecer. Lembre-se disso. Tem uma fábula que eu acho interessante, que é uma fábula inglesa, do lobo e do cisne.

O lobo estava com, tinha comido, sei lá, um frango, estava com um osso enroscado aqui na garganta, o lobo. Imagine lobo mau, essa é a ideia da fábula. E ele procura o cisne, que tem aquele pescoção, aquele negocinho, o biquinho e tal, e fala, ô, seu cisne, eu estou aqui com o negócio enroscado aqui, eu vou abrir a boca bem grandão, você não vai lá e tira para mim? Aí o cisne, você acha que eu sou trouxa, não é?

Vou tirar, você vai me devorar, não é? Não, não, não vou te devorar nada. Eu estou aqui com o negócio na garganta e tal. Ao contrário, eu vou te dar uma recompensa. Vou te dar uma recompensa enorme. Você vai tirar aqui e tal, e aí eu vou, sei lá, vou comprar. O que você quer que eu compre? Eu compro várias coisas para você, eu levo você passear. Na Disney, onde você quer ir? Na Disney? Vamos na Disney. Beleza, tal.

Aí o cisne, tá bom, vai, eu vou te ajudar, beleza, beleza. Aí vai lá, o lobo abre a boca, o cisne, tem até uma estátua, se você procurar em Londres, tem uma praça lá que eu não lembro o nome, tem a estátua dessa fábula. Aí tem o cisnezinho assim, tem um óculosinho no cisne, ele está com a boca dentro do lobo, com o bico dentro do lobo. Aí ele vai lá e tira, tira lá, se arrisca, tudo tira, aí o lobo começa a rir dele, ah, como você é trouxa, não vou te dar nada mesmo, você é um bobo, e vai embora.

E aí o Cisney fica, qual é a moral dessa história? Cada um dá aquilo que tem. O lobo só tinha isso para dar. Ódio, rancor, malícia, maldade. Era o que ele tinha. O que você vai esperar de um lobo? Que ele recompense, que ele seja grato? Que ele te abrace, te ame? Não, o lobo é mau. Não tem o que dar. Ele fez o que era da natureza dele fazer. O Cisney fez o que era da natureza dele fazer.

Qual é a nossa natureza como filhos de Deus? O que as pessoas esperam de nós? E o que elas esperam de nós não depende de quem elas são para conosco, depende da nossa relação para com Deus. Essa é a questão muito importante. Olha só.

uma citação de um livro antigo judaico. Israel deve fazer com que Deus seja amado pela humanidade por causa da postura de amor para com os outros na vida. Olha que bonito isso. Israel deve fazer com que Deus seja amado pela humanidade por causa da postura de amor para com os outros na vida. A ação de Israel deve mostrar o amor de Deus e as pessoas vão amar a Deus pelo amor de Israel.

Isso é um comentário judaico muito antigo. E, por fim, como é que termina essa história? Termina na reação do escriba. Porque o escriba responde maravilhado com o que Jesus disse. É isso mesmo, você está certo, concordo com você. E aí tem uma frase muito legal, voltando lá para Marcos, porque o escriba faz uma menção espetacular no 33.

Tudo isso, finalzinho do 33, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. Toda a estrutura do templo, tudo o que eles faziam, matavam os animais, faziam sacrifícios, holocaustos, toda a dinâmica do templo, o escriba chegou à mesma conclusão de Jesus. Tudo isso aqui é inferior à relação de amor para com Deus e para com o próximo.

O escriba chegou à conclusão que o sacrifício sem obediência, sem amor, é irrelevante. E essa frase permeia todo o Antigo Testamento.

sacrifício é inferior à obediência. É como nós terminamos o texto de hoje. Quando o escriba afirma que amar a Deus e ao próximo vale mais do que todos os sacrifícios, isso soa quase explosivo, porque todo o sistema religioso de Israel girava em torno do tempo. Ainda assim, não está rejeitando o culto em si, mas confrontando o culto sem coração. Afinal, religião sem amor é apenas uma estrutura vazia.

Todo o templo, todo o sacrifício, se não tiver amor, é inútil. Vale para hoje. Religião sem coração é vazio. Música sem coração é vazio. Qualquer coisa que você fizer sem o coração...

de amor verdadeiro a Deus e ao próximo, é vazio. Porque a ideia de religião cristã, ela não é ritualística, ela não é um propósito a ser cumprido uma vez por semana, não é um rito, mas é uma transformação de relações. A sua para com o Senhor, de amor, e da sua para com os próximos, que estão ao seu lado, também de amor, baseado no amor de Deus.

Essa é a beleza da fé cristã. Sacrifício sem obediência, sacrifício sem amor é nulo. Igreja sem amor é nulo. Proposta de Jesus. De onde veio isso? Olha os textos que bonitos lá dos profetas. Os profetas já falavam disso, denunciavam isso. Séculos antes, Jeremias 7, 21 e 23. Deus declara que a obediência precede o sacrifício.

Esse texto é muito legal, quer ver, eu vou ler só esse aqui. Deixa o seu dedo aí, olha Jeremias. Jeremias, capítulo 7, versículo 21. Depois, se você quiser ler os outros, na sua casa, vale a pena. Só vou fazer a menção deles, mas esse eu quero ler. Olha de onde veio essa ideia de que o amor é superior ao sacrifício. Permita todo o Antigo Testamento, mas eu vou destacar esse aqui de Jeremias 7, 21 a 23.

Jeremias 7, 21. Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, juntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios e comei a carne. Pois quando tirei vocês, tirei vocês, vossos pais, desculpa, quando tirei vossos pais da terra do Egito, não lhes falei nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocausto ou sacrifício.

Olha que legal isso. Quando eu tirei vocês do Egito, eu não mandei vocês fazerem holocausto nem sacrifício. Mas lhes ordenei isto. Dai ouvidos a minha voz, e eu serei o vosso Deus. Ou seja, me obedeça. E vós sereis o meu povo. Andai em todo o caminho que eu vos ordenar, para que vos corra tudo bem. Ou seja...

O principal não é o ritual do culto. O principal não é o sacrifício lá do templo. Não é matar o bicho, não é isso. O principal é ouvir a Deus, obedecer. Obedecer. Eu não tirei vocês da terra do Egito para vocês ficarem sacrificando coisa para mim. Eu não quero o sacrifício de vocês.

Eu tirei vocês do Egito para que vocês me amem, me obedeçam e possam abençoar as pessoas. É para isso que eu tirei vocês do Egito. Eu libertei vocês da escravidão, não para que vocês façam outros escravos, mas para que vocês conduzam outras pessoas também à liberdade. Eu não quero rituais vazios, eu quero pessoas quebrantadas, transformadas, que me amam e possam amar ao próximo.

Está no Antigo Testamento inteiro. Isaías 1, 11 e 17, diz que Deus estava farto de rituais, enquanto o povo vivia em injustiça. Farto, não quero, pare de sacrifício. Vocês estão me oferecendo um monte de coisa, mas vocês são malignos. Não quero sacrifício.

Oséia 6.6 resume com precisão. Misericórdia eu quero e não sacrifício. E o conhecimento de Deus mais do que holocausto. Conhecer a Deus, amar a Deus é muito maior do que qualquer sacrifício. Jesus cumpre toda a lei pelo amor e assim nos chama a fazer. Jesus é o exemplo disso. Porque ele amou...

antes de qualquer coisa. Jesus Cristo é o próprio amor. E a vida de Cristo é uma vida de obediência ao Pai, demonstrando amor ao próximo. A vida de Cristo é cheia disso. Os encontros de Jesus Cristo são encontros de perdão, de misericórdia, de graça. Porque Jesus cumpre toda a lei de Deus, amando.

amando as pessoas que se encontraram com Ele, purificando, perdoando, renovando, dando fé e esperança. Jesus, ao caminhar nessa terra, Ele provocou justiça. Jesus é o próprio amor em pessoa. E Ele é o próprio sacrifício. Porque o amor dEle por nós levou a cruz.

Ele morreu para que nós não precisássemos morrer. Ele é o sacrifício para que ninguém mais precise sacrificar-se. Ele é a prova viva de que aquele que ama dá a vida em favor daqueles a quem ele ama.

Esse é Jesus Cristo, o amor em pessoa. E a prova do amor de Deus para conosco é o fato de ter Cristo Jesus morrido ainda por nós, sendo cada um de nós ainda pecadores. Porque nós não tínhamos nada para oferecer, não tínhamos nada para retribuir. O amor de Deus é provado porque nós não tínhamos nada.

Foi graça, misericórdia, o amor de Jesus Cristo nos alcançou, nos libertou, porque Ele é a prova real do que é o amor.

E quando nós experimentamos desse amor, podemos amar a Deus de verdade. Experimentar desse Deus de verdade e derramar desse amor para as pessoas que a gente convive. Que Deus nos ajude nessa tarefa de sermos agentes de misericórdia num mundo de ódio, de rancor. Que você seja Jesus Cristo, porque é isso que nós somos, cristãos, nesse mundo cheio de Judas.

Vamos orar? Baixe sua cabeça, feche os seus olhos. Olha o Senhor. Peça a Ele que nós possamos cada vez mais amá-Lo sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.