#EP170 - DOPAMINA BARATA
🎙️ Novo episódio no ar 🔉
A gente vive cercado por estímulos rápidos, recompensas instantâneas e distrações o tempo inteiro…
E talvez o problema não seja que o treino ficou difícil. Talvez seja que o resto da vida ficou fácil demais.
Hoje no Endurance em Pauta, discutimos como a “dopamina barata” pode estar sabotando sua consistência, sua motivação e até sua performance no endurance.
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- Endurance vs. Dopamina BarataEndurance como oposto da dopamina barata · Esforço prolongado e desconforto no endurance · Recompensa tardia no endurance · Falta de novidade e estímulos rápidos no endurance · O atleta profissional que busca sofrer mais
- Dopamina Barata e Vida FácilEstímulos rápidos e prazer imediato sem esforço · Impacto da dopamina barata na consistência e motivação · O cérebro se habitua à recompensa rápida · Redes sociais e notificações como fontes de dopamina · O paradoxo do prazer: mais prazer fácil, menos prazer real
- Falta de Tolerância ao EsforçoDificuldade em sentar para ler ou treinar · Medo do fracasso e a mente falando demais · Interpretação do comportamento do atleta · Falta de tolerância ao desconforto · Cérebro treinado para o fácil cobrando o difícil
- Dopamina e o CérebroDopamina como sistema de recompensa e motivação · Consumo excessivo de dopamina e recalibração cerebral · Analogia da piscina de dopamina · Nível basal de dopamina e falta de motivação
- Motivação vs. Entusiasmo e DistraçãoMotivação como motivo interno para agir · Entusiasmo como motivo externo e passageiro · Excesso de distração que esconde a motivação · Desejo profundo e o ato de acordar · A importância de saber o que não se quer
- Concentração e Prática DeliberadaDificuldade de concentração em crianças e adultos · Falta de ferramentas para melhorar a concentração · Prática deliberada como chave para a concentração · Uso de música e fones de ouvido durante o treino · Profundidade do treino e atenção ao que se faz
- A Busca por Recompensas Tardias e o EsforçoValorizar o esforço, o sacrifício e o tempo com a mente · Valorizar o tédio, a monotonia e a repetição · O prazer adiado como recompensa real · A luta é certa, a vitória não: gostar de lutar · Construir com fundação sólida em vez de areia
Fala galera, esse é o Endurance em Pauta. Eu sou o Marcos Alack. E eu sou o Rodrigo Tosta. Se você como a gente é um apaixonado por modalidades de endurance, nós te convidamos a relaxar, ou por que não treinar e relaxar, escutando elas as palavras da salvação. Vamos juntos explorar todos os mistérios do fantástico universo dos esportes de resistência. Bora!
Fala galera, Endurance em pauta na área, eu sou Marcos Alack, estou aqui novamente com meu amigo Rodrigo Tosta e hoje a pauta é interessante, nós vamos falar de um tema que à primeira vista pode parecer não ter nada a ver com Endurance, mas talvez seja um dos fatores mais determinantes da sua performance hoje. E presta atenção, eu não estou falando de VO2, não estou falando de treino, não estou falando de nutrição, eu estou falando da dopamina, mas não da dopamina no sentido técnico, e sim o ambiente que você está inserido.
Existe um conceito que está ganhando cada vez mais força, que é o da dopamina barata, que basicamente é essa possibilidade que a gente tem de estímulos que trazem para a gente um prazer imediato, sem a demanda por esforço. A gente tem prazer o tempo todo, sem ter que se esforçar para conquistar esse prazer. A pergunta que eu quero te deixar...
agora, para a gente começar esse episódio, começar esse bate-papo, é, será que o problema não é que o treino está ficando cada vez mais difícil, e sim que a tua vida está fácil demais? Como é que você tem visto essa questão da dopamina barata, Tosta? Acho que é um tema que está permeando a vida de todo mundo, jovens, velhos, adultos, todo mundo está hoje vulnerável a tal da dopamina barata, como é que está por aí?
Fala Marquinho, fala galera, todo mundo que está nos ouvindo aí, esse é um tema realmente que, como você falou, permeia a vida de todo mundo, é um tema super sensível, principalmente nesse mundo digital que a gente vive hoje em dia, hiperconectado que a gente vive hoje em dia, cara. E eu acho que esse tipo de coisa muda completamente a forma como a gente interpreta.
A falta de consistência, que é uma palavra tão recorrente aqui no nosso programa, né, cara? Talvez seja a palavra que a gente mais falou aqui nesse programa, ao longo de todos esses 170 episódios. Estamos chegando aí, né, hoje no episódio 170.
com muita alegria, mas eu acho que isso faz com que a gente encare essa falta de consistência, falta de motivação, muita gente chama de preguiça, talvez não seja essa falta de disciplina, talvez o teu cérebro esteja completamente saturado desses estímulos muito rápidos, muito curtos, e que te dão a sensação de que você está sempre querendo algo mais, e aí você não tenha a capacidade de paraAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAut
ter a resiliência ou a paciência necessária para esperar os processos acontecerem. Então, do meu lado aqui, eu também tenho visto muito isso. E por mais que a gente tente, cara, a gente também não está imune...
a esse tipo de estímulo que a gente recebe todos os dias, especialmente quando a gente está ali rolando o feed, seja do celular ou da Smart TV, procurando alguma série para ver, que outro dia eu vi até um meme engraçado, um cara deitado no sofá dormindo.
com a boca aberta, assim, dormindo, e aí estava escrito, né? A legenda era assim, eu dez minutos depois de demorar duas horas para escolher o meu filme na Netflix, né? Então é um pouco isso, a gente acaba perdendo muito tempo e não aproveitando realmente as coisas que estão ao nosso dispor.
Perfeito, cara. Vamos tentar simplificar ao máximo. O que é a dopamina? A dopamina é um sistema de recompensa. Ela está ligada à expectativa do prazer, à motivação e também ao impulso de fazer alguma coisa. Então, por essa definição, a gente vê claramente que a dopamina não é o problema. Não é um problema a dopamina. O problema é quando você começa a consumir dopamina em excesso, de forma fácil e o tempo todo.
E aí vai entrar o que? Rede social, vídeo curto, pop-upzinho de notificação, celular o tempo inteiro na mão. Tudo isso vai estar o tempo todo entregando para a gente.
pequenas doses de prazer imediato e novamente um prazer imediato que vem desprovido de demanda de esforço para ser conquistado né a gente está fazendo esse podcast hoje com base em um vídeo do
de um canal que chama Big Thing Clips, que é do Mark Manson. Ele escreveu um livro conceituado, um livro importante, que fala bastante sobre essa questão da dopamina. Agora está me faltando o nome do livro. Eu vou dar uma pesquisada aqui para poder ver. Inclusive, eu não li o livro. Não estou falando aqui como alguém.
que leu o livro, mas eu vi esse vídeo dele aqui no YouTube e foi através desse vídeo que a gente montou a ideia do episódio, né? Então, o vídeo traz de forma muito clara para a gente que isso de você consumir o prazer em excesso, você vai recalibrando o seu cérebro, né? E eu lembro que eu já vi também um podcast com aquele... Eu não lembro se é o...
o Barbudo ou se é o Lex Freeman. Como é que chama o Barbudo? O Hilberman. Eu não sei se é o Hilberman Lab ou se foi no Lex Freeman, que ele fala bastante sobre essa questão da dopamina e ele faz uma analogia muito interessante, que ele fala que é como se a gente tivesse uma piscina, que a dopamina fosse uma piscina, que a água é a dopamina.
À medida que você vai tendo picos de dopamina, você vai jogando água para fora da piscina e uma vez que esse pico passa, a sua basal está mais baixa. E isso te deixa sem motivação, sem força de vontade, triste, para baixo. No caso ali, ele estava falando especificamente, por exemplo, do uso da cocaína, né? Que é uma coisa que vai dar um spike muito forte de dopamina.
E quando ela cai, ela joga muito a água da piscina para fora. E com isso, seu nível basal cai. E aí você tem a necessidade de usar mais, usar de novo. E isso acontece com droga, com jogo, com pornografia.
com rede social, cada um em uma determinada dose desse spike, desse pico de dopamina, mais, de alguma forma, esse consumo excessivo dessa dopamina grátis. O que eu consigo entender juntando as peças do quebra-cabeça é que a gente vai, pouco a pouco, abaixando a basal da dopamina, à medida que a gente se expõe excessivamente a ela.
Entendi. Então a ideia é que isso vá recalibrando o seu cérebro. Mas como é essa recalibração do cérebro aí? Exato. Seu cérebro começa a se habituar, se acostumar com essa recompensa rápida, com essa questão de... Ele já não consegue mais, como eu falei anteriormente, ele já não consegue mais ter aquela paciência para ver nada, não só ver, né?
Pensar por nada que demore mais, né? Ele quer que o resultado venha muito rápido, não é isso? Exato. E estimulado, né? Aquele estímulo constante. A questão da novidade o tempo inteiro, né? E aí quando você coloca ele diante de algo que exige o esforço, quando você coloca essa pessoa, a gente mesmo, diante de algo que exige esforço, que exige tempo, que exige desconforto,
fica difícil aceitar, né? Porque você consegue ter o barato, você consegue ter a sensação, você consegue ter o que você está buscando ali de forma muito simples, muito rápida, a gente começa a rejeitar, né? Tanto que a gente, não sei se a gente falou em off ou em algum dos nossos episódios, né? Que são 170 episódios, são tantos, mas que eu coloquei essa dificuldade da leitura hoje, né? Como que...
está difícil sentar para ler um livro, você trouxe o seu exemplo, que você está lendo todo dia, que você tenta se obrigar a ler um capítulo por dia, e hoje, antes da gente começar a conversar, você estava falando sobre que você pegou um livro mais difícil, que você estava encontrando uma dificuldade.
E que à medida que você deixa de fazer, como que é difícil voltar a fazer. Porque justamente, cara, dá trabalho. Você sentar pra ler um livro, você tem que parar, você tem que se concentrar. É muito mais lento do que um videozinho. Um videozinho é assim, né? É mais fácil botar um videozinho pra rolar, né, cara?
E ele explode, o videozinho tem música, o videozinho tem corte, o videozinho tem gancho, o videozinho tem letras coloridas, o videozinho é feito para te capturar. A rede social foi desenvolvida por profissionais do comportamento humano, que apoiam inclusive questões de cassino, que nem a gente viu em alguns documentários que falam dessa junção.
Que justamente é feito pra que a gente entre ali, né? Que nem a gente também falou um pouco disso, né? Inteligência artificial. Dessa coisa da inteligência artificial nunca pôr um ponto final, né? Porque o que ela quer, o que ela se alimenta, o que a rede social se alimenta, é da tua presença ali. Então, quando você põe um ponto final, o cara vai embora, né? Então, a gente tem a rolagem da tela infinita. A gente tem tudo isso. Então...
A dopamina barata tende a fazer com que a gente comece a simplesmente rejeitar o desconforto, rejeitar qualquer coisa que exija o esforço para que a gente conquiste essa dopamina. Pode crer, cara. Outro dia eu estava...
me lembrando de uma entrevista que eu vi com o Sylvester Stallone, dele falando, mostrando a luva que ele usou quando ele fez o rock, quando ele interpretou o rock, ele estava usando uma determinada luva.
E aí eu não vou me recordar, mas tinha uma quantidade de espuma na nuva, que eles dizem não sei quantas onças, que é a medida que eles têm lá nos Estados Unidos. Não sei se eram seis ou oito onças, não vou me recordar, que já faz tempo que eu vi essa entrevista. E ele comentando que agora as luvas são muito mais acolchoadas.
E aí ele faz um paralelo, é lógico que isso tem uma certa relação com a segurança dos atletas, mas ele estava dizendo que ao mesmo tempo o atleta é capaz de receber muito mais socos, porque a luva não machuca tanto, mas ao mesmo tempo essa quantidade de socos a mais que ele recebe também podem causar estragos severos do ponto de vista cerebral, mental e tudo mais. E ele estava dizendo isso, mas fazendo esse paralelo.
da espessura da luva com o nosso conforto de hoje em dia, que a gente não quer mais sofrer. E aí ele deu vários exemplos de que a sua mala hoje tem rodinhas, a escada é rolante, e aí ele vai dando vários exemplos, inclusive ele fala da inteligência artificial, falando que hoje em dia você pode até pegar o seu cérebro e colocar numa tigela d'água.
porque você não precisa mais usar o cérebro, porque a inteligência artificial meio que promete fazer, às vezes, do seu cérebro, né? Então, eu acho que é isso que você está falando. O seu cérebro começa a ter tanto estímulo rápido e fácil que você começa simplesmente a rejeitar aquilo que é penoso, que é mais difícil, que dá trabalho. E aí eu queria que a gente entrasse exatamente em como isso influencia o Endurance, né? Como é que isso entra no Endurance, Marquinhos?
Muito louco, né? Porque exatamente o Endurance vai ser o oposto completo da dopamina barata, né?
Exatamente. E, cara, uma coisa que me marcou também nesse episódio, cara, para poder trazer a... Eu não lembro quem era o entrevistado, não lembro se era homem, se era mulher, mas eu vi tudo, cara. Eu também não lembro se era no Huberman ou no Lex Freeman. Mas eu acho que é no Huberman que eu tenho a tendência de ver mais o Huberman do que o Lex, apesar de ter visto muita coisa legal no Lex também, né? Mas eu acho que foi no Huberman.
Que o cara fala também o seguinte, ou a pessoa fala também o seguinte, que tem que tomar muito cuidado com aquilo que você gosta e que dá trabalho.
pra você não começar a usar dopamina barata antes de fazer o que dá trabalho. Aham. Porque senão você começa a destruir o prazer que você tinha no que dava trabalho. Então, se blindar de não misturar prazer barato com atividades que você já gosta, em teoria, porque a tendência é você começar a parar de gostar.
Pode crer. E aí a gente estava conversando em off aqui antes de entrar e eu estava falando exatamente sobre a entrevista que o Frodeno fez com o Kipchoge lá no podcast dele, no Going Mental. E ele fala exatamente isso, o Kipchoge dando a...
A dica, digamos assim, para os atletas que vão treinar com ele lá no Cânion, os atletas mais novos que chegam lá para fazer o camp com ele, ele fala, galera, acorda cedo, vai fazer seu treino e só pega o seu celular depois das nove da manhã, depois que você já chegou, já comeu, aí você vai descansar, aí você abre o celular para ver as notificações, se informar, se divertir um pouco, mas depois, como você está dizendo aí, que você fez o trabalho duro. Antes não, porque senão é capaz de você nem ir fazer o treino.
Exato, cara, e aí você começa a minar o prazer do próprio treino Mas justamente como a gente estava falando O endurance vai ser o oposto Desse prazer barato No endurance a gente está falando de um Esforço prolongado De um desconforto constante De uma recompensa super tardia Super tardia Não é só tardia, ela é super tardia Meu Deus Porque na verdade depois que você faz um treino O que você tem de recompensa é um cansaço Exatamente Você tem repetição Eu espero Eu espero
Não é estímulo rápido. Não tem novidade no Endurance a cada 5 segundos. Não tem nenhuma recompensa imediata. Você sai para correr uma hora, não tem nada de emocionante acontecendo nessa uma hora que você está correndo. É você, seu corpo e o esforço. Então, interessante a gente pensar nisso. O quanto que o Endurance vai de encontro à dopamina barata.
Verdade, cara, verdade. O teu cérebro fica condicionado ao fácil e entra em conflito direto com o objeto que é o treino, né? E aí eu tô lembrando, falei da entrevista agora do Kipchoge com o Frodeno, e tô lembrando de uma outra entrevista que eu assisti com o Avancine, que inclusive a gente tem episódio com o Avancine aqui, um episódio super campeão, com um cara do tamanho dele, e a pessoa perguntou pra ele... É...
Tipo assim, qual a dica que ele daria para as pessoas que estão querendo começar ou melhorar no esporte? E aí ele diz assim, eu já fui dar palestra em várias empresas e muitas vezes a gente vê as pessoas que estão assistindo a palestra no final fazerem essa pergunta. Eles querem o atalho, eles querem aquela dica mágica que vá fazer as coisas acontecerem com pouco esforço.
E ele diz que quando você conversa com os atletas de alta performance, normalmente o feedback que ele dá para os treinadores deles é exatamente o oposto. Ele fala assim, cara, eu não estou conseguindo sofrer o suficiente para poder evoluir. Enquanto o atleta amador, o atleta menos, digamos assim...
ambientado com o que realmente precisa ser feito para evoluir, ele está querendo sofrer menos. Ele está pedindo para sofrer menos para evoluir. Quando o atleta profissional sabe que o preço a ser pago é exatamente sofrer mais. Olha como é louco isso. Tem tudo a ver com isso que a gente está conversando.
Totalmente. E com uma frase também, uma frase meio pronta, que é a questão do esforço. Quando o esforço começa a se tornar... Eu não lembro de dizer a frase. É que quando o esforço começa a se tornar a recompensa. O esforço é a recompensa...
Do esforço, que é mais ou menos o que o Avancinho estava falando, né? O atleta do nível dele, cara, ele sente a recompensa pelo esforço. O esforço já é uma recompensa. Claro que ele está buscando as recompensas das colocações, dos pódios, das competições, das vitórias, das conquistas. Mas o dia a dia dele é alimentado também pela recompensa do esforço em si. Um esforço que se esgota no próprio esforço e se basta no próprio esforço, sem necessidade de nada mais, né?
Porque quando a gente também precisa dessa recompensa o tempo todo, aí começa a vir aquele pensamento clássico. Porque é o que a gente está falando aqui. No Endurance, não vai ter essa recompensa o tempo todo. Não vai ter. Então, se a gente começa a ir por esse caminho, enveredar por essa...
Seara, vai vir aquilo, né? Hoje eu não tô com vontade. Hoje eu não tô motivado. Hoje não vai dar. Cara, semanas aí pra trás, eu não lembro quando... Eu tô ruim de memória. Mas assim, eu não lembro exatamente, mas... Cara, as histórias que ficam ecoando na nossa mente. Porque é muito interessante essas coisas dos encontros que a gente tem na vida com os alunos, com as pessoas que cruzam o nosso caminho e tal. Porque às vezes, cara, as pessoas falam coisas com a gente que na hora ali passa desapercebido, mas fica semana ecoando na tua mente.
Sim. Que nem algumas coisas também que acontecem na nossa vida que na hora você passa e você fala pô, beleza. Aí de repente você sonha. Aham. Quer dizer, são encontros densos, cara. São situações que vieram pra movimentar alguma coisa no nosso no nosso interior. Principalmente quando sonha, cara. Eu acho que o sonho quando você sonhou com a parada, velho.
É, sonho, tem todo um estudo de sonho que é bem, bem complexo, né? Eu fui assistir, aliás, só pegando nojo rapidinho, há um tempo atrás, talvez ano passado, a gente foi assistir uma exposição lá no Museu do Amanhã, exatamente sobre sonhos, né? Então, cara, tem muita coisa legal pra gente explorar, inclusive pode ser um tema da gente trazer aqui alguém pra falar sobre sonhos e tudo mais, que é bem bacana. O próprio sono, né?
ou no sonho, né? Mas é isso, a questão é... Não é a falta de motivação. Começa a surgir mesmo uma falta de tolerância ao esforço. Falta de tolerância ao esforço de sentar a bunda na cadeira pra ler. Falta de esforço pra poder botar a roupa e sair pra treinar. Falta de tolerância ao esforço de fazer aquele longão tão longo. Mas eu tava falando da história do... É. Que, pô, eu mandei o treino e eu recebi uma mensagem do aluno e eu mandei o treino.
Assim, vi o treino e sinto que não consigo fazer. Cara, tipo assim, linear bem calibrado, vem entregando todos os treinos. Era uma série de dois quilômetros. Era um treino intervalado em zona quatro, com séries de dois quilômetros, intervalo de dois, três minutos, eu não lembro exatamente. Mas tipo assim, cara, eu fiquei pensando, eu falei, cara... Porque é aquilo, né? Você sentir...
A gente sente, a gente não controla. Acho que pouca gente controla o que sente, né? Talvez tenha os caras muito... Mas a gente sente. A gente falou outro dia aqui, né? Sobre essa coisa de controlar o que sente, controlar... Sentir, pensar e falar. Então, esse cara, ele sentiu, ele pensou, e pior que falar, né? Ele botou no verbo divino por escrito, né? É mais documentado, né? Tipo, porra... E aí eu fico pensando, eu fiquei... E aí eu fico...
Por que que tá escolhendo esse caminho, cara? Ele não se deu a oportunidade de aquecer. Ele não se deu a oportunidade de fazer o primeiro estímulo. De tentar, né, cara? De tentar, cara. Eu fiquei pensando um pouco, talvez, nessa questão da falta de tolerância ao esforço. Sim. E também do medo do fracasso, né? Porque, pô, ele tá mandando essa mensagem, ele já tá preocupado com o que vai ser. De que, pô... E aí
calma, cara, eu tentei falar pra ele assim, calma, velho, vamos pro treino, aquece, faz a primeira repetição, se não der, a gente vai entender e tudo, e às vezes a gente vê isso nos treinos, que nem ontem também eu avaliei o treino de um outro aluno, que ele tinha um bloco em zona 3 solo, ele aquecia e ele vinha pra um bloco em zona 3 solo, cara, nos primeiros minutos da zona 3 solo, ele já não tava entregando.
Aí depois ele entregava, ele não entregava. Ele entregava, ele não entregava. Mas, cara, o fato dele não ter entregue os cinco primeiros minutos de uma série Zona 3 solo, cara, várias coisas vêm na minha mente. Primeiro, vem na minha mente que, cara, se ele não entregou... Cara, assim, a percepção minha é de que ele nem tentou.
Aham. Ele nem tentou. Ele aqueceu como ele tinha que aquecer. Ele fez a série antes da série principal como ele tinha que fazer. Na hora que veio os primeiros segundos da série principal, ele já tava quem? Aham.
eu sinto que tem um pouco a ver com a falta de tolerância, é um esforço. Eu não tô falando que era o melhor ele fazer aquela série. Não tô falando. Não é isso. Que pode ser que aquele dia realmente não fosse. Talvez aquele dia ele não tava tão legal, aquela série... Mas, cara, eu não tô falando de uma série Zona 5, eu não tô falando de uma série Zona 4, teto, Zona 4 só. Zona 3, solo. O chamado conforto honesto.
Uma coisa que não é pra você falhar nos primeiros 5 minutos. Sim, sim, entendi. Se você passou um bloco de 40 minutos, uma hora, você falhar com 50 minutos, com 40 minutos, tudo bem. Endurance neuromuscular, sua musculatura já não aguentou, você não tolerou isso. Mas nos primeiros 5, mostra que talvez é uma cabeça falando demais. É a mente falando demais, igual o caso do aluno anterior. É um pensamento muito acelerado que está construindo uma realidade antes da realidade ser experimentada.
Verdade, verdade. E isso aí, cara, eu fico pensando que isso aí é importante porque isso muda a forma de interpretar o comportamento do atleta, que é isso que você está falando. Olhando para ele e pensando, por que ele está sentindo e verbalizando isso? Ou documentando, como você falou, por escrito isso. Isso é uma forma de interpretar o comportamento do atleta. A gente começa a mudar a forma como a gente interpreta.
É, e geralmente tem mais coisa por trás, né? Sim. É, que aí não vai ser escrito por WhatsApp, tem que ser num telefonema. Sim. Pra você começar a ampliar o contato humano e talvez entender o holístico da história, né?
Como é que tá a relação em casa, como é que tá a questão financeira, como é que estão as dores. Porque é a impressão que dá que você cravar uma verdade de fracasso como essa, antes do fracasso chegar perto de acontecer, tem mais coisa, cara. Sim. Tem mais coisa. E assim, eu não tô falando de um atleta que chegou pra mim e que a gente não tinha um limiar calibrado e que a gente tinha ali um alvo joselito.
Não era o Alvo Josenito, cara. Era um alvo que, pô, já fez coisa muito pior. É, quando você conhece, você sabe do que o cara é capaz. E, como você falou, talvez possa ter sido um dia infeliz, um dia que as coisas não caminharam bem, mas, de uma maneira geral, podia, pelo menos, ter tentado. E você percebeu que não teve essa tentativa, né?
Exato. Então, hoje muita gente acha que o problema é a falta da disciplina, né? Que é a falta da disciplina, a falta de mentalidade, falta de querer mais. Mas o ambiente que a gente vive é completamente desregulado. A gente passa o dia inteiro com essa oferta de estímulos fáceis, né? E aí na hora que o cérebro tem que se motivar e se preparar para o treino...
que ele vai ter que funcionar de uma outra forma, né? Com uma recompensa, porra, adiada, com a monotonia, com a repetição, com a ausência de estímulos, começa a não funcionar. Com certeza, né? Você tá treinando o teu cérebro pro fácil e cobra dele o difícil. Perfeito, velho, perfeito. Aí ele não entrega, cara. Você tá treinando o sistema errado, né?
Aham, com certeza, cara, com certeza, cara, muito louco isso. É, e isso acaba ficando na vida, não só no comportamento, isso impacta diretamente a performance, né? Porque você começa a ter menor tolerância ao desconforto.
Menor capacidade de sustentar o esforço. Dificuldade de concentração. Já falamos disso também, essa questão da concentração, né, cara? Pô, eu fui um garoto em chaqueca quando criança, né? Lembra do garoto em chaqueca da MTV? Lembro, lembro. No espanhol era tico migranha.
Pô, eu era um jovem que tem trabalho na escola, pô, ia mal, eu fui virar minha chave mesmo assim no científico, mas, pô, repetir sétima série, pô, recuperação com todas as matérias.
dentro de sala de aula, né, cara? E eu fico pensando que... Nem sei o que eu tô falando disso, cara. Não, porque você falou da dificuldade de concentração, né? Ah, exato. Que é uma das coisas que começam a acontecer, né? Não só a tolerância, o desconforto. Então, eu fui muito jovem cobrado por uma incapacidade de me concentrar. Mas em nenhum momento da minha vida alguém me trouxe ferramentas pra me concentrar.
Ninguém me apresentou as ferramentas, só me disseram que eu deveria me concentrar. Mas qual caminho eu deveria trilhar pra ampliar e diminuir essa minha dificuldade de concentração, ninguém me deu. Hoje eu entendo que o principal é a prática deliberada. Eu acho que se você se concentrar numa prática que não é deliberada, é bem mais difícil, cara, assim. É.
Com certeza, e pensando nisso que você falou, que ninguém te ensinou a se concentrar, apesar de cobrar essa concentração, me lembro daquela música do Gabriel Pensador, que ele fala, aquilo que o mundo me pede, não é o que o mundo me dá. O Gabriel Pensador tem uma frase numa música dele que é assim, quer que eu ande arrumado?
que eu saiba falar, aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá. Alguma coisa nesse sentido, não lembro exatamente os versos, mas é um pouco por aí, né? Te cobravam coisas que você não sabia nem como entregar, né? É, como acessar isso, né? E aí é interessante que o esporte que foi o caminho pra me moldar nesse sentido, tanto que, pô, passei na Universidade Federal do primeiro semestre, pô, aprendi a me concentrar na marra, né?
Tipo, com a ajuda do esporte, porque se você não se concentra, você vai sobrar no pé do cara.
Você vai errar o ritmo, você vai ter que se concentrar, vai ter que mobilizar o foco, né, cara? Pra você não acabar abandonando, por exemplo, o treino no meio da sessão, né? Sim. Então, e começa a buscar estímulo o tempo todo, essa busca pro estímulo o tempo todo. Música, distração, olhar no relógio, qualquer coisa. Então, até mesmo essa questão dos dados, essa questão do... Cara, durante muito tempo com assessoria esportiva, eu era bem...
É assim, não tanto, mas eu era um pouco talibã em relação aos meus alunos correrem de fone. Eu tentava tirar o máximo possível o fone das pessoas. Justamente nessa expectativa de ajudar as pessoas a se concentrarem um pouco mais voltando a atenção pra dentro e não pra fora, né? Que é ir fazendo essa tal da profundidade pro treino.
Sim, sim. É, mas assim... Eu uso música hoje, não sou totalmente mais assim. Mas eu acho que, cara, se você usa música o tempo todo, você não consegue treinar sem música, alguma coisa tá errada. É isso que eu ia falar. Eu ia falar exatamente isso, assim. Eu acho que a música pode ser um grande aliado, sabe? Pra você treinar em várias circunstâncias. Mas ao mesmo tempo, eu acho que de vez em quando é bom você tirar a música pra você tentar ter contato com essa.
Ou ao contrário, sim. De vez em quando você coloca... É, para quem não usa, né? Para você ter contato com essas sensações diferentes da que você está habituado, com certeza. Exato. Essa questão da profundidade do treino, né? Se você está sempre jogando para fora, você não entra no treino por completo. Você só passa por ele, né? Você não dá atenção ao que você está fazendo de verdade. Então, o que a gente está fazendo aqui nesse episódio, eu acho, pelo que eu estou entendendo, é...
Valorizar o esforço, valorizar o sacrifício, valorizar esse tempo seu com a sua mente, valorizar esse tédio, valorizar essa monitorinha, essa repetição, valorizar esse prazer que vai vir adiado.
É, com certeza, cara. O vídeo que a gente mencionou traz esse paradoxo do prazer, que é a ideia de que quanto mais prazer fácil, menos prazer real. Porque o prazer real muitas vezes não acontece naquele momento imediato. Muitas vezes o prazer real, você deu esse exemplo aí, falando do Avancine ou de qualquer atleta de alto rendimento que se satisfaz.
pelo esforço em si, pelo simples fato dele saber que aquele esforço vai gerar os resultados que ele tanto almeja, né? Então, você se contentar com isso. Tem uma frase que eu gosto muito, eu não me lembro de quem é essa frase, uma dessas frases prontas aí, como você mencionou uma outra, mas que é assim, a luta é certa, a vitória não. Então, você tem que gostar de lutar. É verdade, né? É essa aí.
basicamente é isso, então se você aprender a gostar de lutar, você vai estar sempre feliz, entendeu? Agora, se vier a vitória, melhor ainda, né, cara, a gente celebra ainda mais, mas eu acho que é um pouco o que esse vídeo traz de ideia, o prazer naquilo que você está se desenvolvendo, naquilo que você está fazendo, a velha história de que o mais importante é a jornada e não o destino, né?
porque quando a gente tem essa dopamina barata, que a gente se refere o tempo todo aqui, e a gente falou muito aqui da rede social, dos vídeos no YouTube ou na TV, na Smart TV, enfim, mas é para uma série de coisas, né, cara? Hoje a gente sabe que até do ponto de vista alimentar, porra, a gente tem dopamina barata...
qualquer estante de supermercado, é muito simples, às vezes é literalmente barato você comer uma coisa gostosa e que muitas vezes não te traz saúde. Enfim, a dopamina barata a que a gente se refere, ela está na nossa vida em várias...
de várias formas, né? E eu acho que é um pouco isso, a gente tentar se desapegar de tudo que parece muito fácil o tempo todo pra gente entender que pra algumas coisas vai levar tempo. E no caso do treino, que é isso que a gente tá querendo salientar aqui, não tem muito jeito, né, cara, de você evoluir rápido, de você melhorar muito, de você estar toda hora feliz com...
um resultado, porque muitas vezes você vai falhar, como você falou que o cara tava com medo de falhar, muitas vezes você vai falhar, cara, sabe, você tem que aprender com as suas falhas e tá tudo bem, sabe, porque a falha é... Se tiver falhando suado, tá ótimo, se tiver falhando no sofá. É, cara, entendeu? Então, eu acho que esse paradoxo do prazer é que o vídeo traz de uma forma a chamar a nossa atenção, né?
Essa frase que você usou de quanto mais prazer fácil, menos prazer real, isso aí é muito importante, porque o atleta começa a falar não estou gostando de treinar, perdi o prazer. Mas o treino não mudou, o que mudou foi o nível de estímulo do atleta. Se o atleta está acostumado com picos constantes de dopamina, o treino não tem como competir com isso.
Com certeza, cara. Não é o treino que ficou pior, né? É o seu cérebro que ficou dessensibilizado pra aquele tipo de coisa, né? Cérebro ficou dessensibilizado, cara. Isso aí é muito interessante mesmo, né? E como é que a gente resolve isso, Tosta?
Cara, não é complexo, né? Mas também não é confortável. Não é fácil de fazer. Porque se fosse fácil, todo mundo estava fazendo. A gente não estava nem falando sobre isso aqui, né? É, e se fosse confortável, eu acho também que não seria com tudo que a gente já falou até aqui, né? Exatamente, cara. Exatamente. Não é fácil.
Mas a ideia é reduzir um pouco esses estímulos, né? Essa quantidade de estímulos, né? Aceitar um pouco essa coisa do tédio. A gente vê isso muito nas crianças hoje em dia, né, cara? Canto de ver crianças pequenas assim, cara, em locais públicos ou reuniões, seja de família, seja de amigos, alguns filhos menores. Cara, as crianças não conseguem...
Sabe, não fazer nada. Cara, ai pai, estou com tédio. Tudo é um tédio, sabe? Toda hora é um tédio. Então, entender que você consegue se divertir com coisas às vezes mais simples, né? Então, aceitar um pouco essa coisa do silêncio, parar, respirar, reaprender a fazer coisas sem essa recompensa imediata, saber que você vai fazer uma coisa agora e você não vai receber nada em troca. Você vai fazer só porque você precisa fazer.
ou porque você quer fazer, ou porque é necessário fazer, né? Enfim, acho que isso vale muito pro treino em si. Às vezes você pega uma série que você não gosta de fazer. Cara, não gosta de fazer aquela série. Pô, mas talvez seja aquela série que vai te tornar melhor. Só que ela não vai te tornar melhor na semana que vem, né, bonitão?
ela vai levar um tempo, você vai precisar repetir essa série muitas vezes. Então, eu acho que é um pouco isso, não é fácil, principalmente essa coisa de reduzir os estímulos, de questionar ou pelo menos refletir, né Marquinho, sobre determinadas escolhas que você faz. Então, é aquela história, eu posso pegar o celular ou posso pegar um livro? Eu posso pegar...
fast food ou posso pegar uma comida saudável. Eu posso, entendeu? Algumas escolhas. Sabe? Na hora da sobremesa eu vou comer uma fruta ou vou comer um chocolate. Não que você não possa comer o chocolate, mas eu acho que deu pra entender o que eu quero dizer. Você consegue ver que você tá comendo um chocolate, porque a gente come e nem vê o que a gente tá comendo.
É, então assim, ter essa reflexão, consciência, ter essa reflexão sobre os nossos atos. Novamente, não é fácil de fazer, mas não é muito complexo, né? É só a gente parar e pensar que a gente tem que...
desligar um pouco o modo automático que a gente vive, né, Marquinhos? Acho que a gente, todos nós, cara, e a gente tá falando aqui, né, Marquinhos, parece que a gente... Parece que a gente é aquele Buda que você mencionou ainda agora. Não, nós passamos por todas essas provações. Começou a botar o pré-papo pra galera ouvir, né?
É, a gente passa por todas essas provações aí também. Mas assim, é legal a gente exercitar isso, né? Ter essa consciência de tentar refletir sobre determinadas ações quando a gente percebe que essa dopamina barata, rápida e fácil está atrapalhando, no nosso caso aqui, não só outras áreas da vida, mas atrapalhando especificamente o treino, que é o nosso objeto aqui de análise, né?
Exato, a gente está falando praticamente, então, é que a gente tem que ter um treino mental mesmo, né? A gente vai ter que construir essa capacidade de sustentar o esforço. E isso não vai vir de mais motivação. Pelo contrário, isso vem de menos distração e não de mais motivação. Urra, excelente, excelente, cara, excelente. Porque esse tema da motivação...
Cara, é uma coisa engraçada, né? Porque a dopamina é muito essa coisa da motivação, né? Você quer estar motivado. Só que eu sempre falo sobre isso, né, cara? A motivação, a etimologia da palavra é o motivo que te leva a agir, né?
E aí esse motivo, cara, ele não pode ser externo, cara. Esse motivo tem que ser interno. A motivação é de dentro pra fora. Se você ficar esperando a motivação... Eu sempre digo que o que é de fora pra dentro é entusiasmo, sabe? É, é... Eu tô entusiasmado pra fazer um Ironman. Só que isso passa. Eu não tô motivado pra fazer um Ironman. 5 horas na bike, né?
Porra, exatamente, cara, porque o entusiasmo ele passa. Agora, a motivação, você fala, não, eu quero fazer por conta disso, disso, daquilo, você elencar os seus motivos, aquilo que te move, faz total diferença, né? Então, quando você fala aí que isso não vem da motivação, vem de menos distração, é porque muitas vezes esse excesso de distração esconde a sua motivação.
Verdade, velho. Isso é muito louco, cara. O excesso de distração esconde a tua motivação, por mais que você tenha. É.
É louco isso. Quando eu me fomento com a ação física, eu dei algumas palestras pro Sebrae, pra algumas empresas aqui na região, e a aula que eu dava, eu falava da motivação, aí tinha uma seta assim no slide, que falava do desejo profundo. Do desejo profundo. E depois do desejo profundo, eu falava do acordar. E aí separava, falava a cor...
dar, falava, pô, dar cor, por um brilho naquilo que você faz, né, assim, e aí o que você falou é muito interessante, que a distração faz com que você não consiga colocar brilho naquilo que você faz. Agora, eu tenho um pouco de medo hoje com essa conversa
do desejo, do propósito, do saber o que a gente quer. Eu acho que isso é um pouco perigoso. O que eu, hoje, aos 46 anos, talvez eu já tenha conseguido compreender na minha vida, é que pode ser que eu não saiba o que eu quero. Porque o que eu quero pode ainda não ter cruzado o meu caminho. Mas uma coisa que eu sei, que eu sei, é o que eu não quero.
Eu sei o que eu não quero. Se eu conseguir dar atenção pro que eu não quero, no sentido de não me envolver com isso, e seguir aberto pra vida, o que eu quero pode passar pelo meu caminho. E eu gosto de contar a história lá da... da... pipoca com... era melancia, melancia com... sei lá, acho que era melancia com limão, melancia com pimenta, era pipoca com... era uma...AutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAutAut
Casal de mexicanos que a gente conheceu na estrada, que estavam há sete anos morando na estrada num motorhome americano. A gente conheceu eles na cidade da Argentina, chamada Guayaguay. Compartimos com eles, jantamos eles na nossa casa, a gente na casa deles, no carro, né? Na nossa casa, eles na casa deles. E eles apresentaram essas coisas pra gente. Apresentaram suco de tamarindo, apresentaram o pochoclo, né? Que é a pipoca deles, né? Suco de tamarindo me lembrou logo Chaves, maluco. É.
Você falou do mexicano, né? Você falou do mexicano e lembrei logo do Chaves. É forte, sim. Aí teve o lance da melancia, que eles comem... Eu não lembro agora se era sal ou se era limão. A pipoca também, jogando uns negócios diferentes na pipoca. Que eles chamam de pochoclo. E... Porra, me perdi de novo, cara. Por que eu fui parar nos mexicanos, velho? Que loucura, cara. Fui parar nos mexicanos porque eles vieram na minha mente, cara.
Porra, não tô lembrando agora, não lembro porque eu comecei a falar desses caras, velho. Ah, não, era, não, tô falando desses caras justamente por isso, pra falar disso, cara, que eu adorei o suco de tamarindo. Porra, eu adorei comer a melancia de um jeito diferente. É, acho que você tava querendo se referir às coisas que você quer e que você não sabe ainda que quer. Exatamente, é isso que eu tô falando, cara, porque foi um encontro que...
Aquela coisa absurda de eu olhar e falar, porra, isso é um absurdo o cara jogar, sei lá, sal na melancia. Eu não lembro como é que é que eles comem. Realmente não vou lembrar. Mas eu lembro que era uma coisa chocante, que a gente nunca pensou na vida em fazer algo parecido. E que eu experimentei e eu gostei.
Então, antes de eu sair de viagem, antes de eu estar aberto para a experiência, antes que isso cruzasse meu caminho, não tinha como eu saber. Mas eu já sei as coisas que eu não quero. Eu sei o meu corpo, a minha barriga, o meu sono, minha mão, sudorese na palma da mão, me mostra situações que eu não quero mais para mim.
Então, se a gente consegue limar, porque a gente fica às vezes pressionando muito a galera, ou mesmo a gente fica se sentindo pressionado a encontrar o propósito, a encontrar o que você quer. E é difícil às vezes, cara, nem todo mundo, cara, assim, às vezes a gente fica perdido mesmo na vida. E aí talvez nesse momento, seja um momento interessante a gente dar atenção, porque a gente já sabe que a gente não gosta.
Perfeito. Se conseguir limar isso, outras coisas já vão ir aparecendo pra gente. Mas eu acho que é isso, né Tosta? A mensagem desse episódio é, talvez o problema não é que treinar tá difícil. Talvez o problema seja que o resto ficou fácil demais. E quando tudo fica muito fácil...
o difícil passa a parecer impossível, né? E aí fica difícil sair de casa realmente pra ir em busca do nosso sonho, do que a gente quer, desse esforço pelo esforço, adiar recompensa. Eu acho que tudo isso é uma conversa que também não é tão falada, né? Hoje é tudo muito fulgaz, né, cara? É tudo muito rápido, a gente quer emagrecer rápido, a gente quer ficar forte rápido, a gente quer...
Ficar isso, tudo muito rápido. Rico, rápido. Bete da sorte. Pô, não sei o quê. E não é bem assim, cara. E assim, e o louco é que, beleza, tudo que eu falei você vai encontrar exemplos de gente que conseguiu. Ficou magra rápido, ficou forte não sei o quê, que não sei o quê. Mas não é porque o exemplo de exceção deu certo que isso vai servir pra você. Então acho que vale a pena mais a gente construir com uma fundação sólida e não em areia, né?
Com certeza. Primeiro que, no caso desses exemplos que você falou que podem aparecer no seu caminho, muitas vezes você não sabe se isso é sustentável. Uma coisa é o retrato momentâneo daquilo que você está vendo, outra coisa é o que vai acontecer ao longo do tempo, com o passar do tempo. A gente não sabe. Então, conquistar coisas muito rápidas não necessariamente significa que você...
que você vai manter isso, né? Então, isso é um ponto. E eu acho que é isso que você falou. Quando o atleta começa a entrar por esse caminho de perceber que está tudo muito fácil e o difícil, quando aparece para ele, é impossível, ele começa a desistir. Ele começa a desistir, muitas vezes, sem entender o porquê. Porque quando ele acha que vai ser fácil, não é fácil, ele...
bate de cara na parede com a primeira dificuldade, aí ele acaba desistindo. Então, acho que o episódio veio a calhar. Você bem colocou aí. Não é uma coisa que é muito falada, mas eu acho que está definitivamente muito ligada a esse nosso universo do Endurance. Espero que a galera tenha curtido esse papo de hoje. Reflita sobre as escolhas, sobre a maneira de lidar com as recompensas que recebe.
E a gente se vê no próximo Endura Sem Pauta. Valeu demais, Marquinho. Bom papo hoje. Show. Excelente, Tostex. É isso. Oportunidade de entender isso. Talvez seja oportunidade de parar, de brigar com o treino. Começar a ajustar o ambiente para que tudo possa mudar.
A título de curiosidade, que nem eu falei, a gente pegou esse episódio com base no vídeo do canal Big Think Clips e o título do livro é, em inglês, The Edonic Threadmill, quer dizer, seria a esteira do hedonismo. Galera, esse foi mais um episódio de Endurance em Pauta. Vamos nessa, viver o esforço pelo esforço. Valeu, Tostex. Bora!